22/10/2009 - 12:20h DEM pressiona para Serra ‘’sair da toca” imediatamente

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Democratas reclamam que tucano fez costuras eleitorais e, depois, sumiu

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

Por trás da pressão do DEM para que o PSDB acelere a escolha do candidato do partido à Presidência, está uma disputa de poder, envolvendo líderes democratas, e a avaliação de que o lançamento da candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), catalisará as alianças regionais. “No DEM, ninguém tem dúvida de que o candidato é o Serra. Queremos é que ele saia da toca”, diz o deputado Alceni Guerra (DEM-PR).

Integrantes do DEM não se conformam de Serra ter aberto a temporada de costuras eleitorais com um acerto bem-sucedido na Bahia, considerado “impossível”, e depois ter “se entocado”, ausentando-se das negociações em outros Estados.

Foi a ação direta de Serra que consumou a aliança entre o PSDB baiano, do deputado Jutahy Júnior (um aliado local do PT), e o grupo de seu inimigo histórico – o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA), morto em julho de 2007.

O acordo com o DEM dos Magalhães – o senador ACM Júnior e o deputado ACM Neto – foi feito em torno da candidatura a governador de Paulo Souto (DEM), com o tucano Imbassahy Júnior para o Senado, sem fechar portas para um entendimento futuro com o PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. O DEM quer trazer Serra para o jogo eleitoral aberto interessado em montar palanques amplos, que dependem do aval do candidato a presidente. Mas incomoda setores da direção nacional do DEM a autonomia do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que opera nos bastidores em parceria com o ex-presidente do partido Jorge Bornhausen.

Centrada na figura de Kassab e Bornhausen, a regional paulista do DEM tem na interlocução direta com Serra a força para fazer costuras políticas independentes da direção – algumas a ponto de colocar em risco entendimentos estaduais.

Os serristas dos dois partidos dizem que o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), fica “surfando” na onda provocada pelo presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, para cutucar Serra e se cacifar no PSDB. Maia administra a pressão dos candidatos do DEM, aflitos para fortalecer seus palanques com legendas da base governista. Além disso, Maia está preocupado com a reação de Serra, que o classificou como “um fio desencapado”, para dar um troco às suas cobranças. “Apenas levei a público uma angústia que não era particular, era coletiva”, defende-se o deputado, referindo-se à demora na definição do candidato tucano.

27/10/2008 - 09:42h Ir além da aritmética eleitoral (I)

Concluídas as eleições municipais corresponde avaliar a situação política e as novas relações de força que emergiram do escrutínio.

Com a mesma ênfase com que pretendia que as eleições municipais eram essencialmente locais e não tinham qualquer relação com o plano federal, os jornais hoje procuram projetar os resultados em sentido inverso, procurando destacar uma suposta derrota eleitoral do governo e uma vitória da oposição.

Essencialmente os resultados das eleições municipais de 2008 (os números, tanto de votos, como de prefeituras) repetem o mapa das eleições de 2004, mas amplificando a votação e as conquistas dos partidos da base do governo, em detrimento dos partidos da oposição (DEM-PSDB-PPS).

Sem desprezar as vitórias obtidas pela oposição, sua força simbólica e seus desdobramentos políticos, a aritmética eleitoral mostra uma diminuição de sua influência e dos municípios por ela governados, particularmente nas cidades acima de 200 mil habitantes e nas capitais.

As eleições municipais confirmaram o quase desaparecimento do DEM-PFL das prefeituras. Perdeu Rio de Janeiro, onde contrariando a tendência que favoreceu a continuidade, Cesar Maia não fez seu sucessor. Afastou o “carlismo” de um retorno com ACM Neto em Salvador e ganhou sobrevida com a vitória de Kassab, porem estreitamente limitada as decisões de José Serra. O PPS virou pó e o PSDB conseguiu manter sua força, diminuída de muitas prefeituras, em cidades já governadas por eles. No plano nacional, a oposição e a mídia não podem sustentar na aritmética eleitoral uma vitória, de fato inexistente, ou uma derrota de Lula e do governo federal. O PT foi o segundo partido mais votado no país e passou a governar 566 prefeituras, 143 a mais que em 2004 . O PMDB, por sua vez, cresceu 54% em termos eleitorais em relação a 2004 (Fonte jornal VALOR).

Mas entre a aritmética eleitoral e a política, as percepções e suas repercussões nos partidos, não existe automaticamente equivalência ou identidade. Por isso não é suficiente constatar os ganhos e perdas, requer-se ir além e aprofundar a analise política sobre as projeções dos resultados eleitorais.

Vou tentar aportar minha opinião em várias notas sobre diversos elementos destas eleições, sem a pretensão de aportar respostas a uma série de problemas revelados nesta campanha. Em outras notas tratarei especificamente das eleições em São Paulo.

Se no plano geral do cômputo municipal, os partidos da base do governo federal obtiveram as maiores vitórias, um analise pormenorizado mostra que destes partidos, é o PMDB quem mais se fortalece e o crescimento dos municípios conquistados pelo PT não compensa este fato, diminuído assim o peso do partido do presidente, na disputa política no campo da base aliada.

A diminuição do voto e dos municípios controlados pela oposição, não deve ocultar a importância política da vitória de Serra na cidade de São Paulo. Não só por ter conseguido a reeleição de Kassab, mas por ter obtido este resultado derrotando ao mesmo tempo seu principal adversário no PSDB, o ex-governador Alckmin e impedido assim o crescimento em São Paulo de seu rival Aécio Neves. A vitória de Serra é por isso uma vitória política muito significativa, reforçada mais ainda pela derrota de Marta e do PT, por uma margem grande e significativa.

Ao mesmo tempo, os limites desta vitória inegável de José Serra é que ela não conseguiu se projetar fora do Estado, na vitória de Gabeira no Rio, candidato do Serra e maior esperança deste segundo turno, após Kassab, para a oposição e a mídia. A vitória do candidato de Aécio em BH também constituí um limitador da vitória do paulista e de suas pretensões para 2010.

O PT deverá proceder a uma avaliação aprofundada sobre sua situação. Ele não pode limitar sua avaliação dos resultados a constatar o simples crescimento em prefeituras e em votos obtido pela legenda, ou no crescimento dos partidos da base do governo. Em primeiro lugar porque o PMDB é um aliado muito dividido nos diferentes Estados (em São Paulo está na oposição). Em segundo lugar, porque o PT, como partido, não conseguiu resolver o divorcio com uma parte significativa do eleitorado, particularmente da região sudoeste e sul e nestas regiões, de seu afastamento de contingentes significativos de eleitores da classe média urbanizada. Isto é particularmente válido nas capitais, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

Luis Favre

01/10/2008 - 10:15h Salvador: Três embolados no primeiro turno

João Henrique (PMDB), CM Neto (DEM) e Walter Pinheiro (PT) dividem a liderança João Henrique tem 25%, ACM Neto tem 24% e Walter Pinheiro tem 22% dos VOTOS VÁLIDOS


Faltando cinco dias para o primeiro turno das eleições, continua indefinida a disputa pela prefeitura de Salvador. O candidato à reeleição pelo PMDB, João Henrique Carneiro, está com 25% das intenções de voto, ao lado de ACM Neto (DEM), com 24% e de Walter Pinheiro (PT), com 22%. Em comparação com o levantamento anterior, realizado nos dias 25 e 26 de setembro, o peemedebista oscilou dois pontos para cima (de 23% para 25%), o democrata oscilou dois pontos para baixo (de 26% para 24%) e o petista oscilou de 21% para 22%. Antonio Imbassahy, do PSDB, oscilou um ponto para baixo (de 15% para 14%). Hilton Coelho, do PSTU, manteve 4%. Votos em branco ou nulo totalizam 7%. Indecisos, 3%.

Considerando-se os votos válidos, João Henrique Carneiro tem 28% das intenções de voto. ACM Neto está com 27%, Walter Pinheiro, com 25%, Antonio Imbassahy tem 16% e Hilton Coelho está com 4%. Os votos válidos são aqueles utilizados nos resultados oficiais da Justiça Eleitoral, onde se excluem os brancos, os nulos e as abstenções. Para efeito de cálculo destes votos, o Datafolha exclui da amostra, além dos votos brancos e nulos, os eleitores que se declaram indecisos.

O Datafolha ouviu 992 eleitores na cidade de Salvador, nos dias 29 e 30 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Na intenção de voto espontânea, também ocorre empate entre os três candidatos: ACM Neto foi de 17% para 18%, João Henrique Carneiro manteve os mesmos 16% da pesquisa anterior, e Walter Pinheiro passou de 16% para 15%. Antonio Imbassahy oscilou de 11% para 9%, Hilton Coelho teve uma oscilação de 2% para 1%. Outras respostas somam 5%, mesmo percentual dos que votariam em branco ou anulariam seu voto. O percentual de indecisos oscilou de 31% para 29%.

Número de Walter Pinheiro é o mais conhecido;
26% dos eleitores de Imbassahy podem mudar seu voto; ACM Neto seria o mais beneficiado

Do total de entrevistados em Salvador, 81% estão totalmente decididos em relação ao seu voto, contra 18% que ainda podem mudá-lo. No levantamento da semana passada, esses percentuais eram de 78% e 20%, respectivamente. Dos eleitores de ACM Neto, 86% não mudam mais o seu voto, percentual este que é de 84% entre os eleitores de Walter Pinheiro. No levantamento anterior esses índices eram de 79% e 81%, respectivamente. Entre os eleitores de João Henrique Carneiro, manteve-se o índice de 80%, e entre o eleitorado de Antonio Imbassahy, esse índice foi de 77% para 71%.

Entre os 19% dos eleitores de João Henrique Carneiro que ainda podem mudar o seu voto, 10% votariam em Walter Pinheiro. Entre os eleitores de Antonio Imbassahy que não estão totalmente decididos a votar no candidato (29%), 16% podem votar em ACM Neto. Dos eleitores de ACM Neto, 14% ainda podem mudar seu voto, percentual que é de 16% entre os eleitores de Walter Pinheiro.

O índice de eleitores soteropolitanos que sabem o número de seu candidato oscilou de 56% para 59%. Já 31% (eram 35%) não sabem ainda o número do candidato escolhido e 10% (eram 9%) responderam incorretamente.

O percentual dos eleitores de Walter Pinheiro que afirma conhecer seu número subiu de 70% para 78%, e dos eleitores de ACM Neto subiu de 62% para 67%. Já entre os eleitores de João Henrique Carneiro, o índice teve uma oscilação de 61% para 63%. Entre os eleitores de Antonio Imbassahy, caiu de 49% para 43% os que têm conhecimento de seu número.

Segundo turno indefinido em Salvador

Se houver uma situação de segundo turno entre João Henrique Carneiro e ACM Neto, os percentuais são de 46% para o candidato do PMDB, ante 41% do candidato do DEM. Votos brancos ou nulos somam 11%, indecisos são 2%. Na pesquisa de três dias atrás, os índices eram de 44% e 42%, respectivamente. Dos eleitores de Walter Pinheiro, 60% votariam em João Henrique Carneiro, contra 24% que votariam em ACM Neto. Entre os eleitores de Antonio Imbassahy, 33% dariam seu voto ao atual prefeito e 55% escolheriam o democrata.

Em simulação de segundo turno entre Walter Pinheiro e João Henrique ocorre empate: 42% para o petista e 41% para o peemedebista. Votariam em branco ou anulariam seu voto, 15%. Indecisos, 2%. Entre os eleitores de ACM Neto, 37% votariam em Walter Pinheiro, enquanto 35% votariam em João Henrique Carneiro. Dos eleitores de Antonio Imbassahy, 51% dariam seu voto ao candidato do PT, contra 33% que votariam no candidato do PMDB.

Numa terceira situação, entre Walter Pinheiro e ACM Neto, o petista venceria o democrata por 48% a 40%. Votos em branco ou nulos somam 11%, e 2% estão indecisos. No levantamento anterior os dois candidatos empatavam: 46% para o primeiro e 43% para o segundo. Do eleitorado de João Henrique Carneiro, 61% estariam com Walter Pinheiro no segundo turno, ante 25% que dariam seu voto a ACM Neto. Entre os eleitores de Antonio Imbassahy, esses percentuais são de 42% para o petista e de 47% para o democrata.

Ainda num outro cenário, que envolvesse ACM Neto e Antonio Imbassahy, os percentuais seriam de 40% para o candidato do DEM e de 39% para o candidato do PSDB. Votos brancos ou nulos totalizam 18%. Indecisos, 2%. Em relação à pesquisa anterior, houve uma oscilação dos dois candidatos: o democrata tinha 42% e o tucano, 38%. Nessa situação, dos eleitores de João Henrique Carneiro, 33% escolheriam ACM Neto no segundo turno, contra 41% que escolheriam Antonio Imbassahy. Já, entre os eleitores de Walter Pinheiro, 22% dariam seu voto a ACM Neto e 52% votariam em Antonio Imbassahy.

ACM Neto é o mais rejeitado; Walter Pinheiro, o menos rejeitado

O índice de rejeição de ACM Neto passou de 40% para 41%. Em seguida, aparecem três candidatos empatados: Antonio Imbassahy (foi de 30% para 33%), Hilton Coelho (de 36% para 32%) e João Henrique Carneiro (de 37% para 32%). Walter Pinheiro segue sendo o menos rejeitado (manteve 22%). Rejeitam todos os candidatos o mesmo índice dos últimos levantamentos (4%). O percentual dos que não rejeitam nenhum oscilou de 2% para 3%. Indecisos se mantiveram em 2%.

49% AVALIAM O GOVERNO DE JOÃO HENRIQUE CARNEIRO COMO REGULAR
Nota atribuída ao prefeito é de 5,4

O desempenho do prefeito de Salvador é considerado regular para metade do eleitorado: 49% (eram 46% na pesquisa anterior). Avaliam seu governo como ótimo ou bom, 24%, enquanto 25% o avaliam como ruim ou péssimo. No levantamento anterior, esses percentuais eram de 22% e 30%, respectivamente.

A nota média atribuída ao desempenho de João Henrique Carneiro oscilou de 5,1 para 5,4, numa escala de 0 a 10. Atribuem uma nota de cinco a dez, 73% (eram 69%).

Salvador, 30 de setembro de 2008.  Instituto Datafolha

30/09/2008 - 11:12h “Popularidade de Lula não é capaz de eleger postes”, diz governador da Bahia

Ruy Baron/Valor – 9/12/2005

Jaques: governador baiano mantém discurso conciliador em relação ao ministro Geddel Vieira Lima

Raymundo Costa, VALOR

Na reta final da campanha, a eleição embolou em Salvador, Bahia. Talvez mais que em qualquer outra cidade, o clima entre os aliados é tenso.

Os três dos dois candidatos cotados para passar para o segundo turno são da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jacques Wagner: João Henrique, do PMDB, atual prefeito, e Walter Pinheiro, do PT. O terceiro é Antonio Carlos Magalhães Neto, ACM Neto, do DEM e herdeiro do carlismo.

Em poucos Estados a disputa pelo uso da imagem do presidente foi tão intensa, a ponto de levar o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos fiadores da aliança PT-PMDB, ao ponto de ameaçar um rompimento com o governo. Jaques diz que não é de “esquentar” briga. Acredita na recomposição, apesar da “tensão” entre os aliados.

O governador da Bahia acha que não basta a popularidade para eleger “um poste”. É preciso haver sinergia com o eleitorado. “Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%!”, disse ao Valor, em conversa na sexta-feira. O petista também não vê o governador de Minas Aécio Neves como candidato pelo PMDB com o apoio de Lula. “Só se for na oposição”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O apoio do presidente e do governador desequilibra a eleição?

Jaques Wagner: Quando alguém diz ‘eu sou Lula desde criancinha’, quando é Lula só a partir do ano passado, as pessoas se dão conta. Até porque eu acho que as pessoas lêem errado as pesquisas. Quando ela diz assim: 60% dos eleitores dizem que o apoio do presidente Lula é benéfico, o que eles estão dizendo é que, para 66% do eleitorado, saber que o candidato que ele escolheu é aliado do presidente Lula, aumenta a vantagem dele em 60%. Mas é o que eu digo aqui é que 60% de 1% é 0,6%. Então o cara sairá de 1% para 1,6%. É que as pessoas querem ler assim: se o presidente Lula botar a mão eu saio de zero para 60%. O que não é verdade.

Valor: Não é automático.

Wagner: Não existe isso. É óbvio que quando você cria uma sinergia, quando há uma consciência coletiva, as pessoas raciocinam assim: eu vou votar nesse cara que ele é amigo do governador, é amigo do presidente e não é um babaca, para falar um termo bem objetivo. Agora, se o cara for um babaca, diz assim ‘pô Lula, você vai me perdoar mas nesse aí eu não voto não’. Então não funciona aquela idéia de eu ‘elejo um poste’. Não existe isso.

Valor: No entanto, o senhor acha que o PT vai crescer mais que os outros.

Wagner: Com essa identificação do 13, eu acho que os candidatos do PT ganham mais que os outros. Não é em detrimento dos outros.

Valor: O fato é que há reclamação. Como é que a base vai chegar em Brasília para as votações?

Wagner: Óbvio que a volta é uma volta com pontos de tensão. Não tem como. Toda eleição, evidente que mais na eleição municipal, não é um mar de rosas. A lógica municipal é mais intensa que a estadual e que a nacional. O que está em jogo agora? Os deputados estaduais e federais lutam fortemente para a eleição do seu prefeito, e isso na contabilidade dele significará uma posição melhor para a eleição dele em 2010. É essa a briga. E o governador? O prefeito pesa X para deputado estadual e federal e pesa um pouco menos para governo do estado e presidente da República. Evidente. Isso porque ele consegue muito mais coordenar o voto para deputado estadual e federal.

Valor: Mas a eleição de prefeitos agora não dará uma base melhor para a eleição do presidente e de governador de 2010?

Wagner: A população está estabelecendo uma lin ha direta entre ela e os cargos majoritários, principalmente governador e presidente da República. Vou dar o meu exemplo: eu tinha 50 prefeitos em 417. E ganhei na faixa de 230 cidades. Significa que nem os prefeitos que trabalharam contra convenceram a população. Eu não estou menosprezando, evidentemente que ele é um elemento da política, e da base de apoio, mas ele pesará muito mais na eleição de deputado estadual e federal, eventualmente na de senador, do que na de governador e presidente da República.

Valor: Por quê?

Wagner: Eu me convenço cada vez mais que as pessoas não querem intermediário para escolher governador e presidente. Por que dá tensão? Dá uma tensão maior aqui e vai dar uma tensão menor em nível nacional. É uma coisa até curiosa: onde você vai e ganha, em geral o cara vai dizer que foi ele que ganhou. Onde você não vai e o cara perde, ele vai dizer que você é que foi o culpado pela derrota dele.

Valor: A base fica unida?

Wagner: Está todo mundo mais maduro e todo mundo dá importância a estar participando de um projeto, até agora, exitoso, que é o do presidente Lula, em nível nacional, e na Bahia. até agora, a gente está bem. Então eu não acho que vá haver alguma sangria desatada.; Agora é fato que haverá uma tensão pós eleitoral normal. Eu, por exemplo, estou tentando ser o mais equilibrado possível. Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%. Quando está pau a pau, digamos um está com 40% e outro está com 38%, aí eu concordo que pode fazer a diferença.

Valor: O senhor e o ministro Geddel saem como entraram nessa eleição?

Wagner: Temos um ponto de conflito que foi produzido por alguém que não era meu nem dele, que é o prefeito atual, que foi eleito pelo PDT, com vice do PSDB, e baixíssima participação do PMDB, que não tinha nem interesse em ficar no governo. Tinha lá uma secretaria marginal. De repente, quando o cidadão viu que estava com problemas de sobrevivência política, ele teve de sair de um partido pequeno e procurar um partido maior para se abrigar. Ele é muito midiático. Eu até gosto dele, não é um mau caráter, não é um larápio, mas é um cara confuso. Confuso na política e confuso na gestão. Ele precisava de tempo de televisão. Quis vir para o meu partido, coisa que eu recomendei.

Valor: Mas o PT não quis?

Wagner: O vício do cachimbo deixa a boca torta. A gente vai amadurecendo mas alguns vícios vez por outra aparecem. Então apesar de o governador dizer: ‘rapaz, põe o cara pra dentro. A gente já está no governo, põe logo o cara no PT’, o meu partido não acolheu a minha sugestão, o pedido de seu governador. E ele acabou indo para o PMDB. Ao ir para o PMDB gerou então um pólo de tensão. Não por culpa dele, por culpa da conjuntura. Geddel e o PMDB receberam esse presente – tinham pouquíssima coisa em Salvador e ganharam um prefeito e uma prefeitura, como máquina política para fazer a operação da política, no bom sentido. É óbvio que gostariam de ter todo mundo em torno deles. Então lutaram por isso. Eu defendi a tese da minha base de sustentação (um candidato só), pelo menos na capital. As pessoas não se convenceram. Até porque diziam que ele é ruim de compromisso. O pessoal de pesquisa dizia que ele tinha dificuldade de ir até para o segundo turno. O argumento é que era melhor não jogarmos com uma hipótese só e perdermos para o PFL. A outra hipótese era o Imbassahy, com quem eu tenho relação. Mas isso não animava muita gente exatamente porque era um alinhamento com o PSDB nacional e as pessoas aqui não tinham interesse óbvio nessa aproximação. Quando acabar a eleição tem um rescaldo a ser tratado. E eu tenho que ficar administrando esse conjunto todo.

Valor: A base se mantém até 2010?

Wagner: Político é um animal objetivo, que eu dividiria em dois tipos: uns um pouco mais programáticos e outros, vamos dizer assim, mais conjunturais. Quem é mais programático, tende a continuar, apesar de ter havido um estremecimento com o chamado bloquinho (a união congressual de PSB, PCdoB e PDT). Mas eu acho que diminuiu essa tensão. Já vinha diminuindo antes, com a solução de São Paulo (a indicação de Aldo Rebelo para vice de Marta Suplicy). A relação do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB) com o presidente é excepcional. O episódio de Minas, por mais que localmente tenha ha reflexos no PT – e há um rescaldo a ser cuidado internamente – , do ponto de vista externo da relação dos aliados o PT acabou marcando um tento positivo, porque bem ou mal apoiou um candidato do PSB com interligação do PSDB, o que mostra que, aos trancos e barrancos, o PT também consegue apoiar os outros.

Como senhor vê a questão de Minas?

Wagner: Internamente ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Ficou a tensão com o Fernando Pimentel, vem a eleição para governador e ele evidentemente é um nome. Há insatisfações que terão de ser aparadas. Eu não sou de Minas e não quero me meter, mas o problema parece sido mais de método mesmo.

Como encaixar esse grupo no plano da sucessão federal.?

Wagner: Eu acho que a administração que foi feita em Minas, é óbvio que ela sempre terá contornos nacionais, mas na minha opinião ela terá muita influência na questão estadual. Eu acho que o Fernando e o Eduardo não têm peso para influir na questão interna do PSDB. Portanto não têm peso para ajudar o Aécio a ser o candidato do PSDB. Também não vejo nenhuma hipótese de o Aécio ser candidato em composição, vamos dizer, como Eduardo Campos, o PSB. A relação do PSB com o presidente é excepcional. O Ciro Gomes, o Eduardo. Então, sinceramente, eu não consigo ver a tal história de o Aécio vir ao PMDB para virar candidato, só se for para ser candidato contra o candidato do presidente Lula.

A eleição de São Paulo prova que não há como ter dois candidatos da situação?

Wagner: Se o presidente Lula desembarca em 2010 extremamente bem avaliado, e coloca uma candidatura à sucessão que mostre fôlego, não acho que os aliados atuais queiram sair fora. Tendo uma candidatura boa,. a tendência é manter isso tudo junto.

Valor: O PT vai para o segundo turno em Salvador?

Wagner: De há muito esta é a primeira eleição de Salvado equilibrada. Está dando o que eu imaginava: Neto tem o público deles (carlismo, que está na casa entre 23% e 25%, não cai mas também não sobe, que foi o índice do último candidato deles (César Borges); Imbassahy perde fôlego…

Valor: E foi abandonado pelos tucanos?

Wagner: Pelos daqui não, pelo Serra (José, governador de São Paulo) não, mas pelos outros talvez sim, porque ele está numa posição meio autônoma em relação ao comando nacional. Pinheiro está crescendo, e aí vamos ver. Qualquer dois dos quatro pode ir.

Valor: Para o governador seria mais fácil administrar uma disputa Neto-Pinheiro, não é?

Wagner: Politicamente, se forem dois aliados para o segundo turno a mensagem política é positiva, e a administração é difícil.

27/09/2008 - 11:27h Três candidatos agora lideram em Salvador

ACM Neto, João Henrique e Walter Pinheiro estão tecnicamente empatados a menos de dez dias da eleição


ACM Neto,
  Imbassahy, João Henrique  e Walter Pinheiro

LUIZ FRANCISCO DA AGÊNCIA FOLHA,EM SALVADOR

O deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) e o deputado federal Walter Pinheiro (PT) dividem a liderança na disputa pela Prefeitura de Salvador, a menos de dez dias para o primeiro turno da eleição.

Pesquisa Datafolha realizada entre quinta-feira e ontem mostra que o candidato democrata tem25%das intenções de voto, contra 23% do peemedebista e 21% do petista.

Em relação ao último levantamento, ACM Neto oscilou dois pontos para baixo e o peemedebista e o petista oscilaram um ponto para cima cada um.

Antonio Imbassahy (PSDB) e Hilton Coelho (PSOL) também oscilaram um ponto para cima e passaram, respectivamente, para 15% e 4%.

Foram ouvidos 1.008 eleitores e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. De acordo com a pesquisa, 6% dos eleitores pretendem votar em branco ou nulo e 5% estão indecisos.

Na intenção de voto espontânea, ACM Neto aparece com 17% (oscilou dois pontos para baixo), João Henrique tem16% (subiu quatro pontos em relação ao último levantamento) e Walter Pinheiro manteve os 14% da pesquisa anterior.

O Datafolha também simulou um eventual segundo turno entre os candidatos que aparecem à frente na pesquisa.

Entre João Henrique e ACM Neto, ocorre empate técnico: o peemedebista teria 44%, contra 42% do democrata. Caso o segundo turno aconteça entre Walter Pinheiro e ACM Neto, há um novo empate: o petista teria 46% dos votos, contra 43%. EntreACMNeto eImbassahy, mais umempate:42%para o candidato do DEM, contra 38%parao tucano.

Segundo o Datafolha, ACM Neto (40%) e João Henrique (37%) continuamsendo os candidatos mais rejeitados, ao lado de Hilton Coelho (36%), do PSOL. Em seguida aparecem Antonio Imbassahy, que passou de 27% para 30%, e Walter Pinheiro, que também teve o seuíndice derejeição aumentado – passou de 18% para 22%.

“O cenário é imprevisível. Não dá para afirmar quem vai disputar o segundo turno”, disse Mauro Paulino, diretor do Datafolha. O instituto perguntou também se os eleitores de Salvador estãodecididos emrelação ao seu voto – 78% responderam que não mudam de candidato, enquanto 20% afirmaram que podem alterá-lo.

Avaliação do prefeito Para 46% dos entrevistados, o desempenho de João Henrique à frente da prefeitura é regular, o que representaumaoscilação de três pontos para cima.

Outros 22% avaliam a sua administração como ótima ou boa (queda de quatro pontos) e 30% acham péssimo o governo do peemedebista (aumento de dois pontos).Amédia atribuída a seu desempenho é de 5,1.

19/09/2008 - 09:49h Petista sobe e disputa 2º lugar em Salvador; ACM Neto segue em 1º

ACM Neto,  Imbassahy, João Henrique  e Walter Pinheiro

LUIZ FRANCISCO – FOLHA SP

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR

Pesquisa Datafolha realizada anteontem e ontem mostra que a disputa pela Prefeitura de Salvador ficou mais acirrada. O deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) lidera com 27% das intenções de voto, mas oscilou um ponto percentual para baixo em relação ao levantamento anterior.

Em segundo lugar vêm o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), com 22% (oscilou um ponto para cima), e o deputado federal Walter Pinheiro (PT), com 20% -o petista subiu quatro pontos em relação à pesquisa anterior (a margem de erro é de três pontos percentuais).

Em relação à última pesquisa, o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB) perdeu quatro pontos e caiu para 14%, enquanto Hilton Coelho (PSOL) permanece com 3%. Segundo a pesquisa, os eleitores que pretendem votar em branco ou anular somam 9%, enquanto os indecisos somam 5%. O Datafolha ouviu 830 eleitores.

ACM Neto tem a maior rejeição, com 36%, seguido de João Henrique, com 33%. Imbassahy tem 27% e Pinheiro, 18%.

O Datafolha também simulou um eventual segundo turno entre os candidatos mais bem colocados e constatou um empate em todas as disputas.
Caso o segundo turno seja disputado entre ACM Neto e João Henrique, o democrata teria 43% das intenções de voto, ante 42% do peemedebista. No confronto entre ACM Neto e Walter Pinheiro, cada um teria 43%. Já uma eventual disputa entre ACM Neto e Imbassahy daria 42% ao democrata contra 40% do ex-prefeito.

“Dos três candidatos mais bem avaliados, ACM Neto é o que tem mais chances de disputar o segundo turno porque mantém estabilidade desde o começo das pesquisas”, disse Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. Paulino lembrou, porém, que o índice de rejeição do deputado é o maior.
Para 44% dos eleitores entrevistados pelo Datafolha, ACM Neto vencerá as próximas eleições. Outros 16% acreditam na reeleição de João Henrique Carneiro, enquanto 14% confiam em Walter Pinheiro e 13%, em Imbassahy.

ACM Neto tem melhor desempenho entre eleitores entre 25 e 34 anos (34% da preferência). João Henrique vai melhor entre os que têm renda familiar de até dois salários mínimos (25%) e os mais jovens (25%). Pinheiro tem a sua melhor avaliação entre as pessoas entre 35 e 44 anos (24%) e com ensino superior (27%). Já Imbassahy obtém bom desempenho entre eleitores com mais de 60 anos (21%) e entre os que apresentam as maiores rendas (27%).

02/09/2008 - 16:01h Demora para cair a ficha

Rodrigo Maia, presidente do DEM e Cesar Maia, prefeito do Rio: otimistas
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Segundo o TSE, nestas eleições municipais o DEM (ex-PFL) está com 5.000 candidatos a menos que em 2004. Já em 2006 o partido de direita tinha minguado o número dos seus deputados e eleito um único governador, o do Distrito Federal.

Agora os demos correm o risco de perder as duas capitais que governam graças aos ainda fracos desempenhos de Solange Amaral (Rio) e Gilberto Kassab (São Paulo). Além disso, patinam em Belo Horizonte (Gustavo Valadares, com 1%, segundo o último Ibope), Porto Alegre (Onyx Lorenzoni, 5%) e São Luís (Raimundo Cutrim, 5%).

No caso de São Paulo, o candidato demo só disputa com um certo peso porque, travestido de tucano, ele arvora o título de candidato de Serra, do qual herdou sem ser eleito a maior prefeitura do país.

Além de São Paulo, suas reais chances estão em Salvador, com ACM Neto, Fortaleza com Moroni Torgan e em Belém, com Valeria. Nas três capitais as pesquisas os apresentam disputando o primeiro lugar.

Uma força marginal, porem influente na imposição de pautas para a mídia e os tucanos, aos quais estão subordinados sem nenhum assomo de independência.

Uma perspectiva assombrada pela ausência de lideranças e de bases locais.

Mesmo assim, o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, está otimista. É o que ele diz na entrevista que deu para o portal Globo e que você pode ler aqui. LF

28/08/2008 - 11:15h Sobra PT e falta PSDB na TV em Salvador

Alan Marques/Folha Imagem – 30/7/2008
Serra: governador de São Paulo gravou imagens para as campanhas de Curitiba, Porto Alegre e Teresina

Raquel Salgado – VALOR

Depois de usar a imagem do governador Jaques Wagner (PT) apoiando sua candidatura na convenção do PSDB e de frisar que tem a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato tucano à Prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy, duas vezes prefeito, dificultou uma possível participação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no horário eleitoral. Por ora, a coordenação da campanha não pensa em usar sua imagem.

Além de São Paulo, Serra só apareceu, até agora, no programa do deputado Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSDB-PPS à Prefeitura do Rio. Serra, assim como o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), já gravaram para a campanha à reeleição do prefeito Beto Richa, em Curitiba, assim como para a campanha de Nelson Marchezan Júnior, candidato do PSDB em Porto Alegre. Serra também gravou para a campanha tucana em Teresina.

Sua situação poderá se complicar. “Além de não ter hoje um mandato como os outros candidatos, não pode contar com um apoio muito militante do PSDB”, diz Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que estuda há anos a política baiana. No segundo turno, contudo, Imbassahy se fortalece, pois é pouco rejeitado pela população e se apresenta ao eleitorado como uma boa segunda opção.

Na avaliação de Dantas Neto, não é apenas a aproximação de Imbassahy com Wagner e Lula que impede a participação de Serra no pleito soteropolitano. Mesmo sendo muito próximo de um tucano de destaque na política local e nacional, o deputado federal Jutahy Magalhães Junior, Serra precisa ser pragmático e pensar em um palanque competitivo na Bahia em 2010. “A solução mais provável é que o PSDB marche com o Democratas, o que limita os movimentos de Serra neste ano”, diz. Há ainda a aproximação de ACM Neto com Serra e Aécio, que o vêem como um aliado promissor.

Serra, por sua vez, não é grande angariador de votos em Salvador. Na eleição presidencial de 2002 obteve apenas 4,6% dos votos válidos no º turno e 10,6% na segunda etapa.

Depois de evitar maiores comparações com seu falecido avô, o deputado federal e candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, resolveu resgatar não só a imagem do senador ACM, mas também reforçar sua campanha com a presença de outros carlistas: a do hoje senador, César Borges, e a do ex-governador da Bahia, Paulo Souto.

“Veja o que o Democratas e o PR já fizeram por Salvador”, diz o narrador do programa de ACM Neto. Uma seqüência de imagens de ruas, avenidas, parques, além de uma maternidade e de jornais anunciando a vinda da Ford para o Estado são apresentadas seguidas por frases que lembram muito uma antiga campanha de Paulo Maluf. A cada obra, um coro diz: “Foi ACM que fez”, “Foi Paulo Souto que fez”, “Foi César Borges que fez”.

Imbassahy e ACM Neto disputam faixas parecidas do eleitorado. O tucano já foi um dos quadros do antigo PFL e foi graças ao apoio carlista que chegou à prefeitura da capital em 1992. Apesar de seguir bem colocado nas pesquisas, Imbassahy caiu de 27% para 18% na última pesquisa Ibope por encomenda da Rede Bahia, da família Magalhães.

O candidato do PT, o deputado federal Walter Pinheiro, após ter arrancado no Ibope, chegando a 13% das intenções de voto (antes tinha 6%), vai ter, já no 1º turno, uma grande ajuda de Wagner. Depois de afirmar que permaneceria eqüidistante no º turno, pois três dos cinco candidatos são da base aliada de seu governo, Wagner decidiu gravar participações no programa de Pinheiro.

O atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB) tem usado a parceria com Lula e com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Com a desvantagem de ter sua administração atacada por todos os candidatos, o peemedebista partiu para o confronto. O alvo preferido é Imbassahy que, segundo ele, teve oito anos de mandato e não fez nem metade do que João fez em menos de quatro. O prefeito, que tem 15% das intenções de votos, preocupa-se também com a evolução de Pinheiro. Ambos se apresentam como próximos a Lula e Wagner e opositores ao modo carlista de se fazer política. (Colaboraram Ana Paula Grabois, do Rio; Marli Lima, de Curitiba; Sérgio Bueno, do Rio Grande do Sul, e Cesar Felício, de São Paulo)

02/10/2007 - 13:13h Geddel comanda desmonte do carlismo

Paulo Totti para Valor

Ruy Baron/Valor

Às 10h00 de segunda-feira nos sofás da sala de estar de um apartamento em ensolarado edifício do bairro de Ondina, 14 pessoas esperam a oportunidade de trocar algumas palavras com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB). Ao meio-dia, já serão mais de 20 os visitantes. Comissões de prefeitos, vereadores, deputados estaduais conversam com Geddel na sala de jantar, paredes nuas e sem luxo, com uma mesa em condições de assentar mais de dez pessoas. Os encontros individuais ocorrem num gabinete ao lado, mais exíguo e também despido de ornamentos. “O ministro hoje teve que transferir alguns encontros para a própria casa porque havia muita gente querendo falar com ele. Não sei o que vai acontecer com os que estão lá na sede da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), onde o ministro costuma despachar todas as segundas”, diz uma assessora. “No sábado e no domingo ele vai para o interior e na segunda o interior todo parece que vem para cá. É a nossa rotina”.

Tanta atividade não é exclusiva do ministro. Com a agenda sobrecarregada na terça-feira, o governador Jaques Wagner (PT), por exemplo, só começou às 13h30 uma audiência marcada para as 11h. Quatro pessoas ainda aguardavam na ante-sala e, ao lado do gabinete, às 14h30, a mesa do almoço continuava posta à espera do governador e dois convidados. O prefeito João Henrique Carneiro (ex-PDT, hoje PMDB), na mesma tarde, depois de uma circulada pelo centro da cidade para “fiscalizar o comércio” (e fechar uma agência do Real ABN Amro, por irregularidades num alvará), foi receber vereadores na prefeitura, ao lado do Elevador Lacerda, e correu ao gabinete de despachos do governador, no Centro Administrativo estadual, para a assinatura de um contrato com a Infraero destinado à construção de viadutos que facilitarão o acesso ao aeroporto Luís Eduardo Magalhães.

A primeira-dama, Fátima e Jaques Wagner, governador da Bahia

Do outro lado de Salvador, no escritório de um conjunto conhecido como As Torres Gêmeas, na avenida Tancredo Neves, o ex-governador Paulo Souto (DEM) acabava de voltar, quarta-feira, do velório da mulher de um prefeito do interior, recebia um outro prefeito, dava entrevista pelo telefone à Rádio Metrópole e aguardava a chegada de uma equipe da TV Bahia.

Em Brasília, na sexta-feira, o senador César Borges (ex-PFL, ex-DEM, e, a partir desse dia, oficialmente no PR), saía do gabinete do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (vice-presidente do PR), e ia direto para o aeroporto, para um fim de semana em suas bases na região de Jequié, onde o sertão começa a 360 quilômetros de Salvador. Na manhã do mesmo dia, no bairro da Pituba, as escadas que levam ao terceiro andar, e também os corredores e as quatro pequenas salas do modesto escritório de Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), estão tomadas por correligionários (é sexta-feira e três deles vestem-se de branco, da gravata aos sapatos). O deputado chega sem seguranças, cumprimenta cada um, despacha com alguns deles no próprio corredor, reúne-se individualmente num gabinete apertado com meia dúzia de outros, e sai para uma participação ao vivo na TV Bahia. Aos 28 anos, casado, ACM Neto tem pouco tempo para a filha de sete meses, Lívia, para jantar fora, ir ao cinema, fazer com a mulher um programa de jovens. Sábado e domingo terá novos compromissos, obviamente políticos, com agenda não revelada.

Na plácida Bahia, todos os expoentes da política demonstram excepcional disposição para o trabalho nestes dias que antecedem o 5 de outubro, data limite para a troca de partido dos que pretendem concorrer por outra legenda às eleições municipais de 2008. No país inteiro, há movimentação e expectativas. Mas, na Bahia, a situação é diferente e especial. Pela primeira vez, desde os anos 60 do século passado, Antonio Carlos Magalhães não está presente, não disputa, não decide, não influi pessoalmente (pró ou contra) numa eleição. E sem ACM, o avô, como ficam os prefeitos, acostumados com o alinhamento automático ao poder estadual e, por meio dele, ao poder federal, um disciplinado verticalismo que lhes assegurava não só a eleição, mas os favores no exercício do mandato que os levaria à própria reeleição ou à sobrevivência de seu grupo?

Nenhum dos grandes próceres da Bahia disputará eleições municipais, mas o cacife de cada um no jogo do poder estadual começará a ser calculado pelo número de fichas de filiação de prefeitos e vereadores que empilhar no seu estoque partidário a partir de sexta-feira.

Em 2004, dos 417 municípios da Bahia, 370 elegeram prefeitos do então PFL ou de partidos perfilados com Antonio Carlos. PMDB e PSDB elegeram perto de 40 e o PT saltou de 7 para 19. O PDT fez o prefeito de Salvador, com 75% dos votos. Nas duas cidades do interior mais populosas, o PFL tem o prefeito reeleito de Feira de Santana e o PT, o prefeito de Vitória da Conquista. Nos maiores colégios eleitorais do Estado, à exceção de Salvador, os carlistas elegeram cinco prefeitos, o PT quatro e o PMDB, um. Muitos dos prefeitos, num êxodo a que se juntaram vereadores, deputados estaduais e federais, abandonaram o DEM já na derrota para Jaques Wagner em 2006, mas a restruturação completa do quadro partidário ocorrerá somente agora, quando se saberá se e como, morto Antonio Carlos, sobreviverá o carlismo.

Adesões

Nenhum dos próceres ouvidos pelo Valor arriscou previsão sobre o placar final dessa corrida por adesões. A exceção foi o ministro Geddel Vieira Lima, presidente de honra do PMDB na Bahia (o irmão, Lúcio, é o presidente da executiva regional). “O carlismo é hoje uma Ong em desagregação”, disse Geddel, referindo-se não só às derrotas sofridas pelo PFL, em 2004 nas eleições para prefeito em Salvador e em 2006 para o Senado e o governo do Estado, como à crise que sucedeu à mudança do nome do partido para Democratas e culminou com a saída do senador e ex-governador carlista César Borges para o PR. Às vésperas do encerramento do prazo de filiações, Geddel contabiliza como certa a adesão de 70 prefeitos ao PMDB e esperava chegar a 100, “ou perto disso”. Jaques Wagner diz que a corrente que ACM chefiou continua forte eleitoralmente e, apesar de fragmentada, merece respeito. “Minha vitória em 2006 foi no primeiro turno e com folga. Mesmo assim, a diferença foi de cinco pontos (52,5% a 47,5%). Isso é pouco para considerar que o adversário desapareceu”.

Paulo Souto e Antonio Carlos Magalhães Neto reconhecem que sua corrente perdeu substância. A derrota de 2006 é atribuída por ambos à “avalanche lulista” que soterrou a oposição em todo o Nordeste e, diz Paulo Souto, “a uma certa fadiga de material. Depois de 16 anos ininterruptos, o eleitor quis experimentar uma mudança”. A atual debandada é vista como resultado natural da necessidade de aproximação com o poder. “Fomos beneficiários disso durante muito tempo”, diz Paulo Souto, pragmática e sinceramente. Dois dias depois, ACM Neto faria o mesmo raciocínio. Numa comprovação de que o carlismo sempre teve bons analistas do contexto político da Bahia, um assessor do jovem ACM simplifica numa frase a situação atual de sua corrente: “Estamos sendo picados pelo nosso próprio veneno”.

Antonio Carlos Magalhães
Geddel Vieira Lima, que testemunhou de perto a prática política de Antonio Carlos Magalhães – foi seu inimigo pessoal por mais de dez anos e, atraído por Luís Eduardo, se tornou próximo ao final da década de 90, para ser novamente inimigo após a morte do filho do então senador – faz uma longa descrição do que consideraria o “veneno” de ACM.

Estamos sendo picados pelo nosso próprio veneno, É natural. Nos beneficiamos disso durante muito tempo”

Diz Geddel: “ACM cresceu na ditadura, uma época em que o governador era nomeado em agosto e a eleição geral era em outubro. Então, prefeitos, deputados, todos queriam o apoio do governador para eleger-se, manter-se no poder e evitar cassações. ACM fortaleceu-se regional e nacionalmente com a nomeação em rodízio de subservientes e a perseguição aos adversários. Na redemocratização, aproximou-se de todos os presidentes. No primeiro mandato de Fernando Henrique reuniu mais poder até do que na ditadura. Brigou com FHC mas manteve o controle de todos os cargos federais que nomeara. Houve esperança de modernização quando o filho começou a aconselhá-lo. Mas Luís Eduardo morreu. Depois, houve os dois escândalos de grampos, um na Bahia em episódio pessoal que a imprensa explorou bastante e o outro em Brasília no caso do painel do Senado. A herança de ACM não exibe um chefe político formado, árvore para abrigo na intempérie. É natural que os políticos procurem esse abrigo em outras paragens”.

A movimentação de Geddel indica que pretende acolher a orfandade à sombra de sua autoridade de ministro e de “chefe de partido” aliado dos governos federal e estadual. O ministro parece gostar da expressão “chefe de partido”. Usou-a três vezes em seu contato com o Valor. Perguntado se tentou atrair César Borges para o PMDB, Geddel respondeu: “Não o procurei. Ele incorpora todos os defeitos do carlismo. Morto o dono do estilo, eu não iria chamar para o PMDB quem quer preservar esse estilo.”

César Borges, que sai do DEM por não concordar com o controle da legenda pelo ex-governador Paulo Souto, acabou no PR e recebeu do presidente de honra do partido, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, e do vice-presidente Alfredo Nascimento, uma carta atribuindo-lhe “o irrestrito comando sobre os destinos do PR na Estado da Bahia”, o que representa a deposição do atual presidente, deputado federal José Carlos Araújo. Jaques Wagner disse ao Valor que não teve interferência no ingresso de Borges na base de apoio ao governo federal -”isso é coisa de Brasília” – mas, para evitar surpresas, apressou a cerimônia de adesão da bancada estadual do PR à sua própria base de apoio (três deputados hoje e mais três que virão nos próximos dias). Em Brasília, Borges disse que pretende chegar ao PR baiano “com uma bandeira branca” e que não se recusa a dialogar com Wagner, se convidado. Sobre a adesão a um partido da base federal, Borges disse que continua contra a CPMF, mas, no Senado, trabalhará para um acordo entre governo e oposição sobre o tema.

Apesar da ausência de previsões que reflitam a realidade e não os desejos, o PMDB baiano é o partido com a maioria das adesões pré-5 de outubro (na prática, o prazo para o recrutamento se esgota amanhã, pois dois dias serão gastos na tramitação da nova filiação na Justiça Eleitoral). A adesão mais visível foi a do prefeito de Salvador, João Henrique, ao PMDB no mês passado. O pai do prefeito, ex-governador João Durval Carneiro (ACM indicou-o candidato do PDS em 1982 para substituir Clériston Andrade, morto num acidente de helicóptero em plena campanha) derrotou Rodolpho Tourinho (PFL) em 2006 e elegeu-se senador pelo PDT. O PMDB é o mais forte aliado do governador Jaques Wagner. Geddel indicou o vice, ex-deputado estadual João Pereira, e tem várias secretarias no Estado e na prefeitura. Na atração dos “órfãos”, o PT segue a orientação nacional, recusa adesões “não ideológicas” e isso facilita o inchaço dos outros partidos que apóiam o governador. Com seu estilo calmo e muita articulação nos bastidores, preferindo usar a palavra “liderança” à “chefia” ou “comando”, tão ao gosto dos políticos mais tradicionais da Bahia, Wagner conseguiu vitória em todas as votações importantes na Assembléia. Na semana passada, eram 38 deputados num total de 63, e com a atração mais recente de deputados do PR e outras aproximações, sua maioria pode chegar a 46, quatro cadeiras a mais do que o carlismo dispunha na legislatura passada. ACM Neto inclui o PSDB, do deputado federal Jutahy Magalhães e do ex-prefeito Antônio Imbassahy, na “linha auxiliar ” de Wagner. O presidente da Assembléia, com efeito, é do PSDB e facilita a tramitação dos assuntos de interesse do governador.


Aos 48 anos, casado, duas filhas, Juliana, 8, e Mariana, 4, Geddel diz que não quer ser governador em 2010. “Leitor de Ortega y Gasset, sou eu e minhas circunstâncias. Respeito a fila. Jaques tem a preferência. Se quiser ser reeleito, eu o apóio e me candidato ao Senado. O pacto com Jaques será respeitado. Jaques me apoiou para o ministério de Lula e se ele for candidato a presidente em 2010, ou a vice, destaco, pode contar comigo”.

O ingresso do prefeito no PMDB foi, segundo Geddel, “pactuado” com Jaques Wagner, que prometeu apoio a João Henrique para a reeleição em 2008, uma decisão incômoda para as bases do PT de Salvador, que pretendiam mais uma vez lançar a candidatura do deputado federal Nélson Pellegrino. “O ciúme existe”, diz Geddel, “mas Jaques e eu somos políticos sensatos”.

O carlismo está disposto a explorar o provável ressentimento do PT e de outros partidos da base de Wagner com o crescimento de Geddel. “Geddel pode criar problemas ao Jaques. A coabitação com o PMDB não é uma coisa boa”, diz Souto. “O culpado é o próprio PT, que deu tantas asas ao Geddel”, diz, por sua vez, César Borges, que, segundo amigos e inimigos, sai do carlismo mas continua carlista.

Um sinal de que PMDB e PT não estão tão afinados é o que ocorre neste momento com a escolha de um novo membro do Tribunal de Contas do Estado, em vaga tradicionalmente preenchida por um indicado pela Assembléia. A bancada do PT tem candidato, Zilton Rocha, e o PMDB resolveu indicar o pai de seu líder na Assembléia, nada menos do que Leur Lomanto, recém-saído da desprestigiada diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Foi uma decisão da bancada. Não poderia vir de Brasília e emasculá-la”, diz Geddel.

Alan Rodrigues  
• Paulo Souto, ex-governador

Com esse quadro, o que faz o DEM para garantir a sobrevivência? Paulo Souto e ACM Neto fazem a mesma análise do passado e pensam igual sobre o futuro. O deputado considera que, “no sistema eleitoral brasileiro”, as chefias locais dependem muito do poder estadual ou do poder federal. “Perdemos os dois. O eleitor nos tirou do poder e só ele pode nos colocar de volta”, Por isso, o DEM, com os poucos aliados que lhe sobrarem, pretende falar diretamente ao eleitor. A defesa da redução dos impostos, adotada nacionalmente, será um dos instrumentos desse contato. “Em 2006 tínhamos apoio de 380 prefeitos, 42 dos 63 deputados estaduais, 25 dos 39 deputados federais e, mesmo assim, perdemos”, contabiliza ACM Neto. Já as lideranças intermediárias, diz, são atraídas de duas formas: pelo exercício do poder ou pela expectativa de poder. “Perdemos a primeira, mas podemos ser a segunda”. A Prefeitura de Salvador pode ser o início do caminho de volta. Para Souto, as chances de vitória na capital são boas, devido principalmente “ao desempenho fraco do atual prefeito”. Neto acrescenta que em pesquisa da Qualy, uma empresa baiana, os que consideram ruim ou péssima a administração de João Henrique são o dobro dos que lhe atribuem nota boa ou ótima. Segundo a pesquisa, ACM Neto tem 15% das preferências para prefeito. “Mas só vou decidir lá por dezembro”, afirma. Na eleição para a Câmara, Neto teve na capital 107 mil votos de um total de 437 mil. Sobre alianças, diz ele que César Borges se comprometeu a apoiá-lo. Pelo telefone, de Brasília, César Borges afirmou que não se lembra da promessa.

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

Souto e ACM Neto poupam até aqui o governo de Jaques Wagner, mas destacam que a violência aumentou na capital e na região metropolitana. Assessores de Wagner dizem que os dados sobre criminalidade no governo de Souto eram manipulados. “É criminoso dizer isso”, responde Souto. “Mas mesmo os números do atual governo mostram que a violência aumenta a cada mês”. Perguntado se confirma a fama de que o carlismo, apesar de tudo, era um primor de gestão, Wagner responde: “Montaram uma boa máquina arrecadadora. Mas no restante, especialmente na área social, o desempenho foi muito fraco”. Ao assumir, Wagner revelou a herança de uma dívida de R$ 400 milhões. Uma auditoria mais profunda, diz sua assessoria, indicou o comprometimento do orçamento de 2007 em R$ 1 bilhão. A Bahia, na atual gestão, foi um dos poucos Estados do Nordeste que não teve problemas em seus hospitais. “Isso ocorreu porque entreguei a Saúde em bom estado”, diz Souto.

O cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, é o mais conhecido estudioso do fenômeno que ele próprio passou a chamar de carlismo. Crítico severo (e documentado) do carlismo e simpático ao PT, Paulo Fábio não acha que o carlismo desapareceu: “Perdeu substância nos últimos anos, mas nunca passou mesmo de 30%”. A volta do carlismo ao poder seria um retrocesso, mas ele revela um temor maior: o de que Jaques Wagner, empolgado com o sucesso, “desmanche seu projeto de governo em nome da unanimidade, a Bahia una sob seu comando”. Diz o professor: “Tornar-se o coveiro do carlismo é até possível, mas isso só será conseguido se recorrer aos mesmos métodos do carlismo. Ter oposição é bom para a democracia. Jaques tem que afastar de si esse cálice”.