10/06/2009 - 16:44h Uma paixão que vem da infância

Coletânea de 28 textos comprova: é de menino que se aprende a amar futebol
 

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Antero Greco – O Estado SP

 


Quer ver um marmanjo abrir a guarda e voltar a ser moleque? Faça-o falar de futebol. Provoque o debate em torno da bola e verá como a sisudez cai por terra com mais velocidade do que atacante habilidoso atropelado por zagueiro botinudo. Quer ler tentativas de resgatar a infância? Convide jornalistas, poetas, médicos, historiadores, psicanalistas, advogados, sociólogos a discorrerem sobre esporte tão fascinante e desdenhado, contraditório e único. A maioria vai despir a casaca para mergulhar no passado.

A prova de que a criança está sempre à espreita para ressurgir no adulto se espalha pelas 164 páginas de A Cabeça do Futebol (Editora Casa das Musas). Carlos Magno Araújo, Samarone Lima e Gustavo de Castro, organizadores (e coautores), convocaram colaboradores de formação variada para escreverem sobre futebol. Tema popular, que aos poucos rompe preconceitos e que nos últimos anos passou a frequentar com destaque estantes de livrarias.

Muitos dos 28 textos são intimistas, embora fujam à ficção, e dão tom nostálgico ao livro. Menos do que lugar-comum, a referência à infância confirma o óbvio: é de menino que se aprende a amar o futebol, uma das raras paixões duradouras na vida. Nada mais natural, portanto, que seja tema recorrente – e associado a um jogo especial, àquele momento determinante que fixa a opção clubística.

A partida inesquecível em geral não é final de Copa do Mundo, mas vale tanto quanto. Ou mais. Pode ser um Ceub X América-RN disputado em 1975, em Brasília (No Tempo de Jacaré e Pablito Calvo, de Carlos Magno Araújo), ou Santos X Ponte, na despedida de Pelé (O Dia em Que Virei Santista, de José Roberto Torero). Quem sabe um tradicionalíssimo Fla-Flu (O Jogo, de Moacy Cirne), ou um duelo com a carga dramática de Fla X Vasco (Ele Sempre Será, de Rubens Lemos Filho).

O cenário pouco importa, porque o encantamento aos olhos do menino sempre é intenso. Forte, também, é a figura paterna. Afinal, reza a lenda que a primeira experiência em um estádio de futebol costuma ser conduzida pelas mãos do pai. Pai que pode também ir ao campo só para proteger o filho da mira de esbirros do autoritarismo (”A ditadura não é mais forte do que o amor de um pai”, de Juca Kfouri).

A paixão que vem da época das calças curtas é ponto de partida de análises minuciosas de Luiz Zanin Oricchio e Daniel Piza, polivalentes que flutuam pelo Caderno 2, o Cultura e, de quebra, são Boleiros no caderno de Esportes do Estado. Em Bola de Meia, Piza mergulha, dentre outros aspectos, em mudanças táticas, de preparação física e financeiras pelas quais passou o futebol, que no fundo se exprime mesmo com força “naquela bolinha de meia que um menino gosta de ficar rolando e chutando sem parar, marcando golaços imaginários”. Zanin constata, em Futebol, que deve ao Santos dos anos 60 “uma certa noção de elegância e beleza” que norteia sua vida. Nesse jogo, ganha quem os lê.

Serviço
A Cabeça do Futebol. Vários autores. 166 págs. R$ 25. Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos. Av. Nações Unidas, 4.777, 3024-3599. Lançamento hoje, às 19h30

História do Lance! joga luz inteligente sobre a prática do jornalismo esportivo

 

Antero Greco – O Estado SP

 

A imprensa esportiva leva bordoada a torto e a direito. Há ocasiões em que até faz por merecer, mas muitas vezes o olhar enviesado que recebe carrega preconceito e paixão clubística. O alvo preferido costuma ser a televisão, por sua influência, alcance e estilo. A mídia impressa fica em segundo plano, no que existe de bom e ruim nessa relação acalorada. Merece menos atenção, mesmo como objeto de estudos acadêmicos.

Maurício Stycer rompe esse círculo com História do Lance!, Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo (Editora Alameda, 2009, R$ 46,00). Ele se vale da prática profissional (participou do elenco fundador do diário na segunda metade dos anos 90) e do olhar do sociólogo para esmiuçar, entender e explicar o que representa a “crônica esportiva” no País. Consegue entender o papel de área considerada menos nobre no jornalismo, porém envolvente, nervosa, cativante.

A gestação do Lance!, o nascimento de edições “gêmeas” no Rio e em São Paulo, os primeiros passos do jornal que viria a desbancar A Gazeta Esportiva e o Jornal dos Sports são componentes importantes do livro. No entanto, funcionam como pano de fundo para um panorama amplo das transformações por que passaram esporte (entenda-se futebol) e imprensa no Brasil no fim do século 20.

Conhecer bastidores de uma publicação que se firmou, apesar de prognósticos céticos, é interessante – e não apenas para quem é do ramo. História do Lance! se mostra leitura agradável porque não enxerga o tabloide como reinventor da roda no esporte. Além disso, porque viaja pela história da imprensa nacional, resgata a memória de personagens fundamentais, como Cásper Líbero, Thomas Mazzoni, Mário Filho, e lança luz inteligente sobre a prática do jornalismo esportivo.

09/06/2009 - 12:44h Convite

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24/05/2009 - 17:03h “A CABEÇA DO FUTEBOL”







“A CABEÇA DO FUTEBOL”



Organização: Carlos Magno Araújo,

Samarone Lima e Gustavo de Castro

Brasília: Casa das Musas, 2009.

ISBN 9788598205526

 

O que pode resultar da tabelinha entre três amigos, jornalistas apaixonados por futebol e por literatura? Um gol de placa e a modéstia adormecida no fundo das redes. Trivela para cá, lançamento para lá, um voleio indefensável acolá, Gustavo de Castro, poeta, professor da UnB, e jornalista radicado em Brasília, Samarone Lima, jornalista e escritor no Recife, e Carlos Magno Araújo, jornalista em Natal, também cartolas temporários neste sonho de reunir craques do jornalismo e da literatura para falar do mais passional dos esportes, mataram a tarefa no peito e agora jogam para a torcida – sem firulas. Não esperam a glória fútil de um Motoradio, a entrevista útil na boca do túnel ou o destaque na resenha da noite. Foi tudo por amor ao futebol – sem preço que pague.

 

O que passa na cabeça do brasileiro quando o assunto é futebol? Foi com a intenção de descrever e investigar a emoção, a imaginação e a racionalidade futebolística que Gustavo de Castro, Samarone Lima e Carlos Magno Araújo decidiram organizar a coletânea

 

A CABEÇA DO FUTEBOL

Editora Casa das Musas, 2009,

R$ 25,00

 

A ideia inicial é a de que todo brasileiro guarda uma emoção ligada ao futebol. Para a tarefa,convidaram alguns craques do jornalismo e da literatura, entre eles:

 

Fabrício Carpinejar,

José Roberto Torero,

Juca Kfouri,

Raimundo Carrero,

Juremir Machado da Silva,

Fernando Monteiro,

Daniel Piza,

Vladir de Sá Lemos,

Inácio França,

Luiz Zanin Oricchio,

Luiz Martins da Silva,

Klecius Henrique,

Selma Oliveira, Josmar Jozino, Hilário Franco Jr.,

Humberto Werneck,

Sérgio Xavier Filho,

Abel Menezes,

Moacy Cirne,

José Castello,

Rubens Lemos Filho,

Elianne Diz de Abreu,

Edmundo Barreiros,

Xico Sá,

Enrique Vila-Matas.

 

São crônicas, poemas, ensaios e contos que justificam a velha máxima: o futebol é uma paixão nacional, seja qual for o ponto de vista.

 

LANÇAMENTOS

 

Recife, 09/06 – Bar Mamulengo – Recife Antigo, 19h



São Paulo, 10/06 – Livraria Cultura, Shop. Villa-Lobos, 19h30



Rio de Janeiro, 15/06 – Livraria Travessa – Barra Shop, 19h30



Brasília, 19/06 – Livraria Cultura – Shop. CasaPark, 19h



Natal, 26/06 – Livraria Siciliano – Midway Mall, 19h

 

Contato: Florence Dravet

Tel: (061)9238 5912 – www.casadasmusas.org.br - casadasmusas1@hotmail.com