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	<title>Blog do Favre &#187; AIG</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>A mística do mercado</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 17:25:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ARTIGO

PAUL KRUGMAN DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221; - FOLHA SP
NA SEGUNDA-FEIRA, Lawrence Summers, o chefe do Conselho Econômico Nacional, respondeu às críticas ao plano do governo Obama para subsidiar a compra privada de ativos tóxicos. &#8220;Não conheço nenhum economista que não acredite que mercados de capitais funcionando melhor, nos quais os ativos possam ser negociados, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font size="+1" color="#000080">ARTIGO</font></strong><br />
<br style="background-color: #ffff99" /></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>PAUL KRUGMAN</strong> <font style="background-color: #ffff99" size="-1">DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221; </font>- FOLHA SP</p>
<p>NA SEGUNDA-FEIRA, Lawrence Summers, o chefe do Conselho Econômico Nacional, respondeu às críticas ao plano do governo Obama para subsidiar a compra privada de ativos tóxicos. &#8220;Não conheço nenhum economista que não acredite que mercados de capitais funcionando melhor, nos quais os ativos possam ser negociados, não sejam uma boa ideia.&#8221;<br />
Deixe de lado por um momento a questão de se um mercado em que os compradores  têm de ser subornados para  participar pode realmente ser  descrito como &#8220;funcionando  melhor&#8221;. Mesmo assim, Summers precisa sair mais.  Alguns economistas reconsideraram sua opinião favorável  sobre os mercados de capitais e  a negociação de ativos à luz da  crise atual.<br />
Mas ficou cada vez mais claro  nos últimos dias que autoridades graduadas do governo Obama ainda estão presas à mística  do mercado. Elas ainda acreditam na magia do mercado financeiro e na proeza dos magos  que a executam.<br />
A mística do mercado nem  sempre dirigiu a política financeira. A América saiu da Grande Depressão com um sistema  bancário rigidamente regulamentado, que fez das finanças  um negócio sóbrio e até aborrecido. Os bancos atraíam os depositantes fornecendo localizações convenientes de agências  e talvez uma ou duas torradeiras de brinde; usavam o dinheiro assim captado para fazer  empréstimos, e era isso.<br />
E o sistema financeiro não  era apenas aborrecido. Também era, pelos padrões de hoje,  pequeno. Mesmo durante os  &#8220;anos go-go&#8221;, o mercado altista  da década de 1960, finanças e  seguros juntos representavam  menos de 4% do PIB. A relativa  desimportância das finanças se  refletia na lista de ações que  formavam a Média Industrial  Dow Jones, que até 1982 não  continha uma única companhia financeira.<br />
Tudo parece primitivo pelos  padrões de hoje. Mas aquele  sistema financeiro aborrecido e  primitivo serviu a uma economia que duplicou os índices de  padrão de vida no período de  uma geração.<br />
Depois de 1980, é claro, surgiu um sistema financeiro muito diferente. Na era Reagan, de  mentalidade desregulamentadora, a banca à moda antiga foi  cada vez mais substituída pela  especulação em grande escala.<br />
O novo sistema era muito  maior que o antigo regime: à  véspera da crise atual, finanças  e seguros representavam 8% do  PIB, mais que o dobro de sua  participação nos anos 60.  No início do ano passado, o  Dow Jones incluía cinco companhias financeiras -entre  elas gigantes como AIG, Citigroup e Bank of America.<br />
E as finanças tornaram-se nada aborrecidas. Atraíram muitas de nossas mentes mais agudas e fizeram algumas pessoas imensamente ricas. Sob o novo mundo glamouroso das finanças estava o processo de securitização. Os empréstimos não ficavam mais com o credor. Em vez disso, eram vendidos para outros, que cortavam em fatias, picavam e faziam purê das dívidas individuais para sintetizar novos ativos. Hipotecas &#8220;subprime&#8221;, dívidas de cartão de crédito, empréstimos para carros -tudo entrava na processadora do sistema financeiro.<br />
Do outro lado,  supostamente, saíam doces investimentos AAA. E os magos  financeiros foram generosamente recompensados pela  condução desse processo.</p>
<p><strong>Eram fraudes</strong><br />
Mas os magos eram fraudes, quer eles soubessem disso quer não, e sua magia veio a ser nada mais que uma coleção de truques baratos. Acima de tudo, a promessa chave da securitização -que tornaria o sistema financeiro mais robusto ao espalhar mais os riscos- veio a ser uma mentira. Os bancos usaram a securitização para aumentar seu risco, e não para reduzi-lo. Nesse processo tornaram a economia mais, e não menos, vulnerável aos distúrbios financeiros.<br />
Mais cedo ou mais tarde as  coisas tinham de dar errado, e  acabaram dando. O Bear  Stearns faliu; o Lehman faliu;  mas principalmente a securitização faliu.  O que nos traz de volta à  abordagem do governo Obama  para a crise financeira.<br />
Grande parte da discussão  sobre o plano de ativos tóxicos  se concentrou nos detalhes e na  aritmética, e com razão. Além  disso, no entanto, o que é marcante é a visão manifestada  tanto no conteúdo do plano financeiro como em declarações  de autoridades do governo. Na  essência, o governo parece  acreditar que quando os investidores se acalmarem a securitização e os negócios financeiros poderão retomar de onde  pararam um ou dois anos atrás.<br />
Para ser justo, as autoridades  estão pedindo mais regulamentação. Na verdade, na quinta-feira Tim Geithner, o secretário  do Tesouro, explicou planos  para aumentar a regulamentação que teriam sido considerados radicais pouco tempo atrás.  Mas a visão subjacente permanece a de um sistema financeiro mais ou menos igual ao  que havia dois anos atrás, embora um pouco mais controlado por novas regras.  Como você pode adivinhar,  eu não compartilho essa visão.<br />
Não acho que isso seja apenas  um pânico financeiro; eu acredito que representa o fracasso  de todo um modelo de banca,  de um setor financeiro que  cresceu demais e causou mais  dano que bem. Não acho que o  governo Obama seja capaz de  trazer a securitização de volta à  vida, e não acredito que deva  tentar isso.</p>
<p><font size="-1"><strong>PAUL KRUGMAN</strong> , economista, é colunista do  jornal &#8220;The New York Times&#8221; e professor na Universidade Princeton (EUA).</p>
<p>Tradução de <strong>LUIZ ROBERTO MENDES GONÇALVES</strong> </font></p>
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		<title>Bônus milionário pago a presidente de empresa vira escândalo na França</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 19:54:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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da France Presse, em Paris &#8211; Folha Online
O escândalo da remuneração dos patrões ganhou mais um capítulo nesta terça-feira na França, com a revelação do bônus de 3,2 milhões de euros concedido ao presidente da empresa do setor automobilístico Valéo, que escapou da falência graças à intervenção das autoridades públicas.
O governo francês, que possui 8% [...]]]></description>
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<p style="background-color: #ffff99">da France Presse, em Paris &#8211; Folha Online</p>
<p>O escândalo da remuneração dos patrões ganhou mais um capítulo nesta terça-feira na França, com a revelação do bônus de 3,2 milhões de euros concedido ao presidente da empresa do setor automobilístico Valéo, que escapou da falência graças à intervenção das autoridades públicas.</p>
<p>O governo francês, que possui 8% da Valéo, em que injetou recentemente 19 milhões de euros através de seu Fundo estratégico de investimento (FSI), qualificou o caso de &#8220;chocante&#8217; e garantiu que se oporá ao pagamento do bônus.</p>
<p>De Washington, o primeiro-ministro francês, François Fillon, afirmou que o Estado se &#8220;opõe&#8221; ao pagamento do bônus, considerando que &#8220;as pessoas que não mostram responsabilidade ameaçam todo nosso sistema econômico e social&#8221;.</p>
<p>O dirigente do grupo, Thierry Morin, foi demitido sexta-feira por &#8220;divergências estratégicas&#8221; com o conselho de administração, e recebeu uma indenização de 3,2 milhões de euros.</p>
<p>A empresa manteve o pagamento do bônus, apesar de Morin ter cumprido apenas três das cinco metas às quais a indenização eram condicionada. Ele deixou uma empresa à beira da falência, com perdas de 207 milhões de euros em 2008 e 5.000 supressões de postos em andamento.</p>
<p>De acordo com a CGT, o principal sindicato francês, o bônus suscitou a &#8220;ira&#8221; e um &#8220;forte sentimento de injustiça&#8221; entre os funcionários da empresa.</p>
<p>A Valéo, principal fornecedora francês de peças para automóveis, recebeu a ajuda do governo francês, preocupado em preservar um setor considerado estratégico para a economia mas muito abalado pela crise.</p>
<p>&#8220;O Estado acompanhou este empresa, e acho chocante que este tipo de remuneração seja instalada no contexto atual&#8221;, declarou o porta-voz do governo, Luc Chatel, também secretário de Estado à Indústria.</p>
<p>Este novo escândalo vem à tona alguns dias depois da concessão de dezenas de milhares de stock-options a dirigentes do banco Société Générale, que obteve do Estado um empréstimo de 1,7 bilhão de euros. Diante da polêmica deflagrada pela regalia, os dirigentes acabaram desistindo destas ações a tarifas preferenciais.</p>
<p>Escândalos semelhantes foram registrados nos Estados Unidos, com os bônus milionários recebidos pelos executivos da seguradora AIG, e na Grã-Bretanha, onde uma polpuda aposentadoria foi prometida ao ex-patrão do Royal Bank of Scotland.</p>
<p>O economista Alain Minc, conselheiro de grandes patrões e políticos franceses, lançou segunda-feira uma advertência a seus &#8220;amigos da classe dirigente&#8221;.</p>
<p>&#8220;Os senhores se deram conta de que o país está com os nervos a flor da pele, que os franceses têm o sentimento &#8211;talvez errôneo&#8211; de sofrer as consequências de uma crise provocada por nós?&#8221;, perguntou, pedindo aos executivos que moderem suas remunerações.</p>
<p>Em 29 de janeiro e em 19 de março, milhões de franceses foram às ruas para protestar contra a política do governo diante da crise.</p>
<p>O presidente Nicolas Sarkozy, que deve fazer um discurso no fim da tarde de hoje para explicar sua política, pressionou os dirigentes das empresas para que tomem medidas concretas para limitar seus salários até o dia 31 deste mês.</p>
<p><strong><font size="4">Ver também <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/a-ira-dos-franceses-contra-sarkozy/" rel="bookmark" title="Permanent Link: A ira dos franceses contra Sarkozy">A ira dos franceses contra Sarkozy</a></font></strong></p>
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		<title>Anatomia do pânico com o Morgan Stanley</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/anatomia-do-panico-com-o-morgan-stanley/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 16:47:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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&#160;
&#160;
Susan Pulliam, Liz Rappaport, Aaron Lucchetti, Jenny Strasburg e Tom McGinty, The Wall Street Journal &#8211; VALOR
Dois dias depois que a Lehman Brothers Holdings pediu concordata, espalhou-se um boato explosivo: outra grande firma de Wall Street, o Morgan Stanley, estava prestes a quebrar. O que se dizia no mercado naquele 17 de setembro é que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://arcade.ya.com/xvtedicion/bin/piratas.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://arcade.ya.com/xvtedicion/bin/piratas.jpg" width="514" height="386" /></div>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Susan Pulliam, Liz Rappaport, Aaron Lucchetti, Jenny Strasburg e Tom McGinty, The Wall Street Journal &#8211; VALOR</strong></p>
<p>Dois dias depois que a Lehman Brothers Holdings pediu concordata, espalhou-se um boato explosivo: outra grande firma de Wall Street, o Morgan Stanley, estava prestes a quebrar. O que se dizia no mercado naquele 17 de setembro é que o Deutsche Bank AG tinha cancelado uma linha de crédito de US$ 25 bilhões para o banco de investimento.</p>
<p>Não era verdade, mas o boato ajudou a desencadear uma cascata de apostas contra o Morgan Stanley. O diretor-presidente John Mack queixou-se amargamente de que operadores desejosos de lucros estavam semeando o pânico. Mas faltava uma informação essencial: quem, exatamente, estava por trás dessas transações?</p>
<p>Registros de transações examinados pelo Wall Street Journal oferecem agora uma resposta parcial. Esses documentos revelam que algumas das maiores firmas de Wall Street &#8211; Merrill Lynch &amp; Co., Citigroup Inc., Deutsche Bank e UBS AG &#8211; estavam apostando pesado contra o Morgan. A estratégia dessas firmas era usar complicados instrumentos financeiros chamados swaps de crédito, uma forma de seguro contra perdas com crédito.</p>
<p>Um exame dessas transações feito pelo WSJ também revela que os swaps tiveram papel importante ao amplificar a avaliação pessimista do mercado sobre o Morgan Stanley, o que, por sua vez, levou os operadores a investir contra as ações da firma, vendendo-as a descoberto. A inter-relação entre as transações com swaps e a venda a descoberto acelerou a espiral descendente da firma.</p>
<p>Este relato foi elaborado a partir dos registros das transações e de mais de 70 entrevistas com executivos de Wall Street, operadores, corretores, administradores de fundos de hedge, investigadores e autoridade reguladoras.</p>
<p>Durante anos, a venda de swaps de crédito foi uma mina de ouro para Wall Street. Mas, por ironia, naqueles dias tumultuados de setembro, o mercado de swaps virou-se contra o Morgan Stanley como um Frankenstein financeiro. Esse mercado se tornou um termômetro bem visível do Pânico de 2008, insuflando a crise que acabou exigindo a intervenção do governo.</p>
<p>Outras firmas também estavam negociando com swaps do Morgan em 17 de setembro: Royal Bank of Canada, Swiss Re e vários fundos de hedge, como King Street Capital Management LLC e Owl Creek Asset Management LP.</p>
<p>A pressão também se intensificou em outra frente: houve um aumento nas vendas a descoberto &#8211; apostas contra as ações da Morgan &#8211; por parte de grandes fundos de hedge. No fim do dia, a ação do Morgan tinha caído 24%, e as autoridades temiam que investidores com práticas predatórias estavam mirando os bancos de investimento.</p>
<p>Esse tipo de transação, que já havia derrubado Bear Stearns Cos. e Lehman, fez com que as ações do Citigroup desabassem 60% na semana passada, o que forçou novo socorro do governo.</p>
<p>Os investigadores estão tentando identificar o que causou o caos do mercado em meados de setembro e saber se os swaps de crédito ou as ações do Morgan Stanley foram negociados de forma imprópria. O procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, o escritório em Manhattan da Procuradoria-Geral dos Estados Unidos e a comissão de valores mobiliários americana (SEC) estão investigando se houve manipulação do mercado por parte de corretores que teriam divulgado intencionalmente falsos boatos para lucrar com suas apostas. As investigações também querem verificar se os operadores compraram swaps por altos preços para provocar o medo quanto à estabilidade do Morgan e assim lucrar em outras aplicações, e se as transações envolveram cotações falsas e fechamento de negócios inexistentes, segundo pessoas a par do assunto.</p>
<p>Ainda não surgiu publicamente nenhuma prova de que qualquer firma tenha feito algo de errado em relação às ações ou swaps do Morgan Stanley. A maior parte das firmas afirma que comprou os swaps simplesmente para se proteger contra eventuais prejuízos com vários tipos de negócios que estavam fazendo com o Morgan. Algumas garantem que suas aplicações em swaps foram pequenas em relação a todas as transações desse tipo ocorridas naquele dia.</p>
<p>Provar que o preço de qualquer papel foi manipulado é extraordinariamente difícil. O mercado de swaps não é nada transparente: as transações são feitas por telefone e email entre os corretores, sem cotações públicas.</p>
<p>Erik Sirri, um diretor de mercados da SEC, afirma que o mercado de swaps é vulnerável à manipulação. &#8220;Transações de baixo volume em um mercado relativamente pequeno podem ser usadas para (&#8230;) sugerir que um crédito é considerado fraco pelo mercado&#8221;, disse ele em depoimento ao Congresso americano no mês passado. Sirri disse que a SEC temia que as transações com swaps estivessem causando investimentos prejudiciais às ações.</p>
<p>O Morgan tinha começado setembro em boa forma. Teve lucro nos dois primeiros trimestres fiscais, até 31 de maio. Ao contrário da Lehman, não tinha muita exposição aos créditos imobiliários residenciais de alto risco, embora estivesse exposto ao mercado de imóveis comerciais e de empréstimos alavancados. Mack sabia que os lucros do terceiro trimestre seriam maiores do que o esperado.</p>
<p>Em 14 de setembro, enquanto a Lehman se preparava para pedir concordata, Mack disse aos funcionários, em memorando interno, que o Morgan estava &#8220;em uma posição única para ter sucesso neste ambiente tão cheio de desafios&#8221;. No dia seguinte, a firma conseguiu alguns novos clientes de fundos de hedge que estavam fugindo da Lehman.</p>
<p>Mas os rumores corriam soltos, com operadores preocupados com qual firma de Wall Street seria a próxima a cair. A conversa nos fundos de hedge, segundo alguns operadores, é que o Morgan Stanley tinha US$ 200 bilhões em risco devido às suas transações com a seguradora American International Group Inc., então prestes a pedir concordata. Isso não era verdade. O Morgan informou à SEC que sua exposição à AIG era &#8220;irrelevante&#8221;.</p>
<p>Alguns corretores do J.P. Morgan Chase &amp; Co. estavam sugerindo a clientes do Morgan Stanley que era arriscado manter contas nessa firma, segundo pessoas a par do assunto. Mack queixou-se a James Dimon, diretor-presidente do J.P. Morgan, que pôs fim às conversas, segundo essas pessoas. Deutsche Bank, UBS e Credit Suisse também ofereceram seus serviços a fundos de hedge atendidos pelo Morgan, segundo pessoas a par do assunto.</p>
<p>No dia 16, a ação do Morgan desabou durante o dia, mas com uma recuperação no final do pregão. Alguns fundos de hedge retiraram seus recursos da firma, temendo que o Morgan seguisse os passos da Lehman no tribunal de falências, com risco de imobilizar os ativos dos clientes. Em um esforço para amainar as preocupações, o Morgan divulgou seus resultados naquela tarde, às 16h10, um dia antes do previsto.</p>
<p>&#8220;É muito importante devolver um pouco de sanidade ao mercado&#8221;, disse Colm Kelleher, diretor financeiro do Morgan, em teleconferência com investidores. &#8220;As coisas estão realmente saindo de controle, e boatos ridículos estão sendo repetidos.&#8221;</p>
<p>Glenn Schorr, analista do UBS, perguntou a Kelleher sobre o alto custo de proteção da dívida do Morgan Stanley no mercado de swaps. A proteção para US$ 10 milhões em dívidas do Morgan tinha subido para US$727.900 por ano, ante US$221.000 em 10 de setembro, segundo a CMA DataVision.</p>
<p>&#8220;Certas pessoas estão se concentrando nos swaps de crédito como desculpa para olhar para as ações&#8221;, respondeu Kelleher, sugerindo que os operadores que investiam nos swaps também estavam vendendo a descoberto ações do Morgan Stanley, apostando que elas cairiam.</p>
<p>É impossível saber com certeza qual era a motivação dos que compravam swaps do Morgan. Eles receberiam pagamentos caso o Morgan não pagasse títulos e empréstimos. Alguns desses compradores, sem dúvida, possuíam créditos do banco e estavam simplesmente tentando proteger-se contra uma eventual insolvência.</p>
<p>Mas os swaps também eram uma boa maneira de especular, para operadores que não detiam esses créditos. O valor do swap aumenta com o medo da inadimplência. Os operadores que apostavam no aumento dos temores sobre o Morgan Stanley podiam usar os swaps para obter um lucro rápido.</p>
<p>Em meio às incertezas daquele 16 de setembro, a Millennium Partners LP, fundo de hedge com US$ 13,5 bilhões, pediu para retirar US$ 800 milhões dos mais de US$ 1 bilhão que mantinha no Morgan, segundo pessoas a par dessas retiradas. Em separado, a Millennium também tinha vendido a descoberto ações do Morgan Stanley &#8211; parte de uma série de apostas na queda das ações de firmas financeiras, disse uma dessas pessoas. Além disso, a fundo de hedge comprou opções de venda, que lhe davam o direito de vender ações do Morgan no futuro a um preço determinado.</p>
<p>&#8220;Escute, nós precisamos proteger nossos ativos&#8221;, disse Israel Englander, presidente da Millennium, a um executivo do Morgan Stanley, segundo uma pessoa a par da conversa. &#8220;Não é nada pessoal.&#8221; Essas apostas na queda das ações, pequenas em comparação com o volume total de transações da Millennium, subiam de valor à medida que caíam as ações do Morgan.</p>
<p>Na manhã do dia 17, David &#8220;Tiger&#8221; Williams, presidente da Williams Trading LLC, que presta serviços de transações para fundos de hedge, ouviu um de seus operadores dizer que certo fundo havia transferido uma conta de US$ 800 milhões do Morgan Stanley para uma firma rival. O operador, que estava ao telefone com o gestor do fundo que retirou o dinheiro, perguntou por quê. O Morgan estava quebrando, respondeu o cliente.</p>
<p>Pressionado a dar detalhes, o administrador do fundo repetiu o rumor sobre o cancelamento da linha de crédito de US$ 25 bilhões por parte do Deutsche Bank. Williams passou a dar vários telefonemas, mas suas fontes no mercado opinaram que se tratava de um boato falso.</p>
<p>Mas o estrago já estava feito. Às 7h10, um operador do Deutsche Bank cotou em US$ 750.000 a compra de proteção para US$ 10 milhões em dívida do Morgan. Às 10h, o Citigroup e outros operadores já cotavam preços de US$ 890.000. E à medida que se alastrava o boato sobre o Deutsche, as ações do Morgan despencaram, de cerca de US$ 26 às 10h para perto de US$ 16 às 11h30.</p>
<p>Antes do meio-dia, operadores de swap começaram a cotar o custo de seguro para o Morgan em &#8220;pontos adiantados&#8221; &#8211; jargão de Wall Street para transações em que os compradores têm de pagar pelo menos US$ 1 milhão adiantado, mais um prêmio anual, para segurar US$ 10 milhões em dívida. No caso do Morgan Stanley, alguns operadores estavam exigindo mais de US$ 2 milhões adiantados.</p>
<p>Durante o dia, a Merrill comprou swaps para cobrir US$ 106,2 milhões em dívida do Morgan Stanley, segundo os documentos das transações. A King Street comprou swaps que cobriam US$ 79,3 milhões; o Deutsche Bank, US$ 50,6 milhões; a Swiss Re, US$ 40 milhões; a Owl Creek, US$ 35,5 milhões; UBS e Citigroup; US$ 35 milhões cada; Royal Bank of Canada, US$ 33 milhões; e ACM Global Credit, um fundo de investimento operado pela AllianceBernstein Holding, US$ 28 milhões, segundo os documentos.</p>
<p>No dia seguinte, 18 de setembro, algumas dessas mesmas firmas estavam de volta ao mercado. A Merrill comprou proteção para outros US$ 43 milhões em dívida do Morgan; o Royal Bank of Canada, US$ 36 milhões; a King Street, US$ 30,7 milhões; e o Citigroup, US$ 20,7 milhões, indicam os registros.</p>
<p>Nenhuma das firmas comenta quanto pagou pelos swaps, ou se lucraram com as operações.</p>
<p>&#8220;A proteção que compramos foi um simples hedge, não baseado em nenhuma visão negativa do Morgan Stanley&#8221;, diz John Meyers, um porta-voz da AllianceBernstein. Um porta-voz do Royal Bank of Canada diz que o banco comprou os swaps para administrar seu &#8220;risco de crédito&#8221; com o Morgan Stanley e que não estava &#8220;apostando contra o Morgan Stanley nem realizou apostas na baixa de sua ação&#8221;.</p>
<p>A King Street, um fundo de hedge com US$ 16,5 bilhões, comprou os swaps para cobrir sua exposição ao Morgan Stanley, que incluía títulos de renda fixa, segundo uma pessoa ligada ao fundo. O fundo não tinha uma posição vendida na ação, diz essa pessoa.</p>
<p>Porta-vozes de Deutsche Bank e Citigroup dizem que as transações deles foram relativamente pequenas e com o propósito de proteger contra perdas em outros investimentos relacionados ao Morgan, e para atender a ordens dos clientes. Um porta-voz da Owl Creek diz que ela comprou os swaps &#8220;para segurar o colateral que tínhamos no Morgan Stanley na época&#8221;, e que continua a fazer negócios com a firma.</p>
<p>Merrill, UBS e Swiss Re negaram-se a prestar comentários.</p>
<p>Durante o frenesi de transações em 17 de setembro, Mack havia começado a discutir uma fusão com o Wachovia Corp. Quatro dias depois, o Morgan Stanley alterou o curso, tornando-se uma holding bancária e ganhando maior acesso a recursos do governo. No mês passado, depois de captar US$ 9 bilhões do japonês Mitsubishi UFJ Financial Group, o Morgan recebeu US$ 10 bilhões do governo americano.</p>
<p>O Morgan Stanley precisa agora revisar sua estratégia para lidar com um ambiente avesso a risco e com a supervisão mais rígida do governo que acompanha a condição de holding bancária. Este mês, o banco anunciou que demitiria 2.300 empregados, ou 5% do total.</p>
<p>O custo de segurar sua dívida caiu. Ontem sua ação subiu 33,13% e fechou a US$ 13,38.</p>
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		<title>&#8221;Consertar o sistema financeiro não impede a recessão&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Oct 2008 11:50:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Investidor diz que mercado não pode corrigir a si mesmo e que agora o poder econômico está pendendo para a Ásia
Nathan Gardels &#8211; O Estado de São Paulo
O investidor e filantropo George Soros conversou com o editor da Global Viewpoint sobre a crise financeira internacional. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Falemos sobre a natureza [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.sweetness-light.com/wp-content/photos/Democrats/_PH2005062701715.jpg" alt="http://www.sweetness-light.com/wp-content/photos/Democrats/_PH2005062701715.jpg" /></div>
<p><strong>Investidor diz que mercado não pode corrigir a si mesmo e que agora o poder econômico está pendendo para a Ásia</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Nathan Gardels &#8211; O Estado de São Paulo</strong></p>
<p>O investidor e filantropo George Soros conversou com o editor da <strong>Global Viewpoint</strong> sobre a crise financeira internacional. A seguir, os principais trechos da entrevista.</p>
<p><strong>Falemos sobre a natureza da crise.</strong></p>
<p>Graças às baixas taxas de juros, à liquidez global e à desregulamentação, vivemos durante 25 anos numa bolha de expansão do crédito que aumentava a si mesma, o que levou à &#8220;exuberância irracional&#8221; nos mercados financeiros. Agora vemos uma quebra dos mercados de ações e de crédito que alimenta a si mesma &#8211; &#8220;desespero irracional&#8221; &#8211; sem encontrar justificativa nas leis fundamentais da economia real.</p>
<p><strong>Como este padrão reflete seu novo paradigma para a compreensão das finanças?</strong></p>
<p>A chave para a compreensão da crise é perceber que ela foi gerada dentro do próprio sistema financeiro. Não é o resultado de algum tipo de choque exógeno que tirou as coisas do seu equilíbrio, conforme sugeriria o paradigma mais difundido, que supõe a existência da capacidade do mercado de se autocorrigir. A realidade é que os mercados financeiros desestabilizam a si mesmos; ocasionalmente eles tendem ao desequilíbrio, e não ao equilíbrio. O paradigma que proponho difere da sabedoria convencional. Em primeiro lugar, os mercados financeiros não refletem as verdadeiras leis fundamentais da economia. As expectativas dos corretores e dos investidores estão sempre distorcendo essas leis. Em segundo lugar, essas distorções no mercado podem afetar as leis fundamentais &#8211; como vemos tanto nas bolhas quanto nas quebras. A euforia pode elevar os preços das moradias e das empresas ponto.com; o pânico é capaz de derrubar bancos sólidos. Essa conexão de mão-dupla &#8211; você afeta aquilo que você reflete &#8211; é o que eu chamo de &#8220;reflexividade&#8221;.<br />
<strong><br />
Qual deveria ser o &#8220;circuit-breaker&#8221; capaz de subverter as distorções que inevitavelmente desestabilizam os mercados?</strong></p>
<p>Se as bolhas são endêmicas ao sistema, os reguladores têm de intervir para impedir que se tornem grandes demais. Os governos precisam reconhecer o fato de que os mercados não são capazes de corrigir a si mesmos. Não basta recolher os pedaços depois da crise.</p>
<p><strong>O sr. acha que a presença de um ciclo de notícias econômicas de 24 horas amplifica e exagera as distorções nos mercados financeiros?</strong></p>
<p>Sem dúvida isso acelera o processo. Ao mesmo tempo, eu não atribuiria a isso uma importância excessiva. No final do século 19, não havia transmissão de notícias durante 24 horas, mas ainda assim formava-se o mesmo tipo de bolha. Durante o século 19, quando a regulação era insuficiente, as crises aconteciam sucessivamente. Cada crise provocava alguma reforma. Foi assim que se desenvolveu a instituição do banco central.</p>
<p><strong>Como é possível que todo o esforço do governo americano &#8211; incluindo o pacote de resgate de US$ 700 bilhões e a baixa taxa de juros &#8211; não tenha sido capaz de impedir a crise?</strong></p>
<p>As autoridades americanas compraram uma ideologia de fundamentalismo de mercado. Elas pensaram que afinal os mercados iriam corrigir a si mesmos. O secretário do tesouro, Henry Paulson, representou a epítome deste raciocínio. Ele pensou que, seis meses depois da crise do Bear Sterns, o mercado teria se ajustado e, &#8220;Bem, se o Lehman Brothers quebrar, o sistema será capaz de suportar as conseqüências&#8221;. Ao invés disso, tudo começou a desabar. Por não compreender a natureza do problema não viram necessidade de intervenção por parte do governo. Eles não prepararam um plano B. Conforme o choque da falência do Lehman começou a se fazer sentir, Paulson foi obrigado a mudar de idéia e socorrer a AIG. No dia seguinte viu-se uma corrida aos mercados monetários e de papel de curto prazo, e então deu meia-volta novamente e disse que precisávamos de um pacote de resgate de 700 bilhões. Mas ele queria botar o dinheiro no lugar errado &#8211; tirando das mãos dos bancos os valores mobiliários tóxicos. Finalmente voltaram ao rumo certo &#8211; com o governo comprando participação nos bancos &#8211; porque percebem que o sistema financeiro está à beira do colapso.</p>
<p><strong>Quais são os elementos-chave para a solução da crise?</strong></p>
<p>Há cinco elementos principais. (1) Em primeiro lugar, o governo precisa recapitalizar o sistema bancário através da compra de participação nos bancos. (2) Os empréstimos interbancários precisam ser reiniciados com garantias. Esse processo está em andamento. (3) Precisamos reformar o sistema hipotecário dos EUA, minimizando as execuções e renegociando empréstimos para que as hipotecas não tenham valor superior ao das casas. (4) A Europa precisa consertar uma fraqueza do euro com a criação de uma rede de segurança para seus bancos. Eles resolveram este problema no seu encontro em Paris. (5) O FMI precisa lidar com a vulnerabilidade dos países da periferia do sistema financeiro global através do oferecimento de uma rede de segurança. Esse processo também está encaminhado. Essas medidas darão início à recuperação. Se as implementarmos com eficácia, teremos suportado o pior da crise financeira. Mas temo que sejam inevitáveis as conseqüências sobre a economia real.Consertar o sistema financeiro não impedirá uma grave recessão mundial.<br />
<strong><br />
Quando tudo terminar, teremos uma paisagem financeira muito diferente?</strong></p>
<p>A influência dos EUA vai minguar. Já entrou em declínio. Durante os últimos 25 anos, estivemos sustentando um contínuo déficit em conta corrente. Os chineses e os países produtores de petróleo mantiveram lucros. Consumimos mais que produzimos. Enquanto aumentávamos as dívidas, eles obtiveram riqueza com suas poupanças. Cada vez mais, os chineses serão os donos do mundo, pois estarão convertendo suas reservas de dólares e seus títulos do governo americano em ativos e bens reais.</p>
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		<title>Crise no mercado financeiro e recuperação da confiança</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 11:08:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Dada a reação pronta e geralmente competente dos governos de todos os países, que compreenderam a gravidade do problema, não há razão para pessimismo
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
COLUNISTA DA FOLHA
A crise financeira que assola o mundo é grave. Nada lhe é comparável desde 1929. É uma profunda crise de confiança decorrente de uma cadeia de empréstimos originalmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.graphic-evolution.fr/photos/actualite/actualite-1087_0.jpg" alt="http://www.graphic-evolution.fr/photos/actualite/actualite-1087_0.jpg" /></div>
<p><strong>Dada a reação pronta e geralmente competente dos governos de todos os países, que compreenderam a gravidade do problema, não há razão para pessimismo</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA</p>
<p>COLUNISTA DA FOLHA</p>
<p>A crise financeira que assola o mundo é grave. Nada lhe é comparável desde 1929. É uma profunda crise de confiança decorrente de uma cadeia de empréstimos originalmente imobiliários baseados em devedores insolventes que, ao levar os agentes econômicos a preferirem a liquidez e assim liquidarem seus créditos, está levando bancos e outras empresas financeiras à situação de quebra mesmo que elas próprias estejam solventes. Entretanto, dada a reação pronta e geralmente competente dos governos de todos os países, que compreenderam a gravidade do problema e pouco hesitaram antes de tomar medidas para aumentar a solvência e garantir a liquidez dos mercados, não há razão para pessimismo. Estou seguro de que em breve a razão voltará aos mercados, as Bolsas recuperarão parte de suas perdas, as taxas cambiais voltarão a se estabilizar, e a recessão inevitável não terá nada de parecido com a crise de 1929.<br />
Há uma série de fatos que hoje estão claros a respeito desta crise financeira. Primeiro, sabemos que é uma crise bancária que ocorre no centro do capitalismo, não é uma crise de balanço de pagamentos comuns entre os países em desenvolvimento que tentavam até os anos 1990 crescer com poupança externa, ou seja, com déficit em conta corrente e endividamento externo. Os grandes déficits em conta corrente que marcaram a economia americana nesta década combinados com grandes déficits públicos não são, porém, estranhos à crise bancária. A falta de confiança não é apenas nos bancos e no mercado, é também na economia americana como um todo.<br />
Segundo, sabemos que a causa direta da crise foi a concessão de empréstimos hipotecários de forma irresponsável, para credores que não tinham capacidade de pagar ou que não a teriam a partir do momento em que a taxa de juros começasse a subir. E sabemos também que esse fato não teria sido tão grave se os agentes financeiros não houvessem recorrido a irresponsáveis &#8220;inovações financeiras&#8221; para securitizar os títulos podres transformando-os em títulos AAA por obra e graça não do Espírito Santo, mas de agências de risco interessadas em agradar seus clientes.<br />
Terceiro, sabemos que tudo isso pode ocorrer porque os sistemas financeiros nacionais foram sistematicamente desregulados desde que, em meados dos anos 1970, começou a se formar a onda ideológica neoliberal ou fundamentalista de mercado. Para ela, os mercados são sempre eficientes, ou, pelo menos, mais eficientes do que qualquer intervenção corretiva do Estado e, portanto, podem ser auto-regulados. Para essa ideologia, que desde o governo Reagan se transformou no instrumento do &#8220;soft power&#8221; americano, esse era o sistema econômico mais eficiente, único caminho para os demais países dado que as alternativas seriam formas de &#8220;socialismo social democrata&#8221; europeu, de &#8220;populismo&#8221; no terceiro mundo e de &#8220;estatismo disfarçado&#8221; na Rússia e na China, que seriam muito inferiores.<br />
Quarto, sabemos que essa ideologia ultraliberal era legitimada nos Estados Unidos pela teoria econômica neoclássica, uma escola de pensamento que foi dominante entre 1870 e 1930, então entrou em crise e foi substituída pela teoria macroeconômica keynesiana, que se tornou dominante nas universidades até meados dos anos 1970, e voltou à condição dominante desde então por razões essencialmente ideológicas.<br />
Economistas como Milton Friedman, James Buchanam, Mancur Olson, Robert Lucas, Kydland e Prescott apontaram sua armas contra o Estado e se encarregaram de demonstrar matematicamente, &#8220;cientificamente&#8221;, com o auxílio dos pressupostos do Homo economicus, das &#8220;expectativas racionais&#8221; e da &#8220;escolha racional&#8221; que o credo neoliberal era correto.<br />
Quinto, sabemos que esse tipo de teoria econômica não foi utilizado tanto pelos formuladores de política econômica nos governos quanto pelos analistas de macroeconomia nas empresas e nos jornais e publicações especializadas.<br />
Não foram utilizados porque a pressuposição neoclássica de mercados eficientes dispensa qualquer política econômica a não ser a de ajuste fiscal; o resto deve ser liberalizado, desregulado, já que os mercados seriam auto-regulados. Como os governos e os analistas precisavam orientar sua política monetária, continuaram a usar o instrumental keynesiano de forma pragmática. Os experimentos macroeconômicos neoclássicos foram reservados para os países em desenvolvimento. Como, entretanto, os países ricos liderados pelos Estados Unidos não escaparam da prescrição desreguladora agiram como o escorpião que morde sua própria cauda.<br />
Sexto, agora, quando vemos o Estado surgir em cada país como a única tábua de salvação, fica evidente o absurdo da oposição entre mercado e Estado proposta por neoliberais e neoclássicos. Um liberal pode opor coordenação do mercado à do Estado, mas não pode se colocar, como os liberais se colocaram, contra o Estado, buscando diminuí-lo. O Estado é muito maior do que o mercado; é o sistema constitucional-legal e a organização que a garante; é o instrumento por excelência de ação coletiva da nação. Cabe ao Estado regular e garantir o mercado e, como vemos agora, servir de emprestador de última instância.<br />
Tudo isso está muito claro. O que não está claro é por que os mercados estão resistindo a recuperar a confiança apesar das medidas fortes que os governos estão tomando. Não tenho resposta segura para essa questão, mas creio que dois fatores contribuem para a profundidade da desconfiança: de um lado, o enfraquecimento da hegemonia americana nos anos 2000, não apenas devido aos déficits gêmeos, mas também à Guerra do Iraque, aos abusos contra os direitos humanos e à instrumentação da democracia como forma de dominação. De outro, um erro grave e pontual cometido pelo Tesouro americano: não ter salvo o Lehman Brothers. Bancos grandes não podem ir à falência; o risco de crise sistêmica é muito grande.<br />
Foi a partir dessa decisão que o quadro financeiro mundial entrou em franca deterioração.<br />
O salvamento da AIG no dia seguinte, o pacote de US$ 700 bilhões para dar solvência aos bancos, as diversas intervenções de bancos europeus garantindo seus próprios bancos e garantindo os cidadãos depositantes, e a baixa coordenada de juros pelos bancos centrais não fizeram efeito até agora.<br />
Essa resistência dos mercados financeiros às ações dos governos é mais uma demonstração de sua irracionalidade. De seu clássico comportamento reflexivo e de manada. Estou seguro, entretanto, que a confiança voltará em breve. Não plenamente. Certamente com cicatrizes para os EUA e com prejuízos para todos, inclusive cerca de dois anos de recessão.<br />
Mas não teremos nada parecido com a depressão dos anos 1930, porque, naquela época, o governo americano demorou quase quatro anos para agir.<br />
Agora, usando instrumentos keynesianos e pragmáticos, não apenas o governo americano, mas todos os governos relevantes financeiramente estão agindo imediatamente, e com força. E são governos que têm por trás de si Estados fortes, democráticos, dotados de legitimidade política e de recursos fiscais vultosos. Não há razão para que não sejam afinal bem-sucedidos e a confiança seja recuperada.</p>
<p><strong>LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 74, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de &#8220;Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994&#8243;.</strong></p>
<p><strong>Internet: www.bresserpereira.org.br<br />
lcbresser@uol.com.br</strong></p>
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		<title>Mundo está à beira de estatizar sistema bancário</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 12:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Especialistas vêem retorno a velhas ideologias e regulação mais rígida

Fernando Dantas &#8211; O Estado de São Paulo
O mundo assiste a uma grande onda de intervenção estatal no setor bancário privado. Nos Estados Unidos, o governo ajudou financeiramente o JP Morgan Chase a comprar o Bear Stearns em março, quando tudo começou, e deu garantias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Especialistas vêem retorno a velhas ideologias e regulação mais rígida</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://images.askmen.com/toys/top_10_150/166_top_10_list.jpg" alt="http://images.askmen.com/toys/top_10_150/166_top_10_list.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Fernando Dantas &#8211; O Estado de São Paulo</strong></p>
<p>O mundo assiste a uma grande onda de intervenção estatal no setor bancário privado. Nos Estados Unidos, o governo ajudou financeiramente o JP Morgan Chase a comprar o Bear Stearns em março, quando tudo começou, e deu garantias contra perdas ao Citi para este absorver o Wachovia (que agora podem ser suspensas como resultado da disputa do Citi com o Wells Fargo).</p>
<p>Fora do sistema estritamente bancário, o governo americano assumiu o controle das gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac e virtualmente estatizou por US$ 85 bilhões (em forma de empréstimo) a seguradora AIG. Além disso, estendeu em centenas de bilhões de dólares as linhas de liquidez aos bancos, fechou os olhos para a qualidade das garantias recebidas, decidiu remunerar os depósitos compulsórios e usou seu poder de pressão para provocar outras fusões de bancos.</p>
<p>Na Europa, a Islândia parece na iminência de estatizar o sistema bancário, e países como Alemanha, Áustria, Espanha, Portugal, Dinamarca e Irlanda anunciaram medidas para introduzir ou estender a garantia aos depósitos. No caso da Irlanda, a garantia é tão ampla que provocou a ira dos seus pares na União Européia (UE), temerosos de uma corrida bancária em que depositantes transfiram recursos de bancos de outros nacionalidades para os irlandeses. Houve socorro estatal a bancos específicos como o Fortis, do Benelux, o alemão Hypo Real State, o britânico Bradford &amp; Bingley e o belga Dexia.</p>
<p>No caso do Fortis, a Holanda literalmente estatizou a parte nacional do banco. Entre os emergentes, medidas de socorro aos sistema bancário já foram tomadas na Rússia, Coréia, Chile e Brasil.</p>
<p>Há uma ironia no fato de que a maior onda de intervenção do Estado no sistema financeiro ocorre num momento em que a estatização bancária havia se tornado bandeira ideológica do passado, que hoje mal é desfraldada pelas poucas correntes mais à esquerda do espectro político. Esta invasão do setor público no sistema financeiro, aliás, não vem na esteira da política, mas sim das próprias finanças, já que os bancos quase quebrados, depois da farra da desregulamentação excessiva, são uma enorme ameaça à economia real.</p>
<p>Em recentes artigos no seu blog no site do Financial Times, o economista holandês Willem Buiter abordou provocativamente (mas sem um apoio claro) a questão da estatização do sistema bancário. Segundo Buiter, &#8220;há um antigo argumento de que não há razão real para a propriedade privada de instituições bancárias que recebem depósitos, porque elas não podem existir seguramente sem esquemas de garantia de depósito ou de emprestador de última instância, que são em última instância bancadas pelo contribuinte&#8221;.</p>
<p>Armando Castelar, da Gávea Investimentos, acha que, se a crise for às últimas conseqüências, pode-se chegar até o ponto da estatização em alguns países, mas como uma etapa temporária, ao fim da qual os bancos seriam repassados novamente à iniciativa privada. Ele nota que perdas ao contribuinte também muitas vezes ocorrem com bancos públicos, como no caso do Brasil, em que recapitalizações do Banco do Brasil tiveram um custo de vários bilhões de reais. &#8220;O Proer foi mais barato do que o socorro aos bancos estaduais e federais&#8221;, diz Castelar.</p>
<p>Ele prevê um futuro de regulação mais dura dos bancos, visão com a qual concorda o economista Fernando Ferrari Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e presidente da Associação Keynesiana Brasileira. &#8220;Não diria que tem de haver um processo de estatização, mas não há dúvida de que devemos entrar numa fase de regulação muito mais forte&#8221;, diz Ferrari Filho. Ele defende a restauração de alguns pontos da chamada arquitetura financeira internacional de Bretton Woods, como mais controles de capital e a recuperação por parte das autoridades econômicas da capacidade de estabelecer parâmetros para a trajetória do câmbio e do crédito.</p>
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		<title>Esclarecendo o risco</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2008 12:17:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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David Leonhardt * &#8211; O Estado de São Paulo
Em 1929, Meyer Mishkin era o proprietário de um estabelecimento em Nova York que vendia camisas de seda aos trabalhadores. Quando o mercado de ações faliu naquele mês de outubro, ele se voltou para o filho, na época um estudante da Universidade Municipal, e ofereceu uma versão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/b0210200801.jpg" alt="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/b0210200801.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>David Leonhardt * &#8211; O Estado de São Paulo</strong></p>
<p>Em 1929, Meyer Mishkin era o proprietário de um estabelecimento em Nova York que vendia camisas de seda aos trabalhadores. Quando o mercado de ações faliu naquele mês de outubro, ele se voltou para o filho, na época um estudante da Universidade Municipal, e ofereceu uma versão dos seus sentimentos: &#8220;É isso que merecem aqueles ricaços&#8221;.</p>
<p>Um ano depois, com os problemas de Wall Street se espalhando para toda a economia, a loja de Mishkin faliu. Ele não tinha mais fregueses o bastante. O seu filho teve que trabalhar para ajudar a sustentar a família e Mishkin nunca mais conseguiu um emprego estável.</p>
<p>Frederic Mishkin &#8211; neto de Meyer e, até abrir mão do cargo no mês passado, um dos aliados de Ben Bernanke no Federal Reserve &#8211; me contou essa história outro dia, e a moral que ela contém é bastante óbvia.</p>
<p>Muitos em Washington temem que o país entre numa espiral rumo a um terrível declínio. E para horror dessas pessoas, elas vêem o público e muitos dos membros do Congresso se transformando em versões contemporâneas de Meyer Mishkin, mais interessados em castigar Wall Street do que em salvar a economia.</p>
<p>Tudo isso pode ser verdade. Mas há boas razões para o ceticismo da população. Os especialistas em política econômica tão desesperados para tomar alguma atitude não foram capazes de contar uma história convincente para explicar aquilo que tanto temem.</p>
<p>Não basta dizer que os mercados poderiam congelar, os empréstimos poderiam se tornar impossíveis e a economia poderia escorregar até entrar no pior declínio desde a Grande Depressão. Por enquanto, a crise teve pouco efeito sobre a maioria dos americanos, a não ser sobre o seu plano de aposentadoria. Assim, o espectro de uma depressão pode soar como alarmismo, e o pacote de US$ 700 bilhões que a Câmara rejeitou esta semana pode parecer um resgate para ricos.</p>
<p>Bernanke e os seus companheiros de preocupação precisam ligar os pontos. Eles precisam ensinar ao público uma pequena lição sobre a economia de uma crise de crédito &#8211; como A pode levar a B, B a C e C a Depressão.</p>
<p>Vamos tentar oferecer uma explicação. Por que estamos falando sobre a Grande Depressão, afinal? Praticamente nenhum economista acredita que mesmo um terrível declínio possa sequer se parecer com a Depressão. O governo já respondeu de maneira mais agressiva do que na época de Herbert Hoover. Assim, uma contração semelhante à Depressão &#8211; uma queda de 30% na atividade econômica &#8211; é muito improvável. O país também está hoje muito mais rico, o que significa que uma parcela muito menor da população vive no limiar do desespero. Não importa o que aconteça, não veremos surgir favelas.</p>
<p>Mas a Depressão ainda é relevante, porque a mecânica básica de como a economia entra numa recessão severa parece muito com aquela que provocou a Depressão. Em ambos os casos, no centro da história há uma crise de crédito.</p>
<p>No início da década de 1930, apesar de tudo que acontecera em Walk Street, a economia dos EUA ainda não entrara em colapso. O gasto dos consumidores e os investimentos em negócios estavam em baixa, mas não de maneira tão drástica.</p>
<p>No fim de 1930, no entanto, vários pânicos começaram entre os bancos. Os investimentos dos bancos iam mal &#8211; ou, em certos casos, havia o boato de que fossem mal &#8211; e os fregueses nervosos sitiaram as filiais dos bancos para exigir de volta o seu dinheiro. Centenas de bancos acabaram fechando as portas.</p>
<p>Depois de um banco de uma determinada cidade fechar as portas, todo o conhecimento acumulado pelos funcionários do banco desapareceu. Outros bancos não estavam nem de longe tão dispostos a emprestar dinheiro a negócios e residentes locais porque os funcionários credores nestes bancos não sabiam quais clientes era menos confiáveis do que aparentavam ser. A fonte do crédito secou.</p>
<p>&#8220;Se um sujeito enxerga uma boa oportunidade de investimento e não consegue acesso ao financiamento, ele não pode aproveitá-la&#8221;, destaca Mishkin, agora professor de economia na Universidade de Columbia. &#8220;É aí que a economia entra em colapso.&#8221; Ou, conforme Adam Posen, outro economista, &#8220;foi então que a Depressão de tornou a Grande Depressão&#8221;.</p>
<p>Jovem acadêmico de Economia na década de 1980, Bernanke desenvolveu a teoria de que o conhecimento perdido dos funcionários dos bancos foi uma das principais causas da Depressão. Ele se referiu (com o seu co-autor, Mark Gertler) a esse conhecimento perdido como &#8220;capital informacional&#8221;. Significa que a confiança desapareceu no setor bancário.</p>
<p>O mesmo está ocorrendo agora. Os mercados financeiros são hoje globais, de modo que o problema não é que a falência de um banco possa impedir os clientes de acessar os mercados de crédito. Em vez disso, as desagradáveis surpresas dos últimos 13 meses &#8211; o tipo de caos que já foi inimaginável &#8211; provocaram um colapso no capital informacional. Os banqueiros agora olham para os clientes antigos e pensam aquele velho refrão de um casamento fracassado: &#8220;sinto como se nem mesmo o conhecesse mais&#8221;.</p>
<p>O Bear Sterns, por exemplo, deveria ter garantias reais tangíveis e sólidas por trás de algumas das suas dívidas, de modo que certos credores fossem pagos não importando as circunstâncias. Mas não tinha essas garantias, e a dívida não foi paga.</p>
<p>O estágio atual e mais sério da crise começou há duas semanas, depois do colapso do Lehman Brothers e da aquisição da AIG pelo Fed. Esses eventos provocaram mais medo. Em vez de realizar muitos empréstimos, os bancos despejaram seu dinheiro em títulos do Tesouro, que pagam juro baixíssimo, mas também têm risco quase inexistente. Sobre os poucos empréstimos que fizeram, os bancos exigiram taxas de juro mais altas. Nas últimas duas semanas, as taxas de juros continuaram a aumentar, e são essas taxas que deveríamos observar, não o mercado de ações.</p>
<p>O ponto central é que uma economia moderna não pode funcionar quando as pessoas não têm fácil acesso ao crédito. Demora um pouco até isso se tornar óbvio, já que a maioria das empresas e das pessoas não solicita empréstimos vultosos todos os dias. Mas acabará se tornando óbvio, e de uma maneira dolorosa. Já estamos vendo uma escassez no financiamento de automóveis provocar uma queda ainda maior nas vendas do setor automobilístico.</p>
<p>Será que a crise atual poderia ser combatida &#8211; será que os bancos poderiam decidir que estão perdendo lucrativas oportunidades de investimento &#8211; sem um fundo governamental de US$ 700 bilhões para livrar Wall Street de alguns dos seus valores mobiliários mais assustadores? Claro que sim.</p>
<p>Estaria o Congresso certo em lutar por um programa factível que seja tão barato e rigoroso com Wall Street quanto possível? Absolutamente sim. Mas, afinal, não se trata de Wall Street. Trata-se de reduzir o risco de que algo ruim aconteça. Trata-se de limitar os danos provocados pelos excessos financeiros da década passada.</p>
<p>Infelizmente, não se pode realizar isso sem também oferecer ajuda a Wall Street. É lá que ficam os nossos mercados de crédito, e precisamos que eles voltem a funcionar. &#8220;Estamos enfrentando uma grande crise nacional&#8221;, como diz o neto de Meyer Mishkin. &#8220;Não fazer nada agora é repetir o que foi feito na Grande Depressão.&#8221;</p>
<p><strong>*O autor escreve para o &#8216;The New York Times&#8217;</strong></p>
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		<title>Est-ce la fin du capitalisme financier de type anglo-saxon ? Six économistes répondent</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 17:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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AP/Richard Drew &#8211; Six économistes pensent que la crise économique est majeure mais tous n&#8217;en concluent pas qu&#8217;un renforcement de la régulation financière soit une nécessité.
par Claire Gatinois et Yves Mamou &#8211; Le Monde
Daniel Cohen, professeur à l&#8217;Ecole normale supérieure
Toute la finance de marché doit être remise à plat. L&#8217;attention des régulateurs, depuis la crise [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://medias.lemonde.fr/mmpub/edt/ill/2008/09/30/h_4_ill_1101153_trader.jpg" alt="Six économistes pensent que la crise économique est majeure mais tous n'en concluent pas qu'un renforcement de la régulation financière soit une nécessité." title="Six économistes pensent que la crise économique est majeure mais tous n'en concluent pas qu'un renforcement de la régulation financière soit une nécessité. | AP/Richard Drew" width="551" border="0" height="369" /><br />
<font size="1"><em>AP/Richard Drew &#8211; Six économistes pensent que la crise économique est majeure mais tous n&#8217;en concluent pas qu&#8217;un renforcement de la régulation financière soit une nécessité.</em></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">par Claire Gatinois et Yves Mamou &#8211; Le Monde</p>
<p><strong>Daniel Cohen, professeur à l&#8217;Ecole normale supérieure</strong></p>
<p>Toute la finance de marché doit être remise à plat. L&#8217;attention des régulateurs, depuis la crise de 1929, avait essentiellement porté sur les banques commerciales. La panique des déposants ayant été le principal vecteur de la crise financière des années 1930, la régulation s&#8217;est concentrée sur les banques de dépôt. Et cela a plutôt bien fonctionné. On n&#8217;observe aucune crise majeure du système bancaire américain après guerre.</p>
<p>L&#8217;un des buts principaux de la finance de marché a été de sortir de l&#8217;habitat réglementaire imposé aux banques. Les règles classiques imposent aux banques de détenir un dollar de capital environ pour 12 dollars de crédit. La finance de marché a permis à ses acteurs d&#8217;accorder 32 dollars de crédit pour un dollar de capital ! Les banques d&#8217;investissements, les hedge funds, les compagnies d&#8217;assurances ont profité des mailles de la régulation pour accroître le volant de leurs opérations. Les banques commerciales ont, de leur côté, créé des &#8220;véhicules&#8221; logés hors bilan pour s&#8217;affranchir (légalement) de la réglementation. Le résultat, on le connaît maintenant. Les 700 milliards de dollars que le gouvernement américain veut injecter dans le système en est le prix.</p>
<p>Tout le travail des prochaines années consistera à élaborer des règles qui remettront le dentifrice du capitalisme financier dans son tube. Il faudra imposer des règles prudentielles nouvelles à l&#8217;ensemble des acteurs, réguler la titrisation des créances, surveiller les agences de notations, réviser les normes comptables&#8230; Cette remise à plat concernera tous les pays. Un rôle &#8220;en or&#8221; pour le FMI&#8230;</p>
<p><strong>Nicolas Baverez, économiste-historien</strong></p>
<p>L&#8217;expression &#8220;capitalisme financier de type anglo-saxon&#8221; laisse entendre que seuls les Etats-Unis, la Grande-Bretagne et l&#8217;Irlande seraient en crise. En réalité, le choc ébranle le capitalisme mondialisé, dont la finance était la pointe avancée. Les pays qui épargnent et exportent comme la Chine, l&#8217;Allemagne ou le Japon sont touchés : l&#8217;excédent chinois diminue déjà, tandis que Chine, Russie ou Brésil volent au secours de leurs banques.</p>
<p>Nous assistons à une déflation par la dette comme en 1929 : l&#8217;éclatement d&#8217;une bulle de crédit mène à une contraction violente des patrimoines et des revenus, de l&#8217;activité et de l&#8217;emploi.</p>
<p>Deux grandes leçons se dégagent de la déflation des années 1930 : enrayer la cascade des faillites bancaires ; privilégier des solutions coopératives au plan international pour éviter la spirale des barrières protectionnistes et des dévaluations compétitives.</p>
<p>Aujourd&#8217;hui, le sauvetage des banques est engagé, mais sur une base nationale. La coopération internationale est inexistante, à commencer par le dialogue entre la Fed et la BCE. Ces politiques du &#8220;chacun pour soi&#8221; impliquent un coup d&#8217;arrêt à la mondialisation, à l&#8217;intégration des marchés et à l&#8217;ouverture des sociétés.</p>
<p>Le capitalisme sortira profondément transformé de cette crise : priorité à la sécurité sur le risque, avec une diminution de la croissance potentielle ; rééquilibrage entre l&#8217;Etat et le marché ; retour en grâce de l&#8217;industrie au détriment de la finance ; changement du modèle économique des banques avec une concentration des acteurs et un recentrage sur la banque commerciale ; déclin relatif des pays développés &#8211; notamment des Etats-Unis &#8211; et accélération du passage à un système économique multipolaire et hétérogène.</p>
<p><strong>Nouriel Roubini, professeur d&#8217;économie à l&#8217;université de New York, président de Roubini Global Economics Monitor</strong></p>
<p>La crise est le résultat des excès du libéralisme et du &#8220;laisser-faire&#8221; de ces dix dernières années. Les régulateurs ont cru aux vertus du marché libre et de l&#8217;autorégulation. Leur jugement était inapproprié. La leçon est claire : nous avons besoin d&#8217;une meilleure régulation. Aujourd&#8217;hui, le paradoxe est que, pour résoudre ces excès, l&#8217;Etat américain vire dans l&#8217;excès inverse. Il injecte tantôt 200 milliards de dollars pour nationaliser Freddie Mac et Fannie Mae, les deux géants du refinancement hypothécaire, tantôt 85 milliards pour recapitaliser l&#8217;assureur AIG. Les &#8220;USA&#8221; deviennent l&#8217;&#8221;URSSA&#8221;, l&#8217;Union des républiques socialistes soviétiques d&#8217;Amérique. Le gouvernement prend dans la précipitation des décisions lourdes de conséquences. On a le sentiment d&#8217;être dans une république bananière ! On passe ainsi d&#8217;un extrême à l&#8217;autre. La bonne voie est au milieu, avec une régulation plus stricte qui n&#8217;empêche pas l&#8217;innovation. On y arrivera sans doute après quelque temps.</p>
<p>Le &#8220;Far West&#8221; sauvage (de la finance) appartient-il au passé ? Il faut être prudent. D&#8217;ici à quelques années, on aura peut-être tout oublié. On a vécu beaucoup de crises : celle des années 1980, la récession des années 1990, l&#8217;éclatement de la bulle Internet en 2001. A chaque fois, une bulle se reforme avec de l&#8217;argent facile et des régulateurs qui s&#8217;endorment. Nous verrons !</p>
<p><strong><br />
Dominique Plihon, universitaire, président du conseil scientifique d&#8217;Attac</strong></p>
<p>La crise actuelle signe la faillite d&#8217;un capitalisme financier de spéculation et de prédation préjudiciable à la société. Les pays d&#8217;Europe qui se sont le mieux coulés dans les règles de ce capitalisme financier &#8211; l&#8217;Irlande et l&#8217;Espagne &#8211; sont ceux qui souffrent le plus.</p>
<p>Les banques centrales et les autorités de tutelle ont laissé faire. Jean-Claude Trichet, président de la BCE, ne pouvait ignorer les achats massifs des banques sur des titres risqués sur des marchés de gré à gré opaques et non régulés.</p>
<p>Ce capitalisme-là va devoir être réformé en profondeur. De nouvelles règles vont devoir être instaurées. Nous, altermondialistes, réclamons depuis longtemps un encadrement des acteurs financiers. Puisque le mouvement de nationalisation des banques est lancé, pourquoi ne pas constituer des pôles publics de développement, pays par pays, pour financer des projets qui étayent une croissance à long terme ? Rien n&#8217;empêche non plus une coordination au sein de l&#8217;Union européenne.</p>
<p>On peut objecter que les nationalisations bancaires du début des années 1980 ont été un échec, mais la faute en revient aux gouvernements qui ont imposé aux banques les mêmes règles de rentabilité que le secteur privé.</p>
<p><strong><br />
Pascal Salin, professeur à l&#8217;université Paris-Dauphine </strong></p>
<p>Le capitalisme financier n&#8217;est pas seulement anglo-saxon. Il est universel et a de beaux jours devant lui, tout simplement parce qu&#8217;il n&#8217;est pas une création arbitraire, comme pouvait l&#8217;être un système de type soviétique. Ce capitalisme-là est l&#8217;expression d&#8217;innombrables processus spontanés créés pour répondre aux besoins des êtres humains. Il remplit deux fonctions fondamentales : orienter les ressources d&#8217;épargne vers les activités où elles obtiennent la plus forte rentabilité et prendre en charge les risques de la manière la plus efficace. Certes, le capitalisme financier ne peut pas remplir ces fonctions de manière parfaite, parce que l&#8217;information ne peut jamais être parfaite. Mais il les remplit mieux que n&#8217;importe quel autre système imaginable.</p>
<p>Les difficultés actuelles ne sont en rien une manifestation de la faillite de ce système. En effet, la crise financière est essentiellement une crise de l&#8217;interventionnisme étatique. Elle résulte en particulier de l&#8217;extraordinaire instabilité de la politique monétaire américaine au début du XXIe siècle, politique monétaire qui n&#8217;est évidemment pas contrôlée par le marché, mais décidée arbitrairement par des autorités publiques.</p>
<p>Pour que ce capitalisme financier prenne fin, il faudrait ou bien que tout le système financier soit étatisé &#8211; ce qui est exclu &#8211; ou qu&#8217;il explose parce qu&#8217;il constituerait un système incohérent, ce qui n&#8217;est pas le cas. Sur le long terme, la crise actuelle apparaîtra comme un simple accident de parcours qui aura peut-être permis de liquider les entreprises financières les plus mal gérées et d&#8217;inciter les autres à mieux évaluer les risques. La plus grande menace vient du renforcement probable des réglementations.</p>
<p>Pierre-Alain Muet, économiste et député PS du Rhône</p>
<p>Il est essentiel de réintégrer, dans le champ de la réglementation et du contrôle, les activités de crédit effectuées par des organismes non bancaires, car ce sont ces fonds spéculatifs non régulés qui sont à l&#8217;origine des crises financières récentes.</p>
<p>Il faut imposer une obligation de transparence sur les produits financiers et sur le niveau des fonds spéculatifs détenus par les banques.</p>
<p>Il faut enfin, comme c&#8217;était le cas autrefois, séparer les activités de banques de marché de celles des banques commerciales.</p>
<p>La titrisation, c&#8217;est-à-dire la possibilité laissée à un créancier de se défaire de la totalité de sa créance, entraîne une forme d&#8217;irresponsabilité. Les fonds spéculatifs ont prêté sans tenir compte du risque sachant qu&#8217;ils arriveraient à se défausser de ce risque sur un tiers. Pour éviter cette dissémination du risque, il faut, d&#8217;une part, appliquer les règles définies dans les accords de Bâle II de la Banque des règlements internationaux en réintégrant la titrisation dans le bilan des banques et, surtout, obliger le premier créancier a conservé pour lui-même 30 % à 40 % du risque sur le prêt initial. Tout organisme autorisé à prêter serait ainsi obligé d&#8217;évaluer son risque comme un banquier doit le faire.</p>
<p>En bref, il faut revenir en partie à une économie d&#8217;intermédiation et sortir d&#8217;une économie de marché financier ou les effets de levier sont trop importants.</p>
<p>Les agences de notations ont certes une responsabilité, mais la régulation et le contrôle relèvent aussi de l&#8217;Etat vers qui tout le monde se tourne quand ca va mal. Le contrôle des organismes de marché, c&#8217;est le retour de l&#8217;Etat.</p>
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		<title>De Keynes a Paulson</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 13:57:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
John Maynard Keynes
David Ignatius* &#8211; O Globo
Henri Paulson com Bush
Em tempos como este, quando mesmo os mais sóbrios analistas especulam se estamos caminhando para outra Grande Depressão, é melhor respirar fundo, ir ao porão e tirar a poeira de um exemplar de um modesto estudo de John Maynard Keynes, de 1936, chamado “A teoria geral [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.businessweek.com/magazine/content/04_15/art04_15/0415_20innova.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.businessweek.com/magazine/content/04_15/art04_15/0415_20innova.jpg" width="342" height="385" /></div>
<div align="center"><font size="2"><em>John Maynard Keynes</em></font></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>David Ignatius* &#8211; O Globo</strong></p>
<p><font size="2"><em>Henri Paulson com Bush</em></font><img src="http://blogs.denverpost.com/lewis/wp-content/photos/paulson.JPG" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://blogs.denverpost.com/lewis/wp-content/photos/paulson.JPG" width="200" align="left" height="225" /></p>
<p>Em tempos como este, quando mesmo os mais sóbrios analistas especulam se estamos caminhando para outra Grande Depressão, é melhor respirar fundo, ir ao porão e tirar a poeira de um exemplar de um modesto estudo de John Maynard Keynes, de 1936, chamado “A teoria geral de emprego, juros e dinheiro”.</p>
<p>A maioria se lembra de Keynes da universidade, como aquele que defendia o déficit orçamentário para encorajar o crescimento em períodos de desaceleração. E isso era certamente parte de seu argumento. Mas, ao revisitar “A teoria geral”, chama a atenção o fato de ser um livro sobre pânicos econômicos e a psicologia do mercado que os produz — e a conseqüente necessidade de intervenção do governo.</p>
<p>Alguns trechos poderiam ter sido escritos esta semana para descrever as sucessivas quebras de Bear Stearns, Lehman Brothers e AIG.</p>
<p>O problema com os mercados financeiros, argumentou Keynes, era que os investidores eram periodicamente tomados por uma forma extrema do que chamou de “preferência de liquidez”, que os fazia aplicar dinheiro apenas nos investimentos mais seguros. “É da natureza dos mercados (&#8230;) que, quando a desilusão cai sobre um mercado superotimista e sobrecomprado, deveria cair com uma força súbita e até catastrófica”, escreveu ele.</p>
<p>“Depois de surgir, a dúvida se espalha rapidamente”.</p>
<p>É uma ótima descrição de Wall Street nos últimos meses.</p>
<p>Saímos de uma bolha de superentusiasmo, na qual os juros deram pouca atenção ao risco, para um estado de pânico no qual as instituições financeiras têm tanta aversão ao risco que não querem emprestar a ninguém.</p>
<p>A idéia revolucionária de Keynes era que os mercados financeiros não se autocorrigiam, como argumentavam economistas clássicos. Deixada a si própria, Wall Street poderia cair em uma armadilha de liquidez em que os mercados ficariam congelados e o investimento produtivo cessaria. Então restava ao governo tomar medidas para restaurar a confiança e estimular o investimento.</p>
<p>“Eu concluo que a tarefa de organizar o volume atual de investimento não pode ser deixada em mãos privadas”, escreveu ele.</p>
<p>O que nos traz ao secretário do Tesouro, Henry Paulson, e à crise atual. Desde o resgate do Bear Stearns, em março, Paulson vem tentando injetar dinheiro nos mercados. Mas cada medida de resgate somente prepara para o desastre seguinte — então Paulson passa de Bear Stearns para Fannie e Freddie para AIG, e agora para um pacote de US$ 700 bilhões.</p>
<p>Que conselho Keynes daria a Paulson e ao presidente do Fed, Ben Bernanke? Seu primeiro impulso, imagino, seria reiterar que os mercados, deixados a si próprios, não vão resolver esse tipo de crise.</p>
<p>Eles precisam de ajuda do governo — neste caso, em uma escala que teria assustado até Keynes. Mas se as medidas são tomadas sem amplo apoio político, elas só podem aumentar a ansiedade popular. Isso é uma preocupação hoje: que o pânico de Wall Street atinja Main Street.</p>
<p>O biógrafo de Keynes, Robert Skidelsky, ressalta que ele sempre tentou englobar as conseqüências sociais e políticas da política econômica.</p>
<p>Um verdadeiro resgate keynesiano deveria fazer mais que socorrer investidores tolos. Por exemplo, se os contribuintes vão comprar uma fatia da maior seguradora do país, talvez essa empresa possa ser a pedra fundamental de um novo sistema de seguro-saúde universal.</p>
<p>“Quando o desenvolvimento do capital de um país se torna o subproduto das atividades de um cassino, o trabalho acaba ficando malfeito”.</p>
<p>Keynes não iria querer nacionalizar esse cassino; ele mesmo era um investidor ativo. Mas ele nos lembra de que os objetivos públicos são mais bem servidos por instituições públicas.<br />
<strong><br />
*David Ignatius é colunista do &#8220;Washington Post&#8221;</strong></p>
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		<title>Mundo precisa de autoridade monetária</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 12:33:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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JEFFREY GARTEN ESPECIAL PARA O &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP

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<p></a></p>
<p style="background-color: #ffff99">JEFFREY GARTEN ESPECIAL PARA O &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/mundo-precisa-de-autoridade-monetaria/7669/" rel="attachment wp-att-7669" title="dinheirocorrendo.gif"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/09/dinheirocorrendo.gif" alt="dinheirocorrendo.gif" align="left" /></a></p>
<p>MESMO QUE a imensa operação de resgate financeiro dos EUA obtenha sucesso, ela deveria ser seguida por algo de muito mais abrangente -o estabelecimento de uma autoridade monetária mundial para fiscalizar mercados que não respeitam mais fronteiras.</p>
<p>Washington reconhece que a crise se tornou mundial. Hank Paulson, secretário do Tesouro norte-americano, disse que os bancos estrangeiros que operam nos Estados Unidos serão elegíveis para assistência federal e está instando outras nações a criarem programas próprios de resgate.<br />
Os bancos centrais também vêm sincronizando suas injeções de fundos nos mercados.</p>
<p>Essas medidas devem ser passos em direção de resposta internacional mais abrangente concebida não só para apagar o atual incêndio mas para reconstruir e manter os mercados de capitais em longo prazo.</p>
<p>O aparato atual de instituições internacionais é miseravelmente incapaz de fiscalizar o sistema financeiro que está evoluindo. O FMI (Fundo Monetário Internacional) é irrelevante para essa crise, o G7 (grupo dos sete países mais industrializados) carece de relevância em um mundo no qual China, Brasil e outros exercem papéis importantes, e o BIS (Banco de Compensações Internacionais) não tem funções operacionais. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) está sob pressão forte demais para que funcione como banco central planetário.</p>
<p>O vácuo que existe no centro do sistema é perigoso para todos. A dependência norte-americana de influxos maciços de capital, da ordem de US$ 3 bilhões diários, certamente aumentará agora que os EUA estão adquirindo US$ 1 trilhão em novas obrigações relacionadas aos resgates em curso. Por muitos anos, Wall Street e Washington não serão capazes de se manter sem forte cooperação de outros mercados.</p>
<p><strong>Dimensões estonteantes</strong></p>
<p>Além disso, as dimensões internacionais do mundo financeiro se tornaram estonteantes. Os ativos mundiais cresceram de US$ 12 trilhões em 1980 para cerca de US$ 200 trilhões em 2007, superando de longe o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em qualquer nação ou o ritmo de expansão do comércio. Montante crescente desse capital hoje reside na Ásia e no golfo Pérsico, e não mais nos Estados Unidos e na Europa.</p>
<p>Uma empresa norte-americana como a seguradora AIG vendia mais de seus CDS (&#8221;credit default swaps&#8221;) e apólices de seguros fora dos Estados Unidos do que no país. O suíço UBS tem 30 mil funcionários norte-americanos e está cotado na Bolsa de Nova York.</p>
<p>Os mercados de capital evoluirão em um contexto no qual economias de mercado emergente estarão crescendo duas vezes mais rápido do que as dos países ricos e, na metade do século, provavelmente responderão por dois terços do PIB mundial.</p>
<p>A globalização agora criará também um confronto de filosofias. A maioria dos governos e dos investidores de fora dos Estados Unidos jamais aderiu ao estilo caubói do capitalismo norte-americano. Agora, eles têm bons motivos para exigir que mudanças fundamentais sejam adotadas na maneira pela qual os Estados Unidos administram suas instituições financeiras. Isso pode acontecer com uma modificação consciente e negociada do modelo financeiro norte-americano ou pode resultar da transferência dos fundos de investidores estrangeiros para outros mercados.<br />
Todas essas considerações apontam para a necessidade futura de uma nova autoridade monetária mundial (AMM).</p>
<p>Ela ditaria o tom para os mercados de capital de uma maneira que não seria visceralmente oposta a uma forte função de fiscalização pública, com regras de intervenção, e devolveria à formação de capital a condição de objetivo do crescimento econômico e do desenvolvimento, com o abandono da idéia de que é suficiente operar por operar.</p>
<p><strong><br />
Funcionamento</strong></p>
<p>Uma AMM funcionaria como central de resseguro ou casa de desconto para determinadas obrigações detidas por bancos centrais. Avaliaria as atividades regulatórias das autoridades nacionais de forma mais eficaz que o FMI e fiscalizaria a implementação de um número limitado de regulamentos mundiais. Monitoraria os riscos internacionais e estabeleceria um sistema efetivo de alerta antecipado, com mais moral para soar alarmes do que era o caso do BIS.</p>
<p>A instituição também funcionaria como &#8220;tribunal de falências&#8221; para a reorganização mundial de companhias financeiras com tamanho superior a um determinado limite. As maiores companhias financeiras mundiais teriam de se registrar junto à AMM e estariam sujeitas à sua monitoração, ou seriam incluídas em uma lista negra. Isso incluiria empresas comerciais e bancos, mas também fundos soberanos de investimento, fundos de hedge de grande porte e empresas de capital privado.</p>
<p>O conselho da AMM seria formado por dirigentes de bancos centrais não apenas dos Estados Unidos, do Reino Unido, da zona do euro e do Japão mas também da China, da Arábia Saudita e do Brasil. A instituição seria financiada por contribuições compulsórias de todos os países capazes de pagar e por prêmios à maneira de seguros pagos pelas empresas financeiras do planeta -as de capital aberto, as estatais e as de capital fechado igualmente.</p>
<p>Em termos de política norte-americana e internacional, a autoridade monetária mundial provavelmente representa uma idéia cujo momento ainda não chegou. Mas isso pode mudar, à medida que evolui a crise atual.</p>
<p><strong>JEFFREY GARTEN é professor da cátedra Juan Trippe de comércio internacional e finanças na Escola de Administração de Empresas da Universidade Yale.</strong></p>
<p><strong>Tradução de PAULO MIGLIACCI</strong></p>
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