Celso Frateschi no espetáculo “Sonho de um Homem Ridículo”, que estreia dia 3 de abril e marca o início da programação comemorativa dos 10 anos do Ágora
ÁGORA TEATRO COMEMORA SUA PRIMEIRA DÉCADA DE
ATIVIDADES COM O PROJETO “AGORA + 10”, A PARTIR DE 03/04
Nova montagem ”Sonho de um Homem Ridículo, de Dostoievski,
com Celso Frateschi, abre a programação, nesta sexta-feira
Uma revisão crítica de sua produção nessa primeira década de atuação, que possa nortear os trabalhos nos próximos anos. Essa é a síntese do “Agora + 10”, evento que celebra os 10 anos de atividades Ágora Teatro.
A programação, elaborada pelos diretores do espaço, Celso Frateschi, Roberto Lage e Sylvia Moreira – entre abril e dezembro – traz espetáculos teatrais, ciclos de debates e seminários, lançamento de livro e cursos. A abertura acontece com três montagens em abril: dia 3, “Sonho de um Homem Ridículo,” espetáculo-solo com Celso Frateschi, dirigido por Roberto Lage, baseado em conto de Dostoievski; dia 4, “GL. 5,17: Um Experimento no Purgatório”; e no dia 4, “A Missa do Galo”. Esses dois últimos espetáculos fazem parte do projeto “Machadianas” e são baseados em contos de Machado de Assis. (ver sinopses e fichas técnicas a seguir).
Conceito – Celso Frateschi explica o eixo conceitual do “Ágora mais 10”: “é a depuração dos nossos pressupostos estéticos experimentados nos 10 anos de trabalho. Para tanto, serão revisitadas quatro de nossas principais montagens: ‘Sonho de um Homem Ridículo’ de Dostoievski; ‘Antes do Café’ de Eugene O’Neill; ‘Ricardo III’ de Shakespeare; e ‘Don Juan’ de Molliere”.
É importante salientar que não se tratam de reestreias, mas sim de espetáculos completamente novos, com base no pressuposto da “busca pela menor grandeza”, conceito inspirado no verso de Bertolt Brecht. “Tal busca sempre esteve presente nas nossas montagens e julgamos que depois de dez anos de trabalho seja o momento de refletir sobre ela, sobre como a desenvolvemos e radicalizá-la para enfrentarmos os nossos próximos dez anos”, analisa Sylvia Moreira.
Para Frateschi, revisitar esses espetáculos emblemáticos para a história do Ágora “significa estranhá-los e recolocá-los num contexto diferente daquele em que foram criados. Serão montagens onde a depuração estética irá gerar novas adaptações, uma vez que trabalharemos sobre o que já foi trabalhado. Nossa intenção é criar as bases para um salto de qualidade em nosso trabalho artístico”.
Machadianas – Paralelamente às novas montagens do repertório revisitadas, serão apresentados seis espetáculos do projeto “Machadianas”, baseados em textos de Machado de Assis. “A proposta é trabalhar na busca da teatralidade das formas narrativas para ampliar a comunicação entre o palco e a platéia contemporânea”, explica Robero Lage. O “Machadianas” – que está em sua terceira edição – conta com a criação de diversos núcleos de trabalho, em que diretores e atores se dedicam à criação dos espetáculos, sob a coordenação de Roberto Lage e com a direção de arte de Sylvia Moreira.
Publicação e Debates – Em maio, no dia 6 (quarta-feira), ainda como parte do evento “Ágora+10”, será lançado o livro “Teatro Paulistano século V”. A publicação é o resultado de um painel de debates promovido pelo Ágora, sobre o vigor do teatro paulistano contemporâneo. No mesmo dia, tem início o primeiro dos dois ciclos de debates programados: “Teatro, vinho e pensamento”. “Serão colocadas em discussão questões estéticas e filosóficas que nos provocam como artistas”, adianta Frateschi. O segundo encontro acontece no encerramento da programação, em novembro e vai abordar o tema “A cidade teatralizada”.
ÁGORA +10 – SINOPSES, FICHAS TÉCNICAS E SERVIÇOS
Rua Rui Barbosa, 672 – Bela Vista – Telefone: 3284-0290
“SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO”
Estreia: 03 de abril – Temporada: até 21 de junho.
Sextas e Sábados às 21h. Domingos às 19h
SINOPSE – Peça baseada no conto de Dostoiévski. Segunda metade do século XIX. Um homem do subterrâneo. Cenário e personagem típicos do autor russo, um dos principais narradores da alma humana. Nosso herói sabe que é ridículo desde a infância – motivo de desprezo e zombaria de seus semelhantes- e já não tem mais nenhum interesse na continuação da sua existência. Num dia inútil como todos os outros, em que mais uma vez esperava ter encontrado o momento de meter uma bala na cabeça, foi abordado por uma menina que clamava por ajuda. Ele não só recusa o apoio à criança, como a espanta aos berros. Ao voltar para casa, não consegue dar fim a sua existência. Adormece e sonha. Ele narra como conheceu a verdade em toda a sua glória e mostra como tudo aquilo deve ter sido real, pois as coisas terríveis que sucederam não poderiam ter sido engendradas num sonho.
A MONTAGEM – A adaptação se preocupa em manter o texto original de Fiódor Dostoiévski, que faz parte do livro Diário de um Escritor, publicado pela primeira vez em 1877. Propõe um espetáculo que explora o essencial das questões humanas de Dostoiévski, estabelecendo um diálogo direto com o contemporâneo. Sua arquitetura cênica é construída a partir da rua, do cortiço, do paraíso e do inferno – elementos da obra-, numa composição que sugere o onírico, onde o sentido do sonho é recuperado através do espanto ao colocar em um mesmo plano, o imaginário do contemporâneo e a infância da humanidade. O real e o sonho se justapondo em um diálogo permanente durante o jogo cênico. O ator solitário em cena é uma opção estética inerente ao tema, que aborda a solidão e a sua superação.
FICHA TÉCNICA
Dramaturgia e interpretação: Celso Frateschi
Direção: Roberto Lage
Cenário e figurino: Sylvia Moreira
Corpo: Vivien Buckup
Luz: Wagner Freire
Trilha sonora: Aline Meyer
SERVIÇO
Duração: 75 minutos
Capacidade: 80 lugares
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Recomendação etária: 12 anos
Ágora Teatro – Sala Gianni Ratto
“GL. 5,17: UM EXPERIMENTO NO PURGATÓRIO” (Machadiana)
Estréia: dia 4 de abril
Temporada: até 17 de maio.
Sextas e sábados às 23h e domingos às 21h
SINOPSE – O Diabo decide criar a sua igreja – “escritura contra escritura, breviário, contra breviário” – e após comunicar a Deus sua intenção, desce à terra para atingir seus propósitos.
A MONTAGEM – A investigação foi pautada pelo estudo do narrador multifacetado, a razão da genialidade da literatura machadiana; “um misto de poeta, guerreiro e profeta” – e agregou outros contos de temática religiosa. A direção ousou em transferir o gênio narrativo ao teatro, e adotou a metáfora do pregador hipócrata num surto de honestidade “que retira da experiência o que ele conta; sua experiência ou a relatada pelos outros, e incorpora as coisas narradas à experiência dos seus ouvintes” citando Benjamim, o que resultou num roteiro de cenas que inclui também o imaginário do ator – o pós-cena – e que não pretende criar nada de novo, como citado no Eclesiastes, tanto lido por Machado, “nada de novo debaixo do sol”. Busca criar uma teia desaforada que confunde o discurso do intérprete com o do autor e beira o despropósito. Iniciativa de um teatro narrativo que não se limita ao palco, de atores que insinuam uma sedução para compreender a platéia e serem compreendidos por ela.
FICHA TÉCNICA
Baseado nos contos de Machado de Assis
Direção: Tânia Granussi
Coordenação: Roberto Lage
Elenco: André Martins, Daniela Perim e Wilson Canhas
Direção de Arte: Sylvia Moreira
SERVIÇO:
Duração: 60 minutos
Capacidade: 45 lugares
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Recomendação etária: 12 anos
Ágora Teatro – Espaço Ágora
“A MISSA DO GALO” (Machadiana)
Estreia dia 4 de abril. Temporada até 17 de maio
Sextas e Sábados às 21h30. Domingos às 19h30
SINOPSE
No conto, um acontecimento da adolescência do Sr. Menezes ainda o perturba depois de muitos anos. Um encontro a sós com uma mulher casada e mais velha apresentou, na ótica de Menezes, uma manancial de possibilidades que terminaram por não realizarem-se. Memórias truncadas de uma certa noite envolta em desejos, sensualidade e insinuações.
A MONTAGEM – A direção busca estabelecer um diálogo entre a tradição humana de contar histórias, transmitindo conhecimento, experiência e vivência com modernas técnicas de interpretação e encenação. O processo de criação coletiva, a utilização de partituras corporais, a troca de papéis entre os atores, a precisão das marcações e o distanciamento crítico dos interpretes estão a serviço da busca de um equilíbrio entre a composição estética, a transmissão do enredo e o estímulo à reflexão proposta por Machado de Assis.
No que diz respeito ao aspecto temático, a direção buscou ressaltar elementos que considera chaves na obra de Machado de Assis; destacando-se o papel da memória, mais precisamente de sua falibilidade, na consolidação da personalidade presente. “A Missa do Galo” parte-se da análise das características individuais de cada personagem Machadiano do século XIX para a proposição de uma reflexão sobre o indivíduo e a sociedade de hoje, especialmente evidenciando forças que acabam por interromper a realização da vida em todas as suas possibilidades.
FICHA TÉCNICA
Baseado no conto homônimo de Machado de Assis.
Direção: Luiz Eduardo Frin
Coordenação: Roberto Lage
Elenco: Arô Ribeiro e William Rosa.
Assistente de Direção: Carolina Soledad
Direção de Arte: Sylvia Moreira
Iluminação: Roberto Lage e Luiz Eduardo Frin
Direção musical e Trilha original: Charles Raszl
Produção de Trilha sonora: Rafael Agra
SERVIÇO:
Duração: 60 minutos
Capacidade: 50 lugares
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Recomendação etária: 12 anos
Ágora Teatro – Sala Edith Siqueira