05/11/2009 - 17:15h Império das coelhinhas vive crise, mas Hugh Hefner reina aos 83

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‘É uma das boas fases de minha vida’, diz o profeta do hedonismo, que já admite até vender sua revista


Brooks Barnes, THE NEW YORK TIMES, LOS ANGELES – O Estado SP

Hugh Hefner se reclina no surrado sofá de dois lugares no estúdio da sua famosa mansão e entrelaça os dedos por trás da cabeça. Um visitante fez uma pergunta – quase gritando, já que Hefner tem problemas de audição – sobre mortalidade. Aos 83 anos, ele pensa nisso? Numa palavra: não. O lendário fundador da Playboy, profeta do hedonismo, não acredita que seu fim esteja próximo. E também não age como se estivesse. Continua trabalhando em tempo integral na sua revista, voa para a Europa e Las Vegas, toma Viagra, frequenta boates com as três atuais namoradas com quem vive na sua mansão – com idades suficientes para serem suas bisnetas – e está trabalhando num filme com o produtor Brian Grazer. “Esta é uma melhores fases da minha vida”, diz, sorrindo, de pijama e chinelos. “Está ainda melhor, mais rica, do que as pessoas imaginam.”

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Você quer acreditar, mas é difícil ignorar as realidades da sua empresa. A Playboy Enterprises, afetada pelas mudanças que vêm ocorrendo nos veículos de comunicação, precisa de uma boa injeção de ânimo. Neste mês, a revista anunciou um corte na tiragem de 2,6 milhões para 1,5 milhão. A Playboy Magazine contabiliza prejuízos há sete trimestres consecutivos. E talvez o mais terrível seja que, no início do ano, a empresa tenha declarado que aceitaria ofertas de compra, algo que se acreditava impensável enquanto Hefner estivesse vivo.

Mas ele sabe que toda boa festa acaba e há muito tempo comprou uma cripta próxima à de Marilyn Monroe no cemitério de Los Angeles. Nas entrevistas concedidas com o passar dos anos, ele sempre disse que a vida não valeria a pena sem a Playboy. “Seu eu a vendesse, minha vida acabaria”, declara. Mas isso pode estar mudando. “Estou pensando mais seriamente no fato de que não tenho mais 30 anos. Preciso pensar na continuidade da revista.”

Amado ou odiado, ninguém duvida da influência de Hugh Hefner na história da cultura norte-americana. Como editor de revista, ele fez pelo sexo o que Ray Kroc fez pela comida de beira de estrada: tornou-o mais “limpo” para uma classe média emergente.

Como força cultural, contudo, Hugh Hefner ainda divide o país, e isso 56 anos depois da primeira edição da Playboy. Para seus defensores, ele é o grande libertador sexual que ajudou os americanos a se livrarem da neurose e do puritanismo. Para seus detratores, incluindo muitas feministas e conservadores, ele ajudou a desencadear uma revolução do comportamento sexual que transformou em simples objeto e vítima um número incontável de mulheres e promoveu uma visão imoral da vida, só de prazeres. Hugh Hefner reconhece que houve consequências funestas a partir do que ele ajudou a pôr em marcha, mas diz que “é um pequeno preço a pagar pela liberdade pessoal”.

A SÉRIE DE TV

“As pessoas nem sempre tomam boas decisões. As reais obscenidades neste planeta têm pouco a ver com sexo”, diz, acrescentando que “esta não é uma época romântica”. Considerando-se toda a pornografia agora disponível instantaneamente online e os programas de sexo ao vivo, incluindo a sua própria série na TV ,The Girls Next Door (As Garotas da Mansão da Playboy), esta é uma época que torna os ideais da Playboy parecerem antiquados.

Hefner usa a palavra “gato” para falar de si: “Sou o gato mais feliz do planeta.” E não valoriza muito o ambiente cultural moderno. “Acredito firmemente que a cultura pop hoje é um caldo diluído”, declara. “Costumava ser algo muito mais espesso e profundo.”

Mas, ao mesmo tempo, tenta participar ativamente desse ambiente. Embora a revista ainda seja editada quase toda em Chicago, é ele que aprova “cada Coelhinha, cada capa, os cartoons e as cartas”. Trabalhando a partir do seu escritório ou da sua cama, forrada por uma colcha de veludo e seda, Hefner é quem estimulou a recente decisão da revista de adquirir um trecho de 5.000 palavras do romance inacabado de Vladimir Nobokov, Laura, para uma futura edição.

Ele foi iniciado no Twitter por suas namoradas. Está ligadíssimo na série dramática da HBO, True Blood. E, recentemente, filmou um comercial de propaganda do Guitar Hero segurando o cachimbo que abandonou depois de sofrer um pequeno AVC em 1985.

VINGATIVAS

Hefner também sofreu algumas humilhações pessoais. Antigas namoradas que viveram com ele na mansão, incluindo as que apareceram na série As Garotas da Mansão da Playboy, o retrataram em entrevistas e num livro como um controlador fanático que impunha um toque de recolher às 9 horas da noite. A própria mansão já teve dias melhores. Durante uma visita em julho, a casa de jogos (a única com uma sala que tem um colchão como piso) cheirava mofo, enquanto que o viveiro de pássaros estava precisando de uma boa limpeza. A famosa gruta, com suas banheiras Jacuzzi de várias profundidades, parecia mais uma gruta fétida de zoológico do que um palácio do prazer (embora as prateleiras ao lado estivessem repletas de enormes frascos de óleo para bebê).

Em março, com o mercado imobiliário despencando, ele colocou à venda a casa da sua mulher, vizinha da Mansão da Playboy, por US$ 28 milhões. A casa foi vendida em agosto por US$ 18 milhões. Hefner, que se separou de Kimberly Conrad em 1998, entrou com pedido de divórcio no início de setembro; Kimberly está processando o ex-marido, alegando que ele lhe deve US$ 4 milhões, com base num acordo pré-nupcial e no produto da venda da casa.

O séquito de Hefner insiste que não há escassez de dinheiro, mas uma série de medidas adotadas parecem mostrar exatamente isso. O Los Angeles Business Journal reportou no ano passado que o número de funcionários da mansão foi reduzido. As pessoas agora pagam ingressos (até US$ 10.000 cada ) para as festas que antes eram só para convidados e que ainda hoje são uma parte vital da marca Playboy.

“Nem sempre é tão empolgante como as pessoas imaginam”, disse Holly Madison numa entrevista há alguns meses. Holly viveu com Hugh Hefner por sete anos como “namorada número 1″, até separar-se dele no fim do ano passado.

Richard Rosenzweig, que trabalha na Playboy desde 1958, pensa diferente. “Este é um lugar que todos desejam ver”, declarou numa entrevista. “Todo mundo quer vir aqui.” Quando o relacionamento de Hefner com Holly Madison terminou, ele disse ter recebido cartas de mulheres do mundo todo implorando para morar com ele. “Elas estavam saltando os portões”, conta, radiante. Hugh acabou escolhendo três novas namoradas para companhia na Mansão, Crystal Harris, de 23 anos, e as gêmeas Kristina e Karissa Shannon, de 20 anos.

Apesar da atitude jovial, Hefner claramente está preocupado com o seu legado. Ultimamente ele vem estudando cuidadosamente seus álbuns de recortes, que guarda desde a infância e hoje já somam dois mil volumes. Um material nunca visto que inclui seu primeiro cartão de biblioteca, histórias em quadrinhos que ele próprio desenhou e fotos – que devem constituir o núcleo de uma “biografia ilustrada” em seis volumes, de 3.506 páginas, da Taschen. Somente 1.500 edições dessa volumosa biografia serão vendidas, por US$ 1.300 cada, ainda antes do próximo Natal.

NO CINEMA

Pela primeira vez, ele também deu acesso total a uma produtora de documentários, Brigitte Berman, que concluiu recentemente o documentário Hugh Hefner: Playboy, Ativista e Rebelde, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto. E um importante realizador de filmes biográficos está acelerando o trabalho depois de uma longa espera. Brian Grazer reuniu-se recentemente com a roteirista Diablo Cody para discutir o projeto. Brett Ratner (conhecido pelo filme Hora do Rush, grande sucesso de bilheteria) deve dirigir o filme e Robert Downey Jr manifestou interesse em interpretar Hefner. “Ele é um grande intelecto que influenciou o espírito de uma época, e essa influência é subestimada”, disse Grazer.

Alguns dos antigos amigos estão muito inquietos, temendo que sejam perdidas algumas das realizações de Hefner que admiram – a criação de um ícone cultural (a coelhinha da Playboy), a derrubada de fronteiras raciais (pela inclusão de artistas negros em seus clubes)e o apoio a muitas causas feministas, incluindo o direito ao aborto e a Emenda pelos Direitos Iguais. Hefner também se preocupa. “Hoje vivemos, literalmente, num mundo muito diferente e eu ajudei a torná-lo assim”, diz. “Os jovens não têm nenhuma noção disso.” TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Em Suma:

Neste texto, você fica sabendo como anda a vida do poderoso magnata das comunicações Hugh Hefner, de 83 anos, dono de um império chamado Playboy Enterprises, que inclui a revista masculina Playboy, fundada por ele. Hefner está às voltas com filmes sobre sua vida (um deles pode ser estrelado por Robert Downey Jr.), a manutenção do seriado de TV As Garotas da Mansão da Playboy e a edição de uma biografia ilustrada em seis volumes, a sair antes do Natal. Por causa da crise em seu país, diminuiu o número de funcionários de sua empresa e de sua mansão e não se incomoda mais se tiver até de vender a revista.

05/11/2009 - 10:59h Brasil, gran potencia latina

POTÊNCIA LATINA
O espanhol “El País” publicou o artigo “Brasil, grande potência latina”. Abre dizendo que “parece que o Brasil se cansou de ser o país do futuro e se prepara para interpretar o papel de grande potência”. Convoca para um evento político-institucional sobre o país, em fundação de Madri. Fonte Toda Mídia, coluna de Nelson de Sá na Folha SP.

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FEDERICO YSART 04/11/2009 – EL PAÍS

Parece que Brasil se cansó de seguir siendo el país del futuro y se apresta a jugar el papel de gran potencia. Sociedad y Gobiernos llevan años reduciendo desequilibrios sociales y regionales, vulnerabilidades económicas, problemas de gobernabilidad, y generando políticas públicas por encima de la contienda partidista.

El Observatorio de Análisis de Tendencias de la Fundación M. Botín reúne en Madrid un foro de expertos en torno a cuestiones clave sobre la gran potencia emergente del mundo latino:

¿Qué proyectos de Brasil existen? ¿Qué papel juegan las ideologías, lo público y lo privado? ¿Hay capacidades institucionales y políticas para arbitrar conflictos? ¿Qué cuellos de botella pueden estrangular su desarrollo social, económico y político-institucional?

Y la gran cuestión: ¿están dispuestos sociedad y Gobierno a jugar el papel de gran potencia?

El régimen militar, 1968-1985, dejó a la democracia brasileña una bomba de relojería: caída del producto interior bruto (PIB), moratoria de la deuda externa, inflación de tres dígitos, fuga de capitales y, naturalmente, degradación de las condiciones de vida de la población.

El Plan Real, con sus luces y sombras y más allá de las metas estabilizadoras, fue clave para redimensionar el papel del Estado, hacer viables reformas político-institucionales, consolidar el “presidencialismo de coalición” para impulsar las reformas y pasar de un modelo de “nacional-mercantilismo” autárquico a otro de capitalismo abierto y globalizado.

Se abrieron las puertas a la empresa privada y a las inversiones extranjeras, y Brasil alcanzó credibilidad y prestigio internacional.

Este eje de la política del Gobierno Cardoso, mantenido y potenciado por el actual, han hecho de Brasil un país confiable. El pragmatismo del presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, en su Carta al pueblo brasileño, 2002, donde se renunció a rupturas e incumplimientos de contratos y obligaciones con las instituciones financieras internacionales, fue una auténtica palanca de desarrollo.

Como también lo han sido la responsabilidad fiscal en los niveles de Gobierno municipal, regional y federal, y la existencia de una clase empresarial integrada en los circuitos mercantiles y financieros internacionales, atenta a la innovación tecnológica y a las oportunidades de negocio.

La experiencia brasileña demuestra las virtudes del mantenimiento de políticas de Estado más allá de los cambios de acento de cada Gobierno. Los frutos recogidos en el campo político-social tienen su correlato en la arena internacional. El discurso oficial habla de una política exterior de no intervención / no indiferencia, “activa” y “altiva”. ¿Asumirán el Gobierno y la sociedad brasileña los costes de esta ambición?

Brasil puede ejercer una influencia constructiva en la resolución de conflictos regionales y frenar el deterioro de las libertades y las injerencias del eje bolivariano en terceros países. Es pieza clave en el futuro de Mercosur, con el ingreso de Venezuela pendiente, y de Unasur, la región hablando con una sola voz. ¿Y todo ello sin abandonar su soft power?

Una agenda internacional de esta naturaleza hace pensar que la frase del presidente Lula “nos cansamos de ser una potencia emergente” quizá vaya más allá de la retórica. La dirección que tome Brasil podría determinar el futuro de América del Sur.

Federico Ysart es director del Observatorio de Análisis de Tendencias de la Fundación Marcelino Botín.

05/11/2009 - 10:29h Brasil: “Uma superpotência pronta para alimentar o mundo”

Toda Mídia – FOLHA SP


NELSON DE SÁ – nelsonsa@uol.com.br

Em progresso

ft.com
Em destaque, a comemoração pelos Jogos e as entrevistas com Lula e Coutinho

O “Financial Times” publica hoje e adiantou ontem em texto e PDF um caderno especial de dez páginas sobre investir no Brasil. Destaca longas entrevistas, inclusive vídeo, com Lula e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, cotado para ser o presidente do Banco Central. Ocupando metade da capa, um anúncio do Bradesco. Nas páginas internas, várias estatais, mais Andrade Gutierrez e Votorantim.
No enunciado da primeira página, “Louvor olímpico põe selo no progresso”. Na home page do caderno, “Superpotência pronta para alimentar o mundo”. Ao longo dos 36 textos, temas como o Bolsa Família que “faz diferença de verdade”; a aspiração de ser destino turístico global, mas também a violência no Rio; e o “forte crescimento depois de breve queda”.

Investing in Brazil

05 November 2009 – FINANCIAL TIMES

Ipanema

Inside this issue

• A superpower that is ready to feed the world

• The aspiration to become a world-class destination

• Much must be done to be ready in time for the Olympics – -

Content

Olympic accolade sets seal on progress

Jonathan Wheatley considers the strides that the South American giant has made and the pitfalls ahead

Banking: Quick recovery, enviable outlook

The sector has prospered thanks to wide spreads and tight regulation, explains John Rumsey

Capital markets: Strong growth after slight dip

It has been a good crisis but some are worried about the tax on inflows, reports Jonathan Wheatley

Celebrity status in the field of IPOs

A respected monetary policy and deep interest rate cuts have made the country an attractive option for emerging market equity investors, writes Samantha Pearson

Power generation: Amazon dam comes under close scrutiny

Ed Crooks looks at a hydro-electric project in a fragile region

Agriculture: Superpower is ready to feed the world

Huge strides have been made in productivity, with scope for more, writes Jonathan Wheatley

Metals and mining: Government intent on more control

The sector is facing pressure over policy decisions, writes Jonathan Wheatley

Sugar and ethanol: A perfect storm of troubles

Samantha Pearson on the predicament of an industry striving to transform itself

IT: Culture of hi-tech and hustle fosters world-leading ambitions

Brazil is rapidly becoming a new world centre for IT and BPO, writes Dom Phillips

Telecoms: A sweet spot for mobiles

In Brazil, more people have mobile phones than bank accounts, writes Dom Phillips

The north-east: Still trying to catch up

Santo Antônio: Project Financing

Business life in Rocinha favela

Irrigation helps the drylands bear fruit

Walmart cuts retailing cloth to suit fast-growing local customers

Retail: The battle for consumers heats up

Oil and gas: Sunken treasure is ticket to the world’s VIP energy club

Embraer: The worst may be over

Hotels: An Olympian effort may be required

Housing profile: Tenda sees benefit of home-building programme

Franchising: Golden opportunities, but choose your partners wisely

Shoemaking: A prized industry has travelled north-east

Education: Expanding economy discovers it lacks the skills it requires

Bolsa Família scheme: Income support makes a real difference

Housing programme: Support for affordable housing and construction sector

Environment: Masses of trees and soon to be a big oil producer

Infrastructure: Too little for too long, but PAC may put things on track

Aspiration: World-class destination

Coconut water takes on the world

Tourism profile: Brazilian Beach House exploits gap in villa rental market

Business of fashion: The sexy Brazilian touch goes down well in Russia

Olympics: Rio’s glossy sell belies a litany of troubles

The beautiful game: malfeasance and goalposts

Transport: Highway concessions

Interview with Luciano Coutinho, president of the development bank, the BNDES

05/11/2009 - 09:18h “FHC diz que governo Lula estimula bloco de poder burocrático-corporativo; embora exagerada, sua crítica faz sentido”. É o que afirma a Folha de São Paulo em editorial

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Editoriais – Folha SP

editoriais@uol.com.br

Capitalismo tutelado

FHC diz que governo Lula estimula bloco de poder burocrático-corporativo; embora exagerada, sua crítica faz sentido

O EX-PRESIDENTE Fernando Henrique Cardoso provocou um debate relevante acerca do novo “bloco de poder” que estaria sendo alimentado sob o patrocínio do governo Lula, com traços autoritários e consequências nefastas para o país. Em longo artigo publicado no domingo pelos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, o tucano começa por chamar a atenção para as “transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes” por parte do seu sucessor ou do governo petista.
FHC faz um inventário de atitudes e exemplos condenáveis de Lula e nelas detecta um DNA que “pode levar o país, devagarzinho, sem que se perceba, a amoldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm a ver com nosso ideais democráticos”.
O cerne da crítica de Fernando Henrique se volta para o que chama de “poder burocrático-corporativo” estimulado por este governo: aliança entre Estado, sindicatos, movimentos sociais, fundos de pensão e grandes empresas, “cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro”.
“Com ajudinha do BNDES, então”, ironiza o tucano, “tudo fica perfeito”. Diante de partidos desmoralizados e da satisfação popular com a economia, que favorecem a liderança autoritária e personalista, estariam lançadas as bases do que FHC chama de “subperonismo” -alusão a Juan Domingo Perón (1893-1974), o caudilho que governou a Argentina em três ocasiões.
O ex-presidente carrega nas tintas, como seria de esperar de um líder oposicionista, e peca por exagero ao descrever a configuração do atual governo. Sua análise, contudo, ilumina os piores aspectos do lulismo.
Vale ressaltar que a participação do BNDES nas privatizações e a ingerência política nos fundos de pensão estatais tiveram início no governo FHC. Mas a verdade é que o problema mudou de escala.
Este é um governo que vem estimulando de modo sistemático, como se fosse uma diretriz, a aliança entre algumas das maiores empresas privadas e grupos de interesse aninhados no Estado e no partido. O assédio recente do Planalto sobre os investimentos e rumos da Vale é um exemplo disso. A viabilização da compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar, que demandou mudanças legais e dinheiro do Banco do Brasil e do BNDES, é outro.
A participação do Estado na economia brasileira ainda é excessiva. Na relação divulgada recentemente das cem maiores empresas do país, dois terços são de capital nacional ou misto -e, entre essas, metade são estatais ou tem o governo como acionista de peso, via BNDES. Um governo menos tentacular e corporativo e mais orientado para as necessidades reais da população é o que se deveria buscar. Não é para isso que aponta o lulismo.

04/11/2009 - 11:54h O ”autoritarismo popular” de Lula

Editorial O Estado SP

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O venezuelano Hugo Chávez é um tipo rudimentar. O brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não é. Chávez, que impôs ao seu país a reeleição ilimitada, diz não entender por que um presidente “que governa bem e tem 80% de aprovação” não pode disputar um terceiro mandato consecutivo, como se as regras da ordem democrática devessem variar conforme o desempenho dos governantes e os seus índices de popularidade. Lula, que, em parte por convicção, em parte por um cálculo do custo-benefício da aventura reeleitoral, recusou a possibilidade, acredita que pode chegar aonde quer por outros meios, mais sofisticados do que é capaz de conceber a mentalidade tosca do coronel de Caracas. Trata-se da criação de um novo e presumivelmente duradouro bloco de controle da máquina estatal, da manipulação desabrida de um sistema político desvitalizado e da exploração incessante do culto à personalidade do líder, para que a adulação da massa legitime os seus desmandos e intimide a oposição.

É a construção do que o ex-presidente Fernando Henrique denomina “autoritarismo popular” – um acúmulo de transgressões e desvios que “vai minando o espírito da democracia constitucional”, como adverte no artigo Para onde vamos?, publicado domingo neste jornal. Esse processo de erosão das instituições e procedimentos é tão mais temível quanto menos ostensivo e menos expresso em atos de violência política crassa, à maneira do que Chávez faz na Venezuela para quebrar a espinha da democracia no seu país. A lógica dos objetivos não difere – “a do poder sem limites”, aponta Fernando Henrique -, mas o método, no Brasil do lulismo, é insidioso. Por isso mesmo, “pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos”.

No interior do governo, Lula aninha uma burocracia sindical que se apropria sistematicamente do mando dos gigantescos fundos de pensão das estatais, os quais, por sua vez, têm assento nos conselhos das mais poderosas empresas brasileiras. Forma-se assim uma intrincada trama de interesses que se respaldam reciprocamente, não raro em parceria com empresários que conhecem o caminho das pedras – “nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas”, diz Fernando Henrique -, fundindo-se “nos altos-fornos do Tesouro”. Isso dá ao presidente um poder formidável sobre o Estado nacional que extrapola de longe as suas atribuições constitucionais. É uma espécie de volta, em trajes civis, ao regime dos generais. No trato com o Congresso, Lula faz os pactos que lhe convierem com tantos Judas quantos estiverem dispostos a servi-lo para se servirem dos despojos da administração federal, enquanto a oposição balbucia objeções que dão a medida de sua irrelevância.

“Parece mais confortável”, acusa o ex-presidente, “fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes.” Mais confortável porque mais seguro. São raros os políticos oposicionistas que não se deixam acoelhar pelas pesquisas de opinião que mantêm Lula nas nuvens e que o aparato de comunicação do Planalto, sob a sua batuta, não cessa de exacerbar – daí a pertinência do termo “culto à personalidade”. Desde a derrota de 2006, o PSDB de Fernando Henrique praticamente desistiu de expor as responsabilidades pessoais do adversário vitorioso pela autocracia em marcha no País. Os pré-candidatos tucanos José Serra e Aécio Neves, por exemplo, medem as palavras quando falam de Lula, decerto receando que ele possa fazê-las se voltarem contra eles mesmos junto ao eleitorado que o venera. Mesmo na condenação à campanha antecipada da ministra Dilma Rousseff, a oposição parece comportar-se como se estivesse “cumprindo tabela”.

Lula não precisa tomar emprestada a borduna de Hugo Chávez para ditar os modos e os caminhos da evolução da política nacional. “Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados”, descreve Fernando Henrique, “eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições.”

02/11/2009 - 11:45h Copo meio cheio

LÚCIA GUIMARÃES – NOVA YORK – O Estado SP

A última semana começou com um número que preocupou muitos jornalistas americanos. A rede CNN despencou para o quarto lugar de audiência do jornalismo na TV a cabo. E a Fox, comemorando sua condição de “perseguida” pelo governo Obama, disparou para um folgado primeiro lugar.

A CNN inventou o jornalismo de 24 horas e o fundador da Fox, Roger Aisles, inventou o comício eletrônico travestido de jornalismo.

Desde que uma assessora de Barack Obama fez o calculado primeiro disparo, no dia 12 de outubro, afirmando que a Fox não passa de uma ala do Partido Republicano, comentaristas de variada coloração ideológica discutem a sensatez da tática.

A venerada Primeira Emenda da constituição americana, que garante a liberdade de expressão, imprensa e religião, é invocada frequentemente pelos que não acreditam nela.

No ciclo viral de notícias, a estupidez se propaga com a velocidade da luz. Exemplo: Barack Obama foi comparado a Richard Nixon, o garoto-pôster da perseguição à imprensa. Desde quando um presidente que se indispõe com a imprensa ou setores dela é uma anomalia? E qual é a semelhança entre Nixon, notoriamente paranoico e conspirador, que grampeava e ameaçava jornalistas, e o atual presidente americano?

Um excelente artigo editorial no Wall Street Journal assinado por Thomas Frank, cujo espaço é um oásis de sensatez entre as tropas de choque de Rupert Murdoch, lembrou que a perseguição nas mãos das “elites” é um dos motes da rede Fox.

O levante conservador americano a partir da década de 90 alimentou-se desta falácia narrativa – entre Nova York e Los Angeles, a middle-America é explorada e desprezada pelas hordas de privilegiados que comem rúcula e dirigem carros híbridos.

Frank oxigenou o debate com dois argumentos: Obama está certo, a Fox News é um contínuo talk-show conservador. Ela foi criada pelo homem que salvou a carreira de Nixon na década de 60, reinventando o futuro presidente para a TV. Roger Ailes perde seu sono com a Primeira Emenda tanto quanto eu perco o meu com golfe.

Obama está errado na forma desajeitada como colocou a rede na berlinda. Frank diz que a Casa Branca “jogou gasolina numa fogueira” ao alimentar as teorias conspiratórias da rede adversária quando podia ter apelado para o humor, a ironia e o sarcasmo.

Um bom cursinho preparatório para enfrentar jornalista crasso é assistir a gravações não editadas das coletivas de John Kennedy, que reagia com um humor relaxado de quem está diante de um Martini e não de um microfone.

E assim voltamos a uma fundação que tem aparecido com frequência na imprensa americana. O Pew Research Center for the People & the Press toma o pulso do público americano em sua reação à mídia. O centro se tornou uma fonte preciosa de informação neste momento de confluência de duas angústias coletivas: a crise econômica na mídia tradicional e a epidemia de jornalismo ideológico.

A última pesquisa do Pew Center confirma o que sabemos: o papel da ideologia no consumo de notícias é cada vez maior. E a Fox é vista como a mais ideológica das redes de cabo. Explica-se o quarto e último lugar da CNN, atrás até de sua parente, o canal HLN, um híbrido de notícias curtas e talk-shows. A rede, apesar de vista pela maioria como “liberal” (à esquerda do espectro político americano) e de abrigar figuras como Lou Dobbs, o profeta do apocalipse causado por imigrantes, não se posiciona como pró ou contra Obama. A ópera-bufa da esquerda e da direita no cabo é protagonizada pela MSNBC e a Fox.

Enquanto o musculoso e peripatético Anderson Cooper enxuga as lágrimas com a queda de mais de 70% da audiência de seu programa em horário nobre na CNN, vale a pena notar um número mais interessante para quem acredita que o jornalismo tem um papel em qualquer democracia.

O site cnn.com de notícias está muito à frente das rivais. O publisher do New York Times, Arthur “Pinch” Sulzberger, fez analogias com o Titanic, ao ser consultado, num evento público, sobre o futuro dos jornais mas não destacou outro dado: o seu notável site teve sólidos 21 milhões e 500 mil visitantes únicos em setembro.

Vou argumentar que o declínio do jornal impresso convive com o apetite por noticiário objetivo. Já a falta de apetite pelas aventuras de Anderson Cooper pode mostrar o que acontece quando o jornalismo fica com o ouvido no chão, tentando detectar o tropel dos cavalos.

A revista Time perguntou aos leitores, logo após a morte do lendário Walter Cronkite, em julho, qual o âncora em que os americanos mais confiam. Jon Stewart, o comediante com vasta audiência jovem e apresentador do falso telejornal The Daily Show, ganhou disparado, com 44% de votos. Um sinal de triunfo da ironia como embalagem da notícia?

Em 2008, metade dos espectadores da Fox tinha mais de 63 anos e a maioria dos espectadores dos programas mais agressivamente ideológicos da rede era formada por homens. Os números foram citados por Louis Menand, na New Yorker, que comparou a cólera da Fox a um Viagra político.

Estou enganada ou há uma luz demográfica no fim deste túnel?

22/10/2009 - 13:54h Financial Times defende taxação da entrada de capitais no Brasil

Toda Mídia

NELSON DE SÁ -  FOLHA SP

nelsonsa@uol.com.br

“Good choice”

Em editorial, o “Financial Times” faz longa defesa da taxação em 2% da entrada de capital no Brasil. Começa dizendo que, “diferentemente da garota de Ipanema, o rebolado do real tem sido tudo menos gentil”, resultado de uma “paixão cega dos investidores estrangeiros -até que o governo disse basta”.
“Apesar dos investidores ofendidos”, escreve o “FT”, “foi uma boa escolha”.

Afirma que ela se justifica, não para conter a valorização do real, e sim diante da “causa profunda” que é a entrada de capital em crescente intensidade. Falando em “atração fatal”, diz que “este amor pelo samba pode ser coisa boa demais: tem os ingredientes de uma bolha emergente clássica”.
Avalia que “o governo é sábio em se preocupar antes que seja tarde”. Que “implantou sua política com sensibilidade, a taxa é modesta e trata os investidores com honestidade, cobrando na entrada e não quando eles quiserem o dinheiro de volta”.


Em suma, “o Brasil bem-sucedido terá de viver com um real forte”, o que a taxação não muda, “mas ajuda a manter a tarefa administrável”.

JUROS ALTOS ATRAEM

bloomberg.com
Taxas de Brasil, Europa e EUA

No Brasil Econômico, 18h40, “Copom mantém juros inalterados em 8,75%”. Pouco antes, na Bloomberg, “Real sobe com aposta de que juros altos vão atrair investidores”, apesar da taxação de 2%.
Na TV Bloomberg original, “os investidores olham a alta taxa de juros e você realmente pode ver a diferença, 8,75%, Europa 1%, EUA 0%. É outra razão por que os investidores são atraídos ao real”.

FRUSTRANTE, MAS

cnbc.com
Na tela, “Brasil: a festa acabou”

A CNBC debateu a taxação e se “outros países vão seguir o Brasil”. De Tim Seymour, da Seygem Asset Management: “Para “hedge funds” como o nosso, foi frustrante”. Mas com Jogos, Copa “e sobretudo sua economia” o país é “fantástico”. Sugeriu comprar, “mas não pule na Petrobras amanhã”, espere “alguns dias”.

A BOLHA
O “Wall Street Journal” destacou as “palavras de medo de uma nova bolha” ouvidas num evento do Fed de San Francisco, sobre os emergentes. “Graças aos baixos juros nas economias desenvolvidas”, basta “emprestar dólares, usá-los para comprar, digamos, no Brasil, e você faz dinheiro (bem, você podia, até o Brasil pôr controles limitando a entrada de capitais)”.
Em outro texto, noticiou a “reação global ao declínio do dólar”, com o alerta de que “o Brasil não está sozinho”. Canadá e França ameaçam intervenção.

Leia a integra da coluna de Nelson de Sá na Folha SP

21/10/2009 - 14:17h Projeto BH Digital conectará 95% da capital mineira à internet gratuita

http://amaivos.uol.com.br/upload/amaivos/internet.bmp

Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, terá conexão e infraestrutura de banda larga em órgãos públicos, telecentros, associações e espaços públicos de grande circulação de pessoas. O Projeto BH Digital será inaugurado nesta quarta-feira (21) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro das Comunicações Hélio Costa, na cidade mineira.

O Projeto BH Digital faz parte do programa de inclusão digital do governo federal e é uma parceria com a prefeitura de Belo Horizonte. De acordo com o ministro Hélio Costa, foram investidos no projeto mais de R$ 4,5 milhões, sendo que deste total o Ministério das Comunicações aplicou diretamente R$ 3,7 milhões em recursos. O restante foi a contrapartida da prefeitura municipal.

A iniciativa do governo federal e prefeitura municipal vai garantir conexão em infraestrutura de acesso à internet em banda larga sem fio beneficiando cerca de 100 mil estudantes, mais de 250 associações de bairros, igrejas, ONGs e a 50 órgãos públicos da administração pública municipal. O Projeto BH Digital permitirá às comunidades com alto índice de vulnerabilidade social e à população em geral o acesso gratuito à rede mundial de computadores. A ideia é conectar telecentros, escolas, centros de saúde, bibliotecas, centros de cultura e órgãos da prefeitura.

A área de cobertura da rede de comunicação é de 340 quilômetros quadrados, o que abrange cerca de 95% de Belo Horizonte, e atende inclusive locais de grande concentração popular, como o Parque Municipal, Praça da Liberdade e Rodoviária.

Nessas 13 áreas, a instalação de pontos de conexão permite o acesso livre à população em geral, que poderá navegar na internet por até duas horas por dia utilizando equipamentos de informática, como notebooks, netbooks e smartphones, por exemplo. Até 2012, a previsão é que esses pontos de acesso cheguem a 50 locais de Belo Horizonte.

Pontos – Segundo o Ministério das Comunicações, a cada ponto de inclusão digital serão conectados em média dez computadores. A previsão é atender 1.300 usuários por mês, e 520 mil usuários simultâneos no mesmo período, totalizando 4 mil computadores conectados.

Cerca de 400 órgãos públicos e entidades localizadas no município, como associações de bairro, igrejas, organizações não-governamentais, escolas e postos de saúde, dentre outros estão conectados. De acordo com o ministro Hélio Costa, até 2012 serão mais de 600 órgãos públicos e entidades ligados à rede mundial de computadores.

A infraestrutura da rede sem fio garantida pelo projeto em Belo Horizonte é composta por nove estações de rádio base central, com torres de 30 metros de altura distribuídas pelo município. O acordo de cooperação da prefeitura com o Ministério das Comunicações permite que ambulâncias tenham conexão à rede de seus equipamentos de voz, dados e imagem.

O Projeto permite, na área de segurança pública, a instalação de cerca de 500 câmeras de vídeo em edifícios públicos com transmissão em tempo real. Assegura, ainda, o monitoramento simultâneo de três mil ônibus, permitindo o controle dos bilhetes de viagem. O tráfico da cidade ganhou dispositivos móveis para controle e monitoramento, com o funcionamento de 520 semáforos sem fio.

Estima-se que a rede permitirá a substituição de cinco mil linhas telefônicas comuns por outras baseadas em voz sobre IP, que é o roteamento de conversa usando a internet.


(fonte-Boletim Em Questão)

21/10/2009 - 12:46h “O Brasil é a potência do século 21 a se observar”

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Brasil, ”a grande história”

Artigo no ‘Financial Times’ diz que o País é uma potência a ser observada


BBC Brasil, BRASÍLIA – O Estado SP

Um artigo publicado na edição de ontem do jornal Financial Times afirma que “o Brasil é a potência do século 21 a se observar”.

Assinado pelo comentarista Michael Skapinker, o artigo compara duas visões antagônicas do País – uma negativa, na qual se sobressaem problemas de violência e desigualdade social, e uma positiva, que ressalta uma economia pujante e plena de recursos naturais.

Sem tomar partido por uma das visões, o comentarista diz que o País será “a grande história do próximo ano”.

Os fundamentos de sua avaliação foram apresentados por ele em um recente encontro que reuniu jornalistas de diferentes publicações internacionais.

“O Brasil acabava de passar por uma crise financeira em boa forma. O País estava sentado em uma vasta descoberta de petróleo em alto-mar. Havia testemunhado a maior abertura de capital do mercado neste ano – os US$ 8 bilhões colocados em bolsa pelo braço brasileiro do Santander. Seria também a sede de dois dos maiores eventos esportivos do mundo: a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.”

Para Skapinker, o outro lado da moeda seria a violência. “Não pude esconder certa palpitação em relação às desvantagens conhecidas do Brasil”, diz ele, citando relatos e notícias de furtos, assaltos à mão armada a sequestros.

“Não vi nada disso”, diz o comentarista, que recentemente fez sua primeira visita ao Brasil. “Mas, dois dias após minha saída do País, enfrentamentos armados entre gangues rivais no Rio custaram pelo menos 14 vidas, incluindo as de três policiais mortos quando o helicóptero em que estavam foi abatido.”

Para o comentarista, “é grande crédito do Brasil que, durante vários dias de encontros e entrevistas no Rio e em São Paulo, ninguém negou que o crime violento é uma realidade no País, e pode ter um sério impacto no seu desenvolvimento”.

Já pelo lado positivo, diz Skapinker, “o Brasil é um país com imenso potencial, um povo acolhedor e diverso, excelente comida e diversas empresas de porte mundial”.

“Diferentemente da China, o Brasil não tem conflitos étnicos agudos e é uma democracia partidária. Os brasileiros reclamam da corrupção de seus políticos, mas apontam que, ao contrário dos Estados Unidos, os resultados das eleições presidenciais – a próxima será em outubro de 2010 – são anunciados rapidamente.”

O comentarista acrescenta que a riqueza petroleira, em um país que produz a maior parte de sua energia de hidrelétricas e etanol, representa um “prospecto intrigante”.

“Os brasileiros sabem que o petróleo pode ser uma maldição ou uma bênção. A maneira como empregarem sua nova riqueza determinará se o País se tornará uma força no século 21.”

O comentarista encerra o artigo retomando sua ideia inicial. “O Brasil será uma grande história – não apenas no próximo ano, mas por muitos anos.”

21/10/2009 - 11:44h A “Economist” se rende a Lula

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VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA SP


EIU elogia o “grande feito” na crise, a política antipobreza “eficaz”, o mercado interno grande e até bancos estatais

O BRASIL vai crescer apenas 3,8% em 2010, segundo a “Economist Intelligence Unit” (EIU) em seu relatório bimestral “Perspectiva Global”. A EIU é a unidade de pesquisa econômica do grupo que edita a revista “The Economist”. Em março, a estimativa era de 1%. Economistas dos maiores bancos e consultorias brasileiros estimam alta do PIB de uns 5% em 2010. Mas a EIU se rende aos “feitos” do país na crise e muito mais. A EIU diz que a recuperação brasileira se deveu em parte às exportações para os mercados asiáticos e à ressurreição da demanda chinesa por matérias-primas. A China, por sua vez, recuperou-se devido aos gastos em infraestrutura do pacote fiscal anticrise de 8% do PIB e do crescimento de 34% do crédito (até setembro). O risco para a economia chinesa seria o de investimentos malfeitos devido ao excesso de dinheiro à disposição e o de criação de excesso de capacidade produtiva, diz a EIU e quase todo mundo. Em março, a EIU previa que a China cresceria 6% neste ano e 7% em 2010 (agora, prevê respectivamente 8,2% e 8,6%. A China cresceu 11% ao ano de 2004 a 2007). A EIU diz que o Brasil foi um dos mais resistentes da América do Sul devido à baixa abertura comercial e a seu grande mercado interno (a EIU ainda vai elogiar a Cepal?). “A economia se recupera do choque externo auxiliada pela força do sistema financeiro doméstico (e sua dependência de bancos estatais), inflação baixa e programas antipobreza eficazes”, recuperação rápida que é um “grande feito”. Isto é, a EIU-Economist se rende a Lula, digamos apenas um pouco ironicamente. “O governo adotou algumas medidas de estímulo à economia, mas a deterioração das finanças públicas continua limitada. A eleição presidencial de outubro de 2010 provavelmente não deve ocasionar instabilidade financeira, pois os dois maiores partidos são comprometidos com o rigor fiscal”. O Banco Central deve começar a elevar os juros a partir de meados de 2010, com a Selic chegando a 12% no final de 2011, “mas essa taxa ainda será baixa”, dada a história recente”. A EIU acredita que a taxa “básica” de juros nos EUA começa a subir no terceiro trimestre de 2010. Não passaria de 1% no final do ano, e o Fed ficaria imóvel durante 2011. Qual a base do prognóstico? A EIU revisou sua projeção para o crescimento do PIB americano em 2010 para 2,4%. Estimava 1,7% em setembro deste ano. Em março, 0,7%. A média do crescimento dos EUA de 2004 a 2007 foi de 2,8%. Dada a volta do crescimento em 2010, os americanos não precisariam mais de taxas de juros tão baixas. Mas os Estados Unidos levariam novo tombo em 2011, segundo a EIU. O PIB cresceria apenas 1,1%, pois o efeito dos gastos do governo na atividade produtiva estaria se desvanecendo. Portanto, o Fed deixaria os juros ainda muito baixos. Na verdade, segundo a projeção de inflação da EIU para 2011, a taxa seria negativa, em termos reais. Assim, os juros estariam mais baixos do que agora. Portanto, a previsão da EIU não faz lá grande diferença. De resto, nem Deus sabe ainda o que vai fazer em 2011, muito menos os economistas da EIU ou quaisquer outros, aliás. vinit@uol.com.br

19/10/2009 - 20:23h Palocci diz que site de Marta abordará temas ignorados por mídia tradicional

da Folha Online

O site idealizado pela ex-ministra Marta Suplicy entrou no ar por volta das 19h de hoje. É o M Post, inspirado na experiência da norte-americana Arianna Huffington, democrata que ajudou a alavancar a eleição do presidente Barack Obama.
Na estreia, o site traz um depoimento em vídeo do deputado Antonio Palocci (PT-SP). No vídeo, Palocci diz que o site de Marta abordará temas que são ignorados por mídia tradicional.

“Marta sempre esteve à frente do seu tempo.[...] Na política, surpreendeu ao fazer o Congresso discutir os direitos de pessoas do mesmo sexo. [...] Como prefeita, provou sua coragem ao enfrentar a máfiaa do transporte. [...] Agora, na onda da internet, propõe um novo avanço: um espaço digital, interativo, de inforamção e pluralista, de debates ignorados por mídia tradicional”, diz ele.

Também em vídeo, Marta fala do site. “Sem a intenção de competir com outras mídias e pluralista na produção de conteúdo, o M Post será um veículo centrado em notícias, debater e propor reflexões”, diz a petista em vídeo no YouTube.

16/10/2009 - 16:49h “Banda larga nas escolas”, programa do governo Lula, é implementado pela Prefeitura de Curitiba em parceria com a Oi

INTERNET GRÁTIS NAS ESCOLAS MUNICIPAIS

http://mail.mailig.ig.com.br/mail/?ui=2&ik=059ef31cd9&view=att&th=1245ec69f5f1ac5d&attid=0.1&disp=inline&zw

Beto Richa (PSDB) e Luiz Eduardo Falco, da Oi

Uma parceria firmada na manhã desta sexta-feira (16) entre a Prefeitura de Curitiba e a operadora de telefonia Oi vai garantir acesso gratuito à internet em banda larga em todas as escolas da rede municipal de ensino.

“Parceria é com a gente mesmo. Ainda mais quando o foco é a educação; é oportunizar aos jovens o acesso gratuito à internet. Essa é a verdadeira democracia da informação”, disse o prefeito Beto Richa.

“À medida que mais pessoas estão conectadas à internet mais a gente diminui a diferença social em nosso país”, afirmou Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, maior empresa brasileira de telecomunicações.

O convênio prevê a doação de modems e a adesão ao programa Banda Larga nas Escolas, do governo federal. Cerca de 110 mil estudantes de 165 escolas da rede municipal de ensino serão beneficiados. O serviço já está ativado em 148 escolas da Prefeitura de Curitiba e será estendido às demais até o fim de 2010. A velocidade de conexão da banda larga é de 1 Mbps, mas a meta é aumentar para 2 Mbps a partir de 2011, onde houver disponibilidade. A duração do convênio é até 2025.

“O próximo passo será levar a rede Wi-Fi (sem fio) para todas as salas de aula das nossas escolas”, anunciou Richa. Esse projeto, que figura como meta no Contrato de Gestão com a Secretaria Municipal da Educação, prevê a instalação de roteadores que permitirão levar essa tecnologia a todas as salas de aula da rede pública municipal de ensino.

“O projeto-piloto foi testado. A ideia é usar os televisores já instalados nas salas de aula como monitores. A previsão é implantar o projeto no primeiro semestre de 2010″, disse Jorge Eduardo Wekerlin, superintendente executivo da Secretaria Municipal de Educação.

O programa Banda Larga nas Escolas prevê levar banda larga para todas as escolas públicas urbanas de ensino fundamental e médio do país até o fim de 2010, o que representa um universo de 57 mil escolas, com cerca de 37,1 milhões de alunos beneficiados. Somente a Oi vai conectar um total de aproximadamente 46,8 mil escolas. “Estamos montando uma empresa nacional de telecomunicações. Queremos chegar em todos os lugares”, disse Falco.

No ano passado, a Oi passou a fazer parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, o que reflete o alto grau de comprometimento da companhia com a responsabilidade social e a adoção de práticas gerenciais sustentáveis.

16/10/2009 - 12:01h De olho em 2010, Marta lança site multimídia

marta suplicy lança novo site na segunda-feira - anderson prado/diário de s.paulo

Soraya Aggege – O Globo

SÃO PAULO – Na esteira da liberação da internet nas eleições de 2010 e do marketing que elegeu barack obama presidente dos estados unidos , a ex-ministra Marta Suplicy (PT) lança segunda-feira o MPost, um site de conteúdo online, nos moldes do fenômeno The Huffington Post, da empresária e democrata Arianna Huffington, considerado o mais acessado dos Estados Unidos. Marta incluiu o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT) no conselho editorial, e afirmou que o projeto é desvinculado do partido:

- É uma plataforma contemporânea. Haverá leitura dinâmica da mídia, espaço para blogs, postagens de vídeos, imagens e também jornalismo. A ideia é dar a maior pluralidade possível. Vai ter uma linha editorial, como os jornais.

Ela reafirmou que pretende se candidatar em 2010, possivelmente à Câmara dos Deputados, e que continua defendendo a escolha de Palocci como candidato do PT ao governo de São Paulo. Mas afirmou que se esforçará para não transformar o espaço em uma tribuna eleitoral.

O The Huffington Post era um agregador de blogs que cobria política e outras áreas desde 2005. No fim de 2008, passou a investir em jornalismo, com versões locais do portal para as cidades de Chicago, Nova York e Denver.

marta suplicy lança novo site na segunda-feira - anderson prado/diário de s.paulo

Candidata, Marta lança portal na web

Petista diz querer se ”comunicar mais” e promete ir além do blog

Clarissa Oliveira – O Estado SP


Candidata declarada para a eleição de 2010, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) aderiu à recente onda de ingresso dos políticos na internet. Dizendo querer ir além de um simples blog ou de redes sociais como o Twitter, a petista vai lançar na próxima segunda-feira um portal na web, que classifica como um “empreendimento empresarial”.

O projeto levará o nome de MPost e foi inspirado no Huffington Post, criado nos Estados Unidos, por Arianna Huffington. O site americano nasceu como um blog, mas se transformou progressivamente em portal de notícias, com colunas, conteúdo multimídia e blogs. Marta não revelou o investimento no projeto, mas não rejeitou o rótulo de “empresária da comunicação”. Considerou a possibilidade de gerar receita com o portal e disse que planeja, por exemplo, atrair anunciantes.

A petista costuma dizer que será candidata em 2010, faltando definir apenas a que cargo. Ela garantiu, entretanto, que o portal não foi pensado de olho na eleição. “Vi que precisava me comunicar mais.” Suas posições, explicou, serão manifestadas “com cuidado”, em espaços opinativos. “Claro que tenho posições, mas todos os jornais têm posições”, disse, lembrando que não tratará apenas de política. Na lista de articulistas, está confirmado o deputado Antonio Palocci (PT-SP). Apoiado por Marta para o governo paulista, ele estará no conselho editorial, ao lado do escritor Marcelo Carneiro da Cunha.

EFEITO OBAMA

O lançamento ocorre em meio à adesão crescente de políticos à internet. Ontem, o assunto foi destaque de seminário que trouxe a São Paulo o estrategista americano Ben Self. Autor da campanha online que ajudou a eleger Barack Obama, ele firmou um contrato com o marqueteiro João Santana para atuar na campanha da ministra Dilma Rousseff. A consultoria custará menos de US$ 100 mil, segundo petistas.

Self esquivou-se do tema. “Nós respeitamos a privacidade dos nossos clientes.” Mas afirmou ver no Brasil condições para uma campanha online vitoriosa. “Dizem que as pessoas aqui não gostam de ser voluntárias, não gostam de fazer doações, que não é como nos EUA. Não é que as pessoas aqui sejam menos generosas ou menos interessadas. Não lhes foi dada a oportunidade correta.”

marta suplicy lança novo site na segunda-feira - anderson prado/diário de s.paulo

Marta lança seu novo site inspirada em democratas

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

Sem se definir sobre a qual cargo concorrerá nas eleições de 2010, a ex-ministra Marta Suplicy (PT-SP) lança na próxima segunda-feira seu site na internet, inspirado na experiência da norte-americana Arianna Huffington, democrata que ajudou a alavancar a eleição do presidente Barack Obama.
O Huffington Post, sucesso na rede mundial de computadores, é uma espécie de blog ampliado -tem colunistas e trata de assuntos que vão além da política.
“Vi que não havia nada semelhante no Brasil. Quero tratar de esporte a política. É claro que terá uma posição, um lado, mas pretendo ir além do partido”, diz Marta.
O nome do site será M Post (www.sigampost.com.br) e o único petista com vaga no conselho editorial será o ex-ministro Antonio Palocci, pré-candidato ao governo paulista com o apoio da ex-prefeita.
Marta disse estar bancando financeiramente o projeto, mas não revelou valores. Sua meta é buscar apoio privado. (JOSÉ ALBERTO BOMBIG)

15/10/2009 - 19:21h Marta Suplicy se inspira em Huffington Post para criar seu MPost

Por Guilherme Felitti, do IDG Now!

Blog mais popular do mundo, segundo ranking do Technorati, inspira site com cobertura generalizada e apartidária, promete sexóloga.

A sexóloga e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy lança na próxima segunda-feira (19/10) o MPost, site de conteúdo online inspirado no The Huffington Post, nascido como um blog pelas mãos da empresária Arianna Huffington em 2005.

“Aquilo é jornalismo que interessa na internet. Comecei a pesquisar para ver se havia iniciativa parecida no Brasil. Se não tem, então resolvi fazer”, explica Marta em encontro com a imprensa na qual o IDG Now! esteve presente na tarde desta quinta-feira (15/10).

Construído na plataforma para redes sociais Ning, o MPost inicialmente terá foco livre para cobertura de notícias e misturará tanto referências a conteúdos alheios como colunas e blogs publicados por colaboradores – todos amigos seus, afirma Marta.

A publicação eletrônica terá um conselho, formado pelo diretor de programação da Rede Globo Antônio Zimmerle, pelo economista e ex-Ministro da Fazenda Antônio Palocci e pelo escritor Marcelo Carneiro da Cunha, além da própria Marta.

Além dos blogueiros e colunistas convidados, o MPost, segundo Marta, incentivará que leitores enviem conteúdos, como fotos, textos e vídeos, com comentários ou notícias acontecendo naquele momento. No caso do recente incêndio na favela Diogo Pires, em São Paulo, envolvidos na tragédia, como moradores ou policiais, poderiam enviar relatos para o site, segundo ela.

Ainda que tenha sido criado e custeado pela sexóloga, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1983, o MPost, defende ela, terá cobertura apartidária e pretende “abrir um diálogo permanente” com a sociedade e “acelerar a capacidade de multiplicação de notícias pluralistas”.

“Vamos agregando colaboradores. Ainda está tudo em construção. Só não colocaremos o óbvio de sempre, como (conteúdo que incite) racismo, xingamentos e outros crimes”, afirma. O site, no entanto, terá posicionamento. “Claro (que terá posição política). Todo jornal tem posição. Mas vamos abrigar pessoas que pensem diferente de mim”.

Criado em maio de 2005 por parceria entre Arianna e os empresários Jonah Peretti e Kenneth Lerrer, o The Huffington Post passou de repositório de colunistas e agregador de blogs liberais para uma cobertura mais ampla que ultrapassava apenas política.

Nomes como Barack Obama, Norman Mailer, Hillary Clinton e Larry David já contribuíram para o portal, que começou a apostar em jornalismo regional no segundo semestre de 2008 com versões locais do portal para as cidades de Chicago, Nova York e Denver.

Segundo o CrunchBase, o The Huffington Post soma 37 milhões de dólares após três investimentos. De acordo com o ranking do buscador de blogs Technorati, o blog que leva o nome de Arianna é líder em popularidade online, com autoridade de 947. Segundo colocado, o Gizmodo, blog de gadgets do conglomerado Gawker, tem autoridade 895, segundo o serviço.

15/10/2009 - 15:33h Arte X mudança climática

Civilización & Barbarie

Hoy es el Blog action day, el día en que los bloggers de todo el mundo que lo decidan, nos unimos para hablar sobre un tema en común.

Este año la consigna es alertar sobre los efectos del cambio climático.

Hace dos semanas Spencer Tunick, conocido fotógrafo que desnuda masas en espacios públicos, sumó su grano de arena al asunto al realizar una intervención con más de 700 personas en unos viñedos en la zona francesa de la Borgoña a pedido de Greenpeace.

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El objetivo de las personas que posaron y del célebre fotógrafo fue llamar la atención de la opinión pública y de los dirigentes políticos ante este fenómeno de cara a la cumbre mundial del Clima que se celebrará en diciembre en Copenhague.

“Si no actuamos aquí y ahora, el hombre y el conjunto de su patrimonio cultural están condenados”, alertó el director general de Greenpeace en Francia, Pascal Husting.

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El artista estadounidense, por su parte, alertó que además de los viñedos franceses, el cambio climático amenaza la agricultura y la naturaleza de todo el mundo.

Greenpeace instó a los líderes mundiales a que alcancen un acuerdo “ambicioso” en la cumbre de Copenhague, donde espera que los países industrializados se comprometan a reducir las emisiones de gases contaminantes en, al menos un 40 por ciento, de aquí al año 2020.

Otros años y otros artistas, llamaron la atención sobre este fenómeno en distintas muestras. Así sucedió en 2008 en Barcelona con la muestra El ambiente siempre está en el medio y con la muestra on line New climates.

Y aquí leé lo que los combloggers de Civilización&Barbarie proponen para la discusión sobre el cambio climático. Publicado por Cristina Civale

14/10/2009 - 17:05h ‘Le Monde’: Lula inventa universidade do século 21

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Daniela Fernandes – De Paris para a BBC Brasil

O ‘Le Monde’ elogia as iniciativas do governo Lula na área de educação

Na edição desta quarta-feira, o jornal francês Le Monde publica uma elogiosa reportagem sobre educação no Brasil nesta quarta-feira, na qual afirma que, com sua política para a área, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “inventa a universidade brasileira do século 21″.

Em um caderno especial sobre educação, o correspondente do jornal em São Paulo, Philippe Jacqué, afirma que o presidente Lula deu “um sopro de oxigênio ao ensino superior” e multiplicou, desde 2002, planos para dinamizar as universidades do país.

O Le Monde cita como exemplos a Universidade Federal do ABC, em São Paulo, criada em 2005, para “formar os engenheiros do futuro” e as inovações da Universidade Federal do ABC, “na zona operária onde Lula começou sua carreira”.

“O governo federal não economizou na Universidade ABC. Meio bilhão de euros foi injetado. Desde 2005, pelo menos 280 professores foram contratados, todos titulares de um doutorado”.

‘Reformulação total’

O Le Monde afirma também que a equipe jovem de professores, com idade média de 35 anos, corresponde ao desejo de reformular totalmente o modelo universitário brasileiro.

“Na Universidade ABC, não há departamentos de disciplinas, mas centros de pesquisas multidisciplinares para facilitar a cooperação”.

Outra inovação da Universidade ABC, segundo o diário francês, é a criação de 300 bolsas de iniciação à pesquisa por ano.

O jornal afirma ainda que o presidente Lula desenvolveu instrumentos para facilitar o acesso ao ensino universitário.

“Com apenas 4,9 milhões de universitários (16% dos brasileiros entre 18 e 24 anos), o país não soube até o momento democratizar o seu ensino superior”, escreve o Le Monde, afirmando que é a classe média alta, em grande maioria, que tem acesso às 200 instituições de ensino superior público e gratuito.

O jornal lembra que o sistema universitário brasileiro, “seletivo”, favorece alunos com maior poder aquisitivo, que são mais bem preparados porque puderam estudar nas melhores e mais caras escolas privadas.

14/10/2009 - 10:42h A cara, do Cara

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/03/25/25_MHG_Lula_Dilma.jpg

Dilma, a cara do Lula

A oposição não tem proposta, não tem programa e está sem rumo. Setores da mídia estão apavorados por não encontrar na oposição defensores aguerridos de combate ao governo Lula.

O melhor resumo do desamparo que expressa, entre outros, a coluna de Celso Ming no Estadão de hoje (ver a seguir) foi dado ontem, na entrevista do marketeiro tucano Gonzáles. Respondendo a pergunta do VALOR: “O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?” A resposta do publicitário tucano foi “Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece?”. Ou seja, Serra seria o igual do Lula.

Acontece que o estelionato eleitoral consistente em pretender ser uma coisa durante a campanha eleitoral e depois executar outra, a exemplo do realizado na Prefeitura de São Paulo pela dupla Serra-Kassab, encontra cada vez mais dificuldades. Uma delas é que emperra a implementação plena da política conservadora e privatizante defendida por setores importantes da mídia e do empresariado, porque o “estelionatário” tem que manobrar para apagar as promessas eleitorais e dar livre curso ao seu “programa”, para não chocar violentamente os eleitores.

No fundo, o que certos jornais reclamam é que não exista uma força assumidamente de direita, o que se compreende pois nem José Serra, nem os demo-tucanos, têm vocação para o ostracismo.

Em um certo sentido a grande vitória de Lula é essa: para se eleger, a oposição tem que pretender que sua cara é a do “sapo barbudo”.

Caberá aos partidos da base do governo mostrar a cara do conquistado pelo povo nos 8 anos extraordinários que o Brasil vive, ou seja a cara, do cara, para tirar a mascara do travestimento demo-tucano e mostrar o verdadeiro rosto do conservadorismo reacionário. LF

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Procura-se a oposição

CELSO MING – O Estado SP

Está difícil de encontrar a oposição no Brasil.

Isso não acontece apenas porque a política econômica colocada em prática pelo governo Lula pouco mudou em relação à do governo anterior. A oposição está sumida porque não consegue ter alguma opinião consistente sobre o que é realmente relevante na economia e também na política.

Tome-se um dos temas mais importantes para o futuro do País, que é o marco regulatório do pré-sal. O governo levou mais de um ano para definir um modelo e encaminhou ao Congresso alguns projetos de lei que, para o bem e para o mal, mudam muita coisa.

Durante esse meio tempo, a oposição não se preparou, não discutiu, não formou opinião. E agora se comporta passivamente diante das propostas. Não foi até aqui capaz de propor nada de substancialmente novo e parece conformada com o sistema de partilha, com a criação de uma nova estatal para administrar a renda proveniente do pré-sal e com o papel que será confiado à Petrobrás no desenvolvimento e na exploração dos novos campos.

Entre as 258 emendas aos projetos do governo encaminhadas pelos parlamentares, nenhuma questiona de maneira relevante nem melhora efetivamente o que está proposto. As poucas críticas que pipocaram na imprensa pareceram irrelevantes e vêm sendo facilmente rebatidas pela Petrobrás ou pelas autoridades da área no governo.

Em outra matéria importante, a da reforma política, a oposição vinha balbuciando propostas a respeito da adoção do sistema de financiamento público de campanha, do voto distrital e do novo tratamento a ser dado à questão da fidelidade partidária. Mas discussões sobre o tema morrem nas vacilações e na pouca convicção de que é preciso mudar o sistema em vigor.

Outro assunto de grande relevância é a questão ambiental, que será objeto da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), a ser realizada dentro de dois meses em Copenhague, na Dinamarca.

Embora também vacile nesses temas e pouco tenha a propor, o governo até que vem buscando algumas posições a serem defendidas na Conferência. Mas a oposição está completamente parada; parece incapaz de sugerir e incapaz de confrontar eventuais fragilidades da posição do governo.

Lá de vez em quando alguém do PSDB ou do DEM faz um pronunciamento contra o processo de aparelhamento do Estado pelo PT e por outros partidos da base do governo. Mas não se vê nenhum plano de ação, nenhuma consistência de proposta para acabar com a apropriação do patrimônio público.

E não é coisa diferente disso que se pode dizer a respeito dos demais projetos de reforma: Reforma da Previdência, Reforma Tributária, Reforma Trabalhista. Todas essas iniciativas de outrora dormem em alguma gaveta de Brasília.

Paradoxalmente, a oposição parece hoje em melhores condições de eleger o futuro Presidente da República. No entanto, não se tem a menor ideia das bandeiras que submeterá ao crivo do eleitor. Isso acontece provavelmente porque ela não tem bandeiras diferentes das de tudo o que está aí. E não as tem não porque elas não existam, mas porque seus líderes não pensaram, não discutiram, não formaram posição sobre nada de importante.

13/10/2009 - 10:31h “Lula projeta o país a líder regional e ator global de primeira ordem”, afirma editorial do jornal La Nación, de Argentina

Coluna Toda Mídia, de Nelson de Sá – Folha SP

ELDORADO CARIOCA

Reuters/elpais.com

Copacabana no “El País”

Fechando a semana do IPO recorde do banco Santander no Brasil, o espanhol “El País” deu neste domingo uma série com editorial, artigos e reportagens. Entre os enunciados, “América Latina recobra o alento” com “A pujança do Brasil e a alta das matérias primas”; “Rio 2016, uma oportunidade para as empresas espanholas”; e “Eldorado carioca”, sobre a “centena e meia” de empresas que já “falam brasileiro”.
No texto de maior repercussão nos sites brasileiros, de Francho Baron, “Premiado com os Jogos Olímpicos e convertido em uma potência econômica, o Brasil assume o desafio de erradicar a pobreza”.

“EL CONSEGUIDOR”
Jornais espanhóis, do país basco à Catalunha, foram na mesma linha do madrilenho “El País” e publicaram longos textos com enunciados como “O poderio do Sul” e “Lula, el conseguidor”, de louvor ao presidente brasileiro.

“GRANDES LIGAS”
E ontem foi o argentino “La Nación” que fez editorial, com eco na home do UOL, entre outros. Sob o título “Brasil nas grandes ligas”, afirmou que o presidente Lula projeta o país a “líder regional e ator global de primeira ordem”.

“COMEBACK”

Paulo Whitaker/nytimes.com

O “New York Times” de domingo publicou em longa reportagem que os “Emergentes realizam retorno”, com destaque para a recuperação no preço das commodities e a reação do Brasil. Com imagem de colheita de soja, sublinhou aposta na Petrobras.

Leia a integra da coluna de Nelson de Sá, na Folha SP

13/10/2009 - 10:03h Realizar a inclusão digital é a meta do governo Lula para os próximos meses: Internet para todos

Infraestrutura: Meta é atender 4 mil cidades e 162 milhões de pessoas
Rede estatal de banda larga deve chegar a 76% do país


Ruy Baron / Valor
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Nelson Simões da Silva, diretor da RNP: a infraestrutura não chegou às regiões mais pobres do país, limitando o acesso da população aos serviços de internet

Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

Estão avançados os estudos no governo para a criação da rede nacional de banda larga. O plano prevê a implantação de uma rede estatal de fibra ótica de 31.448 quilômetros, interligando 4.245 municípios (o equivalente a 76% do território nacional) e beneficiando 162 milhões de pessoas (87% do total). Trata-se do último grande projeto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da anunciada consolidação das leis sociais.

O projeto, segundo informou ao Valor o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, está orçado em R$ 1,1 bilhão e pode ser executado em 14 meses. Com o plano, que depende ainda de aprovação do presidente Lula, o governo pretende criar a infraestrutura necessária para viabilizar o acesso da maioria da população à internet. A meta é fazer isso a uma velocidade de conexão considerada rápida – 1 megabyte (1 Mbps). Hoje, 90% das conexões de internet no Brasil são feitas com velocidade inferior a 1 Mbps.

“Vai começar com 1 megabyte real de velocidade nos dois sentidos, ou seja, um mega de ‘upload’ (envio de arquivos) e 1 mega de ‘download’ (recebimento). O custo para elevar depois a capacidade é marginal”, afirmou Santanna, principal idealizador do Plano Nacional de Banda Larga.

O presidente Lula quer, com o projeto, promover inclusão digital. Mesmo sendo o país mais rico da América Latina, o Brasil possui baixo índice de penetração de banda larga. De cada 100 habitantes, apenas 5,2, segundo o Barômetro Cisco publicado em dezembro de 2008, têm acesso a essa tecnologia. No Chile (8,5%), na Argentina (7,8%) e no Uruguai (6,5%), os índices de penetração são maiores.

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Em recente visita ao município de Barra do Piraí, no interior fluminense, o presidente ficou impressionado com o projeto de inclusão digital implantado pela prefeitura com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Universidade Federal Fluminense (UFF). Lá, ele viu crianças da rede escolar pública portando computadores individuais.

Em setembro, o presidente encarregou uma comissão interministerial de consolidar, no prazo de 45 dias, uma proposta de um plano nacional de banda larga. A comissão criou dois grupos para analisar o tema – um para tratar de infraestrutura e, outro, de mudanças no marco regulatório. A apresentação da proposta definitiva está prevista para o dia 9 de novembro, quando Lula terá que tomar decisões importantes sobre o projeto.

Uma dessas decisões diz respeito à escolha da entidade que administrará a rede nacional de banda larga. Há quatro possibilidades sendo analisadas. A primeira é usar a antiga holding do Sistema Telebrás, que foi mantida mesmo após a privatização, em 1998, das empresas de telefonia (as teles). Outra opção é criar uma nova empresa.

Uma terceira possibilidade é usar estatais do setor de tecnologia de informação, como o Serpro e a Dataprev, para incorporar as novas atividades. Outra seria encampar a Eletronet, empresa pertencente ao grupo AES que está em processo de falência, e da qual a LightPar, braço de participações acionárias da Eletrobrás, detém 49% do capital.

Das quatro alternativas, a que mais tem ganhado força dentro do governo é ressuscitar a Telebrás. “A Telebrás é uma empresa que já está constituída e tem tudo pronto para tocar essa operação. Para usá-la, basta uma portaria do Ministério das Comunicações, porque a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) já atribui ao ministro o poder de dar uma nova função à estatal”, revelou Santanna.

A Telebrás, que é uma empresa de capital aberto com ação cotada em bolsa, tem R$ 283 milhões em caixa. O governo detém 91% das ações. Santanna acredita que, uma vez que a estatal volte a funcionar, o governo poderá promover uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) para captar recursos e destiná-los a futuros investimentos. “Podemos pulverizar o capital, como fez a Deutsche Telecom”, comparou.

A solução Telebrás não agrada a todos no governo. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, por exemplo, tem restrições. “O nosso foco não é a Telebrás. Lamentavelmente, em vez de a gente falar do plano, que é algo extraordinário, está se falando da Telebrás. Ela tem uma participação mínima nesse processo. Não dependemos da Telebrás para fazer isso. Ela pode ser ator, mas não um ator importante ou decisivo”, criticou o ministro em entrevista ao Valor.

Costa defende que o plano de banda larga seja executado em parceria com as grandes empresas de telefonia. Ele cita o acordo firmado, em 2008, entre o governo e as teles para a instalação de internet nas escolas públicas urbanas. Pelo acordo, gestado no Ministério das Comunicações, as empresas trocaram uma obrigação ainda dos tempos de privatização – a instalação de postos de serviços de telecomunicação nas cidades com até 50 mil habitantes – pela implantação de internet em 57 mil escolas, a custo zero para o governo. “Foi um acordo extraordinário”, afirmou o ministro.

As divergências entre Santanna e Costa vão além da Telebrás. A visão do primeiro, que encontra amplo respaldo no governo, é a de que há uma falha de mercado no segmento de banda larga no Brasil, um dos mais caros e deficientes do mundo. As empresas só levam infraestrutura de banda larga às regiões do país onde há forte demanda e dinheiro para pagar pelos serviços.

“É fácil entender por que uma parceria com as teles não vai andar. A lógica da telefonia fixa é cobrar por tempo e distância. A lógica da internet é outra. Você não paga por distância e tempo, mas por capacidade alugada (de banda larga)”, argumentou Santanna, acrescentando que a legislação não prevê a universalização desses serviços. “Quanto mais rápida for a banda larga, mais mercado a empresa de telefonia vai perder em outros negócios, como voz (telefonia fixa). Por isso, em todo o mundo as teles estão procurando outros negócios, como a geração de conteúdo.”

Nelson Simões da Silva, diretor geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), sistema que interliga em alta velocidade as universidades e os institutos de pesquisa públicos e privados e foi o responsável pela implantação da internet no Brasil, diz que a privatização do Sistema Telebrás foi muito bem-sucedida ao criar uma infraestrutura de telecomunicação no país. O problema é que essa infraestrutura não chegou às regiões mais pobres do país, limitando o acesso da população aos serviços de internet.

“A RNP não teria a infraestrutura que tem hoje se não fosse o processo de abertura do mercado. Se fosse a Telebrás, no ritmo em que ela vinha (antes da privatização), não teria conseguido. A penetração de telefonia fixa e celular é grande. Estes são os méritos desse processo, mas há falhas. O estímulo para levar infraestrutura onde não há renda não existe”, explicou Simões ao Valor. “A política pública falhou nessa área. Portanto, o novo projeto é uma resposta de política pública que não prescinde de uma atuação da indústria de telecomunicação, de forma alguma, mas ele incorpora um ator novo.”

Costa está convencido de que é possível levar banda larga aos rincões do país de braços dados com as empresas de telefonia. Na semana passada, o ministro convocou os principais dirigentes das teles para uma reunião em Brasília, na qual solicitou a elaboração de um plano de investimento em banda larga.

“O que nós queremos é motivar as empresas, dizendo: ‘Precisamos chegar a todas as cidades, estamos do seu lado, queremos participar com o que nós temos e vocês com o que vocês têm’”, disse o ministro, acrescentando que o governo não vai explorar comercialmente os serviços de banda larga. “Não queremos roubar o espaço comercial de ninguém. O governo não vai contratar as empresas privadas. Vai indicar o caminho onde elas precisam investir.”

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Centros de pesquisa já estão conectados

O Brasil vive, no setor público, o estado da arte dos serviços de banda larga. Trata-se da RNP, a rede do Ministério da Ciência e Tecnologia que interliga, em alta velocidade, os principais centros de conhecimento do país. A rede foi criada em 1989, ajudou a implantar a internet e, há quatro anos, conecta universidades e institutos de pesquisa do Centro-Sul a 10 gigabytes de velocidade (o equivalente a dez mil vezes a banda larga de um mega).

As aplicações da RNP são variadas. Vão do sensoriamento remoto para a realização de serviços meteorológicos a investigações astronômicas, passando por pesquisas no campo da física e da nanotecnologia. A RNP viabilizou, por exemplo, a implantação da Rede Universitária de Telemedicina (Rute), um sistema que permite o acompanhamento remoto de uma cirurgia em tempo real, para efeitos de pesquisa e ensino, com a participação, inclusive, de hospitais privados de excelência do país.

“A RNP é um animal estranho. É uma rede pública, mas é restrita ao uso de instituições que estão fazendo inovação. Não é comercial, ao contrário de redes do governo que vendem serviços, como o Serpro”, explicou o diretor-geral da RNP, Nelson Simões. Principal idealizador do fortalecimento da RNP, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, quer agora que a RNP participe da rede nacional de banda larga.

Foi na gestão de Rezende, iniciada em 2005, que o governo começou a implantar as redes metropolitanas que interligam os centros de pesquisa e ensino. Essas redes já foram implantadas em 14 das 27 capitais. Em 2005, o ministério contratou empresas de telefonia para interligar as redes metropolitanas. Os contratos são anuais e podem ser renovados até 2010. O ministro quer usar a futura rede nacional para fazer essa conexão.

“Fisicamente, essa rede pertence à Oi e à Embratel”, informou Rezende. “Quando uma entidade governamental estiver gerindo o ‘backbone’ nacional, seremos sócios oferecendo as redes metropolitanas, que já têm capilaridade, porque não adianta chegar à cidade num ponto e não distribuir. Oferecemos as redes das capitais e, em contrapartida, queremos um par (de fibra) para usar na RNP e, assim, substituir as redes que estamos contratando das empresas privadas.”

Segundo Rezende, a RNP tem capacidade similar à das teles para levar cabos de fibra ótica a regiões distantes dos grandes centros. “A Telebrás hoje não tem essa expertise. Temos experiência a oferecer para que essa interiorização da banda larga em todo o território nacional seja feita.”

Simões explicou que uma rede de pesquisa, para atender as aplicações mencionadas, é incompatível com o ritmo e as aplicações de uma rede de governo clássica (governo eletrônico, transações administrativas etc). “Eles não precisam de tanta capacidade. Já eu preciso lidar no nível da infraestrutura ótica. Por isso, preciso das fibras apagadas”, assinalou.

“Esta é uma oportunidade de o poder público ser ator também no processo de universalização de banda larga no Brasil”, disse Simões. “É algo extremamente importante para um país que ainda tem tanta assimetria e cujo marco regulatório não vai permitir a correção do problema. Se o poder público não fizer nada, o mercado sozinho não vai fazer.” (CR)

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Falência dificulta uso de fibras óticas da Eletronet
Para evitar atrasos, o governo pretende colocar em execução o Plano Nacional de Banda Larga sem contar com as fibras óticas da Eletronet. A empresa, que possui cerca de 12 mil quilômetros em cabos, vive um intricado processo judicial de falência, cujo desfecho parece distante.

Uma solução possível, segundo o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, é o governo encampar a empresa para reaver as fibras que, segundo ele, pertencem à União. “A Eletronet tem que continuar com seu processo de falência, não queremos pegar equipamento nenhum da empresa, apenas as fibras do governo que não estão sendo usadas por eles. Os equipamentos são antigos, sucateados, já não vale nem a pena tê-los de volta.”

Alertado por advogados, o ministro Hélio Costa, das Comunicações, disse ao presidente Lula que usar as fibras óticas da Eletronet na rede nacional poderá criar um contencioso judicial. É mais um argumento do ministro para que o governo opte por um plano de banda larga em parceria com empresas privadas.

Santanna informou que o governo montará a rede a partir de cabos de fibra ótica já existentes e pertencentes a empresas estatais. A ideia é que a infraestrutura de banda larga a ser criada seja estatal e que os serviços de internet sejam prestados por provedores locais – nas cidades onde não houver interesse por parte dos provedores, a alternativa é uma instituição pública fornecer os serviços. (CR)

09/10/2009 - 12:39h Foreign Policy: Amorim, “o melhor chanceler do mundo”

Fonte VIOMUNDO

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The world’s best foreign minister, Wed, 10/07/2009 – 12:35pm,

David Rothkofp, no blog da revista Foreign Policy

Esse pode ter sido o melhor mês do Brasil desde cerca de junho de 1494. Foi quando o Tratado de Tordesilhas foi assinado, dando a Portugal tudo no mundo a leste de uma linha imaginária que foi declarada existir 379 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. Isso garantiu que o que viria a se tornar Brasil seria português e, portanto, desenvolveria uma cultura e identidade diferentes do resto da América Latina hispânica. Isso garantiu que o mundo teria samba, churrasco, Garota de Ipanema e, através de uma incrível e tortuosa corrente de eventos, a Gisele Bundchen.
Embora o Brasil tenha levado algum tempo dando razão à máxima de que “é o país do futuro e sempre será”, há poucas dúvidas de que o amanhã chegou para o país, ainda que muito tenha de ser feito para superar sérios desafios sociais e aproveitar o extraordinário potencial econômico do país.
A prova de que algo novo e importante está acontecendo no Brasil começou alguns anos atrás, quando o presidente [Fernando Henrique] Cardoso gerenciou uma mudança para a ortodoxia econômica que estabilizou o país-vítima de ciclos de crescimento e crise e inflação de tirar do sério. Ganhou força, no entanto, durante o extraordinário governo do atual presidente, Luis Inacio “Lula” da Silva.
Algum desse impulso se deve ao compromisso de Lula de preservar as fundações econômicas assentadas por Cardoso, uma decisão política corajosa para um líder sindical de oposição do Partido dos Trabalhadores. Parte do impulso se deve a sorte, uma mudança do paradigma energético que ajudou o investimento de 30 anos do Brasil em biocombustíveis dar retorno importante, as descobertas maciças de petróleo na costa do Brasil e a crescente demanda da Ásia que permitiu ao Brasil se tornar o líder exportador da agricultura mundial, assumindo o papel de “celeiro da Ásia”. Mas muito do impulso se deve à grande capacidade dos líderes brasileiros de aproveitar o momento que muitos dos predecessores provavelmente teriam perdido.
Desses líderes, muito do crédito vai para o presidente Lula, que se tornou uma espécie de estrela de rock na cena internacional, juntando a energia, a disposição, o carisma, a intuição e o senso comum tão eficazmente que a falta de educação formal não se tornou empecilho. Algum crédito vai para outros membros de sua equipe, como a chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, a ex-ministra da Energia que se tornou uma ministra dura e possível sucessora de Lula. Mas eu acredito que uma grande parte do crédito deve ir para Celso Amorim, que planejou a transformação do papel mundial do Brasil de forma sem precedentes na história moderna. Ele é o ministro das Relações Exteriores de Lula desde 2003 (também serviu nos anos 90), mas penso que se pode argumentar que é atualmente o chanceler mais bem sucedido do mundo.

É impossível apontar um único momento de mudança nas tentativas de Amorim de transformar o Brasil de um poder regional com influência int ernacional duvidosa em um dos países mais importantes no mundo, reconhecido por consenso global para jogar um papel de liderança sem precedentes.
Pode ter sido quando ele teve um papel central na engenharia do “empurrão” dado pelos países emergentes contra o “poder-de-sempre” dos Estados Unidos e da Europa durante as negociações comerciais de Cancun em 2003.
Pode ter sido o jeito que o Brasil adotou para usar questões como a dos biocombustíveis para forjar novos diálogos e influência, com os Estados Unidos ou com outros poderes emergentes.
Com certeza envolveu a decisão de Amorim de abraçar a idéia de transformar os BRICs de uma sigla em uma importante colaboração geopolítica, trabalhando com seus colegas da Rússia, da Índia e da China para institucionalizar o diálogo entre os países e coordenar sua mensagens. (Dos BRICs quem se deu melhor nesse arranjo foi o Brasil. Rússia, China e Índia todos conquistaram seus lugares na mesa através de capacidade militar, tamanho de população, influência econômica ou recursos naturais. O Brasil tem tudo isso, mas menos que os outros).
Também envolveu muitas outras coisas, como o aprofundamento das relações com países como a China, a promoção do Brasil como destino de investimentos, a reputação do Brasil como comparativamente seguro diante de problemas econômicos globais, o conforto que o presidente dos Estados Unidos sente em relação a seu colega brasileiro — a ponto de encorajar o Brasil a jogar um papel como intermediário junto, por exemplo, aos iranianos. Concorde ou não com todas as decisões de Amorim, como em Honduras ou em relação a Cuba na Organização dos Estados Americanos, o Brasil tem continuado a jogar um papel regional importante ainda que seu foco tenha claramente mudado para o palco global.

Nada ilustra quanto evoluiu o Brasil ou quão eficaz é o time Lula-Amorim quanto os eventos das últimas semanas. Primeiro, os países do mundo largaram o G8 e abraçaram o G20, garantindo ao Brasil um lugar permanente na mesa mais importante do mundo. Em seguida, o Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a ganhar o direito de sediar as Olimpíadas. Ontem o Financial Times noticiou que a “Ásia e o Brasil lideram na confiança do consumidor”, um reflexo da reputação que o governo vendeu eficazmente (com a maior parte do crédito indo para o ressurgente setor privado brasileiro). E nesta semana as notícias sobre o encontro do FMI-Banco Mundial em Istambul mostraram a institucionalização do novo papel do Brasil com um acordo para mudar a estrutura do FMI. De acordo com o Washington Post de hoje: “As nações também concordaram preliminarmente em reestruturar a estrutura de votação do Fundo, prometendo dar mais poder aos gigantes emergentes como o Brasil e a China até janeiro de 2011″.

Nada mal para alguns dias de trabalho. E embora seja o ministro da Fazenda que representa o Brasil nos encontros do FMI-Banco Mundial, o arquiteto dessa marcante transformação no papel do Brasil foi Amorim.
Muito ainda precisa ser feito, com certeza. Parte tem a ver com o novo papel desejado. O Brasil quer uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e mais liderança nas instituições internacionais. Pode conquistar isso, mas terá de manter o crescimento e a estabilidade para chegar lá. Além disso, o Brasil parece inclinado a minimizar ameaças regionais como a representada pela Venezuela (Os brasileiros tendem a olhar com desprezo para seus vizinhos do norte tanto quanto o fazem para os argentinos, vizinhos do sul… e, portanto, subestimam a habilidade de homens como Hugo Chávez de causar danos). E o Brasil tem diante de si uma eleição que pode mudar o elenco de jogadores e, naturalmente, pode mudar a atual trajetória de uma série de maneiras — boas e ruins.
Mas é difícil pensar em outro chanceler que tenha tão eficazmente orquestrado uma mudança tão significativa no papel internacional de seu país. E se alguem pedisse hoje que eu votasse no melhor chanceler do mundo, meu voto provavelmente iria para o filho de Santos, Celso Amorim.

David Rothkopf é autor de Superclass: The Global Power Elite and the World They are Making (Superclasse: A elite do poder global e o mundo que ela está construindo) e Running the World: The Inside Story of the National Security Council and the Architects of American Power (Governando o Mundo: A história do Conselho de Segurança Nacional e os Arquitetos do Poder Americano).