26/07/2008 - 07:21h AFIF: “o candidato de Serra é Kassab”

Sinais de dispersão de aliados preocupam campanha do DEM

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CATIA SEABRA - FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

Sustentado por amplo arco de alianças, o palanque do prefeito Gilberto Kassab (DEM) tremeu ontem com a divulgação do último Datafolha, segundo o qual o candidato se mantém estagnado na disputa.
Cobrando o material de campanha prometido por Kassab, PMDB, PR e PV se queixam de falta de mobilização. E, num momento de fragilidade, alguns aliados exigem até mais participação no governo municipal.
Terceiro colocado nas pesquisas, Kassab (11%) também está fora dos panfletos distribuídos por candidatos a vereador da sua coligação, incluindo o presidente da Câmara, Antônio Carlos Rodrigues (PR).
A aliança é ainda alvo do assédio petista. De olho no segundo turno, Marta Suplicy convidou até um aliado de Kassab para jantar. Segundo o Datafolha, ela tem 36% contra 32% de Geraldo Alckmin (PSDB).
Recém-chegado do exterior, o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, será o porta-voz das reclamações do partido hoje, em reunião com Kassab. O PMDB e a vice, Alda Marco Antônio, se dizem subaproveitados. “É preciso agilizar a campanha”, diz Quércia.
A avaliação é suprapartidária. “Não podemos esperar o programa eleitoral”, defende Aurélio Nomura (PV). Já Rodrigues propõe: “Tem que fazer ajuste na máquina. Nunca vi alguém estar na máquina e ficar contra o governo”.
Segundo aliados, Kassab não parece abalado e aposta nos cerca de 9 minutos a que tem direito em cada bloco do programa eleitoral para reverter a situação. Fracassada a estratégia, Kassab deve ir para o confronto com o PT. Desde o início da semana, os 31 subprefeitos foram recrutados pelo comando da campanha. Além de coordenar as reuniões para discussão regional do programa de governo, os subprefeitos -inclusive tucanos como Laert Teixeira (Itaquera) e Alexandre Aniz (Ipiranga)- acompanham Kassab em atividades de campanha na hora do almoço.
Outra estratégia: recorrer ao governador José Serra. Em reunião ontem na Vila Prudente, o coordenador do programa de governo, Afif Domingos, disse a líderes comunitários que o candidato de Serra é Kassab, “embora ele não possa explicitar”. “Claramente o que o governador quer é o sucesso do Kassab, que é o sucesso dele.”
Kassab já tinha passado por lá. Na próxima semana, Afif fará reuniões com a população no comitê central do DEM com a participação de secretários, incluindo os tucanos Alexandre Schneider (Educação) e Ricardo Montoro(Participação).


Colaborou FERNANDO BARROS DE MELLO, da Reportagem Local

04/07/2008 - 17:44h Inprovisação guiada pelo marketing eleitoral

Núcleo da campanha de Kassab apoiou novo rodízio

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Diego Zanchetta - O Estado de São Paulo

O núcleo de campanha do Democratas incentivou o prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) a antecipar o anúncio do rodízio para caminhões nas Marginais. A decisão foi política, ratificada no fim da noite de anteontem, mas teve o aval de técnicos da Secretaria Municipal de Transportes.

A restrição estava prevista em um pacote de medidas anunciado em maio. Havia, porém, receio de um impacto negativo junto aos transportadores de cargas e caminhoneiros. Com a redução dos congestionamentos após a restrição no centro expandido, válida desde segunda-feira, o núcleo de campanha incentivou o governo a aproveitar o “bom momento” e adiantar o rodízio nas Marginais.

Na avaliação de marqueteiros, a medida vai subsidiar o prefeito nos debates sobre trânsito, tema que monopoliza hoje as propostas dos candidatos à Prefeitura da capital. Guilherme Afif Domingos, coordenador do futuro programa de governo do DEM para São Paulo, diz que, com a restrição, a tendência é a aceitação ao prefeito subir nas próximas semanas. “Essa medida não foi de um candidato, mas de um prefeito que sabe ser gestor”, disse Afif, que, considera a restrição aos caminhões “medida pontual” - para ele, investimentos em metrô e Rodoanel são a prioridade.

Cientistas políticos avaliam que Kassab tenta agir rapidamente, para se tornar tão competitivo quanto os adversários que lideram as pesquisas, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). ” Dos três, ele é o menos competitivo. E novas medidas para melhorar o trânsito são bem aceitas “, diz Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “O teste para saber se as medidas terão valido a pena será o retorno das férias. Temos muitos veículos fora de circulação, não dá para saber o impacto das restrições.”

Fernando Antonio Azevedo, cientista político da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), avalia que o prefeito “tenta criar a imagem do gestor público que resolve os problemas, que age rápido”. “Isso é uma grande vantagem na corrida eleitoral”, considera.

04/07/2008 - 17:06h Factóide eleitoral

Kassab encara caminhões para virar candidato

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Cristiane Agostine - VALOR

Foi a necessidade de se associar a uma imagem forte, de governante que enfrenta obstáculos, que moveu a decisão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), de editar medidas que restringem a circulação de caminhões.

À medida somam-se a proibição de outdoors, o fechamento de bares e casas de prostituição, a retirada de camelôs e o fechamento de estabelecimentos comerciais irregulares.

No governo e no DEM, a avaliação das medidas é que foi uma decisão “de risco”, mas “necessária” para Kassab. A equipe de campanha está preocupada com o fato de o prefeito não conseguir transformar a avaliação positiva de sua gestão em votos. Como o trânsito será o grande tema da campanha, o candidato à reeleição precisa mostrar que está empenhado em buscar soluções.

O consenso dos especialistas de que a restrição dos caminhões não será suficiente para melhorar o trânsito na cidade é reconhecido pelos conselheiros do prefeito. “Mas a população está irritada com o trânsito, que só tende a piorar, e ele precisava tomar uma medida enérgica”, conta um articulador do prefeito.

Nas pesquisas de opinião encomendadas pelo DEM, Kassab ainda não conseguiu elevar significativamente a intenção de votos. “Essa foi uma decisão arriscada, mas tomada pelo prefeito junto com seu conselho político. Não é uma decisão tomada só com marqueteiro”, diz um conselheiro. Segundo as últimas avaliações do Datafolha, 39% consideram a administração de Kassab ótima ou boa e 38%, regular. Já na intenção de voto, o prefeito está em terceiro lugar, com 15%, atrás de Marta Suplicy (PT), com 30%, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 29%.

Preocupada em mensurar o impacto das medidas para o tráfego, a equipe de campanha de Kassab encomendou uma pesquisa quantitativa, com mil entrevistas, cujo resultado sairá no fim de semana.

O prefeito aposta que o resultado para sua imagem será semelhante ao que teve quando implementou o Cidade Limpa, que deu novas regras à publicidade e proibiu outdoors. Apesar de brigas com o setor publicitário, Kassab saiu fortalecido do episódio e ganhou projeção. Até então, era considerado apenas o vice de José Serra. O Cidade Limpa tornou-se a grande bandeira da gestão, a ponto de ter sua continuidade prometida tanto por Alckmin (PSDB) quanto por Marta (PT).

Certo de que as medidas projetarão seu governo, ontem Kassab anunciou a ampliação das restrições. Os caminhões terão de obedecer às mesmas regras do rodízio válido para os carros. A partir de 1 de agosto, os caminhões de pequeno porte acumularão duas restrições: farão parte do rodízio anunciado e não poderão circular de com outro rodízio, que leva em consideração se a placa é par ou ímpar (caminhão com placa par só circula em dia par). Segundo Kassab, a medida é “a mais branda entre todas as analisadas” e outras restrições poderão ser feitas.

Nos quatro primeiros dias com as novas regras a prefeitura aplicou 3.445 multas. Segundo o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, houve redução média de 40% no s índices de congestionamento nos três primeiros dias de julho em comparação com a média do mesmo mês de 2007.

Apesar da confiança do prefeito nas medidas, sua equipe de governo e de campanha eleitoral está cautelosa com o impacto econômico que pode ter no setor produtivo. O coordenador do programa de governo de Kassab é o secretário estadual de Trabalho, Guilherme Afif Domingos, ex-presidente da Associação Comercial de São Paulo. Além do possível aumento do preço de serviços e mercadorias, empresários e comerciários ameaçam a prefeitura dizendo que a medida poderá causar desemprego. Se antes ele teve de enfrentar o setor de publicidade, agora terá de mediar conflitos com representantes de toda a cadeia produtiva.

A mesma cautela têm os adversários de Kassab. Tanto Alckmin quanto Marta dizem que é preciso regulamentar o transporte de carga em São Paulo, mas questionam se a diminuição do trânsito com a restrição à circulação dos caminhões valerá o impacto econômico. Eles esperarão até agosto para avaliar se defenderão as medidas nas campanhas. Até lá, dizem, não é possível mensurar o quanto da melhora no trânsito se deve às férias escolares ou à medida.

A equipe de Alckmin, cuja área de transporte será coordenada pelo ex-secretário estadual Jurandir Fernandes, aprova o decreto, mas defende que haja uma redução de taxas e impostos, dos governos municipal e estadual, para os empresários e comerciários prejudicados. “Se for bem sucedido, seremos os primeiros a aplaudir. Se não tiver sucesso, não usaremos na campanha”, disse Fernandes. “O que não pode deixar de ter é uma forma de compensação pelos prejuízos”, apontou.

As críticas de Alckmin a Kassab serão focadas na falta de investimentos em corredores de ônibus e na construção de garagens subterrâneas no centro da cidade, para elevar a área de circulação dos automóveis. “O problema do trânsito não se resolve só com a carga pesada. Se não olhar para o todo, a cidade poderá ter só carros circulando e mesmo assim continuar parada.”

Já os articuladores de Marta não sabem se manterão as medidas na plataforma de governo e questionam a forma como estas foram implementadas. O coordenador da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (PT), reclama da falta de diálogo com a sociedade. “Estamos muito preocupados com o impacto no setor produtivo, porque pode haver aumento de preços. Não pode haver inflação por conta de uma medida de trânsito. A medida foi adotada sem ampla negociação”.

Ex-secretário de Transportes na gestão de Marta, Zarattini diz que o atual governo acabou com os principais avanços da gestão petista na regulamentação do transporte de carga. “Na gestão Marta nós fizemos escalonamento de entrega. Cada setor tinha um horário. Fizemos um grande pacto com o setor produtivo. Quando Serra entrou, acabou com isso, jogou fora”, critica Zarattini.

Apesar de seguir as principais linhas deixadas por José Serra (PSDB) antes dele sair da prefeitura para o governo do Estado, Kassab foi mais ousado na alteração das regras de circulação de transporte de carga na cidade. No primeiro ano de governo, Serra assinou um decreto limitando a circulação de caminhões, mas sob pressão de empresários e comerciantes, o tucano recuou pelo menos três vezes nas medidas propostas antes mesmo de o governo começar a aplicar multas. Na época, a prefeitura alegou que não era um “recuo”, mas sim uma “correção”.

O decreto publicado por Serra em abril de 2005 mirava nos caminhões que faziam entregas para grandes comércios, como shoppings, supermercados, lojas de material de construção, concessionárias e hospitais e postos de combustível. A carga e descarga poderia ser feita entre 22h e 6h; aos sábados, das 14h à meia-noite. Com isso, a previsão era que fossem retirados 3% dos caminhões em circulação. Os pequenos comerciantes não seriam afetados. Um mês depois, a prefeitura abrandou e autorizou a circulação de caminhões com até 5,5 metros. No mês seguinte, estendeu a permissão aos veículos com até 6,3 metros. Depois, isentou parte dos caminhões que abasteciam postos de combustíveis. A crítica feita à época por especialistas era que as transportadores trocariam um caminhão grande por três ou quatro menores, aumentado a frota em circulação.

O projeto de Kassab mira justamente nos caminhões com até 6,3 metros e afetará os pequenos comerciantes, que antes haviam sido poupados. Os caminhões estão proibidos de circular no centro expandido, que corresponde a 100 quilômetros quadrados, entre as 5h e 21h e sábado das 10h às 14h. Até o fim do mês, além da ampliação do trecho de restrição veículos de carga com até 6,3 metros passaram a ser atingidos por um rodízio de placas. De 01 de agosto até novembro, a proibição de circulação será para todos nas horas de pico, mas das 10h às 16h podem se revezar segundo a placa.

As medidas mais severas, que proíbem a circulação de caminhões no centro expandido, passam a valer em novembro, depois das eleições. Mas podem até serem suspensas, segundo o governo anunciou ontem. A primeira etapa das restrições servirá de teste nas negociações com as entidades do setor de transporte. As paralisações, como a que fechou a marginal do Tietê no primeiro dia de funcionamento das normas, não afetaram tanto o trânsito, que é mais tranqüilo no período. De agosto até outubro, mês da eleição, o prefeito terá um período para negociar com empresários e comerciários e remodelar o decreto, se o trânsito não melhorar. Se o resultado for positivo, será sentido pela população e entrará na campanha de Kassab.

Com o decreto, empresários e comerciários ameaçaram o governo com demissões nos setores e elevação do preço de mercadorias. “Se subir, é o preço que temos que pagar”, respondeu o prefeito. Mas às vésperas das eleições, o prefeito não descuidou do contato com os empresários. A negociação com entidades de classe começou há cerca de três meses. Na primeira reunião, o governo queria que a restrição total à circulação de caminhões no centro expandido passasse a valer imediatamente após a publicação do decreto. Diante das reclamações, postergou o prazo e acatou sugestões.

Para evitar novas paralisações, tanto o prefeito quanto o secretário de Transportes passaram os últimos dias em fiscalizações pela cidade e em encontros com empresários e sindicalistas. “Antes não queriam nos atender. Foi só fazer uma paralisação para isso mudar”, disse o secretário-geral do sindicato dos Condutores de Cargas Próprias, Luiz Nascimento.

O temor de caminhoneiros e comerciários é de que as demissões não sejam só uma ameaça ao prefeito. “Se as entregas forem feitas só à noite, isso pode elevar o custo das empresas, que terão de pagar um adicional aos funcionários. Isso levaria a demissões, para equilibrar a folha de pagamentos”, disse Nascimento. Na segunda-feira, o governo fará nova reunião com representantes do setor de transporte de cargas.

07/05/2008 - 12:18h Tucanos: quem leva?

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O esperto complexo ou o simples?

Blog de Nassif

A indicação de Geraldo Alckmin como candidato a candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo torna interessante o jogo de xadrez do governador José Serra.

No passado, Serra se caracterizou pelo purismo nas alianças. Flertou com uma área do chamado PMDB autêntico, com partidos de centro-esquerda, juntou em torno um grupo grande com quem mantinha afinidades intelectuais. Havia “serristas” no PMDB autêntico, no PSB, no PDT, no PT moderado.

Apos as eleições de 2002, provavelmente julgou que esse purismo seria insuficiente. Mesmo com queixas em relação ao tratamento recebido do então presidente FHC, deixou-se guiar por ele e aí foi gradativamente se descaracterizando. Hoje é conduzido pela mão pelo pragmatismo de FHC. E é refém da pior parcela do jornalismo patrício.

Politica e administrativamente é superior a Alckmin.

Alckmin quase hostilizava os prefeitos do interior. Um deles me contou que foi ao Palácio com um colega de uma cidade mais pobre. Lá, pediu para que determinada verba destinada à sua cidade pudesse ser repassada para a cidade do colega. Alckmin sacou do seu caderninho, conferiu suas anotações pessoais e concluiu que aquela cidade já recebera muito. E que o remanejamento deveria ser para outra cidade. Perdeu o aliado.

Serra montou uma base de apoio política competente em São Paulo. Eleito prefeito da cidade, entregou a sub-prefeituras a ex-prefeitos do interior. O Secretário Guilherme Afif Domingos montou uma base de dados ampla em que os dados do orçamento estão claramente fixados. O prefeito chega, conversa, coloca suas reivindicações e recebe resposta na hora, sem a necessidade dos rapapés ao governador.

Alckmin colocou Arnaldo Madeira com articulador político. Madeira tentou impor o presidente da Assembléia Legislativa. Usou de todos os meios mas foi fragorosamente derrotado pelo deputado Rodrigo Garcia, que fez campanha em dobradinha com Kassab. Eleito, Rodrigo foi até o Palácio e ofereceu a vitória ao governador – que pretendia derrotá-lo.

Serra fez dobradinha com Kassab a partir da qual pensava lançar as bases de uma nova aliança nacional com o DEM.

Um esbanja amadorismo, outro aparentemente esbanja profissionalismo. Quem leva?

Quem decide oe sua majestade, o eleitor. E aí Serra se enrola.

Nas útlimas campanhas presidenciais, Serra perdeu a indicação em parte por falta de vontade – sabia ser muito difícil vencer Lula. Mas também porque Alckmin passou a viver seu grande papel: o do homem simples, sem firulas, que se propõe a enfrentar os cardeais do partido. Foi quando cresceu e se tornou personagem nacional.

É evidente que contribuiu para isso o anti-lulismo arraigado da mídia, que escondeu a fraqueza administrativa do candidato – o homem do caderninho apresentado como gerente moderno.

Agora, se repete o enredo, mas de forma mais complicada para Serra. São Paulo talvez seja o último reduto de militância do PSDB. Para conseguir alguns minutos a mais de TV, Kassab-Serra fecharam com Orestes Quércia, político de baixa penetração na capital (a eleição não é para prefeito?) com altos índices de rejeição.

Agora se trata do homem só – Alckmin – e sua teimosia, contra uma geléia geral, que junta o DEM (baixa penetração em São Paulo), o PMDB de Quércia e… e… e não sei mais. Serra criou sua sinuca de bico. Não poderá fazer campanha a favor de Kassab, para não ser visto como traidor do partido. Ao mesmo tempo coloca seus homens para uma campanha de desgaste em cima de Alckmin – não apenas os políticos mas aceitando o anti-jornalismo mais desqualificado para ataques baixos contra adversários.

Quando sua majestade, o eleitor, se manifestar, será mais fácil para ele entender as complexas estratégias políticas de Serra ou a simplicidade simplesinha de Alckmin?

É mais um passo da Serra em direção à descaracterização de sua proposta original. Poderá chegar às próximas campanhas repletos de aliados. Mas estará bem mais vazio de propostas.

enviada por Luis Nassif

27/04/2008 - 12:03h De costas para os paulistanos

Editorial - O Estado de São Paulo

Política é agregação de interesses e construção de maiorias visando à conquista e à permanência no poder dos agregados e majoritários para a efetivação de objetivos comuns. Dito assim, abstratamente, o enunciado pode induzir o eleitor de espírito desarmado a imaginar que os interesses passíveis de se concertar descendem sempre, legitimamente, da interação, em busca de pontos de convergência, de parcelas das múltiplas forças sociais que competem entre si nas complexas sociedades atuais; o eleitor de boa-fé tenderá igualmente a presumir que as maiorias necessárias à governança hão de se construir com a argamassa de um entendimento que faça prevalecer entre os envolvidos a acomodação e as concessões recíprocas, do contrário os objetivos comuns iriam para o espaço. Por último, o mesmo eleitor saberá que esses objetivos incluem, destacadamente, expectativas de ganhos partidários ou pessoais - aceitáveis, no entanto, por entrelaçarem-se com genuínas intenções de obrar pelo bem público, ao menos como o entendam as maiorias em formação.

Quando a evidência bruta dos fatos põe por terra a teoria alojada na torre de onde se têm essa visão quase ideal da política, o impacto priva o observador dos seus derradeiros vestígios de confiança em que, mesmo nos seus cálculos egoístas, os políticos levem em conta que o povo não é bobo e que, portanto, os seus negócios precisam pelo menos aparentar coerência e decoro. Até esse mínimo dos mínimos acaba de ser ignorado nos consórcios para as eleições de novembro próximo - e não em algum grotão esquecido de Deus, mas em plena capital de São Paulo.

A açodada iniciativa do ex-governador tucano Geraldo Alckmin de se lançar candidato à Prefeitura paulistana, estilhaçando a coligação PSDB-DEM em torno do prefeito Gilberto Kassab (o vice que substituiu José Serra quando ele resolveu migrar para os Bandeirantes, em 2006), criou as condições para transformar ninguém menos do que o ex-governador peemedebista Orestes Quércia em condestável da sucessão municipal. A sua idéia fixa era formar uma aliança com qualquer um que apoiasse a sua candidatura ao Senado em 2010. Antes da desordem armada no ninho tucano, o PT tentou atrair Quércia, de olho nos 4 minutos e meio de que o PMDB disporá no horário eleitoral - o que daria a Marta Suplicy um total de 10 minutos, já incluído o possível 1min30s do PR.

Mas Quércia sabia por experiência própria que os petistas são duros de molejo em negociações, por mais que o presidente Lula queira vê-los unidos ao PMDB para a sua sucessão. Estavam criadas as condições para um acerto, heterodoxo mesmo segundo os sumamente flexíveis padrões brasileiros, unindo Serra, Quércia e o patriciado do antigo PFL, nas figuras do senador Marco Maciel e do ex-senador e ex-presidente da agremiação Jorge Bornhausen. Para ter o peemedebista na canoa de Kassab, o DEM aceitou defenestrar a pré-candidatura senatorial do correligionário Afif Domingos. De seu lado, Quércia designou a sua leal seguidora Alda Marco Antônio como companheira de chapa pro tempore de Kassab. Ou seja, se o PSDB, ao fim e ao cabo, persuadir Alckmin de que a sua hora é a da eleição seguinte para governador de Estado (com o apoio do PMDB), ficará restabelecida a coligação municipal de 2004 e o lugar de vice de Kassab será ocupado por um tucano.

Se Alckmin não desistir, apesar das pressões crescentes, poderá se aliar ao PTB, um dos esteios da base parlamentar de Lula. Antes, também ele tentou a sociedade com Quércia. Um dos alvos de Serra, que deverá abrir espaço para o PMDB quercista no seu governo, é introduzir uma cunha na aproximação do partido com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Os dois são candidatos estampados à sucessão de Lula - e, no que depender da cúpula peemedebista, o mineiro poderá trocar de caderneta partidária quando queira. A se fixar ao redor de Kassab o arco PSDB-PMDB-DEM desejado pelo governador paulista, ele terá demonstrado que o rival não é o único tucano benquisto pelos peemedebistas, sobretudo na facção do partido refratária a Lula. Quércia já anunciou que o apoiará em 2010. Mas o que todos, rigorosamente todos, têm em comum nesse show é a posição no palco político - de costas para os paulistanos.

25/04/2008 - 08:56h Quércia defende Serra para presidente

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

Quércia, Kassab e Bornhausen:
aliança entre DEM e PMDB paulista visa a minar
a participação de pemedebistas na coligação governista em 2010

Cristiane Agostine e César Felício - VALOR

O anúncio da aliança entre o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o presidente do diretório paulista do PMDB, Orestes Quércia, para a eleição da capital, serviu de palco para que o pemedebista defendesse a candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à presidência, em 2010. O apoio do PMDB, formalizado ontem, foi usado também pelo prefeito paulistano para aumentar a pressão sobre o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), a fim de que o tucano retire sua pré-candidatura em troca do apoio do PMDB e do DEM na próxima disputa pelo governo do Estado.

A oficialização do acordo foi feita em clima de lançamento da campanha de Kassab. “O nosso objetivo hoje é falar, sim, da candidatura, evidentemente”, afirmou Kassab. O ex-governador Quércia reuniu a direção estadual do PMDB e disse que o apoio foi unânime na Executiva. Junto ao prefeito estava o principal expoente do DEM, Jorge Bornhausen. Em seu discurso, Quércia fez uma oferta ao PSDB para que integre a aliança, em troca do apoio a Alckmin em 2010. “Se Alckmin definir ser candidato a governador nós estaremos com ele”, comentou.

O PMDB deve indicar o vice na chapa de Kassab e Quércia ficará com a vaga para disputar o Senado, em 2010. Alda Marco Antonio, indicada por Quércia para a vice, não é aceita por Kassab. O prefeito disse que gostaria de tê-la na equipe, mas afirmou que o cargo de vice precisa ser mais debatido. Se Alckmin compuser a aliança, o PSDB ficará com essa indicação.

Kassab reforçou a tentativa de manter a aliança DEM-PSDB na capital. “Além de falar aqui da candidatura Kassab estamos falando também da busca pela manutenção dessa aliança, que agora foi ampliada. Estamos colocando ao PSDB a análise de que juntos podemos eleger o prefeito e o governador”, declarou. O prefeito garantiu que Alckmin pode contar com o apoio do DEM na disputa em 2010, caso integre sua chapa. “A aliança com PMDB é um argumento a mais para mostrar a viabilidade da eleição de Alckmin governador”. Kassab e Alckmin devem ter um encontro até o fim do mês.

Apesar de parte da negociação da aliança com o DEM ter sido feita também por interlocutores de Serra, Kassab disse ter fechado os últimos detalhes em um encontro na casa de Quércia, com Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, e Guilherme Afif Domingos, secretário de Trabalho do governo Serra. “Eu procurei Quércia. Não foi ele que me procurou”, disse. Segundo um integrante do governo municipal, Afif deu garantias de que abre mão da vaga ao Senado. No encontro, não teria havido garantias de que o PSDB abriria mão da outra vaga ao Senado na coligação.

Os aliados de Serra pretendem usar a aliança entre o DEM e o PSDB para reforçar a ofensiva pela retirada da candidatura Alckmin. Segundo relato de assessores diretos do governador, o próprio Serra já deu garantias a Alckmin de que o apoiará para retornar ao governo em 2010. A essa garantia se somaram as declarações públicas de apoio a Alckmin feitas pelo DEM e pelo PMDB.

Diferente de Alckmin, Serra tem canais desobstruídos com Quércia. Nas negociações, porém, segundo um tucano com gabinete no Palácio dos Bandeirantes, não teria sido prometido a vaga do PSDB ao Senado, apenas a do DEM. A Casa renova-se em 2/3 em 2010.

Interlocutores de Serra reconhecem que o quadro ainda é de divisão do partido, já que Alckmin permanece candidato e dizem que caso a candidatura de Alckmin permaneça, haverá defecções no apoio partidário. “A legislação impede que Serra faça qualquer ato de campanha contra Alckmin, mas a situação a ser criada fará naturalmente com que o PSDB não seja tão rigoroso no princípio da fidelidade partidária”, disse um integrante do governo estadual.

No ato organizado pelo PMDB paulista ontem ao destacar que a aliança com o DEM também vale para 2010, Quércia disse que o governador tucano é uma alternativa ao seu partido. “É pressuposto do PMDB ter candidato, mas se não tiver Serra é uma alternativa”, disse. “Ele já foi candidato do PMDB, por que não ser de novo? Seria a primeira vez, depois de mais de cem anos, que o país teria um presidente nascido em São Paulo. O último foi Rodrigues Alves.” Em referência indireta ao governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), também cotado pelos à Presidência, Quércia brincou: “Minas teve presidente há 50 anos”.

Serra comentou que aceita o apoio de Quércia para 2010, apesar de ressaltar que a manifestação é prematura. “Se alguém diz que vai indicar o seu nome para ser presidente, eu aceito. Mas evidentemente é muito cedo ainda para essa questão eleitoral”, considerou. “Acho que 2010 está bastante distante. Mas qualquer observação favorável eu sempre acho bom”.

O PMDB é da base aliada do governo federal, mas dirigentes do DEM acreditam que os pemedebistas possam migrar para a oposição em 2010, dependendo do resultado eleitoral de Kassab em São Paulo. “A aliança em São Paulo deve alavancar mudanças no plano federal e terá grande influência no país”, disse Jorge Bornhausen.

O acordo entre PMDB e DEM deve fazer com que a ex-prefeita e ministra do Turismo, Marta Suplicy, antecipe o lançamento de sua candidatura pelo PT. A ministra pode ficar no cargo até dia 05 de junho, de acordo com a legislação eleitoral. Ontem, um grupo de cerca de 30 deputados estaduais, federais e vereadores organizou um encontro com Marta em Brasília para fazer um apelo por sua candidatura. “Foi muito forte o apelo porque mostra o partido unido em São Paulo. Me tocou profundamente”, disse a ministra. “Isso me deixa propensa a aceitar sair candidata, embora não seja nada definitivo.”

O PMDB negociava a aliança tanto com o PT quanto com o PMDB. Ontem, Quércia foi lacônico ao comentar o motivo de ter deixado de lado a candidatura petista. “Nada contra o PT, nem contra a Marta, nem desconsideração. Mas avaliamos que para o PMDB seria a melhor alternativa.”

A ministra tentou minimizar a a perda de apoio do PMDB e disse que é preciso continuar conversando com outros partidos, como o PSB, o PDT, o PC do B e o PR. “Para nós foi uma conversa que não prosseguiu”, disse, referindo à negociação com Quércia. O acordo DEM-PMDB pode dar a Kassab mais de 7 minutos de TV, contra 4 minutos do PT. “Temos um partido forte na capital, sendo eu ou não a candidata.” Marta disse que só oficializará a candidatura depois de conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.(Com agências noticiosas)

24/04/2008 - 09:18h Iminência de acordo entre PMDB e DEM pressiona por saída de Alckmin

querciameiorostoesta.jpegMarisa Cauduro/Valor

Quércia: em nota, classificou acordo com Kassab como “eventual” e sinalizou que insistirá com vice

Caio Junqueira, César Felício, Cristiane Agostine e Raquel Ulhôa - VALOR

A iminente aliança entre o PMDB e o DEM, que deverá ser anunciada hoje, levou ontem a um último esforço dos aliados do governador paulista, José Serra (PSDB), para fazer com que o ex-governador tucano Geraldo Alckmin desista da candidatura à Prefeitura de São Paulo e apóie a reeleição de Gilberto Kassab (DEM). Pela primeira vez, diante da ameaça de isolamento político, o grupo alckmista deu mostras de que poderá ceder à pressão. Um dos articuladores do ex-governador afirmou que a hipótese de não disputar este ano, em troca de concorrer a outro cargo em 2010, já é vista como “muito mais confortável”.

Por esta razão, os aliados de Serra no PSDB e o próprio Kassab resistem em aceitar a presença do PMDB na chapa majoritária. “Isto fecha a possibilidade de um acordo e quebra definitivamente a aliança entre PSDB e DEM”, disse um serrista no PSDB. A pedido de Kassab, o ex-governador Orestes Quércia adiou de ontem para hoje a reunião do diretório estadual paulista do PMDB, o qual preside, em que seria anunciada a aliança.

Pouco antes de Quércia adiar a reunião, Kassab havia feito um apelo para uma aliança que unisse os três partidos. “Todo meu esforço continua sendo no sentido de buscar, com energia, a manutenção da nossa aliança com o PSDB. Agora, de uma maneira bastante otimista, porque está se incorporando a esta aliança o PMDB”, disse o prefeito, após encontro com vereadores.

Depois de cancelar a reunião, Quércia divulgou uma nota em que demonstra que pretende insistir na presença do PMDB na chapa majoritária. “Na eventual composição DEM/PSDB, se ficar acordado que caberá ao PMDB apresentar o nome do candidato a vice-prefeito na chapa de Kassab, será indicado o nome de Alda Marco Antonio”, escreveu, referindo-se à engenheira que foi sua secretária estadual do Menor em sua gestão como governador.

A aliança PMDB/DEM, que contraria a tendência pemedebista de buscar um alinhamento com o PT, desagradou os dirigentes nacionais pemedebistas. Em conversas isoladas, pemedebistas estranhavam a opção de Quércia pelo que consideram “aliança para perder”. A avaliação era que Quércia não teria recebido do PT garantias de apoio à sua candidatura ao Senado em 2010, em troca de apoio à ministra do Turismo, Marta Suplicy, para prefeita. Para pemedebistas, o adiamento pode ter sido provocado pelo empenho de Kassab de buscar um acordo com o PSDB.

Apesar de articuladores de Alckmin sinalizarem com a possibilidade de desistência sob reserva, de forma pública o ex-governador ainda demonstra inflexibilidade. Um de seus aliados, o deputado Silvio Torres, divulgou uma nota em que afirmava que diante da aliança entre Kassab e o PMDB, a candidatura de Alckmin era irreversível. “O anúncio desta aliança é uma demonstração de que não há possibilidade de negociação entre o DEM e o PSDB fora do segundo turno. Trata-se de um tema vencido. Não há cogitação de Alckmin se retirar”, disse, acrescentando que o diretório municipal da sigla irá oficializar a candidatura própria “ainda este mês”. Por correio eletrônico, o presidente do Diretório, José Henrique Lobo, ligado a Serra, afirmou que “não há nada agendado até este momento”.

Os aliados de Alckmin acreditam que o vice-governador Alberto Goldman, e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, ambos tucanos e ex-aliados diretos de Quércia até o início dos anos 90, foram os principais artífices da aliança. Neste sentido, o acordo teria envolvido o apoio a sua candidatura ao Senado em 2010 e o apoio a prefeitos ligados a ele no interior paulista.

A iminente aliança irritou o PT, que ofereceu a vice na chapa e a vaga ao Senado em 2010. Quércia e o presidente estadual do PT, Edinho Silva, prefeito de Araraquara, conversaram na noite de terça sobre a aliança na capital, mas no mesmo dia, o ex-governador sinalizou que apoiaria Kassab. Ontem pela manhã o pemedebista e o petista conversaram novamente e segundo relato de Edinho, Quércia ainda falava em acordo. “Ele ainda não confirmou nenhuma posição”, disse ontem o dirigente petista. “Não vamos mudar nosso método de negociação, como o DEM e o PSDB mudaram”, disse.

Edinho reuniu-se no feriado de Tiradentes com o senador Aloizio Mercadante (PT) para discutir o apoio do PT à candidatura de Quércia ao Senado em 2010. “Havia muita especulação se Mercadante concordaria com isso e ele foi muito claro ao dizer que é homem de partido”, relatou o dirigente petista. O presidente do PT estadual disse ainda que em pelo menos 23 cidades de São Paulo o PMDB será cabeça de chapa e o PT será vice, na disputa eleitoral.

As mesmas ofertas teriam sido feitas pelo DEM ao PMDB: a vice na prefeitura e o Senado, em dois anos. A candidatura petista, com a ministra Marta Suplicy, seria mais atrativa ao PMDB, por ter maiores chances de vitória. Mas Kassab tem um diferencial: a retirada de um concorrente direto, o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM).

Na avaliação dos petistas, a negociação com Quércia feita por interlocutores do PSDB passaria também por participar de uma composição da chapa de Serra à Presidência, em 2010. “Uma aliança entre os três partidos obviamente terá reflexo na sucessão presidencial. Alinha o PMDB com outro projeto de país e seria uma forma de Serra colocar esta eleição em outro patamar”, disse Edinho Silva.

23/04/2008 - 12:57h Vaga ao Senado obstrui acordo entre DEM e PMDB

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Cristiane Agostine e César Felício - VALOR

querciameiorostoesta.jpegEstratégico pelo tempo no horário eleitoral gratuito em rádio e TV que dispõe, o PMDB de São Paulo deve se reunir hoje para discutir as negociações que mantém simultaneamente com o PT e o DEM. A tendência do partido é de ganhar tempo para aumentar seu poder de barganha. O presidente estadual da sigla, o ex-governador Orestes Quércia comentou com aliados que preferiria apoiar a reeleição de Gilberto Kassab (DEM) à candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), por entender que uma aliança com o grupo serrista abriria caminho para sua candidatura ao Senado em 2010. Mas teme a falta de densidade eleitoral do prefeito. O pemedebista gostaria de esperar mais uma rodada de pesquisas eleitorais.

alckminolholmarmenor.JPGNo PMDB, a avaliação é que Kassab precisa da aliança partidária por dois motivos: para estancar a pressão dos aliados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) pela sua desistência e pelo tempo na televisão. O partido dispõe de quatro minutos e trinta segundos diários no horário eleitoral gratuito e quem tiver seu apoio fica com a maior fatia da propaganda eletrônica. Ainda que Alckmin consiga fechar uma aliança com o PTB e Marta com o PR, nenhum dos dois bateria os sete minutos e trinta segundos de uma composição DEM/ PMDB. Uma aliança PSDB/ PTB teria quatro minutos e trinta segundos e uma chapa PT/ PR teria cinco minutos e meio.

A expectativa entre os pemedebistas é que isto leve o DEM a convencer o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, a desistir de concorrer ao Senado. Assim, Quércia não só teria apoio para disputar como ainda tiraria do cenário um concorrente. Entre os aliados do prefeito, o apoio a Afif, contudo, continua mantido. Os integrantes do DEM avaliam que ainda há chances de que Alckmin desista de concorrer, o que reduziria muito o poder de negociação de Quércia.

A demora na definição do PSDB e DEM sobre o rompimento ou não da aliança está criando constrangimentos a Kassab na negociação com os outros partidos. Com o cenário indefinido, Kassab não pode oferecer cargos vistosos aos partidos que corteja. Enquanto isso, o PT aproxima-se do PMDB, do ex-governador Orestes Quércia, com a oferta das vagas de vice, prefeito e do Senado.

Desde o fim do ano passado Kassab e Quércia têm-se reunido. O PT também tem tido encontros regulares com o dirigente pemedebista. A única aliança descartada é com o ex-governador Geraldo Alckmin, provável candidato do PSDB, apesar das tentativas de aproximação feitas pelo tucano.

Ontem, Kassab fez uma defesa pública de um acordo com os pemedebistas, mas deixando claro que sua prioridade é o PSDB. “Vejo com muita simpatia a vinda do PMDB, se somando à aliança que temos com o PSDB. A aliança com o PMDB é desejada”.

O prefeito disse que ainda não há oferta sendo feita aos pemedebistas. “O PMDB sabe que todo nosso esforço vai ser para manter aliança com PSDB. No momento em que exterioriza essa vontade de caminhar conosco ele terá uma preferência na aliança. Mas sabem que temos um tempo para definirmos as coisas”. O prefeito disse que pedirá a dirigentes do DEM que procurem Quércia.

Integrantes do DEM e do PSDB devem se reunir novamente nesta semana para tentar um acordo. “Volto a insistir que trabalho com a idéia de manter a aliança com o PSDB, se possível no primeiro turno. Acima de uma vontade pessoal de continuar à frente da prefeitura, está a manutenção da aliança”, disse ontem Kassab, depois de participar de um evento com o governador do Estado, José Serra (PSDB).

A agenda comum de Serra e de Kassab intensificou-se nos últimos meses, com a entrega de hospital, ambulatórios, escolas e estações de trem. O prefeito e o governador ressaltaram em todos os momentos que os dois governos são parceiros, destacaram os investimentos que o governo do Estado está fazendo na capital e juntos entregaram 278 apartamentos para famílias da favela de Paraisópolis, a segunda maior de São Paulo. Sem criticar diretamente a gestão anterior no governo do Estado, de Geraldo Alckmin, os dois políticos disseram que as obras entregues tinham melhor qualidade do que antes. “Pudemos observar a mudança na qualidade das obras da CDHU”, discursou o prefeito. “Agora o acabamento (das casas) é melhor e as famílias têm condições decentes de moradia”, pontuou Serra. Apesar de falar abertamente sobre sua disposição em manter-se na prefeitura, Kassab chegou a cogitar ontem a possibilidade de não disputar o cargo, caso a direção do PSDB e do DEM definam que o melhor postulante seria Geraldo Alckmin.

23/04/2008 - 12:41h Rolo compressor acima do Alckmin

Painel

RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br

querciameiorostoesta.jpeg“Fechei com Kassab”

Orestes Quércia selou ontem o acordo do PMDB com o DEM em torno da reeleição de Gilberto Kassab. “Fechei com o Kassab”, avisou o ex-governador a uma pessoa de sua inteira confiança. A aliança dará ao prefeito cerca de 7min30s no horário gratuito, contra 4min do PT de Marta Suplicy e 3min do PSDB de Geraldo Alckmin, que dividem a liderança na mais recente pesquisa Datafolha. Ambos podem fechar outras alianças, mas nenhuma sigla disponível tem tempo de televisão semelhante ao do PMDB.
Guilherme Afif, candidato natural do DEM ao Senado em 2010, garantiu a Quércia que não disputará a eleição e que o partido apoiará o ex-governador.