18/12/2008 - 10:34h ‘Parasitas’ sugam R$ 130 mi. Este é o valor estimado por promotor do Gaeco sobre esquema de fraude com insumos hospitalares

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Jornal da Tarde

remedio.gifRelator mira em firma de distribuição

Com apenas dois votos contrários – Milton Leite (DEM) e José Police Neto (PSDB) -, a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal aprovou ontem o relatório da subcomissão de vereadores que investiga a máfia dos parasitas. De autoria do petista Paulo Fiorilo, o texto pede, além de uma CPI em 2009, uma investigação do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas do Município (TCM) sobre os contratos da Secretaria de Saúde com a empresa Pronto Express, responsável por armazenar e distribuir insumos a rede básica hospitalar da capital.

“Há indícios de irregularidades nos preços praticados e na forma de contratação, além da informação de que a empresa foi habilitada junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em agosto de 2006, mas iniciou a prestação de serviços junto à Prefeitura no mês de maio de 2006”, destacou Fiorilo no relatório.

Investigação parlamentar

A Pronto Express, que substituiu os Correios na distribuição de medicamentos, virou alvo de investigação parlamentar após o vereador Aurélio Miguel (PR) ler em plenário reportagem do site Terra Magazine relatando que a empresa, com sede na Bahia, teve como sócio até 2003 o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), filho do senador ACM, morto em 2007, e que hoje é do publicitário Fernando Barros, acusado de ser “testa-de-ferro” de ACM Jr.

Para Police Neto, líder do governo na Câmara, “há excesso de acusações”. “Não vejo a relação apresentada (da Prefeitura) com o político baiano. Acho delicado lançar suspeição sobre algo que nem suspeição tem”, disse o vereador.

Segundo a Secretaria de Saúde, o contrato original, de 2004, com os Correios omitia que o serviço era de distribuição de medicamentos e, por isso, a licença da Anvisa não foi exigida. Quando a Pronto Express assumiu o serviço, em maio de 2006, “a licença da Anvisa foi providenciada, a pedido da pasta.”

PRONTO EXPRESS SUBSTITUIU CORREIOS

R$ 283 mil
por mês era o valor pago, segundo a Secretaria Municipal
de Saúde, aos Correios para cuidar da logística no recebimento de medicamentos e na distribuição para os hospitais
municipais

Maio a novembro de 2006:
foi o período em que a empresa Pronto Express assumiu em
‘caráter emergencial’ o serviço, depois que os Correios decidiram rescindir o contrato com a Prefeitura por “falta de interesse”, segundo informações da pasta da Saúde

R$ 698, 7 mil
por mês foi o valor que venceu licitação aberta pela Prefeitura, oferecido pela Pronto Express – na concorrência que teve mais cinco empresas, segundo a secretaria. O novo serviço começou no dia 1º dezembro de 2006

R$ 1,12 milhão
por mês, atualmente, é o valor estimado do contrato com
a empresa Pronto Express. O aumento no pagamento,
segundo a pasta de Saúde, se deu em razão do maior volume de medicamentos distribuídos e da entrega a cada 15 dias, em vez de uma vez por mês


‘Parasitas’ sugam R$ 130 mi

Este é o valor estimado por promotor do Gaeco sobre esquema de fraude com insumos hospitalares

Fabio Leite – Jornal da Tarde

f.leite@grupoestado.com.br

O rombo provocado pela máfia dos parasitas nos cofres públicos de São Paulo pode chegar a R$ 130 milhões. A projeção é do promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público que investiga esquema de fraude em licitações para venda de insumos a hospitais públicos estaduais e municipais, entre 2004 e outubro deste ano.

“É uma das maiores, se não for a maior fraude no sistema de saúde que o Brasil já registrou”, afirmou Carneiro, um dos promotores que, na semana passada, ofereceram denúncia à Justiça contra 13 pessoas – três empresários, três funcionários, dois laranjas, um doleiro e quatro funcionários públicos -, acusadas de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato (desvio de recursos públicos) e fraude às licitações.

No dia em que encaminhou a denúncia ao juiz da 2ª Vara Criminal da capital, o Gaeco divulgou uma nota dizendo que as fraudes causaram prejuízo de pelo menos R$ 80 milhões aos cofres públicos. “Mas já há perspectivas das auditorias da (Secretaria Estadual da) Fazenda que elevam para até R$ 130 milhões”, disse Carneiro. A Fazenda informou que ainda não tem os valores, “pois as auditorias ainda não foram concluídas.”

Num organograma apresentado junto à denúncia, o Ministério Público (MP) mostra que o esquema tinha por finalidade subornar os quatro funcionários públicos para fraudar pregões eletrônicos e presenciais em três hospitais: Ipiranga, Pérola Byington (estaduais) e Tatuapé (municipal).

Segundo o MP, atuaram no esquema Ziran Maria de Melo Moreira (chefe da seção do setor e compras do Ipiranga), Márcia Meneghello (diretora técnica da divisão de enfermagem do Pérola Byington) e João de Oliveira Filho, funcionário do mesmo hospital, e Milva Lúcia de Melo, diretora de farmácia do Tatuapé. O MP estima que eles teriam desviado, entre 2004 e 30 de outubro deste ano R$ 17,2 milhões, “ainda não integralmente calculados”.

No Hospital Municipal do Tatuapé, a servidora Milva, afirma a promotoria, interagia com a quadrilha “fraudando os procedimentos de licitação colocados em sua alçada”. Ela “controlava o estoque de produtos farmacêuticos, viabilizando pedidos depois repassados à quadrilha, segundo os seus próprios interesses espúrios”, informa a denúncia. Milva foi exonerada no dia 17 de novembro, a pedido, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Além de superfaturar o preço de insumos, já que as empresas idôneas que participavam do pregão eram desclassificadas pelos servidores públicos, mesmo apresentando preços menores, o suposto esquema ainda entregava produtos de baixa qualidade e em menor quantidade, segundo o MP.

Das 11 empresas suspeitas de participar da máfia, segundo o Departamento de Polícia Judiciária (Decap), que também investiga o esquema, cinco mantêm contratos com a Prefeitura. São elas: Embramed, Velox, Halex Istar, Home Care e Biodinâmica. Juntas elas receberam R$ 17,3 milhões do governo municipal entre 2005 e outubro deste ano. Para Carneiro, promotor do Gaeco, “todos os contratos com as empresas envolvidas são suspeitos.”


ENTENDA O CASO

Em 30 de outubro, a Polícia Civil desmantelou o esquema da ‘máfia dos parasitas’, acusada de fraudar licitações para venda de insumos a hospitais públicos, com superfaturamento de preços.

Das 11 empresas investigadas pelo Ministério Público , 5 mantêm contratos com a Prefeitura da capital: Embramed, Home Care, Halex Istar, Biodinâmica e Velox.

13 suspeitos (incluindo quatro servidores municipais e estaduais) foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público, que estima um prejuízos de até R$ 130 milhões para os cofres públicos.

Além da denúncia do MP que se refere a hospitais públicos municipais e estaduais de São Paulo, a máfia dos parasitas, segundo a Polícia Civil, também se ramificou por mais 29 prefeituras do Rio,de Minas Gerais e Goiás. Neste caso, a quantia de dinheiro público desviado ainda não foi calculada.

‘É uma das maiores, se não for a maior, fraudes no sistema de saúde que o Brasil já registrou”

JOSÉ REINALDO GUIMARÃES CARNEIRO,
PROMOTOR DO GAECO, QUE JÁ ENCAMINHOU DENÚNCIA À JUSTIÇA
CONTRA 13 ACUSADOS DE ENVOLVIMENTO COM O ESQUEMA DE FRAUDES
EM LICITAÇÕES DE HOSPITAIS PÚBLICOS MUNICIPAIS E ESTADUAIS

17/12/2008 - 20:03h ‘máfia dos parasitas’: empresa baiana entra na mira

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Pronto Express, contratada para a distribuição de material hospitalar, teria ACM Jr. como sócio oculto

Fabio Leite – Jornal da Tarde

f.leite@grupoestado.com.br

A subcomissão de vereadores que investiga a atuação da máfia dos parasitas dentro da administração municipal questionou ontem uma possível ligação da empresa Pronto Express, responsável pela distribuição de medicamentos à rede pública hospitalar da cidade, com o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), o ACM Júnior, filho do ex-senador baiano morto em 2007.

O indício foi apresentado pelo vice-presidente da subcomissão, Aurélio Miguel (PR), e pegou de surpresa o secretário adjunto da Saúde, Ailton de Lima Ribeiro, e o coordenador de hospitais municipais Paulo Kron Psanquevich, que prestavam esclarecimentos aos vereadores sobre a apuração realizada pela secretaria do esquema que fraudava licitações para a venda de insumos hospitalares.

“É alguma coisa estranha”, disse o vereador do ‘Centrão’ – bloco formado por PMDB, PR, PTB e PP que tem votado com governo -, referindo-se ao fato de ACM Júnior ser do mesmo partido do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

“Foi uma novidade que surgiu na subcomissão e que requer investigação por conta da relação do governo com o político da Bahia”, afirmou Paulo Fiorilo (PT), que apresenta amanhã seu relatório sobre a investigação parlamentar do caso. “Será preciso analisar como se deu esse processo licitatório que escolheu a Pronto Express, mas agora não temos mais tempo para isso.”

Para o presidente da subcomissão, Roberto Tripoli (PV), os novos indícios terão de ser analisados a fundo na próxima legislatura. “Não tenho dúvida de que a primeira CPI de 2009 será essa (dos parasitas)”, afirmou.

Segundo o delegado do Departamento de Polícia Judiciária (Decap), Luiz Storni, que comandou o inquérito da máfia dos parasitas, a distribuição de medicamentos pode ser um dos estágios do esquema fraudulento. “Ainda não há indícios concretos, mas com certeza alguém tem de ser responsabilizado pelo recebimento de material inadequado e em quantidade inferior (ao licitado).”

De acordo com Storni, esses problemas foram encontrados no Hospital Municipal do Tatuapé. “Já teve fraude lá, tanto é que teve gente indiciada”, disse referindo-se à funcionária pública Milva Lúcia de Melo Moreira, uma das 13 pessoas já denunciadas à Justiça pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ela foi exonerada no dia 17 de novembro, a pedido, segundo o governo.

Leitura em plenário

Aurélio Miguel leu no plenário trecho de reportagem do site Terra Magazine, de abril deste ano, que diz que “até fins de 2003, Antonio Carlos de Magalhães Jr. apareceu como sócio das empresas Cosmo Express e Pronto Express Logística, desaparecendo a partir de então, deixando à frente o publicitário Fernando Barros”. Na matéria, o deputado baiano Emiliano José (PT) acusa Barros de “testa-de-ferro” de ACM.

O secretário adjunto Lima Ribeiro disse que não é de responsabilidade da secretaria saber quem são os sócios das empresas contratadas. “Desconheço a existência dessas pessoas e não cabe a nós analisar o quadro societário das empresas”. A Pronto Express – cuja sede fica em Salvador – foi procurada mas a assessoria de imprensa não retornou a ligação.


ENTENDA O CASO

A ‘máfia dos parasitas’ foi desmantelada pela Polícia Civil, dia 30 de outubro, quando foram presos 5 acusados de subornarem servidores e superfaturarem os preços de material hospitalar

Das 11 empresas investigadas, 5 mantêm contratos com a Prefeitura: Embramed, Home Care Medical, Halex Istar, Biodinâmica e Velox Produtos d e Saúde

Na sexta-feira, o Ministério Público denunciou à Justiça 13 suspeitos (3 empresários, 3 representantes comericias e 7 servidores públicos) por formação de quadrilha, peculato (desvio do dinheiro público), lavagem de dinheiro e fraude de licitações

O MP diz que foram desviados R$ 80 milhões de 2004 a 2008

14/09/2008 - 23:03h Procura-se a oposição a Lula. Alckmin já aderiu

 

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Blog de Noblat

Você viu a oposição por aí? Em qualquer lugar?

Não se avexe. Você não está cego. A oposição ao governo desapareceu. Escafedeu-se. Saiu de cena porque Lula não pára de crescer e porque ela não tem nada de novo a propor.

A eleição municipal ainda dá uma chance à oposição de apresentar sugestões para administrar melhor as cidades. Desde naturalmente que não pareça que ela ousa esboçar qualquer tipo de crítica a Lula ou ao seu governo. Proceder assim seria um desastre, teme a oposição.

Tem candidato (ACM Neto, em Salvador) ladeira à baixo nas pesquisas de intenção de voto só porque ameaçou dar uma surra em Lula. A ameaça foi feita há três anos. E não passou de uma infeliz bravata.

Sem perder a elegância que ele não é disso, Geraldo Alckmin, candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, pôs um vídeo na tv onde critica o PT, mas poupa Lula. Ou melhor: avaliza Lula.

28/08/2008 - 11:15h Sobra PT e falta PSDB na TV em Salvador

Alan Marques/Folha Imagem – 30/7/2008
Serra: governador de São Paulo gravou imagens para as campanhas de Curitiba, Porto Alegre e Teresina

Raquel Salgado – VALOR

Depois de usar a imagem do governador Jaques Wagner (PT) apoiando sua candidatura na convenção do PSDB e de frisar que tem a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato tucano à Prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy, duas vezes prefeito, dificultou uma possível participação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no horário eleitoral. Por ora, a coordenação da campanha não pensa em usar sua imagem.

Além de São Paulo, Serra só apareceu, até agora, no programa do deputado Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSDB-PPS à Prefeitura do Rio. Serra, assim como o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), já gravaram para a campanha à reeleição do prefeito Beto Richa, em Curitiba, assim como para a campanha de Nelson Marchezan Júnior, candidato do PSDB em Porto Alegre. Serra também gravou para a campanha tucana em Teresina.

Sua situação poderá se complicar. “Além de não ter hoje um mandato como os outros candidatos, não pode contar com um apoio muito militante do PSDB”, diz Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que estuda há anos a política baiana. No segundo turno, contudo, Imbassahy se fortalece, pois é pouco rejeitado pela população e se apresenta ao eleitorado como uma boa segunda opção.

Na avaliação de Dantas Neto, não é apenas a aproximação de Imbassahy com Wagner e Lula que impede a participação de Serra no pleito soteropolitano. Mesmo sendo muito próximo de um tucano de destaque na política local e nacional, o deputado federal Jutahy Magalhães Junior, Serra precisa ser pragmático e pensar em um palanque competitivo na Bahia em 2010. “A solução mais provável é que o PSDB marche com o Democratas, o que limita os movimentos de Serra neste ano”, diz. Há ainda a aproximação de ACM Neto com Serra e Aécio, que o vêem como um aliado promissor.

Serra, por sua vez, não é grande angariador de votos em Salvador. Na eleição presidencial de 2002 obteve apenas 4,6% dos votos válidos no º turno e 10,6% na segunda etapa.

Depois de evitar maiores comparações com seu falecido avô, o deputado federal e candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, resolveu resgatar não só a imagem do senador ACM, mas também reforçar sua campanha com a presença de outros carlistas: a do hoje senador, César Borges, e a do ex-governador da Bahia, Paulo Souto.

“Veja o que o Democratas e o PR já fizeram por Salvador”, diz o narrador do programa de ACM Neto. Uma seqüência de imagens de ruas, avenidas, parques, além de uma maternidade e de jornais anunciando a vinda da Ford para o Estado são apresentadas seguidas por frases que lembram muito uma antiga campanha de Paulo Maluf. A cada obra, um coro diz: “Foi ACM que fez”, “Foi Paulo Souto que fez”, “Foi César Borges que fez”.

Imbassahy e ACM Neto disputam faixas parecidas do eleitorado. O tucano já foi um dos quadros do antigo PFL e foi graças ao apoio carlista que chegou à prefeitura da capital em 1992. Apesar de seguir bem colocado nas pesquisas, Imbassahy caiu de 27% para 18% na última pesquisa Ibope por encomenda da Rede Bahia, da família Magalhães.

O candidato do PT, o deputado federal Walter Pinheiro, após ter arrancado no Ibope, chegando a 13% das intenções de voto (antes tinha 6%), vai ter, já no 1º turno, uma grande ajuda de Wagner. Depois de afirmar que permaneceria eqüidistante no º turno, pois três dos cinco candidatos são da base aliada de seu governo, Wagner decidiu gravar participações no programa de Pinheiro.

O atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB) tem usado a parceria com Lula e com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Com a desvantagem de ter sua administração atacada por todos os candidatos, o peemedebista partiu para o confronto. O alvo preferido é Imbassahy que, segundo ele, teve oito anos de mandato e não fez nem metade do que João fez em menos de quatro. O prefeito, que tem 15% das intenções de votos, preocupa-se também com a evolução de Pinheiro. Ambos se apresentam como próximos a Lula e Wagner e opositores ao modo carlista de se fazer política. (Colaboraram Ana Paula Grabois, do Rio; Marli Lima, de Curitiba; Sérgio Bueno, do Rio Grande do Sul, e Cesar Felício, de São Paulo)

05/08/2008 - 19:36h Fora do páreo, Kassab agora é linha auxiliar de Alckmin

Salve o perdedor!

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Valdo Cruz – Folha Online

Kassab está fora do páreo. Viva o Kassab. Assim pode ser resumido o clima das conversas entre os tucanos, alckmistas e até serristas, no atual momento da disputa pela cadeira de prefeito de São Paulo. Coisa de bate-papo reservado, mas que já está totalmente explícito. Ninguém no PSDB acredita mais na viabilidade eleitoral do prefeito paulista, Gilberto Kassab, mas todos sabem que ele é peça chave no tabuleiro do segundo turno.

Portanto, a ordem é manter desobstruídas as pontes que unem os tucanos ao democrata paulista. Por uma questão de sobrevivência política, Kassab deve topar entrar nesse jogo. Só não podem deixar que o prefeito fique muito desidratado e vá minguando até o dia da votação. Aí, o risco é a eleição se resolver no primeiro turno, objetivo confesso dos petistas. A equipe de Marta Suplicy sabe que um segundo turno será osso duro de roer, teria exatamente de enfrentar tucanos e democratas juntos.

Agora, não será Gilberto Kassab o grande derrotado em São Paulo, caso se confirmem as avaliações do momento. Ele conseguirá uma sobrevida política transferindo seu apoio ao candidato tucano. Será o seu partido, o Democratas, o antigo PFL o maior perdedor.

São Paulo era o sonho eleitoral de um partido às voltas com uma crise de identidade desde que mudou de nome. Desde que Lula chegou ao poder e só fez aumentar sua popularidade e influência no Nordeste, os democratas só perderam espaço na política depois que ficaram sem as verbas e cargos federais. Ganhando na capital paulista, o DEM aumentaria seu cacife político, visando principalmente a eleição de 2010. Hoje, nem os democratas acreditam muito na vitória na capital paulista.

O drama do DEM é que a eleição em São Paulo pode ser a maior de várias outras derrotas. Nas demais cidades que contam, o partido tem chances reais em duas: Salvador, com ACM Netto, e Recife, com Mendonça Filho. Nas duas capitais, porém, há quem avalie que o partido irá para o segundo turno. E nisso ficará, diante da união dos adversários tucanos, petistas e peemedebistas contra seus candidatos.

Antes do início das campanhas municipais, lideranças democratas faziam uma avaliação otimista de suas chances eleitorais. Acreditavam que a inflação só faria crescer até a eleição de outubro, prejudicando os candidatos governistas nas grandes cidades.

Agora, os últimos índices de preços indicam que o remédio amargo ministrado pelo Banco Central está surtindo efeito. A pressão altista sobre os preços está se arrefecendo. Mantida a tendência, a eleição deve ocorrer com inflação em queda e popularidade presidencial elevada, jogando por terra o sonho democrata de faturar alto.

Resultado, o partido corre o risco de sair dessa e da eleição de 2010 como uma legenda de deputados e senadores. E talvez nem tantos quanto hoje.

Ainda a inflação

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mandou seu recado ontem. Sua equipe vai trabalhar para que a inflação volte a ficar no centro da meta, 4,5%, no próximo ano. Leitura imediata: o aperto monetário do BC será mantido até o final do ano, bem acima das expectativas do início do ano. A dúvida, porém, é sobre o custo efetivo dessa decisão, que conta com o apoio do presidente Lula. Nesse ano, o crescimento já está praticamente contratado e deve ficar entre 4,8% a 5% do PIB (Produto Interno Bruto). No próximo ano, o governo espera que ele fique na casa dos 4%, acima disso, não abaixo. Mas tem gente que enxerga números menores, exatamente por conta do aperto maior na política monetária. Mas aí Lula já foi convencido. Melhor reduzir o ritmo em 2009, com uma inflação controlada, podendo voltar a crescer mais em 2010, o ano da sucessão. Se vai dar certo, aí é outra história.

Valdo Cruz, 46, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal e atuou como repórter de economia. Escreve às terças.

E-mail: valdo@folhasp.com.br

01/08/2008 - 10:08h Debate temático domina 1 encontro de candidatos

Debate ontem que reuniu os candidatos a prefeito de São Paulo, promovido pela Rede Bandeirantes de TV: discussão temática dominou primeira metade
Fernando Donasci / Folhaimagem
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VALOR – Cesar Felício e Danilo Jorge, Sérgio Bueno, Marli Lima e Raquel Salgado, de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Salvador

O primeiro debate promovido pela TV Bandeirantes em seis capitais (São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Manaus), entre candidatos a prefeito, foi dominado por discussões temáticas, com farpas mais acaloradas no da capital baiana.

No primeiro dos cinco blocos do debate paulistano, a primeira pergunta apresentada pelo mediador Boris Casoy foi sobre as propostas dos candidatos para combater a poluição na cidade. Os líderes em pesquisa, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) demonstraram mais segurança na abertura do debate. A candidata do PT, Marta Suplicy, atacou a atual gestão por ter abandonado a coletiva coletiva de lixo, o que teria agravado a poluição, além da política de expansão dos corredores de ônibus. Geraldo Alckmin disse que as doenças do aparelho respiratório já são a quarta causa de morte na cidade. Falou da redução do ICMS sobre o carro flex, que aprovou como governador.

O candidato do PP, Paulo Maluf, apresentou a principal proposta de sua plataforma, a “freeway”, seis pistas sobre os rios Tietê e Pinheiros. Foi o único momento em que o assessor de Marta, João Santana, riu, da platéia. “Carros em movimento poluem menos que aqueles em ponto morto”. A candidata do PPS, Soninha Francine, criticou a política de popularização de crédito que permite compra de carro em até 90 meses. E ainda observou que a proposta de Maluf, de asfaltar os rios da cidade, aumentaria a poluição.

No segundo bloco, Soninha, perguntou a Marta se ela se arrependia do túnel da Rebouças e da ponte estaiada, que não tem ciclovia nem passagem para pedestre . Marta disse que não se arrependia de nada e, de olho no eleitorado da candidata, elogiou sua iniciativa de ter chegado de bicicleta. “Foi coerente”. Disse que construiria mais 200 quilômetros de corredores de ônibus e citou o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de liberar recursos para as iniciativas em transporte público.

Perguntado por Ivan Valente (PSOL) sobre quem financiaria sua campanha, que tem teto de R$ 25 milhões, Alckmin disse que a previsão é modesta e não respondeu. Preferiu defender o financiamento público de campanha. O candidato do PSOL o acusou de faltar com a transparência e disse que o financiamento privado era a principal origem da corrupção no Brasil. Relacionou a atuação de seus financiadores com o acidente no metrô . Alckmin rebateu que a associação era de mau gosto.

Alckmin perguntou a Kassab qual seria sua proposta para a iluminação pública em São Paulo. Kassab acusou a privatização das empresas públicas de energica, feita por Alckmin, de não ter condicionado as empresas a investir em iluminação pública. Alckmin não acusou o golpe e disse que a iluminação teria que ser melhorada para ajudar a segurança.

Nos bastidores, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), que apóia Kassab, disse que seu candidato precisava mudar a postura. “Precisa demonstrar coragem, do homem que enfrenta caminhoneiros e está enfrentando o trânsito”. Os senadores Álvaro Dias (PSDB) e Sérgio Guerra (PSDB) prestigiaram Alckmin. Com Marta, chegaram seu vice, o deputado federal Aldo Rabelo (PCdoB), e os senadores petistas Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy. Soninha Francine, chegou de bicicleta. Ivan Valente foi o único a apostar em militância, com torcida uniformizada. Ele tem 1% nas pesquisas.

Em Belo Horizonte, oito dos nove candidatos participaram. Um dos mais esperados para o evento, devido às incertezas em relação à sua participação, o empresário Márcio Lacerda (PSB) disse que a decisão só foi tomada no início da noite, poucas horas antes do programa. “A questão principal era saber se participar de um debate com oito candidatos era produtivo ou não”, disse.

O candidato disse que a decisão foi tomada após avaliação feita pelos estrategistas da campanha e pelos membros do conselho político. Ele afirmou que a posição do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), os dois principais fiadores da candidatura de Lacerda, era favorável à participação.

No início do debate, o candidato do PMDB, deputado federal, Leonardo Quintão ressaltou que a sua candidatura fazia parte da base partidária que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e, no Estado, o governador Aécio Neves.

Para a candidata do PC do B, deputada federal Jô Moraes, que lidera até agora as primeiras pesquisas eleitorais já divulgadas, o debate serviria para revelar ao eleitor, “quem efetivamente conhece a cidade e quem pode estar a serviço dela”.

No início do debate de ontem à noite em Porto Alegre, os candidatos à prefeitura trataram de apresentar – e reapresentar – promessas de governo enquanto o prefeito José Fogaça (PMDB), que concorre à reeleição, preferiu relacionar as iniciativas da própria administração. Segundo ele, que lidera as pesquisas de intenção de voto, nos últimos quatro anos o município investiu em segurança comunitária, no combate às pichações de locais públicos e na qualificação da Guarda Municipal. Ele lembrou ainda a contratação de médicos, a ampliação do programa da saúde da família e a reforma de parte dos postos de saúde pública.

A candidata do PT, Maria do Rosário, segunda colocada nas pesquisas, comprometeu-se a levar adiante o programa de despoluição do lago Guaíba, iniciado ainda na última gestão do partido (2001-2004). Ela prometeu ainda estender a coleta seletiva de lixo para toda a cidade e construir uma usina de geração de energia a partir de resíduos orgânicos. Manuela D’Ávila (PCdoB), que vem em terceiro nas pesquisas, voltou a afirmar que se empenhará na construção de um metrô na cidade e disse que pretende estabelecer restrições ao trânsito de caminhões no centro em horários determinados.

Os oitos candidatos à prefeitura de Curitiba participaram ontem do debate da Band. Havia a expectativa de que seriam sete contra o prefeito Beto Richa (PSDB), que busca a reeleição e conta com vitória no primeiro turno. O primeiro embate foi entre o tucano e o candidato do PMDB, Carlos Augusto Moreira Júnior, que questionou os gastos de R$ 30 milhões para propaganda da atual gestão em 2008. Richa disse que ele estava ‘mal informado’ e o acusou de usar a estatal TV Educativa para propaganda pessoal.

Na pergunta feita pela emissora a todos os candidatos, a questão envolvia um poste de energia colocado no meio de uma ciclovia e a necessidade de ter de conversar com empresas do governo para resolver problemas. Gleisi Hoffmann, do PT, aproveitou para elogiar a gestão de Lula logo na primeira oportunidade. Numa cutucada ao tucano, Moreira disse que tem bom relacionamento com o governo do Estado, ou seja, com o governador Roberto Requião, que o indicou à disputa. Assuntos como mobilidade urbana e transporte público, falta de creches, necessidade de mais investimentos em saúde e falta de segurança foram outros assuntos em pauta.

Os candidatos à prefeitura de Salvador resolveram colar não só na imagem de Lula, mas também na do governador da Bahia, Jaques Wagner. O primeiro a lançar mão disso foi justamente o candidato tucano, o ex-prefeito Antonio Imbassahy. Logo na abertura, aproveitou para exaltar conhecimento da cidade ressaltar que tem um “relacionamento fundamental com o governador”.

Wagner tem frisado que três candidatos, Imbassahy, Walter Pinheiro (PT) e João Henrique Carneiro (PMDB) “o tem” e fez questão de participar da convenção não só do PT, mas também das demais dos partidos de sua base: PMDB e PSDB.

Mesmo tendo falado primeiro do que Imbassahy, Walter Pinheiro, candidato pelo PT, não se lembrou de citar sua parceria com Wagner, deixando isso para o segundo bloco do debate. O deputado federal enumerou problemas de Salvador, como gestão, trânsito e exclusão dos negros, e disse que sua prioridade é humanizar a cidade.

O candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, também falou sobre os pontos críticos de Salvador e, como tem feito em sua campanha, se colocou como o novo. Em busca de uma imagem de preparado, tinha, na ponta da língua, o número de policlínicas, postos e médicos da família que pretende implantar na capita baiana. Não deixou de atacar o atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB).

João, por sua vez, acusou ACM Neto de ser mais do mesmo e de vir de um partido que governou o Estado por 16 anos e Salvador por oito. Foi o primeiro a citar a aliança com o presidente Lula, o que fez por três vezes durante os dois minutos em que respondeu sobre a saúde em Salvador.

14/03/2008 - 09:19h Lula entra na campanha

Presidente inicia conversações com os partidos da base aliada para compor alianças e tentar eleger os prefeitos de municípios-chave, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, já de olho na sucessão em 2010

Denise Rothenburg e Guilherme Queiroz – Correio Braziliense – Arte: Kacio Pacheco/CB

De público, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito que se manterá afastado das eleições municipais nas cidades onde houver dois palanques aliados ao seu governo. Mas para evitar que termine fora de muitas alianças ou mesmo uma divisão dos aliados capaz de atrapalhar seus planos de fazer o sucessor em 2010, Lula tem conversado com os partidos da coalizão sobre a necessidade de composição em municípios-chave, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife. Em especial, naqueles em que uma desunião da base governista pode terminar por deixar o governo fora do segundo turno ou jogando o PMDB na oposição ao governo no futuro.

São Paulo, que reúne o maior colégio eleitoral do país, está no topo das preocupações do presidente. Ontem, por exemplo, na conversa com a ministra do Turismo, Marta Suplicy, Lula deu carta branca para que ela seja candidata a prefeita da capital (leia mais na página 3). O raciocínio presidencial é simples: Marta é a única capaz de evitar que a eleição fique polarizada entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na conversa, ele ainda chegou a lembrar que todos os outros que despontam como candidato não chegam a 5% das intenções da voto. Logo, caberá à ministra ceder à tentação de se preservar e concorrer ao governo em 2010, para dar visibilidade ao governo Lula e ao PT na eleição municipal.

O presidente Lula vê o mesmo problema em Salvador (BA). Lá, ele tem trabalhado para reunir pelo menos o PT ao prefeito João Henrique (PMDB). Se possível, espera ainda levar o PSB da deputada Lídice da Mata, pré-candidata do partido à prefeitura da capital baiana. A maior preocupação de Lula é não deixar o segundo turno soteropolitano nas mãos do tucano Antonio Imbassahy e do democrata ACM Neto, os dois que aparecem em melhor colocação nas pesquisas recentes. “Seria o governo fora do palanque e, para evitar que isso aconteça, temos que unir nossa turma ainda no primeiro”, diz um assessor direto do presidente.

Salvador ainda reúne um outro componente além do risco de ficar fora do segundo turno: a intenção do presidente de manter o PMDB como “amigo de fé”, expressão que tem sido muito utilizada no Planalto. No governo, há um receio de que a perspectiva de ter João Henrique fora do segundo turno seja vista como um gesto de agressão por parte do PT e isso termine por tirar o ministro da Integração Nacional, o peemedebista Geddel Vieira Lima, do palanque do governador Jaques Wagner em 2010. Até porque desde que se aliou ao governo Lula, Geddel conquistou mais de 100 prefeitos, fundamentais para ajudar a reeleger Wagner no futuro. Portanto, nada mais justo que o PT mantenha a aliança na prefeitura.

Estratégia
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Manaus também são considerados territórios importantes. No caso do Rio, a ordem do presidente Lula é evitar que o prefeito César Maia faça o sucessor, assim como no Recife, o objetivo é fazer de tudo para que a prefeitura da capital, hoje petista, não termine nas mãos do Democratas ou mesmo de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Por isso, quanto mais partidos ele conseguir reunir ao lado de João da Costa (PT), o candidato do prefeito João Paulo, melhor. O que Lula não quer é ver o seu governo sem quem o defenda nos palanques pelo Brasil afora ou que os aliados briguem tanto que não sobre clima para alianças futuras.

No quesito aproximar o PMDB, estão em curso as conversas em torno de uma aliança em Natal, terra do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, e do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). “Em função da proximidade do PT e do PMDB no plano nacional, é natural que tenhamos reflexos em Natal. Inclusive, no interior, já foram fechadas várias alianças”, relata a deputada federal Fátima Bezerra (PT-RN), potencial candidata à prefeitura de Natal, que já ofereceu o cargo de vice ao deputado Hermano Morais, do PMDB. Se essa engenharia conseguir deixar o Democratas e o PSDB fora do segundo turno, melhor.

ANÁLISE DA NOTÍCIA

Tudo pelo PMDB

Lula ainda não tem claro quem será seu candidato em 2010 — ele torce por Dilma Rousseff, mas não sabe se ela se viabilizará até lá. Mas tem certeza de que o seu melhor parceiro para a corrida presidencial será o PMDB, por causa da preciosa estrutura de palanques e minutos de TV que a legenda reúne. E se quiser manter o parceiro, terá de seduzi-lo eleitoralmente.Até agora, o PMDB obteve a prova de que a parceria governamental é para valer. Haja vista a conquista dos cargos que os peemedebistas desejavam no governo. Levaram tudo ou quase tudo. Agora em relação à aliança eleitoral futura, não bastam os cargos. Nesse campo, não apenas Lula, mas o PT terá de mostrar disposição de abrir espaços, contrariando a sua natureza de nunca ceder a cabeça de chapa a seus aliados.

É por isso que Lula está em campo. Para ajudar o PT a abrir essas portas da esperança de continuidade da coalizão em 2010. Daí a necessidade de cortejar o governador do Rio, Sérgio Cabral; o PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e puxar o paulista Orestes Quércia e quem mais chegar. Se tudo der certo, avaliam os aliados do presidente, estará aberto o caminho para Dilma ser candidata com um vice do PMDB. Ou, quem sabe, se tucano Aécio Neves migrar para o PMDB, ter Dilma como sua vice. O importante é manter a união. O nome, dizem os lulistas, fica para depois. (DR)

Reforço presidencial

Rio de Janeiro
O presidente Lula tenta levar o PT a construir uma chapa contra o Democratas de César Maia. Gostaria de ver a união com o peemedebista Eduardo Paes para fortalecer os laços com Sérgio Cabral. Se não for possível, tentará fechar com Marcelo Crivella, do PRB.

São Paulo
Com a candidatura de Marta Suplicy praticamente definida, o trabalho do presidente é no sentido de tentar levar o PMDB ou o PCdoB para a chapa da ministra do Turismo à prefeitura paulistana.

Belo Horizonte
Lula é um dos entusiastas da composição que o prefeito Fernando Pimentel (PT) faz com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), em busca de uma candidatura única.

Salvador
O presidente tem desestimulado todos os movimentos do PT em busca de candidatura própria. Trabalhará para que seu partido apóie a reeleição de João Henrique, do PMDB, de forma a evitar que o tucano Antonio Imbassahy ou o democrata ACM Neto conquistem uma vitrine no Nordeste.

Recife
Amigo do governador Eduardo Campos, do PSB, Lula tem conversado no sentido de levar os partidos da base a se unirem em torno da candidatura petista de João da Costa, já que lá o PMDB é o governo federal.

Porto Alegre
O PT, por iniciativa própria, irá buscar o PCdoB e o PSB para tentar fechar uma única chapa.

Goiânia
Assim como em Salvador, a intenção do governo é levar o PT a apoiar a reeleição do prefeito Íris Rezende, do PMDB.

Natal
Com as bênçãos do Planalto, o PT busca uma composição com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), numa chapa que teria o deputado estadual Hermano Morais (PMDB) como candidato a vice-prefeito.

06/11/2007 - 08:24h Marta e Wagner rechaçam terceiro mandato de Lula

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

Dois dos nomes cotados dentro do PT para disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Jaques Wagner (BA) e a ministra Marta Suplicy (Turismo), rechaçaram ontem à noite em São Paulo a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente.

A petista ainda aproveitou para alfinetar a oposição tucana, que, em 1997, esteve à frente da emenda que instituiu a reeleição no Brasil e acabou beneficiando o então presidente, Fernando Henrique. “Lula é uma pessoa muito democrática no sentido de não admitir casuísmo, e nós já tivemos alguns recentes no país. Mas isso [o terceiro mandato] vai ficar por aí, a oposição falando, falando, para ver se perturba um pouco o ambiente, mas o tema não prospera no PT”, disse ela.

O governador da Bahia, diante de platéia formada por cerca de 500 empresários na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), também se posicionou contra o terceiro mandato. “Nenhum tipo de casuísmo é bem-vindo no momento atual”, disse ele, em evento que tinha como tema o potencial econômico da Bahia. Wagner citou como exemplo negativo o caso de seu Estado, em que o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM), morto este ano, comandou a política por quase duas décadas.

Pela manhã, Wagner já havia criticado as articulações em torno da proposta que estabelece o terceiro mandato para Lula. Ele disse que a chance de terceiro mandato é zero: “Para mim, a chance é zero, pelo que conheço do PT e do presidente Lula. É criar um casuísmo para mudar as regras e beneficiar B ou C. A história do PT sempre foi de crença na instituição democrática”, disse.

02/10/2007 - 13:13h Geddel comanda desmonte do carlismo

Paulo Totti para Valor

Ruy Baron/Valor

Às 10h00 de segunda-feira nos sofás da sala de estar de um apartamento em ensolarado edifício do bairro de Ondina, 14 pessoas esperam a oportunidade de trocar algumas palavras com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB). Ao meio-dia, já serão mais de 20 os visitantes. Comissões de prefeitos, vereadores, deputados estaduais conversam com Geddel na sala de jantar, paredes nuas e sem luxo, com uma mesa em condições de assentar mais de dez pessoas. Os encontros individuais ocorrem num gabinete ao lado, mais exíguo e também despido de ornamentos. “O ministro hoje teve que transferir alguns encontros para a própria casa porque havia muita gente querendo falar com ele. Não sei o que vai acontecer com os que estão lá na sede da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), onde o ministro costuma despachar todas as segundas”, diz uma assessora. “No sábado e no domingo ele vai para o interior e na segunda o interior todo parece que vem para cá. É a nossa rotina”.

Tanta atividade não é exclusiva do ministro. Com a agenda sobrecarregada na terça-feira, o governador Jaques Wagner (PT), por exemplo, só começou às 13h30 uma audiência marcada para as 11h. Quatro pessoas ainda aguardavam na ante-sala e, ao lado do gabinete, às 14h30, a mesa do almoço continuava posta à espera do governador e dois convidados. O prefeito João Henrique Carneiro (ex-PDT, hoje PMDB), na mesma tarde, depois de uma circulada pelo centro da cidade para “fiscalizar o comércio” (e fechar uma agência do Real ABN Amro, por irregularidades num alvará), foi receber vereadores na prefeitura, ao lado do Elevador Lacerda, e correu ao gabinete de despachos do governador, no Centro Administrativo estadual, para a assinatura de um contrato com a Infraero destinado à construção de viadutos que facilitarão o acesso ao aeroporto Luís Eduardo Magalhães.

A primeira-dama, Fátima e Jaques Wagner, governador da Bahia

Do outro lado de Salvador, no escritório de um conjunto conhecido como As Torres Gêmeas, na avenida Tancredo Neves, o ex-governador Paulo Souto (DEM) acabava de voltar, quarta-feira, do velório da mulher de um prefeito do interior, recebia um outro prefeito, dava entrevista pelo telefone à Rádio Metrópole e aguardava a chegada de uma equipe da TV Bahia.

Em Brasília, na sexta-feira, o senador César Borges (ex-PFL, ex-DEM, e, a partir desse dia, oficialmente no PR), saía do gabinete do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (vice-presidente do PR), e ia direto para o aeroporto, para um fim de semana em suas bases na região de Jequié, onde o sertão começa a 360 quilômetros de Salvador. Na manhã do mesmo dia, no bairro da Pituba, as escadas que levam ao terceiro andar, e também os corredores e as quatro pequenas salas do modesto escritório de Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), estão tomadas por correligionários (é sexta-feira e três deles vestem-se de branco, da gravata aos sapatos). O deputado chega sem seguranças, cumprimenta cada um, despacha com alguns deles no próprio corredor, reúne-se individualmente num gabinete apertado com meia dúzia de outros, e sai para uma participação ao vivo na TV Bahia. Aos 28 anos, casado, ACM Neto tem pouco tempo para a filha de sete meses, Lívia, para jantar fora, ir ao cinema, fazer com a mulher um programa de jovens. Sábado e domingo terá novos compromissos, obviamente políticos, com agenda não revelada.

Na plácida Bahia, todos os expoentes da política demonstram excepcional disposição para o trabalho nestes dias que antecedem o 5 de outubro, data limite para a troca de partido dos que pretendem concorrer por outra legenda às eleições municipais de 2008. No país inteiro, há movimentação e expectativas. Mas, na Bahia, a situação é diferente e especial. Pela primeira vez, desde os anos 60 do século passado, Antonio Carlos Magalhães não está presente, não disputa, não decide, não influi pessoalmente (pró ou contra) numa eleição. E sem ACM, o avô, como ficam os prefeitos, acostumados com o alinhamento automático ao poder estadual e, por meio dele, ao poder federal, um disciplinado verticalismo que lhes assegurava não só a eleição, mas os favores no exercício do mandato que os levaria à própria reeleição ou à sobrevivência de seu grupo?

Nenhum dos grandes próceres da Bahia disputará eleições municipais, mas o cacife de cada um no jogo do poder estadual começará a ser calculado pelo número de fichas de filiação de prefeitos e vereadores que empilhar no seu estoque partidário a partir de sexta-feira.

Em 2004, dos 417 municípios da Bahia, 370 elegeram prefeitos do então PFL ou de partidos perfilados com Antonio Carlos. PMDB e PSDB elegeram perto de 40 e o PT saltou de 7 para 19. O PDT fez o prefeito de Salvador, com 75% dos votos. Nas duas cidades do interior mais populosas, o PFL tem o prefeito reeleito de Feira de Santana e o PT, o prefeito de Vitória da Conquista. Nos maiores colégios eleitorais do Estado, à exceção de Salvador, os carlistas elegeram cinco prefeitos, o PT quatro e o PMDB, um. Muitos dos prefeitos, num êxodo a que se juntaram vereadores, deputados estaduais e federais, abandonaram o DEM já na derrota para Jaques Wagner em 2006, mas a restruturação completa do quadro partidário ocorrerá somente agora, quando se saberá se e como, morto Antonio Carlos, sobreviverá o carlismo.

Adesões

Nenhum dos próceres ouvidos pelo Valor arriscou previsão sobre o placar final dessa corrida por adesões. A exceção foi o ministro Geddel Vieira Lima, presidente de honra do PMDB na Bahia (o irmão, Lúcio, é o presidente da executiva regional). “O carlismo é hoje uma Ong em desagregação”, disse Geddel, referindo-se não só às derrotas sofridas pelo PFL, em 2004 nas eleições para prefeito em Salvador e em 2006 para o Senado e o governo do Estado, como à crise que sucedeu à mudança do nome do partido para Democratas e culminou com a saída do senador e ex-governador carlista César Borges para o PR. Às vésperas do encerramento do prazo de filiações, Geddel contabiliza como certa a adesão de 70 prefeitos ao PMDB e esperava chegar a 100, “ou perto disso”. Jaques Wagner diz que a corrente que ACM chefiou continua forte eleitoralmente e, apesar de fragmentada, merece respeito. “Minha vitória em 2006 foi no primeiro turno e com folga. Mesmo assim, a diferença foi de cinco pontos (52,5% a 47,5%). Isso é pouco para considerar que o adversário desapareceu”.

Paulo Souto e Antonio Carlos Magalhães Neto reconhecem que sua corrente perdeu substância. A derrota de 2006 é atribuída por ambos à “avalanche lulista” que soterrou a oposição em todo o Nordeste e, diz Paulo Souto, “a uma certa fadiga de material. Depois de 16 anos ininterruptos, o eleitor quis experimentar uma mudança”. A atual debandada é vista como resultado natural da necessidade de aproximação com o poder. “Fomos beneficiários disso durante muito tempo”, diz Paulo Souto, pragmática e sinceramente. Dois dias depois, ACM Neto faria o mesmo raciocínio. Numa comprovação de que o carlismo sempre teve bons analistas do contexto político da Bahia, um assessor do jovem ACM simplifica numa frase a situação atual de sua corrente: “Estamos sendo picados pelo nosso próprio veneno”.

Antonio Carlos Magalhães
Geddel Vieira Lima, que testemunhou de perto a prática política de Antonio Carlos Magalhães – foi seu inimigo pessoal por mais de dez anos e, atraído por Luís Eduardo, se tornou próximo ao final da década de 90, para ser novamente inimigo após a morte do filho do então senador – faz uma longa descrição do que consideraria o “veneno” de ACM.

Estamos sendo picados pelo nosso próprio veneno, É natural. Nos beneficiamos disso durante muito tempo”

Diz Geddel: “ACM cresceu na ditadura, uma época em que o governador era nomeado em agosto e a eleição geral era em outubro. Então, prefeitos, deputados, todos queriam o apoio do governador para eleger-se, manter-se no poder e evitar cassações. ACM fortaleceu-se regional e nacionalmente com a nomeação em rodízio de subservientes e a perseguição aos adversários. Na redemocratização, aproximou-se de todos os presidentes. No primeiro mandato de Fernando Henrique reuniu mais poder até do que na ditadura. Brigou com FHC mas manteve o controle de todos os cargos federais que nomeara. Houve esperança de modernização quando o filho começou a aconselhá-lo. Mas Luís Eduardo morreu. Depois, houve os dois escândalos de grampos, um na Bahia em episódio pessoal que a imprensa explorou bastante e o outro em Brasília no caso do painel do Senado. A herança de ACM não exibe um chefe político formado, árvore para abrigo na intempérie. É natural que os políticos procurem esse abrigo em outras paragens”.

A movimentação de Geddel indica que pretende acolher a orfandade à sombra de sua autoridade de ministro e de “chefe de partido” aliado dos governos federal e estadual. O ministro parece gostar da expressão “chefe de partido”. Usou-a três vezes em seu contato com o Valor. Perguntado se tentou atrair César Borges para o PMDB, Geddel respondeu: “Não o procurei. Ele incorpora todos os defeitos do carlismo. Morto o dono do estilo, eu não iria chamar para o PMDB quem quer preservar esse estilo.”

César Borges, que sai do DEM por não concordar com o controle da legenda pelo ex-governador Paulo Souto, acabou no PR e recebeu do presidente de honra do partido, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, e do vice-presidente Alfredo Nascimento, uma carta atribuindo-lhe “o irrestrito comando sobre os destinos do PR na Estado da Bahia”, o que representa a deposição do atual presidente, deputado federal José Carlos Araújo. Jaques Wagner disse ao Valor que não teve interferência no ingresso de Borges na base de apoio ao governo federal -”isso é coisa de Brasília” – mas, para evitar surpresas, apressou a cerimônia de adesão da bancada estadual do PR à sua própria base de apoio (três deputados hoje e mais três que virão nos próximos dias). Em Brasília, Borges disse que pretende chegar ao PR baiano “com uma bandeira branca” e que não se recusa a dialogar com Wagner, se convidado. Sobre a adesão a um partido da base federal, Borges disse que continua contra a CPMF, mas, no Senado, trabalhará para um acordo entre governo e oposição sobre o tema.

Apesar da ausência de previsões que reflitam a realidade e não os desejos, o PMDB baiano é o partido com a maioria das adesões pré-5 de outubro (na prática, o prazo para o recrutamento se esgota amanhã, pois dois dias serão gastos na tramitação da nova filiação na Justiça Eleitoral). A adesão mais visível foi a do prefeito de Salvador, João Henrique, ao PMDB no mês passado. O pai do prefeito, ex-governador João Durval Carneiro (ACM indicou-o candidato do PDS em 1982 para substituir Clériston Andrade, morto num acidente de helicóptero em plena campanha) derrotou Rodolpho Tourinho (PFL) em 2006 e elegeu-se senador pelo PDT. O PMDB é o mais forte aliado do governador Jaques Wagner. Geddel indicou o vice, ex-deputado estadual João Pereira, e tem várias secretarias no Estado e na prefeitura. Na atração dos “órfãos”, o PT segue a orientação nacional, recusa adesões “não ideológicas” e isso facilita o inchaço dos outros partidos que apóiam o governador. Com seu estilo calmo e muita articulação nos bastidores, preferindo usar a palavra “liderança” à “chefia” ou “comando”, tão ao gosto dos políticos mais tradicionais da Bahia, Wagner conseguiu vitória em todas as votações importantes na Assembléia. Na semana passada, eram 38 deputados num total de 63, e com a atração mais recente de deputados do PR e outras aproximações, sua maioria pode chegar a 46, quatro cadeiras a mais do que o carlismo dispunha na legislatura passada. ACM Neto inclui o PSDB, do deputado federal Jutahy Magalhães e do ex-prefeito Antônio Imbassahy, na “linha auxiliar ” de Wagner. O presidente da Assembléia, com efeito, é do PSDB e facilita a tramitação dos assuntos de interesse do governador.


Aos 48 anos, casado, duas filhas, Juliana, 8, e Mariana, 4, Geddel diz que não quer ser governador em 2010. “Leitor de Ortega y Gasset, sou eu e minhas circunstâncias. Respeito a fila. Jaques tem a preferência. Se quiser ser reeleito, eu o apóio e me candidato ao Senado. O pacto com Jaques será respeitado. Jaques me apoiou para o ministério de Lula e se ele for candidato a presidente em 2010, ou a vice, destaco, pode contar comigo”.

O ingresso do prefeito no PMDB foi, segundo Geddel, “pactuado” com Jaques Wagner, que prometeu apoio a João Henrique para a reeleição em 2008, uma decisão incômoda para as bases do PT de Salvador, que pretendiam mais uma vez lançar a candidatura do deputado federal Nélson Pellegrino. “O ciúme existe”, diz Geddel, “mas Jaques e eu somos políticos sensatos”.

O carlismo está disposto a explorar o provável ressentimento do PT e de outros partidos da base de Wagner com o crescimento de Geddel. “Geddel pode criar problemas ao Jaques. A coabitação com o PMDB não é uma coisa boa”, diz Souto. “O culpado é o próprio PT, que deu tantas asas ao Geddel”, diz, por sua vez, César Borges, que, segundo amigos e inimigos, sai do carlismo mas continua carlista.

Um sinal de que PMDB e PT não estão tão afinados é o que ocorre neste momento com a escolha de um novo membro do Tribunal de Contas do Estado, em vaga tradicionalmente preenchida por um indicado pela Assembléia. A bancada do PT tem candidato, Zilton Rocha, e o PMDB resolveu indicar o pai de seu líder na Assembléia, nada menos do que Leur Lomanto, recém-saído da desprestigiada diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Foi uma decisão da bancada. Não poderia vir de Brasília e emasculá-la”, diz Geddel.

Alan Rodrigues  
• Paulo Souto, ex-governador

Com esse quadro, o que faz o DEM para garantir a sobrevivência? Paulo Souto e ACM Neto fazem a mesma análise do passado e pensam igual sobre o futuro. O deputado considera que, “no sistema eleitoral brasileiro”, as chefias locais dependem muito do poder estadual ou do poder federal. “Perdemos os dois. O eleitor nos tirou do poder e só ele pode nos colocar de volta”, Por isso, o DEM, com os poucos aliados que lhe sobrarem, pretende falar diretamente ao eleitor. A defesa da redução dos impostos, adotada nacionalmente, será um dos instrumentos desse contato. “Em 2006 tínhamos apoio de 380 prefeitos, 42 dos 63 deputados estaduais, 25 dos 39 deputados federais e, mesmo assim, perdemos”, contabiliza ACM Neto. Já as lideranças intermediárias, diz, são atraídas de duas formas: pelo exercício do poder ou pela expectativa de poder. “Perdemos a primeira, mas podemos ser a segunda”. A Prefeitura de Salvador pode ser o início do caminho de volta. Para Souto, as chances de vitória na capital são boas, devido principalmente “ao desempenho fraco do atual prefeito”. Neto acrescenta que em pesquisa da Qualy, uma empresa baiana, os que consideram ruim ou péssima a administração de João Henrique são o dobro dos que lhe atribuem nota boa ou ótima. Segundo a pesquisa, ACM Neto tem 15% das preferências para prefeito. “Mas só vou decidir lá por dezembro”, afirma. Na eleição para a Câmara, Neto teve na capital 107 mil votos de um total de 437 mil. Sobre alianças, diz ele que César Borges se comprometeu a apoiá-lo. Pelo telefone, de Brasília, César Borges afirmou que não se lembra da promessa.

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

Souto e ACM Neto poupam até aqui o governo de Jaques Wagner, mas destacam que a violência aumentou na capital e na região metropolitana. Assessores de Wagner dizem que os dados sobre criminalidade no governo de Souto eram manipulados. “É criminoso dizer isso”, responde Souto. “Mas mesmo os números do atual governo mostram que a violência aumenta a cada mês”. Perguntado se confirma a fama de que o carlismo, apesar de tudo, era um primor de gestão, Wagner responde: “Montaram uma boa máquina arrecadadora. Mas no restante, especialmente na área social, o desempenho foi muito fraco”. Ao assumir, Wagner revelou a herança de uma dívida de R$ 400 milhões. Uma auditoria mais profunda, diz sua assessoria, indicou o comprometimento do orçamento de 2007 em R$ 1 bilhão. A Bahia, na atual gestão, foi um dos poucos Estados do Nordeste que não teve problemas em seus hospitais. “Isso ocorreu porque entreguei a Saúde em bom estado”, diz Souto.

O cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, é o mais conhecido estudioso do fenômeno que ele próprio passou a chamar de carlismo. Crítico severo (e documentado) do carlismo e simpático ao PT, Paulo Fábio não acha que o carlismo desapareceu: “Perdeu substância nos últimos anos, mas nunca passou mesmo de 30%”. A volta do carlismo ao poder seria um retrocesso, mas ele revela um temor maior: o de que Jaques Wagner, empolgado com o sucesso, “desmanche seu projeto de governo em nome da unanimidade, a Bahia una sob seu comando”. Diz o professor: “Tornar-se o coveiro do carlismo é até possível, mas isso só será conseguido se recorrer aos mesmos métodos do carlismo. Ter oposição é bom para a democracia. Jaques tem que afastar de si esse cálice”.