30/08/2012 - 09:57h Indústria pede socorro ao Brasil urbano

Luiz Ushirobira/Valor / Luiz Ushirobira/Valor Luiz Ushirobira/Valor – Para a CNI, mobilidade caótica afeta o desenvolvimento do país, ao restringir fluxo de pessoas, bens e ideias e reduzir a produtividade, inovação e qualidade de vida

Por Marli Olmos | VALOR

De São Paulo

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acaba de concluir um extenso estudo sobre os efeitos provocados pelos problemas de mobilidade na produtividade do país. O setor está preocupado com o tempo que seus funcionários perdem para chegar nas fábricas e escritórios, os atrasos nas entregas nas mercadorias e o prejuízos à atividade intelectual, quase sempre concentrada nos centros urbanos. Trata-se, conclui a entidade, de uma perda na qualidade de vida para os 45% da população que vivem em 10 metrópoles brasileiras.

A direção da CNI acredita ter como fortes aliados dois importantes acontecimentos no país – a criação do PAC da Mobilidade, para o qual o governo federal reservou R$ 7 bilhões, e as eleições municipais. Seus dirigentes imaginam que essas duas forças ajudarão na mobilização que a entidade pretende comandar para suscitar um debate nacional.

O documento, que acaba de ser elaborado com a ajuda de dados da Associação Nacional dos Transporte Públicos (ANTP), arquitetos e urbanistas, será encaminhado à presidente Dilma Rousseff. Posteriormente, a ideia é envolver prefeitos, governadores, candidatos e outros agentes municipais, estaduais e federais no centro do debate público nacional.

O diretor de políticas e estratégia da CNI, José Augusto Coelho Fernandes, lembra que se por um lado as empresas se esmeram em desenvolver modernos sistemas de manufatura enxuta, como o chamado “just in time” (por meio do qual as peças de um determinado item chegam à fábrica no exato instante da sua produção), por outro ficam à mercê do que acontece nas ruas congestionadas, na tentativa de adivinhar o horário que sua mercadoria chegará ao destino final.

“Temos percebido que essa questão está fora dos centros de debates no país”, afirma. “As dificuldades de mobilidade deixaram de ser problemas que envolvem somente São Paulo e Rio de Janeiro. Em cidades como Salvador, Recife e Manaus, que vivem situações do mesmo tipo, ninguém consegue marcar compromissos”, completa.

Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Belém, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre e Recife abrigam 45% da população urbana brasileira. Nas duas maiores, São Paulo e Rio de Janeiro, estão 20% dos que habitam o Brasil.

Segundo o estudo preparado pela CNI, cada morador dessas 12 metrópoles gasta, em média, uma hora e quatro minutos para fazer seus deslocamentos diários. Os problemas de locomoção têm se agravado, no entanto, nos municípios com mais de 500 mil habitantes. O trabalho da entidade que representa a indústria mostra que o tempo médio gasto em mobilidade nas regiões aumentou 20% entre 2003 e 2010, em função, principalmente, da expansão das cidades e do aumento das distâncias.

O documento sugere que ” sob o prisma do desenvolvimento sustentado”, é melhor crescer para dentro da metrópole e não mais expandi-la. “Reciclar o território é mais inteligente do que substituí-lo”, destaca o estudo.

A análise sobre a qual os dirigentes da indústria passam a se concentrar servirá também para reorientar os investimentos do setor no país. “Os dados servirão também como fonte de teoria da qualidade das cidades”, afirma Fernandes. Segundo ele, os atrativos de um município passarão a incluir o grau de desenvolvimento de um sistema de transporte, por exemplo.

Nessa linha, o trabalho que a CNI quer levar aos debates políticos enfatiza a necessidade de privilegiar projetos voltados ao transporte público, em redes de ligação de vários modais.

Para reforçar a defesa dos investimentos em transporte coletivo, o estudo da CNI cita que o morador de uma grande cidade gasta 2,93 minutos para percorrer 1 quilômetro em transporte coletivo. Um automóvel gasta 2,67 minutos para percorrer a mesma distância. Essa diferença, de segundos revela, segundo a entidade, que o ganho do transporte individual deixou de ser significativo em uma metrópole.

Desde a década de 1940, o Brasil urbano multiplicou sua população em 14 vezes, o que significa que 85% dos habitantes do país está nas cidades. Mas desde os anos 1960, a mobilidade nas grandes cidades brasileiras tem se baseado no modo rodoviário. A partir da década de 70, todos os sistemas de bondes começaram a ser desativados, o que deu lugar à hegemonia do transporte sobre rodas.

A proposta que a CNI destaca em sua pesquisa é a utilização do transporte coletivo de alto rendimento para os deslocamentos rotineiros. A integração de diversos modais, inclusive as viagens a pé é, segundo a entidade, uma forma de garantir a expansão econômica.

Dessa forma, a entidade que representa a indústria considera que o automóvel, que ganhou projeção “pela mágica do deslocamento imprevisível”, revela-se agora como inadequado como “meio hegemônico de transporte motorizado nas cidades”. “Na grande cidade contemporânea, os automóveis não podem mais ser protagonistas. Precisam ser coadjuvantes”, destaca o estudo.

A CNI reconhece, no entanto, que “não será simples implantar ou mesmo propor uma alternativa ao atual modelo”. Entre 2003 e 2010, o crescimento demográfico no Brasil alcançou de 13% enquanto o aumento da frota de veículos foi de 66%.

Fernandes lembra como cidades como Tóquio têm conseguido povoar o entorno de estações de trem e metrô com moradias, escritórios, shopping centers e demais estruturas necessárias para manter os habitantes próximos dos pontos de deslocamento. No Brasil do passado, por exemplo, a proximidade às estações de trem foi decisiva para a implantação de equipamentos comerciais e de serviços.

Para Fernandes, é urgente, por isso, que o país coloque na agenda de discussão política a necessidade de criar um sistema com multiplicidade de uso de modais e ampliação e facilidade de conexões. Este pode também ser um caminho, segundo a CNI, para cumprir os compromissos de sustentabilidade.

Fernandes lembra que muitas empresas têm enfrentado dificuldades na contratação de profissionais por conta da dificuldade na locomoção em determinada região. Isso acaba por prejudicar o desenvolvimento dos centros de pesquisa e a intelectualidade. “As megacidades serão o cenário concentrador da inovação nas próximas décadas”, prevê o estudo da CNI. Segundo a entidade, ao contrário do que se pregava no passado, “os ganhos econômicos da metropolização são maiores do que os da descentralização urbana”.

Com a concentração do uso do meio rodoviário, com foco no automóvel, os espaços urbanos para moradias se espalharam. A distância do local de trabalho que muitos passaram a enfrentar trouxe graves consequências a partir dos congestionamentos e falta de opções de transporte. Para o brasileiro das classes mais altas, que dirige o próprio automóvel, o tempo de deslocamento é cada vez maior e mais desconfortável. Quem pega ônibus enfrenta ainda mais problemas. Mas são as classes mais pobres que mais sofrem e que fizeram surgir o que a CNI chama de “cidade informal dos loteamentos e favelas”. São as pessoas que preferem morar mal perto do trabalho do que ter de enfrentar a angústia diária do deslocamento.


São Paulo exporta bilhete único, nova bandeira política

Por Raphael di Cunto e Sérgio Ruck Bueno | VALOR

De São Paulo e Porto Alegre

Se a distância acabou por se transformar num dos maiores impedimentos no deslocamento de quem mora distante das regiões centrais das cidades, o bilhete único surgiu como uma solução e, para alguns, a única maneira de sustentar o custo do transporte até o local de trabalho ou escola.

O bilhete único foi criado em maio de 2004 pela ex-prefeita Marta Suplicy (PT). Os sistema permite que, com apenas uma tarifa, de R$ 3,00, o usuário pegue quatro ônibus em um período de três horas, ou três ônibus mais uma integração com metrô ou trem pela metade do preço (R$ 1,50), também num período de três horas. Isso permitiu que os moradores da periferia, mais carentes, gastassem menos para ir ao emprego, concentrado no centro expandido da cidade.

Apesar de elogiado pelos candidatos, o bilhete único é criticado pelo ex-presidente da Dersa e consultor na área de transportes Luiz Célio Bottura. Para ele, o bilhete único não é uma política de transporte, “é política social”, e acaba por sobrecarregar o sistema. “Se as pessoas tivessem que pagar o transporte, pensariam onde vão morar. Como não pagam, não pensam nisso”, afirma.

Entre os candidatos a prefeito em São Paulo, no entanto, todos elogiam o bilhete único, que tem forte apelo e aceitação popular. Celso Russomano (PRB) diz que já ouviu reclamações de que o período de integração deveria ser de mais de duas horas, mas ainda não fez estudos para saber o impacto disso. Ele promete, porém, permitir a recarga do bilhete dentro do próprio ônibus, com os cobradores – hoje, a recarga só é feita nas estações.

Gabriel Chalita (PMDB) diz que fará estudos técnicos e negociará com empresas de ônibus, CPTM e Metrô (estas duas sob responsabilidade estadual) para expandir o tempo de uso e formas de integração com outras cidades da região metropolitana, “já que parte dos usuários do sistema é composta por trabalhadores de outras cidades que precisam vir diariamente para São Paulo”.

Há poucos dias, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, candidato do PT, prometeu criar um “bilhete único mensal”, que permitiria aos usuários de transporte público utilizar de forma ilimitada os ônibus da capital por um mês com uma tarifa de R$ 150,00. Nesse sistema, haveria também versões mensais e semanais do bilhete único. Metrô e trem, geridos pelo governo do Estado, teriam tarifa diferenciada. Haddad defende, no entanto, a integração com os ônibus de prefeituras da região metropolitana e promete associar o cartão a futura rede de bicicletas públicas.

José Serra (PSDB) lembra que foi em sua gestão como prefeito que o bilhete único foi integrado ao metrô e CPTM, o que “permitiu enorme economia para quem usa transporte público na cidade”. Ele destaca ainda o aumento no período de integração, feito por seu aliado, o prefeito Gilberto Kassab (PSD), em 2008. “O mais importante agora é investirmos na integração entre os diferentes modais (ônibus, metrô e trens), criando mais oportunidades da integração tarifária”, diz.

Soninha Francine (PPS) diz que fará a integração com outros modais. Ele prevê a construção de garagens para automóveis nas estações de metrô fora do centro da cidade e a associação do bilhete a uma rede de bicicletas compartilhadas. “O Haddad falou primeiro, mas eu já tinha pensado nisso”, brinca. Ela afirma que também quer integrar o sistema de transporte com outras cidades da região metropolitana, mas que a “prefeitura, sozinha, não tem poder sobre isso”.

Porto Alegre implantou o sistema de bilhetagem eletrônica em 2008 e desde julho do ano passado adota o modelo de integração com segunda passagem gratuita. O benefício vale para usuários do chamado cartão “Tri”, inclusive os que usam passe escolar e vale-transporte, que tomam o segundo ônibus até 30 minutos depois de desembarcar do primeiro.

É um dos trunfos do prefeito José Fortunati (PDT), que concorre à reeleição. Segundo ele, no primeiro ano de integração mais de 30 milhões de passagens, que custam R$ 2,85 cada, deixaram de ser cobradas. De 2008 para 2009, o volume de passageiros na cidade caiu ligeiramente, mas em 2011 voltou a subir.

A bilhetagem dos ônibus urbanos também funciona integrada ao sistema de cartões da Trensurb, estatal federal que opera o trem que liga Porto Alegre a cinco municípios da região metropolitana, com desconto de 10% em cada uma das tarifas.

A candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila, diz que o sistema de integração precisa ser “repensado”. Para ela, um dos problemas é a perda da passagem gratuita, quando o passageiro demora mais de meia hora para pegar o segundo coletivo. Para o candidato do PT, Adão Villaverde, a solução é aumentar o limite de 30 minutos entre uma viagem e outra para garantir a isenção da segunda tarifa. Ele também propõe uma “política concertada” com outras prefeituras num sistema de integração entre os sistemas de transporte dos municípios da região metropolitana.

O candidato do PSOL, Roberto Robaina, considera “adequado” o sistema atual. “Alguma coisa foi feita”, diz. Já os candidatos do PSDB, Wambert Di Lorenzo, e do PSTU, Érico Corrêa, revelam uma afinidade incomum e propõem um modelo que permita o pagamento de uma única passagem por dia, sem limite de utilização.

Esta é a quarta reportagem do jornal VALOR da série “Mobilidade nas Eleições”

17/08/2012 - 09:37h Ibope SP: Gestão Kassab é ruim ou péssima para 43% dos moradores da cidade


Presidente Dilma Rousseff e governador Geraldo Alckmin têm avaliação positiva de 55% e 41%, respectivamente, segundo pesquisa Ibope

17 de agosto de 2012

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

O Ibope também perguntou aos entrevistados como avaliam as administrações do prefeito Gilberto Kassab (PSD), do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e da presidente da República, Dilma Rousseff (PT). A gestão de Kassab é considerada boa ou ótima por 18% e ruim ou péssima por 43%. Em relação à pesquisa anterior, feita há duas semanas, o saldo negativo passou de 22 para 25 pontos porcentuais.

O governador Alckmin é aprovado por 41% dos paulistanos, enquanto apenas 16% veem sua administração como ruim ou péssima – o saldo positivo é de 25 pontos, o mesmo resultado obtido no início deste mês.

Já Dilma tem 55% de ótimo e bom e 11% de ruim e péssimo. Seu saldo positivo é de 44 pontos porcentuais, e também não variou desde a última pesquisa.

Entre os que aprovam a administração de Kassab, Serra – candidato apoiado pelo prefeito – tem 42% das intenções de voto. Esse índice cai para 15% entre os que consideram a gestão ruim ou péssima.

Entre os que consideram a administração Dilma boa ou ótima, é Celso Russomanno (PRB) quem lidera, com 31%. Serra vem a seguir, com 26%, o dobro do índice obtido pelo petista Fernando Haddad, correligionário da presidente.

Dilma tem afirmado que vai se manter distante da campanha em São Paulo, ao menos no segundo turno, já que entre os concorrentes há outros candidatos de partidos de sua base.

02/07/2012 - 08:46h “O PSD é o cupim do PSDB em São Paulo”

Escolha de vice deflagra embate no PSDB

02 de julho de 2012

O Estado SP

A escolha do ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider (PSD) como candidato a vice-prefeito de José Serra (PSDB) deflagrou um embate entre tucanos ligados ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o grupo serrista. Um dia após o anúncio da vice, alckmistas fustigaram a escolha de Schneider e voltaram a atacar a chapa única para eleição de vereadores, apelidada de “chapão”.

O grupo que apoia o governador esperava ser contemplado com a indicação da vice, depois de ter perdido o embate que decidiu que o PSDB formaria aliança com outros partidos na chapa proporcional. Os alckmistas defendiam voo solo por avaliar que, coligado em uma chapa tão grande, o PSDB tende a perder cadeiras na Câmara Municipal.

O assessor especial de Alckmin Fábio Lepique atacou pelo Twitter o líder do PSDB na Câmara, vereador Floriano Pesaro, e membros da Executiva do partido, pelas decisões anunciadas. “O @Floriano45 e os membros do diretório que votaram a favor do ‘chapão’ prestaram um desserviço ao PSDB. E nem a vice levamos!”. Ao Estado, desabafou: “Perdemos tudo.”

José Aníbal, secretário estadual de Energia, protestou contra a indicação de Schneider. “Vai na direção contrária ao que queria a militância da capital”.

Pesaro, um dos principais articuladores de Serra no processo eleitoral, afirmou haver “uma estratégia de desestabilizar a campanha do Serra”, e tentou desqualificar as críticas. “Essa questão do Fábio (Lepique) é de uma falsidade moral sem precedentes. E a palavra do José Aníbal é a de alguém que foi derrotado nas prévias e age de forma isolada.”

Passado. A escolha de Schneider reavivou ressentimentos oriundos da eleição de 2008, quando Serra apoiou a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e Alckmin se lançou candidato, estabelecendo um racha no partido. À época, tucanos que integravam a gestão Kassab, como Andrea Matarazzo, optaram pela neutralidade. Schneider, contudo, apoiou o prefeito.

Desde então, este recebe sinais de Kassab de que poderia ser seu sucessor. Em 2011, ele trocou o PSDB pelo PSD. Sua entrada na vice desperta o os ciúmes de tucanos que alimentam desejo de suceder Serra e Alckmin na capital e creem que Schneider “furou a fila” da sucessão.

A desconfiança do grupo alckmista em relação ao vice de Serra se estende também a Kassab, que coligou seu PSD ao PT em diversas cidades do Estado e, nacionalmente, sinaliza um alinhamento com o governo federal. Ele é visto como potencial adversário de Alckmin em 2014.

Chapão. O “chapão” na proporcional fez o presidente do PSDB da Mooca, Eduardo Odloak, desistir de concorrer a vereador. Em texto, Odloak afirmou que a coligação “diminuiu as chances de renovação”. Segundo ele, o PSDB deve eleger apenas metade dos 13 vereadores de 2008. “Um mau negócio”, diz Lepique. Pesaro defendeu a decisão: “É importante para eleger o Serra.”

Como o sr. avalia a indicação de Schneider para vice de Serra? Vai na direção contrária do que queria a militância da capital. Essa aliança preferencial (com o PSD) não foi objeto de discussão partidária. É uma iniciativa exclusiva do candidato.

O PSDB está cedendo demais?

O PSD é o cupim do PSDB na capital, eles se alimentam do PSDB. Não é possível acolher sistematicamente o que deseja o atual prefeito. O PSDB corre sério risco de virar figurante.

Qual é o impacto do ‘chapão’ para a eleição dos vereadores?

É uma medida conservadora, com o propósito de não renovar a Câmara.

28/06/2012 - 09:42h Vice de Serra explicita disputa entre Kassab e Alckmin

Por Vandson Lima e Raphael Di Cunto | VALOR

De São Paulo

A briga pela indicação do candidato a vice na coligação que terá José Serra (PSDB) como postulante à Prefeitura de São Paulo ganhou novos contornos ontem. De um lado, a executiva do PSDB aprovou um manifesto em que reivindica a chapa pura. De outro, o PR comunicou à chapa, por nota, que só abdica do posto se o vice for indicado pelo PSD, partido do prefeito Gilberto Kassab.

Nas entranhas dessa batalha entre aliados se avoluma a disputa entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Kassab, ambos com olhos postos em 2014 e ciosos em ceder espaço para o outro na composição da chapa serrista.

A executiva do PSDB na capital paulista aprovou na terça-feira, por unanimidade, a defesa de que o vice de Serra seja também um nome da sigla – o ex-secretário estadual de Cultura Andrea Matarazzo, próximo de Serra, e o deputado federal Edson Aparecido, aliado de Alckmin, figuram como favoritos.

A leitura no tucanato é de que o PSDB já cedeu o suficiente aos aliados ao aceitar a formação de uma mesma chapa de vereadores, o que em tese prejudicaria o desempenho do partido na eleição proporcional. Veem ainda na manifestação do PR as digitais de Kassab, principal articulador da adesão do partido à aliança.

Principal líder do PR na cidade de São Paulo, o vereador Antonio Carlos Rodrigues disse não considerar uma ameaça o fato de seu partido reivindicar a vice. “De maneira nenhuma. Só queremos sentar e conversar, não podemos saber as coisas apenas pelos jornais”, afirmou. “Quando combinamos a aliança, houve acordo para que o partido com a maior bancada ficasse de vice. Se mudou, queremos postular a vaga”, avisou.

O vereador diz que não ter conversado com o prefeito Gilberto Kassab antes de redigir a nota. O prefeito deseja indicar o vice e ofereceu o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider para a vaga. O DEM, antigo partido de Kassab, quer que o escolhido seja o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM). O PV também pleiteia a vice, com o ex-secretário municipal de Meio Ambiente Eduardo Jorge.

Durante a convenção tucana que oficializou a candidatura Serra, no domingo, o presidente do PV, José Luiz Penna, chegou a dizer que haveria um “processo de queimação” nas denúncias de que seu correligionário teria recebido propina enquanto estava no cargo. Para Penna, isso ocorreria justamente por Jorge ser um dos nomes considerados para a vice de Serra. Questionado se a “queimação” viria de partidos aliados, se limitou a dizer “Aí eu não sei”. Hoje, a coordenação de campanha de Serra se reúne com os aliados.

Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) multou Serra em R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada, em decisão do juiz Henrique Harris Junior. É a terceira multa do candidato do PSDB a prefeito da capital paulista neste ano. As punições totalizam até o momento R$ 20 mil. O PT acusou Serra, em representação ao TRE, de divulgar sua candidatura no site www.joseserra.com.br, por meio de comentários dos leitores. O parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) é favorável à multa, sob a alegação de que os comentários são moderados pelo proprietário, que “não pode alegar ignorância ou desconhecimento acerca do seu conteúdo”.

10/05/2012 - 08:57h Veja os principais números da pesquisa Ibope em SP

10.maio.2012 03:32:12

Eleição paulistana: 10 candidatos e só 2,5 candidaturas

José Roberto de Toledo – O Estado SP

A eleição paulistana tem dez candidatos, mas só duas candidaturas e meia. Com 31% no Ibope, José Serra (PSDB) catalisa, por ora, o eleitorado anti-petista. A outra candidatura é a do PT, mesmo que só 3% do eleitorado declare voto em Fernando Haddad por enquanto. O PT tem a simpatia de 31% do eleitorado paulistano e nunca ficou fora de um segundo turno na cidade. A terceira candidatura está em fase de projeto: há espaço, mas falta um nome. Oito candidatos tentam ser o tertius, a alternativa à bipolarização tucano-petista. Juntos, os oito têm 44% de intenção de voto estimulada.

A pesquisa Ibope dá pistas de quem tem mais chances de ser a terceira via da eleição paulistana. Mais importante do que a intenção de voto nesta fase fria da campanha, é o potencial de crescimento. E isso depende de uma baixa rejeição dos eleitores e de mais oportunidade de exposição quando a campanha chegar à TV.

À esta altura, quando 4 em cada 5 eleitores não têm o nome de nenhum dos candidatos na ponta da língua, as intenções de voto são mais um exercício de memória do que a decisão definitiva do eleitor. Hoje, a pesquisa espelha o grau de conhecimento do eleitorado sobre os candidatos. É algo que tende a mudar muito à medida que a propaganda se intensificar e a eleição se tornar uma preocupação real para os eleitores.

Entre os candidatos a tertius, Celso Russomanno (PRB) é o mais conhecido. Tem 16% no Ibope, mas bateu no teto e lhe falta tempo de propaganda eleitoral. Ele é alavancado pela exposição constante na TV, especialmente na Record, onde trabalha. Mas a partir de 10 de junho -manda a lei- Russomanno não poderá mais apresentar seu quadro de defesa do consumidor. Para ele se manter com chances, precisaria se aliar a partidos que têm muitas inserções na TV. Está difícil.

Netinho de Paula (PC do B) também deve seus 8% no Ibope à TV. Na eleição para senador, ele largou bem, mas perdeu terreno à medida que a rejeição a seu nome aumentava. Desta vez, será obrigado a se afastar dos programas televisivos sem a contrapartida da propaganda eleitoral que a aliança com o PT lhe garantiu dois anos atrás. É um caso semelhante ao de Russomanno, agravado por uma rejeição três vezes maior: 38%, contra 13% do rival.

Por sua origem petista, Soninha (PPS) teria chances de se viabilizar como terceira via pela esquerda. Mas a aliança do PPS com o PSDB em São Paulo, além de sua participação pessoal no mal-avaliado governo do prefeito Gilberto Kassab (58% desaprovam), fragilizam o discurso oposicionista. Soninha tende a ficar espremida pela candidatura de Serra. Também lhe falta tempo de propaganda. A seu favor, é a única mulher na disputa.

Na terceira via, Gabriel Chalita (PMDB) tem o maior potencial. Sua rejeição (11%) é a mais baixa. Ele patina em 6% de intenção de voto desde janeiro, mas tem algo que nenhum outro candidato a tertius tem: tempo de TV. Como Haddad, o peemdebista dependerá de um bom desempenho na TV. Sua missão é duplamente difícil: em 45 dias de horário eleitoral, precisará se firmar como terceira via e suplantar uma das candidaturas supostamente favoritas.

Se chegar ao segundo turno, Chalita tem potencial para roubar votos de Serra ou de Haddad. Pode posar de aliado tanto de Dilma Rousseff (PT) quanto de Geraldo Alckmin (PSDB). O difícil é chegar lá.

Em SP, Dilma tem a aprovação de 65%

10 de maio de 2012

DANIEL BRAMATTI – Agência Estado

Poucos dias após atacar os bancos em rede nacional de rádio e televisão e em meio a uma campanha para reduzir os juros cobrados dos consumidores e tomadores de empréstimos, a presidente Dilma Rousseff obteve índice de 65% de aprovação a seu governo na cidade de São Paulo.

Segundo a pesquisa Ibope, as taxas de “ótimo” e “bom” obtidas por Dilma entre os paulistanos superam as do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Apenas 8% dos eleitores da cidade apontaram a gestão de Dilma como ruim ou péssima, e 25% a consideraram regular.

Entre os moradores mais pobres – com renda de até um salário mínimo – e com escolaridade mais baixa – até quatro anos de estudo -, a aprovação a Dilma é ainda maior (73% e 71%), respectivamente.

No caso de Alckmin, 42% consideram a administração do governador tucano ótima ou boa. Para 38%, a gestão é regular, e ruim e péssima na avaliação de outros 18%.

Dilma e Alckmin, que têm se mostrado próximos em termos administrativos, estarão em campos opostos na eleição paulistana, onde Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) ocupam posição de destaque.

Fator eleitoral

Os altos índices de aprovação à presidente a credenciam como cabo eleitoral na cidade, em um momento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta dificuldades para entrar na campanha de Haddad.

Recém-saído de um tratamento contra o câncer na laringe, Lula ainda se recupera dos efeitos da quimioterapia e da radioterapia. Fernando Haddad, que nunca disputou eleições, contava com a colaboração ativa do ex-presidente para conquistar o eleitorado paulistano.

Gestão Kassab é mal avaliada por paulistanos

10 de maio de 2012

O Estado de S.Paulo

Principal aliado de José Serra na corrida eleitoral, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) tem sua gestão considerada ruim ou péssima por 39% dos paulistanos, segundo a pesquisa Ibope feita nos primeiros dias de maio.

Outros 38% consideram a administração regular, e apenas 22% a apontam como ótima ou boa. A maior taxa de reprovação (49%) é verificada entre os moradores da região norte da cidade.

Os entrevistados pelo Ibope também foram convidados a apontar o que consideram os três principais problemas da cidade. A área da saúde ficou em primeiro lugar, com 64%, seguida por educação (46%), segurança pública e transporte coletivo. Os índices representam a soma das três áreas que o entrevistado poderia mencionar.

16/02/2012 - 09:04h José Serra não será candidato. De si mesmo

Por Cristian Klein – VALOR

De toda a barafunda e complexos cálculos políticos nos quais se enredou a disputa pela Prefeitura de São Paulo, um dos aspectos mais subestimados é como a dinâmica eleitoral desencandeou um processo no qual os nomes contam menos do que a formação de coligações. O que está em questão é a preservação e a expansão de grupos políticos.

Todas as atenções estão voltadas para a importante informação sobre se o ex-governador tucano José Serra, tal como uma “prima donna”, entrará ou não no jogo. A participação de Serra, para o campo conservador, é vista como a redenção. O governador Geraldo Alckmin, seu adversário interno no PSDB paulista, já fez de tudo para rebaixá-lo. Agora, o procura de braços abertos e espera pelo seu sim.

Mas a presença de Serra pode ser menos determinante ou providencial do que se imagina. O arranjo se dá mais pela movimentação dos grandes blocos políticos do que pela vontade pessoal dos concorrentes.

Os nomes importam menos do que as alianças partidárias

Não faz muito tempo, o PT estava isolado, sem a adesão das legendas que lhe dão apoio no governo federal. Bastou que o PSD do prefeito Gilberto Kassab insinuasse uma coligação que o ex-ministro da Educação Fernando Haddad passasse à condição de favorito.

Não contam apenas os atores principais – as máquinas municipal (PSD), estadual (PSDB) e federal (PT). Um conjunto de siglas médias, como PSB, PDT, PTB, PCdoB e PR, ajudam a levar o pêndulo ora para um lado, ora para outro. Não é o ex-presidente Lula, com toda a sua popularidade, que muda o rumo dos ventos. É a estratégia, a política de alianças, de quem consegue agregar mais.

Os nomes importam menos do que as alianças partidárias. Os grupos sobrepõem-se aos indivíduos. Caso aceite participar, José Serra será talvez o exemplo mais cabal – ainda que às avessas – da velha máxima de que “ninguém é candidato de si mesmo”. A expressão geralmente é utilizada por pretensos candidatos em busca de aval de seu grupo político para entrar numa disputa. Reflete a necessidade de uma rede de apoios, da qual o político, qualquer que seja, depende. O caso Serra reforça a lógica de maneira inversa. É impelido de todas as maneiras para que assuma uma candidatura que não deseja. Nada menos personalista. Ontem, 20 dos 22 deputados da bancada tucana na Assembleia Legislativa lançaram uma nota em que pediam o fim das prévias e o anúncio do ex-governador como candidato do partido.

Serra, como se sabe, gostaria de concorrer, pela terceira vez, à Presidência da República, em 2014. É uma meta cada vez mais distante. A bola da vez – e, de novo, são seus correligionários, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que mandam avisar – é o senador mineiro Aécio Neves. Resta-lhe contentar-se em ser uma espécie de salvador do PSDB em São Paulo, uma vez que o partido não tem candidatos de grande densidade eleitoral. Será um instrumento regional a serviço dos planos de Alckmin e de preservação nacional dos tucanos. Serra tornou-se uma peça pequena mas importante para a sustentação do PSDB e da oposição. Caso a capital caia nas mãos do PT, a reeleição de Alckmin está ameaçada. E se os petistas controlarem o maior Estado do país, além do governo federal, a partir de 2014, os tucanos e a oposição estarão de vez encurralados.

A candidatura Serra pode impedir que o prefeito Gilberto Kassab bandeie-se para o lado dos petistas. Kassab tem laços estreitos com Serra, de quem foi vice em 2004 e assumiu a prefeitura em 2006. É um impeditivo de ordem moral, mas não política. O comportamento do prefeito já mostrou sua inclinação a mudar de lado, num comportamento tão errático quanto maleável. Abandonou o DEM, fundou o PSD e foi o guia de um rebanho na travessia da oposição para o governismo federal e estadual.

Há uma lógica nacional da aproximação de Kassab com o PT. Aqueles que o acompanharam para o PSD o fizeram na intenção de fugir do estigma de oposicionistas. Desde 2002, ninguém encarna melhor o antipetismo do que José Serra. E, por isso, o ex-governador é muito inconveniente para Kassab.

Mas há uma lógica estadual, na qual os tucanos têm o controle do território, há quase 20 anos. O governismo em São Paulo chama-se PSDB. Que constrangimento Kassab teria em desagradar o PT, dada a reputação camaleônica que construiu, e se siglas da base federal, como PSB e PDT, já gravitam em torno da administração Geraldo Alckmin?

Entre uma lógica e outra, ambas governistas, Kassab tenta se equilibrar. O que mais importa para o prefeito é não perder a eleição, seja com quem for. É o sinal de vitória que precisa emitir para os que aderiram ao partido recém-formado, em sua primeira disputa eleitoral, e para manter a imagem de hábil articulador político.

O PSD já tem feito ou está aberto a alianças com o PT em várias capitais do país – em cerca de dois terços delas. Em São Paulo a aproximação carrega um simbolismo maior, pelo histórico de rivalidade entre as partes e a repercussão do acordo para o cenário nacional. Por intermédio de Lula, tão empenhado que está em eleger Haddad, Kassab tem a oportunidade única de quebrar as resistências do núcleo de militantes mais ideológicos do PT. Será que vai desperdiçar?

A expansão de seu grupo político no Estado depende de uma aliança com o PT ou com o PSDB. Serra também pode lhe ser útil, na medida em que o aproxima de Alckmin. Como seu desafeto, o governador criou sérios obstáculos para a criação do PSD em São Paulo, especialmente na conquista de prefeituras. Hoje, porém, passada a temporada de assédio de Kassab a prefeitos e outros quadros tucanos, Alckmin sabe que não pode continuar na mesma estratégia. Seu objetivo maior é a manutenção do espaço conquistado. Enquanto isso, PT e PSD têm a mesma meta: avançar sobre seus domínios. Facilitar essa união não é nada inteligente. Nem que para isso o governador reabilite José Serra.

Cristian Klein é repórter de Política. Escreve mensalmente às quintas-feiras

E-mail cristian.klein@valor.com.br

16/02/2012 - 08:52h PSDB inicia movimento para acabar com as prévias e compensar pré-candidatos

16 de fevereiro de 2012

O Estado de S.Paulo

Oito meses após anunciarem prévias para escolher o candidato a prefeito, líderes do PSDB começaram a atuar nos bastidores para derrubar a disputa interna, abrindo caminho para a candidatura do ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo. A bancada tucana na Assembleia Legislativa divulgou nota ontem em que pede ao ex-governador que aceite o apelo de disputar e que o partido desista das prévias. A movimentação causou polêmica na legenda, que se divide sobre a realização das prévias.

Movimentos distintos apontavam uma ação para que não saia do papel a disputa interna, sobre a qual o governador Geraldo Alckmin chegou a dizer que era sua “obrigação moral” defender.

No Palácio dos Bandeirantes, já se fala em compensações para os quatro pré-candidatos que colocaram seus nomes na disputa, marcada para o dia 4 de março.

Neste momento, no entanto, prossegue uma divergência de timing entre o governador e Serra, que ainda não resolveu se é candidato. Alckmin deseja que ele se decida antes das prévias. Mas, segundo interlocutores, Serra não dá indicativos de que resolverá até lá. Para aliados, é possível que estenda o processo até a convenção, em junho.

Além da nota da bancada, o presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini, falou em “saída jurídica” para a questão.

“Estou sentindo um movimento para derrubar (as prévias). Mas isso só vai acontecer se me derrubarem no voto. Sou a favor das prévias e vou defendê-las até a última hora”, desabafou o presidente estadual tucano, Pedro Tobias. “A bancada considera as prévias um processo legítimo. Assim como considera o nome de Serra como candidato”, disse o líder do PSDB na Câmara Municipal, Floriano Pesaro.

No governo, avalia-se que dois dos pré-candidatos, os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente), abririam mão do processo. O “problema” seria o secretário José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli. Estão em estudo compensações, como o fortalecimento da pasta de Energia, que abrigaria a de Saneamento. Tripoli poderia receber cargo de direção na campanha.

Data. Semeghini disse ontem não haver no estatuto data sobre as inscrições nas prévias, apesar de resolução interna, apoiada por ele, falar que o prazo era até o dia 14. Ele afirmou que a eleição interna será mantida e que os pré-candidatos do partido adquiriram direito de disputá-la e “ninguém vai poder tirar (isso) deles”. “Acredito que se houver qualquer interesse do Serra, será antes das prévias, pois ele terá de participar do processo.”

Alckmin disse ontem que a eleição interna está mantida, mas afirmou que, se Serra for o candidato, a legenda vai avaliar a questão. “Não tem nenhum fato novo. Se o ex-governador se dispuser a ser, e não tem essa definição, o partido vai avaliar.”

Desencontros. Assinada pelo líder do PSDB na Assembleia, Orlando Morando, a nota defendendo a candidatura de Serra diz que ele não deve disputar as prévias. “Acreditamos que um homem público da qualidade de Serra, com toda a sua vivência e experiência adquirida nos cargos públicos que ocupou, não tem que disputar prévias.” Tobias divulgou nota desautorizando Morando. “As prévias são um fato consumado”, declarou.

Os pré-candidatos também reagiram às investidas contra a disputa. “Acho um desrespeito”, declarou Tripoli. Aníbal afirmou, ainda, que “em nenhum momento” Semeghini “descredenciou as prévias”. / JULIA DUAILIBI, FERNANDO GALLO, LUCAS DE ABREU MAIA e GUSTAVO URIBE

15/02/2012 - 08:53h Para conter união Kassab-PT, PSDB pressiona Serra e divide base tucana

15 de fevereiro de 2012

O Estado de S.Paulo

As pressões internas do PSDB para que o ex-governador José Serra entre na disputa pela Prefeitura de São Paulo, intensificadas nos últimos dias diante dos passos cada vez mais ousados do prefeito Gilberto Kassab (PSD) em direção ao PT na capital, provocam forte reação dos quatro pré-candidatos tucanos – que temem uma ação da cúpula da sigla para engavetar as prévias, marcadas para 4 de março.

O prazo para inscrição nas prévias terminou ontem. Serra não se apresentou como pré-candidato. Diante da pressão dos tucanos, especialmente dos gestos do governador Geraldo Alckmin, líderes do PSDB avaliam que Serra, antes refratário à ideia, estaria mais aberto em relação à entrada na disputa, embora não haja nenhuma decisão.

O cenário mostra um PSDB fragmentado em função da indefinição de Serra. Três dos quatro pré-candidatos – os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli – disseram ao Estado que continuam na disputa. O secretário Bruno Covas (Meio Ambiente) não se manifestou.

“As prévias são irreversíveis, estão aí, e sou pré-candidato. Espero ganhar. (O Serra) se inscreve e segue o procedimento”, declarou Aníbal. “O procedimento decidido pelo partido para a escolha do candidato foram as prévias. Faz seis meses que nós adotamos as prévias. Os pré-candidatos se reúnem e conversam. Quem quiser ser candidato pelo PSDB tem de se inscrever e ir para as prévias”, completou.

Tripoli também disse não ter recebido nenhum sinal pedindo para que recue da decisão de disputar. “Vou até o fim”, afirmou.

Matarazzo declarou que continua trabalhando em favor de se disputar a eleição interna. “Quantas vezes ela (a possibilidade de Serra se candidatar) não surgiu no decorrer dos últimos seis meses? É um processo natural”, disse. “Ele tem dito que não é candidato, mas as coisas não são fixas. Precisa ver o que ele decide, o que o governador decide e o que o partido decide.”

Recados. Alckmin, que não conversa com Serra há pelo menos vinte dias, defende a candidatura do ex-governador e pediu a emissários que falassem com ele sobre sua possível entrada na disputa, como o Estado noticiou em 7 de fevereiro.

Ontem, o governador disse que a decisão final será de Serra, mesmo com o prazo para a inscrição nas prévias esgotado. “Se ele quiser ser candidato, é um ótimo candidato, preparado e sério”, afirmou. “Esta é uma decisão pessoal do José Serra que nós devemos aguardar”, completou. “Eu não tenho nenhum fato novo, nenhum fato novo”, frisou.

Em janeiro, o ex-governador teria dito a aliados que não pretendia disputar este pleito e que estaria focado apenas na sucessão presidencial de 2014.

Dirigentes. Mesmo diante das pressões para que Serra se torne o candidato, o presidente estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias, mantém o apoio às prévias e defende que o ex-governador participe da consulta interna. “Se Serra participar da prévia, tem grande chance de ganhar.” Tobias acrescentou que as prévias só serão canceladas se os quatro pré-candidatos desistirem em favor de Serra. “Há dois que não abrem mão”, disse, em referência a Aníbal e Tripoli.

De passagem por Brasília para tratar de um empréstimo do Banco Mundial para São Paulo, o presidente do PSDB paulistano e secretário estadual de Planejamento, Júlio Semeghini, engrossou o coro da aposta tucana na candidatura de Serra. “Há expectativa de Serra ser candidato, sim. O partido precisa muito da candidatura dele e eu acredito muito nela”, afirmou. Em seguida, advertiu que as prévias do PSDB para a escolha do candidato estão se tornando inevitáveis. “Se um dos quatro pré-candidatos se mantiver na disputa, Serra terá que passar pelas prévias. Este caminho será o melhor para ele.”

‘Tardio’. Aliado de Serra, Kassab reiterou ontem que a união PT-PSD à Prefeitura pode produzir uma boa aliança e ressaltou que Serra não será candidato. “Acho até desrespeitoso da minha parte falar em relação a uma eventual candidatura, porque ele já me afirmou que não será candidato.” O prefeito, que conversou com Serra no final de semana, voltou a dizer que “uma candidatura, quando colocada tardiamente”, pode trazer desvantagens numa eleição. “Você leva uma desvantagem em relação a seus adversários. Campanha precisa de tempo.” Indagado se era referência a Serra, disse: “Prefiro não me manifestar. É uma decisão que depende dele”. / JULIA DUAILIBI, LUCAS DE ABREU MAIA, GUSTAVO URIBE, BRUNO RIBEIRO e CHRISTIANE SAMARCO

Ex-governador pede dados sobre Prefeitura e alianças

15 de fevereiro de 2012

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O ex-governador José Serra fez pelo menos dois movimentos concretos na última semana para sinalizar aos aliados a possibilidade de rever a posição e disputar a Prefeitura de São Paulo. Primeiro, pediu ao ex-secretário de Fazenda e hoje titular da Secretaria Municipal de Finanças, Mauro Ricardo, informações detalhadas de todas as contas da Prefeitura. Depois, procurou outro ex-colaborador – o chefe da Casa Civil do governo estadual, Sidney Beraldo – para saber como está a negociação das alianças para a disputa municipal.

Os sinais foram a senha para desencadear a “operação segura Kassab” no PSDB. Serra está convencido de que uma aliança do prefeito da capital e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, com o PT do ex-presidente Lula é “uma viagem sem volta”, que pode terminar com o ex-aliado no ministério da presidente Dilma Rousseff.

Serra estaria considerando participar da disputa movido pela certeza de que a Prefeitura de São Paulo é estratégica para as oposições e que uma vitória do PT na capital paulista seria prenúncio de um massacre da oposição em nível nacional.

Mas isto não significa que ele estaria na corrida municipal em qualquer cenário. Ao contrário. O ex-governador quer ser convocado pelo PSDB para a missão partidária e exige que a cúpula tucana crie condições para que ele assuma a candidatura.


Alckmin pode levar Goldman ao governo

15 de fevereiro de 2012

O Estado de S.Paulo

Bastidores: Julia Duailibi

Na pauta de negociações para convencer o ex-governador José Serra (PSDB) a disputar a Prefeitura estão o convite para o ex-governador Alberto Goldman ingressar na equipe de Geraldo Alckmin e a sinalização de que o candidato a prefeito tucano terá autonomia para montar sua chapa, inclusive com a indicação do vice. Alckmin já havia avançado nas negociações e cedido a vice ao DEM, mas Serra teria preferência por uma chapa puro-sangue, com o PSDB na vice, como fez em 2006 ao disputar o governo estadual.

Para aliados de Alckmin, um convite a Goldman também tem simbolismo político: prestigia o grupo de Serra, descontente com a composição do governo Alckmin em 2010. O governador pretende fazer uma reforma no secretariado em março e, segundo interlocutores, estuda oferecer a Goldman uma pasta. Entre as cotadas, está a de Desenvolvimento Econômico.

19/01/2012 - 09:49h Oposição terceiriza seu projeto de poder

Cristian Klein – VALOR

Que a oposição está perdida não é novidade. A última evidência é a confusão no PSDB sobre qual avaliação o partido faz sobre o primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff. Um diagnóstico mais virulento, produzido pelo ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, foi desautorizado e substituído por uma versão bem mais amena da direção nacional. Há tempos, os tucanos não sabem para onde apontar o bico.

A diferença agora é que fica mais claro o vácuo de poder. O PSDB parece acéfalo. O senador mineiro Aécio Neves frustrou as previsões de que seria a voz da oposição e teve uma atuação apagada em sua volta ao Congresso. Não deu outra. Com o ex-governador de São Paulo, José Serra, no ostracismo depois da derrota à Presidência em 2010, e o atual, Geraldo Alckmin, voltado para defender seu território contra uma eventual e forte aliança entre o PT e o PSD que ameaça seus planos para 2014, até o senador Alvaro Dias (PR) apresenta-se como pré-candidato da sigla à corrida presidencial.

A doença por que passa a oposição é a de não criar expectativa de poder. Sua estratégia agora é se misturar ao grande condomínio da coalizão liderada pelo PT, e tentar se infiltrar e abrir fissuras no bloco. A criação do PSD pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e sua “sociedade” com o governador de Pernambuco e presidenciável, Eduardo Campos, líder do PSB, é um exemplo desse movimento.

Em Campos deságua expectativa de voltar ao governo

A resistência do PSDB em bater no governo Dilma e o flerte de Alckmin com a presidente – visitante assídua de cerimônias no Palácio dos Bandeirantes – são outras evidências. Dilma, espertamente, encostou na oposição. E a oposição mantém o contato, que segue o plano de embolar com o adversário.

A ideia de que parcerias com programas federais ajudam na solução dos problemas da população é só uma mal disfarçada forma de mascarar a realidade. Quanto maior é a proximidade da oposição com o governo, mais ela revela a perda de sua força como alternativa. Não sem razão, o movimento foi intensificado depois de 2010.

O fracasso de Serra renovou a perspectiva de um governo petista pelo menos até 2018. A reeleição no Brasil, como nos Estados Unidos, criou um sistema em que o mandato praticamente é de oito anos, confirmado em sua metade, salvo um desastre. Hoje, a única esperança para a oposição é o agravamento da crise europeia a ponto de abalar seriamente a economia brasileira. Quanto pior, melhor. Mas a administração petista soube contornar, com destreza, até a crise de 2008. Então, haja paciência. E nem todos estão dispostos a esperar.

A perspectiva pessimista deixa a oposição muito mais longe de seu objetivo e exposta ao processo de definhamento. O DEM já passava por ele, antes da debandada para o PSD. O PSDB teme a mesma desidratação. Os rumores de que Serra pode sair para o PPS ou para o PSD (com menos probabilidade) para disputar a Presidência em 2014 é um retrato do desencanto.

A aproximação da oposição com o governo se dá, não por coincidência, no momento em que ela já percebe que está mais longe de ser a primeira via, o primeiro colocado, e mais perto de ser alcançada por quem vem atrás. Sua preocupação hoje é a de não ceder esse lugar ou minimizar a perda de espaço, negociando-o com a terceira via.

Por isso evitou agredir o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB), acusado de privilegiar seu Estado, Pernambuco, com verbas de combate a enchentes. Tudo para não melindrar Eduardo Campos, fiador de Bezerra.

Em Campos deságua hoje a principal expectativa de poder, fora do PT. Ele está na base do governo federal, mas habilmente constrói inúmeras pontes com a oposição, em alianças estaduais (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Alagoas, Paraíba). A ida do deputado Márcio França para o governo Alckmin teve entre seus objetivos ajudar os tucanos e evitar que os petistas dominem São Paulo.

“O único foco real de oposição é São Paulo, Estado que impõe muito respeito e sozinho já assusta. Se o PT ganhar a capital e o governo, acabou o PSDB. O PT vira partido único, hegemônico”, diz um dirigente do PSB.

Há quem aponte que o destino da oposição (PSDB, DEM, PPS) passe por Campos, como garantia de um período de estancagem da hemorragia, para só então haver uma volta ao poder, em 2023. É um exercício de futurologia, ainda que autointeressado. “A oposição vai ficar no pé do Eduardo. Ele vai ser a salvação”, defende outro dirigente do PSB.

Eduardo Campos, no entanto, também tem suas dificuldades. Em primeiro lugar, precisa defender o que conquistou. Reelegeu-se com 83% dos votos, é o governador mais bem avaliado do país, mas, diante do fim do ciclo de dois mandatos, precisa fazer bem a transição. Tem o PT em seu calcanhar, no comando de Recife, e enfrenta o desafio da sucessão – sempre uma operação de risco, pela possibilidade de traição do apadrinhado. Sair do governo e eleger-se ao Senado é entrar numa trajetória declinante, como a de Aécio. Daí sua pressa de mostrar poder de fogo enquanto tem condições – como governador. Esforço evidente foi a força-tarefa montada na Câmara para eleger sua mãe, Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União.

Eduardo Campos quer influir como ator de peso em 2014. Seja como vice numa chapa de situação ou na cabeça de uma candidatura própria tendo Kassab como vice e/ou com apoio da oposição. Nos acordos para a eleição municipal, não quer discutir 2012 sem negociar 2014. A transferência do título eleitoral de Fernando Bezerra, de Petrolina para Recife, como ameaça ao PT, faz parte do jogo.

Em segundo lugar, Eduardo Campos carece de maior inserção no empresariado. Sem o mesmo enraizamento social e nacional, como os petistas, ou o poder econômico que mantém em São Paulo o polo da oposição, Campos procura abrir canais com o eixo Sul-Sudeste.

Pelo Brasil, o PSB já tem filiado nomes como Mauro Mendes, dono da Bimetal, no Mato Grosso, e José Batista Júnior, o Júnior Friboi, proprietário do grupo JBS, em Goiás. Mas em São Paulo, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, entrou na legenda e saiu para o PMDB. A aliança com Kassab, conhecedor do patronato paulista, pode ter, neste sentido, mais utilidade do que parece à primeira vista.

Cristian Klein é repórter de Política. Escreve mensalmente às quintas-feiras

E-mail cristian.klein@valor.com.br

19/01/2012 - 09:38h PSDB discute reaproximação com Kassab

Por Cristiane Agostine | VALOR

De São Paulo

Preocupado com a possível aliança entre PT e PSD em São Paulo, o comando nacional do PSDB reuniu-se ontem na capital paulista para discutir a reaproximação com o partido criado pelo prefeito Gilberto Kassab. O presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), encontrou-se com o governador paulista, Geraldo Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra para debater a estratégia na sucessão municipal paulistana, ainda sem um candidato tucano definido.

Em conversas reservadas, tucanos já dão como certo o acordo entre o PSD de Kassab e o PT do pré-candidato e ministro da Educação, Fernando Haddad.

Guerra teve conversas separadas com Alckmin, FHC e Serra. O senador Aécio Neves (MG) acompanhou o presidente do PSDB no encontro com o governador paulista, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

Na análise dos tucanos, a aliança com o PSD estaria garantida se Serra disputasse a sucessão municipal. O presidente do PSDB, no entanto, demonstrou pouca confiança nessa possibilidade. “É complicado para qualquer um de nós convencer Serra a ser candidato”, disse Guerra. “Seria patético [fazer um apelo a ele]“, afirmou Guerra.

Serra é visto como o tucano com mais proximidade de Kassab para poder negociar uma aliança entre PSDB e PSD. O prefeito de São Paulo foi eleito vice de Serra em 2004 e assumiu a gestão municipal em 2006, quando o tucano decidiu disputar o governo de São Paulo.

Aécio evitou falar sobre a possível ruptura entre PSDB e PSD na disputa na capital paulista. “Aqui seria a aliança natural”, resumiu Aécio. “Este encaminhamento já vem acontecendo ao longo dos últimos anos. Mas essa condução será feita pelas lideranças do PSDB e, em especial pelo Alckmin”, disse.

O presidente do diretório municipal de São Paulo, secretário estadual Julio Semeghini, comentou que o PSDB continuará conversando com Kassab sobre uma eventual aliança. Entretanto, ao analisar o quadro eleitoral, o dirigente indicou que o PSD tem mais chances de unir-se ao PT, que já lançou um candidato.

Semeghini reforçou que Serra tem até o próximo mês para definir se irá disputar a prefeitura. “Ele [Serra] tem que tomar uma decisão”, afirmou. “Não é um ultimato, mas existe um cronograma previsto”, disse Semeghini. No dia 4 de março o partido deve realizar prévias, para escolher um entre quatro pré-candidatos.

19/01/2012 - 09:15h Serra comunica ao PSDB que está fora da disputa à Prefeitura de São Paulo

Em reunião no domingo, tucano deixou claro que perseguirá plano de concorrer à Presidência; decisão foi repassada a Alckmin, mas dirigentes nacionais do PSDB ainda vão insistir em candidatura

18 de janeiro de 2012

Sérgio Castro/AE – 10/01/2012

Alckmin contava com Serra para não precisar ‘carregar’ a campanha tucana pela Prefeitura - Sérgio Castro/AE - 10/01/2012

Alckmin contava com Serra para não precisar ‘carregar’ a campanha tucana pela Prefeitura


Julia Duailibi e Alberto Bombig, de O Estado de S.Paulo, e Gustavo Uribe, da Agência Estado

Depois de meses de pressão para que entrasse na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) reuniu o seu grupo de aliados mais próximos e informou em tom solene que não será candidato na eleição municipal deste ano.

O anúncio foi feito por Serra aos seus principais colaboradores no domingo passado, na casa do ex-presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, e na presença do ex-governador Alberto Goldman, do senador Aloysio Nunes Ferreira e do deputado Jutahy Júnior (BA). O grupo já trabalha num plano B para a eleição na capital.

Em razão da pressão dos tucanos, que o queriam na disputa para trazer o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, o ex-governador resolveu chamar os interlocutores e dizer claramente que não concorrerá a prefeito e que está interessado nas questões nacionais. Serra também atendeu a um apelo de Geraldo Alckmin. O governador queria uma posição de seu antecessor antes das prévias do PSDB, em março.

Apesar de já ter dito publicamente que não entraria na corrida, seu partido ainda tinha a esperança de que ele pudesse rever a posição e o pressionava publicamente para isso. A direção nacional do PSDB ainda planeja uma ofensiva para convencer Serra a disputar o cargo.

O Estado apurou que a decisão de Serra foi levada a Alckmin, que também contava com a possibilidade de ele reavaliar sua posição. O ex-governador é considerado o nome mais forte do PSDB na disputa, e a entrada dele no páreo libertaria Alckmin de ter de “carregar”, segundo expressão usada por tucanos, um novato na campanha.

“Estou convicto de que ele não será candidato. Para mim, esse assunto está liquidado”, afirmou Goldman. “Ele manifestou no encontro que, a partir de agora, se focará ainda mais nas questões nacionais porque o seu projeto é nacional”, declarou outro participante da reunião.

De acordo com aliados, o ex-governador acha que, se entrar na disputa, passará a campanha dizendo que não renunciará para alcançar outro cargo – ele deixou a Prefeitura em 2006 para concorrer ao governo estadual e, depois, em 2010 saiu do Bandeirantes e se lançou à Presidência.

Com essa decisão, Serra reitera sua disposição de insistir com o projeto presidencial novamente, agora em 2014. Ele tem afirmado que a alta rejeição a seu nome, conforme as últimas pesquisas de intenção de voto para prefeito, mostra que a população avalia que ele não quer ser prefeito, aumentando assim o risco de ele perder a eleição.

A decisão de Serra de não concorrer torna as prévias para escolher o candidato tucano, marcadas para março, praticamente incontornáveis. O grupo do ex-governador, no entanto, gostaria de prorrogar o prazo da escolha, mas Alckmin não aceita a manobra. Sem o ex-governador, seus aliados vão insistir para viabilizar o plano Afif: o apoio do PSDB à candidatura do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), ligado a Kassab, em troca da indicação do vice.

Essa saída, porém, encontra a resistência dos aliados do governador – o próprio Alckmin já deu entrevistas descartando a possibilidade de o PSDB não ter um candidato na cabeça de chapa. Na quarta-feira, 18, o governador afirmou que ainda trabalha para ter o PSD na aliança, mas, segundo interlocutores, a real preocupação de Alckmin é com o DEM, que ameaça migrar para o PMDB.

16/01/2012 - 10:33h Alckmin só admite coligação com o PSD em SP se Serra for o candidato

Por Raymundo Costa | VALOR

De Brasília

A menos que o tucano José Serra seja o candidato, está virtualmente descartada a hipótese de coligação entre o PSDB e o PSD na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Além dos quatro pré-candidatos à indicação do PSDB, também o governador Geraldo Alckmin decidiu bater o pé em favor da candidatura própria. Alckmin, segundo a cúpula tucana, avalia que é melhor perder a eleição com um nome próprio do PSDB, a vencer com o PSD na cabeça de chapa.

O governador acredita que, a médio e longo prazo, essa é uma aliança que pode comprometer o domínio de mais de 16 anos do PSDB em São Paulo. Isso porque a proposta de acordo feita pelo prefeito Gilberto Kassab, criador e líder do PSD, prevê que o candidato da aliança, em 2012, seja o vice-governador Guilherme Afif Domingos, enquanto que ele, Kassab, o candidato a vice de Alckmin. Essa combinação poderia levar a que Afif e Kassab ocupassem simultaneamente a prefeitura e o governo do Estado no início de 2018.

Trata-se de uma combinação que já ocorreu em São Paulo, quando Cláudio Lembo (2006-2007) e o próprio Kassab (2006-2009) compartilharam o Estado e a prefeitura. A diferença é que, à época, os dois integravam o Democratas (DEM), e Serra deixara a prefeitura, num projeto comum com Gilberto Kassab (que era seu vice), para concorrer ao governo do Estado. Ainda há muito tempo até 2018, quando Alckmin, se for reeleito em 2014, deixará o governo Kassab a fim de disputar a Presidência ou o Senado. Nesse período, os dois poderiam até se recompor. Mas Alckmin prefere se precaver.

Alckmin tem pelo menos três bons motivos para insistir na candidatura de José Serra. O primeiro é que não será debitada na conta do governador uma eventual derrota de Serra, que entraria na disputa com o cacife de ex-governador do Estado, ex-prefeito e duas vezes candidato à Presidência da República. Em segundo, mesmo na eventualidade de uma derrota, Serra deve ajudar a eleger uma grande bancada de vereadores do PSDB, o que é do interesse de Alckmin não só em relação ao desenvolvimento de seu atual mandato, mas também em relação a 2014. Por último, Alckmin sai do alcance de acusações posteriores de não ter apoiado Serra.

São conhecidos os problemas entre Alckmin e Kassab: depois de perder a eleição presidencial de 2006, o tucano tentou voltar à política pela prefeitura paulistana, projeto que ficou comprometido com a decisão de Kassab de concorrer à reeleição. Depois, quando Kassab começou a articular a criação do PSD, Alckmin criou as dificuldades que pode para a adesão de prefeitos do interior de São Paulo à nova sigla. Mas na cúpula do PSDB afirma-se que a intransigência de Alckmin não se trata de um veto pessoal a Gilberto Kassab.

O problema é que os dois concorrem na mesma faixa do eleitorado e no mesmo cronograma das eleições em São Paulo, ao contrário do que ocorreu quando Serra e Kassab juntaram-se, em 2004, para disputar a vencer a eleição para prefeito. O passo seguinte de Serra era o governo do Estado. O de Kassab, assumir a prefeitura e depois tentar a reeleição, como de fato viria a acontecer na disputa de 2008.

Para Alckmin, no momento, o fundamental é que José Serra decida logo o que pretende do futuro próximo – as eleições municipais. O ex-governador insiste que não será candidato, mas em todas as eleições majoritárias que disputou ele sempre deixou a decisão para a última hora. Serra já deixou passar pelo menos uma oportunidade para confirmar que não quer ser candidato: mandar tirar seu nome da pesquisa interna feita pelo partido para avaliar os nomes dos potenciais candidatos. Escaldados, os tucanos querem uma resposta breve de Serra, até mesmo para articular outras possibilidades nas eleições.

Serra defende a aliança com Kassab e acha que essa deveria ser uma condição preliminar, antes de ser estabelecido o nome do candidato. Alckmin e seus aliados sabem, por outro lado, que Kassab pode ficar isolado na eleição, se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não der ao PSD tempo de televisão proporcional à bancada de deputados que o partido reuniu na Câmara.

Mesmo que o PSD venha a obter mais tempo, essa é uma decisão que provavelmente a Justiça Eleitoral só tomará em março, quando as negociações entre os partidos estarão avançadas. Alckmin já iniciou um flerte com o PSB local, que poderia ser a opção de aliança para dar mais tempo ao PSD, e com o PP de Paulo Maluf. O PR deve ficar com o candidato do PT, Fernando Haddad. E o DEM está a meio caminho entre o candidato de Alckmin e o do PMDB, Gabriel Chalita.

Chalita, nome que o vice-presidente da República, Michel Temer, tirou do colete para representar o PMDB, tem reconhecida ligação com Alckmin. No PSDB serrista há quem ache que o deputado pode ser para Serra, se ele for candidato, o que Kassab foi para Alckmin em 2008, quando Serra era o governador e apoiou oficiosamente a candidatura do prefeito. O fato é que o atual esquema de poder em São Paulo chega às eleições dividido, o que sempre é uma janela de oportunidade para um partido de oposição competitivo, como é o caso do PT na cidade de São Paulo.

11/12/2011 - 09:21h Serra se movimenta e confunde tucanos

Líderes do PSDB propagam que ele é candidato, mas os aliados veem nova dicotomia no cenário

11 de dezembro de 2011

JULIA DUAILIBI – O Estado de S.Paulo

O que quer José Serra?, passaram a questionar políticos de diferentes concepções ideológicas nas últimas semanas, quando tucanos alimentaram os bastidores políticos com informações de que o ex-governador já aceitaria disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012.

As movimentações políticas recentes de Serra confundiram o cenário eleitoral e levaram setores do próprio PSDB a considerarem a entrada dele na disputa, como forma de recuperar parte do espaço político perdido na esteira da derrota da eleição de 2010.

Conforme pesquisa Datafolha divulgada ontem, ele é o tucano mais bem posicionado até agora e lidera um dos cenários com 18% das intenções. Porém, a rejeição ao nome dele aumentou e atingiu 35%. Serra, no entanto, continua avesso à ideia de ser candidato a prefeito. E suas articulações políticas ainda têm como alvo a candidatura presidencial – e não a municipal.

O ex-governador voltou a explicitar isso na semana passada ao ser questionado, mais de uma vez, por jornalistas, amigos e colaboradores políticos. “Dessa vez, ele não vai. Basta ver que não demonstra nenhum interesse pelos assuntos da Prefeitura”, afirmou um aliado de Serra.

O tucano ainda trabalha para pavimentar o caminho que o projete no cenário nacional. Na semana passada, foi a Goiás, onde se encontrou com o governador tucano Marconi Perillo e com a juventude do PSDB. Nos últimos meses, passou pela Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em todas as viagens, reforçou o discurso oposicionista, com o foco na economia.

Há mais de uma semana, articulou palestras de colaboradores da época em que foi prefeito e governador. A plateia era formada basicamente por pré-candidatos de fora do circuito paulista, evidenciando a tentativa de fortalecer os laços com quadros de outras regiões de seu partido.

Asfixia. O diagnóstico no círculo mais próximo do tucano aponta para uma asfixia política de Serra, promovida pelo PSDB nacional. Daí a urgência de iniciativas para fortalecê-lo politicamente País afora, de acordo com avaliação discutida em reuniões com os principais aliados, como o ex-governador Alberto Goldman, o senador Aloysio Nunes Ferreira e o secretário municipal de Finanças, Mauro Ricardo.

Para alguns no núcleo serrista, a dicotomia que se impõe hoje não é nem uma candidatura à Prefeitura versus uma candidatura à Presidência, mas se manter no PSDB para disputar a eleição de 2014 ou aceitar formar um novo partido de centro-esquerda, que nasceria da união do PPS com setores do PSDB e PMDB.

Discretamente defendida por uns, a ideia encontra resistência de outros serristas, segundo os quais a tese pressupõe que o senador Aécio Neves (MG) já é o candidato do partido em 2014. Também são colocadas na mesa as dificuldades de se formar uma nova legenda, como a coleta de 500 mil assinaturas pelo País.

Os aliados de Serra propagam ceticismo sobre a resistência da pré-candidatura de Aécio. Também ponderam que o cenário econômico do País poderá ruir como consequência da crise econômica internacional. As duas variáveis aumentariam as chances de Serra se reposicionar.

Apesar das negativas de Serra, haverá uma investida da cúpula do PSDB para que ele seja o candidato. A direção nacional, alinhada a Aécio, o quer longe da eleição presidencial de 2014.

Também é de interesse do governador Geraldo Alckmin, na medida em que atrairia o PSD, de Gilberto Kassab, para uma a aliança.

Apesar dos acenos retóricos, Alckmin não aceita o acordo com o PSD, segundo o qual os tucanos indicam o candidato a vice-prefeito em troca do apoio a sua reeleição em 2014, com Kassab provavelmente indicado como vice. No Palácio dos Bandeirantes, há uma máxima: o PSDB pode sumir do mapa paulista se Kassab for o governador em 2018, alçado pelo acordo 2012-2014.

Alckmin também diz que a disputa pela Prefeitura em 2012 não exclui Serra do projeto nacional. Pelo contrário. A vitória em São Paulo poderia catapultá-lo nacionalmente.

A despeito das expectativas distintas, Alckmin e Serra operaram para empurrar as prévias para março. Querem ganhar tempo. O governador acha que Serra pode aceitar a missão. E o ex-governador tem esperança de que, até lá, saia uma aliança PSDB-PSD.

Mas, enquanto Serra resiste, as prévias no PSDB ganharam musculatura no partido, catalisadas pelos pré-candidatos a prefeito, os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli.

O grupo serrista começou, então, a aglutinar forças a favor de Matarazzo, que foi cotado para ser vice no acordo com o PSD. Na semana passada, Goldman anunciou apoio. O time de Aloysio também começou a trabalhar por ele.

Para alguns tucanos, no entanto, a operação serve apenas para esquentar o lugar de Serra e talvez repetir roteiro estreado na campanha de 1996: o da demora para resolver ser candidato. “Ele já chegou a se decidir três dias antes do prazo”, lembra um tucano.

29/11/2011 - 10:56h Ação de Alckmin pró-cabeça de chapa congela união com Kassab e afasta Afif

29 de novembro de 2011

JULIA DUAILIBIALBERTO BOMBIG – O Estado de S.Paulo

Depois da declaração do governador Geraldo Alckmin descartando um acordo com o PSD que passe pela concessão da cabeça de chapa na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2012, o partido do prefeito Gilberto Kassab traça um plano B para a disputa municipal. Sem a coligação com os tucanos, o vice-governador Guilherme Afif Domingos não entra na corrida do ano que vem.

O PSD trabalha, agora, para aumentar o tempo de TV no horário eleitoral gratuito de modo que dê munição para lançar como candidato Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central. Afif já avisou ao partido que não tem interesse em encarar uma disputa contra o PSDB.

O vice-governador, ex-DEM e agora no PSD, se vê como “avalista” da aliança vitoriosa em 2010 que levou Geraldo Alckmin ao poder. A coligação com os tucanos era uma premissa para ele sair candidato. De acordo com aliados, Afif também avalia ser arriscada uma candidatura que fique com pouco tempo de TV no horário eleitoral gratuito.

Kassab ainda não descartou o plano A, que é a aliança com os tucanos tendo Afif como candidato. Em troca, o PSD apoiaria a reeleição de Alckmin em 2014. Amigo do vice-governador desde os anos 80, o prefeito o vê como nome de confiança para defender seu legado na Prefeitura.

Em reunião no Palácio dos Bandeirantes anteontem com os quatro pré-candidatos tucanos, Alckmin, porém, descartou ceder a cabeça de chapa para o PSD na aliança pela Prefeitura. Foi a primeira fez que negou o acordo de maneira categórica.

O governador teria dito no encontro que o acordo para ceder a cabeça de chapa “só interessa a Kassab”. Lembrou que seu partido, o PSDB, tem uma aliança tradicional com o DEM – os tucanos trabalham ainda para fechar coligações com PP, PDT e PSB.

Apesar da declaração de Alckmin contra o acordo proposto por Kassab, o governador articulou postergar para março as prévias que podem escolher o candidato do PSDB – o partido havia estipulado janeiro como prazo.

A operação foi interpretada pelos caciques do PSD como uma abertura para negociação. Apesar de já articular o plano B, Kassab vai insistir no acordo com os tucanos até o ano que vem.

“Quando Alckmin joga a disputa para março, foge da briga, mas não joga a toalha”, afirmou um fundador do PSD. “Se ele quisesse fechar as portas, teria aceitado as prévias em janeiro”, disse outro líder da sigla.

Hoje, a única possibilidade de aliança com o PSDB na cabeça de chapa é uma candidatura do ex-governador José Serra. Como o tucano diz que não quer, o partido toca prévias entre os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli.

Cenários. Nos cálculos do PSD, entra a candidatura do deputado Gabriel Chalita (PMDB), próximo a Alckmin. No partido, avalia-se que, se o PMDB rifar o parlamentar e se aliar ao PT, a tendência será o PSDB aceitar o acordo, como um contraponto ao fortalecimento do polo adversário.

A estratégia do Palácio dos Bandeirantes, no entanto, vai em outra direção. Os tucanos próximos a Alckmin acham que o prefeito é quem cederá e aceitará compor com o PSDB sem a cabeça de chapa. Dizem que a candidatura do PSD não terá tempo de TV e que há desgaste da imagem de Kassab, intensificado após a ação civil proposta pelo Ministério Público Estadual em razão de supostas fraudes no contrato da Prefeitura com a Controlar, responsável pela inspeção veicular na cidade.

O PSD sabe que precisa de tempo de TV, até mesmo para sentar na mesa de negociação com os tucanos. O partido fez consulta ao Tribunal Superior Eleitoral, questionando-o sobre os critérios de rateio do fundo partidário, que seguem a regra da divisão do tempo de TV – a Justiça os distribui de acordo com a bancada de deputados eleita. Como o PSD foi criado neste ano, a ideia é que prevaleça a tese de que os deputados que migraram para o novo partido podem levar o tempo de TV e recursos do fundo.

Ontem, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin e Kassab reforçaram a intenção de manter a aliança que governa a capital há sete anos. Para o público externo, Kassab deu sinais de que pode abrir mão de ter a cabeça de chapa. “Não dá para chegar a uma aliança com uma posição tão dura”, respondeu Kassab ao ser questionado se insistiria em ter um nome do PSD como candidato a sua sucessão. Ao comentar as declarações de Alckmin, Kassab disse ser “natural” que os partidos queiram ter o candidato. “É uma aspiração legítima do PSDB, como é uma aspiração legítima de qualquer partido.” / COLABOROU FELIPE FRAZÃO

17/10/2011 - 08:11h Tucanos rejeitam ser vice de PSD em SP

Por Vandson Lima e Raphael Di Cunto | VALOR

De São Paulo

Aliança sim, mas sem renunciar à cabeça de chapa. Este é um consenso entre os quatro pré-candidatos do PSDB à sucessão em São Paulo sobre uma eventual coligação com o PSD, do prefeito Gilberto Kassab. Todos os tucanos que postulam a candidatura – os secretários estaduais José Aníbal (Energia), Bruno Covas (Meio Ambiente), Andrea Matarazzo (Cultura), e o deputado federal Ricardo Tripoli – baseiam-se em um mesmo pressuposto: é o PSDB que tem militância na cidade e tempo de televisão.

Ao PSD caberia, a depender do arco de alianças, indicar o vice nas eleições à prefeitura, em 2012. “Temos que lembrar que há também o DEM, nosso parceiro habitual”, afirma Aníbal. A hipótese, discutida nos bastidores, de acertar uma aliança cruzada para as próximas duas eleições – o PSD encabeçaria a chapa na sucessão da capital paulista, tendo um tucano como vice, enquanto o partido de Kassab ficaria com a vice do governador Geraldo Alckmin quando este disputasse a reeleição, em 2014 – é vista por Tripoli como de benefícios restritos. “Isso só serve no projeto do Kassab de destruir o DEM, ao disputar o mesmo eleitorado. Elegemos duas vezes o presidente da República, cinco vezes o governador de São Paulo e uma vez o prefeito. Não faz sentido aceitarmos ser vice de um partido que nasceu agora e não tem nem tempo de televisão e rádio”.

Bruno Covas diz que tal costura poderia fazer mal ao partido internamente. “Depois de todo um processo de prévias no PSDB, é muito difícil abrir mão de uma candidatura própria, não ficaria bem”. Matarazzo vai mais longe. “Se nas eleições de 2008, quando o partido estava rachado, tivemos candidato próprio, porque não teríamos agora, com o PSDB unido?”. O secretário de Cultura, no entanto, ressalva que “essa é uma decisão que passa pelo governador, liderança maior no Estado. O partido deve seguir o que ele achar melhor”.

Uma aliança com o PSD poderia render ainda um problema na elaboração de propostas de um candidato tucano. “A gestão Kassab teve e tem a participação do PSDB. Mas se estivéssemos 100% satisfeitos, não lançaríamos candidatura própria”, pontua Covas. Na mesma linha, Aníbal diz que “Kassab procurou trabalhar fortemente, mas não conseguiu vencer desafios como criar vagas suficientes em creches ou acabar com a cracolândia, no Centro”. Na sexta-feira, o governador Alckmin deixou as portas abertas para uma aliança. “Da nossa parte a disposição é sempre de unir esforços. Estamos abertos a construirmos, juntos, uma proposta para a cidade, independentemente de nomes”, observou.

A possibilidade de Henrique Meirelles, que se filiou ao PSD e transferiu seu domicílio eleitoral para a cidade, compor a chapa é vista com cautela pelos pré-candidatos tucanos. “Não sei se ele aceitaria ser vice e não sei se seria um bom nome para prefeito”, provoca Matarazzo. Aníbal diz que, sendo ele o candidato, não faria objeções quanto ao indicado pelo PSD para vice. “Mas é claro que, sendo o PSDB a indicar a cabeça de chapa, seria complicado ter o ex-presidente do Banco Central no governo Lula como vice”.

Os tucanos buscam agora acertar a melhor data para a realização das prévias partidárias. Os quatro pré-candidatos concordam que o partido não deve protelar por demais a escolha, já que a disputa para um cargo do Executivo seria novidade para todos e nenhum deles conta com um recall que chegue a dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto. “Sem um nome definido, as alianças ficam comprometidas. O ideal seria termos todos os partidos que compõem a base de apoio do governo estadual”, diz Aníbal.

Tripoli e Aníbal preferem que a escolha se dê ainda neste ano, já que o nome do PT será indicado, também por prévias, no dia 27 de novembro. Covas e Matarazzo veem janeiro como o mês ideal. Todos os filiados no partido há no mínimo seis meses terão direto a voto nas prévias. Segundo o presidente do diretório municipal do PSDB, Júlio Semeghini, o mapeamento desses filiados terminou na última quinta-feira e o número de aptos a participar do processo é de aproximadamente 23 mil pessoas.

10/10/2011 - 11:12h PSDB e PSD se cacifam para improvável aliança

Leo Pinheiro/Valor - 31/5/2011/Leo Pinheiro/Valor - 31/5/2011
Henrique Meirelles: filiação de ex-presidente do BC atenderia à ala do PSD que rejeita aliança com o PSDB


Por Cristian Klein | VALOR

A eleição municipal em São Paulo transformou-se numa guerra fria, com estratégias e armas de última hora, na qual a filiação do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao PSD do prefeito Gilberto Kassab, na sexta-feira, é apenas uma das faces mais visíveis do conflito.

Em outra frente, a recente disseminação de rumores sobre uma possível aliança entre Kassab e o PSDB do governador Geraldo Alckmin, seu desafeto, passou a construir uma candidatura antes improvável.

O PSD teria a cabeça de chapa e o PSDB forneceria o vice, supostamente Andrea Matarazzo, secretário estadual de Cultura e um dos quatro pré-candidatos tucanos à prefeitura. Em troca, Kassab aceitaria ser o vice de Alckmin na eleição de 2014 para governador.

Desde quando concorreram nas eleições municipais de 2008, Alckmin e Kassab, apoiado pelo ex-governador José Serra, travam uma disputa pelo espaço político em São Paulo.

“Não sei quem inventou e lançou essa ideia, mas é alguém que não gosta do PSDB”, afirma o presidente regional do partido, Pedro Tobias, aliado de Alckmin.

O deputado estadual diz que uma aliança com o PSD não seria possível “de jeito algum”, no momento. Apenas se o candidato tucano fosse o cabeça de chapa, jamais como vice.

“Uma aproximação é bem-vinda. Nosso opositor, regional e nacional, é o PT. Podemos sentar para conversar com outro partido. Mas temos quatro pré-candidatos e não vamos abrir mão do 45″, diz Tobias, em referência ao número que representa o PSDB.

Já o deputado federal Guilherme Campos, braço-direito de Kassab e um dos articulares do PSD, diz haver negociações. “Nunca houve porta fechada e nem tivemos problema com o PSDB. Está em conversa [a aliança]“, afirma.

Questionado sobre qual seria, então, a probabilidade de um acordo entre os dois partidos, Campos fica em cima do muro, diz que ela seria de cinco e comenta, rindo. “É como o PSD, nem de direita, nem de esquerda”.

Entre os tucanos, que negam a aproximação, a percepção é de que a especulação só serviria aos interesses de Kassab. Coligação com o PSDB lhe daria mais tempo de propaganda na TV e nada garantiria que haveria reciprocidade em 2014. Além disso, a filiação de Meirelles, ex-presidente do BC durante o governo Lula, seria mais um sinal de que o PSD está interessado em se aproximar do PT, já que anteriormente Kassab apostava em seu secretário de Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV), um ex-petista.

Julio Semeghini, secretário estadual de Gestão e presidente do diretório municipal do PSDB, também repete seu colega da seção estadual do partido e diz que “não há hipótese alguma” de haver uma aliança já no primeiro turno entre o PSD e os tucanos.

“Já estivemos muito tempo juntos nesta parceira PSDB e Kassab, mas não há chance. O processo de prévias já está em andamento e o estatuto nem permitira. Só se os quatro pré-candidatos desistissem. Não tem volta”, assegura Semeghini.

O tucano diz que não haveria lógica o governador Alckmin pedir para que os pré-candidatos abrissem mão da candidatura própria em prol do PSD, se ele mesmo, em 2008, marcou posição e foi candidato, contra as pressões para apoiar Kassab.

Outro líder do PSD, no entanto, faz o jogo de persuasão. “Estamos oferecendo a oportunidade para o PSDB eleger o vice, numa chapa competitiva, e fazer uma boa bancada de vereadores”, diz o secretário-geral da sigla, Saulo Queiroz, ao se referir à candidatura de Henrique Meirelles como certa.

02/10/2011 - 12:38h A exclusão de José Serra

JOÃO BOSCO RABELLO – O Estado de S.Paulo

É claro que a exclusão do ex-governador José Serra da propaganda política do PSDB que foi ao ar nos últimos dias está vinculada à disputa interna pela candidatura do partido em 2014. E ocorre, não por acaso, no momento que o senador Aécio Neves (MG) torna mais ostensiva sua pretensão de ser ungido candidato dos tucanos.

Com sete anos de mandato pela frente, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) não fez a reclamação pública pela exclusão por incômodo pessoal. Canalizou um protesto do próprio Serra, ainda que este possa não tê-lo encomendado. Importa aqui a reafirmação de que Serra se mantém decidido a nova candidatura presidencial.

Se optasse pela prefeitura, como gostariam Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves, o ex-governador estaria fora da disputa em 2014. Nessa hipótese, seria difícil renunciar novamente a um cargo para o qual fora eleito e arriscar a presidência. Já seria um candidato sob tal suspeita.

Com as prévias do PSDB aprovadas, fica também mais difícil o caminho para Serra à prefeitura. Dos postulantes, estima-se que apenas Andrea Matarazzo abriria mão numa eventual e improvável revisão de planos do ex-governador.

O que se tem, portanto, é a tentativa da dobradinha Alckmin/Aécio de dar o xeque-mate em José Serra na disputa pelo comando do PSDB. Que tem outra face, mais histórica, por ora convenientemente congelada pelos dois líderes tucanos, que é a luta pela hegemonia do partido entre Minas e São Paulo, com origem na própria criação do PSDB.

A aliado réu tudo,

menos a caneta

De olho no tempo de televisão do PR para as eleições do ano que vem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) arquivou temporariamente qualquer pudor ético e ofereceu o comando de uma secretaria para o deputado Valdemar Costa Neto (SP). Réu no processo do mensalão, Valdemar consultou-se com o deputado Paulo Maluf (PP-SP), também réu no STF, e igualmente contemplado com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), a estatal de habitação paulista. Maluf desaconselhou Valdemar a fechar o acordo. Disse ao dirigente do PR que Alckmin só entrega “o cargo e o mobiliário”, não deixa nomear ninguém.

Ilustre desconhecido

Pesquisas qualitativas do PMDB mostram o que já se sabia: o maior obstáculo do deputado Gabriel Chalita à prefeitura é o desconhecimento de seu nome pela população. Por isso, novamente será protagonista dos programas do partido em dezembro. Em família

A ex-ministra do Desenvolvimento Social/Bolsa Família Márcia Lopes vai concorrer à Prefeitura de Londrina (PR) pelo PT no ano que vem. O nome dela foi confirmado depois de intensiva campanha liderada pelo primeiro escalão do governo: o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que é irmão dela, e o casal de ministros Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo.

Tudo passa…

Com a filiação ao PDT, o ex-deputado Gustavo Fruet (PR) garantiu a candidatura à Prefeitura de Curitiba, com um vice do PT, provavelmente o deputado federal Angelo Vanhoni. Como na política, a ocasião faz o perdão, segundo o deputado André Vargas, do diretório nacional do PT, é irrelevante Fruet ter sido um dos algozes do partido na CPI do mensalão: “Ele estava no papel dele”, diz.

25/09/2011 - 11:43h Bruno Covas: a cartada de Alckmin

Cenário eleitoral agitado por estreantes como Fernando Haddad e Gabriel Chalita leva tucano a apostar em Bruno Covas para 2012

Andre Lessa/AE
Tucano usou trem e metrô no Dia Mundial sem Carro, primeira atividade pública como pré-candidato - Andre Lessa/AE
Tucano usou trem e metrô no Dia Mundial sem Carro, primeira atividade pública como pré-candidato


25 de setembro de 2011

Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

Na terça-feira, o governador Geraldo Alckmin escalou dez de seus secretários para um jantar na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes. Na pauta, a eleição de 2012. Com o objetivo de ampliar o tempo de TV do futuro candidato do PSDB, o tucano resolveu atuar diretamente na busca de aliados para a corrida pela Prefeitura de São Paulo.

Entre políticos do PPS, PV e DEM e outros seis tucanos, o titular da pasta do Meio Ambiente, o mais jovem da mesa, manteve a discrição. Minutos antes, Bruno Covas tivera uma conversa particular com o governador.

Ao ser convocado para o encontro, um dia antes, pedira ao secretário particular de Alckmin uma conversa a sós. Conseguiu meia hora na agenda, mas não precisou de todo o tempo. Em poucos minutos, na sala próxima à de jantar, disse a Alckmin que mudaria o domicílio eleitoral de Santos para a capital – o anúncio será feito amanhã. Estava, portanto, apto a entrar na sucessão de Gilberto Kassab.

Era o que o governador esperava. Desde que o escolheu para o Meio Ambiente, Alckmin já sinalizava que o neto de Mario Covas seria seu candidato em 2012, num cenário sem José Serra na disputa. A tese ganhou força à medida que o ex-governador passou a negar a entrada na corrida e o quadro eleitoral decantou em favor de nomes novos, como o ministro Fernando Haddad (Educação), no PT, e o deputado Gabriel Chalita, no PMDB. Aos 31 anos, Bruno veste o figurino da novidade eleitoral.

Numa eleição em que o governador pode pôr em xeque seu prestígio e até seu futuro, como uma eventual reeleição em 2014, Bruno atende a algumas conveniências. Tem autonomia política menor que outros pré-candidatos, como os secretários José Aníbal (Energia) e Andrea Matarazzo (Cultura). Além disso, na contabilidade eleitoral tucana, um apoio ao neto do padrinho político fará bem à imagem do governador. A população enxergaria no gesto uma retribuição.

Dois dias depois do encontro com Alckmin no palácio, Bruno preparou-se para a primeira atividade pública como pré-candidato. No primeiro Dia Mundial Sem Carro como secretário do verde, não teve como escapar da atividade física, que não é seu ponto forte: caminhou 30 minutos até o trem, pegou metrô para a Avenida Paulista e pedalou 6 km até a secretaria. O trajeto do apartamento, no Alto de Pinheiros, zona nobre de São Paulo, até o gabinete é feito normalmente no conforto do ar-condicionado do carro e em dez minutos.

“Você vai por aí que estou levando roupa na mochila, né? Não trabalho assim”, disse logo no começo da caminhada, para a qual chegou vestindo bermuda e camiseta. Trazia na mão um boné promocional da secretaria que não coube na cabeça. Foi parar na mochila.

Caminhada

Bruno não tem relação de proximidade com Alckmin. Não fez parte do pequeno grupo de tucanos que permaneceu a seu lado no racha do PSDB paulista, na eleição municipal de 2008.

Na caminhada, evitou falar do chefe, a quem se refere com certa reverência. Próximo ao Parque Villa-Lobos, ligado a sua pasta, comentou: “Na segunda-feira, o governador passou de helicóptero por aqui e me ligou para saber se o Cirque du Soleil pagava para usar esse espaço. Paga R$ 1,5 milhão pela temporada”.

Pouco depois, na estação do trem, não se conteve. Imitou Alckmin, escandindo as sílabas como o governador. Falou dos “se-gun-dos” que o trem economizará para chegar à estação após os “bi-lhões in-ves-ti-dos pe-lo Es-ta-do”. “Ele adora um número”, concluiu.

Eleito duas vezes deputado estadual – em 2010, foi o mais votado do Estado, com 239.150 eleitores -, Bruno não é um político reconhecido na rua. Ao desembarcar na Estação Pinheiros do Metrô, um jovem disse: “Votei em você”. O secretário brincou com a assessora: “Esse daí foi o cara que você contratou?”

Apesar de ser de Santos, a maior parte de sua votação veio da capital. Abusou da propaganda de deputado mais atuante, após ganhar o rótulo do Movimento Voto Consciente. Na Assembleia, transformou em lei a Virada Cultural e aprovou projeto tornando obrigatória a castração de animais. Apresentou, sem sucesso, projeto de responsabilidade administrativa, que prevê a continuidade de políticas públicas.

Na campanha de 2010, gastou R$ 1,3 milhão, acima da média de R$ 400 mil dos eleitos para o cargo. O maior doador: Açúcar Guarani, que atua na produção de cana de açúcar, atividade alvo de entidades ambientalistas.

Herança

Entrou na política inspirado pelo avô, com quem morou no Palácio dos Bandeirantes até 2001, quando Covas morreu. Quando disse que queria seguir a mesma carreira, o avô retrucou: “Então vai estudar”. Formou-se em direito na USP e em economia na PUC.

“Sempre tinha alguém que olhava com receio por causa do sobrenome, mas ele mostrou que queria aprender”, afirmou José Alexandre Araújo, ex-presidente da juventude tucana, que foi depois dirigida por Bruno.

“Ele é uma cara nova, parece ser responsável. Mas totalmente despreparado tanto para enfrentar uma candidatura quanto para ser prefeito. Considero uma temeridade essa ideia do Geraldo”, bradou um cacique tucano. Um dos outros pré-candidatos do PSDB à Prefeitura o chamou de “dissimulado” e disse que seu único ativo era o “sobrenome”.

O avô tinha comportamento mais visceral. Bruno é mais calculado. “Não é dado a lances inesperados”, conta Oswaldo Martins, secretário de Comunicação de Covas. “São temperamentos diferentes. O Bruno lida melhor com a comunicação que o avô. Mario Covas ignorava isso.”

Colegas da juventude tucana dizem que Bruno tem uma postura conservadora. “É o jovem mais velho que conheço”, disse um deles. O grupo de Bruno, que o acompanha na secretaria, participou de um quebra-quebra no diretório do PSDB em 2003. Um militante chegou a parar no hospital.

Se realmente for candidato, Bruno não será o único Covas na eleição. O tio, Mario Covas Neto, o Zuzinha, quer se candidatar a vereador paulistano. Mas o projeto não é bem-visto no palácio. “Não dá. Imagina se puxarem o fio, começa a aparecer Goro Hama e companhia”, disse um aliado de Alckmin, em referência a integrantes da equipe de Covas que, assim como Zuzinha, tiveram os nomes envolvidos em escândalo na CDHU.

Secretaria. Ainda no metrô, o celular do secretário toca pouco depois das 9 horas. É o governador. Bruno se encurrala na plataforma para conversar com Alckmin. Quando desliga, pede uma ligação para a Cetesb. “Ele queria uns dados.” Nada de política? “Não, ele não fala disso nesta hora.”

A indicação de Bruno para o Meio Ambiente foi calculada. A pasta ganhou peso eleitoral na campanha de 2010. A atuação na secretaria daria experiência administrativa e projeção a ele. Com a missão, parou de dar aulas numa faculdade, onde ganhava R$ 800 por mês. Optou pelo salário de deputado, R$ 20.042. Mais que os R$ 14.009 pagos aos secretários.

Na saída do metrô, Bruno encontrou um grupo de ciclistas. Num estilo parecido com o de Alckmin, cumprimentou um por um, tomou cafezinho e posou para fotos ao lado de um boneco do Toddynho. Um dos jovens, programador visual de 24 anos, disse não saber quem ele era. Diante da resposta de que se trata do secretário do Meio Ambiente, afirmou: “Eu ia dizer isso. Mas na eleição tinha um monte de placa dele poluindo a (avenida) Henrique Schaumann”.

Depois de 40 minutos pedalando, chega arfante à secretaria. “Me falaram que era só uma subida”, disse. À frente da pasta, não é apontado como um formulador de políticas. Mas é considerado dedicado e aberto ao diálogo. “Apesar de não ter tido uma experiência anterior mais profunda com o tema, ele montou uma equipe competente”, avalia Lina Pimentel Garcia, advogada especialista em direito ambiental do escritório Mattos Filho. A principal ação de sua gestão até agora sairá na próxima semana: o lançamento do marco regulatório que permitirá concessões nas unidades de conservação ambiental.

“Como entidade ambiental, gostaríamos que o secretário fizesse uma defesa mais explícita da Mata Atlântica na discussão do Código Florestal”, diz Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral interina do WWF.

Prévia

O secretário encontrou-se com Serra antes de definir a mudança do título. Em junho, almoçaram no restaurante Marinara, no Alto de Pinheiros. Disse que o considerava o candidato natural para a Prefeitura. Serra sorriu e desconversou, enquanto pedia um prato “sem alho”.

Na reunião com os secretários, Alckmin defendeu as prévias. Mas o núcleo próximo avalia que, se Serra e o senador Aloysio Nunes Ferreira não toparem a disputa, o caminho será o consenso em torno de Bruno. Leia-se: sem prévias.

Antes avesso à disputa, Bruno disse que agora topa o desafio. E, seguindo à risca o figurino de candidato, deixou a secretaria às 20 horas preparando-se para pedalar de volta para casa. / COLABOROU PAULA BONELLI

RAIO X
Bruno Covas, secretário estadual do Meio Ambiente
25 de setembro de 2011

O Estado de S.Paulo

Hobbies

“Assisto a seriados, qualquer um, CSI, E.R., Friends, Supernatural, para esquecer o que tem pela frente. E jogar Wii, videogame com meu filho”

Filmes

“Gosto daqueles que passam no Telecine. Vou muito pouco ao cinema. A última vez foi para assistir a algum desenho com o meu filho, Tomaz”

Música

“Pearl Jam, Nirvana… Mas hoje eu sou mais Marisa Monte, Rita Lee, por influência da minha mulher”

Animal de estimação

“Chinchila do filho, chamada Massinha. Mas queria mesmo um cachorro da raça bull terrier”

Faz psicanálise?

“Não”

Já experimentou drogas?

“Não, nenhuma. Eu sempre tive muito medo de qualquer piripaque, de qualquer dependência”

É religioso?

“Sou. Vou à igreja a cada dois meses, mas rezo toda noite”

O que você acha da união estável entre homossexuais?

“Foi um avanço o reconhecimento da união estável no STF”

É a favor da legalização do aborto?

“Sou contra. Acho que no Brasil viraria método anticoncepcional”

E da liberação do uso de maconha?

“Não vejo vantagem em liberar um produto que causa dependência, que é porta de entrada para outros produtos químicos”

22/09/2011 - 09:33h ‘É claro que o Serra é o candidato natural’, diz Bruno Covas sobre 2012


Apontado como possível candidato à sucessão de Kassab, secretário do Meio Ambiente afirma que vai respeitar qualquer decisão do ex-governador

Janete Longo/AE – 03.08.2011
Bruno Covas defende prévias para definir candindato - Janete Longo/AE - 03.08.2011
Bruno Covas defende prévias para definir candindato


22 de setembro de 2011

Paula Bonelli, de O Estado de S.Paulo

O secretário estadual do Meio Ambiente e um dos pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas, afirma que ser candidato ao Executivo depende de “vontade coletiva”.

“Essa não é a minha última oportunidade, que precisa ser agora ou nunca. Política tem fila, política tem o seu momento”, diz Bruno, que também afirma que não colocará seu nome na disputa se o ex-governador José Serra for candidato.

“É claro que Serra é o candidato natural. Da mesma forma que, se Lula quiser ser candidato, quem é que no PT vai querer disputar com ele?”, afirma o tucano, refratário a disputar prévias, mecanismo defendido pelo governador Geraldo Alckmin para escolher o candidato.

Aos 32 anos e apontado como preferido do Palácio dos Bandeirantes em 2012, Bruno diz que a experiência como deputado estadual (ele foi eleito duas vezes para o cargo) pode ajudá-lo.

Neto do governador Mário Covas, morto em 2001, Bruno já decidiu que na próxima semana mudará o título de Santos para São Paulo, a fim de disputar a eleição. Leia a entrevista concedida antes da sua decisão.

O sr. é tido como um herdeiro político do governador Mário Covas. Como lida com isso?
É um orgulho. Ele deixou o exemplo de que um político, mais do que defender educação, saúde, habitação, precisa defender valores. Essa é a grande marca dele. Acho que seria muito pequeno se só eu fosse o herdeiro dessa linha.

O sr. está cotado para disputar a Prefeitura. Sente-se pronto para enfrentar os debates na TV na eleição do ano que vem?
Essa é difícil (risos). Acho que a Assembleia me deu uma experiência muito rica e intensa.

Acha que estaria em desvantagem em um debate contra os petistas Marta Suplicy ou Aloizio Mercadante no sentido de que eles têm mais experiência?
Acho que não. Em debate, tem que estar seguro com as informações, tranquilo no dia. E na Assembleia há sempre debates com deputados mais ou menos experientes.

Existe alguma situação no tabuleiro político em que o sr. não toparia disputar a Prefeitura?
É claro que o Serra é o candidato natural. Da mesma forma que, se Lula quiser ser candidato, quem é que no PT vai querer disputar com ele? São pessoas que estão num patamar acima.

O sr. não acha que prévias, de certa forma, acabam alimentando a divisão interna?
Não. A prévia, no final, acaba unindo. Ninguém pode sair dizendo que foi obrigado a retirar uma candidatura, além de dar mais responsabilidade para aqueles que disputaram a prévia de ajudar numa eventual candidatura.

O que acha dos outros pré-candidatos do PSDB: os secretários José Anibal e Andrea Matarazzo e o deputado Ricardo Tripoli?
São pessoas excelentes, que têm totais condições de representar o partido numa disputa.

Você os apoiaria na campanha?
Sem dúvida alguma.

O que acha do deputado Gabriel Chalita (PMDB)?
Olha, ele quis seguir um rumo diferente. É a população que vai julgar (Chalita trocou o PSDB pelo PSB no ano passado. Neste ano, migrou para o PMDB, pelo qual pretende disputar a Prefeitura).

E da Marta?
Acho que ela precisa aprender a presidir sessão do Senado. Dá sempre problema, quando preside. Brigou até com o ex-marido.

O que acha do governo Dilma?
Acho que o lado bom é que a sociedade está vendo qual é o ex-presidente que deixou uma herança maldita para o sucessor.

O sr. tem 32 anos, já foi deputado duas vezes e secretário. Onde se imagina daqui a 20 anos?
Quem faz política precisa prestar vestibular a cada 4 anos. Enquanto a população confiar, enquanto puder continuar, eu me imagino fazendo política.

O sr. deseja ser governador?
Não tem como saber. Candidato ao Legislativo basta a vontade pessoal. Ser candidato ao Executivo é preciso uma vontade coletiva, que o partido te escolha, agregar outras forças políticas. Não dá pra falar daqui a dois anos, vou estar lá ou aqui.

Mas o senhor é jovem…
É o que me dá muita tranquilidade para dizer que essa não é a minha última oportunidade, que precisa ser agora ou nunca. Política tem fila, política tem o seu momento. Candidatura forçada a população percebe, depois não consegue o respaldo popular. Então, será no momento certo, quando o partido entender que é possível. Vou trabalhando, semeando, regando. Um dia a gente colhe.

Quais são os principais problemas da cidade?
Acho que a qualidade de vida. A Região Metropolitana de São Paulo parou de crescer devido às limitações geográficas. Acho que agora o que falta é a qualidade de vida, seja pelo ar que respiramos, seja pelo trânsito que enfrentamos.

22/09/2011 - 09:13h Neto de Covas muda título para São Paulo para concorrer à prefeitura

Por Raphael Di Cunto | VALOR

De São Paulo

O secretário de Meio Ambiente de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), neto do ex-governador Mário Covas (morto em 2001), vai tornar oficial na segunda-feira o interesse em concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2012. O tucano, que é deputado estadual licenciado, mudará o título de eleitor de Santos, sua cidade natal, para a capital paulista em evento na sede do diretório municipal do partido.

O deputado pretende entrar na disputa para representar o PSDB na eleição, o que deve resultar na realização de prévias entre os filiados. Há outros três pré-candidatos no partido: os secretários de Cultura, Andrea Matarazzo, de Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli. Cotados por integrantes do partido, o ex-governador José Serra e o senador Aloysio Nunes afirmaram publicamente que não têm interesse em concorrer.

Na análise de Tripoli, a mudança reforça o cenário de eleição interna, sem a presença dos dois nomes que poderiam unir o partido por consenso – Serra e Aloysio. “Ficou claro que não tem mais motivo para não realizar as prévias. Defendo que elas sejam antecipadas para dezembro, já que os quatro candidatos do partido não são muito conhecidos e seria bom ter mais tempo para planejar a estratégia de campanha.”

O diretório estadual do PSDB determinou a realização de prévias até março em todas as cidades em que o partido tiver mais de um candidato. Considerado como o candidato de Serra, Matarazzo acredita que não é necessário antecipar a data e, sem nunca ter disputado uma eleição, investe em reuniões com a população para se tornar mais conhecido.

Deputado estadual mais votado de São Paulo em 2010, com 239 mil votos, Bruno Covas é o candidato do PSDB mais bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, com a preferência de 6% dos eleitores. Ele é visto pelos tucanos como o candidato favorito do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que foi duas vezes vice-governador do avô dele.

Seus adversários nas prévias, porém, avaliam que Alckmin não vai interferir na disputa. “O governador jamais faria isso. Ele não pode correr o risco. Se por acaso um dos outros três ganhar, não vão dizer que foi o Bruno quem perdeu, vão dizer que foi ele [Alckmin] quem perdeu”, diz Tripoli. “O governador sempre defendeu as prévias, não será agora que vai mudar”, afirma Matarazzo.

24/08/2011 - 08:44h Aloysio só não quer passar por prévias, dizem alckmistas

24 de agosto de 2011

Fernando Gallo – O Estado de S.Paulo

Aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmam que o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) disse a eles estar disposto a entrar na disputa eleitoral pela prefeitura paulistana em 2012 com a condição de que não tenha de participar de prévias. Aloysio, por sua vez, nega que tenha a intenção de se apresentar.

O senador tem dialogado com o grupo de Alckmin, que vê em Aloysio a possibilidade de unir antigos parceiros que ameaçam voo solo em 2012, caso o candidato tucano não seja o ex-governador José Serra ou alguém ligado a ele. O DEM e o PSD são dois partidos que já sinalizaram essa condição para apoiar o PSDB.

No tucanato paulista, avalia-se que, sem uma coligação forte, o partido não conseguirá eleger o sucessor de Gilberto Kassab. Com os sinais emitidos por Serra de que não pretende ser candidato, Aloysio passou a ser o nome capaz de fazer convergir interesses serristas e alckmistas. Os aliados do governador avaliam que para pavimentar o caminho da candidatura do senador, Alckmin teria de convencer a desistir da disputa tucanos que já manifestaram interesse na candidatura. O secretário de Energia, José Aníbal, é um dos descontentes com a movimentação em torno de Aloysio. Ele tem lembrado a interlocutores que abriu mão de disputar o Senado em 2010 em prol do colega.

19/08/2011 - 09:08h A canoa de Dilma

Maria Cristina Fernandes – VALOR

19/08/2011

Foi a solidez da aliança da presidente Dilma Rousseff com o PMDB que derrubou Wagner Rossi da Agricultura e não o inverso. A carta do ex-ministro é cristalina. Vai no sentido oposto ao discurso com que o ex-ministro Alfredo Nascimento reassumiu sua cadeira no Senado. Enquanto o senador pelo PR acusou a presidente de abandoná-lo, Rossi isenta Dilma, a quem chama de “querida presidente”, de qualquer responsabilidade sobre sua saída, e faz votos por seu sucesso.

Ao atribuir o desgaste aos interesses prejudicados pelas perspectivas eleitorais do PMDB em São Paulo o ex-ministro dá a exata medida da importância que o partido confere à aliança federal. A onda de denúncias contra si teria partido de quem não mais poderá “colocar o PMDB a reboque de seus desígnios” nas eleições paulistas. Mais do que as digitais insinuadas por Rossi, o que importa em sua declaração é a disposição do PMDB em manter uma aliança a salvo do assédio oposicionista.

Desde que Orestes Quércia (1938-2010) candidatou-se pela última vez ao governo paulista em 1998, o PMDB tem sido sigla auxiliar dos tucanos no Estado como seu principal fornecedor de vices em eleições majoritárias.

Com a morte de Quércia e a assunção de Temer ao comando do PMDB local, o partido resolveu ensaiar carreira solo com a candidatura do deputado federal Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo.

Leiloada por petistas, Dilma é paparicada no Bandeirantes

Como se trata de uma candidatura pemedebista, não poderia deixar de ter duas âncoras – o PT, com quem o partido já fez acordo de apoio mútuo no segundo turno, e a banda Geraldo Alckmin do PSDB, a quem Chalita deve sua ascensão na política paulista e com quem mantém relações estreitas.

Se Chalita enfrentar o ex-governador José Serra em 2012 na capital paulistana levará Alckmin a ter um amigo e um correligionário em campos opostos – situação ainda mais confortável do que a de Serra em 2008 quando, na condição de governador, assistiu Gilberto Kassab e Alckmin se confrontarem pela prefeitura paulistana.

A desenvoltura do PMDB no Estado não está restrita à capital. Em entrevista a Vandson Lima, do Valor, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), apostou que o PMDB é a legenda que mais vai crescer no Estado em 2012.

No partido que rebocou o PMDB paulista até aqui quem menos tem a ganhar com a desenvoltura dos aliados de Temer é Serra – o que não é suficiente para assegurar veracidade às insinuações feitas por Rossi. Ao sugerir que Serra é o pauteiro de sua demissão, o ex-ministro, além de ignorar seus próprios malfeitos, talvez tenha superdimensionado a capacidade de o ex-governador encontrar ressonância depois de uma campanha em que destroçou seu capital político.

Tão ou mais eloquente que a sinuca eleitoral montada pelo PMDB paulista para os não alckmistas do PSDB é o feitio que vem adquirindo a gestão do governador em São Paulo.

Poucos aliados da presidente no PT têm aderido de maneira tão incondicional aos programas federais quanto Alckmin.

A acolhida que deu ontem a Dilma, com direito a abraço do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à entrada do Palácio dos Bandeirantes, foi apenas a parte mais visível dessa aproximação.

Já no primeiro mês de governo Alckmin anunciou sua adesão às metas para acabar com a miséria. Depois promoveu a unificação dos programas sociais do Estado, tal como ocorreu no governo petista. Os programas de transferência de renda que haviam sido desidratados na gestão José Serra ganharam nova musculatura.

Na educação, além de voltar atrás na política de bonificação dos professores por meta de desempenho, severamente criticada pelos petistas do setor, Alckmin também criou um programa de bolsa para universitários inspirado no Prouni. De uma só tacada aproximou-se de Dilma e afastou-se de Serra. A contrapartida da bolsa é a participação do estudante em atividades de fim de semana nas escolas públicas. O programa que as mantinha abertas sete dias por semana havia sido descontinuado por seu antecessor.

Na habitação, Alckmin também enviou um projeto à Assembleia Legislativa que concede benefícios fiscais às construtoras contratadas pela estatal paulista do setor, a CDHU, a exemplo do que já faz o Minha Casa Minha Vida.

No plano plurianual que acaba de apresentar, Alckmin resolveu incorporar o Índice de Responsabilidade Social. Criado pela Assembleia há 11 anos para mensurar os avanços alcançados pelo poder público na promoção do bem estar social, o índice atravessou dois governos de Alckmin sem que a gestão estadual lhe prestasse atenção. Foi a rota de aproximação com Dilma que levou o governador a resgatá-lo.

O PPA também mantém a agressiva política de investimentos anunciada por Alckmin no início de seu governo. Justiça lhe seja feita, foi Serra quem ousou na expansão dos investimentos com o acordo, selado com Lula, que permitiu ampliar a margem de endividamento do Estado. Alckmin vai se beneficiar do acordo feito por seu antecessor para continuar a expandir o transporte metropolitano, marca do governo Serra, e aderir a bandeiras dilmistas, como o investimento no estádio do Corinthians e o trem bala.

A acolhida calorosa que Dilma teve no Bandeirantes somada ao enfático apoio do PSD de Kassab contrasta com as manifestações petistas da semana. O ministro Paulo Bernardo, que tem 100% de seu orçamento familiar na folha de pagamentos do primeiro escalão federal, disse ao repórter Fernando Rodrigues (”Folha de São Paulo”) que a presidente, “se estiver bem”, é candidata natural à reeleição, mas terá que discutir com Lula a sucessão de 2014. Como os petistas não contestaram o juízo do ministro sobre as circunstâncias em que a sucessão da presidente deve se dar, autorizam a versão de que devem concordar com ele.

No leilão que o PT tão precocemente faz de Dilma tampouco passou desapercebido o lançamento do Instituto Lula. Custa a crer que acabar com a fome na Somália tenha sido a motivação dos sete ex-ministros – de Walfrido dos Mares Guia a Miguel Jorge – lá reunidos.

Está claro que Temer, Alckmin e Kassab têm planos para 2014 que não necessariamente passam por Dilma. Ao contrário dos petistas, no entanto, não demonstram que pretendem prescindir dela. E ainda lhe oferecem uma canoa para atravessar as marolas que o PT vem armando em seu caminho.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

21/06/2011 - 09:24h Em menos de seis meses, Alckmin troca 4 secretários

São Paulo: Mudança nos Esportes decorreu de denúncia do MP

Vandson Lima | VALOR

Às vésperas de completar seis meses no cargo, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mais uma vez terá de buscar novos nomes para a composição de seu governo. Só no secretariado, quatro trocas de comando já ocorreram. Na mais recente, o secretário de Esporte, Lazer e Juventude de São Paulo, Jorge Pagura (PTB), pediu demissão depois de ver seu nome citado em investigação do Ministério Público e da Polícia Federal sobre um suposto esquema de fraude em plantões nos hospitais públicos do Estado.

Ontem, foi a vez do coordenador de Serviços de Saúde, Ricardo Tardelli, deixar o cargo. Ambos foram citados em escutas telefônicas captadas pela operação.

Alckmin não havia completado nem três meses de sua volta ao governo de São Paulo quando teve a primeira baixa em seu secretariado. Terminado o prazo acordado com o titular da Agricultura, João Sampaio – que lá estava desde o governo de José Serra (PSDB) -, para nomear um substituto, Alckmin não havia encontrado no PMDB, que pleiteava o cargo, um nome que lhe agradasse para o posto, pois queria alguém com perfil técnico.

Um mês depois, em resposta à articulação do prefeito da capital, Gilberto Kassab, para formar o PSD, demitiu seu vice-governador, Guilherme Afif Domingos, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Para a vaga de Afif, fiel escudeiro do prefeito, deslocou Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que comandava a Secretaria de Desenvolvimento Social, abrindo este espaço para realocar o DEM, com o deputado federal – e antigo aliado de Kassab – Rodrigo Garcia. Ao PP, ofereceu a presidência da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), em negociação mediada pelo deputado federal Paulo Maluf. O economista Antonio Carlos do Amaral Filho foi o escolhido. O imbróglio na Agricultura só viria a ser resolvido em maio, quando Alckmin nomeou para o posto a engenheira agrônoma Mônika Bergamaschi, sem ligação partidária.

Na Assembleia Legislativa, o governador, apesar de gozar de ampla maioria, está sempre às voltas com eventuais deserções rumo à oposição. Esta, com 28 cadeiras, busca angariar mais quatro parlamentares, o que lhe daria assinaturas suficientes para protocolar comissões parlamentares de inquérito (CPIs). PDT, PMDB, PR e PRB já ameaçaram debandar caso Alckmin não lhes cedesse espaço em postos na máquina burocrática.

Por conta da investigação de fraude, a Secretaria da Saúde do Estado determinou a implantação obrigatória de sistemas de ponto eletrônico nos hospitais ligados à Pasta. Foi determinado prazo de 90 dias para que os hospitais se adaptem ao meio eletrônico do controle de expediente de seus funcionários. Mas a medida não é considerada suficiente nem entre aliados. O deputado estadual Carlos Bezerra (PSDB), que integra a Comissão de Saúde na Assembleia, acredita que só com a aprovação de lei que exija dedicação exclusiva dos profissionais ao serviço público e fortalecimento dos conselhos de gerenciamento se pode resolver a questão: “Não é cartão de ponto que resolve o problema. É ser bem pago onde você está. O salário dos profissionais de saúde pública está abaixo do mercado.”

31/05/2011 - 09:23h Tucano de SP defende que PSDB se nacionalize

Cristiane Agostine e Samantha Maia | VALOR

De São Paulo

Aliado do governador Geraldo Alckmin (SP), o dirigente do PSDB de São Paulo e secretário estadual Edson Aparecido defendeu ontem a estratégia vitoriosa na convenção nacional do PSDB, que reelegeu o deputado Sérgio Guerra (PE) na presidência do partido e colocou o ex-senador Tasso Jereissati (CE) na presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV). Na análise de Aparecido, o partido tem de deixar de se concentrar em São Paulo e reforçar sua estrutura em outros Estados para disputar a eleição de 2014.

“São Paulo não pode achar que vai ter sempre a hegemonia. O PSDB precisa ser mais nacional”, disse Aparecido, secretário de Desenvolvimento Metropolitano. “Fortalecer o partido em outros Estados não é uma tática errada. Está corretíssima”, afirmou, ao analisar a convenção do sábado. “Não adianta: [caso contrário ] a gente vai continuar ganhando em São Paulo, mas perdendo a Presidência.” Na convenção, Serra perdeu a disputa pelo ITV. O tucano foi indicado para presidir o conselho político do partido.

O interlocutor de Alckmin defendeu a realização de prévias para 2014. “O PSDB deve consultar os filiados. Se tiver mais de um candidato, faz uma prévia. Se tivéssemos feito primária para presidente nas duas últimas eleições, talvez o partido estivesse unido”, disse. “Evitou-se a disputa e deu no que deu”, completou. O tucano comemorou o fim da convenção, depois de “cinco meses de problemas diários”. “Todos os partidos têm disputa. No nosso, [a disputa] vira crise”, disse.

25/05/2011 - 10:27h Mais um partido em chamas

Rosângela Bittar – VALOR

Tal como ocorreu com o DEM, e seguindo os passos recentes dos jovens liberais que encurralaram Gilberto Kassab e um contingente expressivo de políticos no beco de saída do partido, a direção do PSDB está empurrando porta afora um grupo de políticos, vários deles fundadores, tendo à frente o ex-governador José Serra. Começa, assim, a provar que a disputa interna do momento tem calibre para promover irrecuperável dissolução.

Até sábado, data de convenção, será possível saber se a crise no PSDB teve potencial para levar a facção paulista do partido às últimas consequências.

Disposição há. Como há, também, vontade de negociar à exaustão, nesses próximos cinco dias – e é o que ainda estão fazendo -, um espaço na direção partidária para um PSDB de fundadores, de redatores de seu programa, de seus estatutos, que ainda tem fôlego para resistir à pressão por deixar tudo no colo dos que chegaram por último.

Nas proximidades do gabinete de Fernando Henrique Cardoso, meio a uma discussão sobre a possibilidade de ele aceitar um convite para presidir o partido, foi feito um comentário que causou perplexidade, mas apenas em um primeiro momento. Disse o ex-presidente que, tal como criado, o PSDB acabou.

PSDB e PT encontraram seu denominador comum

Foi o sinal, evidenciou-se agora, de que os políticos de São Paulo, historicamente atados à legenda, já não consideram cláusula pétrea sua permanência. Uma coisa, porém, é a possibilidade de sair, outra diferente é ter isto no horizonte, como solução a curto prazo. Não está. A admissão da hipótese, contudo, tem efeito combustível.

Os grupos paulistas da legenda, tanto de José Serra como de Geraldo Alckmin, não pretendem morrer de véspera. Vão lutar, mas é forte a tentativa de aniquilamento, vinda do grupo do ex-governador de Minas, Aécio Neves, que depois de ter afastado Alckmin do eixo da disputa presidencial, concentrou-se na tarefa de emparedar Serra.

O pleito de São Paulo, para não perder contato com a direção partidária, é indicar o secretário geral do partido e o presidente do Instituto Teotonio Vilela, de estudos políticos. Na secretaria geral, Aécio, líder do processo, quer manter o seu mineiro Rodrigo de Castro. Para o Instituto, Alckmin convenceu Serra a aceitar a sua indicação. Segunda-feira passada, o governador paulista fez a proposta a Aécio; na terça, repetiu-a ao presidente do partido e candidato à reeleição, Sergio Guerra, hoje o principal operador do grupo aecista. Na quarta, Aécio e Guerra convocaram os senadores do partido para uma homenagem a Tasso Jereissati, no Senado, e ali apresentaram um documento de adesão e apoio ao ex-governador e ex-senadores cearense para a presidência do Instituto.

Aécio quer fazer da convenção de sábado a consagração de seu nome como candidato a Presidente da República em 2014, pelo PSDB. Está certo de que é a sua vez e o seu direito, e arma a direção partidária de forma que seja possível conduzir a caravana a seu modo, no seu tempo. José Serra quer ser candidato a presidente da República, em 2014, pelo PSDB. Acha prematura uma definição neste sábado por várias razões que tem relatado à direção do partido. Uma das principais é que não se sabe o que vai acontecer no Brasil. A análise, já feita para Sergio Guerra, é que o governo vai mal do ponto de vista moral, ético, programático, os projetos estão parados, as obras se deteriorando, a presidente recolhida, o principal ministro atingido por suspeitas.

Seria prematura uma definição dos candidatos, agora, até porque o PSDB sequer conseguiu organizar-se para atuar politicamente na oposição, com todo esse cenário a lhe facilitar a ação. Assiste, inerte, à abulia governamental. Não toma conhecimento de denúncias, das mais superficiais às mais graves.

Do ponto de vista institucional, nem o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, nem o nominado candidato a presidente da República, Aécio Neves, deram sinal de que têm tomado conhecimento de qualquer dos casos que atormentam e expõem o governo. Oposição, não há. O que há é a guerra interna, o vale-tudo para definir agora a candidatura do PSDB em 2014. E sufocar Serra, antes que consiga protelar a definição. Tarefa para a qual, segundo a campanha da própria direção do partido, já não estaria apto.

A propaganda do PSDB de Aécio (presidência do partido, deputados mineiros, publicitários, pesquisadores, amigos e imprensa) tem decretado o isolamento de José Serra. O político que recebeu 44 milhões de votos para presidente da República em 2010, que já foi eleito senador, governador e prefeito de São Paulo, estaria acuado, no partido e na política. Porém, em contradição, é à sua figura que o partido recorre quando precisa de um culpado pelos seus desacertos e incompetências. Na direção do PSDB, hoje, Serra é culpado desde o racha dos parlamentares paulistas à criação de novo partido a partir da destruição do aliado liberal.

Quem está isolado, comanda?

As cúpulas do PT e do PSDB, finalmente, encontraram seu denominador comum. Desde o escândalo Waldomiro Diniz, o PT atribui a José Serra a condição de seu “adversário-responsável”. Aproveitando-se da atual guerra de eliminação, o PT também sentiu falta e foi buscar o seu bode expiatório. Desde a semana passada, a ordem no principal partido governista é atribuir ao PSDB paulista, especialmente a José Serra, a autoria do vazamento sobre a arrecadação da empresa de consultoria do ministro Antonio Palocci, tendo como fonte dos dados de enriquecimento súbito o cálculo dos impostos pagos à prefeitura paulista. O superministro petista da Casa Civil sabe que seu inferno astral vem mesmo do fogo amigo, mas a estratégia definida pelo ex-presidente Lula tenta repetir o sucesso obtido em outros idênticos carnavais.

A direção do PSDB não assumiu sua identidade oposicionista nem nesse caso, seja para cobrar explicações sobre as suspeitas levantadas seja para combater o sofisma a que o PT recorre em todos os escândalos que protagonizou no governo federal.

Fulminar Serra é o que busca o grupo reunido em torno de Aécio. A forma, por truculenta, conseguiu até constranger Alckmin. O governador tem esfriado a já histórica disputa paulista entre o seu grupo e o de Serra. E não há razões para desconfiar da indicação que fez de Serra para o Instituto de estudos do partido, há testemunhas. Menos razões ainda para crer que apoie o enfraquecimento do PSDB em São Paulo, onde buscará, em 2014, sua reeleição ao governo.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br