05/11/2009 - 11:34h Brasileiros de baixa renda viajam mais

Nos últimos dois anos, o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem aumentou 83%, segundo levantamento do governo

Renato Andrade, BRASÍLIA – O Estado SP

O aumento da renda dos brasileiros contribuiu para a expansão do número de turistas dentro do País, de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo governo. Segundo o levantamento, o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em relação ao verificado em 2007. Para o ministro do Turismo, Luiz Barretto, os dados mostram que o turismo começa a fazer parte da lista de consumo dos brasileiros de menor renda, o que significa um novo desafio para as empresas do setor. “Temos que ter produtos para essa nova classe média”, disse.

De acordo com o levantamento, 58,8% dos 2.514 entrevistados pelo Instituto Vox Populi fizeram pelo menos uma viagem no Brasil entre 2007 e 2009. Na pesquisa anterior, esse porcentual era de 32%. O número de pessoas que não viajou e nem pretende viajar nos próximos dois anos caiu para 7,6%, ante 32% na pesquisa de 2007. Neste caso, a falta de dinheiro continua sendo o principal entrave. As entrevistas foram feitas em 11 capitais, entre 17 de junho e 7 de julho.

De acordo com a pesquisa, 15,8% das pessoas que recebem de um a três salários mínimos fizeram uma viagem nos últimos dois anos. Na faixa entre 3 a 5 salários mínimos, esse fatia sobe para 19,7%. “Esse número é expressivo”, disse Barretto. “O turismo era muito concentrado nas classes A e B, e a classe C tem entrado e contribuído para o alargamento da base”, acrescentou.

A pesquisa mostra ainda que a internet tem ganhado mais espaço como instrumento de pesquisa para definir roteiros de viagens. A rede mundial de computadores foi citada por 39% dos entrevistados como a principal fonte de informação, praticamente empatada com a tradicional consulta a amigos e familiares, ainda a melhor alternativa para 41% dos entrevistados.

O planejamento das viagens por conta própria também é outra característica do turista brasileiro revelada pela pesquisa. Da parcela de entrevistados que fizeram alguma viagem desde 2007, mais de 78% não utilizaram os serviços oferecidos pelas agências de viagem. Para Barretto, as empresas do setor devem buscar mais especialização e diversificação, para tentar atender aos diferentes perfis de turistas do País.

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Classe C viaja mais e turbina turismo no país, diz estudo

Pesquisa traça o perfil do turista; NE é destino preferido


JOHANNA NUBLAT – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O brasileiro viajou mais a turismo pelo país nos últimos dois anos, segundo indica pesquisa divulgada ontem pelo Ministério do Turismo. O percentual dos que fizeram pelo menos uma viagem interna passou de 32,4%, entre 2005 e 2007, para 58,8% nos últimos dois anos (variação de 83,7%).
O estudo mostra ainda que caiu de 32,5% para 7,6% o percentual de brasileiros que não viajaram nos dois anos anteriores e não pretendiam viajar nos dois seguintes.
O gasto médio total dos que viajaram, por outro lado, teve uma queda de 9% no período. Essa diminuição pode ser explicada em parte pela ampliação da base dos consumidores, trazendo para o consumo pessoas com renda menor, diz Márcio Nascimento, diretor do Departamento de Promoção e Marketing Nacional da ministério. Outra justificativa, segundo a pasta, é o barateamento de parte dos serviços.
A presença maior das pessoas de renda mais baixa deve fazer a “indústria do turismo repensar o hábito do mercado”, afirma o ministro da pasta, Luiz Barretto. “Há uma nova classe média com quem dialogar. Mais de 60% de quem viajou ganha até dez salários mínimos. A chamada classe C tem um peso também no turismo.”
Além desse fator, outros colaboraram para o aumento do turismo nacional, como a crise econômica e a gripe A (que diminuíram viagens para países vizinhos), diz o governo.
A pesquisa foi feita pelo Instituto Vox Populi, com 2.322 entrevistas entre junho e julho deste ano em 11 capitais. Foram ouvidos maiores de 18 anos, de todas as classes econômicas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O perfil traçado do viajante brasileiro mostra que ele viaja principalmente com a família, para destinos no Nordeste e por um curto período de tempo (54,6% por até uma semana).
A grande maioria (80,3%) se desloca nas férias e um número expressivo viajou nos feriados e finais de semana prolongados (66,8%) nos últimos dois anos -a pesquisa anterior mostrava um percentual menor, de 41%.
O brasileiro também recorre mais a dicas de conhecidos e à internet para planejar sua viagem, buscando agências especializadas em viagens apenas em 5,6% dos casos.
As estradas são usadas pela maioria das pessoas: 41,8% usam normalmente o carro, e 23,8%, o ônibus. O avião é usado por 33,5% dos viajantes.
Apesar de pensarem o deslocamento com certa antecedência, 19,9% dos viajantes pagam a viagem em até sete dias da partida. O pagamento é feito à vista em 63,2% dos casos.
Esses dados se referem ao chamado cliente atual, ou seja, o que viajou pelo menos uma vez nos últimos dois anos. A pesquisa mostra ainda as expectativas do cliente potencial: o que demonstra interesse de procurar destinos nacionais nos próximos dois anos.
Há diferenças entre esses dois públicos, como a renda. Enquanto 35,5% dos que viajaram têm renda familiar de até cinco salários mínimos, 58,5% dos que pretendem viajar nos próximos anos pertencem a essa faixa salarial.
Trabalhar esse “turismo social”, oferecendo produtos às classes C e D, é um dos principais pontos da pesquisa que podem levar ao desenvolvimento de políticas públicas e privadas, explica Elisangela Machado, do CET (Centro de Excelência em Turismo) da UnB. Outro é a referência ao maior uso de hotéis. “Se eu tenho mais brasileiros viajando e vou ter um incremento ainda com a Copa, como vou atender meu público interno e externo?”

05/11/2009 - 10:29h Brasil: “Uma superpotência pronta para alimentar o mundo”

Toda Mídia – FOLHA SP


NELSON DE SÁ – nelsonsa@uol.com.br

Em progresso

ft.com
Em destaque, a comemoração pelos Jogos e as entrevistas com Lula e Coutinho

O “Financial Times” publica hoje e adiantou ontem em texto e PDF um caderno especial de dez páginas sobre investir no Brasil. Destaca longas entrevistas, inclusive vídeo, com Lula e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, cotado para ser o presidente do Banco Central. Ocupando metade da capa, um anúncio do Bradesco. Nas páginas internas, várias estatais, mais Andrade Gutierrez e Votorantim.
No enunciado da primeira página, “Louvor olímpico põe selo no progresso”. Na home page do caderno, “Superpotência pronta para alimentar o mundo”. Ao longo dos 36 textos, temas como o Bolsa Família que “faz diferença de verdade”; a aspiração de ser destino turístico global, mas também a violência no Rio; e o “forte crescimento depois de breve queda”.

Investing in Brazil

05 November 2009 – FINANCIAL TIMES

Ipanema

Inside this issue

• A superpower that is ready to feed the world

• The aspiration to become a world-class destination

• Much must be done to be ready in time for the Olympics – -

Content

Olympic accolade sets seal on progress

Jonathan Wheatley considers the strides that the South American giant has made and the pitfalls ahead

Banking: Quick recovery, enviable outlook

The sector has prospered thanks to wide spreads and tight regulation, explains John Rumsey

Capital markets: Strong growth after slight dip

It has been a good crisis but some are worried about the tax on inflows, reports Jonathan Wheatley

Celebrity status in the field of IPOs

A respected monetary policy and deep interest rate cuts have made the country an attractive option for emerging market equity investors, writes Samantha Pearson

Power generation: Amazon dam comes under close scrutiny

Ed Crooks looks at a hydro-electric project in a fragile region

Agriculture: Superpower is ready to feed the world

Huge strides have been made in productivity, with scope for more, writes Jonathan Wheatley

Metals and mining: Government intent on more control

The sector is facing pressure over policy decisions, writes Jonathan Wheatley

Sugar and ethanol: A perfect storm of troubles

Samantha Pearson on the predicament of an industry striving to transform itself

IT: Culture of hi-tech and hustle fosters world-leading ambitions

Brazil is rapidly becoming a new world centre for IT and BPO, writes Dom Phillips

Telecoms: A sweet spot for mobiles

In Brazil, more people have mobile phones than bank accounts, writes Dom Phillips

The north-east: Still trying to catch up

Santo Antônio: Project Financing

Business life in Rocinha favela

Irrigation helps the drylands bear fruit

Walmart cuts retailing cloth to suit fast-growing local customers

Retail: The battle for consumers heats up

Oil and gas: Sunken treasure is ticket to the world’s VIP energy club

Embraer: The worst may be over

Hotels: An Olympian effort may be required

Housing profile: Tenda sees benefit of home-building programme

Franchising: Golden opportunities, but choose your partners wisely

Shoemaking: A prized industry has travelled north-east

Education: Expanding economy discovers it lacks the skills it requires

Bolsa Família scheme: Income support makes a real difference

Housing programme: Support for affordable housing and construction sector

Environment: Masses of trees and soon to be a big oil producer

Infrastructure: Too little for too long, but PAC may put things on track

Aspiration: World-class destination

Coconut water takes on the world

Tourism profile: Brazilian Beach House exploits gap in villa rental market

Business of fashion: The sexy Brazilian touch goes down well in Russia

Olympics: Rio’s glossy sell belies a litany of troubles

The beautiful game: malfeasance and goalposts

Transport: Highway concessions

Interview with Luciano Coutinho, president of the development bank, the BNDES

22/10/2009 - 09:02h Para Lula, empresários decepcionaram na crise; leia íntegra da entrevista

Alan Marques/Folha Imagem

O presidente Lula dá entrevista à Folha, no CCBB, em Brasília


da Folha de S.Paulo – Kennedy Alencar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista para o repórter especial da Folha, Kennedy Alencar. Leia abaixo íntegra da entrevista:

FOLHA – É correto classificar de marolinha uma crise que gerou desemprego, redução de investimentos e derrubou o crescimento da economia de 5% ao ano para 1% em 2009 no cenário mais otimista?
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – Foi correto. Temos que separar a crise em dois momentos. Até setembro de 2008, discutíamos a crise do subprime quando ainda não havia o problema dos bancos. Até esse momento, o Brasil sentiria muito pouco a crise por várias razões. A economia estava sólida. Havíamos diversificado nossas exportações. Os bancos brasileiros tinham maior solidez e havia maior controle do Banco Central. Quando veio o Lehman Brothers [quebra do banco americano de investimentos em setembro de 2008], aconteceram duas coisas graves. O dinheiro desapareceu. Uma empresa como a Petrobras passou a pegar empréstimos na Caixa que seria destinado a pequenas empresas brasileiras.

FOLHA – Ali não houve um tsunami?
LULA – As coisas não aconteceram aqui como em outras partes do mundo porque nós tomamos medidas imediatas. Liberamos R$ 100 bilhões do depósito compulsório para irrigar o sistema financeiro. Fizemos com que o Banco do Brasil e a Caixa agilizassem mais a liberação de crédito. Fizemos o Banco do Brasil comprar carteiras de bancos menores que estavam prejudicados. Fizemos o Banco do Brasil comprar a Nossa Caixa em São Paulo e comprar 50% do Banco Votorantin. Era preciso que os bancos públicos entrassem em outras fatias do mercado, em que não tinham expertise, como financiar carro usado.

Nos debates com empresários, a minha inconformidade é que houve no mês de novembro e dezembro uma parada brusca desnecessária de alguns setores da economia.

FOLHA – Em outubro de 2007, o sr. disse que tinha aprendido que era importante governar também para a burguesia, que possuía uma visão diferente de quando era dirigente sindical, pois tinha um lado claro. Como presidente, precisava governar para todos, pobres e ricos.

Disse também que a burguesia brasileira era a “burguesia que sempre foi, a burguesia que está sempre querendo mais”. Falou ainda: “Da minha parte, não existe preconceito. Tenho consciência de que estão ganhando dinheiro no meu governo como nunca”.

FOLHA – Durante a crise econômica internacional, o que o sr. achou do papel do empresariado brasileiro?
LULA – Alguns setores empresariais resolveram colocar o pé no breque de forma muita rápida, a começar do setor automobilístico, que seguia a orientação das matrizes, que estavam em situação muito delicada. Tinha um estoque razoável. Estavam numa situação privilegiada de produção e venda de carros. De repente, a indústria automobilística parou. Quando ela para, para uma cadeia produtiva que representa 24% do PIB industrial brasileiro. E outros setores que já tinham empréstimos assegurados com o BNDES pararam porque ninguém sabia o que ia acontecer.

Aí, fizemos desonerações, liberação de financiamentos, o Meirelles colocou dinheiro das reservas para facilitar nossas exportações. Depois, descobrimos outra coisa grave, os derivativos, feitos por empresas que não pareciam que faziam derivativos. Foi outro problema. Tivemos de conversar com empresa por empresa. Discutir como financiar, como evitar que algumas quebrassem, e colocamos o BNDES em ação.

FOLHA – No auge da crise, os bancos privados secaram o crédito. A Vale e a Embraer demitiram de imediato. Foi um comportamento à altura do país naquele momento?
LULA – Não foi. Foi precipitação do setor empresarial, que deveria ter tido tido a tranquilidade que o governo teve. Deveriam ter ouvido o pronunciamento de 22 de dezembro em que fui à TV contraditar a tese de que as pessoas não iam comprar com medo de perder o emprego. Fui dizer que iam perder emprego exatamente se não comprassem.

FOLHA – O sr. comprou algo?
LULA – Lógico. Comprei geladeira nova.

FOLHA – E a sua opinião hoje sobre a burguesia, pós-crise?
LULA – Não utilizo mais a palavra burguesia.

FOLHA – Sobre o grande capital nacional?
LULA – Tem setores diferenciados. Não pode colocar todo mundo no mesmo barco. Tem o setor automobilístico que é dinâmico, mas depende de orientação da matriz. Como a matriz, estava numa situação muito delicada, a orientação recebida aqui era para colocar o pé no breque. Tinha o setor siderúrgico, com 60% da produção para exportação, que, de repente, minguou. A Vale exportava quase tudo o que produz de minério. Na hora em que caiu a demanda da China, houve um breque. O que me deixou decepcionado é que as pessoas deveriam ter tido a paciência para ver o tamanho do buraco. Quando dizíamos que o Brasil seria o último a entrar na crise e o primeiro a sair, nós estávamos convencidos do potencial do Brasil e do mercado interno. Há anos venho dizendo: o problema do Brasil não é o custo final do carro, o problema é saber se a mensalidade que o trabalhador vai pagar cabe no seu holerite.

Hoje é um fato consagrado no mundo inteiro: o Brasil hoje é o país mais bem preparado e o que melhor enfrentou a crise.

FOLHA – O sr. vai prorrogar a isenção de IPI para a linha branca? Total ou parcialmente?
LULA – Essas coisas a gente não diz sim ou não com antecedência. Se eu disser agora que vai ser prorrogado, as pessoas que iam comprar agora deixam de comprar.

FOLHA – O sr. tem simpatia pela prorrogação?
LULA – Tanto que tenho simpatia que fiz a desoneração.

FOLHA – Com o dólar no patamar de R$ 1,70 e juros ainda altos na comparação com outros países, o sr. não teme viver uma crise cambial em 2010 ou deixar uma bomba-relógio para o sucessor?
LULA – Nunca trabalhei com juros altos tendo como parâmetro outros países.

FOLHA – Mas os juros no Brasil são altos, e o sr. reclama.
LULA – Sei. Mas trabalho na comparação com o que era. Em vez de ficar achando que a calça do outro é apertada, eu vejo a minha de manhã. O Brasil tem a menor taxa de juros de muitas décadas.

FOLHA – A taxa básica não poderia estar menor?
LULA – Poderia. Mas, descontada a inflação, temos 4%, 4,5% de juro real. Há muitas décadas o Brasil não tinha esse prazer. O problema hoje é o spread bancário, que ainda está alto, e o governo tem trabalhado para reduzir.

FOLHA – O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tem uma crítica…
LULA – Deixa eu falar do câmbio. Depois respondo à crítica do Serra, que é menos importante para mim, para você e para o povo brasileiro. O câmbio sempre foi uma preocupação nossa. Se um dia você for presidente da República e sentar naquela cadeira, vai entrar na sua sala uma turma reclamando que o dólar está baixo, porque ele é exportador e está perdendo. Quando sai, entra a turma dos compradores, importadores, que acham que o dólar está maravilhoso, que é preciso manter assim. Aí entra o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e dizem que é maravilhoso o dólar baixo porque controla a inflação.

Agora, antes que aconteça, uma superentrada de dólares no Brasil, reduzindo muito o valor do dólar em relação ao real, criando problema na balança comercial, e com algumas empresas exportadores tendo problema, nós demos um sinal com o IOF [Imposto sobre Operações Financeiros, que passou a ser cobrado no ingresso de capitais]. Demos um sinal para ver se a gente equilibra.

FOLHA – Especialistas dizem que o IOF será inócuo?
LULA – Se for inócuo, mudamos. Há uma disputa. O setor produtivo totalmente favorável, e o financeiro totalmente contrário. Isso é importante, porque significa que o governo está no caminho do meio, e aí é mais fácil a gente acertar.

FOLHA – A crítica básica do Serra é a seguinte: o Banco Central jogou fora na crise um bilhete premiado, que seria a oportunidade de baixar mais os juros sem custo. Agora, a crise acabou, a taxa está alta, pode ter que aumentar e jogou fora o bilhete premiado?
LULA – Vivi os dois lados. Quando se é oposição, você acha, pensa, acredita. Quando é governo, faz ou não faz. Toma decisão. O Serra participou de um governo oito anos. Tiveram condições de tomar decisões e não tomaram. Obviamente, qualquer um que for presidente, tem o direito de tomar a posição que bem entender. É como jogador bater pênalti. Brincando todo mundo marca gol. Na hora do pega para capar, até pessoas como o Zico e o Sócrates perderam pênalti.

FOLHA – Uma crítica de especialistas e da oposição é o aumento dos gastos públicos no segundo mandato. Além da elevação temporária de gastos na crise, há despesas permanentes que pressionarão o caixa no futuro e tornarão mais difícil baixar os juros. O sr. estaria deixando uma herança maldita.
LULA – As contas do governo nunca estiveram tão boas na história deste país. A política anticíclica na crise fez com que o governo deixasse de arrecadar uma enormidade de dinheiro. Mas é o preço que a gente tem de pagar. Compare o que colocamos de dinheiro na crise, com desoneração, com o que os países ricos tiveram de colocar. Foram trilhões de dólares colocados para ajudar o sistema financeiro, coisa que não precisamos fazer.

FOLHA – Saiu barato?
LULA – Eu acho. Em setembro, recuperamos os empregos que perdemos na crise e muito mais. Vamos chegar a um milhão de empregos no final do ano. Veja o mundo desenvolvido.

FOLHA – Qual é a sua previsão de crescimento do PIB para este ano?
LULA – Positivo, entre 1% e 1% e pouco. Se não houvesse a brecada brusca entre dezembro e janeiro, poderíamos ter crescido 2,5%, 3% com certa tranquilidade. O importante é o sinal para 2010.

FOLHA – Aquela brecada do empresariado sacrificou crescimento econômico?
LULA – O empresário brasileiro foi vítima de uma circunstância. O pânico criado no mundo fez com que todo mundo acordasse de manhã achando que ia acabar o mundo. O pânico precipitou decisões de recuo de setores empresariais. Eu chamei empresários, disse que tínhamos de aproveitar a crise, que tínhamos dinheiro no BNDES, que as empresas com dinheiro em caixa tinham de fazer investimento agora porque, quando a crise acabasse, estaríamos preparados para ocupar outro patamar no mundo. O momento não é de medo, é de investir. Eu jamais demoraria o tanto que foi demorado nos Estados Unidos para salvar a GM.

FOLHA – Aécio Neves ataca o inchaço da máquina e diz que o sr. faz um governo para a companheirada. Como o sr. responde?
LULA – Tem duas concepções de ver o Brasil. Tem pessoas que governam o Brasil para o imaginário de uma pequena casta. E tem pessoas que governam pensando em envolver 190 milhões de brasileiros. Quebramos o preconceito de primeiro tem que enxugar a máquina, fazer o país crescer e, então, dividir. Vivi isso durante quatro décadas. Quando resolvemos fazer política social, dissemos que era possível crescer concomitantemente e criamos uma nova casta de consumidores que está ajudando a indústria e o comércio.

FOLHA – O sr. recuou no envio de um projeto para cobrar IR de poupança acima de R$ 50 mil e mandou normalizar a devolução da restituição do IR. A lógica eleitoral, com temor de desgaste, autoriza a conclusão de que o sr. não pretende tomar medidas impopulares até o final do governo?
LULA – (Risos). Não faça injustiça, querido. Não adiamos o envio do projeto de lei. Decidimos o que íamos fazer em março, por unanimidade. A oposição que imaginava pegar a poupança como cavalo de batalha, ficou sem discurso. Em vez de a Fazenda mandar em março, como era algo que só valeria para 2010, esperou para mandar agora.

FOLHA – Vai enviar ao Congresso?
LULA – Vai mandar. Obviamente, poderemos discutir outras bases. Vai mandar, vai mandar.

FOLHA – E sua ordem para normalizar o pagamento da restituição do IR?
LULA – Não havia nada de anormal. No Brasil, já tivemos momentos em que a devolução atrasou. No nosso governo, tivemos momentos em que adiantou.

FOLHA – O ministro da Fazenda disse que estava atrasado, e o sr. deu a ordem para acelerar.
LULA – Lógico, porque tem que pagar. Nós precisamos de consumo. Precisamos que o povo tenha dinheiro para comprar. Falei com o Guido [Mantega]: Guido, nós precisamos que o povo tenha dinheiro para comprar. O povo tem de ter o dinheiro em dezembro.

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“No Brasil, Jesus teria de fazer aliança com Judas”

FOLHA – Por que o sr. escolheu Dilma como candidata, uma cristã nova no PT e pessoa que nunca disputou eleição, sem fazer uma discussão no partido e levar em conta os nomes de governadores, como Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE), e de ministros, como Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Tarso Genro (Justiça)?
LULA – Não estava em discussão quem era PT mais puro sangue, menos puro sangue. Era uma questão de viabilidade política. Dilma é a mais competente gerente que o Estado brasileiro já teve. A capacidade de trabalho da Dilma, a competência, o passado político e o presente, me faz garantir que a Dilma é uma excepcional candidata a presidente da República.

FOLHA – O sr. nunca havia sido gestor, era político, virou presidente e faz um governo bem avaliado. Seu argumento não é muito tucano, essa coisa de gerente.
LULA – Não é tucano, não. Além de extraordinária gestora, a Dilma é um extraordinário quadro político. Tem firmeza ideológica, tem compromisso, tem lealdade, sabe de que lado está.

FOLHA – O sr. a acha preparada para presidir o Brasil?
LULA – Muito preparada.

FOLHA – Já há faixas na rua dizendo que Dilma eleita equivale ao terceiro mandato de Lula.
LULA – É exatamente o contrário. Uma mulher que tem a personalidade que a Dilma tem. Conheço bem a personalidade dela. Isso vai exigir que eu tenha o bom senso de quando elegi o Jair Meneguelli presidente do sindicato de São Bernardo, o José Dirceu presidente do PT. Rei morto, rei posto. A Dilma no governo tem de criar a cara dela, o estilo dela, o jeito dela de governar.

FOLHA – Falando do estilo, ela é retrata por pessoas do governo como muito dura no trato pessoal, que falta habilidade política, que massacra algumas pessoas. Isso não é ruim para um presidente?
LULA – O Brasil já teve muitos governantes maleáveis, e não deram certo? Você tem de ser bom, afável, duro, em função de cada circunstância. Uma mulher por si já tem a necessidade de ser mais retraída, pelo preconceito que existe contra a mulher. A Dilma vai surpreender esse país. Quem pensa que a Dilma é uma mulher grosseira, é uma mulher dura, está errado. Na sua casa, se você for com uma gracinha para o lado de sua mulher, ela vai lhe dar um tranco. Se a conversa for séria, não vai dar. E a Dilma tem toda a clareza disso.

FOLHA – Dilma precisará refazer sua imagem, tomar um banho de loja, semelhante ao que o sr. fez em 2002?
LULA – (Risos) Por esse aspecto, não precisa. Não mudei minha cara. Comprei apenas um terno novo para 2002. Não é possível mudar a cara. A pessoa pode aprimorar. Em 2002, fizemos uma pesquisa em que 85% diziam que a reforma agrária tinha de ser pacífica. Levei mais de 15 dias para que minha boca pudesse proferir reforma agrária tranquila e pacífica. Essas mudanças têm de ter. Algumas que a gente fala, pensando que está agradando, não batem com o que povo pensa.

FOLHA – O sr. defende uma coalizão e uma disputa plebiscitária. Se a coalizão é tão importante, por que faz tanta questão que o candidato seja do PT e não de um partido aliado?
LULA – Porque seria inexplicável para grande parte da sociedade brasileira o maior partido de de esquerda do país, que tem o presidente da República atual, não ter um sucessor. Apenas por isso.

FOLHA – Fechou ontem a aliança ontem com o PMDB?
LULA – Patrocinei uma reunião de líderes do PT com o PMDB, que fizeram uma nota. Haverá um acordo nacional, e a chapa será PT-PMDB.

FOLHA – Michel Temer é o nome para vice?
LULA – Não posso dar palpite. Quem discute vice é o candidato a presidente.

FOLHA – O sr. ainda tem o desejo de que Ciro seja vice de Dilma e que o PMDB apoie?
LULA – Um presidente não tem desejo. Faz o que é possível.

FOLHA – É possível?
LULA – Na política, tudo pode acontecer. O Ciro tem todas as condições de ser candidato a presidente. Sou um homem feliz. Feliz desse país, que tem o Ciro, a Dilma, o Serra, o Aécio, a Marina, a Heloísa Helena. Nesse espectro, não tem ninguém de extrema-direita ou conservador ao extremo. Todos tem história. Não acho que é mérito meu, não. Fernando Henrique Cardoso tem importância nisso, pelo fato de ter feito comigo uma transição excepcional.

FOLHA – Se Ciro se mantiver emparelhado ou à frente de Dilma em março, quando o sr. e ele combinaram de tomar uma decisão final, que argumento o sr. pode usar para convencê-lo a desistir da Presidência e concorrer em São Paulo?
LULA – Não vou tentar convencê-lo.

FOLHA – O sr. patrocina a articulação para ele ser candidato a governador de São Paulo.
LULA – Não é verdade. Não patrocino. O Ciro pertence a um partido pelo qual tenho profundo respeito. O PSB tem os mesmos direitos do PT. Sou o único cidadão que não tem autoridade moral para pedir para alguém não ser candidato. Fui candidato a vida inteira. Só cheguei à Presidência porque teimei. Muita gente achava que eu tinha de desistir. Jamais farei isso [pedir para Ciro desistir].

FOLHA – Como o sr. explica ter um governo popular e a oposição liderar nas pesquisas sobre sucessão?
LULA – Ainda não temos candidatos

FOLHA – Os motivos? Recall?
LULA – Lógico que é recall. O fato de ter um candidato da oposição que é governador de São Paulo, já foi candidato a presidente, que já foi senador, que já foi ministro, tem uma cara muito conhecida no Brasil inteiro.

Obviamente, a transferência de voto não é como passe de mágica. Vamos trabalhar para que a gente possa transferir todo o prestígio angariado pelo governo e pelo presidente para a nossa candidatura.

FOLHA – O sr. diz que ainda não há candidatos. Mas todo dia a Dilma aparece com o sr. no noticiário, viajando. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, classificou de vale-tudo as viagens que viram comícios.
LULA – Você passa o tempo inteiro plantando a sua rocinha. É justo que, quando ela ficar no ponto de colher, você vá colher. Foi grande o sacrifício que fizemos para o Brasil voltar a investir em infraestrutura. A gente não tinha dinheiro. Se olhássemos o saldo de caixa do governo para fazer o PAC, a gente não teria feito. Foi uma decisão de faríamos e arrumaríamos dinheiro onde fosse necessário.

A Dilma trabalha das oito, nove da manhã às três da manhã. Quando era ministra das Minas e Energia, ela ficava, às vezes, três e meia da manhã, ficava comendo lanche com os assessores para fazer as coisas andar. Ninguém pode ser contra a Dilma ir às obras comigo. Até porque, se ela for candidata, a lei determina quem tem prazo em que ela não poderá mais ir. Até chegar lá, ela é governo. É um debate pequeno.

FOLHA – Mendes disse que o governo testa o limite da Justiça Eleitoral.
LULA – É um debate pequeno. Cada brasileiro, seja ele presidente da suprema corte ou o mais humilde, tem o direito de falar o que bem entender, mas tem uma lógica. Nós vamos continuar inaugurando obra. Tudo que a oposição quer é mostrar na TV tudo o que eu não fizer. O que eu fizer eu tenho obrigação de inaugurar, porque sei qual foi o sacrifício para chegar aonde chegamos.

FOLHA – O sr. teme uma chapa Serra-Aécio?
LULA – Não [com voz firme].

FOLHA – O sr. pediu a Aécio para não ser vice de Serra?
LULA – [Riso] Não, não.

FOLHA – O sr. não subestimou Marina, que deixou o PT para, segundo ela, construir uma nova utopia no PV?
LULA – Se ela acredita nisso, não sou que vou desmentir. Nunca subestimei a Marina, porque a adoro como pessoa humana. Tenho carinho por ela. Fomos militantes juntos por 30 anos. Ela me pediu demissão em janeiro do ano passado, eu não dei. Na medida em que quis sair do governo e do partido, é um direito dela. Só tenho que desejar sorte, que Deus ajude. É uma pessoa boa.

FOLHA – Por que o sr. não abandonou Sarney na crise do Senado?
LULA – Por uma razão muito simples. O PT teve candidato a presidente do Senado, derrotado [Tião Viana, do Acre]. Não entendi porque os mesmos que elegeram Sarney, um mês depois, queriam derrubá-lo. Coincidentemente, o vice não era uma pessoa [Marconi Perillo, do PSDB de Goiás] que a gente possa dizer que dá mais garantia ao Estado brasileiro do que o Sarney. A manutenção do Sarney era questão de segurança institucional. O Senado está calmo. Está funcionando. Qualquer cidadão pode perder a cabeça, um presidente da República não pode perder a cabeça.

FOLHA – Se Sarney caísse, acabaria sua sustentação política no Senado?
LULA – A queda do Sarney era o único espaço de poder que a oposição tinha. Aí, ao invés de governabilidade, iam querer fazer um inferno neste país. Foi correta a decisão de manter o Sarney no Senado.

FOLHA – Falando do seu papel como presidente da República, o sr. chegou a dizer que Sarney não poderia ser tratado como um cidadão comum. Não é incorreto numa democracia, onde ninguém está acima da lei? Um presidente falar isso não transmite mensagem ruim?
LULA – É verdade que ninguém está acima da lei, mas é importante que a gente não permita a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas. Sarney foi presidente. Os ex-presidentes precisam ser respeitados, porque foram instituições brasileiras. Não pode banalizar a figura de um ex-presidente. O que vem depois da negação da política é pior do que a gente tinha. O mundo está cheio de exemplos.

A negação do socialismo, feita pela Gorbatchov, deu quem? O que tomava vodca lá, o [Bóris] Iéltsin. A relação com a política tem de ser mais séria. Não adianta falar mal do Congresso Nacional, porque ele é a cara do que foi votado pelo povo. O importante é que a democracia garante que a cada 4 anos haja troca.

FOLHA – O sr. apoiou Sarney, reatou relações com Collor, é amigo do Renan Calheiros, do Jader Barbalho e recebeu o Delúbio Soares recentemente na Granja do Torto. Todos eles são acusados de práticas atrasadas na política e até de corrupção. Ao se aproximar dessas figuras, o presidente não transmite ideia de tolerância com desvios éticos?
LULA – O dia que você for acusado, justa ou injustamente, enquanto não for julgado, terá de ser tratado como cidadão normal. Não tenho relações de amizade, mas relações institucionais. As pessoas ganharam eleições e exercem seus mandatos.

FOLHA – O cidadão que admira o Lula e o vê abraçado com essas figuras…
LULA – O cidadão que admira o Lula tem de saber que essas pessoas foram eleitas democraticamente. E o eleitor dessas pessoas é tão bom quanto ele.

FOLHA – O sr. trabalhou tanto pela reabilitação política de Palocci. O episódio do caseiro não é insuperável do ponto de vista eleitoral para um candidato majoritário?
LULA – Estranho a malandragem da pergunta: “O sr. trabalhou pelo Palocci”. Deixa eu lhe falar uma coisa, desejo que todos os que foram acusados, e acho que tem muita gente acusada injustamente, que todos sejam julgados. Palocci teve um veredicto. Não tem mais nenhuma pendência com a Justiça. Portanto, o Palocci pode ser o que ele quiser ser.

FOLHA – E [pendência] perante o eleitorado?
LULA – Aí terá de ser construído.

FOLHA – Ele pode ser candidato a governador de São Paulo?
LULA – Ele tem inteligência suficiente para saber se o momento é de ter uma candidatura ou não.

FOLHA – Qual é sua opinião?
LULA – Não tenho opinião. Se fizer a pergunta em março, terei opinião. Palocci pode reconstruir a vida dele. Durante os primeiros anos do meu governo, ele era considerado a pessoa mais respeitada no mundo empresarial, no mundo financeiro. Ele está quase perto de ser um gênio político e vai saber tomar a decisão.

FOLHA – Seu aliado Ciro Gomes diz que há “frouxidão moral” na hegemonia da aliança PT-PMDB, da qual o sr é o principal avalista. Sobre o encontro com o PMDB, disse: “Espero que o PMDB entregue o que prometeu. E espero que os argumentos dessa aliança sejam confessáveis publicamente”. Como o sr. responde a essas críticas?
LULA – A aliança com o PMDB e os demais partidos permitiram uma governança muito tranquila. Tive a governança mais tranquila que FHC e Sarney. Se for confirmada a aliança com o PMDB, será feito um documento público explícito para saber qual são os compromissos assumidos. Pra mim, as coisas têm de ser explícitas.

FOLHA – E a frouxidão moral?
LULA – É um conceito do Ciro.

FOLHA – Não quer responder.
LULA – Estou respondendo. É uma opinião do Ciro.

FOLHA – Não o incomoda?
LULA – Não. O Ciro esteve no meu governo. A única que não tem aqui é frouxidão moral.

FOLHA – Ciro disse que o sr. e FHC foram tolerantes com o patrimonialismo para fazer aliança no Congresso. Ou seja, aceitaram a prática política de usar os bens públicos como privados. “No governo Lula, vi um pouco de novo a mesma coisa”, ele disse em entrevista em fevereiro de 2008. Como responde a essa crítica?
LULA – Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, ele não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer, tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. E o eleitor escolheu seus representantes. Quem ganhar a Presidência amanhã, terá de fazer quase a mesma composição, porque este é o espectro político brasileiro. Não é o espectro do Ciro, do Lula, do FHC, do Serra, da Dilma. Coloque tudo isso na frigideira e perceberá que são os ovos que a galinha botou. São com eles que terá de fazer o omelete.

FOLHA – Nunca se sentiu incomodado por ter feito alguma concessão?
LULA – Nunca me senti incomodado. Nunca fiz concessão política. Faço acordo. Uma forma de evitar a montagem do governo é ficar dizendo que vai encher de petista. O que a oposição quer dizer com isso. Era para deixar quem estava. O PSDB e o PFL (hoje DEM) queriam deixar nos cargos quem já estava lá. Quem vier para cá não montará governo fora da realidade política. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.

FOLHA – É isso que explica o sr. ter reatado com Collor, apesar do jogo baixo na campanha de 1989?
LULA – Minha relação com o Collor é a de um presidente da República com um senador de um partido que faz parte da base da base. Os senadores do PTB têm votado sistematicamente com o governo.

FOLHA – Do ponto de vista pessoal, não o incomoda? Não lhe dá aperto no peito?
LULA – Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. A pessoa que é a razão de ele ter mágoa vive muito bem, e só ele sofre. Quando se chega à Presidência da República, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno. Tem de ter as atitudes de chefe de Estado. Fico sempre olhando quando a Alemanha e a França resolveram criar a União Européia. A grandeza daqueles dirigentes políticos, ainda com o gosto de sangue da Segunda Guerra Mundial.

FOLHA – O sr. cobrou um esclarecimento da ex-secretária da Receita, Lina Vieira. Ela achou a agenda e a data, 9 de outubro, em que teria se encontrado com Dilma e ouvido o pedido para acelerar as investigações da Receita sobre Sarney. A ministra e o governo não devem esclarecimentos que o sr. mesmo cobrou?
LULA – É fantástico. O engraçado é que quando se levanta uma tese, essa tese fica sendo martelada todo santo dia para ver se ela vinga. Ora, o governo mesmo disse que a Lina tinha vindo aqui em outubro. Isso foi nós que dissemos. Acho estranho tirar tantos dias de férias para depois encontrar sua agenda.

FOLHA – Não é preciso mais explicações da Dilma?
LULA – Não tenho dúvida nenhuma. Também não tenho dúvida de que a Lina também deve ser uma grande funcionária pública. Muitas vezes as pessoas são vítimas de uma palavra a mais ou a menos. Quando as pessoas viram vítimas de utilização política, quando fulano procura alguém, e ninguém fala diretamente, sempre alguém fala por eles, aprendi a não levar muito a sério.

FOLHA – O sr. acha que Lina está sendo usada?
LULA – A dona Lina é dona da sua consciência. A dona Dilma é dona da sua consciência.
p(star). *

“Papel da imprensa não é fiscalizar, é informar”

LULA – Não faz mal porque aprendi, ao longo da minha vida, cair e levantar, cair e levantar. A pesquisa de opinião pública é como medir a pressão.

FOLHA – Quando o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016, o sr. disse que simbolizava a entrada do Brasil no primeiro mundo político e econômico. O episódio de derruba de um helicóptero no último sábado não mostra que aquele Rio vendido lá é fantasia e que seu discurso é irrealista?
LULA – Pelo contrário. Disse que o Brasil tinha conquistado sua cidadania internacional. E reafirmo. Foi um momento glorioso ter a maior votação que um país já teve na história das Olimpíadas. Não foram escondidos os problemas sociais do Rio.

FOLHA – O secretário da Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, diz que “o Rio precisa que o governo federal assuma a responsabilidade legal pelo combate à droga”. Empurrou a responsabilidade para o governo federal.
LULA – O governador [Sérgio Cabral] contraditou o secretário. O secretário é uma figura da Polícia Federal muito respeitada, muito amigo do diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa. Em momentos de medo, de insegurança, as pessoas falam qualquer coisa. Converse com o governador para ver a parceria na área de segurança que estamos construindo.

FOLHA – O sr. assistiu ao filme “Lula, o filho do Brasil”?
LULA – Não. Estou sendo convidado. Quinhentas ofertas. Quero sentar com a minha família e ver o filme.

FOLHA – Com financiamento de grandes empresários e ajuda das centrais sindicais na distribuição, não é um instrumento de propaganda personalista?
LULA – Se isso prevalecer, não sei o que fazer. Vou entrar numa redoma de vidro, mandar cobrir e não apareço mais em lugar nenhum. Tem um livro sobre a minha vida que é pública. O cidadão resolve fazer um filme. A única condição que impus foi não ter dinheiro público, e eu não quero que fale do governo. Do governo, só quando acabar.

FOLHA – O sr. não teme a repercussão negativa entre os judeus do encontro com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad?
LULA – Muito pelo contrário. Não estou preocupado com judeus nem com árabes. Estou preocupado com a relação do estado brasileiro com o estado iraniano. Temos uma relação comercial, queremos ter uma relação política, e eu disse ao presidente Barack Obama (EUA), ao presidente Nicolas Sarkozy (França) e à primeira-ministra Angela Merkel (Alemanha) que a gente a não vai trazer o Irã para boas causas se a gente ficar encurralando ele na parede. É preciso criar espaços para conversar.

FOLHA – Ações recentes da política externa na América Latina foram de contraponto a Washington. O Brasil tem de ser um contrapeso à força dos EUA na região?
LULA – Não quero ser um contraponto a Washington. Quando propus a criação do Conselho de Defesa e de combate ao narcotráfico, tinha duas coisas na cabeça. Nós precisamos nos transformar numa zona de paz. E, enquanto América do Sul, a gente assuma a responsabilidade de combater o narcotráfico. Porque aí vai permitir que os países consumidores cuidem dos seus consumidores.

FOLHA – Zelaya completou completou um mês na embaixada brasileira fazendo política interna. Não foi longe demais?
LULA – Só tem um exagero em Honduras. É o golpista.

FOLHA – O sr. diz que a imprensa internacional elogia o Brasil e a nacional puxa o Brasil para baixo. Nos EUA, o Obama apanha da imprensa, e é elogiado na imprensa internacional. Isso não acontece porque a imprensa nacional conhece o país melhor?
LULA – [Risos] Quisera Deus que fosse verdade. Estou convencido de que a imprensa nacional conhece melhor o país, até porque tem obrigação de conhecer. Mas, às vezes, vejo um comportamento de um setor da imprensa muito ideologizado. Sou amante da democracia e da liberdade de imprensa. A maior alegria que tenho é que os leitores, ouvintes e telespectadores são os únicos censuradores que admito nos meios de comunicação. Portanto, cada um paga pelo que faz.

FOLHA – Um dos papéis da imprensa é fiscalizar o poder. O sr. não está incomodado com a imprensa cumprindo o seu papel?
LULA – Não incomoda.

FOLHA – O sr. disse que tem azia quando lê jornais.
LULA – Como presidente, nunca fico incomodado. Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. O papel é informar.

FOLHA – A imprensa não tem de ser fiscal do poder?
LULA – Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas. A imprensa tem de ser o grande órgão informador da opinião pública. Essa informação pode ser de elogios ao governo, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos. A única que peço a Deus é que a imprensa informe da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas nos editoriais.

FOLHA – O sr. acha legítimo o governo interferir na gestão de uma empresa privada como o sr. faz em relação à Vale?
LULA – Não interferi na Vale.

FOLHA – Houve interferência pública.
LULA – É preciso parar com essa mania de entender que só o presidente da República tem responsabilidade com o Brasil. Os 190 milhões têm. E, mais ainda, os empresários têm. E aqueles que receberam benefício do governo têm mais ainda. O que eu disse ao companheiro Roger foi pedir para a Vale colocar todo o seu poder de investimento em investimentos internos. Não apenas na exploração de minério, mas também na transformação desses minérios em aço.

Os trabalhadores da Vale sabem do carinho que tenho por ela. Tenho feito esforço em vários países do mundo, ajudando a cavar espaço para que a Vale seja empresa multinacional. Agora, não pode acontecer, quando deu um sinal de crise, mandar tanta gente embora como mandou. O Roger já sabe que houve equívoco nisso.

FOLHA – Na fusão da Oi com a Brasil Telecom, o sr. mudou a regra para favorecer um negócio em andamento de um empresário que é seu amigo e contribui para suas campanhas, Sérgio Andrade. Foi um benefício do Estado a um grupo privado. Isso não ultrapassa o limite ético?
LULA – Vocês são engraçadíssimos. Temos uma agência reguladora.

FOLHA – Mas o sr. assinou um decreto mudando a regra.
LULA – A legislação brasileira permite que a agência faça a regulação que melhor atenda ao mercado brasileiro. Estou convencido de que foi correta a decisão do governo.

*

Lula elogia Dunga e diz quem tem vaga garantida na seleção

O presidente Lula diz ser “excepcional” o saldo de Dunga na seleção brasileira. Acha que o Corinthians não tem mais chance de ganhar o Campeonato Brasileiro. O título, crê, está em disputa entre Palmeiras, São Paulo, Atlético Mineiro e Flamengo, que vem “despontando”.

Fala que Robinho “faz motocicleta” em campo. “Nem bicicleta é.” Conta que aconselhou Ronaldo a se preparar para ser convocado. Recusou-se a escalar seus onze titulares, mas opinou sobre quem teria vaga garantida para a Copa de 2010 na África do Sul.

“Dunga ganhou o que a gente não imaginava que ele ia ganhar”. Diz que o técnico foi “demonizado” como jogador em 1990, com “o fracasso da seleção” na Alemanha. Mas saiu como “herói” na Copa de 1994, nos Estados Unidos. “É casca de ferida.”

Falou que, se a seleção jogar a Copa de 2010 com “o espírito” da Copa das Confederações, “já está bom”. “Ganhar a Copa ou não, é consequência. Para o torcedor, o que é a gente quer, além de ganhar, é muita raça”, disse.

Para ele, Luís Fabiano “está excepcional” e será titular. Os outros titulares seriam Júlio Cesar, Maicon, Lúcio, Júan, Felipe Melo, Gilberto Silva e Kaká.

Apesar da irregularidade, Lula levaria Robinho para a África do Sul: “Às vezes, o cara é convocado porque o técnico tem afinidade com as pessoas que cumprem as tarefas do técnico. E o Robinho é aquele moleque de explosão. Tem dia que a gente fica nervoso porque ele não faz nada. Tem dia que a gente vê ele fazer lá uma motocicleta, nem bicicleta é, e marcar um gol espetacular”.

O presidente colocaria no grupo André Santos, Daniel Alves e Nilmar. “Se fosse técnico, levaria o Nilmar. Tenho de convocar 22 e só vou colocar 11 em campo. O Nilmar é um moleque de uma explosão extraordinária. Muito esperto, muito ligeiro”, opina.

Conta que disse a Ronaldo para se preparar fisicamente para “ser convocado” e ser reserva de Luís Fabiano. “O Ronaldão é sempre o Ronaldão”. Sobre Gilberto Silva, diz; “Sinto que é uma das figuras de confiança do Dunga”.

*

PINGA FOGO

Vale, a maior empresa privada do país
A cara do Brasil lá fora.

Roger Agnelli, presidente da Vale
Grande executivo.

Eike Batista, o homem mais rico do Brasil
Grande executivo.

Dona Lindu, mãe
Junto com a Marisa são as duas melhores mulheres do mundo.

Sr. Aristides, pai
Tenho boa lembrança do meu pai. Quando era pequeno, tinha muita bronca, porque ele era muito severo. Depois que fiquei politizado, tenho compreensão do motivo de meu pai ser rude.

Frei Chico, irmão
Figura excepcional

Lurdes, primeira mulher, que já morreu
Extraordinária

Marisa Letícia, primeira-dama
Uma das responsáveis pelo que eu sou

José Alencar, vice-presidente
O melhor vice do mundo

José Sarney, presidente do Senado
Grande republicano

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã
Não conheço bem

Barack Obama, presidente dos EUA
Grande esperança. Um bem para os EUA e para o mundo

Michele Obama, primeira-dama dos EUA
Muito simpática

Nicolas Sarkozy, presidente da França
Surpreendentemente extraordinário.

Carla Bruni, primeira-dama da França
Sei que é muito bonita

Cristina Kirchnerr, presidente da Argentina
Grande presidente. Vai terminar fazendo grande governo

Michelle Bachelet, presidente do Chile
Muito competente

Angela Merkel, primeira-ministra
Figura séria. A Alemanha está em boas mãos

Lula
Sempre procuro me comportar com a maior humildade possível. Gosto de falar com o povo. Odeio intermediário com o povo. Esse negócio de gente falar por mim, eu não gosto. Por isso, falo muito.

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19/10/2009 - 15:54h Preservando a memória e gerando emprego e renda

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19/10/2009 - 14:32h Crescimento do NE precisa ir além da alta do consumo

Conjuntura: Evento do Centro Celso Furtado debate modelo para região

Leo Pinheiro/Valor
Foto Destaque
Jair do Amaral Filho, da Universidade Federal do Ceará: “Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo”


João Villaverde, do Recife – VALOR

A retomada do crescimento econômico brasileiro, que já aponta elevação de 5% do PIB em 2010, tem sido sustentada pelo mercado interno. Para isso, programas de transferência de renda e elevação do emprego nos segmentos ligados ao setor de serviços foram decisivos para contrabalançar a retração da indústria, que sofreu com o corte do crédito e o fechamento do mercado externo. O modelo de crescimento do Brasil pós-crise pode ser simbolizado pelo Nordeste, o maior beneficiado pelas transferências sociais de renda e o principal impulsionador do comércio varejista.

Nos primeiros sete meses do ano, as vendas do varejo na região aumentaram 5,6% sobre o mesmo período do ano passado, e um ponto percentual acima do crescimento verificado pelo setor no país. O setor industrial, mais concentrado na produção de alimentos e bebidas, sofreu menos no Nordeste que no resto do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alimentos e bebidas representam cerca de 25% da produção industrial na região. Assim, o crescimento do consumo contribui para que a queda no setor seja menor. Dados de setembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, dão conta que quase 40% dos empregos formais gerados no último mês do terceiro trimestre ocorreram no Nordeste – ao todo, 100,4 mil postos. No entanto, este modelo de crescimento não é o ideal, avaliam economistas e cientistas sociais que participaram do seminário Desenvolvimento Regional do Nordeste, realizado em Recife pelo Centro Celso Furtado, na semana passada.

“Estamos crescendo, e isso é ótimo. Mas ninguém discute como esse crescimento está acontecendo”, afirma Jair Amaral Filho, economista da Universidade Federal do Ceará (UFCE). Os setores que mais empregam na região, segundo Amaral, são comércio varejista e administração pública, além da indústria produtora de alimentos e bebidas. Segundo dados do Caged, metade dos postos criados no setor industrial em setembro no país atendeu o setor de produtos alimentícios e bebidas (62,7 mil), tendo os Estados nordestinos à frente.

Boa parte da renda que tem sustentado o crescimento constante do setor de serviços na economia é oriunda de transferências promovidas pela União. Os Estados e municípios do Nordeste receberam no ano passado quase US$ 40 bilhões por meio de transferências orçamentárias como Cide, Fundeb, Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Neste ano, com a desaceleração econômica, que achatou as receitas, e políticas de isenções fiscais, como a redução do IPI para montadoras e para eletrodomésticos da linha branca, as transferências orçamentárias serão menores. Mas este efeito, dizem os analistas, será compensado pela elevação do salário mínimo – que também corrige dois terços dos benefícios previdenciários – e programas sociais como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BCP).

Segundo Amaral, fatores antes criticados na região, hoje são apontados como contribuidores do crescimento mais acelerado. “O Nordeste estava se beneficiando pouco das altas nas commodities antes da crise, além da menor importância da indústria exportadora em comparação a outras regiões”, afirma. Além disso, o corte nas alíquotas do IPI beneficiou o comércio atacadista e varejista.

O maior receio entre os acadêmicos da região é que se consolide entre as empresas e o governo federal o modelo de crescimento atual, que vê os Estados do Sul e Sudeste com uma política de desenvolvimento industrial e o Nordeste com uma política de consumo de massas. Para Amaral, a política promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de fortalecer empresas nacionais por meio de empréstimos para fusões e aquisições – política de “campeãs nacionais” segundo o banco – poderia incluir empresas da região, e não apenas as sediadas em Estados do Sudeste.

Segundo o chefe do departamento regional do BNDES para o Nordeste, Paulo Ferraz Guimarães, não se trata de uma questão de “exclusão regional”, mas de distribuição estrutural da indústria, historicamente concentrada no Sudeste. “Estamos interessados no desenvolvimento, não há regionalização do financiamento”, afirma.

De janeiro a agosto deste ano, o BNDES liberou R$ 15,3 bilhões para companhias nordestinas. Segundo Guimarães, esse valor deve alcançar R$ 18 bilhões até o fim do ano. Há maior número de operações também – 20.300 mil, o equivalente a 91% mais que no mesmo período de 2008. “Talvez a participação do BNDES na região nunca tenha sido tão boa”, diz. Estaleiros portuários em Suape (PE) e Pecém (CE) e projetos federais como a rodovia Transnordestina – que deve integrar sete Estados do Nordeste – apontam a direção do que o banco pretende fazer na região.

“O setor de serviços, o maior empregador, é o que necessita de trabalhadores menos instruídos e o que paga os salários mais baixos”, afirma Lena Lavinas, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mesmo diante dos avanços na diminuição da pobreza e da miséria nos últimos anos, o Nordeste continua com os piores indicadores sociais. Segundo Lavinas, o Nordeste apresenta os índices mais elevados de indigentes – 16 milhões de pessoas – e de pobres que vivem apenas com renda do trabalho – 48,8%. “Não é possível sustentar uma família de quatro pessoas com um salário mínimo, por mais que ele tenha se recuperado nos últimos anos”, afirma a economista.

Para Lavinas, as transferências de renda devem ser ampliadas a fim de garantir eficiência total, uma vez que mesmo sendo o maior receptor dos programas sociais, 42,7% dos moradores pobres do Nordeste ainda não recebem o Bolsa Família. Segundo Tania Bacelar, economista da UFPE, mais de um terço dos que vivem em regiões rurais da região são analfabetos. “O problema é sério também nas capitais. Metade dos moradores do Recife estão vivendo em favelas”, afirma. Para a economista, após a dissipação das turbulências financeiras mundiais, a retomada econômica brasileira permite uma “rediscussão” quanto ao modelo de crescimento. “A questão a partir deste último trimestre não é mais sobre o crescimento, já recuperado, mas a maneira como ocorrerá o desenvolvimento, que deve diminuir as desigualdades regionais”.


Efeitos do Bolsa Família dividem acadêmicos

Numa região em que os níveis de mortalidade infantil ainda são os mais elevados do Brasil – 34,4% do total – e com produção industrial pouco diversificada, programas de transferência de renda como o Bolsa Família são uma forma de monetizar comunidades carentes, gerando demanda por bens de consumo. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Social, 50,07% dos beneficiários do Bolsa Família vivem no Nordeste. “O programa é importantíssimo para garantir que um mínimo de dinheiro alcance municípios pobres do interior, onde, historicamente, a circulação de moeda é rara”, afirma Marcos Costa Lima, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ele, o Bolsa Família é crucial para entender a melhora econômica da região, uma vez que, ao proporcionar meio de troca a comunidades carentes, promove o incremento da produção de itens básicos, como alimentos e vestuário, que sentem o fortalecimento do mercado interno na região.

Francisco de Oliveira, sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), critica o modelo de desenvolvimento baseado no varejo, mas, diferentemente dos outros analistas, não acredita que programas sociais possam elevar o comércio. “O Bolsa Família aumenta a compra do quê? De arroz, feijão e farinha? Ele é importante, mas não garante comércio de massas”, avalia. Para Oliveira, o programa é importante por aliviar a miséria, mas não transcende o assistencialismo, ficando restrito à transferência de dinheiro.

Segundo Amélia Cohn, socióloga da USP que pertenceu à equipe do Ministério de Desenvolvimento Social no começo do Bolsa Família, é preciso avaliar o impacto do programa na renda familiar. “Em várias regiões do Nordeste o valor mensal do programa é maior do que o que uma família pobre ganha em 12 meses. Isso impulsiona o comércio na região, que estava natimorto”, diz.

11/10/2009 - 11:19h Turismo: Apesar da crise, recorde de viagens no Brasil

http://www.ilhaverde.net/iv/paraty.jpg
Paraty – RJ

Guerra entre empresas aéreas leva a recorde de pessoas transportadas

Marianna Aragão – O Estado SP

http://www.arcruise.com/cms/uploads/NOVOS/turismo%20MPA.jpgOs prazos longos de financiamento e a guerra tarifária entre as companhias aéreas estão fazendo com o que o setor de turismo já comemore o ano de 2009. Mesmo com a crise e a queda do dólar, as viagens domésticas devem crescer 10% este ano, enquanto as internacionais cairão 5%, segundo previsão da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav).

Dados do Ministério do Turismo mostram que o número de brasileiros transportados este ano é recorde. De janeiro a agosto, foram 35 milhões de passageiros viajando dentro do País, 20% mais que o mesmo período de 2008 e o melhor resultado dos últimos 40 anos.

A CVC, maior operadora de viagens do Brasil, prevê alcançar a marca de 2 milhões de turistas transportados em 2009 – 300 mil a mais que no ano passado. A movimentação deve fazer a companhia ter o melhor faturamento de sua história, 16% acima do registrado em 2008.

Para o presidente da CVC, Valter Patriani, o segundo semestre aquecido compensou o primeiro, quando a insegurança trazida pela crise global atrapalhou o setor. “O dólar baixo barateou as viagens internacionais e atiçou o mercado doméstico. Ninguém quer perder mercado.” Ou seja, para competir com os destinos internacionais, hotéis e agências de viagens tiveram de reduzir suas tarifas.

Ao mesmo tempo, a disputa entre as empresas aéreas esquentou, com novatas como Azul e WebJet tentando conquistar mercado. O resultado foram promoções e descontos em todas as companhias. Na Ocean Air, por exemplo, é possível comprar passagens para cidades do Nordeste e o Rio de Janeiro em 12 parcelas de R$ 5 a R$ 10. A Gol também apostou no financiamento – está oferecendo pagamento em 10 vezes, sem juros – e a Azul tem pacotes especiais, como o que permite viajar, pagando R$ 499, para o máximo de cidades possíveis no prazo de 30 dias.

Para o diretor de Assuntos Internacionais da Abav, Leonel Rossi Júnior, a guerra das tarifas foi um dos motivos que animou os turistas a viajar pelo Brasil. Ele estima que os preços das passagens aéreas nacionais tenham caído 20% este ano, em relação a 2008.

Além disso, a gripe suína, que acabou desestimulando passeios para destinos populares entre brasileiros, como Argentina e Chile, e a grande quantidade de feriados no ano também ajudaram o setor. “Quando as viagens internacionais começaram a se recuperar da subida do dólar, no início do ano, veio a gripe”, explica.

“Foi um excelente ano para o turismo doméstico”, antecipa-se o secretário nacional de Políticas de Turismo do Ministério do Turismo, Airton Pereira. A expectativa oficial é chegar ao fim de 2009 com 52 milhões de desembarques nacionais, que superaria o recorde de 2007, de 50 milhões de passageiros.

Pereira acredita que a concorrência entre as companhias aéreas, que estimulou esse resultado, veio para ficar. “As perspectivas para o ano são boas, com a continuidade das promoções, os feriadões e o próprio crescimento da economia.”

Os cruzeiros marítimos, que caíram no gosto do brasileiro nos últimos anos, também entrou na onda das promoções. Já é possível embarcar em um minicruzeiro (de três a quatro dias) pagando 10 parcelas de R$ 35. “O turismo é um setor em que não vender é perder dinheiro. É preferível, então, receber em dez vezes do que não ter nada”, diz o diretor da Abav.

MAIS CEDO

Segundo a Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar), o número de turistas embarcados em navios nas próximas férias será 66% maior que o do ano passado. Um dos motivos é a antecipação do período da temporada, que este ano começou em outubro. A entrada de novos competidores – como a espanhola Ibero Cruzeiros, do Grupo Costa Cruzeiros, maior do setor na Europa – também devem esquentar a competição no setor nos próximos meses.

“Muita gente deixou para viajar no fim do ano”, aposta o presidente da CVC. Porém, ele acredita que a festa dos preços promocionais não deve se estender até lá. “Setembro e outubro são um momento muito particular do setor, de baixa temporada. As promoções diminuem à medida que as datas de embarque no fim do ano se aproximam.” O parcelamento, porém, continua. “Para o brasileiro, é fundamental que a viagem caiba no bolso.”

08/10/2009 - 11:45h Quem sabe faz a hora

http://www.pantanalnews.com.br/gerenciador/uploads/IC_37174_CONTENT_A.jpg

ColunistaHeloisa Magalhães – VALOR

O presidente Lula, a partir de sexta-feira passada, em Copenhague, ficou muito mais confortável com a afirmação de Barack Obama de que ele é “o cara”. Mas o grande vitorioso na disputa pela sede dos Jogos Olímpicos de 2016 não foi ele ou o Rio de Janeiro, mas o país.

O Brasil venceu. Apresentou proposta bem estruturada e convenceu ao apresentar as garantias dos investimentos necessários para realização dos jogos. E apresentou uma fotografia de uma nação confiável, com bons indicadores econômicos avançando no crescimento. Mas em meio a tantos bons propósitos o Brasil ainda está longe de saltar o fosso da desigualdade social. A pobreza urbana, aninhada nas grandes cidades, mostra um jovem, entre os de baixa renda, com pouca perspectiva de futuro e melhoria na qualidade de vida. A mobilidade social ainda é um privilégio de poucos. A maioria dos brasileiros que nasce pobre morre pobre.

Foi nesse calcanhar de Aquiles que o próprio presidente tocou em seu discurso na capital da Dinamarca. Certamente, a perspectiva de contribuir para mudar esse cenário pesou na decisão de trazer os jogos, pela primeira vez, para a América do Sul.

Lula mostrou que um evento da dimensão de uma Olimpíada, além da criação de novas oportunidades, tem todas as condições de instaurar um novo ambiente de esperança. Pode tornar-se uma das molas propulsoras para criar um movimento de formação de crianças e jovens a partir de novas oportunidades de educação, trabalho e esporte.

Para os cariocas, os ganhos com os investimentos com infraestrutura com viés ambiental são fundamentais. O Rio precisa despoluir a Baía da Guanabara, as lagoas, as praias, criar novo sistema de transportes. Com o esvaziamento econômico, a cidade ficou com áreas degradadas. A região portuária é um destaque. Ao recuperá-la, como propõe a prefeitura, e torná-la parte da sede do evento, crescem as perspectivas para revitalização de uma região que pode tanto voltar-se para habitação popular ou centro de negócios, turismo e lazer.

Para esses mesmos cariocas que convivem com o ambiente carente das favelas, com o banditismo presente no dia a dia, uma grande expectativa está sendo a da cidade beneficiar-se de forma ainda mais ampla do momento para antes e depois da Olimpíada. Além do benefício material, o intangível tem tudo para ser o maior legado dos jogos, não só no Rio como em todo Brasil, lembra Edson Menezes, ex-esportista e hoje presidente do Banco Prosper. Ele é o diretor-financeiro do comitê executivo do projeto pró-Rio 2016.

Anos atrás, Menezes defendia a criação de um espaço para crianças e jovens dedicarem-se ao esporte. Ajudou a montar a proposta do que é batizado de Centro Olímpico de Desenvolvimento de Talentos. Seria em Deodoro, subúrbio do Rio. Sem conseguir levantar os recursos, a área acabou abrigando o Estádio Olímpico João Havelange, popularizado como Engenhão. Construído para os Jogos Pan-americanos, em 2007, ficou sem uso. Está arrendado pelo Botafogo Futebol e Regatas.

Menezes diz que a ideia da proposta original agora tem tudo para ser recuperada. O Comitê Olímpico Brasileiro desenvolveu e o próprio Ministério do Esporte já aprovou projeto, que prevê investimentos de R$ 12 milhões e centro para treinar 2,5 mil crianças. A proposta é oferecer de oito a dez modalidades esportivas diferentes na área do Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca. Também construído para os Jogos Pan-americanos, hoje está subutilizado. Nestes dias, as piscinas, construídas há dois anos, estavam com vazamento. Agora recebem novos azulejos, pois precisam ficar prontas para uma competição.

Por que não replicar o modelo em áreas carentes do país? A questão é atuar para tirar proveito do momento que promete investimentos e ações, não só de governo, mas que também irão atrair a iniciativa privada. O economista Andre Urani, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), lembra que teremos tempo para sincronizar ações das diferentes esferas de governo, do setor privado e da sociedade civil em torno de objetivos comuns.

“É importantíssimo aproveitar a onda positiva e ter foco, centrar no que interessa. O importante é eleger prioridades assimiladas e aceitas pela população para que sejam incorporadas por anos e anos”, diz. Estudioso da cidade, Urani há anos vem batendo na tecla que o Rio precisa buscar um processo de recuperação estruturado. “Barcelona deu um show, aprendeu a costurar ações de forma concatenada e foi capaz de repetir várias outras em diferentes momentos. A loucura de todas as grandes cidades de correr atrás da Olimpíada deve-se ao fato de poderem se expor para o mundo”, pondera.

Ele lembra que a maioria das grandes metrópolis, seja o Rio, seja Londres, a sede dos jogos de 2012, enfrentou esvaziamento com a descentralização industrial, o que “deixou um rastro de destruição, com desemprego e transformando os subúrbios em desertos industriais, com aparecimento da violência”, diz ele.

Londres está se renovando. A construção da infraestrutura da Olimpíada está sendo fundamentalmente na área degradada, no sudeste da cidade. “O que quero dizer é que os jogos são uma oportunidade de reinventar a razão de ser da cidade, revocacionar para o século 21. Precisamos analisar com cuidado as experiências que mudaram cidades como a de Barcelona, Turim e a própria Londres, onde os jogos ainda não aconteceram, mas o foco está sendo preparar para uma nova realidade”, diz.

Heloisa Magalhães é chefe da Redação no Rio

E-mail: heloisa.magalhaes@valor.com.br

05/10/2009 - 10:51h Setor de transportes deve receber US$ 5,5 bilhões

Antonio Lacerda / EFE
Foto Destaque
O estádio do Engenhão, no subúrbio do Rio, abrigou o Parapan-americano em 2007 e será usado na Olímpiada de 2016 – mas a malha de transportes deve ser reforçada para levar atletas e turistas até lá



Chico Santos, Francisco Góes e Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Os investimentos totais previstos pela candidatura vitoriosa do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 somam US$ 14,4 bilhões, dos quais US$ 11,1 bilhões serão destinados a obras de infraestrutura com recursos públicos e privados, embora haja ceticismo entre analistas quanto ao tamanho da participação privada. Um dos maiores desafios será expandir e aperfeiçoar o sistema de transporte de massa, hoje baseado no uso de ônibus. Mas, em paralelo, há grande otimismo nos setores de construção e de hotelaria com as perspectivas de negócios.

Só em transportes estão previstos investimentos de US$ 5,5 bilhões, incluindo ferrovias, metrô, ônibus e aeroportos. O secretário de Transportes do Estado, Julio Lopes, disse que um dos eixos da proposta do Rio é implantar faixas exclusivas de ônibus articulados. O objetivo é desenvolver duas linhas: uma da zona sul até a zona oeste e outro dali até a zona norte. Segundo Lopes, a construção da linha 4 do metrô, que ligaria bairros da zona sul (Ipanema, Leblon e Gávea) até a Barra da Tijuca, na zona oeste, não foi incluída como compromisso oficial.

“Se quis mostrar algo que fosse possível de entregar, o que nos permitiu ganhar credibilidade para a candidatura”, disse Lopes. “Mas na verdade vamos entregar mais do que o contratado, uma vez que há o compromisso do governo do Estado de fazer a linha 4 do metrô para a Copa de 2014″. A linha 4 vai exigir investimentos de cerca de R$ 3 bilhões. A estimativa é de que essa linha permita transportar mais 240 mil passageiros por dia.

Joubert Flores, diretor de relações institucionais do Metrô Rio, concessionária do sistema metroviário carioca, defendeu o projeto da linha 4 do metrô, cujo modelo de construção e operação, em estudo pelo governo do Estado, ainda não está fechado. Ele disse que a implantação de duas linhas de ônibus com faixas exclusivas só se justifica se não houver capacidade de criar a nova linha do metrô. A ideia de levar o metrô da zona sul do Rio até a Barra da Tijuca existe há mais dez anos. Agora a ideia seria mudar o traçado da linha 4, ligando-a à estação do metrô em Ipanema, a ser inaugurada em dezembro, o que garantiria quase o dobro de passageiros.

Amin Murad, presidente da Supervia, a concessionária de trens metropolitanos do Rio, disse que na proposta do Rio para os jogos estão previstos, até 2015, a compra de 120 novos trens, a reforma de outras 94 unidades e a remodelação de 89 estações. Esses investimentos vão permitir atender 1,5 milhão de passageiros por dia. Hoje o sistema de trens urbanos do Rio transporta 500 mil passageiros por dia útil.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Rio de Janeiro (Sinduscon-RJ), Roberto Kauffmann, disse que os Jogos Olímpicos deverão gerar para o setor investimentos adicionais de R$ 2 bilhões por ano até a realização do evento. Segundo cálculos da entidade que Kauffmann preside, para cada R$ 2 bilhões, 84 mil novos empregos no setor serão gerados, mas eles não serão necessariamente cumulativos, dependendo do tempo de execução de cada projeto. Kauffmann disse que R$ 2 bilhões por ano representarão aproximadamente de 25% a 30% do que o Estado do Rio de Janeiro receberá este ano em investimentos na construção com recursos da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), calculados em cerca de R$ 7,5 bilhões (cerca de 15% dos R$ 50 bilhões que serão investidos, segundo ele, em todo o Brasil).

Para o presidente do Sindicato Nacional da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Reis, a herança do Pan-Americano de 2007 em termos de equipamentos esportivos, somada ao que será feito para a Copa do Mundo de 2014 vai fazer com que a maior parte dos investimentos em construção para 2016 seja em obras de infraestrutura. “Será a última oportunidade de se fazer uma grande reforma urbana no Rio de janeiro”, disse. Para ele, obras como uma linha do Metrô da zona sul à Barra da Tijuca (zona oeste), a despoluição da Baía de Guanabara e a revitalização do porto tornam-se “obrigatórias”.

A Olimpíada de 2016 no Rio vai fomentar investimentos da ordem de R$ 3 bilhões somente na criação de novas unidades hoteleiras, segundo o diretor da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (Abih), Alexandre Sampaio.

Segundo estimativa da organização da Olímpiada, há a necessidade de 12 mil novos hoteis para suprir a demanda de turistas na cidade durante os jogos. Atualmente, a cidade do Rio de janeiro possui 32 mil.

Até 2016, o setor pretende ofertar entre 8 mil e 10 mil novas unidades em hotéis e entre 3 mil e 5 mil quartos em navios de luxo. Sampaio cita que 11 empreendimentos parados atualmente por problemas de contrato, de crédito ou judiciais, poderiam ajudar a criar nova oferta. É o caso do Hotel Nacional, fechado desde os anos 1990 e cujo leilão deve ocorrer novamente em novembro.

“A prefeitura, que havia obstruído o leilão anterior, vai abrir mão do IPTU atrasado”, disse o diretor da Abih. Ele avalia que o planejamento da expansão hoteleira deve ser coordenada com a atração de grandes eventos culturais ou esportivos para que os hotéis não fiquem vazios após a realização dos jogos. “A hotelaria está preocupada em não haver demanda para depois. Precisamos de um calendário de eventos mensais”, disse Sampaio.

O setor já conversa com o BNDES para modificar algumas regras de financiamento, como o alongamento do prazo de financiamento e o pagamento do crédito de acordo com a sazonalidade da ocupação. O setor negocia com o banco um crédito de R$ 5 bilhões para a construção de hotéis em todo o país. O valor equivale a 80% do investimento previsto em termos nacionais, mas Sampaio projeta que 50% do crédito será usado em empreendimentos cariocas. A rede Windsor, com nove hoteis na cidade, planeja mais cinco.

04/10/2009 - 11:21h The Observer: Com Rio 2016, país do futuro vive o presente

“O renascimento incipiente do Rio espelha o boom nacional que, nas expectativas do governo brasileiro, deve transformar o país em uma das potências políticas, econômicas e petrolíferas mundiais”, diz o Observer

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Portal O Globo – BBC

A escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é “a última prova de que para o Brasil, um dos países mais glamurosos e carismáticos do mundo, os bons tempos estão começando”, de acordo com uma elogiosa reportagem publicada neste domingo pelo semanário britânico The Observer.

“Tão frequentemente descritos como pertencentes a um ‘país do futuro’, os brasileiros viram-se vivendo o presente neste fim de semana”, escreveu o correspondente Tom Phillips, do Rio de Janeiro.

A reportagem do Observer destaca a importância da escolha do Rio para todo o Brasil, mas principalmente para a própria Cidade Maravilhosa, “após anos de abandono e violência urbana”.

O jornal afirma que os investimentos estão voltando ao Rio, que estaria vivendo um “boom econômico e cultural que já levou à recuperação de áreas dilapidadas do centro da cidade”.

A reportagem também destaca a importância dos Jogos Olímpicos do Rio para a auto-estima dos brasileiros, citando palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

“O Brasil saiu do patamar de país de segunda classe e entrou no patamar de país de primeira classe.”

Governo Lula

O jornal elogia ainda a situação privilegiada do Brasil, após meses de crise econômica mundial, destacando o crescimento nas exportações do país, o aumento no preço de commodities e as políticas sociais do governo Lula, “que ajudaram milhões de brasileiros pobres a deixar a pobreza desde que o líder de esquerda assumiu o poder”.

“O renascimento incipiente do Rio espelha o boom nacional que, nas expectativas do governo brasileiro, deve transformar o país em uma das potências políticas, econômicas e petrolíferas mundiais”, diz o Observer.

“Em 2007, a sua fortuna recebeu um potencial forte empurrão com o descobrimento de enormes reservas de petróleo na costa, que podem ajudar a tornar o país um peso ainda mais pesado no cenário internacional.”

O jornal britânico vai mais longe ao ressaltar a crescente força da diplomacia brasileira, afirmando que como integrante do G20, “que ofuscou o G8″, o Brasil “está começando a mostrar os seus músculos”.

O semanário também credita a virada na política diplomática brasileira ao governo Lula, “que abriu o caminho para vários presidentes sul-americanos cada vez mais influentes, que estão ajudando a pôr o chamado ‘continente esquecido’ no mapa”.

No entanto, a reportagem lembra que em meio à crescente importância econômica, política e ambiental, “o Brasil ainda tem vastos exércitos de pobres.”

“O país ainda tem um dos níveis de desigualdade mais altos do planeta, com os 10% mais ricos em posse de metade da renda do país, enquanto menos de 1% dela pinga para os 10% mais pobres”, afirma o Observer.

03/10/2009 - 11:12h Um projeto a altura do desafio

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Projeto ambicioso e caro para celebrar o momento histórico

Serão 33 instalações para as disputas (10 já estão prontas e 8 vão passar por reformas ) US$ 508 milhões serão destinados para equipamentos esportivos.  O custo total deve ficar em torno de R$ 30 bilhões

Bruno Lousada – O Estado SP


O projeto do Rio para os Jogos de 2016 é ambicioso e caro. A Olimpíada contará com 33 instalações, dez já prontas. Oito vão passar por reformas, 11 serão construídas e quatro estruturas serão temporárias. O comitê Rio-2016 estima gastar com equipamentos cerca de US$ 508 milhões (em torno de R$ 900 milhões). O custo total deve superar R$ 30 bilhões.

A exemplo do Pan-Americano de 2007, a Barra da Tijuca, na zona oeste, será o “coração” dos Jogos Olímpicos. O bairro vai concentrar 56% das instalações e abrigará 20 modalidades. Vão ficar lá o Parque Olímpico, a Vila Olímpica, as duas Vilas de Mídia, o Centro Principal de Imprensa (MPC), o Centro Internacional de Rádio e Televisão e o hotel oficial do Comitê Olímpico Internacional.

Segundo o Comitê, todas as competições serão realizadas dentro dos limites urbanos da cidade. Assim, o tempo de deslocamento da Vila Olímpica para os locais de disputa deve levar de 5 a 10 minutos para 50% das instalações e de no máximo 30 minutos para 80% dos equipamentos.

“O projeto Rio-2016 está sendo lançado com mais da metade das instalações esportivas testadas e utilizadas nos Jogos Pan-Americanos Rio 2007″, disse o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. Depois do Pan, alguns equipamentos ficaram às moscas.

Esportes aquáticos

O estádio vai abrigar competições de natação e nado sincronizado. A instalação será construída no Núcleo do Parque Olímpico do Rio, com 18 mil assentos temporários em uma estrutura permanente

Vila Olímpica

A Vila Olímpica contará com 32 prédios de 12 andares e capacidade para 17.700 leitos. Metade dos atletas alojados no local estarão a menos de 10 minutos, a pé, de seus centros de competição

Parque Olímpico do Rio

O Parque Olímpico vai abrigar competições de ginástica, ciclismo, desportos aquáticos, basquete, judô, taekwondo, lutas, handebol, hóquei e tênis. Vai ser erguido no Autódromo de Jacarepaguá

Estádio do Maracanã

Inaugurado em 1950, o Maracanã vai receber partidas de futebol e a cerimônia de abertura e de encerramento da Olimpíada. O estádio vai passar por reforma para a Copa de 2014

Arena de Copacabana

Erguida na areia da Praia de Copacabana, a Arena vai receber jogos de vôlei de praia masculino e feminino na Olimpíada de 2016. A instalação temporária ficará próxima ao Hotel Copacabana Palace

Estádio de Remo

O Estádio de Remo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, vai receber 26 modalidades de remo e canoagem. Contará com deque de madeira e arquibancada móvel para aumentar a capacidade de público

Centro Olímpico de Tênis

O equipamento vai ser erguido para receber competições de tênis nos Jogos de 2016. Dezesseis quadras serão construídas numa área de 10 hectares. Arquibancadas temporárias vão ser utilizadas

02/10/2009 - 22:08h É isso aí!

Foi maravilhoso, assisti a tudo, foi lindo. Estamos na crista da onda, somos a bola da vez.

Viva o Brasil e o povo do Brasil!

Rafael J.

02/10/2009 - 14:47h Parabens Brasil, Sim, podemos!

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08/09/2009 - 15:18h Céu de brigadeiro

Mônica Bergamo – Folha SP

O turismo doméstico dá sinais de fôlego na crise -e o Ministério do Turismo já projeta recorde de viagens internas para este ano. Em julho, o número de desembarques domésticos (quando o passageiro parte de um ponto no Brasil e tem como destino uma localidade no próprio país) foi de 5.181.790 -um recorde desde que a medição vem sendo feita, há 40 anos. O resultado é 23,13% superior ao mesmo mês do ano passado, quando o número de passageiros desembarcados no país foi de 4,2 milhões.

MARCA HISTÓRICA
O Ministério do Turismo projeta 52 milhões de desembarques neste ano.

Caso a marca seja alcançada, será um novo recorde. O anterior é de 2007, quando foram registrados 50 milhões de desembarques.

04/09/2009 - 15:22h Rio de Janeiro é a cidade mais feliz do mundo, segundo pesquisa da revista econômica ‘Forbes’

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A foto escolhida para ilustrar a reportagem da ‘Forbes’

O Globo

RIO – O Rio de Janeiro é a cidade mais feliz do mundo, segundo uma pesquisa da revista econômica “Forbes” feita com dez mil pessoas de 20 países. No ranking de 50 cidades, os cariocas deixaram para trás concorrentes de respeito como Barcelona, Paris e Roma. A pesquisa destaca que o Rio é famoso pelas belas paisagens e pelo povo festivo. No carnaval, o clima agradável e as belezas naturais contribuem para a percepção de felicidade dos cariocas. Em segundo lugar ficou Sydney (Austrália), seguida de Barcelona (Espanha), Amsterdã (Holanda) e Melbourne (Austrália). Buenos Aires, a outra cidade latino-americana da lista, aparece em décimo lugar.

Segundo o instituto de pesquisas americano GfK Custom, que conduziu as entrevistas, o carnaval foi determinante para o Rio se tornar vencedor.

- É a imagem clássica que as pessoas têm do Rio, e é a imagem da felicidade – disse o consultor Simon Anholt, um dos organizadores da pesquisa.

Sydney ficou em segundo lugar porque é conhecida por seu tempo bom, locais agradáveis e simpáticos e pelo imaginário que a Austrália tem na percepção das pessoas.

- Todos acham que conhecem a Austrália porque assistiram a “Crocodilo Dundee”. Pensam que as pessoas estão sempre reunidas em churrascos – explicou Anholt.

Para Anholt, a pesquisa reflete em grande medida a antiga reputação das cidades do Mediterrâneo e da América Latina como lugares festivos.

- É uma pesquisa de percepção, não da realidade – disse o consultor à revista americana.

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19/08/2009 - 11:53h Baixada é região que mais cresce no Estado e Praia Grande lidera no País

Área do litoral sul ganha 3 vezes mais habitantes que a capital e população já supera grandes centros do Nordeste

 

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Praia Grande

Diego Zanchetta – O Estado SP

 


Região metropolitana que mais cresce no Estado e com previsão de receber R$ 18,6 bilhões de investimentos para ampliação do Porto de Santos e pré-sal até 2013, a Baixada Santista ganhou 64.655 novos moradores em apenas dois anos, conforme os dados de atualização populacional dos municípios de 2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A região do litoral sul paulista ainda tem o município brasileiro com a maior taxa de crescimento demográfico da década: entre 2000 e 2009, a cidade de Praia Grande recebeu 56 mil habitantes a mais, totalizando hoje 249.551 moradores, índice de crescimento de 26,32% no período.

O índice anual médio de crescimento das nove cidades da Baixada entre 2007 e 2009 foi de 1,6%, mais que o triplo do registrado, por exemplo, na capital paulista (0,43%). Entre 2007 e 2008, o aumento populacional chegou a 2,1%, recorde entre as regiões metropolitanas do Sudeste do País. Com 1.668.428 habitantes, o litoral sul já conta com população superior a regiões metropolitanas de capitais como Maceió, São Luís e João Pessoa.

Mas, enquanto Praia Grande, Guarujá e Mongaguá mantêm um crescimento acima da média das cidades paulistas, Santos registrou declínio de 0,1%. Na avaliação de órgãos públicos e especialistas, a evasão comum dos centros das metrópoles para as periferias – no caso, de Santos para cidades vizinhas, com baixo custo de vida e melhores condições de moradia – também ocorre agora na Baixada, em um deslocamento semelhante ao observado nos anos 1970 na Grande São Paulo.

“O preço do solo ficou muito caro. O jovem que vive na casa dos pais, quando se casa para constituir família, não encontra imóveis ao redor e vai morar em áreas periféricas, como São Vicente ou municípios ao sul. Mas Santos também tem diversos empreendimentos imobiliários voltados à classe média alta de São Paulo, com base na facilidade de deslocamento pela Imigrantes”, explica Alberto Jakob, do Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Unicamp.

Depois de décadas morando em São Paulo, o casal Margarida e Benedito Storti completou dois anos de Praia Grande ontem. “Se eu soubesse que era tão bom, teria vindo antes”, conta Margarida, de 67 anos. Com os filhos criados e a aposentadoria do marido, vieram para o litoral em busca de vida mais tranquila: e ainda aplicaram a diferença de valores obtida na venda da casa. “Quem não precisa de uma renda extra?”, questiona a dona de casa, feliz em trocar os 18 degraus da antiga residência por um lar sem escadas. “Aqui tenho mais liberdade, sossego, e, como a cidade é toda plana, a gente anda mais. Em São Paulo não saía de casa”, afirma ela, que mora a 300 m da praia.

Autor de um doutorado em 2008 sobre a transformação do espaço urbano na Baixada, Jakob também estuda o impacto ambiental do crescimento da região por meio do Projeto Vulnerabilidade, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O pesquisador teme os impactos dos futuros projetos do governo federal. “A ampliação do porto, com o aprofundamento do canal, pode levar a uma agressão ao meio ambiente, ao se revolver e trazer à tona metais pesados que se acumularam no fundo do leito do rio.”

A formação geográfica da Baixada, que tem de um lado o oceano e de outro um paredão formado pelas Serras do Mar e da Jureia, também limita as possibilidades de expansão territorial, apesar do aumento de população, segundo urbanistas. Nos últimos anos, trechos de encostas de serra na orla entre Praia Grande e Itanhaém foram ocupados por favelas sem saneamento e com moradias precárias. A preocupação de ambientalistas é com o Parque do Piaçabuçu, uma área de mangue que faz parte do domínio do ecossistema da Serra do Mar, ao sul da Baixada.

Para especialistas, a tendência é de que as populações dessas periferias da Baixada fiquem cada vez mais excluídas das políticas públicas. Entre 2008 e julho deste ano, a Praia Grande recebeu 5.018 novos moradores. O crescimento atinge outras sete cidades da Baixada: Guarujá (3.784 novos habitantes), São Vicente (2.273), Cubatão (1.880), Itanhaém (1.361), Bertioga (1.288), Mongaguá (803) e Peruíbe (535).

POLÍTICA INTEGRADA

Segundo o pesquisador José Marcos Pinto da Cunha, do Departamento de Demografia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (Unicamp), a região prestes a se tornar metrópole precisa de políticas integradas entre os municípios. “Não é possível olhar a cidade como se existissem cercas rígidas que as pessoas não possam pular. O cidadão é metropolitano e sua relação não se dá necessariamente com a cidade, mas sim com a região. Pensar a região metropolitana como um todo é um dos desafios.”

COLABOROU REJANE LIMA

FRASES

Margarida Storti
Moradora

“Se eu soubesse que era tão bom, teria vindo antes”

Alberto Jakob
Nepo (Unicamp)

“O preço do solo ficou muito caro. O jovem que vive na casa dos pais, quando se casa para constituir família, não encontra imóveis ao redor e vai morar em áreas periféricas, como São Vicente ou municípios ao sul”

José M. P. da Cunha
Pesquisador

“Não é possível olhar a cidade como se existissem cercas rígidas que as pessoas não possam pular. O cidadão é metropolitano e sua relação não se dá necessariamente com a cidade, mas sim com a região. Pensar a região metropolitana como um todo é um dos desafios”

Após 60 anos, economia deixará perfil turístico

 

Diego Zanchetta – O Estado SP

 


Para empresários e prefeituras, o salto estimado para os próximos anos na produção de petróleo e de gás na Bacia de Santos poderá mudar o perfil da região, que desde a década de 1950 tem a economia voltada principalmente para o turismo. O desenvolvimento da Baixada inclui a construção de aeroportos, novas plataformas marítimas de descarga, estaleiros, condomínios industriais para escoar a produção do pré-sal ao exterior, túneis e novas estradas. Santos terá a sede de negócios da Petrobrás para o pré-sal, um complexo com três prédios em uma área de 25 mil m², perto do Porto.

Uma autarquia foi criada pelo governo do Estado para acompanhar o desenvolvimento da região, a Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem). “Estamos em uma região conurbada e as soluções precisam ser comuns entre os municípios. A Baixada teve três grandes ciclos econômicos. O primeiro do café, nos anos 1930; depois, a partir da década de 50, teve o desenvolvimento do polo industrial de Cubatão; e agora vivemos a possibilidade de expansão com o petróleo e uma gama de investimentos agregados”, afirma Edmur Mesquita, presidente da Agem.

Mesquita defende, por exemplo, o projeto Barnabé-Bagres, obra do governo federal que prevê a duplicação da capacidade do Porto de Santos com a construção de 45 berços de atracação para navios. A obra é questionada por ambientalistas do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). Já pensando na Petrobrás, que terá a sede de negócios do pré-sal em Santos, Praia Grande pediu autorização ao governo federal para construir um aeroporto ligado a uma futura zona de exportação, numa área de 7 milhões de m². “A região vive um momento de crescimento único em sua história”, resume o presidente da Agem.

04/08/2009 - 08:38h Setor de fretados quer regras para turismo e alterações nas paradas

Protesto de vans para Marginal do Tietê

Renato Machado e Diego Zanchetta – O Estado SP

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Um protesto com motoristas de 60 vans atrapalhou o trânsito de São Paulo na manhã de ontem, principalmente na Marginal do Tietê, que chegou a ter 22 km de lentidão – a via tem 24 km de extensão. Indiretamente atingido pela portaria que restringiu a circulação dos ônibus fretados, o grupo saiu da Praça Heróis da FEB, na zona norte, trafegando em comboio e com velocidade reduzida por duas horas até a Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul, deixando atrás um rastro de congestionamento. À noite, uma manifestação de ônibus contra a legislação bloqueou a faixa central da Avenida Dr. Arnaldo por alguns minutos.

Pela manhã, os manifestantes eram todos motoristas ou empresários que trabalham com turismo na cidade de São Paulo. Eles reclamam que a restrição aos fretados atrapalhou indiretamente os passeios realizados pelas vans, mesmo que essas tenham direito à autorização especial para circular dentro da chamada Zona de Máxima Restrição de Fretamento (ZMRF) – área de 70 km² onde os fretados estão proibidos.

Para conseguir a autorização especial, os veículos precisam solicitar com cinco dias de antecedência e informar o endereço de partida, o de chegada e todo o itinerário. Mas os motoristas pedem uma legislação específica de turismo e a liberação de vias famosas. “Se um grupo que paga, e caro, pelo meu serviço, pedir para conhecer a Paulista, vou precisar mandar eles descerem e ir a pé”, diz o motorista Rivanaldo de Lima.

Em reunião à tarde com o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, o setor de fretados também solicitou mais agilidade na concessão de autorizações especiais, a instalação de abrigos nos pontos, a construção de uma paralela na Avenida Ricardo Jafet (Estação Imigrantes do Metrô), novos pontos de embarque e a liberação de vias na região central.

O Transfretur, principal sindicato do setor de fretados, anunciou ontem que vai recorrer da decisão da Justiça, que manteve a restrição. Na sexta-feira, pouco mais de duas horas após o sindicato conseguir uma liminar contra a portaria da Prefeitura, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desembargador Roberto Antonio Vallim Bellocchi, cassou a liminar. “Todos gostaríamos que a Justiça fosse ágil, mas recebemos com surpresa essa rapidez”, diz o advogado do Transfretur, Marcos Perez.

“Acho que foi uma pena o fato de a liminar ter sido cassada (contra a restrição). Seria um tempo a mais para aperfeiçoar a lei”, argumentou a promotora de Habitação e Urbanismo, Cláudia Beré. “Sou favorável à regulamentação, mas não sou contra os fretados.” Essa polêmica, porém, deverá ser a última da promotora – que também questionou alterações no Plano Diretor pelo governo. Em 30 dias, Beré passará a cuidar de causas ligadas aos idosos na Promotoria de Direitos Humanos.

27/07/2009 - 11:09h Estados do Nordeste se unem em campanhas turísticas

Estados do Nordeste se unem em campanhas

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De São Paulo – VALOR

As secretarias de Turismo nordestinas estão se unindo para fazer campanhas de divulgação turística. O objetivo é economizar recursos e buscar aumentar o tempo de permanência dos visitantes, fazendo com que eles passem por mais de um Estado durante suas férias.

Pernambuco e Bahia, por exemplo, se uniram para lançar o roteiro do vinho. Durante o passeio, os turistas visitam vinícolas como a fazenda Ouro Verde, da Miolo, e a Garziera, nos arredores das cidades sertanejas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Outro passeio interligando os Estados foi batizado de “civilização do açúcar”. É um roteiro que percorre engenhos de Pernambuco, de Alagoas e da Paraíba, três maiores produtores de açúcar do Nordeste. Usinas de álcool e fabricantes de cachaça, rapadura e açúcar, além de antigos engenhos já inativos, são as atrações.

“Ao se unir, os Estados podem dar uma força maior para o Nordeste inteiro. Todos só têm a ganhar”, afirma Bismarck Maia, presidente da Fundação Comissão para o Turismo Integrado do Nordeste e secretário de Turismo do Ceará. Além de as despesas de divulgação serem divididas entre os governos, os Estados deixam de concorrer entre si pelo turista.

Para Sílvio Costa Filho, secretário de Turismo de Pernambuco, outra vantagem da criação de roteiros integrados com temas é que o Nordeste deixa de ser visto só como um destino de sol e mar. “Isso tem duas vantagens. Uma é que atrai o turista que não está a fim só de praia. E outra é que cria uma identidade diferenciada para os Estados. Fica difícil brigar pelo turista só dizendo que se tem mar.”

Na Bahia, a preocupação também é no sentido de desenvolver novos produtos. Além do enoturismo, que faz parte do conjunto de roteiros integrados, o governo vem promovendo as festas de São João baianas, o turismo étnico voltado para o público afro-descendente e eventos como a Stock Car, cuja sexta etapa acontecerá em Salvador no mês que vem. “Junto com a melhoria dos serviços e da atividade econômica dos destinos, inovação é um eixo fundamental”, diz Domingos Leonelli, secretário de Turismo da Bahia.

Pernambuco investirá este ano R$ 20 milhões na divulgação de seus destinos turísticos. Em busca do crescimento da atividade, o Estado decidiu elevar seus gastos. Em anos anteriores, a média de investimento estava em R$ 3 milhões.

Na Bahia, a verba deste ano para promoção e publicidade é de R$ 27 milhões, quantia igual à do ano passado. Outros R$ 12 milhões estão sendo gastos durante o biênio 2008/2009 em capacitação de profissionais, segundo Leonelli.

De acordo com Bismarck Maia, secretário de Turismo do Ceará, o Estado investe entre R$ 25 milhões e R$ 35 milhões por ano para atrair os turistas.

Quando se leva em conta a entrada de estrangeiros no país, a Bahia aparece na frente entre os Estados nordestinos, com 178 mil pessoas em 2008. O Ceará vem em seguida, com 98 mil, seguido de Pernambuco, com quase 82 mil e Rio Grande do Norte, com 70,5 mil. O levantamento é da Embratur.

Não há dados precisos sobre a entrada de turistas domésticos em cada Estado. Porém, com base no fluxo dos aeroportos registrado pela Infraero, o mais movimentado é a Bahia, seguido de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. (CM e RC)

21/07/2009 - 13:56h Negros americanos impulsionam turismo na BA

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A presença de Condolezza Rice, convidada por Marta e Jaques Wagner foi o detonador do turismo étnico na Bahía

Tiago Décimo – O Estado SP

Diretor da Tatour, agência de turismo de Salvador especializada na recepção de visitantes americanos, Connor O’Sullivan é uma exceção entre os colegas do mercado de viagens na Bahia. Em plena crise econômica mundial, ele mantém o otimismo e faz planos para a ampliação dos negócios, enquanto o resto do mercado amarga queda no número de clientes.

Segundo o Ministério do Turismo, entre 2007 e 2008, o número de visitantes na Bahia encolheu 7,9%, de 193.867 para 178.571. Os principais países emissores de turistas registraram queda. O único mercado a apresentar crescimento expressivo entre os principais emissores de turistas para a Bahia foi o americano: aumento de 333% entre 2007 e 2008, de 3.478 visitantes para 15.085. Entre 2002 e 2006, os Estados Unidos haviam mandado, em média, 2.600 turistas à Bahia. Os EUA saltaram da 10ª posição no ranking de turistas para a 5ª.

A principal ação para incentivar a chegada de visitantes americanos foi a institucionalização de um patrimônio cultural da Bahia: as tradições africanas mantidas pelos descendentes de escravos – legado que os negros americanos passaram a explorar mundo afora, em especial na última década. Na Bahia foi criado, no fim de 2007, departamento específico para desenvolver esse nicho na Empresa de Turismo da Bahia S.A. (Bahiatursa), o de Turismo Étnico-Afro.

O maior impulso para a divulgação foi a viagem da então secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, a Salvador, em março do ano passado. Ela havia manifestado o desejo de conhecer a cidade quando foi visitada pelo governador baiano, Jaques Wagner, em Washington, meses antes. Disse ter curiosidade de estar na que chamou de “maior cidade africana fora da África”.

O impacto da divulgação se refletiu já na edição seguinte da centenária Festa da Irmandade da Boa Morte, celebrada em agosto, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano. No ano passado, 250 negros americanos acompanharam a festa, promovida por descendentes de escravos. Este ano, são esperados 500 americanos no evento.

O?Sullivan prepara-se para receber os conterrâneos com um roteiro que inclui, além da participação na festa, passeios a bairros como Pelourinho e Liberdade e visitas a igrejas, terreiros de candomblé, além de aulas de música e percussão.

Segundo o secretário de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, apenas para ações promocionais do governo nos EUA foi aplicado R$ 1 milhão nos últimos dois anos.

14/07/2009 - 11:52h Mobilidade urbana é prioridade nos projetos para a Copa de 2014

Leonardo Rodrigues / Valor

Márcio Fortes: só haverá verbas da União para os empreendimentos diretamente ligados à Copa e de menor custo

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“A licitação para as obras acontece no segundo semestre”, afirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre o trem-bala São Paulo-Rio

Jander Ramon, para o Valor, de São Paulo

Pouco menos de dois meses depois de a Fifa anunciar as doze cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 no país, Estados e municípios já batem às portas do governo federal em busca de verbas para o cumprimento dos compromissos firmados com a entidade representativa do futebol.

O ministro das Cidades, Márcio Fortes, adianta que os recursos federais serão concentrados na melhoria da mobilidade urbana, caso de investimentos em metrô, corredores de ônibus, estacionamentos e estarão vinculados às contrapartidas oferecidas pelos governos beneficiários dos projetos. “Não faremos investimentos sozinhos e só haverá verbas da União para os empreendimentos diretamente ligados à Copa”, avisa o ministro, que está prestes a lançar em conjunto com a Casa Civil o PAC da Mobilidade Urbana, o que tem aguçado o apetite de prefeitos e governadores.

Embora ainda não exista uma consolidação de todos os investimentos necessários para abrigar o mundial, especialmente na área de infraestrutura, estudos prévios usados por gestores públicos e privados ligados ao evento apontam para valores entre R$ 60 bilhões e R$ 110 bilhões, sem considerar as receitas para construção e modernização de estádios.

Ainda sofrendo os efeitos da crise financeira mundial, com queda de arrecadação e a seletividade dos investidores privados na participação de projetos, governos estaduais e municipais tentam convencer a União de que obras sem ligação direta com a Copa são importantes para o bom funcionamento do evento.

“É elementar compreender que a Copa não resolverá todos os problemas históricos de infraestrutura do país e é preciso encontrar as soluções com criatividade”, observa Fortes. “Analisaremos todos os projetos apresentados pelas cidades-sede, mas os critérios estão definidos e são muito claros”, alerta. O Ministério da Cidades informa que, com os PACs da Habitação e do Saneamento, mais de R$ 5,72 bilhões estão sendo aplicados nessas capitais e que trarão benefícios até a realização da Copa.

Além de Estados e municípios terem de aportar recursos próprios como contrapartida aos investimentos federais, o ministro afirma que a preferência de destino das verbas da União recairá sobre as obras de menor custo dentro das alternativas dos modais e que se mantenham necessárias após o Mundial. “Não queremos elefantes brancos que tragam déficits operacionais ou exijam subsídios de governo”, diz. Entre um corredor exclusivo de ônibus e uma linha metrô, a de menor custo será escolhida.

Os recursos federais virão, de acordo com o ministro, do Orçamento Geral da União (OGU) e do patrimônio do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FTGS). “Prefeituras impedidas de obter financiamento receberão recursos do OGU e, a depender do projeto, se o município puder tomar empréstimos e houver interesse de organismos multilaterais em disponibilizar recursos, vamos apoiar essas iniciativas”, avisa Fortes.

Responsáveis pelos comitês das cidades-sede não deixam de tentar obter o máximo possível de verbas federais. “No caso de Cuiabá, vamos tocar os projetos, diretamente ou não ligados à Copa. O que for resolvido pela União será bem-vindo, pois temos outros mecanismos de financiamento e o governo de Mato Grosso dispõe dos recursos para realizar as obras”, garante o secretário estadual de Desenvolvimento de Turismo e presidente do Comitê Pró-Copa em Mato Grosso, Yuri Bastos Jorge.

Quando havia 18 cidades candidatas a abrigar as partidas do torneio, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) iniciou estudos para mensurar as necessidades de investimentos na área para o pleno atendimento de todas as exigências da Fifa. De acordo com o vice-presidente executivo da Abdib e coordenador do grupo de trabalho da Copa 2014, Ralph Lima Terra, os estudos serão aprofundados, agora, para cada uma das 12 sedes.

A entidade avalia investimentos em nove áreas: mobilidade urbana, portos, aeroportos, telecomunicações, energia, saneamento básico, rede hospitalar, rede hoteleira e segurança. Dessas, segundo Terra, é certo que a iniciativa privada já opera majoritariamente e deverá investir em energia, rede hoteleira e telecomunicações.

O executivo acredita haver espaço para uma maior presença privada nas áreas de mobilidade urbana, saneamento básico e portos, principalmente por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP). Como nenhum aeroporto do país está pronto para receber os 500 mil turistas esperados para o evento, segundo cálculos feitos pelo Ministério do Turismo, ele defende uma participação maior da iniciativa privada na ampliação de terminais e construção de novos aeroportos.

Gustavo Lourenção / Valor

Eric Farcette, da missão econômica da Embaixada da França: velocidade do trem brasileiro ainda está em estudo

 

Transportes: Linha de 530 quilômetros pode abocanhar 53% do tráfego entre São Paulo e Rio de Janeiro

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Trem-bala vai desafogar ônibus e aviões

Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo

O trem de alta velocidade (TAV), um dos pilares do governo federal para apoiar a logística de transporte de passageiros durante a Copa do Mundo de 2014, deverá ter mais utilidades do que permitir somente o vai e vem de torcedores entre os jogos. Estudos divulgados sobre o projeto apontam que o novo trem, que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas, pode abocanhar 53% do tráfego entre os dois Estados, com potencial para tirar 67% da demanda atendida pelos ônibus, reduzir 47% das viagens de automóveis e quase 50% do volume da ponte aérea.

“A licitação para as obras acontece no segundo semestre”, afirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante a apresentação do sétimo balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no mês passado. O projeto está inicialmente orçado em US$ 11 bilhões e deve ser executado com a ajuda de parcerias no setor privado. Empresas japonesas e francesas estão interessadas na concessão do serviço e no fornecimento de equipamentos.

O governo prevê de oito a onze estações para o percurso. No Rio de Janeiro, pode haver paradas na estação Leopoldina, Galeão e na cidade de Volta Redonda. Em São Paulo, estão previstos seis pontos: São José dos Campos, Jundiaí, Aparecida do Norte, Campo de Marte, Guarulhos e no aeroporto de Viracopos, em Campinas. O tempo do percurso entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo poderá ser feito em 1h45min.

A linha terá 530 quilômetros de trilhos, sendo 130 quilômetros em túneis e viadutos. A previsão é de que serão transportados, por ano, entre oito e dez milhões de passageiros. O fluxo diário pode chegar a 22 mil pessoas, com o preço da passagem estimado em R$ 120. Os estudos que determinarão o número de estações, velocidade de transporte e tarifas devem ser concluídos nos próximos meses.

O projeto do TAV foi anunciado pelo Ministério dos Transportes em junho de 2007. A previsão inicial era que o edital de licitação fosse lançado em agosto do mesmo ano. No início deste mês, o Ministério dos Transportes informou ao Valor que o governo federal ainda finaliza a análise dos estudos de viabilidade do trem-bala para “dar início à fase de consultas públicas que integram o processo de licitação.”

Em maio, foram apresentados os resultados dos estudos geológicos e emitido um termo de referência para o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental). O governo também analisa a constituição de uma empresa para coordenar a transferência de tecnologia ferroviária durante a implantação do projeto. A Empresa de Pesquisas Ferroviárias (EPF) será responsável por estudos de futuras linhas de metrô e trens, além de elaborar um planejamento estratégico para o setor.

Um decreto presidencial incluiu o trem-bala no Programa Nacional de Desestatização. O PND facilita a transferência de projetos do governo que poderiam ser melhor gerenciados pelo setor privado. Segundo a ministra da Casa Civil, já foi feito um mapeamento de tecnologias de trens de alta velocidade que interessam ao Brasil. Empresas japonesas e francesas já confirmaram interesse comercial no empreendimento.

O Japão, com uma linha inaugurada em 1964, é considerado pioneiro na implantação de trens de alta velocidade. Já a França é dona do recorde mundial em trens rápidos. “O modelo V150 atingiu 574,8 km/h em 2007″, lembra Eric Farcette, gerente de infraestrutura de transporte da missão econômica da Embaixada da França no Brasil. A velocidade do trem brasileiro ainda está em estudo.

Na França, dona de uma malha viária de 1,8 mil quilômetros de linhas de alta velocidade, as pesquisas que desenvolveram o conceito do TGV (Train à Grande Vitesse ou Trem em Alta Velocidade) começaram em 1965. A primeira linha do TGV saiu do papel em 1981, ligando Paris a Lyon. Hoje, a Alstom fornece 70% dos trens que circulam a mais de 300 km/h, em todo o mundo.

“O governo francês vai investir € 70 bilhões até 2020, em mais dois mil quilômetros de linhas de alta velocidade no país”, diz Farcette. Segundo o gerente, empresas francesas como a Alstom, SNCF e Systra estão interessadas em trabalhar na implantação do trem brasileiro.

No Japão há interesse por parte de, um consórcio formado pela Mitsui, Mitsubishi Heavy Industry, Toshiba e Kawasaki “Vamos participar se o empreendimento for financeiramente viável”, adianta o vice-presidente da Mitsui-Brasil, Masao Suzuki, que aguarda informações mais esclarecedoras sobre o projeto.

Para o secretário de transportes do Rio de Janeiro, Júlio Lopes, a criação do trem-bala pode se inspirar nos planos de infraestrutura asiáticos, que acolhem investimentos públicos e privados para as obras. “A China vai construir 30 mil novos quilômetros de trilhos até 2014 e 13 mil quilômetros serão reservados para o transporte de alta velocidade”, diz Lopes, de Xangai, onde cumpre viagem oficial. “Do total de recursos, o ministério chinês das ferrovias deve entrar com apenas 15%.”

O modelo financeiro do projeto brasileiro precisa de dinheiro público para que o custo da passagem seja acessível, diz Marcus Quintella, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do mestrado em transportes do Instituto Militar de Engenharia.

12/07/2009 - 17:11h O Guia do mestre

NOVA SÉRIE

Estreia: Domingo 12 de Julho às 20H.
National Geographic Channel (NatGeo – canal 33 da Net, 34 da TVA e 51 da Sky).

O Guia é um novo programa de viagens com um enfoque gastronômico. Trata-se de uma maneira diferente de revelar lugares e pessoas mostrando sua cultura através da culinária, vinhos, temperos e histórias. Mas nada de ir para a cozinha preparar uma receita. O programa vai mais além, mostrando o tema em questão através de uma vivência mais profunda.

Josimar Melo, um dos maiores críticos gastronômicos do Brasil, irá revelar os melhores chefs locais e seus pratos incríveis, bem como se envolver na ação real com eles. Seja cavalgando em La Mancha, apanhando trufas na Toscana, caçando na França ou pescando na Amazônia, entre outros, ele sempre sujará as mãos antes de sentar à mesa nos melhores restaurantes.

Por fim, ao seu lado na mesma mesa e tarefas, estão artistas e escritores locais, cantores, atores, modelos, poetas e atletas – todos compartilhando idéias e sabores da arte mais antiga de todas.

14/06/2009 - 11:18h Agências de turismo aderem aos feirões para vender pacotes

Operadoras e agências de turismo preveem vender mais pacotes em julho, mas a preços menores

Marianna Aragão – O Estado SP

Com as férias de julho se aproximando e o fantasma da crise ainda no ar, a indústria do turismo busca inspiração nos feirões automobilísticos para desovar os estoques de pacotes. Na próxima semana, a CVC, maior operadora de turismo do País, fará seu primeiro feirão de viagens. A empresa pretende vender pacotes com condições inéditas no setor – como parcelamento de destinos internacionais em até 12 vezes sem juros e a possibilidade de viajar e só pagar quando voltar. Estratégia semelhante seguem os grandes resorts do País, que iniciam hoje uma promoção conjunta para hospedagem em julho, a custo de baixa temporada.

Com a “ajudinha” do dólar, em queda desde maio, as vendas devem esquentar, acreditam representantes do setor. “Em número de passageiros, devemos ter um mês de julho melhor que o de 2008, que já foi um ano excelente”, diz o presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), José Eduardo Barbosa. Entretanto, por causa da queda nos preços, ele acredita que não deve haver expansão em termos de faturamento.

A CVC estima um crescimento de 18% em julho ante o mesmo período do ano passado. Desde março, a companhia vem investindo em uma estratégia agressiva de preços e ampliando os prazos de financiamento dos pacotes. “Se ficássemos parados, aí sim a crise poderia chegar. Essa é a hora de reduzir preços”, afirma o gerente-geral de vendas, Roberto Vertemati. Em destinos como o Caribe, a CVC esticou o prazo de pagamento de 4 para 12 meses.

O portal Decolar, maior empresa de vendas de pacotes e passagens aéreas pela internet, criou em novembro passado uma linha de crédito própria para financiar seus clientes. As viagens podem ser financiadas em até 18 vezes sem juros. A medida visa a atingir não apenas as classes C e D – que respondem por metade dos compradores do site -, mas também as de mais alta renda. “Temos tanto a classe média que financia a passagem na classe executiva quanto o casal de classe C que vai fazer seu primeiro cruzeiro”, afirma o diretor-geral do Decolar, Alípio Camanzano.

O dólar baixo, porém, funcionou como um catalisador das vendas no setor. Na CVC, as vendas de pacotes para destinos internacionais cresceram 30% desde março. A queda gradativa do valor da moeda americana tem mudado também o comportamento do turista.

Na Nascimento Turismo, a procura por viagens para o exterior começou a se aquecer agora. “Como o dólar está caindo dia a dia e não existe preocupação com vaga, as pessoas estão esperando e fazendo reservas de última hora”, afirma o diretor-geral, Plínio Nascimento.

Os preços para a alta temporada também estão menores: em média, 20% de redução nos destinos internacionais e 15% nos nacionais. “As promoções também vêm de nossos fornecedores, por causa da baixa ocupação”, diz Nascimento.

Para o presidente da Braztoa, as ofertas refletem o momento de crise que vive o turismo em outros países. “Todo o setor está fazendo promoções para captar o consumidor do Hemisfério Sul.”

INTERNACIONAL

A liberação dos preços de passagens internacionais pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em abril, foi um ingrediente importante para o aquecimento das vendas. “Hoje, você compra uma passagem para Nova York por US$ 580. Antes, não encontrava por menos de US$ 800″, afirma Camanzano, do portal Decolar.

Em julho, porém, a tendência é que os preços das passagens acompanhem a demanda. “A alta temporada vai se vender sozinha”, acredita Sílvia Fagundes, diretora da Travelstart.

Os preços das passagens para destinos domésticos também têm movimentado o setor, segundo os empresários. “A entrada de novos competidores, ainda que tímida, já fez baixar os preços”, diz Plínio Nascimento. A Azul, por exemplo, lançou uma promoção na semana passada para parcelamento de passagens em até 10 vezes sem juros. Os destinos incluem Salvador, Recife e Curitiba.

A oportunidade é acompanhada de perto por consumidores como o advogado Rodrigo Valverde, de 26 anos. Valverde, que costuma viajar todos os anos, diz que já percebeu redução no preço das passagens domésticas. “Estou viajando mais”, afirma ele, que, este ano, já foi para Florianópolis e Salvador para passar finais de semana. Os destinos internacionais também ficaram mais atraentes, acredita. Na próxima semana, ele embarca para Valle Nevado, no Chile. “Com o dólar caindo, os pacotes tornaram-se mais acessíveis.”

09/06/2009 - 08:54h Copa, turismo e emprego

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José Pastore* – O Estado SP

O IBGE acaba de publicar novos dados sobre as atividades características do turismo (ACT). Em 2006, cerca de 5,7 milhões de pessoas trabalhavam nessas atividades – 6,7% da população economicamente ativa.

Com quase 7% da nossa população trabalhando nas ACT o Brasil não estaria mal, porque a média mundial é de 10%. Ocorre que a classificação utilizada pelo IBGE é demasiadamente ampla. Por exemplo, cerca de 50% dos trabalhadores das ACT estão na alimentação, que inclui todos os bares, lanchonetes e restaurantes, não necessariamente turísticos.

Quando se consideram apenas as atividades propriamente turísticas (alojamento, agências de viagem, cultura, lazer e transporte), o número de trabalhadores cai para menos de 2 milhões. Destes, apenas 900 mil trabalham no mercado formal – apenas 1% da nossa força de trabalho. Mesmo quando se considera o pessoal ocupado em atividades indiretas que sustentam as do turismo – cerca de 800 mil pessoas -, o montante de emprego formal nesse setor não chega a 2% (Alfonso R. Arias e Maria Alice C. Barbosa, Caracterização da mão de obra do mercado formal do turismo, Brasília: Ipea, 2007).

Por aí se vê o quanto estamos longe da média mundial dos campeões do turismo, que têm muito mais de 10% da população economicamente ativa empregada nesse setor, como é o caso de França, Espanha e EUA. Em 2006, a França, que ocupa o primeiro lugar, atraiu 82 milhões de turistas estrangeiros; a Espanha (2º lugar), 60 milhões; os EUA (3º lugar), 56 milhões; enquanto o Brasil ficou com um tímido 41º lugar, com apenas 5 milhões de turistas do exterior.

Não há a menor razão para ser assim. É verdade que não dispomos dos belíssimos museus do Louvre (Paris) e do Prado (Madri) ou de uma Disneyworld (Orlando), mas o Brasil possui uma imensidão de belezas naturais e expressões culturais sedutoras para o turismo de lazer e de negócios (convenções e congressos). A própria rede hoteleira cresceu e melhorou muito nos últimos anos.

Será que a Copa do Mundo terá força para virar o quadro atual? Penso que sim, mas há condições.

O certame em si promoverá o Brasil no planeta, podendo atrair muitos estrangeiros. Ficando mais conhecido, mais turistas virão, mesmo depois da Copa. Para eles, o câmbio é um fator importante, embora para a Copa o seu peso diminua. Além do câmbio, o turista só voltará ao Brasil se encontrar limpeza, segurança, bons serviços e facilidade de locomoção.

Para os brasileiros, a Copa será um motivo a mais para viajar, lembrando que, até o momento o grosso da receita do turismo vem dos turistas nacionais (Wilson A. Rabay e colaboradores, Impacto Econômico do Turismo, Fipe, 2002). Com a Copa, é claro, a movimentação aumentará. Além dos fatores acima, o preço dos hotéis e dos ingressos terão um grande peso.

Tanto para estrangeiros como para brasileiros, as obras de infraestrutura serão cruciais para a alavancagem do turismo. Essas obras têm um efeito muito positivo para gerar empregos durante a construção e depois de concluídas.

Imaginem o que será necessário para transformar São Paulo numa cidade em que possam se mover, em poucas horas, mil jogadores, 20 mil jornalistas, 50 mil auxiliares e técnicos e 80 mil torcedores – sem contar as avalanches de profissionais da segurança, do transporte, do alojamento e da alimentação e ainda os milhares de espectadores que farão as comemorações. Há que se preparar o equipamento urbano e o quadro de serviços para tudo isso.

Os investimentos em infraestrutura têm um colossal impacto na geração de empregos. A construção de uma linha férrea, a duplicação de um aeroporto, a melhoria de rodovias, a expansão das telecomunicações e outros criam enormes quantidades de postos de trabalho diretos e indiretos. As estimativas do Banco Mundial indicam que, para cada 1% de crescimento nessas áreas, corresponde, em média, um crescimento de 1% do PIB e 0,5% do emprego. Para cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura, geram-se, em média, 163 postos de trabalho! Trata-se de um resultado muito expressivo.

O Brasil tem em 2014 a oportunidade de se fixar como um polo turístico vigoroso no mapa mundial e de estimular ainda mais o turismo doméstico. Tudo dependerá de uma lição de casa feita com eficiência e baixo endividamento. Quem viver verá.

*José Pastore é professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo Site: www.josepastore.com.br

03/06/2009 - 14:28h IBGE: fatia do turismo na economia foi de 3,63% em 2006

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JACQUELINE FARID – Agencia Estado

RIO – As Atividades Características do Turismo (ACT) registraram R$ 73,87 bilhões de valor adicionado (valor criado por um agente econômico no Produto Interno Bruto) em 2006, elevando, naquele ano, a participação do setor de turismo na economia brasileira para 3,63%, ante 3,61% em 2003. Os dados são parte do estudo “Economia do turismo: uma perspectiva macroeconômica 2003-2006″, divulgado hoje pelo IBGE e resultado de um acordo de cooperação técnica entre o Ministério do Turismo e o instituto.

Ainda de 2003 para 2006, o número de ocupados nas ACT passou de 5,3 milhões para 5,7 milhões, o equivalente a 10,1% do setor de Serviços, que totalizava 56,6 milhões, e a 6,1% do total do País (92,2 milhões).

Em 2006, a atividade de serviços de alimentação liderava a ocupação no setor de turismo, com 2,8 milhões de pessoas, ou 50,01% do total das ACT. Outros destaques são os serviços de transporte rodoviário (1,08 milhão de pessoas) e as atividades recreativas, culturais e desportivas (1 milhão).

A pesquisa do IBGE informa ainda que, em 2006, o total dos rendimentos pagos pelas ACT (R$ 31,34 bilhões) representou 3,23% dos rendimentos pagos pelo conjunto da economia brasileira, ficando levemente abaixo da participação observada em 2003 (3,3%).

De acordo com a pesquisa, em 2006 as ACT pagaram uma remuneração média anual (incluindo o 13º salário) de R$ 5.484 por trabalhador. Os maiores rendimentos médios anuais estavam nos serviços de transporte aéreo (R$ 68.406), aquaviário (R$ 36.069) e ferroviário (R$ 33.265), e os menores rendimentos médios nos serviços de transporte rodoviário (R$ 4.608) e nos serviços de alimentação (R$ 3.158).

30/05/2009 - 15:42h Turismo e inclusão social

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Paulo R. Haddad* – O Estado SP

Na última década, o Brasil realizou um conjunto grandioso de projetos de investimento em turismo, liderado pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) no Nordeste. A expectativa é de que esses projetos possam contribuir para aliviar a pobreza nas áreas em que se localizam, a par do inquestionável processo de crescimento econômico que nelas desencadeiam. A preocupação com essa questão deriva do fato de que são frequentes as experiências de investimentos em resorts turísticos altamente subsidiados com recursos públicos que se constituem muitas vezes em verdadeiros enclaves econômicos nas localidades onde se situam. Nelas, os investidores se apropriam do capital natural sem impactar significativamente as condições de vida das populações pobres residentes no seu entorno espacial ou sem se preocupar em apoiar programas de desenvolvimento de fornecedores locais.

Não há dúvida de que os novos investimentos em atividades turísticas nas áreas periféricas do País contribuíram para resultados muito positivos nas nossas contas externas, no nível geral de emprego, nas taxas de crescimento do PIB, etc. Mas ainda resta dúvida sobre os benefícios que teriam aportado para os habitantes dessas áreas. Será que, na concepção e na implementação desses projetos de investimento, não estaria embutido um conflito entre os critérios de eficiência econômica e de equidade social?

A análise das experiências dos ciclos de expansão de diferentes economias nacionais e regionais no pós 2ª Guerra Mundial não revela a existência de nenhuma correlação geral e sistemática entre o processo de crescimento econômico e a distribuição de renda e de riqueza neste processo.

Constatou-se que a compatibilidade entre o crescimento econômico e o desenvolvimento social não se processa espontaneamente. O desenvolvimento social não se revelou como um subproduto cronológico do crescimento econômico. De fato, a experiência histórica vem demonstrando que a simples mobilização intensiva dos fatores de produção pode reproduzir, agora sim, de forma espontânea, as condições sociais iniciais que lhe deram sustentação.

Em princípio, não se pode afirmar que os critérios de eficiência econômica e de equidade social (ou de distribuição de renda e de riqueza) que orientam a seleção e a prioridade de projetos de investimentos sejam mutuamente exclusivos. Um programa ou projeto de investimento, como o de melhoria da competitividade de um arranjo produtivo local de turismo, pode se enquadrar no critério de eficiência e no critério de distribuição, pois, de um lado, aumenta os fluxos de comercialização, as margens de lucro e, enfim, a competitividade setorial e, ao mesmo tempo, pode beneficiar a formação de mão de obra local em áreas menos desenvolvidas. O que interessa ressaltar é a ênfase ou a intencionalidade dada ao programa ou projeto.

É preciso, pois, definir os procedimentos operacionais por meio dos quais é possível combinar a eficiência empresarial ou microeconômica dos investimentos em turismo com a busca do desenvolvimento humano das populações das áreas em que se localizam. Há, neste ponto, duas instituições que têm registrado detalhadamente as experiências internacionais bem-sucedidas nessa direção: o projeto Pro-Poor Tourism (PPT), financiado pelo Department for International Development (Dfid) do Reino Unido, e a Organização Mundial do Turismo (OMT). O próprio Ministério do Turismo considera que as propostas mais adequadas de políticas públicas do setor devem ter, como ponto de partida, o estabelecimento de portas de saída para a pobreza.

Não faltam experiências em que mirar nem concepções adequadas de turismo sustentável nas burocracias especializadas ou até mesmo capacidade de planejamento nos quadros técnicos dessas burocracias para desenhar políticas, programas e projetos que articulem os investimentos em capital físico, humano e social em torno das atividades turísticas. Entretanto, como se trata de investimentos que envolvem os três níveis de governo, complexas relações entre os interesses público e privado, além de intensa transversalidade nas burocracias públicas, talvez o nó górdio da sua implementabilidade esteja na fragilidade ou na própria ausência da função de coordenação geral no processo de planejamento do governo federal.

*Paulo R. Haddad, professor do IBMEC-MG, foi ministro do Planejamento e da Fazenda no governo Itamar Franco

25/05/2009 - 13:42h Não faltam investidores para a Copa de 2014

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O valor da cota de patrocínio chega a US$ 80 milhões e há disputa

Marili Ribeiro – O Estado SP

Os patrocinadores da Copa do Mundo de Futebol de 2014 só poderão dar início às suas ações de marketing após o término da Copa de 2010, na África do Sul. Mesmo assim, não faltam candidatos a desembolsar os altos custos da cotas para garantir presença. “Fomos rápidos, pois não queríamos dar chances a nenhum concorrente do nosso segmento se mexer”, afirma Fernando Chacon, diretor executivo de marketing do Itaú-Unibanco, primeira empresa a assinar contrato de patrocinador oficial da Copa de 2014. Ele conta que as negociações começaram em novembro do ano passado. “Conseguimos blindar o acesso do concorrente e garantir nossa presença nessa vitrine inigualável.”

O banco é, até o momento, o único patrocinador oficial do mundial no Brasil – o primeiro em quase 60 anos. Há seis cotas de patrocínio a serem comercializadas, como informa a assessoria do evento, que é organizado pela Federação Internacional de Futebol, a Fifa. Três delas já estão bem encaminhadas.

No mercado do marketing esportivo, comenta-se que pelo menos duas operadoras de telefonia estão no páreo: a Vivo e a Oi. Procuradas, as duas fogem do assunto. Mas o executivo de uma delas admite, extraoficialmente, que os entendimentos estão avançados e só falta os acionistas liberarem as assinaturas dos contratos.

Os valores dos contratos para o Brasil são salgados. As cotas oscilam entre US$ 40 milhões e US$ 80 milhões, dependendo da extensão da participação. Há patrocinadores master, locais e ainda os “global partners”, que são os parceiros de todos os eventos esportivos da Fifa, inclusive a Copa do Brasil. Entre eles estão , por exemplo, grandes marcas, como Adidas, Coca-Cola e Visa.

A presença da global partner Visa, por exemplo, vai restringir a abrangência das ações do Itaú como o banco oficial da Copa de 2014, como reconhece o próprio Chacon. ” Vamos cuidar das operações necessárias à realização do evento no Brasil, como câmbio”, explica ele. “O único impedimento que teremos diz respeito ao uso de cartões de crédito e débito, por causa do patrocinador Visa”. Mesmo com a restrição na extensão do patrocínio, o investimento, cujo valor ele não revela, é, na opinião dele, compensador.

Para o diretor do Itaú, o retorno de imagem que um mundial no Brasil pode trazer é imensurável, dadas às proporções que o evento assume no “país de chuteiras”.

Não é uma visão isolada. O diretor de Marketing da AmBev, Carlos Lisboa, não esconde a euforia pelo fato de a recém-comprada cervejaria americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, ser uma das patrocinadoras da Copa de 2010, o que, por extensão, deverá estender o direito de permanecer também como patrocinadora da Copa de 2014 no Brasil.

“As negociações já estão bem engatilhadas. Tanto que já mandamos uma equipe para a África do Sul para ver quais as ações de ativação de marca que eles estão fazendo lá e avaliar como poderemos replicá-las por aqui”, conta Lisboa.

O fato de os jogos ocorrerem em diferentes cidades ao mesmo tempo – as 12 escolhidas serão anunciadas no fim do mês -, é outro elemento que pode impulsionar as vendas. “Com a mobilização que o futebol promove, a Copa do Mundo no Brasil será como um segundo verão para nós.”

Os números do evento são grandiosos e, por si só, impulsionam os grandes conglomerados a entrar na disputa por uma cota de patrocínio. Na Copa da Alemanha, os jogos foram vistos por 2,6 bilhões de pessoas em 214 países. Só com direitos de transmissão de imagem, a Fifa faturou 2,1 bilhões.