11/11/2009 - 10:25h Governador tucano elogia Lula em evento do PAC

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, BRASÍLIA – O Estado SP

O governador de Alagoas, Teotônio Villela (PSDB), fez elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Habitação. “Os tucanos ficam enciumados quando pego o microfone em Brasília. Mas, presidente Lula, é preciso agradecê-lo e parabenizá-lo”, disse Teotônio. “Sua postura é republicana e amiga.”

Com investimentos em moradia popular e saneamento, o PAC pode ser um dos carros chefes da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência em 2010.

Lula aproveitou para dizer que trata bem os governadores tucanos e “companheiros” José Serra (São Paulo), Aécio Neves (Minas Gerais) e Yeda Crusius (Rio Grande do Sul), deixando Teotônio constrangido, ao criticar o tratamento do governo anterior – de Fernando Henrique Cardoso – a Estados e municípios.

“Duvido que governadores tucanos tenham recebido 50% (na gestão FHC) do que recebem no meu governo”, disse. “O que estamos fazendo é uma reparação pela irresponsabilidade de quem governou o país antes de nós.”

Após dizer que “será muito difícil este país voltar àquela situação em que os prefeitos e governadores vinham mendigar o que era seu”, comentou que “as coisas no Brasil estão entrando num sequencial”, e emendou: “Pensa que sou analfabeto, meu caro.”



A seguir informação do Blog para os que desejariam saber o porque da declaração do governador (PSDB), Teotônio Villela

Saiba porque o governador tucano elogia Lula em evento do PAC

Obras do PAC em Alagoas devem gerar 15 mil empregos

Obras públicas mudam rotina do pobre Piauí: “Porque o Piauí está para o Brasil como o Brasil está para o mundo”. Bombando!

PIB nordestino deve crescer mais que a média, diz estudo

15/10/2009 - 10:48h Pela 1ª vez no ano, Nordeste abre mais vagas que o Sudeste

Isabel Sobral – O Estado SP

http://www.faeal.org.br/fotos/Projeto%20Amanha%202.jpg

Os Estados da Região Nordeste registram um saldo positivo entre admissões e dispensas de 100,4 mil novas vagas no mês passado. Pela primeira vez no ano, a região superou o Sudeste, onde foram gerados 85,8 mil postos. Comparando apenas os estados, São Paulo continuou na liderança do ranking com a abertura de 59,5 mil novas vagas de trabalho, impulsionado pela recuperação da indústria e pelos serviços.

Por causa da colheita da safra de cana-de-açúcar e produção sucro-alcooleira, Alagoas foi o segundo Estado que mais abriu novas ocupações.

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No Estado de São Paulo, foram criadas 59.547 novas vagas. A indústria foi o setor que mais contratou: 21.146. Serviços ficou com o segundo lugar no ranking, com a contratação de 19.750 trabalhadores com carteira de trabalho, segundo o Caged.

Emprego formal bate recorde em setembro

Indústria é responsável por quase metade das 252,6 mil vagas criadas

A recuperação da indústria avançou em setembro. As fábricas foram responsáveis por quase metade dos 252,6 mil novos empregos formais criados em setembro – o melhor resultado deste ano do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O setor industrial abriu 123,3 mil ocupações com carteira assinada, duas vezes mais que em agosto, e alcançou o melhor saldo mensal do setor na série do Caged, iniciada em 1992. O subsetor de alimentos e bebidas, com quase 63 mil novas vagas, foi o grande destaque da indústria.

O resultado geral do Caged foi ainda o segundo melhor da série histórica para um mês de setembro. Mas ainda ficou abaixo do resultado obtido em setembro de 2008, antes do início da fase mais aguda da crise, quando 282,8 mil vagas formais foram criadas na economia.

Com o bom desempenho de setembro, o mercado formal de trabalho acumulou 932,6 mil novos postos de trabalho no ano. Com isso, o estoque de empregos com carteira assinada no País subiu para 32,9 milhões. O saldo dos nove primeiros meses do ano é pouco menos da metade dos dois milhões de empregos criados de janeiro a setembro do ano passado, mas representa o primeiro período acumulado deste ano em que todos os setores da economia contrataram mais trabalhadores do que demitiram.

PERSPECTIVA MELHOR

Empolgado com os dados favoráveis, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, estimou que a economia vai gerar este ano 1,1 milhão de empregos formais – 100 mil a mais do que previa até agora. Ele ressaltou, porém, que essa é uma avaliação pessoal. “Ainda é cedo para termos uma projeção precisa de como o mercado de trabalho vai se comportar em dezembro”, comentou.

No último mês do ano, as demissões tradicionalmente superam as admissões por causa da dispensa dos trabalhadores temporários contratados pelas empresas no início do segundo semestre. Na média, nos últimos anos cerca de 300 mil empregos formais foram fechados nos meses de dezembro. Em dezembro de 2008, quando esse fator sazonal se combinou com os efeitos da crise financeira mundial, foram perdidas 654 mil vagas, um número recorde.

Confiante que a indústria continuará com um ritmo forte de contratações em outubro e novembro, o ministro antecipou esperar para este mês “um resultado (do Caged) melhor do que o de setembro”. Se se confirmar, esse movimento será atípico já que em anos anteriores nos meses de outubro houve redução de contratações em relação a setembro.

“Mas, como houve forte retração no primeiro semestre por causa da crise, deveremos ter uma surpresa positiva agora”, comentou Lupi.

ALIMENTOS E BEBIDAS

Em setembro, todos os 12 segmentos do setor industrial tiveram saldo positivo entre contratações e demissões, com destaque para a indústria alimentícia e de bebidas. O setor têxtil e de vestuário foi o segundo destaque, com 10,5 mil novos postos. No mês passado, os serviços também contrataram mais, gerando 62,7 mil novos empregos. Na sequência, veio o comércio com 50,3 mil postos e a construção civil com 32,6 mil. Apenas a agropecuária eliminou empregos no mês passado, registrando um saldo negativo 17 mil vagas, por causa da entressafra na região Centro-Sul do País.

15/10/2009 - 10:20h Obras do PAC em Alagoas devem gerar 15 mil empregos

Agência Alagoas - AL

Agência Alagoas – AL

27/09/2008 – Site do governo de Alagoas (PSDB)

Novas oportunidades

As obras do PAC no Estado incluem desde a reurbanização do Vale do Reginaldo e da Lagoa Mundaú até o Canal do Sertão. R$ 2,5 bilhões já estão garantidos.

Diego Barros

Valdir Rocha
Valdir Rocha

Canal do Sertão é a obra que vai recebe investimentos do PAC.

Os números são grandiosos, assim como os objetivos que se quer alcançar com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Alagoas, a maioria delas já em andamento. Ao todo, o PAC irá destinar ao Estado R$ 2,5 bilhões só para obras e deve gerar 3 mil empregos diretos mais 12 mil empregos indiretos, de acordo com estimativas da construção civil.

De todas as obras do PAC em Alagoas, a que vai consumir a maior quantidade de recursos e beneficiar diretamente o maior número de pessoas é o Canal do Sertão, que vai unir 33 municípios, ligando Delmiro Gouveia a Arapiraca, no Agreste. Até 2010 serão investidos nas obras do Canal R$ 593 milhões, o que será suficiente para a construção dos 100 quilômetros iniciais.

Hoje o Canal já tem 25 quilômetros concluídos e as obras estão no quilômetro de número 34. “Após a conclusão dos 100 quilômetros iniciais, cerca de 400 mil pessoas serão beneficiadas com abastecimento de água para consumo próprio, irrigação de lavouras, criação de peixes, entre outras atividades”, garante o secretário-adjunto da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), Fernando Nunes.

De acordo com ele, a construção do Canal gera 700 empregos diretos, e a previsão é que essa primeira etapa da obra seja inaugurada até 2010. “Mas antes disso, no fim do primeiro semestre de 2009, já haverá dois perímetros irrigados”, avisa Fernando Nunes. Ao todo o Canal do Sertão terá uma extensão de 250 quilômetros.

Valdir Rocha
Valdir Rocha

Cerca de 33 municípios serão beneficiados com a obra


Vale do Reginaldo — Os recursos do PAC também incluem a urbanização do Vale do Reginaldo, em Maceió, num total de R$ 120 milhões investidos, sendo R$ 60 milhões de contrapartida do Estado.

Na região do Vale do Reginaldo serão construídas 1512 moradias, além de escola, creche, praças e posto de saúde. As famílias que vão receber as casas já foram cadastradas pela antiga Agência de Habitação de Alagoas. Essas obras devem ser finalizadas em 2010.

Orla Lagunar — Os investimentos do PAC também prevêem a reurbanização da orla da lagoa Mundaú, em Maceió. Na região serão construídas casas para 1181 famílias que atualmente vivem nas favelas Sururu de Capote, Torre e Muvuca. Essas obras devem ficar prontas em 2010 e têm um investimento de R$ 33 milhões. Além das casas, serão construídas escolas, praças e quadras de esporte.

O governo do Estado também já deu início às obras de esgotamento sanitário da Pajuçara e da Baixa Maceió, que têm recursos do PAC, num total de R$ 70 milhões. Conforme Fernando Nunes, o objetivo das obras da Pajuçara, que vão da Jatiúca até Jacarecica, é interligar a rede coletora de esgotos ao emissário submarino. Essas obras também devem acabar em 2010 e farão 35 quilômetros de rede coletora.

Já as obras de saneamento da Baixa Maceió envolvem principalmente o bairro do Vergel do Lago e farão 2500 ligações à rede coletora de esgotos, impedindo que o esgoto corra a céu aberto e chegue à lagoa Mundaú.

Thiago Sampaio
Thiago Sampaio

Obras no Vale do Reginaldo vão garantir 1.512 moradias


O governo do Estado também está fazendo a recuperação dos coletores troncos nos bairros da Jatiúca, Prado e Trapiche da Barra, que vai melhorar o sistema de esgotamento sanitário nessa parte da cidade. Essa obra tem um investimento de R$ 13 milhões e deve ficar pronta no segundo semestre de 2009.

O Programa de Aceleração do Crescimento também já garantiu R$ 13,5 milhões para reforço e substituição dos anéis de distribuição de água em Maceió e outros R$ 10,5 milhões para obras de abastecimento, que devem ser iniciadas até dezembro.

Abastecimento de água — O secretário adjunto, Fernando Nunes, avisa que até o início de novembro será inaugurada a Barragem Helenildo Ribeiro, em Palmeira dos Índios, obra iniciada há cerca de três anos e que teve investimentos de R$ 67 milhões. “Essa barragem vai garantir o abastecimento de água para aproximadamente 70 mil pessoas e resolver um problema antigo da cidade”, assinala o secretário. Ele informa também que haverá a substituição da rede de canos da cidade, obra que deve começar após o período eleitoral e já tem R$ 5 milhões garantidos.

Nunes informa ainda que entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009 será inaugurada, também na região de Palmeira dos Índios, a primeira etapa da Barragem do Bálsamo. A obra completa deverá ficar pronta até o fim de 2009, quando vai permitir a irrigação de 700 hectares de terras e impulsionar a agricultura familiar na região. Até lá serão investidos R$ 70 milhões.

Saneamento — O governo federal, por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), está realizando obras de revitalização das cidades da calha do Rio São Francisco. A intenção é fazer o esgotamento sanitário e o saneamento para impedir que os rios e riachos que passam por essas cidades levem esgoto e dejetos até o São Francisco.

Outras obras — Além das obras incluídas no PAC, o governo do Estado está viabilizando outros recursos junto ao governo federal, entre eles estão os recursos que vão garantir a construção de um viaduto em frente ao Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, além da construção do aeroporto de Maragogi.

Outra obra em Alagoas que não está dentro do PAC é a duplicação da AL-101 Sul, no litoral do Estado. Atualmente está sendo feita a avaliação dos imóveis que serão desapropriados. Essa obra tem um investimento de R$ 140 milhões e deve ficar pronta em dois anos. Fernando Nunes avisa também que já há um projeto para duplicação da AL-101 Norte, que liga Maceió à Barra de Santo Antônio.

“O governador Teotonio Vilela está tentando obter recursos do governo federal para a construção da Estrada do São Francisco, que vai ligar Piranhas a Penedo”, observa Fernando Nunes, que completa: “Essa obra vai criar um novo roteiro turístico no Estado e promover a geração de emprego e renda a partir do turismo”.

De acordo com ele, o porto de Maceió também vai passar por reformas: há um projeto de dragagem, para aumentar a profundidade da calada, construção de um terminal de passageiros e cais de contêineres. “Para essa obra o governador também está tentando obter recursos do governo federal, inclusive do PAC”, ressalta Fernando Nunes.

Ele destaca que um convênio entre o governo do Estado e a Caixa Econômica Federal vai construir 2 mil casas no interior. As obras devem ser iniciadas até outubro e vão beneficiar os seguintes municípios: Chã Preta, Campo Alegre, Delmiro Gouveia, Feliz Deserto, Marechal Deodoro, Viçosa, Arapiraca, Junqueiro, Messias, Coruripe e Boca da Mata.

05/03/2009 - 12:52h PIB nordestino deve crescer mais que a média, diz estudo

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 Novos investimentos no nordeste e consumo em alta fazem o PIB crescer mais (na foto Pernambuco)

Carolina Mandl, do Recife – VALOR

O consumo das famílias deve puxar o crescimento da região Nordeste neste ano para níveis acima da média do país, segundo a Datamétrica. Em relatório divulgado ontem, a consultoria apontou que em 2009 o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados nordestinos ficará em 3,12%, enquanto o país terá uma alta de 1,8%.

Pelos cálculos da Datamétrica, desde 2005 o Nordeste cresce acima da média. Em 2008, a consultoria prevê que o PIB da região aumentou 6,12%, ante 5,62% do país. Agora, mesmo em um cenário de crise, o movimento deve se repetir.

De acordo com Alexandre Rands, sócio da Datamétrica, os dois fatores que mais podem favorecer a região são o aumento do salário mínimo e a Bolsa Família. “Por terem um peso maior na região, eles podem amortecer o impacto da crise”, diz Rands. Com um contracheque maior, o consumo familiar se elevará, ajudando a atividade da região.

Outros pontos também podem pesar a favor do Nordeste, segundo ele, como o fato de as indústrias terem uma importância menor para o crescimento do que no Sudeste, por exemplo. “Por enquanto, a crise está afetando mais o setor industrial, que é menos significativo na região”, afirma ele.

Além disso, políticas públicas de combate à crise podem favorecer mais os Estados nordestinos. “O governo Lula demonstra ter mais agilidade para gastos sociais do que com infraestrutura, por exemplo. E o Nordeste é mais beneficiado com isso, por ter mais pobres”, avalia Rands.

O Estado que mais deve crescer em 2009 é Pernambuco, com um aumento de 4,29%, puxado principalmente por empreendimentos privados que estão em fase avançada de obras, como o estaleiro Atlântico Sul, no litoral, e as fábricas da Perdigão e da Sadia, no interior. O menor aumento do PIB está estimado para Alagoas, com 2,14%, ainda acima da média nacional. Entre esses extremos estão Bahia (2,89%), Ceará (2,87%), Maranhão (2,97%), Piauí (3,03%), Sergipe (2,46%), Paraíba (2,83%) e Rio Grande do Norte (2,93%).

25/11/2008 - 13:44h Rio é o Estado que mais recebe verba da União para segurança

Ruy Baron/Valor

Ronaldo Teixeira, do Pronasci: programa oferece condições especiais para os policiais adquirirem a casa própria

Juliano Basile, de Brasília – VALOR

O governo federal reformulou a política de liberação de verbas para a segurança nos Estados e, ao invés de remeter o dinheiro para a total autonomia dos governos locais quanto à execução dos gastos, passou a enviar montantes específicos de acordo com projetos localizados com destinação certa.

Com isso, os Estados devem redigir projetos específicos dentro de mais de 90 ações previstas pelo Ministério da Justiça para a área de segurança. As ações são as mais distintas possíveis. Vão desde a compra de equipamentos, como coletes e capacetes balísticos, até cursos de formação para policiais. Há desde a previsão de construção de presídios até o pagamento de R$ 100 por mês para que jovens saiam do tráfico de drogas. À medida que cada projeto é aprovado é que o dinheiro chega aos cofres dos Estados e municípios.

Essa nova sistemática de liberação de verbas para a segurança obteve a adesão de 19 Estados em 15 meses. Ela teve início com o lançamento do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), em agosto de 2007. Hoje, o programa atende 275 áreas em 90 municípios. Ao todo, serão gastos R$ 1,4 bilhão com o programa neste ano e R$ 6,7 bilhões até 2012.

O Rio de Janeiro é o Estado que mais recebe recursos destinados à segurança pública pelo governo federal. São R$ 116 milhões. Essa primazia na destinação de verbas se deve ao fato de o governo fluminense ter sido o que mais apresentou projetos na área de segurança pública para o Ministério da Justiça. O Rio apresentou 170 projetos. O segundo na lista é o Rio Grande do Sul, que levou 150 projetos ao Ministério da Justiça.

O Morro da Providência é um exemplo de como as ações propostas pelo Ministério da Justiça na área de segurança são diversificadas e como os governos devem se adequar a cada uma para receber investimentos na área. O bairro é um dos mais violentos do Rio de Janeiro e receberá R$ 1,7 milhão em três projetos diferentes. Serão R$ 510 mil para a criação de um núcleo local de segurança, R$ 507 mil em cursos e bolsas para mulheres e outros R$ 667 mil para jovens. Dessa forma, o governo federal liberou três verbas distintas para o mesmo bairro, mas cada uma possui uma destinação certa e a fiscalização das ações é feita pelo Estado, pelo município e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O Pronasci fornece bolsas para policiais, mulheres e jovens. O programa permite que os policiais ganhem um salário extra para estudar, em muitos casos equivalente a 50% do salário-base. No Rio, por exemplo, os policiais ganham, em média, R$ 850 por mês. Se estudarem de acordo com as regras do Pronasci, eles obtêm uma bolsa de R$ 400. Hoje, há 4,6 mil policiais recebendo esse valor no Rio e outros 37,7 mil que fazem cursos a distância no Estado. Ao todo, o Pronasci promoveu cursos para 348 mil policiais, neste ano, no Brasil, dos quais 57 mil ganharam bolsas.

Além disso, o governo federal passou a oferecer condições especiais para os policiais adquirirem a casa própria, como juros mais baixos e a isenção do nome do policial de cadastro de devedores, como o Serasa, para efeito de financiamento junto à Caixa Econômica Federal. “O objetivo é valorizar o policial, permitindo que ele estude e obtenha qualificação profissional”, afirmou o secretário-executivo do Pronasci, Ronaldo Teixeira. “O mesmo policial pode estudar, pegar a bolsa e fazer financiamento para a casa própria.”

As mulheres que se cadastram em cursos ganham R$ 150 por mês. Em troca, devem divulgar as ações do programa nas comunidades. Os jovens ganham R$ 100 por mês para fazer cursos. Com isso, o governo pretende retirá-los do alcance do tráfico de drogas e do crime organizado.

O Ministério da Justiça nega as acusações de “assistencialismo” com as bolsas. Para Teixeira, quem recebe a bolsa se torna multiplicador das idéias do programa de dar alternativas para quem vive do crime. A inclusão de mulheres entre as bolsistas deve-se ao fato de as mães serem respeitadas pelo tráfico. “Os traficantes recuam quando a mãe de um deles aparece para retirá-lo de pontos-de-venda de drogas”, justificou o secretário. E os jovens foram incluídos no programa por serem a força-motor do tráfico.

O Ministério da Justiça verificou que das 450 mil pessoas que cumprem pena no Brasil, 76% possuem entre 18 e 29 anos. Desses, 80% são criminosos reincidentes. Ou seja, os jovens passam pelo sistema penitenciário e, ao sair, continuam cometendo rimes. Para combater essa reincidência, serão construídas novas penitenciárias. Os governos da Bahia, Alagoas, Mato Grosso e Pará vão receber R$ 14,85 milhões cada para a construção de presídios especiais para jovens (entre 18 e 24 anos), onde eles terão aulas de direito, cidadania, saúde e informática. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul receberão R$ 14,7 milhões cada para a construção do mesmo tipo de presídio.

Ao todo, o governo já liberou R$ 30,9 milhões para a realização de cursos para 14,5 mil mulheres e o posterior cadastro delas como “mediadoras sociais” do programa. No caso dos jovens, foram liberados R$ 45 milhões para 20,8 mil cadastrados.

Há verbas que são liberadas para atender a problemas específicos de segurança em cada Estado. O Acre vai receber uma cota específica para conter crimes em fronteira. Santa Catarina é um dos Estados com menos problemas de segurança. A capital Florianópolis registra 7 mortes por 100 mil habitantes – um dos índices mais baixos no mundo. No entanto, o Estado vai entrar no Pronasci por causa dos altos índices de mortes em rodovias. O governo catarinense receberá verba específica para investir na BR-101.

10/11/2008 - 13:01h Alagoas batalha para sair do fim da fila

O jornal VALOR traz uma ampla matéria sobre o Alagoas, governado pelo PSDB. Reproduzo a seguir o final do artigo sobre as relações entre o governo de Alagoas e o governo Lula. Um exemplo sobre o modo petista de governar. LF

Tércio Cappello / Divulgação
Para Alagoas deixar de ser um Estado “desgarrado da Federação”, o governador Teotônio Vilela Filho conquistou o apoio do presidente Lula.

Paulo Totti, de Maceió para VALOR

(…) “O governador estima que até o fim do atual mandato (2010) – por enquanto diz não pensar em reeleição – os investimentos privados serão de R$ 7 bilhões. ” Teremos R$ 10 bilhões, se agregarmos os investimentos de R$ 3 bilhões do governo federal.” Segundo Téo, já estão contratados R$ 2,7 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), aí incluído dinheiro federal para adutoras, barragens, estradas (entre elas, a duplicação da BR 101), hospitais como o HGE (já inaugurado, com R$ 24 milhões do Ministério da Saúde), conjuntos habitacionais, reurbanização, esgotamento sanitário, modernização do porto, e a maior de todas as obras – o Canal do Sertão. Lançado em 1992 e incluído entre as prioridades do programa “Avança Brasil”, do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), esse importante projeto de irrigação, que trará a água do São Francisco desde o sertão de Delmiro Gouveia, ao Norte, até o agreste de Arapiraca, no centro do Estado, deveria estar concluído em 1996, beneficiando 1 milhão de pessoas, ao custo de R$ 700 milhões. Depois de mais de dez anos de paralisação, a obra foi reiniciada e pode estar concluída em 2010. O Canal do Sertão irrigará plantações e fornecerá água de beber a 43 municípios, numa área de influência de 13 mil quilômetros quadrados.

“Até para tomar água, os alagoanos precisam do governo”, diz o governador, ao destacar a extrema dependência da população às obras e à assistência do governo, que no caso de Alagoas, só pode ser mesmo o federal, pois prefeituras e Estado têm muito pouco para investir.

Na praia de Pajuçara, um outdoor do governo do Estado chama a atenção para o que está sendo feito na região: uma rede de esgotos que vai de Pajuçara a Jacarecica, 40 quilômetros, 35.797 famílias beneficiadas. “Obra do Governo do Estado”, diz o cartaz. Num parênteses e em letra miúda lê-se: “Em parceria com o governo federal – PAC”. O governo federal tem discreta presença na propaganda, mas a parceria implica o pagamento total da obra, R$ 35 milhões. A mensagem se repete por toda a cidade, em obras até mais caras e igualmente importantes como a da canalização do riacho Salgadinho e a despoluição da mais linda porção de praia da orla de Maceió, a enseada de Jaraguá, que incluirá a remoção dos barracos de antiga colônia de pescadores ao lado dos terminais de exportação de açúcar. Às margens da lagoa Mundaú, já está quase pronto o Projeto Vida Decente, um conjunto habitacional em terra firme que vai abrigar os moradores de casas precárias e palafitas da favela do Sururu de Capote.

São 1.181 famílias de pescadores, marisqueiros e despinicadoras. Os primeiros pescam de tudo que a lagoa dá, os segundos catam do mangue o marisco, aqui chamado de sururu ou corrupto. O sururu é um mexilhão, capote é a sua concha. As despinicadoras são as mulheres que tiram, ou apenas abrem, o capote que envolve o sururu. Corrupto é um mexilhão abundante, menor e mais barato do que o sururu. Nas casas de alvenaria do Vida Decente onde vão morar os favelados, serão aplicados R$ 30,7 milhões. Desta vez a inscrição “Ministério das Cidades, Caixa, PAC, governo federal, Brasil, um país de todos” aparece na placa com relativo destaque.

Verbas da União são um capítulo à parte na história recente de Alagoas. “Fui ao Lula logo depois de minha posse. Conversamos uma hora e meia em Brasília. O presidente foi solidário, parceiro, republicano. Digo mais: foi amigo”, relata Vilela, pródigo na adjetivação e destacando que Alagoas, governado por um adversário político, ex-presidente nacional do PSDB, tem recebido do petista Luiz Inácio Lula da Silva, nos últimos dois anos, mais do que o dobro da soma que recebera nos 20 anos anteriores. O governo Lula, em verdade, tem priorizado o Nordeste na distribuição de verbas federais e governadores adversários não costumam queixar-se de discriminação. Mas, no caso de Alagoas, há um detalhe. “O velho Teotônio continua ajudando”, diz o jovem Teotônio, referindo-se ao pai senador que durante a ditadura militar foi visitar no cárcere o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. E no dia em que o sindicalista era julgado por um tribunal militar, o velho Teotônio estava na platéia, solidário. “Quero que todo o ministério ajude Alagoas”, recomendou Lula ao então ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, presente à primeira audiência do recém-empossado governador de Alagoas com o presidente da República. A ajuda federal, como se vê, não é um blefe. (…)

04/05/2008 - 12:08h DEM perde força e pode virar partido nanico

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Legenda tem apenas um governador e dois prefeitos de capitais

Adriana Vasconcelos, Luiza Damé e Chico de Gois – O Globo

BRASÍLIA. Pouco mais de um ano depois de ter trocado de nome com o objetivo de promover uma renovação de sua imagem e também de seus quadros, o Democratas (DEM) corre o risco de se transformar num partido nanico. Com apenas um governador eleito e dois prefeitos de capitais, a legenda pode encolher ainda mais nas eleições de outubro próximo, depois de passar cinco anos na oposição ao governo Lula. Para tentar fugir desse calvário, a ordem do partido é não nacionalizar o discurso e evitar, assim, cair na armadilha dos adversários que vão explorar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tão bem avaliado pelas pesquisas, como principal cabo eleitoral.

O DEM tem realizado seminários pelo país para ajudar os candidatos a organizar suas campanhas. Líderes do partido reconhecem as dificuldades, mas salientam que mais importante que quantidade é a qualidade dos quadros. A senadora Kátia Abreu (TO), uma das coordenadoras eleitorais do partido, afirma: — A questão municipal é muito diferente. Ninguém tem intenção de nacionalizar as eleições — diz.

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), contesta as previsões sombrias.

— Quem aposta que vamos diminuir está incomodado com nossa atuação. O partido vai manter o tamanho que tem hoje, crescendo nos grandes centros e diminuindo nos municípios menores, onde a influência das políticas assistencialistas do governo federal é mais forte.

Maior aposta do partido é reeleição de Kassab em SP Atualmente o DEM tem 793 prefeitos, sendo apenas dois de capitais: Cesar Maia no Rio de Janeiro e Gilberto Kassab em São Paulo, que herdou a prefeitura depois que José Serra (PSDB) deixou o cargo para disputar e vencer o governo do estado.

Em alguns estados, como Alagoas e Roraima, o DEM tem apenas um prefeito. Cesar Maia foi reeleito e terá dificuldades para levar sua candidata, a deputada Solange Amaral, a um eventual segundo turno.

A grande aposta do partido é a reeleição de Kassab. Embora os democratas não tenham conseguido demover o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, de entrar na disputa, Kassab conta com o apoio do governador José Serra e conquistou na semana passada o apoio estratégico do PMDB paulista.

O deputado Paulo Bornhausen (SC), vice-presidente de comunicação do DEM e vice-líder na Câmara, afirma que o partido está mais interessado em qualidade que em quantidade.

— Nosso objetivo ao adotar uma postura de oposição permanente é chegar ao poder. Isso não se faz sem sacrifícios, que pode ser definhar num primeiro momento.

02/03/2008 - 16:45h Promovendo o turismo do Brasil

Imprensa dos Estados Unidos conhece mais do turismo do Brasil

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Fernando de Noronha

Brasília (DF) – Em agenda de contatos com a imprensa norte-americana, em Nova York, nesta sexta-feira (29), a ministra do Turismo, Marta Suplicy, concedeu entrevistas ao Wall Street Journal e às revistas especializadas em Turismo Condé Nast Traveler e Travel+Leisure. Nos encontros, a ministra enfatizou que os turistas norte-americanos têm, à sua disposição, uma grande diversidade de destinos e atrativos turísticos no Brasil. Marta disse, também, que é preciso aumentar a divulgação dessa diversidade, para incentivar a visita dos norte-americanos a outros roteiros e, assim, viabilizar o cumprimento da meta de 1,2 milhão de visitantes até 2010.

“Mesmo o Rio de Janeiro tem muito mais a oferecer aos turistas do que os roteiros tradicionais da capital. A vida noturna da Lapa, com seus músicos e gastronomia incríveis, ou os prédios históricos do Centro, as cidades da Serra fluminense e outras no litoral, como Búzios, são excelentes opções para o turista”, disse a ministra. São Paulo também foi citada como o maior ambiente de negócios da América Latina.

Marta Suplicy também destacou o turismo cultural brasileiro, citando as cidades históricas de Minas Gerais, como Ouro Preto e Congonhas, e de ecoturismo – como os hotéis de selva, no Amazonas, e Fernando de Noronha. “O arquipélago é um desses locais que os norte-americanos precisam conhecer”, afirmou a ministra. “Afinal, ele tem um cenário perfeitamente preservado, com diversas opções de atividades, que vão de trilhas ao mergulho e praias maravilhosas. Tem também tipos diversos de hospedagem, que vão de pousadas rústicas, com preços bastante acessíveis, até instalações exclusivas. Precisamos divulgar essas e outras atrações para este mercado, que é o segundo maior emissor para o Brasil, depois da Argentina”.

O público norte-americano está entre os que mais viajam em todo o mundo. Os produtos oferecidos pelo Brasil são adequados a diferentes segmentos deste mercado. Por isso, a ministra esteve ontem com jornalistas de publicações voltadas ao mercado afro-descendente – como Ebony e Jet (de Chicago), Path, Vibe, Essence e Black Enterprise Magazine. Tratou sobre o turismo étnico ou afro-brasileiro, tendo a Bahia como principal destino. “Capoeira, acarajé e candomblé são apenas alguns exemplos de atrativos para este público, que encontra no Brasil raízes culturais muito próximas às suas”, comentou. Marta citou também o Parque do Quilombo, aberto recentemente em Alagoas, e que é o primeiro parque com a temática étnica. Fonte portal do Ministério de Turismo.

Fernando de Noronha

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25/09/2007 - 12:30h Alagoas, a nova vítima do "choque de gestão”" tucano

por Rui Falcão

O “choque de gestão” tucano – que há mais de uma década tem levado a população de São Paulo a sofrer as conseqüências socialmente desastrosas do desmantelamento do Estado -, chega agora a Alagoas, depois de ter provocado devastação similar em Minas Gerais, antes de atingir também o Rio Grande do Sul.

Por “choque de gestão” entende-se a estratégia de governo tucana, que consiste em descarregar sobre a folha de salários do funcionalismo e sobre os usuários dos serviços públicos o peso maior do custo social do reequilíbrio financeiro do Estado, com o objetivo de reorganizar o seu aparato administrativo, para que possa melhor servir aos interesses privados. Na verdade, longe de ter sua origem na folha de pagamento do funcionalismo, a crise fiscal do Estado deve-se ao encolhimento da arrecadação e tem relações profundas com o processo de endividamento do Estado, para dar solvência ao setor privado depois da crise da divida externa, iniciada nos finais dos anos setenta e prolongada na década de 1980.

De acordo com a retórica tucana, o “choque de gestão” é indispensável para recuperar, para o Estado, a capacidade de financiar os gastos e de fortalecer seu poder de implementar políticas públicas, com eficiência, num contexto de restrições orçamentárias. Essas reformas contribuiriam para revigorar a ação estatal no apoio ao crescimento econômico e na melhoria da oferta dos serviços públicos, tais como educação, saúde e segurança, entre outros.

Na realidade, o que as populações sujeitas aos “choques de gestão” tucanos têm presenciado é a concentração de poder em mãos do Executivo, retorno do autoritarismo, marginalização do Poder Legislativo, desapreço para com os instrumentos de participação popular, criação de taxas e majoração das existentes, redução e perda de qualidade dos serviços públicos, arrocho salarial e demissões, privatizações predatórias, aumento nas tarifas públicas e outras medidas de caráter antissocial – tudo isso embrulhado em aparatosas campanhas de marketing, cujos valores chegam a superar em alguns casos os gastos do Estado em rubricas da ação social.

Neste momento, o furacão neoliberal devasta o estado de Alagoas, onde o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) se empenha em transplantar para o seu território o “choque de gestão” aplicado em Minas Gerais pelo também tucano Aécio Neves, em meio a uma crise administrativa de gigantescas proporções. O “choque de gestão” é o grande responsável pela crise no estado nordestino, denunciam em coro a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL) e a Central Única dos Trabalhadores alagoanas.

Nos primeiros dez meses de governo, Teotônio enfrentou 183 dias de greve, deflagradas por diversas categorias – policiais militares, médicos e demais funcionários da saúde, policiais civis, professores e servidores da educação, entre outros – o que equivale a 71% do tempo em que esteve no cargo. Desde que assumiu, não governou um mês sequer sem greve.

A expressão “choque de gestão”, criada pelo tucanato paulista, foi utilizada à exaustão por Geraldo Alckmin (PSDB-SP) na campanha presidencial do ano passado. De São Paulo, a receita neoliberal migrou para o governo Aécio Neves e de lá para o de Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul e para Alagoas.

Em São Paulo, o “choque de gestão” aplicado pelas sucessivas administrações tucanas – de Mário Covas a José Serra -, apresentou como resultado o abandono do planejamento, a fragilidade do ajuste fiscal, o enfraquecimento da capacidade do Estado de elaborar e implementar políticas públicas, a degradação dos serviços públicos – em especial, a educação, a saúde e a segurança – e o desmantelamento dos instrumentos de democracia participativa, entre outras conseqüências. Para poder embelezar o tal choque com tintas de eficiência gerencial, os tucanos puderam contar com a conivência de setores da grande mídia, o apoio da cúpula do Ministério Público e a sujeição da maioria do Poder Legislativo num estado em que o Executivo governa preferencialmente por decretos.

O dinheiro das privatizações paulistas, iniciadas nos anos 90, não amortizou a dívida pública, não promoveu o ajuste fiscal e tampouco melhorou a qualidade dos serviços públicos, um dos pretextos que serviram de justificativa para o “choque”. Segundo a retórica tucana, os R$ 77 bilhões arrecadados com a venda dos setores energético e bancário, entre outros, seriam destinados à solução de tais problemas. Na realidade, a dívida pública, que à época era de R$ 34 bilhões, saltou para R$ 105 bilhões.

Para se ter uma idéia da eficiência gerencial tucana, as metas estabelecidas pelos sucessivos governos do PSDB de São Paulo frustraram as suas próprias expectativas de amortizar a dívida, deixando como única saída o calote no pagamento dos precatórios. E, para encobrir resultados desabonadores, os tucanos paulistas, numa manobra cosmética, simularam um superávit – obtido em parte graças ao aumento real do IPVA e de outras taxas.

Com a segunda fase das privatizações, em curso sob a gestão Serra, os tucanos paulistas pretendem estender o “choque de gestão” à privatização da Cesp – a jóia da coroa das estatais de São Paulo -, sem consulta à Assembléia Legislativa, e à transferência para a iniciativa privada dos serviços mais lucrativos que restam da Nossa Caixa, como seguros e cartão de crédito.

Não estranha que tudo isso seja realizado a pretexto de reunir recursos para o ajuste fiscal por sucessivos governos que, em comum, mostram-se paradoxalmente complacentes com o atraso no recolhimento de impostos incidentes sobre as atividades empresariais. Os tucanos paulistas não gostam de cobrar impostos atrasados devidos por empresários; daí as isenções fiscais e as anistias, para júbilo do público beneficiário.

No quesito desempenho escolar, São Paulo apresenta um dos piores resultados entre os estados brasileiros. Na saúde, juntamente com o Rio Grande do Sul, São Paulo é um dos estados que não cumpre a Emenda Constitucional que determina a aplicação, no setor, de 12% da receita líquida de impostos – o resultado é o sucateamento de 40% dos hospitais paulistas, em especial de atendimento especializado, uma vez que o atendimento básico é da responsabilidade dos municípios.

Neste momento, um terço dos 43 centros de raio-X de São Paulo encontram-se em desacordo com as normas do Ministério da Saúde, segundo avaliação do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Estado de São Paulo, realizada a pedido do Ministério Público. Falta de higiene e de equipamentos de proteção para funcionários são outras mazelas na área de saúde, que vêm juntar-se, no caso da capital, a denúncias de fraude na merenda escolar –feitas pelo conselho de pais e mestres –, com provisão de uma dieta, terceirizada, de valor nutricional inferior ao contratado.

O caos na segurança pública é espetacularmente visível nas ações do Primeiro Comando da Capital, a rede de detentos evadidos que, volta e meia, mantém como reféns as autoridades e a população paulista, sem falar do roubo de 2 milhões de veículos somente em 2005. Isso decorre, em parte, da terceirização do sistema prisional do Estado, inaugurado no governo Covas, responsável pela demissão de 100 mil servidores.

Resultado da ausência de compromissos estratégicos por parte do PSDB, a gestão publica de São Paulo se ressente atualmente de um projeto abrangente de desenvolvimento, de modernização da gestão gerencial e administrativa, de investimentos em infra-estrutura, de garantia da segurança pública como um direito dos cidadãos, de incremento de políticas sociais distributivas, de carência de políticas de saúde e educação, de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico e de abertura democrática para a participação popular nos processos de tomada de decisão.

De sua parte, os mineiros, que já haviam experimentado o “choque” sob a administração de Eduardo Azeredo – responsável pelas primeiras privatizações – tiveram a oportunidade, no governo Aécio Neves, de constatar na sua inteireza a desorganização do estado sob gestão tucana: até então não se havia quantificado a totalidade de servidores públicos estaduais.

Com Aécio, o “choque” foi implantado por meio da chamada Lei Delegada, aprovada pela Assembléia Legislativa, a qual delega poderes ao governador para editar leis. Foram aprovadas 61 Leis Delegadas no primeiro mês do primeiro mandato. Assim se promoveu a reforma administrativa, que extinguiu seis secretarias, dobrando, em compensação, o número de secretarias adjuntas. Concentração de poder em mãos do Executivo e sujeição do Legislativo são os pressupostos e o resultado político da reforma implementada pelo governo mineiro.

Assim como nos demais estados sob gestão tucana, o alvo central do “choque” mineiro foi o congelamento dos salários e a redução do crescimento vegetativo da folha. Os novos funcionários perderam o adicional por tempo de serviço, e as contribuições previdenciárias saltaram de 4,8% para 11%. Além disso, o governo criou o Afastamento Voluntário Incentivado (AVI).

O governo de Aécio Neves criou novas taxas, entre estas a da segurança pública; elevou as tarifas de energia elétrica, telefone e combustível e potencializou a guerra fiscal.

O governo de Minas também descumpre a EC 29, que destina recursos para a saúde pública. O estado da segurança pública pode ser observado num levantamento do Ministério Público, que revela a execução sumária de 1070 adolescentes. Compreende-se a razão por que o escândalo não se converteu em manchetes dos grandes jornais: a publicidade das ações governamentais absorve mais recursos do que a área social.

O “choque de gestão” tucano é, na realidade, um recurso retórico para ocultar a investida dos interesses privados, mediada pelo poder de Estado, pela eliminação dos direitos sociais, não apenas no setor privado, mas também no setor público.

De acordo com o eufemismo tucano, a “administração gerencial”, inaugurada pelo “choque de gestão”, seria uma superação histórica da “administração burocrática”. A diferença entre a forma burocrática e a gerencial está na forma de controle: enquanto na forma burocrática ele é exercido sobre os “meios”, na forma gerencial ele visa aos “resultados”.

Com essa conversa, os governos tucanos querem dizer que não se pode confundir o interesse público com o interesse do Estado: o foco do interesse público deve ser a coletividade, no atendimento das necessidades do cidadão-cliente. Na realidade, parece-nos muito difícil, senão impossível, reconhecer nos resultados do “choque de gestão” a satisfação do cidadão-cliente.

Rui Falcão, 63 anos, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo PT. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário do Governo da prefeita Marta Suplicy.

17/09/2007 - 11:14h "Choque de gestão" é regressão social, O modo tucano de governar

Alagoas e Rio Grande do sul, Estados governados por tucanos, expõem melhor que qualquer discurso o modo peessedebista de governar. Hoje a Folha de São Paulo publica uma reportagem sobre Alagoas (ver a seguir), indicando que a política aplicada nesse Estado é copiada de aquela implementada em Minas Gerais, pelo também tucano Aécio Neves. Estranhamente o jornal não ilustra o “choque de gestão”, formula utilizada por Geraldo Alckmin, na sua aplicação no Estado de São Paulo durante a administração Alckmin e na atual de José Serra.

Mudou entre um e o outro? é igual?

Em que consiste o “choque” tucano?

Resolver os problemas financeiros dos Estados, muitos deles em situação gravíssima de endividamento e quase inadimplência, reduzindo brutalmente o dinheiro da saúde, da educação e dos funcionários públicos. No caso de São Paulo, Estado “rico” da Federação, o método consistiu em privatizar a maior parte do patrimônio. Dando continuidade, o governo Serra prevê a privatização da CESP e a concessão às empresas privadas do rodoanel e outras estradas construídas com dinheiro público. O complemento desta política se traduz nos baixos salários dos professores, dos agentes de saúde, dos policiais militares e na falta de investimentos essenciais no combate a dengue, por exemplo. Investimento para valer só como contra-partida, pequena, aos recursos do governo federal. Ao mesmo tempo que faz caixa para obras de grande impacto eleitoral, o que acaba gerando uma ambivalência no governo Serra: agir como Lula ou como FHC?

Acontece que José Serra tem como única obsessão ser candidato a Presidente e isto, em 2010, não é compatível com o perfil tradicionalmente liberal-privativista do PSDB de FHC, Alckmin e companhia. Serra quer ocupar o espaço do centro-esquerda, espaço que hábilmente Aécio Neves ocupa na sua aproximação com Lula e o PT de Minas. Eis o porque do jogo de “empurra-empurra” entre os presidenciáveis tucanos e as bicadas entre eles.

A Folha de São Paulo tem sido geralmente “generosa” com os tucanos em geral (basta ler o que escreve o próprio ombudsman do jornal), mas agora que o conflito entre Aécio e Alckmin, de um lado, e Serra do outro, começa a esquentar, alguns tucanos perdem as plumas nos artigos do jornal. O leitor acaba tomando conhecimento assim da realidade da política tucana e, en passant, das escolhas do próprio jornal.

Luis Favre

Folha de São Paulo

“Choque” tucano provoca crise administrativa em Alagoas

Governador Teotonio Vilela Filho enfrentou 183 dias de greve do funcionalismo após adotar modelo de gestão aplicado em Minas Gerais por Aécio Neves

THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA

FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MACEIÓ

O modelo de administração adotado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) em Alagoas, inspirado no “choque de gestão” aplicado em Minas Gerais pelo também tucano Aécio Neves, foi o grande responsável pela crise no Estado nordestino. É o que afirmam a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) alagoanas.
Nos cerca de nove meses de governo, Teotonio enfrentou 183 dias de greve de diversas categorias (algumas ao mesmo tempo), o que equivale a 71% do tempo em que esteve no cargo. Não houve um mês sem greve.
“O governador de Alagoas criou uma bomba orientado pelo pessoal de Minas Gerais. Usou uma receita mineira dada por técnicos e conselheiros políticos que vieram para cá”, afirma Izac Jacson, presidente da CUT-AL.
Ele diz que o decreto baixado em janeiro por Teotonio, que suspendeu os reajustes salariais dados em abril de 2006 a todos os servidores, gerou uma “quebra de confiança”.
“Havia um acordo. Durante o processo eleitoral, ele assumiu o compromisso de não mexer nos salários. Ocorreu uma traição. Ele elencou a folha de pessoal como principal guarda-chuva para fazer caixa”, disse.
Policiais militares, médicos, funcionários públicos da Saúde, policiais civis, professores e servidores da Educação já fizeram greve neste ano. As quatro últimas categorias estão paradas no momento.
De acordo com Jacson, outros servidores também podem parar: “Os agentes penitenciários podem parar no dia 20. Tem fugido preso todas as semanas, e o governo quer que eles se responsabilizem pela parte externa dos presídios. Eles são agentes socializadores, não de segurança.”

Estopim
O decreto, publicado em 15 de janeiro no “Diário Oficial”, foi o estopim para uma paralisação geral, que teve início no dia 16. Uma semana depois, o governador revogou o decreto, mas a crise permaneceu.
Para o presidente da OAB-AL, Omar Mello, a importação do modelo mineiro explica o quadro atual: “Veio gente do PSDB de lá trazendo essa obra-prima de gestão. O que existe em Minas é um trabalho bem elaborado de marketing. Há, na verdade, um sufocamento do servidor público. Ele é tratado a pão e água. Não dá para imaginar como um Estado pode crescer mantendo um serviço público em baixa, desestimulado”.
A expressão “choque de gestão” foi utilizada à exaustão por Geraldo Alckmin (PSDB) na campanha presidencial do ano passado. O programa trabalha com estabelecimento de metas e contrapartidas e se funda no enxugamento da administração, no aumento da capacidade de arrecadar e no gerenciamento de despesas.
O governo de Alagoas firmou convênio com duas empresas de consultoria, a Macroplan e a INDG, usadas por Aécio, para elaborar o plano de gestão. Teotonio viajou a Minas para conhecer o programa. Com o “choque de gestão”, Aécio disse que conseguiu zerar seu déficit. Mas para Mello, da OAB-AL, Minas vive uma “farsa, um desenvolvimento de fachada”.