12/05/2011 - 09:27h País criou 2,8 milhões de empregos em 2010

Com o resultado do ano passado, o Brasil atingiu a marca inédita de 44 milhões de empregos com carteira assinada

Célia Froufe / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O Brasil atingiu no fim do ano passado a marca inédita de 44,068 milhões de trabalhadores formais em atuação. Apenas em 2010, foram criados 2,86 milhões de novos postos de emprego com vínculo já descontadas as demissões, também um recorde para o País. Apesar de suntuoso, o volume não chegou aos 3 milhões de novos postos que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, previu no início do ano para o resultado de 2010.

Na ocasião, dados preliminares registravam a inclusão de 2,52 milhões de trabalhadores com carteira assinada em 2010 e a perspectiva era de que o número crescesse com a inclusão dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que inclui também estatutários e conta com números mais atualizados. Essa mudança ocorre porque muitas empresas demoram a informar ao governo a movimentação de seus funcionários.

Ontem, Lupi negou que tivesse feito a projeção para 2010, já que, por conta da eleição, há proibição de concurso público, contribuindo para um saldo menor de empregos. Ele reafirmou, porém, que espera o ingresso de mais 3 milhões de trabalhadores no mercado em 2011.

Mesmo assim, a estimativa do ministro do Trabalho difere da do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que prevê números menos robustos para o mercado em 2011 em função da expectativa de desaceleração econômica. “Vamos aguardar o fim do ano”, disse Lupi.

O ministro prevê nova expansão robusta do emprego em abril depois que as contratações superaram as demissões em apenas 92,6 mil em março. Lupi previu um saldo líquido perto do recorde para o mês visto em 2010, de 346 mil postos.

07/01/2011 - 11:00h Por que José Serra perdeu a eleição?

Em contraste com sua imagem autoritária, que não admitia divergência, o candidato do PSDB à Presidência deu, aparentemente, espaço até demais para quem estava à sua direita em sua campanha.


Renato Janine Ribeiro | Para o Valor, de São Paulo

Críticas duras, ainda que discretas, têm sido dirigidas a José Serra depois do resultado das eleições. É bom que o PSDB esteja discutindo seu futuro, e que bons artigos de seus pensadores saiam na imprensa. Gostaria, porém, mesmo não tendo votado em Serra, de defendê-lo de algumas das críticas a ele dirigidas, sobretudo por sua família política.

Acreditei, e escrevi neste mesmo espaço, que Serra começava a campanha, no segundo trimestre de 2010, com uma estratégia inteligente. Durante anos, a oposição à direita do Partido dos Trabalhadores (e gostaria que, no Brasil, entendêssemos a palavra “direita” sem sentido pejorativo: não é mais a direita ditatorial) cerrou fileiras em torno do governador de São Paulo, como seu candidato ideal para tirar da Presidência o PT. Ora, isso parecia deixar Serra em condições muito boas. Ele não precisava agradar a quem estava à sua direita. Eram votos garantidos.

A direita não joga votos fora, não anula sufrágios por princípio: votaria nele de qualquer forma. Com esse estoque assegurado, ele podia partir para a disputa dos votos decisivos, que vou chamar de “centro”. E isso, a meu ver, explicava até a grosseria com que tratou Miriam Leitão, numa entrevista na rádio: ele não precisava prometer a autonomia do Banco Central, porque “a direita”, que queria essa autonomia, iria votar nele de qualquer jeito. Serra não concordava com esse poder tão forte da diretoria do Banco Central, mas o importante é que ele poderia ir para o lugar que, historicamente, sempre foi o dele – o desenvolvimentismo, não o monetarismo que Fernando Henrique apoiou na pessoa de Pedro Malan.

Serra estava, assim, bastante livre para ser quem ele é. Certa vez, Duda Mendonça comentou que seu papel, como marqueteiro na campanha vitoriosa de Lula em 2002, não tinha sido o de inventar um novo Lula, com terno Armani, mas apenas o de mostrar Lula “como ele é”: uma pessoa bem-humorada, de bem com a vida, não o barbudo raivoso das três derrotas sucessivas. Acredito que alguém ganha melhor as eleições quando é quem é, para usar a expressão de Duda Mendonça. Serra, claro, não é igual a Lula; não faria sentido ele agir como o agora ex-presidente; mas poderia, deveria, ser quem ele, Serra, é.

Daí que um primeiro ponto, corretamente analisado por Serra, fosse que deveria ser o candidato pós-Lula e não anti-Lula. Pode ter soado até ridículo o jingle que, em agosto, depois do “Silva” propunha o “Zé”, mas a ideia matriz deveria ser melhorar, corrigir, aprimorar o que Lula introduziu na política brasileira. O problema é que, se eu estiver certo, quem apoiava Serra não endossava aquela que eu imagino ter sido a análise dele. Voltaremos a isso.

Outra comparação com Lula se impõe. Até a última eleição, ele foi o único nome que o PT tinha para a Presidência. Isso significou que, pelo menos em 1994 e 1998, a esquerda petista lançava seu nome – e depois lhe atava as mãos, aprovando um programa partidário que o deixava longe da maioria dos votos.

No fim da década de 1990, participei de um caso interessante. Eu pensava no fato de que, no Brasil da época, o PSDB se aliara à direita no âmbito federal, o da moeda e da economia, mas nas eleições estaduais, sobretudo quando havia segundo turno, a antiga aliança contra a ditadura levava PSDB e PT tenderem a caminhar juntos. Em São Paulo, das duas vezes que FHC se elegeu tranquilamente presidente da República, ganhando as eleições já no primeiro turno (em 1994 e 1998), Mario Covas precisou disputar o segundo turno contra a direita – que apoiara FHC – e teve o apoio declarado do PT para vencer.

Refletindo sobre isso, e tendo um amigo que depois seria ministro de Lula, propus que fizéssemos um seminário sobre alianças, examinando em especial como a Alemanha lida com alianças federais diferentes das estaduais. Encontrei o próprio Lula duas ou três vezes enquanto discutíamos esse seminário (que acabou não ocorrendo) e notei que a questão dele não era essa – e sim a das alianças, ponto. Alianças eram o ponto essencial para Lula.

Daí que, em 2002, ele tenha decidido que não ia mais dar sua “trademark” para a esquerda marcar posição e perder a eleição. Condicionou sua candidatura a uma carta branca para fazer alianças, abrir o programa partidário e controlar o marketing político. Lula bem sabia que o PT, ou a “esquerda do PT”, não tinha alternativa a ele. Assinou a “Carta aos Brasileiros”, prometeu segurar a moeda, chamou Duda Mendonça e depois de eleito convidou um deputado tucano para assumir o Banco Central. Sem isso, nunca teria vencido.

Por que Serra não agiu de maneira análoga? Em seu caso “a direita” era como a esquerda do PT para Lula: não tinha alternativa a ele. No entanto, Serra agiu como o Lula que perdia eleições, não como o Lula que as ganhou. Cedeu a seus “supporters” mais do que precisava. A escolha do vice foi típica. Demorou demais; afinal, escolheu um; pressionado, mudou para outro. E se ele não tivesse cedido? O que faria quem o apoiava? Largaria dele?

Quanto aos programas sociais, aqui está o maior problema. Serra defenderia o aumento do salário mínimo em todo o país para R$ 600, a expansão radical do Bolsa Família em valor e em beneficiários, ou essas promessas de fim de campanha foram apenas um jogo eleitoral desesperado? Mais uma vez, os serristas eram críticos acerbos de programas como o Bolsa Família. Mas nem por isso ele parece ter perdido os seus votos, ao defender medidas que seguramente muitos deles achariam demagógicas.

Ou seja, a estratégia de ir para o centro ou mesmo para a esquerda teria sido viável. Serra não perderia votos. Por que, então, não seguiu esse caminho de maneira sistemática? Aparentemente, contrastando com sua imagem de pessoa autoritária, que não admitia divergência, ele deu espaço até demais, em sua campanha, para quem estava à sua direita. Ao contrário do Lula vitorioso, que enquadrou os dissidentes, Serra não demonstrou firmeza. Mais de uma vez poderia ter enquadrado Índio da Costa, Roberto Jeferson ou outros que soltaram demais a língua. Não o fez. Por que, não sei.

O mais delicado é o que diz respeito à relação de Serra com o governo FHC. Ele foi muito criticado, entre os seus, por não elogiar o anterior governo tucano. Mas acho que tinha razão. FHC fez um governo com começo (antecipado: data da adoção do Plano Real), meio e fim (antecipado, também: no segundo semestre de 2002 já mal executava o orçamento). O que FHC tinha de fazer completou. Não poderia fazer mais. Hoje seria muito difícil privatizar os Correios, o Banco do Brasil, a Petrobras. O que foi privatizado assim ficou. A nova moeda continua. Mas, com todo o respeito que merece um de nossos maiores presidentes, isso é história.

Já o que Lula iniciou ainda não se completou. Nossa dívida social é tão grande que vai demorar para ser quitada. O curioso é que provavelmente Serra pensa assim, isto é, ele estaria mais próximo de dar continuidade a Lula – com inúmeras mudanças – do que a FHC. Aqui também, Serra acabou, nem que seja por um silêncio educado, tolerando críticas de quem achava que ele se sairia melhor caso defendesse o legado de FHC, do qual ele não era entusiasta.

Não quero dizer que, sendo desenvolvimentista e apostando na justiça social mais que no monetarismo ou nas privatizações, Serra ganhasse as eleições. Elas não foram fáceis para ninguém. Mesmo com 90% de aprovação, fazer sua sucessora não foi um passeio para Lula. Mas Serra parecia, no limite, estar mais perto de Lula do que de FHC. Isso, para um candidato de oposição, pode ser fatal. Mesmo assim, creio que ele poderia ter-se saído melhor, “ganhar mesmo perdendo”, para usar a expressão de Marina Silva.

Como? Serra poderia ter dado maior importância a suas convicções históricas. Poderia ter insistido no desenvolvimento. Poderia ter cobrado mais o governo Lula pela eficiência no cumprimento de suas metas. Poderia dizer que, em tempos de bonança, Lula abrira demasiados flancos, mas não cuidara de resguardá-los. Poderia questionar o número de universidades e programas federais novos, para ver se efetivamente trarão ganhos que compensem os custos envolvidos. O problema é que quase todas essas críticas incidiriam sobre programas populares, que angariam votos.

Mesmo assim, como ao fim e ao cabo Serra perdeu, talvez conviesse dizer que dificilmente alguém de sua família política, incluindo Aécio, venceria em tais condições; que ele ganharia mais, caso tivesse sido mais duro com seus supostos “supporters” e mais tolerante com os repórteres que lhe fizeram perguntas difíceis; e que Serra provavelmente tinha mais razão, naquela que imagino fosse sua estratégia de campanha, do que seus companheiros de campanha.

Renato Janine Ribeiro, é professor titular de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP)

13/12/2010 - 09:38h WikiLeaks confirma que oposição agia para defender o interesse das petroleiras norte-americanas

As informações reveladas pelo WikiLeaks, e publicadas na Folha de hoje (Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal. Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse) não são uma surpresa para os leitores deste blog e já foram objeto de artigos e matérias nos jornais. Aos que acompanharam de perto o debate eleitoral, particularmente no segundo turno, a revelação é só uma confirmação. Basta reler as matérias a seguir para ter toda a dimensão da posição dos tucanos em relação aos interesses das grandes petroleiras estrangeiras. LF

18/09/2009 – 13:10h Oposição “clona” emenda de petrolíferas. Teor das propostas coincide com posição de grandes petrolíferas

Três deputados apresentam propostas idênticas contra monopólio da Petrobras na extração de poços novos no pré-salTeor das propostas coincide com posição de grandes petrolíferas; deputados admitem que seguiram orientação do setor

RANIER BRAGON – FERNANDA ODILLA – VALDO CRUZ DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA SP

Três deputados federais de oposição apresentaram separadamente emendas aos projetos do pré-sal que, além de coincidirem com os interesses das grandes empresas do setor petrolífero, têm redação idêntica.
José Carlos Aleluia (DEM-BA), Eduardo Gomes (PSDB-TO) e Eduardo Sciarra (DEM-PR) sugeriram em suas emendas diversas modificações às propostas do governo, entre elas uma das bandeiras das gigantes do petróleo: a de que a Petrobras não seja a operadora exclusiva dos campos.
“A previsão legal de um monopólio ou reserva de mercado para a Petrobras não se justifica em hipótese alguma”, diz trecho nas emendas dos três.
O IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo), que reúne as principais empresas do setor, confirmou que procurou em Brasília lideranças de oito partidos, entre quarta e ontem, mas negou a autoria das emendas “clonadas”, embora o teor coincida com o que o setor defende.
“Trabalhamos durante todos esses dias. Começamos a nos movimentar no Congresso, e de maneira institucional, porque o IBP é apartidário. Queremos tornar públicas nossas emendas para todos os partidos. Tinham partidos dispostos a acatá-las integralmente, outros estavam analisando”, disse o presidente do IBP, João Carlos França de Luca, da espanhola Repsol, uma das multinacionais do petróleo.
Termina hoje o prazo para apresentação de emendas. Até ontem, 738 emendas já haviam sido apresentadas.
Eduardo Gomes admitiu que a emenda foi entregue a ele pelo setor. “Tenho contato com todas as associações, todas, o IBP, Sindicom [distribuidoras de combustível e lubrificantes], não tenho nenhum constrangimento em relação a esse tipo de auxílio”, afirmou, acrescentando que os textos idênticos podem ter sido fruto de um “assessor preguiçoso”. “Não tenho doação de campanha dessas empresas. Sempre tive doação no setor elétrico, voltado à área de regulação, de fortalecimento das agências reguladoras, defendendo investimento em parceria com o mercado. As emendas estão coerentes com a minha atuação”.
Sciarra também diz que acatou as sugestões dos consultores do setor petrolífero. “Eu e o Aleluia fizemos o debate e pedimos para a assessoria do DEM formular as propostas. No caso do Eduardo Gomes, não sei o que aconteceu.”
Aleluia afirmou que redigiu suas emendas com auxílio da assessoria do DEM e de consultores externos. “Não conversei com empresas, contei com a ajuda de consultores independentes”, afirmou ele.
Segundo a Folha apurou, as emendas clonadas eram parte de versões preliminares preparadas por petrolíferas e repassadas aos deputados por consultores e representantes de empresas. As emendas entregues oficialmente aos parlamentares pelo IBP têm redação diferente, mas teor idêntico nas propostas de mudanças.
Além dos três deputados, outras emendas que coincidem com os interesses das grandes empresas foram apresentadas por outros parlamentares, como Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM, e Arnaldo Jardim (PPS-SP), que presidirá uma das comissões dos projetos de um novo marco regulatório para o setor petrolífero enviados pelo governo ao Congresso.
Caiado disse que todas as suas emendas foram redigidas por sua assessoria, embora tenha dito que debateu o assunto com os setores afins. Jardim afirmou não ter tido tempo de analisar as emendas do IBP e que seguiu suas convicções.
“Acho legítimo que qualquer pessoa interessada nos procure para sugerir melhorias”, disse Caiado. Ele apresentou emenda para permitir que a Petrobras ceda a operação de alguns campos para outras empresas petrolíferas, ideia que agrada também à própria estatal.
Além do fim do monopólio da Petrobras na operação dos novos campos, o setor privado defende, entre outros pontos, a redução do poder da Petro-Sal (a estatal que gerenciaria o novo modelo) nos comitês de exploração e o fim da exigência de que a Petrobras tenha no mínimo 30% de participação em todos os novos campos.

19/09/2009 – 09:30h Pré-sal: DEM e PSDB defendem propostas do lobby das empresas petrolíferas

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/08/plataforma-petrol.jpg

Novo texto da proposta do Fundo Social deixará mais fácil para o governo vetar alterações de deputados. Emenda facilita controle de fundo do pré-sal

FERNANDA ODILLA, RANIER BRAGON E VALDO CRUZ – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo iniciou a estratégia para evitar a pulverização do Fundo Social, a ser abastecido com dinheiro do pré-sal. Emenda do líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), altera o texto do Executivo para facilitar eventual veto do presidente Lula às várias áreas que os deputados tentam incluir como beneficiárias.
O governo quer destinar os recursos para educação, combate à pobreza, cultura, ambiente e ciência e tecnologia.
Até as 18h de ontem, o projeto tinha 293 emendas de deputados que pretendiam direcionar os recursos também para saúde, segurança, reajuste das aposentadorias e demarcação de terras para quilombolas.
A emenda de Vaccarezza limita a destinação do dinheiro para o desenvolvimento econômico e social e dá espaço separado para definir áreas específicas, em artigos distintos. Caso o Congresso amplie demais os beneficiários, bastaria a Lula vetar os artigos incluídos.
A sugestão de Vaccarezza é 1 das 814 emendas aos quatro projetos do pré-sal apresentadas até ontem, quando venceu o prazo para os deputados sugerirem alterações.
Vaccarezza disse que apresentou a proposta sem conversar com o governo, mas admite que o novo texto foi pensado para facilitar a aprovação na comissão especial e permitir vetos a itens específicos.
Ontem, a Folha revelou que os deputados José Carlos Aleluia (DEM-BA), Eduardo Sciarra (DEM-PR) e Eduardo Gomes (PSDB-TO) apresentaram separadamente emendas com textos idênticos.
Ontem surgiram novas emendas “clonadas”, também em consonância com o lobby empresarial, assinadas pelos deputados José Aníbal (PSDB-SP) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) -leia texto nesta página.
Entre outros pontos, as petrolíferas privadas defendem mudanças no papel da Petrobras na operação dos novos campos, além de reduzir o poder da nova estatal Petro-Sal.

http://www.jatainews.com/images/petroleo-estadao.jpg

Projetos “clonados” levam líder tucano a retirar dez propostas

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A apresentação de emendas “clonadas” aos projetos do pré-sal levou ontem o líder da bancada do PSDB, José Aníbal (SP), a retirar 10 das 12 propostas de alteração que havia protocolado. Emendas assinadas pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) tinham redação idêntica às de Aníbal.
O líder tucano disse que foi procurado na quarta-feira por representantes do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo), que reúne as gigantes do setor, e que os orientou a conversar com sua assessoria técnica.
“Depois da reunião, meu pessoal disse: “Olha, fizemos mudanças, há emendas boas ali, favorecem a discussão; sugerimos que o senhor as assine no sentido de estimular a discussão’”, disse Anibal, acrescentando ter destacado cinco assessores para analisar as emendas na quarta e na quinta-feira.
“Depois de sua informação [sobre os textos idênticos], fui checar. Eles [IBP] me disseram que levaram depois essas dez emendas para a liderança do DEM, que pôs o deputado Onyx para assiná-las”, disse Aníbal. “Estou totalmente em desacordo com o comportamento deles, não no mérito, mas mandei retirar as dez emendas.”
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) confirmou que recebeu as emendas do líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO). “Boa parte das emendas que a gente assina é preparada por nossa assessoria técnica. Mas a gente sempre toma conhecimento do texto”, afirmou, ponderando que ele acredita nas propostas apresentadas.
Em nota anteontem, o IBP afirmou que sua atuação foi isenta. Ontem, não comentou as declarações de Aníbal.

(RANIER BRAGON e FERNANDA ODILLA)

01/12/2010 - 15:05h PT volta a crescer na capital paulista e reforça expectativa de eleição em 2012


Presidente do Diretório Municipal do PT, Antônio Donato analisa resultado das eleições de 2010 em São Paulo e afirma que o partido volta a ter condições de disputar a hegemonia na cidade

Por Leandro Rodrigues – PT – SP

Com o resultado das eleições de 2010, o PT volta a ter condições de disputar a hegemonia na cidade São Paulo, segundo avalia o presidente do Diretório Municipal do partido, vereador Antônio Donato. Em entrevista ao portal, Donato explica que o partido seguia em curva decrescente de votação na capital desde 2004, mas que o processo foi revertido neste ano com a ampliação do eleitorado e os 46,4% (2.961.897) de votos paulistanos em Dilma Rousseff. “Existe a perspectiva real do PT se colocar na disputa de 2012 retomando um diálogo com os setores médios”, afirma.

“Em 2002, foi a única vez que vencemos os tucanos num confronto direto na capital. Lula teve 51% dos votos, contra 49% de Serra. O cenário era favorável, estávamos na prefeitura [com Marta Suplicy] e foi a primeira vitória de Lula como presidente”, conta Donato, que em seguida fala da queda do PT nos pleitos consecutivos: “Em 2004, Serra teve 55% e Marta 45%; em 2006, foi 54,5% para Alckmin e 45,5% para Lula; 2009 tivemos 60,5% para o Kassab e 39,5% para Marta. Ou seja, a gente veio de 51% e fomos para esses 39,5%. Mas revertemos esse quadro neste ano, saímos dessa curva decrescente e voltamos aos 46,5%”.

Donato explica que o reflexo do Governo Lula fez com que o eleitorado do PT aumentasse entre a população mais carente da cidade e, em contrapartida, encontrasse mais resistência nas regiões mais abastadas. “Isso é apenas uma questão ideológica. Historicamente, um partido de esquerda vai sempre ter essa resistência num determinado setor da sociedade. Eles, que enxergam o PT como o partido que de alguma forma enfrenta seus interesses, são minoritários, porém, bem articulados e podem irradiar sua ideologia por toda a cidade”, alerta o petista.

Mas o vereador também ressalta que o êxito de Lula foi fundamental para a reaproximação entre o PT e os setores médios da capital. “O Governo Lula permite que esses setores voltem a ter uma disposição de conversar e de votar na gente, mas é evidente que teremos que aprofundar isso do ponto de vista político. Para 2012, é necessária a construção de um programa que dialogue efetivamente com os setores médios, valorizando questões como transito, segurança e carga tributária”, disse Donato.

Dilma venceu Lula

Durante a conversa com a reportagem do PT-SP, que ocorreu nesta terça-feira (30) em seu gabinete, Antônio Donato observa que Dilma obteve mais votos do que Lula em várias regiões. “Por exemplo, em 2002, a maior votação de Lula em São Paulo foi em São Mateus, com 67%. Já em 2010, o melhor resultado de Dilma foi em Parelheiros, com mais de 75%”.

O dirigente credita esse fenômeno à mudança de critério na reflexão para a escolha, que antes era pautada na personalidade política de Lula e agora passa a ser a personificação do projeto e o modo de governar petista. “Nesta eleição, o voto em São Paulo foi de adesão política a um projeto muito claro. Então, quando você tem um setor que vota na Dilma, ele está aderindo ao projeto de governo iniciado pelo presidente Lula. É a aprovação do governo dele”, conclui.

07/11/2010 - 10:11h Entre mais pobres, Dilma teve 26 pontos de folga

Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Na votação do último domingo, a petista Dilma Rousseff teve 26 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra no eleitorado mais pobre, com renda de até um salário mínimo.
Dilma também venceu por larga margem entre os eleitores católicos, mas praticamente empatou com o adversário entre os evangélicos.
Esses e outros detalhes do capítulo final da história da campanha presidencial de 2010 só podem ser conhecidos porque o Ibope, além de sua tradicional pesquisa de boca de urna, realizou no dia da votação uma segunda sondagem domiciliar, com 3.010 eleitores, perguntando não apenas seu voto, mas também, sua renda, religião, escolaridade e cor.

Os números mostram que houve empate – ou vantagem mínima para um dos lados – nos segmentos de mais alta renda e escolaridade.
A diferença pró-Dilma se deve ao comportamento dos mais pobres. Na faixa de renda familiar que vai até dois salários mínimos, a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve quase 10 milhões de votos a mais que Serra – mais de 80% da vantagem total que abriu sobre o tucano, de aproximadamente 12 milhões de votos.

Gênero. Dilma venceu entre mulheres e homens, mas com margem maior entre eles do que entre elas. No segmento masculino, a petista teve cerca de 8,6 milhões de votos a mais que o adversário, segundo projeção feita a partir de dados do Ibope. Já as eleitoras deram 3,4 milhões de votos de vantagem à primeira mulher eleita para governar o Brasil.

Em um segundo turno marcado por discussões de fundo religioso, eleitores de diferentes orientações mostraram comportamentos distintos nas urnas.

Os católicos preferiram Dilma por um placar de 58% a 42%. Já entre os evangélicos a pesquisa apontou um resultado de 52% para a petista e 48% para o tucano – como os números estão no limite da margem de erro, não é possível saber quem ganhou, apenas que o vencedor teve margem bastante apertada.

A segmentação do eleitorado por cor indica um placar muito próximo entre os eleitores que se denominam brancos: 52% para Dilma e 48% para Serra. Entre negros, a petista venceu por 30 pontos de vantagem (65% a 35%), e entre pardos, por 20 (60% a 40%).

03/11/2010 - 17:05h A Cor do mapa

Marcos Coimbra – Correio Braziliense

*sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Enquanto proliferam explicações e opiniões a respeito da vitória de Dilma, é preciso estar atentos aos fatos. Sem eles, ficam somente as impressões e as versões.

Algumas sequer nascem da interpretação de alguém, com a qual se pode concordar ou discordar. São as mais perigosas, pois não estão claramente marcadas com um sinal de autoria. Por não tê-lo, terminam parecendo verdades naturais, como se fossem apenas “dados de realidade”.

Tome-se o modo como a mídia costuma apresentar os resultados da eleição, sempre através de mapas. Todos os veículos os usam, colorindo os estados onde Dilma ganhou de uma cor e aqueles onde Serra se saiu melhor de outra. Não por acaso, pintam os primeiros de vermelho e os outros de azul.

Vistos sem maior reflexão, esses mapas mostram um retrato enganoso da eleição. Pior, podem induzir a uma impressão equivocada e a versões incorretas sobre a eleição que acabamos de fazer.

O que vemos é um Brasil dividido quase ao meio, ao longo de uma linha que começa no Acre, passa pela divisa norte de Rondônia, Mato Grosso e Goiás, e vai até o Atlântico, na altura do Espírito Santo. Abaixo dela, tudo fica azul, salvo o Rio de Janeiro, Minas Gerais e o pequeno Distrito Federal.

O Brasil vermelho inclui o restante do Norte (interrompido pelo azul de Roraima) e o conjunto do Nordeste. Esse seria o Brasil da Dilma, enquanto o outro, o de Serra.

É fato que Serra venceu no conjunto nos estados do Sul e em quase todos do Centro-Oeste, assim como em São Paulo e no Espírito Santo. Mas isso está longe de querer dizer muito sobre o significado da eleição.

Certamente, nada tem a ver com uma tese muito cara a alguns analistas, segundo a qual Dilma deveria sua vitória ao “Brasil atrasado” e ao eleitor miserável. Como esses mapas revelariam, o Brasil azul, o mais rico e moderno, preferia Serra. Foi o pobre e arcaico, o vermelho, que impediu que ele se tornasse presidente.

Essa visualização da eleição corrobora, assim, uma visão dualista e preconceituosa, muito frequente na mídia e em parte da opinião pública. Nela, a derrota do azul pelo vermelho viria da mistura de paternalismo e demagogia promovida por Lula e sustentada pelo Bolsa Família. Os mapas coloridos seriam a evidência de que sua estratégia foi bem sucedida, apesar de imoral.

Quem considera os números da eleição vê outra realidade. Dilma não venceu “por causa” do Nordeste e do Norte. Ela venceu porque venceu nos “dois Brasis”.

O modo mais imediato de mostrar isso é comparar o voto que ela obteria se fossemos (como alguns até desejam) dois países: o Brasil sem o Nordeste e o Norte, e o Brasil por inteiro. Nessa hipótese, como seriam os resultados?

Ao contrário do que certas pessoas imaginam, Dilma teria sido igualmente eleita se o Nordeste e o Norte não votassem. Ela não “precisou” do Brasil mais pobre para vencer.

Somando os votos do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, Dilma derrotou Serra. Ou seja: o predomínio da cor azul nessas regiões é verdadeiro, mas encobre uma realidade mais importante. Serra foi bem votado nesse conjunto de estados, mas perderia assim mesmo.

É com interpretações e versões que se conta a história de uma eleição. E é necessário evitar que prevaleça, a respeito das eleições presidenciais de 2010, uma versão que reduz seu significado e que não é verdadeira.

Dilma se elegeu com o voto de pessoas de todos os tipos, desde os eleitores mais humildes do interior e das cidades pequenas, até os setores mais educados e modernos de nossa sociedade, que vivem em metrópoles ricas e avançadas. Seu desempenho, segmento por segmento do eleitorado, não foi homogêneo (como não foi o de Serra), pois em uns ela se saiu melhor que em outros. Mas isso não invalida que sua candidatura tenha sido amplamente apoiada nos estratos de educação e renda elevados, como mostravam as pesquisas.

Mapas coloridos podem ser bonitos, mas, às vezes, mais atrapalham que ajudam.

03/11/2010 - 16:06h São Paulo não é tão azul assim

A votação na cidade de São Paulo, no segundo turno, expressa muito bem o significado da eleição para o necessário balanço eleitoral que a oposição estará obrigada a realizar sob pena de continuar declinando.

Em 2006, enfrentando Lula, o candidato tucano Geraldo Alckmin obteve na cidade de São Paulo 3.485.245 votos. Esse total representou 54,42% dos votos. Foram 566.249 votos a mais que o resultado obtido por Lula, que com 45,57%, recolheu 2.918.996 votos.

Em 2010, enfrentando Dilma, o candidato do PSDB, José Serra, atingiu 3.427.671 votos. Ou seja um pouco menos que Alckmin em 2006. Seu percentual ficou em 53,64%, enquanto Dilma foi para 46,36% com 2.961.897 (uma diferencia de 465.774 votos).

A comparação dos resultados mostra uma relativa estabilidade nas escolhas dos eleitores em São Paulo, com pequena melhora para a candidata do PT em relação ao PSDB.

Esse mesmo resultado do PSDB para presidente em 2010, foi o que obteve na cidade de São Paulo o próprio Serra em 2006, quando foi eleito governador (53,08%).

Podemos concluir que, independentemente do nome que representa o PSDB ou o PT, na cidade de São Paulo, a “dominação” do PSDB se sustenta em apenas um pouco mais de 3% dos eleitores. O eleitorado da cidade está dividido e não se sustenta o mito que considera a cidade de São Paulo como esmagadoramente favorável ao tucanato ou rejeitando o PT. Mesmo que esses elementos estejam presentes nos resultados obtidos, dando ao PSDB a vitória.

Já em Minas, Aécio permitiu um crescimento do voto tucano o que não é só mérito próprio, pois as divisões no PT contribuíram. Mas, diferentemente de São Paulo, o voto tucano aumentou 6% no Estado e de quase 26% na capital, Belo Horizonte. Mesmo perdendo para o voto Dilma, amplamente majoritário no Estado, não é pouca coisa para o cacife de Aécio ter obtido uma vitória para o PSDB na capital mineira.

Em termos gerais, a única real diferencia nesta eleição, em relação a 2006, foi o resultado do tucano no primeiro turno. Pois em 2006, Alckmin obteve no primeiro e no segundo turno resultados semelhantes (53,87% no 1º turno e 54,42% no 2º turno). Já Serra teve no primeiro turno de 2010, 40,33%. Ou seja, uma parte significativa do eleitorado tucano mostrou um incipiente afastamento das propostas e da campanha de Serra, votando em Marina Silva.

É esse balanço que Serra procura esconder, procurando bode expiatório em Minas Gerais (como disse José Roberto de Toledo, A resposta tem a ver com o futuro e não com o passado). A sua campanha levou a um recuo generalizado do voto PSDB no primeiro turno em todo o país, incluso nos lugares, como São Paulo, onde o PSDB é majoritário desde 2004. Recuperou no segundo turno o voto tucano com pouco crescimento em relação a Alckmin em 2006 e até com uma certa perda em São Paulo.

Só que segundo ele mesmo, Lula tinha enfrentado um candidato tucano fraco e ele derrotaria um “poste”.

O PSDB escolheu Serra e deu no que deu. Mas a questão vai bem além do candidato e concerne o conteúdo mesmo da política da oposição.

Luis Favre

03/11/2010 - 12:52h Mapa da votação para presidente nos municípios

Veja resultados da votação para presidente no 2º turno, município a município

Infográfico O Estado SP – fonte O Estado SP

03/11/2010 - 12:46h Bolsa-família teve menos impacto na decisão de voto, mostra estudo

Em 2006 Lula obteve 2 pontos porcentuais adicionais nas cidades mais dependentes do programa. Com Dilma, esse índice caiu pela metade

Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo


Para ampliar, clique na imagem com o botão direito do mouse e depois em exibir

A influência do programa Bolsa-Família como fator motivador do voto diminuiu entre 2006 e 2010, segundo cálculos feitos pelo cientista político Cesar Zucco, brasileiro que leciona na Universidade Princeton, nos Estados Unidos.

Para chegar a essa conclusão, Zucco agrupou cidades com perfil socioeconômico similar, mas com diferentes níveis de cobertura pelo Bolsa-Família, e comparou seus resultados eleitorais.

Tanto em 2006 quanto em 2010, o pesquisador constatou uma correlação direta entre voto e Bolsa-Família: quanto maior o porcentual da população atendida pelo programa nos municípios, maior a probabilidade de voto no candidato do PT. Mas essa correlação mudou nos últimos quatro anos.

No segundo turno de 2006, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorreu à reeleição, ele teve, em municípios de perfil similar, 0,2 ponto porcentual de votos a mais para cada ponto porcentual adicional na cobertura do Bolsa-Família.

Por exemplo: comparando-se dois grupos de cidades, um com 50% da população atendida pelo programa e outro com 60%, o petista teve, em média, 2 pontos porcentuais a mais de votos no segundo grupo.

Já em 2010, esse peso caiu pela metade. Tomando como exemplo os mesmos dois grupos de cidades, a candidata Dilma Rousseff teve apenas 0,9 ponto porcentual a mais de votos no segundo grupo.

Segundo o cientista político, não há como apontar o Bolsa-Família como único ou mesmo principal fator de definição de voto em áreas pouco desenvolvidas do País. Os moradores dessas regiões podem ter optado pela candidata governista por diversos outros motivos.

De fato, pesquisas eleitorais do Ibope mostraram , durante a campanha, que Dilma liderava com larga margem sobre José Serra (PSDB) mesmo entre os brasileiros mais pobres que não recebiam o benefício do governo. E, entre os beneficiários do Bolsa-Família, uma parcela significativa (29%) se dispunha a votar no candidato tucano.

O mapa publicado ao lado mostra que Dilma venceu na maioria das cidades com cobertura do Bolsa-Família superior a 40% dos moradores (áreas em vermelho-escuro). Mas Serra também colheu resultados positivos em municípios com esse perfil (áreas em azul-escuro).

03/11/2010 - 12:17h Dilma ganhou em 70% dos municípios brasileiros

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA

Dilma Rousseff (PT) venceu em 3.878 municípios brasileiros no segundo turno. José Serra (PSDB) venceu em 1.686. Em porcentagem: 70% a 30% para a petista. Como ela teve 56% dos votos válidos, a desproporção se explica pela maciça vitória de Dilma nas pequenas cidades (de todo o país, menos de São Paulo), e pelo equilíbrio dos dois nas cidades grandes e médias.

Em branco por desistência

Comparados aos do primeiro turno, os percentuais de votos em branco no segundo turno foram menores em todas as regiões. Seria natural que o percentual aumentasse, já que havia menos opções de candidatos para os eleitores.

É mais um indicativo de que as seis votações seguidas na urna eletrônica atrapalham o eleitor e levam não poucos a anular ou votar em branco em vez de no candidato a presidente de sua preferência.

Voto errado é diferente de voto nulo

No Nordeste, o percentual de votos nulos no segundo turno foi quase metade do que no primeiro turno (4,67% a 8,02%). A diminuição da taxa indica que pelo menos 1 milhão de eleitores nordestinos erraram o voto para presidente no primeiro turno, provavelmente por terem que votar seis vezes e numa ordem que deixa o voto presidencial por último. Congresso e Justiça eleitoral deveriam mudar a ordem esdrúxula de votação.

Bicadas fluminenses

Por que Serra não cobra Índio da Costa e o DEM como, implicitamente, fez com Aécio Neves (PSDB)? Diferença por diferença, foi praticamente igual no Rio de Janeiro e em Minas Gerais sua distância em relação a Dilma: 1,797 milhão de votos entre os mineiros contra 1,710 milhão entre os fluminenses. Proporcionalmente, a derrota no Rio foi maior.

A resposta tem a ver com o futuro e não com o passado.

Será curioso ver quem o PSDB preferirá seguir: um senador eleito de 50 anos que fez o governador do segundo maior colégio eleitoral do país, ou um candidato derrotado duas vezes a presidente, de 68 anos, que ficou sem cargo e terá que negociar espaço com uma liderança emergente (Geraldo Alckmin) em seu Estado natal.

01/11/2010 - 12:25h Lula da Silva, el líder que convirtió a Brasil en potencia

31/10/10 En 8 años de gobierno logró incorporar a la clase media y al consumo a casi 30 millones de personas. Y el país pegó un salto de calidad. Dejará el poder en enero con una altísima popularidad. Su futuro, una incógnita.

Por Claudio Mario Aliscioni – Clarin – Argentina

Brasilia. Enviado Especial

GRACIAS. LULA DA SILVA RECIBE AYER EL SALUDO DE SUS SEGUIDORES, TRAS VOTAR EN SAO BERNARDO DO CAMPO.

GRACIAS. LULA DA SILVA RECIBE AYER EL SALUDO DE SUS SEGUIDORES, TRAS VOTAR EN SAO BERNARDO DO CAMPO.

Como aquel personaje de Chejov que se arriesgaba a enfriar su té por el placer de beberlo despacio, saboreando el momento, también Lula da Silva degusta su último trago.

Al jefe de Estado brasileño no lo incomoda desde luego el frío ruso del presente. Lo turba, en cambio, la amenaza del futuro. Y esa sensación de desarraigo es tanto más fuerte que, en apenas tres meses, cuando deje el cargo, comenzará un nuevo espectáculo político: la reinvención personal del presidente más popular de la historia del país .

Lula sabrá allí si es fiel a su esencia, ésa según la cual como le fue difícil llegar a la cima, entonces también le será trabajoso bajar. Lo confesó hace poco con toda su frontal franqueza: “Sé que un día me va a caer la ficha y ahí veré que ya no soy más presidente”. No es una admisión baladí. Tras ocho años de gobierno en Brasilia, deja el puesto con el 84% de apoyo nacional y el reconocimiento de todo el planeta.

Por un breve período, Lula pasará por esa cámara de descompensación que es para él San Bernardo Ocampo, en el Estado de San Pablo. Según su declaración jurada, el mandatario saliente tiene allí cuatro propiedades, entre ellas, un departamento donde vivirá con Marisa, su mujer; y una suerte de pequeña quinta, Los Fubangos, comprada en 1993. Esta enumeración inmobiliaria, sin embargo, no debe confundir: el presidente fue gremialista, pero no es un millonario.

Según sus íntimos, hace unos seis meses afloraron síntomas de que lo aplastaba el pesado manto del fin de reino. “Todo acto ya es el último y ya estoy con nostalgia pensando en lo que voy a hacer”, les dijo. Entre bromas, agregaba que dejar el cargo tiene sus ventajas. “Por ejemplo, tomar un baño de playa o una cervecita sin que después digan que el presidente está bebido”.

Pero nada de eso parece entusiasmarlo. Por ejemplo, ha esparcido la noticia de que, cuando acaben las reformas de su casa, irá allí de inmediato. O que luego recorrerá el mundo para recibir unos 30 doctorados honoris causa que lo esperan. O que también considera crear un instituto para combatir la pobreza en Brasil.

Pero nada de eso emparda la gloria pasada que no vuelve, su bossa inventada a medida, sus “Saudades del poder”.

La victoria de Dilma Rousseff significa, en sustancia, el inicio de la experiencia histórica del “lulato”. Reiteradamente, Lula ha dicho que no intervendrá en el gobierno de su sucesora. Pero habrá que ver si acaso acaba inventando un sistema parecido al del cardenal consejero Richelieu con el rey francés: ni tanto que digan que hace lo que digo; ni tan poco que crean que no me oye.

La base de ese fenomenal movimiento político que ya se palpa aquí es el legado que deja. Fue en sus ocho años de gestión cuando la proyección de Brasil pegó un salto fundamental. La vida es mejor para los brasileños ahora que al inicio de su mandato.

En un país de 190 millones de habitantes, incorporó a la clase media a 29 millones, que hoy por primera vez consumen, planifican, obtienen créditos, educan mejor a sus hijos y van al dentista. Todos los indicadores sociales han mejorado.

Este mercado interno en expansión, unido al apetito de China por la soja, el hierro y la carne, más el centenar de empresas brasileñas que se proyectan al mundo apoyadas en el crédito estatal, hacen que éste sea “el mejor momento en la entera historia de Brasil” , según dijo el economista Marcelo Neri, de la fundación Getulio Vargas.

Como contrapartida, también debe decirse que nunca antes los empresarios habían ganado tanto dinero. Ciertas interpretaciones apresuradas gustan ver en Lula a un clásico izquierdista. Pero el presidente en retiro, en rigor, es más bien un buen burgués.

Su biografía política lo prueba. Hizo carrera desde el sindicalismo con un discurso radicalizado, fue tres veces perdidoso candidato presidencial y llegó al Planalto sólo tras sellar una unión con grupos económicos locales.

Su vicepresidente, el empresario José Alencar, es un testimonio de ese cambio, corroborado al inicio de su mandato cuando ratificó políticas ortodoxas introducidas por su antecesor, Fernando Henrique Cardoso, y les imprimió su sesgo social que hoy lo distinguen. En suma, con sensible olfato político, Lula advirtió que, como en tantos lugares de América Latina, el problema de la derecha es que nunca piensa en el mercado interno y siempre acaba excluyendo.

Para sus fines, Lula usó al Estado –con Petrobras como la nave insignia– como ariete de desarrollo. Todo eso explica su enorme arrastre popular.

Como en todo legado, también hay sombras en el horizonte. Dicho con esquemática brevedad: sus críticos le reprochan no haber hecho varias reformas (impuestos, educación, salud). Hay quienes, incluso, observan que el grueso de las exportaciones de Brasil está integrado por commodities y que el país aún no ha iniciado su plena industrialización.

De todos modos, esa experiencia es ahora el pasado. Aunque Lula no forzó un tercer mandato consecutivo, pocos le creen (“no sé si estaré vivo”) cuando lo atoran con la pregunta de si se postulará en 2014.

En el fondo, parece pensar que su 84% de popularidad es un guiño de sus compatriotas para que regrese. Algo de razón tiene: a los 65 años y con excelente salud, nadie lo imagina caminando en la playa con su mujer y bebiendo agua de coco.

01/11/2010 - 10:02h Dilma vence em 16 Estados, atinge 56% e tem 12 milhões de votos a mais que Serra

Tucano vence apertado na Região Sul, mas Dilma o supera com 58% em Minas e mais de 60% no Rio

Daniel Bramatti e José Roberto de Toledo – ESPECIAL PARA O ESTADO

A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) venceu em três das cinco regiões do Brasil e em 16 das 27 unidades da Federação. Com 99,9% das urnas apuradas, ela tinha ontem à noite 55,7milhões de votos – o equivalente a 56% dos válidos –, 12 milhões a mais do que o tucano José Serra (PSDB).

Com larga vantagem no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, Dilma conseguiu compensar sua derrota em São Paulo e vencer na Região Sudeste, onde votam 44% dos eleitores do País.

Palco da principal batalha do segundo turno, Minas deu mais de 58% dos votos válidos para a candidata governista. Foram 16 pontos porcentuais de vantagem em relação a Serra, que no Estado teve o apoio do governador Antonio Anastasia e do ex-governador e senador eleito Aécio Neves, ambos do PSDB.

Os mapas de votação por municípios, publicados nesta página e na seguinte, mostram que o tucano venceu por pouco em Belo Horizonte – diferença inferior a um ponto – e colheu vitórias esparsas pelo sul de Minas. Mais ao norte, no Vale do Jequitinhonha, a candidata do PT formou uma “mancha vermelha” de vários municípios contíguos em que teve mais de 65% dos votos.

No Rio de Janeiro, segundo maior Estado em número de eleitores, a vantagem da presidente eleita foi ainda maior do que entre os mineiros. Ela superou a marca dos 60% dos votos e abriu mais de 20 pontos de folga sobre o candidato tucano.

Ex-governador de São Paulo, Serra venceu no Estado que é sua base política, com 54%. Conseguiu cerca de 1,8 milhão de votos a mais que a adversária – praticamente a mesma diferença pela qual foi derrotado em Minas. Ainda no Sudeste, o tucano também ganhou por pequena margem no Espírito Santo, com quase 51%.

Reduto. No Nordeste, Dilma venceu em todos os Estados, como já havia acontecido no primeiro turno. A bandeira da continuidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva deu a ela cerca de 70% dos votos na região, a mais beneficiada pelos programas sociais federais, pelo crescimento econômico dos últimos anos e pela política de aumento do salário mínimo acima da inflação.

No Maranhão, um dos Estados mais pobres do Nordeste, a petista teve quase 79% dos votos. Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do País, o placar foi de 70% a 30%. Em outros dos Estados mais populosos da região, como Ceará e Pernambuco, Dilma teve mais de três quartos dos votos.

É da região Norte o Estado que deu a maior proporção de votos à presidente eleita. No Amazonas, ela teve pouco mais de 80% dos votos, 60 pontos porcentuais a mais do que o adversário. Há quatro anos, quando disputou o segundo turno com Geraldo Alckmin (PSDB), Lula também teve entre os amazonenses seu melhor desempenho no País.

A Região Sul deu vitória ao tucano José Serra. Em relação ao primeiro turno, ele conseguiu virar o jogo no Rio Grande do Sul, onde havia sido derrotado por Dilma. Acabou vencendo por uma margem apertada (51% a 49%) no Estado onde Dilma iniciou suas atividades no setor público – ela foi secretária de Finanças em Porto Alegre e secretária estadual de Minas e Energia.

No Centro-Oeste, onde Serra havia sido derrotado no primeiro turno por dois pontos porcentuais, ele acabou vencendo pela mesma margem. Em Goiás, houve virada: Dilma havia vencido por 42% a 40%, ela acabou perdendo por 51% a 49%.

Assim como em 2006, o mapa político do Brasil mostra o PT mais forte no Norte, no Nordeste e na metade superior da Região Sudeste, e o PSDB triunfando no Sul, no Centro-Oeste e em São Paulo. Em relação aos resultados de quatro anos atrás, Dilma perdeu em quatro Estados onde Lula venceu: Espírito Santo, Goiás, Rondônia e Acre.

Do primeiro para o segundo turno, houve aumento na taxa de abstenção, de 18,1% para 21,2%. O temor dos tucanos de que o feriado prolongado esvaziasse redutos de Serra não se mostrou fundado. A abstenção subiu mais nas regiões em que Dilma venceu, principalmente no Norte, onde passou de 20,3% para 26,2%.

mapas de votação por municípios

01/11/2010 - 09:39h “É preciso que tenhamos a capacidade de sempre nos sentarmos à mesa em busca de consensos nas questões que sejam importantes para o país”

Desafio é pacificar o país, diz Aécio

Candidato natural da oposição em 2014, senador eleito diz que ‘PSDB terá que revisitar sua história com altivez

Adriana Vasconcelos Enviada especial – O GLOBO

BELO HORIZONTE. O ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) sai desta eleição como a principal estrela da oposição e como candidato natural à sucessão presidencial de 2014, por mais que os tucanos paulistas, em especial o governador eleito, Geraldo Alckmin, possam resistir à ideia. Ciente de seu papel, Aécio deu ontem o tom do discurso que pretende adotar até a posse do novo presidente.

Na sua opinião, o principal desafio do sucessor do presidente Lula será pacificar o país, depois da agressiva disputa travada nos últimos meses entre PT e PSDB. Ele diz que o PSDB terá que revisitar sua história com altivez.

— É preciso que tenhamos a capacidade de sempre nos sentarmos à mesa em busca de consensos nas questões que sejam importantes para o país. É preciso que existam parlamentares e homens públicos, nos dois campos, dispostos a conversarem — disse Aécio ontem pela manhã. — O presidente da República, quem quer que seja eleito, tem de estender a mão e chamar para uma grande convergência nacional em torno de uma nova agenda aquele grupo político que tenha perdido.

Na avaliação de Aécio, o PSDB precisa fazer uma reflexão após ter enfrentado novamente nesta campanha o mesmo dilema de 2006, quando tentou renegar seu passado: — O PSDB tem que revisitar a sua história, com altivez, enfrentar o debate com grandeza para apontar para o futuro. Se o Brasil hoje vive o momento de desenvolvimento e crescimento econômico que vive, isso se deu não por obra de um governo ou de um governante. Reconheço avanços no governo do presidente Lula, mas eu gostaria de ver é uma nova fase no Brasil, um governo constituído pelo mérito das pessoas, pela qualidade, e não pela filiação partidária. Um governo que não caia nessa armadilha eleitoral de querer dividir o país em dois, um país dos ricos e dos pobres. O Brasil é de todos.

Aécio defendeu a continuidade da aliança do PSDB com o DEM, mas considera fundamental que ela seja ampliada.

No Senado, disse que trabalhará pela articulação de uma agenda para que o Legislativo não continue subjugado pelo Executivo.

01/11/2010 - 09:31h “Não é um adeus é um até logo”

José Serra se despediu da eleição com um até logo e não com um adeus - ()

A íntegra do pronunciamento do candidato derrotado do PSDB a presidente, José Serra:

“Quero agradecer aos brasileiros de todos os cantos do nosso território. No dia de hoje, os eleitores falaram. Nós recebemos com respeito e humildade a voz do povo nas ruas. Quero aqui cumprimentar a candidata eleita Dilma Rousseff e desejar que faça bem para o nosso país. Eu disputei com muito orgulho a Presidência da República. Quis o povo que não fosse agora. Mas digo aqui, de coração, que sou muito grato aos 43,6 milhões brasileiros e brasileiras que votaram em mim. Sou muito grato a todos e a todas que colocaram um adesivo, uma camiseta, que carregaram uma bandeira com o Serra 45. Meu imenso muito obrigado a vocês de todo o nosso país.

Quero agradecer também aos milhões de que lutaram nas ruas e na internet em defesa da nossa mensagem de um Brasil soberano, democrático e que seja propriedade do seu povo.

Vou carregar comigo cada olhar, cada abraço, cada frase que recebi em todo o Brasil. Cada mensagem de estímulo, de vibração, inclusive no meu Twitter, que tem centenas de milhares de participantes. E vou dizer a vocês uma coisa que disse muitas vezes: recebi toda energia para essa campanha, com sete meses, foram sete meses, desde que saí do governo de São Paulo, de muita energia, de muita movimentação e de muito equilibro que foi necessário. E chego hoje nesta etapa final com a mesma energia que eu tive ao longo dos últimos meses. O problema é como despender essa energia nos próximas dias e semanas. É uma energia que foi passada em todo o Brasil.

Insisto, nas ruas, em todos os lugares, as pessoas falando, as pessoas abraçando. E quero lembrar que, ao lado desses 43,6 milhões de votantes, recebemos também votos que elegeram dez governadores que nos apoiaram em todo o país.

Dos quais, um está presente: meu querido companheiro de muitas jornadas Geraldo Alckmin.

Quero dizer que se empenhou mais na minha eleição do que se empenhou na sua.

Mas a maior vitória que conquistamos nesta campanha não foi mérito meu, mas foi mérito de vocês. Pode parece estranho para um candidato que não ganhou a eleição, mas vim aqui não para falar de frustração, mas para falar da confiança e da esperança. Nestes meses duríssimos, quando enfrentamos forças terríveis, vocês alcançaram um vitória estratégica no Brasil. Cavaram uma grande trincheira. Construíram uma fortaleza. Consolidaram um campo político de defesa da liberdade e da democracia no Brasil. Um grande campo político em defesa da democracia, da liberdade e das grandes causa sociais e econômicas do nosso país, que estão aí vivas no sentimento de toda a nossa população.

Nossa campanha trouxe ao cenário eleitoral uma juventude que ama o Brasil, que a ma a liberdade. Encontrei os jovens no Brasil inteiro, pessoalmente, na internet, por todo o canto. Ao longo da campanha, vi em muitos deles, dos jovens, em centenas, em milhares, o jovem que também fui um dia, sonhando e lutando por um país melhor, como faço até hoje. Por um país melhor, mais justo e democrático, onde os políticos fossem servidores do povo e não se servissem do nosso povo. Vocês, repito, não imaginam quanto energia tirei daí. Como isso me jogou para diante, mesmo nos momentos mais difíceis.

E para os que nos imaginam derrotados, quero dizer: nós apenas estamos começando uma luta de verdade. Estamos no começo do começo. E vamos dar a nossa contribuição em defesa da pátria, da liberdade, da democracia, do direito que todos têm de falar e de serem ouvidos, da justiça social.

Vamos dar contribuição como partidos da nossa frente de partidos, como indivíduos, como parlamentares, como governadores.

Essa será a nossa luta dos próximos anos. Por isso a minha mensagem de despedida neste momento, não é um adeus é um até logo. A luta continua, viva o Brasil.

Vou aqui falar o último verso do nosso hino, que é muito significativo, que mais de uma vez eu disse na nossa campanha: “Mas se ergues da Justiça a clava forte,Verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada, entre outras mil, és tu, Brasil, ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil! ”

01/11/2010 - 09:20h “União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país”

Leia íntegra do discurso da presidenta

“Primeiro, eu queria agradecer aos que estão aqui presentes nesta noite, que, para mim, é uma noite, vocês imaginam, completamente especial.

Mas eu queria me dirigir a todos os brasileiros e brasileiras, aos meus amigos e minhas amigas de todo o Brasil.

É uma imensa alegria estar aqui hoje.

Eu recebi de milhões de brasileiros e de brasileiras a missão, talvez a missão mais importante da minha vida. E esse fato, para além da minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país, porque, pela primeira vez, uma mulher presidirá o Brasil.

Já registro, portanto, o meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras para que esse fato, até hoje inédito, se torne um evento natural, para que ele possa se repetir, se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda a nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é um princípio essencial da democracia. Eu gostaria muito que os pais e as mães das meninas pudessem olhar hoje nos olhos delas e dizer: sim, a mulher pode.

A minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na Presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Registro outro compromisso com o país: valorizar a democracia em toda a sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais básicos da alimentação, do emprego, da renda, da moradia digna e da paz social. Eu vou zelar pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Vou zelar pela mais ampla liberdade religiosa e de culto. Vou zelar pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados pela nossa Constituição. Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da Presidência da República.

Nessa longa jornada que me trouxe até aqui, pude falar e visitar todas as nossas regiões. O que mais me deu confiança e esperança ao mesmo tempo foi a capacidade imensa do nosso povo de agarrar uma oportunidade por menor que seja, por mais singela que seja e, com ela, construir um mundo melhor para si e para a sua família.

É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo.

Por isso, reforço aqui o meu compromisso fundamental que eu mantive e reiterei ao longo dessa campanha: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e para todas as brasileiras. Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada apenas pela vontade do governo.

Ela é importante, mas esta meta é um chamado à nação, aos empresários, aos trabalhadores, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem do nosso país.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte, enquanto reinar o crack e as cracolândias. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos os que possa ajudar o país no trabalho de superar este abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.

Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem não de uma certeza teórica, mas de experiência viva do nosso governo, o governo do presidente Lula, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando, hoje, possível um sonho que sempre pareceu impossível. Reconheço, eu e meu vice Michel Temer, hoje eleito, reconhecemos que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade, criada pela genialidade do nosso presidente e pela força do povo brasileiro, de nossos empreendedores e trabalhadores, encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada. No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Eu estou longe de dizer, com isso, que pretendemos fechar o país ao mundo.

Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente as suas vocações, propugnando contra a guerra cambial que ocorre, hoje, no mundo.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades no mundo que enfrenta ainda os desafios e os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados para a retomada do crescimento. É preciso no plano multilateral estabelecer regras muito mais claras, mais cuidadosas, para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas.

Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo. Cuidaremos de nossa economia com toda a responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios.

O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável. Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.

Mas recusamos as visões de ajuste que recaem sobre programas sociais, serviços essenciais à população e os necessários investimentos para o bem do país. Sim, vamos buscar o desenvolvimento de longo prazo a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis.

Para isso, zelaremos pela nossa poupança pública. Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência no serviço público. Zelaremos pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado, de nosso povo.

Valorizarei o microempreendedor individual para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares.

Ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo, o governo do presidente Lula na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre vários outros.

As agências reguladoras terão todo o respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltados para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade do controle dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental, levaremos ao debate as grandes questões nacionais. E buscaremos sempre transparência às nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas, acima de tudo, quero reafirmar o nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do fundo social do pré-sal, do marco regulatório do modelo de partilha do pré-sal. Por meio deles iremos realizar muitos de nossos objetivos sociais. Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O fundo social do pré-sal é um mecanismo de longo prazo para apoiar as atuais e as futuras gerações. Ele é o mais importante fundo do novo modelo que propusemos, o modelo de partilha para a exploração do pré-sal, que reserva à nação e ao povo deste país a parcela mais importante dessa riqueza.

Definitivamente não alienaremos nossas riquezas para deixar ao nosso povo só as migalhas.

Me comprometi nessa campanha com a qualificação também da educação, dos serviços de saúde. Me comprometi com a melhoria da segurança pública, com o combate às drogas, que infelicita nossas famílias e comprometem nossas crianças, nossos jovens. Reafirmo aqui esses compromissos. Nomearei (inaudível) primeira faculdade para realizar esses objetivos. Mas acompanharei também pessoalmente essas áreas capitais para o desenvolvimento do país. A visão moderna de desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e a sua comunidade, oferecendo acesso à educação e saúde de qualidade.

É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo, sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar: todos os compromissos que assumi vou perseguir de forma dedicada e carinhosa. Disse na campanha que os mais necessitados — as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso — terão toda a minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Eu e o Michel Temer fomos eleitos por uma coligação de dez partidos e com o apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental. Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta campanha.

Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrios. A partir da minha posse, serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, por uma reforma política que eleve os valores republicanos, avançando e fazendo avançar nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com erros, com desvio e com o malfeito. Serei rígida com o interesse público em todos os níveis de meu governo.

Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com o meu respaldo sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los, quero dar a eles muita ênfase. Primeiro, meu agradecimento ao povo brasileiro que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país em seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido em todos os lugares, em todas as regiões por que passei.

Nem uma região do meu país ficará para trás ou será menosprezada ou considerada de segunda categoria.

Mas agradeço respeitosamente também todos aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia e a eles também o meu agradecimento.

Agradeço às lideranças partidárias que, inclusive, muitas delas estão aqui hoje, que me apoiaram, comandaram essa jornada. Meus assessores, minha equipe de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.

Agradeço à imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um dos seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral. Não nego a vocês que por vezes algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem como eu lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida, quem como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio da ditadura. As críticas do jornalismo livre ajudam ao país e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente e com emoção ao presidente Lula (aplausos e emoção de Dilma). Agradeço muito especialmente e com emoção ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com a sua imensa sabedoria são coisas que se guarda para a vida toda.

Conviver durante todos esses anos com ele (pausa para água), conviver durante todos esses anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu país e por sua gente.

A alegria que sinto hoje pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida. Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e cada um de nós. Baterei muito à sua porta. Tenho certeza e confiança que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora, mas saberei honrar este legado. Saberei consolidar e avançar sua obra. Aprendi com ele que, quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados, uma imensa força brota do povo e nos ajuda a governar. Uma força que leva o país para a frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição, agora, nós sabemos, é hora de trabalho. Passado o debate de projetos, agora é hora da união.

União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, novos senadores, novos deputados federais.

Ao parabenizá-los, e a todos os deputados estaduais também eleitos no primeiro turno, convido a todos, independentemente de cor partidária, para uma ação determinada e para uma ação efetiva, para uma ação enérgica em prol do futuro do nosso país. Sempre com a convicção de que a nação brasileira será exatamente do tamanho, será exatamente com a grandeza daquilo que juntos nós todos fizemos por ela.

Um abraço a cada um, meus amigos e minhas amigas.”

“Quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados, uma imensa força brota do povo e nos ajuda a governar

31/10/2010 - 11:40h Lula: ‘Serra sai menor desta eleição’

Tatiana Farah – O Globo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vota em São Bernardo do Campo – Reprodução

SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) – Apenas duas horas depois do início da votação neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse esperar que Dilma Rousseff (PT) faça mais pelo Brasil do que ele fez, e afirmou que o tucano José Serra, adversário da petista, sairá menor do que quando entrou na eleição. Lula concedeu entrevista coletiva logo após votar, por volta das 9h30m, na Escola Estadual João Firmino, em São Bernardo do Campo. Ele estava acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, e do senador Aloizio Mercadante, candidato ao governo de São Paulo derrotado no primeiro turno. (Leia também: Dilma diz que, se eleita, buscará diálogo, mas governará com sua coligação )

- Serra sai menor desta eleição. Ele fez uma campanha agressiva contra a Dilma. Ela foi vítima do preconceito contra a mulher – disse Lula, pouco mais de uma semana após o senador eleito Aécio Neves (PSDB) afirmar que o presidente sai menor do que entrou nesta eleição.

” Serra sai menor desta eleição. Ele fez uma campanha agressiva contra a Dilma ”

Ainda neste domingo, Lula condenou a politização da religião nesta eleição. E criticou o uso das palavras do Papa sobre o aborto:

- A única novidade seria o Papa dizer que prega o aborto. O que houve foi o uso político das declarações do Papa – disse Lula. – O que aconteceu nesta eleição foi grave: a disseminação do ódio – completou o presidente.

Lula desconversou quando os jornalistas lhe perguntaram se ele voltaria em 2014, dizendo que “nem sei se vou estar vivo até lá”.

” Não existe nenhuma possibilidade de um ex-presidente participar de um governo, mas vou continuar conversando com Dilma. Ela é minha companheira ”

- Agora só penso em descansar – afirmou.

Para o presidente, na democracia o importante é “que se tem data para entrar e data para sair”. Ele disse estar numa situação “confortável” para deixar o poder, se referindo aos altos índices de aprovação de seu governo. Sobre eventual eleição de Dilma, Lula disse que não vê possibilidade nenhuma de participar do governo.

- Não existe nenhuma possibilidade de um ex-presidente participar de um governo, mas vou continuar conversando com Dilma. Ela é minha companheira.

Lula defendeu ainda o palhaço Tiririca, eleito com mais de 1,3 mihão de votos e também os políticos ficha suja, barrados pelo STF.

- O que estão fazendo com o Tiririca é uma cretinice. Ele foi eleito com 1,5 milhão de votos. Quem deveria fazer o teste (de que se sabe ler e escrever) é quem pediu o teste – disse Lula.

Ele defendeu ainda os candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa que participaram da eleição e agora não sabem se podem tomar posse.

- Então a Justiça não deveria deixar que eles participassem da eleição – disse Lula.

Ao chegar à escola em São Bernardo do Campo, Lula foi recebido por repórteres do programa humorístico “CQC”, da Band, que lhe entregaram um pijama e um par de chinelões, para que o presidente se prepare para quando deixar o poder em 31 de dezembro. Lula levou apenas quatro segundos para votar, e vai acompanhar a votação em Brasília.

31/10/2010 - 10:49h Continuidade prevalece sobre retrocesso

Bolso prevalece sobre aborto, internet e o papa

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Campanha difamatória pela internet, denúncias de corrupção, ataques físicos e até um pronunciamento do papa. Houve de tudo no segundo turno da eleição presidencial. Mas, no fim, o que prevalece é mesmo o bolso do eleitor e seu desejo de continuar consumindo.

As pesquisas de véspera da eleição, a começar pela do Ibope, confirmam a tendência identificada ao longo das duas últimas semanas: Dilma Rousseff (PT) deve ser eleita com 10 a 15 milhões de votos de vantagem sobre José Serra (PSDB). A razão por trás disso? A boa avaliação do governo Lula e a identificação da candidata petista como uma espécie de extensão do mandato do atual presidente. Esse foi o motor de toda a eleição, embora nem sempre tenha sido o foco do noticiário sobre a campanha.

As pesquisas do Ibope mostram que quase metade dos eleitores dão nota 9 ou 10 à atual administração federal. É um recorde que se explica pela expansão geométrica do consumo que fez algumas dezenas de milhões de brasileiros ascenderem para a classe C.

Após muito repetir o nome de Dilma, Lula conseguiu clonar sua imagem na candidata. Dilma transformou 4 de cada 5 fãs do presidente em seus eleitores: ela tem 79% dos votos entre quem acha o governo Lula “ótimo”.

O fator religioso, responsável por levar a eleição ao segundo turno, foi neutralizado nesta reta final. Com o tema do aborto interditado para ambos os candidatos, boa parte dos eleitores religiosos que haviam abandonado a candidatura de Dilma voltou a declarar voto nela.

A petista chega à eleição com 55% de apoio entre os católicos, contra 39% do adversário. Nem a pregação do papa Bento XVI contra candidatos que defendem o aborto, usada pela campanha de Serra no rádio, fez cair a intenção de voto de Dilma entre os fiéis da Igreja.

As oscilações dos candidatos nas pesquisas de intenção de voto está correlacionada com as buscas mais populares sobre os candidatos no Google. Nas últimas duas semanas, diminuiu a procura por temas negativos associados ao nome de Dilma, como “terrorista” e “aborto”.

Ao mesmo tempo, aumentou a busca por termos ruins para Serra, como “aborto” e “bolinha de papel”. Ou seja, a campanha difamatória de lado a lado através da internet se equilibrou. Quando os fatores acessórios se equalizam, o bolso fala mais alto.

É ESPECIALISTA NO USO DE PESQUISAS

31/10/2010 - 09:52h Dilma lidera com 19 pontos de vantagem sobre Serra em MG

DataTempo/CP2.Levantamento mostra petista com 59,50% das intenções de voto contra 40,50% do tucano

Liderança é mantida no levantamento espontâneo com frente de 16,73 pontos

Publicado no Jornal OTEMPO em 30/10/2010

CARLA KREEFFT

http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20101030/foto_30102010000631.jpg

Pesquisa DataTempo/CP2 realizada em todo o Estado mostra vantagem da candidata do PT, Dilma Rousseff, de 19 pontos percentuais em relação ao seu adversário, o candidato do PSDB, José Serra. A petista registra 59,50% dos votos válidos (não são considerados os brancos, nulos e os indecisos) contra 40,50% do tucano.

Contabilizando todas as intenções de votos (brancos, nulos, indecisos), Dilma tem 52,53% da preferência do eleitorado contra 35,81% de Serra. São 16,72 pontos percentuais de frente para a petista. Afirmam que não sabem em quem votar ou não respondem 5,40% dos pesquisados. Dizem que vão anular o voto 4,14% e 1,54% pretende votar em branco. Afirma que não quer votar em ninguém 0,58% dos entrevistados.

Na comparação com a pesquisa DataTempo/CP2 divulgada em 20 de outubro, as intenções de voto em Dilma cresceram de 51,22% para 52,53% – variação abaixo da margem de erro, que é de 2,16 pontos percentuais. Já José Serra caiu de 38,37% para 35,81% – um pouco acima da margem de erro.

Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos aos entrevistados, Dilma Rousseff se mantém na liderança. Nessa situação, ela tem 50,80% das intenções de voto contra 34,07% de José Serra. São 16,73 pontos percentuais de diferença em favor da petista – praticamente a mesma vantagem verificada no levantamento estimulado.

análise
“O voto parece mais cristalizado”
A pesquisa publicada em 2 de outubro previa uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, o que não se confirmou nas urnas. Isso decorreu da intensa movimentação nos três últimos dias de campanha, que resultou no crescimento de Marina Silva. Na campanha do segundo turno, após o impacto inesperado, Dilma reage, enquanto Serra, que esboçou um crescimento no início, cai na reta final.

Agora não deverá ocorrer o mesmo o erro. O motivo? O voto parece mais cristalizado em decorrência da saturação do embate eleitoral.

Antônio de Pádua
Diretor do Datatempo/CP2

Dados
DataTempo/CP2
. Foram realizadas 2.062 entrevistas em Minas Gerais, de 26 a 28 de outubro. A margem de erro é de 2,16 pontos percentuais e o registro na Justiça Eleitoral tem número 3750/2010.

30/10/2010 - 08:07h Programa de Serra confirma: Tucanos querem privatizar o pré-sal

Candidatos divergem sobre marco para pré-sal

Serra fala em reavaliar a criação da PPSA e Dilma diz que rival quer ”privatizar filé mignon”

Nicola Pamplona e Patrícia Campos Mello – O Estado de S.Paulo

O programa de governo do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, sinaliza uma revisão dos planos do governo atual a respeito do marco regulatório do pré-sal. Embora não faça referência direta aos contratos de partilha propostos pelo PT, o texto critica o novo modelo e fala em “reavaliar a criação da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) à luz das reais necessidades do setor e dos interesses nacionais”.

O programa indica que, em um eventual governo tucano, poderia ser mantido o modelo atual usado nas áreas fora do pré-sal, no qual o setor privado e a Petrobrás disputam para ganhar as concessões. O marco regulatório do atual governo dá à Petrobrás exclusividade da operação no pré-sal, obrigando as empresas privadas a terem parceria com a estatal.

A PPSA é peça fundamental na mudança de modelo contratual, uma vez que o governo precisa de uma estatal que o represente nos contratos de partilha: a empresa seria sócia da Petrobrás e de empresas privadas nos campos de exploração do pré-sal, recebendo parte da produção de petróleo. O programa de Serra diz que a mudança de modelo “representa um voto de desconfiança na Petrobrás, retarda a exploração do pré-sal e traz insegurança para o setor”.

Os contratos de partilha estão atualmente em avaliação na Câmara dos Deputados. Atualmente, o Brasil usa contratos de concessão de áreas petrolíferas, no qual as concessionárias pagam royalties a União, Estados e municípios para ter direito a explorar o petróleo. Lula diz que o novo modelo traria maior ganho ao governo, fato contestado por especialistas.

Sobre os royalties, o programa tucano defende a redistribuição da arrecadação com o pré-sal entre todos os Estados, mas com parcela diferenciada a Estados produtores. O tema também está em debate no Congresso, por meio de uma emenda que prevê a redistribuição de toda a arrecadação dos royalties.

O programa tucano fala ainda em retomada dos leilões da Agência Nacional do Petróleo, suspensos desde 2008, sob o risco de redução no ritmo de crescimento da produção. Além disso, prega maior autonomia da agência, “com foco na transparência e experiência técnica para garantir o exercício do poder regulatório”. No que diz respeito à Petrobrás, o texto critica acordos internacionais de viés “ideológico-partidário” assinados pela companhia.

Defesa. No debate da Rede Record, segunda-feira, Dilma Rousseff acusou Serra de querer “privatizar o filé mignon” da exploração do petróleo. Ela se referia a uma entrevista concedida à Folha de S. Paulo pelo tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas. Ele afirmou que “a Petrobrás não tem como explorar sozinha as gigantescas reservas de petróleo do pré-sal e o governo deveria trabalhar para atrair grupos estrangeiros”.

Em seu programa, a candidata se limita a dizer que “as descobertas do pré-sal, além de apontarem para a transformação do Brasil em grande potência petrolífera, tem e terão impacto direto na industrialização do País”, sem se referir a marco regulatório.

O QUE DIZEM OS PRESIDENCIÁVEIS SOBRE O PRÉ-SAL

José Serra

O programa de governo do tucano critica o modelo do marco regulatório e fala em “reavaliar a criação da Pré-Sal Petróleo SA”. Sobre os royalties, o candidato do PSDB defende a redistribuição da arrecadação com o pré-sal entre todos os Estados, mas com parcela diferenciada a Estados produtores. Para os contratos vigentes, a distribuição permaneceria como a atual, sem benefício a regiões não-produtoras. O programa fala ainda em retomar os leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP), suspensos desde 2008

Dilma Rousseff

O programa de governo do PT não fala sobre o marco regulatório. Mas durante a campanha eleitoral a candidata petista usou o pré-sal como uma das maiores fontes de recursos do País e prometeu usar o dinheiro da exploração do pré-sal para erradicar a pobreza, além de distribuir os recursos para outras áreas, como meio ambiente, tecnologia, cultura, educação e saúde

Serra finaliza , mas não registra seu plano

Coordenador das propostas de governo diz que um dos motivos para não divulgá-las é que o PT “copia” ideias

Boa parte do compilado ataca a gestão no setor energético do governo, área que esteve sob a gerência da adversária

FOLHA SP

DE SÃO PAULO

Após passar dois meses sendo revisado, a campanha de José Serra (PSDB) à Presidência finalizou anteontem um programa de governo que não será apresentado aos eleitores nem registrado oficialmente.
O calhamaço com 280 páginas está dividido em 20 temas e contém 118 propostas. Foi entregue para Serra no dia 1º de setembro. Desde então, o tucano vinha fazendo revisões nas propostas.
“Foi uma opção do marketing da campanha. Por mim, lançava antes”, disse Xico Graziano, ex-secretário do governo Serra em São Paulo e responsável pela coordenação do programa.
Segundo Graziano, outro motivo para que o programa detalhado não tenha sido divulgado antes foi o fato de a campanha de Dilma Rousseff (PT), segundo ele, “copiar” propostas tucanas.
O texto faz um compilado de propostas apresentadas pelo candidato nos programas de TV e dedica boa parte do espaço a atacar a gestão do setor energético do governo, especialmente da Petrobras, área que esteve sob gerência da adversária.
Serra afirma que “a Petrobras vem sendo utilizada pelo governo do PT para atender vieses ideológico-partidários, por meio de acordos internacionais prejudiciais à empresa”. Diz ainda que há “direcionamento de seus investimentos para agradar padrinhos políticos”.

PRÉ-SAL
A campanha tucana fala em rever a criação da Pré-Sal Petróleo. “O governo do PT propôs mudar o marco legal de exploração do petróleo simplesmente para fortalecer um discurso vazio e ideológico. O modelo proposto representa um voto desconfiança na Petrobras, retarda a exploração do pré-sal e traz insegurança para o setor.”
No segundo turno, uma das principais linhas de ataque de Dilma foi o discurso de que Serra pretende privatizar a Petrobras se eleito, o que ele nega.
A petista foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras de 2003 até o início deste ano.
O programa de Serra sugere mudanças estruturais na Petrobras, como a revisão do plano de cargos e salários dos funcionários e combate ao aparelhamento político.
Também há críticas à gestão do setor elétrico em outras frentes, como o acordo com o Paraguai sobre compra de energia de Itaipu e o que chama de “matriz elétrica cada vez mais suja”.
“No setor elétrico, os descalabros vividos nos últimos anos implicarão, sob distintas óticas, em altos custos para o país”, diz.
Foi desse calhamaço que Serra pinçou duas de suas principais promessas de campanha: reajustar o valor do salário mínimo para R$ 600 a partir de janeiro e conceder aumento de 10% para aposentados e pensionistas.
O texto também enfatiza outras propostas apresentadas por Serra durante a campanha, como a criação dos ministério da Segurança e da Pessoa com Deficiência. Propõe ainda uma pasta para logística, no âmbito do Ministério dos Transportes e da Secretaria de Portos.
Fala também na utilização de um auxiliar para cada professor no 1º ano do ensino fundamental, na ampliação do Bolsa Família -além de instituir um 13º no programa- e na retomada dos antigos mutirões da saúde.
Em diversos trechos, Serra diz que pretende acabar com loteamento político de cargos, como em estatais, no Incra e nos Correios, este alvo de crise recente.

30/10/2010 - 06:35h Debate TV Globo: Serra apenas empatou. Para Dilma empate é goleada

Analistas comentam o debate no jornal O Estado SP


Dilma e Serra se cumprimentam nos estúdios da TV Globo – Foto: Gabriel de Paiva

Para candidata do PT, empate é goleada

Carlos Melo, Análise

Um processo longo e entediante: dez encontros, dois turnos. Candidatos que pouco inovaram, abordando questões de forma superficial. O debate da Rede Globo, último e mais importante em razão da grande audiência, não destoou disto, agravado pelo modelo que inibe o confronto direto e o contraditório. Foi um pouco “água de batata”, morno e insípido.

Em toda a campanha, chama atenção o quase nada que se falou de economia e o nada a respeito do sistema político, disfuncional e arcaico. Foi uma eleição despolitizada, protagonizada por candidatos de perfil técnico e igualmente despolitizados que talvez tenham preferido não tocar em temas com poder de agitar, de verdade, a eleição. Relevou-se o “que fazer” e o “como” fazer. Quem não se sentia esclarecido, continua na mesma.

Mas, ao contrário do que se apostava há alguns meses, Dilma não cometeu deslize comprometedor. Por novata, saiu-se bem: decepcionou adversários e surpreendeu aliados. A Serra caberia derrotá-la de modo cabal, ao menos neste último encontro. Por mais uma vez, apenas empatou. Nesta altura do campeonato, para Dilma empate é goleada.

É CIENTISTA POLÍTICO


Serra ficou à vontade e Dilma, na defensiva

Leonardo Barreto, Análise

O formato do debate foi interessante porque pôde trazer aos candidatos questões cotidianas, formuladas pelos próprios eleitores. Ao mesmo tempo, isso prejudicou um pouco Dilma Rousseff. As perguntas formuladas tratavam de problemas que as pessoas estão vivendo no dia a dia, trazendo com elas uma crítica à candidata da continuidade do atual governo.

Quando são os eleitores que formulam as questões, eles trazem mais credibilidade. Dilma acabou se prejudicando no sentido de ter, a todo momento, de falar que o problema já está sendo resolvido, o que ficou um pouco contraditório. No caso de José Serra, ele ficou muito à vontade. O candidato tem mais experiência em termos de debate, tem mais traquejo e se saiu melhor em boa parte das perguntas.

Como a crítica à atual gestão já vinha na questão, para ele marcar um gol ficava mais fácil. Nesse sentido, o formato favoreceu o candidato do PSDB. Dilma ficou mais na defensiva e Serra teve a oportunidade de desenvolver melhor seus argumentos. Mas isso é eleição. Quem está no governo sempre tem de se defender, faz parte do jogo.

É CIENTISTA POLÍTICO


Um happy hour, só faltou o champanhe

Marcus Figueiredo, Análise

Os candidatos estavam muito parecidos. Na maior parte do debate, concordavam com o diagnóstico dos problemas em questão e com a solução. As diferenças neste caso eram puramente tópicas, sem nenhum confronto, principalmente no que se refere a saúde, segurança, educação e geração de empregos.

As divergências só apareceram quando se falou de trabalho, carga tributária e financiamento da agricultura familiar. E essas diferenças ficaram claras pela opção de Dilma Rousseff pela linha de fortalecimento das micro e pequenas atividades em todas as áreas produtivas.

Em contraposição, José Serra respondeu, sobre o mesmo tópico, com questões macro, destacando o volume de impostos cobrados no País. Infelizmente, não entraram no debate as questões candentes, como pré-sal, privatização e posição do Brasil no cenário internacional.

Finalmente, os candidatos se diferenciaram sobre as respectivas posições para gerir o Brasil. Enquanto Serra enfatiza a sua capacidade individual, Dilma apresenta um projeto coletivo partidário. Só faltou o Bonner oferecer o champanhe.

É CIENTISTA POLÍTICO

29/10/2010 - 07:51h Só fato de grande repercussão muda tendência pró-Dilma

Jose Roberto de Toledo – O Estado SP

A ampliação da vantagem de Dilma Rousseff (PT) na reta final do segundo turno dificulta muito a tentativa de José Serra (PSDB) de virar a eleição na última hora. O tucano briga contra a inércia do eleitorado. A esta altura, só um fato novo de grande repercussão lhe daria chance de mudar a tendência do voto.

A petista se distancia do tucano em praticamente todos os segmentos importantes de renda, escolaridade e faixa etária. Nas maiores regiões, ela consolidou a proporção de 2 votos para 1 no Nordeste, e aumentou para dez pontos sua diferença no maior colégio eleitoral, o Sudeste.

O fator religioso, principal responsável por levar a eleição para o segundo turno, foi neutralizado. Dilma tirou a vantagem de Serra entre os evangélicos, ampliou sua diferença entre os católicos e recuperou parte dos eleitores agnósticos, ateus e de religiões não-cristãs.

A recomendação do papa aos bispos para que atuem politicamente no Brasil contra quem defenda o aborto poderia ser o fato novo esperado pelos partidários do tucano?

Para surtir efeito eleitoral, a manifestação de Bento 16 precisaria chegar rapidamente aos seguidores da Igreja e com força suficiente para reverter a preferência de 55% dos católicos pela petista. No primeiro turno, Dilma perdeu quatro pontos entre os católicos nos últimos dias de campanha.

Uma queda nessas proporções entre os católicos agora implicaria diminuir de 14 para 9 pontos a vantagem de Dilma no total. Sem contar o eventual efeito inverso que isso poderia resultar entre os evangélicos e eleitores anti-clericais.

Com a questão moral de lado, o bolso voltou a ser soberano na eleição. No começo do segundo turno, os programas sociais do governo federal brecaram a queda de Dilma e impediram que o tucano empatasse.

Mas foi no eleitorado não-bolsista que ela cresceu nas últimas duas semanas. Ele tem sido o responsável por aumentar sua diferença sobre Serra. Hoje, segundo o ibope, 2 em cada 3 eleitores da petista não participam de nenhum programa federal.

E por que esse eleitor declara voto nela? Muito provavelmente pelo bom momento da economia, que expande o emprego, a renda e, principalmente, o crédito para o consumo. Um indicador indireto disso é a avaliação do governo Lula.

Entre o terço de eleitores que dá nota 10 à atual gestão, Dilma tem 78% do total de votos. Entre os 15% que dão nota 9, ela tem 2 em cada 3 votos. O divisor de águas é a nota 8, que compreende 23% do eleitorado.

Nela, Serra chegou a empatar com Dilma no começo do segundo turno: 47% a 47%. Agora, a petista voltou a abrir uma pequena diferença, e lidera por 48% a 43%. De 7 para baixo, o tucano vence por larga margem, mas esses eleitores são apenas um quarto do eleitorado.

29/10/2010 - 07:21h Média móvel das pesquisas na antevéspera da eleição: Dilma 57% X 43% Serra

por Jose Roberto de Toledo – VOX PUBLICA

Incluídas as sondagens concluídas nesta quinta-feira por Ibope e Datafolha, a média das pesquisas permaneceu em 57% a 43% para DIlma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB), nos votos válidos. Estão também computadas nessa média os levantamentos do Datafolha concluído na terça-feira, e o do Sensus, fechado na segunda.

media_fim_2010
(clique na imagem para ampliar)

Dilma chegou ao seu teto nesta eleição. Os 57% de votos válidos foram seu limite no primeiro turno e a partir de onde começou a cair. Na medida em que os indecisos se definirem, a vantagem da petista pode diminuir um pouco.

A dois dias da eleição, entretanto, apenas um fato novo de grande repercussão provocaria uma queda abrupta o suficiente para ameaçar a liderança de Dilma.

Vale notar que as diferenças entre os institutos estão todas dentro da margem de erro. No caso de Serra, ele tem entre 41% (Sensus) e 44% (Datafolha). Como a margem é de 2 pontos para ambas as sondagens, há um intervalo comum entre 42% e 43% dos votos válidos.

No caso de Dilma, ela tem entre 56% (Datafolha) e 59% (Sensus). Aplica-se a mesma regra, e encontra-se um intervalo comum de 57% a 58% dos votos válidos.

temas_fim_2010
(clique na imagem para ampliar)

O gráfico acima, com as buscas mais comuns no Google por palavras associadas aos nomes dos candidatos, mostra que os picos negativos de termos associados a Serra, como “aborto” e “bolinha de papel”, já esgotaram seu ciclo.

Já as buscas por associações negativas com Dilma (“aborto”, “terrorista” e “nem cristo”) ainda mostram resíduos, mas não nos mesmos níveis do final do primeiro turno, quando ela caiu na reta final e perdeu a maioria absoluta de votos válidos.

29/10/2010 - 06:58h Ibope: Dilma abre 14 pontos sobre Serra. Dos votos válidos, Serra tem 43% e Dilma 57%. Aprovam Lula 87%


Em uma semana, segundo o instituto, candidata do PT oscilou um ponto para cima, de 51% para 52% das intenções de voto, enquanto adversário caiu um ponto, de 40% para 39%; considerando apenas os votos válidos, petista tem 57% e tucano, 43%

Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo

A dois dias da eleição, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tem 13 pontos porcentuais de vantagem sobre o tucano José Serra. Em uma semana, ela oscilou um ponto para cima, de 51% para 52%, e ele, um ponto para baixo, de 40% para 39%, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo.

Levando-se em conta apenas os votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), a petista lidera por 57% a 43% – em relação ao levantamento anterior, concluído no último dia 20, sua vantagem subiu de 12 para 14 pontos.

O resultado já capta a repercussão dos atos de violência em uma caminhada de Serra no Rio de Janeiro, na semana passada, além do último debate entre os presidenciáveis, realizado pela TV Record na segunda-feira.

Como já havia ocorrido na semana passada, o principal avanço de Dilma ocorreu entre as mulheres, segmento em que sua vantagem passou de 7 para 12 pontos (50% a 38%) em uma semana. Na primeira pesquisa após o primeiro turno, há 15 dias, a candidata estava empatada com o adversário no eleitorado feminino (46% a 46%).

Depois de perder pontos entre os eleitores religiosos e contrários à legalização do aborto na reta final do primeiro turno – principal fator que levou a decisão para uma segunda rodada – Dilma conseguiu se recuperar nesses segmentos.

A primeira pesquisa após o primeiro turno mostrava que, na parcela da população contrária à legalização do aborto, os dois candidatos estavam empatados (48% para Dilma e 45% para Serra). Agora, nesse grupo, a petista abriu 13 pontos de distância (52% a 39%).

Regiões. A divisão geográfica do eleitorado mostra que Dilma ampliou sua vantagem no Sudeste, mas perdeu espaço no Sul.

Na região que concentra os três Estados mais populosos (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), a candidata governista abriu oito pontos de folga (48% a 40%), quatro a mais que na semana anterior. A petista lidera com larga margem no Rio e em Minas, e tem reduzido sua desvantagem em São Paulo, onde já há empate técnico.

No Sul, onde os dois candidatos estavam empatados, Serra abriu cinco pontos sobre a rival (48% a 43%). Os desdobramentos do Ibope por Estado – com margens de erro maiores, pois as amostras do eleitorado são menores – indicam que o tucano lidera no Paraná e está empatado tecnicamente com Dilma no Rio Grande do Sul, Estado onde ela venceu no primeiro turno.

A petista continua com mais que o dobro das intenções de voto do adversário no Nordeste (63% a 30%), seu principal reduto. No Norte/Centro-Oeste, onde estava em situação de empate técnico, a candidata tem agora dez pontos a mais (52% a 42%).

A segmentação dos eleitores por faixa de renda mostra que Dilma só não lidera isoladamente entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, onde há empate técnico (47% para a petista e 46% para o tucano).

Entre os mais pobres, com renda de até um salário mínimo, a vantagem da petista é de 30 pontos (60% a 30%).

Dos eleitores da candidata governista, 88% afirmam que sua escolha é definitiva. No caso dos simpatizantes de Serra, 86% não admitem mudar o voto até o domingo.

Violência. O Ibope perguntou aos entrevistados quem foram os responsáveis por episódios de confronto entre partidários dos dois candidatos ocorridos nos últimos dias. Para 21%, a iniciativa do confronto foi de simpatizantes de Dilma. Para 13%, a responsabilidade foi de serristas. Outros 19% afirmaram que os partidários de ambos são culpados pelos episódios.

Nada menos que 40% dos entrevistados não souberam apontar os responsáveis pelos confrontos ou não tomaram conhecimento dos casos.

O instituto também procurou medir os efeitos dos três debates realizados no segundo turno. Para 39% dos entrevistados, Dilma se saiu melhor. Outros 31% viram o desempenho de Serra como superior.

A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva indica que 80% da população vê a administração como boa ou ótima. Para 4%, a gestão é ruim ou péssima.

A nota média do governo como um todo, em uma escala de zero a dez, é de 8,1. Já o desempenho pessoal de Lula é aprovado por 87%.

28/10/2010 - 10:29h Uma eleição para não ser esquecida

Maria Inês Nassif | VALOR

O novo presidente será conhecido já no domingo, tão logo contabilizados os votos das urnas eletrônicas. O novo Brasil político, no entanto, descortinou-se durante a campanha, é velho e conservador e merecerá certamente a atenção de especialistas depois do pleito. Os partidos, em especial os de oposição, conseguiram extrair da sociedade os seus mais primitivos preconceitos, por meio de uma agenda conservadora e religiosa. Qualquer que seja o resultado da eleição – e até esse momento não existem divergências entre as pesquisas dos institutos sobre o favoritismo da candidata Dilma Rousseff (PT) – o eleito terá de lidar com uma agenda de políticas públicas da qual foram eliminadas importantes conquistas para a sociedade como um todo, e na qual o elemento religioso passou a ser um limitador da ação do Estado.

A ação da igreja conservadora e de setores do pentecostalismo contra Dilma, por conta de sua posição sobre o aborto, é o exemplo mais gritante. No Brasil, a cada dois dias morre uma mulher em conseqüência de um aborto clandestino. A legislação brasileira ao menos conseguiu trazer mulheres que correm risco de vida em decorrência de um aborto que já foi malfeito para dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e garante que a rede pública faça com segurança os abortos aceitos legalmente – os de vítimas de estupro ou quando a gravidez coloca em risco a vida da mulher. Como assunto de saúde pública, o aborto não poderia ter ocupado o centro dos debates. Isso é uma questão de Estado. Como convicção moral, a mudança na legislação está na órbita do Congresso – e esses setores elegeram seus representantes. O debate eleitoral sobre o aborto, numa eleição para a Presidência, foi a instrumentalização política de um dogma – pelo menos dos setores religiosos conservadores – e excluiu do debate a maior interessada, a mulher. A eleição conseguiu retroceder décadas esse debate. O movimento feminista não agradece.

Campanha trouxe à tona preconceitos que pareciam abolidos

O país que se redemocratizou há um quarto de século e há 22 anos conseguiu entender-se em torno de uma Constituinte cujo produto final foi avançado politicamente, manteve uma reverência envergonhada aos atores políticos mais importantes do regime anterior – dos militares à Igreja conservadora – e um medo subjetivo de se contrapor de fato ao passado. Sem lidar com os seus fantasmas, tem reincorporado vários deles à vida política. É inadmissível que num país que viveu 21 anos sob o tacão militar, por exemplo, setores da sociedade (e os próprios militares) tenham reagido de forma tão desproporcional ao III Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), ou rejeitem de forma tão violenta o acerto com esse passado. Ao longo dos anos de democracia, determinados setores sociais passaram a reincorporar valores que pareciam ter sido abolidos do manual de como fazer política. Ao longo desses 25 anos que nos separam do último ditador militar, a direita, que se envergonhara no final da ditadura, lentamente desenterrou os velhos fantasmas e refez os preconceitos. Aliás, não apenas a velha direita. Uma nova direita, que se formou com atores que vinham também da resistência democrática, aceitou o caminho do conservadorismo ideológico para reaglutinar uma elite que ficou sem norte, e para a qual a emergência de grandes parcelas da população que estavam na base da estrutura social à classe média assusta – até porque a elite brasileira não tem historicamente experiência com realidades onde a disparidade de renda é menor e onde o aumento da escolaridade transforma pobres em cidadãos, e não em votos a serem manipulados.

Dentre todos os setores que atravessaram da esquerda para a direita nessas últimas duas décadas, o PSDB foi o que perdeu mais. Formado com um ideário social-democrático, mas sem experiência de articulação de política partidária e sem vocação para liderança de massas, chegou ao poder junto com o neoliberalismo tardio brasileiro, assimilou valores conservadores, incorporou-os ao seu tecido orgânico e sobreviveu, enquanto mantinha o governo federal, com a ajuda da política tradicional (e conservadora). Na oposição, não conseguiu voltar ao leito social-democrata. Deixou-se empurrar para a direita pelo PT, quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva assumiu o seu primeiro mandato, e se aproximou tanto do PFL que as divergências entre ambos se diluíram ao longo do tempo, ao ponto de canibalizarem votos uns dos outros. Incorporou o discurso neoudenista, transformou-se num partido de vida meramente parlamentar, não reorganizou o partido para formar militância. O PSDB, hoje, é um partido que aparece como tal para apenas disputar eleições.

Isso é péssimo. O primeiro turno já compôs o Legislativo federal. O PT saiu das eleições mais forte. O PMDB, que é o partido que todos falam mal, mas do qual nenhum governo consegue se livrar, continua forte com a sua fórmula de funcionar como uma federação de partidos regionais e tende a incorporar o DEM, ex-PFL, e ficará mais forte ainda. Os demais, inclusive o PSDB, serão partidos médios – com a diferença que o PSB, por exemplo, é um partido médio em crescimento, e o PSDB terá que se reinventar para voltar a crescer, se não voltar a ser governo. O PT se acomodou no espaço da social democracia e o PMDB permanece no centro, se é possível atribuir a esse partido uma posição ideológica que não seja a da fisiologia. O espaço que o PSDB tem para se reinventar fora da direita é mínimo. O DEM e o PSDB deram muito trabalho ao presidente Lula, em oito anos de governo, mas carregaram no jogo neoudenista e se desgastaram demais. Além disso, a hegemonia paulista no PSDB permanece, o que obstrui caminhos de líderes não paulistas que poderiam reduzir o desgaste neste momento, como Aécio Neves (MG).

Não é arriscado apostar na emergência de um novo partido de oposição. O PSDB precisaria de lideranças muito hábeis para se reinventar, e de uma solidariedade e organicidade que nunca cultivou. E precisaria enterrar de vez os preconceitos e preceitos conservadores que têm desenterrado a cada nova eleição. Enfim, empurrar-se de novo para uma posição de centro. O passado do partido, todavia, não recomenda que se trabalhe com essa hipótese.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

28/10/2010 - 09:15h Para CNT Sensus, rejeição de Serra atinge recorde de 43%

Eleições: Cúpula tucana diz que controvérsia sobre a agressão sofrida por Serra no Rio prejudicou-o

Raquel Ulhôa e Raymundo Costa | VALOR

De Brasília

O percentual de rejeição de Serra aumentou em relação às duas últimas pesquisas do instituto. No levantamento feito entre 11 e 13 de outubro, o índice era de 37,5%. Na pesquisa seguinte, realizada entre 18 e 19 de outubro, aumentou para 39,8%. Esse crescimento foi o que mais preocupou o comitê de campanha do PSDB. Até o fim da tarde de ontem, os tucanos não encontraram uma explicação satisfatória para o resultado. A maior parte da cúpula tucana especulava que a razão seria a controvérsia sobre a agressão sofrida por Serra no Rio de Janeiro – o PT e até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disseram que ele foi alvo de uma bolinha de papel; os correligionários, um rolo de fita.

Independentemente de bola de papel ou rolo de fita, boa parte dos tucanos achou um erro a exploração do fato pela campanha, quando Serra suspendeu o restante de sua agenda no Rio, consultou-se com um médico e depois ficou em repouso. O ataque, mesmo em se tratando do rolo de fita, não teria parecido tão grave, aos olhos do eleitor-telespectador.

Em contrapartida, a rejeição da petista reduziu-se. Em 11 e 13 de outubro, 35,4% disseram que não votariam em Dilma de jeito nenhum. No levantamento seguinte, o índice ficou praticamente estável, em 35,2%. Nessa última pesquisa, houve recuo para 32,5%.

Com isso, em seis dias a vantagem de Dilma saltou de 5,6 pontos percentuais para 17,2 pontos, considerando apenas os votos válidos. De acordo com a sondagem, Serra caiu em todas as regiões, exceto no Sul, onde cresceu 9,9 pontos percentuais e Dilma caiu 2,8 pontos percentuais.

No Sudeste, região com a maior concentração do eleitorado nacional (42,4%), Serra caiu apesar do maior empenho na campanha tucana dos senadores e governadores aliados eleitos no primeiro turno. A vantagem de Dilma ampliou de 2,6 pontos percentuais para 11,4 pontos percentuais em relação à sondagem anterior da CNT/Sensus, realizada uma semana antes. Ela tinha 44,2% da preferência do eleitorado dos Estados do Sudeste e agora, 50,7%. Serra, por sua vez, aparecia com 41,6%, percentual que caiu para 36,7%.

A candidata do PT também recupera índices de intenção que recebeu no primeiro turno do eleitorado do Nordeste. Ela tinha 57,5% na pesquisa anterior e agora tem 66,3%. Serra cai de 34,8% para 25,5%. Para Clésio Andrade, presidente da CNT, a melhora do desempenho de Dilma no Nordeste pode ser atribuído à volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa eleitoral.

Por outro lado, na opinião de Andrade, o esforço do ex-governador Aécio Neves (PSDB), eleito senador por Minas Gerais, não tem mostrado resultado porque ele está fazendo campanha fora do Estado. “Aécio tem voto é em Minas. E ele saiu do Estado para fazer campanha”, disse Andrade, após divulgar a rodada 108 da CNT/Sensus.

No Sul, a preferência por Serra aumentou de 45,1% para 54%, abrindo boa vantagem. Nessa, que foi a única região em que perdeu votos, Dilma passou de 38,2% para 35,4%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, pesquisadas juntas pelo Sensus, o percentual de Dilma passou de 42,1% para 50,7%. Serra caiu de 52,6% para 40,4%.

Na pesquisa divulgada ontem, Dilma aparece na pergunta estimulada – em que os nomes dos candidatos são apresentados ao entrevistado – com 51,9 % da preferência do eleitorado (58,6% dos válidos) e Serra, com 36,7% (41,4% dos válidos).

As 2 mil entrevistas foram realizadas pelo Sensus de 23 a 25 de outubro. Na rodada anterior, em que os pesquisadores foram a campo nos dias 18 e 19, a candidata do PT tinha 46,8% das intenções de voto (52,8% dos válidos) e Serra, com 41,8% (47,2% de válidos). A margem de erro é de 2,2% para mais ou menos. A primeira rodada da CNT/Sensus no segundo turno chegou a registrar empate técnico entre Dilma e Serra.

Na tentativa de explicar as razões para a ampliação da vantagem de Dilma sobre Serra em uma semana, Clésio afirmou que a “discussão emocional” do fim do primeiro turno, com questionamentos religiosos e sobre aborto, foram substituídos no segundo turno “por uma discussão racional”, em que prevalecem as questões de economia e plano de governo. “Isso favorece a Dilma”, disse.

Para Ricardo Guedes, diretor do Sensus, o descolamento se deveu ao suposto fracasso da tentativa de desconstrução da imagem de Dilma pelos adversários.

A pesquisa traz várias boas notícias para a campanha petista. Uma delas é o crescimento das intenções de voto em Dilma registrado pelos entrevistados nas perguntas espontâneas, na qual o instituto, sem citar nomes, pergunta em quem o eleitor vai votar. Dilma é lembrada por 50,4% e Serra, por 35,7%. Na pesquisa anterior, eles eram citados por 45,3% e 40,6%, respectivamente.