16/08/2012 - 09:49h Novo terminal de Guarulhos terá hotel com 250 quartos e Terminal 2 ganhará lojas e free shop

Construção ficará antes da imigração e servirá os passageiros internacionais em conexão; outros 2 serão erguidos nas redondezas
16 de agosto de 2012 | 3h 06

NATALY COSTA – O Estado de S.Paulo

Para a Copa, o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, vai ganhar mais três hotéis – um deles dentro do futuro Terminal 3, que ficará pronto em maio de 2014. Com 250 quartos, vai ficar dentro da área restrita, antes da imigração, e servirá os passageiros internacionais em conexão que precisem pernoitar para pegar o voo seguinte.

Outros dois hotéis serão construídos no entorno do aeroporto – abertos para qualquer pessoa, não só passageiros – e todos serão operados por bandeiras internacionais, ainda não definidas. Ficarão mais perto dos terminais que os hotéis já existentes nos arredores do aeroporto: Caesar, Marriot e Matiz.

Dentro de Cumbica hoje existem apenas “mini-hotéis”: são duas unidades Fast Sleep, uma em cada terminal, com 54 cabines de 4 m² próprias para cochilos rápidos, além de seis suítes. A primeira hora nas cabines custa R$ 70. Os banheiros são compartilhados. O Fast Sleep atende uma média de 4,4 mil pessoas por mês.

Concessão. Os próximos 90 dias serão os últimos da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) na operação do aeroporto – e já sob supervisão da Concessionária Aeroporto Internacional de Guarulhos, novos donos de Cumbica.

A concessionária é formada pela Invepar, que controla o metrô do Rio, e pela ACSA, que opera aeroportos de Mumbai, na Índia, e de Johannesburgo, na África do Sul.

Passados os três meses, a concessionária passará a administrar o aeroporto sob supervisão da Infraero por mais 90 dias. Só então a estatal passa o bastão para a iniciativa privada pelos próximos 20 anos, conforme regras previstas no edital da concessão.

Fingers. Até a Copa, o Terminal estará pronto, com capacidade para 12 milhões de passageiros por ano – no aeroporto inteiro, a capacidade sobe para 40 milhões de pessoas anualmente. A concessionária espera receber 38 milhões no ano da Copa. Ou seja: pela primeira vez em anos, Guarulhos poderá operar com uma folga de 2 milhões de passageiros.

Aos poucos, o Terminal 3 – que funcionará só para viagens internacionais – será ampliado. Na primeira fase (2014), ganhará mais 32 posições de aeronave – 22 fingers e 10 remotas.

Em 20 anos, Cumbica terá no total 111 “vagas” de aviões, mais do que o dobro do número atual (51). A falta de fingers e posições remotas é apontada por especialistas como o maior gargalo do aeroporto, grande responsável pelos atrasos de voos.

Tecnologia. “O Terminal 3 será o estado da arte em termos de tecnologia”, disse o presidente do consórcio, Antônio Miguel Marques. Saem de cena os funcionários na entrada do embarque, conferindo com uma maquininha os cartões de embarque de cada um. O serviço será feito por máquinas ou catracas, como no metrô de São Paulo – se o passageiro estiver no embarque errado, por exemplo, o código de barras não passará.

A depender de negociação com as companhias aéreas, o passageiro também vai poder, além de fazer check-in no totem, imprimir na mesma máquina suas etiquetas de bagagem e despachá-las sozinho, colocando-as em uma esteira. Isso já existe no Aeroporto de Sydney e em terminais europeus e é um meio de eliminar filas.

Segundo uma classificação de nível de conforto da International Air Transport Association (Iata), Guarulhos hoje é nível C (regular). “Na Copa, seremos nível A”, garante Marques.


Até 2013, Terminal 2 ganhará lojas e free shop

16 de agosto de 2012

O Estado de S.Paulo

Até o ano que vem, enquanto o Terminal 3 não fica pronto, a Concessionária Aeroporto Internacional de Guarulhos pretende ampliar o Terminal 2. Uma área de 2,8 mil m², hoje usada como espaço de abastecimento de lanchonetes, dará lugar a lojas e free shop.

O subutilizado mezanino de Cumbica – o andar em cima do embarque nos Terminais 1 e 2 – vai virar um lounge com sofás, mesinhas e quiosques de café e comida. Hoje, tem apenas uma farmácia e alguns caixas eletrônicos de banco espalhados em cada terminal.

Todas as lojas de Guarulhos vão mudar – os contratos das empresas com a Infraero não serão renovados pela concessionária e, em alguns casos, serão rescindidos. A ideia é colocar um mix de opções de restaurantes, bares, cafés e lojas de roupa, como em um shopping.

Na nova configuração do aeroporto, o Terminal 2 fica com uma operação mista de voos internacionais e domésticos, enquanto o 1 será usado somente para voos nacionais. A “parte velha” do aeroporto – os Terminais 1 e 2 – será repaginada, com nova iluminação e placas que deem ao aeroporto a “cara” do novo concessionário. Banheiros, elevadores e escadas rolantes também ganharão prioridade e serão reformados nos próximos três meses.

Neblina. O Sistema de Pouso por Instrumentos (ILS, na sigla em inglês) categoria III, que auxilia pousos sob forte neblina, também será instalado no aeroporto até dezembro. / N.C.


Ideia é reforçar o nome ‘Guarulhos’

16 de agosto de 2012

O Estado de S.Paulo

Os novos administradores do Aeroporto Internacional de São Paulo pretendem dar mais destaque no futuro à denominação “Guarulhos”, no lugar de Cumbica. Para eles, não faz sentido que o aeroporto seja mais conhecido pelo bairro onde fica do que pela cidade – Cumbica, do tupi, significa “nuvem baixa”. “Internacional de São Paulo, em Guarulhos, é como o aeroporto é conhecido no mundo”, dizem os novos administradores. Oficialmente, o nome do aeroporto é Governador André Franco Montoro. /N.C.

03/07/2012 - 18:00h Roteiro de cinema

03 de julho de 2012

BRUNA TIUSSU – O Estado de S.Paulo

“Gostaria de fazer um filme aqui? Vamos pagar por isso.” O convite-patrocínio, sem papas na língua, foi suficiente para que, lá em 2005, Woody Allen transformasse a família originalmente nova-iorquina de sua história em uma típica inglesa, e assim rumasse a Londres para gravar Match Point, seu primeiro longa rodado na Europa. Os rechonchudos incentivos em libras levaram os belos cenários londrinos às telonas em outras três de suas produções. E a mágica receita se espalhou pelo continente. Com a mesma artimanha de ganhá-lo pelo bolso, também entraram no foco das câmeras do cineasta as belezas de Barcelona, Paris e, agora, Roma, onde se passa sua última comédia lançada sexta-feira nos cinemas brasileiros.

Para Roma com Amor começa com uma sequência de cartões-postais clichês, como Allen já mostrou que gosta de fazer: a Piazza del Popolo, o trânsito caótico característico da cidade, a Piazza di Spagna e a Fontana di Trevi. Composto por quatro histórias e um elenco com estrelas como Roberto Benigni, Penélope Cruz, Alec Baldwin e o próprio Woody Allen, segue explorando mais da sempre ensolarada Roma turística, presente em todo e qualquer guia de viagem.

A trama, porém, também abre espaço para a atmosfera descolada de bairros pouco conhecidos da capital, como San Angelo e Garbatella, que ganham cenas em suas ruelas pitorescas e cafés (leia na página ao lado). O suficiente para despertar a curiosidade do espectador e futuro viajante.

A comédia vem para afirmar mais uma vez que a incursão pelo Velho Mundo é uma maratona de inegável sucesso para ambos os lados. Em sete anos de viagens pela Europa, Allen abocanhou US$ 17 milhões em incentivos fiscais e produziu sete longas – voltou à sua Nova York apenas para filmar a comédia Tudo Pode Dar Certo, lançada em 2010, digamos que um período sabático em meio à temporada europeia. É um dos poucos capazes de manter tal ritmo de produção, com liberdade total para conceber suas ideias.

Em contrapartida, a capital italiana e os outros destinos que lhe serviram de set ganharam mais que o importuno movimento causado pelas gravações – durante as filmagens de Vicky Cristina Barcelona, não era raro ver a população enfurecida com as regalias concedidas ao diretor. Com ruas, monumentos, paisagens e sotaques exibidos nas telonas do mundo todo, saíram no lucro com uma incalculável visibilidade turística. Roteiros inteiros enquadrados e selados com a assinatura do gênio nova-iorquino. Que viajante não quer testá-los in loco?

Seguindo passos. Basta conferir na internet o número de referências de buscas pela ‘escadaria de Meia-noite em Paris’. Depois que Gil (Owen Wilson), protagonista da trama de Allen, pegou carona com Scott e Zelda Fitzgerald diante dos degraus da Igreja de Saint Etienne, no 5.º arrondissement, o lugar se tornou parada obrigatória de quem está de passagem pela Cidade Luz – sobretudo à meia-noite, quando os mais crentes vão tentar a sorte de encontrar o tal carro que os levará para a Paris dos anos 1920.

Um crescente interesse por Oviedo e Avilés, cidades das Astúrias, na Espanha, também pode ser percebido depois que Vicky Cristina Barcelona alcançou os cinemas. Viajantes não resistiram às panorâmicas exibidas pelo longa e trataram de incluir os vilarejos em seus roteiros pelo país.

Com Roma, não será diferente. O empurrãozinho de Allen, a favor de seus clichês ou de novas regiões da cidade, virá a calhar em época de crise europeia. E a corrida para próximo candidato à destino cenográfico do diretor já começou. Este ano, ele gravará em São Francisco e Nova York – e, ao que parece, Berlim, Rio de Janeiro e Buenos Aires estão no páreo para ser a sede do roteiro seguinte. Falta saber quem vai abrir a carteira e ganhar o coração do disputado cineasta.

‘Match Point’, o princípio de tudo

Match Point não só iniciou a experiência europeia de Woody Allen como usou bem a vertente aristocrática e sofisticada da cidade como personagem de um jogo de poder e sedução. A história da relação explosiva entre a aspirante a atriz Nola Rice (Scarlett Johansson) e o professor de tênis Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers) começa quando ele passa a dar aulas do esporte ao namorado dela, Tom Hewett (Matthew Goode).

O diretor não fugiu de seu estilo ao filmar em lugares que podem ser visitados na vida real. O elegante Queens Club (queensclub.co.uk) é o ponto de partida para que Chris conheça a irmã de Tom, Chloe (Emily Mortimer), com quem se casa de olho na fortuna da família. As quadras são só para sócios, mas você pode assistir a um dos torneios.

A relação de Chris e Nola se estreita durante uma ópera na Royal Opera House (www.roh.org.uk). Se você não pertence à aristocracia como os personagens, pode tentar comprar tíquetes quatro horas antes do espetáculo pela metade do preço.

Outra passagem curiosa é o jantar do quarteto amoroso na Brasserie Max, restaurante localizado no hobby do luxuoso Covent Garden Hotel (firmdalehotels.com). E repare bem na cena em que Chris joga provas que o incriminam no Rio Tâmisa, no final da Hopton Street, debaixo da Blackfriars Bridge: você verá um grafite do famoso Banksy. / F.M.

Elegantes cafés na capital do chá

ANA , GASSTON – O Estado de S.Paulo

No século 17, antes do chá virar mania nacional na Inglaterra, o café era a bebida mais popular. Nas coffee houses espalhadas pelo centro de Londres, comerciantes e banqueiros se reuniam para tratar de negócios. A primeira da cidade, Pasqua Rosee’s, surgiu em 1652, mas foi destruída no Grande Incêndio e substituída pela Jamaica Coffee House que, hoje, é um bar chamado Jamaica Wine House, em Cornhill, na London City.

Atualmente, café está de novo na moda, para a felicidade dos brasileiros que não passam um dia sem. Nos últimos anos, fantásticas lojas independentes surgiram vendendo o próprio café fabricado com grãos importados de vários países, inclusive do Brasil.

Uma de minhas lojas favoritas é a Monmouth Coffee (monmouthcoffee.co.uk), com três endereços: Covent Garden, Bermondsey e London Bridge. A última, ao lado do Borough Market, é a mais concorrida: quando o mercado está aberto, a fila dobra a esquina. Para comprar um pacote de café, basta pedir instruções para os atendentes no balcão. Ainda no mercado, encontra-se o carrinho do Flat Cap, cujo dono brasileiro fez tanto sucesso que abriu duas lojas, uma delas a elegante Notes Music & Coffee (notesmusiccoffee.com), perto da Trafalgar Square.

Já no Broadway Market, o café do vietnamita Ca Phe VN (caphevn.co.uk) é um dos mais populares. Além de café com leite condensado, quente ou gelado, em sua loja, em Clerkenwell Road, há o caríssimo Weasel coffee, feito com grãos digeridos por doninhas.

Na mesma rua, o moderno Workshop Coffee (workshopcoffee.com) tem um bar no centro e, no fundo, uma máquina onde o café é torrado. Além de café, servem outras bebidas e pratos durante o dia e a noite.

Na movimentada Berwick Street, em Soho, está o Flat White (flatwhitecafe.com), cujo nome foi derivado da bebida trazida para o país pelos donos australianos e que agora faz parte do menu de vários cafés da cidade. Trata-se de um latte mais cremoso com uma dose extra de café.

Perto dali, o pub The Old Coffee Shop, pequeno e escuro, já vendeu muito café e, hoje, serve cervejas independentes fabricadas em Londres, a bebida que nunca saiu da moda.

*É jornalista, paulistana e vive em Londres há 10 anos


Vicky Cristina Barcelona

Woody Allen tomou o cuidado de incluir o nome dos três personagens principais no título: Vicky Cristina Barcelona. Assim como no aclamado Meia-noite em Paris, no filme de 2008 – que rendeu um Oscar de melhor atriz coadjuvante a Penelope Cruz pelo papel da intempestiva Maria Elena – a cidade representa mais que uma mera locação.

É como se o espectador acompanhasse Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlet Johansson) em sua viagem de férias pela capital catalã. Ele desembarca com elas na primeira cena, no aeroporto, e as acompanha pelo city tour que é a película.

Primeira parada, Sagrada Família (sagradafamilia.cat), onde os guindastes fazem tão parte do cenário quanto as torres da catedral projetada por Gaudí (1852-1926)- em construção há mais de 130 anos. Gaudí, aliás, é a razão pela qual Vicky, que está de casamento marcado, escolhe Barcelona. Apaixonada pelo trabalho do artista, ela quer reunir material para seu mestrado em identidade catalã. Sem compromisso amoroso ou emprego fixo, Cristina acompanha a amiga.

O city tour segue por La Pedrera (lapedrera.com), outra maravilha de Gaudí erguida de 1906 a 1912. Depois, vão à galeria de arte onde veem pela primeira vez o sedutor pintor Juan Antonio (Javier Bardem). O local em questão é a Fundação Antoni Tàpies (fundaciotapies.org), cujo objetivo é promover a conexão das artes.

A essa altura, a fome já deve bater – que tal jantar no 4Gats (4gats.com), como fazia Picasso? Vicky e Cristina foram para lá e encontraram outro pintor: Juan Antonio, claro. Que propõe uma viagem a Oviedo, a cerca de 900 quilômetros dali. Mas que em um jatinho particular vira uma escapada de fim de semana.

Apesar de deixar claro suas intenções (comer, beber e fazer sexo), Juan Antonio diz querer ir a Oviedo para ver uma escultura que gosta muito – a imagem de Cristo crucificado da igreja San Julián de los Prados, patrimônio da Unesco erguido entre os anos 812 e 842. De lá, saem para comer doces na Camilo de Blas (camilodeblas.com), em funcionamento desde 1914.

De volta a Barcelona, Vicky se concentra em seu mestrado para esquecer a tórrida noite com Juan Antonio. Cristina, que havia ficado doente em Oviedo, sai para fotografar o Bairro Gótico. Afinal, não faltam pontos atraentes por ali.

Quando ela e o pintor engatam um romance, Vicky encontra Juan Antonio no Parque Guell (parkguell.es), outra obra de Gaudí. E é aí que ocorre o improvável: os dois conversam demoradamente em frente à icônica salamandra. Normalmente, a fila para tirar foto ali desafia a paciência.

Depois que o noivo de Vicky chega a Barcelona, eles combinam um passeio com Cristina e Juan Antonio no Parque de Tibidabo (www.tibidabo.cat), de onde se vê toda a capital catalã. O verão favorece as cenas externas – e Woody Allen não economiza nas panorâmicas. Como quando Judy e Vicky conversam na saída do Museu Nacional d’Art da Catalunha (mnac.cat). No verão, das 21 às 23 horas, a fonte abaixo do museu ganha música e iluminação especial.

O filme está quase acabando. Ainda há tempo para ver as Ramblas, cafés com mesa na calçada… A atmosfera de Barcelona está toda ali. E, quando sobem os créditos, é como se você também desse adeus à cidade. /ADRIANA MOREIRA


Meia-noite em Paris

O Rio Sena e seus indefectíveis bateaux mouches. Champs-Elysées e Arco do Triunfo. Moulin Rouge, Notre Dame, cafés e bistrôs, e, claro, a Torre Eiffel. Meia-noite em Paris (2011) começa com um passeio pelos cartões-postais da cidade, com chuva e sol, de noite e de dia, sem apresentar nenhum personagem. Ou melhor, apresentando, sim, seu principal personagem: Paris.

A capital francesa, afinal, é o objeto de desejo de Gil (Owen Wilson), escritor americano que sonha em conhecer a Paris nos anos 20. Para ele, andar pela metrópole é inspirador – especialmente na chuva, quando, afirma, a cidade fica ainda mais linda. “Eu me vejo caminhando pela margem esquerda do Sena com uma baguete debaixo do braço, indo para o Café de Flore (cafedeflore.fr) para escrever meu livro”, diz.

E é numa dessas caminhadas que, sem querer, vai parar em frente aos degraus da Igreja de Saint Etienne. Quando os sinos tocam meia-noite, um carro antigo o leva até a Paris dos anos 20, onde conhece Ernest Hemingway, Scott e Zelda Fitzgerald, Picasso e outros gênios da efervescente cultura da época.

A trama se desenrola enquanto são apresentados pontos turísticos. Gil e a noiva, Inez (Rachel McAdams) são convidados por um amigo (o pedante Paul, interpretado por Michael Sheen) a conhecer Versalhes. Paul discorre sobre a história do palácio, encantando Inez e entediando Gil. Em outra ocasião, o grupo se reúne em frente à estátua O Pensador, no Musée Rodin (musee-rodin.fr). Alguns pontos são facilmente reconhecíveis, mesmo por quem nunca pisou em Paris. Outros não são nada óbvios, como o restaurante Relais&Châteaux Le Grand Véfour (legrand-vefour.com), onde Gil e Inez jantam com os pais dela – e encontram Paul.

Quando o grupo vai a uma degustação de vinhos, está no alto do refinado Hotel Le Meurice (lemeurice.com), em frente aos Jardins das Tulherias – um dos lugares favoritos de Woody Allen na cidade, segundo ele contou ao Estado no lançamento do filme. O diretor, assim como Gil, adora caminhar pelas ruas da capital francesa. “A Champs-Elysées é ótima, mas está sempre cheia de turistas. Gosto dos parques.”

Gil e Inez estão hospedados no Le Bristol (lebristolparis.com), um cinco-estrelas aclamado. Allen, contudo, tem como hotel favorito em suas visitas à cidade o Ritz (hoje, fechado para restauração até 2014). E é bem ali, pela Place Vendôme, que Inez e sua mãe caminham, admirando na vitrine um anel de diamantes. A região, afinal, concentra as lojas mais sofisticadas, como Tiffany’s e Dior.

Gil, contudo, prefere o mercado de pulgas de Saint-Ouen, onde compra um disco de Cole Porter (1891-1964) e, mais tarde, brincos para Adriana, uma das musas de Picasso por quem o escritor americano se encanta.

Mesmo pontos retratados no passado durante o filme podem ser visitados no presente. Como o Polidor (polidor.com), onde Gil encontra Hemingway (Corey Stoll) pela primeira vez . De fato, o restaurante, aberto em 1845, era frequentado pelo escritor, assim como por Victor Hugo e outras personalidades. No filme, Gil tenta retornar ao local, que deu lugar a uma lavanderia. Mas não se preocupe: é só licença poética. O Polidor segue no mesmo lugar.

Quando Gil e Adriana voltam a 1890, jantam no Maxim’s (maxims-de-paris.com). Depois, assistem a um espetáculo de cancã no Moulin Rouge (moulinrouge.fr). Tudo funcionando até hoje.

O filme, enfim, é um passeio interminável por Paris. E você nem precisa voltar no tempo para conhecer os lugares onde Gil esteve. Pena mesmo é não poder encontrar os gênios do passado… /ADRIANA MOREIRA


Para Roma com amor

Ao som dos versos de Volare, de Domenico Modugno, cobrindo cenas da Piazza del Popolo, Woody Allen dá início ao filme Para Roma com Amor, sua homenagem à cidade e à tradição cinematográfica da Itália. Para retratar o modo de vida romano, se utilizou de quatro histórias desconexas. “É um lugar muito vasto para caber em um único enredo. Uma cidade artística, que acontece a céu aberto”, explicou no lançamento do filme.

Marcando o retorno do diretor à frente das câmeras – sua última atuação foi em Scoop, há seis anos – Woody vive Jerry, um aposentado produtor musical americano que foi a Roma conhecer seu genro. Turistando pela cidade, sua filha Hayley (Alison Pill) cai de amores pelo mais provável galã italiano, que lhe acompanha em ícones clássicos como Piazza di Spagna e Fontana di Trevi, deslumbrante em cena, sem o aglomerado que a cerca diariamente. Coisa de cinema.

Recém-chegada do interior, a italianinha Milly (Alessandra Mastronardi) é peça-chave da segunda trama. Ela se perde pela capital e acaba percorrendo, em uma ensolarada e sempre alegre Roma, outros pontos que compõem os tradicionais passeios turísticos (turismoroma.it). Caminha pela praça Campo dei Fiori, famosa pelo mercado gastronômico, com barracas de ingredientes típicos (funciona todos os dias, exceto aos domingos). Passa pelo Largo di Argentina, onde estão as ruínas do Teatro Pompeu. E ainda se depara com a pequena Piazza Mattei, decorada com uma fonte construída em 1584.

Áreas menos conhecidas entram em cena com o personagem mais colorido do filme, o italiano Leopoldo (Roberto Benigni), protagonista da terceira história. Tendo de lidar com uma fama repentina, foge dos paparazzi e apresenta ao espectador ruelas, casas baixas e a atmosfera popular de Garbatella e Rione Monte. Bairros que, na vida real, exalam história e convidam a circular sem roteiro, reparando em suas fachadas medievais. O primeiro vale ser visitado ao entardecer para conferir o jogo de luzes e sombras no arco do Palazzo Borgia, coberto por trepadeiras.

Os americanos Monica (Ellen Page) e Jack (Jesse Eisenberg) compõem o quarto núcleo ao lado de John (Alec Baldwin). Do jovem casal, vale ressaltar uma cena de dar inveja aos convictos viajantes: eles exploram as nostálgicas ruínas del Palatino, sob chuva e à noite, quando o local já está fechado para visitas.

Já o arquiteto John está apenas visitando a cidade e relembrando a época em que viveu no simpático bairro de Trastevere. Apesar de Woody Allen ter deixado de fora importantes monumentos dali – como a Basílica Santa Maria, com seus impressionantes mosaicos dourados, e a Colina de Gianicolo, que oferece uma panorâmica espetacular da cidade -, as estreitas ruas de paralelepípedos, com casas medievais caracterizadas pelo amarelo descascado das paredes são fundamentais para compor o retrato de Roma.

De antigo reduto de trabalhadores e artesãos, onde o turismo não tinha vez, se converteu na atual região da moda, destino de quem busca diversão à noite, em descolados bares e casas noturnas que circundam a praça.

Com este mosaico de personagens que vivem cenas de romance, aventura e humor em cenários ora familiar, ora surpreendente, Woody Allen mostra toda sua maestria. E entrega uma tentativa bem-sucedida de representar no cinema as variadas situações que compõem, cotidianamente, a sempre atraente Cidade Eterna. / BRUNA TIUSSU

Entre uma cena e outra, a hora de ‘mangiare’

Woody Allen fez sua parte escolhendo cenários que fogem do centro tradicional para compor o seu Para Roma com Amor. Cabe a nós ajudá-lo, portanto, com sugestões gastronômicas localizadas em tais bairros, essenciais para que seu roteiro de férias fique redondinho.

Endereços saborosos ocupam as ruelas históricas de Trastevere. Aberto em 1860, o Piperno (ristorantepiperno.com) oferece massas tipicamente italianas – invista nelas. Mas somente depois de provar as flores de abobrinha fritas, um dos destaques da casa. Se estiver por lá durante o verão, abuse da sorte e tente uma mesa no terraço.

Se quiser algo mais informal, tente o Caffe del Cinque, (Vicolo del Cinque 5), bar no cruzamento de cinco ruas. Vale em qualquer hora do dia: café da manhã, aperitivos à tarde e até um drinque à noite.

Para matar a sede em Garbatella, circule perto do histórico Teatro Palladium (romaeuropa.net/palladium), onde encontrará o Foschi, bar que é principal ponto de encontro na região. Se o caso for matar a fome, o italianíssimo Ristoro degli Angeli (ristorodegliangeli.it) está a poucos passos.

Ao visitar Rione Monte, vá com disposição para provar vinhos. Ali fica a concorrida adega Ai Tre Scalini (aitrescalini.org/bottiglieria), aberta desde 1895. Se não conseguir mesa, siga para o Charity Café (charitycafe.it) e prove um aperitivo ao som de uma banda de jazz. /B.T.

02/03/2012 - 19:44h Cores do mundo nas ruas de Belleville, o bairro de Édith Piaf


A região de Paris onde nasceu a cantora hoje tem restaurantes multiculturais e badalação

 Rue de Belleville: depois de grandes fluxos migratórios no século XX, região do 20º arrondissement hoje tem na diversidade cultural a sua maior riqueza Foto: Cristina Massari / O Globo
Rue de Belleville: depois de grandes fluxos migratórios no século XX, região do 20º arrondissement hoje tem na diversidade cultural a sua maior riqueza


Cristina Massari / O Globo

PARIS – Se o mundo está em Paris, pode-se dizer que a sua diversidade circula pelas ruas de Belleville. O bairro no 20º arrondissement, afastado do Centro, viu nascer a cantora Édith Piaf e tem no Aux Folies um ícone da época em que ela se apresentava por lá. Hoje um museu guarda sua memória. Excluído do grande redesenho de Paris promovido pelo Barão de Haussmann, que enfeitou a capital francesa com seus bulevares no século XIX, Belleville se desenvolveu como um bairro pobre frequentado por operários e imigrantes que buscavam aluguéis baratos.

Por sua rica história, Belleville inspira estudos sociológicos. O bairro absorveu grandes correntes migratórias a partir dos anos 1950. Sua comunidade chinesa é uma das maiores de Paris — a outra fica nos arredores da Place d’Italie, no 13 arrondissement. Por muitas décadas Belleville sofreu com a violência. Mas agora é candidato a substituir o Marais em charme. Já começa atrair a atenção de artistas plásticos, designers e artesãos, que encontram nas ruas dos 19º e 20º arrondissements, separados pela Rue de Belleville, um custo de vida mais acessível e alternativo ao de locais como o Marais, hoje com preços inflacionados pela presença de turistas e lojas de grife.

A Rue de Belleville é o epicentro deste novo ponto borbulhante, onde a mais importante atração turística é o cemitério Père-Lachaise que, apesar de guardar túmulos famosos como os de Chopin, Oscar Wilde, Marcel Proust, Honoré de Balzac, Jim Morrison e o da própria Piaf, está longe de ser uma unanimidade turística ou cartão-postal inevitável. Mesmo estando a algumas estações de metrô, a Rue de Belleville vale a esticada.

Paris aqui se apresenta um pouco diferente porque não circulam milhares de turistas de todas as partes do mundo, mas, sim, gente que mora na vizinhança, das mais diversas origens. E quem vai dizer que ali não bate um coração autenticamente parisiense?

A língua francesa se mistura aos dialetos. As placas em francês de bistrôs, bares de vinhos e boulangeries se intercalam a letreiros de dim sum, balcões de sushi, boucheries muçulmanas, restaurantes tunisianos, argelinos, marroquinos, etíopes. Prateleiras de livros se revezam com vitrines de tecidos que envolvem rostos e corpos africanos, indianos, árabes.

Impassível às transformações do tempo, está o Aux Folies, cujas mesas na calçada estão sempre ocupadas, de carona na fama de Édith Piaf — frequentadora do local, ela costumava a se apresentar na porta ao lado, onde funcionava o cabaré Folies-Belleville, e hoje é um supermercado. E a Rue Dénoyez, vizinha ao café, é uma galeria de arte urbana a céu aberto. Uma atração à parte. Nem vasos de plantas ou ferros de calçadas escapam dos grafismos. Vale um passeio sem pressa para observar os desenhos e as decorações individuais das fachadas de lojas e cafés que alinham, além dos traços grafitados, objetos e pequenos brinquedos, que dão colorido e dramaticidade aos muros e às fachadas. A rua estreita é uma das poucas na cidade onde o grafite é permitido.

Mas, se o 20º arrondissement parece pouco com a imagem glamourosa de Paris que se cultua — sempre abarrotada de turistas — basta subir um pouquinho a Rue de Belleville e olhar para trás, que a Torre Eiffel, lá em baixo, vai trazê-lo de volta a Paris. Para uma vista melhor ainda, típica paisagem de cartão-postal, vale dar um pulo até um dos mirantes do Parc de Belleville. A Torre Eiffel desponta num plano mais baixo, entre telhados e murais marcados por grafites que aliás, deixaram as paredes e os muros da Rue Dénoyez, na esquina do Aux Folies, e já dominam as vans de serviço que circulam como painéis ambulantes grafitados enquanto abastecem boucheries e lojas diversas pelas ruas da cidade.

Quem estiver disposto a explorar o 20º arrondissement em mais do que um passeio de um dia encontra variada oferta de hospedagem. E você pode escolher um hotel ali por dois critérios: badalação ou preço. A distância das áreas mais valorizadas faz com que os hotéis da região ofereçam diárias mais em conta. O Armstrong é um deles. Honesto, simples e com serviço atencioso, carece de atrativos ao redor, mas permite boa economia. E, vale lembrar, em Paris, há sempre uma estação de metrô por perto.

Já o Mama Shelter é mais badalado. Hotel de design, localizado bem pertinho do Pére-Lachaise, contribui para a onda de modernidade que encharca a região. Tem quartos assinados por Philippe Starck, e é o segundo na lista de “hotéis tendência” do Trip Adivisor de 2012, depois do Hotel Sublim Eiffel, lá na outra ponta da cidade. Oferece filmes gratuitos no apartamento num sistema de entretenimento que inclui aparelhos de CD, DVD e computador com acesso à internet. O hotel também põe à disposição dos hóspedes bicicletas, scooters e carros compactos que podem ser alugados.

Cozinha multicultural e vinhos naturais nas mesas do bairro

As influências multiculturais são visíveis também na oferta gastronômica de Belleville. A diversidade ganha lugar nos cardápios e nos ambientes dos restaurantes. O molho de soja rega o peixe que vem acompanhado de arroz branco num bistrô, enquanto no bar de vinhos a trilha escolhida para embalar a noite inclui, entre clássicos da época da Tropicália, “Aquele abraço”. Além da variedade de restaurantes étnicos, há ao menos dois bons bistrôs — que têm mais do que a proximidade em comum — e que estão dando o que falar na região, Le Baratin e Chapeau Melon.

O Le Baratin fica numa ruazinha transversal à Rue de Belleville. De ambiente informal, o local está sempre cheio. Mas o clima é amigável mesmo para quem chega sem avisar. Dá até para arriscar um lugarzinho no balcão numa parada para o almoço. Com uma clientela que parece ser fiel e admiradores que vão dos leitores do TripAdivisor e do site/guia Gourmet.com ao chef Iñaki Aizpitarte (considerado o melhor da França e nono do mundo segundo o ranking da revista “Restaurant”), o Le Baratin tem cardápio que muda todos os dias “de acordo com o que se encontra no mercado”, diz Raquel Carena, argentina, dona do restaurante e que comanda pessoalmente fogão e panelas na cozinha aberta à vista dos fregueses. A dedicação de Raquel também encantou a chef Roberta Sudbrack:

— O Baratin é um dos restaurantes mais autênticos de Paris. A cozinha da Raquel é franca, direta e verdadeira. Um exemplo fantástico do que um dia foi a cozinha parisiense. O local é o que é, não mudou nada desde que era apenas conhecido pelos operários que ainda o frequentam na hora do almoço.

Para a chef brasileira, a localização é um ingrediente que enriquece a experiência:

— Para desfrutar dessa cozinha brilhante e de vinhos biodinâmicos extremamente bem escolhidos, é preciso perder o preconceito e desbravar Belleville, um bairro muito interessante, mas desconhecido do turista.

As ofertas de entrada no dia em que fui ao Le Baratin estavam entre minestrone, língua ao vinagrete e sopa de peixe — ótima pedida para um dia mais frio. O prato principal poderia ser pallet de porco (pelo jeito, um “hit”, pois estava esgotado), e peixe com arroz branco e temperos. A posta de peixe veio com sabores delicados e arroz branco fresquíssimo.

Enquanto Raquel se encarrega dos pedidos na cozinha, o marido francês, Philippe Piñoton, cuida da seleção de vinhos do lugar. Entre os Borgonha, têm muita saída os aligotés — vinhos mais rústicos, tradicionais da região de onde saem alguns dos vinhos mais festejados e valiosos do mundo, os Grand Crus, como o Romanée-Conti. É como se o aligoté fosse o vinho de todo dia na refeição rotineira.

No almoço, o cardápio com entrada, prato principal e sobremesa (ou queijo) custou 18 euros. Somando o vinho no copo e o café indispensável para encarar o tempo chuvoso que fazia lá fora, a refeição saiu por 30 euros. O jantar é servido ao preço médio de 25 euros. O menu também muda todo dia conforme a oferta do mercado e a estação.

Embora nos fins de semana a vizinhança fique bem movimentada, o Baratin não abre aos domingos nem às segunda-feiras, avisa a mãe de Raquel, Norma Victoria Aricó, uma simpática senhora que costuma passar as férias na casa da filha, adora o Brasil e se dispõe a ter uma agradável conversa com quem senta ao seu lado no balcão:

— Os restaurantes chineses não fecham nunca e os visitantes devem ficar alertas nas ruas, pois o movimento é grande.

Para quem estica a visita até mais tarde, a dica é jantar no Chapeau Melon. Mesmo se você não estiver por ali, o restaurante vale o passeio até essas bandas da cidade. Trata-se de um bar au vin com cozinha caprichada, comandado por Olivier Camus, que foi sócio de Raquel no Le Baratin até 2001. Olivier é um entusiasta dos vinhos naturais e um dos precursores do movimento que valoriza o cultivo natural e orgânico da bebida em Paris. Ele é responsável pela criteriosa seleção de rótulos nas prateleiras de seu restaurante, onde predominam os vinhos naturais. O local abriu como bar de vinhos em 2003 e a comida entrou para o cardápio da casa em 2005, quando Olivier passou a cuidar também da cozinha.

O mais comum entre os produtores que seguem a linha natural é optar pela ausência de pesticidas nos vinhedos e de sulfito no preparo, mas os mais radicais dispensam até o uso de tratores, e preparam a terra usando tração animal — evitando assim a queima de combustível fóssil. Nas prateleiras do Chapeau Melon, numa rápida olhada, há variedades de rótulos da Suíça (Savoie e Jura), Bordeaux, Borgonha (de aligoté a Premier Cru), entre outros.

O cardápio é caprichado e ganha influência de uma funcionária catalã que comanda o fogão enquanto Olivier cruza as mesas e leva sua taça de vinho até a calçada para que a bebida, livre do ar confinado do pequeno salão do bistrô e da cozinha, possa respirar. A casa serve vinho em copo, o que nos permite mudar do branco para o tinto sem arrependimentos. O tinto veio forte e substancioso para aquecer o corpo, enquanto o frio gelava a ruas lá fora.

O quadro com as opções do dia fica no chão do salão para que os clientes escolham enquanto Olivier detalha as receitas, preparadas conforme a oferta do mercado. De entrada, anchovas frescas à espanhola servidas sem espinhas, com pimentões vermelhos, sob um fio de azeite e limão, após terem sido marinadas por dias no vinagrete.

Para prosseguir, escolhi o foie gras e o lombo de cordeiro. O delicado foie gras poellé (grelhado) com creme de alcachofras valeu a noite. O pão artesanal foi perfeito para — literalmente — raspar o prato sem timidez. O jantar incluiu ainda lombo de cordeiro assado, acompanhado por um delicioso e suculento cogumelo selvagem, como só os franceses sabem preparar, e por um râgout d’heliantis (uma espécie de tubérculo com sabor que se situa entre a mandioca e o inhame). O menu do jantar é servido a 32,50 euros (com vinho, a conta ficou em torno de 40 euros).

Serviço

Restaurantes

Aux Folies: Rue de Belleville 8. Tel. 4636-6598.

Chapeau Melon: Para jantar, de quarta-feira a domingo. A loja de vinhos abre de terça-feira a sábado, das 11h às 13h e das 16h as 20h. Fechado na segunda-feira. Rue Rébeval 92. 19º arrondissement. Reservas: 4202-6860. Metrô: Belleville, Pyrénées.

Le Baratin: Almoço servido até as 14h, fechando às 16h para reabrir à noite. O jantar é servido em dois turnos, às 19h30m e às 21h30m. Fechado aos domingos e às segundas-feiras. Rue Jouye Rouve 3. 20º arrondissement. Tel. 4349-3970. Metrô: Belleville, Pyrénées.

Passeios

Museu Édith Piaf: Museu particular mantido pelo biógrafo da cantora, Bernard Marchois. O acervo está distribuído em dois quartos, onde são exibidos vestidos, discos de platina, fotos, livros, vestidos e objetos pessoais da diva. Rue Crespin du Gast 5. As visitas devem ser agendadas com antecedência: 4355-5272. Metrô: Menilmontant.

Cemitério Pére-Lachaise: Aberto das 8h30m às 17h30m. Rue du Repos 16. Metrô: Père-Lachaise, Alexandre Dumas, Pl. Gambetta. pere-lachaise.com

01/03/2012 - 20:04h As melhores baguetes e o primeiro bistrô de Paris em Montmartre

 Escadarias da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, principal cartão-postal do bairro que é cheio de padarias e bistrôs deliciosos Foto: Bruno Agostini / O Globo
Escadarias da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, principal cartão-postal do bairro que é cheio de padarias e bistrôs deliciosos


Bruno Agostini / O Globo

PARIS – Fernando Pessoa escreveu certa vez: “Saudades, só portugueses/ Conseguem senti-las bem/ Porque têm essa palavra/ Para dizer que as têm”. Um raciocínio semelhante pode ser aplicado ao verbo flanar, expressão criada por outro escritor, o francês Baudelaire: flanar de verdade só é possível em Paris, cidade onde foi criado o termo. Montmartre e Belleville, espalhados pelos 18º, 19º e 20º arrondissements, são dois bairros ótimos para praticar a arte de andar sem rumo, subindo ladeiras e escadas, desvendando novos ângulos da capital francesa, descobrindo padarias que servem algumas melhores baguetes de Paris, restaurantes étnicos, lojas de design e galerias de arte, além de endereços históricos, como La Mére Catherine, onde teria nascido outra palavra imensamente relevante para os gauleses, bistrô, e o café Aux Folies, frequentado por ninguém menos que Edith Piaf.

Para começar o dia com os melhores pães de Paris

Montmartre, mais especificamente a Rue des Abbesses, é um dos melhores lugares de Paris para se começar um dia de maneira muito parisiense. Isso porque estão ali algumas das melhores boulangeries da capital francesa, como Le Grenier à Pain, Coquelicot, La Flûte de Pain e Au Levain d’Antan — este último é o atual campeão do concurso de melhor baguete de Paris, que faz dele o fornecedor oficial do Palácio do Eliseu, residência do casal Nicolas Sarkozy e Carla Bruni (a Rue de Abbesses é bicampeã na acirrada disputa, já que Le Grenier à Pain venceu em 2010). Portanto, passear por Montmartre é uma ótima razão para dispensar o café da manhã do hotel. Não apenas pela qualidade de suas padarias, mas também pela enorme oferta de lojas de alimentos, tanto “traiteurs” que vendem pratos prontos, quanto as casas especializadas (em queijos, em vinhos, em pescados…).

Depois de comprar uma bela baguete, croissant ou brioche, ou mesmo os três, podemos sair em busca de queijos, geleias, embutidos, pastinhas e outros recheios que a nossa imaginação permitir pelas lojinhas da Rue de Abbesses, mais saboroso ponto de partida para um passeio por Montmartre. Gostoso e prático, já que a estação Abbesses do metrô — em ponto central, facilmente alcançada a partir de diversas linhas — está logo ali, a poucos passos dessa coleção de lugares deliciosos. Para achar a padaria Le Grenier à Pain basta ficar atento à fila, que está sempre à porta.

O imenso gramado, a menos de dez minutos de caminhada a partir dali, que desce as encostas da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre é um convite irresistível para esticar a toalha e fazer um piquenique matinal — há vários banquinhos de madeira, com linda vista da cidade, que também são muito próprios para isso.

Montmartre é um bairro repleto de imigrantes, daí a quantidade imensa de restaurantes étnicos: há endereços chineses, tailandeses, tibetanos, cambojanos, indianos, húngaros, italianos, gregos… Nos arredores da Rue de Abbesses, e na própria, charmosamente calçada com paralelepípedos, encontramos uma babel gastronômica, com pratos autênticos e a bons preços, preparados por cozinheiros nativos desses lugares.

Muitos desses endereços são especializados em comida pronta, os “traiteurs”, um achado para os que planejam um piquenique por aqueles lados: numa pequena área da Rue des Abbesses encontramos um traiteur asiático, chamado Shanghai; um outro italiano, La Bottega di Piacenza, e outro grego, a Pelops — além de uma bela “charcuterie”, a Nathalie et Christian Durand; uma casa de chás, a Kusmi Paris; e uma loja de queijos, Les Fromages de Marie, com uma admirável coleção de exemplares de diversas regiões da França, e outras vitrines tentadores, que exibem vistosos sanduíches (tem cada croque monsieur lindíssimo), frangos assando lentamente (há uma casa especializada em aves, a Chicken Family), embutidos pendurados, peixarias (na Pepone, que prepara uma famosa sopa de pescados, é possível comprar peixes e frutos do mar vistosos; para as ostras, basta um limão para uma bela brincadeira ao ar livre), açougues (a Jack Gaudin vale a visita), mercadinhos com frutas vistosas, cafés, brasseries, bistrôs…

Amantes das ostras, aliás, encontram um porto seguro na tradicional La Mascotte, um bar especializado em peixes e frutos do mar, que tem sempre uma ótima seleção delas, exposta do lado de fora. Com tamanha concentração de endereços gastronômicos, a Rue des Abbesses (e a Rue Lepic, sua continuação) é um paraíso gourmet, mas os turistas ainda não descobriram isso, e é difícil ouvir outras línguas que não o francês num passeio por ali — sim, Montmartre é um bairro bastante turístico, mas apenas o eixo Sacré Coeur-Praça do Tertre. A parte baixa é quase que inteiramente dos parisienses.

Um ótimo lugar para um aperitivo depois do café da manhã em forma de piquenique e antes do almoço, na parte alta de Montmartre, é o bar de vinhos e loja Caves des Abbesses, que tem uma ótima seleção de rótulos (quem só quer comprar uma ou mais garrafas tem, ainda, pelo menos mais duas lojas ali, a onipresente Nicolas e a De Verre en Vers). Para os dias mais quentes, duas mesinhas do lado de fora convidam a ficar por ali, bebericando ao sabor de pratos de petiscos, com queijos, embutidos e conservas. No frio, nos fundos da loja há um pequeno e acolhedor salão, com algumas mesas. Para um bom “gelato”, a Amorino — provavelmente a rede de sorveterias que mais cresce no mundo — serve uma ótima seleção deles, feitos sem conservantes e corantes, no estilo italiano, usando leite fresco e ovos “biô”.

Montmartre não é nenhum Marais, mas existe ali um comércio moderninho, com algumas galerias de arte e lojinhas de roupas e objetos que agradam em cheio à turma que curte design e afins, como a Pylones e a Kiehl’s, uma marca de produtos de beleza muito fashion. Os amantes da gastronomia encontram diversão garantida na Ets Lion, ainda na Rue des Abbesses. Inaugurada em 1895 é loja de produtos alimentícios, como ervas, geleias e objetos de culinária e decoração de cozinhas, como velas, potes e travessas, além de plantas, sementes e material para jardinagem. Dá para ficar um longo tempo, olhando e comprando, olhando e comprando…

Ainda que o maior burburinho artístico esteja na parte alta do bairro, passeio que deixamos para a parte da tarde (leia mais na página seguinte), na Rue des Abbesses e cercanias também encontramos algumas boas galerias, como a Tableaux e a W Eric Landau. A Yellow Korner é uma imperdível galeria de arte dedicada exclusivamente à fotografia, com uma incrível seleção de imagens, entre registros clássicos de artistas famosos e importantes agências de imagens (como a americana Keystone) a novos talentos nessa área. Dá vontade de encher a parede de casa com essas imagens. Há por ali, ainda, algumas lojas de suvenires com peças bastante interessantes, como a Montmartre Je t’aime, e até uma casa especializada em objetos angelicais, La Boutique des Anges, onde encontramos tudo o que se possa imaginar relacionado ao tema, de envelopes para cartas e abajures, passando por ímãs de geladeira, velas e toda a sorte de imagens (quadro, gravuras etc). Ainda na linha loja temática, na Rue Tardieu, no caminho para a Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, encontramos uma casa especializada em frascos de perfume e talco, e assemelhados, a Belle de Jour, que reproduz, restaura e vende essas peças.

Para se chegar à parte alta do bairro há pelo menos três possibilidades: usar o trenzinho branco que circula por Montmartre (com saída e chegada da Place Blanche, bem próxima à Rue des Abbesses), subir pelo funicular que está aos pés da igreja ou, então, encarar os degraus da escadaria, num programa relativamente cansativo, mas que revela aos poucos lindos ângulos de Paris.

Um almoço no primeiro ‘bistrot’

Depois de subir as escadarias da linda Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, a fome bateu. Enquanto saboreava um “oeuf cocotte au foie gras” eu esperava o meu prato principal, um parmentier de canard, espécie de escondidinho de pato à moda francesa. Na taça, um Bordeaux 2008, do Château Sainte Catherine. No salão de teto baixo do restaurante La Mère Catherine, na parte alta de Montmartre, um casal interpretava clássicos do cancioneiro popular francês, ele ao piano, ela deslizando de mesa em mesa, apresentando um repertório conhecido. Eis que a cantora se vira para mim, pega na minha mão, e canta, em tom claramente piedoso, como quem tivesse pena desse turista solitário em um domingo frio e chuvoso. “Quand il me prend dans ses bras/ Il me parle tout bas/ Je vois la vie en rose/ Il me dit des mots d’amour”. “La vie en rose”: impossível não sorrir, de vergonha e de alegria. Em seguida ela partiu para a mesa ao lado, onde pôde dividir o seu repertório com clientes da casa, parisienses legítimos que sabiam todas as letras de cor e salteado, porque Montmartre é um bairro muito particular da capital francesa: mistura, como nenhum outro, talvez em iguais proporções, moradores locais e turistas (mas só nessa parte alta).

Não demorou muito para o garçom chegar com o meu pedido, um parmentier admirável em todo o seu esplendor franciscano: comida simples, muito saborosa e reconfortante, uma receita bastante apropriada para aquela tarde fria de dezembro. Em seguida, para fechar, uma tarte tatin devidamente escoltada por um Bas-Armagnac 1976, completando o menu da casa que eu havia escolhido, a razoáveis 36 euros por pessoa.

O La Mère Catherine é um clássico parisiense, fundado em 1793. Reza a lenda que o termo “bistrot” teria sido criado ali, em 1814, pelos cossacos russos, que famintos entraram no restaurante gritando “Bistro, bistro”, que significa “rápido”, na língua de Dostoiévski. Verdade ou mentira, o fato é que o La Mère Catherine é um restaurante altamente recomendável: foi sugerido tanto pelo guia (de papel) que levei comigo na viagem quanto pelo concièrge do classudo hotel Le Meurice, que nem pestanejou quando pedi uma sugestão de almoço em Montmartre.

— O Moulin de la Galette é ótimo, e tem feito muito sucesso com o público interessado em gastronomia. Mas eu diria que o melhor restaurante ali, considerando a qualidade da comida, o ambiente e a história do lugar, é o La Mère Catherine. O senhor vai gostar, posso garantir — disse o solícito rapaz.

— Reserva o La Mére Catherine para mim? — foi a minha pronta resposta, e de fato tive momentos muito saborosos e felizes ali. Merci, monsieur.

O restante já sabemos. Além dos atributos gastronômicos, arquitetônicos e históricos, o La Mère Catherine reserva ainda outro: o geográfico. O restaurante está localizado na pequenina e charmosa Place du Tertre, onde encontramos uma imagem típica de Paris, que já quase não se vê mais em outros pontos da cidade: são os artistas de boina pintando ao ar livre.

É bem verdade que nem todos usam qualquer cobertura para a cabeça, nem cultivam um bigodinho impecável, como no imaginário coletivo, estereótipo do pintor francês, mas a cena é absolutamente parisiense, inclusive pela boa quantidade de turistas, que posam para os retratos feitos na hora, que podem ser, ou não, um belo suvenir. Passear por ali é uma ótima pedida para depois do almoço. E quem quiser pode investir entre 20 euros e 50 euros, e levar para casa um desenho, que pode ser uma divertida caricatura ou retrato mais fiel à realidade, seguindo as mais diversas escolas artísticas e estilos. Ah, sim: você também pode levar uma fotografia de alguém querido para ser reproduzida pelos artistas, uma espécie de “Estive em Paris e lembrei de você” (em versão très chic).

Como catalisadora de pintores, a praça também atrai galerias de arte, como a Montmartre, com uma chamativa fachada vermelha, espécie de posto avançado do Espace Dalí, um museu e loja dedicado ao artista espanhol, que está a poucos passos dali e pode ser uma ótima opção de passeio para se fazer a digestão. É possível levar para casa pinturas e esculturas, em edições limitadas, e toda a sorte de objetos e suvenires de Dalí.

Para continuar o tour pela História da Arte, que tem no bairro um importante e eterno ponto de referência, uma curta caminhada conduz até a pequena Rue Ravignan, onde está, no número 13, o Bateau Lavoir, na Place Emile Goudeau, antiga residência, no início do século passado, de artistas, como Pablo Picasso (que viveu ali entre 1900 e 1904), Max Jacob, Henri Matisse, Georges Braque e Amedeo Modigliani, escritores, como Jean Cocteau, além de atores, marchands…

Dali vale esticar a caminhada pelas ruas adjacentes, como Avenue Junot (uma das mais caras de Paris), a Rue Norvins, a Rue Girardon e a Rue Caulaincourt. Ou andar sem rumo, flanando, observando os prédios antigos e os jardins, as pessoas voltando pra casa com a baguete debaixo do braço, os donos passeando com os seus cachorros. A vida como ela é, porque em Paris o cotidiano parece mais belo e glamouroso.

Para encerrar o dia, um programa fofo e bastante turístico é jantar no Les Deux Moulins, famoso por ter sido cenário do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulin”. A comida não está entre as mais respeitáveis, vale mais para beber uma tacinha de vinho. Melhor mesmo é seguir até o Le Miroir, talvez o melhor restaurante de Montmartre. Só não se esqueça de reservar a sua mesa, porque muita gente sabe disso, inclusive os turistas e os guias de viagem.

Encerrar com o jantar? Só quem quiser. Porque duas das casas de shows mais famosas de Paris estão por ali. O Moulin Rouge fica perto do Le Miroir. E o Au Lapin Agile, outro ícone entre os cabarés parisienses, não8 está muito longe, mas é bom pegar um táxi. Basta escolher.

Serviço:

Restaurantes

La Mère Catherine: Place du Tertre 6. Tel. 4606-3269. lamerecatherine.com

Moulin de la Galette: Rue des Moulins 15. Tel. 3980-6955. moulindelagalette.fr

Le Miroir: Rue des Martyrs 94. Tel. 4606-5073.

Les Deux Moulins: Rue Lepic 15. Tel. 4254-9050.

Padarias

Le Grenier à Pain: Rue des Abbesses 38. Tel. 4606-4181. legrenierapain.com

Au Levain d’Antan: Rue des Abbesses 6. Tel. 4264-97 83.

Coquelicot: Rue des Abbesses 24. Tel. 4606-1877. coquelicot-montmartre.com

Traiteurs

La Bottega di Piacenza: Rue des Abbesses 53. Tel. 4492-9099.

Shanghai: Rue des Abbesses 50. Tel. 4264-3658.

Pelops: Rue des Abbesses 44. Tel. 5328-2669.

Nathalie et Christian Duran: Rue des Abbesses 30. Tel. 4606-4435.

Lojas

Les Fromages de Marie: Rue des Abbesses 32.

La Cave des Abbesses: Rue des Abbesses 43. Tel. 4252-8154. cavesbourdin.fr

Ets Lion: Rue des Abbeses 7. Tel. 4606-6471. epicerie-lion.fr

Yellow Korner: Rue des Abbesses 44. Tel. 4258-3128. fr.yellowkorner.com

Kusmi Tea: Rue des Abbesses 38. Tel. -4278-1196. kusmitea.com

La Boutique des Anges: Rue Yvonne le Tac 2. Tel. 4257-7438. boutiquedesanges.fr

Belle de Jour: Rue Tardieu 7. Tel. 4606-1528. belle-de-jour.fr

Passeios

La Basilique du Sacré Coeur de Montmartre: A entrada é gratuita, e fotos são proibidas. Vale a pena subir até a cripta para ter um dos mais lindos panoramas de Paris (das 9h às 19h; no inverno, até as 18h). O templo fica aberto das 6h até as 22h30m (entrada permitida até as 22h15m). Rue du Chevalier de la Barre 35. Tel. 5341-8900. sacre-coeur-montmartre.com

Espace Dalí: O ingresso custa 11 euros. Rue Poulbot 11. Tel. 4264-4010. daliparis.com

Le Petit Train de Montmartre: O trenzinho simpático circula pelo bairro em tour que dura aproximadamente 40 minutos, com partida e chegada da Place Blanche, e passando por pontos turísticos como a Place du Tertre, o Espace Dalí, a basílica e o cemitério de Montmartre. O passeio, ida e volta, custa 6 euros. Tel. 4262-5030. promotrain.fr

Casas de shows

Moulin Rouge: Só o show custa 95 euros (há preços combinados com jantar, podendo chegar até 200 euros, o chamado menu Belle Époque. Boulevard du Clichy 82. Tel. 5309-8282. moulinrouge.fr

Au Lapin Agile: O ingresso custa 24 euros, com direito a uma bebida. Rue Saules 22. Tel. 4606-8587. au-lapin-agile.com

12/11/2011 - 17:00h Amazônia e Cataratas entre as 7 mais belas

12 de novembro de 2011

O Estado de S.Paulo

A Amazônia e as Cataratas do Iguaçu foram eleitas duas das Sete Novas Maravilhas da Natureza. A votação, lançada pela fundação suíça New7Wonders, foi feita pela internet e os resultados parciais foram divulgados ontem.

Além das duas “maravilhas” latino-americanas, a votação elegeu a Baía de Halong (Vietnã), a ilha de Jeju (Coreia do Sul), a ilha de Komodo (Indonésia), o rio subterrâneo de Puerto Princesa (Filipinas) e a Montanha da Mesa (África do Sul). Os organizadores avisam que ainda podem ocorrer mudanças, já que os resultados definitivos serão anunciados em janeiro./KARINA NINNI, com AGÊNCIAS

LORETO. VOTACIÓN MASIVA POR INTERNET

Celebración en el Amazonas

La Amazonía está entre las siete maravillas naturales del mundo. Loretanos celebraron la designación que atraerá más turistas

Por: Rodrigo Rodrich Corresponsal – EL COMERCIO

Sábado 12 de Noviembre del 2011

Ningún loretano olvidará la imagen del presidente regional Yván Vásquez corriendo por entre la multitud para aventarse de cabeza a un río. “Nuestra Amazonía ha sido elegida mundialmente como una de las siete maravillas naturales”, gritaba eufórico mientras saltaba al agua.

Exactamente a las 2:07 p.m., la fundación New 7 Wonders dio a conocer los resultados de una votación vía Internet que se realizó en todo el mundo. A la par, dos mil personas a orillas del río Amazonas arrojaron cerveza como si fuera champán y al grito de “¡sí se pudo!” arrancaron la jarana.

El Gobierno Regional de Loreto fue el principal promotor de la candidatura de Amazonas en el concurso, aunque la gigantesca cuenca de ese río de 6.800 kilómetros de largo abarca territorios de otros países.

EL MUNDO ELIGIÓ
Hasta ayer no existía consenso mundial alguno sobre cuáles eran esos espacios naturales que nuestro planeta reconoce como impresionantes.

La votación, organizada desde el 2007, se inició con 454 candidatos en los cinco continentes y poco a poco se redujo a 28 finalistas.

Ahora se sabe que, junto con la Amazonía, las siete maravillas naturales son la Montaña de la Mesa (Sudáfrica), las Cataratas del Iguazú (Argentina y Brasil), la Bahía de Ha-Long (Vietnam), el río Subterráneo de Puerto Princesa (Filipinas), la isla Jeju (Corea del Sur) y el Parque Nacional de Komodo (Indonesia).

La fundación New 7 Wonders indicó que a inicios del 2012 se validarán los resultados y se oficializará en ceremonias independientes la elección.

NUEVAS OPORTUNIDADES
Según Norma Córdova, directora regional de Turismo de Loreto, la elección de la Amazonía solo puede significar oportunidades para el país. Por ejemplo, Machu Picchu registró 7% más turistas al año siguiente de ser elegida en el 2007 una de las siete maravillas del mundo moderno por la misma fundación.

“Se estima que el flujo de turistas se incrementará de igual manera. El impacto social y económico será positivo para el país“, dice Córdova.

En la región Loreto, por ejemplo, ya se concretó una nueva ruta aérea internacional que conectará Iquitos con Panamá a partir de julio del 2012. Asimismo, operadores turísticos internacionales se reunirán en la ciudad a fines de mes para analizar las nuevas oportunidades y rutas turísticas en torno de la Amazonía peruana.

SEPA MÁS
La selva amazónica es el bosque tropical más extenso del mundo. Se considera que su extensión llega a los 6 millones de km² repartidos entre nueve países, de los cuales Brasil y el Perú poseen la mayor extensión, seguidos por Colombia, Bolivia, Ecuador, Venezuela, Guyana, Surinam y la Guayana Francesa. La Amazonía destaca por ser una de las ecorregiones con mayor biodiversidad en el mundo.

14/08/2011 - 10:45h Viagem de 96 horas liga São Paulo ao Pacífico

A mais longa linha de ônibus da América do Sul tem 5.917 quilômetros e vai do Terminal do Tietê a Lima, cruzando Amazônia e Andes

14 de agosto de 2011

Pablo Pereira – O Estado de S.Paulo

ENVIADOS ESPECIAIS A LIMA

A mais longa linha de ônibus da América do Sul tem 5.917 quilômetros e liga o Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, ao bairro de San Isidro, em Lima, no Peru. Centenário sonho de integração dos dois países, a viagem por terra do Atlântico ao Pacífico une um complexo de estradas que cruza cinco Estados brasileiros e sete departamentos peruanos em uma travessia de quatro dias.

Na semana passada, a reportagem do Estado acompanhou a aventura de 18 passageiros que enfrentaram 96 horas de viagem a bordo de um ônibus da empresa peruana Expreso Ormeño. As paradas do veículo de dois andares, que tem lugar para 44 passageiros (mas viajou a meia-carga), ocorrem somente para abastecimento de combustível, alimentação e higiene – cada uma delas de no máximo 40 minutos.

A partida para a capital do Peru acontece no boxe 31 do Tietê, às 8 horas, uma vez a cada 15 dias. A passagem custa R$ 468. A linha São Paulo-Lima é operada desde novembro pela Ormeño, empresa de transporte internacional rodoviário com rotas do Peru para Chile, Colômbia, Bolívia, Equador, Argentina e Venezuela.

A primeira parada, após 6 horas de rodagem, ocorre em Maracaí, na Rodovia Raposo Tavares, próximo de Ourinhos, às 14h, para reabastecimento e almoço. Neste ponto começam a aparecer os primeiros incômodos da longa travessia. A próxima parada para esticar as pernas só ocorrerá em Cáceres (MT), na manhã do segundo dia. É a hora de aproveitar o primeiro – e reconfortante – banho.

Por R$ 3, os passageiros podem desfrutar de sete minutos de água quente em um banheiro controlado por um funcionário do posto de gasolina que, aos gritos, coordena a ligação dos chuveiros, em série, tanto do lado masculino quanto do feminino. “Número um tá ligado. Mas tem de esperar um minuto para a água chegar aí. Número dois, pode ligar?”, berra o rapaz, à porta dos sanitários.

A seguir, novamente horas e horas de pastos, gado e a faixa de mata ao longe, acompanhando o ônibus até a parada em Pontes e Lacerda para o almoço, às 14h. No cardápio, arroz, frango frito, macarrão, salada. Logo após, o aviso: nova parada somente no dia seguinte, por volta das 7h, em um bar de beira de estrada em Nova Califórnia, divisa de Rondônia com o Acre.

Mas, antes, no meio da noite, uma surpresa: a travessia do Rio Madeira, na BR 364, altura de Abunã, tem de ser feita em balsa. Toca a descer todo mundo para o ônibus passar vazio, com o povo acomodado ao lado do veículo. Adiante, após uma hora na rodoviária de Rio Branco, finalmente a fronteira: Assis Brasil (lado brasileiro) e Iñapari (Peru).

Parada forçada. Sem RG, o passageiro Cristopher Hernán Pacheco, de 15 anos, é barrado pela Polícia Federal brasileira, e provoca uma parada forçada de três horas na viagem. Após uma ligação a São Paulo, onde vive a família de Cristopher, agentes se convencem de que está tudo legal com ele. Peruano com cidadania brasileira, o rapaz retorna a seu país após quatro anos. Está ansioso por rever sua terra. Poucos metros depois, ao passar pela alfândega, mata a saudade de beber Inca Kola, refrigerante popular no Peru.

Começa neste ponto a estrada Interoceânica, trecho recém-asfaltado, que liga Assis Brasil, no Acre, a Puerto Maldonado, capital do Estado de Madre de Dios. Lá, por volta das 21h, a turma desembarca pela segunda vez.

A Ponte Intercontinental, de cerca de 500 metros, inaugurada no ano passado pelos presidentes Alan Garcia e Lula, não pode ser usada. Os cabos de sustentação apresentaram irregularidades e a obra só deve ficar pronta mesmo em setembro, quase um ano após a festa política. O jeito é, novamente, apelar à balsa – para o ônibus – e a um precário bote de madeira para os passageiros. Preço por pessoa: um sol (moeda peruana) – cerca de R$ 0,60 – para cruzar o rio “cheio de piranhas”, segundo o barqueiro.

“Cuidado. Esto es peligroso”, alerta Gonzalo Alayo Perez, de 81 anos, um dos passageiros da viagem São Paulo-Lima, ao entrar no barco. “Sair do ônibus no meio da noite e ter de atravessar o rio num barquinho desses é um absurdo”, diz a brasileira Creusa Amazonas, que embarcou em São Paulo para fazer turismo em Cuzco e Lima por cerca de dez dias. Passar ao outro lado do rio em um bote é também um dos momentos mais delicados da viagem de Elza Menendez Carlos, peruana de 37 anos, que mora na Mooca, em São Paulo, e viajou com as filhas Lilian, de 12 anos, e Suellen, de 2.

Agarrada à menina de colo, Elza alerta a adolescente para ter cuidado enquanto o barqueiro apruma o bico da embarcação de madeira no barranco escuro, iluminado apenas por uma lanterna. Do bote lotado é possível ver as luzes da ponte novinha, mas inoperante. A cerca de 200 metros, rio acima, a balsa leva o ônibus vazio à outra margem.

Mas a parte mais chocante da viagem ainda nem começou. Por mais duas noites, com um dia no meio, o ônibus percorre a área mais crítica, porém mais bela do trajeto: a amazônia peruana e a Cordilheira dos Andes. O “autobús” (ônibus, em espanhol) passa a serpentear por encostas de picos num sobe e desce, segue e vira, em sucessivas curvas em U. É empreitada para poucos.

Anibal Castillo, de 55 anos, 30 na profissão, pega a direção para o estirão nas matas de Madre de Dios. Castillo gosta de dirigir à noite. “É mais fresco”, diz.

Nas mãos dele, o coletivo encara o trecho de amazônia peruana. No meio do nada, noite alta do terceiro dia, rumo a Cuzco, surgem as luzes dos garimpos. Tratores aproveitam a escuridão na selva para lavar cascalho em busca de ouro.

De repente, uma parada. Já é a hora de o mais jovem dos motoristas, Franklin McCubbin, de 53 anos, assumir o comando em uma das partes mais estressantes na direção da histórica Cuzco.

“Essa é a parte mais difícil”, concordam os três. “Há trechos de estradas de Mato Grosso e Rondônia (BR 364) que também retardam a viagem”, diz McCubbin. Mas isso nem é tão trabalhoso. O que pega mesmo é levar o possante a uma altitude de 4.725 metros, a uma velocidade média de 30 km/h pelas Rodovias 3S e 26, e baixar ao fundo do vale, até chegar a Cuzco.

A visão do amanhecer próximo da cidade misteriosa, na região do santuário inca de Machu Picchu, ajuda a enfrentar as náuseas do embalo nas curvas.

Na parada de cerca de 40 minutos, já pela manhã, o segundo banho na jornada. Chuveiro quente a 3 soles (R$ 2) em uma casa atrás da rodoviária da cidade. Logo, o retorno à estrada. Com piso de asfalto sem buracos, bem sinalizada, a estrada segue boa, mas é um teste para o labirinto. E só tem duas faixas.

“Sem problemas”, diz o Jacinto Napan, de 55 anos, na solidão da cabine durante seu turno na terceira noite da viagem. Napan troca de marchas, reduz ou reforça a potência do motor no moderno ônibus ouvindo música andina. Nas horas de folga, descansa no compartimento atrás da cabine ou aproveita assentos vagos no andar superior para assistir a filmes que distraem os viajantes.

Nazca. Na noite de sábado, finalmente, começa a descida ao litoral. À frente, a planície de Nazca. No andar de cima, passageiros dormem, inebriados pelo balançar e o ar rarefeito da altitude. A lua ilumina a planura que abriga curiosas construções de pedra que formam desenhos de animais gigantescos. O “conductor” Napan anuncia as luzes distantes de Nazca. E explica que à beira da rodovia há “miradores” para que, durante o dia, se possa ver do alto algumas das estruturas que intrigam o mundo.

Há quase 90 horas a bordo, já contando as curvas do acesso à rodovia para Lima, o paciente motorista não consegue mais esconder a pressa. Nas retas de Nazca, desconta os atrasos pisando fundo. É madrugada de domingo.

A última troca de motoristas ocorre perto de Ica, vizinha de Lima. Franklin Mc Cubbin volta ao comando na Rodovia 1. Aparecem as luzes da capital peruana. No carro, uma agitação no andar de cima revela a ansiedade dos passageiros. Uma fila de gente se forma na escada. A chegada a San Isidro ocorre às 6h, hora local. É o fim da linha.


Dicas para uma travessia confortável: água, frutas e remédio para enjoo

Percorrer uma estrada durante quatro dias e quatro noites dentro de um ônibus é um desafio que exige paciência. Há longas esticadas, de até 18 horas sem paradas para higiene ou alimentação. A primeira preocupação deve ser com a compra de alimentos e água para as noites no trajeto entre São Paulo e Rio Branco. Comer frutas, como bananas, ajuda a resistir à fome. Horários de refeição dependem da posição do ônibus na estrada. E as paradas ocorrem em bares que nem sempre oferecem boas condições de atendimento. É aconselhável também levar medicamentos para náuseas, que podem incomodar principalmente nos trechos dos Andes, quando o balançar do ônibus e as curvas da estrada na altitude provocam desconforto. A bagagem de mão deve conter toalha de banho. E, não esqueça, lenços de papel.

13/08/2011 - 18:24h Peruano que vive no Brasil festeja união

13 de agosto de 2011

Pablo Pereira, enviado especial a Lima – O Estado de S. Paulo

“A Interoceânica é muito importante para os produtos peruanos chegarem ao Brasil e abastecerem mercados de Acre, Rondônia e até São Paulo”, afirma o passageiro peruano Gonzalo Alayo Perez, que embarcou no Tietê, na quarta-feira, rumo a Lima. Alayo Perez tem duas filhas que já são brasileiras.

Professor aposentado no Peru, ele passa metade do ano no litoral de Santa Catarina, em Pissaras, mas tem de voltar a seu país por exigência brasileira. Seu visto temporário é de 90 dias, renováveis por outros 90. “Findos esses prazos, retorno a Lima. Aí aguardo até que a burocracia libere a documentação para voltar ao Brasil”, conta.

Bem-humorado, diz que enfrenta a viagem com tranquilidade. “Tenho três idades. A cronológica é 81. A física, dizem os médicos, tenho coração de 75 anos. E a idade mental é de um jovem”, diverte-se. Ele adora o Brasil. “Meu país é o Peru. O Peru tem mais de 80 tipos de ecossistemas. É um país rico, do litoral ao Amazonas, com a cordilheira pelo meio. Isso é uma riqueza. Mas também gosto muito do Brasil”, diz.

Gonzalo Alayo fez o caminho inverso dos bandeirantes, que já em 1609 queriam chegar à cordilheira peruana para importar lhamas – que chamavam de carneiros peruanos de carga -, como conta o livro Sérgio Buarque de Holanda – Escritos Coligidos (Editora Unesp, 2011). O negócio não prosperou. Hoje, pela janela do ônibus, o professor Alayo Perez pode ver na estrada lhamas e alpacas pastoreadas por senhoras quetchua. “Felizmente estou vendo a integração acontecer. É uma maravilha”, afirma.

‘Estrada fortalece integração andina’

13 de agosto de 2011

Pablo Pereira, enviado especial a Lima – O Estado de S. Paulo

LIMA – A ligação rodoviária entre Brasil e Peru é aspiração antiga e faz parte de um processo histórico de integração com vizinhos andinos. A afirmação é do embaixador brasileiro em Lima, Carlos Alfredo Lazary Teixeira. O chefe do Itamaraty no Peru disse ao Estado que outros eixos de ligação estão em planejamento, mais ao norte. E a Rodovia Interoceânica abre a porta para o comércio regional, além de facilitar o turismo para a Copa de 2014. “Nossa fronteira tem de ser uma linha de união, não uma barreira.”

O embaixador ressalta que os investimentos brasileiros no Peru já alcançam a casa dos US$ 3 bilhões. “Viemos para ficar. As empresas brasileiras estão dando um show de bola no Peru, com projetos que seguem rigorosamente o ambiente de inserção social, aproveitamento de mão de obra local e observação de normas ambientais. Queremos que as empresas se tornem empresas peruanas. Não são somente investimentos que logo se retiram”, afirmou.

Entre os principais projetos estão os de empresas como Odebrecht, Vale, Gerdau, Brasken e Petrobrás. Um dos principais eixos de negócios é o da indústria de energia e petroquímica, com expectativa de até US$ 15 bilhões sendo despejados no Peru na exploração de gás da bacia de Camisea, na região de Cuzco, transportado por gasoduto aos Portos de Matarani e Ilo, no sul do país.

Ao norte, a Petrobrás opera a extração de petróleo. Tem também a exploração de gás em Camisea, em dois lotes – o 58, que é 100% Petrobrás, e o 57, com 47% de participação. A Gerdau também corre para operar em Chimbote, no litoral, projeto de US$ 450 milhões.

Para o conselheiro comercial do Peru em São Paulo, Antonio Castillo, “os dois países vivem um momento de ouro”. Só no complexo da soja, o Peru importa US$ 400 milhões do Brasil e a estrada que liga Assis Brasil a Puerto Maldonado vai permitir o acesso dos produtos brasileiros da Região Centro-Oeste a mercados não só do Peru, mas também de Equador e Colômbia, explica Castillo. Num primeiro momento, calcula o diplomata, o impacto da nova ligação rodoviária será local, além de ser uma porta aberta para o turismo.

Segundo ele, há na região uma demanda por produtos da construção civil, como cal, cimento, aglomerados de madeira e até pedra. Além disso, o comércio de carnes brasileiras e de soja não-transgênica, produzida no Acre, também será beneficiado, afirma o peruano.

De acordo com o administrador da Ormeño em São Paulo, Oscar Vásquez Solis, a linha ainda é deficitária. Em 16 viagens, desde novembro, transportou cerca de 1.100 passageiros. “Mas esperamos para o próximo ano equilibrar custo e receita. Aí poderemos estender a linha até o Rio.”

Dicas para uma travessia confortável: água, frutas e remédio para enjoo

Percorrer uma estrada durante quatro dias e quatro noites dentro de um ônibus é um desafio que exige paciência. Há longas esticadas, de até 18 horas sem paradas para higiene ou alimentação. A primeira preocupação deve ser com a compra de alimentos e água para as noites no trajeto entre São Paulo e Rio Branco. Comer frutas, como bananas, ajuda a resistir à fome. Horários de refeição dependem da posição do ônibus na estrada. E as paradas ocorrem em bares que nem sempre oferecem boas condições de atendimento. É aconselhável também levar medicamentos para náuseas, que podem incomodar principalmente nos trechos dos Andes, quando o balançar do ônibus e as curvas da estrada na altitude provocam desconforto. A bagagem de mão deve conter toalha de banho. E, não esqueça, lenços de papel.

06/04/2011 - 17:31h Um tour por subúrbios descolados, fora do circuito ‘déjà-vu’ parisiense, com arte, moda e gastronomia

Luciana Fróes – O GLOBO

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Bercy Village, em Paris: armazéns de vinhos do século XIX foram restaurados e hoje abrigam galerias de arte, lojas de grifes e bistrôs / Foto: Divulgação


PARIS – É subúrbio pertinho, que se alcança em menos de meia hora de táxi, a partir de Saint-Germain-des-Prés. Locais como o adorável Bercy Village, em Bercy (no 12ème arrondissement), complexo de lojas de design, galerias de arte, grifes bacanas, bistrôs e bar à vins para todos os gostos (e bolsos) instalado em antigos armazéns de vinhos do século XIX, pertinho do Parque de Bercy e do Rio Sena. Restaurados, em projeto bacanérrimo, a sequência de chalés hoje abriga lojas como a Alice Délice (chair 779), que só vende utensílios de cozinha de design, uma perdição para quem curte comer e cozinhar. Para um fim de semana de sol, posso atestar: perambular pelo chão de paralelepípedos (original) do Bercy Village e desfrutar de um comércio de primeiríssima, onde come-se, bebe-se e compra-se só do bom e do melhor, é um baita programa ( www.bercyvillage.com ).

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Belleville é outra grata novidade Les Enfants Rouge, mercadinho biô perto da Republique, em Paris / Foto: Luciana Fróes

Belleville, no 20ème arrondissement, é outra grata novidade. Conhecido principalmente por ser endereço do mais visitado cemitério do mundo, o Père-Lachaise, onde descansam em paz (nem tão em paz assim) Proust, Chopin, Wilde e tantos nomes ilustres, Belleville vem ganhando novos ares. Berço de Edith Piaf (aliás, funciona ali o Museu Edith Piaf, na Rue Crespin du Gast 5), o bairro de maior miscigenação de raças de Paris (árabes, africanos e predominantemente chineses, é a segunda Chinatown parisiense) virou o bobo da vez. ( Bobo são as iniciais de bourgeois-bohemia; ou seja, burguês e boêmio). A atriz Juliette Binoche é a mais nova ilustre moradora do pedaço. É ali onde, segundo a revista “Wallpaper”, fica o melhor hotel de negócios de Paris, o Mamashelter, projeto de Philippe Starck, que bolou uma pizzaria hoje na moda, a Mama Shelter. E um bar que atende pelo nome de Chic-Chic, de décor impactante. Uma mostra? Tem mesas de totó espalhadas pelo salão.

É lá que fica, também, o Le Chapeau Melon (Rue Rebeval 92) do chef Olivier Camus, o maior defensor dos vinhos naturais da França. Os que defendem a bandeira dos vinhos biodinâmicos baixam em peso nesse bar à vin onde, por pouco mais de 20 euros, desfruta-se de um rosé orgânico ótimo. E de um menu degustação interessante (a tartelette de sardinha marinada é qualquer coisa) por enxutos 32 euros.

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La Régalade: boa fama do bistrô leva uma legião de comensais até Alésia, no limite de Paris / Foto: Luciana Fróes

Alésia, região limítrofe da cidade de Paris, vale uma investida. Além do comércio barato (há muitas pontas interessantes), é ali que fica um dos mais festejados bistrôs parisienses, com indicação Michelin: o La Régalade (Avenue Jean Moulin 49), hoje nas mãos do chef Bruno Doucet. Três menus degustação do chef, com vinho, nos custou 131 euros. Só a farta terrine que é colocada em cada mesa, como couvert, já é noite ganha.

Na saideira, um nicho pertinho da Republique, o Les Enfants Rouge, o mais antigo marché de Paris, na mesma Rue de Bretagne 39 desde 1777. É hoje um polo de produtos orgânicos para gourmets. E também uma boa referência para vegetarianos lights ou radicais, que tenham, acima de tudo, apreço ao bem comer.

Paris continua uma festa e, a cada ano, para mais convidados.

31/01/2011 - 08:40h A classe C vai ao resort

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Sonolento balneário do sul da Bahia, Santo André vive do turismo. São duas ruas apenas: a da praia é dominada por pousadas e restaurantes cujos donos falam português com sotaque. Os cardápios dão a volta ao mundo, mas é preciso rodar para encontrar uma moqueca.

O vilarejo tinha tudo para ser um destino privilegiado e exclusivo de VIPs internacionais. Privilegiado ainda é. Exclusivo, nem tanto. Quem tem movimentado a economia local são os turistas de outra sigla, a CVC.

Os “barões”, como os nativos chamam os viajantes endinheirados, só passeiam por lá durante os meses de verão. No resto do ano, grande parte dos estabelecimentos fecha as portas, seus donos voltam para a Europa, seus chefs vão destrinchar peitos de pato em outras cozinhas.

Um dos poucos abertos 365 dias é o maior empreendimento turístico da praia, o Costa Brasilis. Resort com arquitetura e decoração para agradar ao baronato, passou a oferecer pacotes de uma semana por dez parcelas de R$ 130 (”aéreo” incluído). O preço mal paga duas faxinas em São Paulo.

Os comerciantes locais descobriram que, ao contrário do turista nobre, vale a pena investir no ex-pobre. Enquanto os primeiros ficavam entocados e intocados no resort, os novos viajantes se dispõem a explorar pratos além do buffet – desde que se ofereça táxi grátis na ida e volta do restaurante.

O neoturista desce no aeroporto de Porto Seguro, sobe em um ônibus amarelo ovo de janelas panorâmicas e 38 quilômetros, 29 quebra-molas, duas aldeias indígenas e uma balsa depois desembarca no seu hotel de luxo. Piscinas, jacuzzis e praias semi-virgens (sic) o aguardam, promete a propaganda.

O trecho menos glamouroso é entre o avião e o ônibus. O aeródromo de Porto Seguro é o único no Brasil que recebe voos internacionais a ser administrado por uma empresa privada. O feito é anunciado com orgulho no site da Sinart. A propósito, a sigla vem de Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário Turístico. Seu forte são as rodoviárias.

A convivência no veraneio é pacífica entre descolados e deslocados. A praia é grande e demarcada. Na ponta de areia formada pelo encontro das águas doce e salgada há uma pororoca diária. Nada a ver com as marés. A onda é humana e corre do rio para o mar.

Uma vez por dia, outra parte da “família CVC” desce desde Cabrália a bordo de duas chalanas. Centenas de alegres turistas vão passar algumas horas nos guarda-sóis e barracas que os esperam na barra. Muitas caipirinhas e águas de coco depois, voltam ao seu porto seguro.

À distância, a cena da prancha caindo sobre a praia, seguida do aglomerado deixando a chalana em ordem unida, poderia lembrar o movimento das balsas que povoaram as fazendas de pecuária da região do Araguaia, no sul do Pará, nos anos 70. Mas boi não dança axé.

A rotina silenciosa de Santo André é quebrada momentaneamente por uma terceira vaga diária. São as escunas que descem o rio e passam ao largo da costa até Coroa Grande. A cada rajada de vento ouvem-se, na praia, trechos entrecortados da música de bordo: “muito assanhada (…) lapada (…) rachada”.

Na maré baixa, o horizonte divisa um ilhote de areia avermelhada e o que parecem centenas de gravetos espetados n”água. São, na verdade, os passageiros das escunas, passeando pelas faces descobertas de uma extensa barreira de coral, a quilômetros da costa. Na volta, eles param para almoçar em um restaurante à beira-rio.

Nenhum morador dá pistas de estar ficando milionário, mas o dinheiro circula. E assim, graças cada vez mais ao turismo de massa e cada vez menos ao exclusivismo da classe A gargalhada (A-A-A…), Santo André vai passando seus verões, sem perder a tranquilidade.

Não foi preciso reivindicar um policial permanente para a vila. Se alguém rouba algo, dizem os andreenses, avisa-se os operadores da balsa, e a cana aguarda o imprevidente larápio do outro lado da travessia.

Para muitos. O Costa Brasilis em Santo André está longe de ser único. Dezenas de milhares de brasileiros têm, cada vez mais, comprado seu lugar ao sol em resorts, sempre em módicas prestações.

Leia mais, no blog, e saiba quais são os aeroportos que ganharam mais passageiros nos últimos anos: http://voxpublica.com.br.

17/12/2010 - 17:00h Maison de uma época de ouro

A 40 km de Paris, o refúgio de Jean Cocteau, que reunia a intelectualidade do início do século, vale um bom passeio

Maria Ignez Barbosa,- O Estado SP

www.mariaignezbarbosa.com

Foi com o dinheiro dos filmes Orfeu e A Bela e a Fera que Jean Cocteau, em 1947, junto com Jean Marais, ator e seu namorado de então, comprou em Milly-la-Forêt, perto de Fontainebleau, uma pequena casa com um jardim bucólico, cercado de bosques, com vista para um velho castelo e a graciosa capela Saint-Blaise des Simples, onde os afrescos são de sua autoria e onde ele próprio está enterrado, desde 1963.

Acompanhado não mais por Jean Marais, que só lhe fez viver decepções, mas de Edouard Dermit (o Doudou), um ex-mineiro contratado como jardineiro, convertido em ator de muitos de seus filmes e seu último e mais fiel companheiro, Jean Cocteau, poeta, novelista, pintor, teatrólogo, set designer, ator e diretor de cinema, viveu nesse idílico refúgio os últimos 17 anos de sua vida, criando em liberdade e longe do mundanismo e do agito de Paris.

Homem de estilo, gosto refinado, culto e informado, Jean Cocteau sempre esteve à frente de seu tempo. Propagou os vanguardistas, mas nunca abandonou o gosto pelo que fosse de época – de casas antigas a móveis e objetos que contassem histórias e tivessem pedigree. Não seria portanto de estranhar que seu habitat, recentemente restaurado, fosse um acurado reflexo de sua personalidade e de seu universo. Amigo de Picasso, Man Ray, Bernard Buffet e Modigliani, guardou de todos eles obras e lembranças. Também conviveu e partilhou com os irmãos Giacometti e estetas como os Noailles, Jean Michel Frank, Emilio Terry, Christian Berard, Charles Chaplin e Nijinsky. O escritor Marcel Proust, o compositor Eric Satie, o bailarino Serge Diaghilev e a estilista Coco Chanel são outras figuras que fizeram parte de seu mundo. Influenciado pelo surrealismo, pelo cubismo e pela psicanálise, viveu intensamente entre as duas grandes guerras do século 20 e, no embalo, as grandes mudanças artísticas antes e depois delas.

Jean Cocteau, que aos 9 anos viu o pai suicidar-se, saiu de casa aos 15 e, aos 19, publicou A Lâmpada de Aladim, seu primeiro volume de poemas. Desde então, passou a acreditar que a poesia é uma religião sem esperança. Boêmio na juventude, viciado em ópio e amigo inseparável de Jean Hugo, neto do escritor Victor Hugo, Cocteau teria tentado o suicídio em 1938. E, embora tenha sido, junto com Apollinaire, testemunha no casamento de Picasso com a bailarina russa Olga Khokhlova, o poeta era muitas vezes menosprezado pelo pintor espanhol, machista e mulherengo: “Cocteau é o rabo do meu cometa. Jean não é um poeta; Jean é apenas um jornalista”. Em compensação, Edith Wharton foi grande admiradora de seus textos e Andy Warhol fez dele o seu ídolo.

Com móveis antigos, tecidos nas paredes escolhidos pela amiga e decoradora Madeleine Castaing, obras contemporâneas de muitos artistas e amigos, fora o produto de sua própria arte – os primeiros desenhos que assinava Japh, ilustrações, manuscritos, fotografias e documentos que aos poucos foram também ganhando as paredes -, a casa se transformou em pequeno museu e abrigo precioso de memórias de uma época artisticamente muito fértil.

Casa e jardim, apesar do desgaste natural, se mantiveram bem cuidados graças a Doudou, que ali continuou morando até 1995, quando morreu e foi enterrado na capela em Milly-la-Forêt ao lado de seu companheiro e protetor. Foi depois disso, em 2002, que o milionário e mecenas Pierre Bergé – que recebera de Doudou, em testamento, os direitos morais sobre a obra de Cocteau e estava ciente de que esta casa, meio refúgio, meio segredo bem guardado, era em si mesma uma obra de arte – resolveu criar um fundo com a participação do Conselho Regional da Île de France e do Conselho Geral de Essonne. Dessa forma, foi possível comprar a propriedade dos herdeiros de Doudou, restaurá-la e transformá-la em um espaço vivo de memória e de redescoberta da obra e da pessoa de Jean Cocteau.

Foram cinco anos de trabalho para devolver à casa a antiga elegância e a sensação de intimidade dos velhos tempos. Impecável e ao pé da letra foram as reconstituições do quarto, do escritório e do salão principal, que tem as paredes forradas de tecido com estampa de leopardo e onde impera uma enorme tela de Christian Berard: a conhecida Édipo e Esfinge Jogando Cartas. Em todos os ambientes, podemos encontrar a evocação de diferentes momentos da vida desse artista e intelectual – infância, adolescência, guerras e amizades. Também ficam ali muitos retratos do próprio Jean Cocteau feitos pelos amigos.

Ao arquiteto François Magendie e à dupla Dominique Païni e Nathalie Crimère, responsáveis por uma importante exposição sobre Jean Cocteau no Museu Pompidou em 2003, coube a tarefa dessa nova ambientação, que exigiu que todos os tecidos das paredes e dos estofados fossem fabricados especialmente para a casa. Já os dois hectares de jardim, onde em vida Cocteau gostava de instalar esculturas e elementos de seus filmes, foram confiados ao paisagista Loic Pianfetti. Contribuem para o prazer do passeio por essa propriedade (aberta ao público para visitação em 24 de junho passado) uma profusão de passarelas, água correndo, arbustos floridos, roseiras, peônias, íris e flores de lis.

No andar térreo, na sala de projeção, é possível não só ver os filmes sobre Cocteau, como o Portrait Souvenir, de Roger Stéphane, que mostra o poeta no interior da casa em 1963, como outros de sua autoria, entre eles, A Voz Humana, Bravura ou Uma Atriz e um Telefone. Há também uma pequena livraria, misto de butique e uma área para lanchar num pátio próximo.

A Maison Jean Cocteau fica a 40 quilômetros de Paris e, para os que não dispõem de carro, a melhor maneira de acessá-la é pegar a linha de trem RER D, direção Malesherbes, descer (pouco mais de uma hora depois) na estação Matisse e, de lá, seguir de táxi até a Maison, cujo endereço exato é 15 Rue du Lau, Milly-la-Forêt.

Imprescindível é visitar também a capela situada na saída da pequena cidade, onde Jean Cocteau foi enterrado. Junto ao altar, há um busto do poeta por Arno Becker. No piso, seu epitáfio, “Je reste avec vous” (”Fico com vocês”), dá ressonância ao encontro com esse grande artista, sua memória, sua obra e maneira de viver.

17/11/2010 - 10:22h Obras em 3 mil municípios aumentam apetite pelo Turismo

Transição: Olimpíada e Copa também inflacionam interesse de todos os partidos pelo ministério

Caio Junqueira | VALOR

De Brasília

A possibilidade de incluir no seu orçamento as obras de infraestrutura de rápida execução na maioria dos municípios do país foi o que deu ao Ministério do Turismo visibilidade no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fomenta agora, em seu ocaso, o apetite dos partidos para ocupá-lo a partir de 2011.

A disputa, por ora, está entre as duas legendas que o chefiaram desde que foi criado, em 2003: PTB e PT. No entanto, outras siglas também têm manifestado interesse na Pasta, cuja importância aumentará nos próximos anos com os dois maiores eventos esportivos internacionais que o Brasil sediará: a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada do Rio em 2016.

A associação do turismo com o esporte, contudo, está menos na origem de sua atual atração do que o elo que o ministério desenvolveu com políticos de praticamente todos os partidos, por ser responsável pelas obras de infraestrutura turística como a construção de pontes e praças, urbanização de orlas marítimas e fluviais, pavimentação de rodovias estaduais, além da realização de eventos. Por meio delas, estima-se hoje que o ministério esteja presente em mais de três mil municípios.

Essa pluralidade no alcance é atribuída ao primeiro ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, que logo no primeiro ano do governo Lula formulou as normas com o rol de obras que poderiam ser executadas pelo ministério – aquelas com “viés turístico- e depois peregrinou pelo Congresso Nacional em busca de recursos para elas. Diante da desconfiança dos parlamentares quanto à efetividade do direcionamento das verbas, propôs a deputados e senadores uma espécie de “divisão de dinheiro”: metade viria pelas emendas, metade pelo governo.

O resultado foi positivo. Dos R$ 482,2 milhões do seu primeiro orçamento como ministério, em 2004, mais da metade já era de dinheiro “do Legislativo”: R$ 261,8 milhões vieram de emendas parlamentares enquanto R$ 220,4 milhões foram programados pela própria Pasta.

Nos anos seguintes, o roteiro de buscar emendas para aumentar o caixa da Pasta continuou e os parlamentares perceberam que ali havia um filão a ser explorado. Dois fatores os atraíram: a velocidade de execução para os padrões nacionais e o impacto social e, consequentemente, eleitoral, que as obras geravam em suas bases. Alguns críticos, porém, alegam que essa grande influência das emendas ao orçamento do ministério fez dele um acomodador de interesses da base governista de Lula.

Entretanto, sua eficácia é elogiada. Calcula-se que, entre empenho da verba e seu início vão-se oito meses. Há oito anos, era um ano e meio. “Não tem coisa pior para o parlamentar que anunciar obra e ela não ser executada. No Turismo, as coisas acontecem. Seu orçamento não é alto, mas é cumprido. E há uma diversidade de obras possíveis que gera um benefício visível para a população. Tudo isso tem um valor político muito grande”, afirma o primeiro vice-presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE). Ele diz ainda que as notícias sobre turismo são sempre positivas, ao contrário de outras Pastas mais aquinhoadas. “A Saúde movimenta muito mais dinheiro, mas 90% das notícias são negativas. O bom ministro da Saúde é o que não aparece”.

Para o terceiro vice-presidente da comissão, José Airton Cirilo (PT/CE), os parlamentares buscam ministérios com mais facilidades para atuar. “Há muita reclamação quanto à execução orçamentária por parte de alguns ministérios. Procuramos aqueles com mais facilidades e eficácia e nos sentimos muito bem no Turismo”, afirma. Em 2009, Cirilo apresentou R$ 7 milhões em emendas para melhorias na rodovia CE-040, que liga Fortaleza a Beberibe, e R$ 3 milhões para o aeroporto de Aracati.

Esse satisfatório grau de execução da Pasta é atribuído ao processo de estruturação promovido por Walfrido e ao qual Marta Suplicy (PT) e Luiz Barreto (PT) deram continuidade. Criou-se a Secretaria Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, com caráter mais executivo e que fica responsável, basicamente, por essas obras e pela qualificação de mão-de-obra. A definição de políticas públicas está a cargo da Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, que formula estratégias conjuntas com integrantes dos governos estaduais e do setor privado, como empresas do setor hoteleiro e agências de viagem.

Até então, quem concentrava essas funções era o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Criado em 1966, sempre teve a função de formular a política de turismo do país. No primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), o órgão era ligado ao Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. No segundo mandato do tucano (1999-2002), foi criado o Ministério do Esporte e Turismo. No atual governo, todavia, sua atuação é restrita à promoção internacional do país.

Presidente da Embratur durante a maior parte do governo FHC, sendo ainda ministro do Esporte e Turismo, Caio de Carvalho, principal referência da área ligada ao PSDB, não respondeu a pedido de entrevista. Atualmente preside a SPTuris, empresa de turismo e eventos da cidade de São Paulo.

Nos próximos quatro anos, o maior salto de recursos para o turismo não deverá vir do Congresso, mas do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da Corporação Andina de Fomento. Batizado de Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) – uma adaptação nacional do programa desenvolvido no governo FHC para a região Nordeste-, já tem a adesão de 20 Estados e 12 grandes municípios para, que propuseram diversas obras a juros abaixo dos praticados pelo mercado. Segundo o Ministério do Turismo, há mais de US$ 870 milhões em propostas de financiamento aprovadas pela Comissão de Financiamentos Externos e mais US$ 781 milhões aguardando aprovação.

25/10/2010 - 06:24h Classe C compra mais bilhetes aéreos

Setor aéreo foi um dos que apresentaram melhor resultado, com o grande aumento no número de passageiros

Márcia De Chiara – O Estado de S.Paulo

Na última sexta-feira, o motoboy e segurança João Batista Cassiano, de 34 anos, comprou três passagens de avião, para Campina Grande, na Paraíba. No dia 8 de janeiro ele embarca com a mulher e a filha de férias para a sua terra natal, onde pretende ficar por 20 dias.

“Eu tinha medo de viajar de avião, mas já fui duas vezes e gostei”, disse Cassiano, que vai desembolsar R$ 2 mil em seis vezes no cartão de crédito, porque ele não gosta de ter financiamentos longos. “Em menos vezes é melhor.”

O motoboy já tem casa própria e carro e não está disposto a perder dois dias e meio na estrada até Campina Grande. “De avião gasto três horas em voo direto e cinco horas com escala.”

A viúva Maria Marta Souza Campos, de 56 anos, também vai para o Nordeste em janeiro. Mas o seu destino será Recife (PE), onde vai passar 20 dias de férias com uma amiga, que planeja visitar a filha.

Pensionista da Previdência, Maria Marta tem renda mensal de R$ 2 mil e gastou na sexta-feira R$ 787 com as passagens de avião de ida e volta. “Paguei à vista porque não gosto de compra parcelada”, contou ela.

São consumidores emergentes da classe C que nunca viajaram de avião, como Cassiano e Maria Marta, que têm impulsionado as vendas do setor aéreo. Segundo o estudo da Serasa Experian, um dos destaques do setor de serviços no terceiro trimestre foi o transporte aéreo. “Houve aumento do número de passageiros por causa do crescimento da renda média da população e das vendas parceladas como estratégia para captar os novos clientes da classe C”, afirmou Marcos Abreu, responsável pelo estudo.

Vai fazer um ano em dezembro que a Gol abriu no Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, reduto de comércio popular, a primeira loja física do Voe Fácil. Trata-se um programa que permite o parcelamento de passagens em até 36 meses, com prestações mínimas a partir de R$ 15 mensais.

A decisão de ter uma loja física de um programa de vendas pela internet foi tomada porque a companhia percebeu que esse tipo de cliente gosta de ter contato com o vendedor. Animada com o desempenho da loja, a companhia planeja mais quatro pontos de venda em regiões de comércio popular até o fim do ano que vem.

De acordo com a Gol, o Voe Fácil tem cerca de dois milhões de clientes cadastrados e responde por 4% dos bilhetes vendidos pela empresa. Cerca de 70% dos clientes são da classe C e 10% da classe D.

O parcelamento longo, em 36 meses, o equivalente a três anos, que inicialmente poderia atrair essa camada da população não é, na prática, o que chama a atenção desses consumidor. A maioria dos clientes ouvidos pelo Estado na sexta-feira informaram que está adquirindo as passagens à vista ou em um número reduzido de parcelas.


PRESTE ATENÇÃO

1. A taxa de desemprego da economia brasileira atingiu em setembro 6,2%, o nível mais baixo da série histórica iniciada em março de 2002 pelo IBGE. A desocupação caiu por causa da abertura de novas vagas e não porque as pessoas desistiram de procurar trabalho

2. O rendimento médio real dos trabalhadores em setembro atingiu R$ 1.499.
O valor é 6,2% mais alto do que o verificado durante o mesmo mês de 2009

3. O número de pessoas ocupadas no mês de setembro aumentou 3,5% na comparação o mesmo período do ano passado. No total, foram criadas 762 mil vagas. O número de desocupados caiu em 17,7%, para 1,48 milhão

22/10/2010 - 13:19h Turismo cresce mais que o conjunto da economia, diz IBGE

Estudo mostra que o setor aumentou 22% entre 2003 e 2007, contra 19,3% da média brasileira.

BBC Brasil – Agência Estado

Segundo o estudo, o crescimento no turismo foi maior do que o do PIB

Um relatório divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica que o setor do turismo teve um crescimento de 22% no Brasil entre 2003 e 2007, superando o avanço de 19,3% registrado pela economia brasileira como um todo no mesmo período.

Entretanto, segundo o estudo, intitulado Economia do turismo – Uma perspectiva macroeconômica 2003-2007, a fatia que o turismo representou para a economia no período não aumentou, continuando a responder por 3,6% do valor adicionado (ou seja, o que representa para o PIB, tirando os impostos) entre o primeiro e o último ano da pesquisa.

O relatório, realizado em parceria com o Ministério do Turismo, mostrou que a renda gerada pelo turismo em 2007 foi de R$ 82,7 bilhões, o que representa um aumento de 4,8% em relação ao ano anterior, quando a renda foi de R$ 73,9 bilhões.

O percentual ficou aquém do crescimento de 5,8% observado no conjunto da economia para o período.

Hotéis e restaurantes

O estudo levou em consideração todas as atividades ligadas ao turismo, desde alojamento em hotéis até o serviço de fotografias para passaportes e vistos.

No topo da lista ficaram os serviços de alimentação, que geram 34,9% da renda que vem do setor. Em 2007, R$ 28,9 bilhões foram gerados no setor.

Em segundo lugar está o transporte rodoviário (21%) e, em terceiro, as atividades recreativas, culturais e desportivas (17,84%). No fim do ranking estão o transporte aquaviário, com 0,46%, e ferroviário, com 0,03%. Já o transporte aéreo respondeu por 4,89%.

A participação do turismo dentro do setor de serviços caiu de 5,6% para 5,4% entre 2003 e 2007. Os empregos gerados aumentaram 9,6% no período, passando a ocupar, em 2007, 5,9 milhões de pessoas – o equivalente a 6,2% do total da economia brasileira. O incremento de empregos ficou abaixo da tendência nacional, com 12% para o período.

Técnico do IBGE responsável pela pesquisa, Ricardo Moraes esclarece que um problema a ser enfrentado numa próxima edição do estudo, que foi realizado pela segunda vez, será separar os serviços oferecidos para turistas e locais.

“Na prática, o que o estudo mostra é o que está sendo gerado de empregos e de renda pelas atividades relacionadas ao turismo. Mas muitas delas atendem tanto a turistas quanto a não-turistas, e o próximo passo é refinar a pesquisa”, explica.

Os serviços de alimentação, por exemplo, englobam todos os restaurantes, bares e afins em território nacional. O estudo conseguiu eliminar apenas cantinas de empresas e estabelecimentos que claramente não se voltavam para visitantes.

14/10/2010 - 14:52h Caixa fecha acordo com 400 agências de viagem para financiar turismo


Financiamentos podem chegar a R$ 10 mil por cliente, com parcelamento em até 24 meses

Agência Estado

SÃO PAULO – A Caixa Econômica Federal e a Associação de Agências de Viagens do Interior do Estado de São Paulo (Aviesp) fecharam hoje (14), uma parceria para financiar pacotes de viagens a clientes pessoas físicas.

Os financiamentos podem chegar a R$ 10 mil por cliente, com parcelamento em até 24 meses. As operações poderão ser realizadas diretamente em qualquer uma das 400 agências de turismo, vinculadas à Aviesp, espalhadas pelo interior paulista. O crédito está aberto a clientes e não-clientes da Caixa.

A Caixa direcionou R$ 1,9 bilhão para o crédito ao setor de turismo no primeiro semestre deste ano, expansão de 35% ante o mesmo período de 2009. Por mês, são liberados R$ 317 milhões, em média. Com isso, o banco público ocupa o primeiro lugar no crédito ao setor, segundo levantamento do Ministério do Turismo.

10/09/2010 - 08:19h Expandindo as fronteiras


Dólar baixo e ganho de renda aumentam viagens e turismo deve bater recorde este ano

Martha Beck, Rennan Setti e Lino Rodrigues – O GLOBO

BRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO

A entrada de milhões de brasileiros na chamada nova classe média — composta por quem ganha entre R$ 1.115 e R$ 4.807 por mês — vai fazer com que o setor de turismo bata um recorde em 2010. De acordo com o ministro do Turismo, Luiz Barreto, o total de desembarques domésticos em aeroportos este ano será o maior da história: 63 milhões de passageiros.

No ano passado, esse total foi de 56 milhões. Embalados pelo real forte, os turistas brasileiros também estão viajando para fora como nunca. Os gastos de brasileiros no exterior têm subido mês após mês e, em julho, bateram o recorde de US$ 1,536 bilhão, segundo dados do Banco Central. Nas operadoras de turismo, já há pacotes em falta para o fim do ano para os destinos mais populares, como Buenos Aires.

— Este será o melhor ano já registrado para o turismo no mercado interno — disse o ministro do Turismo ao GLOBO, lembrando que, dos 63 milhões de passageiros previstos para este ano, entre 10% e 12% são pessoas que nunca haviam viajado de avião. — É a nova classe média que tem viajado, especialmente dentro do país. A indústria brasileira do turismo tem um novo segmento que está sendo descoberto.

Preço de passagem cai 40% desde 2002

Até julho, o número de desembarques domésticos registrou crescimento de 33% em relação ao mesmo período em 2009, chegando a 37,2 milhões de passageiros. Já o total de desembarques internacionais somou sete milhões, ficando 23% acima do obtido no ano passado.

A nova classe média também está reforçando o turismo por meio de cruzeiros realizados na costa brasileira, lembrou o ministro. Segundo ele, enquanto em 2009 a ocupação de quartos nessa atividade atingiu 500 mil, o montante deve subir para 750 mil este ano. Barreto afirmou que, enquanto a economia brasileira deve crescer entre 7% e 8% em 2010, o setor de turismo deve ter alta entre 14% e 15%: — E esse quadro tende a melhorar ainda mais com a chegada de eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas.

Apesar do forte aquecimento do mercado, os preços das passagens aéreas estão mais baixos. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a tarifa média cobrada pelas companhias aéreas no mercado doméstico está em R$ 269,22 em 2010, quase 40% abaixo da cobrada em 2002, de R$ 444,85. Segundo o ministro, essa diferença se deve ao aumento da competição no mercado: — Há cinco anos, duas empresas dominavam o mercado brasileiro, tinham 95% do total. Agora, o mercado está mais equilibrado. Mas isso não quer dizer que não haja margem para novas reduções. As passagens ainda são caras na alta temporada, por exemplo.

O levantamento da Anac apontou queda de 7,72% no valor médio das passagens aéreas entre os meses de maio e junho de 2010, que passaram de R$ 270,27 para R$ 249,40. Este é o menor valor registrado neste ano e o mais baixo desde junho de 2002 (R$ 229,04). Em comparação a junho de 2009, a queda ficou em torno de 6%.

O levantamento da Anac considera 67 rotas domésticas.

As operadoras de turismo comemoram os bons resultados. A CVC, uma das maiores do país, estima que seu crescimento em 2010 será de 20% — o que significa que terão embarcado, até o fim do ano, 2,5 milhões de pessoas pela companhia.

A expectativa é dobrar o volume anual de vendas em 2014.

O gerente de produtos da Marsans Viagens, Paulo Pimentel, afirma que a operadora expandiu as receitas em 47% em 2009. Em 2010, espera-se crescimento de 30%.

— Com o amadurecimento do mercado turístico, as viagens estão fazendo parte do orçamento doméstico das famílias. Com isso, ocorre o que nunca tínhamos visto antes: o brasileiro está planejando viagens, comprando antes. A maior parte das vendas ainda é feita 45 dias antes do embarque — avaliou Pimentel.

Procura grande em pacotes para 2011

Na loja carioca da Stella Barros Turismo, os dois grupos de viagem para o Dia da Criança na Disney (US$ 3.500 por 11 noites, tudo incluído) já estavam fechados. Um terceiro está sob consulta. Segundo o diretor comercial, Ricardo Molter, mais da metade dos pacotes de fim de ano também já foram vendidos.

Na agência SóViagens, não é mais possível comprar pacotes promocionais para o réveillon em Nova York. A situação já é parecida para o feriado de Tiradentes de abril do ano que vem.

A família de Cássio Távora Cavaco, de 53 anos, tem aproveitado a situação econômica favorável nos últimos anos para saciar um desejo antigo: conhecer a Europa. Após a primeira viagem ao continente, em 2005, o destino já se repetiu três vezes. No mês que vem, ele e sua mulher, Rosane, embarcam rumo à Alemanha.

— É uma conjunção de fatores.

Nossa moeda está mais forte, estamos ganhando mais e nossos filhos já estão criados. Além disso, como temos mais dinheiro no bolso, os estrangeiros nos tratam melhor durante as viagens. Isso faz com que a gente tenha vontade de voltar — disse o engenheiro, cujos destinos, antes de 2005, estavam restritos a países da América Latina.

Agências vendem 20% mais este ano

A queda de preços se reflete também em uma margem de lucro menor das agências. Carlos Alberto Amorim Ferreira, presidente nacional da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav), queixa-se de que, em 2010, enquanto as vendas devem crescer 20%, o lucro do setor deve ter alta inferior, de 15%.

Ferreira lembra que as agências de turismo não são mais o único meio de o turista programar suas férias. Hoje, as companhias aéreas vendem bilhetes promocionais diretamente ao passageiro, e as operadoras de turismo, que fecham pacotes completos, às vezes sem o intermédio de agências, estão se expandindo. Além disso, a internet tem sido um importante canal de vendas para a atrair o público mais jovem, driblando a figura do tradicional agente de viagens.

— A época está boa para o nosso negócio, mas, por causa da concorrência, estamos trabalhando mais e ganhando menos — resumiu o presidente da Abav.

05/09/2010 - 15:50h O discreto charme das ‘guest houses’ cariocas

Turistas estrangeiros de alto padrão são o alvo de 4 pousadas de poucos quartos e diárias de até R$ 1.700

Isabela Bastos – O GLOBO

O pacote olímpico enviado pela prefeitura à Câmara, com incentivos fiscais e mudanças provisórias na legislação urbanística para estimular a construção de hotéis até os Jogos 2016, pode impulsionar um mercado que começa a ganhar fôlego no Rio: os hotéis butiques ou guest houses. Escondidas da grande maioria dos cariocas, com foco sobretudo em turistas estrangeiros de alto poder aquisitivo, essas casas de hospedagem, com poucos quartos, já operam na cidade, em áreas onde a prefeitura pretende estimular a hotelaria de alto padrão.

A Joatinga, por exemplo, guarda a sete chaves uma dessas pequenas joias que surgiram na cidade nos últimos seis anos e que a prefeitura sonha ver replicada ao longo das estradas do Joá, da Gávea (no trecho São Conrado), do Alto da Boa Vista e do Itanhangá, além do bairro de Guaratiba.

Com sete quartos debruçados sobre o mar, a La Suite, na Rua Jackson de Figueiredo, cobra diárias de R$ 690 a R$ 1.700. A página na internet só tem versões em inglês e francês.

Associada à rede internacional Splendia Luxury & Character Hotels, a La Suite está instalada numa antiga mansão de banqueiros portugueses decorada com lustres desenhados por Philippe Stark. De tão exclusiva, a La Suite não quer aparecer. O GLOBO tentou visitar o local, mas o proprietário, François Dussol, preferiu manter o charme da casa em segredo.

Outra pousada chique que descobriu o filão do roteiro de charme antes mesmo dos incentivos do poder público é a Gávea Tropical, no bairro que empresta o nome à casa. São seis quartos com camas king size e dossel e mobílias inspiradas na Tailândia. Perto dali, na mesma Rua Sérgio Porto, uma outra guest house, a La Maison tem apenas cinco quartos.

No Alto da Boa Vista, uma antiga mansão dos anos 20, na Rua Armando Nervo, deu lugar à Casa 14, uma charmosa pousada com seis quartos. O dono, Fernando Leite, manteve a divisão original dos quartos da mansão, que são amplos e com piso de tábua corrida.

Do outro lado da cidade, em Barra de Guaratiba, a Le Relais Marambaia, também filiada à rede Splendia, oferece passeios de barco pelas praias desertas do lugar e pescarias.

São apenas cinco suítes.

Grandes redes já em busca de terrenos

Emiliano, Txai, Hyatt, Ritz e Hilton querem abrir filiais no Rio

Pelo menos seis grandes redes hoteleiras, como as que administram o Hotel Emiliano, em São Paulo; o resort Txai, no Sul da Bahia; e os hotéis Hilton, Four Seasons, Hyatt e Ritz Carlton já demonstraram interesse de investir em novos hotéis, pousadas e resorts no Rio nos próximos anos. Segundo o prefeito Eduardo Paes, no caso do Txai, o grupo estaria em busca de um imóvel no Joá. O Ritz Carlton e o Hyatt estariam fazendo consultas para se instalar na Barra. Já o Emiliano estaria cogitando opções na Barra, no Joá ou no Alto. O Hilton e o Four Seasons buscaram inicialmente a Zona Sul, mas a falta de opções de terreno na região deverá direcionálos para a Barra.

Instalado na Rua Oscar Freire, nos Jardins, em São Paulo, e considerado um dos hotéis mais exclusivos do país, o Emiliano mantém mordomos para fazer e desfazer as malas e engraxar os sapatos dos hóspedes, que podem ainda escolher o travesseiro num menu com opções que vão de medicinais a ortopédicas. Ao entrar no quarto, cliente encontra uma garrafa de vinho, frutas e doces. O hotel tem até mesmo uma linha própria de produtos para banho. Os quartos podem variar de 42 a 84 metros quadrados de área e as diárias chegam a R$ 2.400.

Já o Txai é um resort de serviços exclusivos instalado na Praia de Itacaré, com 40 apartamentos e bangalôs de diárias variando de R$ 900 a R$ 1.900. Todas as suítes ficam de frente para o mar.

Requalificação de áreas residenciais esvaziadas Na América Latina, a rede Ritz Carlton já tem hotéis em México, Chile, Jamaica, Bahamas e Aruba, entre outros. Em todo o mundo, são quase 70 hotéis em EUA, Canadá, Ásia e Europa.

Já a rede Hilton tem 530 hotéis em 76 países. No Brasil, são dois — em Belém e São Paulo. Já o Four Seasons tem 82 hotéis em 35 países, mas nenhum no Brasil. Já a rede Hyatt tem 445 hotéis, resorts e propriedades em 45 países. No Brasil, a rede tem apenas um hotel, em São Paulo.

Segundo Paes, além de criar os novos quartos para as Olimpíadas, o pacote olímpico enviado à Câmara quer estimular a requalificação de áreas hoje basicamente residenciais que se esvaziaram economicamente.

No caso dos hotéis de charme, o foco é direcionar esses projetos para a Estrada do Joá, onde inúmeras propriedades ostentam placas de vende-se ou se encontram em estado de abandono. O mesmo acontece no Alto da Boa Vista, onde mansões vazias acabaram virando casas de festas ou estão fechadas. Na Estrada da Gávea, a meta é estimular a implantação desses novos hotéis no trecho que corta São Conrado.

Em Guaratiba, o foco é atrair resorts voltados para o ecoturismo.

30/08/2010 - 09:36h Olho na Copa

Setores têxtil, de serviços e informática abrem oportunidades de quase R$ 15 bilhões em negócios.

Por Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo

A Copa do Mundo de 2014 vai gerar mais de R$ 140 bilhões para, pelo menos, dez setores da economia nacional. Estima-se que os segmentos com grande concentração de micro, pequenas e médias empresas, como têxtil, serviços e informática, que serão direta e indiretamente atingidos pelo evento, movimentem quase R$ 15 bilhões. Os números fazem parte do estudo Brasil Sustentável-Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014, elaborado pela Ernst&Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“As empresas já estão se movimentando para oferecer produtos e serviços para um contingente estimado de 7,4 milhões de turistas estrangeiros que vão circular pelo país em 2014″, afirma José Carlos Pinto, sócio da Ernst&Young.

Foto Destaque

Pequenas e médias empresas de diferentes setores, como o Portal da Educação, da área de treinamento, e a Tecnoblu, que atende o setor têxtil, já fazem investimentos de olho na Copa. A previsão das companhias é crescer cerca de 20% entre 2013 e 2014. Para o consultor da Ernst&Young, todas as empresas com interesse em captar oportunidades com o mundial devem iniciar imediatamente um processo de planejamento.

“As pequenas e médias companhias, que têm fluxo de caixa menor e disponibilidade de crédito limitada, devem preparar-se, a partir de agora, para atender às demandas que irão surgir”, diz.

Segundo o levantamento, os setores mais beneficiados pela Copa do Mundo serão os de construção civil, alimentos, bebidas e serviços. Ao todo, essas áreas deverão ter a produção aumentada em R$ 50,1 bilhões. Rodrigo Teles, diretor geral do Instituto Endeavor, organização que apoia o empreendedorismo em dez países, comenta que, de acordo com o Ministério dos Esportes, de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões devem entrar na economia, “o que significa mais contratos para empreendedores antenados”, afirma.

Segundo Teles, se as pequenas e médias empresas abocanharem um pequeno pedaço dos aportes previstos, poderão duplicar ou até triplicar de tamanho. O diretor do Endeavor acredita que as principais oportunidades surgirão em nichos como infraestrutura, telecomunicações, segurança, energia e mobilidade.

Em Campo Grande (MS), o Portal Educação, que oferece cursos on-line de atualização profissional e de pós-graduação, deve criar mais dez cursos de inglês e oito novos treinamentos para os setores de turismo e hotelaria. O site oferece mais de 500 cursos em 25 áreas, como administração, direito, esporte, gestão e liderança.

“Os preparativos começaram antes mesmo de o país ser anunciado como sede do evento”, garante o presidente da empresa, Ricardo Nantes. Até o final de 2011, o portal lança uma bateria de cursos para atender o público envolvido com a Copa. A ideia é qualificar profissionais de turismo e oferecer mais aulas de inglês e espanhol.

A meta de Nantes é aumentar a participação de mercado do site em 20%, com cursos para profissionais liberais e empresas. De acordo com o estudo da Ernst&Young, os investimentos projetados na área de hotelaria, de cerca de R$ 3 bilhões, adicionarão 19,4 mil novas unidades habitacionais ao pool hoteleiro das cidades-sede da Copa. “Será preciso investir em qualificação profissional.”

Na Tecnoblu, de Blumenau (SC), a expectativa é a alta dos negócios no setor têxtil, área com impacto estimado de R$ 580 milhões por conta da Copa. A empresa de 192 funcionários desenvolve etiquetas, metais e botões para marcas como Colcci, Forum e Animale.

“Já definimos um grupo de profissionais que vai trabalhar parte do expediente somente no projeto Copa 2014″, adianta o diretor de inovação e marketing Cristiano Buerger. “Temos potencial para crescer cerca de 20%, entre 2013 e 2014.” Para garantir o retorno dos negócios, o plano da Tecnoblu, que deve faturar R$ 30,5 milhões em 2010, é investir R$ 300 mil até o final de 2011, em novas linhas de produtos e pesquisa de mercado.

30/08/2010 - 09:00h Largada para novos hotéis no RIO: Pacote olímpico prevê 21 mil novos quartos, inclusive em áreas residenciais

Paes propõe mudanças fiscais e urbanísticas provisórias para estimular oferta de quartos

Luiz Ernesto Magalhães – O GLOBO

O prefeito Eduardo Paes encaminha hoje à Câmara dos Vereadores o chamado pacote olímpico, com uma série de medidas visando a preparar a infraestrutura da cidade para as Olimpíadas de 2016. As mais importantes preveem a criação de incentivos fiscais e mudanças provisórios na legislação urbanística, para permitir a construção de hotéis em áreas da Zona Sul, da Barra e do Recreio, entre outras, onde esses empreendimentos hoje são proibidos.

Atualmente, o setor hoteleiro tem 29 mil quartos. Ainda sem os incentivos propostos, a oferta cresce em cerca de mil novas unidades por ano. Mas, para atender aos Jogos Olímpicos, é necessário criar mais vagas em hotéis, pousadas, resorts e albergues. No dossiê da candidatura do Rio, entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI), a cidade se comprometeu em oferecer 50 mil quartos — ou seja, 21 mil a mais. Nessas 50 mil unidades, além de vagas tradicionais em hotéis, estão incluídos quartos em navios de cruzeiro e nas vilas olímpicas que serão construídas.

Hotéis têm que estar prontos até 2015

De acordo com um dos projetos, as autorizações para a construção de unidades de hotelaria valeriam apenas para os empreendimentos que recebam licença de funcionamento (habite-se) até o dia 31 de dezembro de 2015. Na Zona Sul, a proposta vale para ruas internas de Copacabana e Leme; trechos da Avenida Niemeyer (já em São Conrado); a Autoestrada Lagoa-Barra; e as estradas da Gávea e do Joá. Na Barra e no Recreio, o prefeito propõe autorizações provisórias para novos hotéis na Estrada do Itanhangá, nas avenidas das Américas e Ayrton Senna e na Via Parque.

Os bairros da Ilha do Governador, Guaratiba, Deodoro e Alto da Boa Vista também estão incluídos.

Os novos empreendimentos, no entanto, seriam liberados mediante algumas restrições. Na maior parte dos locais, eles terão que respeitar os gabaritos existentes para prédios residenciais.

No caso de áreas de preservação de caráter ambiental (Apas) ou cultural (Apacs) terão de obedecer a altura e o adensamento.

A legislação em vigor permite a construção de hotéis de 15 andares na orla da Barra. Na orla da Zona Sul, geralmente os novos empreendimentos não podem passar de sete pavimentos.

O limite de altura, nesse caso, é determinado pelo chamado cone de sombra: ou seja, os prédios não podem provocar sombra na areia.

No Alto, incentivo a pousadas e resorts

Na Zona Sul, a altura proposta para os novos hotéis será o máximo tolerado para os prédios residenciais de cada área. No Alto da Boa Vista e em Guaratiba, onde o objetivo é estimular a construção de pousadas e resorts, os empreendimentos deverão respeitar as restrições existentes para se construir em áreas de preservação. Na Zona Oeste algumas pousadas aproveitam o ecoturismo para atrair hóspedes. Há aquelas que têm vista, inclusive, para a Restinga de Marambaia.

— O Rio precisa de mais oito mil quartos em hotéis até as Olimpíadas.

A proposta tenta atender às demandas do setor, mas com a preocupação de termos serviços de qualidade.

Afinal, o objetivo não é apenas atender aos megaeventos, mas também aos interesses da cidade.

No Alto da Boa Vista, por exemplo, a expectativa é que poderá ajudar a requalificar imóveis que estão vazios ou sendo subutilizados — disse o prefeito Eduardo Paes.

A autorização para os empreendimentos também ficaria condicionada à assinatura, em cartório, de uma espécie de termo de compromisso dos construtores dos novos hotéis com a prefeitura. Um dos compromissos é oferecer 90% das vagas para o Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 a preços de mercado. Outra medida tem o objetivo de evitar a especulação imobiliária, desencorajando os que queiram aproveitar os incentivos urbanísticos e fiscais para reduzir os custos de construção.

Ou seja, aqueles que, após a conclusão das obras, mudem de ideia e resolvam fazer alterações no projeto, para revender os prédios como condomínios residenciais, por exemplo.

— O proprietário terá que se comprometer a manter aquele imóvel destinado ao uso hoteleiro por tempo indeterminado. Não será permitida a transformação de uso — explicou o secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias.

A prefeitura também oferecerá R$ 34,5 milhões, em renúncia fiscal, com isenções ou abatimentos de IPTU, ISS e ITBI para empreendimentos que sejam inaugurados até 1ode abril de 2016 (quatro meses antes dos Jogos Olímpicos), independentemente da localização. Caso o empresário não honre o prazo, terá que pagar todos os impostos com os juros acumulados.

O investidor terá a garantia de isenção do ITBI (pago em transações imobiliárias) e o perdão de dívidas de IPTU de áreas inscritas em Dívida Ativa, que sejam compradas até 31 de dezembro de 2012. Após a compra do imóvel, o proprietário continuará isento do IPTU até a expedição do habitese. A prefeitura também propõe ampliar o prazo de validade da aplicação de uma alíquota simbólica (0,5%) de ISS para obras de construção ou transformação de imóveis em hotéis até dezembro de 2015. Pela legislação atual, esse benefício terminaria no fim de 2014. O pacote olímpico não altera os incentivos que já são oferecidos pelo setor hoteleiro em relação ao IPTU. Conforme as regras atuais, que estão em vigor desde 2008, até 2014 os empresários recolhem apenas 40% do imposto.

— Os benefícios de IPTU e ISS valerão para a compra de terrenos.

E ainda de imóveis já existentes, que hoje não são aproveitados como hotéis, mas nos quais o investidor pretenda alterar seu uso.

Se o interessado quiser reformar um imóvel já usado para hospedagem, que acumula dívidas, não terá direito ao benefício — explicou o secretário Sérgio Dias.

O pacote também apresenta novidades em relação a detalhes arquitetônicos.

A Secretaria municipal de Urbanismo, por exemplo, não vai considerar como área edificada as varandas dos novos prédios.

O objetivo é incentivar os empresários a construir hotéis com espaços para os hóspedes contemplarem a paisagem do Rio. Hoje varandas como a do Hotel Fasano, em Ipanema, são raras nos projetos de hotéis porque, pelas regras atuais, implica ter uma área útil menor para a construção de quartos.

Incentivo ao turismo de negócios

Um dos projetos do pacote olímpico voltados para o setor hoteleiro pretende estimular a abertura de novos centros de convenções. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Goes, o crescimento do turismo de negócios garante mais receitas para a manutenção dos próprios hotéis. Pela proposta, o correspondente a pelo menos 10% da área total de quartos deve ser destinado a centros de convenções, de lazer e a serviços de alimentação, incluindo bares e restaurantes.

Outra exigência para os novos hotéis é que os prédios sejam ambientalmente sustentáveis.

Os imóveis devem ser projetados de forma a economizar água e energia elétrica, por exemplo.

Fechado há mais de uma década, o prédio do antigo Hotel Nacional, comprado no ano passado por investidores em um leilão, teria tratamento especial.

O pacote autoriza a construção de um centro empresarial, com salas numeradas, ou a ampliação do número de quartos existentes no mesmo lote do hotel.

A proposta da prefeitura mantém as restrições para a construção de apart-hotéis no Rio. O prefeito decidiu que os hotéis-residência só continuarão a ser licenciados onde já são permitidos: no Centro (desde 1994) e na Zona Portuária (com a aprovação da lei do Porto Maravilha, no ano passado). Mas os aparts também terão direito aos incentivos fiscais de IPTU, ISS e ITBI dos demais emprendimentos.

A construção dos hotéisresidência em outros pontos do Rio está proibida desde 2002. Na época, o Tribunal de Justiça julgou inconstitucional as regras fixadas por lei, em 1999, que permitiam a construção desses empreendimentos.

Um dos motivos era a existência de um dispositivo que liberava a construção de aparts em qualquer área da cidade.

05/08/2010 - 17:09h Esta é a gastronomia do seu país


A cozinha brasileira, parece, entrou de vez na cozinha dos brasileiros. Procurando naquela estrada se acha um queijo; na outra, uma galinha caipira; e mais adiante, um doce de figo preparado em tacho de cobre. Siga o GPS do Paladar – Cozinha do Brasil

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O Estado de S.Paulo

Já não há tanta estranheza entre o Brasil e ele mesmo. Nas edições anteriores do Paladar – Cozinha do Brasil quase tudo era espanto: formiga, priprioca, maturi, casiruba e mangarito.

Até para falar era preciso escutar primeiro, ouvir a pronúncia correta pela voz do portador do mistério. Os chefs e cozinheiros de todos os lados do País se tratavam com formalidade, poucos se conheciam, nunca tinham trabalhado juntos. Agora já estão mais próximos, alguns continuaram em contato após os eventos anteriores, alguns até se visitam, cozinham juntos. Trocam informações sobre ingredientes, fornecedores, produtos e a melhor maneira de usá-los. Houve até quem saiu da edição atual cheio de ideias para as aulas do próximo Paladar – Cozinha do Brasil – Maurizio Remmert e Paulinho Martins articulavam domingo à noite, no hall do Grand Hyatt, uma aula conjunta em 2011.

E o público, nós todos, que temos tanto para conhecer, já nem nos assustamos com a menção de jacatupé, butiá, puxuri e embiriba. Assumimos nossa “burrice”, flertando com o prazer da descoberta. Conscientes de que o conhecimento é ilimitado e ansiosos para descobrir e compartilhar, aprender e ensinar.

E a cozinha brasileira, parece, entrou de vez na cozinha dos brasileiros. Seria otimismo dizer que começamos um segundo momento dessa viagem de descoberta? A terra incógnita, aquela vasta área escura no mapa dos antigos, tem até um esboço de GPS: o Paladar – Cozinha do Brasil, que colabora sendo uma espécie de aplicativo para uso de quem queira. E como um GPS ele é útil, assistente e instrumental. Não vai mostrar a ninguém para onde ir, imperativamente. Indica apenas que ir é possível, que há estrada e que há diferentes atalhos e desvios. E que naquela estrada tem um queijo, na outra uma galinha caipira e mais adiante um doce de figo cozido lentamente num tacho de cobre.

Conhecidos os produtos, agora chega a hora de trabalhá-los. Reconhecidos territórios, terroirs e microterroirs (já provou os cafés de microlotes de Minas Gerais ou os vinhos de altitude de Santa Catarina?), defendida sua autenticidade, não é mais arriscado mesclar.

Nada vai se perder se for usado. Mas que os ingredientes sejam aproveitados de cabo a rabo, sem desperdício. Galinha tem pé, miolo, fígado, crista – e nem a titica se perde. Vira, quem sabe, adubo para uma gavinha de chuchu ou para um pincel-de-estudante.

Cuveiro é peixe? Come-se como? Já provou tuille de tapioca com aroeira? Quitoco é tempero para carnes? Pois vamos usá-lo num “carpacho” (não conhece? É o carpaccio para cabra-macho, de carne-seca, preparado pelo chef Rodrigo Oliveira).

A gastronomia não é estática. A contaminação entre culturas faz as coisas mais memoráveis e as mais notáveis. Fez o Brasil, por exemplo. Tentando um cassoulet de orelha-de-padre, um sushi de cuveiro e um sorvete de cruá, a fruta-mortadela, os produtos viajarão, continuarão regionais, enquanto ganham dimensões gastronômicas inesperadas. No fim das contas, o conhecimento é uma forma de respeito; e o respeito, uma maneira de preservar. E preservar é a palavra de ordem na gastronomia.

ENGAJAMENTO. Não à toa, termos antes restritos ao universo dos ambientalistas – sustentabilidade, certificação, manejo e produção orgânica – entraram na cozinha. E a gastronomia surgiu neste ano mais engajada. Os chefs assumiram seu papel de formadores de opinião, tomaram a frente do movimento de valorização da tradição, a defesa dos produtos ameaçados, do Cerrado, a recuperação dos frutos ameaçados da Mata Atlântica, a celebração do ingrediente produzido com qualidade e respeito ao ambiente. O pequeno produtor, o produto artesanal, as culturas tradicionais e os ingredientes nacionais foram todos para a cozinha.

Em 2009, o Paladar – Cozinha do Brasil terminou com uma grande reunião de todos os participantes e a ideia de estreitar as relações com produtores. Neste ano, os chefs não foram os únicos convidados. Tiveram a companhia de produtores. Dercílio Pupin, da Família Orgânica, trouxe sua vivência de homem do campo, deu informações mais aprofundadas sobre o cultivo de ingredientes orgânicos e biodinâmicos e contou sobre a experiência de trabalhar com o chef José Barattino, do Emiliano.

O produtor de pimentas Cyro Abumussi, da Fazenda Ituaú, em Salto, dividiu a aula (e suas pimentas e chiles) com a mexicana Lourdes Hernández. Douglas Bello trouxe frutas da Mata Atlântica, cultivadas em Paraibuna, para Flavio Federico transformar em doces – impossível não sair desta aula convencido de que um país que tem frutas como essas não precisa de petit gâteau.

Houve também iniciativas importantes fomentadas no último ano, como a Conspiração Gastronômica, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) criada por Eduardo Maya, Ralph Justino e Eduardo Avelar para mapear a gastronomia mineira.

Ecoaram preocupações com leis e proibições que causam impacto na gastronomia. O queijo canastra que não pode cruzar as fronteiras de Minas Gerais. A massa de caranguejo paraense que teve a venda proibida. O veto à comercialização de sangue fresco ameaçando a sobrevivência de um prato tão tradicional quanto a galinha de cabidela.

E o tacho de cobre, que pode ser proibido porque a oxidação é perigosa à saúde. Bem, para esse problema, Fabrice Le Nud apresentou solução fácil: basta esfregar a panela com vinagre e sal grosso, antes de lavá-la. Limpinha assim, não há oxidação que resista. Sorte da tradição doceira de Araxá e das frutas de dona Gasparina de Resende, que, torcemos, continue deixando seu doce de figo com aquela cor verde incomparável que só os que são feitos em tacho de cobre têm.


A mala culinária do chef paraense

Para o Paladar – Cozinha do Brasil e um surpreendente jantar nipo-paraense com o colega japonês Shin Koike, Thiago Castanho trouxe 80 kg de ingredientes amazônicos, como esturaque, coentro-do-pará e aviú, um minúsculo camarão

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O Estado de S.Paulo

Pouco antes de embarcar em Belém com destino ao Paladar – Cozinha do Brasil, o chef paraense Thiago Castanho foi à feira comprar esturaque, flor de vinagreira, chicória, coentro-do-pará, entre tantos outros ingredientes.
Não por acaso, ele chegou por aqui carregado, com uma bagagem de 80 kg só de produtos amazônicos: cumaru, tucupi, embiriba, ariá, aviú, amburana.
“Deu um trabalhão arrumar essa mala”, disse o jovem chef do restaurante Remanso do Peixe, em Belém.
Castanho veio preparado para o workshop Banho de Cheiro e para o jantar Do Sushi ao Jambu, realizado com o chef japonês Shin Koike, do restaurante Aizomê.

Há algum tempo, Shin pensa em combinar a comida brasileira com a técnica japonesa. O encontro improvável entre chefs de culturas gastronômicas tão distintas foi surpreendente. Mais, revelou uma grande afinidade que pôde ser observada e sentida no jantar nipo-paraense de seis pratos.

“Estou aprendendo muito, não só com os ingredientes, mas com a forma como o Thiago e o irmão dele, Felipe, trabalham”, disse Shin.

O serviço começou com o houseki bako, ou caixa de tesouro: kanten (gelatina) de tucupi com sushi de pirarucu. Seguiu com caranguejo desfiado com farofa e aviú (camarão minúsculo), patas de caranguejo e vinagrete de feijão-manteiguinha de Santarém.

A farofa estava deliciosamente crocante e mereceu um desabafo do chef. No Pará, a comercialização da massa de caranguejo está proibida em razão das condições de higiene de alguns produtores locais.

“Esse prato é para quem está com saudade da casquinha de caranguejo”, tuitou o chef, direto da cozinha. Ao Paladar, explicou: “A casquinha de caranguejo faz parte da cultura do paraense. É quase como se proibissem a pizza do paulistano”.

O jantar seguiu com moqueca; murasaki (bolinho de cará roxo recheado com confit de pato) e terminou com a rosa – doce aromático de cupuaçu fresco, calda de vinagreira e tuilles de tapioca com aroeira. Antes de chegar à mesa, a sobremesa era borrifada com perfume de cumaru.


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02/08/2010 - 11:34h Praça em Sergipe recebe título de Patrimônio Mundial da Unesco


Praça São Francisco é eleita patrimônio da Humanidade

Brasil tem agora 18 sítios na lista de bens culturais e naturais da Humanidade

Regina Alvarez – O GLOBO

BRASÍLIA. A Praça de São Francisco, na cidade de São Cristóvão (Sergipe), recebeu ontem o título de Patrimônio Mundial.

Com isso, o Brasil tem 18 sítios inscritos na lista da Unesco. A praça reúne o principal conjunto arquitetônico de São Cristóvão, pequena cidade sergipana que já foi capital do estado e é a quarta mais antiga do país.

O órgão estava reunido em Brasília desde segunda-feira para decidir que bens entram e saem da lista de patrimônio de bens culturais e naturais da Humanidade.

A lista definitiva não estava concluída, ontem, até as 20h.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, destacou o trabalho articulado feito pelo seu ministério, o Itamaraty e o Ministério do Meio Ambiente para a vitória da candidatura brasileira.

— A inclusão da Praça é uma vitória da população de São Cristóvão pela proteção e preservação de nosso patrimônio, e representa um reconhecimento à singularidade da formação do acervo cultural brasileiro — disse Ferreira, que preside o Comitê do Patrimônio Mundial.

A praça foi construída no período da União Ibérica (1.580 à 1.640). O traçado das ruas e o conjunto de edifícios fazem de São Cristóvão a única cidade do país com características da arquitetura urbana espanhola.

O presidente do Iphan, Luiz Fernando Almeida, informou que prepara as candidaturas do Rio, na categoria paisagem urbana, e Paraty (RJ), como patrimônio cultural e natural.

11/07/2010 - 11:12h Turismo vai crescer o dobro do PIB

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Pesquisa da FGV com 80 maiores companhias revela que o setor vai ampliar em 14,6% os negócios em 2010, enquanto o PIB cresce 7%

Márcia De Chiara – O Estado de S.Paulo

Impulsionado pela abundante oferta de crédito de longo prazo, com parcelamento que chega a dois anos, e pelo crescimento do emprego e da renda no mercado interno, o setor de turismo vai crescer neste ano num ritmo acelerado, que é o dobro do projetado para o Produto Interno Bruto (PIB).

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com as 80 principais companhias do setor no País revela que a expectativa é de que o volume de negócios ligados ao turismo aumente, em média, 14,6% este ano em relação a 2009. Em igual período, o PIB deve crescer cerca de 7%.

“A taxa de crescimento do turismo será recorde neste ano”, afirma o ministro do Turismo, Luiz Barretto, ponderando que a atividade ainda responde por pequena fatia do PIB, 2,8%, mas tem potencial enorme de crescimento. Além das melhores condições econômicas do País, ele ressalta que eventos importantes vão acelerar o volume de negócios, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas.

A pesquisa, feita a pedido do ministério e que consultou nove segmentos do turismo, de empresas de transporte aéreo a locadoras de automóveis e hotéis, mostra que, no geral, 92% das companhias esperam neste ano crescimento nas vendas em relação a 2009, 7% estabilidade e apenas 1% queda.

Os segmentos que projetam os maiores acréscimos nos volumes de negócios são empresas aéreas (21,2%), operadoras de viagem (18,3%), turismo receptivo, que inclui bares e restaurantes (17,9%) e locadoras de automóveis (15%). Segundo a enquete, três desses quatro segmentos projetam os maiores reajustes de preços para o período.

Só no primeiro semestre, o volume de desembarques aéreos domésticos cresceu cerca 30% na comparação com igual período de 2009, nas contas do ministro. Isso mostra que, com mais dinheiro e o câmbio favorável – na sexta-feira, o dólar fechou cotado a R$ 1,76, o menor nível em dois meses -, o brasileiro está tomando gosto pelas viagens, Depois de estrear nos cruzeiros na temporada de verão, eles estão fazendo hoje a primeira viagem ao exterior. O destino é a vizinha Argentina, observa Barretto, pela proximidade geográfica e semelhança da língua.

Tango. “Eu sempre gostei de tango”, disse o aposentado Paulo Zanatto, de 84 anos, que embarcou na última quinta-feira com as filhas, o genro e os netos, para Buenos Aires. É a sua primeira viagem de avião e também a primeira vez que vai para fora do País.
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“Quando a economia vai bem, as pessoas fazem turismo”, afirma o diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Leonel Rossi Júnior. De acordo com o executivo, hoje a nova classe média responde por 7% das vendas do setor.

“Nos últimos 5 anos, 30 milhões de brasileiros entraram para o mercado de consumo. Nos próximos 5 anos, irão ingressar mais 40 milhões, quase uma Espanha inteira”, prevê Valter Patriani, presidente da CVC Turismo, maior operadora das Américas. De olho nesse potencial para vendas de pacotes turísticos, a empresa acaba de inaugurar uma loja em Boa Vista, Roraima, o último Estado onde a companhia não estava presente.

Para este mês, a CVC está com a maior oferta de pacotes em períodos de férias, desde a fundação da empresa, há 38 anos. Entre viagens aéreas, rodoviárias e cruzeiros internacionais, serão cerca de 280 mil lugares nesta temporada. Junto com o volume recorde de ofertas estão as promoções, com descontos que chegam 30%. “Só vende porque tem promoção”, diz Patriani.

Além do corte no preço, o parcelamento impulsiona o crescimento. A Caixa Econômica Federal, o banco que mais financia o setor, tem um cartão de crédito específico para o turista. O parcelamento do pagamento dos gastos relacionados, da passagem à entrada ao parque temático, pode ser quitado em 24 meses. Isso significa que o turista leva dois períodos consecutivos de férias para se ver livre da dívida.

Fábio Lenza, vice-presidente de Pessoa Física da Caixa, diz que hoje há 1,6 milhão de cartões de crédito para turismo e o limite soma R$ 900 milhões. “Até dezembro, a meta é ter 1,8 milhão de cartões e o limite de crédito deve chegar a R$ 1 bilhão”, prevê. Ele conta que neste ano, cresceu 21% o uso do cartão em relação a 2009 e o valor médio das transações também aumentou.

04/07/2010 - 15:05h Um flaneur gourmet em Paris

Bruno Agostini – O GLOBO

Piquenique às margens do Rio Sena: programa  de fim de semana de verão/Bruno Agostini

PARIS – Vivo para comer, sempre viajando atrás de aromas e sabores. E nenhum lugar pode ser melhor que Paris para exercer essa paixão. O problema é escolher aonde ir. São tantos os mercados e as feiras de rua, os grandes magazines e as lojas especializadas, as delicatessens e as queijarias, que fica difícil conciliar todas as vontades. A vantagem é que, para onde se vá, sempre haverá uma feira perfumada e colorida, uma loja repleta de gostosuras, uma enoteca cheia de vinhos que nunca ouvimos falar… O flâneur gourmet pode vagar sem rumo por qualquer das duas margens do Rio Sena que será muito feliz, porque o caminho será invariavelmente repleto de delícias. Passeio que fica ainda mais saboroso no verão, quando as ruas estão mais animadas e as barracas de frutas e legumes, mais coloridas.

Neste roteiro com os melhores mercados e lojas de comida da capital francesa, a Torre Eiffel não passa de referência geográfica. E os museus não são mais que belos edifícios para serem vistos de fora. Meu Louvre é a Grande Epicerie e suas obras de arte culinárias: o foie gras, as trufas, os chocolates… O D’Orsay é a impressionista, quer dizer, a impressionante Rue Mouffetard, uma via cercada de lojas de comida por todos os lados. Meu Arco do Triunfo é atravessar as portas da mais famosa loja de departamentos da França em direção ao setor chamado Lafayette Gourmet, uma perdição. Minhas Notre-Dames são a Fauchon e a Hédiard, na Place de la Madeleine, catedrais do sabor.

Cogumelos,  cebolinha e outros temperos  verdes no Boulevard Raspail/Bruno Agostini

A Ópera Garnier é Pierre Hermé, que transforma bolos e macarons em arte cênica e gustativa. A maioria dos pontos turísticos de Paris é mero acessório neste roteiro, mas muito úteis são os gramados sem fim das Tulherias, o Jardim de Luxemburgo, o Campo de Marte e as duas margens do Sena. Esses cumprem a sua função original de lugar para descanso. São perfeitos para estender a toalhinha e se sentar para fazer um piquenique com itens comprados nas feiras, mercados e lojas desse tour gourmet.

Basta sair caminhando pela manhã por qualquer bairro de Paris que não vai demorar a aparecer um aglomerado de feirantes exibindo suas mercadorias coloridas de espantosa variedade. É o melhor programa a se fazer logo depois de acordar, pois as feiras costumam terminar em torno das 13h (só não tente isso às segundas-feiras, quando quase nenhuma funciona). Os moradores da cidade vão à feira quase diariamente, sempre carregando uma bolsa de pano ou de palha para acomodar as compras.

Mouffetard:  rua cercada por lojas de comida por  todos os lados /Bruno Agostini

Em Les Halles, no centro da cidade, a Rue Montorgueil tem antiga tradição em acolher feiras. Há séculos os parisienses vão até ali para comprar comida e a feira funciona de terça-feira a domingo. É um dos melhores lugares para se encontrar queijos (visite a La Fermette), e as ruas adjacentes apresentam uma grande variedade de lojas de produtos gastronômicos: há peixarias, quitandas e casas especializadas em acessórios de cozinha (fica perto dali a famosa E. Dehillerin).

Atravessando o Rio Sena, a margem esquerda guarda outra rua emblemática para os que visitam Paris com interesse gastronômico (e quem não visita?). As lojas e bancas da Rue Mouffetard, que começa ali, no encontro do Quartier Latin com o Jardin des Plantes e vai descendo as encostas parisienses, também funcionam de terça-feira a domingo. Esta ladeira da Rive Gauche é uma perdição. A rua é como uma comprida ilha de sabores, um caminho de paralelepípedo cercado de lojas de comida, bares e restaurantes por todos os lados.

As lojas tomam as calçadas com os seus produtos frescos, muitas delas exibindo peixes, aves e carnes de animais de vários tamanhos, de coelho a javali. Para nós, brasileiros, acostumados a ver as aves sempre depenadas e sem cabeça, pode causar certo estranhamento observar as barracas: patos, codornas e perdizes são apresentados inteiros, com as penas do pescoço para cima, porque assim o comprador identifica a espécie. Vez ou outra, um protesto de ambientalistas leva faixas com fotos de maus-tratos aos bichos. Na minha visita, os defensores dos coelhos batiam ponto ao lado de uma loja que vendia esses adoráveis animais prontinhos para ir para a panela.

Parece que o melhor de todos os produtos gastronômicos da França pode ser encontrado ali: há flor de sal de Guérande, foie gras do Périgord, frango de Bresse, peixes da Normandia, embutidos da Alsácia… Com o tempo, a Mouffetard deixou de ser frequentada apenas pelos franceses e virou ponto turístico. Como se sabe, se há turista, há artistas de rua. Assim, em cada esquina você encontra um músico cantarolando. Vi um sujeito com cara de latino tocando baladinhas românticas ao violão, uma dupla entoando clássicos do blues com algum talento na gaita e na guitarra e até uma moça que tentava, sem muito sucesso, imitar Edith Piaf.

Frutas numa  feira em Paris /Bruno Agostini Cores nos  mesrcados da cidade /Bruno Agostini Os temperos  que chamam atenção /Bruno Agostini

Outro clássico da Mouffetard são os fornos, tipo televisão de cachorro, assando bonitos frangos, que perfumam a rua com o aroma de seus temperos. Uma boa sacada dos franceses é deixar na parte debaixo do forno, recebendo o caldo que escorre das aves, umas batatinhas, que vão cozinhando lentamente naquele molho aromático e gorduroso. A Mouffetard também tem a sua feirinha. Na extremidade da rua, no fim da ladeira, há barracas que vendem vistosas frutas, legumes e verduras. Não deixe de descer até lá.

Outro emblema das compras gastronômicas nas ruas da Rive Gauche é a feira da Rue de Buci, uma pequena via curva que nasce no Boulevard Saint-Germain. Pela manhã as barracas vendem frutas, legumes e verduras das melhores procedências. Quem perder a hora não precisa se preocupar, porque não faltam boas lojas de produtos gastronômicos no pedaço, com destaque para as padarias e lojas de doces e bolos.

Bem perto dali, a Place Maubert recebe ótimos produtos às terças-feiras, quintas e sábados, quando é montada uma tradicional feira. A margem esquerda é cheia de outras boas feiras. Uma das melhores, sem dúvida a mais charmosa, acontece às terças-feiras, sextas e domingos no Boulevard Raspail, pertinho do Hotel Lutetia, numa das áreas mais chiques da cidade. É lá que muitos franceses (e estrangeiros) famosos fazem compras para o almoço de domingo, quando são vendidos produtos orgânicos. Chama a atenção a elegância nas roupas de ir à feira.

Na rua  Mouffetard, à esquerda, há músicos, cafés e lojas com  essa bela seleção  de produtos,  à direita /Bruno Agostini

Voltando para a margem direita, nos arredores da Gare de Lyon, na região da Bastilha, o Marché d’Aligre é frequentado principalmente pelas comunidades árabe e africana. É um dos mercados mais animados, baratos e coloridos de Paris, lugar certeiro para se encontrar, sempre frescos, muitos ingredientes diferentes. Ao lado funciona o Beauveau St-Antoine, um mercado coberto mais voltado aos produtos em conserva, também imperdível. Nos fins de semana, bater perna na feira e depois ir para algum dos bares e restaurantes das cercanias é um programa cada vez mais comum.

Não muito longe dali, na Place de la Bastille, fica a feira da Richard-Lenoir. Há venda de produtos orgânicos e barracas de imigrantes do norte da África e do Oriente Médio, numa das melhores seleções da cidade. Outras duas feiras de caráter bem particular, ainda na margem direita, estão um pouco afastadas das áreas mais turísticas. No Marché Belleville-Ménilmontant, no 19ème arrondissement, todos os imigrantes se encontram, enquanto o Marché Batignolles, no 17ème arrondissement, é bom para comprar produtos orgânicos.

Vinhos de família, raros, orgânicos”

Em quase todas as feiras de rua parisienses é comum haver pelo menos uma barraca vendendo vinho. Quase sempre é um pequeno produtor que vive não muito longe de Paris e prefere comercializar pessoalmente grande parte de sua pequena produção nos mercados da capital. Não espere vinhos excepcionais, geralmente são simples, mas honestos e com preços compatíveis. É uma boa oportunidade de conversar com alguém apaixonado pelo seu próprio trabalho, disposto a trocar receitas e ideias sobre a bebida, os pratos que vão bem com ela, e etc.

Vinhos franceses /Bruno  Agostini

Mas não é todo vendedor de vinhos de feira que carrega esse espírito familiar, quase amador. Na famosa feira da Rue Richard-Lenoir, na Bastille, às quintas-feiras e domingos, uma das barracas mais conhecidas é a de Eduard Mace, que vende rótulos raros, de safras especiais. Nesta mesma rua, um pouco mais para cima, já quase na Place de la République, o Marché de Popincourt, entre as ruas Oberkampfand e Jean-Pierre Timbaud, funciona às terças e sextas-feiras também com boa oferta de vinhos. Na outra margem do Rio Sena, aos domingos, quando a feira do Boulevard Raspail se dedica apenas a produtos orgânicos e biodinâmicos, também é possível encontrar ali alguns rótulos de vinho que seguem essa linha.

Cremerie: pioneira em vinhos “biô”

Produtos orgânicos e biológicos estão na moda. No mundo do vinho não poderia ser diferente. Muitas das grandes enotecas já dispõem de prateleiras separadas para os chamados “biôs”. Na pequena Cremerie, uma das lojas mais charmosas de Paris, isso não é preciso: todos os vinhos encontrados ali seguem a linha natural.

O endereço, uma lojinha de fachada azul escondida numa pequena rua de Saint-Germain-des-Prés, é pioneiro: desde 2001 vende apenas vinhos feitos da maneira mais natural possível. Também é possível levar para casa queijos, presuntos, embutidos, foie gras, azeites, entre outros bons produtos. Quem quiser pode se sentar em uma das (poucas) mesas no pequeno salão da loja para comer e beber papeando com os donos, que não arredam o pé dali, e servem pessoalmente a clientela. Para não ficar sem lugar, é melhor reservar.

Cremerie: 9 Rue des Quatre Vents. Tel. (01) 4354-9930. www.lacremerie.fr

25/05/2010 - 09:21h Verba conjunta promoverá Nordeste

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Murillo Camarotto, do Recife – VALOR

Os nove Estados que compõe a região Nordeste vão utilizar de forma conjunta neste ano a verba de promoção ao turismo que é concedida pelo governo federal. Até o momento, estão garantidos R$ 14 milhões para a divulgação dos destinos da região, segundo informou o secretário-executivo do Fórum Nacional de Secretários de Turismo, Marcos Pompeu.

Até então, explica o executivo, o investimento era feito separadamente por cada Estado. Ele acredita que a unificação dos aportes poderá resultar em campanhas mais consistentes para todo o Nordeste, o que acabará refletindo no aumento fluxo de turistas para toda a região.

Além disso, ele lembrou que muitos roteiros turísticos envolvem mais de um Estado, como, por exemplo, a famosa “Rota das Emoções”, que liga os Lençóis Maranhenses (MA) a Jericoacoara (CE), passando por Parnaíba (PI).

Do total de recursos já liberados, explicou Pompeu, R$ 5,2 milhões serão destinados à divulgação no exterior. Segundo ele, a Copa do Mundo da África do Sul será bastante explorada. Uma das estratégias é a veiculação de comerciais sobre o turismo do Nordeste em um famoso canal de esportes europeu. Também estão previstos anúncios na revista de bordo da companhia aérea portuguesa TAP, além de outras iniciativas.

O secretário acredita que a divulgação dos Estados do Nordeste no exterior ainda poderá receber um aporte adicional, da ordem de R$ 5 milhões. Para a atração dos turistas brasileiros, o programa já obteve a liberação de R$ 8,8 milhões.

Com início previsto para este mês, a campanha, batizada de “Vem ser Feliz! Nordeste Brasil” pretende atingir os principais mercados emissores: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e Paraná.

Somando-se todas as iniciativas, a expectativa é de que a campanha seja visualizada por pelo menos 17 milhões de pessoas por dia.

16/05/2010 - 10:26h Rio: A nova fase das UPPs


Programa entra em sua segunda etapa, com ações sociais e de educação ambiental

Gustavo Goulart e Vera Araújo – O GLOBO

Depois de livrar 19 comunidades do poder de traficantes e milicianos, o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) entra numa nova etapa: a implantação de políticas sociais e de desenvolvimento sustentável nas regiões ocupadas.

A Polícia Militar, que usou o poder de suas armas para retomar esses territórios, vai passar a atuar em novas frentes. Já na Semana do Meio Ambiente, no início de junho, o Batalhão de Polícia Florestal e Meio Ambiente lançará o programa UPP Verde, para reprimir o desmatamento e conscientizar a população sobre a importância da preservação ambiental. Outra iniciativa da PM pretende resgatar o conceito do Projeto Rondon, do governo federal, levando universitários às comunidades.

O Rondonzinho, nome provisório dado pela PM ao projeto do professor Rafael dos Santos, da Faculdade de Educação da Uerj, tem como um dos objetivos difundir entre os moradores das favelas pacificadas conhecimento muitas vezes restrito às universidades. Um estudante de medicina poderá, por exemplo, dar conselhos para os moradores adotarem hábitos que evitem doenças. Além disso, a iniciativa promoverá a integração do morro e do asfalto (a PM considera que a maioria dos estudantes não mora nas favelas).

Universidades públicas e privadas já estão sendo convidadas para o projeto.

— Ao mesmo tempo em que aprende, o estudante também ensina, no sentido de que ele poderá desenvolver ações preventivas em sua área. Se, na área de saúde, ele não pode atuar como médico, pode ensinar medidas profiláticas. O aluno vai conhecer a realidade do local. Será muito bom para ele e para os moradores — explicou o comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte.

UPP Verde vai começar pelo Morro Dona Marta

O UPP Verde vai começar no Morro Dona Marta, em Botafogo, em clima de festa. Segundo o tenente-coronel Mário Fernandes, comandante do Batalhão de Polícia Florestal e do Meio Ambiente, o lançamento do projeto terá a apresentação da Companhia de Cães e do helicóptero verde da PM. O primeiro curso de monitoramento ambiental será dado a 50 pessoas da comunidade — estudantes a partir de 12 anos.

Elas receberão orientações sobre como cuidar do lixo e até da higiene pessoal, além de saber sobre a importância de não desmatar.

— A floresta faz parte do ambiente daquela população. A cobertura florestal é proteção para ela. É preciso que os moradores aprendam isso. O Parque Nacional da Tijuca é um lugar para eles usufruírem também. É preciso que o estado esteja lá, através do Batalhão Florestal, mas que as pessoas também estejam conscientizadas da necessidade de preservar.

Nós vamos combater o desmatamento — disse o comandante do Batalhão Florestal, ressaltando que não serão permitidas novas construções em área verde.

O coronel Mário Sérgio ressalta que a realidade agora é outra: — No passado, ficávamos ajudando os órgãos municipais e estaduais a colocarem as barreiras ecológicas. Tínhamos que fazer a patrulha e a defesa dos técnicos.

A crença da PM no programa das UPPs vai além: a corporação pretende enviar às regiões pacificadas seus capelães (pastores e padres que são militares). O Batalhão de Operações Especiais (Bope), porém, já está organizando eventos ecumênicos, como o realizado ontem para 200 moradores do Morro do Borel, na Tijuca.

— Hoje eles podem ver que somos cidadãos e não só policiais. Estamos quebrando paradigmas — disse o sargento Max Coelho, do Bope.

COLABOROU Renata Leite


Secretário vai ser o ‘xerife’ dos projetos

Há um mês no cargo, o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Ricardo Henriques, será o “xerife” dos projetos sociais e ambientais nas favelas com UPPs. A ideia é beneficiar, até o fim do ano, 220 mil moradores. Uma das prioridades será implantar uma política de capacitação de jovens.

Economista e professor da UFF, com a experiência de quem criou o programa BolsaFamília, do governo federal, Henriques será o responsável pela interlocução entre as comunidades e os órgãos estaduais, municipais e a iniciativa privada. Ele frisa que não atuará como “síndico” das favelas, ou seja, um mero recebedor de demandas e reclamações.

O primeiro passo para organizar todos os programas já existentes nas comunidades será eleger os melhores. Para isso, será necessário fazer um raio X das favelas com UPPs, abrindo as portas dessas áreas para ações públicas, da iniciativa privada e de ONGs.

Projeto de rádio comunitária é elogiado

Um dos projetos que já ganhou a simpatia da equipe da secretaria, para ser implantado em comunidades com vocação musical, como a Cidade de Deus, é o da rádio comunitária transmitida pela internet, num modelo semelhante ao criado na Favela de Vigário Geral. Para implantar uma rádio, segundo o secretário, é necessário ter um amplo estúdio e modernos equipamentos — atrativos perfeitos para o públicoalvo desse tipo de iniciativa, o jovem.

— Vejamos um caso: um jovem cujo irmão foi assassinado e que é filho de uma mulher negra, analfabeta e sem marido. Se eu achar que o imaginário dele e a sua relação com o poder público são análogos aos da minha filha, eu não estou entendendo nada de política pública. Temos que analisar cada caso e buscar soluções que seduzam aquele tipo de jovem — argumentou Henriques, que cita também o grafite como um modo de integrar os jovens.

A ideia é, entre outras, combater a pobreza extrema de algumas áreas do Rio, como a localidade conhecida como Caratê, na Cidade de Deus, onde há moradores que convivem com o esgoto a céu aberto. Já nas favelas da Zona Sul, a intenção é estimular a vocação turística das comunidades, aproveitando a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, com a criação de cursos de inglês e espanhol para os moradores.

— Com a cidade pacificada, é possível reduzir as desigualdades, acabar com os efeitos da cidade partida. É preciso dinamizar esta sociedade, por exemplo, implantando bancos nesses locais. Se a pessoa for beneficiada pelo Bolsa-Família, poderá resgatar o seu dinheiro na sua própria comunidade — diz o secretário de Assistência Social.

Secretário defende integração de políticas Para tratar do trabalho que será feito nas favelas com UPP, foi realizada na última terçafeira, no Palácio Guanabara, uma reunião com o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, secretários e representantes da iniciativa privada e da área acadêmica.

— Há uma tendência de fragmentação das políticas. O que observamos é que há complexos, como o da Maré e o do Alemão, que têm dezenas de programas e ONGs. Já em outras comunidades, há um enorme vazio. Não há desenvolvimento sustentável sem integração — afirma Henriques. — Se eu integro a escola a uma lógica de educação ambiental, isso vai afetar a vida das crianças e das pessoas ao seu redor. É uma forma de fazer com que o ensino fundamental dê mais qualidade de vida no que se refere ao destino do lixo, por exemplo.

Atualmente, há UPPs nos morros Dona Marta (em Botafogo); Babilônia/Chapéu Mangueira (Leme); Pavão-Pavãozinho/Cantagalo e Tabajaras/ Cabritos (Copacabana); Providência, Pinto e Pedra Lisa (Centro); na Cidade de Deus (Jacarepaguá); e no Jardim Batam (Realengo). Na Tijuca, estão em fase de implantação duas UPPs abrangendo os morros do Borel, da Casa Branca, da Formiga, da Indiana, do Catrambi, do Cruz e da Chácara do Céu.

26/04/2010 - 20:44h Imprensa estrangeira destaca Brasil como ator internacional

Sílvio Guedes Crespo – O Estado SP

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Capa de caderno especial do Wall Street Journal sobre o Brasil (29/03/2010)

A exposição do Brasil na grande imprensa estrangeira aumentou 65% no primeiro trimestre deste ano, com a maior parte das reportagens chamando atenção para o fato de o País estar despontando como um jogador importante na comunidade internacional, segundo pesquisa da agência de comunicação Imagem Corporativa.

O número de reportagens sobre o Brasil em grandes jornais, revistas e agências de notícias do exterior aumentou de 671 no primeiro trimestre do ano passado para 1.111 em período equivalente de 2010, das quais 82% são positivas.

O jornal estrangeiro que mais citou o Brasil no primeiro trimestre foi o britânico Financial Times, com 257 reportagens (veja gráfico – clique). Por sinal, o correspondente do diário no País, Jonathan Wheatley, adiantou ao Radar Econômico que publicará no dia 6 de maio mais um caderno especial sobre o Brasil – o terceiro em cerca de seis meses - desta vez sobre infraestrutura.

Depois do Financial Times, os que mais citaram o Brasil foram o argentino Clarín (com 127 menções), o norte-americano The Wall Street Journal (116) e o chileno El Mercurio (103).

A maior parte do conteúdo sobre o Brasil nesses jornais se refere à economia, dividida pela pesquisa em temas como:  o País como “player interncaional” (28,7% das menções), empresas ou executivos brasileiros (20,3%),  o País como local de investimento (16,6%); comércio exterior (9,4%) e negócios (5,5%) – como mostra o gráfico abaixo.

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A pesquisa abrange veículos de comunicação de 11 países: Asahi Shimbun (Japão), China Daily (China), Clarín (Argentina), El Mercurio (Chile), El País (Espanha), Financial Times (Reino Unido), The New York Times (EUA), Le Monde (França), RIA Novosti (Rússia), The Economic Times of India (Índia), The Economist (Reino Unido), The Times of India (Índia), The Globe and Mail (Canadá), Wall Street Journal (EUA) e Washington Post (EUA).