09/07/2012 - 17:32h Conectados para trocar experiências com colegas


O cardiologista e clínico geral Renato Vieira troca informações sobre diagnósticos com outros médicos por meio da rede social Doctors Way, que reúne 2500 participantes


Por Adriana Fonseca | VALOR

De São Paulo

Recentemente, o cardiologista e clínico geral Renato Vieira recebeu em seu consultório uma paciente de longa data. Ela apresentava uma lesão avermelhada na região da boca e do nariz. Apesar de acreditar tratar-se de rosácea, uma doença de pele, ficou na dúvida em diagnosticá-la dessa forma. Foi então que recorreu, em tempo real e pela internet, aos colegas. “Pedi permissão da paciente, tirei duas fotos da lesão com o meu celular e, no mesmo momento, transferi os arquivos e perguntei o que eles achavam”, explica Vieira.

A pergunta não foi simplesmente jogada na internet. Foi feita em uma rede social voltada apenas para médicos, a Doctors Way, lançada há nove meses. “Quase que instantaneamente, os colegas dermatologistas começaram a responder confirmando que se tratava mesmo de um caso de rosácea”, lembra o médico, que orientou sua paciente a não ficar exposta à luz solar e a evitar alimentos muito quentes, além de encaminhá-la a um dermatologista.

Em poucos minutos, Vieira discutiu o caso que acabara de surgir em seu consultório com outros colegas de profissão. Situações semelhantes já haviam surgido e foi a partir da necessidade pessoal de compartilhar informações médicas que ele e o colega Fernando Maluf fundaram uma rede social que só aceita médicos – é preciso inserir o número de CRM para se cadastrar. Hoje, há mais de 2.500 profissionais cadastrados na Doctors Way.

Na internet, os médicos criam um perfil, como acontece no Facebook. Só que em vez de compartilhar episódios da vida particular, pedem a opinião dos colegas sobre exames e diagnósticos, leem estudos sugeridos por outros integrantes da rede e notícias especializadas da área, publicam artigos médicos e ainda podem assistir a aulas e trechos de congressos. Tudo de forma gratuita. “Tenho 16 anos de formado e atendo apenas no meu consultório, em São Paulo. Às vezes, sinto dificuldade de falar com colegas sobre dúvidas que surgem no dia a dia”, diz Vieira, explicando porque criou o site. “Acredito que profissionais de locais mais remotos sintam ainda mais essa necessidade”, diz. Segundo ele, mais de 160 perguntas já foram feitas nos nove meses de vida do site e cada uma recebe, em média, quatro respostas.

As redes sociais, popularizadas há alguns anos pela troca de informações pessoais entre amigos, estão ganhando a esfera profissional no Brasil. E não necessariamente com a função de expor o currículo ou procurar emprego, como acontece no LinkedIn. A função dos sites segmentados por área profissional, como o Doctors Way, é ampliar o networking, integrar a comunidade e ajudar no dia a dia de trabalho.

Assim como os médicos, os profissionais de recursos humanos também se uniram virtualmente. Capitaneada pela seccional São Paulo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), a People surgiu no começo de abril com o intuito de ampliar e facilitar a conexão de quem atua na área. “O objetivo é gerar debates virtuais sobre gestão de pessoas, em complemento aos encontros presenciais promovidos pela associação”, explica Donizetti Moretti, diretor da ABRH-SP. Segundo ele, o site já conta com 2.400 cadastros e 23 grupos de estudos. Os temas mais comuns são desenvolvimento de lideranças e engajamento de pessoas. Também são movimentados os debates sobre legislação relacionada a recursos humanos.

Psicóloga e sócia da ASDP Consultores, especializada em seleção e coaching, Yara Leal de Carvalho é uma das participantes da People. Ela é facilitadora do fórum que discute assuntos ligados à geração Y e conta que a rede social ampliou a conexão entre os participantes do grupo, que já se encontravam presencialmente uma vez por mês. “Usamos a rede para trocar textos e vídeos sobre temas de nosso interesse”, afirma Yara, que também participa do grupo de discussão sobre coaching. “A internet amplia a possibilidade de estudos e aprofunda o networking”, ressalta.

Os executivos expatriados também têm na internet um ponto de encontro. Na rede social global InterNations, 480 mil pessoas que estão vivendo fora de seus países de origem trocam informações, quase sempre em inglês, sobre os mais variados assuntos – desde como gerenciar uma pequena empresa no país estrangeiro e administrar a papelada relacionada aos vistos até dicas de onde saltar de paraquedas.

Com a crescente comunidade de expatriados no Brasil, a rede inaugurou, neste ano, duas regionais brasileiras: Campinas e Goiânia. Os novos grupos se juntam a outros três do país já existentes na rede social desde 2009 – São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília – e às mais de 300 comunidades ativas do site, uma para cada cidade. “O número de membros da InterNations residentes em Campinas e Goiânia tem aumentado constantemente. Os canais vão atender melhor às necessidades desses expatriados e ajudá-los a se comunicar e a organizar encontros”, afirma Valentina Griffin, gerente de relações internacionais da rede social para a América Latina. No Brasil, o site tem cerca de 10 mil usuários cadastrados.

Na comunidade de São Paulo, por exemplo, a maior da América do Sul, os usuários da rede social marcam happy hours, indicam restaurantes, pedem sugestões de escola para os filhos e até ideias do que fazer em um domingo pela manhã. O site também funciona para troca de informações sobre carreira e negócios. Para organizar melhor o conteúdo da página, os fóruns são divididos em cinco áreas: conversas sobre a cidade, dúvidas relacionadas à expatriação, empregos, moradia e dicas de lojas.

Lançada em 2007, a InterNations surgiu a partir da ideia de três amigos: Christian Leifeld, Philipp von Plato e Malte Zeeck. Os três estudaram e trabalharam em diversos países estrangeiros e descobriram, nessas temporadas longe de casa, como é difícil se ambientar em uma nova cidade. Hoje, quem comanda os negócios é o alemão Zeeck, de 35 anos. O executivo fez o colegial nos Estados Unidos e passou, durante a graduação, por Suíça, Itália e Brasil. Já no mercado de trabalho, atuou na Espanha e na Índia entre outros locais.

Na InterNations, o acesso é gratuito para alguns serviços, como a participação nos fóruns de discussão e a busca por outros membros. Usuários pagantes, identificados como “albatross members”, têm outros benefícios como entrada gratuita nos encontros presenciais promovidos pela rede, prioridade nas listas dos eventos, permissão para ver quais membros visitaram o seu perfil e número ilimitado de mensagens para outros usuários. O custo de se tornar um “albatross member” vai de 3,95 libras mensais no pacote de 12 meses, até 5,95 libras por mês no combo trimestral.

09/04/2012 - 09:03h Legalização das drogas ganha força na AL

Por John Paul Rathbone | Financial Times – VALOR

Colômbia e México, com apoio tácito dos EUA, se empenharão para que seja realizado um debate internacional aberto sobre a legalização das drogas na Cúpula das Américas, no próximo fim de semana, um reconhecimento do fracasso dos 40 anos de políticas de proibição.

O objetivo é montar um grupo de trabalho com integrantes de vários países para examinar as implicações e um possível marco regulatório da legalização de algumas ou todas as drogas, como maconha e cocaína. As conclusões da comissão apartidária seriam apresentadas à Organização das Nações Unidas (ONU), para que sejam tomadas ações internacionais coordenadas.

“A ideia é mapear vários cenários, de maneira não confrontadora, de forma a basear a futura política de drogas em abordagens que sejam as mais realistas possíveis, melhores do que as atuais”, disse um importante diplomata latino-americano.

O encontro de cúpula, que reunirá 33 chefes de Estado na cidade colonial colombiana de Cartagena, em 14 e 15 de abril, ainda assim, poderia dissolver-se em meio às disputas que caracterizaram as reuniões anteriores.

Muitos presidentes de tendência de centro-direita (desde Felipe Calderón, do México, a Juan Manuel dos Santos, da Colômbia, Laura Chinchilla, da Costa Rica, e Otto Pérez Molina, da Guatemala), contudo, disseram estar abertos a debater novas táticas para a questão das drogas, incluindo até levar em consideração a legalização e outras “alternativas baseadas no mercado”.

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, disse em visita ao México em março que os debates de legalização das drogas eram “totalmente legítimos”, embora tenha acrescentado que “não há possibilidade de que o governo Obama-Biden venha a mudar sua política quanto à legalização das drogas”.

“A iniciativa é para começar a debater o marco regulatório [em torno à política de drogas] e suas consequências e possíveis alternativas”, disse outro diplomata latino-americano.

No México, cerca de 50 mil pessoas foram assassinadas desde que Calderón declarou guerra às gangues de traficantes do país em 2006. Calderón vem criticando consistentemente os EUA por não restabelecer uma proibição a armas de assalto que venceu em 2004 e cujo fim ele afirma ter causado um aumento nos assassinatos no México.

As autoridades políticas, em geral, reconhecem que a proibição aumenta o preço das drogas e, portanto, os lucros gerados pelas organizações criminosas internacionais; e pouco faz para reduzir a demanda nos EUA, maior mercado. O problema é conseguir avançar as discussões a partir daí.

Em geral, credita-se à Colômbia, por exemplo, ter levado adiante uma guerra contras as drogas bem-sucedida, reduzindo a violência. O fluxo de cocaína que sai do país, no entanto, praticamente não diminuiu.

“Todos sabem que o que está em vigor agora não funciona bem, portanto, é importante explorar opções”, disse Michael Shifter, presidente do Inter-American Dialogue, instituto de estudos com sede em Washington. “Mas qualquer um que pense que a legalização por si só vai solucionar o crime e a violência está enganando a si mesmo. A criminalidade se deve à debilidade das instituições.”

Outra complicação é que o consumo de drogas não é mais apenas um problema dos “gringos”. O consumo de cocaína na Argentina e Chile, por exemplo, agora está no nível dos países desenvolvidos, de acordo com a ONU.

Outros problemas vão concorrer pela atenção dos líderes no encontro de cúpula, como a reivindicação argentina pela soberania das ilhas Malvinas e a ausência de Cuba, por não cumprir exigências democráticas da Organização dos Estados Americanos (OEA). Rafael Correa, presidente do Equador, não participará da reunião, em protesto contra a ausência de Cuba.

O encontro de 2005 desintegrou-se e acabou virando uma farsa depois que Hugo Chávez, presidente da Venezuela, discursou em um grande “antiencontro de cúpula” contra os americanos. A temperatura política deve ter esfriado neste ano. Obama é popular na região, enquanto Chávez luta contra o câncer e sua revolução socialista não é mais considerada um modelo crível.

27/03/2012 - 17:00h «La medicina osteopática es una disciplina científica, no tiene nada de esotérico»

http://www.elcomercio.es/prensa/noticias/200904/05/fotos/1483787.jpgGORKA VÁZQUEZ OSTEÓPATA

Vázquez ejerce la profesión en su consulta avilesina y tras avisar de que no es una panacea, denuncia que «hay que combatir el intrusismo de curanderos y sanadores»

RAFA BALBUENA | AVILÉS – EL COMERCIO España

En medio del escepticismo de algunos, la fe en lo esotérico de otros y la realidad científica de los que la practican con seriedad, la osteopatía es una disciplina médica que está en auge. Gorka Vázquez tiene abierta consulta de este tipo en Fernández Balsera, y su principal objetivo radica «en desmitificar las leyendas y dudas sobre estas terapias, tan serias y efectivas como la medicina tradicional».


-¿En qué consiste la osteopatía?

-Es el arte de provocar la autocorrección del cuerpo. Un osteópata trata la movilidad bajo el lema ‘el movimiento es vida’, que es el axioma que define el funcionamiento de nuestra disciplina. Otro principio podría ser ‘lo que no se mueve está en disfunción’. Y es aplicable tanto a las articulaciones como a las vísceras o a los distintos aparatos fisiológicos: visual, respiratorio, excretor… Realmente tratamos las enfermedades con la misma visión de un médico de familia, con seriedad.

-Se habla de ella como de una disciplina holística y paramédica. ¿Está de acuerdo?

-No es paramédica en absoluto, es estrictamente médica. La osteopatía se nutre de la medicina alopática (la convencional, digamos) aplicando conceptos globales (lo holístico). Lo que cambia es el enfoque. Mientras la medicina convencional trata el síntoma y de ahí deduce la dolencia, la osteopatía mira el conjunto del cuerpo en busca del desequilibrio que origina la enfermedad o el dolor. El problema es que se suele identificar al osteópata como un curandero o incluso como algo paranormal, y nada más lejos de la realidad.


-¿Qué titulación se requiere para ejercer esta profesión?

-En España, ser médico o fisioterapeuta, y después cursar seis años de medicina osteopática para conseguir el título de doctor en osteopatía. O sea, es algo muy reglado, cerrando las puertas al intrusismo y a prácticas de intencionalidad dudosa.

-¿Qué ventajas tiene esta medicina sobre otros métodos de cura?

-La medicina alopática es consecuencial, o sea, opera sobre el síntoma. El osteópata trata la causa, con un conocimiento integral del cuerpo humano. Pero ambas son complementarias. La osteopatía busca ante todo la armonía de los distintos órganos del cuerpo.

-¿Para qué dolencias está orientada?

-Insisto en que no es una panacea, pero aquí vienen pacientes con todo tipo de enfermedades: sinusitis, vértigo, migrañas, tendinitis, contracturas, estreñimiento, insomnio, problemas de cervicales, erupciones… Es una medicina global, general, si prefiere llamarla así.


-¿Qué tipo de terapias son las utilizadas por los osteópatas?

-Muchísimas y muy variadas. Quiero destacar que las más comunes, relacionadas en cierto modo con la fisioterapia, son muy poco agresivas y muy suaves. Pretenden buscar la autocuración, algo para lo que el organismo está perfectamente capacitado. Por eso usamos la cavitación (usando el sonido), quiropráctica, estiramientos, neurodinámica, del aparato estomatigmático. Ya sé que suena extraño al profano, pero estamos hablando de auténtica medicina, insisto, no de curanderismo. Esto es algo serio, que es poco conocido, pero totalmente científico y reconocido por las compañías aseguradoras, que es toda una garantía.

-¿Cuántas sesiones son necesarias para comprobar la efectividad de esta disciplina médica?

-Depende de cada profesional, porque en osteopatía se cumple el dicho de que ‘cada maestrillo tiene su librillo’. Dicho esto, el método que yo aplico se ajusta a una sesión por semana, lo que como mucho implica cinco sesiones al mes. En casos complejos, como puede ser una patología locomotora, las sesiones pueden llegar a ser más, pero lo que le puedo asegurar es que al osteópata, a diferencia del fisioterapeuta, no se viene todos los días.


La medicina que viene

-¿Qué futuro le augura a la osteopatía?

-A medida que se va implantando vienen más pacientes, con la tasa de curaciones alta, aunque esto varía según los casos. Si siete u ocho sesiones no mejoran de la dolencia, yo les remito a otro tipo de terapias. Esto refleja que es una práctica honesta y con trato personalizado.

-¿España, como en tantas otras cuestiones, es diferente al resto del mundo en este sentido?

-Pues sí. Aquí sigue pensándose que el osteópata es un curandero, como ya he dicho. El carácter científico es algo que tenemos que defender constantemente los profesionales que ejercemos esta disciplina. De todos modos, en Estados Unidos o Francia es una medicina sólidamente implantada. Además de que allí no hay esa desconfianza hacia lo desconocido. Espero que lleguemos a ese punto en España a no tardar mucho.


-Supongo que el intrusismo tiene mucho que ver con esa desconfianza.

-Por desgracia sí. Existen muchos falsos sanadores, que ejercen labores destinadas a médicos bajo el paraguas de la medicina alternativa y sin ostentar ningún título académico que avale nada. En Avilés, sin ir más lejos, hay casos flagrantes de esta lacra, por lo que aconsejo a todo el mundo que cuando vaya a consultar se asegure de que la persona que lo atienda sea un médico o un fisioterapeuta con estudios universitarios. Lo contrario es fraude puro y duro, que debe ser denunciado.

-Siendo una medicina con éxito, ¿llegará a implantarse en la Seguridad Social?

-Lo veo muy difícil. Las sesiones de osteopatía son largas, de una hora mínimo en mi caso. Pedir tanto tiempo de consulta en la Seguridad Social, tal y como funciona el sistema, es prácticamente imposible. Al menos de momento.


-Usted trabaja en Avilés, pero también da clases de osteopatía en Madrid. ¿Le cuesta compaginar?

-Yo soy fisioterapeuta, hice esa carrera y soy monitor de osteopatía, no profesor. Ejercí de ‘fisio’ en el ámbito deportivo, en el Real Avilés Industrial. En la actualidad estoy cursando el doctorado, para lo cual me desplazo a Madrid y colaboro con la Escuela de Osteopatía. Es algo complicado, pero el éxito de esta medicina me anima a seguir en ella.

08/03/2012 - 17:34h Cientistas confirmam relação entre calvície e problemas de próstata


Homens que perdem cabelo precocemente têm mais chance de sofrer hiperplasia benigna da glândula

08 de março de 2012

Reuters

Calvíce ocorre com mais frequência em homens do que em mulheres e tem componente genético - Reuters

Calvíce ocorre com mais frequência em homens do que em mulheres e tem componente genético


Efe – Agência Estado

Um grupo de cientistas espanhóis confirmou a existência de uma relação entre a calvície precoce e a hiperplasia benigna da próstata (HBP), um crescimento não maligno da próstata que, geralmente, aparece nos homens com mais de 40 anos.

Segundo a Universidade de Granada, situada no sul da Espanha, esta doença é registrada em 50% dos homens com mais de 60 anos e pode ser identificada com uma excessiva de vontade de urinar.

O estudo científico, publicado na revista da Academia Americana de Dermatologia e ganhador do primeiro prêmio do 68º Congresso Anual desta mesma instituição americana, explica que os homens que sofrem calvície precoce têm mais possibilidades de sofrer de HBP do que os demais.

A calvície precoce ocorre com mais frequência nos homens do que nas mulheres e apresenta um componente hereditário que evolui progressivamente sem tratamento.

A hiperplasia benigna também costuma ser frequente e provoca um crescimento anormal e desordenado das glândulas que estão em contato direto com a uretra, sendo que a formação de um tumor (benigno) acaba obstruindo a saída da urina.

Para a realização deste estudo, os cientistas analisaram 87 homens, 45 deles diagnosticados com calvície precoce e outros 42 sãos. A partir daí, os resultados demonstraram que existia uma relação clara e direta relação entre os sujeitos com calvície precoce e os que sofriam de HBP.

A pesquisa foi realizada através de estudos de pesquisadores da Universidade de Granada, do Hospital Universitário San Cecilio de Granada e do Hospital St. Thomas de Londres.

05/03/2012 - 08:43h ‘Procissão do crack’ migra para a Nova Luz

Aglomerações continuam, dois meses após início de operação do Estado e da Prefeitura
05 de março de 2012

BRUNO PAES MANSO – O Estado de S.Paulo

Um garoto de cerca de 14 anos empurra um carrinho de supermercado, com uma mulher que aparenta ser sua mãe desacordada dentro dele. No meio da rua, na esquina da Conselheiro Nébias com a General Osório, no centro de São Paulo, um homem sem camisa com um cachimbo de crack na mão beija o capô de um carro que não é dele e fala sozinho. Ao seu lado, outro jovem observa se viaturas da Polícia Militar se aproximam, exercendo a função de olheiro para pequenos traficantes locais.

São 22 horas de sábado e entre 150 e 200 pessoas se aglomeram para fumar e vender crack no meio da rua, em um ritual que se repete há mais de 20 anos. Agora, os consumidores vagam entre os quarteirões das Ruas Santa Ifigênia, Guaianases, Timbiras, Vitória, Conselheiro Nébias, Gusmões, General Osório, do Triunfo e Avenida Duque de Caxias. Conforme se aproximam viaturas da Polícia Militar ou seguranças privados com cassetetes, pagos pelos comerciantes da região, eles mudam de lugar e se aglomeram em outro ponto.

Dois meses depois de iniciada a Operação Centro Legal na cracolândia, o consumo e a venda de crack resistem na região, apesar da presença ostensiva da PM e da grande quantidade de prisões. As aglomerações e “procissões do crack”, agora, migraram para o coração do futuro projeto Nova Luz, a poucos metros da região da Rua Helvétia, Alameda Dino Bueno e Barão de Piracicaba, onde os consumidores ficavam quando Estado e Prefeitura deflagraram a operação – e que agora está sem viciados.

Os últimos números divulgados nos balanços da Prefeitura e do governo do Estado, em 1.º de março, mostram um volume impressionante de intervenções. Foram presas 377 pessoas só na região – 293 eram acusadas de tráfico. As outras são condenados recapturados pelos homens das Polícias Militar, Civil e Guarda Civil Metropolitana.

Na área da Saúde, segundo os dados do governo do Estado, a atuação também foi intensa. Foram 299 internações. Isso significa que, em dois meses, foram retiradas das redondezas 676 pessoas. Quando a Operação Centro Legal começou, a PM afirmava que existiam cerca de 400 pessoas na região, o que demonstra como as próprias autoridades desconheciam a dimensão do problema com o qual lidavam.

Abordagens. Na noite de sábado, nas quatro horas em que a reportagem acompanhou a movimentação nas ruas da cracolândia, a cena que se viu foi a mesma de meses e anos anteriores. PMs até que tentavam abordar os usuários. O Estado acompanhou duas abordagens. Em uma delas, com quatro viaturas – uma da Força Tática -, cerca de 20 pessoas foram enquadradas na Rua Guaianases.

Cachimbos de crack eram recolhidos e os nomes das pessoas abordadas eram repassados para a Central de Operações da PM, para saber se eram ou não procurados pela Justiça.

A poucos metros dali, seis crianças jogavam futebol na rua, como se lidassem com uma cena corriqueira. Um usuário sai reclamando: “Eles invadem a nossa casa e roubam o nosso cachimbo”, em relação aos PMs. Em seguida, abordagem semelhante ocorreu na Rua Apa, dessa vez com cerca de 30 usuários. A reportagem, que acompanhava o trabalho da PM, também acabou tendo de colocar a mão na parede para ser revistada.

Em dois meses, foram 23 mil abordagens da PM, o que significa perto de 400 por dia. Mas os usuários não se intimidam e preferem se arriscar para viver o cotidiano intenso da cracolândia.

04/03/2012 - 17:33h Café, uma nova arma contra o câncer e o diabetes


Bebida também potencializa exercícios e pode proteger contra as doenças neurológicas, indicam pesquisas recentes

Lilian Fernandes – O GLOBO

 Pesquisas mostram que o café pode prevenir alguns tipos de tumores malignos, como o câncer de próstata e o de endométrio Foto: Ana Branco

Pesquisas mostram que o café pode prevenir alguns tipos de tumores malignos, como o câncer de próstata e o de endométrio Foto: Ana Branco


Diz-se que o o hábito de tomar café, popular no império otomano, só se difundiu no mundo ocidental depois de absolvido da acusação de ser coisa do diabo pelo Papa Clemente VIII, no início do século XVII. Ao prová-lo, o Sumo Pontífice tratou de dirimir dúvidas: achou que um produto tão saboroso, de aroma tão marcante, só poderia ser, isso sim, coisa de Deus. Às muitas lendas em circulação sobre a bebida, soma-se, quatro séculos depois, uma lista de pesquisas atestando seus efeitos medicinais e, em alguns casos, sua inocência diante de alegações como as de que poderia fazer mal ao coração, aumentar o risco de AVC e prejudicar a absorção de alguns medicamentos.

Segundo a maioria dos estudos mais recentes, além de conferir disposição — efeito conhecido desde o início de seu consumo, mil anos atrás —, o café protege contra o diabetes e alguns tipos de câncer. Há indícios de que também ajude a prevenir doenças neurológicas, como os males de Alzheimer e Parkinson, e de que proteja, principalmente as mulheres, contra AVC, doenças cardíacas e depressão. O mais recente trabalho, publicado na última quarta-feira, na “American Journal of Clinical Nutrition”, acompanhou 42 mil pessoas ao longo de nove anos e revelou que, entre os bebedores de café, as chances de desenvolver diabetes são 23% menores.

Estas informações interessam a todos os brasileiros que tomam café — ou, seja, 95% da população com mais de 15 anos, que consomem, per capita, 82 litros da bebida por ano, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

— Beber café é melhor do que não beber — sentencia o cardiologista Luiz Antonio Machado Cesar, diretor da Unidade Clínica de Coronariopatia Crônica do Instituto do Coração, de São Paulo, ligado à USP. — Ele não faz mal e, a partir de duas xícaras por dia, já protege contra o diabetes.
Além da cafeína, antioxidantes e vitaminas

Costuma-se pensar nas propriedades do café com base na cafeína. Mas os novos estudos sugerem que seus méritos estão no conjunto da obra: ele tem literalmente milhares de substâncias, de antioxidantes a vitaminas, e apenas umas poucas foram estudadas isoladamente. O teor de cafeína no cafezinho filtrado é de 2% a 2,5%, enquanto no expresso fica entre 2,5% e 3%. Nas outras bebidas que têm cafeína (chá, chocolate, guaraná em pó, coca-cola), a quantidade é parecida. Uma pessoa saudável pode consumir até 300 miligramas de cafeína por dia (o equivalente a três xícaras médias). Para mulheres grávidas, não deve ultrapassar 200 miligramas.

No Brasil, desde 2008 está em curso o projeto “Café e Saúde”, no Incor de São Paulo, sob a coordenação de Machado César. Foi um pedido da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), preocupada com o fato de haver pouca ou nenhuma pesquisa clínica a respeito dos efeitos do café no país que é maior produtor do grão (abastece 30% do mercado internacional) e o segundo em consumo (atrás dos Estados Unidos).

Até agora, 106 pacientes, entre pessoas saudáveis, portadores de doenças coronarianas e diabéticos participaram das pesquisas, que não têm data para terminar. Já foram avaliados o café descafeinado (que tem um teor ínfimo de cafeína), o árabica-pura, o blend (arábica 80%) e o robusta. O próximo passo é avaliar o expresso. Quando houver recursos, terá início um amplo estudo epidemiológico: quatro mil indivíduos da região Sudeste do país serão acompanhados por dez anos. Os testes têm levado os especialistas envolvidos a conclusões animadoras.

— Constatamos que o café de torra escura (o mais consumido no Brasil) não aumenta a pressão arterial, e que a torra clara aumenta-a muito pouco, mas são necessários mais alguns testes para confirmar. Isto pode explicar por que algumas pesquisas dos Estados Unidos, onde a torra clara é mais consumida, apontam que ele aumenta a pressão, enquanto as da Europa, onde é mais comum a torra escura, indicam que não — diz o cardiologista. — Também vimos que café não dá arritmia e aumenta muito pouco o colesterol, que, mesmo assim, se mantém no nível normal. Se ele não for filtrado, a elevação é maior. E um teste com esteira mostrou que a bebida melhora a performance no exercício, como já apontavam vários estudos.

As pesquisas agora se voltam para a tentativa de provar seu efeito protetor contra doenças neurológicas. Ele ajudaria a evitar o acúmulo da proteína beta-amiloide entre os neurônios, uma das causas do Alzheimer, e reduziria o déficit de dopamina presente no Parkinson. Para quem gosta, mais um bom motivo para beber.

03/02/2012 - 19:50h Estudo indica que álcool presente no vinho também é benéfico ao coração


Substâncias do vinho tinto têm diferentes efeitos positivos sobre as moléculas inflamatórias causadoras da aterosclerose em seus estágios adiantados

03 de fevereiro de 2012

Efe – Agência Estado

Um grupo de cientistas espanhóis constatou que até o álcool do vinho tinto é beneficente para a saúde cardiovascular, desde que o consumo seja moderado, informou nesta sexta-feira, 3, o centro onde a pesquisa foi desenvolvida.

Arquivo/AE
Combinação das substâncias do vinho é mais eficaz em pacientes com alto risco cardiovascular - Arquivo/AE

Combinação das substâncias do vinho é mais eficaz em pacientes com alto risco cardiovascular

Segundo o estudo publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”, tanto o etanol como os polifenóis presentes no vinho tinto têm diferentes efeitos beneficentes sobre as moléculas inflamatórias causadoras da aterosclerose em seus estágios adiantados, assim como a combinação de ambos é mais eficaz em pacientes com alto risco cardiovascular.

Estas são as principais conclusões da pesquisa desenvolvida por três grupos do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede-Fisiopatología da Obesidade e a Nutrição (Ciberobn), dirigidos por Ramón Estruch, Francisco José Tinahones e Dolores Corella.

Trata-se, segundo uma nota do Ciberobn, do primeiro teste clínico que demonstra os efeitos beneficentes do etanol e dos polifenóis, substâncias químicas presentes nas plantas.

Os pesquisadores detalharam que a pesquisa foi iniciada a partir de um “paradoxo francês”, já que os habitantes da França sofrem uma incidência “relativamente baixa” de doença cardíaca mesmo com uma dieta rica em gorduras saturadas.

Essa tendência fez com que os cientistas especulassem sobre a possibilidade deste fato estar relacionado com um maior consumo de vinho tinto, que contém uma elevada concentração de polifenóis, potencialmente beneficentes para o coração.

“No entanto, o que ainda não tinha sido demonstrado era que o etanol também contribuísse para reduzir a inflação arterial e celular”, como aponta o estudo.

Para chegar às conclusões sobre as “virtudes” do consumo moderado do álcool, os pesquisadores do Ciberobn recrutaram 73 homens com alto risco cardiovascular, todos com idades compreendidas entre os 55 e 75 anos.

Os selecionados eram consumidores moderados de álcool e tinham diabetes ou três dos seguintes fatores de risco cardiovascular: tabagismo, hipertensão arterial, colesterol, obesidade e parentes com doença coronária prematura.

Os pesquisadores comprovaram que o álcool (sem polifenóis) exerceu um efeito antiinflamatório em pacientes de alto risco e diminuiu os níveis de alguns marcadores inflamatórios. Já a combinação de etanol e polifenóis do vinho afeta mais os pacientes com alto risco cardiovascular.

“O estudo indica que a redução do risco de doença cardiovascular entre os consumidores de vinho tinto observado na maioria dos estudos epidemiológicos pode depender de uma combinação de ambos, o álcool e os polifenóis, e não só destes últimos como se achava até agora”, aponta Estruch.

03/02/2012 - 14:57h Capitalismo das coronárias


Há uma relação da indústria da alimentação, que ajuda na explosão da obesidade, com os problemas mais graves do capitalismo contemporâneo

03 de fevereiro de 2012

KENNETH ROGOFF – O Estado SP

É PROFESSOR DE ECONOMIA, POLÍTICA PÚBLICA NA UNIVERSIDADE DE HARVARD, FOI ECONOMISTA-CHEFE DO FMI

Artigo

Uma grande falha sistemática da legislação é um problema óbvio para a reforma do capitalismo ocidental dos nossos dias. De fato, muito tem-se falado da dinâmica pouco saudável política-legislação-finanças que levou a economia global a enfartar em 2008 (dando início ao que Carmen Reinhart e eu chamamos “A Segunda Grande Contração”). Mas será ela um problema específico do setor financeiro, ou uma falha mais profunda do capitalismo ocidental? Vejamos por exemplo, a indústria da alimentação, particularmente sua influência por vezes prejudicial para a nutrição e a saúde. As taxas de obesidade crescem sem parar em todo o mundo, contudo, entre todos os grandes países o problema é talvez mais grave nos Estados Unidos.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção das Doenças dos EUA, cerca de 35% dos adultos americanos são obesos (condição indicada por um índice de massa corporal superior a 30). Ainda mais chocante é o fato de que mais de uma em cada seis crianças e adolescentes é obesa, taxa esta que triplicou desde 1980. (Minha mulher produz um programa de televisão e de internet, chamado kickinkitchen.tv, que combate a obesidade em crianças.)

Evidentemente, os problemas da indústria da alimentação foram exaustivamente esclarecidos pelos especialistas em nutrição e saúde, inclusive Michael Pollan e David Katz, e certamente também por muitos economistas. E há numerosos outros exemplos, numa ampla variedade de bens e serviços, em que poderíamos encontrar dados semelhantes. Aqui, entretanto, quero falar da relação da indústria da alimentação com os problemas mais graves do capitalismo contemporâneo (que com certeza facilitaram a explosão mundial da obesidade), e do motivo pelo qual o sistema político americano sempre dedicou pouca atenção ao tema (embora a primeira-dama Michelle Obama tenha lançado importantes iniciativas para conscientizar a população para o problema).

A obesidade influi de várias maneiras na expectativa de vida, desde as moléstias cardiovasculares até alguns tipos de câncer. Além disso, a obesidade – evidentemente em suas manifestações mórbidas – pode afetar a qualidade de vida. Quem arca com os custos não são apenas os indivíduos, como também a sociedade – diretamente, pelo sistema de saúde, e indiretamente, pela perda de produtividade, por exemplo, e pelo aumento dos custos dos transportes (mais combustível de avião, assentos mais largos, etc).

No entanto, a epidemia da obesidade não parece um perigo para o crescimento. Sabe-se que produtos alimentícios industrializados à base de milho, com uma grande quantidade de aditivos químicos, são um dos maiores fatores de ganho de peso, mas, de um ponto de vista convencional do crescimento, são considerados fantásticos. Grandes empresas agrícolas são pagas para cultivar o milho (muitas vezes subsidiado pelo governo), e as indústrias de alimentos são pagas para adicionar toneladas de substâncias químicas a fim de fabricar um produto que crie um hábito de consumo – e, portanto, irresistível. Ao longo do processo, os cientistas são pagos para encontrar a mistura exata de sal, açúcar e substâncias químicas para que o alimento instantâneo crie enorme dependência; as empresas de publicidade são pagas para divulgá-lo; e, no final, a indústria da saúde ganha fortunas tratando da doença que é o inevitável resultado disso.

Todos os setores. O capitalismo das coronárias é fantástico para o mercado de ações, que abrange empresas de todos esses setores. Os alimentos industrializados também são fundamentais para os empregos, incluindo os empregos muito bem pagos nas áreas de pesquisa, publicidade e assistência médica.

Portanto, quem iria se queixar? Certamente não os políticos, que se reelegem quando o emprego é elevado e os preços das ações sobem – e recebem doações de todos os setores que participam da produção de alimentos industrializados. Na realidade, nos Estados Unidos, os políticos que ousaram falar nas implicações dos alimentos industrializados para a saúde, o meio ambiente ou a sustentabilidade, em muitos casos acabaram perdendo recursos para a sua campanha.

É verdade que as forças do mercado estimularam a inovação que permitiu baixar continuamente o preço dos alimentos industrializados, enquanto o preço dos bons e velhos produtos da horta e do pomar subiam. Isso tudo é muito certo, mas não leva em conta a enorme falha do mercado que destacamos aqui.

Os consumidores recebem pouquíssimas informações nas escolas, nas bibliotecas ou nas campanhas da saúde; ao contrário, são inundados de desinformação pela publicidade. O tratamento dispensado às crianças é particularmente alarmante. Com os poucos recursos para a televisão estatal de qualidade na maioria dos países, as crianças são cooptadas pelos canais pagos pela publicidade, inclusive pela indústria alimentícia.

Além da desinformação, os produtores recebem poucos incentivos para absorver os custos dos prejuízos ambientais que eles mesmos provocam. Do mesmo modo, os consumidores não são incentivados a incorporar os custos da saúde causados por suas escolhas alimentícias.

Se o nosso único problema fosse os infartos físicos causados pela indústria alimentícia, e o fato de o setor financeiro facilitar seu equivalente econômico, já seria uma situação bastante grave. Mas a dinâmica patológica de legislação, política e economia que caracteriza esses setores é muito pior. Precisamos criar novas e melhores instituições para proteger os interesses da nossa sociedade a longo prazo. Evidentemente, encontrar um equilíbrio entre a soberania dos consumidores e o paternalismo é sempre uma façanha delicada.

Mas certamente podemos começar a procurar um equilíbrio mais saudável do que o atual oferecendo ao público melhores informações de uma variedade de fontes, para que as pessoas possam começar a fazer escolhas de consumo e tomar decisões políticas baseadas numa gama maior de informações. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

KENNETH ROGOFF

03/02/2012 - 14:49h Cientistas americanos querem controlar o açúcar


Pesquisadores dizem que seu consumo é tão perigoso quanto o do álcool

O GLOBO – 1/02/12

Cientistas americanos entraram em campanha para que haja controle do consumo de açúcar. Segundo eles, o açúcar é tão perigoso que deveria ter sua venda ser controlada, assim como o álcool e o tabaco. E argumentam que há hoje uma pandemia global de obesidade, para a qual o consumo de açúcar é um fator decisivo, e que esta pandemia já provoca 35 milhões de mortes a cada ano, em decorrência de doenças como diabetes, problemas cardiovasculares e câncer.

Num artigo publicado pela revista científica “Nature”, pesquisadores da Universidade da California em San Francisco denunciam que o açúcar faz muito mais mal do que simplesmente expandir cinturas. No nível em que é consumido pela maioria dos americanos, o açúcar muda o metabolismo, aumentando a pressão arterial e causando danos no fígado. Os riscos para a saúde espelham aqueles provocados pelo álcool, até porque o álcool é um derivado do açúcar.

O consumo mundial de açúcar triplicou nos últimos 50 anos e é visto como uma das principais causas da epidemia de obesidade. Para os médicos Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis, autores da pesquisa da “Nature”, a obesidade é apenas um sintoma possível da toxicidade do açúcar, e seus efeitos vão mais longe do que simplesmente ter uma elevação de calorias.

_ Enquanto o grande público pensar que o açúcar é apenas ‘calorias vazias’, não temos chance de resolver este problema _ alerta Lustig. _ Há boas calorias e calorias más, assim como existem gorduras boas e gorduras más, aminoácidos bons e maus, carboidratos bons e carboidratos ruins. E o açúcar é tóxico muito além das suas calorias.

Claire Brindis acrescentou que o público precisa de ser melhor informados sobre os perigos do açúcar, com uma abordagem ampla semelhante ao que ocorre com o tabaco e o álcool. A equipe de médicos sugere ações incisivas para reduzir o consumo de açúcar, tais como cobrança de impostos especiais nas vendas do produto, controle de acesso e requisitos mais rigorosos de licenciamento, controle de máquinas de venda automática e inspeção em lanchonetes que vendem produtos com muito açúcar, especialmente em escolas e locais de trabalho.

_ Há uma enorme lacuna entre o que sabemos por informação científica e o que praticamos na realidade. A fim de mover a agulha de saúde, essa questão precisa ser reconhecida como uma preocupação fundamental, a nível global. Nós não estamos falando de proibição, mas de controle. Estamos falando de maneiras para reduzir o consumo de açúcar, de modo a fazer com que as pessoas saiam dos níveis atuais elevados de consumo de açúcar e evitem dose concentradas do produto. O que nós queremos é permitir que as pessoas tenham mais escolhas, tornando os alimentos que não são carregados com um teor de açúcar comparativamente mais fácil de ser digerido de forma saudável e mais barato de se obter _ avalia a doutora Brindis, no artigo da revista “Nature”.

02/02/2012 - 17:00h Confirmada a ação anti-inflamatória das massagens


Estudo feito com a participação de 11 atletas mostra que terapias de manipulação são capazes de reabilitar músculos lesionados

02 de fevereiro de 2012

ALEXANDRE GONÇALVES – O Estado de S.Paulo

A massagem tem uma ação muito parecida com a dos tradicionais anti-inflamatórios e é eficaz na reabilitação de músculos que sofreram lesões. É o que mostra um estudo divulgado ontem pela revista Science Translational Medicine.

Trabalhos anteriores comprovavam os efeitos práticos da massagem, mas nenhum desvendava as complexas reações bioquímicas que explicam por que ela funciona. “Há consenso de que massagem produz bem-estar”, afirma Simon Melov, do Instituto Buck, nos Estados Unidos. “Agora, temos base científica para explicar como ela atua.”

Normalmente, o esforço físico produz lesões nas fibras dos músculos que levam à processos inflamatórios. Os cientistas descobriram que a massagem estimula a produção de sinais químicos que diminuem a inflamação, de um modo análogo à atuação de vários fármacos.

Ao mesmo tempo, a massagem estimula a geração de mitocôndrias, pequenas estruturas que funcionam como verdadeiras usinas de energia dentro da célula. Desta forma, a prática também contribui para acelerar a reconstrução de tecidos musculo-esqueléticos afetados por exercícios físicos ou doenças.

Segundo o estudo, bastariam 10 minutos de massagem para produzir um efeito benéfico perceptível.

“Os benefícios da massagem podem ser úteis para um amplo grupo de indivíduos que inclui idosos, pessoas que sofrem de lesões músculo-esqueléticas e pacientes com doença inflamatória crônica”, pondera Mark Tarnopolsky, principal autor do estudo e cientista do Departamento de Pediatria e Medicina da Universidade McMaster, em Ontário, no Canadá. “Esse estudo fornece evidências científicas confiáveis de que terapias de manipulação, como a massagem, podem ser integradas com sucesso à prática médica.”

O experimento também derrubou uma crença muito difundida: a de que a massagem diminuiria a dor por ajudar a eliminar substâncias como o ácido lático, que causam incômodo depois do esforço físico. “Apesar de não ter efeito sobre os metabólitos musculares (como o ácido lático), a massagem diminui a produção do fator inflamatório, mitigando o estresse celular da fibra muscular”, aponta o artigo, que contou com a participação de 11 atletas voluntários (mais informações nesta página).

O mesmo texto recorda que terapias complementares, como a própria massagem, a acupuntura e a quiropraxia se tornam cada vez mais comuns no cotidiano das pessoas, especialmente como formas de diminuir a dor. Daí a necessidade de estudos que determinem a razão da sua eficácia.

Na prática. O fisioterapeuta Ricardo Luchetti utiliza a massagem e a quiropraxia para tratar pessoas com dores há mais de 20 anos. Sua especialidade são as dores na coluna.

Ele ficou contente ao saber que o estudo comprova a eficácia do seu trabalho. “De fato, é bastante evidente o efeito da massagem na diminuição do processo inflamatório”, aponta Luchetti.

Só nos Estados Unidos, 18 milhões de pessoas recorrem a massagistas todos os anos.

25/01/2012 - 17:00h Pesquisadores desenvolvem protetor solar que combate rugas e flacidez

Fórmula alia dois tipos de substâncias fotoprotetoras aos extratos vegetais de Ginkgo biloba e de algas marinhas vermelhas
25 de janeiro de 2012

Agência Fapesp – O Estado SP

Um filtro solar que, além de proteger contra os efeitos nocivos da radiação ultravioleta, melhora a textura e a elasticidade da pele, estimula a renovação celular, hidrata e diminui as rugas foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto.

A fórmula alia dois tipos de substâncias fotoprotetoras aos extratos vegetais de Ginkgo biloba e de algas marinhas vermelhas. Também foram adicionadas as vitaminas A, C e E.

“Em pesquisas anteriores, havíamos confirmado que alguns extratos vegetais eram capazes de melhorar as condições da pele fotoenvelhecida e de torná-la menos vulnerável aos danos da radiação. Então, tivemos a idéia de associar esses extratos a filtros solares, para potencializar o efeito protetor”, disse Patrícia Maia Campos, coordenadora da pesquisa.

As vitaminas foram acrescentadas para estimular a renovação celular e melhorar as condições gerais da pele, elaborando assim um creme multifuncional, explicou a farmacêutica.

O projeto, intitulado “Desenvolvimento, estabilidade e eficácia pré-clínica e clínica de formulações fotoprotetoras contendo vitaminas lipossolúveis e extratos de Ginkgo biloba e algas marinhas vermelhas”, foi financiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

O primeiro passo foi desenvolver uma formulação com filtros fotoestáveis, ou seja, capazes de permanecer ativos na presença da luz, com fator de proteção solar (FPS) 20. Para isso foram combinados filtros químicos (orgânicos), compostos por moléculas capazes de absorver os raios ultravioleta e transformá-los em raios de baixa energia inofensivos à pele, e filtros físicos (inorgânicos), que refletem a radiação e impedem sua penetração.

“Adicionamos então extratos vegetais e vitaminas. Testamos várias combinações de ingredientes. O desafio foi criar um produto com características sensoriais adequadas, pois, se você fizer um creme muito gorduroso ou que não espalha, ninguém usa”, disse a pesquisadora.

Em parceria com o laboratório francês Evic, a compatibilidade dérmica do produto foi avaliada e se atestou sua segurança para uso cosmético. Nesse momento da pesquisa, em 2008, um dos trabalhos do grupo foi apresentado no Congresso da Sociedade Internacional de Químicos Cosméticos, em Barcelona.

Os resultados chamaram a atenção de pesquisadores do Centre de Recherches et d’Investigations Épidermiques et Sensorielles da empresa francesa Chanel.

“Eles nos convidaram para visitar o centro e firmamos uma parceria. Com a participação de minha aluna de doutorado Mirela Donato Gianeti, investigamos se a formulação também protegia contra grandes variações climáticas e o resultado foi muito positivo”, contou Campos.

Graças à presença dos extratos vegetais, a pele das voluntárias ficou livre de danos tanto no alto verão como no inverno e também em condições de mudança brusca de temperatura.

Paralelamente, foi avaliada a influência do creme na percepção tátil das voluntárias. Essa sensibilidade, explicou Campos, fica prejudicada na pele envelhecida.

“A formulação melhorou a hidratação e a função barreira da pele, ou seja, diminuiu a perda de água na camada mais superficial. Isso resultou em uma melhora da percepção tátil, pois trouxe de volta as condições de uma pele saudável”, disse.

Segundo Campos, a fórmula está pronta para ser comercializada, mas ainda não houve contatos com empresas do setor nesse sentido. Parte da pesquisa foi publicada na revista Journal of Investigative Dermatology.

Proteção ao DNA

Testes feitos com camundongos mostraram que o produto desenvolvido na USP em Ribeirão Preto reduziu a presença das proteínas p53 e caspase-3, marcadores genéticos que indicam dano celular causado pela radiação. “Houve ainda menor produção da enzima metaloproteinase, que destrói o colágeno e deixa a pele flácida”, disse Campos.

Em uma segunda etapa feita com voluntárias humanas, avaliou-se a ação do creme em tempo real, por meio de técnicas de biofísica e imagem da pele. Também foi usada uma técnica chamada microscopia confocal de reflectância a laser, que permite ver as alterações celulares sem o uso de biópsias.

“Foi possível observar uma hidratação profunda e melhora na aparência da pele com duração aproximada de 8 horas. Também melhorou significativamente a função barreira e a textura da pele”, disse.

Os testes com a microscopia confocal ainda não estão concluídos, mas, segundo Campos, já foi possível perceber que o produto aumentou a espessura da camada granulosa da pele. Isso pode estar associado a um maior estímulo à renovação celular.

Em todas as etapas, foi testada não apenas a formulação completa, mas também versões que continham apenas os filtros e uma das substâncias ativas em estudo. “Queríamos avaliar o benefício de cada uma e as vantagens de usar a formulação completa”, explicou.

A combinação dos filtros com as algas marinhas vermelhas foi a que mais reduziu a presença das proteínas p53 e caspase-3, ou seja, a que mais evitou danos celulares. A combinação com o Ginkgo biloba foi a que mais protegeu a função barreira da pele.

Já a fórmula que tinha apenas os filtros e as vitaminas aumentou a perda de água na camada superficial. Segundo a pesquisadora, isso provavelmente está ligado ao aumento da renovação celular estimulado pelas vitaminas A e C. “Por isso é importante acrescentar os extratos vegetais para compensar”, frisou.

Quanto maior a perda de água, mais frágil e sensível fica a pele. Isso não apenas facilita a penetração da luz ultravioleta, mas também favorece doenças como a dermatite de contato e o eczema tópico.

Segundo a pesquisadora, a formulação completa foi a que mais hidratou e protegeu a função barreira da pele, melhorando também a aparência e diminuindo as rugas e a aspereza. Mas ela alerta que o produto é para ser usado no dia a dia e não quando a exposição ao sol for intensa, como na praia ou piscina.

“A radiação solar acelera a proliferação celular. É uma forma de o organismo tentar se defender, deixando a pele mais espessa. Mas isso ocorre de forma tão rápida que, para evitar os danos ao DNA, ocorre a apoptose, ou morte celular programada”, explicou.

Para exposição solar intensa, completou, o protetor solar deve ter no máximo substâncias antioxidantes, como o Ginkgo biloba e vitamina.

09/12/2011 - 10:47h Saúde é o maior problema para 59% da nova classe média brasileira

Por Caio Junqueira | VALOR

De Brasília

A saúde é o maior problema vivido pela nova classe C brasileira, elevado grupo de pessoas que ascenderam à faixa média da sociedade, segundo pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), divulgada ontem. O levantamento revelou as principais características e anseios deste estrato social: Para 59% dos entrevistados, a saúde é a área que mais enfrenta problemas no Brasil, seguida por segurança/violência/drogas (38%) e educação (35%).

O desemprego constou como problema para 20% dos que responderam, à frente da corrupção (13%) e da pobreza/miséria (13%).

Realizada entre os dias 16 e 24 de outubro pelo Instituto Ipespe, a pesquisa ouviu 2 mil entrevistados da nova classe C, considerados segundo os critérios da Fundação Getulio Vargas (FGV) como sendo as pessoas com renda familiar de R$ 1,2 mil a R$ 5,2 mil.

Revela algo até então desconhecido no recente fenômeno de ascensão social que levou milhões de brasileiros das classes D e E para a classe C: qual a agenda da nova classe média? Do ponto de vista econômico, por exemplo, as respostas apontaram para a manutenção da estabilidade, a geração de mais empregos e a redução de impostos. No aspecto social, essas pessoas querem melhorias na saúde, educação, segurança e diminuição das desigualdades sociais, nessa ordem. Chama a atenção o fato de a ampla maioria (74%) optar pelo aumento das oportunidades de emprego do que a ampliação dos programas sociais, como o Bolsa Família (10%).

São numerosas as respostas que, associadas a outras, mostram um estrato social conservador. Por exemplo, 57% são contra casamento homossexual, 85% contra a liberação do uso da maconha e 93% contra a liberação do uso de drogas. Por outro lado, 81% são a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, 70% a favor “da lei e do direito à propriedade serem respeitados independentemente da necessidade de se fazer a reforma agrária” e apenas 23% “a favor de invasões de terras pelo MST serem necessárias para pressionar autoridades a fazer reforma agrária, independentemente dos prejuízos que causem”.

Outro dado relevante notado pelo autor da pesquisa e diretor do Instituto, o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, foi a subdivisão da classe C em três subclasses. A primeira foi classificada por ele de CT, a classe C média tradicional, com maior renda, escolaridade e bens e que apresenta elevada satisfação com a vida presente. São 41% da classe C. A nova classe média, batizada por Lavareda de NC+, tem satisfação unânime com a vida, renda e escolaridade intermediárias e é a que mais sente as melhorias de vida nos últimos anos. Representam 39%. Por fim, a chamada “classe baixa”, ou NC- (nova classe C menos), menos otimista, mais preocupada, decepcionada, e com menores graus de renda e escolaridade. Sentem que “a vida ficou igual”. São 20%.

Isso mostra que a classe C não nutre sentimentos e percepções homogêneos. O que também é constatado quando os entrevistas avaliam o governo da presidente Dilma Rousseff. Enquanto 52% da CT e 65% da NC+ avaliam o governo como ótimo/bom, apenas 38% da NC- têm essa opinião. Por outro lado, 45% da faixa NC- avalia como regular o governo Dilma, em confronto com os 39% da CT e 30% da NC+. No item ruim/péssimo, a NC- também é maioria, com 17%, superior aos 5% da NC+ e aos 9% da CT.

A expectativa quanto ao restante do governo também é pior nessa menor faixa de renda: 49% da NC- acham que será ótimo/bom, muito diferente dos 73% da NC+ e os 62% da CT. Por outro lado, 13% da NC- acham que o final do governo será ruim/péssimo, dado assim respondido por 5% da NC+ e 8% da CT.

29/11/2011 - 18:20h Em 10 anos, número de jovens gays do sexo masculino com aids cresce 60% no Brasil


Risco de um jovem homossexual brasileiro estar infectado pelo vírus HIV é 13 vezes maior do que o restante da população da faixa etária, divulgou o Ministério da Saúde

29 de novembro de 2011

Lígia Formenti, O ESTADO SP

BRASÍLIA

O número de jovens homossexuais masculinos com aids aumentou 60% em uma década, informa o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde.

Em 2010 foram confirmadas 514 infecções entre gays de 15 a 24 anos, equivalente a 26,9% dos casos nessa faixa etária. Em 2000, haviam sido notificados 321 pacientes com o vírus. Entre jovens heterossexuais, a tendência é inversa: em 2000, eles respondiam por 29,8% dos casos confirmados da doença enquanto em 2010 representam 21,5%.

Os índices levaram a pasta a constatar que o risco de um jovem gay brasileiro ter o HIV é 13 vezes maior que o do restante da população da faixa etária. Ao lado de meninas de 13 e 19 anos e travestis, essa população é a que desperta maior preocupação.

“É preciso colocar em prática estratégias que dialoguem com esses grupos para incentivar a prevenção e reduzir as vulnerabilidades”, disse o ministro Alexandre Padilha. Uma das medidas será posta em prática nesta semana: a campanha para lembrar o dia mundial de luta contra a doença, será dirigida aos jovens homossexuais.

Na contramão. O aumento de casos entre jovens gays destoa do que se verifica entre os números gerais. Em 2010, foram registrados no País 34.212 casos novos – pouco menos que os 35.979 de 2009. As mortes também caíram. Em 2010, foram 11.965, ante 12.097 informados em 2009. “A epidemia está estabilizada”, diz o diretor do Departamento de DST-Aids e Hepatites Virais do ministério, Dirceu Greco.

Para explicar a maior vulnerabilidade de jovens gays masculinos, Padilha cita uma tese há tempos usada: essa população teria crescido num período em que a aids já não é mais vista como sentença de morte. Sem ter vivenciado os problemas do início da epidemia, o grupo teria “relaxado”. Pesquisa de 2010 do ministério já mostrava que jovens gays usavam menos camisinha que a população em geral.

Mas há outros fatores que, na avaliação de integrantes de movimentos sociais, também são preponderantes, como a dificuldade do acesso a ações de prevenção e à testagem do HIV, principalmente por causa da homofobia. “Há centros que não estão abertos para esse público. Daí a necessidade de estratégias específicas”, diz o presidente do Grupo Pela Vidda, Mário Scheffer.

Uma das ações vistas com otimismo pelo ministério é a oferta de testes rápidos para HIV. Um acerto, na avaliação de Scheffer, desde que feita em áreas onde há maior frequência de jovens homossexuais. Para ele, porém, é importante que tal estratégia seja feita por setores de saúde, não por ações de ONGs. “A testagem pressupõe uma assistência: de esclarecimento antes do teste, de encaminhamento, depois do resultado. Isso tem de ser feito por um profissional”, defende.

De acordo com o boletim, a Região Sul concentra a maior taxa de incidência de aids no País, com 28,8 casos por 100 mil habitantes. Em seguida vem a Região Norte e Sudeste, com 20,6 e 17,6. No Centro- Oeste, a taxa foi de 15,7 e no Nordeste, de 12,6.

Aumento de casos entre gays não surpreende

Falta de campanhas para esse público, em especial os mais jovens, e ideia de que a aids se tornou uma doença crônica são algumas das causas
29 de novembro de 2011

FERNANDA BASSETTE, KARINA TOLEDO – O Estado de S.Paulo

O aumento no número de casos de jovens homossexuais com HIV/aids não surpreendeu entidades que trabalham com essa população. Para representantes de ONGs, o fato de a doença ser vista como um problema crônico e a falta de campanhas específicas para esse público são fatores que refletem diretamente no aumento de casos.

Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABLGT), há três fatores que explicam o maior crescimento entre os jovens gays: diminuição do financiamento governamental para campanhas de prevenção, o fato de a aids assustar menos os jovens hoje do que há dez anos e o preconceito. “O preconceito faz o jovem gay ter uma baixa autoestima e isso aumenta sua vulnerabilidade. Quem não se ama, não se cuida.”

Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, diz que, com a chegada do coquetel de remédios antiaids, a juventude de forma geral deu uma “relaxada” na prevenção. Homens que fazem sexo com homens, no entanto, têm um risco maior de se contaminar, por ser a relação anal mais perigosa. “Jovens em geral não têm a visão dos efeitos colaterais que os remédios antiaids podem causar e dos problemas que os portadores enfrentam.”

Preconceito. A mesma opinião é compartilhada por Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum ONG/Aids do Estado de São Paulo – entidade que representa cerca de 120 ONGs que trabalham com portadores do HIV.

“Houve um relaxamento, sem dúvida. As pessoas tendem a achar que tratar a aids é apenas tomar a medicação e pronto. Mas viver com aids não é fácil. Os efeitos colaterais da medicação existem, como a lipodistrofia, e o preconceito ainda é bastante forte”, avalia.

Para Kleber Mendes, de 27 anos, portador do HIV e coordenador da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens que vivem com HIV/aids, Regional Sul, os casos de HIV entre jovens estão crescendo porque muitos não viram o começo da epidemia e não têm a noção da gravidade da doença. “É a velha história do prazer momentâneo. É achar que não vai acontecer com ele, assim como eu achei”, diz (mais informações nesta página).

A rede representa cerca de 2 mil jovens de todo o Brasil e está tentando uma audiência com a presidente Dilma Rousseff para tratar do assunto. “É preciso ter uma política nacional voltada exclusivamente para essas pessoas”, diz.

Já Pinheiro ressalta que apesar de as drogas para o tratamento da aids estarem disponíveis na rede pública, o acesso a elas ainda é demorado. Após o diagnóstico, diz, os portadores do vírus demoram cerca de cinco meses para serem encaminhados ao serviço especializado.

‘Peguei o HIV na minha primeira relação sexual, aos 16 anos’

Depoimento de Kleber Mendes, coordenador regional da rede de jovens com HIV
29 de novembro de 2011

O Estado de S.Paulo

Peguei o HIV na minha primeira relação sexual, aos 16 anos de idade, há 11 anos. A relação foi com uma pessoa que morava perto da minha casa. Era um homem bem mais velho do que eu – na época, ele tinha uns 35 anos.

Como meu pai havia falecido, minha mãe não se importava de eu frequentar a casa dessa pessoa. Ela não sabia que eu era homossexual e achava que eu precisava de uma referência masculina.

Eu estava muito envolvido emocionalmente, estava apaixonado, bem coisa de adolescente. Fizemos sexo desprotegido. Eu não sabia que ele tinha HIV e ele também não comentou. Nunca pensei que pudesse acontecer comigo.

Logo depois que tivemos a relação, a irmã dele foi em casa e contou para minha mãe que o irmão era soropositivo. Minha mãe me pressionou, acabei confessando, e ela me obrigou a fazer o exame.

Quando vi o resultado, achei que ia morrer. Chorei muito, entrei em depressão, abandonei os estudos por três anos. Em casa, surgiram as dúvidas comuns: será que era preciso separar talheres? Desde então minha mãe me deu muita força – coisa de mãe, sabe?

Quando ele soube que eu fiz o exame de HIV, sumiu do bairro. Nunca mais o vi. Como descobri o problema muito rápido, fiquei dez anos só fazendo acompanhamento, sem precisar usar a medicação. Comecei a tomar o coquetel no final do ano passado. / F.B.

14/11/2011 - 16:20h Carta do Presidente da Federação Brasileira de Entidades de Combate ao Câncer

São Paulo, 14 de novembro de 2011

Ao

Blog Leituras Favre

Att. Luis Favre


Prezado Luis,

Desde que foi anunciado o câncer do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, observa-se uma comoção no País. De um lado, uma avalanche de brasileiros apoiando o chamado ‘força Lula’; de outro, um número enorme de anônimos e famosos reforçando o movimento conhecido como ‘Lula, vai se tratar no SUS’.

Mas, o que separa os hospitais de referência oncológica do SUS do hospital privado Sírio Libanês? A resposta, que tentaram responder no Twitter, é simples: nada. Nada separa, neste caso e no que diz respeito ao tratamento oncológico oferecido aos pacientes, o público do privado.

Hoje, segundo o INCA, são 490 mil novos casos por ano, com mais de 160 mil mortes, colocando a doença no segundo lugar no ranking de óbitos no País, atrás apenas do infarto, acidente vascular e hipertensão. É fato: o câncer cresce a passos largos no Brasil e tende, com o aumento da expectativa de vida e das práticas inadequadas para a saúde, a crescer ainda mais.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, a rede pública é referência no tratamento do câncer no Brasil: faz um excelente trabalho, usa a mesma técnica, os mesmos equipamentos e, do ponto de vista da junta médica, oferece equidade no tratamento ao paciente. É o caso, por exemplo, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, do Hospital do Câncer de Barretos e da Fundação Hospital Amaral Carvalho, em Jaú.

Mas, então o que diferencia o tratamento oferecido no SUS e na rede privada? Para nós, da FEBEC, com mais de 4 mil voluntários em centenas de municípios, a resposta também é fácil: o apoio biopsicossocial aos pacientes, a identificação precoce do câncer e o tratamento imediato, que preservam vidas. Enquanto pacientes de hospitais privados ou da rede pública com nível quatro de estadiamento, o estágio mais grave da doença, têm 13,5% de chances de sobrevida após cinco anos de tratamento, os de nível zero, têm 98%, e os de nível um, 79,8%.

Ou seja, o câncer tem cura. A discussão entre a saúde pública e privada não pode ser centrada no atendimento hospitalar, mas no acesso ao tratamento. E não basta criticar. É preciso promover a articulação entre as organizações públicas, privadas, do terceiro setor e a sociedade. A ação voluntária, independentemente de religião, orientação política e nível social, salva vidas.

Antonio Luís Cesarino de Moraes Navarro

Presidente da FEBEC – Federação Brasileira de Entidades de Combate ao Câncer

Diretor-superintendente da Fundação Amaral Carvalho (Jaú)

05/11/2011 - 23:41h Malária impõe toque de recolher no Peru

Medida integra plano que reduziu em 85% os casos da doença na Amazônia peruana

05 de novembro de 2011

Karina Toledo, ENVIADA ESPECIAL AO PERU

O dia termina cedo no pequeno povoado de Caserío San Pedro, na Amazônia peruana. Por volta das 18 horas, os cerca de 350 moradores vão para suas camas e lá permanecem até a manhã do dia seguinte. Esse, no entanto, não é um hábito que nasceu com a comunidade, há 92 anos. A regra foi instituída em 2008, quando teve início um projeto de combate à malária na região.

Doação. Mosquiteiros são impregnados com inseticida que dura 5 anos - Marco Simola/Fundo Global
Marco Simola/Fundo Global
Doação. Mosquiteiros são impregnados com inseticida que dura 5 anos

“O objetivo é evitar o horário que o mosquito transmissor da doença sai para se alimentar”, explica Felix Gutierrez, agente comunitário de saúde e morador local. “Não foi difícil convencer a população. Ninguém aqui quer ficar doente”, diz ele, com a experiência de quem já contraiu malária três vezes e a descreve como uma dor insuportável e uma sensação de frio que parece congelar os ossos.

Mas se esconder dentro das casas rusticamente construídas com ripas de madeira e cobertas de palha não é suficiente. As camas, também feitas de madeira e palha e revestidas com tecido, têm de ser protegidas com mosquiteiros especiais, impregnados com inseticida capaz de manter os insetos longe por cinco anos.

As telas de proteção foram doadas pelo Projeto de Controle da Malária nas Áreas de Fronteira da Região Andina (Pamafro), que em cinco anos reduziu em 85% os casos de malária e em mais de 70% a mortalidade pela doença em 51 distritos peruanos, onde moram 1 milhão de pessoas. A iniciativa teve financiamento do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária.

A estratégia. Gutierrez tem a missão de ensinar a população de Caserío San Pedro a usar os mosquiteiros, queimar o lixo e não deixar acumular água parada, para evitar que o ambiente se torne propício para a proliferação do mosquito Anopheles. Sua mais importante tarefa, porém, é notificar o posto de saúde mais próximo – a 40 minutos de caminhada na mata e mais uma hora de barco – sempre que alguém fica doente. Mas antes ele aplica testes sanguíneos nos demais moradores para identificar possíveis contaminados e garantir tratamento imediato.

Essa estratégia é a chave para evitar a disseminação da malária, explica o imunologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Maurício Rodrigues. Isso porque, ao picar uma pessoa doente, o mosquito se contamina com o parasita causador da enfermidade – o Plasmodium – e o transmite para sua próxima vítima. “Um único doente sem tratamento pode, em uma semana, resultar em 50 novos casos”, diz Rodrigues.

Em 2007, quase metade da população de Caserío San Pedro estava acometida. “Para onde você olhava havia malária. Meus vizinhos, filhos e netos caíram de cama”, lembra Javier Valencia, de 62 anos, descendente de um dos fundadores da vila. “A doença me agarrou pela primeira vez aos 40 anos. Quase morri. Foram 15 dias de febre sem saber a causa. Não havia malária por aqui até então.” Mal tinha se recuperado, seis meses depois, Valência se tornou novamente vítima do Anopheles.

No auge da epidemia, a comunidade chegou a registrar 20 novos casos por mês. “Éramos uma zona de emergência sanitária”, conta Marcos Hoyos, “tenente-governador” do povoado. Em outubro deste ano, apenas o garoto Darwin Macahuachi, de 8 anos, ficou doente. Em toda a região de Loreto, nordeste do Peru, os casos caíram de 15 mil para 900 por ano. Nenhuma morte foi registrada desde 2008.

Mas o projeto Pamafro e o financiamento do Fundo Global terminaram em 2010. Agora, o Ministério da Saúde peruano tenta manter a iniciativa com recursos próprios. “As ações continuam, mas não com a mesma periodicidade. Poderíamos estar em melhores condições”, admite Teresa Chunga, técnica do ministério.

O caso brasileiro. No Brasil, os casos de malária também estão em queda. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número passou de 168 mil para 115 mil nos primeiros seis meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2010 – redução de 31%. As internações tiveram queda de 20%, passando de 2,5 mil para 2 mil. Mas os índices ainda são altos. Por aqui, as ações de combate à doença também contam com apoio do Fundo Global, que doou cerca de R$ 30 milhões.

O dinheiro está sendo usado na aquisição de 1,1 milhão de mosquiteiros, distribuídos nos 47 municípios da Amazônia Legal com mais casos de malária no País. Também ajudou na compra de testes de diagnóstico rápido e no trabalho de conscientização dos moradores sobre como se proteger da doença.

O financiamento, porém, termina neste ano. Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do ministério, afirma que o País não terá dificuldade para manter o trabalho.

“A estratégia brasileira se baseia na busca ativa dos casos. Os agentes de saúde vão de casa em casa e perguntam se tem algum doente”, conta Maurício Rodrigues. Mas, por medo dos efeitos colaterais do tratamento, muitos contaminados negam sua condição e acabam se tornando foco de proliferação da doença. “É um trabalho sem fim, como enxugar gelo. Mas, se deixar correr solto, haverá uma epidemia que vai afetar milhões.”

Tuberculose é outro fardo peruano

05 de novembro de 2011

Karina Toledo, ENVIADA ESPECIAL AO PERU

A tuberculose multirresistente – causada por bactérias capazes de sobreviver a várias classes de antibióticos – é outro grande problema de saúde pública no Peru. Enquanto no Brasil esses casos não ultrapassam 1,5% do total, no país vizinho correspondem a mais de 20%.

O impacto disso nos gastos públicos de saúde é gigante, pois, se o tratamento convencional dura seis meses e custa cerca de R$ 90, são necessários dois anos e cerca de R$ 3,6 mil para eliminar a bactéria multirresistente. O prejuízo na qualidade de vida dos doentes – submetidos a injeções diárias com até sete medicamentos – é ainda maior. As drogas afetam os rins, o fígado e o estômago. Muitos desistem e acabam morrendo.

Para aumentar a adesão dos afetados ao tratamento, foi criado, em um centro de saúde da cidade de Lima, um programa de capacitação para o cultivo de vegetais hidropônicos.

“Os pacientes deixam de trabalhar durante o período do tratamento. Precisam de uma fonte de renda alternativa. Mas, como ficam muito debilitados, tinha de ser uma atividade que não exigisse esforço físico”, explica o nutricionista Miguel Barrientos, coordenador técnico do projeto. A iniciativa, que começou em 2008, é uma parceria entre a ONG Prisma e os Ministérios da Saúde e da Agricultura e integra as ações financiadas pelo Fundo Global no país.

A travesti Mary Yarleque, de 38 anos, conta que antes de aderir ao programa sofria terrivelmente com os efeitos do tratamento. “Doía a cabeça, o estômago, tinha muita náusea. Esse contato com a natureza ajudou a me distrair e a esquecer a doença”, afirma. Hoje, curada, Mary dedica suas manhãs a transmitir o conhecimento adquirido para outros pacientes. O cultivo de hidropônicos também virou seu principal meio de sustento. “Vendo no mercado, para os vizinhos e até para os médicos do centro de saúde”, conta.

O Brasil se livrou do fardo da tuberculose multirresistente graças ao protocolo rígido de tratamento adotado há 30 anos. Os antibióticos usados contra a doença foram retirados das farmácias e só podem ser obtidos – de forma gratuita – nos centros do Sistema Único de Saúde. No Peru, por outro lado, cada médico adota o tratamento que lhe convém e não há remédio de graça para todos. Isso contribuiu para o abandono da terapia e a criação de superbactérias.

31/08/2011 - 10:29h América Latina está sob crescente ameaça das drogas

Por John Paul Rathbone e Adam Thomson | Financial Times – VALOR

Em meio à alta vertiginosa dos preços das commodities na década passada, são notáveis duas exceções: a heroína e a cocaína.

Os dois produtos têm desafiado a inflação de maneiras que somente os microprocessadores para computadores conseguem igualar: os narcóticos estão mais baratas, em termos reais, do que há 20 anos. Esse é apenas um exemplo de um fracasso mundial nas tentativas de limitar a oferta de drogas ilegais. Embora a luta tenha custado bilhões de dólares e milhares de vidas, o comércio – e seus efeitos sobre aqueles que usam os produtos -, pouco diminuiu. A produção cresceu e o consumo mundial acompanhou a produção. De estimados 272 milhões usuários de drogas ilegais em todo o mundo, cerca de 250 mil consumidores perdem a vida a cada ano.

Os EUA continuam sendo o maior mercado mundial de drogas e a Europa está avançando rapidamente. É cada vez mais aceito que a política de proibição conhecida como “guerra às drogas” desfechada 40 anos atrás pelo presidente americano Richard Nixon “fracassou” – como afirma inequivocamente recente relatório da Comissão Mundial para Políticas Antidrogas -endossado por três ex-presidentes latino-americanos, um ex-secretário-geral da ONU e um ex-presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

ONU estima que o lucro anual dos traficantes com a venda de cocaína no mundo chega a US$ 85 bilhões

Isso está criando ansiedade em Washington e outras capitais ocidentais. Mas, na América Latina, maior centro de produção e comercialização, as consequências desse fracasso continuam a crescer. Na América Central, os níveis de violência são piores, segundo algumas estimativas, do que no Afeganistão ou no Iraque.

A paz social e política está sob ameaça. “Um tsunami de tráfico de drogas abateu-se sobre a região”, diz Kevin Casas-Zamora, ex-vice-presidente da Costa Rica. Para o general Douglas Fraser, chefe do Comando Sul dos EUA, o crime organizado alimentado pelo tráfico de drogas é a mais grave ameaça na América Central.

Pouca gente sugere que a região esteja prestes a se tornar uma coleção de narco-Estados com governos usurpados pelos cartéis, mas esse é um risco para a Guatemala, Honduras e El Salvador, o mais gravemente afligido entre os países da América Central. A maioria das economias de um continente antes associado a dívidas externas e hiperinflação registra substancial crescimento econômico. Enquanto países desenvolvidos estão atolados em alto endividamento e baixo crescimento, a América Latina tornou-se um motor da economia mundial. Mas a maioria das democracias latino-americanas é jovem. O México, segunda maior economia na América Latina, fez sua transição democrática apenas dez anos atrás, o Brasil, a maior, há apenas 25 anos. Isso torna esses países particularmente vulneráveis à corrupção e à violência.

Pelo menos ficaram no passado os dias em que os países eram “certificados” pelos EUA com base em sua capacidade de reduzir a produção de drogas. A maconha é agora o maior plantio comercial na Califórnia, com vendas estimadas de US$ 14 bilhões por ano.

Mesmo assim, o Ocidente continua a impor considerável pressão sobre a região. Os latino-americanos têm suas próprias muito fortes razões para fortalecer o Estado de direito. Os benefícios econômicos e políticos “seriam enormes”, diz Agustín Carstens, presidente do Banco Central do México. O Banco Mundial estima que o custo do crime e da violência na América Central equivale a 8% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Mas muita gente na região cansou da abordagem tradicional, centrada em criminalização e repressão, mas que produziu escassos resultados. Com efeito, o consumo local de drogas está aumentando; o uso de cocaína na América Latina agora está quase igual ao nível europeu, embora ainda seja metade do americano.

Em primeiro lugar, a intensidade da violência que sempre eclipsa o comércio e as tentativas para controlá-la são grotescas: decapitação, desmembramento e chacina aleatória de inocentes. El Salvador, o país mais sangrento na região, registrou 71 homicídios por 100 mil habitantes em 2010, segundo estatísticas nacionais; no Brasil foram 25. Nos EUA, a taxa de homicídios foi inferior a seis; na Europa, não chegou a dois.

Em segundo lugar, combater traficantes pressiona países carentes de recursos que o mundo desenvolvido assume como universais. O continente continua a ser uma das regiões mais desiguais do mundo. Mesmo no México, membro da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o governo define sua taxa de pobreza em 46%.

Terceiro, essa luta cria, nas instituições repressivas, tensões que não conseguem suportar. O serviço policial mexicano foi efetivamente “balcanizado” pela Constituição, de modo que existem forças distintas para os 32 Estados do país e para cada um dos seus 2,3 mil municípios. Em algumas forças policiais na América Central, os agentes da lei têm de comprar munição com seu próprio dinheiro.

Muitas instituições em nações mais ricas sofreriam dificuldades se confrontadas com uma operação transnacional sofisticada que, de acordo com estimativas da ONU, gera US$ 85 bilhões anuais em lucros apenas com a cocaína – o equivalente a seis vezes o lucro da Coca-Cola no ano passado.

“O combate à corrupção e à droga é semelhante ao uso de uma borracha de má qualidade”, diz Malcolm Deas, da Universidade de Oxford, um historiador especializado em temas colombianos que tem assessorado presidentes desse país. “A borracha sempre fica suja e uns pedacinhos dela esfarelam.”

Em todo o mundo, está emergindo o reconhecimento de que as políticas proibicionistas do século passado não funcionaram e que, enquanto as drogas permanecerem ilegais e, portanto, fornecidas por empreendedores criminosos, é improvável que tais políticas sejam eficazes.

Até mesmo a presença de 100 mil dos soldados mais bem treinados pouco serviu para ajudar a estancar o fluxo de opiáceos provenientes do Afeganistão, que responde por cerca de dois terços da produção mundial de heroína. Mau tempo e pragas nas culturas contribuíram mais para reduzir a oferta, no ano passado, do que quaisquer esforços das tropas da Otan ou da polícia afegã.

Quanto à América Latina, a única história de sucesso até agora é a da Colômbia, e apenas quando aferida por uma queda do número de homicídios, mas não pelo volume exportado de drogas ilegais. Além disso, o sucesso de Bogotá deu-se graças a condições irreproduzíveis em outros lugares.

Primeiro, houve um grande afluxo de fundos dos EUA. Os US$ 6 bilhões gastos com o atual programa de ajuda ao Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico e à insurgência, totalizam cerca de 6% do PIB da Colômbia em 2000 (ano em que o esquema começou). Por outro lado, a iniciativa americana equivalente no México soma US$ 1,4 bilhão, menos de 0,2% do PIB mexicano em 2010.

Em segundo lugar, nos 20 anos passados, Bogotá empreendeu um esforço sustentado e quase sobre-humano à custa das vidas de um número elevado de policiais e juízes. Bogotá beneficiou-se do fato de sua polícia ser unificada, quando começou a enfrentar seriamente o problema do crime organizado, algo inexistente em muitos outros países. “Se as forças policiais estão fracionadas, o narcotraficantes simplesmente as atacam seletivamente”, enfatiza o general Oscar Naranjo, comandante da polícia colombiana.

Em terceiro lugar, os EUA e a Europa disponibilizaram treinamento e apoio de inteligência no terreno, na Colômbia, o que seria impraticável na maioria da América Latina. Quando Álvaro Uribe, então presidente da Colômbia, aceitou, em 2009, autorizar os militares americanos a usar bases aéreas no país para ajudar as forças locais a caçar traficantes, isso provocou, em toda a região, protestos contra o “imperialismo ianque”. A Constituição do México proíbe que tropas estrangeiras operem no país, embora um pequeno número de militares aposentados do Exército dos EUA tenham sido recentemente mobilizados para lá para contornar tais obstáculos legais, segundo o “The New York Times”.

Finalmente, mesmo quando a repressão tem êxito, isso simplesmente exporta o caos para outros países. “Quanto mais sucesso temos com a interdição, mais o crime organizado vai para outros lugares”, diz Laura Chinchilla, presidente da Costa Rica.

Cada vez mais pessoas, e não apenas libertários e hippies, defendem uma reconsideração radical da política antidrogas. Os EUA, por exemplo, foram capazes de ignorar os piores efeitos do seu problema por muitos anos. Na prática, a atitude era de que, enquanto não houvesse bombas explodindo ou balas voando em Washington, Nova York ou Los Angeles, a violência não importava. Mas, num mundo mais globalizado, Washington está cada vez mais na defensiva – e defronta-se com a possibilidade de a violência atravessar a fronteira.

Não há clareza sobre que medidas deveriam ser tomadas. É pouco provável que mais dinheiro seja investido contra o problema, tendo em vista a condição das finanças americanas. Campanhas de prevenção contra o uso de drogas também não deram resultados satisfatórios. Elas “têm boa relação custo-benefício, porém não são muito eficazes”, destaca Mark Kleiman, um professor da UCLA, e autor do recentemente publicado “Drugs and Drug Policy: What Everyone Needs to Know”. O debate sobre a legalização está atolado em temores legítimos sobre o risco de crescimento das taxas de dependência.

Uma alternativa promissora, e barata, seria estrangular o fluxo de armas dos EUA para o sul. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, lamentou recentemente o fato de que revólveres desmontados podem ser despachados pela Fedex para seu país. No México, 70% das armas apreendidas vêm dos EUA. No entanto, esse debate nunca decola devido à posição de muitos americanos que invocam o direito constitucional de portar armas. Como disse Calderón, em visita a Washington em março: “Eu respeito a Segunda Emenda, mas pedimos: ‘não vendam armas a criminosos mexicanos’”.

Algumas autoridades na região acreditam que, enquanto elas tomam medidas contra o problema, o Ocidente parece menos disposto a fazer sacrifícios. O México, por exemplo, iniciou reformas, em sua polícia, que exigirão mudanças constitucionais, ao passo que nos EUA a proibição às vendas de fuzis semiautomáticos, que expirou em 2004, ainda não voltou a vigorar. Muitos acreditam que o Ocidente também fracassou no combate à lavagem de dinheiro. Como observou Carlos Slim, magnata mexicano das telecomunicações: “É injusto que os países produtores de drogas fiquem com todos os problemas e que os países consumidores fiquem com os lucros”.

Não há solução mágica capaz de resolver o problema das drogas. Porém muitos na região acreditam que, quanto mais tempo os países ocidentais se abstiverem de assumir um papel significativo na redução da violência associada às tentativas de frear o desejo de seus cidadãos de consumir drogas ilícitas, mais se tornará evidente que eles têm sangue em suas mãos. Forças de segurança e traficantes envolveram-se numa espécie de “corrida armamentista”, diz o relatório GCDP. “É preciso romper o tabu sobre o debate e reformas. A hora de agir é agora.”

02/08/2011 - 08:24h Prefeitura de SP paga a organização social por exames que não são feitos


Segundo o Tribunal de Contas do Município, que audita o contrato, deficiências em agendamento na zona sul da capital paulista por parte da Prefeitura fazem com que OS ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) não consiga cumprir as metas

Andre Lessa/AE-18/8/2010
Andre Lessa/AE-18/8/2010

Diagnóstico. Entre os exames estão mamografia e ultrassom

02 de agosto de 2011

Bruno Paes Manso – O Estado de S.Paulo

A Prefeitura de São Paulo está pagando a uma organização social (OS) por serviços de diagnóstico por imagem em quatro unidades de saúde municipais da zona sul mesmo quando os exames não são feitos. Em apenas uma unidade, a fila de espera por um tipo de exame (mamografia) é de quase quatro meses.

A Fundação Instituto de Pesquisa e Diagnóstico (Fidi) – organização social (OS) ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – também faz diagnóstico por imagem em outras quatro regiões da cidade: zonas centro, oeste, leste e sudeste. O Tribunal de Contas do Município (TCM), porém, já apontou em auditorias a necessidade de a Prefeitura melhorar a gestão do agendamento de pacientes na zona sul – onde o gargalo é nitidamente maior.

Naquela região, a Fidi presta serviços no Hospital Municipal do Campo Limpo, Centro de Referência de Santo Amaro, Ambulatório de Especialidades do Jardim Pirajussara e Unidade Básica de Saúde Jardim Macedônia.

No ano passado, por exemplo, a OS recebeu recursos para a realização de 27,9 mil exames de mamografia nos quatro centros, meta que estava estabelecida no contrato, mas só conseguiu fazer 16,4 mil exames – 59% do previsto. A situação se repete no caso dos exames de ressonância magnética, cuja previsão era de 10,4 mil exames. Entretanto, só foram feitos 6,8 mil exames (65%). Em todos os casos, a OS foi remunerada pela meta previamente definida. A Fidi recebeu da Prefeitura R$ 14,97 milhões entre fevereiro do ano passado e maio deste ano.

Só no Hospital Campo Limpo, segundo auditoria feita em novembro de 2010 a pedido do TCM, a fila de espera para os exames de mamografia era de 114 dias. Um mapeamento feito pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), a cidade de São Paulo fica em terceiro lugar entre as 27 capitais com maior incidência de câncer de mama em mulheres, com 89,9 casos a cada 100 mil mulheres, atrás de Porto Alegre e Rio .

Outros três exames a serem feitos pela Fidi na zona sul ficaram abaixo da meta definida em contrato, mas foram remunerados integralmente. São os casos da tomografia – só foram executados 72% da meta -, o ultrassom (74%) e os exames de radiologia, que atingiram a marca mais alta, com execução de 93% do previsto. Nas demais regiões atendidas pela Fidi, os índices de execução de exames variaram entre 78% e 96%. A reportagem tentou localizar representantes da Fidi na noite de ontem, sem sucesso.

Absenteísmo. A assessoria de imprensa da SMS explica, por meio de nota, que o pagamento de um contrato de gestão não está vinculado ao cumprimento de metas individualizadas de serviços. A Fidi, por exemplo, recebe por metas definidas no contrato de gestão.

Segundo a nota, a agenda de exames da OS é mensal, mas, em muitos casos, o paciente não comparece para a sua realização. A SMS afirma que a zona sul é a região da cidade com o maior índice de absenteísmo, sendo 40% em ultrassonografia, 48% em mamografia, 16% em ressonância magnética e 15% em tomografia.

“Há falhas de gestão e de fiscalização, por parte da Prefeitura, nos contratos com as OSs”, diz o conselheiro do TCM Maurício Faria.

Até 2009, o pagamento era relacionado ao volume de exames, período em que foi mudado. As OSs, segundo a assessoria, são fiscalizadas por itens que atestam a sua capacidade operacional de realização dos serviços. O próprio TCM é uma das instâncias fiscalizadoras do contrato. O contrato da Fidi com a Prefeitura está sendo auditado pelo TCM por causa de uma representação da vereadora Juliana Cardoso (PT).

09/07/2011 - 18:46h “Pensamento positivo não cura câncer”

Entrevista

Nos últimos 30 anos, a psiquiatra Jimmie Holland dedicou-se a ajudar pacientes, familiares e médicos a lidar com os aspectos psicológicos que surgem junto com o diagnóstico de câncer. Foi pioneira em estudos sobre psico-oncologia e é autora do livro The Human Side of Cancer

Natalia Cuminale, VEJA

de Nova York

Jimmie Holland, médica do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, Nova York
Jimmie Holland, médica do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, Nova York (Memorial Sloan-Kettering Cancer Center/Divulgação)


Em 1977, quando começou a trabalhar no Memorial Sloan-Kettering, o maior centro de oncologia de Nova York, a psiquiatra Jimmie Holland era uma figura estranha ao corpo médico especializado. “As pessoas costumavam perguntar por que um hospital de câncer precisava de um psiquiatra. Alguns chegavam a comentar: ‘não tem ninguém louco aqui’”, conta Jimmie. Desde então muita coisa mudou. Os mais renomados hospitais de oncologia no mundo não só sabem da importância de associar a psiquiatria e a psicologia ao tratamento da doença, como incorporaram pprofissionais da área em suas equipes.Jimmie, por sua vez, fundou a Sociedade Internacional de Psico-Oncologia e escreveu o livro The Human Side of Cancer (O Lado Humano do Câncer, sem edição no Brasil, Quill), tornado-se uma das maiores referências internacionais no assunto.

Em estudos e experiência acumulados nessas três décadas, Jimmie comprovou que o estado emocional do paciente de câncer é fundamental para o sucesso do tratamento. “Perguntar à pessoa sobre o seu nível de angústia é tão importante quanto perguntar sobre seu nível de dor”, avalia. “Se uma pessoa está depressiva, ela pode desistir do tratamento ou não buscar as melhores formas de enfrentar a doença.”

A psiquiatra afirma, no entanto, que associar a cura da doença – ou o aumento das chances de cura – ao otimismo é um mito, uma bobagem. “Otimismo não cura câncer”, avisa. “Mas a depressão atrapalha e precisa ser encarada como parte do tratamento geral.” De acordo com estudos, um terço dos pacientes com câncer pode apresentar quadro de depressão – e esse número é maior em pessoas com tumores considerados graves. No hospital Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, Jimmie Holland concedeu a seguinte entrevista a VEJA:

A senhora foi pioneira no tratamento psiquiátrico de pacientes com câncer. Por que se interessou por essa área? Sempre me interessei em ver como as pessoas lidavam com as doenças. Casei-me com um oncologista e percebi que se eu quisesse estudar reações a doenças eu teria de ter o câncer como foco. O câncer é uma doença que independe de idade, sexo, cultura ou classe social.

Mas como era fazer isso 30 anos atrás? Naquele tempo, os médicos não informavam seus pacientes sobre o diagnóstico de câncer. Pensava-se que era melhor não dizer nada porque as chances de sobrevivência eram poucas. Familiares também evitavam falar sobre a doença. A palavra câncer era um estigma. Não era fácil falar sobre a doença.

Quando isso mudou? Nos Estados Unidos, em meados da década de 70, nós começamos a falar de diagnóstico. As pessoas começaram a questionar sobre qual era o seu diagnóstico e quais eram as opções de tratamento. Os pacientes passaram a exigir mais diálogo com os médicos e não apenas receber instruções sobre o que deveria ser feito. Antes, os médicos agiam assim: “Eu sei o que você tem, mas não vamos dizer a você que isso é câncer”. Quando isso passou, eu diria que o câncer saiu do armário. Começamos a ter filmes em que o câncer aparecia em personagens, as pessoas começaram a escrever livros sobre a experiência de ficar doente e – finalmente – começamos a ver pessoas sendo curadas de câncer. Com tudo isso, passamos a ter menos medo dessa doença. E estávamos vendo a mesma coisa acontecer no resto do mundo.

Como os outros médicos reagiram a sua chegada ao hospital? Em 1977, as pessoas costumavam a dizer: “Por que precisamos de um psiquiatra em um hospital de câncer? Ninguém está louco aqui”. Meu trabalho no início foi mostrar que a importância de um acompanhamento psiquiátrico/psicológico não tinha nada a ver com loucura nesse caso. Quando uma pessoa descobre-se vítima de uma doença séria como o câncer, ela precisa se sentir segura, apoiada, e nesse quadro às vezes ela até precisa tratar a depressão, a ansiedade. Assim, ela terá mais forças par enfrentar a doença. Com o tempo, eles passaram a perceber que havia um papel importante a ser desempenhado por essa disciplina no tratamento de câncer. Além disso, a psiquiatria/psicologia também pode ajudar nos cuidados paliativos no fim da vida, quando um paciente já não tiver chances. Existem várias formas em que essas especialidades podem ser utilizadas.

O que deverá ser feito em seguida? O próximo passo para integrar ainda mais as duas áreas, é fazer com que todos os pacientes sejam questionados sobre seus níveis de angústia. Quando perguntamos ao paciente qual o seu nível de dor, de zero a dez, é uma forma rápida de saber sobre a dor. Por isso, tivemos a ideia de perguntar qual o nível de angústia, na mesma escala de zero a dez – transformando isso em uma referência que chamamos de termômetro da angústia. A partir de estudos, descobrimos que, se o paciente responder o número quatro ou maior que isso é necessário estudar a possibilidade de encaminhá-lo a um atendimento específico.

É possível dizer que todo paciente com câncer tem depressão? Não. Não acho que todos tenham depressão. Apenas penso que todos deveriam ser questionados se estão ou não depressivos. Sabemos que provavelmente um terço dos pacientes tem uma angústia significativa em algum momento do tratamento de câncer. Mas se pegarmos pessoas com tumores mais letais, como pulmão, cérebro e pâncreas, sabemos que aproximadamente metade deles tem depressão e ansiedade. Então, todos os pacientes precisam ser avaliados. Da mesma forma que eles são questionados sobre a dor, também precisam ser avaliados para a angústia. Vale ressaltar que nós escolhemos utilizar a palavra ‘angústia’ porque ela não é estigmatizada, como a palavra depressão.

Em casos em que o tratamento psiquiátrico não é oferecido ao paciente com câncer, quando os pacientes precisam procurar por ajuda? Basicamente, quando o paciente não consegue levantar da cama, se recusa a fazer os tratamentos capazes de salvar sua vida, não sente prazer em nada e não tem nenhuma esperança de cura. Todos esses são sintomas de pessoas que precisam ser avaliadas. Em alguns casos, as pessoas se tornam tão ansiosas que não dormem à noite, têm problemas de concentração e não conseguem tirar os pensamentos sobre a doença da cabeça. Esses sinais mostram que uma pessoa precisa de ajuda.

Qual a importância da família durante o tratamento? A família é muito importante. Chamamos os familiares de pacientes secundários. O câncer afeta toda a família. Por isso, todos têm que ser considerados. Ao atender um paciente, estamos sempre preocupados com a família.

A depressão desaparece depois da cura? As pessoas que sobrevivem geralmente têm muito medo sobre a recorrência da doença. Elas ficam com medo de o tumor voltar e podem ficar depressivas por isso. Sabemos que cerca de 20% dos sobreviventes podem ter problemas psicológicos contínuos após o câncer.

O que a senhora diria para quem acredita que pensamento positivo ajuda na cura do câncer?
É preciso esclarecer que pensamentos positivos não fazem com que você viva por mais tempo. Da mesma forma que pensamentos negativos também não fazem com que você viva menos. As pessoas gostam de acreditar que, se forem positivas, viverão mais. Pensar positivo é melhor para o seu tratamento e também é melhor para a sua família. Mas isso não afeta diretamente o curso da doença.

A senhora acredita que a forma com que o paciente lida com o câncer pode influenciar no sucesso do tratamento?
Sem dúvida, mas apenas no sentido de que é preciso a ação do paciente diante dos melhores tratamento para a doença. Ou seja, se uma pessoa está depressiva, ela pode desistir do tratamento ou evitar as melhores formas de enfrentar a doença. Mas não há um tipo de personalidade e nenhum outro tipo de ação feita pela mente que afete o sistema imunológico a ponto de curar o câncer. É bom que isso fique claro. Não há nenhuma influência da mente ou do humor no processo de cura.

09/07/2011 - 18:16h Edzard Ernst: “A homeopatia não tem efeito algum”

O chefe do primeiro centro britânico a estudar terapias alternativas diz que há pouca ciência por trás delas

Teresa Perosa – Época

O médico alemão Edzard Ernst, de 63 anos, foi o primeiro pesquisador no Reino Unido a comandar um departamento acadêmico especializado em analisar cientificamente a eficácia das terapias alternativas, como homeopatia, acupuntura e ervas medicinais. À frente da Unidade de Medicina Complementar da Universidade de Exeter desde 1993, Ernst amealhou evidências a favor do uso da acupuntura para tratar artrose e trouxe novas provas do efeito antidepressivo da erva-de-são-joão (Hypericum perforatum). Mas também concluiu – “com tristeza” – que a homeopatia não funciona. “A homeopatia parece não ser nada além de uma preparação sem efeito algum”, diz Ernst, que é ex-homeopata. A seguir a entrevista que ele deu a ÉPOCA.

ENTREVISTA – EDZARD ERNST

Divulgação

QUEM É

É médico e pesquisador de medicina alternativa. Nasceu na Alemanha, mas vive na Inglaterra com sua mulher francesa. Tem 63 anos

O QUE FEZ
Foi diretor do primeiro departamento acadêmico britânico a estudar as técnicas de medicina alternativa, criado em 1993 pela Universidade de Exeter

O QUE PUBLICOU
É autor de Medicina complementar – Uma avaliação objetiva (Editora Manole, 2001) e Trick or treatment? Alternative medicine on Trial, de 2008, sem edição no Brasil

ÉPOCA – Depois de estudar terapias alternativas por quase 20 anos, qual é sua conclusão? Elas funcionam?
Edzard Ernst –
Depende de cada técnica. Essa área inclui práticas muito diferentes entre si. Os melhores resultados estão na área de ervas medicinais. A planta Hypericum perforatum, conhecida como erva-de-são-joão, foi uma das mais estudadas. Diria que ela não é apenas eficaz contra a depressão. Ela é melhor que os antidepressivos. Em minha opinião, é melhor que o Prozac. A acupuntura funciona para algumas condições, não para todas. Há fortes evidências de que ela é eficaz no tratamento da artrose, uma doença que causa a degeneração da cartilagem nas articulações, causando dor e rigidez. O melhor resultado é no tratamento de dores no joelho. Já a homeopatia parece não ser nada além de um placebo, uma preparação sem efeito algum.

ÉPOCA – Como o senhor recebeu esses resultados, sendo homeopata?
Ernst –
Teria adorado provar que homeopatia funciona, porque eu ganharia o Prêmio Nobel de Medicina e seria muito rico. Mas fico triste em dizer que a evidência mostra exatamente o contrário. Atualmente, há cerca de 200 testes clínicos em andamento e a maioria dos resultados não é favorável à prática. É preciso dizer que os fundamentos do tratamento homeopático são implausíveis. Diluir remédios não os torna mais poderosos, mas os faz menos eficazes. Esse assunto é o mais polêmico em minha área porque as pessoas que acreditam na homeopatia o fazem quase com fervor religioso.

ÉPOCA – Por quê?
Ernst –
A realidade que o médico vê no consultório é diferente daquela que acontece em um laboratório. Você, como médico, atende um paciente com enxaqueca, decide receitar remédio homeopático e em 15 dias ele volta dizendo que a dor desapareceu. A maioria dos homeopatas diria que isso mostra que a homeopatia funciona. Mas, como cientista, você aprende a pensar de maneira diferente. Em minha opinião, a melhora do paciente não quer dizer absolutamente nada. Pode ser consequência do efeito placebo ou, simplesmente, a evolução natural da condição. A experiência como médico pode ser bastante ilusória. É exatamente por isso que nós precisamos de pesquisas. Um bom médico deve confiar em evidências científicas tanto quanto confia em sua experiência diária.

ÉPOCA – O senhor fez muitos inimigos?
Ernst –
Os resultados dos estudos do meu grupo em relação à homeopatia e à quiropraxia, técnica que usa o alinhamento da coluna para tratar dores, foram muito negativos. Os defensores dessas duas práticas não gostam do meu trabalho, não gostam de mim e me atacam pessoalmente. Eles se mostraram extremamente agressivos. Não ligo para esses ataques, se eles não forem muito pessoais ou de baixo nível. Encaro essas controvérsias como resultado do meu trabalho. Às vezes, até provoco discussões de propósito. Acho que estimula o pensamento crítico, exatamente do que precisamos nessa área.

“Os estudos não respondem a questões cruciais, como o
mecanismo que explicaria os efeitos das práticas no corpo”

ÉPOCA – O senhor acha que não há rigor suficiente nas pesquisas sobre terapias alternativas?
Ernst –
A maior parte dos estudos atuais não aplica análise crítica em grau suficiente. Querem apenas promover a medicina alternativa, mostrar que funciona. Os estudos não respondem a questões cruciais, como o mecanismo fisiológico que explicaria os efeitos das práticas no corpo. O que a área precisa é de ciência rigorosa, em vez de promoção pura e simples. Precisamos de cientistas que pesquisem de verdade as técnicas de medicina alternativa. Se você não é cético, não pode ser um cientista.

ÉPOCA – Acreditar na eficácia da terapia pode atrapalhar o resultado da análise?
Ernst –
O ângulo errado de encarar uma pesquisa é dizer: “Estou convencido de que esse tratamento funciona e vou usar a ciência para provar”. Para testar uma hipótese é preciso tentar derrubá-la. Se você tenta provar que um tratamento não funciona e o submete às mais extremas e severas condições e, ainda assim, ele apresenta resultados eficazes, é sinal de que funciona em qualquer circunstância. Mas não é assim que a maioria de meus colegas no mundo inteiro trabalha. Eles partem do pressuposto que a terapia é eficaz e querem provar isso. Pesquisar medicina alternativa é muito desafiador.

ÉPOCA – Quais são as dificuldades?
Ernst –
Os efeitos dessas práticas costumam ser muito discretos. Não dá para dizer que a acupuntura e a homeopatia têm efeitos revolucionários sobre a vida dos pacientes. Isso significa que os estudos precisam ser realizados em uma amostra muito grande de pacientes, porque só assim temos condições de conseguir medir os efeitos. O problema é que pesquisas com muitos voluntários são caras. O segundo desafio é encontrar uma boa maneira de avaliar se a técnica funciona. Em testes de medicamentos comuns, um grupo de pacientes toma o remédio de verdade e o outro toma placebo, uma pílula falsa, de farinha, que não tem efeito algum. O resultado da pílula verdadeira tem de ser muito melhor que o da falsa. Na medicina alternativa é infinitamente mais difícil encontrar placebos. Por exemplo, como é possível substituir as agulhas de acupuntura? Aqui na unidade nós desenvolvemos uma “agulha placebo”, semelhante às facas usadas no teatro. Elas não penetram de verdade na pele.

ÉPOCA – Como ficarão as pesquisas agora que o senhor anunciou a aposentadoria?
Ernst –
Ainda não abandonei o posto completamente. Estou trabalhando meio período até achar um sucessor. Mas, quando deixar meu cargo, não vou parar. Vou escrever um livro, talvez vários. Vou ser uma voz muito crítica, vocês vão ouvir falar muito de mim.

08/05/2011 - 09:55h Ascensão social já é realidade

Márcia Vieira – O Estado de S.Paulo

Os símbolos são diferentes, mas o orgulho é o mesmo. O CrossFox amarelo reluzente no estacionamento da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), em Ricardo de Albuquerque, é o orgulho de Ana Paula Souza Costa, de 29 anos. É verdade que o carro foi parcelado em 36 vezes e nem é zero quilômetro, mas Ana realizou o sonho de abandonar o ônibus.

Gabriel Ferreira Santiago, de 24, preferiu mudar de endereço. Deixou a casa da mãe no Méier, zona norte do Rio, para dividir um apartamento alugado com um amigo na glamourosa Ipanema, pertinho da praia.

Ana e Gabriel são cotistas da Uerj. Ambos preferiram esperar um ano para fazer especialização. “Residência paga muito pouco. Se a gente não tem um pai que banque, fica complicado”, diz Ana. Nenhum dos dois tem pai rico. Ana é órfã de mãe. Seu pai é sargento da reserva. Gabriel é filho de enfermeira. O padrasto é taxista. Com o plantão na UPA, do governo estadual, e em um CTI numa clínica particular da zona sul, ganha R$ 12 mil. “Não fiz residência porque queria primeiro ter essa prática. Adoro trabalhar na UPA, as pessoas realmente precisam do meu trabalho.”

Alguns dias são cruéis. “Tem gente que chega muito mal. Já chegou criança de 2 meses morta na minha mão. Sofro e tento ajudar. Fico depois do meu horário, levo paciente grave na ambulância para outro hospital. Faz parte da minha profissão correr riscos.”

No fim do ano, Gabriel faz a prova de residência para clínica geral e depois, quem sabe, especializa-se em gastroenterologia. Só não vai largar a clínica. “Esse contato com o paciente é muito bom.”

Estresse. Ana não sabe bem o que quer. Pensou em dermatologia. Queria uma vida tranquila, trabalhar das 8 às 17 horas, ganhar bem. “Sem esse estresse de ver gente morrendo”, explica, escaldada por plantões estafantes na UPA, onde ganha R$ 7,5 mil por mês. Desistiu após estagiar numa clínica de dermatologia estética. “Não quero ficar receitando gelzinho para acne. É uma vida muito fútil.”

Agora pensa em fazer dois anos de residência em clínica geral e outros dois anos em gastroenterologia.

Os últimos meses não têm sido fáceis. Nos três dias em que dá plantão de 12 horas na UPA, Ana atende em média 60 pessoas por dia, ou seja, um paciente a cada 12 minutos. Tem de tudo. De suspeitas de dengue a infartos, passando por conjuntivite e baleados. Mal consegue ir ao banheiro. “Não passo ali na frente (sala de espera dos pacientes) porque tenho medo de alguém querer me bater.” Ameaça real de agressão, só viveu uma. “Quiseram me bater porque estava demorando. Tinha muito paciente grave”, lembra. Chamou um segurança e voltou para casa chorando. Traumatizada, deixou os plantões noturnos. Em setembro, parte por quatro meses para um cruzeiro. Vai ser a médica do navio, ganhando 3,6 mil por mês. Na volta, vai decidir o que fazer.

02/05/2011 - 17:00h Osteopatia

Fisio.TV News – Osteopatia from Fisio.TV on Vimeo.

30/03/2011 - 17:00h Pesquisa quer ampliar usos da romã

Embrapa e UFRJ pretendem ressaltar qualidade antioxidante da fruta para estimular maior aproveitamento

Fernanda Yoneya – O Estado de S.Paulo

As propriedades antioxidantes da romã (Punica granatum L.) estão em estudo na Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio, em uma parceria com produtores da fruta do semiárido, Embrapa Semiárido e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A ideia da pesquisa é agregar valor à produção da romãzeira, buscando alternativas de mercado para os frutos que não têm padrão comercial para o consumo in natura.

A romãzeira é originária da Ásia e, no Brasil, é cultivada com fins ornamentais ou para a produção de frutos. Espécie de clima quente, adaptou-se muito bem às condições do semiárido, hoje o principal polo produtor. “A romã é conhecida, mas não é comercialmente explorada. Os frutos que não são aproveitados para consumo in natura são descartados, pois não há tecnologias de processamento no Brasil”, diz a engenheira de alimentos Regina Isabel Nogueira, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos. “No semiárido, os produtores relatam muitas perdas.”

Segundo Regina, as propriedades antioxidantes da romã a tornam um alimento funcional, com grande apelo no mercado consumidor. “Segundo um estudo da Universidade de Baroda, na Índia, o fruto tem três vezes mais capacidade antioxidante que o vinho e o chá verde”, cita Regina, acrescentando que a romã contém antocianinas, que, assim como a vitamina C, vitamina E e betacaroteno, captam facilmente os radicais livres. “Estes radicais, se produzidos ou absorvidos em excesso, aumentam os riscos de doenças como hipertensão, artrite e envelhecimento precoce”, explica.

A pesquisa espera obter, em uma prazo de pelo menos dois anos, produtos como extrato da casca da fruta (casca cristalizada) ou uma polpa de romã. Essa polpa seria um concentrado de antocianina e compostos bioativos da fruta – o método empregado na pesquisa é chamado de microencapsulação. “Também vamos caracterizar o óleo contido na semente, que possui propriedades anti-inflamatórias.” A extração do óleo da semente está sendo feita na UFRJ e a Embrapa Semiárido é responsável pelo parte agronômica da pesquisa.

FICHA TÉCNICA

A romãzeira adapta-se a vários climas, mas prefere inverno seco e verão quente

Solo: profundo, rico em matéria orgânica e bem drenado

Plantio: no Sudeste, no início da primavera. A área indicada é de 30 metros quadrados/planta. O início da produção ocorre de dois a três anos após o plantio

Colheita: no verão, a partir de novembro. Janeiro é o pico da safra. Recomenda-se colher os frutos quando ainda não estiverem totalmente maduros

Doenças e pragas: fungos nos frutos, pulgões ou cochonilhas

28/03/2011 - 08:23h Programa federal para gestantes terá R$ 9 bi até 2014

Agência Brasil – VALOR
de Brasília

O programa Rede Cegonha, que será lançado hoje pela presidente Dilma Rousseff, em Belo Horizonte, prevê investimentos de R$ 9,4 bilhões do orçamento do Ministério da Saúde até 2014. Os recursos, de acordo com o ministério, serão aplicados na construção de uma rede de cuidados para a mulher e para as crianças de até dois anos.

O programa é uma promessa de campanha da presidente e tem foco na gestão de saúde, mais que a criação de novas unidades. Os investimentos, de acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, vão atingir toda a rede que começa pela unidade básica de saúde, passa pelos exames do pré-natal, pelo transporte seguro, até o parto nos leitos maternos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para criar a rede, o governo informou que investirá recursos na criação de estruturas de assistência e acompanhamento das mulheres e reforço na rede hospitalar convencional. Outras estruturas previstas no programa são as Casas da Gestante e do Bebê e os Centros de Parto Normal, que funcionarão junto com a maternidade. O objetivo é “humanizar o nascimento”.

Uma das medidas do programa será a de oferecer nos postos de saúde testes rápidos de gravidez. Confirmado o resultado positivo, a gestantes deverá se submeter a, no mínimo, seis consultas durante o pré-natal, além de exames clínicos e laboratoriais. Entre os exames a serem exigidos pelo Ministério da Saúde estão o de HIV e sífilis. De acordo com o Ministério da Saúde, a Rede Cegonha também prevê a qualificação de profissionais de saúde para dar assistência adequada às gestantes e aos bebês.

A meta, de acordo com o Ministério da Saúde, é levar a Rede Cegonha para todo o Brasil, mas o governo quer iniciar o atendimento pelo Nordeste, Amazônia Legal e nove regiões metropolitanas onde há a maior concentração de gestantes. As primeiras cidades a receber programa serão: Manaus, Recife, Distrito Federal, Belo Horizonte, Rio, Campinas, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. O programa terá atuação integrada com as demais iniciativas para a saúde da mulher no SUS, com foco nas cerca de 61 milhões de brasileiras em idade fértil.

17/03/2011 - 09:27h Remédio grátis atrai 700 mil consumidores no primeiro mês

VALOR

A distribuição gratuita de remédios para diabetes e hipertensão levou 700 mil novos consumidores às 15 mil farmácias com o selo do programa do governo federal “Aqui tem Farmácia Popular” durante o primeiro mês de validade, entre 14 de fevereiro e 14 de março. De acordo com dados divulgados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, houve aumento de 61% na distribuição de remédios para hipertensos e de 51% nos medicamentos para diabéticos.

A comparação foi feita com o mesmo período do mês anterior, quando os medicamentos eram vendidos com desconto de 90%, valor subsidiado pelo governo. Do início da gratuidade do programa até agora, foram retirados 2,6 milhões de itens, contra 1,8 milhão no período anterior (de 14 de janeiro a 14 de fevereiro).

No balanço do período do programa “Saúde não tem preço” com a novidade da gratuidade, Padilha informou que também foi registrado aumento na procura por outros medicamentos subsidiados na rede de farmácias conveniadas, com destaque para anticoncepcionais e remédios para o combate de rinite e osteoporose. O programa foi a primeira iniciativa na área de saúde lançada pela presidente Dilma Rousseff, cumprindo uma promessa de campanha.

Segundo o ministro, em alguns Estados a procura aumentou de forma significativa, como em Roraima, que teve um crescimento de 1.000%. “Foi um sucesso rápido em todo o Brasil”, disse Padilha, ao participar do seminário “Perspectivas do Setor de Saúde no Brasil”, promovido pelo Valor.

No mesmo intervalo de comparação, o programa Farmácia Popular como um todo registrou crescimento de 45% na venda de todos os 25 itens disponíveis na rede conveniada, formado majoritariamente por farmácias privadas e grandes redes de drogarias.

Para viabilizar a gratuidade dos medicamentos para hipertensão e diabetes, o Ministério da Saúde fez um trabalho de articulação com produtores e distribuidores da indústria farmacêutica e também com o varejo, principalmente os parceiros do programa Aqui tem Farmácia Popular.

Segundo Padilha, o governo estuda ampliar a oferta de medicamentos gratuitos, mas não revelou mais detalhes. O ministro explicou que a princípio foram definidos os remédios para diabetes e hipertensão para tentar reduzir a mortalidade da população e a necessidade de internação hospitalar. No país, estima-se que existam 7 milhões de diabéticos e 22 milhões de hipertensos. (CA e LM)

16/03/2011 - 17:00h Pediatras dobram recomendação de consumo diário de vitamina D

Sociedade Brasileira de Pediatria segue orientação de especialistas dos Estados Unidos, o que gera críticas de médicos brasileiros; vitamina é importante para os ossos e tem o Sol como sua principal fonte, além de alimentos como peixes e leite integral

Fernanda Bassette – O Estado de S.Paulo

A Sociedade Brasileira de Pediatria vai dobrar a recomendação de consumo diário de vitamina D para crianças e adolescentes: o valor salta de 200 UIs (unidades internacionais) para 400 UIs por dia. A atualização será publicada em maio.

Fabio Motta/AE-29/8/2010
Fabio Motta/AE-29/8/2010
Bronzeado. Especialistas brasileiros recomendam a exposição adequada de crianças ao Sol para que a nova meta diária de vitamina D seja alcançada


No Brasil, o cálculo de consumo de vitamina D é feito em microgramas. Cada UI equivale a 40 mcg. Segundo Elaine Martins Bento, presidente da Associação Paulista de Nutrição, 100 gramas de salmão têm 11,83 mcg de vitamina D ou 473,2 UIs. Uma gema do ovo tem 2,08 mcg de vitamina D ou 83,2 UIs.

A alteração do manual da SBP seguirá em parte as novas orientações da Academia Americana de Pediatria, publicadas no início deste mês. Nos EUA, as novas diretrizes recomendam o consumo de 400 UI para crianças de até 18 meses e de 600 UI para as mais velhas, independentemente da exposição solar.

A recomendação para consumo de cálcio continua a mesma: de 1 a 3 anos, 700 mg de cálcio; de 4 a 8 anos 1 g de cálcio.

Ossificação. O consumo de vitamina D é importante porque, junto com o cálcio, ela atua no processo de ossificação. Quando está em falta, pode provocar raquitismo, alterações no crescimento e nos ossos, além de reduzir a imunidade. Em quantidades ideais, diminui o risco de osteoporose na fase adulta.

A principal fonte de vitamina D é a exposição diária à luz do Sol, por ao menos 15 minutos. É ele que estimula a síntese da vitamina no organismo. Alguns alimentos também são fontes, mas em quantidades insuficientes para alcançar as metas.

Segundo Virgínia Resende Silva Weffort, presidente do Departamento de Nutrologia da SBP, o Brasil não vai triplicar a recomendação diária (para 600 UIs) porque, teoricamente, a criança brasileira tem mais exposição à luz solar que as americanas.

“A gente entende que a criança com até 18 meses não se expõe ao Sol e, por isso, a ideia de profilaxia (suplementação de vitamina D com uso de medicamento) é necessária”, diz Virgínia.

Para crianças maiores, explica, a suplementação só será necessária caso a criança não consiga atingir a quantidade de vitamina D recomendada apenas com alimentação e luz solar.

A nutricionista Bárbara Santarosa Peters, doutora em saúde pública, diz que dificilmente uma criança vai atingir 400 UIs por dia de vitamina D apenas com comida – mesmo que a alimentação seja rica em leite integral e peixes, fontes da vitamina.

“As crianças não alcançam nem a recomendação antiga, de 200 UIs, apenas com alimentação. Agora vai ficar mais difícil ainda. Será necessário estimular a exposição adequada dessas crianças ao Sol”, diz.

Segundo Bárbara, muitas pessoas ainda acreditam que o Brasil não tem déficit de vitamina D por ser um país ensolarado, ao contrário dos Estados Unidos. Mas, em um trabalho feito com adolescentes do interior de São Paulo, ela constatou que 62% deles estavam com níveis baixos da vitamina – embora morassem em uma região ensolarada. “As discussões a respeito disso no Brasil ainda são muito recentes. Mas, sem suplementação com medicamentos ou fortificação dos alimentos, acho difícil alcançarmos a recomendação.”

Hélio Fernandes da Rocha, do Departamento de Nutrologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, diz que vai seguir as recomendações, mas as considera desnecessárias para o Brasil. “Estamos nos baseando em pesquisas americanas porque não temos trabalhos brasileiros para contrapor os dados.”

Para Rocha, os níveis de insolação no Brasil são suficientes para a criança atingir a quantidade necessária de vitamina D, sem precisar recorrer à medicação.

PARA LEMBRAR

No ano passado, tanto o Ministério da Saúde dos Estados Unidos quanto cientistas recomendaram o consumo de leite de vaca por adultos. Os motivos são a riqueza nutricional e a raridade de casos de intolerância e alergia ao produto. Segundo os especialistas, não se justifica retirá-lo da dieta sem ter certeza de que há algum problema de saúde que contraindique seu consumo.

Os pesquisadores reforçaram que não há evidências científicas de que o leite de vaca cause doenças respiratórias como a asma, por exemplo. Por outro lado, ainda é controverso que o leite seja benéfico para úlceras, por exemplo, como diz a sabedoria popular.

Não há motivo, portanto, para a maioria da população não seguir a recomendação que consta no Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que preconiza três porções de leite e derivados por dia – uma porção é um copo de leite, por exemplo. Segundo a pasta, o leite é a melhor fonte de cálcio, mineral essencial para a saúde dos ossos, mas o País registra redução de consumo.