27/10/2008 - 17:59h Que PT é esse?

Uma reflexão sobre o PT. Coluna Nas Entrelinhas, publicada hoje pelo Correio

“O PT de 1988 sabia aonde queria chegar. O de 2008 quer apenas permanecer onde está”

Por Gustavo Krieger – Correio Braziliense

gustavokrieger.df@diariosassociados.com.br

Há 20 anos, acompanhei a eleição de Olívio Dutra para a prefeitura de Porto Alegre. Foi a primeira vez que experimentei uma sensação que depois se tornaria familiar. A de estar assistindo a um momento importante da história, daqueles que deixam marcas e mudam o futuro. O bigodudo Olívio, que saíra do Sindicato dos Bancários para fundar o PT, era um dos primeiros integrantes do partido de Lula a conquistar uma fatia importante de poder. Ao mesmo tempo, outra petista, Luiza Erundina, conquistava a prefeitura de São Paulo e colocava o partido no comando da maior cidade do país. O PT começava a se tornar protagonista da política nacional.

Hoje, de volta a Porto Alegre para cobrir uma nova eleição municipal, volto a sentir que algo importante está acontecendo. Desta vez com as derrotas do PT. Em Porto Alegre, cidade que governou por 16 anos, entre 1989 e 2004, o partido nunca conseguiu dar a impressão de que tinha chances de vencer. Sua candidata, Maria do Rosário, considerou uma vitória chegar ao segundo turno. Em São Paulo, a ex-prefeita Marta Suplicy passou todo o segundo turno sem sequer ameaçar a liderança de Gilberto Kassab (DEM), um político que chegou à prefeitura como vice do tucano José Serra e era um desconhecido da cidade que governava até o início da campanha. Nas duas cidades, o partido teve dificuldades para mobilizar militantes e enfrentou um significativo contingente de voto antipetista, em especial na classe média.

Além dessas duas derrotas, o PT ficou de fora do segundo turno no Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte emplacou apenas o candidato a vice de Márcio Lacerda (PSB), em um polêmico acordo com o governador Aécio Neves (PSDB), que rachou a legenda. Diante desses resultados, se poderia pensar que o PT começa a perder aquele protagonismo iniciado em 1988, certo? Errado. O PT sai dessas eleições mais forte do que entrou. Ganhou 150 novas prefeituras, além de centenas de outras em alianças. Cravou sua estrutura com muita força no interior e nas cidades médias.

Na Região Metropolitana de Porto Alegre, conquistou quase todas as cidades importantes. Fez o mesmo na Grande São Paulo e na região do ABC. Aumentou o número de vereadores e as cidades nas quais está representado. Tudo indica que essa estrutura ajude a aumentar ainda mais sua bancada nas eleições de 2010.Nos anos 80, o PT era o partido da classe média e dos grandes centros urbanos. As legendas mais conservadoras ficavam com o interior, que os petistas tratavam como “grotões”. Também controlavam uma parcela importante dos votos dos brasileiros mais pobres, em grande parte pela troca de favores e por política clientelistas.

Duas décadas depois, o PT está numa transição entre os dois mundos. Cresceu nos grotões, mesmo que ainda não tenha se tornado a força majoritária neles. E enfrenta problemas nas maiores cidades, embora seus candidatos sejam competitivos, capazes de alcançar vitórias ou pelo menos garantir uma vaga no primeiro turno. O PT de 1988 era sustentado pela militância. O de hoje tem acesso aos grandes doadores de campanha. Na campanha presidencial de 2006, as pessoas físicas foram responsáveis por apenas R$ 500 mil dos quase R$ 105 milhões gastos para reeleger Lula. O partido de hoje é maior, tem mais votos e muito mais dinheiro. Mas também está mais velho e desgastado.

O PT de 1988 sabia aonde queria chegar. Tenho a sensação de que o de 2008 quer apenas permanecer onde está.

Transferência
Quando Márcio Lacerda (PSB) não conseguiu vencer em primeiro turno a eleição em Belo Horizonte, o resultado embasou muitas análises sobre a dificuldade de transferir votos. A candidatura de Lacerda é resultado de uma aliança entre o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), com o apoio do presidente Lula. Três padrinhos com excelente avaliação e altos índices de popularidade. O fato de o candidato apoiado por eles ter de enfrentar o segundo turno foi tomado por muitos como um sinal de que o poder de transferência de votos tinha limites claros.

Pois veio o segundo turno e Lacerda, que era considerado morto há três semanas, venceu com boa vantagem. A mesma que se esperava que ele obtivesse no segundo turno. Das duas uma: ou ele adquiriu uma impressionante musculatura política própria em poucos dias ou voto se transfere sim.

As eleições municipais deste ano foram a vitória do continuísmo. Prefeitos candidatos à reeleição ou os nomes apoiados por quem comanda a cidade ou o estado ganharam a maior parte das cidades importantes. De Gilberto Kassab em São Paulo a Márcio Lacerda. O presidente Lula e os governadores tucanos José Serra e Aécio Neves saem fortalecidos como eleitores.

17/08/2008 - 13:38h Manual de auto-ajuda

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A ministra Dilma Russeff, junto com Fernando Pimentel(esq) e Aécio Neves

Dora Kramer – O Estado de São Paulo

Reza a mais recente lenda eleitoral que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cumpre uma frenética agenda de palanques para ajudar o PT a eleger seus candidatos a prefeito e vereador.

Depois de muita insistência do partido, o presidente Luiz Inácio da Silva teria “concordado” – contrariado, certamente – em liberar Dilma da regra imposta aos outros ministros, restritos à participação em campanhas nos respectivos domicílios eleitorais, para correr o País para ajudar os petistas a conquistar o coração do eleitorado.

Na mesma toada – menos enfeitada no tocante a devaneios, é verdade – segue o PSDB querendo fazer crer que a presença do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é imprescindível para eleger tucanos aos magotes nesse Brasil varonil.

Aécio desembarcou outro dia em São Paulo para dar seu aval à candidatura de Geraldo Alckmin e, segundo consta, já gravou participação em programas no horário gratuito de mais de 50 candidatos.

Ao fato: Marta Suplicy disparou na dianteira com 15 pontos porcentuais de diferença sem que Dilma pusesse os pés em São Paulo, eleitoralmente falando; na seara tucana, entre as duas últimas pesquisas e a passagem do governador mineiro pela cidade, Alckmin caiu de 31% para 26% na preferência do eleitor.

E o que Aécio Neves tem a ver com isso? Tanto quanto Dilma Rousseff tem a ver com o desempenho de Marta: nada.

Antes que se diga que São Paulo é um caso à parte, combinemos que a assertiva não influi nem contribui para a análise do tema em tela simplesmente porque não quer dizer nada.

Só não se pode afirmar que a presença dos dois pretendentes a presidente nos palanques municipais de Norte a Sul, de Leste a Oeste, é também desprovida de significado porque, no tocante aos respectivos projetos políticos, quer dizer muito.

A oportunidade de aparecer em palanques reais e virtuais durante mais de 40 dias no País inteiro é uma chance de diamante para quem tem muito capital – próprio ou potencialmente transferível -, mas precisa construir popularidade e disseminar sua imagem para poder pensar em 2010 com objetividade.

Não há nada de errado no movimento de ambos. Ao contrário. Dariam o jogo por entregue ao adversário (os internos e os externos, explícitos e ocultos) se não aproveitassem a campanha de 2008 para, como se dizia na esquerda, acumular forças.

Principalmente no caso da ministra, só não fica bem falar à sociedade na base do sinal trocado, tentando transparecer uma força política que não tem, mas nada impede que possa vir a ter.

No presente momento, se alguém ajuda alguém de verdade são os candidatos municipais quando abrem espaço para seus correligionários com pretensão a dirigentes nacionais.

A ministra da Casa Civil e o governador de Minas quando correm o País não o fazem em auxílio a outrem. Se ajuda há, é em prol da causa própria.

Dilma não é “puxadora” de votos – nem sequer viveu a experiência de produzir alguma quantidade deles na vida – muito menos tem o condão de transferi-los, tarefa árdua até para um ás na captura de mentes como o presidente Lula.

Ao fato: em 2006, Roseana Sarney perdeu a reeleição para o governo do Maranhão, a despeito do apoio de um Lula reeleito.

Merece atenção o que disse o cientista político Jairo Nicolau ao jornal Valor dias atrás: “O presidente influencia, mas o que define votos nessas eleições são os temas locais”.

E mesmo assim, alguns referenciais de competência local não conseguiram impor seus pesos nas respectivas províncias no período inicial das campanhas.

Dois fatos: no mais conhecido, Aécio Neves com mais de 80% de avaliação positiva e o prefeito Fernando Pimentel, popular na casa dos 70%, ainda não fizeram seu candidato sair do terceiro lugar.

No menos, a candidata do PT em Natal tem o apoio de Lula, do presidente do Senado, da governadora, do prefeito, todos maravilhosamente bem avaliados, mas está levando um baile de 20 pontos da adversária sustentada por uma esquisita aliança do PV com o DEM.

Ora, sendo o eleitor um imprevisível, pode virar um rebelde diante de imposições muito explícitas.

Ubaldo

Mãe de criação da paranóia no mundo dos negócios e da política, a grampolândia desenfreada tem deixado espíritos habitualmente atormentados em petição de miséria.

O governador José Serra, por exemplo. Se o assunto requer reserva, põe o indicador sobre os lábios pedindo silêncio e aponta para as paredes em volta sinalizando cuidado com escutas ambientais.

Há quem já tenha presenciado Serra pedir ao interlocutor que retirasse o chip do celular antes de conversar.

Fernando Henrique Cardoso contou o caso a um deputado, mas ele achou a coisa com jeito de intriga da oposição. Até conferir com dois secretários do governo de São Paulo, que confirmaram a história.

19/01/2008 - 12:20h Fantasia e realidade


Vale a pena ler o artigo do escriba tucano Mauro Chaves sobre os tucanos de São Paulo.

Fazendo abstração da realidade e tomando seus desejos por moeda corrente, discorre o escriba sobre o mundo rosa da harmonia conquistada (e desejada pelos escribas) no convés do PSDB: Kassab é prefeito de novo, Alckmin é governador de novo e Serra é presidente.

Só falta combinar com os russos, como dizia Garrincha, ou seja, o povo. Mas, antes do soberano se manifestar, os não menos tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e seus correligionários não parecem compartilhar o quadro “naif” de nosso escriba e também pintor, Mauro Chaves.

Pena para o ghost-righter da felicidade do casal Serra-Kassab, a história é um ménagè à trois e o terceiro não se deixa convencer do idílio. No mesmo jornal, no mesmo dia, Dora Kramer mostra que a fantasia “chavista” -encomenda correspondente ao desfecho que José Serra e seu pupilo Kassab gostariam de impor a Alckmin- é rejeitada pelo principal visado.

Nothing personal” repete a exaustão Geraldo Alckmin, mas ele será candidato.

A seguir Mauro Chaves, jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor. E-mail:mauro.chaves@attglobal.net e também Dora Kramer, jornalista.


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28/12/2007 - 09:36h Onde 2008 antecipa 2010

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Uma comparação simples entre os vencedores das eleições municipais nas capitais de 1988 até hoje e o resultado da eleição presidencial imediatamente seguinte não deixa margem a dúvidas: o processo municipal e o nacional são relativamente desvinculados. Três circunstâncias devem quebrar a escrita no processo eleitoral deste ano: o fato de os governadores de Minas Gerais e de São Paulo disputarem a condição de presidenciáveis, de pela primeira vez desde 1960 não haver uma eleição presidencial com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva entre os candidatos e de não haver qualquer candidato natural a assumir o legado de um governo federal que surfa em índices confortáveis de popularidade.

Das 26 eleições nas capitais, está claro o efeito de São Paulo e Belo Horizonte na sucessão em 2010. E o cenário do início de 2008 é adverso tanto para José Serra quanto para Aécio Neves, mas especialmente para o primeiro.
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25/12/2007 - 12:10h PSDB se prepara para 2008

Blog de Josias

PSDB busca aproximação até com aliados de Lula

Sérgio Guerra marca reuniões com o PMDB e com o PSB Objetivo é fechar alianças para pleito municipal de 2008 Estratégia é apoiada pelos presidenciáveis Serra e Aécio

O novo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), abriu a temporada de contatos interpartidários para o fechamento de alianças para as eleições municipais de 2008. Reuniu-se há uma semana com os presidentes de dois aliados tradicionais: PPS e DEM. E agendou para o início do ano reuniões com duas legendas associadas ao consócio partidário que dá suporte ao governo Lula: PMDB e PSB.

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06/12/2007 - 12:12h Um IBOPE sobre medida para alimentar a encrenca entre Alckmin e Serra


Uma pesquisa IBOPE de novembro, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (aproveito para mandar um abraço para Afif Domingo) sobre a eleição para Prefeitura de São Paulo ganhou as páginas do Diário de São Paulo.

Mesmo desatualizada, os seus resultados contém alguns dados interessantes.

No primeiro turno, a pesquisa, com 3% de margem de erro, indica Marta Suplicy (PT) com 29% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 27%. Ou seja empatados na preferência do eleitorado da cidade.

Alckmin já declarou sua intenção de ser candidato, após sair da campanha presidencial derrotado por Lula, porem vitorioso na capital de São Paulo. Marta Suplicy, Ministra de Turismo, ainda não tomou uma decisão, sendo pressionada pelas suas bases a se candidatar.

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06/12/2007 - 11:27h Um IBOPE sobre medida para alimentar a encrenca entre Alckmin e Serra

Uma pesquisa IBOPE de novembro, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (aproveito para mandar um abraço para Afif Domingo) sobre a eleição para Prefeitura de São Paulo ganhou as páginas do Diário de São Paulo.

Mesmo desatualizada, os seus resultados contém alguns dados interessantes.

No primeiro turno, a pesquisa, com 3% de margem de erro, indica Marta Suplicy (PT) com 29% e Geraldo Alckmin (PSDB) com 27%. Ou seja empatados na preferência do eleitorado da cidade.

Alckmin já declarou sua intenção de ser candidato, após sair da campanha presidencial derrotado por Lula, porem vitorioso na capital de São Paulo. Marta Suplicy, Ministra de Turismo, ainda não tomou uma decisão, sendo pressionada pelas suas bases a se candidatar.


Em terceiro lugar aparece a figura do atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), com 17% de intenção de voto. Kassab já anunciou sua intenção de ser candidato, em acordo com José Serra.

Se Alckmin não cair fora da disputa -para aguardar 2010- como deseja Serra, a pesquisa mostra que Gilberto Kassab seria eliminado e não teria chance de ir para o segundo turno. Já sem Alckmin, e sempre segundo o IBOPE de novembro, Kassab não só iria ao segundo turno como poderia derrotar com folga Marta Suplicy. (47 X 38). Evidentemente que se Marta não for candidata a situação seria ainda mais confortável para Kassab.


Os argumentos de Serra, Afif, Kassab e IBOPE poderão convencer Geraldo Alckmin que o risco para ele não vale a pena?

Em se tratando de eleições para outubro de 2008, uma pesquisa um ano antes, tem algum peso nas decisões dos eventuais candidatos?

Em tudo caso essa pesquisa vai provocar, sem dúvida, um acirramento das disputas internas no PSDB, um encorajamento para o atual prefeito Kassab e um aumento da pressão para levar Marta a aceitar ser a candidata do PT.

Mais pesquisas seguirão, como as chuvas de verão, até as aguas de março. A população da cidade não incorporou ainda essa questão eleitoral e o fará em maio ou junho do ano próximo, por isso pesquisa agora só vale para os bastidores da política.

Luis Favre

04/12/2007 - 09:32h Bate boca entre Demos e tucanos sobre pesquisa do PSDB para prefeitura de São Paulo

clique na imagem do JT para ampliar

28/11/2007 - 07:53h É Guerra!

O Globo

SÃO PAULO. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), lançou o nome do ex-governador paulista e candidato derrotado à Presidência Geraldo Alckmin para concorrer à prefeitura de São Paulo, em 2008. O gesto, se formalizado no próximo ano, pode ameaçar a aliança entre os tucanos e o DEM, que espera ter o apoio do PSDB à reeleição do prefeito Gilberto Kassab. Também pode atrapalhar os planos do governador tucano José Serra de ter o apoio do DEM, caso dispute a sucessão presidencial em 2010.

Kassab foi o vice de Serra na eleição de 2004 para a prefeitura e o substituiu quando o tucano concorreu, e venceu, a eleição para governador.

— Acho que se o PSDB tem um candidato com chances de vitória, e tem, então o candidato à prefeitura é o doutor Geraldo Alckmin — disse Guerra, em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite de anteontem.

Guerra rejeitou a idéia de que a eventual candidatura de Alckmin vá minar a parceria com o DEM: — Vamos trabalhar para eleger nosso candidato, não para derrotar ninguém. Somos uma força política vitoriosa algumas vezes, e, além disso, nem sei qual é a posição do prefeito.

25/11/2007 - 08:52h "Não vamos melhorar a saúde pública sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor", diz Lula em entrevista para O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva

Com a irritação de um apaixonado torcedor e se queixando do desempenho da seleção brasileira no jogo da noite anterior contra o Uruguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia repetidas vezes, na quinta-feira de manhã, que sem ousar, arriscar, não se faz gol.
— A palavra de ordem deveria ser: pegou bola fora da área, mete ela pro gol. Mete. Chuta dez, uma entra — disse antes de começar a desfiar, na entrevista de uma hora e 15 minutos ao GLOBO, números sobre a economia, e reafirmar a convicção de que sem aumento de gastos públicos não consegue governar. — Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro, seria ótimo. Munido de folhas de papel com dados, Lula poucas vezes precisou consultá-los — cita-os praticamente todos os dias. Estava acompanhado, à mesa, por dois assessores. E um terceiro, à distância.

Ao longo da entrevista, gravada por uma equipe de TV da Radiobrás, o presidente tomou um café expresso, fumou duas cigarrilhas e encerrou com um copão de chá verde (a última moda no gabinete presidencial). Evocou Deus dezenas de vezes, inclusive quando falou da descoberta da Petrobras, tão badalada por sua “sombra”, como ele mesmo definiu a ministra Dilma Rousseff. O compromisso seguinte de Lula, naquela manhã, era a reunião do Conselho Político. A última com a participação do então ministro Walfrido dos Mares Guia, acusado pelo Ministério Público de lavagem de dinheiro e peculato no valerioduto tucano. No início da entrevista, Lula fez uma introdução livre e disse que 2008 terá, talvez, um Natal nunca antes visto neste país. Na retrospectiva do primeiro mandato, afirmou: — Tínhamos que aproveitar o momento em que o governo tinha muita credibilidade política para fazer o arrocho, porque assim poderíamos dar uma chance ao Brasil. Estamos prontos para o passo seguinte.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes

O Globo

O GLOBO: O arrocho não é mais necessário?

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: Não é. Já foi todo feito, enquanto arrocho; enquanto outras políticas e reformas, vamos continuar fazendo. Anunciamos um conjunto de programas que vão desabrochar a partir de fevereiro ou março de 2008. Vamos ter um 2008 melhor do que 2007. Vamos procurar outros assuntos para discutir e não discutir mais a inflação, por exemplo, que vai ficar em 4%. Vou trabalhar com todo o rigor para que a inflação se mantenha na faixa dos 4%, se puder, até um pouco menos.

Economistas falam da vulnerabilidade da economia brasileira para enfrentar uma crise mundial. O Brasil está forte?

LULA: Temos US$ 175 bilhões de reservas. O mercado interno brasileiro está se fortalecendo. Este ano, vamos ter talvez um Natal dos melhores de toda a história, porque uma camada imensa de seres humanos que ficaram marginalizados está entrando na sociedade que compra.

O avanço de camadas que antes não consumiam existe, mas se dá muito com base no crédito. Isso pode criar uma bola de neve? Esse foi o problema da bolha americana…

LULA: O problema dos Estados Unidos é outro. Qual era a lógica? Você comprava uma casa por US$ 300 mil, passados dois anos, aquela casa aumentava em US$ 100 mil o valor dela e você poderia fazer um crédito de mais US$ 100 mil. Na hora em que desvalorizou os imóveis, você ficou pendurado. Esse não é o nosso modelo. As pessoas estão se endividando para comprar coisas que precisam dentro de casa; querem comprar uma geladeira, uma televisão, um telefone, um carrinho, mais roupas… É só vocês irem, não sei se lá no Saara no Rio de Janeiro, na 25 de Março em São Paulo, para ver uma população de causar inveja à China. Um caminhão está demorando quatro, cinco meses para ser entregue.
Ora, é um problema gostoso.

O senhor mencionou a demora nos caminhões. Existe limitação para o crescimento, de bater num teto e não expandir mais?

LULA: Não existe.

Nem pelos gargalos de infra-estrutura…

LULA: Não existe.

A infra-estrutura comporta o crescimento? Tem crise energética, a Aneel disse que pode voltar a faltar gás…

LULA: Lançamos o PAC, mas essas coisas não acontecem em um dia. No ano que vem, quem mora nas 13 principais capitais vai ter o privilégio de ver a quantidade de obras de saneamento básico que vai acontecer nessas cidades. São R$ 40 bilhões.

E a questão do gás?

LULA: De vez em quando no Brasil a gente tenta mistificar as coisas. Estamos com o sistema elétrico muito mais preparado do que em qualquer outro momento, porque estamos fazendo uma interligação de todo o sistema. Em 2001, você tinha excesso de água no Sul e falta de água no Sudeste. O Sul não tinha como transferir energia, porque não tinha linhas de transmissões.

Não haverá racionamento?

LULA: Não acredito. O gás é uma matériaprima em que não temos auto-suficiência.
Se Deus ajudar e esse anúncio da Petrobras se confirmar, enfim, estará resolvido o problema do gás.

A falta de gás pode comprometer o crescimento?

LULA: Não. O Brasil tem álcool, gasolina, biodiesel, gás. O cidadão pode achar ruim ter de pagar uma coisa mais cara do que outra, mas não vai ficar parado por falta de combustível.

Os investimentos em infra-estrutura crescem, mas há um crescimento ainda maior dos gastos públicos. Vê possibilidade de redução?

LULA: Não acontece isso. Saímos de R$ 2 bilhões do orçamento do Ministério de Transporte para R$ 10 bilhões.

Em 2003, a gente gastava do PIB 4,6% com pessoal. Em 2006, estamos gastando 4,6% também. Em 95 se gastava 5,3%. Vejo as pessoas dizerem que o funcionalismo público ganha muito. Fico com inveja do salário da iniciativa privada para as funções que eles acusam que aqui no Brasil ganham muito.

Os gastos têm mesmo que aumentar?

LULA: Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro, seria ótimo. Não vamos melhorar a saúde pública sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor.

O histórico do crescimento dos gastos no Brasil, nos últimos dez anos, está sempre acima do PIB. Há possibilidade de crescer menos?

LULA: Se você quiser comparar o PIB, vou dizer que em 1995, se gastava 5,3% do PIB com pessoal. Hoje, 4,6%.

Pode diminuir? Ainda está acima do crescimento do país …

LULA: Não, não está acima. O crescimento do PIB vai ser mais.

Ah, vai ser …

LULA: Eu não sei. Estou otimista.

Estamos trabalhando com dados existentes. Estamos encurralados, porque se gasta mais do que se cresce, como o país cresce assim?

LULA: Você vai cada vez mais melhorar a arrecadação do Estado, vai melhorar a gestão do Estado à medida que melhora a qualidade das pessoas que trabalham.

O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, disse que o Estado é raquítico. É uma opinião parecida com a sua? O Estado ainda tem o que crescer?

LULA: O Estado brasileiro vai crescendo à medida que o país vai necessitando de um Estado que precise crescer mais. A tese do Márcio Pochmann é correta. Se se comparar o número de funcionários públicos com a população brasileira, percebe-se que o Brasil é um dos países que tem menos. O problema é que a gente tem uma parcela de funcionários mal-remunerados e, portanto, desmotivada.

Está havendo um trabalho de recomposição desses salários desde o primeiro mandato …

LULA: Estamos recompondo e cada vez precisa mais.

O senhor acha que os resultados disso estão aparecendo…

LULA: É só olhar o resultado do país. É evidente que estão aparecendo.

Eu digo em relação ao atendimento à população.

LULA: Melhorou muito. E ainda falta melhorar muito.

O que achou da polêmica em torno da troca de dirigentes do Ipea? Pessoas da comunidade acadêmica acham que houve perseguição política, enquadramento do Ipea…

LULA: Engraçado isso. Se tivesse um mínimo de verdade, o Márcio Pochmann não estaria no Ipea.

Por quê?

LULA: Porque ele escreveu vários artigos criticando o governo. Ora, meu Deus do céu, o mínimo de direito que tem alguém que é colocado num cargo de presidente de uma instituição como o Ipea é colocar quem ele queira colocar, trocar quem ele queira.

Mas são pesquisadores …

LULA: Mas você há de convir que o Pochmann tem direito de dizer: “Eu quero tal pesquisador comigo e não quero esse”. É o mínimo.

O senhor se incomodou com estudos e críticas desses pesquisadores?

LULA
: Nunca me incomodei e não vou me incomodar.

O senhor descarta completamente patrulhamento, de novo pensamento único no Ipea?

LULA: É só ver o resultado. Há uma coisa que faz a minha cabeça, desde o tempo em que eu era dirigente sindical. Trabalho com o conceito de que a máquina pública é máquina pública, e ninguém pergunta para o cidadão concursado se ele é religioso, se gosta de futebol ou se pertence a partido. Ele faz o concurso, passa e vai trabalhar.

E a polêmica de imposto sindical? O senhor é bastante produto da luta contra o imposto. Como se vê, diante da História, depois que sair do governo como aquele que teve a oportunidade de fazer a mudança que sempre pediu, mas, no momento em que a discussão surgiu, viu seu partido e sua base agirem ao contrário?

LULA: Aquela proposta que foi aprovada é uma proposta complicada, porque tira o imposto sindical dos trabalhadores e não tira dos empresários. É importante saber que milhares de sindicatos não têm condições de sobreviver sem imposto sindical.

Mas o imposto deve continuar obrigatório?

LULA: Minha filosofia sindical é que quem deve determinar a forma de arrecadação e a quantidade de contribuição são os trabalhadores em assembléia. Por isso, historicamente, eu fui contra o imposto sindical. Só acho que é preciso dar um tempo de transição para que as pessoas se ajustem à nova realidade.

Qual transição? O Congresso fala em três anos.

LULA: É dar um prazo. Não sei.

O imposto sindical não produz mais pelegos?

LULA: Não estou discutindo a filosofia do que vai ser o dirigente sindical.
Tenho uma briga histórica contra o imposto sindical. Isso faz parte da minha matriz como sindicalista.

O senhor falou que na oposição fazia bravatas. Quando voltar para a oposição e fizer críticas, o que vai acontecer? A imprensa vai dizer que o senhor está fazendo bravata?

LULA: É preciso saber quando a oposição faz oposição em torno de propostas concretas e quando faz bravata. São coisas distintas. Não misture oposição com bravata. Bravata é quando o cara propõe coisas ou ameaça coisas que ele sabe que não pode fazer. Agora, fazer oposição, ser contra um projeto do governo, é legítimo e não tem restrição. Quando falo da economia, falo porque vivi 30 anos do outro lado, e todo ano a gente era pego de surpresa com um pacote, alguém anunciava um milagre. Agora, não. O Guido Mantega é meu ministro, e falo para ele: “Olha gente, não tem mágica, não tem mágica, não inventem! Em política econômica a gente não inventa”. Tenho discutido política cambial. A verdade é que escolhemos a forma correta, o câmbio flutuante. E o câmbio flutuante flutua. Ele vai flutuar, para cima ou para baixo. Em time que está ganhando a gente não mexe

Por mais criticado que seja pelas defesas que faz do colega Hugo Chávez e por mais polêmicas que o venezuelano protagonize mundo afora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não arreda pé de sua posição em relação à Venezuela e ao seu presidente. Diz que a política da Venezuela é uma questão do povo venezuelano e que Hugo Chávez não representa risco para a democracia no continente. E que Chávez terá de acatar o resultado da consulta popular sobre a reforma da Constituição da Venezuela, que, entre outras mudanças, permite a reeleição indefinida. E, num recado velado à oposição no Brasil, diz que os brasileiros têm de perder a mania de dar palpites na vida dos outros. — Como maior economia, nós temos que ter responsabilidade de fazer com que as coisas vão bem. Eu dizia que o irmão mais velho, o irmão maior sempre tem de ter generosidade com os outros irmãos.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes
BRASÍLIA

O GLOBO: A relação política do Brasil com a Venezuela tem algum problema, neste momento, em razão de críticas do presidente Hugo Chávez ao Brasil e ao Congresso? E sobre a questão de democracia na Venezuela?

LULA: Eu sou defensor da autodeterminação dos povos. Cada país determina o regime político que quer. A Suécia determina o seu, os Estados Unidos determinam o seu, o Brasil determina o seu, a Venezuela determina o seu. Por que eu vou ficar criticando ou aplaudindo a decisão da maioria do povo de um país? O regime político da Venezuela, o mandato do presidente é um problema do povo venezuelano. Ao Brasil, interessa ter uma relação do Estado brasileiro com o Estado venezuelano. Isso tem que ser construído quase que de forma definitiva. Agora, minha relação pessoal com o Chávez é outra coisa, minha relação pessoal com o Kirchner é outra coisa. Eu acho que nós aqui no Brasil precisamos parar com essa mania de dar palpite na vida dos outros. No regime parlamentarista, tem primeiro-ministro que fica 18 anos, 16 anos. Em alguns países, o primeiroministro manda de verdade, e o presidente é apenas o chefe de Estado, é solene.

Mas é um regime diferente. O primeiro-ministro pode ficar um mês também.

LULA
: No regime presidencialista, quando o povo quer, o presidente sai do mandato.

É mais difícil.

LULA: Não é mais difícil. Nós já vimos nos Estados Unidos, já vimos no Brasil. Eu acho é que nós devemos cuidar do nosso quintal, que já é grande: são quase 190 milhões de habitantes, 8,5 milhões de quilômetros quadrados e problemas muito grandes. O Brasil precisa ter uma boa relação com a Venezuela independentemente de quem seja o presidente do país.

O Brasil tem de ter investimento na Venezuela, fazer parceria com a Venezuela, porque interessa ao Brasil, como país mais rico da América Latina, como a maior economia da América Latina, que a gente tenha tranqüilidade no continente. Essa foi minha conversa com o presidente (George W.) Bush, em Camp David. Eu disse ao presidente Bush que está na hora de os Estados Unidos olharem para a América Latina com outro olhar, com olhar de investimento, com olhar de ajudar os países da América Central a crescerem, porque é a única oportunidade de ter paz. Da década de noventa para cá, com exceção das FARCs, que existem há 40 anos, não tem hoje nenhum país da América Latina falando em luta armada. Os países entraram no jogo democrático. Eu dizia ao Bush que é preciso valorizar isso.

Então o senhor acha que não há risco com Chávez?

LULA: Não há risco nenhum com Chávez, não há risco nenhum com a Bolívia.

Há uma consulta popular sobre as mudanças na Constituição e pesquisas indicam que Chávez pode não ganhar. Há risco de ruptura?

LULA: Quem se submete a uma eleição tem de se submeter ao resultado dela. O Chávez está convocando um plebiscito. Se ele ganhar, ótimo; se ele perder, ótimo. Ele vai acatar o resultado. Vocês esquecem que aqui no Brasil nós fizemos um plebiscito para saber se o povo queria monarquia, se queria parlamentarismo? E se o povo escolhesse a monarquia, quem seria o rei? Nós já passamos por isso.

Algumas pessoas dizem que o senhor tem essa relação de carinho, de não confrontar, porque realmente acredita na política do Chávez ou porque não quer partir para o confronto com a Venezuela, pois interessa ao Brasil. As duas versões são verdadeiras? Onde está a verdade?

LULA: É porque eu compreendo bem as razões dos conflitos que aconteceram no século XIX, e a gente não pode, no século XXI, repetir os mesmos erros. Às vezes, as guerras se dão por palavras. Quando fui à Guiné Bissau, tinha tido uma tentativa de guerra civil, e a Guiné Bissau é um dos países mais pobres do mundo, eu dizia para o primeiroministro e para os deputados, guerra para quê? Primeiro você tem de construir esse país. Na América Latina, os países precisam ser construídos. A Venezuela é um país rico, com potencial extraordinário, e eu tenho dito ao presidente Chávez: é preciso cuidar urgentemente de industrializar a Venezuela. Tem muitos empresários brasileiros trabalhando na Venezuela, fazendo investimentos e parcerias.

O senhor vai lá agora…

LULA: Vou lá dia 13 de dezembro e vai uma série de empresários.
A Venezuela tem potencial grande, a Colômbia tem potencial grande. Para nós, se todos os países da América Latina, sobretudo os que fazem fronteira com o Brasil, estiverem bem, o Brasil está bem. Então, como maior economia, nós temos que ter responsabilidade de fazer com que as coisas vão bem. Eu dizia que o irmão mais velho, o irmão maior sempre tem de ter generosidade com os outros irmãos. Se não for assim, você vive em conflito permanente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva jura que não pensa em sucessão, mas já traçou seu cronograma político-eleitoral até 2010. Ao contrário do que falou aos aliados, disse que não subirá em palanque ano que vem, e que tratará de sua sucessão a partir de 2009. Ele insiste em candidatura única da base, mas evita citar nomes, com cuidado maior com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), apontada por governistas e oposicionistas como aposta para 2010.— Ela é minha sombra — diz Lula sobre Dilma.

Na esperança de afastar especulações, afirma que não incentivará mudanças para conquistar o direito de disputar o terceiro mandato em 2010, mesmo que todos os fatores conspirem a seu favor.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes
BRASÍLIA

GLOBO: O senhor tem desautorizado que falem em terceiro mandato. Diante da possibilidade de que a oposição fique dividida, o PT sem candidato natural e o senhor com popularidade alta, resiste a um terceiro mandato?

LULA: Resisto. Resisto. Eu tinha feito promessa de não discutir o assunto. Fiz uma profissão de fé de dizer que não toco mais nesse assunto. Ninguém me ouviu falar em terceiro mandato. Todo mundo sabe que eu era contra a reeleição. Só não mando um projeto acabando com a reeleição porque fui reeleito. Mas todo mundo sabe que era contra reeleição, que prefiro mandato de cinco anos, sem reeleição.

Por quê?

LULA: Acredito na alternância de poder. Não sei de onde surgiu essa história (terceiro mandato). A história do plebiscito não aconteceu no meu governo, não.
Aconteceu em 2001. É só irem ao Congresso, vão perceber que a história do plebiscito não é minha. Não quero que publiquem isto, é apenas informação: quem defendeu terceiro mandato foi Fernando Henrique Cardoso, que defendeu o terceiro mandato do Fujimori (ex-presidente do Peru). Ou vocês esquecem que publicaram isso? Então, eu sou contra, como filosofia.

Há amigos seus a favor do terceiro mandato.

LULA: Não, não são a favor de terceiro mandato. O que o Devanir (deputado Devanir Ribeiro, do PT paulista) propôs, querido, era o direito de o presidente da República convocar plebiscito.Não falou em terceiro mandato.

Mas o que se diz é que por trás do plebiscito tem a idéia do terceiro mandato.

LULA: Membros da oposição que me conhecem sabem que não exercito brincadeira com democracia. A democracia precisa se transformar num valor para a sociedade brasileira. Somos um país em formação. Alternância de poder é muito bom, porque o povo tem a cada eleição a chance de escolher o melhor. Pode dar certo ou não, mas tem a chance. Quer coisa mais extraordinária do que esse exercício da democracia? Não quero mais falar nesse assunto.

Com o PT sem candidato, teria dificuldade em apoiar candidato de outro partido? Enfrentaria o PT para apoiar Ciro Gomes? Além de Dilma e Patrus, que nomes teria na equipe em condições de ser presidenciável?

LULA: A sorte de eu ter participado de muitas eleições é que essa pergunta me foi feita muitas vezes. Deixa eu dizer o que o presidente da República pensa: só irei pensar na minha sucessão a partir de 2009. Quero cuidar de ver este país fazer as eleições municipais com tranqüilidade — é importante ter claro que o presidente não participará das eleições municipais…

Não vai subir em palanque de ninguém?

Lula: Não vou subir em palanque. Não vou subir. A partir das eleições municipais, quando entrar 2009 eu começarei a me preocupar com a sucessão. E a oposição também. Por enquanto só quem tem nome, ou nomes, é o PSDB. Pois bem. O que posso dizer é que a base aliada, essa é a minha convicção, terá que ter uma candidatura única.

O senhor acha isso possível no primeiro turno?

LULA: Acho possível construir isso no primeiro turno. Acho possível que cada partido queira ter candidato. Acho legítimo. Não é o que gostaria. Não estou discutindo candidaturas, muito menos nomes. Cada nome que eu citar vai ficar cravado que estou pensando naquele nome.

Não está pensando em um partido, ao falar em base…

LULA: Isso, não estou pensando em um partido. É a base.

Pode ser do PSB , do PMDB…

LULA: Pode ser de outro partido. Não tem que ser do PT. O PT pode querer ter candidato, é legítimo. O PCdoB pode querer, o PMDB pode querer. O PMDB tem ministros, senadores, a maioria dos governos, um estado como o Rio de Janeiro. Acho legítimo. Da minha parte não terá briga. Vou tentar convencer a base de que o prudente é que a gente tente candidatura única. Isso vou discutir mais para frente.

A ministra Dilma Rousseff é apontada como a presidenciável do momento.

LULA
: Eu nunca apontei. Nunca nem perguntei.

Mas é apontada por aliados, por petistas. O que acha disso?

LULA: Não tem, não tem. Como sou favorável à liberdade de expressão, cada um fala o que quer e responde pelo que falar. Posso dizer que não tenho nomes, nem interno nem externo.

Pela quinta vez, o senhor perde seu articulador político.

É uma área problemática? (pergunta enviada por e-mail, após a queda do ministro)

LULA: Não é problemática. É importante e, por ser importante, é complicada, porque tem relação política. É importante saber por que trocamos cinco vezes. Quando começamos, a articulação política estava na Casa Civil, com o Zé Dirceu. Resolvi separar e coloquei o Aldo Rebelo para ser coordenador político. O Aldo saiu para voltar a ser deputado e foi eleito presidente da Câmara.
Veio o Jaques Wagner, que saiu para ser governador da Bahia.
Veio o Tarso Genro, que saiu para ser ministro da Justiça.
Veio o Walfrido (dos Mares Guia), que saiu por causa desse problema das eleições de 98. E agora tem o Zé Múcio (Monteiro). Esse cargo de coordenação é um dos mais importantes do governo, é sensível porque você tem de ter relações com Câmara e Senado, partidos políticos, prefeitos e governadores.

Tem uma diversidade política extraordinária. Lamento profundamente o que aconteceu com o Walfrido, reconheço a indignação do Walfrido, porque ser indiciado por um processo que já tem nove anos sem que ele tenha sido ouvido em algum momento e, mesmo quando ele prestou depoimento, não foi perguntado a ele nada sobre o assunto, ou seja, foi perguntado sobre outro assunto, é motivo de ficar indignado mesmo. Espero que se faça justiça, que esse problema se resolva logo. O governo está extremamente bem representado com a figura do deputado José Múcio — é um dos mais brilhantes do Congresso, foi líder nesses últimos tempos, com atuação impecável, e certamente manterá essa atuação como coordenador político. Acredito.

O presidente Lula refuta a idéia de que há solidão no poder, mas se ressente de não ter vida pessoal em Brasília. Confessa que, se pudesse, passaria um dia no Planalto e sete viajando pelo Brasil. Foi um ato falho, mas Lula bem que gostaria de uma semana de oito dias, a julgar pelo pouco tempo que diz ter para a família. Na rotina no Planalto, normalmente de 9 da manhã às dez da noite, com almoço no Alvorada, Lula diz que não tem tempo para conversas amenas. Brincando, diz que dona Marisa cobra que ele cuide da agenda em casa. Isso quando está em Brasília.Lula fala em erros e acertos — considera que mais acertou do que errou. Perguntado se teria cometido um grande erro, responde:
— Não. Não.

O senhor sabe o nome de seus 37 ministros?

LULA: Até dos que já foram ministros.

Qual entra aqui sem bater na porta?

LULA: Não, ninguém entra sem bater na porta.

Já teve algum que entrou sem bater, metia a mão na maçaneta e entrava?

LULA: Nenhum.

Que ministros têm mais acesso ao gabinete?

LULA: Os da Casa. Fora os da Casa, o ministro da Fazenda, com quem despacho toda semana, às vezes mais de uma vez por semana, para saber como é que está acontecendo, por que tal setor não está indo bem. O Paulo Bernardo, para discutir o Orçamento, por que é que o Orçamento não está sendo executado. A ministra Dilma Rousseff, não só porque está aqui do lado. É que ela é a minha sombra na administração. É coordenadora do PAC, tem que prestar conta todo dia. O Dulci, porque cuida de políticas sociais. O Itamaraty, porque ando demais, sabe? E tem outros que têm rotina de uma reunião por mês.

Quem traz notícias boas e ruins?

LULA: Deixa eu falar uma coisa triste… Se pudesse escolher, eu ficaria um dia neste gabinete e sete viajando o Brasil. Sabe por quê? Ninguém traz notícia boa a este gabinete.
Quando a notícia é boa, festejam sem precisar eu saber. Quando a notícia é ruim, quando as coisas não estão acontecendo, eles vêm pra cá. Sobretudo quando precisam de mais dinheiro. Todo mundo quer mais, as pessoas não se conformam com o que têm.

O senhor tem momentos de conversas amenas, brincadeiras, piadas?

LULA: Não, não tenho. Esse é um problema de agenda que tenho que resolver. Já estou velhinho, com 62 anos.

Onde encontra energia para ficar aqui das 9 da manhã às dez da noite?

LULA: Motivação, motivação. Sou um cara que estou feliz pelas coisas que estão acontecendo no Brasil. E triste pelas que não estão acontecendo. Mas quero fazer acontecer.

Está virando bordão, em programa humorístico e em propaganda, a expressão que o senhor usa muito, ‘nunca antes neste país’. O que acha disso?

LULA: Sabe o que eu acho importante? Não é mais o governo que fala, são as pessoas que falam agora. No lançamento do programa de ciência e tecnologia, uma pessoa falou que é a primeira vez…
Então, é a primeira vez que tratam os catadores de papel com respeito, a primeira vez que tratam os quilombolas com respeito. Quer saber de uma coisa? É a primeira vez que essas pessoas entraram no Palácio.

O senhor disse no discurso de vitória, em 2002, que jamais poderia errar. A pergunta é: qual o seu maior erro? Cometeu algum grande erro no governo?

LULA: Devo ter cometido erros, cometido acertos. Temos muito mais acertos do que erros.

Mas o senhor não se lembra de um grande erro, daquele que morde até hoje, que não podia ter feito…

LULA: Não, não. Até porque vou fazer meu julgamento quando terminar 2010. Eu vou fazer uma reflexão.

(Já de pé, Lula conversa informalmente com os jornalistas): LULA: Não falamos de Sérgio Cabral…. Que diferença! Como mudou a relação do governo federal com o Rio! O Sérgio Cabral é incrível. Vocês percebem que ele não tem ranço? Está muito bem.

Já estão dizendo que ele pode ser uma opção do senhor para 2010…

LULA: Por enquanto, ele pode ser opção primeiro do PMDB…

E a vida em Brasília, sem filhos e netos, muito ruim?

LULA: Eu confesso que não tenho vida.

Solidão do poder não é bem o termo ?

LULA: Não tenho solidão para tomar decisão. Mas, veja, levanto às 6h da manhã todo dia. Faço uma hora de ginástica todo dia, faço musculação. Chego aqui todo dia às 9h e não tem hora para sair. Pode ser 9, 10, 11, 11 e meia… Chego em casa, e aí dona Marisa, como todas as mulheres, diz que eu tenho que cuidar da minha “agenda”. E eu não vou à casa de ninguém dia de sábado e domingo porque eu… Em Brasília às vezes tem muita futrica, e eu prefiro não… Eu nunca fui a um aniversário, nunca fui a um casamento, eu nunca fui a um jantar. De vez em quando eu convoco…
eu convido um companheiro para ir em casa para conversar um pouco comigo, para jantar…

O senhor dizia na campanha que o segundo mandato seria mais fácil porque tinha aprendido os caminhos do poder. Está sendo mais fácil?

LULA: O medo que eu tinha do segundo mandato era da mesmice.
Lembro que, no enterro do Octavio Frias, o Fernando Henrique Cardoso me falou: “Você vai ver depois do segundo ano, quando os ministros estiverem pensando nas suas candidaturas”. Graças a Deus, sabe, é um desafio para mim… Todo dia tenho que me motivar para fazer o segundo mandato ser melhor que o primeiro. Todo dia. É uma profissão de fé que fiz.

Todo dia eu me motivo. Graças a Deus essa quantidade de programas que lançamos são um oxigênio extraordinário para o presidente fazer um segundo mandato melhor que o primeiro.

19/11/2007 - 07:10h Eleição no PT: Uma direção representativa é bom para o PT e também para Lula

de dir. a esq. Ricardo Berzoini, Jilmar Tatto e Marco Aurelio Garcia

O artigo a seguir, do jornal O Globo, contém alguns exageros. A relação do PT com Lula é mais profunda do que a mídia imagina. Os principais candidatos na disputa pelo comando do PT, Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, têm se mostrados solidários na defesa partidária e defensores da política de alianças do governo federal.Os problemas tendem a se agravar pela própria crise de representatividade da direção partidária. Na ausência de uma direção realmente representativa da sua militância, o presidente Lula tende a minimizar seu relacionamento com o partido. Por isso, o primeiro teste será o número de filiados que participarão das eleições em 2 e 16 de dezembro.

Cabe ao partido encontrar na renovação e na convergência de suas principais correntes os nomes que saberão retomar o caminho do diálogo e das propostas para restabelecer o vínculo fecundo entre o PT e o presidente.

Só assim o PT e Lula poderão jogar todo seu peso nas eleições municipais de 2008 que determinarão o curso da própria coalizão governamental e permitirão a construção de uma candidatura de peso para a sucessão de 2010.

LF

O Globo

Eleição no PT deixa Lula isolado

Candidatos a presidir o partido adotam discurso de independência do governo


Ricardo Galhardo
SÃO PAULO.

Presidente da República, fundador do PT e maior liderança nos 26 anos de existência do partido, Luiz Inácio Lula da Silva está isolado no processo de escolha do próximo presidente petista. Lula tentou emplacar o assessor palaciano Marco Aurélio Garcia, mas foi derrotado pela sua própria corrente, Construindo um Novo Brasil (CNB), que preferiu manter o atual presidente, Ricardo Berzoini, em desgraça no Planalto desde o episódio do dossiê Vedoim, mas com chances de vencer ainda no primeiro turno.

De olho nos votos dos militantes insatisfeitos com a relação entre o PT e o governo, Berzoini e outros candidatos adotaram um discurso de independência que, se posto em prática, pode trazer problemas ao governo e reduzir o poder de Lula na escolha de seu sucessor.

— Estou fazendo a campanha independentemente do que o Lula pensa ou deixa de pensar. É uma disputa interna do PT e não tem nada a ver com o governo — disse o coordenador da CNB, Francisco Rocha, o Rochinha, um dos principais articuladores da campanha de Berzoini.

Nos debates entre os sete candidatos à presidência do PT, Berzoini tem defendido uma maior autonomia do partido em relação ao governo. Há um mês, disse que não vai submeter os candidatos petistas nas eleições municipais de 2008 aos interesses do governo, o que pode causar problemas entre os partidos da base aliada. Em entrevista ao site do PT, há duas semanas, Berzoini voltou à carga: — É evidente que o PT errou ao não assumir, no primeiro governo Lula, sua própria condição de autonomia, portando-se quase como correia de transmissão.

É preciso preservar a máxima de que “partido é partido e governo é governo”. Essa autocrítica já foi feita pelo PT, o que ficou nítido quando assumiu a defesa da candidatura petista de Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara dos Deputados (contra Aldo Rebelo, do PCdoB, preferido por Lula). Nós enfrentamos muitos desafios para que ela fosse vitoriosa e conseguimos — afirmou Berzoini.

Em conversas reservadas, líderes da CNB dizem que há uma insatisfação da corrente com o governo desde que José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken deixaram o Ministério.

— Não nos sentimos representados a contento no Ministério.

Sobraram só o Luiz Dulci, Patrus Ananias e o Gilberto Carvalho — disse um deles.

“Não somos filhos de Lula”, diz candidato
O discurso de autonomia em relação ao Palácio do Planalto também foi adotado por outros candidatos. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP), apoiado pelas correntes PT de Lutas e Massa, Movimento PT e Novos Rumos, disse recentemente que “não somos filhos do Lula”. A declaração repercutiu negativamente e acendeu a luz amarela no Palácio, já que Tatto tem chances de chegar ao segundo turno.

Tatto é um dos principais defensores da candidatura própria à sucessão de Lula.

— Temos uma relação de confiança com o presidente Lula, mas o partido tem suas posições e vai defendê-las mesmo que haja diferenças em relação a 2010 e outros assuntos. Toda a coordenação política está nas mãos de partidos aliados. A próxima direção tem que reformular a relação com o governo — disse o secretário nacional de Organização, Romênio Pereira, um dos coordenadores da campanha de Tatto.

As eleições do PT serão em 2 e 16 de dezembro. Serão escolhidas, por voto direto, as direções de todas as esferas do partido; 857 mil filiados podem votar, mas a estimativa é de que cerca de 350 mil compareçam.

19/11/2007 - 06:23h Cria corvos e te arrancarão os olhos

Não é segredo para ninguém que José Serra, governador do Estado, deixou um preposto para cuidar da Prefeitura, que ele abandonou. Também é segredo de polichinelo que ele continua mandando por lá. Aliás o comando é Demos e PSDB, chefiados pela dupla Kassab-Andréa Matarazzo, mas o “ménage à trois“, tem Serra na chefia.

Acontece que Serra é do PSDB, onde o autoritarismo se fantasia de pretensão erudita, por isso chama a atenção a irreverência mostrada pela juventude do PSDB. Não só recusam apoio eleitoral a Kassab, como alfinetam a submissão deste ao governador… do PSDB.

Filhote de tucano é corvo, eles os criam e os bichinhos querem arrancar-lhes os olhos.

Leia a seguir a nota do jornal O Estado de São Paulo

LF

Juventude do PSDB rechaça apoio a Kassab

A Juventude do PSBD em São Paulo, que congrega todos os filiados até 30 anos, rechaçou o eventual apoio do partido à candidatura do atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) nas eleições municipais de 2008. A nota defende a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin e diz que “a cidade precisa de um líder independente, que não seja apenas uma ‘filial’ do governo estadual”. A candidatura de Kassab é a opção preferida do governador José Serra.

18/11/2007 - 08:06h PT de São Paulo espera sinalização de Marta até janeiro

Vereadores paulistanos pressionam ministra a concorrer, pois temem que bancada diminua se sigla lançar outro nome

Partido avalia que precisa de tempo para construir uma candidatura alternativa capaz de enfrentar Kassab, do DEM, e Alckmin, do PSDB

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

O PT paulista espera para janeiro uma sinalização da ministra do Turismo, Marta Suplicy, para decidir se poderá contar com ela na disputa pela Prefeitura de São Paulo nas eleições do ano que vem.
Os principais líderes do partido na capital avaliam que até o final do primeiro mês de 2008 ela deverá indicar, pelo menos internamente, se tem alguma intenção de aceitar o desafio de concorrer pela terceira vez ao cargo de prefeita -ela foi eleita em 2000, mas perdeu a eleição em 2004- ou se pretende permanecer no Turismo até 2010.
Até agora, Marta é o principal nome do partido para a eleição, mas, quando questionada sobre o tema, tem repetido que está feliz no ministério.
A maior pressão para que ela concorra em 2008 vem da atual bancada de vereadores do PT. Os parlamentares, 12 no total, estimam que terão muitas dificuldades nas urnas se a ministra não disputar a eleição -a previsão é que o número de cadeiras hoje em poder do partido terminará diminuindo.

Legislação
Conforme a Lei Eleitoral, Marta tem até o final de março para se desincompatibilizar do Turismo, mas, se deixar para a última hora e não aceitar concorrer, a ministra poderia atrapalhar o partido, que ficaria sem tempo de “construir” uma candidatura em uma eleição na qual o PT terá adversários pesos-pesados, no entendimento de alguns membros do PT.
A previsão dos petistas é a de que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disputará a reeleição e terá como um dos adversários o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato a presidente derrotado por Lula no segundo turno em 2006.
Alckmin ainda não declarou ser candidato a prefeito. Ex-governador do Estado, porém, ele desponta como favorito nas pesquisas de intenção de votos para o ano que vem. De acordo com o último levantamento do Datafolha, realizado em agosto, o tucano aparece na frente em todos os cinco cenários em que seu nome é apresentado como candidato à Prefeitura de São Paulo, com percentuais que variam de 30% a 41%, de acordo com o adversário.
Além de se dizer satisfeita com o ministério, Marta tem se mostrado seduzida pela possibilidade de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes ou até mesmo ao Palácio do Planalto em 2010. Por isso, preferia se guardar para a disputa futura.
Entre seus aliados, no entanto, há quem avalie que ela chegará forte em 2010 mesmo se for derrotada no ano que vem, desde que consiga chegar ao segundo turno e faça uma campanha centrada em suas realizações e nas do governo Lula.

Disputa interna
O temor dos “martistas” é que, se Marta abrir mão da disputa municipal e seu substituto no partido chegar ao segundo turno, ele passará automaticamente a ser um dos concorrentes internos à disputa pelo governo do Estado em 2010.
Caso a ministra não aceite o desafio, pelo menos quatro nomes estão colocados hoje no PT: o do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, os dos deputados federais Jilmar Tatto e José Eduardo Cardozo e o do senador Aloizio Mercadante, que disputou e perdeu o Palácio dos Bandeirantes no ano passado.
Nesse caso, é muito provável que o candidato seja decidido por meio de uma prévia interna. Chinaglia tem trabalhado nos bastidores para ter o apoio do grupo da ministra, hegemônico na capital paulista.

16/11/2007 - 07:18h A construção de uma candidatura

Valor

O senhor é um bandido, senhor Law. Saia de São Paulo. Se não sair por bem, vai sair no camburão. Nesta cidade queremos pessoas do bem, que paguem impostos, que trabalhem com seriedade e que respeitem aqueles que estão criando seus filhos aqui. Enquanto for prefeito, este shopping aqui não abre”.

O prefeito Gilberto Kassab liderava uma comitiva de policiais, promotores e secretários ao entrar no shopping na região da 25 de Março, principal zona de comércio popular da cidade, para expulsar Law Kin Chong, dono do empreendimento. Naquele momento, o comerciante chinês, um dos maiores contrabandistas do país, cumpria prisão domiciliar no Morumbi, de onde, horas depois, foi levado pela Polícia Federal.
Em outro episódio fartamente documentado, o prefeito enfrentou o empresário Oscar Maroni Filho depois do acidente do avião da TAM, em Congonhas. Lacrou o hotel do empresário que, além de ser alvo da reclamação de pilotos que pousavam no aeroporto, liga-se por uma passarela a outra de suas propriedades, a maior casa de prostituição de luxo da cidade.
Kassab foi a primeira autoridade a chegar no buraco do metrô, depois do acidente do início deste ano; sobe em escadas para retirar faixas que desobedecem à Cidade Limpa, projeto anti-poluição visual de sua administração; e acompanha subprefeitos em operações de retirada de ambulantes das ruas.
A última escorregadela pública aconteceu há nove meses, quando expulsou de um posto de saúde, aos gritos de vagabundo e empurrões, um pequeno empresário que, acompanhado de um filho de 7 anos, fazia um protesto público contra o Cidade Limpa.
Desde então tem cumprido com esmero o roteiro para cativar o eleitor que identifica na falta de autoridade a principal carência da cidade. O estilo lhe rende comparações óbvias com a passagem de Jânio Quadros pelo cargo 20 anos atrás. Mas além da estampa de bom moço que não bebe, não fuma e é obcecado por trabalho, o que mais radicalmente separa as duas gestões são as urnas.
O fim da gestão Jânio deu início a um período em que três partidos passaram a se revezar no comando da prefeitura: PT, PP e PSDB. Ao ocaso do deputado federal Paulo Maluf correspondeu a ascensão dos tucanos na cidade e à bipolarização da política paulistana. Na última eleição, 75% dos votos malufistas caíram no colo de Serra. Uma disputa tripartite trará uma evidente disputa entre Kassab e Alckmin pelo mesmo eleitorado.
A maior preocupação do DEM, desde que o partido tomou a decisão de fazê-lo candidato à reeleição, é transformar uma curva crescente de avaliação positiva em voto. No partido, Kassab é comparado a um time que, apesar da boa campanha no campeonato, ainda não tem torcida. “Como o Kassab não foi eleito, não há o compromisso político do voto, que gera parceria no sucesso e cumplicidade no insucesso”, diz uma análise interna do partido sobre o potencial de sua candidatura.

Desafio é transformar avaliação em voto


Nos últimos cinco meses, o partido tem recebido números semanais do Ipsos colhidos em pesquisas domiciliares, indicando que a avaliação positiva do prefeito passou de 39% para 55%. A aprovação evolui à medida em que cresce também a renda. No eleitorado que ganha mais de 10 salários mínimos, a satisfação com a gestão Kassab é duas vezes maior do que a dos eleitores com renda inferior a esse patamar.
Na metade superior, estão os eleitores em busca de um gerente para uma cidade caótica. Na metade de baixo, estão aqueles que usam os serviços de transporte e saúde públicos, e neles identificam os principais problemas da cidade. Para conquistá-los, Kassab depende da melhoria na qualidade dos seus ambulatórios locais e dos investimentos prometidos pelo governador José Serra em transportes metropolitanos.
Na avaliação dos estrategistas do DEM, o prefeito engatará a reeleição se fizer coincidir sua intenção de voto com o patamar de ‘ótimo e bom’. Neste, o prefeito estaria hoje colhendo 37%.
A candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin não explica sozinha a dificuldade de Kassab converter sua aprovação em voto. Nas simulações com Alckmin, o prefeito alcança 18% das intenções de voto – e o tucano , 33%. No cenário sem o ex-governador em que o principal adversário é a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o prefeito empata com a petista em 22%.
O DEM dedica-se a tirar Alckmin da parada com uma costura política embainhada em 2010. A estratégia parte do pressuposto de que Serra estaria disposto a jogar todas as suas fichas na eleição de Kassab porque o prefeito se tornaria assim a principal liderança no DEM e afastaria de uma vez por todas, quaisquer chances de a legenda embarcar em algum outro projeto presidencial senão o do próprio Serra.
Os estrategistas do prefeito não levam a sério qualquer ameaça de Aécio Neves engrossar o caldo de Alckmin. Avaliam que a fidelidade partidária inviabilizou as chances de o governador mineiro trocar de partido e acomodou suas perspectivas de aceitar a vice, numa chapa encabeçada pelo governador paulista, em troca de uma candidatura em 2014.
É um jogo mais meticuloso do que aquele exposto pelas brigas internas do PSDB. Em alguns segmentos do partido, nem tão internas assim. Há duas semanas, num evento público, o secretário de subprefeituras, Andrea Matarazzo, repetiu, para deixar claro que não se tratava de ato falho, que esperava ver o prefeito concluir sua gestão daqui a cinco anos.
Esta semana, os dirigentes da juventude do PSDB trocaram notas de repúdio pela imprensa por conta da divisão entre a candidatura tucana e a reeleição do prefeito.
Das intempéries tucanas que estão no caminho de Kassab, porém, nenhuma é tão difícil de ser contornada quanto a desconfiança mútua entre Alckmin e Serra no compromisso de que a retirada de cena do primeiro em 2008 resultaria no apoio incondicional do governador a seu nome para sucedê-lo no Palácio dos Bandeirantes em 2010.


Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br

01/11/2007 - 10:41h Briga entre tucanos é de arrancar plumas

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Jornal da Tarde

01/11/2007 - 09:05h Candidatura própria em 2010 é principal bandeira de Tatto no PT

César Felício
Valor


Deputado de primeiro mandato mais conhecido fora do PT pelo poder de sua família na Capela do Socorro, uma região muito pobre da periferia de São Paulo, Jilmar Tatto ascende dentro do partido na disputa pela presidência da sigla, fazendo da defesa da candidatura própria petista à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma de suas principais bandeiras.

“O PT é um gigante adormecido, que precisa disputar a hegemonia dentro do governo, para deslocá-lo do centro para a esquerda. Para isso é preciso uma direção forte, que dê opinião sobre 2010. O candidato tem que ser escolhido de forma combinada com o presidente, dentro das fileiras do partido, sem relação de vassalagem e de correia de transmissão”, afirma Tatto.

O deputado lembra a eleição para a presidência da Câmara de seu aliado interno, Arlindo Chinaglia, como um exemplo de afirmação do partido contra a vontade do presidente e da direção nacional. “O governo não queria o Chinaglia, queria a eleição do Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O partido conseguiu se articular internamente e mostrar para o presidente que o melhor era o que o PT queria. Este processo pode se repetir”, diz.

Há três cenários de maior probabilidade hoje na eleição interna do PT, que deve ocorrer no dia 2 de dezembro: a vitória do atual presidente Ricardo Berzoini, do antigo Campo Majoritário, ainda no primeiro turno, por estreita margem, ou a realização de um segundo turno, contra Tatto ou o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo, do grupo Mensagem.

Os candidatos que representam a esquerda petista, como o dirigente Valter Pomar, por exemplo, têm menos chances porque não fizeram alianças nesta eleição com os setores centristas da sigla. Cardozo reúne um grupo composto pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e pela corrente de esquerda Democracia Socialista, de Raul Pont, segunda colocada no processo interno em 2001 e 2005. Tatto é impulsionado pelo apoio do Movimento PT, liderado pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e por lideranças petistas de expressão local. Berzoini conta com o apoio de cerca de 40% da bancada no Congresso.

Radicalmente contrário a um candidato não-petista em 2010, Tatto toma cuidado em não se identificar com a defesa de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O presidente do Brasil a partir de 2011 não será Lula. Jamais se conversou dentro do partido sobre a hipótese de se mudar as regras já estabelecidas para o jogo da sucessão. Sou contra a discussão disso”, afirma.

Ex-secretário municipal de Transportes no governo Marta Suplicy, Tatto é a favor da candidatura da atual ministra do Turismo para a Prefeitura de São Paulo no próximo ano. Segundo Tatto, o PT deve jogar suas melhores cartas em 2008 para reforçar a tese da candidatura própria. “O PT tem que entrar em 2008 com seus melhores nomes e o Diretório Nacional deve chamá-los à responsabilidade e conduzir as sucessões municipais a partir daí. A eleição do próximo ano não pode ficar ao sabor das lideranças locais e das situações regionais. Tem que jogar um papel para 2010, ainda que não determinante”, diz.

Atual terceiro vice-presidente da sigla, eleito em 2005, Tatto destacou-se nos dois últimos anos por ser um defensor aberto da política econômica desenvolvida pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e pelo atual, Guido Mantega. No seu processo de campanha, o deputado pouco fala de questões econômicas e descarrega sua ênfase em bandeiras políticas: tornar o Diretório Nacional, onde as correntes minoritárias estão melhor representadas, o órgão mais importante de deliberação do partido e reivindicar mais espaço para o PT no governo Lula, ou, como diz, “disputar hegemonia”.

O deputado se sente incomodado quando apontado como novidade na eleição interna petista. “Há dez anos ocupo cargos de direção dentro da sigla. Dentro do PT sempre tive voz, ainda que até hoje a minha corrente própria (PT de Lutas e Massas) seja muito pequena”, diz.

Em 2006, Tatto conseguiu ser o quarto deputado federal mais votado de São Paulo entre os eleitos do partido, atrás de João Paulo Cunha, Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci. A passagem pela Secretaria de Transportes, onde trabalhou na implementação do programa de bilhete único, foi fundamental no resultado. Durante a campanha eleitoral, contudo, Tatto foi alvo de denúncias.

O parlamentar foi acusado de envolvimento com a máfia do transporte clandestino em São Paulo, que tem vinculações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), pela autoria de uma concessão de transporte para a cooperativa Cooper Pam, supostamente ligada à organização criminosa.

“Fui uma vítima neste processo todo, sofri ameaças de morte. Meus contratos com as cooperativas foram aprovados no Tribunal de Contas. Como ia saber que alguém lá tinha problemas com a Justiça? O Ministério Público não acatou a denúncia da Polícia Civil e o procurador-geral da República arquivou o caso depois que virei deputado. O assunto morreu, zerou”, afirma.

26/10/2007 - 12:11h pesquisa eleições municipais em Recife

Coluna de Magno Martins na Folha de Pernambuco

Mendonça consolida imagem

Algumas constatações óbvias da pesquisa do Ipespe sobre a sucessão de João Paulo no Recife, divulgada, ontem, dentro do pacote do “Barômetro Pernambuco”: Mendonça Filho se desvinculou completamente da imagem de Jarbas, de quem foi vice, ganhou luz própria e continua liderando nos três cenários avaliados.

Cadoca, que está em segundo, mas numa situação caracterizada de empate técnico, mostra, mais uma vez, que não pode ser um candidato subestimado, mesmo estando numa legenda nanica, o PSC. O candidato mais forte do PT, como se esperava, é o ex-ministro Humberto Costa, com 18% das intenções de voto, enquanto o mais fraco é Maurício Rands, com 2%.

João da Costa, o preferido do prefeito, aparece com 5%. A grande surpresa da pesquisa é o desempenho do candidato do PMDB, Raul Henry, que não consegue ultrapassar a casa dos 7%, mesmo depois de uma mídia intensa na tevê ao lado do senador Jarbas Vasconcelos.

Aliados do prefeito têm dito nos bastidores que farão uma campanha light em relação a Cadoca, porque quando seu nome é retirado de qualquer cenário em pesquisa, os votos migram quase na sua totalidade para Mendonça e não Henry. No mais, essa pesquisa vai dar mais munição às correntes do PT que passaram a combater a candidatura de João da Costa.

22/10/2007 - 13:56h Briga tucana vai para guerra suja

As diversas denúncias que pipocaram nos jornais em relação a gestão Alckmin em São Paulo (Nossa Caixa, CDHU, entre outras) não ficaram sem resposta. Hoje O Estado de São Paulo se faz eco de duas contra Serra-Kassab. (ver aqui no blog Cheiro ruim no ninho tucano de São Paulo: MP apura favorecimento do governo a ONG ligada a tucanos e Mais cheiro ruim no ninho tucano de São Paulo: ONGs dão salário a quem deveria fiscalizá-las)

Não é necessário ser expert em bico d’oro para saber quem move os fios da desconstrução do adversário. O enfrentamento entre Serra e Kassab, de um lado, e Alckmin e Aécio do outro, está entrando numa fase de disputa em que todos os golpes são autorizados.

Hoje o Prefeito de Rio, César Maia (DEM, partidário de Kassab) entrou em serviço encomendado para formular ameaças, sob pretexto de defender… Aécio. Segundo ele, Aécio é o melhor candidato (não era Serra?) e por isso Lula está procurando destruir-lo. Basta substituir o nome de Lula, pelo de José Serra e a ameaça fica claríssima:
Simultaneamente determinavam – a partir do valerioduto mineiro- uma exaustiva investigação contra Aécio e a empresa que sua irmã -na época- trabalhava, tentando demonstrar operações financeiro-político-eleitorais ilícitas. O que se diz é que não se trata de enquadrar o governador no processo do valerioduto mineiro, mas de formar um amplo e profundo dossiê contra o governador, de forma a desmontar a sua candidatura no caso dela se afirmar no PSDB.

Buscam também -desesperadamente- fotos de qualquer tipo de Aécio em festas, que possam -de alguma maneira- comprometê-lo. E dizem que pagam bem, alopradamente bem.” (ex-Blog de César Maia).

Como se vê, as denúncias contra Goldman, Serra e Kassab, que tinham sido arquivadas pelo procurador-geral de Justiça do Estado, Rodrigo Cesar Rebello Pinho, foram destampadas e trazidas a luz, junto com o “mensalão” das AMAs, como resposta certeira da turma de Alckmin e Aécio contra seus inimigos. A mensagem é clara: a preparação e utilização de denúncias e dossiê será revidada com os mesmos procedimentos.

Se até agora assistíamos a uma fictícia unidade de fachada, com Alckmin apostando contra os que especulavam sobre uma divisão entre Serra e ele. Agora é divergência pública na política (Ver aqui no blog Serra e Alckmin divergem sobre a CPMF em convenção do PSDB em São Paulo) e guerra suja nos bastidores. Se Alckmin continuar apostando, vai perder no jogo.

Têm muito cheiro podre saindo pelo ralo do ninho tucano. Vamos precisar tampar o nariz.

Luis Favre

 

22/10/2007 - 12:02h PT articula-se nos 100 maiores municípios

Cristiane Agostine
Valor

 

A um ano das eleições municipais, o PT articula-se para disputar o comando dos 100 maiores municípios, que concentram 40% dos eleitores brasileiros. Dentre os maiores colégios eleitorais, o partido está na oposição na maioria dos municípios (55 cidades) e pretende ampliar o quadro da situação de 45 cidades para 83.

Das agremiações no comando dos maiores colégios eleitorais, o PT aparece com 23 prefeituras, seguido por PSDB, com 19, PDT e PMDB, com 12 governos cada partido e PPS com 9. Segundo o secretário de Organização do PT, Romênio Pereira, responsável pelo levantamento eleitoral, o partido terá candidatura própria em quase todas as capitais.

Por enquanto, em apenas três capitais o PT cogita não ter cabeça de chapa: Aracaju (apesar de ser prefeitura do PT, devem apoiar o PCdoB), Goiânia (cogita-se acordo com PMDB, de Iris Rezende) e Manaus (acordo com o PSB). “As cem maiores cidades são prioritárias porque nelas estão concentrados os eleitores e estão os maiores orçamentos. Não adianta um partido ganhar 400 cidades. Isso não significa um capital eleitoral”, diz Pereira.

Na eleição de 2004, o partido foi eleito em nove capitais. Em Fortaleza, desta vez o PT estará ao lado de Luizianne Lins, que disputará a reeleição. Entretanto, a petista terá dificuldade em conquistar o apoio dos partidos de esquerda. A senadora Patrícia Saboya saiu do PSB para o PDT para viabilizar sua candidatura à prefeitura e a tendência é que o PSB do governador Cid Gomes e de Ciro Gomes (com quem Patrícia foi casada) apóie a senadora. O secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande, entretanto, anunciou apoio ao PT. “É certo que em Fortaleza iremos apoiar a Luizianne”, disse.

A prefeita de Fortaleza minimiza o impacto da possível falta de apoio do bloco de esquerda. “O PCdoB e o PSB são aliados, mas cabe a eles decidir se vão me apoiar ou não”, afirmou Luizianne.

As prévias partidárias serão feitas em janeiro, depois da escolha das novas direções do PT, que será feita em dezembro. A expectativa é de que aconteçam entre 30 e 35 prévias. Esse é o caso de São Paulo: se a ministra do Turismo, Marta Suplicy, se candidatar à prefeitura paulistana, não haverá prévia. Nas demais hipóteses, com Arlindo Chinaglia, José Eduardo Martins Cardozo ou Jilmar Tatto, haverá. Em Minas a situação é semelhante. Caso o ministro Patrus Ananias se lance, não haverá prévia. Com o deputado Virgílio Guimarães ocorrerá o mesmo.

Na próxima reunião da Executiva nacional, o PT convocará uma comissão para cuidar das candidaturas e alianças nos 100 maiores colégios. Os municípios são estratégicos e em 2006 o PT viu sua influência diminuir nos municípios mais populosos.

Nas últimas eleições o partido teve a maioria dos votos metropolitanos, enquanto os do PSDB estavam espalhados nos menos populosos. Mas na eleição de 2006 o quadro eleitoral se alterou e há um maior equilíbrio de votos petistas e tucanos nas metrópoles. No ano passado, a candidatura petista perdeu a liderança absoluta dos votos nos municípios populosos, com mais de 1 milhão de eleitores, mas continuou crescendo nas cidades pequenas e nos grotões. Já os tucanos conseguiram mais que o dobro dos votos conquistados pelo partido em 2002, distribuídos nas áreas metropolitanas e em cidades com mais de 200 mil eleitores

Em 2006, nas cidades grandes, com mais de 200 mil habitantes, o PSDB cresceu de 19,695 milhões de votos para 39,95 milhões. Já o PT teve seu crescimento mais significativo nas cidades pequenas, com menos de 50 mil eleitores. A base de votos do PT nos municípios entre 10 mil e 50 mil cresceu de 29,6% para 38,6%. O aumento foi ainda maior nas cidades com menos de 10 mil eleitores: de 28,3% para 38,2%.

Os cem maiores municípios também estão na prioridade dos partidos do bloquinho de esquerda, composto pelo PCdoB, PSB e PDT . Em algumas capitais já é certo que não haverá acordo entre os partidos, como no caso de Porto Alegre. O PCdoB deve apoiar a deputada Manuela D´Ávila para a prefeitura, uma das principais apostas do partido em 2008.

Mesmo com a proximidade ao PT, os aliados não deixarão de lançar candidatos no primeiro turno nas cidades com mais de 100 mil habitantes. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar, os dirigentes querem reforçar a imagem das agremiações. Para o PDT, é essencial ter o tempo na TV e no rádio para fazer propaganda da legenda. “Teremos candidato para o partido aparecer na mídia. Se ficar só nas alianças, quem terá destaque é o cabeça de chapa”, disse o secretário-geral do PDT, Manoel Dias. “Assim o partido desaparece.” Segundo Dias, o bloquinho é prioridade nas alianças, mas os objetivos eleitorais não são “imediatos”. Os partidos, segundo ele, precisam ganhar mais governos antes.

Nas capitais, o PDT planeja ter de 18 a 20 candidaturas nas capitais. Em 2004, o partido chegou ao governo de Salvador, São Luis e Maceió. Agora, o partido pretende duplicar o número de prefeituras em capitais.

O PSB reforça o discurso de que irá lançar candidato nas maiores cidades, mas dá indicações das conversas mais adiantadas sobre as alianças nas capitais. Segundo o secretário-geral do partido, senador Renato Casagrande, em Aracaju e Vitória o partido negociará apoio aos candidatos do PCdoB e PT (respectivamente). Em Manaus, João Pessoa e Natal, entretanto, com prefeituras do partido, o PSB tentará ser a cabeça de chapa do bloco de esquerda.

O PCdoB lembra do apelo feito pelo presidente Lula, de ter o maior número de candidaturas unificadas entre PT e o bloquinho de esquerda, mas ressalta ser “muito difícil” no primeiro turno. “O PCdoB nunca lançou tantos candidatos como agora. Candidatura municipal é candidatura de base. É natural ter muitos candidatos.”

Os comunistas prevêem candidaturas em 17 capitais e já anuncia as principais: Porto Alegre (Manuela D´Avila), Rio (Jandira Feghali), Belo Horizonte (Jô Moraes), Aracaju (Edvaldo Nogueira), Recife (Luciano Siqueira), São Luís (Flávio Dino), Manaus (Vanessa Grazziotin) e Piauí (Osmar Jr.).

Em Rio Branco o partido deve apoiar o PT. Já em João Pessoa e Manaus os comunistas deverão compor a chapa do candidato do PSB. Na capital paulista, o PCdoB pode lançar Aldo Rebelo ou apoiar a candidatura de Luiza Erundina (PSB) ou Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT). “Não faz sentido termos em São Paulo três candidaturas do bloquinho. Seria inviável e podemos retirar a nossa”, disse Rabelo.


21/10/2007 - 02:26h Impasse entre Alckmin e Kassab imobiliza rivais

Em São Paulo, adversários do DEM e PSDB esperam definição para se posicionar, enquanto Aécio oferece ajuda à campanha do tucano

Carlos Marchi – O Estado de São Paulo

A um ano das eleições municipais paulistanas, o impasse entre as potenciais candidaturas do prefeito Gilberto Kassab (DEM), por um lado, e do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), por outro, paralisa a aliança de 13 anos que junta tucanos e o antigo PFL, e imobiliza os adversários, que aguardam uma definição na disputa para se posicionar. Há duas semanas Alckmin ganhou um inesperado presente: o governador Aécio Neves (PSDB), de Minas, prometeu-lhe total engajamento em sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2008.

A preocupação em definir um rumo para a aliança juntou num jantar de exploração de hipóteses, na última terça-feira, o ex-presidente do DEM, ex-senador Jorge Bornhausen (SC), e Alckmin. Na sexta, Aécio, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e o governador José Serra (PSDB) tiveram um encontro em São Paulo para discutir a CPMF e, no entremeio, conversar sobre a eleição municipal de 2008. Serra apóia a candidatura do atual prefeito, Gilberto Kassab, à reeleição, mas muitos tucanos questionam a inexperiência de Kassab em disputas eleitorais.

Quem festeja o impasse e torce para que ele se prolongue é o PT, principal adversário de PSDB e DEM em São Paulo, que sonha em recuperar a prefeitura da maior cidade do País em 2008. “Kassab está tomando eleitores que seriam de Alckmin”, comemora o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), um dos aliados da ex-prefeita Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, ao comentar a melhoria da avaliação do atual prefeito. Ele acha que, um ano antes, a divisão de tucanos e DEM antecipa um cenário de segundo turno na eleição paulistana.

SEM BRIGAS

“Não haverá dois candidatos”, decreta solenemente o empresário Guilherme Afif, do DEM, ao garantir que haverá um acordo entre os dois partidos e só um deles concorrerá. “Farei tudo para manter a aliança”, assegura José Henrique Reis Lobo, presidente do PSDB paulistano e secretário de Relações Institucionais do governo Serra. “Não sei ainda a fórmula para manter a aliança, mas não é um problema para agora”, observa o deputado Mendes Thame, presidente do PSDB paulista.

No mesmo tom, alguns tucanos vão mais longe e prevêem que pode até acontecer de os dois concorrerem, mas sem que isso seja produto de um rompimento entre eles. A idéia atende à preocupação tucana com a inexperiência de Kassab, que nunca enfrentou uma disputa majoritária e pode se perder nela; assim, se Alckmin estiver concorrendo também, carreia os votos da antiga aliança.

Entre os tucanos, no entanto, a disputa de 2008 tem características de uma partida de xadrez que se prolongará até 2010. O dilema maior é de Alckmin. Sem muito espaço no governo Serra, seus seguidores o pressionam para sair candidato à prefeitura. Thame interpreta a voz do partido: “Se quiser, ele será o candidato.” Os tucanos dizem que Serra – apesar de simpático a Kassab – não será obstáculo à candidatura, mas Alckmin terá de responder a muitas interrogações para tomar essa decisão.

Se for candidato à prefeitura, terá a obrigação de ganhar. Se vencer, ainda assim não robustecerá tanto sua biografia, mas uma derrota levará a um ocaso prematuro de sua carreira política. Além da pressão dos seguidores, Alckmin tem recebido estímulos externos, como o de Aécio e do próprio PSDB paulista. Mais: o Diretório Estadual do PSDB recomendou que o partido tenha candidato próprio a prefeito em todos os municípios em que está organizado. Assim, não caberia abrir mão da “cabeça de chapa” justo no maior dos municípios, a capital paulista.

Muita gente no PSDB defende a tese de que Alckmin seja “guardado” para 2010, para disputar o Palácio dos Bandeirantes, para o caso de Serra ser candidato à Presidência. O PSDB, que controla São Paulo desde 1994, teme não ter um candidato competitivo, se Serra voar mais alto. Ele vê dois cenários: por um lado, elegendo-se prefeito, Alckmin não poderá sair um ano depois para disputar o Estado, como fez Serra, com algum desgaste, em 2006; por outro, se Serra não for o candidato do PSDB à Presidência, obviamente concorrerá à reeleição. A Alckmin, então, restaria disputar o Senado.

O DEM diz que Kassab depende somente de si: se continuar melhorando sua avaliação, como vem fazendo, se viabilizará como candidato competitivo. No PSDB todos acham que é cedo para definir candidatos. “Quem vai dar o primeiro sinal é o PT”, diz Lobo, lembrando que, para ser candidata, Marta – a mais expressiva opção do PT – terá de se desincompatibilizar até 31 de março de 2008.

08/10/2007 - 10:53h O pais é mais complexo

As vezes os correspondentes estrangeiros, mesmo vivendo no país, escrevem seus artigos ignorando alguns fatos. Por exemplo, no artigo do El País reproduzido embaixo o jornalista escreve que Dilma defendeu posições contrárias as do seu partido (PT) sobre aborto e homossexualismo. A informação é erronea. A defesa da descriminalização do aborto pelo PT foi aprovada com quase 80% dos votos no recente congresso partidário. A defesa da União Cívil em relação aos casais homossexuais constitui uma proposta de lei bem antiga da Ministra de Turismo, Marta Suplicy, faz anos defendida pelo PT.

Isto não invalida o resto do artigo, mesmo se a questão de Lula fazer o seu sucessor, apresentado pelo jornalista de maneira simplória, é bem mais complicado do que parece. Mas neste quesito o correspondente do El País tal vez não esteja só numa visão ufanista.

A luta vai ser dura e o primeiro round será nas eleições municipais de 2008.

Luis Favre

01/10/2007 - 13:14h Ibope mostra Fogaça à frente em Porto Alegre

Zero Hora

A primeira pesquisa Ibope para a eleição de Porto Alegre em 2008 mostra o prefeito e candidato à reeleição José Fogaça (PMDB) à frente dos adversários.

O peemedebista aparece em primeiro lugar nas intenções de voto nos sete cenários da pesquisa estimulada de primeiro turno nos quais seu nome é apresentado aos entrevistados — foram feitas nove simulações desse tipo.

O índice mais alto do prefeito é obtido no cenário em que enfrenta Luciana Genro (PSOL), Onyx Lorenzoni (DEM) e Miguel Rossetto (PT). Nessa situação, Fogaça obtém quase um terço das preferências — 29%. Nos demais cenários, seus índices variam de 22% a 28%.

Em segundo lugar, tecnicamente empatadas, estão as deputadas Maria do Rosário (PT), Manuela D’Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL). Maria do Rosário e Manuela aparecem como favoritas nos dois únicos cenários de primeiro turno em que Fogaça não está entre os candidatos.

Entre todos os adversários, Maria do Rosário (PT) é a que mais se aproxima de Fogaça no primeiro turno. Nos quatro cenários em que os dois se enfrentam, a petista fica de seis a 10 pontos percentuais atrás do prefeito. Maria do Rosário também leva pequena vantagem — de um ponto percentual — sobre Manuela na simulação em que as duas se enfrentam, sem o nome do prefeito entre os candidatos.

O Ibope ouviu 602 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 22 e 26 de setembro. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

01/10/2007 - 11:13h Melhor agir agora, que lamentar depois

Tenho insistido neste blog (ver Reflexões pessoais sobre o pleito municipal de 2008) sobre o erro de precipitar discussões na base aliada do Lula sobre 2010 e ignorar a importância de unificar os palanques municipais. O próprio Lula tinha encomendado ao presidente do PMDB, Michel Temer, a organização de convergências entre os 11 partidos que configuram a coligação governamental.

Hoje aparece claro que o chamado Bloco de esquerda, e até o próprio Michel Temer do PMDB, procuram isolar o PT preocupados mais em impor seus candidatos para 2010, que em conseguir vitórias eleitorais significativas em 2008.

Esta movimentação divisionista, multiplicando candidaturas, muitas delas inviáveis eleitoralmente,em caso de persistir, terá como conseqüência um resultado eleitoral fraco em 2008. O pior é que o próprio planalto parece incentivar a discussão de nomes para 2010, se despreocupando de pesar no pleito municipal.

A ressaca vai deixar com dor de cabeça a mais de um.

Luis Favre

iceberg

ice

Partidos da coalizão de Lula estarão rachados em 2008

Base aliada contraria pedido do presidente para repetir aliança em disputas municipais

Mesmo os tradicionais parceiros deverão ocupar palanques opostos e lançar candidaturas próprias nas grandes cidades do país

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar dos apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reprodução da aliança nacional na disputa municipal, a ampla base de sustentação do governo periga ruir nas eleições do ano que vem. Dispostos a ganhar musculatura para as eleições de 2010 -a primeira sem Lula desde 1989-, os partidos aliados investem no lançamento de candidaturas próprias nas grandes cidades.
Até os tradicionais parceiros do PT duvidam das chances de a composição se repetir em todo o país. Na maior parte das cidades, PT e aliados deverão ocupar palanques opostos.
Prova disso está no chamado bloquinho de esquerda, que tem o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) como potencial candidato à Presidência. Integrantes do bloco, PC do B, PSB e PDT adotaram como norma para 2008 o lançamento de candidatos nas cidades com mais de cem mil habitantes (200 mil, no caso do PDT).
Onde não for possível, vão costurar alianças dentro do próprio bloco. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)

24/09/2007 - 13:30h Para Bush, republicanos já têm quem enfrentar: Hillary Clinton

O Globo Online

RIO – Pela primeira vez, o presidente dos EUA, George W. Bush, previu que a senadora Hillary Clinton derrotará o também senador Barack Obama na luta pela indicação do Partido Democrata para a eleição presidencial do próximo ano.

A previsão está no livro “Evangelical President”, de Bill Sammon, que será lançado nesta segunda-feira. De acordo com a obra, Bush afirma que Hillary “tem presença nacional e habilidade para arrecadar dinheiro suficiente para sustentar um esforço em várias frentes”.

Entretanto, Bush manifestou otimismo:

“Acredito que o nosso candidato possa derrotá-la, mas será uma disputa dura(…) Eu realmente acredito que os republicanos vão manter a Casa Branca”.

De acordo com as últimas pesquisas, os favoritos para representar os republicanos no pleito de 2008 são o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, o ex-senador e ator Fred Thompson, o senador John McCain e ex-governador de Massachusetts Mitt Romney.

22/09/2007 - 20:26h Chinaglia admite ter interesse em disputar prefeitura de SP

Se a Marta não se candidatar, terei o maior prazer em ser prefeito da cidade’ , diz o presidente da Câmara

SÃO PAULO – O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), admitiu,em entrevista neste sábado, 22, interesse em disputar a Prefeitura de São Paulo, caso a ministra do Turismo e ex-prefeita da cidade, Marta Suplicy, não se candidate.

“Eu acho que se a pessoa se sentir com compromisso com a cidade (SP) e se sentir capaz, dá vontade. É um desafio tremendo ser prefeito de São Paulo. Se a Marta não for candidata- que é o nome mais forte para SP-, serei uma alternativa e terei imenso prazer em ser prefeito”, disse o presidente da Câmara à rádio Eldorado.

Ainda sobre candidaturas, Chinaglia diz que se o PT não tiver candidato em 2010 para as eleições presidenciais em em 2010 seria um “erro”.

“No 3º Congresso Nacional do PT ( realizado no mês passado), eu fui o primeiro a falar e defendi a candidatura. Seria um erro um partido do tamanho do PT sem candidato próprio em 2010″.

Chinaglia comentou também a discussão sobre a prorrogação da CPMF, aprovada em primeiro turno na Câmara e que causa polêmica no Congresso Nacional. Para ele, é possível, sim , governar sem o tributo, ao contrário da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Quando Lula diz que não dá pra governar sem os R$39 bilhões (arrecadação), é claro que dá, desde que consideremos que esse dinheiro vá fazer falta em alguma área. Lula faz avaliação que para se manter os programas atuais, não daria pra governar (sem o tributo).

Chinaglia disse ainda que a defende redução da alíquota, mas não a extinção da CPMF.

Caso Renan

Sobre o escândalo envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Chinaglia disse que “cada um é responsável pelo que faz” e que prefere acreditar que nunca viveria uma situação dessas, de ser pressionado a se afastar do cargo até que as investigações sejam concluídas.

“É claro que quando o presidente do Senado é atingido, acaba atingindo o Congresso inteiro. Isso é extremamente grave, não quero avaliar como é que eu ficaria, prefiro acreditar que não entraria nessa situação nunca (polêmica do afastamento)”. Leia mais aqui