02/07/2012 - 19:45h Patrus Ananias diz que não pediu para ser candidato em Belo Horizonte

Petista diz que espera apoio ‘político e material’ da direção nacional petista, além da presença de Lula e Dilma na campanha
02 de julho de 2012

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

O ex-ministro Patrus Ananias afirmou ao Estado que em nenhum momento pediu para ser candidato do PT para prefeito de Belo Horizonte – cargo que já ocupou entre 1993 e 1996 -, mas acatará a decisão do partido. Ressaltou, porém, que, caso a decisão seja por sua candidatura, ele espera apoio “político e material” da direção nacional petista, além da presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff na campanha.

Como o senhor vê a possibilidade de voltar a disputar a prefeitura de Belo Horizonte?
Primeiro, há questões preliminares a serem processadas. Ainda há possibilidade de repactuação com o PSB. Havia uma relação de confiança e foi feito um acordo, que não foi cumprido. Mas acredito que ainda é possível a repactuação.

Mas o senhor aceitaria ser o candidato do PT?
Não estou reivindicando ser candidato. Sou militante do PT há 32 anos e estou à disposição do partido. Mas é preciso processar com cuidado a questão. Tenho uma relação afetiva com o Roberto Carvalho. Somos amigos desde os anos 1970 e é uma relação familiar mesmo. A também a questão política. A tese dele (de candidatura própria) prevaleceu e ele mostrou que tem presença política na cidade.

Caso a decisão seja por sua candidatura, como pretende conduzi-la?
A candidatura só tem sentido se for pela unidade partidária. Essa é uma condição. Também queria, dentro dos limites legais e éticos, apoio político e material da direção nacional do partido. Inclusive de agenda, com a presença da presidente Dilma e do presidente Lula. Porque é pelo crescimento do PT em Belo Horizonte, no Estado e no País.

02/07/2012 - 19:38h PT confirma fim da aliança com PSB em Belo Horizonte


Enquanto petista pedem a candidatura de Patrus Ananias, Lacerda trabalha para tentar reverter o racha

02 de julho de 2012

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

A direção do PT em Minas Gerais confirmou nesta segunda-feira, 2, o fim da aliança com o PSB para a disputa pela reeleição do prefeito de Belo Horizonte, o socialista Marcio Lacerda. Nesta terça, 3, petistas mineiros se reúnem com a direção nacional do partido em São Paulo para indicarem à instância máxima da legenda o nome do ex-ministro Patrus Ananias como candidato para a disputa pelo Executivo da capital mineira. Já Lacerda afirmou que tentará “até o último minuto” recompor a aliança, mas já anunciou como vice o secretário municipal de Governo Josué Valadão (PP) no lugar do deputado federal Miguel Corrêa Júnior (PT).

A direção estadual do PT homologou o lançamento de candidato própria, decidida na convenção do partido, no sábado, 30, após a legenda ser comunicada da decisão do PSB de não fazer coligação proporcional na capital, considerada pelos petistas como “traição” de Lacerda. E informou que ainda nesta segunda o prefeito deveria receber comunicado petista entregando os cerca de 900 cargos em todos os escalões que o partido tem na administração municipal.

Para o prefeito, porém, o PT rachou por “uma questão pequena, que é essa questão dos vereadores”. Ele afirmou que tentaria novas negociações com a direção petista, mas confirmou que o PSB não vai rever sua decisão. “Romper essa aliança vitoriosa em Belo Horizonte por uma disputa de cadeiras na Câmara Municipal não é uma atitude correta. O PSDB passou a alegar de uns meses para cá que, já que o PT tinha a (vaga de) vice, seria injusta a aliança proporcional. Seria uma questão de equilíbrio das forças políticas e nós achamos que essa posição do PSDB é justa”, disse, após evento oficial na prefeitura do qual participou ao lado do governador tucano Antonio Anastasia, que tem no vice-governador Alberto Pinto Coelho um correligionário do candidato a vice apontado por Lacerda.

Miguel Corrêa Júnior, no entanto, ressaltou que o racha foi decidido em razão de uma “quebra de confiança muito grande”. “Não é uma disputa por vagas na Câmara. É o descumprimento de um acordo, que não foi unilateral”, emendou o presidente do PT mineiro, deputado federal Reginaldo Lopes. Ele apresentou documentos assinados por Lacerda afirmando que a decisão sobre a questão seria do presidente do diretório estadual do PSB, o ex-ministro Walfrido Mares Guia, e outro do próprio Walfrido aceitando a coligação proporcional com o PT.

“O Walfrido lutou até o fim. Mas o prefeito cedeu aos caprichos e vaidades do príncipe Aécio”, disparou Lopes, referindo-se ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Pelas informações de bastidores, o tucano teria entrado em contato com Lacerda informando que, caso o PSB fizesse aliança proporcional com o PT, seria o PSDB que deixaria a coligação. “O rompimento do PSB local foi com o PSB nacional, com o ex-presidente Lula e com a presidente Dilma (Rousseff)”, declarou Miguel Corrêa, segundo o qual o presidente nacional socialista, o governador Eduardo Campos (PE), seria favorável ao acordo com o PT.

02/07/2012 - 08:21h Em BH, PT já fala em Patrus contra Lacerda


Cúpulas petista e do PSB se mobilizaram ontem para recompor o acordo, mas ex-ministro de Lula pode entrar na disputa

02 de julho de 2012

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE – O Estado de S.Paulo

A decisão do diretório municipal do PT de deixar a aliança pela reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), mobilizou ontem as direções das duas legendas, que ainda tentam recompor o acordo. Algumas lideranças petistas, porém, já não acreditam que o PSB possa rever a sua posição – contrária a uma coligação proporcional na capital mineira. Assim, já articulam para lançar o ex-ministro Patrus Ananias como candidato. Marcio Lacerda tem o apoio do PSDB, de Aécio Neves, e de diversos partidos da base do governo federal. No sábado à noite, o PT-BH lançou o vice-prefeito Roberto Carvalho, desafeto de Lacerda, como candidato à prefeitura.

Os contatos entre petistas e PSB começaram ainda no sábado, assim que a decisão do diretório municipal do PT foi anunciada. Desde então, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, vem conversando com os presidentes nacionais do PT, Rui Falcão, e do PSB, governador Eduardo Campos (PE), para tentar reverter o cenário.

Ontem, o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, desembarcou em Belo Horizonte para se encontrar com o prefeito e o com presidente do PSB mineiro, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Em seguida, falariam com a direção do PT mineiro. O Estado tentou falar com líderes do PSDB, mas nenhum deles atendeu ao telefone. “Se a avaliação do Marcio (Lacerda) for diferente, reorganizamos e fazemos a aliança”, afirmou um dos interlocutores de Pimentel e integrante do diretório petista em Minas.

Revolta. A direção do PT não esconde que está revoltada com a postura do prefeito. Nos bastidores, a informação é de que Lacerda teria sido “enquadrado” pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para não fazer a aliança proporcional com os petistas – decisão que foi comemorada com entusiasmo durante a convenção tucana na capital, realizada simultaneamente à do PT, no sábado.

Tucanos. O PSDB já conta com a possibilidade de indicar o candidato a vice de Lacerda. Aécio foi, junto com Pimentel, o principal articulador da candidatura do prefeito em 2008, assim como da tentativa de reedição da aliança.

“O Aécio quer derrotar o PT e agora tem que assumir o ônus. Porque a decisão do Lacerda foi contra o PT de Belo Horizonte. Mas ele está disposto a romper com o PT nacional, com o Lula e com a Dilma?”, indagou um dos petistas que participam das negociações. Segundo esse dirigente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma também já se inteiraram do imbróglio criado na eleição de Belo Horizonte e estariam ajudando a encontrar uma saída – o que incluiria contatos com Patrus para viabilizar sua candidatura. Isso demandaria uma espécie de intervenção branca no diretório municipal.

“As decisões que tinham que ter sido tomadas já o foram. Não acredito em nenhum tipo de intervenção e o Patrus afirmou que está inteiramente à disposição da minha campanha”, afirmou Roberto Carvalho.

02/07/2012 - 08:16h Prefeito de BH ameaça desistir de reeleição

Por Marcos de Moura e Souza | VALOR

De Belo Horizonte

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), que segundo todas as pesquisas têm fortes chances de ser reeleito em outubro, ameaça retirar sua candidatura. O recado foi enviado no fim de semana ao PT e chegará também ao PSDB, segundo apurou o Valor.

PT e PSDB governam com Lacerda desde 2009. Há meses, o prefeito tenta costurar uma reedição da aliança com as duas legendas. Mas a antecipação, por parte de seus dois aliados, pelas disputas eleitorais de 2014, dificultam muito a tarefa de Lacerda de ter ambos no palanque.

No sábado, a situação ficou ainda mais difícil. O PSB, em convenção municipal, decidiu ficar sozinho na chapa da eleição proporcional de vereadores, sem coligação com PT ou PSDB. Isso enfureceu lideranças petistas de Minas Gerais, que exigiam a proporcional como condição para apoiar a reeleição do prefeito.

O PT reagiu no sábado mesmo: a executiva municipal lançou um candidato a prefeito, o atual vice-prefeito, Roberto Carvalho. Mas como Carvalho está longe de ser unanimidade, outras lideranças do partido falam agora em lançar o ex-prefeito e ex-ministro do governo Lula, Patrus Ananias. Mas isso só se o PSB não voltar atrás e não fechar a chapa proporcional com PT.

Lacerda tem dois aliados de peso: o senador Aécio Neves (PSDB-MG), principal nome hoje da oposição à eleição presidencial de 2014, e o ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel (PT). Foi um acordo entre os dois que elegeu Lacerda, então secretário de Estado no governo Aécio, em 2008. No fim de semana, Lacerda pendeu para Aécio. O prefeito apoiou a decisão da executiva nacional de não fechar chapa proporcional com ninguém.

Aécio prevenira Lacerda que se o PSB fechasse a proporcional com o PT, o PSDB pularia fora de sua campanha pela reeleição. O argumento tucano é que o PT já tinha indicado o candidato a vice-prefeito e com a chapa proporcional aumentaria sua bancada na Câmara Municipal.

Incomodado com o que considera ser uma disputa de seus dois aliados atuais já com vistas às eleições de 2014, quando Lacerda poderia concorrer ao governo do Estado, o prefeito diz agora que tem quatro hipóteses: dizer sim ao PT na chapa proporcional e perder os tucanos; abraçar os tucanos, fechando com eles eventualmente a chapa proporcional; disputar sozinho, elegendo apenas os vereadores de seu partido, ou desistir da candidatura.

15/02/2012 - 10:15h Guizo no gato

MERVAL PEREIRA – O GLOBO

Tudo se encaminha para uma decisão partidária, o que não tem sido muito comum no PSDB. Se, como indicam certos movimentos dos últimos 15 dias, for confirmada a decisão do ex-governador José Serra de disputar a eleição para prefeito de São Paulo, os tucanos estarão próximos de uma unidade que poderá facilitar o projeto nacional de voltar à Presidência da República.

Pelo menos terão as condições políticas de estabilidade para preparar campanha com mais chances de ganhar do que as três últimas, em que o partido sempre começou dividido e não conseguiu confirmar a hegemonia que tem em dois dos maiores colégios eleitorais, São Paulo e Minas.

Se Serra se convencer de que seu sonho de disputar pela terceira vez a Presidência da República não passa disso, e cair na realidade, ele terá uma disputa difícil, mas viável, para encerrar sua carreira como prefeito da maior cidade do país, administrando o terceiro maior orçamento.

Será naturalmente parte importante do cenário político nacional, em qualquer situação, seja o próximo presidente tucano ou petista. Caso fique de fora, tentando ainda impor seu nome a um partido que já se definiu pela busca de alternativa nova representada pelo senador mineiro Aécio Neves, correrá o risco de se frustrar ou de, se sair vencedor de uma disputa sangrenta, não ter mais uma vez o partido a seu lado, inviabilizando uma eventual vitória.

Serra, oficialmente, continua dizendo que não mudou seu ponto de vista e que as notícias que surgem sobre uma mudança de pensamento são pressões, inclusive do governador Geraldo Alckmin, para que realmente mude.

O PSDB disputou e perdeu as três últimas eleições para o PT, mas teve votação ascendente. A média de votos nacional do partido está em torno de 40%, com qualquer candidato, seja Serra ou Alckmin, o que é uma base respeitável.

O que é preciso fazer é armar a aliança mais ampla possível, e o perfil adequado para tal missão parece ser o de Aécio Neves, que vem se dedicando a fortalecer os laços que mantém com partidos e
políticos hoje na base do governo mas que se incomodam com a subordinação ao PT.

O que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez ao dizer abertamente em entrevista à revista britânica “The Economist” que a candidatura óbvia era a de Aécio foi “colocar o guizo no gato”.

A liderança de Fernando Henrique no PSDB não é como a de Lula no PT, é menos impositiva e surte efeito mais pela razão do que pela emoção. Lula no PT faz o que quer, como quando impôs a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência ou, agora, quando escolheu o ex-ministro Fernando Haddad para ser o candidato do partido à prefeitura paulistana.

Um “dedaço” de Lula surte efeito no partido e é uma vantagem político-eleitoral grande ter uma figura que se impõe tão claramente sem criar dissidências.

Como Lula é um político sensível, experiente e, sobretudo, pragmático, que prefere ganhar com um estranho a perder com um amigo, ele está sempre à frente dos demais “companheiros”, que têm grupos e facções.

Lula é ele e seus interesses, e por isso é capaz de considerar válida uma aliança com o PSD de Kassab, apenas para prejudicar a unidade do PSDB, mas, acima de tudo, para poder usar a máquina da prefeitura em benefício de seu candidato, contra a máquina do governo do estado.

Já FH é líder mais cerebral, que indica os caminhos sem impô-los, mesmo porque a estrutura partidária tucana não é verticalizada. Todos os grandes nomes têm mais ou menos a mesma capacidade de influir nas decisões.

Foi assim que o governador Alckmin se impôs como candidato a presidente em 2006, usando a força de seu prestígio pessoal e do cargo que ocupava, embora Serra diga que não foi candidato então porque não quis.

E é assim que o próprio Serra vai alimentando a esperança de que pode vir a ser novamente candidato a presidente, usando o que resta de seu prestígio político para se manter na disputa, pelo menos teoricamente, embora esteja claro que o partido todo está inclinado a apoiar uma candidatura que dê ares renovados ao partido. Mesmo que essa “renovação” seja apenas aparente, pois não há maneira mais antiga de fazer política (e, ele acredita, mais eficiente) do que a feita por Aécio. Serra prefere bastidores e cochichos ao pé do ouvido na política, deixando os holofotes para sua vida pessoal, postura que terá de mudar para consolidar sua candidatura. O fato de estar sem cargo político, e sem expectativa de poder, tira também de Serra sua capacidade de influir no partido.

Mesmo dizendo que não se candidataria à prefeitura, Serra sempre deixou porta aberta justamente para alimentar essa expectativa de poder, mas dentro do partido hoje ela tem horizonte limitado: Prefeitura de São Paulo, e não a Presidência.

Reassumindo os contatos para uma futura candidatura, Serra volta a ser peão importante para a estratégia tucana em São Paulo e no país, e ganhará força para influir em uma campanha presidencial. FH, ao pôr “o guizo no gato”, fez bem ao PSDB, e ao próprio Serra, obrigando-o a lidar melhor com a realidade que o cerca. Embora tenha ficado agastado, Serra deve ter passado a medir melhor suas reais possibilidades a partir daquela avaliação sincera e só aparentemente extemporânea.

Ele agora tem a chance de se reconciliar com o partido, alinhando-se em um projeto que não é apenas pessoal. Serra diz abertamente que prefere o Executivo ao Legislativo. Se insistir em permanecer à espera de mudança do quadro político que o favoreça a longo prazo, pode ficar exposto a ter que terminar a vida pública como senador, na hipótese não tão certa assim de ser eleito em 2014. Entre as duas opções, a perspectiva de uma eleição para a prefeitura, mesmo difícil, é bem mais atraente para um tipo de político como Serra.

A maior dificuldade para essa decisão deve ser o perigo de não ter a confiança do eleitorado paulistano, ressabiado com o uso da prefeitura como trampolim político. Serra terá de convencer seu eleitorado de que sua opção pela prefeitura é definitiva, e nada melhor para isso do que, ao anunciar sua candidatura, anunciar também o apoio à de Aécio Neves à Presidência.

Pode ser que Serra faça a primeira parte. Mas a outra é mais difícil, quase impossível.

E-mail para esta coluna: merval@oglobo.com.br

25/01/2012 - 08:59h Aécio agradece a FH, e Serra discorda do ‘amigo’


Senador, apontado pelo ex-presidente como nome ‘óbvio’ para 2014, se diz honrado, enquanto Serra diverge ’sem polemizar’

25 de janeiro de 2012

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Após ter sido citado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como o “candidato óbvio” do PSDB à Presidência em 2014, o senador Aécio Neves (MG) divulgou nota ontem em que agradece pelos elogios e valoriza o próprio perfil “agregador”. “Temos que trabalhar agora pelo fortalecimento partidário e para ampliar o alcance do nosso discurso”, afirmou. Já José Serra, que não desistiu da disputa ao Planalto, preferiu evitar a polêmica com o ex-presidente: “São opiniões dele. Não estou de acordo com algumas delas, mas não vou polemizar com um amigo”.

Na mesma entrevista, publicacada na seção Americas view do site da revista britânica The Economist, FHC criticou “erros enormes” da campanha de Serra a presidente em 2010 e disse que o ex-governador paulista poderá abrir caminhos para novas lideranças daqui pra frente. Para FHC, Serra “não formou alianças e ficou isolado mesmo internamente” durante a campanha.

O g0vernador Geraldo Alckmin optou pela neutralidade diante da polêmica. “Temos grandes nomes no PSDB preparados para essa responsabilidade. É um tema a ser amadurecido. Mas está longe ainda”, afirmou ontem.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), admitiu ontem, “com muita serenidade”, que fora de São Paulo, onde, segundo ele, Serra é o presidenciável natural, “há uma preferência neste momento por um nome novo, em função das derrotas de 2006 e 2010″. E concluiu: “Esse nome novo é o do Aécio.” Duarte Nogueira observou apenas que a política é dinâmica e amanhã o cenário pode mudar.

Mas na avaliação do presidente do PSDB mineiro, deputado Marcus Pestana, o futuro já tem nome na percepção hegemônica do partido: “Nove entre dez tucanos que olham para 2014 hoje veem a cara do Aécio”. Ele entende que FHC apenas “jogou luzes sobre o cenário futuro com um diagnóstico preciso dos erros do passado” e tem autoridade política e intelectual para fazê-lo.

Aécio fez questão de destacar que o momento para definir o “melhor nome, entre os vários de que dispõe o partido” será depois das disputas municipais de outubro deste ano. “No momento certo, independentemente de quem será o nome, o PSDB estará em condições de apresentar um projeto ao País que faça o contraponto ao modelo de governança representado hoje pelo PT”, disse na nota de oito linhas.

Paulistas. Vice de Serra no governo de São Paulo, Alberto Goldman contestou FHC, afirmando que “o importante na escolha do próximo presidente não é só a capacidade de fazer alianças, mas de enfrentar os grandes problemas que o País ainda tem e de dar ao desenvolvimento um ritmo compatível com o potencial do Brasil”. / COLABORARAM LUCAS DE ABREU MAIA e FELIPE FRAZÃO

19/01/2012 - 09:49h Oposição terceiriza seu projeto de poder

Cristian Klein – VALOR

Que a oposição está perdida não é novidade. A última evidência é a confusão no PSDB sobre qual avaliação o partido faz sobre o primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff. Um diagnóstico mais virulento, produzido pelo ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, foi desautorizado e substituído por uma versão bem mais amena da direção nacional. Há tempos, os tucanos não sabem para onde apontar o bico.

A diferença agora é que fica mais claro o vácuo de poder. O PSDB parece acéfalo. O senador mineiro Aécio Neves frustrou as previsões de que seria a voz da oposição e teve uma atuação apagada em sua volta ao Congresso. Não deu outra. Com o ex-governador de São Paulo, José Serra, no ostracismo depois da derrota à Presidência em 2010, e o atual, Geraldo Alckmin, voltado para defender seu território contra uma eventual e forte aliança entre o PT e o PSD que ameaça seus planos para 2014, até o senador Alvaro Dias (PR) apresenta-se como pré-candidato da sigla à corrida presidencial.

A doença por que passa a oposição é a de não criar expectativa de poder. Sua estratégia agora é se misturar ao grande condomínio da coalizão liderada pelo PT, e tentar se infiltrar e abrir fissuras no bloco. A criação do PSD pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e sua “sociedade” com o governador de Pernambuco e presidenciável, Eduardo Campos, líder do PSB, é um exemplo desse movimento.

Em Campos deságua expectativa de voltar ao governo

A resistência do PSDB em bater no governo Dilma e o flerte de Alckmin com a presidente – visitante assídua de cerimônias no Palácio dos Bandeirantes – são outras evidências. Dilma, espertamente, encostou na oposição. E a oposição mantém o contato, que segue o plano de embolar com o adversário.

A ideia de que parcerias com programas federais ajudam na solução dos problemas da população é só uma mal disfarçada forma de mascarar a realidade. Quanto maior é a proximidade da oposição com o governo, mais ela revela a perda de sua força como alternativa. Não sem razão, o movimento foi intensificado depois de 2010.

O fracasso de Serra renovou a perspectiva de um governo petista pelo menos até 2018. A reeleição no Brasil, como nos Estados Unidos, criou um sistema em que o mandato praticamente é de oito anos, confirmado em sua metade, salvo um desastre. Hoje, a única esperança para a oposição é o agravamento da crise europeia a ponto de abalar seriamente a economia brasileira. Quanto pior, melhor. Mas a administração petista soube contornar, com destreza, até a crise de 2008. Então, haja paciência. E nem todos estão dispostos a esperar.

A perspectiva pessimista deixa a oposição muito mais longe de seu objetivo e exposta ao processo de definhamento. O DEM já passava por ele, antes da debandada para o PSD. O PSDB teme a mesma desidratação. Os rumores de que Serra pode sair para o PPS ou para o PSD (com menos probabilidade) para disputar a Presidência em 2014 é um retrato do desencanto.

A aproximação da oposição com o governo se dá, não por coincidência, no momento em que ela já percebe que está mais longe de ser a primeira via, o primeiro colocado, e mais perto de ser alcançada por quem vem atrás. Sua preocupação hoje é a de não ceder esse lugar ou minimizar a perda de espaço, negociando-o com a terceira via.

Por isso evitou agredir o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB), acusado de privilegiar seu Estado, Pernambuco, com verbas de combate a enchentes. Tudo para não melindrar Eduardo Campos, fiador de Bezerra.

Em Campos deságua hoje a principal expectativa de poder, fora do PT. Ele está na base do governo federal, mas habilmente constrói inúmeras pontes com a oposição, em alianças estaduais (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Alagoas, Paraíba). A ida do deputado Márcio França para o governo Alckmin teve entre seus objetivos ajudar os tucanos e evitar que os petistas dominem São Paulo.

“O único foco real de oposição é São Paulo, Estado que impõe muito respeito e sozinho já assusta. Se o PT ganhar a capital e o governo, acabou o PSDB. O PT vira partido único, hegemônico”, diz um dirigente do PSB.

Há quem aponte que o destino da oposição (PSDB, DEM, PPS) passe por Campos, como garantia de um período de estancagem da hemorragia, para só então haver uma volta ao poder, em 2023. É um exercício de futurologia, ainda que autointeressado. “A oposição vai ficar no pé do Eduardo. Ele vai ser a salvação”, defende outro dirigente do PSB.

Eduardo Campos, no entanto, também tem suas dificuldades. Em primeiro lugar, precisa defender o que conquistou. Reelegeu-se com 83% dos votos, é o governador mais bem avaliado do país, mas, diante do fim do ciclo de dois mandatos, precisa fazer bem a transição. Tem o PT em seu calcanhar, no comando de Recife, e enfrenta o desafio da sucessão – sempre uma operação de risco, pela possibilidade de traição do apadrinhado. Sair do governo e eleger-se ao Senado é entrar numa trajetória declinante, como a de Aécio. Daí sua pressa de mostrar poder de fogo enquanto tem condições – como governador. Esforço evidente foi a força-tarefa montada na Câmara para eleger sua mãe, Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União.

Eduardo Campos quer influir como ator de peso em 2014. Seja como vice numa chapa de situação ou na cabeça de uma candidatura própria tendo Kassab como vice e/ou com apoio da oposição. Nos acordos para a eleição municipal, não quer discutir 2012 sem negociar 2014. A transferência do título eleitoral de Fernando Bezerra, de Petrolina para Recife, como ameaça ao PT, faz parte do jogo.

Em segundo lugar, Eduardo Campos carece de maior inserção no empresariado. Sem o mesmo enraizamento social e nacional, como os petistas, ou o poder econômico que mantém em São Paulo o polo da oposição, Campos procura abrir canais com o eixo Sul-Sudeste.

Pelo Brasil, o PSB já tem filiado nomes como Mauro Mendes, dono da Bimetal, no Mato Grosso, e José Batista Júnior, o Júnior Friboi, proprietário do grupo JBS, em Goiás. Mas em São Paulo, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, entrou na legenda e saiu para o PMDB. A aliança com Kassab, conhecedor do patronato paulista, pode ter, neste sentido, mais utilidade do que parece à primeira vista.

Cristian Klein é repórter de Política. Escreve mensalmente às quintas-feiras

E-mail cristian.klein@valor.com.br

19/01/2012 - 09:38h PSDB discute reaproximação com Kassab

Por Cristiane Agostine | VALOR

De São Paulo

Preocupado com a possível aliança entre PT e PSD em São Paulo, o comando nacional do PSDB reuniu-se ontem na capital paulista para discutir a reaproximação com o partido criado pelo prefeito Gilberto Kassab. O presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), encontrou-se com o governador paulista, Geraldo Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra para debater a estratégia na sucessão municipal paulistana, ainda sem um candidato tucano definido.

Em conversas reservadas, tucanos já dão como certo o acordo entre o PSD de Kassab e o PT do pré-candidato e ministro da Educação, Fernando Haddad.

Guerra teve conversas separadas com Alckmin, FHC e Serra. O senador Aécio Neves (MG) acompanhou o presidente do PSDB no encontro com o governador paulista, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

Na análise dos tucanos, a aliança com o PSD estaria garantida se Serra disputasse a sucessão municipal. O presidente do PSDB, no entanto, demonstrou pouca confiança nessa possibilidade. “É complicado para qualquer um de nós convencer Serra a ser candidato”, disse Guerra. “Seria patético [fazer um apelo a ele]“, afirmou Guerra.

Serra é visto como o tucano com mais proximidade de Kassab para poder negociar uma aliança entre PSDB e PSD. O prefeito de São Paulo foi eleito vice de Serra em 2004 e assumiu a gestão municipal em 2006, quando o tucano decidiu disputar o governo de São Paulo.

Aécio evitou falar sobre a possível ruptura entre PSDB e PSD na disputa na capital paulista. “Aqui seria a aliança natural”, resumiu Aécio. “Este encaminhamento já vem acontecendo ao longo dos últimos anos. Mas essa condução será feita pelas lideranças do PSDB e, em especial pelo Alckmin”, disse.

O presidente do diretório municipal de São Paulo, secretário estadual Julio Semeghini, comentou que o PSDB continuará conversando com Kassab sobre uma eventual aliança. Entretanto, ao analisar o quadro eleitoral, o dirigente indicou que o PSD tem mais chances de unir-se ao PT, que já lançou um candidato.

Semeghini reforçou que Serra tem até o próximo mês para definir se irá disputar a prefeitura. “Ele [Serra] tem que tomar uma decisão”, afirmou. “Não é um ultimato, mas existe um cronograma previsto”, disse Semeghini. No dia 4 de março o partido deve realizar prévias, para escolher um entre quatro pré-candidatos.

16/12/2011 - 08:49h Jovens tucanos reeditam embate Serra x Aécio

Encontro da Juventude Tucana, que começa hoje, traz novamente a divisão entre os grupos do ex-governador e do senador mineiro
16 de dezembro de 2011

LUCAS DE ABREU MAIA – O Estado de S.Paulo

O congresso nacional da Juventude do PSDB, que começa hoje em Goiânia, promete se tornar um microcosmos do racha tucano entre apoiadores do senador Aécio Neves (MG) e do ex-governador de São Paulo José Serra. Ambos são esperados no evento e devem usar suas falas para tentar mobilizar os militantes em seu favor.

Os líderes jovens do PSDB estimam que atualmente a maioria dos diretórios estaduais é comandada por aecistas. O afastamento de Serra desta ala do partido teria se intensificado com o bate-boca, em novembro, entre o ex-governador e o presidente da juventude do tucanato paulista, Paulo Mathias. Serra deve aproveitar o discurso de hoje para elogiar Mathias e diminuir sua rejeição.

Os militantes mais alinhados ao ex-governador de São Paulo, contudo, tentam minimizar a briga entre ele e Mathias. “Não houve briga! Isso já foi resolvido”, diz enfaticamente Wesley Goggi, secretário nacional de juventude do PSDB. Ele pertence ao diretório do Espírito Santo, hoje visto como um dos mais serristas. Foi dele o convite para que Serra e Aécio participassem do evento. “Não tem desconforto nenhum”, garante, reiterando que o debate sobre o candidato à Presidência só deve ser feito em 2013.

O presidente da Juventude do PSDB, Marcelo Richa – que os outros tucanos veem como um articulador de seu pai, o governador do Paraná, Beto Richa, e alheio à disputa entre Serra e Aécio -, também nega qualquer conflito entre os dois líderes partidários: “A juventude tem batalhado muito pela unidade”.

O congresso – que acontece hoje e amanhã em Goiânia – deve se concentrar no lançamento de candidatos jovens para as prefeituras e câmaras municipais no ano que vem. A ala do partido deve lançar 400 candidaturas às eleições municipais. “São Paulo vai levar cerca de 70 delegados, a maior parte candidatos a vereador”, diz Mathias, evitando a polêmica com Serra.

“Nós, mineiros, estaremos lá, em peso”, acrescenta Gabriel Azevedo, presidente da juventude tucana de Minas Gerais.

Tirando o Chapéu. Azevedo comanda, hoje, uma das alas mais fortes da juventude do PSDB: a Turma do Chapéu. Profundamente ligada à Aécio (o site do grupo, turmadochapeu.com.br, tinha ontem como manchete a viagem, na semana passada, do senador mineiro a Salvador), a turma surgiu como um braço da candidatura de Antonio Anastasia ao Palácio da Liberdade. Hoje, se espalhou pelo País e têm cerca de 100 militantes, segundo Azevedo. O site do grupo, contudo, deixa poucas dúvidas sobre o caráter mineiro da empreitada. “Prestamos atenção naquilo que nos une: um profundo amor por Minas”, diz o texto de apresentação.

Azevedo – que é subsecretário de Juventude no governo Anastasia – provocou uma pequena polêmica na semana passada, ao acompanhar Aécio a Salvador em horário de expediente. Ele disse que era ponto facultativo em Minas no dia do evento e afirmou que a viagem foi paga com recursos próprios.

Já as atividades da Turma do Chapéu – que agora incluem um périplo de sete militantes pelas 27 capitais brasileiras, batizado de Chapéu na Estrada – são financiadas pelo PSDB nacional. Hoje, os “chapeleiros” exigem até um treinamento de quatro meses e uma prova para que os militantes possam se juntar à turma.

O grupo é formado por jovens de 18 a 25 anos, perfil, aliás, idêntico ao da Juventude do PSDB. O que os diferencia? “Aí varia. Por exemplo, na juventude do PSDB, você tem que a maioria tem ensino superior incompleto ou ensino médio completo. Já na Turma do Chapéu, a maioria das pessoas tem ensino superior completo”, começa ele. Depois hesita: “Como eu diria? Vou te colocar de outra forma: é um pessoal que está mais ligado na questão de internet”.

Para se livrar da pecha de “playboys”, que perseguiu a turma nas eleições de 2010 (em um vídeo no site, um “chapeleiro” diz que se juntou à campanha de Anastasia para “pegar mulher e beber de graça”), Azevedo acrescenta no fim da entrevista: “A maior parte da juventude (tucana) tem a renda familiar entre um e três salários mínimos”.

13/10/2011 - 09:19h Serra vê 2014 como ‘carro adiante dos bois’

Em aparente resposta a entrevista de Aécio sobre eleição presidencial, tucano tuitou que antecipar debate ‘atrapalha e desorganiza a oposição’

13 de outubro de 2011

ANDREA JUBÉ VIANNA, JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) utilizou ontem o microblog Twitter para dizer que não é o momento de a oposição discutir a sucessão da presidente Dilma Rousseff, numa aparente resposta à declaração do senador tucano Aécio Neves (MG). Em entrevista ao Estado, publicada no domingo, o mineiro afirmou estar pronto para disputar a Presidência com qualquer candidato do PT, “seja Lula ou Dilma”.

Serra afirmou ontem, no Twitter: “2014 está longe. Antes vem 2012. Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”. Na segunda-feira à noite, após reunião do Conselho Político do PSDB, o ex-governador havia dito que achou a entrevista “interessante” e “verdadeira”. “Acho positivo que Aécio se coloque”, disse após a reunião, da qual o mineiro também participou. Segundo políticos ligados a Serra, o ex-governador sonha em disputar a eleição presidencial pela terceira vez, em 2014.

Aécio não quis entrar em polêmica. Por meio de sua assessoria, o senador afirmou ontem que pensa exatamente desta forma, de que não é o momento de discutir a sucessão presidencial.

Panos quentes. “Uma coisa que o mineiro não faz é passar o carro na frente dos bois”, endossou o presidente do PSDB em Minas Gerais, deputado Marcus Pestana, afirmando que a opinião de Serra e de Aécio é a mesma. Pestana lembrou que o senador disse à bancada tucana, em jantar realizado há duas semanas, que não é hora de colocar a campanha presidencial na rua.

“Aécio acha que o momento é de organizar e modernizar o partido e ter foco nas eleições de 2012″, disse Pestana. “O partido tem que discutir um realinhamento programático e uma agenda para o Brasil.”

Já o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse que não entendeu a declaração de José Serra como um recado para Aécio. “Não creio que seja para o Aécio, até porque ele (Aécio) foi pressionado a se manifestar pelos próprios integrantes do PSDB”, ponderou.

“O que é mais importante é o que conversei com o Aécio terça-feira e que tenho conversado com o Serra, a respeito da definição das primárias para a escolha do candidato. É mais importante definir o processos do que a escolha. Se adotarmos as primárias, o nome escolhido será legitimado pelo processo, e terá a participação da militância”, explicou Álvaro Dias.

Para ele, as primárias eliminam a hipótese da racha no partido e derrubam qualquer pretexto para a montagem de dissidências. “Estamos chegando a isso com muito facilidade. Primeiro é preciso revitalizar o partido e estimular os militantes, tornar o partido mais sólido para a disputa de 2014″, disse. “Todo mundo é favorável a isso. O Sérgio Guerra (presidente do PSDB), a Executiva, desde os tempos em que o presidente era o Tasso Jereissati (ex-senador cearense). O Aécio e o Serra já são favoráveis.”

12/10/2011 - 11:24h Ei, PSDB, o mundo não vai acabar em três anos!

12 de outubro de 2011

José Nêumane, jornalista e escritor, é editorialista do ‘Jornal da Tarde’ – O Estado de S.Paulo

Alguém faria um grande favor à oposição e às instituições do Estado Democrático de Direito no Brasil se lembrasse ao tucanato de alta plumagem que ainda faltam mais de três anos para a eleição presidencial e, antes dela, está agendada uma disputa por votos em todos os municípios brasileiros. Os dois principais ex-governadores do Brasil, o de São Paulo, José Serra, e o de Minas Gerais, Aécio Neves, agem como se ambos não tivessem acabado de protagonizar um dos maiores malogros eleitorais da História do Brasil: a derrota para uma adversária jejuna, desprovida de cintura e sem nenhum charme pessoal, dispondo apenas da alavanca do extraordinário prestígio eleitoral de um presidente no fim do segundo mandato. Quem perdeu foi Serra, dirão os adeptos de Aécio, como se este não tivesse trocado o governo de um Estado da importância capital que Minas Gerais sempre teve no cenário político nacional por um desempenho pífio e impotente num Congresso no qual à legenda dos dois não se atribui sequer o papel de figurante interpretando uma horda indígena num western spaghetti.

“Se for a vontade do partido, estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma”, disse o neto de Tancredo Neves à repórter Christiane Samarco, da sucursal deste Estado em Brasília. Depois da divulgação do feito espetacular da presidente, que ultrapassou o índice alcançado por seus dois popularíssimos antecessores em princípio de governo, Fernando Henrique Cardoso, correligionário de Aécio, e Lula da Silva, companheiro de Dilma, na terceira avaliação de desempenho pessoal e de governo, a afirmação do mineiro está mais para bravata do que para promessa. É claro que até 2014 muita água movimentará os moinhos eleitorais e, com Mantega e Tombini e sem Palocci nem Meirelles, a chefe do governo pode dar com seus burros nessas águas. Mas, mesmo na política, uma dama mais trêfega e caprichosa do que a cantada por Rossini na ópera O Barbeiro de Sevilha, o anúncio soa mais como bilhete de suicida do que como convite para festa. Será que Sua Excelência não percebeu que um partido incapaz de constituir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) e de aproveitar as oportunidades que o PT e seus aliados têm dado não terá chance de chegar ao topo?

O senador das Alterosas disse que o partido dele e de Serra “amadureceu o suficiente para ver que, ou vamos unidos, ou não teremos êxito”. Bem, essa poderia ter sido a amarga lição da derrota para Dilma, provocada pela convicção de Serra de que é melhor perder para os petistas a eleição e a Presidência do que ter de compartilhar o eventual poder após a vitória com os adversários internos de Minas e por ter Aécio preferido a solidão do plenário ao convívio com um parceiro hostil e enfezado. A prova, contudo, de que a lição dolorosa não foi devidamente aprendida, nem sequer assimilada, é a sofreguidão com que, contrariando a prudência dos ancestrais, o neto do símbolo do político manhoso de Minas opta pelo fato consumado, encerrando a conversa ao pé do borralho.

Se a afirmação de Aécio se apoiasse em fatos, ele não teria assumido publicamente o que todo mundo, inclusive Serra, está careca de saber, mas consumiria o imenso tempo de ócio que lhe permite o mandato senatorial de oito anos para encontrar uma solução para desalojar os adversários federais do comando da capital de seu Estado. Ao que parece, o inegável êxito obtido pelo ex-governador em sua bem-sucedida gestão não foi suficiente para permitir que ouça o óbvio ululante de que lhe será menos difícil apear do vagão compartilhado com petistas e aliados a substituir na prefeitura de Belo Horizonte do que derrotar seja Lula, seja Dilma, que, sem dúvida, terão o voto dos aliados locais de ocasião dele.

Mais fácil ainda será para seu desafeto paulistano derrotar na disputa municipal em São Paulo Fernando Haddad, candidato petista da preferência de Lula, ou Gabriel Chalita, mesmo que o noviço peemedebista receba de Alckmin, amigo tucano no governo estadual, mais suporte do que lhe permite a camisa de força partidária. No entanto, Serra não admite sequer discutir a hipótese, de vez que a vitória municipal significará o fim de qualquer ilusão presidencial em 2014. A impotência da cadeira isolada no Senado de nada serviu a Aécio, que também se mostra incapaz de aprender que o capricho dos eleitores reduz a pó vãs ilusões de projetos aparentemente imbatíveis. E a humilhação de perder para um poste arrastado por um mito também não demoveu em um milímetro a prepotência de Serra, que apanha, mas não aprende.

Com um cacife menor do que o de ambos, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, acaba de lhes prestar inestimável serviço ao demonstrar que o desmanche da oposição é muito mais iminente do que sonham os caciques sem índios do PSDB e os coronéis sem jagunços do DEM. A porta de emergência aberta pelo PSD para a fuga dos oposicionistas que não suportarão mais um mandato longe dos cabides das máquinas públicas municipais, estaduais e federal transmite um sinal claro aos ex-governadores dos Estados com os maiores colégios eleitorais do País. Ou eles cuidam de fortalecer as máquinas partidárias do PSDB e do DEM – não criando diretórios onde não existem, mas mantendo as prefeituras de que dispõem e tomando outras de adversários, ainda que se fantasiem de aliados locais -, ou não terão nenhuma chance na disputa presidencial, seja a chapa adversária encabeçada por Lula, Dilma, Marta ou Mantega.

Fato é que 2014 ainda está muito longe no tempo e é quase inalcançável pelo bico dos tucanos, por mais longo e faminto que seja. Mas não é o fim do mundo nem a data da última disputa presidencial no Brasil. Aécio pode muito bem esperar. Serra, nem tanto. Mas antes um galho para pousar e um ninho para se abrigar do que o abismo inevitável de mais uma queda anunciada.

10/10/2011 - 11:33h Posicionamento de Aécio abre debate para 2014

Líderes da oposição avaliam declaração do senador mineiro como positiva, mas lembram que ela não antecipa definição do candidato


Ed Ferreira/AE
Aécio reforça discurso por candidatura, mas ainda enfrenta resistência interna no PSDB - Ed Ferreira/AE

Aécio reforça discurso por candidatura, mas ainda enfrenta resistência interna no PSDB


10 de outubro de 2011

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A entrevista do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao Estado, publicada ontem, foi vista na oposição como a abertura de um debate público sobre a eleição presidencial de 2014. Aécio disse estar preparado para enfrentar tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas terá ainda de se cacifar dentro de seu partido e conquistar alianças para chegar ao posto de candidato da oposição daqui a três anos.

Dentro do PSDB, o maior obstáculo é a insistência do ex-governador paulista José Serra. No DEM, principal aliado dos tucanos na oposição, há o sonho de uma candidatura própria.

Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), a manifestação do senador mineiro visa a reafirmar a posição dele no tabuleiro de 2014. “O Aécio quer deixar claro que está no jogo e não está brincando”, analisa. Guerra não vê, porém, uma antecipação do período eleitoral. “Ele está cumprindo o papel que lhe cabe como líder nacional. Não há antecipação da eleição, mas um posicionamento claro dele. Ele sabe que a definição de 2014 ainda não começou.”

O pronunciamento de Aécio, porém, levou lideranças tucanas a reafirmarem a defesa das prévias para a escolha de um candidato a presidente daqui a três anos. “A busca de uma legitimidade da candidatura através das primárias torna muito mais forte o nome. Seria bom até para o Aécio”, diz o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

O líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira (SP), lembrou que o senador mineiro já tinha manifestado a intenção de disputar a eleição de 2014 em encontro com a bancada do partido. Para Nogueira, a afirmação de Aécio de se colocar à disposição para enfrentar também o ex-presidente Lula anima a oposição. “Ele confidenciou que gostaria de ter o Lula como oponente. Essa foi uma provocação positiva porque nos dá uma expectativa de poder. A oposição se constitui com mais robustez no momento em que demonstra viabilidade eleitoral.”

Aliado. Na visão do presidente do DEM, senador José Agripino (RN), Aécio fez um discurso para o PSDB, deixando a discussão de alianças em segundo plano. “Ele se coloca como uma linha antagônica ao PT. Expõe-se como candidato do PSDB. Com relação aos aliados, faz menções superficiais. Foi mais uma movimentação interna do PSDB do que uma sinalização para a oposição como um todo.” Agripino ressalta ainda não ser o momento de discutir alianças e observa que seu partido poderá ter nome próprio em 2014.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), julgou a entrevista positiva por Aécio propor um enfrentamento com o governo federal. “O Aécio desceu do muro e vai para a guerra. Ele está certo, não adianta querer fazer política contemporizando com quem ele vai disputar.”

O presidente tucano reconhece que a aparição pública de Aécio aconteceu depois de uma cobrança feita por correligionários. A expectativa dos tucanos é deque o senador mineiro se torne mais ativo no Congresso. “Ele precisa se desinibir, ir para o embate oferecendo contrastes ao governo, com a contundência da oposição. Agir com responsabilidade, mas com firmeza. Não deixar o governo respirar”, diz Duarte Nogueira.

26/07/2011 - 09:16h PT e PSDB armam tabuleiro de 2014

Raymundo Costa – VALOR

26/07/2011

PT e PSDB antecipam largada para 2012. Lula articula palanques até 2014; tucanos tentam tirar Serra da disputa presidencial.

PT e PSDB anteciparam a largada às eleições municipais de 2012. O centro da disputa é o território de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, portanto, decisivo na eleição para presidente de 2014. A rigor, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, queimou a largada ao decidir fundar o PSD. Mas a partida valeu, a corrida seguiu e PT e PSDB entraram na pista com disposição de início de campanha.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta repetir a mesma fórmula que o levou a eleger a presidente Dilma Rousseff. Seu candidato é o ministro da Educação, Fernando Haddad, um técnico que nunca antes disputou eleição, como Dilma, e que assim como a atual presidente, à época, também acumula polêmicas.

Nessa lista estão os fiascos do Enem, as cartilhas com erros de português e o “kit gay”, como foi batizado no Congresso o pacote contra a homofobia.

Tucanos forçam Serra em SP para dar passagem a Aécio

Na campanha de 2010, como se recorda, Dilma foi acusada de defender o desenvolvimento a qualquer custo (meio ambiente) e a legalização do aborto, assunto que contaminou o segundo turno da eleição presidencial. E assim como Dilma, o ministro Haddad é um nome técnico de fora do aparelho petista, tem bom relacionamento com Lula e é digerível por boa parte da classe média paulistana.

Lula articula as principais candidaturas para 2012 tendo em vista as alianças com os outros partidos. O ex-presidente costuma lembrar que somente venceu em 2002, após três tentativas, ao ampliar o leque de alianças do PT juntando-se ao PL do empresário e depois vice José Alencar, morto em março passado. No que se refere a São Paulo, Haddad leva vantagens diversas em relação aos outros pretendentes do PT, sob o ponto de vista de Lula.

Em primeiro lugar, é uma novidade. Apesar das polêmicas em que esteve envolvido, deve capturar o eleitorado histórico do PT na capital. E tem espaço para crescer, sobretudo com o apoio que Lula costuma dar a seus “candidatos do peito”, como ficou demonstrado nas eleições do ano passado. Se Haddad ganhar, o PT terá aberto uma brecha na muralha da cidadela tucana em São Paulo – Kassab não é do PSDB, mas é ligado e fiel ao tucano José Serra.

Na hipótese de Haddad perder, é certo que Lula não terá dificuldade para conseguir seu apoio para o eventual candidato do PMDB, Gabriel Chalita, se ele for um dos dois candidatos no segundo turno. Algo que seria difícil de tirar de Marta Suplicy – que é pré-candidata – ou Aloizio Mercadante, atual ministro da Ciência e Tecnologia, também potencial candidato à indicação. Lula joga com as alianças de 2012 tendo em vista a disputa de 2014.

Vitória na eleição na capital de São Paulo é uma variável que não se discute na equação eleitoral do PSDB, pelo menos por enquanto. A discussão entre grande parte dos tucanos é outra: como fazer José Serra decidir logo se é ou não candidato a prefeito de São Paulo. A decisão de Serra é importante para Aécio Neves e seus correligionários resolverem o encaminhamento da candidatura presidencial do mineiro.

É nesse contexto que deve ser entendida a proposta de realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB a prefeito, de preferência até dezembro deste ano. Isso forçaria Serra a uma decisão já. Na hipótese de ele ser candidato, Aécio teria a segurança de contar com o caminho livre para começar a trabalhar sua candidatura para 2014, sem receio de que alguém possa lhe tirar a bola no meio do jogo.

Serra já disse que não será candidato a prefeito. Em particular, afirma que não disputaria de novo nem que esta fosse a última eleição de sua vida – só não diz o mesmo publicamente para não “ofender” os paulistanos, insinuando algum tipo de menosprezo pela prefeitura. Mas os adversários do tucano paulista ou não acreditam que ele consiga ficar sem um cargo até 2014 ou acham que podem convencê-lo com o argumento de que é a única alternativa viável do PSDB, sob pena de a sigla começar a desmoronar em São Paulo.

Por trás desse argumento, está o mesmo raciocínio defendido na convenção que elegeu os novos dirigentes tucanos, no final de maio, segundo o qual o PSDB deveria escolher logo o candidato a presidente. Para Serra, não interessa decidir nada agora. O tempo joga a seu favor, ao contrário do que ocorreu nas duas vezes em que disputou a Presidência da República, quando teve de deixar os cargos que então ocupava (ministro da Saúde e governador de São Paulo) no início de 2002 e de 2010.

O tempo está a favor até em relação à prefeitura de São Paulo: Serra não precisará dizer se é ou não candidato no início de maio de 2012, prazo para a desincompatibilização de pré-candidatos que tiverem cargos executivos. Um exemplo: o secretário de Energia, José Aníbal. No limite, Serra pode até deixar a decisão para o final de junho de 2012.

A exemplo de um número cada vez maior da chamada elite política do Congresso, independentemente de partido, José Serra também supõe que o candidato do PT, nas eleições de 2014, será o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste cenário, talvez o PSDB se convença de que o candidato ideal é o próprio Serra – o contraponto de Lula no partido..

A tese segundo a qual Aécio deveria disputar com Lula em 2014 para encorpar uma recandidatura em 2018 enfrenta problemas. O próprio Aécio tem dificuldades para enfrentar Lula, com o qual manteve excelente relacionamento no governo. Além disso, a concorrência para daqui a sete anos deve ser maior.

Sem falar do PT, cujo candidato deve ser Lula (para a eleição ou para a reeleição), o PMDB, por exemplo, contará com o nome do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, se os Jogos Olímpicos de 2016 forem o sucesso. Não há porque duvidar das possibilidades do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), nome que, por sinal, anda às turras com o PT. E no terreiro do PSDB já haverá outro candidato a cantar de galo – Beto Richa, atual governador do Paraná, filho de um dos fundadores tucanos, José Richa.

Os políticos gostam de dizer que as eleições municipais são diferentes das eleições para os governos de Estado e a Presidência da República. Mas nunca deixam de disputar uma sem pensar na outra.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br

31/05/2011 - 09:23h Tucano de SP defende que PSDB se nacionalize

Cristiane Agostine e Samantha Maia | VALOR

De São Paulo

Aliado do governador Geraldo Alckmin (SP), o dirigente do PSDB de São Paulo e secretário estadual Edson Aparecido defendeu ontem a estratégia vitoriosa na convenção nacional do PSDB, que reelegeu o deputado Sérgio Guerra (PE) na presidência do partido e colocou o ex-senador Tasso Jereissati (CE) na presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV). Na análise de Aparecido, o partido tem de deixar de se concentrar em São Paulo e reforçar sua estrutura em outros Estados para disputar a eleição de 2014.

“São Paulo não pode achar que vai ter sempre a hegemonia. O PSDB precisa ser mais nacional”, disse Aparecido, secretário de Desenvolvimento Metropolitano. “Fortalecer o partido em outros Estados não é uma tática errada. Está corretíssima”, afirmou, ao analisar a convenção do sábado. “Não adianta: [caso contrário ] a gente vai continuar ganhando em São Paulo, mas perdendo a Presidência.” Na convenção, Serra perdeu a disputa pelo ITV. O tucano foi indicado para presidir o conselho político do partido.

O interlocutor de Alckmin defendeu a realização de prévias para 2014. “O PSDB deve consultar os filiados. Se tiver mais de um candidato, faz uma prévia. Se tivéssemos feito primária para presidente nas duas últimas eleições, talvez o partido estivesse unido”, disse. “Evitou-se a disputa e deu no que deu”, completou. O tucano comemorou o fim da convenção, depois de “cinco meses de problemas diários”. “Todos os partidos têm disputa. No nosso, [a disputa] vira crise”, disse.

29/05/2011 - 08:33h Serra perde queda de braço em novo comando do PSDB

Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

Conchavos. Sérgio Guerra e Aécio cochicham com FHC; Serra disse que desunião enfraquece


Grupo de Aécio resiste e não entrega direção do ITV, instituto tucano, ao ex-governador, que agora vai presidir Conselho Político

Christiane Samarco, Edna Simão, Felipe Recondo e Marta Salomon – O Estado de S.Paulo

O ex-governador José Serra saiu ontem derrotado na briga interna pelo comando do PSDB e pela liderança na fila de pré-candidatos da legenda ao Planalto em 2014. No novo balanço de poder, definido ontem na convenção nacional do partido em Brasília, o grupo político do senador Aécio Neves (MG) ficou com o comando de postos-chave na máquina partidária. A saída para a disputa interna foi entregar a Serra a presidência do Conselho Político, apontado por muitos como prêmio de consolação. A decisão, confidenciaram tucanos, coloca Serra mais próximo da disputa pela Prefeitura de São Paulo.

O deputado Sérgio Guerra (PE) segue na presidência da sigla. Para a primeira-vice foi escolhido o ex-governador Alberto Goldman, aliado de Serra. Aécio trabalhou e conseguiu manter na secretaria-geral o deputado Rodrigo de Castro (MG).

Recuo. Depois de uma madrugada tensa de negociações, Serra acabou forçado a recuar da pretensão de presidir o Instituto Teotônio Vilela (ITV). O grupo ligado a Aécio não abriu mão de entregá-lo ao ex-senador Tasso Jereissati (CE). Para acomodar Serra e não expor o racha na convenção, os caciques do partido turbinaram o Conselho Político tucano e destinaram a presidência do colegiado a Serra.

O novo conselho terá poderes para deliberar sobre alianças nacionais, fusões e incorporações partidárias, além de definir o processo de escolha dos candidatos a presidente e vice-presidente da República, quando solicitado pela Executiva Nacional. Mas Serra terá poder de mando limitado, porque nenhum grupo terá maioria no colegiado.

Na lista dos seis conselheiros estão o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o próprio Aécio, representando o Congresso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como ex-candidato a presidente, e seu colega de Goiás, Marconi Perillo, representando os oito governadores do partido. Também terá lugar o presidente do PSDB.

Razões. A queda de braço em torno do ITV, agora comandado por um aliado de Aécio, foi o pano de fundo da convenção que reelegeu Guerra ontem. A disputa antecipou 2014, em uma espécie de primeira etapa das prévias partidárias que irão escolher o candidato tucano à sucessão de Dilma Rousseff. O objeto real do duelo entre aecistas e serristas era o controle da estrutura partidária para a construção de uma candidatura presidencial. O ITV conta com um orçamento de R$ 10 milhões e o grupo de Aécio temia que Serra utilizasse a estrutura do instituto para pavimentar seu projeto de 2014.

Com auditório cheio de convencionais, Aécio, Serra, Alckmin e FHC chegaram juntos ao evento, depois de quase três horas de reunião costurando o acordo para a formação do Conselho Político. “Brigamos muito até há pouco, é verdade; mas agora estamos aqui juntos”, reconheceu FHC. “Nunca se precisou tanto de uma oposição forte e unida”, disse, no mesmo diapasão, Geraldo Alckmin. O quarteto foi recepcionado por um coro que ora pedia um “tucano na Presidência”, ora “Aécio presidente”.

No palanque, todos os discursos foram de união partidária. “Prevaleceu aqui o que o PSDB tem de sobra: espírito público”, declarou Aécio, ao destacar que “o PSDB só tem condições de chegar lá (na Presidência) unido”. Serra adotou o mesmo tom: “Nossa desunião fortalece o adversário, trai nossos princípios e esteriliza nossas ações”. “As diferenças são normais, mas não podem falar mais alto do que a nossa união. Antes de ser oficial da política, sou soldado. E contem com esse soldado em qualquer momento”, completou.

Apesar da aparência de unidade, o racha foi exposto de forma clara e o risco de ruptura ficou iminente. Na noite de sexta-feira, o embate fez subir a temperatura da crise interna a tal ponto que as três maiores estrelas do PSDB de São Paulo – FHC, Alckmin e Serra – ameaçaram boicotar a convenção. Foi um alívio quando Serra desembarcou de madrugada de ontem na capital.

28/05/2011 - 09:21h Divididos, tucanos têm hoje 1º teste rumo a 2014

Partido chega à convenção rachado entre grupos dos presidenciáveis Serra e Aécio

Julia Duailibi e Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

Sete meses após a derrota na eleição presidencial de 2010, o PSDB chega a seu primeiro encontro nacional dividido entre setores que buscam se cacifar internamente na disputa pelo Palácio do Planalto em 2014. A Convenção Nacional do partido, realizada hoje, em Brasília, ficará marcada pela ausência de unidade em torno de um projeto comum para o maior partido de oposição.

Ainda ontem, véspera da reunião, o partido buscava um acordo, capitaneado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na disputa entre o senador Aécio Neves (MG) e o ex-governador José Serra (SP), aspirantes ao título de próximo candidato do PSDB à Presidência.

Depois de negociações em torno da composição da Executiva Nacional, cúpula partidária composta por 23 cargos, a ser eleita hoje, restou um nó a ser desatado: a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV). Aécio apoia a indicação do ex-senador Tasso Jereissati (CE). Serra, depois de resistir a oferta inicial de ficar com o posto, passou a pleitear a presidência do instituto, com um orçamento de cerca de R$ 10 milhões e responsável por estudos e pesquisas do partido.

Tanto o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, que será reconduzido hoje ao cargo, quanto Aécio não querem Serra no ITV por avaliarem que será criada no partido uma “presidência paralela”. Cederam ao grupo de Serra a primeira-vice-presidência do PSDB como principal espaço na Executiva Nacional.

Encontro. Ontem, Serra, FHC e o governador paulista Geraldo Alckmin reuniram-se no apartamento do ex-presidente para discutir uma solução. Fernando Henrique defendia a indicação do ex-governador à presidência de um Conselho Político, a ser criado pelo PSDB hoje. Serra, no entanto, resistia, segundo aliados. Para os serristas, o conselho era um “prêmio de consolação” que buscavam dar a ele.

A cúpula tucana acenou com um conselho enxuto, com no máximo seis integrantes, que teria autonomia financeira e administrativa e direito a contratar uma equipe de assessores para ajudar Serra a formular as políticas e o discurso do PSDB. O ex-governador, no entanto, mostrou-se indignado com o “veto” a seu nome para presidir o ITV e ameaçou explicitar o racha boicotando a convenção. O líder da bancada tucana na Câmara, Duarte Nogueira (SP), avaliava como “remotíssima” a possibilidade de ele aceitar a troca do ITV pelo Conselho Político. Aécio, no entanto, mantinha-se otimista em relação a um acordo, argumentando que o PSDB é “muito maior que qualquer um de nós”.

Reunidos na sede do PSDB em Brasília, Aécio e Sérgio Guerra aguardavam por um sinal de “fumaça branca” de São Paulo. Com o grupo, estava o ex-senador Tasso Jereissati. Dois meses atrás, diante da convite dos senadores para que aceitasse a presidência do instituto, ele foi a São Paulo falar com FHC e Alckmin.

Serra havia recusado a ideia de presidir o ITV e ainda não tinha recolocado seu nome. Com a aproximação da convenção, voltou atrás. Os paulistas endossaram a reivindicação abrindo mão de outras posições na Executiva do partido para acomodar o ex-governador no ITV.

Com o impasse em torno da indicação de Serra para o ITV, os tucanos contavam como certa apenas a recondução de Guerra na presidência. A tendência era que o atual secretário-geral, deputado Rodrigo de Castro, aliado de Aécio, fosse reeleito. O ex-governador Alberto Goldman estava cotado para a primeira-vice-presidência, do lado serrista.

28/05/2011 - 09:00h O que fazer com Serra

O ex-governador de São Paulo tenta conquistar mais espaço no ninho tucano para voltar à evidência no cenário político nacional, mas cria constrangimento entre os cardeais do PSDB

Alan Rodrigues – Istoé

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BOM-SENSO
Para Aécio Neves, o mais “correto” para Serra seria
disputar a Prefeitura de São Paulo e esquecer a Presidência

O ex-governador de São Paulo José Serra se transformou em incômodo para o PSDB. Apesar de ter conseguido mais de 44 milhões de votos nas últimas eleições presidenciais, Serra racha o partido, quer disputar a Presidência a qualquer preço e a nova cúpula tucana não sabe o que fazer com ele. Na última semana, enquanto o governo Dilma vivia sua pior crise no Congresso Nacional – derrotado na votação da Reforma Florestal e com o fantasma de uma CPI para investigar as denúncias de enriquecimento do ministro Antônio Palocci –, o PSDB submergia. O partido não conseguia se distanciar de uma crise interna que se arrasta desde as últimas eleições presidenciais entre os grupos ligados ao senador mineiro Aécio Neves e os apoiadores de José Serra. Batalha que ganhou novos contornos por conta da Convenção Nacional da legenda, que ocorre no sábado 28. Em reuniões, encontros secretos e muita conversa ao pé do ouvido, a ala ligada ao ex-governador de Minas e as forças políticas do Nordeste, capitaneadas pelo presidente do partido, Sérgio Guerra, uniram-se para tentar reduzir o papel dos serristas na direção nacional do partido. “A fila andou”, tem dito pelos corredores de Brasília o deputado federal Nárcio Rodrigues, presidente do PSDB mineiro. “A partir de agora, o partido vai ter de tomar uma posição muito mais assertiva, muito mais firme, apontando os desmandos, os descaminhos e equívocos do governo e, ao mesmo tempo, apresentando à sociedade brasileira as nossas propostas”, disse Aécio Neves na última semana a seus correligionários.

Relegado ao ostracismo depois de sua segunda derrota para o PT na corrida presidencial, Serra vem amargando fracassos sucessivos nos últimos três meses dentro de sua legenda. Foi assim nas eleições para os diretórios municipais e estaduais do PSDB, nas quais o ex-presidenciável sucumbiu ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

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INSISTENTE
Serra não se deu por vencido e luta por espaço para
ter chances de voltar a concorrer com o PT em 2014

Foi assim também quando 53 dos 55 deputados que constituem a bancada federal tucana assinaram o manifesto para reconduzir Sérgio Guerra à presidência do PSDB, indo em direção contrária aos anseios de Serra.

Para a cúpula tucana, Serra tornou-se um problema, já que, mesmo depois das seguidas derrotas, ele ainda não se deu por rendido e mantém o sonho de ocupar a cadeira mais importante do Palácio do Planalto. A intenção é legítima, mas afronta os planos da nova direção partidária que, segundo FHC, precisa imediatamente estabelecer outro discurso, que contemple a nova classe média e inicie em 2012 o desenho das eleições de 2014. “É o momento de unir nossas forças para enfrentar o inimigo comum, que é o PT, e não o nosso próprio partido”, diz, em defesa de Serra, o deputado federal Antônio Imbassay, membro do Diretório Nacional e presidente do PSDB na Bahia.
Disposto a acomodar todas as forças políticas na nova direção partidária, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso trabalhou intensamente na última semana para apartar a briga entre as duas correntes. Assim que chegou dos Estados Unidos, na noite da segunda 23, FHC encontrou-se com Sérgio Guerra para buscar uma solução menos traumática para Serra. Fernando Henrique chamou a atenção de seus aliados para o erro político do partido em ignorar o que ocorre na Casa Civil e fechar-se em copas para resolver a crise interna. Para ele, o momento é de enfraquecer o governo petista. “Ainda não é hora de discutir sucessão presidencial, mesmo porque Aécio tem hoje uma posição de vantagem sobre José Serra”, disse o ex-presidente ao portal IG, na terça-feira 24.

Outro problema vivido dentro do ninho tucano é que mesmo a solução encontrada por FHC de colocar Serra na presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), instância do partido que elabora as discussões centrais e administra um orçamento anual de R$ 11 milhões, não resolve os embates entre as duas correntes. “Serra pode querer montar um partido paralelo dentro do próprio PSDB”, teme uma fonte tucana. “Um partido não pode ter duplo comando”, conclui. Para a cúpula do PSDB ligada ao senador Aécio Neves, que domina 75% da legenda, a única solução pacificadora nesse imbróglio é Serra abrir mão do sonho presidencial e se lançar, no início do próximo ano, como candidato a prefeito de São Paulo. “O ex-governador paulista sabe que a escolha do futuro presidenciável será via prévias. Nesse cenário, Serra será aniquilado”, antecipa uma fonte ligada ao senador mineiro. Serra sabe disso. Na última semana, ele já sinalizou a interlocutores que não descarta a candidatura à Prefeitura de São Paulo. Essa, segundo os aecistas, seria a costura ideal, já que atenderia o governador Alckmin na reeleição e deixaria o caminho livre para o ex-governador mineiro disputar a Presidência. Nas palavras de Aécio, “essa seria a posição mais correta”.

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26/05/2011 - 10:22h PSDB paulista abre mão de cargo para abrigar Serra

- O Estado de S.Paulo

A três dias da Convenção Nacional do PSDB e diante do impasse para compor a nova cúpula tucana, o grupo do ex-governador José Serra usou a última cartada no jogo interno para formar a nova Executiva do partido, que será eleita no próximo sábado.

Depois de insistir na indicação do novo secretário-geral do PSDB, o grupo aceitou trocar o posto, responsável por tocar o dia a dia da vida partidária, pela primeira-vice-presidência. Essa é uma das alternativas que já haviam sido oferecidas pela direção da sigla a aliados do ex-governador desde a semana passada.

Com o aceno, a secretaria-geral continuaria com o deputado Rodrigo de Castro (MG), aliado do senador Aécio Neves (MG).

A primeira-vice-presidência, hoje tocada pela senadora Marisa Serrano (MS), seria repassada para o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) ou para o ex-governador Alberto Goldman, dois nomes próximos a Serra.

O grupo, no entanto, não abre mão de indicar Serra para a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), mesmo diante das negativas de parte da direção tucana e dos aliados de Aécio, para quem o ex-governador criará no núcleo de estudos e pesquisas do PSDB um poder paralelo ao oficial comando partidário.

Apesar da pressão dos últimos dois dias, não há garantia de que Serra será mesmo indicado para o ITV. Pelo contrário. A vaga foi prometida ao ex-senador Tasso Jereissati (CE), com o apoio da bancada tucana no Senado e do presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Por enquanto, não há sinais de que haverá um recuo.

Cientes da dificuldade de emplacar Serra no ITV, os aliados do ex-governador colocaram no colo do governador Geraldo Alckmin a responsabilidade pelo sucesso da negociação para formar a nova Executiva.

O grupo avalia agora que a única forma de um acordo ser costurado é com uma palavra final de Alckmin e a ameaça de não comparecer à convenção. Os serristas dizem que pretendem boicotar o encontro, caso os pleitos não sejam concedidos.

Ontem, Alckmin voltou a dizer que o PSDB precisa abrir espaço para o ex-governador: “É importante a participação do Serra porque ele foi o nosso último candidato a presidente, teve mais de 40 milhões de votos e não tem hoje mandato eletivo”.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), defendeu ontem a formação de um Conselho Político, sem funções administrativas e mais enxuto, do qual Serra poderia fazer parte.

Candidatura única
O atual presidente do PSDB, deputado Sergio Guerra (PE), é candidato único à presidência da legenda. A tendência é que ele seja reconduzido na Convenção Nacional do partido, no sábado

25/05/2011 - 10:27h Mais um partido em chamas

Rosângela Bittar – VALOR

Tal como ocorreu com o DEM, e seguindo os passos recentes dos jovens liberais que encurralaram Gilberto Kassab e um contingente expressivo de políticos no beco de saída do partido, a direção do PSDB está empurrando porta afora um grupo de políticos, vários deles fundadores, tendo à frente o ex-governador José Serra. Começa, assim, a provar que a disputa interna do momento tem calibre para promover irrecuperável dissolução.

Até sábado, data de convenção, será possível saber se a crise no PSDB teve potencial para levar a facção paulista do partido às últimas consequências.

Disposição há. Como há, também, vontade de negociar à exaustão, nesses próximos cinco dias – e é o que ainda estão fazendo -, um espaço na direção partidária para um PSDB de fundadores, de redatores de seu programa, de seus estatutos, que ainda tem fôlego para resistir à pressão por deixar tudo no colo dos que chegaram por último.

Nas proximidades do gabinete de Fernando Henrique Cardoso, meio a uma discussão sobre a possibilidade de ele aceitar um convite para presidir o partido, foi feito um comentário que causou perplexidade, mas apenas em um primeiro momento. Disse o ex-presidente que, tal como criado, o PSDB acabou.

PSDB e PT encontraram seu denominador comum

Foi o sinal, evidenciou-se agora, de que os políticos de São Paulo, historicamente atados à legenda, já não consideram cláusula pétrea sua permanência. Uma coisa, porém, é a possibilidade de sair, outra diferente é ter isto no horizonte, como solução a curto prazo. Não está. A admissão da hipótese, contudo, tem efeito combustível.

Os grupos paulistas da legenda, tanto de José Serra como de Geraldo Alckmin, não pretendem morrer de véspera. Vão lutar, mas é forte a tentativa de aniquilamento, vinda do grupo do ex-governador de Minas, Aécio Neves, que depois de ter afastado Alckmin do eixo da disputa presidencial, concentrou-se na tarefa de emparedar Serra.

O pleito de São Paulo, para não perder contato com a direção partidária, é indicar o secretário geral do partido e o presidente do Instituto Teotonio Vilela, de estudos políticos. Na secretaria geral, Aécio, líder do processo, quer manter o seu mineiro Rodrigo de Castro. Para o Instituto, Alckmin convenceu Serra a aceitar a sua indicação. Segunda-feira passada, o governador paulista fez a proposta a Aécio; na terça, repetiu-a ao presidente do partido e candidato à reeleição, Sergio Guerra, hoje o principal operador do grupo aecista. Na quarta, Aécio e Guerra convocaram os senadores do partido para uma homenagem a Tasso Jereissati, no Senado, e ali apresentaram um documento de adesão e apoio ao ex-governador e ex-senadores cearense para a presidência do Instituto.

Aécio quer fazer da convenção de sábado a consagração de seu nome como candidato a Presidente da República em 2014, pelo PSDB. Está certo de que é a sua vez e o seu direito, e arma a direção partidária de forma que seja possível conduzir a caravana a seu modo, no seu tempo. José Serra quer ser candidato a presidente da República, em 2014, pelo PSDB. Acha prematura uma definição neste sábado por várias razões que tem relatado à direção do partido. Uma das principais é que não se sabe o que vai acontecer no Brasil. A análise, já feita para Sergio Guerra, é que o governo vai mal do ponto de vista moral, ético, programático, os projetos estão parados, as obras se deteriorando, a presidente recolhida, o principal ministro atingido por suspeitas.

Seria prematura uma definição dos candidatos, agora, até porque o PSDB sequer conseguiu organizar-se para atuar politicamente na oposição, com todo esse cenário a lhe facilitar a ação. Assiste, inerte, à abulia governamental. Não toma conhecimento de denúncias, das mais superficiais às mais graves.

Do ponto de vista institucional, nem o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, nem o nominado candidato a presidente da República, Aécio Neves, deram sinal de que têm tomado conhecimento de qualquer dos casos que atormentam e expõem o governo. Oposição, não há. O que há é a guerra interna, o vale-tudo para definir agora a candidatura do PSDB em 2014. E sufocar Serra, antes que consiga protelar a definição. Tarefa para a qual, segundo a campanha da própria direção do partido, já não estaria apto.

A propaganda do PSDB de Aécio (presidência do partido, deputados mineiros, publicitários, pesquisadores, amigos e imprensa) tem decretado o isolamento de José Serra. O político que recebeu 44 milhões de votos para presidente da República em 2010, que já foi eleito senador, governador e prefeito de São Paulo, estaria acuado, no partido e na política. Porém, em contradição, é à sua figura que o partido recorre quando precisa de um culpado pelos seus desacertos e incompetências. Na direção do PSDB, hoje, Serra é culpado desde o racha dos parlamentares paulistas à criação de novo partido a partir da destruição do aliado liberal.

Quem está isolado, comanda?

As cúpulas do PT e do PSDB, finalmente, encontraram seu denominador comum. Desde o escândalo Waldomiro Diniz, o PT atribui a José Serra a condição de seu “adversário-responsável”. Aproveitando-se da atual guerra de eliminação, o PT também sentiu falta e foi buscar o seu bode expiatório. Desde a semana passada, a ordem no principal partido governista é atribuir ao PSDB paulista, especialmente a José Serra, a autoria do vazamento sobre a arrecadação da empresa de consultoria do ministro Antonio Palocci, tendo como fonte dos dados de enriquecimento súbito o cálculo dos impostos pagos à prefeitura paulista. O superministro petista da Casa Civil sabe que seu inferno astral vem mesmo do fogo amigo, mas a estratégia definida pelo ex-presidente Lula tenta repetir o sucesso obtido em outros idênticos carnavais.

A direção do PSDB não assumiu sua identidade oposicionista nem nesse caso, seja para cobrar explicações sobre as suspeitas levantadas seja para combater o sofisma a que o PT recorre em todos os escândalos que protagonizou no governo federal.

Fulminar Serra é o que busca o grupo reunido em torno de Aécio. A forma, por truculenta, conseguiu até constranger Alckmin. O governador tem esfriado a já histórica disputa paulista entre o seu grupo e o de Serra. E não há razões para desconfiar da indicação que fez de Serra para o Instituto de estudos do partido, há testemunhas. Menos razões ainda para crer que apoie o enfraquecimento do PSDB em São Paulo, onde buscará, em 2014, sua reeleição ao governo.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

25/05/2011 - 10:01h Tucanos veem ITV como máquina para ”campanha” de Serra

Grupo do PSDB avalia que ex-governador vai utilizar instituto para fomentar uma nova candidatura ao Planalto

Christiane Samarco / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A briga de poder em torno do espaço do ex-governador tucano José Serra na nova direção nacional do PSDB, a ser eleita dia 28, vai muito além da secretaria-geral do partido e da presidência do Instituto Teotônio Vilela, (ITV) de estudos e pesquisas.

Aliados do senador Aécio Neves (MG), com o apoio de tucanos de todas as regiões, entendem que o que está em jogo é se haverá ou não duplo comando no PSDB. Precisamente por isso, será difícil Serra assumir o ITV.

Foi o que decidiu a cúpula nacional do partido, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A avaliação geral é de que no ITV, com um orçamento de R$ 10 milhões anuais para contratar uma assessoria e rodar o País “em campanha”, Serra criaria um poder paralelo. Por isso, parte do tucanato mantém-se firme na disposição de dar o comando do ITV ao ex-senador Tasso Jereissati. FHC, Aécio e o presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), candidato único à própria reeleição, ainda estão negociando uma fórmula para contemplar Serra. Além da secretaria-geral, hoje ocupada por Rodrigo de Castro (MG), também está sendo estudada a alternativa de dar importância e poder efetivo ao Conselho Político para acolher Serra.

Os oito governadores tucanos estão dispostos a abrir mão de integrar o Conselho que ficaria mais enxuto, com no máximo cinco integrantes, e teria a missão de definir os projetos nacionais do PSDB. A presidência do colegiado ficaria com FHC, mas Serra assumiria uma espécie de secretaria executiva para tocar o órgão de aconselhamento e assessoria do partido, do qual também participariam Tasso e Aécio. Tucanos de Norte a Sul preocupam-se em não passar à opinião pública a ideia de que Serra foi escanteado, mas não querem nem ouvir falar em gabinete sombra e se recusam a ficar reféns da disputa partidária entre Minas e São Paulo. Lembram a crise do DEM para destacar que o duplo comando leva à guerra na cúpula e ao risco de implosão.

Todos declaram ter o maior apreço e respeito pela história e peso político de Serra. Afirmam que ele teria o cargo que quisesse na direção partidária, mas isso, desde que não tivesse se colocado à mesa sua candidatura presidencial em 2014. Foi esse o tom do jantar de cerca de 30 deputados fora do eixo Minas-São Paulo na quarta-feira passada em Brasília. Para que o encontro não soasse como uma conspiração contra mineiros e paulistas, o anfitrião Reinaldo Azambuja (MS) convidou apenas um representante de Minas e um só paulista.

Acordo. Apesar da intenção da cúpula não negociar o ITV, aliados de Serra já comentam que o grupo aceitaria como solução para o acordo, além do instituto, a primeira-vice-presidência. Por esse entendimento, os tucanos próximos ao ex-governador abririam mão da secretaria-geral. / COLABOROU JULIA DUAILIBI

Votação
A Convenção Nacional do PSDB será no próximo sábado, em Brasília. Cerca de 600 delegados escolhem os 213 integrantes do Diretório Nacional, que elegerão a nova cúpula do partido.

25/05/2011 - 09:44h Investida de Aécio e Guerra contra Serra divide tucanos paulistas

Alesp

Morando, líder do PSDB na Assembleia e um dos porta-vozes de Serra: “SP não aceita espaço inferior à secretaria-geral e ao ITV”


Ana Paula Grabois, Vandson Lima e Caio Junqueira | VALOR

A investida do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do presidente do PSDB, o deputado federal Sérgio Guerra (PE) para desalojar aliados do ex-governador José Serra da executiva do partido divide os tucanos paulistas. Vitorioso na indicação do comando dos diretórios municipal e estadual de São Paulo, que marginalizou os serristas, Alckmin defende espaço na executiva nacional tucana para São Paulo, mas não tem comprado briga pelo correligionário. “São Paulo não está fora da direção nacional. O Alckmin está na dele e o Sérgio Guerra está muito bem com o governador”, disse um interlocutor de Alckmin.

A cautela de Alckmin, candidato a líder inconteste do PSDB paulista, deve-se ao seu interesse em evitar que os serristas sejam atraídos para a seara do prefeito Gilberto Kassab e de seu novo partido. Na reunião com o presidente do PSDB, na segunda-feira, Alckmin trabalhou para garantir um representante na primeira vice-presidência da direção executiva, cargo diverso ao que Serra tem interesse em ocupar, a presidência do Instituto Teotonio Vilela (ITV), dono de um caixa de cerca de R$ 11 milhões – valor próximo à divida de R$ 11,9 milhões do partido em 2010.

Depois das eleições do ano passado, Serra almejava a presidência da sigla. Foi atropelado em janeiro por um abaixo-assinado de 54 parlamentares da bancada federal pedindo a permanência de Guerra na direção nacional do partido. Na época, foi oferecido a Serra a presidência do ITV. O tucano negou o convite, estendido ao ex-senador Tasso Jereissati.

Agora, Serra tenta negociar a presidência do instituto. “É preciso respeitar a biografia de Serra e lhe dar um cargo a altura. Tirando a presidência do partido, tem que ser a do ITV”, diz o deputado federal Antonio Imbassahy (BA).

O grupo de sustentação de Alckmin aceitou a indicação para a recondução do aecista Rodrigo de Castro para o cargo. Na avaliação desse grupo, o grau de articulação do deputado com a bancada federal é elevado, o que resultaria em derrota a um eventual concorrente na disputa pelo cargo.

Parlamentares ligados a Serra alardeavam ontem a sinalização de um acordo por parte de Guerra de aceitar que Serra ocupe a presidência do ITV. Uma comissão do partido teria agendado uma ida amanhã a Fortaleza para convencer Jereissati a desistir do instituto.

Os serristas queriam ainda a secretaria-geral do PSDB nas mãos do ex-governador Alberto Goldman. “São Paulo não aceita espaço inferior à secretaria-geral e à presidência do ITV”, diz o deputado estadual Orlando Morando, líder do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo e um dos porta-vozes de Serra nas negociações internas da legenda. Goldman foi submetido ontem a uma cirurgia de duas pontes de safena e não deve participar da convenção do PSDB, no sábado.

Deputados aecistas afirmaram que não havia nenhuma sinalização de acordo e mantinham o entendimento prévio de que o lugar de Serra seria no conselho político da sigla, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do senador Aécio, dos governadores Alckmin e Marconi Perillo (GO), além de Guerra e Tasso. Na avaliação deles, Serra no ITV seria o equivalente ao partido ter “duas cabeças” e “dois entendimentos diferentes”. Além disso, haveria dificuldade em convencer a bancada do Senado a retirar apoio a Tasso.

A inviabilidade disso, declararam, se daria porque o instituto é um órgão que presta assessoria à executiva e poderia haver divergência na condução do partido caso Serra tomasse posicionamentos contrários a Guerra. O receio é de que Serra no ITV vire “uma sombra” para o deputado. Convencer Tasso a recuar também seria outra dificuldade, principalmente pelas fortes divergências que teve com Serra na sua trajetória política.

Os serristas, porém, se diziam satisfeitos ontem com a sinalização do acordo. Disseram que já estava tudo pronto para uma ida de Guerra amanhã ao Ceará e que a vice-presidência também ficaria com Goldman. Avaliavam que Aécio não pode prescindir de São Paulo no seu projeto presidencial e que, portanto, tem de satisfazer o interesse das principais lideranças do Estado.

Entre os deputados federais ligados a Serra, já está sendo colocada a hipótese de debandada rumo ao PSD, legenda em processo de fundação criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O movimento seria semelhante ao que ocorreu depois da troca de direção do PSDB da capital paulista, em abril. Com a chegada do secretário de Gestão do governo Alckmin, Julio Semeghini, à presidência do diretório municipal, seis vereadores deixaram a legenda rumo a outros partidos, como PSD, PV e PMDB.

24/05/2011 - 10:04h Serristas elevam tom e ameaçam boicotar convenção

PSDB paulista avalia que, do jeito que a cúpula está sendo moldada, fica pavimentada indicação de Aécio como candidato a presidente em 2014

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Diante da falta de acordo para a composição da Executiva Nacional do PSDB, aliados do ex-governador José Serra ameaçam boicotar a convenção do partido, no sábado, em Brasília. A disputa pelo controle da direção partidária evidencia o clima já acirrado entre os tucanos na tentativa de influenciar os rumos da sigla na eleição presidencial de 2014.

Ontem, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), encontrou o governador Geraldo Alckmin, no Palácio dos Bandeirantes, para discutir a composição da nova cúpula partidária. Depois, esteve com representantes da bancada paulista, na sede do PSDB na capital.

Tanto o governador quanto os parlamentares insistiram na indicação de Serra para a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV). Num discurso uníssono, também pediram que o novo secretário-geral seja uma indicação da bancada paulista.

A presidência do ITV, no entanto, foi prometida ao ex-senador Tasso Jereissati (CE), apoiado pela maioria dos senadores e, em especial, por Aécio Neves (MG), que defende a reeleição do deputado Rodrigo de Castro (MG) para a secretaria-geral.

Guerra, que encontraria ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não se comprometeu com as demandas e sinalizou só a necessidade de composição. Sem entrar em detalhes, elogiou o ex-governador Aberto Goldman, um dos cotados pelos paulistas para a secretaria-geral. “São os pleitos sobre os quais eu já tinha conhecimento”, disse Guerra, ao sair da reunião. “O que o governador Geraldo pedir o partido dará atenção.”

Questionado se a indicação de Tasso já estava consolidada, ironizou: “Nem a minha está”. Tucanos ameaçam questionar na Justiça a recondução de Guerra, caso seus pleitos não sejam acatados.

A despeito da disputa pelo controle do PSDB em São Paulo, Alckmin tem defendido a indicação de Serra ao ITV para mostrar empenho pela unidade da sigla e por considerar importante dar ao ex-governador uma representação institucional no PSDB.

Ao lado do coordenador da bancada paulista do PSDB, Luiz Fernando Machado, o líder da sigla na Assembleia, Orlando Morando, insistiu nos dois pedidos na reunião de ontem. “É o maior Estado da federação”, afirmou Morando, segundo quem os paulistas farão “pressão total” para ficar com as duas vagas.

Acordo. Parlamentares ligados a Serra dizem que não vão participar da convenção se não houver acordo. Ontem, lideranças do Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo e Bahia, entraram em contato com os paulistas para dizer que também defendem Serra no ITV e maior participação dos Estados na Executiva.

Para os serristas, Guerra tem apoio de Aécio para ser reeleito. A avaliação é que, do jeito que a cúpula está sendo moldada, já fica pavimentada a indicação do mineiro como candidato a presidente, e eles não querem isso mais de três anos antes da disputa.

A convenção reunirá cerca de 600 delegados. Eles vão eleger 213 membros do diretório nacional, que votam na chapa da Executiva.

23/05/2011 - 09:02h Munhoz defende Serra no ITV e explicita racha

Presidente da Assembleia, aliado do ex-governador, também lançou Aloysio Nunes Ferreira (SP) para comandar partido no País

Raul Spinassé/A Tarde
Raul Spinassé/A Tarde

Na chuva. Serra assiste à beatificação de Irmã Dulce na BA


Gustavo Uribe – O Estado de S.Paulo

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz, aliado do ex-governador José Serra, lançou publicamente o nome do senador Aloysio Nunes Ferreira para a presidência do PSDB. Munhoz também se uniu ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na defesa do nome de Serra para a assumir a direção do Instituto Teotônio Vilela (ITV), importante braço do partido.

“A indicação do Serra para o Instituto Teotônio Vilela seria ótima. Eu não conversei com Serra a respeito, mas para o PSDB seria excelente”, afirmou Barros Munhoz. “O homem é capaz de fazer desse instituto o que ele precisa ser, e o que hoje ele não é.”

Além de se posicionar a favor de Serra comandar o ITV, Munhoz afirmou que o partido precisa iniciar um processo de renovação. Na avaliação dele, o deputado Sérgio Guerra (PE), candidato à reeleição, fez um bom trabalho na presidência da sigla, mas o atual momento de instabilidade tucana é propício para a condução de alguém com atitudes mais combativas à liderança. “Ele foi um bom presidente, mas seria saudável para o PSDB, neste momento, uma renovação. Alguém com uma postura mais oposicionista, mais consistente.”

Para o presidente da Assembleia Legislativa paulista, o senador Aloysio Nunes Ferreira seria o nome mais adequado para dirigir o partido no País.

Guerra, no entanto, é o único candidato à presidência do partido até agora e deve ser reeleito no próximo sábado, quando o PSDB fará sua convenção.

ITV. Na avaliação de Munhoz, as entidades do partido não desempenham um papel satisfatório. “Esses organismos devem ser estimulados e funcionar bem. No nosso caso, não é isso o que acontece.”

Desde a derrota do ex-prefeito e ex-governador de São Paulo nas eleições presidenciais de 2010, parte de seus correligionários tem defendido sua indicação para o instituto. Essa seria uma das formas de Serra se manter em evidência.

Alckmin tem agido pessoalmente para que a legenda chegue a um consenso e também tem defendido em público o nome de Serra para o cargo.

“Eu acho esse um ótimo nome, preparadíssimo. Pode dar uma boa contribuição ao partido no ITV”, afirmou o governador na quinta-feira.

A disputa pelo comando do instituto criou nos últimos dias um novo impasse no PSDB. Guerra defende o nome do ex-senador Tasso Jereissati (CE) para o ITV. “Todo mundo sabe e reconhece Tasso como uma das melhores figuras do PSDB”, afirmou na ocasião.

Tasso conta com o apoio da bancada tucana no Senado, que o convidou formalmente para dirigir o órgão. O senador Aécio Neves (MG), pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2014, também está entre os apoiadores de Tasso.

22/05/2011 - 08:47h Sem acordo na convenção

João Bosco Rabello – O Estado de S.Paulo

Na semana que antecede a convenção nacional (dia 29 próximo), as correntes em disputa pelo comando do PSDB dão por perdidas as chances de um acordo capaz de pacificar o partido. As últimas manifestações dos porta-vozes dos ex-governadores de Minas e São Paulo sintetizam o clima: de um lado, os aecistas lembram a frase de Tancredo Neves de que não se faz política sem vítimas; de outro, surge a ameaça de judicializar o processo, se José Serra for derrotado.

Materializam a disputa os cargos de presidente, secretário-geral e a direção do Instituto Teotônio Vilela (ITV), este último depositário de porcentual significativo do Fundo Partidário que, em 2011, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estima em R$ 11 milhões para o partido.

Aécio Neves trabalha pela reeleição do deputado Sérgio Guerra à presidência, pela permanência do deputado mineiro Rodrigo de Castro na secretaria-geral e pela eleição do ex-senador cearense Tasso Jereissati à presidência do ITV.

O ex-governador de Minas opera obstinadamente as bancadas regionais pela adesão à sua tese de “despaulistização” do partido em favor de uma maior capilaridade nacional que reduza sua dependência do eleitorado do Sudeste. O que soa como música aos ouvidos das bancadas do Norte e Nordeste.

Terça-feira passada, uma reunião das bancadas da Câmara e do Senado deixou claro que o fim da hegemonia paulista é forte aliado do senador mineiro.

Aécio tem dito a interlocutores que prefere “quebrar ovos” e definir um vitorioso a manter a disputa interna, que impede uma estratégia para 2014.

Xadrez mineiro

A estratégia de Aécio na tentativa de consolidar-se como candidato do partido em 2014 à sucessão de Dilma Rousseff considera que a candidatura de Gilberto Kassab ao governo paulista “amarrou” o governador Geraldo Alckmin à cadeira, impondo-lhe a reeleição. Tese reforçada pelo ingresso de seu vice, Afif Domingos no recém-fundado PSD, onde é alternativa à sucessão do atual prefeito de São Paulo. O ostensivo empenho do ex-presidente Lula em quebrar uma hegemonia tucana de 16 anos no Estado completa a conveniência de Alckmin ficar onde está e de Serra conformar-se em voltar à Prefeitura de São Paulo.

Ponte nordestina

Sem perder o foco nas articulações internas, Aécio conversa com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, principal liderança do PSB e passaporte nordestino indispensável a qualquer candidato presidencial. Campos busca visibilidade nacional e autonomia política que viabilizem voos mais altos ainda em 2014, se as circunstâncias autorizarem.

Sem força

Obstruído pelas suspeitas de tráfico de influência de seu principal articulador político, ministro Antonio Palocci, o governo volta enfraquecido à votação do novo Código Florestal, prevista para depois de amanhã. Sem muitas esperanças de reverter a maioria favorável ao relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), já se fala em veto presidencial ao que vier a ser aprovado contra a vontade do Planalto.

Sem pressão

O episódio Palocci ofuscou o “gabinete de crise” da ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, montado para denunciar o aumento do desmatamento.

Ciro

Sem espaço no PSB, Ciro Gomes já conversa com o PDT.

21/05/2011 - 09:58h PSDB já admite levar disputa interna à Justiça

Deputado diz que chances são ‘grandes’ se não houver acordo para abrigar grupo de José Serra

André Mascarenhas – O Estado de S.Paulo

A uma semana da convenção que definirá o Diretório Nacional do PSDB, tucanos paulistas já falam abertamente na possibilidade de decidir a composição da nova Executiva na Justiça. Em entrevista ontem à TV Estadão, o deputado William Dib disse que as chances para que isso ocorra são “grandes”, caso não haja acordo para abrigar o grupo do ex-governador de São Paulo José Serra na instância máxima da sigla.

“Eu acho que, não havendo consenso, existe uma possibilidade grande (de a Executiva ser decidida no Judiciário)”, disse. Nos bastidores, aliados de Serra argumentam que a fórmula em negociação, com manutenção do deputado Sérgio Guerra (PE) na presidência da sigla, favorece o senador tucano Aécio Neves (MG), que pressiona para que o deputado mineiro Rodrigo de Castro seja mantido na secretaria-geral. Para neutralizar o fortalecimento do mineiro, serristas articulam para que o ex-governador Alberto Goldman seja aclamado secretário-geral.

“O partido precisa sair unido dessa convenção, mas hoje existe uma perspectiva de racha”, afirmou Dib. Na opinião do deputado, Serra, que “teve 43 milhões de votos”, “precisa ter um espaço importante no partido”. “Não é isso o que está se apresentando.”

Argumento. A tese encampada pelos descontentes é que Guerra já ocupou a presidência pelo tempo-limite permitido pelo estatuto do PSDB – de dois mandatos consecutivos. Já circula na bancada tucana na Câmara um parecer que sustenta essa argumentação. Conforme adiantou a edição de anteontem do Estado, o texto seria usado em caso de não haver acordo.

“Acho que é uma coisa que ninguém gostaria. O deputado teve um trabalho importante para o partido, e nós também não podemos menosprezar o Aécio”, ponderou Dib. “Mas não podemos menosprezar os oito governadores, principalmente o Geraldo Alckmin aqui em São Paulo, e muito menos o José Serra”, concluiu.