15/02/2009 - 09:46h Agora, todos nós somos suecos

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Matthew Richardson Nouriel Roubini *, The Washington Post – O Estado SP

O sistema bancário dos Estados Unidos está à beira da insolvência e, se não quisermos ficar como o Japão nos anos 90 ou os Estados Unidos nos anos 30, o único meio de salvar os bancos é a estatização.

Como economistas defensores do livre mercado, professores de uma escola de administração no coração da capital financeira do mundo, sentimo-nos como se dizendo uma blasfêmia quando propomos que o governo assuma totalmente o controle do sistema bancário. Mas o sistema financeiro dos Estados Unidos chegou a um ponto tão crítico que não há muita escolha. E, embora o recente plano do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, para salvar os bancos contenha muitos elementos corretos, basicamente ele chega tarde demais.

A enrascada dos empréstimos hipotecários subprime sozinha não nos forçaria a tomar essa atitude. A soma de US$ 1,2 trilhão envolvida foi apenas o início do problema. Os outros US$ 7 trilhões – que incluem empréstimos para imóveis comerciais, dívidas com cartão de crédito, empréstimos alavancados e títulos de alto rendimento – correm o risco de perder grande parte do seu valor. E ainda existem mais alguns trilhões de dólares em títulos corporativos com classificação AAA ou AA e empréstimos e hipotecas “jumbo”com pagamento garantido cujo valor também vai despencar, à medida que a recessão se aprofunda e mais empresas e famílias deixam de pagar seus empréstimos e hipotecas.

No ano passado, nossa previsão era de que os prejuízos a serem contabilizados pelas instituições financeiras dos Estados Unidos chegariam a US$ 1 trilhão, subindo possivelmente para US$ 2 trilhões. Fomos acusados de exagero. Mas a partir daí as baixas contábeis pelos bancos ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão.

Agora, instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Goldman Sachs estão prevendo prejuízos de mais de US$ 2 trilhões.

Mas, se você acha que US$ 2 trilhões é uma soma muito grande, analise os nossos cálculos mais recentes no RGE Monitor, website financeiro que dirigimos: essas estimativas sugerem que o total de perdas sobre empréstimos feitos por bancos nos Estados Unidos, mais a queda do valor de mercado dos ativos mantidos por esses bancos chegará a US$ 3,6 trilhões. O setor bancário americano está exposto à metade desse valor: US$ 1,8 trilhão. Mesmo com os fundos recebidos do primeiro pacote de ajuda federal, no ano passado, o capital aplicado para respaldar os ativos dos bancos foi de apenas US$ 1,4 trilhão, deixando o sistema bancário americano com um rombo de US$ 400 bilhões.

Dois importantes elementos do plano de Geithner são: 1) “aplicar o teste de stress” aos bancos para separar as instituições viáveis daquelas próximas da bancarrota; 2) criar um fundo de investimento com dinheiro público e privado para compra de ativos podres. São medidas necessárias para se ter um setor financeiro próspero.

Mas, infelizmente, o plano não vai solucionar nossas dificuldades financeiras porque ele subentende que o sistema está solvente. Se executado de modo justo para os contribuintes (ou seja, fim dos “agrados” na forma de títulos abaixo do preço, ações preferenciais, garantias de empréstimo ou seguros sobre ativos), só vai confirmar o quão péssimas as coisas estão.

A estatização é a única opção que nos permitirá solucionar o problema dos ativos tóxicos de maneira disciplinada e permitirá também, finalmente, a retomada dos empréstimos. Naturalmente, a economia ainda continuará em má situação, mas a espiral da morte em que estamos será interrompida.

A estatização – ou “liquidação judicial”, se isso soar mais aceitável – não será fácil; entretanto, aqui vai uma série de princípios para o governo se pautar. Em primeiro lugar, e este é o ponto mais difícil, determinar quais são os bancos insolventes. O teste de stress de Geithner seria muito útil nesse caso.

O governo deveria começar com os grandes bancos que têm dívidas fora do país, e determinar quais são solventes e quais não são, para evitar o pânico. De outro modo, permitir a falência de um grande banco provocará uma corrida imediata àquela ação, e aos títulos da dívida de longo prazo de outros. Haverá muitas dificuldades, mas as autoridades reguladoras devem manter uma postura firme.

Em segundo lugar, estatizar imediatamente as instituições insolventes. Os investidores em ações serão eliminados, e os detentores de títulos da dívida de longo prazo terão créditos somente depois que os depositantes e outros credores de curto prazo forem reembolsados.

Em terceiro lugar, uma vez que uma instituição passe para o controle do Estado, separar seus ativos em bons e ruins. Os ativos ruins serão avaliados de acordo com os valores atuais (embora reduzidos). Novamente, como no plano de Geithner, o capital privado poderá adquirir uma fração desses ativos ruins. Quanto aos bons, voltariam a ser privados, quer mediante uma IPO (oferta pública inicial), quer por uma venda a um comprador estratégico.

Os ganhos auferidos pelos ativos bons e ruins iriam, em primeiro lugar, para os correntistas, e depois para os detentores de títulos da dívida, com a possível participação do governo para cobrir os custos administrativos. Se os correntistas forem reembolsados, o governo poderá de fato começar a ter lucros.

Em quarto lugar, fundir todos os ativos ruins restantes em um único empreendimento. Os ativos poderão aguardar o vencimento ou serem vendidos com os ganhos e os riscos decorrentes para os contribuintes.

O resultado final seria um sistema financeiro saudável com muitos bancos novos capitalizados com ativos bons. Os bancos insolventes, grandes demais para falir, seriam desmembrados em partes menores, com menos probabilidade de ameaçar o sistema financeiro como um todo.

Também seriam instituídas reformas em matéria de regulamentação, a fim de reduzir as chances de dispendiosas crises futuras.

A estatização dos bancos tem precedentes. Em 1992, o governo sueco assumiu o controle dos bancos insolventes, limpou-os e depois voltou a privatizá-los. Obviamente, o sistema bancário sueco era muito menor do que o americano. Além disso, algumas das atuais instituições americanas são muito maiores e mais complexas, o que dificulta a análise. E os mercados globais de capital permitem que jogar com o sistema seja mais fácil do que em 1992. Mas nós acreditamos que, se for aplicada de maneira correta, a solução sueca funcionará nos EUA.

A agência encarregada de reestruturar os bancos na Suécia não era uma entidade burocrática sem controle: ela delegou todos os detalhes da limpeza aos bancos privados e aos administradores contratados pelo governo. O processo foi surpreendentemente tranquilo.

Basicamente, hoje somos todos “suecos”. Usamos todas as nossas balas, mas o bicho-papão continua se aproximando. Vamos pegar nossa bazuca e acabar com ele.

*Matthew Richardson e Nouriel Roubini são professores da Escola de Administração Stern, na Universidade de Nova York. Ambos trabalharam no livro a ser lançado Restoring Financial Stability: How to Repair a Failed System (Restaurando a estabilidade financeira: como consertar um sistema falido)

13/01/2009 - 12:08h Terra sem lei

Celso Ming, O Estado SP

celso.ming@grupoestado.com.br

celso_ming1.jpgVai-se espalhando a percepção de que os bancos e outras instituições que também são chamadas de quase-bancos, estão soltas demais. Assim como deitaram e rolaram nas operações que precipitaram a crise, continuam deitando e rolando com os recursos que vêm recebendo dos bancos centrais e dos Tesouros nacionais.

Domingo, em entrevista à rede ABC News, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou que está desapontado com a qualidade de gerenciamento dos primeiros US$ 350 bilhões de recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês). Este é o plano de US$ 700 bilhões do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, para salvar os bancos. Obama pediu prestação de contas sobre o uso dos recursos.

E ontem, na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Basileia, dirigentes dos bancos centrais nacionais da região do euro criticaram a supervisão bancária do bloco. O problema é tanto de flacidez na fiscalização como de falta de transparência.

Enfim, a questão central é de regulação precária, de fiscalização omissa e de supervisão falha. É um tema que tem sido genericamente tratado como “inexistência de regulação” ou como “terra sem lei”.

Antes, é preciso delimitar os campos. Uma coisa é falta de regulação e outra, bem diferente, falta de supervisão. Não dá para negar que muita coisa está sob a lei da selva. Os bancos de investimento não são considerados bancos e, no entanto, operam no crédito. O Morgan e o Lehman mostraram que essas instituições vinham excessivamente alavancadas. Seus ativos chegavam a 30 ou 40 vezes seu patrimônio líquido (o máximo tolerado pelos Acordos de Basileia é 10 vezes). Não tinham condições de cobrir os rombos se os tomadores de crédito não honrassem seus compromissos, como ocorreu.

E, no entanto, há uma quantidade enorme de subsetores que direta ou indiretamente operam no crédito e, no entanto, não estão regulados: sociedades de crédito imobiliário, fundos de hedge, seguradoras de crédito, agências de avaliação de risco e empresas que trocam grandes volumes de títulos de dívida (commercial papers). Estão também de fora os mercados de derivativos e os paraísos fiscais, que o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, quer controlados.

A encrenca é mais profunda. Os mercados estão muito globalizados, funcionam à velocidade da luz, 24 horas por dia e, no entanto, as instituições que os deveriam controlar, além de serem excessivamente pulverizadas (há dezenas de organismos de supervisão nos Estados Unidos, por exemplo), têm alcance apenas local. Quem, afinal, deverá fiscalizar um fundo de hedge ou uma seguradora de crédito que opera em 20 mercados diferentes?

Problema igualmente intrincado é o de que nem mesmo a supervisão regular está sendo feita. O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) deixou que os bancos americanos fizessem o que fizeram. A Securities and Exchange Commission (SEC) não conseguiu enxergar a lambança que o estelionatário Bernard Madoff armou sob suas pernas. As agências de classificação de risco distribuíram fartamente certificados AAA para títulos que, na verdade, não passavam de fumaça.

Confira

Dureza – Desta vez, o presidente Lula deixou de lado o diagnóstico da “marolinha” e não escondeu que a situação do emprego nos primeiros três meses do ano “é preocupante”.

Mas não dá para saber qual será a força do desemprego no Brasil e até que ponto o consumo interno está rateando.

Ele vem aí – O centro da crise ainda são os Estados Unidos e é de lá que vem a incerteza. Mas muito dessa incerteza pode ser dissipada em prazo relativamente curto se o novo presidente Barack Obama conseguir inspirar confiança. Por isso, seus primeiros cem dias de governo serão decisivos.

18/03/2008 - 14:34h Un tribunal argentino declara imprescriptibles los crímenes de la Triple A

El fallo refuerza los argumentos para extraditar a la ex presidenta argentina María Estela Martínez de Perón, quien reside en España

EFE – Buenos Aires – El País

Isabel PeronIsabel Peron, vendredi soir, à MadridUn tribunal de alzada de Buenos Aires declaró ayer que son “de lesa humanidad” y, por lo tanto, imprescriptibles, los crímenes cometidos por la banda de ultraderecha Alianza Anticomunista Argentina (Triple A) en la década de 1970, informaron fuentes judiciales.

El fallo de la Sala I de la Cámara Federal de Apelaciones permitirá reforzar los argumentos con los que un juez federal ha pedido la extradición de la ex presidenta argentina María Estela Martínez de Perón (1974-1976), quien reside en España, apuntaron.

La defensa de dos procesados sostuvo que habían prescrito los crímenes atribuidos a la Triple A, lo cual dividió las opiniones en el tribunal de alzada, formado por tres jueces, que rechazó la apelación con el voto de desempate de su presidente, Horacio Cattani.

La Sala I de la Cámara Federal equiparó los delitos de la Triple A, una organización parapolicial que surgió al amparo del partido peronista, con los cometidos por el Estado durante la dictadura militar (1976-1983).

Las fuentes indicaron que quedó así ratificada la calificación de “crímenes de lesa humanidad” e imprescriptibles que les había dado el juez de la causa, Norberto Oyarbide, quien pidió la extradición de la ex mandataria y otros acusados por los atentados y asesinatos del grupo ultraderechista.

Isabelita, acusada

María Estela Martínez, apodada Isabelita y quien sucedió en la jefatura del Estado argentino al general Juan Perón, fallecido el 1 de julio de 1974, es acusada de amparar desde el Estado a la Triple A, a la que se atribuye un millar de atentados y decenas de asesinatos.

Entre los acusados está el ex policía Miguel Rovira, con arresto domiciliario, y el ex comisario Eduardo Almirón, acusado de ser uno de los jefes de la banda ultraderechista, cuya extradición a Argentina ha concedido España, donde fue descubierto y apresado.

El proceso también involucra al periodista prófugo Felipe Romeo, quien fuera director de la revista El caudillo, y al ex comisario Juan Morales, quien murió en agosto pasado cuando cumplía arresto domiciliario.

Almirón, cuya llegada a Buenos Aires está prevista para hoy, está acusado de los homicidios del diputado Rodolfo Ortega Peña y del sacerdote Carlos Mugica, entre otros crímenes de la Triple A, que fue dirigida por el entonces ministro de Bienestar Social, José López Rega, hombre fuerte del Gobierno de Martínez de Perón.