17/11/2009 - 14:45h Cidade suja


São Paulo (SP) Lixo jogado na calçada, impede que os pedestres circulem próximo a estação Palmeiras Barra Funda. 16/11/2009. Foto: Elizeu Araujo de Souza/FotoRepórter/AE


Orçamento de Kasab será de R$30 bilhões em 2010, graças aos impostos e multas. IPTU com aumento cavalar e aumento da tarifa de ônibus, já em janeiro. Aumento também dos salários de Kassab e do alto escalão.

São Paulo merece?

LF

15/11/2009 - 20:33h Uma queda por ele(a)

Le meilleur moment

C’est quand elle monte l’escalier
Qu’on devine ce qui va bientôt se passer
C’est à ce moment-là
Quand je la voyais majestueuse
Comme une arche
Que j’ai trouvé le moyen de louper une marche

JEAN-LUC FORNELLI

L’amour, ça fait mal… quand ça tombe

Il y a une expression: “tomber amoureux(se)”  que l’on retrouve en Anglais (fall in love) et en Japonais (koi ni ochiru) mais qui n’a rien à voir avec l’idée de chute morale ou spirituelle. A ceux et celles qui se demandent vers où on tombe, et de quelle hauteur, voici une réponse…

Myope-comme-une-taupe-1

Depuis le XVIe siècle le verbe tomber peut signifier “devenir”. Il est utilisé pour indiquer que l’on passe très vite d’un état à un autre. L’image de la chute souligne que l’événement est rapide. Tomber malade. Tomber en disgrâce. Tomber dans l’erreur. Tomber dans l’excès. Tomber dans le désespoir. Tomber en pâmoison. Tomber en enfance… Rien à voir avec la chute des anges maudits, ni avec l’image péjorative d’une déchéance. L’expression “tomber en” ou “tomber dans” montre que l’on entre dans un état d’une manière accélérée. Le verbe “tomber” peut aussi signifier “rencontrer quelqu’un par surprise, rapidement” : “tomber sur quelqu’un”.  Le coup de cœur n’est pas loin: quand l’amour s’empare brutalement de vous, c’est comme si la foudre vous tombait dessus. Le comique n’est pas très loin non plus: la chute fait partie des gags les plus faciles du répertoire burlesque.

Myope-comme-une-taupe-2

Brodant sur l’idée du trébuchement, l’artiste Jean-Luc Fornelli s’amuse à dépeindre l’amour comme une succession de faux-pas. Il réalise des collages à partir de photos érotiques des années 20 ou 30, accompagnées de titre loufoques. Son collage intitulé “Accident de tournage sur le film X La Cousine du forgeron” montre un homme et une femme nus qui s’embrassent délicatement… tandis qu’une enclume bascule au-dessus d’eux. Jean-Luc Fornelli accompagne ces images ironiques de petits poèmes (récemment publiés sous le titre Voluptés à la mante) qui parlent des mille et un ratages dont notre vie intime semble être faite. Rappelez-vous la fois où vous avez oublié de tirer la chasse d’eau. Et cette fois où vous avez troublé le silence harmonieux de vos cœurs en laissant échapper une bévue… Tenez, moi, rien qu’hier soir, j’ai envoyé un plug dans l’œil de mon amant. “Regarde, chouchou, tu vois comme mon anus est musclé?“. Contractant le sphincter, j’ai malencontreusement expulsé le plug. Comme une fusée.

Heureusement, alleluia, il y a des gens comme Jean-Luc Fornelli pour vous faire sentir moins seul(e). Les accidents honteux, il en a commis tout plein: “pépins d’amour, couacs du désir, hics de l’éros…”. Bévues, gaffes et prolapsus en tous genres, bienvenue. Jean-Luc Fornelli épingle le vécu amoureux avec un sens de la piqure acéré. Ça sent la vérité. Dans des poèmes courts aux allures de petites pierres philosophales, il montre que les amants n’arrêtent pas de rater leurs coups et de glisser sur des peaux de banane. Et que c’est peut-être ça qui rend l’amour si fort. Parce que, survivre à une honte pareille, si ça ne vous tue pas… ça vous rend plus fort, non, chouchou?

Fonte les 400 culs

Exposition de collages de Jean-Luc Fornelli, du 15 novembre au 24 décembre 2009 à la Galerie Humus : 18 bis rue des terreaux, Lausanne, Suisse. Tél. : 00 41 21 323 2170.
Publication des collages et des poèmes de Jean-Luc Fornelli : Voluptés à la mante, éditions Humus

15/11/2009 - 19:43h Bachianas Nº 5 – Heitor Villa-Lobos


Nº 5 das Bachianas de Heitor Villa-Lobos, interpretada por Amal Brahim Djelloul (soprano) Gautier Capuçon (cello) Orchestre Du Violon Sur Le Sable (filme Jack Febus)


Nº 5 das Bachianas de Heitor Villa-Lobos, interpretada por Victoria de los Ángeles – Regente e autor: Heitor Villa-Lobos

08/11/2009 - 21:45h Poema da buceta cabeluda



A buceta de minha amada
tem pêlos barrocos,
lúdicos, profanos.
É faminta
como o polígono das secas
e cheia de ritmos
como o recôncavo baiano.
A buceta de minha amada
é cabeluda
como um tapete persa.
É um buraco-negro
bem no meio do púbis
do universo.
A buceta de minha amada
é cabeluda,
misteriosa, sonâmbula.
É bela como uma letra grega:
é o alfa-e-ômega dos meus segredos,
é um delta ardente sob os meus dedos
e na minha língua
é lambda.
A buceta de minha amada
é um tesouro
é o Tosão de Ouro
é um tesão.
É cabeluda, e cabe, linda,
em minha mão.
A buceta de minha amada
me aperta dentro, de um tal jeito
que quase me morde;
e só não é mais cabeluda
do que as coisas que ela geme ao meu ouvido
quando a gente fode.

(imagens ©Wondrous Vulva Puppet)

Braulio Tavares (1950, Campina Grande, PB). Escritor, compositor. Publicou, entre outros, A espinha dorsal da memória. Contos (Lisboa/Rio de Janeiro: Caminho/Rocco, 1989/1996); Mundo fantasmo. Contos (Rio de Janeiro/Lisboa: Rocco/Caminho, 1996/1997); Como enlouquecer um homem: as mulheres contra-atacam. Humor (Rio de Janeiro/São Paulo: Editora 34/Círculo do Livro, 1994/1997) e A máquina voadora. Romance (Rio de Janeiro/Lisboa: Rocco/Caminho, 1994/1997). Escreve sobre Cultura, todo dia, no Jornal da Paraíba.

08/11/2009 - 19:26h Weegee, o fotógrafo que retratava o lado sombrio do gênero humano

Images & Visions

Arthur Fellig (na foto) que usava o pseudônimo Weegee, foi um dos precursores do fotojornalismo.

Arthur Fellig (1899-1968) que usava o pseudônimo Weegee, foi um dos precursores do fotojornalismo, retratando até à exaustão uma parte da vida que a sociedade queria ignorar: o crime. O fotógrafo da inquietação noturna, com a sua câmara mágica (sempre regulada para o mesmo tipo de abertura, F/16, e usando o flash) quase antecipava, por alguma espécie de premonição, a cena de um crime. Os jornais da manhã, lidos na azáfama dos cafés e dos transportes, estampavam as suas fotografias, vendidas ainda a tempo das edições matutinas. Weegee foi verdadeiramente um free-lancer da fotografia, viajando até ao fundo da noite de Nova Iorque com a sua máquina fotográfica e a inseparável máquina de escrever! Conseguia também interceptar as comunicações policiais, com um rádio pirata no carro, e muitas vezes, chegava à cena do crime antes da polícia! Este fotógrafo conhecia bem o gênero humano, o lado sombrio. A outra face da civilização. Veja mais fotos Aqui

06/11/2009 - 17:52h Antonio, de novo

Diz

http://3.bp.blogspot.com/_RCojEL9WAfQ/SteIyufzy4I/AAAAAAAAC8U/YotrfpVyJnE/s1600-R/elianne_foto_sylvie_rosto_normal.JPGBlog Caminhar

O relicário*

Ela deitou na tábua curtida onde o sol se esgueirava naquela manhã, ia deslizando no assoalho ainda frio.
Resta uma nesga de sol, quase uma linha que desenha um eixo,
corta ao meio seu corpo magro. Imagina que ele está sobre ela, inteiro.Tira a camisola. Fica nua.
Lembra da primeira vez que se deitaram.
Ela acabara de virar mulher, ele quase menino. Caminhavam na trilha até o açude. Tropeçou. Ele veio ajudá-la. E ali mesmo fizeram amor. Meses depois não era possível esconder mais a barriga. Casaram.
Antonio trouxe o relicário. A mãe, devota, escolheu o nome durante o difícil
parto.
Quando a jogava na cama, viril, cheio de desejo, antes cobria o Santo:
“Não quero que ele veja nossa sem- vergonhice”.
Cansado da fome, vai em busca de trabalho:”Homem que é homem, traz o
sustento pra dentro de casa, Maria”.
Parece que foi ontem que se despediu do marido encostada na porta, a barriga
grande, o olhar perdido no horizonte.
- “Pede pra nosso filho vingar, Maria”, é cantilena no ouvido dela. O filho
não vingou, mas Antonio não sabe.
Certo dia um homem bate na porta:
-Você é Maria?
-Sou.
-Mulher de Antonio?
-É…
-Ele me falava de você. Pediu que viesse até aqui.
Ela adivinha o que ele tem para dizer. Lágrimas brotam dos seus olhos.
-Pediu para te dizer que arranjou o trabalho e que lá de cima vai cuidar de você e de seu filho.
-Como foi?
-Numa desavença, levou uma facada certeira, só teve tempo de dizer estas últimas palavras.
Ela fica em silêncio, engole o choro e diz:
-Se quiser, entre, lhe dou um copo d’água.
-Obrigado. Meu nome também é Antonio, Antonio da Silva, ao seu dispor.

*Este conto está neste livro.

03/11/2009 - 20:26h A OIT considera que o governo brasileiro tomou medidas “decisivas não somente para prevenir a crise, mas também para reforçar a proteção social”.

Perda salarial no Brasil na crise está entre as menores do G-20

Relatório da OIT diz que País teve crescimento de 2,8% dos salários médios mensais; México lidera perda

- Agencia Estado

De Paris para a BBC Brasil - O Brasil está entre os países do G20 que registraram menor perda salarial durante a crise financeira, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Os dados indicam que os salários médios mensais no Brasil registraram crescimento de 2,8% em 2008, acima de países como Canadá (2%), Austrália (1,1%) e Grã-Bretanha (0,5%).

Apesar disso, os salários brasileiros cresceram menos do que em 2007, quando aumentaram 4,9%, segundo dados da OIT.

As maiores perdas foram registradas em países como México (-3,5 %), Japão (-0,9%), África do Sul (-0,3%) e Alemanha (-0,6%).

‘Memorável’

Embora o estudo não revele estatísticas de dois dos principais emergentes membros do G20, Índia e China, o autor do estudo, Patrick Belser, disse à BBC que o Brasil está, “certamente, entre os três países do grupo em que os salários mais cresceram”.

Segundo o economista, as políticas de recuperação da economia implementadas pelo governo brasileiro tiveram impacto positivo no emprego e salários do país.

A OIT considera que o governo brasileiro tomou medidas “decisivas não somente para prevenir a crise, mas também para reforçar a proteção social”.

Entre elas, o relatório cita o aumento do salário mínimo e as iniciativas para garantir a continuidade de investimentos em infraestrutura, “que tiveram um impacto favorável na demanda por mão-de-obra”, na opinião de Patrick Belser. Apesar disso, o economista é cauteloso.

“O Brasil conseguiu atravessar o período de crise de maneira memorável, mas já observamos, no primeiro trimestre deste ano, uma queda pronunciada na evolução dos salários e uma estabilização no segundo trimestre. O segundo semestre de 2009 será crucial para determinar se os salários vão seguir tendência de queda ou se irão manter o crescimento”, disse.

Futuro

Os dados publicados são uma atualização do Relatório Mundial sobre os Salários, publicado em 2008 e editado a cada dois anos pela OIT.

As novas estatísticas indicam que, apesar dos primeiros sinais de recuperação da economia mundial, a situação dos salários no mundo continua a se deteriorar.

Segundo a OIT, o aumento dos salários médios no mundo caiu, passando de 4,3% em 2007 para 1,4% em 2008. Os dados indicam que mais de 25% dos 53 países analisados registraram queda ou estagnação salarial.

Para a OIT, no contexto atual, ainda é prematuro falar em recuperação da economia mundial.

Segundo Patrick Belser, o desemprego vai continuar a aumentar a curto prazo e os salários vão permanecer estagnados ou em queda em um período de 1 a 2 anos

28/10/2009 - 19:23h Soave sia il vento


Susan Chilcott (Fiordiligi) e Susan Graham (Dorabella) na ária Soave sia il vento, da ópera Cosi fan tutte, de Mozart


“Soave sia il vento”

Ana Maria Martinez (Fiordiligi)
Sophie Koch (Dorabella)
Sir Thomas Allen (Don Alfonso)

27/09/2009 - 22:24h Yom Kipur


Moishe Oysher canta o “Kol Nidre” – Yiddish filme de 1939


Max Bruch Kol nidrei Op. 47
Jacqueline du Pré
Gerald Moore (piano) Ray Jesson (organ)
Osian Ellis (harp) and John Williams (guitar)
Sevilla Images

24/09/2009 - 17:21h Sinfonia de Navios Andantes

“Sinfonia de Navios Andantes”- peça musical do maestro e compositor Gilberto Mendes, baseada em poema do escritor Flávio Viegas Amoreira, será apresentada nessa quinta-feira, a partir das 21 horas, no Sesc-Santos,
dia 24 de setembro. Entrada franca; encerramento do “Festival Música Nova” – 2009

24/09/2009 - 13:02h Palocci teme mau uso do fundo


Recursos devem ser investidos no longo prazo, diz ele

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Reuters, BRASÍLIA – O Estado SP

O Brasil deve investir no longo prazo os recursos com a exploração do petróleo da camada pré-sal para evitar choques fiscais e cambiais, alertou ontem o deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), relator do projeto de lei do novo marco regulatório que cria um fundo para a aplicação do dinheiro.

“Os recursos obtidos na exploração do pré-sal precisam ser colocados em uma poupança de longo prazo, por motivos fiscais e cambiais”, afirmou Palocci em seminário sobre as novas regras do setor. “Se nós gastamos de imediato recursos finitos, conseguimos um orçamento que no futuro será certamente desequilibrado.”

Palocci lembrou que municípios brasileiros que hoje recebem royalties da exploração do petróleo já correm esse risco. “Não é ruim o município investir esses recursos em despesas de capital e infraestrutura, mas os municípios que estão transformando essas receitas em despesas permanentes terão uma surpresa muito desagradável”, destacou.

O ex-ministro da Fazenda também citou o risco cambial e o perigo para a indústria nacional de se investir rapidamente o dinheiro obtido com a exploração da camada pré-sal. “Se nós permitirmos que os recursos sejam imediatamente gastos nós vamos provocar uma valorização cambial não sustentável no tempo, que colocará em questão todo o parque produtivo brasileiro.”

Em entrevista depois de participar do evento, Palocci sinalizou apoiar a ideia de que se utilize apenas o rendimento do fundo. “O governo tem falado em usar o rendimento. Se usar todo o fundo, ele deixa de ter um caráter de longo prazo, que é o que sustenta a ideia de um fundo”, disse. “O projeto existe para isso. Se o governo quisesse utilizar (todo o dinheiro de uma vez), bastava dizer que o recurso do pré-sal vai para o Orçamento.”

Perguntado se haverá um dispositivo em seu relatório para regular isso, Palocci afirmou que não tem como adiantar as alterações que fará antes de a comissão especial instalada para analisar o projeto promover algumas audiências públicas. “Não necessita, mas pode ter eventualmente”, complementou.

22/09/2009 - 17:53h Águas de Forestier

Cristiane Neder

O vinho que toca seus lábios
desperta o pecado
em um pobre pagão
que sonha com o paraíso,
onde todas as águas
se transformam em vinho,
dos rios, lagos, marés e cachoeiras,
salgadas, doces, porém todas vermelhas.
Lavando seus pés,
molhando os seus seios,
escorrendo sobre todo seu corpo
o doce veneno,
que nos embriaga a sede de outras paixões.
Pequenos Bacos
brincando de serem anões,
e todo pecado será desculpado
por todo motivo impulsionado por prazer.
Toda musa será deusa,
todo ateu será José,
e o pecado é não beber
da fonte das águas de Forestier.

03/09/2009 - 12:14h Cai o “xerife” do resultado zero

Cidade suja, cracolândia a toda, Nova Luz no escuro, o retorno da Máfia dos fiscais e projeção política zero. Andrea Matarazzo sai da prefeitura com balanço nulo e vítima das disputas internas entre tucanos que não se bicam. O xerife vai embora e Feldman comemora. Nada muda, a mediocridade continua.

Sintomático: no primeiro comentário na página eletrônica do Estadão, que publica a matéria (ver a seguir), um leitor resume:


Prefeito fraco

Qui, 03/09/09 09:26 , fabionog@estadao.com.br

Kassab fez uma boa primeira gestão e conseguiu sua reeleição. Sua segunda gestão está sendo ruim e omissa. Abandonou a cidade, que está visivelmente pior do que um ou dois anos atrás. Não se consertam mais pavimentos e calçadas, a limpeza piorou, a coleta de lixo está irregular e por aí vai. Votei nele na eleição anterior mas certamente ele não será mais meu candidato para nada.

Andrea Matarazzo e Gilberto Kassab, em janeiro

Ligado a Serra, Matarazzo deixa Prefeitura

Titular das Subprefeituras estava desgastado no governo Kassab; gota d?água foi crítica à varrição de rua

Diego Zanchetta e Silvia Amorim – O Estado SP


Após quatro anos e oito meses no governo, o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, de 53 anos, deixou ontem a equipe do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Isolado das decisões da cúpula do Executivo desde o início do ano, Matarazzo era um dos poucos remanescentes da gestão José Serra (PSDB) na Prefeitura de São Paulo. O secretário adjunto da pasta, Ronaldo Camargo, deve assumir interinamente.

A situação de Matarazzo se tornou insustentável junto ao prefeito há duas semanas, depois de o secretário dizer à Radio CBN que o corte no Orçamento de 2009 já afetava os serviços de varrição do centro da capital – de um total de R$ 300 milhões para o serviço, o prefeito cortou R$ 54 milhões. O assunto gerou desgaste ao governo. Com a situação de seu aliado ruim no governo municipal, o governador Serra convenceu Matarazzo a deixar a secretaria para começar a trabalhar em uma possível candidatura a deputado federal em 2010.

A saída era cogitada desde o início do ano. Kassab ficou irritado com Matarazzo durante as eleições de 2008, quando considerou que o secretário, vice-presidente do Diretório Municipal do PSDB, só passou a defender a sua campanha após os índices de intenção de voto no prefeito aumentarem nas pesquisas, a 40 dias do primeiro turno. Kassab gostaria de nomear o atual secretário de Esportes, Walter Feldman, para o posto de Matarazzo. Feldman brigou no PSDB para apoiar a reeleição do prefeito, ante a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Com a reeleição de Kassab, Serra cogitou a ida de Matarazzo para a Secretaria de Estado dos Transportes, comandada por Mauro Arce. Mas, a pedido de Serra, Kassab manteve o tucano no comando das subprefeituras, apesar de retirar seus subprefeitos aliados em regiões como Vila Mariana e Ipiranga. O prefeito também tirou do tucano o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru). O secretário também não participava mais do projeto de revitalização da Luz, uma das bandeiras de Matarazzo no primeiro governo, de 2005 a 2008.

NOTAS

A conversa entre Kassab e Matarazzo sobre a demissão ocorreu anteontem à noite. Em nota oficial, divulgada ontem, o prefeito comunicou que “aceitou o pedido de demissão” apresentado ontem pelo secretário. O texto não expõe as razões para a baixa. Diz apenas que o “compromisso era de permanecer à frente da secretaria até julho”, quando Matarazzo daria “início a novas missões”.

No texto, Kassab deixou as críticas de lado e elogiou a gestão do secretário. “Ajudou a elevar os índices de excelência da administração municipal. Com empenho e dedicação, tornou-se uma referência para todo o secretariado”, disse.

O PSDB municipal divulgou ontem nota de solidariedade a Matarazzo. A saída dele “não é uma boa notícia”, dizia o comunicado. Matarazzo não retornou os telefonemas da reportagem.

31/08/2009 - 10:56h Nem meu nem teu, é nosso

 http://fisenge.org.br/wp-content/uploads/2008/11/selo_pre-sal.jpg

*Mario Cesar Flores – O Estado SP

O potencial do petróleo extraído no mar, das camadas pré-sal, está produzindo uma polêmica curiosa: seria mesmo “espoliação” do direito do Rio de Janeiro – por extensão, de São Paulo e Espírito Santo, até agora – a mudança do modelo atual de distribuição de royalties, que estenderia o benefício a todo o País? Detalhe curioso da polêmica é que ela ocorre à margem da pergunta fundamental que deveria alicerçar a questão: qual é a lógica que credencia Estados e municípios a terem participação na receita do petróleo extraído a dezenas ou centenas de quilômetros de suas praias, onde não existe nem pode existir nenhuma participação de Estado ou município no empreendimento, em extensões oceânicas sequer territoriais brasileiras e, portanto, muito menos territoriais estaduais e municipais – estão apenas sob jurisdição econômica brasileira?

É estranha a pretensão, à revelia de amparo racional, de Estados e municípios se considerarem produtores do petróleo a 100/200/300 km do litoral – uma pretensão sem fundamento objetivo, que estende à imensidão oceânica a concepção territorial federativa, político-administrativa, de inspiração essencialmente terrestre!

O § 1º do inciso XI do artigo 20 da Constituição de fato assegura a Estados, municípios e ao Distrito Federal (DF) participação no resultado da exploração do petróleo e gás em seu “respectivo território, mar territorial, plataforma continental e zona econômica exclusiva (ZEE)”. Mas, realisticamente, há sentido em considerar “respectiva” plataforma continental e “respectiva” ZEE de Estados e municípios as extensões oceânicas e seu fundo a tais distâncias do litoral? Ademais – e à margem da insólita “territorialidade oceânica” invulgar no mundo -, esse dispositivo constitucional assegura a participação aos Estados, DF e municípios em que ocorra a produção, mas não impede que o resto do Brasil também seja beneficiado por recursos que a lógica sugere ser de todo o povo brasileiro. A mudança do modelo não é, portanto, uma violência anticonstitucional.

O pacto federativo pressupõe autoridade, direitos e deveres. Que autoridade, que responsabilidades, que encargos legais inerentes aos Estados e municípios são exercidos pelos Estados e municípios ditos produtores de petróleo, nas águas e nas plataformas de produção, naquelas distâncias e nas circunstâncias tão especiais e complexas do empreendimento?

Se ocorrer um vazamento de óleo no mar, a tais distâncias do litoral, que atuação protetora cabe ao órgão ambiental do Estado e à defesa civil do município em cuja esotérica respectiva ZEE ocorreu o fato? Obviamente nenhuma, nem poderia caber. Tem o Estado ou o município (qual?) o direito de multar a empresa poluidora?

Caso aconteça um crime numa plataforma, caberá à polícia judiciária estadual investigá-lo e à Justiça estadual julgá-lo?

A situação reflete um caso típico de atribuições constitucionais concorrentes só no papel. Na prática são da União e não poderia ser diferente. É discutível a afirmação de que Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo “perderão” com a mudança do modelo. Na verdade deixarão de ganhar tudo que entendem seu, sem considerar um detalhe: ganhariam absolutamente nada se a União não tocasse o empreendimento. E a União é todo o Brasil.

O apoio em terra, as instalações industriais correlatas à questão (portos, refinarias, petroquímica) e as de transporte/escoamento devem ser tributados pela sistemática normal e é razoável que sejam onerados “a mais”, pelos encargos ambientais (e outros) porventura decorrentes. Mas atribuir a Estados e municípios direitos pela exploração do petróleo no oceano distante é manobra surrealista, contrária à conveniência do País como um todo. O argumento de que a exploração oceânica induzirá desenvolvimento no litoral, exigente de atenções estaduais e municipais, também soa falso: seria a primeira vez que o desenvolvimento gerador de progresso e renda local é visto como um mal a ser pago por todo o País… Se é realmente um mal, por que os Estados tanto se empenham por investimentos na petroquímica, em refinarias…?

No fundo, criou-se uma distribuição de royalties que, nos Estados e, sobretudo, em municípios, corre o risco de servir à “gastança” local. Essa possibilidade confere à controvertida distribuição desses recursos outro aspecto preocupante, a ser considerado não só para os royalties das camadas pré-sal, por ora virtuais, mas também ao já extraído em profundidades menores: o disciplinamento do seu uso, a ser circunscrito ao desenvolvimento econômico e social – educação, saúde, saneamento -, rigorosamente proibido qualquer desvio para custos correntes. Em particular para o custeio da máquina pública, tendência verossímil por força de nossa cultura patrimonialista e provável razão do “olho grande” nos royalties, em muitos municípios.

A opinião já expressa pelo presidente da República, de que os futuros royalties da camada pré-sal deverão ter aplicação nacional, portanto sem relação com a singular fantasia territorial-oceânica estadual e municipal, é coerente com a realidade: o petróleo a ser algum dia extraído das camadas pré-sal deverá beneficiar todo o povo brasileiro.

É bem verdade que não convém ampliar a já grande concentração de recursos na União, incoerente com um modelo federativo que se pretenda saudável, mas por que não estabelecer uma divisão pelas unidades federadas, que atenda racionalmente todo o País?

A essa questão se aplica com muita propriedade o slogan da moda nos anos 50: O petróleo é nosso. No caso em foco neste artigo, nosso, brasileiro, não fluminense, paulista ou capixaba…

*Mario Cesar Flores é almirante de esquadra

30/08/2009 - 13:12h 4 – A Petrobras deve ser a única operadora da área?

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DA SUCURSAL DO RIO

A entrega de uma fatia de todos os campos de pré-sal à Petrobras levará à demora na exploração da nova e promissora província petrolífera e trará riscos à própria estatal, que necessitará de volume muito grande de recursos, dizem especialistas. A proposta consta do marco regulatório preparado pelo governo.
Controversa, a ideia de a estatal ser operadora exclusiva do pré-sal pode esbarrar também na inconstitucionalidade e gerar contenciosos na Justiça, avaliam juristas.
Para Adriana Perez, da FGV, a Petrobras não terá possivelmente escala para explorar tantas áreas ao mesmo tempo nem levantar recursos para tal, embora saliente que haveria “sinergia” e “economia de escala” se ela fosse a única responsável pela gestão dos campos.
Edmar Almeida, da UFRJ, diz que o “mais adequado” para o país é extrair o óleo do pré-sal o mais rápido possível e se apropriar da renda do petróleo. Diante dessa lógica, afirma, é mais racional dividir a exploração com mais empresas -dada a enorme cifra de US$ 400 bilhões estimada para desenvolver a produção no pré-sal nos próximos 15 anos.
As estrangeiras vão “naturalmente” se associar à Petrobras, que detém mais tecnologia e conhecimento do pré-sal, diz.
Já Armando Guedes, ex-presidente da Petrobras e diretor da Firjan, diz que a empresa já está no limite de sua capacidade financeira em razão de seu ambicioso plano de investimento. Por isso, diz, não há como disputar licenças do pré-sal, e restaria ao governo colocá-la como operadora única.
No âmbito legal, a escolha da estatal sem concorrência fere o princípio de que todas as contratações da administração pública têm de ser por licitação e ignora os princípios constitucionais de transparência e isonomia, o que pode gerar questionamentos na Justiça, avalia Sonia Agel, sócia do escritório Schmidt, Valois, Miranda, Ferreira & Agel Advogados.
“Espero que essa proposta seja só uma especulação. É ruim até mesmo para a Petrobras, que ganhou competitividade com a concorrência após a abertura do mercado”, diz Agel, ex-procuradora-chefe da ANP.
Lauro Celidônio, do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, diz que a proposta é contrária aos princípios da livre iniciativa, da livre concorrência e da exigência de licitação no setor público. “Não é possível a Petrobras operar os campos sendo uma empresa de economia mista”, afirma.
O artigo 177 da Constituição de 1988 dá à União o monopólio da exploração de petróleo -exercido na época pela Petrobras, cujo capital era mais de 80% do governo central. O monopólio foi flexibilizado em 1995, e em 1998 a Lei do Petróleo criou o modelo atual de contratação por meio de licitação -com o pagamento de bônus à União na assinatura do contrato e royalties com a produção.
Agora, a Lei do Petróleo terá de ser totalmente alterada para modificar o regime atual para o de partilha de produção.
Depois que o modelo atual entrou em vigor, o governo vendeu papéis da Petrobras e tem hoje cerca de 32% do capital total -e 56% das ações ordinárias, o que lhe dá o controle.
O governo estuda, para aumentar a sua participação na estatal e capitalizá-la para investimentos, fazer um aumento de capital na empresa, emitindo e comprando ações dela.
(PEDRO SOARES)

E EU COM ISSO?

Se o governo fizer uma capitalização na Petrobras, emitindo novas ações para captar recursos para investimento, os acionistas que não ampliarem sua participação na ocasião terão as ações diluídas e acabarão recebendo menos dividendos.

29/08/2009 - 13:26h Relógios de Kassab estão parados

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Adiada a licitação dos relógios de rua

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli – O Estado SP

Após sofrer mais de 50 questionamentos em audiência pública realizada na terça-feira, a licitação da Prefeitura de São Paulo para a concessão de mil relógios digitais de rua foi suspensa ontem por tempo indeterminado. Advogados de empresas questionaram principalmente dois pontos da concorrência: o fato de uma concessão pública ser feita sem a autorização prévia de um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal, como aponta a legislação federal, e a exigência para que a concorrente também apresente um modelo de desenho para o aparelho que simbolize São Paulo.

O desenho exigido para o relógio foi considerada de “caráter subjetivo”. Do jeito como foi apresentado pela Emurb, cada interessado deverá propor o próprio protótipo durante a licitação. Empresários do setor dizem que, se o governo não definir previamente, por concurso público, o design dos relógios, a escolha dos modelos poderá ser colocada sob suspeição por um possível direcionamento. O objetivo do governo é criar um relógio temático com a cidade – em Natal, por exemplo, alguns relógios são em formato de caju, fruta típica do Estado.

A previsão da exploração do serviço por um único lote ao vencedor também causou polêmica. Parte dos interessados defendeu a criação de um comitê técnico para acompanhar todo o processo. Eles querem saber o peso exato que os itens “funcionalidade” e “design” terão nas escolhas das empresas.

A Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) confirmou o adiamento no fim da tarde, por meio de nota publicada no site do governo municipal. Com previsão de render R$ 122 milhões aos cofres públicos, a concessão de 16 anos custaria para as empresas cerca de R$ 750 mensais de contrapartida ao Município por cada equipamento. Serão 850 até 2001 e outros 150 de reserva técnica para a ampliação da cobertura em novas vias.

27/08/2009 - 11:58h Negócios com pré-sal atraem empresas

De Cingapura – VALOR

http://tijolaco.com/wp-content/uploads/2009/07/plataforma.bmpAs autoridades de Cingapura dizem que não veem um acordo de livre comércio com o Brasil no horizonte principalmente por causa de obstáculos do lado brasileiro.

Segundo diplomatas brasileiros ouvidos pelo Valor, há realmente uma série de dificuldades políticas. Primeiro, o Brasil teria de negociar um TLC junto com os parceiros do Mercosul, o que não é fácil. Além disso, o Brasil resiste em assinar acordos mais abrangentes com Cingapura por considerar o país asiático um paraíso fiscal.

Todo país com impostos corporativos abaixo de 20% é automaticamente considerado pelo Brasil como paraíso fiscal, o que inclui Cingapura. Por isso, um acordo para evitar bitributação entre os dois países continua engavetado, o que desestimula os investimentos de empresas cingapurianas no Brasil.

Estranhamente, Suíça, Irlanda e Uruguai também têm impostos corporativos abaixo desse patamar, porém não são considerados por Brasília como paraísos fiscais.

Uma autoridade cingapuriana, que pediu para não se citada, afirma que as empresas do país têm passado por dificuldades extras para conseguir contratos por conta própria no Brasil e, por isso, têm adotado a política de criar parcerias com empresas brasileiras. “Temos relações excepcionais com empresas brasileiras. Acho que essa será a melhor maneira de atuarmos no território brasileiro, já que as tentativas de conseguirmos contratos expressivos por conta própria acabaram sendo infrutíferas”, disse o cingapuriano.

O interesse no Brasil vem aumentando nos últimos tempos por causa de três fatores principais: petróleo; obras do PAC; e Copa do Mundo de 2014.

Os empreendimentos na área de petróleo já são mais visíveis. Em janeiro, a P-51, plataforma semisubmerssível construída pelo estaleiro BrasFELS, controlado pela cingapuriana Keppel, começou a operar na Bacia de Campos, no campo de Marlim Sul. No sábado, por exemplo, a Keppel e a brasileira Queiroz Galvão promoverão em Cingapura a cerimônia de entrega de uma nova plataforma de petróleo para a Petrobras. As autoridades cingapurianas falam do pré-sal como se fosse uma oportunidade de ouro para “fincar o pé com mais força” no mercado brasileiro.

Quanto às obras do PAC, os cingapurianos se dizem já “carta dentro do baralho”, por causa das parcerias com as grandes empreiteiras brasileiras.

Já a Copa do Mundo de 2014 desperta interesse por causa das obras de infraestrutura que serão necessárias para a competição, diz a autoridade cingapuriana. (RU)

26/08/2009 - 18:52h Serra diz que Lula foi mal informado e que União também é citada em propaganda do Rodoanel

Primeiro, Serra ataca propaganda do PT na TV afirmando que é propaganda enganosa, pois a mesma afirma que tem dinheiro do governo federal nas obras do metrô e no Rodoanel. Os jornais publicam amplamente o ataque e não publicam uma linha da nota oficial do PT contestando José Serra.

Depois, Lula declara em São Bernardo que na propaganda tucana em São Paulo não se diz que é uma obra com dinheiro do governo federal.

Agora Serra reconhece que tem dinheiro federal e afirma que nos panfletos isto é reconhecido.

Todos os que assistem a propaganda televisiva do Rodoanel sabem que os tucanos omitem a participação do governo federal na obra, como na expansão da linha 2 do metrô. LF

Ver também O trololó de Serra

 

Flávio Freire – O Globo

SÃO PAULO – O governador de São Paulo, José Serra, reagiu nesta quarta-feira às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relativas à obra viária do Rodoanel , na capital paulista. Sem citar nomes, Lula acusou, na terça-feira, o governo de São Paulo de omitir em sua propaganda oficial o fato de a construção ter recursos federais. ( Leia mais: Serra evita analisar ‘efeito Marina’ no jogo sucessório porque também pode ser candidato à presidência )

Lula não foi bem informado


- O presidente Lula não foi bem informado – disse Serra.

Segundo ele, a participação da União no projeto é citada nos panfletos, placas e publicidade de TV.

Para o tucano, a declaração de Lula tem viés eleitoral.

Se não fosse véspera de eleição, isso não estaria acontecendo


- Eu acho que a gente tem tido um trabalho de boa cooperação com o governo federal e eu não vou alimentar nenhuma intriga de natureza eleitoral. Se não tivéssemos nas vésperas de eleição não teríamos essa propaganda enganosa do PT nem o presidente teria sido mal informado a respeito de como as obras aqui têm sido apresentadas – disse o governador, lembrando ter convidado pessoalmente o presidente Lula para participar de inspeções das obras.

O Ministério Público Federal recomendou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes o bloqueio dos repasses de verbas federais para o trecho Sul do Rodoanel.

Relatório do Tribunal de Contas da União aponta irregularidades na obra, entre elas o adiantamento de R$ 236 milhões por serviços não realizados.

11/08/2009 - 16:33h O que está acontecendo em São Paulo?!


Não se pode beber, fumar, nem fazer barulho: a tropa de choque da caretice

Festejar o quê?

por Marcelo Paiva – Portal O Estado SP

O que está acontecendo na cidade de São Paulo?! Tudo bem, não se pode beber, fumar, fazer barulho até antes da meia-noite. Muitas baladas dos Jardins foram fechadas. Em blitze, tratam pessoas que querem se divertir como se fossem criminosas. Fiscais e policiais caçam com sangue nos olhos o lazer que consideram ilegal.

Arrumam-se motivos para acabar com a diversão alheia. Burocratas engravatados decidem o que se pode ou não fazer. A cidade, que quer cultura e se entreter, conhecer e festejar, enfrenta a tropa de choque da caretice.

Kassab & Cia limpam a cidade, até de diversão. Quem são esses caras? Saem à noite, têm amigos, vida social? A TFP tomou o poder?

Se fumamos dentro de um espaço público, vem a lei antifumo. Se todos saem à calçada para fumar, vem a lei do silêncio. Não há cinzeiros, porque a lei proíbe. Se batemos papo, vem o PSIU. E tem autoridade que quer proibir a bebida para depois das 23hs.

Até com quanto decibéis podemos rir? Serenatas, nem pensar. Podemos olhar a lua e uivar?

Deveriam ir ao divã, para se perguntarem por que detestam ver outros mais felizes.

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Recebi este comunicado dos amigos que produzem a festa GAMBIARRA. Me solidarizo.

GAMBIARRA INFORMA SOBRE OS FATOS OCORRIDOS NA NOITE DE ONTEM – 09 DE AGOSTO DE 2009:

A Gambiarra caiu na boca, e no coração, do povo. E, infelizmente, nos olhos de ganância de invejosos. Ontem, por volta das 2h da manhã, cerca de 10 viaturas da Guarda Civil Metropolitana, lideradas por dois fiscais da Subprefeitura da Sé (Tiago Augusto Inácio Gomes da Silva e Rafael – que não quis revelar o sobrenome), que não portavam identificação, cercaram as 3 entradas da festa, armados, e sem portar nenhum mandato ou coisa parecida, e bloquearam todas as portas da casa contra a vontade dos organizadores da festa. “Ninguém mais entra nem sai da casa”, disse o Rafael a um dos organizadores, impedindo inclusive a entrada do mesmo, que estava no momento na rua orientado os clientes que acabavam de chegar, e causando conflito com os clientes que já haviam pagado e queriam simplesmente ir embora.

Sem conversarem ou darem qualquer satisfação, arrancaram e confiscaram à força os banners das 3 portarias (inclusive agredindo um dos funcionários), sendo que todos os banners foram feitos dentro dos limites impostos pela própria prefeitura no Cidade Limpa.

A Gambiarra obedece ao PSIU (o nível de som que ultrapassa as pistas é muito pequeno), ao Cidade Limpa (todos os banners têm metragem muito menor do que o máximo permitido) e agora à Lei Anti-Fumo (no final de semana anterior à entrada em vigor da lei o cigarro já foi proibido na casa e foi criada uma alternativa para as pessoas entrarem e saírem da festa para fumar). Além disso, a casa, que conta com 3 pistas distintas, tem alvará de funcionamento para cada uma delas.

Ainda sem informar o motivo da “fiscalização”, os fiscais e os policiais invadiram a festa. Depois de verificarem que não havia fumantes nas pistas de dança, e exigirem que o som fosse desligado à força, fizeram o primeiro pronunciamento: “Queremos ver o alvará de funcionamento da casa”. Imediatamente, claro, foram encaminhados pela produção ao escritório onde tiveram em mãos os 3 alvarás de funcionamento.

Não satisfeitos, ordenaram o imediato desligamento do som e a retirada de todas as pessoas da festa para que fosse feita a contagem de quantos freqüentadores estavam presentes naquela noite, um por um.

Pressionados, por policiais armados, os produtores foram aos microfones das pistas para comunicar os clientes de que eles infelizmente tinham que sair.

O dj da Pista 1 ainda tentou resistir tocando algumas músicas da época da Ditadura, já com um volume bem baixo, embalado por um coro dos próprios freqüentadores, mas logo teve que ceder por ameaça policial.

Neste momento, as 1.400 pessoas presentes na festa se encaminharam para os caixas. Não bastando, e bloqueando todas as saídas, os policiais, inconseqüentemente, abriram uma das portas da festa, sem autorização e controle dos proprietários, permitindo a saída de várias pessoas ao mesmo tempo sem o pagamento da comanda, causando tumulto, gritaria e prejuízo à casa.

Terminada a contagem exigida pelo fiscal e totalizadas quase 1400 pessoas (o que estaria dentro da normalidade, caso ele considerasse o alvará das 3 casas utilizadas conjuntamente), os fiscais da prefeitura deram a primeira e única satisfação para os donos da festa: “ Vocês não podem juntar 3 casas diferentes numa só festa. Nós só aceitamos 1 dos seus alvarás, com capacidade para 510 pessoas. Vocês precisam de 1 alvará coletivo para as 3 casas”. Informação esta nunca notificada anteriormente pela própria Prefeitura.

Com a casa já vazia, os fiscais abandonaram o local sem efetivar uma notificação do ocorrido – ação esta que deve vir antes da multa e muito antes de uma expulsão arbitrária e ditatorial.

Com prejuízos inumeráveis, tanto para os organizadores da festa como para os clientes, tamanha irresponsabilidade, que poderia ter provocado tumulto de proporções catastróficas, acabou com uma noite de uma das festas que mais respeitam todas as leis impostas por esse governo, sempre pensando no bem da população.

Alertamos a imprensa que tal fiscalização não teve relação direta com a Lei Anti-Fumo, conforme publicado em alguns veículos. Não havia nenhuma pessoa fumando dentro da festa e os agentes em nenhum momento se identificaram como fiscais da nova lei.
Independente do acontecido, a Gambiarra continuará alegrando nossos domingos e desabando água, pra lavar o que tem que limpar.

“Nós lamentamos o fato ocorrido e pedimos a todos os amigos e freqüentadores presentes na noite de ontem que entendam nossos esforços no sentido de adequar sempre a festa às leis e ao conforto de nosso público”.

Os freqüentadores que tiveram os ingressos devolvidos poderão utilizá-los para entrar gratuitamente na festa numa próxima edição de domingo
(não válido para a Edição Especial na The Week, no dia 14 de agosto).

Qualquer manifestação no sentido de repugnar tal ato ditatorial deve ser enviada para gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br, diretamente para nosso prefeito Gilberto Kassab.

Grande abraço,
Produção Gambiarra – A Festa
www.GAMBIARRAAFESTA.COM.BR

22/07/2009 - 11:06h Para Folha, Lula enquadra PT paulista. Executiva estadual defende candidatura própria

Lula enquadra PT paulista, e Alckmin recorre a Kassab

Presidente e governador tentam evitar rachas em seus partidos na sucessão no Estado

Lula vai discutir com petistas hipótese de Ciro ou Dr. Hélio liderarem chapa antitucanos; Alckmin ensaia aproximação com Kassab em evento hoje

JOSÉ ALBERTO BOMBIG E FERNANDO BARROS DE MELLO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decidiram entrar em ação para evitar possíveis rachas em seus partidos por conta da sucessão no Estado.
Lula discutirá com os pré-candidatos do PT ao governo paulista e com os líderes da sigla a hipótese de o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) ou o prefeito de Campinas, Dr. Hélio dos Santos (PDT), liderarem uma chapa antitucanos no Estado em 2010.
Como contraposição ao movimento do Planalto, Serra avisou o PSDB, dividido entre as pré-candidaturas dos secretários Geraldo Alckmin (Desenvolvimento) e Aloysio Nunes Ferreira (Casa Civil), que é preciso demonstrar união interna.
O resultado será o primeiro encontro público, sem a presença de Serra, entre Alckmin e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), principal entusiasta da pré-candidatura Aloysio. Os dois irão vistoriar hoje uma obra feita pelo Estado em parceria com o município.
Lula chegou a marcar uma reunião com os líderes do PT-SP hoje à noite em Brasília, mas, segundo um dos participantes, alegou problemas de agenda e cancelou o encontro. Uma nova data será agendada.
A Executiva estadual do PT-SP se reuniu ontem e deliberou que levará a Lula a posição do partido no Estado: candidatura própria a governador, o que significa um repúdio à alternativa Ciro Gomes, alimentada por aliados diretos do presidente.
Segundo a Folha apurou, Lula pedirá aos petistas paulistas que deixem de lado as rusgas históricas e se coloquem à disposição do Planalto para aceitar o que for melhor para a pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a presidente em 2010.
Nesse caso, os paulistas tentarão convencer o presidente de que a ex-prefeita Marta Suplicy, o senador Aloizio Mercadante e o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, seriam os palanques “mais sólidos”, independentemente das chances de vitória nas urnas.

Fator Kassab
No PSDB, a avaliação é a de que a divisão está abrindo espaço para o PT e, sobretudo, para Ciro Gomes. Por conta disso, Alckmin busca uma aproximação com Kassab e o convidou para o evento de hoje, já que a Etec (escola técnica) que os dois vão vistoriar fica em um terreno da prefeitura.
Outro gesto do ex-governador foi feito em direção de Orestes Quércia, principal líder do PMDB-SP e outro entusiasta da pré-candidatura Aloysio.
Alckmin vem buscando um diálogo com Quércia para que ele sirva de “ponte” entre o tucano e Kassab, já que o PMDB está com o democrata na Prefeitura de São Paulo.

20/05/2009 - 09:13h Apesar da crise, cai o número de pobres no País

Estudo do Ipea mostra que 316 mil brasileiros melhoraram de vida desde outubro do ano passado

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Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

O número de pobres caiu no Brasil nos seis primeiros meses da crise financeira global. Segundo Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse desempenho é inédito no Brasil, já que, nas outras grandes crises das últimas décadas, a pobreza subiu muito.

Dados apresentados por Pochmann no 21º Fórum Nacional, no Rio, com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 316 mil brasileiros saíram da pobreza nas principais regiões metropolitanas de outubro de 2008 a março de 2009. A linha de pobreza utilizada foi a de meio salário mínimo de renda familiar per capita.

A apresentação de Pochmann no Fórum somou-se às do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, para compor uma vigorosa defesa da reação do governo Lula à crise. O destaque dessa argumentação foi o aumento dos gastos públicos e a atuação dos bancos públicos para suprir o crédito para as empresas no momento em que as linhas internacionais sumiram e os bancos privados nacionais se retraíram.

“É a primeira vez que se continua a reduzir a pobreza, apesar da crise”, disse o presidente do Ipea. Segundo o estudo, o número de pobres aumentou 6,7 milhões na crise da dívida externa, em 1982 e 1983; 3,9 milhões no pico da hiperinflação e no Plano Collor, em 1989 e 1990; e 1,9 milhão na crise da desvalorização do real, em 1998 e 1989.

“De 80 para cá, esta é a primeira vez que estamos enfrentando a crise com políticas keynesianas”, disse Pochmann, referindo-se às recomendações do célebre economista britânico de se ampliar os gastos públicos para se sair de recessões muito agudas. Ele acrescentou que, nas crises passadas, a política econômica era pró-cíclica, e não anticíclica. As medidas aprofundavam a desaceleração econômica, em vez de tentar amenizá-la: “Aumentavam os juros, reduziam os gastos, reduziam os investimentos, o salário mínimo não crescia”.

Pochmann observou que hoje 35% da população brasileira está protegida por “garantias de renda que não dependem mais do mercado de trabalho”. Ele inclui aí a Previdência Social e os programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família. O aumento real do salário mínimo no período mais agudo da crise, por outro lado, está sustentando o mercado interno”, segundo o presidente do Ipea.

O elogio de Pochmann ao desempenho do governo Lula na turbulência global casou-se perfeitamente com a descrição negativa que o ministro Paulo Bernardo fez da forma como governos passados reagiam a crises. “Em todas as crises no Brasil, a primeira coisa (era que) o governo quebrava, depois pedia ajuda ao FMI e ao Banco Mundial, tinha que normalmente desabotoar o cinto, pelo menos, para não falar outra coisa, para conseguir ajuda, com um monte de condicionalidades, e jogava a conta para os mais pobres, com impostos indiretos.”

Agora, observou Bernardo, “o Brasil está resistindo melhor; o governo não quebrou, não aumentou impostos, não teve de fazer um pacote perverso de cortar gastos que deixassem seus problemas sem solução e os pobres não são aqueles que estão pagando a crise”.

24/04/2009 - 10:20h “Minha casa, Minha Vida” faz demanda de imóveis crescer e surprende construtoras

http://todamidia.folha.blog.uol.com.br/images/9v244a.JPG

Daniela D’Ambrosio, de São Paulo – VALOR

Venda de imóveis chegou, em alguns casos, a triplicar após o pacote habitacional do governo entrar em vigor

O pacote habitacional do governo já se refletiu nas vendas das construtoras que atuam na baixa renda. As empresas com foco nesse segmento estão surpresas com o tamanho da demanda gerada pelo plano, que entrou em vigor no dia 13. O primeiro fim de semana pós-pacote foi o melhor da história para construtoras como MRV, Goldfarb, Tenda e Rodobens. Em alguns casos, as vendas triplicaram.

As visitas aos sites dessas companhias aumentou exponencialmente, o que prova um misto de interesse e dúvidas. Na MRV, saltou de 28 mil acessos diários ao longo de 2008 para 60 mil, em média, depois do dia 13. Na Tenda, passou de 8 mil por dia para 21 mil.

Entre curiosos e pessoas em busca de esclarecimentos, um número considerável saiu dos plantões com um contrato assinado. Pessoas com renda familiar de três a dez salários mínimos já conseguem comprar dentro das novas regras – sem seguro e com os subsídios oferecidos pelo governo conforme as faixas de renda.

“Quem tem produto que se encaixa no pacote, vende”, afirma Leonardo Correa, diretor de relações com investidores da MRV, cujas vendas subiram 42% nos 20 primeiros dias de abril em relação ao mesmo período do mês anterior. “As pessoas ainda estão entendendo o plano, mas o reflexo nas vendas é muito positivo”, confirma Eduardo Gorayeb, presidente da Rodobens Negócios Imobiliários, onde a comercialização no fim de semana seguinte à oficialização do pacote chegou a triplicar para alguns empreendimentos.

A maioria desses projetos está fora das capitais e o aumento das vendas vem em boa hora: ajuda a desovar os estoques das companhias, que estão em níveis muito altos. Nas 20 empresas do setor com capital aberto, a soma dos estoques saiu de R$ 16 bilhões em 2007 para R$ 23 bilhões no ano passado.

A Tenda vendia, em média, 150 unidades nos finais de semana. Nos dias 18 e 19, a empresa dobrou para 306 unidades. “O pacote vai ser muito importante para reduzir os estoques”, diz Carlos Trostli, presidente da empresa.

A Goldfarb, que pertence à PDG Realty, triplicou as vendas no primeiro fim de semana pós-programa habitacional. Desse total, 80% são de unidades elegíveis ao pacote.

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Construção: Acesso aos sites das empresas de baixa renda explode

Vendas após pacote são recorde nas construtoras

As construtoras que atuam na baixa renda estão assustadas – esse é o termo – com o tamanho da demanda gerada pelo pacote habitacional do governo. A partir do dia 13 de abril, quando o programa entrou em vigor, os acessos ao site dessas companhias explodiram. E boa parte desse interesse está se convertendo em vendas. O primeiro fim de semana pós-pacote foi o melhor da história para empresas, como MRV, Goldfarb, Tenda e Rodobens. As vendas chegaram a dobrar ou até triplicar.

Está certo que o mercado estava desaquecido e os parâmetros anteriores eram relativamente baixos, mas a procura superou até as expectativas mais otimistas. A procura imediata pelos sites mostra que ainda há muita dúvida. No entanto, entre curiosos e pessoas em busca de esclarecimentos, um número considerável saiu do plantão de vendas com um contrato assinado debaixo do braço. Os compradores com renda familiar de três (R$ 1.395) a até dez salários mínimos (R$ 4.650) já conseguem comprar dentro das novas regras – sem seguro e com os subsídios oferecidos pelo governo.

“Quem tem produto que se encaixa no pacote, vende”, afirma Leonardo Correa, diretor de relações com investidores da MRV. “As pessoas ainda estão entendendo o plano, mas o reflexo nas vendas é muito positivo”, confirma Eduardo Gorayeb, presidente da Rodobens Negócios Imobiliários.

A MRV assistiu a um crescimento exponencial de seus números. Ao longo de 2008, a empresa tinha 28 mil acessos diários ao site. Este ano, quando começou o burburinho sobre o pacote, passou para 40 mil e, depois de 13 de abril, saltou para 60 mil por dia, em média. “Sempre trabalhamos bem com o cliente virtual, mas não achávamos que o pacote fosse dar esse boom”, diz Eduardo Barreto, vice-presidente comercial.

A construtora mineira criou um hotsite, que entrou no ar no dia 13 de abril, e já recebeu 26 mil cadastros de pessoas interessadas em receber informações sobre o pacote. A MRV dobrou de cem para duzentos o números de corretores que tiram dúvidas no site e respondem aos chats, por exemplo, cujo acesso passou de mil para quase três mil ao dia. O perfil dos internautas são pessoas entre 25 e 35 anos, solteiros e recém-casados, com maior concentração de renda no intervalo de cinco a sete salários mínimos. A empresa mineira não abre números específicos do último fim de semana, mas informa que as vendas dos vinte primeiros dias de abril já superam em 42% as do mesmo período do mês anterior, de 947 para 1.349 contratos.

A Tenda vendia, em média, 150 unidades nos fins de semana. Nos dias 18 e 19, a empresa dobrou as vendas para 306 unidades. Se for contabilizado todo o feriado, os contratos assinados somaram 495 unidades. “Agora, a prestação de serviços e a forma como o cliente é atendido faz muita diferença”, diz Carlos Trostli, presidente da Tenda, comprada pela Gafisa.

Antes do pacote, o site da Tenda tinha 8 mil acessos e agora estão na casa de 21 mil. O agendamento de visitas às lojas da Tenda também subiu: de 600 para três mil por fim de semana, por telefone, e de 80 para dois mil, via internet. “É uma explosão de demanda.”

A Goldfarb, que pertence à PDG Realty, triplicou as vendas no primeiro fim de semana pós-programa habitacional. “Do total, 80% são de unidades elegíveis ao pacote”, afirma Michel Wurman, diretor de relações com investidores. A empresa está reduzindo o valor dos novos produtos, na faixa de R$ 70 mil, para aproveitar a demanda gerada pelo pacote.

Na Rodobens, que já detinha o domínio www.minhacasaminhavida.com.br antes do anúncio e de o governo batizar o plano, houve um aumento do interesse. As visitas saíram da casa de 300 por semana para 28 mil na semana em que o pacote entrou em vigor. “As vendas duplicaram e até triplicaram nas unidades que se enquadram no pacote”, diz Gorayeb.

24/03/2009 - 16:54h Bônus milionário pago a presidente de empresa vira escândalo na França

http://www.christ-roi.net/images/1/1b/Libert%C3%A9_Egalit%C3%A9_&_Fraternit%C3%A9_ou_la_mort.JPG

da France Presse, em Paris – Folha Online

O escândalo da remuneração dos patrões ganhou mais um capítulo nesta terça-feira na França, com a revelação do bônus de 3,2 milhões de euros concedido ao presidente da empresa do setor automobilístico Valéo, que escapou da falência graças à intervenção das autoridades públicas.

O governo francês, que possui 8% da Valéo, em que injetou recentemente 19 milhões de euros através de seu Fundo estratégico de investimento (FSI), qualificou o caso de “chocante’ e garantiu que se oporá ao pagamento do bônus.

De Washington, o primeiro-ministro francês, François Fillon, afirmou que o Estado se “opõe” ao pagamento do bônus, considerando que “as pessoas que não mostram responsabilidade ameaçam todo nosso sistema econômico e social”.

O dirigente do grupo, Thierry Morin, foi demitido sexta-feira por “divergências estratégicas” com o conselho de administração, e recebeu uma indenização de 3,2 milhões de euros.

A empresa manteve o pagamento do bônus, apesar de Morin ter cumprido apenas três das cinco metas às quais a indenização eram condicionada. Ele deixou uma empresa à beira da falência, com perdas de 207 milhões de euros em 2008 e 5.000 supressões de postos em andamento.

De acordo com a CGT, o principal sindicato francês, o bônus suscitou a “ira” e um “forte sentimento de injustiça” entre os funcionários da empresa.

A Valéo, principal fornecedora francês de peças para automóveis, recebeu a ajuda do governo francês, preocupado em preservar um setor considerado estratégico para a economia mas muito abalado pela crise.

“O Estado acompanhou este empresa, e acho chocante que este tipo de remuneração seja instalada no contexto atual”, declarou o porta-voz do governo, Luc Chatel, também secretário de Estado à Indústria.

Este novo escândalo vem à tona alguns dias depois da concessão de dezenas de milhares de stock-options a dirigentes do banco Société Générale, que obteve do Estado um empréstimo de 1,7 bilhão de euros. Diante da polêmica deflagrada pela regalia, os dirigentes acabaram desistindo destas ações a tarifas preferenciais.

Escândalos semelhantes foram registrados nos Estados Unidos, com os bônus milionários recebidos pelos executivos da seguradora AIG, e na Grã-Bretanha, onde uma polpuda aposentadoria foi prometida ao ex-patrão do Royal Bank of Scotland.

O economista Alain Minc, conselheiro de grandes patrões e políticos franceses, lançou segunda-feira uma advertência a seus “amigos da classe dirigente”.

“Os senhores se deram conta de que o país está com os nervos a flor da pele, que os franceses têm o sentimento –talvez errôneo– de sofrer as consequências de uma crise provocada por nós?”, perguntou, pedindo aos executivos que moderem suas remunerações.

Em 29 de janeiro e em 19 de março, milhões de franceses foram às ruas para protestar contra a política do governo diante da crise.

O presidente Nicolas Sarkozy, que deve fazer um discurso no fim da tarde de hoje para explicar sua política, pressionou os dirigentes das empresas para que tomem medidas concretas para limitar seus salários até o dia 31 deste mês.

Ver também A ira dos franceses contra Sarkozy

16/03/2009 - 11:09h No ponto do ônibus

http://www.sptrans.com.br/clipping_anteriores/2004/abril2004/clipping140404/IMGs/cronica1.jpg

Matthew Shirts – O Estado SP

Dá uma satisfação sair de casa a pé pela manhã. Moro numa ruazinha escondida, habitada em boa parte por cachorros, mas próxima do bochincho de Pinheiros e da Vila Madalena. A meio quarteirão do meu portão encontro trânsito. Tudo travado logo cedo.

Atravesso a rua com certa leveza no passo, negociando os espaços entre os automóveis parados. Tenho a sensação de levar vantagem. Sinto-me quase malandro por estar a pé.

Antigamente, quem estava de carro tinha pena dos pedestres. Monteiro Lobato escreve a respeito no Presidente Negro. Hoje, a equação se inverteu, pelo menos em São Paulo. Vou avançando a pé pelo trânsito. Deixo os veículos para trás. No primeiro farol costuma haver brigas e buzinaços. Às vezes faço gestos pedindo uma trégua nas buzinadas enquanto espero a iluminação do homenzinho ficar verde. Os motoristas detestam minha gesticulação, que me confere um ar de maluco, reconheço. Gesticulam de volta solicitando compreensão para o desespero da sua situação. Compreendo. Não é fácil o trânsito.

Busco o ponto de ônibus na Cardeal. Há algum tempo pesquiso a sociologia desse marcador geográfico. De onde vêm os passageiros? Para onde vão? O papel do vendedor de balas, águas e porcarias ali. Meu olhar de estrangeiro é fisgado pela falta de sinalização. Não há placas explicativas no ponto, apenas aquele pau descascado e solitário. Nenhuma instrução por escrito. Como as pessoas sabem qual ônibus tomar?

Desde que voltei a andar de busão, faz um ano ou dois, estou com bronca dos condutores. Eles dirigem sem levar em conta o conforto dos seus passageiros. São apressados. Trocam de marcha com agressividade. Ultrapassam sem necessidade. Há exceções que comprovam a regra. Peguei um, dia desses, com longo rabo-de-cavalo, zen, calmo, na linha Butantã-USP, claro. Foi uma delícia. Deu para ler meu livro tranquilamente.

Mas por outro lado, mesmo os motoristas broncos revelam paciência surpreendente para fornecer informações de itinerários. Aí está o segredo, pensei um dia desses. É assim que os passageiros se informam. Ficam parados ali na porta da frente do veículo, três ou quatro pessoas trocando ideias com o condutor. Quanto mais vivo no Brasil, mais me chama a atenção a oralidade da cultura. É na conversa e no contato pessoal que se aprende e se vive.

Nisso, o Brasil é diferente dos Estados Unidos, quase uma imagem invertida (para variar). Lá, os motoristas de ônibus dirigem mais tranquilos, auxiliados, é verdade, por asfalto liso, câmbios automáticos e equipamentos mais novos. Mas eles têm pouca paciência para explicar trajetos. Nesse quesito, seus colegas brasileiros são mais prestativos.

Ensina Sérgio Buarque de Holanda, em seu insuperável Raízes do Brasil: “Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade – daremos ao mundo o ‘homem cordial’. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal.”

Minha tese é a de que tal cordialidade é apagada pela impessoalidade do trânsito. Daí a agressividade dos condutores. Entre veículos não há lhaneza no trato, para repetir a ótima expressão de Sérgio Buarque. Descobri, aliás, ao procurar a palavra no dicionário, que “lhaneza” é de origem tibetana. Lhano, pelo que entendo, é sinônimo de afável. Poderia render uma campanha publicitária: “Lhaneza no trânsito.

14/03/2009 - 10:34h Comércio reage e cresce 1,4% em janeiro

Liquidações ajudam, mas é cedo para falar em recuperação, diz IBGE

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Jacqueline Farid – O Estado SP

O desempenho do comércio varejista surpreendeu em janeiro e trouxe um pouco de alívio ao fim de uma semana de notícias ruins na economia. As vendas do setor cresceram 1,4% ante dezembro, contrariando previsões de queda. Em relação a janeiro do ano passado, houve alta de 6%. Hiper e supermercados e móveis e eletrodomésticos garantiram os resultados.

Os analistas de mercado financeiro esperavam, em média, recuo 0,1% nas vendas em relação ao mês anterior. O técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, Reinaldo Pereira, atribuiu a boa surpresa às promoções de início de ano para esvaziar estoques, mas citou também a continuidade de aumento da massa salarial e as iniciativas governamentais para incentivar o consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e a nova tabela do Imposto de Renda.

Segundo Pereira, a crise elevou a quantidade de mercadoria armazenada nas lojas no último trimestre, o que levou a liquidações mais agressivas em janeiro. Até as vendas de bens duráveis como móveis e eletrodomésticos, que vinham registrando queda por causa da restrição de crédito, subiram 7,1% em janeiro em comparação a dezembro.

Apesar do desempenho positivo, Pereira ressaltou que houve perda de ritmo na expansão do varejo, revelada na comparação anual. Segundo ele, a alta de 6% ante janeiro de 2008 representou a menor expansão, para o primeiro mês do ano, desde janeiro de 2004. Em igual mês, o setor cresceu 11,8%, o melhor resultado da série iniciada em 2001. Ele disse que essa base de comparação elevada influenciou a desaceleração do crescimento em janeiro de 2009, mas houve também influência da crise. “Sem a crise, a perda de ritmo não seria tão forte.”

O chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, também credita os bons resultados de janeiro às promoções. “Os estoques estavam altos, ainda é cedo para dizer que a tendência de desaceleração vai mudar.”

A analista da Tendências Consultoria, Mariana Oliveira, também alerta que seria precipitado comemorar qualquer blindagem do varejo à crise. Ela considera que os dados de janeiro mostram que o comércio teve “fôlego surpreendente”, mas “seria prematuro afirmar que o comércio voltou a uma trajetória consistente de crescimento elevado”. Ela não descarta recuos nos próximos meses.

Segundo Mariana, os resultados de janeiro levaram a Tendências a colocar um viés positivo na projeção de aumento de 3,1% nas vendas do varejo este ano. Em 2008, as vendas cresceram 9,1%.