12/11/2009 - 09:53h Demanda global de energia exige investimento de US$ 1,1 tri por ano

Valor Online

GENEBRA – Os investimentos necessários para atender ao crescimento da demanda de energia até 2030 podem alcançar US$ 26 trilhões globalmente, diz a Agência Internacional de Energia (AIE) em seu novo relatório sobre as perspectivas do setor.

Isso significa investimentos de US$ 1,1 trilhão por ano, ou 1,4% do PIB global no cenário mais realista. Mais da metade desses investimentos são necessários nos países em desenvolvimento, onde a demanda e a produção crescem rapidamente, sobretudo na China e Índia, além do Brasil e outros emergentes.

O crescimento da demanda de eletricidade estimado é de 76% até 2030, necessitando cinco vezes mais capacidade do que o que existe atualmente nos Estados Unidos. Mas o consumo global de eletricidade sofreu este ano sua primeira contração desde o fim da Segunda Guerra Mundial, de 1,6% este ano. A frágil demanda reduziu a necessidade imediata de nova capacidade.

Com a crise global, os investimentos no setor elétrico foram duramente afetados por dificuldades financeiras e pela menor demanda, globalmente.

Para a AIE, a demanda voltará a subir a partir de 2010, mas os investimentos no setor serão mais difíceis, já que um rápido retorno do período de crédito fácil e barato não parece provável.

(Assis Moreira | Valor)

11/11/2009 - 11:09h País será o 6º maior em petróleo, diz agência

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DA REDAÇÃO – FOLHA SP

O Brasil será em 2015 o sexto maior produtor mundial de petróleo, ultrapassando alguns dos países mais tradicionais na extração do combustível, segundo previsão da AIE (Agência Internacional de Energia).
Com as descobertas na camada do pré-sal, o Brasil terá uma produção diária de 3,1 milhões de barris, ficando à frente de países como Emirados Árabes, Kuait e Iraque, que são membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo, cartel responsável por cerca de 40% do produto consumido no mundo), sempre tomando como base o estudo da AIE.
Caso essas previsões se confirmem, o Brasil se tornará ainda o maior produtor da América Latina, superando o México e a Venezuela -que terão queda no setor, ainda que por motivos diversos. O primeiro sofre com a falta de investimentos na estatal Pemex; o segundo, com a saída dos investidores estrangeiros, que debandaram por causa do governo Hugo Chávez.
No ano passado, o país era o 11º maior produtor, com a extração de 1,8 milhão de barris de petróleo ao dia. Os 3,1 milhões de barris previstos pela agência para 2015 são inferiores à estimativa mais recente da própria, de junho, para 2014. Na época, ela disse que a produção brasileira chegaria a 3,4 milhões de barris diários -com aumento constante na extração a partir do ano que vem.
A AIE ressalta que o Brasil, o Cazaquistão e o Azerbaijão são os únicos países que não integram a Opep e que terão um aumento significativo na produção nos próximos anos. No caso brasileiro, esse crescimento se deve às descobertas recentes em águas profundas.
Olhando mais para a frente, para 2030, o Brasil perderá uma posição no ranking, sendo ultrapassado por Canadá e Iraque -mas deixando a China para trás. No período de 2008 a 2030, apenas o Iraque e o Canadá (graças à extração de óleo das areias betuminosas) terão um crescimento anual superior ao brasileiro na produção.
O avanço brasileiro, quando a extração do pré-sal provavelmente estiver no seu auge, vai se dar em um período no qual o consumo mundial vai continuar crescendo, mas menos do que a AIE imaginava. A agência estima uma demanda global diária de 105,2 milhões de barris em 2030, 1 milhão de barris menos do que previra no ano passado. O consumo mundial de petróleo no ano passado foi de 88,4 milhões de barris ao dia.
No cenário previsto pela agência nos próximos 21 anos, os países ricos passarão a consumir menos petróleo, cuja demanda será puxada pelas economias emergentes, como o Brasil, a China e a Índia.
Já o preço médio do barril, em termos nominais, deve saltar dos atuais US$ 60 para cerca de US$ 190 em 2030.
(ÁLVARO FAGUNDES)

20/09/2009 - 10:44h ”Confio totalmente na política energética do Brasil”

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Andrei Netto – O Estado SP

Polêmicos no Brasil, o novo marco regulatório da exploração do petróleo e a elevação da participação do Estado no capital da Petrobrás parecem ser temas menos controversos no exterior. Um termômetro dessa serenidade são as análises feitas pelo turco Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), instituição ligada à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e agrupa 28 países – o Brasil não está incluído. “Tenho total confiança na política energética brasileira, baseado no que vimos nas últimas décadas”, diz ele.

Birol é reconhecido como uma das maiores autoridades mundiais em análises e projeções energéticas. Também é expert em políticas energéticas públicas, em especial as relacionadas ao petróleo. Parte desse conhecimento foi adquirido durante a sua passagem de seis anos pela Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), o cartel formado pelos produtores do Oriente Médio, da África, da América do Sul e da Ásia, que controla, na prática, a variação do preço internacional do óleo no mercado mundial.

Para Birol, o novo marco regulatório brasileiro não assusta, nem mesmo a crescente participação do Estado na Petrobrás. “Os anos gloriosos das companhias internacionais estão lentamente caminhando para o fim”, afirma, referindo-se a multinacionais como Shell, Texaco e Exxon, que, em um passado não tão distante, controlavam a exploração de petróleo mundial.

Depois de mais de um mês de negociações, Birol aceitou interromper sua extensa agenda e falar ao Estado durante 26 minutos – tempo que cronometrou – sobre pré-sal, marco regulatório e, sobretudo, sobre sua especialidade, o mercado mundial de petróleo. É dele a análise, publicada pela AIE em dezembro, de que as reservas globais estão se esgotando em ritmo mais acelerado que o imaginado.

A seguir, a entrevista concedida na terça-feira, em Paris.

Em 2007, o relatório Perspectivas Energéticas Mundiais da Agência Internacional de Energia prenunciava uma curva de declínio da produção dos campos de petróleo existentes da ordem de 3,7% ao ano. Um ano depois, a Agência informou que a velocidade de declínio era maior, chegando a 6,7% ao ano. Como o sr. explica essa mudança de análises?

Nós alteramos nossas metodologias. O que estamos afirmando desde sempre é que muitos dos campos maduros já estão em declínio. Isso não significa que hoje já tenhamos alcançado o pico da extração de óleo. O que afirmamos é que, em 2010, estaremos chegando ao pico da produção nos países não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Além disso, acreditamos que o petróleo convencional – não o petróleo total, mas o extraído com técnicas convencionais – atingirá seu auge em torno de 2020, se não identificarmos novos campos.

Essa perspectiva agrava o impasse entre o crescimento da demanda e o da produção no futuro próximo, não?

Sim. Mesmo que a demanda global de óleo permaneça estável entre hoje e 2030, mesmo que não haja aumento mundial, nós teremos de trazer ao mercado 45 milhões de barris de petróleo só para compensar o declínio nos campos existentes. Se a demanda crescer – e eu creio que ela crescerá após a crise financeira -, então teremos de aumentar a produção em mais 45 milhões de barris por dia, além do aumento da demanda. Por exemplo, se considerarmos que o mercado global em 2030 crescerá 30 milhões de barris por dia, então teremos de aumentar a produção em 45 milhões por dia apenas para compensar o declínio e mais 30 milhões de barris por dia para fazer frente à demanda. Temos dois desafios: localizar novos campos para compensar o declínio nos campos maduros e, além disso, aumentar a produção para acompanharmos o crescimento do consumo. Um dos pontos-chave é desenvolver os campos que já foram identificados. Mas, de qualquer forma, precisaremos de novas jazidas.

Suas previsões não são uma boa notícia para um mundo muito dependente de petróleo. Qual é a solução?

Há várias opções, no médio prazo e no médio/longo prazo. Até 2020, a solução é investir em desenvolvimento dos campos que já foram identificados para torná-los produtivos, ou mais produtivos. Além disso, é preciso investir em novos campos de petróleo. Em mais longo prazo, nós teremos de usar o petróleo de uma maneira muito mais inteligente do que usamos hoje. Isso é eficiência energética. Muito do consumo de óleo vem do setor de transportes, da aviação, da navegação, entre outros. Precisaremos aumentar a eficiência desses modos de transporte. Em paralelo, é inevitável que busquemos novas fontes de combustíveis que possam substituir, ao menos parcialmente, o petróleo, como os biocombustíveis que o Brasil produz. Em terceiro lugar, temos de tentar usar a eletricidade como energia para automóveis e veículos em geral. Logo, no curto e médio prazos, precisamos aumentar a capacidade de produção dos campos existentes, investir em novas descobertas e, em paralelo, temos de tentar encontrar meios de usar o óleo de forma mais racional, substituindo por outros combustíveis, como o etanol, além de passar a usar a eletricidade na alimentação de veículos. Essas seriam as soluções que vislumbramos hoje.

Mas serão necessários investimentos maciços para localizar e explorar novas jazidas. E as companhias petrolíferas têm cortado seus investimentos, em resposta à crise financeira e à queda do preço do barril. O sr. acredita em um colapso do investimento em petróleo?

Esse é um risco importante. O que temos feito na AIE é observar, companhia por companhia, em que ritmo os investimentos estão sendo feitos em 2009. Como disse, vamos precisar das companhias para aumentar os investimentos e superar os desafios. O que vemos, entretanto, é que a crise levou ao declínio dos investimentos em 31%. É um declínio enorme, da ordem de centenas de bilhões de dólares por ano. É o exato oposto do que deve ser feito: precisamos ampliar os investimentos e estamos observando seu declínio em 2009. São más notícias, em especial porque a reaceleração da economia vem sendo puxada pelos maiores consumidores, como a China, por exemplo. Esse forte crescimento da demanda, combinado com o declínio dos investimentos, pode, nos próximos anos, sufocar mercados menores, o que significará também preços maiores do que verificamos hoje. E preços maiores poderão significar más notícias para a economia global, para a recuperação e para os esforços que temos feitos para eliminar as fragilidades atuais pelas quais passamos.

Autoridades como o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, alertam também que o preço do barril de petróleo pode causar distúrbios sociais e políticos, além de econômicos. O sr. considera muito pessimista essa avaliação?

Os países produtores de petróleo, sejam do Oriente Médio, sejam da América Latina, sejam da África, elevam os preços de forma artificial para obter lucros e vantagens econômicas. No entanto, se os preços se tornam elevados demais, teoricamente vão gerar desorganização na economia dos países importadores de petróleo, como os europeus, a China, a Índia e outros. E essa é uma notícia ruim para os produtores, porque eles precisam de compradores com boa saúde econômica. Se as economias compradoras, como as da OCDE – lideradas pelos Estados Unidos, pela Europa, pelo Japão, assim como emergentes como China e Índia -, enfrentarem adversidades financeiras, as más notícias vão afetar também os países produtores. Para evitar essa espiral, há duas coisas a serem feitas: primeiro, reorganizar as estratégias de investimentos em países produtores e, segundo, evitar preços muito elevados para o barril.

As novas jazidas na camada pré-sal do litoral brasileiro se inscrevem entre as capazes de elevar a produção e as reservas internacionais, certo?

Está claro que o Brasil pode aumentar sua contribuição para a produção global elevando os investimentos na prospecção de petróleo no pré-sal. Entretanto, ainda precisamos ter uma dimensão mais exata das novas descobertas e, mais importante, temos de ver se investimentos suficientes se dirigirão ao Brasil. Pensar que as novas descobertas no pré-sal poderiam mudar o cenário global imediata e substancialmente não é correto.

O Brasil julga necessário tirar maior proveito dessa produção e para tanto elabora um novo marco regulatório para o setor. O sr. tem acompanhado esse debate? É uma decisão inteligente?

No longo prazo, acreditamos que a curva de produção no Brasil pode dobrar facilmente. Isso exigirá um marco regulatório correto para atrair investimentos e acordos com os parceiros certos, na hora certa. É uma decisão importante, que precisa ser tomada pelas autoridades brasileiras, em cooperação com a indústria brasileira do petróleo. As reservas do Brasil são enormes em números e podem chegar a um terço das explorações offshore mundiais, o que será muito significativo. Não são campos de fácil acesso, mas, com um preço de petróleo correto e condições de investimento propícias, o Brasil poderá dobrar sua produção atual nos próximos 20 anos. Isso elevaria a competitividade do País na cena internacional de produtores de petróleo e aceleraria a espiral de crescimento da economia brasileira.

Analistas temem que as companhias internacionais ponham seus planos para o Brasil em espera até que as novas regras do marco regulatório para o pré-sal sejam esclarecidas. O sr. acredita que essas novas regras podem afetar de forma direta os investimentos?

Eu não quero comentar as decisões específicas do governo. O que posso dizer é que é preciso haver uma regulação que estimule o investimento para que o dinheiro necessário à exploração se dirija ao Brasil. Isso pode, claro, ser feito considerando variáveis como os interesses nacionais brasileiros e quanto óleo se quer produzir. Caberá ao Brasil decidir quanto desse petróleo será revertido para os mercados e quanto não será. O tempo e o volume que será revertido ao mercado é chave para o interesse de qualquer nação. E isso precisa ser decidido com base nas prioridades econômicas do País e de suas necessidades de desenvolvimento. Tenho total confiança na política energética brasileira, baseado no que vimos nas últimas décadas. O Brasil é o único país significante no mundo, até onde conheço, que de importador de petróleo se tornou um exportador líquido. É sinal de que o Brasil adotou as políticas energéticas corretas. E, neste momento, as decisões serão relevantes, em termos de políticas de investimento, não apenas para o Brasil. Haverá implicações em escala global.

O marco regulatório prevê também a recapitalização da Petrobrás, uma forma de permitir ao Estado um aumento rápido de sua participação no capital da companhia. O sr. vê características nacionalistas nessas medidas?

Sim, claro. Mas, ao longo dos últimos 20 anos, mais de 80% do crescimento da produção mundial no mercado de petróleo vem de companhias nacionais de petróleo, não de companhias internacionais. Os anos gloriosos das companhias internacionais estão lentamente caminhando para o fim. Daqui para a frente, as companhias nacionais dominarão os negócios de petróleo e suas posições no mercado ganharão em importância.

Quem é: Fatih Birol

Nasceu em Ancara, Turquia, em 1958

É formado em engenharia energética pela Universidade Técnica de Istambul, com PhD pela Universidade Técnica de Viena

Trabalhou por seis anos no Secretariado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), antes de entrar na AIE, em 1995

14/04/2009 - 12:03h Produção mundial de biocombustíveis desacelera, mas no Brasil não

Brasil alivia freada na produção de biocombustíveis

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Assis Moreira, de Genebra – VALOR

Depois de anos em rápida expansão, o crescimento da produção mundial de biocombustíveis sofrerá dramática desaceleração em 2009, de acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (AIE). A perda de fôlego só não será maior em razão da elevada produção de etanol no Brasil.

Neste levantamento mais recente, a AIE ajustou para baixo sua estimativa para o incremento da produção global em um volume equivalente a 220 mil barris de petróleo por dia. A entidade prevê, agora, que a produção global de biocombustíveis só aumentará 95 mil barris por dia (6,6%) este ano, ante alta de 345 mil barris/dia (31,55%) registrada em 2008.

A recessão global, a queda dos preços do petróleo, o aperto de crédito, os problemas nos subsídios concedidos pelos governos e a redução da demanda de combustíveis para transporte “conspiram” para minar a produção e a viabilidade econômica dos biocombustíveis, de acordo com avaliação da agência.

Mas a forte revisão mascara realidades diferentes. Os maiores problemas são verificados nos países desenvolvidos, com usinas de etanol ou biodiesel nos Estados Unidos e na União Europeia em falência ou com capacidade ociosa. Ao mesmo tempo, a produção brasileira – que, conforme a AIE, foi maior do que a esperada em 2008 – deverá continuar relativamente estável este ano.

Nos EUA, a projeção é de que entre 15% e 20% da capacidade total de produção de 800 mil barris por dia de etanol já tenha sido cortada ou esteja ociosa, enquanto o restante segue a operar, mas abaixo do potencial. E a lucratividade também diminuiu.

O declínio de 115 mil barris diários na produção de etanol nos EUA tende a ser compensado por maior volume brasileiro. Dessa forma, o “declínio líquido” deverá vir da Europa, da China e de outros paises asiáticos. A expectativa é de que um aumento na mistura de etanol na gasolina nos EUA, para 685 mil barris por dia (10,5 bilhões de galões ou 39,7 bilhões de litros), possam oferecer um certo suporte à produção local.

Para a Europa, a AIE projeta estagnação na produção de biodiesel, mesmo com a decisão da UE de sobretaxar as importações procedentes dos EUA. De um lado, pesa o fraco apoio governamental e o excesso de capacidade na Alemanha – maior país produtor do bloco; de outro, a importação de 25 mil barris diários procedente dos EUA deverá ser substituída por ofertas de America Latina e Ásia, mais do que pela própria produção doméstica europeia.

França, Itália, Espanha e Grã-Bretanha elevaram suas metas de produção de biocombustíveis para 2009, mas a alta será pequena. Na América Latina, a estimativa é de aumento da produção em quase 60 mil barris equivalentes por dia, ante os 85 mil barris do ano passado. A maior parte do crescimento vem do etanol brasileiro, que teve média de produção de 460 mil barris por dia em 2008, nos cálculos da agência.

A AIE se apoia em relatório da Unica (entidade que reúne as usinas do Centro-Sul do Brasil) para destacar o que chama de “crescentes barreiras econômicas” que contiveram a expansão do etanol brasileiro. Apenas de 15 a 20 de 35 novas usinas planejadas para este ano verão a luz do dia. Além disso, maior parte da produção de cana vai para a produção de açúcar, que hoje oferece melhores margens.

16/04/2008 - 10:35h Descoberta põe o País em novo patamar, diz AIE

Tempo atrás a revista The economist tinha ilustrado a descoberta de Tupi com este desenho

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Para agência internacional, investimento não será barato

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado de São Paulo

A Agência Internacional de Energia (AIE) se surpreendeu com a notícia sobre o megacampo de petróleo encontrado pelo Brasil e diz que a descoberta “coloca o País em um novo patamar no cenário internacional”. Segundo a agência, a produção da nova reserva terá um importante impacto para o mundo.

“Essa é uma grande notícia tanto para o Brasil como para o mercado de petróleo no mundo, principalmente diante dos altos preços”, afirmou o embaixador William Ramsay, um dos dirigentes da agência, com sede em Paris, França, e o formulador, durante anos, da política energética americana.

“O campo de Tupi já era uma grande descoberta. Isso agora, com capacidade cinco vezes maior, é surpreendente. Estamos falando de uma enorme descoberta”, disse Ramsay, que já serviu como negociador no Congo, Arábia Saudita e em outros países produtores de petróleo.

Para ele, o governo brasileiro terá de tomar “algumas decisões muito estratégicas”. “Em primeiro lugar, o Brasil terá de decidir quanto vai querer investir no campo. Não será nada barato e o governo, a Petrobrás e a sociedade terão de tomar decisões sobre qual será a conta que estão dispostos a pagar. Isso determinará o ritmo dessa nova produção para o mundo.”

Segundo Ramsay, a nova descoberta “coloca o Brasil em um novo patamar no mercado de petróleo”. “Se toda essa capacidade se confirmar, o Brasil passará a ser visto de outra maneira no mundo.”

De acordo com a AIE, o Brasil terá de decidir como vai colocar esse petróleo no mercado no futuro. “Certamente o Brasil não vai querer inundar o mercado e fazer os preços baixarem no futuro. Mas será uma decisão estratégica.”

OPEP

O embaixador americano, porém, espera que o Brasil não tome a decisão de aderir à Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep). “Espero que, no Brasil, a razão prevaleça e o governo não tome a decisão de seguir por esse caminho.”

Para a AIE, a entidade deve ser considerada um cartel, e não ajuda no desenvolvimento da produção do petróleo no mundo. “A descoberta de enormes reservas não precisa significar a mudança para um caminho que não vai ajudar a ninguém, nem ao Brasil e nem ao mundo”, concluiu o embaixador.

PASSO A PASSO

Antes da perfuração: estudos topográficos e sísmicos indicam a possibilidade de existência de óleo em rochas do subsolo

Poço pioneiro: o primeiro poço mapeado pela exploração pode ou não descobrir petróleo. Resultado positivo não indica ainda a existência de uma jazida comercial

Poços de extensão: se bem-sucedido o poço pioneiro, as empresas têm de comunicar a descoberta à ANP. São, então, perfurados poços de extensão no entorno para definir dimensões da jazida

Reservas: a empresa começa com poços de extensão (a quantidade pode chegar a 20, dependendo da área) a avaliar o tamanho do reservatório. Cada poço exploratório em águas ultraprofundas custa em torno de US$ 60 milhões

Comercialidade: o campo só é considerado viável comercialmente se o volume, qualidade do petróleo e tempo em que permanecer em produção cobrirem, com lucro, os custos de retirada do óleo

Desenvolvimento: comprovada a viabilidade, serão perfurados os poços de desenvolvimento (perfurações definitivas de produção do campo). O número de poços de produção de um campo depende das características do reservatório

Sonda: a sonda, utilizada para perfurar poços, é composta por uma torre da altura de um edifício de 15 andares que sustenta os tubos de perfuração. Os tubos, que conduzem a broca, passam por uma mesa giratória, na base da torre, e, por rotação, vão atravessando as camadas do subsolo

Perfuração: a perfuração é um trabalho ininterrupto. A cada 27 metros os sondadores encaixam um novo tubo. A vida útil da broca, que está na extremidade do primeiro tubo, é relativamente curta e ela precisa ser trocada várias vezes durante a sondagem

Grande profundidade: se o poço estiver a 4 mil metros, serão necessárias mais de 200 operações com tubos para troca da broca. Nas perfurações submarinas, a sonda é instalada sobre plataformas fixas ou móveis e navios

Plataformas: as plataformas que operam na Bacia de Campos custam entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões e retiram óleo a 3 mil metros de profundidade. Para as bacias da camada de pré-sal, estima-se a operação a 7 mil metros. Ainda não há informações sobre custos de plataformas de produção