26/10/2009 - 11:35h Alckmin e Serra em São Paulo

FERNANDO DE BARROS E SILVA – FOLHA SP

SÃO PAULO – Os holofotes da sucessão se voltam, no momento, para a hipótese extravagante de que Ciro Gomes possa ser candidato ao governo paulista apoiado pelas forças de Lula. Fora das luzes, porém, há uma outra batalha sendo travada no interior do campo tucano.
Se José Serra for mesmo disputar a Presidência, qualquer solução que não seja a candidatura de Geraldo Alckmin em São Paulo custaria caro demais ao PSDB. É o que pensam pessoas influentes do serrismo. A razão é simples: Alckmin tem mais de 40% das intenções de voto nas pesquisas. O outro postulante à vaga, o secretário de Governo, Aloysio Nunes Ferreira, não passa dos 2%.
Jogo encerrado? Serra procura evitar o assunto, mas Aloysio tem mostrado um apetite surpreendente. Colegas brincam que nunca viram ninguém tão homenageado por prefeitos do interior.
Quem conhece Serra, no entanto, aposta que prevalecerá o seguinte raciocínio: Aloysio é mais próximo e seria melhor governador, mas Alckmin é o candidato que mais convém às pretensões presidenciais dos tucanos -e assim será.
O PSDB, de resto, dizem os entendidos, não teria estrutura de pessoal para sustentar duas campanhas difíceis em São Paulo. E Serra não poderia carregar um azarão no colo tendo a máquina de Lula/Dilma contra si no país.
Alckmin é hoje uma espécie de ilha anexada ao continente do serrismo. Mas seu principal adversário em São Paulo não está no PSDB. Chama-se Gilberto Kassab. O prefeito mobiliza todas as suas forças na bancada estadual do DEM e com colegas do interior para viabilizar Aloysio. Kassab vê em Alckmin uma ameaça a seu futuro no Estado. O tucano, por sua vez, espalha que o prefeito abandonou a cidade para fazer política fora de casa.
Alckmin, por ora, aguarda a mediação de Serra. Mas, confiante, já tem uma chapa “conciliadora” na cabeça: Guilherme Afif, do DEM, seria seu vice; Quércia, do PMDB, disputaria uma vaga ao Senado; a outra seria de Aloysio. E então?

17/10/2009 - 10:40h PT e PSDB buscam aliados para fortalecer candidatura presidencial

Senado vira moeda de troca em alianças

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Orestes Quercia, candidato de Serra ao senado. A segunda vaga está em disputa no PSDB

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Chalita e Mercadante, uma das alternativas cogitadas no PT

Clarissa Oliveira – O Estado SP

Palco da principal crise política deste ano, o Senado foi transformado em moeda de troca para a negociação de alianças no maior colégio eleitoral do País. Para assegurar um palanque forte na corrida presidencial de 2010, os partidos que tendem a polarizar a eleição decidiram empurrar seus integrantes para o sacrifício e apoiar potenciais aliados para uma das vagas que serão abertas na Casa no ano que vem.

Em 2010, entram em jogo duas das três cadeiras a que cada Estado tem direito no Senado. A renovação ocorrerá pouco mais de um ano após o Estado revelar o escândalo dos atos secretos, que colocou na mira o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Em São Paulo, serão disputadas as posições de Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB). Candidato à reeleição, Mercadante é tido como presença certa na disputa. Mas o PT já definiu que a segunda vaga servirá apenas para atrair apoiadores para a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) estava de olho na vaga, mas isso não impediu o PT de apresentar ao vereador Gabriel Chalita, ex-tucano recém-filiado ao PSB, uma proposta de composição. O PT vê a oportunidade de ganhar um puxador de votos tradicionalmente dirigidos ao PSDB. Também quer fortalecer o palanque religioso de Dilma, graças à relação de Chalita com a Renovação Carismática Católica.

Evitando bater de frente com o PSB, Mercadante vem defendendo internamente que o PT dê atenção ao PC do B, que ventila os nomes do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) e do vereador Netinho de Paula (PC do B-SP). Ele investe ainda na tese de que o melhor é apostar em quadros experientes. “Precisamos de senadores com competência e, de preferência, boa experiência legislativa”, diz.

O PDT também cobra apoio para o Senado, numa manobra para aumentar seu passe. “Meu nome está colocado e nós queremos ser contemplados”, diz o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, avisando que é candidato.

ANTECIPAÇÃO

Entre os tucanos, a decisão de abrir mão de uma das vagas foi tomada ainda em 2008. Com a chancela do governador José Serra, potencial candidato tucano à Presidência, o bloco PSDB-DEM prometeu apoio ao ex-governador Orestes Quércia (PMDB), numa manobra para trazer o PMDB paulista para a aliança que reelegeu o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e pavimentar um acordo para 2010.

Quércia ficou com a cadeira que caberia ao DEM na aliança. Mas a sigla já tinha ao menos um interessado na vaga, o secretário do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM). Em 2006, Afif perdeu para Eduardo Suplicy (PT) por apenas 770 mil votos. O acerto com Quércia deixou livre a segunda vaga da aliança PSDB-DEM-PMDB, que, até segunda ordem, ficará com o tucanato. Na lista dos cotados, estão os deputados José Aníbal (PSDB-SP) e Mendes Thame (PSDB), além do secretário da Educação de Serra, Paulo Renato de Souza (PSDB).

Na prática, a vaga pode acabar com o ex-governador e secretário do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, caso ele não consiga se viabilizar para o Palácio dos Bandeirantes. Dizendo ter “muito interesse” em concorrer, Aníbal admite que a negociação será decidida para facilitar a composição federal. “Não é sacrificar o partido, mas temos consciência de que o mais importante é dar densidade à candidatura presidencial.”

O tucanato ligado a Alckmin provavelmente ouvirá cobranças do PTB. A sigla, que apoiou o ex-governador em 2008, diz querer ajuda para reeleger Romeu Tuma (PTB). “É no mínimo justo, considerando a relação de lealdade que temos há anos com o PSDB”, diz o presidente do PTB paulista, deputado estadual Campos Machado (PTB). Já o PV da senadora Marina Silva (AC) ainda não definiu quem vai lançar. Mas, reservadamente, dirigentes dizem já ter decidido o ex-deputado Fábio Feldmann (PV) como alvo das investidas.


FRASES

Aloizio Mercadante
Senador (PT)

“Precisamos de senadores com competência e, de preferência, boa experiência legislativa”

Paulinho Pereira da Silva
Deputado (PDT)

“Meu nome está colocado e nós queremos ser contemplados”

José Aníbal
Deputado (PSDB)

“Não é sacrificar o partido, mas temos consciência
de que o mais importante é dar densidade à candidatura presidencial”

28/09/2009 - 09:54h Líder nas pesquisas para o governo, Alckmin isola-se no PSDB

Caio Guatelli / Folha Imagem
Foto Destaque
Alckmin com Serra e Aloysio: ambos são secretários estaduais, mas é o da Casa Civil que tem poder de liberar emendas e construir a base de apoio no partido

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

A isolada liderança de Geraldo Alckmin (PSDB) para a sucessão do governo paulista em 2010 não tem sido suficiente para que seu nome tenha a unanimidade de seu partido, muito menos de seus principais aliados, DEM e PMDB. Há uma crescente mobilização para viabilizar a candidatura do seu correligionário, o secretário-chefe da Casa Civil de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, distante de Alckmin quase 50 pontos nas pesquisas.

O cenário lembra o de 2008, quando os tucanos se dividiram entre a candidatura à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a de Alckmin. Um ano depois, quem apoiou Kassab está com Aloysio. Já o grupo de Alckmin comporta dissidências.

Em razão disso, há no partido a certeza de que só o governador José Serra (PSDB) pode arbitrar o embate interno entre seus dois secretários e impedir a realização de prévias ou de uma convenção, se avaliar que isso pode atrapalhar sua campanha a presidente da República. A prioridade, por ora, é consolidar seu nome para a disputa ao Planalto, em uma composição com o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). Isso deve ser feito até janeiro. Depois, focará no cenário estadual até o final de março, prazo final para Alckmin e Aloysio se desincompatibilizarem de seus cargos.

Não havendo definição, o processo pode se estender até a convenção, em junho. O embate, porém, é dado como certo. “Vai ter disputa interna. Não há nenhum problema em passarmos por isso”, afirma o líder do governo na Assembleia, Vaz de Lima (PSDB), historicamente ligado a Aloysio.

Até que a disputa seja explícita, o trabalho é nos bastidores, onde Aloysio tem liderança absoluta. Seus apoiadores apostam na força da máquina do governo paulista – da qual Aloysio é o gerente – e na rejeição a Alckmin, no partido e entre os aliados, para construir sua candidatura.

Cálculos do PSDB mostram que na Câmara Municipal de São Paulo, dos 12 vereadores, apenas um tem apoio declarado a Alckmin: seu ex-secretário de Assistência Social, Floriano Pesaro. O ex-governador tinha outro vereador ao seu lado, seu também ex-secretário de Educação Gabriel Chalita que, sem espaço no partido, assina amanhã sua ficha de filiação ao PSB para concorrer ao Senado. Na Assembleia Legislativa, dos 23 deputados, o cálculo é de que 21 estão com Aloysio. A bancada federal se divide, mas ainda assim a preferência é por Aloysio: 9 x 7.

O que explica esse quadro é, primeiro, o relacionamento político-financeiro que Aloysio tem construído com as bases estaduais. É ele o principal responsável pela liberação das emendas parlamentares e pelos convênios assinados entre o Estado e os municípios. Só nos dois primeiros anos do governo, foram liberados cerca de R$ 210 milhões diretamente para prefeitos e R$ 227 milhões para deputados estaduais, ambas dentro de uma rubrica orçamentária específica da Casa Civil, denominada Unidade de Apoio aos Municípios. Na gestão anterior, do próprio Alckmin, os valores dessa rubrica eram, segundo o governo, “muito menores”. Cotas orçamentárias para deputados estaduais, hoje em R$ 3 milhões, nem existiam.

Outro fator é o crescente isolamento político-partidário de Alckmin, dentro e fora do PSDB. Sua atuação nos três últimos processos eleitorais levaram a isso. Em 2004, tentou impor seu polêmico secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, como candidato a prefeito, uma figura sem qualquer ligação histórica com o partido.

Dois anos depois, o PSDB sangrou na disputa entre Serra e Alckmin para a candidatura à Presidência. O atual governador ia melhor nas pesquisas, mas Alckmin e seu grupo disseminavam a tese do “candidato natural”, uma vez que Serra teria de deixar a prefeitura ao passo que Alckmin estava em seu último ano no governo do Estado.

Mas são das eleições de 2008 que ainda restam as grandes feridas. Parte dos tucanos apoiava Kassab, já que se tratava da manutenção da aliança em que fora eleito em 2004, como vice de Serra. Outra parte, o grupo de Alckmin, se apoiava na liderança nas pesquisas para impor sua candidatura. Ao final, o ex-governador não chegou ao segundo turno.

Muitos dos tucanos que ficaram com Kassab foram chamados de traidores e chegaram a sofrer ameaças de expulsão. Fundador do partido, o secretário paulistano de Esportes e deputado federal licenciado Walter Feldman é um deles. Cauteloso, não se posiciona na disputa mas diz que ela é bem-vinda. “O partido só se fortalecerá na luta interna. O que prejudica o PSDB é ter medo disso. Será uma boa disputa entre os dois.”

A formação de uma forte corrente favorável a convenção ou às prévias não é único revés que Alckmin enfrenta. Ele assiste ainda à defecção de antigos aliados. Um exemplo é Tião Farias, muito ligado a Mário Covas e um dos poucos vereadores que em 2008 foram de Alckmin. Lotado na Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, está com Aloysio. Outros dois alckmistas de carteirinha também desembarcaram, o atual vereador Carlos Bezerra Júnior e o deputado estadual Marcos Zerbini. Procurados, Farias e Bezerra não responderam ao pedido de entrevista. Zerbini disse que “não queria comentar o assunto”.

O ex-secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, que ajudou Alckmin nos conflitos internos em 2008, está fechado com Serra. Será uma espécie de assessor político especial do governador. O presidente do PSDB paulistano, José Henrique dos Reis Lobo, ligado a Alckmin e importante ponte entre ele e Serra, enfrenta desprestígio com a base municipal. Tem o diretório, mas não o diálogo com a Câmara e a prefeitura.

No DEM de Kassab, o discurso é de que o apoio é total a quem Serra indicar, embora seja nítido o desconforto com a hipótese de que Alckmin seja esse nome. Um sinal disso é a colocação de Kassab como nome viável ao governo do Estado. O DEM também baseia-se em pesquisas internas que dão viabilidade eleitoral a Kassab no Estado e no crítico cenário nacional que o partido prevê enfrentar em 2010, após oito anos de oposição ao popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A opção do PSDB pela candidatura Aloysio deixaria uma porta aberta a Kassab caso o secretário tucano se mostre pouco viável até abril, prazo da desincompatibilização.

Mais próximo aliado de Kassab em Brasília, o deputado federal Guilherme Campos (DEM-SP), ex-vice prefeito de Campinas e coordenador da bancada paulista federal do DEM, diz que o projeto da legenda é fazer Serra presidente e apoiar quem este indicar à sucessão. Afirma ainda que liderança em pesquisa, a um ano das eleições, é irrelevante. “A pesquisa nessa fase pré-eleitoral é um cenário que mede antes o nível de conhecimento do que de viabilidade eleitoral. Não dá para comparar a exposição e a presença na mídia que o Alckmin tem com a do Aloysio. É só pegar o exemplo de 2008, com o Kassab. Alckmin liderava e perdeu. Kassab decolou”, afirma.

O PMDB do ex-governador Orestes Quércia também está fechado com Aloysio, que foi homem forte nas duas últimas gestões do partido no Estado. Além disso, há resquícios de 2008. Na campanha, Alckmin, ao criticar a aliança de Kassab com Quércia, disse que o ex-governador “quebrou o Estado”.

Em meio às dificuldades, os alckmistas adotaram a seguinte premissa: esquecer os conflitos de 2008, pois eleição para presidente e governador tem nuances diferentes da de prefeito e o foco agora deve ser construir o melhor cenário no Estado para que Serra seja eleito presidente.

“O objetivo é ganhar a presidência e criar cenários para que isso se dê da forma mais favorável possível. Não se pode pensar 2010 com a cabeça de 2008″, diz o deputado federal Edson Aparecido (SP), fiel a Alckmin. Para ele, não se pode querer “turbinar cenários que hoje não existem”. “As questões que fazem parte de um processo eleitoral para presidente e governador são absolutamente distintas”, diz.

O também deputado federal Silvio Torres (SP), do mesmo grupo político, aposta no governador José Serra para unir o partido. “Os problemas são perfeitamente superáveis a partir do momento em que Serra conduzir esse processo. Não vamos nos perder em malquerências do passado. O projeto Serra presidente passa por candidaturas fortes nos Estados. É essa visão amadurecida que precisamos ter”, afirma.

A prioridade de fazer Serra presidente é uníssona entre os dois grupos. A diferença é que os defensores de Aloysio acham que seus 2% nas pesquisas podem ser alavancados com certa facilidade. O partido tem a máquina, a aliança tem a quase totalidade dos 645 municípios paulistas e os investimentos em 2010 serão grandes. Por outro lado, se o crescimento nas pesquisas demorar a acontecer, o PSDB corre o risco de enfrentar uma dura eleição no Estado que comanda desde 1995, colocando em risco o projeto principal de voltar ao governo federal. “As atenções não podem estar voltadas para a candidatura a governador, mas sim para presidente. Uma disputa em Sao Paulo dispersaria os esforços”, afirma o secretário-geral do PSDB paulista, Cesar Gontijo.

Serra aguarda a definição do cenário até o início de 2009. Precisa, primeiro, compor com Aécio, pois avalia que sem São Paulo e Minas unidos em uma candidatura tucana – trata-se dos dois maiores colégios eleitorais do país – fica difícil se contrapor ao favoritismo petista no Norte e Nordeste. Quer partir de uma base de 70% em seu Estado. Para atingir esse índice precisa de um candidato forte.

“Para Alckmin ter chance precisa se aproximar desses setores que têm reclamações contra ele, caso contrário corremos o risco de DEM e PMDB até fazerem um candidato. Isso pode ser evitado”, diz o secretário municipal de Participação e Parceria, Ricardo Montoro (PSDB). Assim como outros tucanos próximos a Kassab, ele também acha que só a pesquisa não será suficiente para dar amálgama à candidatura Alckmin. “Não se iluda com Ibope. Ibope é nível de conhecimento, não é voto definido. Quem acha diferente disso não entende de política.”

Procurado por meio de sua assessoria, Alckmin não foi localizado pela reportagem. Em público, tem emitido sinais de composição. Por exemplo, costuma comparecer a eventos em que Kassab está e já conversou com Quércia. Mas ainda que prevaleça seu nome, terá que ceder. O desenho atual, caso isso ocorra, é de que Kassab indique o candidato a vice – possivelmente o secretário estadual de Trabalho, Afif Domingos – e que, para ajudar na campanha de Quércia ao Senado, o PSDB lance apenas um nome ao cargo. Por outro lado, pode avaliar que sua situação no partido está muito difícil e aceitar sair para o Senado ou procurar outra legenda para se candidatar, como fez Chalita ao ir para o PSB. Teria até a próxima semana para fazê-lo.

29/08/2009 - 12:56h “Os Jardins estão sob ataque”

Ladrões invadem e roubam casa de secretário de Serra

http://2.bp.blogspot.com/_Nj7k-NFjuzA/SCS1iD5nPpI/AAAAAAAAA4g/3BzRXzhzQHA/s320/serra_afif.jpgCriminosos levaram joias e dinheiro da residência de Guilherme Afif no Jardim Paulistano

Secretário estava na casa com a mulher, um dos filhos e duas funcionárias; ocorrência mobilizou a cúpula da polícia paulista

MÔNICA BERGAMO

COLUNISTA DA FOLHA

A casa do empresário Guilherme Afif Domingos (DEM-SP), secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho do governo José Serra (PSDB), foi invadida por seis ladrões na manhã de ontem, numa ocorrência que mobilizou a cúpula da polícia paulista.
De acordo com Afif, o grupo chegou a sua casa, no Jardim Paulistano, afirmando ter uma “encomenda” para o “senhor Afif”. Uma das empregadas tentou pegar o pacote. Mas, como ele era pesado, abriu o portão. A casa foi então invadida.
Armados, os assaltantes recolheram relógio, joias “do dia a dia usadas por minha mulher” e dinheiro vivo, “aquela reserva que a gente já guarda em casa para o ladrão”, diz o secretário. Afif afirma que na casa estavam também sua mulher, duas funcionárias e um dos filhos, que chegou a sofrer ameaças.
Os ladrões ficaram na residência por 20 minutos e sabiam detalhes da vida do secretário. “Além de me chamarem pelo nome, eles disseram que, se eu não indicasse em que lugar guardava o cofre, iriam para a casa em que mora a minha outra filha. Eles sabiam o endereço dela e fizeram a ameaça.”
O grupo fugiu.
Pelo menos outras duas residências próximas à de Afif -uma delas, em sua própria rua- foram assaltadas na última semana. Numa delas, os ladrões se apresentaram como funcionários da Sky. Como o dono, um publicitário, tinha de fato chamado a empresa para um conserto, abriu a porta.
O próprio Afif, um dia antes do assalto, solicitou os serviços da NET, outra empresa de TV por assinatura, mas teve medo quando os funcionários chegaram a sua residência. Antes de permitir a entrada deles, confirmou com a empresa se eram de fato os empregados enviados por ela para o conserto.
“É preciso cuidado. O bairro tem tido uma rotina de assaltos. E eles estão ocorrendo não apenas em casas mas em apartamentos da região. Parece que é uma onda, que [os assaltantes] migraram de outro setor para os Jardins”, disse Afif.
“Os Jardins estão sob ataque”, diz o empresário Marcos Arbaitman, vice-presidente da Ame Jardins, entidade que reúne moradores da região. Ele reverbera o sentimento de outros vizinhos. “O governo acha que aqui só moram ricos que podem pagar segurança particular e retirou a polícia do bairro”, diz outro dirigente da Ame.
A criminalidade vem crescendo no Estado nos últimos meses. No segundo trimestre de 2009, o número de roubos aumentou 18% em relação ao mesmo período de 2008, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
Na semana passada, os moradores se reuniram com o secretário Antonio Ferreira Pinto e pediram o reforço no policiamento, a instalação de câmeras e a volta de uma base móvel da PM para o bairro. O prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), morador da região, estava presente e deu sugestões.

02/01/2009 - 12:42h O rei nu ou a fábula do prefeito II

Mais Estado para quem?

Maria Cristina Fernandes – VALOR

A posse do prefeito Gilberto Kassab passou ao largo do interesse do paulistano, numa cidade esvaziada pelo feriadão neste primeiro e ensolarado dia de 2009. Poucos anos, no entanto, prometem ser tão decisivos para o futuro da cidade como o que inicia o segundo mandato do prefeito. A cidade terá que escolher entre se viabilizar ou render-se definitivamente ao caos.

Com folgadíssima maioria na Câmara dos Vereadores, o prefeito poderá passar com facilidade as mudanças que pretende para o Plano Diretor de São Paulo. Obrigatório para todos os municípios do país com mais de 20 mil habitantes, o plano que está em vigor na capital foi aprovado em 2002. Tem duração de 10 anos, mas havia uma revisão prevista para 2006 e que acabará, depois de sucessivos adiamentos, entrando em pauta este ano.

2009 oferece um discurso para os propósitos mudancistas do prefeito reeleito. São Paulo é a cidade a ser mais duramente atingida pela crise econômica. É, portanto, propícia a intervenções do poder público destinadas a remediar seus efeitos sobre os paulistanos. O mais evidente deles é o desemprego e a atividade mais intensivamente geradora de postos de trabalho na cidade é a indústria imobiliária. Rechaçada a proposta do secretário estadual do Trabalho do Estado, Guilherme Afif Domingos, de aumentar a licença sem demissão prevista na CLT para 10 meses, a reforma do Plano Diretor surge como discurso alternativo.

Para ficar em apenas duas das mudanças propostas, o Executivo sugere liberalizar as normas para a construção imobiliária nas áreas mais intensamente ocupadas de São Paulo. Hoje nas chamadas Zonas Mistas de Alta Densidade a média de aproveitamento das construções é de 2,5 o tamanho do terreno. A proposta do Executivo eleva esta proporção para 4. Um incorporador que precise levantar uma torre, por exemplo, não precisará comprar um quarteirão inteiro para fazê-lo. Esta é uma velha demanda do setor imobiliário insatisfeito com o gabarito vigente de cinco andares em grande parte da cidade.

A justificativa da prefeitura é de que a cidade precisa ficar mais compacta em torno das linhas de transporte para evitar a emissão excessiva de gás carbônico. O argumento até poderia ser levado ao debate não fosse uma outra mudança proposta pelo Executivo que o desnuda por completo.

Atualmente parte dos recursos provenientes dessa burla legalizada do gabarito das edificações se destina a moradias populares na mesma região em que o incorporador obtiver licença para levantar suas torres. O projeto de Kassab sugere que essas habitações populares possam ser construídas em outras áreas a critério do Executivo. Não é preciso ser um gênio do setor imobiliário para se concluir que essas moradias serão deslocadas cada vez mais para a periferia desprovida de infra-estrutura urbana.

As mudanças caem como uma luva nos projetos da chamada Cracolândia, região central que sucessivas administrações municipais tentam, sem sucesso, revitalizar. O atual plano diretor abre espaço para que os cortiços verticais que proliferam naquela região possam vir a ser reformados para moradia popular. Apesar de intensamente edificada, a região central de São Paulo tem uma das menores densidades demográficas da cidade.

A gestão Gilberto Kassab foi pouco operante na fixação dessa população de baixa renda, que vive dos serviços gerados pelo centro (engraxates, garçons, contínuos, vigias, faxineiras, prostitutas, ambulantes e biscateiros). Se as mudanças no Plano Diretor tão ansiadas pelo setor imobiliário e hoje embaladas pelo discurso de um Estado ativo na reação à crise econômica, vingarem, a cidade terá uma periferia cada vez mais inchada à espera da sempre defasada expansão da rede de transporte coletivo.

Hoje cerca de um quinto dos paulistanos vive em loteamentos irregulares, favelas e cortiços. Foi neste cinturão, onde o Primeiro Comando da Capital (PCC) arregimentou seus soldados naquele 12 de maio de 2006 em que a cidade ficou paralisada pelo medo. As mudanças no Plano Diretor, a pretexto de conter o desemprego, podem aumentar este exército para que a cidade alcance, finalmente, o almejado status de cidade limpa.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail: mcristina.fernandes@valor.com.br

01/12/2008 - 09:01h “Fusão partidária implicita”: equilibro DEM-PSDB na Prefeitura de SP e união do centro-direita pela candidatura Serra em 2010

DEM equipara-se ao PSDB na Prefeitura de SP

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

A formação da equipe do segundo mandato do prefeito eleito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), equiparou forças entre seu partido e o PSDB na estrutura da prefeitura. Em 2005, na posse do tucano José Serra com Kassab na vice, o Democratas ocupou duas Pastas, Educação e Habitação, enquanto Serra colocou onze secretários ligados ao seu partido. As nomeações feitas pelo prefeito até agora equilibraram o jogo. Cada uma das duas legendas detém, por enquanto, sete secretarias.


gustavo lourenção/valor

Kassab e Serra: fortalecimento do DEM mantém núcleo de poder do PSDB na prefeitura e reforça unidade com projeto serrista para 2010

A mais recente indicação foi a de Orlando de Almeida (DEM), secretário de Habitação, para uma nova secretaria, batizada por ora de Secretaria de Controle Urbano. Será responsável pelo Departamento de Controle de Uso de Imóveis (Contru) e pelo Programa de Silêncio Urbano (Psiu), os dois órgãos fiscalizadores que mais diretamente interferem na vida dos paulistanos, com ações como concessões de alvarás e controle de horários de funcionamento de bares. Com a saída de Almeida da Habitação, seu adjunto, Elton Santa Fé, deve assumir, mantendo a Pasta com o DEM.

Trata-se de mais uma movimentação em que Kassab, habilmente, aumenta o poder de seu partido sem afetar seu principal aliado. Isso já havia ocorrido em duas situações antes das eleições. Em março, quando criou a Secretaria Especial de Desburocratização e nomeou para ocupá-la Rodrigo Garcia (DEM) , seu amigo e ex-presidente da Assembléia Legislativa paulista. Nesse caso, o prefeito ajudou Garcia, que estava desgastado entre os deputados estaduais por liderar um movimento de bastidores que o elegeu presidente da Assembléia em 2005, desbancando o candidato do então governador Geraldo Alckmin, ao qual era aliado.

Também ocorreu em julho de 2007 quando levou aos Transportes Alexandre de Moraes (DEM), seu conhecido desde a juventude quando praticavam esportes no Clube Pinheiros. Frederico Bussinger, ligado a Serra, ocupava a pasta e saiu sob a promessa de criação de uma agência municipal de transportes, o que não ocorreu. Serra, então, criou a Companhia Docas de São Sebastião e colocou Bussinger na sua presidência.

Moraes terá em 2009 cerca de R$ 1,3 bilhão, o terceiro Orçamento da cidade depois de Educação e Saúde, para gastar em uma das áreas mais críticas de São Paulo. Promotor, foi Secretário de Justiça e presidente da Fundação Casa (ex-Febem) durante o governo Geraldo Alckmin (PSDB), trazido pelo vice-governador Cláudio Lembo (DEM), outro figurão do partido que foi nomeado na semana passada para a Secretaria de Negócios Jurídicos. A vinda de Lembo, porém, tem a função maior de trazer para a máquina um dos principais conselheiros políticos do prefeito.

Outro que deve consolidar sua influência no novo governo é o secretário de Infra-Estrutura Urbana, Marcelo Branco. Muito próximo a Kassab, sua ascensão no primeiro mandato foi rápida. Assumiu em janeiro de 2005 a chefia de gabinete da Secretaria de Habitação. Depois, foi diretor da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), secretário-adjunto de Habitação, atuou em alguns conselhos municipais e, com a posse de Lembo no Bandeirantes, foi nomeado secretário estadual adjunto de Habitação, chegando a presidir a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), autarquia estadual. Depois Kassab o trouxe para ser secretário de Infra-estrutura Urbana e presidir a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb).

No comando de relevantes setores, esses três secretários – Moraes (Transportes), Almeida (Controle Urbano) e Branco (infra-Estrutura Urbana) serão o bastião do DEM na gestão Kassab. O número pode aumentar com a provável saída de Andrea Matarazzo da Coordenação de Subprefeituras. Nome de peso no primeiro mandato, perdeu força ao não se envolver na campanha à reeleição do prefeito. Em seu lugar, são cotados Marcos Penido, adjunto de Marcelo Branco, e Ronaldo Camargo, adjunto de Matarazzo e ligado a Walter Feldmann (Esportes).

A sucessão na Coordenação das Subprefeituras é tida como exemplo por integrantes do DEM e tucanos de que a ocupação de espaços dentro do segundo governo Kassab transcende a disputa partidária. Tanto um lado quanto o outro não exige que ela seja ocupada por um correligionário. Isso se dá porque as duas siglas hoje em São Paulo compõem um grupo político uniforme, ou, nas palavras de um alto integrante deste grupo, uma “fusão partidária implícita”, cuja meta imediata é fazer com que Serra seja presidente em 2010 e que faça seu sucessor no governo do Estado. O PSDB não abrirá mão da candidatura ao governo do Estado, mas Kassab é visto pelo grupo como opção para disputas futuras depois de seu mandato na Prefeitura de São Paulo.

Para tanto, a costura política realizada foi de que os tucanos cedam mais espaço ao DEM na prefeitura e que os demistas não façam exigências nas composições das chapas de Serra em 2010 – o que abre espaço para uma composição “puro sangue” com o governador de Minas, Aécio Neves- e do sucessor de Serra no Bandeirantes. Na prática, permite ao DEM realizar um laboratório de formação política com seus quadros na prefeitura, e dar autonomia ao PSDB na definição das chapas em 2010.

Dentro do PSDB paulista, o crescimento da participação do DEM é considerado natural conquanto foi o candidato do seu partido que recebeu os 2,1 milhões de votos no primeiro turno e 3,7 milhões no segundo. Tendo, ademais, enfrentado uma candidatura do PSDB, ainda que rachada entre serristas e alckmistas.

Esses, por sua vez, podem ser novamente o grande entrave aos planos de Serra em 2010. Embora não tenham cobrado participação na gestão Kassab, afirmam não anuir com qualquer acordo político entre Serra e Kassab e aguardam o apoio do governador à candidatura Alckmin ao Bandeirantes em 2010. Argumentam que seu poder de fogo é a capacidade de Alckmin de aglutinar setores nacionais do PSDB anti-Serra, conseguindo, desse modo, prejudicar a disputa interna que o governador paulista pode vir a travar com Aécio. O candidato de Serra a sua sucessão, porém, é seu chefe da Casa Civil, Aloisio Nunes Ferreira (PSDB). Serristas dizem que, caso Alckmin queira se candidatar em 2010, deve antes consultar Serra.

Muito embora Kassab esteja fortalecendo a participação do DEM na prefeitura, os tucanos ainda comandam as duas maiores secretarias, Educação (Fernando Scheneider) e Saúde (Januário Montone), e cargos estratégicos ocupados por pessoas diretamente ligadas a Serra, como Planejamento (Manuelito Guimarães), Casa Civil (Clóvis Rossi) e Esportes (Feldmann). Esses três nomes formaram o núcleo duro do primeiro mandato e nele continuarão no segundo, agora ampliado com o DEM.

São essas pessoas que devem ajudar o prefeito a escolher o eventual sucessor de Matarazzo para a Coordenação da Subprefeituras. A Pasta, entretanto, deve perder força a partir de 2009, quando o prefeito pretende reforçar o poder das subprefeituras com mais autonomia e capacidade de gestão. Essa descentralização chegou a ser feita por Marta e também era defendida por Serra, mas quando ele assumiu resolveu centralizar a coordenação de todas as 31 subprefeituras em uma única e poderosa pasta. Agora, a expectativa é retomar o projeto inicial e ampliar o poder a essas unidades locais de definirem suas obras e ações até mesmo em saúde e educação. A Pasta também perderá força com a saída do Programa de Silêncio Urbano (Psiu) de suas atribuições, que passará à Secretaria de Controle Urbano.

Nas outras áreas, o investimento em educação, que no primeiro mandato focou a ampliação da Rede CEU (Centro Educacional Unificado) e a construção e reforma de escolas, deve priorizar agora a qualidades de ensino. Na saúde, além de novas AMAs (Atendimento Médico Ambulatorial), a prioridade será as AMAs Especialidades, para atender pacientes com necessidades específicas em áreas como neurologia e urologia. Um programa que pode crescer de importância nesse segundo mandato é o Clube-Escola, tocado pela Secretaria de Esportes e que visa adequar 450 equipamentos esportivos da cidade em extensões das escolas paulistanas e de seus 2,3 milhões de alunos e suas famílias. Atualmente 100 deles já estão sendo utilizados, com alcance de 300 mil pessoas. Nesses três setores que integrantes da gestão esperam ser vitrines de Kassab, os secretários responsáveis são todos do PSDB.

Aos aliados, foi dada a Secretaria de Trabalho ao vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas e vereador eleito pelo PR, Marcos Cintra, que participou da gestão Paulo Maluf (PP) como secretário de Planejamento, em 1993. A Pasta que irá assumir, a exemplo do que foi feito no governo do Estado por Serra, e entregue a Guilherme Afif Domingos, terá a função de “Trabalho e Desenvolvimento Econômico”, traçando planos de desenvolvimento regional via incentivos fiscais para áreas com pouca presença de empresas, como a zona sul e leste. A idéia é que Cintra, que assume a secretaria amanhã, mapeie iniciativas dispersas entre as diferentes secretarias e formalize uma proposta de desenvolvimento regional. Também pretende aumentar relacionamento com o Ministério do Trabalho.

O PR também deve se manter na presidência da Câmara, com Antonio Carlos Rodrigues. Uma compensação à legenda, já que a promessa quando o acordo eleitoral foi firmado era de que o partido ficaria com Transportes e Esportes. A primeira ficou com o DEM, a segunda com o PSDB. A Assistência Social foi dada à vice-prefeita eleita, Alda Marco Antonio (PMDB), que ocupou o mesmo cargo no final da gestão Celso Pitta, em 1999 e 2000. Antes, foi secretária do Menor dos ex-governadores Orestes Quércia (PMDB) e Fleury (PTB).

Seu maior desafio é implementar na cidade os Conselhos Regionais de Assistência Social (Cras), previsto no Plano Nacional de Assistência Social em vigência desde 2005 e que tem sido implementado por outras grandes prefeituras, como Rio e Belo Horizonte. O PV permanece no meio Ambiente e o PPS deve ser mantido em Serviços, além de ganhar a subprefeitura de Cidade Tiradentes, a ser ocupada por Soninha Francine.

31/10/2008 - 14:28h “É dando que se recebe”

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A festa de Babette

 

O loteamento na prefeitura de São Paulo avança a todo vapor.

Enquanto a Soninha brada por uma secretaria em retribuição aos serviços prestados, Orestes Quercia manifesta um interesse menor na máquina municipal e procura compromisso público de apoio a sua candidatura ao senado em 2010. Acontece que a equação no campo demo-tucano é muito mais complexa, que no campo do PT. Tem Afif, tem Alckmin, tem Goldman, tem Kassab, tem Aluisio Nunes, tem…

No aguardo, Alda Marcoantonio não vê graça nenhuma na assistência social e almeja um cargo mais suculento.

Na Câmara o “centrão” aguarda, arma ao pé, as subprefeituras que serão atribuídas ao grupo enquanto prepara a eleição do presidente do legislativo.

A mídia acompanha as negociações políticas entre os partidos aliados, com objetividade. Aqui não tem interesses menores, boquinhas, cargos e loteamento.

Em paralelo, o governo estadual anuncia obras na marginal e ninguém pergunta se as pistas que serão reformadas e a nova pista prevista serão pedagiadas. Cada coisa em seu tempo e no seu devido lugar.

Quando o governador decidirá informar, a mídia transmitirá.

Luis Favre

29/10/2008 - 11:45h Aliança para 2010 pode de novo isolar Alckmin

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Tendência é PSDB atrair PMDB de Quércia, que ex-governador rechaçou

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

A engenharia eleitoral do arco de alianças que conduziu Gilberto Kassab à reeleição em São Paulo já desenha um novo projeto político que – mais uma vez – escanteará o ex-governador tucano Geraldo Alckmin do palco principal. Fiador da aliança do DEM com o PSDB e negociador do ingresso do PMDB de Orestes Quércia na aliança vitoriosa de Kassab, o secretário de Emprego e Relações de Trabalho, Afif Domingos, ganhou musculatura para ambicionar dois projetos, ambos conflitantes com os interesses de Alckmin.

Na primeira hipótese, o DEM quer fazer de Afif o candidato ao Palácio do Bandeirantes. No segundo cenário, que o PSDB considera mais provável, Afif seria vice de um tucano indicado pelo governador José Serra (PSDB). A aposta geral nos dois partidos é de que este tucano não será Alckmin.

Líderes e dirigentes do DEM avaliam que, ao deixar o caminho ao Senado livre para Quércia, o secretário de Serra, que por pouco não venceu o PT do senador Eduardo Suplicy (SP) em 2006, pode ser o ungido para disputar o Palácio dos Bandeirantes.

A cúpula do DEM está certa de que, na pior hipótese, Afif já é, hoje, o candidato a vice na chapa do PSDB. Ninguém tem dúvidas de que, estando fora da prefeitura da capital, o PSDB vai pôr empenho máximo no projeto de manter o governo de São Paulo sob seu comando.

Isto, é claro, no cenário de Serra trocar o projeto da reeleição pela disputa presidencial.

PERFIL SOB MEDIDA

No entanto, o entendimento geral é de que o PSDB vai investir em um perfil que possa facilitar a composição nacional com o PMDB, a partir de São Paulo. Neste caso, o DEM acredita que não haveria lugar para um Alckmin, que recusou aliança com Quércia. A opção estaria mais para Aloysio Nunes Ferreira, o chefe da Casa Civil de Serra que, em 1992, foi candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB.

Seja qual for o cenário, tucanos e representantes do DEM paulista que acompanharam de perto a eleição municipal crêem que a maior pedra no caminho de Alckmin daqui a dois anos será o próprio Kassab.

O raciocínio neste caso é de que o prefeito terá se fortalecido ainda mais até se sentar à mesa de negociação para compor o xadrez de 2010. A seu favor, pesa o fato de que ele poderá ser o único negociador com mais dois anos de mandato pela frente.

Mais do que isso, pesa a animosidade entre Kassab e Alckmin, que é bem anterior à eleição. Tucanos e membros do DEM mais próximos do prefeito comentam hoje, nos bastidores, que Kassab quer “ver o diabo”, mas não Alckmin à sua frente.

Lembram que os problemas começaram quando o deputado estadual Rodrigo Garcia, do então PFL, foi eleito presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, ainda em março de 2005. Em conversas reservadas, Kassab jura que o governador Alckmin participou da articulação para eleger Garcia, sem lhe dar conhecimento, e ainda o acusou de traição.

Até hoje o prefeito se queixa da “falsidade”. Diz que foi traído e, pior, saiu do episódio com fama de traidor.

Um dirigente do DEM que acompanhou aquele momento avalia que Kassab usará toda a sua força política para evitar uma candidatura Alckmin ao governo.

28/10/2008 - 15:30h Quércia espera apoio de Serra para disputar Senado

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,14506507-EX,00.jpg
Quercia, Kassab e Bornhausen – Foto: José Luiz Conceição / Agência Estado

Cristiane Agostine, VALOR

O PMDB de São Paulo, controlado pelo ex-governador Orestes Quércia, espera um aceno do governador José Serra (PSDB) à sua candidatura ao Senado, em 2010, para depois negociar a participação do partido no governo do prefeito reeleito Gilberto Kassab (DEM). Os pemedebistas esperam também ampliar sua presença no governo estadual, articulada pelo governador tucano.

Na negociação feita pelo PMDB com o DEM, com aval de Serra, Quércia colocou sua candidatura ao Senado, com apoio dos tucanos, como condição. “Fizemos um acordo mais político do que administrativo com Kassab, visando 2010″, comentou Quércia. Segundo o pemedebista, a garantia de apoio na próxima eleição pesará mais do que os cargos que Kassab deverá abrir para participação. “Nós já temos a vice de Kassab e não vamos reivindicar muitos cargos. Mas a participação no governo estadual é uma questão a ser analisada”, disse Quércia.

Kassab anunciou que manterá os secretários de Governo, Saúde, Educação e Finanças. Ontem, disse que fará poucos ajustes na equipe e o coordenador da campanha de Kassab, Guilherme Afif Domingos, disse que o governo abrirá espaço aos aliados: PMDB, PR, PV, PPS e PSC. “A participação do DEM não muda. A vitória consolidou não o partido, mas a aliança”, afirmou.

O PMDB deve ficar com Assistência Social ou Trabalho, com a indicação da vice, Alda Marco Antônio. Enquanto o PR e o PPS tentam garantir uma maior participação nas secretarias e nas subprefeituras, o DEM deverá abrir espaço maior para a participação de aliados tucanos, como o secretário municipal Walter Feldman e o vereador Gilberto Natalini. Feldman deve ir para a secretaria de Subprefeituras, que ocupou no início da gestão José Serra/ Gilberto Kassab, no lugar de Andrea Matarazzo. O PPS deve ficar com uma secretaria, de Cultura, e cogita a candidata do partido derrotada no primeiro turno, vereadora Soninha.

A perspectiva de Kassab é de ter uma relação ainda mais fácil com os vereadores. A oposição, na próxima legislatura, será menor. Hoje, o PT tem 13 vereadores e na próxima legislatura terá 11.

28/10/2008 - 15:00h Em busca de nomes para o próximo páreo

Aliados de Kassab e Serra já articulam corrida estadual

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Quercia, Lembo, Afif, Alda e Kassab

Alessandra Pereira – Correio Braziliense

São Paulo — Enquanto boa parte do PT acordou ontem tentando montar o quebra-cabeça da derrota na capital paulista para descobrir, afinal, como evitar que o mesmo rolo compressor atue sobre o processo eleitoral em 2010, os aliados do prefeito reeleito, Gilberto Kassab (DEM), começaram a semana fazendo os primeiros movimentos políticos em torno da próxima meta: a sucessão para o governo do estado.

Quando bancaram o racha do PSDB, há pouco mais de seis meses, em nome de uma sólida e indispensável aliança com o DEM, serristas e kassabistas de diferentes siglas partidárias tinham clareza em torno de um único projeto de médio prazo de fazer do atual governador José Serra (PSDB) o nome mais forte para candidatar-se à Presidência e tentar derrotar um adversário indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No entanto, líderes das forças políticas que capitalizam agora a vitória da dupla Serra/Kassab nas urnas sabem que estão diante de um novo xadrez: encontrar o nome certo para substituir o governador tucano caso ele se torne o candidato de seu partido para concorrer à vaga de Lula. Mais do que questão de acomodação de ambições pessoais e interesses partidários, o desafio passa a ser antever quem terá condições reais de vencer as próximas eleições estaduais e garantir a sucessão de Serra no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de um estado com mais de 40 milhões de habitantes e que administra o segundo maior orçamento do país.

“Essa escolha pode garantir céu de brigadeiro ou caminhos tortuosos durante uma eventual campanha de Serra em 2010”, analisa um integrante da executiva nacional do PSDB. “Estaremos diante de mais um dilema no estilo vida ou morte. Temos de corrigir erros em todas as facetas que envolvem uma candidatura”, afirma, falando difícil, um parlamentar petista que não é do grupo martista, mas já defende o nome da candidata derrotada nas urnas Marta Suplicy como a alternativa de maior densidade eleitoral e credibilidade política para arriscar uma empreitada com chance de vitória daqui a dois anos.

Empenho

Entre os líderes da aliança PSDB-DEM, só há uma certeza. Se a nova campanha começasse hoje, o melhor candidato seria Kassab, que, a exemplo de Serra, em 2004, atravessou todo o campo da batalha eleitoral prometendo que cumprirá os quatro anos de mandato. Caso ele faça valer a palavra empenhada, os olhos voltam-se, no DEM, para o secretário de Trabalho de Serra, Guilherme Afif Domingos, que coordenou o novo programa de governo de Kassab e se credenciou na revitalização da sigla.

No PMDB, o nome forte seria o do ex-governador Orestes Quércia. Já no PSDB, o vice-governador Alberto Goldman e o chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, são lembrados, mas o ex-governador Geraldo Alckmin ainda é, apesar das fissuras internas, o candidato natural.

28/10/2008 - 14:30h Afif lança-se para cargo majoritário em 2010

César Felício, VALOR

Paulo Pinto/AEAfif revelou-se como o elo entre Maluf e Kassab:
entrou na política ao ingressar em chapa do ex-prefeito na ACSP

e convidou o atual prefeito a integrar os quadros da entidade

Coordenador da campanha de reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo, o secretário estadual de Trabalho Guilherme Afif Domingos expôs ontem a uma abarrotada platéia de empresários na Associação Comercial de São Paulo seus planos para 2010: será candidato a um cargo majoritário numa aliança global entre PSDB, DEM e PMDB.

“O resultado da eleição coloca São Paulo no epicentro das mudanças que ocorrerão no País em 2010. Neste ano vamos ter a repetição desta aliança para a Presidência da República e vice, a governador e vice e às duas vagas no Senado. Estou escalado para ser candidato majoritário”, afirmou, diante de uma faixa erguida por presentes, onde se lia “Kassab Prefeito, Afif Governador”. Uma manifestação classificada como “espontânea” pelo presidente da entidade, Alencar Burti, e como “um boato, mas agradável” pelo próprio Afif.

Na visão de Afif, a eleição de 2010 fechará o ciclo de 1964, “com o fim do mandato da oposição mais radical que se fez àquele sistema”. A candidatura presidencial do governador paulista José Serra (PSDB) emergeria então, segundo Afif, como a marca do pragmatismo que elimina as diferenças ideológicas entre esquerda e direita. “Serra é o homem talhado para conduzir o barco neste mar encrespado e a formatação da aliança de 2010 foi feita nesta eleição”, disse.

Durante uma palestra de cerca de uma hora, Afif esboçou o que seria um projeto de gestão de longo prazo para São Paulo. “Devemos evitar que aconteça em São Paulo o que ocorreu no Rio. Temos 1 milhão de pessoas sem renda declarada e 3 milhões sem endereço. É um Uruguai na informalidade ou na marginalidade. Temos uma conflagração surda. Se a gente não reintegrar este contingente na cidadania, se não agirmos, o PCC o fará”, disse.

A reintegração na cidadania, de acordo com Afif, só pode se dar pelo fomento ao empreendedorismo. “A auto-sustentabilidade do cidadão se confronta com a política assistencialista, que beneficia mais o assistente do que o assistido”, disse. Na secretaria estadual do Trabalho, Afif planeja iniciativas de impacto até as eleições de 2010. Falou em promover “mutirões de legalização” logo que o Congresso Nacional aprovar a criação da figura do micro-empreendedor individual.

Empresário do ramo de seguros, Afif dirigiu a Associação Comercial por vários períodos desde o início dos anos 80, intercalando a atividade patronal com incursões na política. Foi secretário de Agricultura, candidato a vice-governador em 1982, a presidente da República em 1989 e a senador em 1990 e 2006. Elegeu-se deputado constituinte em 1986.

O apoio da entidade a seus projetos políticos é permanente. Ontem, o atual presidente da instituição, Alencar Burti, disse que “São Paulo e o Brasil” ganhavam com a reeleição do prefeito. No ato promovido ontem pela Associação, Afif recebeu aplausos do ex-governador, ex-prefeito e deputado Paulo Maluf (PP-SP), que presidiu a entidade na década de 70.

Maluf foi prudente ao comentar de público a pretensão de Afif a algum cargo majoritário em 2010. “Deus permita que São Paulo tenha a ventura de ter no seu quadro de dirigentes alguém com a experiência e a honestidade de Guilherme Afif”, disse. Antigo dirigente da Associação Comercial, representando o setor imobiliário, Gilberto Kassab era presença aguardada no encontro, mas avisou a Afif com antecedência que não poderia ir.

No encontro, Afif traçou o elo entre Kassab e Maluf, uma associação que a candidata derrotada do PT à prefeitura, Marta Suplicy, procurou fazer, de modo negativo, durante toda a campanha eleitoral. Tanto Afif quanto Kassab e Maluf têm vínculo com a Associação Comercial de São Paulo, definida pelo secretário de Trabalho como “uma escola de formação de homens públicos, na defesa das liberdades econômicas”.

Afif narrou que tornou-se dirigente da entidade ao entrar na chapa encabeçada por Maluf que ganhou a presidência da Associação, em 1976, representando o setor de seguros. Na base do convite havia antigas relações familiares: o avô de Afif, William e o pai do ex-governador, Salim Farah Maluf, eram amigos. “Eles conversavam em árabe, quando eu era criança. O respeito que tenho por Afif começou aí, antes mesmo dele nascer”, comentou Maluf.

Já em 1984, quando o próprio Afif era o presidente da entidade, recebeu de um contraparente, Aniz Kassab, tio do atual prefeito, um pedido para aproveitar o então recém formado engenheiro em sua equipe. Aniz Kassab era alto funcionário da Serraria Americana, a empresa da família Maluf que deu origem à Eucatex.

Além de dirigente da Associação Comercial, Kassab tornou-se um operador político de Afif na formação do Partido Liberal em 1985, na campanha para deputado em 1986 e na eleição presidencial de 1989. Só começou a disputar mandatos eletivos na década de 90, quando Afif retirou-se temporariamente da política.

24/10/2008 - 09:32h Rumo a 2010 com o freio de mão puxado

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Maria Cristina Fernandes – VALOR

O adversário número 1 do candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, em 2010, é governador de Estado. O número 2 também. Numa crise financeira que leve o país a pôr o pé no freio, brecam todos. Se a retração econômica for forte o suficiente para gerar um eleitor insatisfeito, não é em direção a governantes que soprarão os ventos da mudança em 2010.

Num cenário de tantas condicionalidades, o cerco dos policiais civis ao Palácio dos Bandeirantes ofereceu uma conjuntura de rara concretude. Ainda não se sabe o tamanho da crise, mas é líquido e certo que, para enfrentá-la, será preciso conter gasto com pessoal e investimento. A manifestação dos policiais grevistas em São Paulo é apenas uma amostra da avalanche de reivindicações que podem vir a eclodir. Num Estado em que os salários são mantidos congelados numa conjuntura de crescimento, é de se imaginar que se mantenham no gelo em tempos de retração.

No governo federal, a generosidade das medidas provisórias que concederam reajustes escalonados ao funcionalismo até 2010, tinham tudo para dar uma trégua às ameaças de greve. Para ficar numa única carreira, o de advogado-geral da União, o salário inicial em dezembro de 2002 era de R$ 4 mil. Seis anos de governo Lula depois, o piso da categoria passou a R$ 14 mil, um aumento nominal de 250%, a partir da MP 441 que já está em vigor.

Em um grande número de carreiras, as gratificações por desempenho, que não eram incorporadas ao benefício dos inativos, passaram a sê-lo. O impacto fiscal dos reajustes concedidos a ativos e inativos até 2010 pode chegar a R$ 100 bilhões.

A certeza de que não seria difícil absorver esse aumento de folha num país que bate recordes sucessivos de arrecadação foi atenuada pelo discurso do contingenciamento que já arrebatou até o incorrigível otimismo do presidente da República.

As medidas provisórias do funcionalismo que ainda tramitam no Congresso abrigam dispositivos que permitem ao governo adiar os reajustes previstos para os próximos anos. Se optar por esta saída, Lula comprará uma briga sem fim com a burocracia estatal sem a qual não se governa.

Além do setor público, o presidente também jogou, nesses seis anos de governo, para acumular cacife no movimento sindical do setor privado, com iniciativas como a lei do salário mínimo. Pelo crédito que também dispõe junto ao setor financeiro, pode se gabar de sua equação singular de poder que o leva a circular com galhardia entre metalúrgicos e banqueiros.

Poucos dias antes da passeata que levou dois mil policiais às colinas do Morumbi, onde o PSDB ganhou a tradução de Pior Salário Do Brasil, o governador de São Paulo, José Serra, havia deixado seus aliados em Brasília de cabelo em pé com suas críticas ao Banco Central pela condução da política monetária.

A crise é grande mas não a ponto de se imaginar que o governador paulista pretenda equilibrar-se numa equação às avessas. A hipótese de que esteja em curso uma campanha para desmoralizá-lo em pleno curso de uma vitória eleitoral quase assegurada em São Paulo, é tão provável quanto uma chapa presidencial com Henrique Meirelles na cabeça e Paulo Pereira da Silva na vice.

Antes que a preferida de Lula, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, venha a demonstrar dotes de negociadora tão reconhecidos quanto os de José Serra, o agravamento da crise obrigará Lula a testar seu cacife no movimento sindical. E também emparedará governadores que, a exemplo de Serra, não têm gordura para queimar em sua relação com o funcionalismo e suas entidades.

Nos Estados, não bastasse o agravante de um grau de liberdade orçamentária menor do que o da União, há a pressão por novos gastos como o decorrente do piso nacional dos professores, outra categoria com forte poder de mobilização que também já andou atanazando o governo paulista.

Ainda é desconhecido o impacto da crise sobre a arrecadação, mas o que se sabe é que dois dos setores que mais têm contribuído para os recordes da Receita – bancos e montadoras – também deverão estar entre os mais afetados.

O Ministério da Fazenda tem em mãos estudo encomendado ao FMI e não divulgado com projeções muito pessimistas para a arrecadação numa conjuntura em que a economia nacional cresça menos que 4%.

É na escassez que cresce a necessidade de negociação. Os governantes que serão obrigados a lidar com receitas decrescentes, também terão a chance de identificar as lacunas de setores do sindicalismo acomodados tanto pela bonança econômica quanto da cooptação desmobilizante exercida pelo governo federal.

Enquanto a Esplanada dos Ministérios está apinhada de sindicalistas, a única pasta do governo de São Paulo que, pela lei da gravidade, deveria ser ocupada por um deles, a Secretaria de Emprego e Relações de Trabalho, é comandada por um ex-dirigente de associações patronais. Guilherme Afif Domingos tem tudo para, depois de domingo, rumar para uma bem-sucedida candidatura ao governo paulista, mas não parece talhado para segurar a batata quente dos trabalhadores paulistas em tempos de crise.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

26/07/2008 - 07:21h AFIF: “o candidato de Serra é Kassab”

Sinais de dispersão de aliados preocupam campanha do DEM

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CATIA SEABRA – FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

Sustentado por amplo arco de alianças, o palanque do prefeito Gilberto Kassab (DEM) tremeu ontem com a divulgação do último Datafolha, segundo o qual o candidato se mantém estagnado na disputa.
Cobrando o material de campanha prometido por Kassab, PMDB, PR e PV se queixam de falta de mobilização. E, num momento de fragilidade, alguns aliados exigem até mais participação no governo municipal.
Terceiro colocado nas pesquisas, Kassab (11%) também está fora dos panfletos distribuídos por candidatos a vereador da sua coligação, incluindo o presidente da Câmara, Antônio Carlos Rodrigues (PR).
A aliança é ainda alvo do assédio petista. De olho no segundo turno, Marta Suplicy convidou até um aliado de Kassab para jantar. Segundo o Datafolha, ela tem 36% contra 32% de Geraldo Alckmin (PSDB).
Recém-chegado do exterior, o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, será o porta-voz das reclamações do partido hoje, em reunião com Kassab. O PMDB e a vice, Alda Marco Antônio, se dizem subaproveitados. “É preciso agilizar a campanha”, diz Quércia.
A avaliação é suprapartidária. “Não podemos esperar o programa eleitoral”, defende Aurélio Nomura (PV). Já Rodrigues propõe: “Tem que fazer ajuste na máquina. Nunca vi alguém estar na máquina e ficar contra o governo”.
Segundo aliados, Kassab não parece abalado e aposta nos cerca de 9 minutos a que tem direito em cada bloco do programa eleitoral para reverter a situação. Fracassada a estratégia, Kassab deve ir para o confronto com o PT. Desde o início da semana, os 31 subprefeitos foram recrutados pelo comando da campanha. Além de coordenar as reuniões para discussão regional do programa de governo, os subprefeitos -inclusive tucanos como Laert Teixeira (Itaquera) e Alexandre Aniz (Ipiranga)- acompanham Kassab em atividades de campanha na hora do almoço.
Outra estratégia: recorrer ao governador José Serra. Em reunião ontem na Vila Prudente, o coordenador do programa de governo, Afif Domingos, disse a líderes comunitários que o candidato de Serra é Kassab, “embora ele não possa explicitar”. “Claramente o que o governador quer é o sucesso do Kassab, que é o sucesso dele.”
Kassab já tinha passado por lá. Na próxima semana, Afif fará reuniões com a população no comitê central do DEM com a participação de secretários, incluindo os tucanos Alexandre Schneider (Educação) e Ricardo Montoro(Participação).


Colaborou FERNANDO BARROS DE MELLO, da Reportagem Local

04/07/2008 - 17:44h Inprovisação guiada pelo marketing eleitoral

Núcleo da campanha de Kassab apoiou novo rodízio

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Diego Zanchetta – O Estado de São Paulo

O núcleo de campanha do Democratas incentivou o prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) a antecipar o anúncio do rodízio para caminhões nas Marginais. A decisão foi política, ratificada no fim da noite de anteontem, mas teve o aval de técnicos da Secretaria Municipal de Transportes.

A restrição estava prevista em um pacote de medidas anunciado em maio. Havia, porém, receio de um impacto negativo junto aos transportadores de cargas e caminhoneiros. Com a redução dos congestionamentos após a restrição no centro expandido, válida desde segunda-feira, o núcleo de campanha incentivou o governo a aproveitar o “bom momento” e adiantar o rodízio nas Marginais.

Na avaliação de marqueteiros, a medida vai subsidiar o prefeito nos debates sobre trânsito, tema que monopoliza hoje as propostas dos candidatos à Prefeitura da capital. Guilherme Afif Domingos, coordenador do futuro programa de governo do DEM para São Paulo, diz que, com a restrição, a tendência é a aceitação ao prefeito subir nas próximas semanas. “Essa medida não foi de um candidato, mas de um prefeito que sabe ser gestor”, disse Afif, que, considera a restrição aos caminhões “medida pontual” – para ele, investimentos em metrô e Rodoanel são a prioridade.

Cientistas políticos avaliam que Kassab tenta agir rapidamente, para se tornar tão competitivo quanto os adversários que lideram as pesquisas, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). ” Dos três, ele é o menos competitivo. E novas medidas para melhorar o trânsito são bem aceitas “, diz Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “O teste para saber se as medidas terão valido a pena será o retorno das férias. Temos muitos veículos fora de circulação, não dá para saber o impacto das restrições.”

Fernando Antonio Azevedo, cientista político da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), avalia que o prefeito “tenta criar a imagem do gestor público que resolve os problemas, que age rápido”. “Isso é uma grande vantagem na corrida eleitoral”, considera.

04/07/2008 - 17:06h Factóide eleitoral

Kassab encara caminhões para virar candidato

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Cristiane Agostine – VALOR

Foi a necessidade de se associar a uma imagem forte, de governante que enfrenta obstáculos, que moveu a decisão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), de editar medidas que restringem a circulação de caminhões.

À medida somam-se a proibição de outdoors, o fechamento de bares e casas de prostituição, a retirada de camelôs e o fechamento de estabelecimentos comerciais irregulares.

No governo e no DEM, a avaliação das medidas é que foi uma decisão “de risco”, mas “necessária” para Kassab. A equipe de campanha está preocupada com o fato de o prefeito não conseguir transformar a avaliação positiva de sua gestão em votos. Como o trânsito será o grande tema da campanha, o candidato à reeleição precisa mostrar que está empenhado em buscar soluções.

O consenso dos especialistas de que a restrição dos caminhões não será suficiente para melhorar o trânsito na cidade é reconhecido pelos conselheiros do prefeito. “Mas a população está irritada com o trânsito, que só tende a piorar, e ele precisava tomar uma medida enérgica”, conta um articulador do prefeito.

Nas pesquisas de opinião encomendadas pelo DEM, Kassab ainda não conseguiu elevar significativamente a intenção de votos. “Essa foi uma decisão arriscada, mas tomada pelo prefeito junto com seu conselho político. Não é uma decisão tomada só com marqueteiro”, diz um conselheiro. Segundo as últimas avaliações do Datafolha, 39% consideram a administração de Kassab ótima ou boa e 38%, regular. Já na intenção de voto, o prefeito está em terceiro lugar, com 15%, atrás de Marta Suplicy (PT), com 30%, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 29%.

Preocupada em mensurar o impacto das medidas para o tráfego, a equipe de campanha de Kassab encomendou uma pesquisa quantitativa, com mil entrevistas, cujo resultado sairá no fim de semana.

O prefeito aposta que o resultado para sua imagem será semelhante ao que teve quando implementou o Cidade Limpa, que deu novas regras à publicidade e proibiu outdoors. Apesar de brigas com o setor publicitário, Kassab saiu fortalecido do episódio e ganhou projeção. Até então, era considerado apenas o vice de José Serra. O Cidade Limpa tornou-se a grande bandeira da gestão, a ponto de ter sua continuidade prometida tanto por Alckmin (PSDB) quanto por Marta (PT).

Certo de que as medidas projetarão seu governo, ontem Kassab anunciou a ampliação das restrições. Os caminhões terão de obedecer às mesmas regras do rodízio válido para os carros. A partir de 1 de agosto, os caminhões de pequeno porte acumularão duas restrições: farão parte do rodízio anunciado e não poderão circular de com outro rodízio, que leva em consideração se a placa é par ou ímpar (caminhão com placa par só circula em dia par). Segundo Kassab, a medida é “a mais branda entre todas as analisadas” e outras restrições poderão ser feitas.

Nos quatro primeiros dias com as novas regras a prefeitura aplicou 3.445 multas. Segundo o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, houve redução média de 40% no s índices de congestionamento nos três primeiros dias de julho em comparação com a média do mesmo mês de 2007.

Apesar da confiança do prefeito nas medidas, sua equipe de governo e de campanha eleitoral está cautelosa com o impacto econômico que pode ter no setor produtivo. O coordenador do programa de governo de Kassab é o secretário estadual de Trabalho, Guilherme Afif Domingos, ex-presidente da Associação Comercial de São Paulo. Além do possível aumento do preço de serviços e mercadorias, empresários e comerciários ameaçam a prefeitura dizendo que a medida poderá causar desemprego. Se antes ele teve de enfrentar o setor de publicidade, agora terá de mediar conflitos com representantes de toda a cadeia produtiva.

A mesma cautela têm os adversários de Kassab. Tanto Alckmin quanto Marta dizem que é preciso regulamentar o transporte de carga em São Paulo, mas questionam se a diminuição do trânsito com a restrição à circulação dos caminhões valerá o impacto econômico. Eles esperarão até agosto para avaliar se defenderão as medidas nas campanhas. Até lá, dizem, não é possível mensurar o quanto da melhora no trânsito se deve às férias escolares ou à medida.

A equipe de Alckmin, cuja área de transporte será coordenada pelo ex-secretário estadual Jurandir Fernandes, aprova o decreto, mas defende que haja uma redução de taxas e impostos, dos governos municipal e estadual, para os empresários e comerciários prejudicados. “Se for bem sucedido, seremos os primeiros a aplaudir. Se não tiver sucesso, não usaremos na campanha”, disse Fernandes. “O que não pode deixar de ter é uma forma de compensação pelos prejuízos”, apontou.

As críticas de Alckmin a Kassab serão focadas na falta de investimentos em corredores de ônibus e na construção de garagens subterrâneas no centro da cidade, para elevar a área de circulação dos automóveis. “O problema do trânsito não se resolve só com a carga pesada. Se não olhar para o todo, a cidade poderá ter só carros circulando e mesmo assim continuar parada.”

Já os articuladores de Marta não sabem se manterão as medidas na plataforma de governo e questionam a forma como estas foram implementadas. O coordenador da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (PT), reclama da falta de diálogo com a sociedade. “Estamos muito preocupados com o impacto no setor produtivo, porque pode haver aumento de preços. Não pode haver inflação por conta de uma medida de trânsito. A medida foi adotada sem ampla negociação”.

Ex-secretário de Transportes na gestão de Marta, Zarattini diz que o atual governo acabou com os principais avanços da gestão petista na regulamentação do transporte de carga. “Na gestão Marta nós fizemos escalonamento de entrega. Cada setor tinha um horário. Fizemos um grande pacto com o setor produtivo. Quando Serra entrou, acabou com isso, jogou fora”, critica Zarattini.

Apesar de seguir as principais linhas deixadas por José Serra (PSDB) antes dele sair da prefeitura para o governo do Estado, Kassab foi mais ousado na alteração das regras de circulação de transporte de carga na cidade. No primeiro ano de governo, Serra assinou um decreto limitando a circulação de caminhões, mas sob pressão de empresários e comerciantes, o tucano recuou pelo menos três vezes nas medidas propostas antes mesmo de o governo começar a aplicar multas. Na época, a prefeitura alegou que não era um “recuo”, mas sim uma “correção”.

O decreto publicado por Serra em abril de 2005 mirava nos caminhões que faziam entregas para grandes comércios, como shoppings, supermercados, lojas de material de construção, concessionárias e hospitais e postos de combustível. A carga e descarga poderia ser feita entre 22h e 6h; aos sábados, das 14h à meia-noite. Com isso, a previsão era que fossem retirados 3% dos caminhões em circulação. Os pequenos comerciantes não seriam afetados. Um mês depois, a prefeitura abrandou e autorizou a circulação de caminhões com até 5,5 metros. No mês seguinte, estendeu a permissão aos veículos com até 6,3 metros. Depois, isentou parte dos caminhões que abasteciam postos de combustíveis. A crítica feita à época por especialistas era que as transportadores trocariam um caminhão grande por três ou quatro menores, aumentado a frota em circulação.

O projeto de Kassab mira justamente nos caminhões com até 6,3 metros e afetará os pequenos comerciantes, que antes haviam sido poupados. Os caminhões estão proibidos de circular no centro expandido, que corresponde a 100 quilômetros quadrados, entre as 5h e 21h e sábado das 10h às 14h. Até o fim do mês, além da ampliação do trecho de restrição veículos de carga com até 6,3 metros passaram a ser atingidos por um rodízio de placas. De 01 de agosto até novembro, a proibição de circulação será para todos nas horas de pico, mas das 10h às 16h podem se revezar segundo a placa.

As medidas mais severas, que proíbem a circulação de caminhões no centro expandido, passam a valer em novembro, depois das eleições. Mas podem até serem suspensas, segundo o governo anunciou ontem. A primeira etapa das restrições servirá de teste nas negociações com as entidades do setor de transporte. As paralisações, como a que fechou a marginal do Tietê no primeiro dia de funcionamento das normas, não afetaram tanto o trânsito, que é mais tranqüilo no período. De agosto até outubro, mês da eleição, o prefeito terá um período para negociar com empresários e comerciários e remodelar o decreto, se o trânsito não melhorar. Se o resultado for positivo, será sentido pela população e entrará na campanha de Kassab.

Com o decreto, empresários e comerciários ameaçaram o governo com demissões nos setores e elevação do preço de mercadorias. “Se subir, é o preço que temos que pagar”, respondeu o prefeito. Mas às vésperas das eleições, o prefeito não descuidou do contato com os empresários. A negociação com entidades de classe começou há cerca de três meses. Na primeira reunião, o governo queria que a restrição total à circulação de caminhões no centro expandido passasse a valer imediatamente após a publicação do decreto. Diante das reclamações, postergou o prazo e acatou sugestões.

Para evitar novas paralisações, tanto o prefeito quanto o secretário de Transportes passaram os últimos dias em fiscalizações pela cidade e em encontros com empresários e sindicalistas. “Antes não queriam nos atender. Foi só fazer uma paralisação para isso mudar”, disse o secretário-geral do sindicato dos Condutores de Cargas Próprias, Luiz Nascimento.

O temor de caminhoneiros e comerciários é de que as demissões não sejam só uma ameaça ao prefeito. “Se as entregas forem feitas só à noite, isso pode elevar o custo das empresas, que terão de pagar um adicional aos funcionários. Isso levaria a demissões, para equilibrar a folha de pagamentos”, disse Nascimento. Na segunda-feira, o governo fará nova reunião com representantes do setor de transporte de cargas.

07/05/2008 - 12:18h Tucanos: quem leva?

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O esperto complexo ou o simples?

Blog de Nassif

A indicação de Geraldo Alckmin como candidato a candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo torna interessante o jogo de xadrez do governador José Serra.

No passado, Serra se caracterizou pelo purismo nas alianças. Flertou com uma área do chamado PMDB autêntico, com partidos de centro-esquerda, juntou em torno um grupo grande com quem mantinha afinidades intelectuais. Havia “serristas” no PMDB autêntico, no PSB, no PDT, no PT moderado.

Apos as eleições de 2002, provavelmente julgou que esse purismo seria insuficiente. Mesmo com queixas em relação ao tratamento recebido do então presidente FHC, deixou-se guiar por ele e aí foi gradativamente se descaracterizando. Hoje é conduzido pela mão pelo pragmatismo de FHC. E é refém da pior parcela do jornalismo patrício.

Politica e administrativamente é superior a Alckmin.

Alckmin quase hostilizava os prefeitos do interior. Um deles me contou que foi ao Palácio com um colega de uma cidade mais pobre. Lá, pediu para que determinada verba destinada à sua cidade pudesse ser repassada para a cidade do colega. Alckmin sacou do seu caderninho, conferiu suas anotações pessoais e concluiu que aquela cidade já recebera muito. E que o remanejamento deveria ser para outra cidade. Perdeu o aliado.

Serra montou uma base de apoio política competente em São Paulo. Eleito prefeito da cidade, entregou a sub-prefeituras a ex-prefeitos do interior. O Secretário Guilherme Afif Domingos montou uma base de dados ampla em que os dados do orçamento estão claramente fixados. O prefeito chega, conversa, coloca suas reivindicações e recebe resposta na hora, sem a necessidade dos rapapés ao governador.

Alckmin colocou Arnaldo Madeira com articulador político. Madeira tentou impor o presidente da Assembléia Legislativa. Usou de todos os meios mas foi fragorosamente derrotado pelo deputado Rodrigo Garcia, que fez campanha em dobradinha com Kassab. Eleito, Rodrigo foi até o Palácio e ofereceu a vitória ao governador – que pretendia derrotá-lo.

Serra fez dobradinha com Kassab a partir da qual pensava lançar as bases de uma nova aliança nacional com o DEM.

Um esbanja amadorismo, outro aparentemente esbanja profissionalismo. Quem leva?

Quem decide oe sua majestade, o eleitor. E aí Serra se enrola.

Nas útlimas campanhas presidenciais, Serra perdeu a indicação em parte por falta de vontade – sabia ser muito difícil vencer Lula. Mas também porque Alckmin passou a viver seu grande papel: o do homem simples, sem firulas, que se propõe a enfrentar os cardeais do partido. Foi quando cresceu e se tornou personagem nacional.

É evidente que contribuiu para isso o anti-lulismo arraigado da mídia, que escondeu a fraqueza administrativa do candidato – o homem do caderninho apresentado como gerente moderno.

Agora, se repete o enredo, mas de forma mais complicada para Serra. São Paulo talvez seja o último reduto de militância do PSDB. Para conseguir alguns minutos a mais de TV, Kassab-Serra fecharam com Orestes Quércia, político de baixa penetração na capital (a eleição não é para prefeito?) com altos índices de rejeição.

Agora se trata do homem só – Alckmin – e sua teimosia, contra uma geléia geral, que junta o DEM (baixa penetração em São Paulo), o PMDB de Quércia e… e… e não sei mais. Serra criou sua sinuca de bico. Não poderá fazer campanha a favor de Kassab, para não ser visto como traidor do partido. Ao mesmo tempo coloca seus homens para uma campanha de desgaste em cima de Alckmin – não apenas os políticos mas aceitando o anti-jornalismo mais desqualificado para ataques baixos contra adversários.

Quando sua majestade, o eleitor, se manifestar, será mais fácil para ele entender as complexas estratégias políticas de Serra ou a simplicidade simplesinha de Alckmin?

É mais um passo da Serra em direção à descaracterização de sua proposta original. Poderá chegar às próximas campanhas repletos de aliados. Mas estará bem mais vazio de propostas.

enviada por Luis Nassif

27/04/2008 - 12:03h De costas para os paulistanos

Editorial – O Estado de São Paulo

Política é agregação de interesses e construção de maiorias visando à conquista e à permanência no poder dos agregados e majoritários para a efetivação de objetivos comuns. Dito assim, abstratamente, o enunciado pode induzir o eleitor de espírito desarmado a imaginar que os interesses passíveis de se concertar descendem sempre, legitimamente, da interação, em busca de pontos de convergência, de parcelas das múltiplas forças sociais que competem entre si nas complexas sociedades atuais; o eleitor de boa-fé tenderá igualmente a presumir que as maiorias necessárias à governança hão de se construir com a argamassa de um entendimento que faça prevalecer entre os envolvidos a acomodação e as concessões recíprocas, do contrário os objetivos comuns iriam para o espaço. Por último, o mesmo eleitor saberá que esses objetivos incluem, destacadamente, expectativas de ganhos partidários ou pessoais – aceitáveis, no entanto, por entrelaçarem-se com genuínas intenções de obrar pelo bem público, ao menos como o entendam as maiorias em formação.

Quando a evidência bruta dos fatos põe por terra a teoria alojada na torre de onde se têm essa visão quase ideal da política, o impacto priva o observador dos seus derradeiros vestígios de confiança em que, mesmo nos seus cálculos egoístas, os políticos levem em conta que o povo não é bobo e que, portanto, os seus negócios precisam pelo menos aparentar coerência e decoro. Até esse mínimo dos mínimos acaba de ser ignorado nos consórcios para as eleições de novembro próximo – e não em algum grotão esquecido de Deus, mas em plena capital de São Paulo.

A açodada iniciativa do ex-governador tucano Geraldo Alckmin de se lançar candidato à Prefeitura paulistana, estilhaçando a coligação PSDB-DEM em torno do prefeito Gilberto Kassab (o vice que substituiu José Serra quando ele resolveu migrar para os Bandeirantes, em 2006), criou as condições para transformar ninguém menos do que o ex-governador peemedebista Orestes Quércia em condestável da sucessão municipal. A sua idéia fixa era formar uma aliança com qualquer um que apoiasse a sua candidatura ao Senado em 2010. Antes da desordem armada no ninho tucano, o PT tentou atrair Quércia, de olho nos 4 minutos e meio de que o PMDB disporá no horário eleitoral – o que daria a Marta Suplicy um total de 10 minutos, já incluído o possível 1min30s do PR.

Mas Quércia sabia por experiência própria que os petistas são duros de molejo em negociações, por mais que o presidente Lula queira vê-los unidos ao PMDB para a sua sucessão. Estavam criadas as condições para um acerto, heterodoxo mesmo segundo os sumamente flexíveis padrões brasileiros, unindo Serra, Quércia e o patriciado do antigo PFL, nas figuras do senador Marco Maciel e do ex-senador e ex-presidente da agremiação Jorge Bornhausen. Para ter o peemedebista na canoa de Kassab, o DEM aceitou defenestrar a pré-candidatura senatorial do correligionário Afif Domingos. De seu lado, Quércia designou a sua leal seguidora Alda Marco Antônio como companheira de chapa pro tempore de Kassab. Ou seja, se o PSDB, ao fim e ao cabo, persuadir Alckmin de que a sua hora é a da eleição seguinte para governador de Estado (com o apoio do PMDB), ficará restabelecida a coligação municipal de 2004 e o lugar de vice de Kassab será ocupado por um tucano.

Se Alckmin não desistir, apesar das pressões crescentes, poderá se aliar ao PTB, um dos esteios da base parlamentar de Lula. Antes, também ele tentou a sociedade com Quércia. Um dos alvos de Serra, que deverá abrir espaço para o PMDB quercista no seu governo, é introduzir uma cunha na aproximação do partido com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Os dois são candidatos estampados à sucessão de Lula – e, no que depender da cúpula peemedebista, o mineiro poderá trocar de caderneta partidária quando queira. A se fixar ao redor de Kassab o arco PSDB-PMDB-DEM desejado pelo governador paulista, ele terá demonstrado que o rival não é o único tucano benquisto pelos peemedebistas, sobretudo na facção do partido refratária a Lula. Quércia já anunciou que o apoiará em 2010. Mas o que todos, rigorosamente todos, têm em comum nesse show é a posição no palco político – de costas para os paulistanos.

25/04/2008 - 08:56h Quércia defende Serra para presidente

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

Quércia, Kassab e Bornhausen:
aliança entre DEM e PMDB paulista visa a minar
a participação de pemedebistas na coligação governista em 2010

Cristiane Agostine e César Felício – VALOR

O anúncio da aliança entre o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o presidente do diretório paulista do PMDB, Orestes Quércia, para a eleição da capital, serviu de palco para que o pemedebista defendesse a candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à presidência, em 2010. O apoio do PMDB, formalizado ontem, foi usado também pelo prefeito paulistano para aumentar a pressão sobre o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), a fim de que o tucano retire sua pré-candidatura em troca do apoio do PMDB e do DEM na próxima disputa pelo governo do Estado.

A oficialização do acordo foi feita em clima de lançamento da campanha de Kassab. “O nosso objetivo hoje é falar, sim, da candidatura, evidentemente”, afirmou Kassab. O ex-governador Quércia reuniu a direção estadual do PMDB e disse que o apoio foi unânime na Executiva. Junto ao prefeito estava o principal expoente do DEM, Jorge Bornhausen. Em seu discurso, Quércia fez uma oferta ao PSDB para que integre a aliança, em troca do apoio a Alckmin em 2010. “Se Alckmin definir ser candidato a governador nós estaremos com ele”, comentou.

O PMDB deve indicar o vice na chapa de Kassab e Quércia ficará com a vaga para disputar o Senado, em 2010. Alda Marco Antonio, indicada por Quércia para a vice, não é aceita por Kassab. O prefeito disse que gostaria de tê-la na equipe, mas afirmou que o cargo de vice precisa ser mais debatido. Se Alckmin compuser a aliança, o PSDB ficará com essa indicação.

Kassab reforçou a tentativa de manter a aliança DEM-PSDB na capital. “Além de falar aqui da candidatura Kassab estamos falando também da busca pela manutenção dessa aliança, que agora foi ampliada. Estamos colocando ao PSDB a análise de que juntos podemos eleger o prefeito e o governador”, declarou. O prefeito garantiu que Alckmin pode contar com o apoio do DEM na disputa em 2010, caso integre sua chapa. “A aliança com PMDB é um argumento a mais para mostrar a viabilidade da eleição de Alckmin governador”. Kassab e Alckmin devem ter um encontro até o fim do mês.

Apesar de parte da negociação da aliança com o DEM ter sido feita também por interlocutores de Serra, Kassab disse ter fechado os últimos detalhes em um encontro na casa de Quércia, com Jorge Bornhausen, ex-presidente do DEM, e Guilherme Afif Domingos, secretário de Trabalho do governo Serra. “Eu procurei Quércia. Não foi ele que me procurou”, disse. Segundo um integrante do governo municipal, Afif deu garantias de que abre mão da vaga ao Senado. No encontro, não teria havido garantias de que o PSDB abriria mão da outra vaga ao Senado na coligação.

Os aliados de Serra pretendem usar a aliança entre o DEM e o PSDB para reforçar a ofensiva pela retirada da candidatura Alckmin. Segundo relato de assessores diretos do governador, o próprio Serra já deu garantias a Alckmin de que o apoiará para retornar ao governo em 2010. A essa garantia se somaram as declarações públicas de apoio a Alckmin feitas pelo DEM e pelo PMDB.

Diferente de Alckmin, Serra tem canais desobstruídos com Quércia. Nas negociações, porém, segundo um tucano com gabinete no Palácio dos Bandeirantes, não teria sido prometido a vaga do PSDB ao Senado, apenas a do DEM. A Casa renova-se em 2/3 em 2010.

Interlocutores de Serra reconhecem que o quadro ainda é de divisão do partido, já que Alckmin permanece candidato e dizem que caso a candidatura de Alckmin permaneça, haverá defecções no apoio partidário. “A legislação impede que Serra faça qualquer ato de campanha contra Alckmin, mas a situação a ser criada fará naturalmente com que o PSDB não seja tão rigoroso no princípio da fidelidade partidária”, disse um integrante do governo estadual.

No ato organizado pelo PMDB paulista ontem ao destacar que a aliança com o DEM também vale para 2010, Quércia disse que o governador tucano é uma alternativa ao seu partido. “É pressuposto do PMDB ter candidato, mas se não tiver Serra é uma alternativa”, disse. “Ele já foi candidato do PMDB, por que não ser de novo? Seria a primeira vez, depois de mais de cem anos, que o país teria um presidente nascido em São Paulo. O último foi Rodrigues Alves.” Em referência indireta ao governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), também cotado pelos à Presidência, Quércia brincou: “Minas teve presidente há 50 anos”.

Serra comentou que aceita o apoio de Quércia para 2010, apesar de ressaltar que a manifestação é prematura. “Se alguém diz que vai indicar o seu nome para ser presidente, eu aceito. Mas evidentemente é muito cedo ainda para essa questão eleitoral”, considerou. “Acho que 2010 está bastante distante. Mas qualquer observação favorável eu sempre acho bom”.

O PMDB é da base aliada do governo federal, mas dirigentes do DEM acreditam que os pemedebistas possam migrar para a oposição em 2010, dependendo do resultado eleitoral de Kassab em São Paulo. “A aliança em São Paulo deve alavancar mudanças no plano federal e terá grande influência no país”, disse Jorge Bornhausen.

O acordo entre PMDB e DEM deve fazer com que a ex-prefeita e ministra do Turismo, Marta Suplicy, antecipe o lançamento de sua candidatura pelo PT. A ministra pode ficar no cargo até dia 05 de junho, de acordo com a legislação eleitoral. Ontem, um grupo de cerca de 30 deputados estaduais, federais e vereadores organizou um encontro com Marta em Brasília para fazer um apelo por sua candidatura. “Foi muito forte o apelo porque mostra o partido unido em São Paulo. Me tocou profundamente”, disse a ministra. “Isso me deixa propensa a aceitar sair candidata, embora não seja nada definitivo.”

O PMDB negociava a aliança tanto com o PT quanto com o PMDB. Ontem, Quércia foi lacônico ao comentar o motivo de ter deixado de lado a candidatura petista. “Nada contra o PT, nem contra a Marta, nem desconsideração. Mas avaliamos que para o PMDB seria a melhor alternativa.”

A ministra tentou minimizar a a perda de apoio do PMDB e disse que é preciso continuar conversando com outros partidos, como o PSB, o PDT, o PC do B e o PR. “Para nós foi uma conversa que não prosseguiu”, disse, referindo à negociação com Quércia. O acordo DEM-PMDB pode dar a Kassab mais de 7 minutos de TV, contra 4 minutos do PT. “Temos um partido forte na capital, sendo eu ou não a candidata.” Marta disse que só oficializará a candidatura depois de conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.(Com agências noticiosas)

24/04/2008 - 09:18h Iminência de acordo entre PMDB e DEM pressiona por saída de Alckmin

querciameiorostoesta.jpegMarisa Cauduro/Valor

Quércia: em nota, classificou acordo com Kassab como “eventual” e sinalizou que insistirá com vice

Caio Junqueira, César Felício, Cristiane Agostine e Raquel Ulhôa – VALOR

A iminente aliança entre o PMDB e o DEM, que deverá ser anunciada hoje, levou ontem a um último esforço dos aliados do governador paulista, José Serra (PSDB), para fazer com que o ex-governador tucano Geraldo Alckmin desista da candidatura à Prefeitura de São Paulo e apóie a reeleição de Gilberto Kassab (DEM). Pela primeira vez, diante da ameaça de isolamento político, o grupo alckmista deu mostras de que poderá ceder à pressão. Um dos articuladores do ex-governador afirmou que a hipótese de não disputar este ano, em troca de concorrer a outro cargo em 2010, já é vista como “muito mais confortável”.

Por esta razão, os aliados de Serra no PSDB e o próprio Kassab resistem em aceitar a presença do PMDB na chapa majoritária. “Isto fecha a possibilidade de um acordo e quebra definitivamente a aliança entre PSDB e DEM”, disse um serrista no PSDB. A pedido de Kassab, o ex-governador Orestes Quércia adiou de ontem para hoje a reunião do diretório estadual paulista do PMDB, o qual preside, em que seria anunciada a aliança.

Pouco antes de Quércia adiar a reunião, Kassab havia feito um apelo para uma aliança que unisse os três partidos. “Todo meu esforço continua sendo no sentido de buscar, com energia, a manutenção da nossa aliança com o PSDB. Agora, de uma maneira bastante otimista, porque está se incorporando a esta aliança o PMDB”, disse o prefeito, após encontro com vereadores.

Depois de cancelar a reunião, Quércia divulgou uma nota em que demonstra que pretende insistir na presença do PMDB na chapa majoritária. “Na eventual composição DEM/PSDB, se ficar acordado que caberá ao PMDB apresentar o nome do candidato a vice-prefeito na chapa de Kassab, será indicado o nome de Alda Marco Antonio”, escreveu, referindo-se à engenheira que foi sua secretária estadual do Menor em sua gestão como governador.

A aliança PMDB/DEM, que contraria a tendência pemedebista de buscar um alinhamento com o PT, desagradou os dirigentes nacionais pemedebistas. Em conversas isoladas, pemedebistas estranhavam a opção de Quércia pelo que consideram “aliança para perder”. A avaliação era que Quércia não teria recebido do PT garantias de apoio à sua candidatura ao Senado em 2010, em troca de apoio à ministra do Turismo, Marta Suplicy, para prefeita. Para pemedebistas, o adiamento pode ter sido provocado pelo empenho de Kassab de buscar um acordo com o PSDB.

Apesar de articuladores de Alckmin sinalizarem com a possibilidade de desistência sob reserva, de forma pública o ex-governador ainda demonstra inflexibilidade. Um de seus aliados, o deputado Silvio Torres, divulgou uma nota em que afirmava que diante da aliança entre Kassab e o PMDB, a candidatura de Alckmin era irreversível. “O anúncio desta aliança é uma demonstração de que não há possibilidade de negociação entre o DEM e o PSDB fora do segundo turno. Trata-se de um tema vencido. Não há cogitação de Alckmin se retirar”, disse, acrescentando que o diretório municipal da sigla irá oficializar a candidatura própria “ainda este mês”. Por correio eletrônico, o presidente do Diretório, José Henrique Lobo, ligado a Serra, afirmou que “não há nada agendado até este momento”.

Os aliados de Alckmin acreditam que o vice-governador Alberto Goldman, e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, ambos tucanos e ex-aliados diretos de Quércia até o início dos anos 90, foram os principais artífices da aliança. Neste sentido, o acordo teria envolvido o apoio a sua candidatura ao Senado em 2010 e o apoio a prefeitos ligados a ele no interior paulista.

A iminente aliança irritou o PT, que ofereceu a vice na chapa e a vaga ao Senado em 2010. Quércia e o presidente estadual do PT, Edinho Silva, prefeito de Araraquara, conversaram na noite de terça sobre a aliança na capital, mas no mesmo dia, o ex-governador sinalizou que apoiaria Kassab. Ontem pela manhã o pemedebista e o petista conversaram novamente e segundo relato de Edinho, Quércia ainda falava em acordo. “Ele ainda não confirmou nenhuma posição”, disse ontem o dirigente petista. “Não vamos mudar nosso método de negociação, como o DEM e o PSDB mudaram”, disse.

Edinho reuniu-se no feriado de Tiradentes com o senador Aloizio Mercadante (PT) para discutir o apoio do PT à candidatura de Quércia ao Senado em 2010. “Havia muita especulação se Mercadante concordaria com isso e ele foi muito claro ao dizer que é homem de partido”, relatou o dirigente petista. O presidente do PT estadual disse ainda que em pelo menos 23 cidades de São Paulo o PMDB será cabeça de chapa e o PT será vice, na disputa eleitoral.

As mesmas ofertas teriam sido feitas pelo DEM ao PMDB: a vice na prefeitura e o Senado, em dois anos. A candidatura petista, com a ministra Marta Suplicy, seria mais atrativa ao PMDB, por ter maiores chances de vitória. Mas Kassab tem um diferencial: a retirada de um concorrente direto, o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM).

Na avaliação dos petistas, a negociação com Quércia feita por interlocutores do PSDB passaria também por participar de uma composição da chapa de Serra à Presidência, em 2010. “Uma aliança entre os três partidos obviamente terá reflexo na sucessão presidencial. Alinha o PMDB com outro projeto de país e seria uma forma de Serra colocar esta eleição em outro patamar”, disse Edinho Silva.

23/04/2008 - 12:57h Vaga ao Senado obstrui acordo entre DEM e PMDB

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Cristiane Agostine e César Felício – VALOR

querciameiorostoesta.jpegEstratégico pelo tempo no horário eleitoral gratuito em rádio e TV que dispõe, o PMDB de São Paulo deve se reunir hoje para discutir as negociações que mantém simultaneamente com o PT e o DEM. A tendência do partido é de ganhar tempo para aumentar seu poder de barganha. O presidente estadual da sigla, o ex-governador Orestes Quércia comentou com aliados que preferiria apoiar a reeleição de Gilberto Kassab (DEM) à candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), por entender que uma aliança com o grupo serrista abriria caminho para sua candidatura ao Senado em 2010. Mas teme a falta de densidade eleitoral do prefeito. O pemedebista gostaria de esperar mais uma rodada de pesquisas eleitorais.

alckminolholmarmenor.JPGNo PMDB, a avaliação é que Kassab precisa da aliança partidária por dois motivos: para estancar a pressão dos aliados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) pela sua desistência e pelo tempo na televisão. O partido dispõe de quatro minutos e trinta segundos diários no horário eleitoral gratuito e quem tiver seu apoio fica com a maior fatia da propaganda eletrônica. Ainda que Alckmin consiga fechar uma aliança com o PTB e Marta com o PR, nenhum dos dois bateria os sete minutos e trinta segundos de uma composição DEM/ PMDB. Uma aliança PSDB/ PTB teria quatro minutos e trinta segundos e uma chapa PT/ PR teria cinco minutos e meio.

A expectativa entre os pemedebistas é que isto leve o DEM a convencer o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, a desistir de concorrer ao Senado. Assim, Quércia não só teria apoio para disputar como ainda tiraria do cenário um concorrente. Entre os aliados do prefeito, o apoio a Afif, contudo, continua mantido. Os integrantes do DEM avaliam que ainda há chances de que Alckmin desista de concorrer, o que reduziria muito o poder de negociação de Quércia.

A demora na definição do PSDB e DEM sobre o rompimento ou não da aliança está criando constrangimentos a Kassab na negociação com os outros partidos. Com o cenário indefinido, Kassab não pode oferecer cargos vistosos aos partidos que corteja. Enquanto isso, o PT aproxima-se do PMDB, do ex-governador Orestes Quércia, com a oferta das vagas de vice, prefeito e do Senado.

Desde o fim do ano passado Kassab e Quércia têm-se reunido. O PT também tem tido encontros regulares com o dirigente pemedebista. A única aliança descartada é com o ex-governador Geraldo Alckmin, provável candidato do PSDB, apesar das tentativas de aproximação feitas pelo tucano.

Ontem, Kassab fez uma defesa pública de um acordo com os pemedebistas, mas deixando claro que sua prioridade é o PSDB. “Vejo com muita simpatia a vinda do PMDB, se somando à aliança que temos com o PSDB. A aliança com o PMDB é desejada”.

O prefeito disse que ainda não há oferta sendo feita aos pemedebistas. “O PMDB sabe que todo nosso esforço vai ser para manter aliança com PSDB. No momento em que exterioriza essa vontade de caminhar conosco ele terá uma preferência na aliança. Mas sabem que temos um tempo para definirmos as coisas”. O prefeito disse que pedirá a dirigentes do DEM que procurem Quércia.

Integrantes do DEM e do PSDB devem se reunir novamente nesta semana para tentar um acordo. “Volto a insistir que trabalho com a idéia de manter a aliança com o PSDB, se possível no primeiro turno. Acima de uma vontade pessoal de continuar à frente da prefeitura, está a manutenção da aliança”, disse ontem Kassab, depois de participar de um evento com o governador do Estado, José Serra (PSDB).

A agenda comum de Serra e de Kassab intensificou-se nos últimos meses, com a entrega de hospital, ambulatórios, escolas e estações de trem. O prefeito e o governador ressaltaram em todos os momentos que os dois governos são parceiros, destacaram os investimentos que o governo do Estado está fazendo na capital e juntos entregaram 278 apartamentos para famílias da favela de Paraisópolis, a segunda maior de São Paulo. Sem criticar diretamente a gestão anterior no governo do Estado, de Geraldo Alckmin, os dois políticos disseram que as obras entregues tinham melhor qualidade do que antes. “Pudemos observar a mudança na qualidade das obras da CDHU”, discursou o prefeito. “Agora o acabamento (das casas) é melhor e as famílias têm condições decentes de moradia”, pontuou Serra. Apesar de falar abertamente sobre sua disposição em manter-se na prefeitura, Kassab chegou a cogitar ontem a possibilidade de não disputar o cargo, caso a direção do PSDB e do DEM definam que o melhor postulante seria Geraldo Alckmin.

23/04/2008 - 12:41h Rolo compressor acima do Alckmin

Painel

RENATA LO PRETE – painel@uol.com.br

querciameiorostoesta.jpeg“Fechei com Kassab”

Orestes Quércia selou ontem o acordo do PMDB com o DEM em torno da reeleição de Gilberto Kassab. “Fechei com o Kassab”, avisou o ex-governador a uma pessoa de sua inteira confiança. A aliança dará ao prefeito cerca de 7min30s no horário gratuito, contra 4min do PT de Marta Suplicy e 3min do PSDB de Geraldo Alckmin, que dividem a liderança na mais recente pesquisa Datafolha. Ambos podem fechar outras alianças, mas nenhuma sigla disponível tem tempo de televisão semelhante ao do PMDB.
Guilherme Afif, candidato natural do DEM ao Senado em 2010, garantiu a Quércia que não disputará a eleição e que o partido apoiará o ex-governador.