22/11/2009 - 10:47h Israel – Palestina: Solução de 2 Estados está em xeque

Sem acordo até 2011, palestinos pressionarão por Estado único

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John V. Whitbeck – O Estado SP

O “processo de paz” do Oriente Médio, um processo aparentemente perpétuo, chegou ao momento da verdade. Foi o que o principal negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou em entrevista no último dia 4.

As esperanças dos palestinos de que o governo Barack Obama continuasse insistindo com firmeza para que Israel parasse de expandir os assentamentos em território palestino frustraram-se. Houve um momento particularmente decepcionante, quando a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, usou o termo “sem precedentes” ao elogiar a promessa mínima de Israel de reduzir seu programa de expansão dos assentamentos.

Reagindo rapidamente, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou que não se candidataria à reeleição porque agora estava claro que os Estados Unidos não se oporiam a Israel. A capitulação de Washington sugere a possibilidade de que “a solução dos dois Estados deixou de ser uma opção, e agora talvez o povo palestino deva voltar suas atenções para a solução de um Estado único, em que muçulmanos, cristãos e judeus possam viver em condições iguais”, disse Erekat.

Sua declaração clamorosa poderá assinalar uma guinada na longa e frustrante busca da paz com algum grau de justiça entre Israel e a Palestina.

STATUS QUO

Durante os longos anos do chamado processo de paz, os prazos foram constantemente desrespeitados, como era previsível. Este fracasso foi facilitado pela realidade prática de que, para Israel, o “fracasso” não teve outra consequência senão a continuação do status quo, que para todos os governos israelenses tem sido não apenas tolerável, como preferível a qualquer alternativa realizável de um ponto de vista realista. Para Israel, o “fracasso” sempre constituiu um “sucesso”, permitindo que continuasse confiscando terra palestina, expandindo suas colônias na Cisjordânia, construindo desvios acessíveis unicamente aos judeus, e em geral tornando a ocupação cada vez mais permanente e irreversível.

No interesse de todos, esta situação terá de mudar. Para que haja alguma perspectiva de sucesso numa nova rodada de negociações, o fracasso deve ter consequências claras, convincentes e inapeláveis para os israelenses.

A liderança palestina, com ou sem Abbas, agora deveria anunciar que está disposta a retomar as negociações com Israel, mas somente com base num entendimento expresso e irrevogável: se não houver um acordo de paz definitivo com base na “solução de dois Estados”, e se este não for assinado até o final de 2010, o povo palestino não terá outra escolha senão buscar a justiça e a liberdade pela democracia – mediante plenos direitos de cidadania em um Estado único em todos os territórios que, antes de 1948, constituíam a Palestina, livre de toda discriminação de raça ou religião, com direitos iguais para todos os que viverem neste Estado, como ocorre numa verdadeira democracia.

A Liga Árabe deveria então declarar publicamente que a generosa Iniciativa de uma Paz Árabe, que desde março de 2002 oferece a Israel uma paz permanente e relações diplomáticas e econômicas normais em troca do cumprimento da lei internacional pelos israelenses, expirará e será retirada da mesa de negociações, caso um acordo de paz definitivo palestino-israelenses não seja assinado até o final de 2010.

Neste momento – e não antes – poderão começar negociações sérias e cruciais. Considerando a extensão do avanço dos assentamentos israelenses em terras palestinas, talvez já seja tarde demais para se chegar a uma solução de dois Estados satisfatória, mas uma solução satisfatória nesse sentido jamais terá maior chance de ser alcançada. Se de fato for tarde demais, israelenses, palestinos e o mundo poderão, então, concentrar suas mentes e esforços de modo construtivo na única alternativa satisfatória.

É até mesmo possível que, se obrigados a trabalhar no próximo ano na perspectiva de viver num Estado totalmente democrático, muitos israelenses consigam considerar esta “ameaça” menos terrível do que têm feito tradicionalmente.

A este propósito, talvez os israelenses devessem conversar com alguns sul-africanos brancos. A transformação da ideologia da supremacia racial e do sistema político da África do Sul num sistema plenamente democrático os transformou de marginalizados em pessoas bem-vindas em toda a região.

Além disso, garantiu a permanência de uma presença branca forte e vital na África do Sul de um modo que nunca seria possível com flagrante injustiça de uma ideologia e um sistema político com base na supremacia racial e com a imposição aos nativos de “Estados independentes” fragmentados e dependentes. Este não é um precedente a ser menosprezado, mas poderá e deverá servir de inspiração.

20/11/2009 - 19:05h Cartaz de filme é retirado do metrô de Paris por mostrar fumante

da Efe, em Paris – Folha online

A proibição de mostrar o consumo de tabaco em peças publicitárias no metrô de Paris motivou a retirada de um cartaz do filme “Gainsbourg (vie héroïque)”, sobre a vida do cantor Serge Gainsbourg.

No cartaz do filme de Joann Sfar, o ator Eric Elmosnino aparece soltando fumaça pela boca.

A simples citação ao ato de fumar foi suficiente para que o cartaz fosse considerado uma incitação ao consumo de tabaco pelos administradores do metrô, que temem receber uma multa de até 100 mil euros.

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O ator Eric Elmosnino vive Serge Gainsbourg no cinema; cartaz foi proibido por trazer alusão ao cigarro


“Isso porque nos preocupamos em fazer com que não aparecesse nenhum cigarro no cartaz”, afirma o produtor do filme, Marc du Pontavice, para quem a proibição da publicidade no metrô, onde 600 cartazes seriam colocados a partir de dezembro, provocará um “grande prejuízo”.

O produtor disse considerar a medida “ridícula, ainda mais levando em conta que o cartaz será permitido nos ônibus urbanos da cidade”.

Já em 2009, um dos cartazes que anunciavam uma exposição sobre o cineasta Jacques Tati teve que mudar para aparecer no metrô parisiense. O cachimbo fumado por seu personagem Monsieur Hulot foi substituído por um cata-vento.

O cartaz do filme “Coco antes de Chanel”, sobre Coco Chanel, também foi retirado porque sua protagonista, Audrey Tautou, segurava um cigarro.

20/11/2009 - 16:40h Extradição: ato de soberania

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Cesare Battisti

Dalmo Dallari

RIO – A concessão da extradição de um estrangeiro que se encontre no território brasileiro, para atender a um pedido formulado pelo governo de um Estado estrangeiro, é um ato de soberania do Estado brasileiro, que deve ser praticado com absoluta independência e tendo por base jurídica superior às disposições da Constituição brasileira. Evidentemente, devem ser levados em conta, na decisão do pedido, os compromissos assumidos pelo Brasil, tanto por meio de adesão a documentos internacionais como pela assinatura de tratados, mas o atendimento de tais compromissos não tem prioridade sobre a obrigação jurídica de respeitar e aplicar a Constituição brasileira. Agradar ou desagradar ao governo solicitante da extradição é um dado secundário no exame das disposições constitucionais, não devendo ter qualquer peso na decisão de conceder ou não a extradição.

Tudo isso deve ser levado em conta na decisão que será tomada pelo presidente da República relativamente ao pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, formulado pelo governo da Itália. Na última sessão do Supremo Tribunal Federal, que tratou da questão, foram tomadas duas decisões fundamentais. A primeira reconhecendo a legalidade formal do pedido de extradição, ficando assim afastada a hipótese da existência de alguma ilegalidade que impedisse a apreciação do pedido. A Lei número 6.815, de 1980, que dispõe sobre a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, diz no artigo 83 que nenhuma extradição será concedida sem prévio pronunciamento do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade do pedido. Como bem assinalou a eminente ministra Carmen Lúcia, o pedido de extradição começa e termina no Poder Executivo mas passa obrigatoriamente pelo Supremo Tribunal Federal, que, no desempenho de sua função precípua, que é a guarda da Constituição, verifica previamente se estão satisfeitos os requisitos legais. Essa decisão não é terminativa, não resolve se o pedido de extradição será ou não atendido, mas é de extrema importância para salvaguarda da Constituição e dos direitos que ela assegura.

A segunda decisão do Supremo Tribunal Federal foi no sentido de reconhecer que a palavra final sobre o pedido de extradição cabe ao presidente da República. É importante assinalar que o Supremo Tribunal Federal não determinou, nem poderia fazê-lo, que o presidente conceda ou não a extradição. Em termos constitucionais, a decisão sobre essa matéria enquadra-se no âmbito das relações internacionais do Brasil. E a Constituição é bem clara e objetiva quando estabelece, no artigo 84, que “compete privativamente ao presidente da República manter relações com Estados estrangeiros”. Diariamente os jornais brasileiros dão notícia de encontros, negociações e decisões no âmbito internacional, nas mais diversas áreas de atividades, como a economia, o meio ambiente, a proteção da saúde, o respeito aos direitos humanos e muitas outras questões que se colocam no relacionamento entre os Estados. E em todos esses casos o Brasil é representado pelo Poder Executivo, que tem na chefia suprema o presidente da República, a quem compete, privativamente, manter relações com Estados estrangeiros. Assim, pois, já tendo o reconhecimento da inexistência de ilegalidades, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal, cabe ao presidente da República fazer a avaliação do conjunto de circunstâncias que cercam o pedido de extradição, levando em conta, sobretudo, as disposições da Constituição brasileira.

No caso em questão, em que o governo italiano pede a extradição de Cesare Batistti, existe um ponto essencial: os crimes de que Battisti foi acusado já foram qualificados anteriormente, pelo governo italiano, como crimes políticos. Com efeito, numa das ações do grupo a que pertencia Battisti foi morto um homem, Torregianni, e seu filho, que se achava no local, foi gravemente ferido, sendo obrigado, desde então, a locomover-se em cadeira de rodas. Um dado fundamental é que, desde então, o governo italiano vem pagando pensão mensal ao jovem Torregianni, por reconhecer que ele foi vítima de crime político. A legislação italiana prevê esse pensionamento somente para vítimas de crime político, excluídas as vítimas de crime comum.

E nos termos expressos do artigo 5º, inciso 52, da Constituição, “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião”. Como fica evidente, o Presidente da República deverá decidir se concede ou não a extradição de Cesare Battisti, mas sua decisão não poderá ser arbitrária, devendo ser consideradas, obrigatoriamente, as disposições da Constituição brasileira. O fato de existir um tratado de extradição assinado pelos governos do Brasil e da Itália não se sobrepõe à Constituição, não tendo qualquer fundamento jurídico uma eventual pretensão do governo italiano de fazer prevalescer o tratado sobre a Constituição. Ao que tudo indica, deverá ser essa a decisão do presidente da República, que terá perfeito embasamento constitucional. Obviamente, essa decisão irá desagradar ao governo italiano, podendo-se esperar uma enxurrada de ofensas grosseiras ao Brasil e ao seu governo, como já ocorreu anteriormente, quando se anunciou que o pedido de extradição dependia de exame do Supremo Tribunal Federal e de posterior decisão do chefe do Executivo. Mas a decisão de negar a extradição não terá qualquer consequência jurídica negativa para o Brasil, que, pura e simplesmente, terá tomado uma decisão soberana, no quadro normal das nações civilizadas, regidas pelo direito.

Dalmo Dallari é professor e jurista.

23:29 – 19/11/2009

20/11/2009 - 14:27h Abbas quer que Lula dê recado a Teerã


Líder palestino pedirá ao Brasil que interceda junto ao presidente do Irã por fim de apoio ao grupo radical islâmico Hamas

À Folha presidente da ANP diz que país pode agir mais pela paz no Oriente Médio; em Salvador, ele se reúne com o colega brasileiro hoje


Ricardo Stucker/PR

Presidente Lula come acarajé em jantar em Salvador com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas (esq.), e um tradutor


SAMY ADGHIRNI – FOLHA SP

ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, quer que Luiz Inácio Lula da Silva use suas boas relações com o iraniano Mahmoud Ahmadinejad para pedir que Teerã pare de apoiar o grupo radical Hamas, seu maior rival interno.
A declaração de Abbas foi feita ontem em entrevista exclusiva à Folha na véspera de seu encontro oficial com Lula (os dois líderes tiveram um jantar privado ontem) e quatro dias antes da visita de Ahmadinejad ao Brasil. Em conversa com a reportagem, o presidente da ANP acusou Israel de alimentar as divisões entre palestinos e disse que o atual governo israelense é o primeiro da história a não querer a paz.
Abbas, que viaja em avião cedido pelo governo do Marrocos, defendeu que o projeto de proclamação da independência palestina seja levado à ONU.

FOLHA – O que o sr. dirá ao presidente Lula?
MAHMOUD ABBAS -
Há muito tempo que temos relações com Lula. Acreditamos que o Brasil deveria ter um papel no processo de paz e pediremos que ele tome a oportunidade de assumir esse papel. Sei que é respeitado por israelenses e árabes, palestinos em particular. Não estamos falando de coisas específicas, mas de aspectos gerais.
O Brasil, como país importante, e o presidente Lula, como líder respeitado, podem ter um papel importante. Há muitas maneiras de atuar pela paz.

FOLHA – O sr. quer o apoio do Brasil a uma declaração unilateral de independência palestina?
ABBAS -
Não dizemos que proclamaremos independência unilateralmente. O que planejamos é que a Liga Árabe leve a questão de um Estado palestino ao Conselho de Segurança [da ONU]. Trabalharemos com os países árabes para chegar a um projeto concreto. Mas não agora, nem unilateralmente.

FOLHA – É coincidência o sr. vir ao Brasil poucos dias após a visita do presidente de Israel, Shimon Peres?
ABBAS -
Sim. Perguntamos ao governo brasileiro qual data seria mais conveniente para nossa visita e foi essa que eles ofereceram. Não planejamos nada.

FOLHA – O Brasil gostaria que o sr. recuasse da decisão de não tentar a reeleição. Existe essa chance?
ABBAS -
Não serei candidato. A decisão que tomei é definitiva. Temos instituições, governo, autoridade, gabinete, aparato policial e estabilidade. Não acho que minha decisão levará ao fim da Autoridade Palestina [como sugerido por analistas].

FOLHA – O sr. crê que o Irã apoia o Hamas? Gostaria que o Brasil intercedesse sobre a questão junto ao presidente Ahmadinejad?
ABBAS -
Sim. O Irã apoia o Hamas com dinheiro. As decisões do Hamas estão nas mãos de Teerã. Espero que ele [Lula] possa lhe dizer [a Ahmadinejad] algumas coisas a respeito de tudo o que acontece no Oriente Médio. Acho que o presidente o fará.

FOLHA – As divisões entre palestinos servem aos interesses de Israel?
ABBAS -
Isso é claro. As divisões entre palestinos são um pretexto que serve para reforçar o argumento de Israel de que não se sabe quem são os interlocutores do nosso lado. Não acho que os israelenses o tenham provocado [o racha], mas eles o estimulam e o mantêm para benefício próprio.

FOLHA – O que mudou após a posse do atual governo israelense?
ABBAS -
Este governo não acredita na paz. Os anteriores, especialmente o de Ehud Olmert, conversavam com a gente sobre todos os temas da negociação. Estivemos muito perto de alcançar uma solução final, mas isso não foi possível devido a problemas internos em Israel [acusações de corrupção contra o governo]. Olmert caiu, e sua sucessora [a então chanceler Tzipi Livni] não conseguiu formar um governo, e perderam as eleições. Hoje há no poder uma coalizão que não crê na paz.

FOLHA – Israel alega que são os palestinos que travam o diálogo ao exigir o congelamento das assentamentos na Cisjordânia sem considerar seu crescimento natural.
ABBAS -
Israel deveria cumprir com o que está determinado no Mapa do Caminho, que diz claramente: Israel deve cessar a expansão de todo tipo de assentamento, incluindo a expansão natural. É obrigação dos israelenses. Aliás, nós cumprimos com todas as nossas obrigações, os americanos e israelenses reconhecem isso. Israel não cumpriu nenhuma das suas.

FOLHA – Quando o sr. voltará a se encontrar com o atual premiê israelense, Binyamin Netanyahu?
ABBAS -
Quando ele aceitar dois princípios: o fim dos assentamentos e a retirada israelense até as fronteiras de 1967. Voltaremos a conversar no mesmo dia em que ele concordar com isso. Antes disso não há razão alguma para vê-lo. Estive com ele nos EUA, não passou de uma formalidade.

FOLHA – Como o sr. vê a política de Barack Obama no Oriente Médio?
ABBAS -
No início ele chegou a dizer que Israel deveria pôr fim à expansão dos assentamentos, mas infelizmente mudou de ideia. Mesmo assim, ainda cremos que ele acredita na paz e tem boas intenções para resolver os problemas na região.

FOLHA – Cresce o coro dos que advogam pela solução de um Estado para dois povos. O que sr. acha?
ABBAS -
Acreditamos na solução de dois Estados. Também não acreditamos na solução das fronteiras provisórias. Nosso Estado deveria ser criado dentro dos limites anteriores à guerra de 1967, com Jerusalém sendo a capital. São essas as fronteiras do Estado palestino. É a única maneira de podermos conviver com os israelenses em paz e segurança.

19/11/2009 - 12:42h Petrobrás tem o 2º maior lucro das Américas

Empresa fica atrás apenas da ExxonMobil; a Vale está em 22.º lugar na lista, dominada por grupos dos EUA

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Nicola Pamplona, RIO – O Estado SP

A Petrobrás teve o segundo maior lucro trimestral entre todas as empresas de capital aberto da América Latina e dos Estados Unidos. Segundo levantamento feito pela consultoria Economática, o resultado do terceiro trimestre, divulgado na semana passada, ficou atrás apenas dos números apresentados pela gigante americana ExxonMobil. Mesmo assim, com pequena diferença: US$ 4,107 bilhões da Petrobrás, ante US$ 4,730 bilhões da Exxon.

A lista dos 25 maiores lucros ainda inclui a brasileira Vale, que anunciou ganhos de US$ 1,689 bilhão no terceiro trimestre, ficando em 22º lugar. As demais empresas são todas americanas. Mesmo amargando uma queda considerável nos ganhos este ano, o setor de petróleo ocupa as três primeiras posições: no terceiro lugar, atrás de Exxon e Petrobrás, vem a Chevron, que teve lucro de US$ 3,831 bilhões.

As petroleiras sofreram com uma queda brusca no preço do petróleo, que chegou a ultrapassar os US$ 140 por barril em julho, mas fechou o terceiro trimestre de 2009 a uma cotação média de US$ 68 por barril, valor 41% menor do que o registrado no mesmo período de 2008.

Tal cenário levou o lucro das principais empresas do setor a despencar. A Exxon, por exemplo anunciou uma queda de 68% com relação ao terceiro trimestre de 2008. Já o lucro da Chevron caiu 41%.

No caso da Petrobrás, a queda foi bem inferior, de 26%, e mesmo assim com forte impacto de um acordo fechado com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o pagamento de R$ 2 bilhões a título de recálculo da participação especial do campo de Marlim, o maior do País. Na entrevista de divulgação do balanço, o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, disse que, sem o pagamento, a redução no lucro seria menor, de apenas 11%.

A principal diferença, dizem analistas, é que a Petrobrás tem a maior parte de sua receita proveniente do mercado interno, cujos preços não oscilam tanto quanto no mercado internacional. De fato, no terceiro trimestre, a cesta de combustíveis da Petrobrás custava R$ 162,96 por barril, enquanto o valor americano foi de R$ 121,62 por barril. A estatal tem mantido seus preços acima das cotações internacionais há mais de um ano.

A lista elaborada pela Economática considera a cotação do dólar Ptax de 30 de setembro (R$ 1,91), o que contribui para o bom desempenho da Petrobrás. Na moeda brasileira, o lucro da Petrobrás foi de R$ 7,3 bilhões. A primeira empresa não petroleira do ranking é o banco JP Morgan Chase, com lucro de US$ 3,588 bilhões. A Microsoft vem em quinto lugar (US$ 3,574 bilhões).

AMÉRICA LATINA

Dentre as empresas sediadas apenas em países latino-americanos, a Petrobrás ocupa a primeira posição em lucro no terceiro trimestre, com resultado 143% superior ao da Vale, segunda colocada.

Nesta lista, 15 empresas são brasileiras e cinco mexicanas – incluindo a terceira colocada, a America Movil. O Itaú Unibanco, resultado de fusão ocorrida neste ano, está em quarto lugar. Na sequência vêm Banco do Brasil, Bradesco, AmBev, CSN, Itaúsa e Braskem.

19/11/2009 - 11:47h Brasil se torna 4º maior credor dos EUA

Brasil se torna 4º maior credor dos EUA

Investimento brasileiro em títulos americanos alcançou em setembro US$ 145 bilhões, o seu maior nível em 12 meses

Aumento das reservas e busca por aplicações mais seguras incentivam compra; China, Japão e Reino Unido são maiores credores dos EUA

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EDUARDO CUCOLO – FOLHA SP


DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O aumento no fluxo de dólares para o Brasil tem ajudado o país a reforçar a sua posição como um dos maiores credores do governo norte-americano.
De acordo com o Tesouro dos EUA, o investimento do governo brasileiro em títulos do país alcançou em setembro o maior nível em 12 meses. São US$ 145 bilhões que estão hoje financiando a dívida do país, o equivalente a quase dois terços das reservas internacionais. Esse valor coloca o Brasil como o quarto maior credor dos EUA, atrás apenas de China, Japão e Reino Unido.
No final do ano passado, o governo brasileiro havia reduzido a aplicação nesses títulos, que ficaram muito valorizados durante a fase mais aguda da crise, quando investidores buscaram proteção naquele que é considerado o investimento mais seguro do mundo.
Ao vender esses papéis, e embolsar algum lucro, o país migrou para outras aplicações, também consideradas seguras, mas que pagavam juros maiores. É o caso de papéis de organismos multilaterais, como o KfW (o BNDES alemão) e o BIS (o BC dos bancos centrais).
Apesar do aumento em termos absolutos, percentualmente, o país ainda está distante do recorde alcançado em junho de 2008. Na época, o Brasil aplicava 80% das suas reservas em títulos dos EUA. O governo buscava, naquele momento, tirar o dinheiro dos bancos internacionais, que já enfrentavam problemas de solvência.
Uma das explicações para esse aumento nas compras é o crescimento das reservas internacionais, que estão hoje no patamar recorde de US$ 235 bilhões. As reservas funcionam como uma garantia para o país em momentos de crise. Graças a esse dinheiro, o Brasil deixou de ser um devedor e é hoje credor em moeda estrangeira.
Além dos papéis dos EUA, o BC -que administra as reservas internacionais- mantém esse dinheiro aplicado em bancos estrangeiros e em ativos como o ouro. Há ainda os recursos que estão no FMI -hoje o país é credor do Fundo em mais de US$ 5 bilhões.
Ao contrário do Brasil, outros grandes credores mantiveram, e até aumentaram, essas aplicações em papéis dos EUA no momento mais agudo da crise. O Reino Unido, por exemplo, mais que dobrou sua participação nos últimos 12 meses. Ultrapassou a posição brasileira em março deste ano, quando o Brasil chegou a ficar atrás da Rússia também. O Japão também aumenta gradativamente suas aplicações.
A China, maior credor dos EUA, tem mantido o seu nível de investimento estável nos últimos meses. O país asiático possui hoje cerca de US$ 800 bilhões nos papéis, o que representa quase 25% da dívida americana em títulos nas mãos de países estrangeiros.

18/11/2009 - 17:04h Judeus israelenses apoiam negociações de paz com palestinos

Pesquisa da Universidade de Tel Aviv também aponta equilíbrio na opinião sobre as intenções de Netanyahu

Efe – Agência Estado

JERUSALÉM – Um total de 75% da população judaica israelense apoia o desenvolvimento de negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), a percentagem mais alta em anos, revelou uma pesquisa da Universidade de Tel Aviv divulgada nesta quarta-feira, 18.

O levantamento mostra que, entre os que apoiam as negociações com os palestinos, 57% consideram a suspensão da construção de colônias judaicas como importante – algo que os palestinos estabelecem como condição para avançar nas conversas -, em comparação com 37% que opinaram o contrário.

Entre os que rejeitaram o diálogo, 93% disseram não acreditar que a construção de assentamentos judaicos no território ocupado palestino deva ser interrompida.

Este é o chamado “Índice de Guerra e Paz”, elaborado mensalmente pelo Programa Evans de Pesquisa da Resolução de Conflitos da Universidade de Tel Aviv após consultar mais de 500 israelenses. A margem de erro é de 4,5%.

Obama

A pesquisa também mostra uma queda no número de israelenses que considera o presidente dos EUA, Barack Obama, como pró-palestino, e um aumento no percentual daqueles que acham que a posição do americano é neutra ou inclusive pró-israelense.

Contra os 55% que consideravam que as políticas de Obama beneficiavam a parte palestina na edição da pesquisa feita em maio de 2009, apenas 40% dizem o mesmo no último levantamento, feito em novembro.

Os entrevistados se mostram igualmente divididos em relação às supostas intenções do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de retornar às negociações com os palestinos. Assim, 46% disseram crer que suas intenções são sinceras, enquanto 45% afirmam o contrário.

Obama diz que construção de assentamentos por Israel é perigosa

Reuters/Brasil Online – O Globo

WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a colocar pressão sobre Israel para que o país ponha fim a seus projetos de assentamentos nesta quarta-feira, afirmando que a sua construção leva a uma situação perigosa com os palestinos.

“Acho que a continuação da construção de assentamentos não contribui para a segurança de Israel. Acho que torna mais difícil eles fazerem a paz com seus vizinhos”, disse Obama à Fox News.

“Acho que isso desagrada os palestinos de uma maneira que pode acabar sendo bastante perigoso.”

(Reportagem de Jeff Mason)

17/11/2009 - 17:05h Exuberância feminina no interior da França

Meu prato: Marie-Pierre é a mulher que faz a diferença na expansão dos domínios Troisgros.

Por Nicholas Lander, Financial Times – VALOR


Divulgação
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A contribuição especial de Marie-Pierre para o império Troisgros emergiu pela primeira vez na abertura do Le Central


Nos últimos 79 anos, o nome Troisgros e a cidade de Roanne (a 100 km de Lyon, no leste da França) são sinônimos da melhor cozinha francesa. Em 1930, Jean-Baptiste Troisgros abriu o restaurante da família do lado aposto da estação ferroviária. Seus filhos, Jean e Piere, o administraram depois dele e agora o filho de Pierre, Michel, está no comando.

O local original, a Maison Troigros, é hoje um restaurante com salas que há muito recebe a classificação máxima de três estrelas do celebrado guia Michelin. A família também é dona do Le Central, o café-delicatessen que fica ao lado, e do La Colline du Colombier, um “auberge” de campo que fica a 30 minutos de automóvel de Roanne.

Mas nos últimos 25 anos a força comercial que vem conduzindo o sucesso dos Troisgros é uma mulher que nunca quis de fato se estabelecer em Roanne. Marie-Pierre Lambert nasceu em Valença no vale do Rhône. Ela se matriculou no hotel-escola de Grenoble em 1973 porque queria uma profissão que lhe permitisse conhecer o mundo. Michel Troisgros era um colega de classe e ela descreve o primeiro encontro dos dois como um “coup de foudre”, ou amor à primeira vista.

Foto Destaque
La Colline du Colombier: restaurante de campo e hotel com abrigos de ferramentas transformados em cabanas-iglus


Assim que se formaram, ela fez com ele uma viagem ao redor do mundo, enquanto ele estabelecia sua carreira. Mas não foi fácil. “Michel cozinhou em Bruxelas, no [hotel cinco estrelas] Connaught de Londres e em Nova York. Naqueles dias os hoteleiros relutavam em contratar casais”, explica ela. “Hoje é muito diferente. Fico feliz em dizer isso.”

No começo de 1983, eles retornaram a Roanne para uma estadia de seis meses, com planos de se mudarem para a Austrália e lá abrir seu próprio restaurante. Mas em agosto daquele ano, o tio de Michel, Jean, morreu. Marie-Pierre e Michel decidiram ficar. Naquela altura já casados, Marie-Pierre assumiu seu papel na Maison Troisgros junto com a família do marido.

Marie-Pierre diz que sua falecida sogra era supergentil, mas que a função dela era puramente de “maîtresse” do restaurante, alguém que recebia os clientes, certificava-se de que tudo estava correndo tranquilamente no salão e então se despedia dos comensais.

Marie-Pierre teve dificuldade para encontrar seu próprio nicho, mas agora admite que provavelmente a adaptação foi mais difícil para Michel, que estava trabalhando com duas madames Troisgros.

A contribuição especial de Marie-Pierre para o império Troisgros emergiu pela primeira vez na abertura do Le Central em 1996, a poucas portas de “la grande maison”, como ela se refere ao restaurante principal.

O Le Central é descrito pela família como “café/mercearia”. Suas prateleiras estão cheias de vinagres, pasta e molhos, enquanto suas paredes são cobertas de fotografias em branco e preto de seus fornecedores de ingredientes e vinhos. Para o jantar, tivemos suflê de queijo, risoto com cogumelo marrom, pernas de rã com gengibre e alho, e uma maravilhosa torta Tatin.

Marie-Pierre parece estar ainda mais em seu elemento no La Colline du Colombier, um restaurante de campo e hotel criado em uma ex-fazenda perto de Iguerande.

O La Colline du Colombier recebeu seu nome por causa do pombal que havia no local, que hoje abriga um cozinha circular e um banheiro maravilhoso logo acima dela. Ele é a coroação da busca por um local empreendida por Marie-Pierre durante oito anos, com um conjunto de construções que permitisse à família fazer algo original e instigante no exuberante interior da França.

No começo, tudo que a família viu foram construções deterioradas. “Queríamos algo que expressasse o estilo Troisgros, queríamos algo bem mais tranquilo, em harmonia com o século XXI.”

Com o arquiteto Patrick Bouchain, eles também conseguiram encontrar uma solução bem incomum para o problema de que as casas existentes na fazenda não ofereciam quartos suficientes para tornar a conversão viável.

Inspirando-se nas cabanas locais, ou “cadoles”, usadas pelos produtores de vinho como abrigo de ferramentas. Eles construíram três dormitórios no estilo cadole, que são os quartos mais confortáveis e talvez mais românticos. Eles se parecem com iglus cortados ao meio, em estilo pastoral, com um espaço de estar ultramoderno construídos diante de estacas de aço para permitir uma visão ininterrupta do cenário rural.

O belo celeiro que acomodava o gado é hoje o restaurante Le Grand Couvert. Seu cardápio de outono a € 35 oferece pratos com presuntos variados, bruschetta de escargot com ervilhas; um mousse de fígado de frango com camarão de água doce; salmão com molho de pimenta vermelha; e um delicioso pot-au-feu.

Marie-Pierre fala com grande paixão do Le Colombier e do tempo que já está com os Troisgros – ela diz, modesta, que se vê como “braço direito” de Michel -, mas seu sorriso aumenta quando ela fala de César, o filho mais velho do casal.

César está seguindo os passos da família e atualmente trabalha como chef do restaurante French Laundry, no Napa Valley, na Califórnia. Mas somente o tempo dirá se ele vai sucumbir ao charme de Roanne – como fez sua mãe.

(tradução Mario Zamarian)

16/11/2009 - 12:17h EUA e China adiam para 2010 a possibilidade de acordo climático

CoP-15: Posição assumida por Obama e Hu Jintao deve levar a prolongamento de negociações

http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0904/obama_hu_0401.jpg

Edward Luce, Kevin Brown, Fiona Harvey e Joshua Chaffin, Financial Times – VALOR

O presidente dos EUA, Barack Obama, admitiu ontem que a cúpula de Copenhague, no mês que vem, não vai produzir um tratado com força de lei para combater o aquecimento global, mas manteve a porta aberta para uma negociação substantiva de um novo quadro sobre mudanças climáticas.

Ao dizer que “não devemos transformar o ‘perfeito’ em inimigo do ‘bom’ “, o presidente americano selou o crescente consenso internacional de que o melhor a ser esperado do encontro no mês que vem é um forte comprometimento político.

A posição de Obama, assumida durante o encontro do Fórum de Cooperação Econômica Ásia Pacífico (Apec, na sigla em inglês), foi apoiada por todos os 21 países presentes, inclusive a China.

Analistas dizem que isso reflete um entendimento entre americanos e chineses de que não há a possibilidade ainda de os dois maiores poluidores do planeta de entrar num acordo mais amplo sobre mudanças climáticas.

Autoridades americanas disseram que os membros da Apec, responsáveis por dois terços das emissões mundiais, chegaram a um consenso sobre a fórmula de “um acordo, dois passo”, elaborada pelo premiê dinamarquês, Lars Rasmussen. Por essa abordagem, Copenhague produziria um acordo em questões substantivas, incluindo cortes significativos nas emissões dos países desenvolvidos até 2020, além de medidas dos países em desenvolvimento para segurarem os crescimentos de emissões.

Os países podem assinar um acordo sem força de lei, mas de “comprometimento político”.

Advogados poderiam então produzir um tratado articulado pronto para ser assinado na conferência da ONU em Bonn, em junho, ou no próximo encontro sobre mudanças climáticas, no México, em dezembro de 2010.

Michael Froman, conselheiro-sênior de Obama, disse: “Essa abordagem de dois passos significa que houve uma avaliação dos líderes de que não seria realístico esperar um acordo internacional com força de lei a ser negociado entre agora e o início da cúpula de Copenhague, em 22 dias”.

Autoridades europeias disseram não terem ficado surpresas com os comentários de Obama, mas pediram aos governos que tentassem fazer progressos reais no mês que vem.

Entretanto mesmo chegar a acordos políticos será difícil.

Obama ainda encontra muita dificuldade em adotar dois dos principais objetivos de Copenhague: chegar a um comprometimento dos EUA de cortar suas emissões até 2020 e definir o financiamento por parte dos EUA e dos outros países ricos para ajudar os países pobres a cortar suas emissões. E os EUA não podem adotar esses compromissos até que a legislação de clima e energia que está sendo analisada no Senado seja votada.

16/11/2009 - 11:42h “Brasil o que melhor conseguiu combater a fome” ajudará savana africana em projetos agrícolas

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De Roma – VALOR

A indústria brasileira de equipamentos agrícolas poderá se beneficiar de uma iniciativa de Brasília de ajudar países africanos a cultivarem as Savanas, que são parecidas com o Cerrado brasileiro, acredita a Embrapa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu ontem a iniciativa com líderes africanos, na FAO, em Roma. Lula quer reunir ministros de Agricultura do continente em Brasília, em abril, para examinar mecanismos de financiamento a serem levados à reunião de cúpula do G-20 em junho, no Canadá.

Atualmente, só 10% das Savanas estão cultivadas. A Embrapa já identificou 35 projetos de cooperação em 16 países e entraria com US$ 12,8 milhões.

Um projeto que começou a tomar corpo neste mês é para ajudar na exploração de 3 milhões de hectares em Moçambique, em cooperação com o Japão, que já ajudou por sua vez na exploração do Cerrado brasileiro.

Os japoneses entrarão com o dinheiro, cerca de US$ 300 milhões em dez anos; o Brasil, com a tecnologia; e os africanos, com a terra. A ideia é produzir soja, milho, arroz e outras commodities.

O presidente da Embrapa, Pedro Arraes, afastou a ideia de que se estaria estimulando a criação de concorrentes para o agronegócio brasileiro. “Tenho certeza de que a demanda vai aumentar globalmente muito. E, se não houver soja suficiente, os usuários partem para outro produto.”

A fome atinge 1,2 bilhão de pessoas. Nesse cenário, o Brasil é visto como um sucesso. A ONG ActionAid diz ter avaliado vários países e concluido que foi o Brasil o que melhor conseguiu combater a fome. (AM)

16/11/2009 - 10:27h Desenvolvimento sustentável e o Brasil

*HILARY BENN – O Globo

http://i.telegraph.co.uk/telegraph/multimedia/archive/01205/hilary-benn_1205601c.jpgMais de seis bilhões de pessoas compartilham os frágeis sistemas de apoio à vida na Terra.

Com mais pessoas vivendo nas cidades, podemos nos sentir distantes da natureza, mas somos completamente dependentes daquilo que ela nos oferece. É fácil esquecermos que a natureza nos fornece o alimento e a água que nos sustentam; e um clima estável.

À medida que a população mundial cresce, os recursos naturais acabarão por tornarem-se incapazes de responder às nossas demandas. A paz e a estabilidade globais dependem de nossa habilidade de encontrar novas maneiras de crescer e gerir nossos recursos para que todos se beneficiem deles, hoje e no futuro.

E é isso o que significa desenvolvimento sustentável.

Se quisermos alcançar um mundo mais sustentável, precisamos enfrentar nossa responsabilidade por mudanças climáticas. Se falharmos em cortar as emissões de gases de efeito estufa, estaremos sujeitos a secas, inundações e perdas de colheitas.

A mudança do clima representa uma ameaça à prosperidade global. É por isso que o Reino Unido se comprometeu a cortar suas emissões em 34% até 2020 e 80% até 2050, e propôs um fundo de 100 bilhões de dólares anuais para ajudar as nações em desenvolvimento a lutar contra estas mudanças.

A transição para uma economia mais sustentável não significa sacrificar o crescimento ou cercear as aspirações dos países ricos ou pobres.

O Relatório Stern possui uma mensagem simples: enfrentar a mudança do clima não custará nada ao planeta, mas a Terra pagará o preço se não fizermos nada.

É do interesse de todos enfrentarmos essa ameaça juntos. O comprometimento do Brasil em reduzir o crescimento de duas emissões em 38-42 % até 2020, incluindo a redução do desmatamento em 80%, é realmente ambicioso.

O Brasil emerge como uma das potências econômicas e políticas.

Sua economia é estável, sua população vem prosperando e algumas de suas empresas são reconhecidas mundialmente. Mas o Brasil sempre foi mais do que uma potência convencional. É o lar de aproximadamente um quinto de todas as espécies conhecidas. Suas florestas fornecem à América do Sul a chuva para regar as plantações, e ao resto do mundo, um clima estável. Além disso, o país tem sido líder no desenvolvimento de biocombustíveis e no monitoramento via satélite.

É exatamente desse tipo de liderança que o mundo precisa agora. O Brasil tem a oportunidade de consolidar sua reputação de potência ambiental. É possível fazê-lo expandindo sua matriz energética sustentável e seu monitoramento da Amazônia para outros biomas, explorando novas formas de cultivo e pecuária e compartilhando suas tecnologias agrícolas e de monitoramento de outras regiões mega diversas na África e na Ásia.

Em cerca de 20 dias, o mundo se reunirá em Copenhague com o objetivo de acordar uma estrutura política para combater o aquecimento global. Será o primeiro passo no caminho rumo a um mundo mais sustentável. Devemos dar esse passo juntos. O Reino Unido está pronto para embarcar nessa jornada e contamos com o Brasil.

*HILARY BENN é ministro de Meio Ambiente, Alimentação e Questões Rurais do Reino Unido.

16/11/2009 - 09:34h Novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo

Americanos e europeus estudam regulação mais dura com base em problemas climáticos, trabalhistas e de segurança

Raquel Landim – O Estado SP

Estão surgindo novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo, Estados Unidos e União Europeia. Três grupos de barreiras preocupam: ambientais, trabalhistas e de segurança. Deputados americanos e europeus debatem novas legislações sobre esses temas, que são foco da agenda comercial.

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que por ano 15,4% das exportações brasileiras para os EUA – o equivalente a US$ 5 bilhões – estão na mira da nova legislação americana de mudanças climáticas. A lei pode atingir as vendas brasileiras de aço, celulose, papel e alumínio.

O aquecimento global tornou o tema ambiental urgente. O presidente Barack Obama deu sinais de que está disposto a assumir compromissos na reunião de Copenhague. Preocupadas em ficar em desvantagem com outros países, as empresas americanas exigem compensações.

Existem dois projetos sobre o tema no Congresso americano. O mais provável é que sejam aprovadas medidas que obriguem os importadores a comprar licenças para emissão de carbono. “Isso joga o ônus da adaptação nos países em desenvolvimento”, disse o diretor de relações internacionais da Fiesp, Mário Marconini.

A União Europeia também estuda a adoção de uma “taxa de carbono” contra produtos importados, caso os países emergentes não se disponham a assumir compromissos equiparáveis aos ricos de redução de emissões em Copenhague.

Segundo a consultora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sandra Rios, essas tarifas distorcem a negociação climática, que reconhece que os países ricos e em desenvolvimento têm responsabilidades diferentes pelo aquecimento global. “O problema é que essas tarifas vão equiparar os esforços. As nações emergentes têm de manter seu crescimento.”

Nas discussões trabalhistas, os sindicatos ganharam força para defender regras rígidas em acordos comerciais, depois do desemprego causado pela crise e do apoio decisivo a Obama. A maior preocupação é com o trabalho escravo e infantil.

Tramita no Congresso dos EUA um projeto para reformar a lei de aduanas. Segundo o diretor executivo da Coalização das Indústrias Brasileiras, com sede em Washington, Diego Bonomo, pode entrar em vigor uma nova lista de produtos feitos com trabalho escravo e infantil, que ficariam impedidos de entrar no país. A lista inclui 13 itens brasileiros, como algodão, calçados e tabaco.

A segurança também ganhou relevância desde os ataques de 11 de setembro de 2001. O Congresso concedeu um mandato para o Executivo americano escanear 100% dos contêineres que chegam ao país. Existe um projeto-piloto, mas a administração federal argumenta que não há condições de colocar a lei em prática.

Barreira ambiental vai afetar mais os setores intensivos de energia

Estudo da Fiesp mostra que maiores prejuízos recairão na venda de ferro e aço, celulose, argila, papel e alumínio

Raquel Landim – O Estado SP


As exportações brasileiras dos setores intensivos em energia serão as mais afetadas pelas novas barreiras ambientais dos Estados Unidos. Os prejuízos podem ser maiores nas vendas de ferro e aço, celulose, argila, papel e alumínio, conforme estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou no mês de junho a Lei Waxman-Markey, que estabelece metas de redução de emissões para os Estados Unidos pela primeira vez. Segundo cálculos do Departamento Governamental de Contabilidade americano, os setores que terão mais gastos para se adaptar às novas regras serão metais primários, metais não-metálicos e químicos.

Ainda não foi definido pelo Congresso, mas crescem as chances de que, para compensar os fabricantes locais e evitar a fuga de empresas para países com padrões ambientais menos rígidos, os americanos estabeleçam medidas de fronteira, como exigir que os importadores comprem licenças de emissões de carbono.

No caso do Brasil, o setor siderúrgico deve ser o mais prejudicado, já que quase 27% das exportações de ferro e aço são destinadas ao mercado americano, o que significou US$ 3,4 bilhões em 2008.

“A Conferência de Copenhague é essencialmente econômica. Não podemos ter a ingenuidade de chegar a essa discussão como se fosse apenas ambiental”, argumenta o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

“Se a indústria siderúrgica americana vai fazer investimentos, é legítimo que queiram compensações. O problema é que, depois da crise, o mercado está sobre ofertado. As questões ambientais podem ser um pretexto para o protecionismo”, observa. Ele afirma que existe um excedente de aço de 600 milhões de toneladas no mundo.

A indústria siderúrgica brasileira defende que as metas de redução de emissões sejam diferentes para países com consumo per capita inferior e superior a 300 quilos de aço por habitante por ano. Na avaliação do setor, o consumo de aço é um indicador de crescimento econômico e as metas ambientais não podem brecar o desenvolvimento. O Brasil consome 100 quilos por habitante/ano, enquanto a China chega a 340.

Para o presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Adjarma Azevedo, “as barreiras ambientais são inevitáveis”. O executivo afirma que o Brasil tem de se empenhar para influenciar na implementação dessas leis. Ele diz que, dependendo dos critérios, pode ser um benefício para o Brasil, cuja matriz energética é 47% de energia renovável.

Azevedo acredita que as medidas de fronteira dos Estados Unidos vão acabar levando em consideração o conteúdo de emissão de carbono de cada país. Segundo ele, a indústria brasileira de alumínio contribui com 0,2% das emissões do País, que, por sua vez, representa apenas 4% das emissões globais.

Já a fabricação mundial de alumínio equivale a 1% das emissões do planeta.

QUÍMICO

A maior preocupação do setor químico hoje não está nos Estados Unidos, mas na Europa. A União Europeia implementou no ano passado um novo registro para as substâncias químicas que entram no bloco, conhecido pela sigla Reach. O objetivo é garantir a qualidade dos produtos químicos para não afetar a saúde da população e o meio ambiente.

Por enquanto, a regulamentação ainda não está sendo rigidamente implementada. “Mas pode ser utilizado como uma barreira se os europeus quiserem, porque impõe uma série de dificuldades para as empresas”, explica o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Nelson Pereira dos Reis.

OUTRO LADO DA MOEDA

Para alguns setores, novas barreiras comerciais podem se transformar em oportunidades. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, disse que é “absolutamente favorável” a cláusulas sociais no comércio internacional. “É uma evolução natural da globalização.”

Para o setor têxtil brasileiro, que já opera com uma legislação trabalhista forte, novas regras são vantajosas, porque prejudicariam seu principal concorrente, a China.

Os novos temas do comércio internacional, como meio ambiente e trabalho, são causas defensáveis e não chegam a ir diretamente contra a Organização Mundial de Comércio (OMC), que prevê que os países abram exceções para proteger os recursos naturais ou para fins sociais.

A questão, alertam os especialistas, é que esses temas podem ser utilizados como barreiras protecionistas.

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Discussão sobre o etanol ganha novas proporções

Raquel Landim – O Estado SP

Símbolo do sucesso brasileiro em energia renovável, o etanol também pode ser alvo de barreiras ambientais. O setor enfrenta um momento crítico nos próximos meses, que é a regulamentação dos combustíveis de baixo carbono.

“É a nossa maior preocupação”, disse o presidente da União da Indústria Canavieira de São Paulo (Unica), Marcos Jank. O assunto está sendo debatido nos Estados Unidos e na União Europeia. Nos Estados Unidos, a discussão não é apenas federal, mas também estadual.

Não existem dúvidas de que o etanol polui menos que a gasolina. Também está claro que o etanol brasileiro, produzido com cana-de-açúcar, é menos poluente que produto americano, feito a partir do milho. A questão é qual é o tamanho da vantagem.

Segundo Jank, as discussões nos Estados Unidos e na União Europeia consideram o uso indireto da terra. Ou seja, o efeito que a expansão da produção de cana tem no desmatamento da Amazônia. A área de cana cresce no Centro-Sul, mas, teoricamente, empurra outras culturas em direção à floresta.

“São cálculos muito difíceis de fazer. E estão sendo utilizadas premissas erradas, porque há desconhecimento do álcool de cana”, disse o presidente da Unica. Jank ressalta que apenas 1% da expansão da cana-de-açúcar ocorre por meio de desmatamento, enquanto 60% é feito em áreas de pastagens.

Para as usinas, a discussão sobre o padrão do combustível se tornou mais importante que a queda da tarifa cobrada pelos Estados Unidos para a importação de etanol, de US$ 0,54 por galão, que vence em 2010.

Segundo Jank, a indústria vai fazer um forte lobby para o Congresso Nacional não renovar a tarifa. “Mas se garantirmos uma boa qualificação para o etanol brasileiro como combustível avançado ganharemos aliados nessa briga.”

15/11/2009 - 17:01h Mulheres marcadas


Obra esmiúça a história de campo de concentração nazista onde 117 mil prisioneiras foram mortas

EVA BLAY ESPECIAL PARA A FOLHA

Desvendar o Holocausto, negado pelos ignorantes, punir os nazistas assassinos foi um processo que só se aprofundou na Alemanha depois do julgamento de Eichmann [em 1961], disse Hannah Arendt. E quanto falta conhecer!
Sabia-se da presença de mulheres em todos os campos, mas não que houvesse um campo especialmente destinado a elas e a meninas forçadas ao trabalho escravo.
É o que nos revela Rochelle G. Saidel, em seu magnifico “As Judias do Campo de Concentração de Ravensbrück”. Ravensbrück era um campo só para mulheres. Rochelle Saidel, ao visitá-lo em 1980, constatou que se falava de todas as prisioneiras, especialmente das comunistas, e nada se dizia sobre as judias, mesmo as judias comunistas.
Por que essa omissão? Esclarecer esta questão se tornou seu objetivo. Durante 25 anos, coletou documentos, ouviu sobreviventes, judias ou não, pesquisou bibliotecas em vários países e voltou ao campo diversas vezes por ocasião das comemorações de sua libertação. Rochelle descobriu que, de cada 100 mulheres, pelo menos 20 eram judias. Os responsáveis pelo memorial do campo tentavam se desculpar pela omissão afirmando que faziam uma classificação pelas nacionalidades, e não religião. Paradoxo, pois as deportadas de cada uma das “nacionalidades” o eram em decorrência da condição judaica, mesmo as que tivessem aderido a outras religiões, e não devido à nacionalidade.
No campo havia comunistas, antinazistas, social-democratas, homossexuais, criminosas, prostitutas, ciganas, testemunhas de Jeová e judias. Construído por prisioneiros de campos de concentração próximos, Ravensbrück recebeu a primeira leva de mulheres em 18 de maio de 1939. A cada ano chegavam centenas de deportadas. Vieram de Polônia, Áustria, França, Bélgica, Holanda, Noruega, Iugoslávia e outros países ocupados. Um campo previsto para 3.000 mulheres chegou a ter 132 mil prisioneiras durante seus seis anos de existência.

Tifo e inanição
Mas a crueldade da morte por tifo, tuberculose, inanição ou monóxido de carbono dos escapamentos de caminhões não bastava e, em novembro de 1944, [o chefe da polícia nazista Heinrich] Himmler ordenou que se construíssem câmaras de gás em Ravensbrück.
Das 132 mil mulheres que passaram pelo campo, 117 mil foram mortas. A Cruz Vermelha resgatou 7.500 prisioneiras, enviando-as para a Suíça e a Suécia no último momento da dominação nazista. Quando o Exército russo libertou o campo, em abril de 1945, restavam 3.000 mulheres moribundas.
O livro descreve detalhadamente como as prisioneiras realizavam um trabalho escravo. Construíam estradas, formavam uma fileira como animais para carregar pedras do lago das circunvizinhanças e depois as esmagavam com um cilindro que exigia dez mulheres para ser movido; alinhavam as pedrinhas à mão pelos caminhos do campo. As mulheres trabalhavam também fora do campo: foram escravas da fábrica Siemens na produção de armamentos.
Fome, frio, total ausência de roupas adequadas ao rigoroso inverno, falta de sapatos se somavam a chibatadas e ataques de cães. Mulheres e meninas eram também enviadas para terríveis “experiências” médicas que ultrapassam o limite da razão.
Várias prisioneiras de Ravensbrück tiveram ligações temporárias ou permanentes com o Brasil e suas histórias são relatadas no livro. Elisabeth Saborovski Ewert, conhecida como Sabo, veio ao Brasil enviada pelo Comintern [a Internacional Comunista] para, junto com Prestes, atuar no Partido Comunista.
Presa, teve destino semelhante a Olga Benário Prestes; ambas foram enviadas num navio nazista, em 1936, para a Alemanha. Sabo passou no Brasil por prisões, tortura, foi estuprada diante do marido, acabou em Ravensbrück, onde teve de trabalhar terrivelmente, embora fosse tuberculosa, e seu corpo, apenas pele e ossos.
Quando desmaiou, carregando pedras, foi chutada e mordida pelos cães atiçados pelas guardas do campo. Apesar dos esforços das companheiras, não resistiu.

Vida no campo
A condição de gênero teve várias consequências distintas para homens e mulheres. O perigo dos estupros estava sempre presente. Mulheres grávidas eram mortas ou tinham seus bebês mortos, às vezes por elas mesmas para que não sofressem a vida torturante do campo.
Socializadas para o pudor, sofriam quando tinham de ficar nuas diante de homens e mesmo de mulheres do campo. Mas essa mesma socialização para o “cuidar” ajudou a preservar a dignidade e até a sobrevivência de algumas.
Mulheres preparadas para as tarefas domésticas enganavam a fome trocando receitas, fazendo pequenos presentes como um simples desenho, esculpindo uma escova de dentes, bordando um pequeno pano, lembrando um aniversário. Simples gestos ganhavam enorme significado.
Após o fim da guerra, Ravensbrück ficou sob a supervisão dos comunistas russos e depois da República Democrática Alemã. De início, o Memorial de Ravensbrück ressaltava o heroísmo das mulheres comunistas russas ou alemãs, ignorando inteiramente as judias -mesmo as que também eram comunistas. Só depois de 1995 se abriu um espaço para essas mulheres esquecidas, certamente obra da competente e persistente pesquisadora Rochelle Saidel.

EVA BLAY é professora titular de sociologia na Universidade de São Paulo e autora de “Assassinato de Mulheres e Direitos Humanos” (ed. 34).


AS JUDIAS DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE RAVENSBRÜCK

Autor: Rochelle G. Saidel
Tradução: Antonio de Pádua Danesi
Editora: Edusp (tel. 0/xx/11/ 3091-4008)
Quanto: R$ 59 (344 págs.)

14/11/2009 - 13:23h “Os declaro marido…e marido”

caravggio
“Amor vincet omnia”. Ou, na língua de Júlio César, “O amor conquista tudo”. Título da obra de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571 – 1610), que exibe um Cupido com ar triunfador.
A obra foi pintada para o marquês Vincenzo Giustiniani entre 1602 e 1603. Está no Staatliche Museen, Berlim.

mao332a “Os declaro marido…e marido”. A frase poderá ser formalmente ouvida por Alex Freyre e José María Di Bello nos próximos dias, quando poderão casar-se, formalmente, no Registro Civil de Buenos Aires.

A autorização para este casamento entre dois homens foi assinada pela juíza Gabriela Seijas, que considerou que são inconstitucionais os artigos 172 do Código Civil argentino – que estabelece que é necessário o consentimento de “um homem e uma mulher” – e o 188, que determina a fórmula “os declaro marido e mulher”.

Segundo a juíza, “a lei deve tratar cada pessoa com igual respeito em função de suas singularidades, sem necessidade de entendê-las ou regulá-las”.

Desta forma, Alex, de 39 anos, e José María, de 41, anunciaram ontem (sexta-feira) que estão “orgulhosos” e “felizes”. Eles também afirmaram que serão o primeiro casal de homens que poderão casar-se oficialmente na História da América Latina. A medida cria precedentes para o fim do impedimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo dentro da cidade de Buenos Aires.

Até o momento, a cidade de Buenos Aires autorizava a união civil de duas pessoas do mesmo sexo. A mesma norma está em funcionamento há meses no Uruguai. Mas, a união civil deixa de lado vários direitos de um casamento formal, entre eles, a adoção de crianças. A partir do casamento, Alex e José María poderão adotar, se desejarem.

O CASAMENTO, O PREFEITO E O YOUTUBE
Maurício Macri, prefeito de Buenos Aires, do partido de centro-direita Proposta Republicana, anunciou que não impedirá o casamento, já que considera que está “a favor da liberdade e o direito das pessoas de serem felizes de acordo com suas próprias decisões”.

Macri surpreendeu ao deixar de lado suas posições costumeiramente conservadoras ao admitir que a aceitação do casamento homossexual “é uma tendência em todo o mundo”.

Para mostrar sua modernidade, o prefeito fez o anúncio em um vídeo institucional que colocou no site Youtube. “Espero que sejam felizes”, expressou Macri.

O link do Youtube, com a mensagem de Macri:
http://www.youtube.com/watch?v=T7fp0ecfQ3s&feature=player_embedded

Diversas pesquisas nos últimos meses indicaram que 60% dos portenhos não colocam impedimentos para a legalização do casamento entre homossexuais.

PARLAMENTO E IGREJA
A comunidade gay em Buenos Aires espera que a decisão da juíza Seijas sirva de “empurrão” para o debate do projeto de lei que está em andamento no Congresso Nacional que inclui no Código Civil o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O projeto também prevê a modificação de artigos que atualmente impedem que gays, lésbicas, bissexuais e transexuais tenham os mesmos direitos nas relações de família que um heterossexual. A proposta é a de – basicamente – substituir a expressão “homem e mulher” por “contraintes”.

Com essa modificação as pessoas do mesmo sexo que casarem terão direitos a pensões, planos de saúde conjuntos, além das heranças. No caso de filhos adotados, em caso de separação dos pais, ambos terão direitos e obrigações sobre os menores.

No entanto, o tratamento deste projeto foi criticado pela cúpula da Igreja Católica argentina. A comissão executiva do Episcopado afirmou que sua definição de “casamento” é a de “uma relação estável entre homem e mulher, que em sua diversidade de complementam para a transmissão e o cuidado da vida”. Desde que a Igreja emitiu sua posição, o tratamento do projeto de lei ficou paralisado.

obeliscoes
Com satírico humor, portenhos indicam que o Obelisco de Buenos Aires, em pleno centro da capital, é uma exaltação fálica de 67 metros de altura. Na foto, propriamente equipado com um preservativo para o dia mundial de luta contra a Aids, em 2005.

BOOM DO ‘PINK MONEY’
Desde a crise financeira de 2001-2002 – a pior da História do país – a capital argentina deixou de lado o machismo imortalizado nas letras do tango e transformou-se na “Meca” do turismo gay na América Latina.

Nos últimos anos a cidade ficou repleta de bares, restaurantes, hostals, boutiques e discotecas gays.

Os especialistas sustentam que Buenos Aires tornou-se atraente graças à desvalorização da moeda (ocorrida em 2002) e o glamour que a cidade ostenta, proporcionado pela arquitetura europeia do início do século XX, quando a capital argentina – apelidada de “Paris da América do Sul” – era uma das mais elegantes do planeta. O especialista em turismo gay, Alfredo Cañete, diretor da Buegay, acrescenta em inglês o motivo da atração gerada por Buenos Aires: “italian looking cute guys” (garotos bonitos com aspectos de italianos).

Além disso, Buenos Aires é a cidade onde viveu e morreu Evita Perón, ícone do mundo gay – para profunda irritação do Peronismo ortodoxo – tal como Marilyn Monroe e Maddona.

O espírito “gay-friendly” ficou evidente há quatro anos, quando as autoridades municipais aprovaram a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Estimativas indicam que do total de 36 milhões de argentinos, 2 milhões são gays e lésbicas.

Por toda a cidade – principalmente nos bairros de San Telmo, Recoleta e Palermo – espalham-se uma dezena de “hostals” e 50 bares e restaurantes gay-friendlies, uma Wine Store, além de cursos de tango para homossexuais.

Há dois anos a cidade foi a sede da Copa do Mundo de Futebol Gay (a Argentina foi a campeã graças ao gol de seu atacante principal, um brasileiro residente no país).

Buenos Aires também conta com o Queer Tango Festival, um evento anual que cada vez arrepia menos os tangueiros ortodoxos. Ao longo do ano, o público gay também pode desfrutar do tango em duas tanguerías especializadas para esse público, além de dezenas de cursos especializados nesse tipo de dança.

Os comércios portenhos celebram a afluência do denominado “pink money”, já que os turistas gays estrangeiros gastam 25% a mais do que os turistas heterossexuais que passeiam por Buenos Aires.

No início desta década a maior parte da clientela gay estrangeira que visitava Buenos Aires era composta por jovens homossexuais europeus e americanos. Mas, nos últimos anos começaram a desembarcar ostensivos contingentes de brasileiros, colombianos e mexicanos.

Buenos Aires também tornou-se um ponto de atração para gays a ponto de aposentar-se nos EUA e Europa, que mudam-se para a capital argentina. Na cidade, suas aposentadorias rendem mais do que nos países de origem. Além disso, encontram imóveis baratos para instalar-se.

Os gays portenhos, com seu satírico humor, indicam que a cidade sempre fora gay-friendly, mas ninguém havia percebido: “temos um monumento, o Obelisco, que é uma exaltação fálica de 67 metros de altura…e além disso, é só ver que o palácio presidencial é a Casa Rosada!”.

14/11/2009 - 11:14h ”Quem conduz a política internacional não é o STF”

Segundo ministro, Lula não é obrigado a entregar Battisti à Itália mesmo que corte autorize sua extradição

http://noticiainutil.files.wordpress.com/2009/06/402px-marco_aurelio_de_mello.jpg

Mariângela Gallucci – O Estado SP

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é obrigado a entregar para a Itália o ex-ativista Cesare Battisti, mesmo que a corte autorize sua extradição. “Nossa decisão na extradição, se positiva quanto ao pedido do governo requerente, é simplesmente declaratória. Nós declaramos a legitimidade do pedido para o presidente da República aí decidir se entrega ou não”, disse o ministro. Na sessão de julgamentos de quinta-feira, Marco Aurélio votou contra a extradição de Battisti.

Para ele, está havendo uma precipitação no julgamento. “Para mim, está havendo um atropelo quanto ao exame em profundidade do ato de refúgio – isso nunca ocorreu no Supremo, é a primeira vez – e quanto ao voto do relator, que assenta que o presidente da República estará obrigado a entregar o extraditando”, afirmou, em entrevista concedida ontem por telefone. “Quem conduz a política internacional não é o Supremo, não é o Judiciário, é o Executivo.”

No seu voto, o senhor chegou a mencionar a ditadura no Judiciário.

É. E citei o Canotilho (professor português de direito constitucional José Joaquim Gomes Canotilho), que se mostrou perplexo com os avanços do Supremo. Pelo fato de nós não termos acima um órgão que possa corrigir as nossas decisões, nós precisamos ter uma responsabilidade maior. Não podemos avançar, não podemos atropelar.

Qual é a opinião do senhor sobre o fato de o STF ter analisado o ato do ministro da Justiça, Tarso Genro, de ter concedido refúgio a Cesare Battisti?

Para mim, está havendo atropelo quanto ao exame em profundidade do ato de refúgio – isso nunca ocorreu no Supremo, é a primeira vez – e quanto ao voto do relator, que assenta que o presidente da República estará obrigado a entregar o extraditando. Agora mesmo o presidente Sarkozy, da França, em relação a uma italiana que a corte declarou a legitimidade do pedido de extradição, ele concedeu o asilo. Por quê? Porque o asilo e o refúgio estão no grande todo que é a política internacional. Quem conduz a política internacional não é o Supremo, não é o Judiciário, é o Executivo. E a nossa Constituição, nossa República, está assentada na separação dos Poderes. Os Poderes são independentes e harmônicos. Reconheço que meu voto ontem foi um pouco duro. Mas precisamos perceber que não somos infalíveis, não somos os censores da República de uma forma geral. A nossa atuação é vinculada ao direito posto, à Constituição Federal.

O senhor tem notado um movimento do tribunal, de avanço nas atribuições dos outros Poderes?

Tenho notado que prevalece um pragmatismo muito grande. Ontem (quinta-feira) mesmo eu comecei levantando uma questão de ordem. Pelo regimento, está em bom vernáculo que para julgar matéria constitucional temos de ter 8 (ministros no plenário). Iniciamos a sessão com 7. E depois do lanche, tínhamos 6. E aí, como eu sou um homem que quando assume compromisso eu honro, eu tinha um compromisso em São Paulo na FMU, eu tive de sair. Chego lá (no plenário do STF) no horário certo, às 14 horas. Mas estamos começando as sessões com 30, 40 minutos de atraso sempre. E os intervalos se projetando por 1 hora e 15 minutos, 1 hora e 20, enquanto o regimento prevê 30 minutos. Aí não conseguimos julgar realmente o que desejaríamos julgar.

Na opinião do senhor, o STF está se transformando num superórgão, acima dos outros Poderes?

Eu penso, como sinalizado pelo professor Canotilho, que talvez diante de uma certa inércia, principalmente do Legislativo, o tribunal tende a avançar. Agora, é o que eu digo: um suspiro dentro do tribunal é observado por todos. E o exemplo vem de cima. Se nós queremos a observância das regras jurídicas, nós temos de dar o exemplo.

No fim da sessão de ontem, o ministro Gilmar Mendes deu um recado, dizendo que o presidente tem de cumprir as decisões judiciais.

Não é bem assim. A nossa decisão na extradição, se positiva quanto ao pedido do governo requerente, é simplesmente declaratória. Nós declaramos a legitimidade do pedido para o presidente da República aí decidir se entrega ou não. Agora, se a nossa decisão é negativa, dizendo que o pedido é ilegítimo, essa decisão negativa obriga o presidente da República. Ele não pode entregar o extraditando.

O que ele pode fazer, que é um outro ato, é expulsar o estrangeiro. Mas não entregar ao governo requerente. Pela primeira vez, no voto do relator, ele está consignando que o presidente da República é obrigado a cumprir e entregar. Não é bem assim.

Os três ministros que por enquanto acompanharam o relator já concordaram com essa parte do voto, que o presidente da República é obrigado a entregar Battisti no caso de a extradição ser autorizada, ou ainda não se pronunciaram sobre esse ponto?

Eles não se pronunciaram ainda explicitamente sobre essa questão importantíssima. Não diz respeito a Battisti. É uma questão institucional, de funcionamento dos Poderes. Precisam se pronunciar.

14/11/2009 - 10:38h Livre para perder

Krugman_paulPaul Krugman* – O Estado SP

Considerem, por um momento, uma história de dois países. Ambos sofreram severa recessão e perderam empregos – não na mesma escala. No país A, o emprego caiu mais de 5% e a taxa de desemprego mais que dobrou. No país B, o emprego caiu apenas 0,5% e o desemprego é apenas ligeiramente mais alto que antes da crise.

Vocês não acham que o país A poderia ter algo a aprender com o B? Essa história não é hipotética. O país A são os Estados Unidos, onde os preços das ações estão em alta, o PIB está crescendo, mas a situação terrível do desemprego continua se agravando. O país B é a Alemanha, que sofreu um grande golpe no PIB, quando o comércio mundial desmoronou, mas tem sido extremamente bem-sucedido em evitar perdas de emprego em massa.

O milagre dos empregos na Alemanha não recebeu muita atenção nos EUA, mas ele é real e suscita questões sérias sobre se o governo americano está fazendo as coisas certas para combater o desemprego.

Nos EUA, a filosofia por trás da política de emprego pode ser resumida em “se crescermos, eles virão”. Isto é, nós não temos uma efetiva política de emprego, temos uma política de PIB. A teoria é que, ao estimular o consumo em geral, podemos fazer o PIB crescer mais depressa, e isso induzirá as companhias a deixar de demitir e retomar as contratações.

A alternativa seriam políticas que enfrentem a questão do emprego. Poderíamos, por exemplo, ter programas de frentes de trabalho, no estilo do New Deal, do governo do presidente Roosevelt, na época da Depressão. Uma coisa dessas talvez seja impossível agora, mas deveríamos anotar, para registro, que em seu auge esses programas empregaram milhões de americanos a custo relativamente baixo para o orçamento.

Alternativamente, ou além disso, poderíamos ter políticas que apoiem o emprego no setor privado. Essas políticas poderia variar de regras trabalhistas que desestimulem demissões a incentivos financeiros a companhias que contratem trabalhadores ou reduzam as horas trabalhadas.

E foi isso que os alemães fizeram. A Alemanha entrou na Grande Recessão com uma forte legislação de proteção ao emprego. Essa foi suplementada por um “esquema de trabalho de curto prazo” que fornece subsídios a empregadores que reduzem as jornadas dos trabalhadores em vez de dispensá-los. Essas medidas não impediram uma perversa recessão, mas a Alemanha atravessou a recessão com perdas de empregos notavelmente baixas.

Os EUA deveriam fazer algo nessa linha? Numa entrevista recente, Lawrence Summers, o economista de maior peso no governo Obama, desdenhou: “Pode ser desejável ter uma dada quantidade de trabalho dividida entre mais pessoas. Mas isso não é tão desejável quanto expandir a quantidade total de trabalho”. É fato. Mas a verdade é que nós não estamos expandindo a quantidade total de trabalho – e o Congresso não parece estar disposto a gastar o suficiente em estímulo para mudar esse fato lamentável.

A objeção usual a políticas de emprego ao estilo europeu é que elas são ruins para o crescimento no longo prazo – que proteger empregos e encorajar a partilha do trabalho torna as companhias de setores em expansão menos propensas a contratar e reduz os incentivos para trabalhadores se transferirem para ocupações mais produtivas. E, em tempos normais, há algo a se defender nos mercados de trabalho “livres para perder” no estilo americano, em que os empregadores podem demitir à vontade mas também enfrentam poucas barreiras para contratar.

Mas estes não são tempos normais. Neste momento, os trabalhadores que perdem empregos não estão se transferindo para os empregos do futuro; estão entrando nas filas dos desempregados e ficando nelas. O desemprego prolongado já está nos níveis mais altos desde os anos 1930, e continua crescendo.

E o desemprego prolongado inflige danos prolongados. Os trabalhadores que estão fora de um emprego por muito tempo encontram dificuldade para voltar ao mercado de trabalho mesmo quando as condições melhoram. E existem custos ocultos também – não menos para as crianças, que sofrem física e emocionalmente quando seus pais passam meses ou anos desempregados.

Então, já é hora de tentar algo diferente.

* Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia

13/11/2009 - 14:15h EUA decaem, mas China ainda não é páreo

Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana

http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG

John Plender, Financial Times – VALOR

Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a realidade é mais complexa. Em meio aos escombros da crise financeira, a posição dos EUA de superpotência e líder da economia mundial parece cada vez mais ameaçada.

Em especial, quando ele chegar a Pequim, no domingo, nada conseguirá disfarçar o fato de que Obama estará fazendo uma visita ao maior credor de seu país.

Aqueles que ficam satisfeitos com o desconforto dos EUA observam que esse colosso econômico global carrega o maior endividamento internacional do mundo e vem sendo abalado por uma moeda em desvalorização. É consenso geral que a China é a principal beneficiária de uma débâcle financeira e uma séria desafiante à hegemonia dos EUA.

Como o poder econômico frequentemente anda de mãos dadas com o poderio militar, essa mudança no poder econômico, juntamente com a fraqueza recente do dólar, vem sendo proclamada como um prenúncio do declínio americano. Esse clima é descrito de maneira primorosa por Fareed Zakaria em seu mais recente livro de sucesso, “The Post-American World And The Rise Of The Rest” (”O Mundo Pós-Americano”, Companhia das Letras). Assim veio a referência de Obama, em seu discurso de posse, de “um enfraquecimento da confiança em nosso país; um temor incômodo de que o declínio da América é inevitável, de que a próxima geração terá que reduzir suas esperanças”.

Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e conselheiro do presidente, declarou em uma entrevista recente à PBS, a rede de televisão pública dos EUA, que a ascensão dos mercados emergentes é “simbólica da menor posição dominante relativa dos EUA, não só na economia, mas também na liderança intelectual e de outras formas”.

Os bancos centrais dos países em desenvolvimento estão esfregando sal nas feridas do gigante enfermo. O Reserve Bank da Índia juntou-se, na semana passada, aos bancos centrais de China, Rússia, México e Filipinas na decisão de aumentar suas reservas em ouro, em detrimento dos títulos denominados em dólar. Um verdadeiro coro de formuladores de políticas de países que estão com superávit em conta corrente declarou que a posição do dólar como moeda de reserva é insustentável.

A essa altura, é importante lembrar que já estivemos aí antes. No fim da década de 80, Paul Kennedy, da Yale University, chocou o mundo com sua afirmação, em “The Rise And Fall Of The Great Powers” (”Ascensão e Queda das Grandes Potências”, Ed. Campus), de que “a única resposta à questão cada vez mais discutida da capacidade dos EUA de preservar ou não sua atual posição é ‘não’”.

Esse veredito pessimista surgiu na época do crash do mercado de ações, em 1987, quando houve uma preocupação contínua com os déficits gêmeos dos EUA e os déficits em conta corrente. O país havia se tornado um devedor internacional pela primeira vez e dependia crescentemente da entrada de capital europeu e japonês. Um Japão extremamente confiante estava em ascensão. O sentimento de decadência chegou perto da histeria nos EUA quando empresas japonesas compraram o Rockefeller Center, em Nova York, a Columbia Pictures, em Hollywood, e o campo de golfe de Pebble Beach, na Califórnia. “Quem é o dono da América?”, exigiu saber a ABC News.

De certa forma, a tese do professor Kennedy estava certa. Com a China, a Índia e os outros mercados emergentes alcançando o mundo desenvolvido, os EUA deverão sofrer um declínio econômico relativo, na forma de uma parcela menor do PIB mundial, mesmo com o país crescendo mais do que a maioria das grandes economias desenvolvidas e ainda sendo a maior economia do mundo em termos absolutos.

A globalização e a liberalização doméstica estão dando a esses países em desenvolvimento a chance de obter uma participação no PIB mundial proporcional ao seu tamanho na história. O desempenho econômico da China antes de 1978 era, afinal de contas, uma aberração vista a partir de uma perspectiva de séculos.

Em um estudo sobre as maiores economias, Angus Maddison, da Universidade de Groningen, calcula que a a participação da China no PIB mundial em 1820, antes de a Revolução Industrial na Europa ganhar força, era de mais de 30%, o que é bem mais do que a participação atual dos EUA. Assim, um retorno a algo mais normal pode estar a caminho.

Mas a tese de Kennedy parecia errada ao sugerir que os EUA talvez tivessem ampliado demais o seu império, ao ponto de não conseguirem mais administrá-lo, como aconteceu com a Espanha no século XVII e o Reino Unido no século XX. O caso mais óbvio de incapacidade de administração da década de 80 foi na verdade a União Soviética, que entrou em colapso, enquanto os EUA foram bem-sucedidos logo depois no restabelecimento de seu equilíbrio orçamentário, durante o governo Clinton, sem um recuo integral em seus compromissos internacionais.

Enquanto isso, o desafio econômico japonês perdeu o passo com o estouro das bolhas imobiliária e acionária, e o país se viu ameaçado pela deflação. O pânico da mídia americana com a invasão japonesa se mostrou um indicador perfeito, ainda que involuntário, de um ponto de virada.

A questão agora é se a tese da incapacidade de administração do império estava errada ou era simplesmente prematura. Mesmo assim, prever os períodos de ascensão e queda de nações e economias é uma coisa notoriamente difícil. Charles Kindleberger, o falecido historiador econômico, foi um dos muitos que acreditavam que a vitalidade nacional se movimentava em um ciclo de vida. Entre as causas internas do declínio identificadas por ele, estavam o aumento do consumo, a queda da poupança, a resistência à tributação, a desigualdade, a corrupção, grandes endividamentos e as finanças se tornarem mais dominantes na economia do que a indústria.

Mesmo que isso bata com as atuais circunstâncias, é preciso observar que muitas dessas coisas também estavam presentes nos EUA em 1929, quando a crise financeira coincidiu com a longa transição da hegemonia econômica do Reino Unido para os EUA. Quando Kindleberger escreveu “World Economic Primacy 1500-1990″, em 1996, ele acreditava que os EUA estavam decaindo. Mas ele não tinha ideia de qual país provavelmente surgiria como a próxima potência econômica mundial, e tinha a China apenas como “azarão” para o posto.

O argumento mais poderoso de apoio à hipótese da decadência envolve o que o professor Kennedy chamava de “tarefa antiga de relacionar as intenções nacionais às finalidades nacionais”. Como há uma correlação significativa de longo prazo entre a capacidade produtiva e a capacidade de aumentar as receitas, e o poderio militar, muita coisa depende da sustentabilidade da política fiscal. Aqui, os prognósticos não são bons para os EUA.

Sob as pressões gêmeas da crise financeira e do problema de longo prazo do envelhecimento dos “baby boomers”, as projeções oficiais apontam para déficits orçamentários numa escala sem precedentes. O Peterson Institute for International Economics, de Washington, estima que, depois de chegar perto de US$ 1,5 trilhão no ano fiscal corrente – mais de três vezes o recorde anterior -, o déficit provavelmente ficará perto de US$ 1 trilhão ao ano até 2020 ou além.

Da perspectiva do fluxo de recursos que entra na economia, a contrapartida desses déficits será em grande parte encontrada na conta corrente do balanço de pagamentos. Aqui, o instituto calcula que o déficit em conta corrente poderá subir de um recorde anterior de 6% do PIB para surpreendentes 15% ou mais até 2030, o equivalente a mais de US$ 5 trilhões por ano. Ele avalia que a dívida externa subirá dos atuais US$ 3,5 trilhões para até US$ 50 trilhões, ou 140% do PIB, no mesmo período.

Esses números representam um desafio assustador para o governo Obama e uma ameaça evidente ao dólar, uma vez que há um volume muito grande de reservas em dólares em mãos estrangeiras. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, do fim de 2000 até metade de 2009, as reservas internacionais subiram de US$ 1,9 trilhão para US$ 6,8 trilhões, dos quais US$ 2,3 trilhões estão sendo mantidos pela China. Mais de 60% dessas reservas estão em dólares.

A retórica chinesa recente, que inclui um pedido para a substituição do dólar como principal moeda de reserva do mundo por direitos especiais de saque (uma unidade contábil usada pelo FMI no trato com seus membros), sugere uma perda preocupante de confiança nas políticas monetária e fiscal dos EUA. Ao mesmo tempo, Fred Bergsten, diretor do Peterson Institute, afirma que agora é interesse dos EUA reduzir o papel do dólar e encorajar um fluxo maior de reservas para o euro, o yuan e os direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês).

Mesmo assim, a ameaça ao dólar pode estar sendo exagerada. A China está sacudindo as barras da gaiola que ela mesma fez, uma vez que as reservas são uma consequência da intervenção colossal para impedir a valorização de sua moeda. Na verdade, ela está presa ao equivalente econômico da aniquilação mútua descrita pelos teóricos da guerra nuclear durante Guerra Fria. Com as exportações chegando a dois quintos do PIB, convém à China ter os EUA como tomador e gastador de último instância na economia mundial. E ela não pode abandonar o dólar sem reduzir o valor de suas próprias reservas em dólar.

Quanto ao potencial da moeda chinesa de desafiar o papel do dólar de moeda de reserva, isso poderá existir no longuíssimo prazo, mas na ausência de mercados financeiros desenvolvidos e um compromisso muito mais forte de internacionalização do yuan, isso continua sendo muito remoto.

Na verdade, o elemento mais fraco do ponto de vista do declínio dos EUA pode ser as atuais estimativas elevadas da força do desafio chinês. Elas foram elegantemente apontados em um ensaio recente sobre assuntos externos de Josef Joffe, editor adjunto do jornal alemão “Die Zeit”. A China, diz ele, é um lugar onde o resto do mundo essencialmente aluga trabalhadores e espaço de trabalho a preços muito baixos e taxas de câmbio distorcidas. Sua dependência das exportações, além de ser um calcanhar-de-aquiles econômico, tem consequências políticas. Estas incluem 70 mil casos de distúrbio social todos os anos, que não são computados nas previsões lineares de crescimento de que os banqueiros de investimento tanto gostam.

A demografia da China não ajuda: Joffe afirma que a população vai crescer antes de começar a enriquecer. Pelos números do Goldman Sachs, a China terá em 2050 superado os EUA, com um PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos EUA. A idade média nos EUA será, então, a menor entre todas as grandes potências mundiais com exceção da Índia. Na verdade, a população economicamente ativa dos EUA terá crescido cerca de 30%, enquanto que na China haverá queda de 3%.

Junto com a dependência das exportações, isso representa um grande desafio para as autoridades chinesas, num país que é muito pobre. Enquanto isso, os EUA ainda possuem um sistema de ensino superior e de pesquisas sem paralelos. E, em 2008, seu orçamento militar foi de US$ 607 bilhões, representando quase metade dos gastos militares totais no mundo. O orçamento militar da China, frequentemente alardeada como a próxima superpotência, é de menos de um sétimo disso.

Ninguém pode negar as conquistas extraordinárias da China na mais acelerada revolução industrial da história humana. Estamos claramente nos movimentando para um mundo multipolar e um sistema de reserva multimoedas, no qual o poder dos EUA será mais restrito. Mesmo assim, os EUA continuam sendo de longe a mais flexível das grandes economias. A história não se move sobre trilhos – exceto para os marxistas. Se as autoridades dos EUA se mostrarem à altura do desafio fiscal e se os americanos passarem e poupar mais, há todas as chances do país escapar de um declínio significativo e continuar sendo a principal economia e potência militar do mundo por muito tempo ainda.

Isso é um “se” enorme. Mas, para o prazer de muitos, a próxima geração de americanos não vai reduzir suas esperanças e ambições no curto prazo.

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Retranca

China já viveu uma decadência como império


Financial Times – VALOR

A teoria da expansão excessiva dos impérios, lançada por Paul Kennedy em “The Rise And Fall of The Great Powers”, afirma que, se uma proporção grande demais dos recursos do Estado é desviada da criação de riqueza para os gastos militares, o poder nacional vai se enfraquecer no longo prazo. A questão é se um determinado Estado pode conseguir um equilíbrio razoável entre as necessidades básicas de defesa e os recursos econômicos.

A tarefa fica ainda mais difícil quando uma nação está sofrendo um declínio econômico relativo. O professor Kennedy afirmava também que os EUA não conseguiriam preservar sua posição relativa porque “simplesmente a nenhuma sociedade é conferido o direito de continuar permanentemente à frente das outras, uma vez que isso implicaria num congelamento dos padrões diferenciados das taxas de crescimento, dos desenvolvimentos tecnológico e militar, que existem desde tempos imemoriais”.

Ele concluiu que era dever dos estadistas americanos reconhecer essa ampla tendência e administrar o país, de modo que a corrosão relativa da supremacia ocorresse lentamente e tranquilamente, em vez de implementar políticas vantajosas no curto prazo, mas que seriam prejudiciais no longo prazo.

Isso carrega um reflexo notável da observação feita por Robert Temple Armstrong, o ilustre servidor público britânico, que disse na década de 70 que “o negócio do serviço civil é a administração ordeira do declínio”.

A China, embora vista por muitos como a principal beneficiária da potencial exaustão dos EUA, já passou por uma experiência própria de declínio. Até a meta de milênio anterior, ela era tecnologicamente mais avançada que a Europa, com uma agricultura mais eficiente, e a classe dos mandarins não tinha rivais em seu profissionalismo. Mesmo depois que o Ocidente a superou, economica e tecnologicamente, entre os séculos XVI e XVIII, a economia da China ainda era a maior do mundo quando a revolução industrial começou.

No entanto, entre 1820 e 1952, quando a Europa experimentou taxas de crescimento econômico sem precedentes na história, a produtividade per capita da China caiu, enquanto sua participação no PIB mundial despencou de um terço para um vigésimo. A renda per capital caiu de um nível igual ao mundial, para um quarto de média mundial no período*.

Esse desempenho terrível tem sido atribuído a várias causas, incluindo a intervenção colonial estrangeira, distúrbios internos e a inflexibilidade da burocracia diante dos desafios apresentados pelo renascimento do Ocidente.

Todos os números foram extraídos de “Chinese Economic Performance In The Long Run”, de Angus Maddison

12/11/2009 - 14:17h Oriente Médio: Imprensa vê disputa pelo apoio do Brasil

País começa a ganhar destaque como ator importante na política da região

Os dois presidentes conversam no Itamaraty: Lula dá sinais de que aceitará o convite de Peres para visitar Israel em 2010 - (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press )

Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK – O Estado SP

O Brasil consegue aos poucos se destacar como um ator importante na política do Oriente Médio, e o apoio brasileiro passou a ser disputado pelos países envolvidos em conflitos na região. Esta é a avaliação de órgãos de imprensa de Israel que cobrem a visita do presidente Shimon Peres a Brasília, São Paulo e Rio.

Nos Estados Unidos, o peso brasileiro também é sentido, com críticas a Luiz Inácio Lula da Silva por receber o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad ainda neste mês e por ter uma viagem agendada a Teerã no início do próximo ano. Outros veem a iniciativa do presidente como positiva pela neutralidade do país, ajudando em um difícil acordo para a questão nuclear iraniana, prioridade da administração de Barack Obama.

O governo brasileiro também tem sido ativo no conflito envolvendo israelenses e palestinos. No mês passado, o Brasil liderou, sem obter sucesso, uma proposta no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para encontrar uma saída para a questão do relatório Goldstone, que acusa Israel e o Hamas de terem cometido crimes durante a guerra em Gaza no início deste ano.

A embaixadora brasileira nas Nações Unidas em Nova York, Maria Luiz Viotti, foi, na semana passada, uma das vozes mais fortes no debate sobre o tema. A posição brasileira, nos dois casos, teve destaque nos principais jornais americanos e europeus, algo impensável desde quando o diplomata Osvaldo Aranha presidiu a Assembleia Geral da ONU na votação que criou o Estado de Israel, em 1948.

Em análise, o diário israelense Haaretz afirma que “as visitas dos presidentes do Irã e de Israel ao Brasil demonstram o crescimento da potência sul-americana no Oriente Médio”. Na avaliação do jornal, considerado de centro-esquerda em Israel, um apoio do Brasil ao Irã poderia dar credibilidade ao programa nuclear iraniano, e os israelenses visam impedir justamente que isso aconteça.

Neste envolvimento na política do Oriente Médio, o Brasil é visto como anti-Israel. Em primeiro lugar, pela forma como Lula trata Ahmadinejad, considerado o principal inimigo israelense no mundo. O presidente brasileiro também já esteve em uma série de países árabes e visitará o Irã, mas não foi a Israel. Para completar, a posição brasileira em relação ao relatório Goldstone foi vista como dura pelos israelenses. Na ONU, Viotti afirmou que “Israel precisa respeitar as leis internacionais ao se defender, especialmente em áreas densamente populosas”.

12/11/2009 - 09:53h Demanda global de energia exige investimento de US$ 1,1 tri por ano

Valor Online

GENEBRA – Os investimentos necessários para atender ao crescimento da demanda de energia até 2030 podem alcançar US$ 26 trilhões globalmente, diz a Agência Internacional de Energia (AIE) em seu novo relatório sobre as perspectivas do setor.

Isso significa investimentos de US$ 1,1 trilhão por ano, ou 1,4% do PIB global no cenário mais realista. Mais da metade desses investimentos são necessários nos países em desenvolvimento, onde a demanda e a produção crescem rapidamente, sobretudo na China e Índia, além do Brasil e outros emergentes.

O crescimento da demanda de eletricidade estimado é de 76% até 2030, necessitando cinco vezes mais capacidade do que o que existe atualmente nos Estados Unidos. Mas o consumo global de eletricidade sofreu este ano sua primeira contração desde o fim da Segunda Guerra Mundial, de 1,6% este ano. A frágil demanda reduziu a necessidade imediata de nova capacidade.

Com a crise global, os investimentos no setor elétrico foram duramente afetados por dificuldades financeiras e pela menor demanda, globalmente.

Para a AIE, a demanda voltará a subir a partir de 2010, mas os investimentos no setor serão mais difíceis, já que um rápido retorno do período de crédito fácil e barato não parece provável.

(Assis Moreira | Valor)

11/11/2009 - 11:09h País será o 6º maior em petróleo, diz agência

http://www.portais.gov.pt/NR/rdonlyres/22EC05E3-1880-48A5-8139-5EA16806A0E5/0/20060810C.jpg

DA REDAÇÃO – FOLHA SP

O Brasil será em 2015 o sexto maior produtor mundial de petróleo, ultrapassando alguns dos países mais tradicionais na extração do combustível, segundo previsão da AIE (Agência Internacional de Energia).
Com as descobertas na camada do pré-sal, o Brasil terá uma produção diária de 3,1 milhões de barris, ficando à frente de países como Emirados Árabes, Kuait e Iraque, que são membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo, cartel responsável por cerca de 40% do produto consumido no mundo), sempre tomando como base o estudo da AIE.
Caso essas previsões se confirmem, o Brasil se tornará ainda o maior produtor da América Latina, superando o México e a Venezuela -que terão queda no setor, ainda que por motivos diversos. O primeiro sofre com a falta de investimentos na estatal Pemex; o segundo, com a saída dos investidores estrangeiros, que debandaram por causa do governo Hugo Chávez.
No ano passado, o país era o 11º maior produtor, com a extração de 1,8 milhão de barris de petróleo ao dia. Os 3,1 milhões de barris previstos pela agência para 2015 são inferiores à estimativa mais recente da própria, de junho, para 2014. Na época, ela disse que a produção brasileira chegaria a 3,4 milhões de barris diários -com aumento constante na extração a partir do ano que vem.
A AIE ressalta que o Brasil, o Cazaquistão e o Azerbaijão são os únicos países que não integram a Opep e que terão um aumento significativo na produção nos próximos anos. No caso brasileiro, esse crescimento se deve às descobertas recentes em águas profundas.
Olhando mais para a frente, para 2030, o Brasil perderá uma posição no ranking, sendo ultrapassado por Canadá e Iraque -mas deixando a China para trás. No período de 2008 a 2030, apenas o Iraque e o Canadá (graças à extração de óleo das areias betuminosas) terão um crescimento anual superior ao brasileiro na produção.
O avanço brasileiro, quando a extração do pré-sal provavelmente estiver no seu auge, vai se dar em um período no qual o consumo mundial vai continuar crescendo, mas menos do que a AIE imaginava. A agência estima uma demanda global diária de 105,2 milhões de barris em 2030, 1 milhão de barris menos do que previra no ano passado. O consumo mundial de petróleo no ano passado foi de 88,4 milhões de barris ao dia.
No cenário previsto pela agência nos próximos 21 anos, os países ricos passarão a consumir menos petróleo, cuja demanda será puxada pelas economias emergentes, como o Brasil, a China e a Índia.
Já o preço médio do barril, em termos nominais, deve saltar dos atuais US$ 60 para cerca de US$ 190 em 2030.
(ÁLVARO FAGUNDES)

10/11/2009 - 20:29h Le sexe au cinéma ? No pasara !

Cela ne s’était pas produit depuis treize ans: la “commission de censure” du CNC a procédé début octobre à la classification X d’une œuvre cinématographique parlant de sexe. Le coupable: Histoires de Sexe(s). Un film “pour adulte” abusivement rangé dans la catégorie porno.

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Histoires de Sexe(s) est une comédie légère traitant de sexualité, inspirée du Déclin de l’empire américain. C’est l’histoire de quatre amies qui se retrouvent à diner pour parler de leurs dernières frasques et de leurs problèmes amoureux. Parallèlement, quatre hommes se donnent rendez-vous pour parler eux aussi de sexe et donner de l’histoire une version parfois différente. Certaines scènes sont hilarantes. D’autres –résolument pédagogiques – abordent le thème de l’orgasme, du sextoy ou de l’éjaculation féminine, avec la volonté affichée de faire passer un “message”… Entre docu-fiction et cours de sexologie, ce petit film ne méritait certainement pas d’être classé X. La commission du CNC n’a pas été du même avis. Le 6 octobre, elle a fait tomber le couperet: interdiction en salles. “Histoires de Sexes avait pour ambition de s’affranchir des règles de l’industrie pour adulte, protestent les deux réalisateurs (Ovidie et Jack Tyler). Nous aspirions à sortir du ghetto, le CNC nous y a renvoyé aussi sec.

Il est généralement reproché aux pornographes de n’écrire aucun scénario, de ne pas travailler la mise en scène, d’être trop éloignés d’une sexualité réaliste, de dégrader la femme. Ce film relevait pourtant ce défi: présenter une sexualité non caricaturale, et mettre en scène la complexité de la relation de couple. 
Habituellement, les scenarii ne servent qu’à introduire les scènes de sexe qui sont la raison d’exister des films pornographiques. Dans Histoires de sexe(s), les courts passages explicites ne sont que des illustrations des propos tenus par les protagonistes. 95% de dialogues, pour 5% de sexe, et non l’inverse. Très clairement, il ne s’agit en rien d’un film masturbatoire. Avec ce film, nous attendions l’émergence d’un genre nouveau: celui du film traitant ouvertement de la sexualité, affranchi des codes de la pornographie et de son quota d’éjaculations faciales. Notre souhait n’était pas d’être exhibé à un public mineur, puisque nous réclamions une interdiction aux moins de 18 ans.

Pourquoi la commission du CNC a-t-elle classé ce film X? Parce qu’il est impensable, pour les puritains qui y siègent en majorité, qu’un film puisse parler de sexe. On peut parler de mort, de meurtre en série, de fin du monde, mais pas de sexe. Le classement X est une forme perverse de censure. Il s’accompagne d’un système de taxe qui dissuade les producteurs d’avancer de l’argent: un film X est difficilement rentable. Il est donc condamné d’office à n’être qu’un film à petit budget, tourné dans des conditions proches de l’amateurisme. Pas de vrais acteurs dans un X, et pour cause. Pas de vrai scénario. Pas de vrai dialogue. Et comme ce cinéma est totalement stigmatisé, aucun réalisateur “normal” ne veut s’y essayer. A l’origine, le classement X, institué sous Giscard d’Estaing en 1975, était synonyme de liberté: il s’agissait d’autoriser les images représentant la sexualité. Mais très vite, le classement X s’est accompagné de mesures fiscales si pénalisantes qu’il a finit par tuer dans l’œuf un genre cinématographique naissant. Faute de moyens, le X est devenu une industrie de la copulation filmée à la chaine, une ennuyeuse et rébarbative accumulation de gros plans génitaux et d’actes sexuels standardisés à outrance.

Les films précurseurs du genre annonçaient pourtant des lendemains glorieux au X: Le Dernier tango à Paris, L’empire des sens, Maîtresse, Max mon amour, Les Valseuses, La maman et la putain, Portier de nuit… Le X aurait pu devenir un cinéma aussi important que le péplum, le polar, le film d’arts martiaux ou la comédie musicale. Hélas. On l’a assassiné, en lui coupant les vivres et en le condamnant à la médiocrité. Les salles qui projetaient du X ont fini par disparaitre, incapables (à cause des surtaxes énormes) de faire face à la concurrence de la TV, des lecteurs DVD et de l’internet. Avec ces salles sont mortes les ambitions de ceux qui voulaient faire de l’art avec le sexe… A quoi bon ? A quoi bon faire du cinéma à 3 millions d’euros (budget minimum), si les gens vont aller voir gratuitement sur internet des gonzo dont le budget se monte à 3000 euros (maximum)? “Le classement X est devenu obsolète très progressivement, explique Christophe Bier, grand spécialiste et militant anti-classement X. Il a eu la peau du porno. Les producteurs de porno, les exploitants, les distributeurs ont périclité, ou bien se sont vite reconvertis dans la vidéo puis le DVD. Les salles ont fermé les unes après les autres… jusqu’à l’extinction totale des “films pornos” en 1996, remplacés par les “vidéos pornos”.

Résultat: le X est devenu “de la merde”, dixit Ovidie. Au lieu de montrer la sexualité comme d’un espace de liberté et de bonheur, le X a fini par ne plus montrer que des performances irréalistes et caricaturales. “La censure économique nous empêche de sortir du ghetto, soutient Ovidie. Si nous avions d’autres moyens de distributions que les sexshops et les sites internet, si nous pouvions retourner en salle, alors nous serions obligés de faire des films qui tiennent la route.” Mais non. Le CNC veille au grain. Depuis 1975, comme si les mœurs n’avaient pas évolué, il continue de classer X tout ce qui dépasse son seuil de tolérance: un orgasme ça va. Deux orgasmes, bonjour les dégâts. Bien qu’il soit totalement obsolète, le classement X continue de sévir. “Le X n’est pas aboli car il reste une menace visant à décourager ceux qui voudraient montrer du sexe dans les salles avec un visa d’exploitation, explique Christophe Bier. L’interdiction totale existe donc toujours comme arme de destruction massive. Tyler et Ovidie viennent d’en faire le test.

Histoires-de-sexe-2

Si le classement X était supprimé, on peut imaginer que le cinéma se mettrait enfin à parler de sexualité comme d’un sujet aussi passionnant (émouvant, perturbant) que la violence ou l’amour. Les réalisateurs pourraient enfin lui accorder la place qu’elle mérite… “En tout cas, ces réalisateurs ne seraient plus dans un ghetto avec des taxes, ajoute Christophe Bier. Ils bénéficieraient des mêmes droits que leurs confrères “classiques” et pourraient obtenir un fonds de soutien automatique ou d’autres mécanismes régissant l’exploitation cinématographique.” Bien sûr, la qualité d’un film ne dépend pas que de son budget. Mais si la sanction économique était levée, il est sûr et certain que des réalisateurs “normaux” feraient du X, avec l’aide d’acteurs “normaux” et cela changerait certainement la donne. Il suffit de voir ce qu’il se passe en Suède, où le gouvernement finance des films X pour lutter contre la misogynie et contre la discrimination sexuelle. Dirty Diaries nous montre le chemin. Oui, il est possible de faire du vrai cinéma avec du sexe.
QUESTIONS A UN MEMBRE DE LA COMMISSION DU CNC

Philippe Rouyer – co-auteur du livre Le cinéma X (éd; la Musardine)- siège à la Commission de classification en tant que représentant du Syndicat Français de la Critique de Cinéma (SFCC). Il faisait partie de la commission qui a classé Histoires de Sexe(s). Il faut rappeler que la Commission de classification n’est que consultative. C’est le Ministre qui donne le visa, même si à plus de 99%, il suit les avis de la Commission. Le vrai responsable du classement X d’Histoires de Sexe(s) est donc Frédéric Mitterand.

1/ Depuis la création du classement X, combien de films “de cul” ont été classés X ?
Ça tourne autour d’un millier de longs métrages. D’après Christophe Bier, l’auteur du livre Censure-moi (L’Esprit frappeur), le dernier film classé X date de 1996. Il s’intitulait “Elle ruisselle sous la caresse”.

2/ Suivant quelle procédure le film d’Ovidie et jack Tyler a-t-il été classé X ?
Suivant la procédure habituelle. A savoir, un passage en sous-commission qui a juste pour mission de servir de filtre. Tous les films qui sortent (même les Disney) sont vus intégralement en sous-commission. Si la sous-commission estime que c’est du tout public, le film sort avec son visa. Si ne serait-ce qu’un membre de la sous-commission estime qu’il pourrait y avoir une restriction, le film est envoyé en Commission plénière qui est alors libre de ce qu’elle préconise. Et dans ce cas, la seule décision qui compte est celle de la plénière. Concernant le film d’Ovidie et Jack Tyler, l’ensemble des membres de la sous-commission a opté pour une interdiction aux moins de 18 ans en le renvoyant en plénière. Après débat et vote, la plénière elle, a voté le X.

3/ Il y a combien de personnes en commission ?
Chaque sous-commission se compose de 4 à 7 membres. La plénière en compte 28.

4/ Pourquoi Histoires de Sexe(s) a-t-il été classé X ?
Je suis tenu au devoir de réserve sur les débats. La seule chose que je peux vous dire c’est ce que j’ai dit moi au cours de ce débat: à savoir que je demandais une interdiction aux moins de 18 ans, mais surtout pas un classement X car c’était clairement une œuvre et non une pellicule à vocation masturbatoire. J’ai développé en parlant du scénario, de la mise en scène et de la durée (très brève) des scènes de sexe. J’ai ajouté qu’il n’y avait dedans aucune violence et  aucune image dégradée de la femme, et que je préférais qu’un jeune de 18 ans voit cela plutôt qu’une production crade trouvée en DVD ou sur le net. Mais le résultat du vote qui a suivi prouve que moi et ceux qui avaient un avis similaire n’avons pas convaincu suffisamment de monde

5/ Il me semble que les commissions de classement de films, dans les pays anglo-saxons, s’en tiennent à des critères très précis pour juger: il parait que le classement d’un film correspond à des normes quasi-mathématiques (nombre de minutes pendant lesquelles on voit un acte sexuel, cataloguage des actes sexuels sur une échelle, nombre de gros plans anatomiques, etc). Pouvez-vous m’éclairer sur ce point ?

Effectivement c’est le cas dans des pays comme le Royaume Uni. Je trouve ça atroce. Ça a conduit par exemple dans ces pays à interdire aux moins de 15 ans “Ridicule” de Patrice Leconte parce qu’on y voit un homme qui urine sur un autre ou “Amélie Poulain” car il y a une série d’orgasmes dans une scène. 2 films qui sont chez nous ‘tous publics”. En France, nous n’avons pas de critères. Nous débattons en tenant compte du contexte de l’œuvre. Des morts dans un western ou un film de guerre n’ont pas le même charge émotionnelle que dans un drame au Quartier Latin. Il faut aussi tenir compte de la mise en scène. Comment c’est filmé.

6/ Si la classification X était supprimée sur les “films pour adulte”, qu’est-ce que cela changerait?

Certains réalisateurs disent que si la classification X était supprimée ils auraient plus de moyens pour faire du bon cinéma. Ils pensent que l’état leur donnerait des subsides ou quoi?
Non, ils n’auraient pas d’avance sur recettes. Mais un certain nombre d’aides automatiques pourraient jouer. De même, il serait de nouveau possible d’acheter des films étrangers (surtaxés par le classement X) et donc d’en vendre en retour. Et puis l’exploitation en salles pourrait apporter de nouveaux revenus. Ou pas, bien sûr.

7/ D’autres réalisateurs (HPG par exemple) disent que même s’ils avaient plus de moyens, ils continueraient à faire des films nuls, parce que le milieu du X est un milieu de “nuls”. Après tout, il y a des réalisateurs de cinéma “normal” (David Lynch avec Eraserhead, Tsukamoto avec Tetsuo, mais je n’ai pas les chiffres précis de leur budget…) qui ont fait des chefs d’œuvre à très petit budget non? Qu’en pensez-vous?
Il y a eu des chefs-d’œuvre du X, ou du moins d’excellents films X, à petit budget. Mais le budget de Eraserhead ou de Tetsuo leur sera toujours supérieur. Ils s’inscrivent dans une autre économie.

8/ Le classement X a-t-il encore une raison d’être de nos jours ?
A mon avis non. L’interdiction au mineurs est suffisante pour protéger la jeunesse et respecter le Code Pénal.

Fonte Les 400 culs, de Agnès Giard


LE FILM (BANDE ANNONCE)

10/11/2009 - 19:52h Shimon Peres destaca papel do Brasil em pressão contra o Irã

Brasil e Israel discutirão acordo de defesa e combate ao terrorismo

10/11/2009 – 14h53 ( – Agência EFE)

foto: EFE
Shimon Peres, Israel, Nelson Jobim
O presidente de Israel, Shimon Peres (d), cumprimenta o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim (e) nesta terça-feira, 10 de novembro

Os Governos brasileiro e israelense decidiram iniciar negociações para um acordo de defesa e combate ao terrorismo, anunciou nesta terça-feira o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, após uma reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres.”No mundo, não existem mais os conflitos regulares, e todos os conflitos que existem são irregulares”, disse Jobim a jornalistas, após a reunião com Peres, que iniciou nesta terça-feira uma visita oficial de cinco dias ao Brasil.

No começo da reunião, que depois foi fechada para a imprensa, Peres disse que “os Exércitos têm leis, uniformes e fronteiras”, mas avaliou que “o terrorismo aparece de diversas formas” e “em momentos inesperados”. Jobim não explicou os termos do acordo que os dois países pretendem discutir, mas disse estar convencido de que o Brasil e Israel “podem caminhar juntos em busca de uma nova visão de mundo que possa levar à paz”.

O ministro disse que, durante seu encontro com Peres, não se falou da visita que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fará ao Brasil no próximo dia 23, que gerou críticas de setores conservadores e da comunidade judaica no país.”Esse não é um assunto para mencionar” em uma reunião com Peres, disse Jobim, acrescentando que “Brasil fala com todos aqueles com os quais considera que deve falar”.

Após receber o ministro brasileiro, Peres foi a um centro de convenções de Brasília para uma reunião com autoridades da capital, na qual receberá o título de cidadão honorário da cidade.Depois, o presidente israelense deve visitar a sede do Congresso, onde fará um discurso perante a Câmara dos Deputados e do Senado.

Peres se reunirá na quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e depois viajará a São Paulo, onde na quinta-feira participará de uma reunião com empresários dos dois países.
Na sexta-feira, o presidente israelense se reunirá no Rio de Janeiro com autoridades locais e com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

O líder israelense permanecerá no Rio de Janeiro no sábado, mas sem atividades oficiais, já que os judeus guardam esse dia da semana, e no domingo partirá para Buenos Aires.

Shimon Peres destaca papel do Brasil em pressão contra o Irã

REUTERS – Agência estado

BRASÍLIA – Dias antes de o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visitar o país, o presidente israelense Shimon Peres destacou nesta terça-feira o papel que o Brasil pode desempenhar para reforçar a pressão internacional contra o Irã e o terrorismo.

Em discurso no Congresso brasileiro, Peres afirmou que, historicamente, Israel e o povo iraniano não são inimigos, assim como não o são judeus e muçulmanos. No entanto, ele criticou os esforços do governo iraniano para ter armas nucleares e seu apoio a grupos militantes palestinos.

“Não quero discutir em território brasileiro com o presidente do Irã, mas achamos que a política dele é um perigo mundial”, afirmou o israelense.

“Não posso ignorar que o Irã produz arma nuclear ao mesmo tempo em que manda destruir Israel. Isso é contra o tratado da ONU e o direito de viver.”

O líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deve visitar o Brasil no dia 29 de novembro.

Para Peres, o Brasil tem um papel a desempenhar nas iniciativas da comunidade internacional contra o programa nuclear iraniano, que Teerã garante estar voltado para a geração de energia.

“Eu sei que o Brasil nega ameaças de destruição, nega o terror, e a voz clara e positiva do Brasil tem um eco muito forte no mundo inteiro”, destacou o presidente de Israel.

“Sei que o Brasil apoia o processo de paz (entre Israel e palestinos) que leve a dois Estados para dois povos. Isso então é a única alternativa.”

NEGOCIAÇÕES PARA A PAZ

Peres aproveitou para convidar palestinos e sírios a retomarem as negociações de paz com Israel.

“Chamo aqui o presidente Assad (Bashar al-Assad). Vamos entrar numa negociação agora, sem adiar mais, sem intermediários.”

Ao defender a criação de um Estado palestino que tenha uma voz contra o terror e a destruição, Peres também fez um chamamento às lideranças palestinas.

“Me dirijo ao meu colega Abu Mazen (como é conhecido o presidente palestino, Mahmoud Abbas) para continuar com a negociação de paz. Israel já avisou que está pronto para fazer concessões difíceis e dolorosas”, destacou.

(Reportagem de Fernando Exman)

09/11/2009 - 20:24h Especialistas fazem balanço do feminismo alemão 20 anos após Muro

da Deutsche Welle – Folha Online

Oficialmente, as mulheres da antiga República Democrática Alemã (RDA), a Alemanha comunista, gozavam de igualdade de direitos. Aparentemente, podiam exercer qualquer profissão, na fábrica, na agricultura como engenheira, médica ou tratorista –a vida profissional era algo indiscutível, mesmo para as que tinham filhos. O Estado lhes permitia combinar família e trabalho. As crianças frequentavam escola de tempo integral e para os mais novos havia jardins-de-infância e creches.

Imagem cedida pela *Deutsche Welle* mostra alemã trabalhando em uma fábrica de motores instalada na antiga Alemanha comunista
Imagem cedida pela Deutsche Welle mostra alemã trabalhando em uma fábrica de motores instalada na antiga Alemanha comunista


No decorrer da década de 80, já antes da queda do Muro, a imagem da camarada emancipada começou a apresentar falhas, como constatou a socióloga Hildegard Maria Nickel em seus estudos. As mulheres estavam cada vez mais descontentes, pois, depois do trabalho, ainda tinham que dar conta de todas as tarefas domésticas. Além disso, em geral, funções políticas e cargos governamentais continuavam fora de seu alcance.

Nesse ponto, a vida feminina na Alemanha Oriental assemelhava à do lado ocidental, onde poucas mulheres participavam do Parlamento. nos anos 1980. Uma legislação que garantisse maior justiça e igualdade, como a exigência de uma quota de participação feminina, ainda era incipiente. O lugar da alemã ocidental era ao lado do seu marido. Como mulher, ela devia se dedicar exclusivamente às crianças, ao marido e aos afazeres domésticos.

Nickel se ocupou de estudos de gênero na Universidade Humboldt, ainda na antiga Berlim Oriental. Renovação na RDA? Dizia-se que somente com a ajuda de quotas de participação seria possível uma participação apropriada em posições de liderança e competência.

Nickel conhecia o desgosto de muitas mulheres alemãs orientais de serem honradas somente uma vez ao ano, em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. A partir daí, não foi possível, no entanto, o desenvolvimento de um movimento político enérgico, já que as mudanças de 1989-90 ocorreram rápido demais.

Petra Bläss, política alemã oriental que, após a reunificação alemã, chegou a ocupar o cargo de vice-presidente do Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, afirma que, por ocasião da queda do Muro, as alemãs orientais tinham claras críticas sobre o que a RDA entendia por igualdade de direitos.

Bläss afirma que, de repente, o movimento feminista da Alemanha Oriental se viu na situação de ter que defender muito daquilo que anteriormente criticara, tornando-se uma espécie de pioneiro na luta pela preservação das conquistas sociais da RDA.

Os meses entre 9 de novembro de 1989 e 18 de março de 1990 são considerados como o apogeu do movimento feminista independente na RDA. Muitas mulheres tomavam a palavra para expressar suas exigências. Manifestos e cartas abertas foram escritos. Foi nesse período que a atual chefe alemã de governo, Angela Merkel, começou a ganhar experiência na política.

Retrocesso

Após 18 de março de 1990, teve início o retrocesso em termos de igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, tanto no leste como no oeste. Carola von Braun, política liberal que ocupava na época o cargo de responsável por assuntos da mulher em Berlim Ocidental, afirma que “de repente, de um dia para outro, o movimento feminista ocidental foi decepado –não posso expressar a coisa de outra forma”.

Segundo ela, a grande questão passou a ser se a reunificação viria ou não. “E se sim, sob que condições? Estes eram os temas absolutamente dominantes na época. E afirmo que não foi somente a política para a mulher e para a igualdade de direitos que sofreram. A partir de 1989, vivenciamos um retrocesso em todas os grandes setores de reforma. Isso deve ser dito bem claro.”

Muitas das mulheres alemãs orientais até então emancipadas perderam seus postos de trabalho, perdendo também sua independência econômica. Para elas, a reunificação não foi uma libertação, mas sim um retorno aos antigos padrões de comportamento.

Outro retrocesso para elas foram as novas regras sobre o aborto contidas no Parágrafo 218 da legislação. Na RDA o aborto tinha uma regulamentação liberal e era financiado pelo Estado. Na Alemanha reunificada, as mulheres têm que arcar com os custos e, mesmo assim, se submeter a um complicado processo de aprovação. Na opinião de Nickel, isso contribuiu para que muitos –não apenas mulheres– que antes eram politicamente ativos se sentissem frustrados e se retirassem da política.

09/11/2009 - 18:29h Diante de pais intoleráveis, o melhor é abandoná-los

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ENSAIO

RICHARD A. FRIEDMAN,
MÉDICO


Deixar de lado um vínculo daninho pode ajudar a preservar a saúde mental

Uma pessoa pode se divorciar de um cônjuge abusivo. Mas o que fazer se a fonte do sofrimento são os seus pais?
É claro que os pais não são perfeitos. Mas, da mesma maneira que existem pais comuns e bons em suas funções que misteriosamente geram filhos difíceis, há algumas pessoas boas que sofrem o azar de terem pais intoleráveis.
O assunto recebe pouca, se alguma, atenção nos manuais da disciplina ou na literatura psiquiátrica, talvez como reflexo da concepção comum, e errônea, de que os adultos, diferentemente das crianças e dos idosos, não estão vulneráveis a esses abusos emocionais.
Acredito que os terapeutas sintam inclinação demasiada a tentar salvar relacionamentos, mesmo aqueles que podem ser prejudiciais a um paciente. Em lugar disso, é crucial que tenham a mente aberta e considerem se manter aquele relacionamento é realmente saudável e desejável.
Da mesma forma, a suposição de que os pais estão predispostos a amar os filhos incondicionalmente não é universalmente verdadeira. Lembro-me de um paciente, um homem de 20 e poucos anos, que me procurou por sofrer de depressão e graves problemas de autoestima.
Não demorei a descobrir o motivo. Ele havia recentemente assumido sua homossexualidade diante dos pais, profundamente religiosos, cuja reação foi repudiá-lo. Posteriormente, em um jantar de família, seu pai o chamou para uma conversa reservada e disse que teria sido melhor que ele, e não seu irmão mais novo, tivesse morrido em um acidente de carro anos antes.
Apesar de terrivelmente magoado e zangado, o jovem ainda tinha a esperança de que seus pais aceitassem sua opção sexual e me pediu para organizar uma sessão com a família.
A conversa não foi bem. Os pais insistiam em que o “estilo de vida” do filho era um grave pecado, incompatível com suas crenças. Quando tentei lhes explicar de que o consenso científico era o de que os seres humanos têm tanto poder de escolha sobre sua orientação sexual quanto sobre a cor de seus olhos, os dois não se deixaram convencer. Pareciam simplesmente incapazes de aceitar o filho como ele é.
Fiquei atônito diante de sua hostilidade e convicto de que representavam uma ameaça psicológica ao meu paciente. E, em função disso, era preciso que eu fizesse algo que jamais havia contemplado como parte de um tratamento. Na sessão seguinte, sugeri que, para preservar seu bem-estar psicológico, ele poderia considerar, ao menos por algum tempo, abrir mão de seu relacionamento com os pais.
A esperança é a de que os pacientes venham a compreender os custos psicológicos de uma relação daninha e ajam para mudá-la.
Por fim, meu paciente se recuperou completamente da depressão e começou a namorar, ainda que a ausência dos pais em sua vida sempre ocupasse seus pensamentos.
Não é de se admirar. Pesquisas sobre vínculos primários, conduzidas tanto com seres humanos quanto com primatas não humanos, demonstram que estamos predispostos a estabelecer essas conexões, mesmo para com aqueles que não nos tratam assim tão bem.
Também sabemos que, embora traumas de infância prolongados possam ser tóxicos ao cérebro, os adultos mantêm a capacidade de reordenar o cérebro, posteriormente, por meio de novas experiências, entre as quais terapia e medicação com psicotrópicos.
É claro que a terapia não permite reverter a História. Mas é possível curar mentes e cérebros por meio de remoção ou redução do estresse. Às vezes, por mais que isso pareça drástico, o processo pode requerer o abandono de contato com um pai intolerável.


Richard A. Friedman é professor de psiquiatria no Richard A. Weill Cornell Medical College, em Nova York

09/11/2009 - 18:03h “CALUMNIA”

guardian.co.uk
No “Guardian”, Eliza no Paraguai


Ecoa pelos jornais paraguaios e também pelo “Irish Times”, da Irlanda, e pelo inglês “Guardian” o lançamento do livro “Calumnia”, dos irlandeses Michael Lillis e Ronan Fanning. Retrata a vida de Eliza Lynch, irlandesa companheira do ditador paraguaio Solano López.
O livro questiona “crônicas brasileiras” da época, como a de que se tratava de uma prostituta -e propõe que Lula, como fez o inglês Tony Blair sobre um episódio da Irlanda, peça desculpas pela ação brasileira nos últimos dois anos da Guerra do Paraguai, dados como “genocidas”. É o que mais ecoa, no Paraguai.

Fonte Toda Mídia, coluna de Nelson de Sá na Folha SP


http://www.filmesraros.com/loja/images/icons/paraguaii4.jpg
Francisco Solano López


‘Villain’ of Brazil-Paraguay war was misunderstood hero, says new book

Eliza Lynch was depicted by Brazil as a warmongering manipulator after South America’s bloodiest war. Irish authors present a more sympathetic account

Eliza Lynch in her ‘Queen of Paraguay’ years. Photograph from the book The Lives of Eliza Lynch: Scandal and Courage

Eliza Lynch in her Queen of Paraguay years

When Brazil won the bloodiest war in South America’s history it cast itself as the victim and Eliza Lynch as one of the chief villains.

The unofficial “Queen of Paraguay“, said the victors, was a gold-digging Irish prostitute who encouraged her adopted country to invade neighbours.

The war ended in 1870 with Brazil battered and Paraguay destroyed: up to 90% of the adult male population were dead, including Francisco Solano López, the demented dictator who had fallen under Lynch’s spell and built her a palace.

She escaped execution but not infamy. Brazilian chronicles depicted her as a warmongering manipulator, and the reputation stuck. She featured alongside Lucrezia Borgia in a 1995 book called The World’s Wickedest Women.

Now, however, a revisionist history by Irish authors has turned the tables by portraying Lynch as a misunderstood hero and Brazil as a near-genocidal aggressor.

The Lives of Eliza Lynch: Scandal and Courage, by Michael Lillis, a former diplomat, and Ronan Fanning, a historian, has brought indignation in Brazil and anger and acclaim in Paraguay. It depicts Lynch as a humane woman who stayed loyal to Paraguay and to her man, even after his reckless policies provoked savage revenge from Brazil.

The book, published in English, Spanish and Portuguese, has prompted calls for Brazilian penitence. “There was no pity shown to Paraguay,” Federico Franco, Paraguay’s vice-president, said at its launch in Asuncíon last week. “Those women, children and elderly people who were raped and murdered deserve a demand for an apology.” Paraguayan academics have called on Brazil’s military to open its war archives.

Lynch was an unlikely interloper into South American history. Born into modest means in Cork in 1833, aged 16, she married a French army surgeon, Xavier Quatrefages. The marriage failed and four years later in Paris she caught the eye of López, who was buying arms for his father, the dictator of Paraguay. He took her back to Asuncíon where she bore him seven children, though they never married. Local elites mimicked the arrival’s Parisian style, but snubbed her as a courtesan.

López inherited power in 1862 and two years later launched the so-called war of the triple alliance against Argentina, Brazil and Uruguay. As the tide turned against him López, paranoid and possibly insane, purged followers in death tribunals known as altars of blood.

Lynch remained steadfast and buried her lover with her bare hands in 1870 after Brazilian troops speared him to death. The country was annihilated. “Paraguay was blasted back to the stone age,” said Fanning, emeritus professor of modern Irish history at University College Dublin. Lynch lapsed into obscurity and died in Paris in 1886, aged 52, her name besmirched.

After years of research in five countries, Fanning and Lillis, an Irish diplomat-turned businessman, pieced together a more sympathetic portrait.

French police files and Paris brothel records showed no evidence Lynch was a prostitute. Nor were there literary or journalistic references to her being a courtesan. The exculpation moved some of her descendants to tears at the Asuncíon book launch.

However the book’s harsh assessment of López prompted anonymous threats ‑ thought to be from Paraguayan extreme nationalists ‑ to the local publisher. “Our lives were threatened,” said Fanning. “The messages said we shouldn’t come or our lives would be in peril.”

The book has also upset Brazil by accusing Emperor Dom Pedro II of needlessly prolonging the war in a bloodsoaked hunt for López and his army’s ragged remnants. “The last two years were close to genocidal,” said Fanning.

The authors have suggested Brazil apologise to its relatively tiny neighbour, just as Tony Blair said sorry to Ireland for the 1840s famine. Brazilian academics have bristled and pointed out that Paraguay started the war.

However, Hugh O’Shaughnessy, a Latin America commentator and author of The Priest of Paraguay, said deep down the continent’s superpower did recognise a historic debt: “The Brazilians do have a bad conscience about it. They pulled the insides out of Paraguay.”

***

Michael Lillis: “Calumnia” echa luz sobre la figura de Elisa Alicia Lynch

La investigación revela datos precisos sobre la vida de uno de los personajes más controversiales de la historia paraguaya.

Por Osvaldo Zayas – La Nación (Paraguay)

Según  Michael Lillis, uno de los autores del libro  “Calumnia”, la investigación echa luz sobre la vida de Elisa Alicia Lynch. Una de las principales leyendas que derrumba el libro es la que cuenta que la compañera del mariscal López era una prostituta. Esa falsa historia fue divulgada por una basta bibliografía, tanto en lengua inglesa como castellana.

Lillis, el irlandés que junto a Ronan Fanning redactaron “Calumnia”.

Según el autor, lo que le dio sustento a las barbaridades escritas sobre Lynch fue una biografía escrita por el argentino Héctor Varela en 1970. Supuestamente se había entrevistado durante horas con la compañera de López. “Él pone en su boca declaraciones sobre su filosofía del amor”.

En esos tiempos, vivió una mujer, esposa de un dramaturgo español de apellido Bermúdez. Ella había escrito un catecismo para esposas y jóvenes mujeres. “Típico del puritanismo católico castellano de la época”. El libro fue dedicado a Juana Pabla Carrillo. Varela toma supuestas declaraciones de la autora para decir que Lynch había sido prostituta y que después se casó con un oficial francés.

“Pudimos probar que ese lado negro que se le atribuían no tenía fundamento. En esos tiempos, el control de la Policía de Francia con las prostitutas era muy estricto. Todas estaban registradas e iban una vez cada tres meses para someterse a exámenes médicos. Elisa no estaba dentro de esos registros”, refirió el investigador.

Para Lillis, más allá de eliminar la visión maniquea sobre Elisa Alicia Lynch, lo que busca la obra es mostrar a un ser humano, con fortalezas y debilidades. Para Lillis y su obra: “Ella se identificó con el Paraguay”.

APORTE CULTURAL DE ELISA

Elisa tenía la mayor biblioteca de Paraguay. Muchos ilustres visitantes dejaron notas y conversaron sobre literatura en el lugar. Poseía y leyó todo lo mejor de la literatura inglesa y francesa de esos años. “No sé si se pueda afirmar que era una intelectual, pero sí que era consumidora de literatura de alta calidad”, expresó Lillis y agregó que Lynch solicitaba constantemente que le trajeran lo último de las letras.

Su estilo franco-italiano en la arquitectura perdura hasta nuestros días, sobre todo, según el irlandés, en los interiores de las construcciones. “Cuando los brasileños invadieron Asunción, en 1969, hablaron sobre lo suntuoso de los interiores de las casas. Existen documentos que dan cuenta de los pedidos que hacía López a Europa, que evidentemente eran realizados a solicitud de Elisa”.

En cuanto a la moda, ella estableció un nuevo estilo. Muchas damas dejaron los typoi para utilizar ropa más moderna. Los peinados se fueron diversificando. En la música, se le atribuye haber popularizado la polca europea, antecesora de la paraguaya. Uno de los más claros ejemplos de composiciones de la época es “London karape” “Además, no es una coincidencia menor que el arpa sea el instrumento musical de Irlanda. Es probable que ella la haya introducido”, comentó Lilis.

Existen miles de documentos que fueron recolectados a lo largo de 18 años de investigación para la publicación de “Calumnia”. Estos llenan el sótano de una casa en Francia. Informó Lillis que donarán los materiales a una Academia, dentro de dos meses. Aún no se sabe quiénes recibirán la donación, pero es seguro que los documentos se quedarán en Paraguay.

“Sería muy difícil cuantificar el dinero que se hubiera gastado en una investigación de este tipo”, refirió al explicar que para obtener todos los datos fue necesario conformar un equipo de investigación y recurrir a documentos de Paraguay, Brasil, Francia, Irlanda, Inglaterra, Argentina y hasta Estados Unidos.