28/10/2009 - 18:03h Levantamento do PT mostra que governo Serra consegue ser pior do que o de Alckmin

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Leia abaixo matéria divulgada pelo boletim Brasília Confidencial sobre um estudo do PT na Assembleia Legislativa comparando os governos dos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra. Serra acelerou o crescimento da carga tributária, das vendas de bens públicos ao setor privado, da terceirização de serviços públicos, da tolerância com os grandes devedores e do calote de precatórios.

Estudo mostra que governo Serra é pior do que o de Alckmin

O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo não deixou nenhuma saudade. Tímida, burocrática e marcada pelo abandono das questões sociais, sua gestão apenas empurrou com a barriga os problemas mais graves do Estado. Mas a atual gestão de seu sucessor, José Serra, consegue ser ainda pior. É o que mostra um estudo feito pela liderança do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A administração do governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra (PSDB), revela a marca de um programa próprio de aceleração do “crescimento”. Iniciado em janeiro de 2007, o Governo Serra acelerou o crescimento da carga tributária cobrada dos contribuintes; das vendas de bens públicos ao setor privado; da terceirização de serviços públicos; da tolerância com os grandes devedores e do calote aos credores de precatórios. Ao mesmo tempo, reduziu a participação dos gastos com Educação, Saúde e Segurança no orçamento estadual.

Um amplo diagnóstico financeiro e orçamentário dos sucessivos governos tucanos em São Paulo, concluído na semana passada pela liderança do PT na Assembleia Legislativa, não apenas reafirma o modelo das administrações do PSDB. O estudo também evidencia que o governador Serra, que ambiciona suceder o presidente Lula, comanda um governo menos atento aos problemas da população do que o de seu antecessor e companheiro de partido Geraldo Alckmin. A participação dos gastos em Educação, Saúde e Segurança, por exemplo, no orçamento estadual, era maior no Governo Alckmin do que tem sido no Governo Serra.

O diagnóstico começa apontando a fúria arrecadatória dos governos do PSDB. A carga de tributos aumentou continuamente desde 2002. Em valores corrigidos pelo IPCA, o peso dos impostos sobre cada contribuinte subiu de R$ 1.732,89, em 2002, para R$ 2.268,75. Só escaparam dessa fúria os grandes devedores do Estado. A dívida deles quase triplicou – de R$ 37,2 bilhões, em 1997, para R$ 92,6 bilhões, no ano passado.

Ao longo dos governos tucanos cresceram, além da carga tributária, os gastos com terceirizações de serviços públicos – de R$ 6,74 bilhões, no ano 2000, para R$ 10,1 bilhões no ano passado.

A venda de patrimônio público teve ritmo e volume variados nas sucessivas administrações do PSDB, que privatizaram as empresas de energia – CPFL, Eletropaulo e CESP, os bancos Banespa e Nossa Caixa, mais a Comgás, a Fepasa e outras estatais e ainda as rodovias, concedidas depois de duplicadas.
O primeiro governo do PSDB em São Paulo (1995/98), comandado por Mário Covas, vendeu R$ 46,1 bilhões. O próprio Covas, no segundo mandato, e seu sucessor, Geraldo Alckmin, desaceleraram as vendas. Elas caíram para R$ 18,4 bilhões, entre 1999 e 2002, e para R$ 4,3 bilhões, entre 2003 e 2006. No Governo Serra as privatizações voltaram a crescer. Ao fim de 2010 as vendas deverão chegar a R$ 10,4 bilhões – valor quase 150% superior ao da última gestão de Alckmin.

Para fazer caixa e garantir superávits primários artificiais, os governantes do PSDB fizeram crescer a cada ano o calote aos credores de precatórios. A dívida para com esses credores aumentou de R$ 10,7 bilhões, em 2002, para R$ 19,6 bilhões neste ano.

Toda a dívida pública cresceu sob os governos tucanos. Em 1997 somava R$ 130 bilhões; em 2008 chegou ao ápice: R$ 168 bilhões.

Ao mesmo tempo, entre 1998 e 2008, os gastos com Educação, Saúde e Segurança perderam participação no orçamento estadual.

Em 1998 o Governo Covas gastou 14,45% em Educação; Alckmin, em 2003, gastou 16,40%; e Serra, em 2008, gastou menos de 13%.

Na Segurança, o governo de São Paulo gastou em 2002, sob o comando de Alckmin devido à morte de Covas, 10,59% do orçamento. No ano passado, sob Serra, os gastos foram inferiores a 8%.

Algo próximo se repetiu na área da Saúde. Os gastos do Governo Alckmin em 2004 chegaram a 10,42% do orçamento estadual. No ano passado, o segundo do Governo Serra, ficaram abaixo de 9%.

Na área da Habitação, os governos tucanos sequer cumpriram a lei estadual que manda destinar 1% da arrecadação do ICMS para a construção de moradias. Os investimentos previstos no período 2001 e 2008 somavam R$ 8,3 bilhões, mas foram aplicados somente R$ 5,2 bilhões. Ou seja: R$ 3,1 bilhões foram esquecidos.

Já os gastos com propaganda só aumentaram. Em 2000, somaram R$ 88 milhões; em 2008, R$ 180 milhões.

Pelos cálculos do PT, Serra está longe de cumprir algumas das metas com que se comprometeu. O governador disse que criaria 50.000 vagas para o ensino médio, mas até agora criou pouco mais da metade. Serra prometeu também atender 31.650 famílias com obras e serviços de urbanização de favelas. Até agora atendeu menos de 12 mil.

Carga tributária

Em 2002, cada contribuinte paulista pagou R$ 1.732,89 em impostos estaduais. No ano passado, pagou R$ 2.268,75.

Privatizações

O Governo Serra acelerou o crescimento do programa de privatizações. A venda de patrimônio público, que alcançou R$ 4,3 bilhões no período 2003 e 2006, somará R$ 10,4 bilhões ao fim do período 2007/2010.

Gastos com terceirizações

As despesas com serviços terceirizados aumentaram de R$ 6,74 bilhões em 2000 para R$ 10,1 bilhões no ano passado.

Aumento da dívida pública

A dívida do Estado de São Paulo aumentou de R$ 130 bilhões, em 1997, para R$ 168 bilhões, em 2008.

Tolerância com grandes devedores

Os valores devidos pelos grandes contribuintes cresceram 150% – de R$ 37,2 bilhões, em 1997, para R$ 92,6 bilhões, em 2008.

Calote nos precatórios

O calote aos precatórios cresceu de R$ 10,7 bilhões, em 2002, para R$ 19,6 bilhões em 2009.

Redução de investimentos

Os governos tucanos previram a aplicação de R$ 8,3 bilhões na construção de moradias, no período 2001 a 2008. Aplicaram R$ 5,2 bilhões – R$ 3,1 bilhões a menos.

Os gastos com educação, que representavam 16,40% do orçamento em 2003, passaram a representar 12,69% do orçamento em 2008.

A participação dos gastos em Segurança no orçamento paulista caiu de 10,59% em 2002 para 7,67% em 2008 – mesmo nível de 10 anos antes.

A participação dos gastos com Saúde caiu de 10,42%, em 2004, para 8,98% em 2008.

Investimento em propaganda

As despesas com publicidade do governo aumentaram de R$ 88 milhões, no ano 2000, para R$ 180 milhões no ano passado.

Promessas

Serra prometeu criar 50.000 vagas para o ensino médio. Criou 26.900.
Prometeu atender 31.650 famílias com urbanização de favelas. Até agora atendeu 11.935
Prometeu construir 40 unidades para a Polícia Técnica entre 2008 e 2010. Construiu 13.
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Fonte boletim bancada do PT na Câmara dos Vereadores de São Paulo

26/10/2009 - 11:35h Alckmin e Serra em São Paulo

FERNANDO DE BARROS E SILVA – FOLHA SP

SÃO PAULO – Os holofotes da sucessão se voltam, no momento, para a hipótese extravagante de que Ciro Gomes possa ser candidato ao governo paulista apoiado pelas forças de Lula. Fora das luzes, porém, há uma outra batalha sendo travada no interior do campo tucano.
Se José Serra for mesmo disputar a Presidência, qualquer solução que não seja a candidatura de Geraldo Alckmin em São Paulo custaria caro demais ao PSDB. É o que pensam pessoas influentes do serrismo. A razão é simples: Alckmin tem mais de 40% das intenções de voto nas pesquisas. O outro postulante à vaga, o secretário de Governo, Aloysio Nunes Ferreira, não passa dos 2%.
Jogo encerrado? Serra procura evitar o assunto, mas Aloysio tem mostrado um apetite surpreendente. Colegas brincam que nunca viram ninguém tão homenageado por prefeitos do interior.
Quem conhece Serra, no entanto, aposta que prevalecerá o seguinte raciocínio: Aloysio é mais próximo e seria melhor governador, mas Alckmin é o candidato que mais convém às pretensões presidenciais dos tucanos -e assim será.
O PSDB, de resto, dizem os entendidos, não teria estrutura de pessoal para sustentar duas campanhas difíceis em São Paulo. E Serra não poderia carregar um azarão no colo tendo a máquina de Lula/Dilma contra si no país.
Alckmin é hoje uma espécie de ilha anexada ao continente do serrismo. Mas seu principal adversário em São Paulo não está no PSDB. Chama-se Gilberto Kassab. O prefeito mobiliza todas as suas forças na bancada estadual do DEM e com colegas do interior para viabilizar Aloysio. Kassab vê em Alckmin uma ameaça a seu futuro no Estado. O tucano, por sua vez, espalha que o prefeito abandonou a cidade para fazer política fora de casa.
Alckmin, por ora, aguarda a mediação de Serra. Mas, confiante, já tem uma chapa “conciliadora” na cabeça: Guilherme Afif, do DEM, seria seu vice; Quércia, do PMDB, disputaria uma vaga ao Senado; a outra seria de Aloysio. E então?

22/10/2009 - 11:55h Rodrigo Maia não é do bloco do eu sozinho

ColunistaMaria Inês Nassif – VALOR

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi condenado por seus pares menos pelo conteúdo de suas declarações do que pelo fato de tê-las feito. O fato de o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), adiar a sua decisão de ser – ou não – candidato à Presidência da República tem provocado incômodos coletivos no partido de Maia. O DEM declarou que é aliado do PSDB seja qual for o candidato e propôs-se a abrir mão da vice-presidência de uma chapa, se o PSDB considerar eleitoralmente mais interessante uma chapa puro-sangue, com Serra na Presidência e o governador de Minas, Aécio Neves, na vice, em troca do apoio em seis Estados onde vai disputar o governo com mais chances que os tucanos. As demonstrações de apoio incondicional, todavia, não foram suficientes para fazer o aliado se definir. Com expressão eleitoral cada vez mais reduzida devido ao crescimento dos partidos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Norte e no Nordeste, todavia, suas urgências são maiores do que as de seu parceiro.

O presidente do DEM disse que a oposição está no pior dos mundos porque não tem candidato, enquanto o governo tem candidata, a ministra Dilma Rousseff (PT), e ela avança eleitoralmente. Sem definição do nome nacional, a montagem dos palanques estaduais tem andado devagar, disse o parlamentar. Além disso, avaliou que o melhor candidato seria o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), pelo fato de conseguir transitar em posições que não sejam de simples confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O problema de Maia ter falado isso é que ele é o presidente do DEM e por ele terão de passar as negociações com o partido de Serra. Nas eleições de 2002, o confronto entre o então presidente do PFL, Jorge Bornhausen, e o candidato tucano Serra, rachou os aliados e reduziu, em consequência, as chances de vitória do então candidato da situação do governo Fernando Henrique Cardoso. Desde então o DEM, ex-PFL, está apartado do poder e mantém a duras penas uma estrutura partidária com grandes dificuldades de sobrevivência na oposição. O partido encolheu nos últimos sete anos. E tem razões para acreditar que, se por um lado estar com o PSDB é o único caminho de que dispõe no momento para voltar a ser governo, ao mesmo tempo é uma grande parte de seu problema.

Essas não são posições e avaliações minoritárias no DEM. O desconforto com a falta de pressa na definição do candidato tucano é disseminado. E as reticências em relação a Serra se ampliam. Existem razões para isso. As pesquisas que o partido tem feito não autorizam a direção do DEM a imaginar que a candidatura de Serra vá ser um passeio. Não é nada, não é nada, Dilma Rousseff é a candidata de um presidente que tem por volta de 80% da aprovação nas pesquisas de avaliação do governo. Considera-se que o poder de transferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não foi exercido: somente agora, e depois de um tratamento de saúde relativamente longo, Dilma está agindo como candidata, e com uma desenvoltura inesperada para uma neófita em política eleitoral. O poder de Lula sobre o PT e uma disciplina partidária que não é comum, por exemplo, num PSDB, têm agido favoravelmente também no sentido de criar para a candidata palanques relativamente sólidos nos Estados. O fato de o governo ter conseguido formalizar, a quase um ano das eleições, um acordo entre o PT e o PMDB – mesmo que a direção do PMDB ainda deixe pendente a ratificação da convenção nacional ao acordo – já é uma façanha. O natural, nessa circunstância, será os índices de intenção de voto em Dilma subirem. Esse é o momento dela, que se aproxima sem qualquer resistência do outro lado, já que a oposição não tem candidato colocado. O outro ponto é que, como depositária da transferência de votos de um presidente popular, Dilma tende a ganhar votos quando a disputa se acirrar e se polarizar. Com base nesse raciocínio, cresce a preferência por Aécio Neves, candidato com menos vocação para o confronto.

A banda governista da disputa andou rápido e o presidente Lula é o melhor eleitor do pleito de 2010. O PSDB pouco andou, apesar das facilidades abertas pelo DEM e pelo PPS, seus aliados declarados. O trunfo da candidatura Serra, que são os votos tucanos em São Paulo – Estado que tem quase um quarto do eleitorado nacional e onde o PSDB tem uma certa hegemonia -, começa a ser também um incômodo para o DEM. São Paulo é o Estado em que o partido reúne condições de crescer a sua bancada – sem bancada forte, o partido não conseguirá reassumir o seu protagonismo na vida nacional, mesmo se o PSDB vencer as eleições presidenciais. Todo o esforço eleitoral do DEM, todavia, caminha sobre uma verdade inexorável: os dois partidos se aproximaram tanto ideologicamente que crescem somente à custa do outro. São interesses quase inconciliável os dos candidatos a deputado federal dos dois partidos. Se, do lado do PSDB “serrista” de São Paulo, o chefe segura a divisão, do lado não serrista, identificado como partidário do ex-governador Geraldo Alckmin, o conflito está latente.

Alckmin, segundo as pesquisas do DEM, é o candidato com grandes chances de vitória na disputa para o governo do Estado. Outras opções abrem espaço para o PT, que nunca ganhou o governo, ou com candidato próprio, ou apoiando o deputado Ciro Gomes (PSB). O problema é que a vitória de Alckmin tem o efeito colateral de afastar qualquer pretensão política do prefeito da capital. Alckmin vencendo, é quase o fim de carreira de Kassab: o ex-governador disputaria a reeleição em 2014 e abriria espaço para o demista apenas a partir de 2018. Até lá, qualquer projeção que tenha ganhado à frente da prefeitura já terá sumido da memória do cidadão paulista. Um caminho mais seguro poderia ser o de projetar estadualmente o prefeito, lançando-o candidato ao governo e rachando o palanque paulista de Serra, sem chances de vitória, mas produzindo bancada e “recall” para as eleições seguintes. O partido elegeu 65 deputados federais em 2006. Na melhor das hipóteses, e somente se Kassab for candidato ao governo, imagina-se fazer o mesmo número no ano que vem. Sem Kassab como candidato, a perda pode ser grande.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

21/10/2009 - 15:49h Os desdobramentos do Dilma lá e Ciro aqui

A candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo (ver Lula: Dilma lá e Ciro aqui) teria como primeiro resultado a unificação de uma boa parte da base do governo Lula, arrancando o PSB estadual da base de apoio de Serra.

Persistindo Ciro no seu legítimo desejo de ser candidato à presidente em 2010, o PSB estadual estaria embarcado na candidatura do presidente da Fiesp ao governo de Estado -candidatura que dificilmente poderá alavancar a campanha Dilma em São Paulo, ou fechar uma aliança com o PT-, ou no apoio diretamente ao candidato tucano (ambas posturas estão longe de serem incompatíveis e podem se complementar).

Ao contrário, a candidatura Ciro ao governo estadual, afasta Skalf da disputa e reduz o peso dos serristas no PSB. A aliança PT-PSB poderá incorporar sem maiores dificuldades o PC do B e o PDT, assegurando essa frente à candidatura Ciro com um perfil opositor aos demo-tucanos e atraindo apoios a própria campanha da Dilma no bastião tucano.

Mas para isso é necessário convencer Ciro a desistir de sua candidatura nacional, o que exige também uma clara disposição do PT-SP -e não só de Lula- para pressionar o candidato socialista a aceitar esta mudança.

Como ficaria, nesse contexto, a legítima preocupação dos petistas com a eleição de deputados e senadores, na ausência do 13 na disputa do executivo paulista?

Este problema é bem menor na eleição dos deputados federais, que na disputa ao senado, por razões que dificultam objetivamente a disputa dos cargos ao Senado, para o PT.

A candidatura Ciro ao governo do Estado pode pesar na decisão de Serra de pleitear a reeleição, perante as crescentes incertezas do desfecho da disputa presidencial. Isto puxaria Alckmin para o Senado, além da candidatura Quercia garantida pelo PSDB, para manter o apoio do PMDB aqui (mesmo sem este cenário, setores do DEM, do PMDB e do PSDB querem descartar Alckmin para governador, em favor de Aluisio Nunes ou Kassab).

No campo do centro-esquerda as candidaturas ao Senado incluem, além de Mercadante que só poderá disputar, nesse contexto, sua reeleição; a candidatura Chalita pelo PSB (eventualmente a do próprio Skalf) e o candidato do PC do B (com Netinho ou o próprio Aldo Rebelo). Como se vê, uma profusão de candidatos mais ou menos fortes. Para Mercadante e para o PT, uma verdadeira dificuldade a enfrentar, mas que não é insuperável. A condição sine qua non para Mercadante conseguir sua reeleição é o PT não apresentar nenhum outro nome próprio e de peso para o cargo e se mobilizar unido em favor do seu senador. Se for verdadeira a afirmação da jornalista Maria Inês Nassif que “O recuo do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), quando, em plena crise no Senado, deixou a liderança, é atribuído à pressão de Lula – que teria deixado claro ao senador que não faria nenhum empenho por sua candidatura à reeleição se ele expusesse o governo com sua renúncia ao cargo.” (ver Resistência a Ciro só será superada com intervenção de Lula), Mercadante poderá contar a seu lado agora, e novamente, com o apoio de Lula para sua própria reeleição.

A disposição da ex-prefeita Marta Suplicy em disputar algum cargo em 2010, e tendo em conta as implicações que provocaria uma eventual candidatura Ciro a governador e de Chalita ao Senado, a levarão provavelmente a disputar para deputada federal -salvo a deslanchar uma guerra fratricida no PT, hoje com resultado mais que incerto- e permitirá ao PT obter uma expressiva bancada federal, diminuindo, para os atuais deputados candidatos à reeleição, o peso de não ter o 13 na disputa para governador. A ex-prefeita será assim o alicerce do crescimento do número de deputados federais do PT de São Paulo, ajudando a seu fortalecimento após os escândalos que o atingiram particularmente.

Os beneficios e os riscos da candidatura Ciro Gomes se deslocar para São Paulo justificam plenamente a atitude de Lula, tanto para a campanha da Dilma como para seu desdobramento no plano estadual. Mas, diferentemente do PT onde a voz de Lula será prevalecente e preponderante, a decisão de Ciro depende dele próprio.

A lógica da articulação de Lula é que a candidatura Ciro à presidência, sem espaço político na polarização, sem alianças substanciais e sem tempo de TV, será desidratada. Ele conta, no momento oportuno, com a boa disposição do governador de Pernambuco do PSB, Eduardo Campos, para dar uma mãozinha no convencimento do Ciro. Ela requer que o Ciro não possa invocar pretextos para persistir na sua empreitada nacional. Lula espera que o PT-SP não forneça esse pretexto.

Tudo indica que será ouvido pelo PT de São Paulo.

A única incógnita será a resposta final do próprio Ciro… que chegará com as águas de março.

Luis Favre

Ver também artigo do Estadão de hoje

Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

17/10/2009 - 11:11h PSDB vê ”arapuca” no desafio de Lula

Painel

RENATA LO PRETE – FOLHA SP

painel@uol.com.br

http://1.bp.blogspot.com/_dT6LtK9KDJc/ShRzugZMv_I/AAAAAAAAEBc/_Cw-9lHE5IY/s200/charge-tucano-nonobico%5B1%5D.JPGNem pensar

Ao dizer ontem que não comentaria a crítica recebida de Lula “porque ele não é candidato a presidente no ano que vem e porque eu não defini se serei candidato ou não”, acrescentando que “essa decisão só será tomada pelo meu partido e por mim no ano que vem”, José Serra estava respondendo não apenas ao adversário mas também ao aliado. No caso, o DEM, que, preocupado com a desenvoltura da campanha de Dilma Rousseff (PT), aumentou a pressão para que o PSDB coloque sem demora o bloco na rua.
Em público, Serra foi “light”. Em privado, escalou Sérgio Guerra para avisar aos “demos” em termos mais duros que não há hipótese de ele ceder à pressão.


À flor da pele. O presidente do DEM, Rodrigo Maia, ligou para o do PSDB, Sérgio Guerra, em protesto por não ter sido chamado para um jantar que reuniu em São Paulo os “demos” Gilberto Kassab e Jorge Bornhausen, Orestes Quércia (PMDB) e o tucano Aloysio Nunes Ferreira.

Incomodou 1. Não passou despercebida pelo Planalto a entrevista dada ao jornal “Valor” pelo marqueteiro Luiz Gonzalez, colaborador de longa data de Serra e provável responsável pela comunicação se o tucano disputar a Presidência em 2010. O adjetivo mais usado pelos governistas foi “arrogante”, pelo fato de Gonzalez ter se referido a Dilma como “essa mulher”.

Incomodou 2. Para colaboradores de Lula, o marqueteiro esboçou uma linha de campanha ao dizer que Serra conservará êxitos do atual governo, como o Bolsa Família, e poderá aprimorá-los porque tem “experiência”. Dizem, porém, que Serra teria se desviado desse curso já no dia seguinte, ao bater na visita da comitiva presidencial às obras no rio São Franscisco.

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Cúpula tucana diz que rival é Dilma e tucano não cairá na armadilha de aceitar provocação para brigar com presidente

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

A cúpula do PSDB considera as provocações eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governador paulista e pré-candidato do partido a Presidência, José Serra, uma arapuca. “O Lula escalou o Serra para confrontar os 80% de apoio popular que tem, mas com ele o Serra não vai brigar. O confronto de 2010 é com a Dilma”, avisa o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). “Nesta armadilha o Serra não cai”, completa o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA).

Os tucanos não têm dúvida de que a estratégia do Planalto nessa nova fase da pré-campanha, com a ministra Dilma Rousseff ( Casa Civil) liberada da quimioterapia para viajar Brasil afora, é “chamar o Serra para a briga”. Entendem que, para alavancar a candidatura petista, Lula assume a linha de frente e usa sua popularidade como forma de desgastar o tucano em um embate irreal, contra alguém que não está na corrida presidencial.

CACOETE

“Ele não perdeu o cacoete de candidato”, analisa Jutahy. O deputado alega compreender a dificuldade que Lula tem para “desencarnar” de uma candidatura sustentada ao longo dos últimos 25 anos, desde a redemocratização, mas devolve a provocação. Afirma que “o povo é mais sábio” e já entendeu que a candidata é a ministra Dilma, e não o presidente.

Expoente da ala serrista do PSDB, Jutahy insiste que Serra seguirá governando São Paulo e conhecendo a realidade do País, “sem entrar na arapuca da baixaria e do bate-boca”.

Um dirigente do PT que acompanha a ofensiva do Planalto em favor da pré-candidata petista revela que o presidente Lula age orientado por pesquisas eleitorais. Estes levantamentos mostrariam, segundo alardeiam, que o Serra é o melhor adversário para o PT em uma campanha polarizada, com o qual o Planalto trabalha.

RINGUE

Diante desse quadro, os petistas entendem que as provocações do presidente são úteis para estimular o tucano a entrar na corrida sucessória. “É exatamente por isso que o Lula tem puxado o Serra para o ringue”, diz o senador Delcídio Amaral (PT-MS). “Agora, é esperar para ver se a briga começa já, ou fica para depois.”

A cúpula do PSDB reconhece que já está passando da hora para a oposição se recompor e reavaliar a tática da pré-campanha. “Essa viagem do Lula pelo São Francisco serviu para mostrar que o Planalto não vai ter limite na ação publicitária para a campanha da Dilma”, afirma Sérgio Guerra. Os tucanos admitem que precisam se organizar porque o enfrentamento terá de ser feito. Advertem, contudo, que essa não é uma tarefa do Serra. Ao menos não, por enquanto.

No que depender do governador paulista, o enfrentamento não se dará antes de fevereiro do ano que vem. Apesar da pressão do tucanato e de dirigentes do DEM para que ele assuma logo sua candidatura, Serra não está sozinho na resistência à antecipação do jogo sucessório.

Reunida em Brasília na quinta-feira, a Executiva Nacional do DEM pôs em pauta a “angústia” com a falta de um candidato da oposição para se contrapor a Dilma, que tem buscado o apoio de partidos aliados ao governo.

PARALISIA

“Podíamos procurar o PTB, mas não estamos habilitados a articular porque não temos candidato”, queixa-se o tesoureiro do DEM, Saulo Queiroz. “Enquanto aguardamos paralisados, a Dilma conversa cada dia com uma bancada”, lamenta o tesoureiro, engrossando o coro do presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ).

O DEM de São Paulo, ao contrário, não pressiona Serra a se definir. Prefere ganhar tempo para trabalhar uma candidatura alternativa a Geraldo Alckmin para o governo paulista. O partido está fechado com a campanha de Serra para presidente, mas também estimula a candidatura do secretário estadual da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, para entrar na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, depois das brigas de Alckmin com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

17/10/2009 - 10:40h PT e PSDB buscam aliados para fortalecer candidatura presidencial

Senado vira moeda de troca em alianças

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Orestes Quercia, candidato de Serra ao senado. A segunda vaga está em disputa no PSDB

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Chalita e Mercadante, uma das alternativas cogitadas no PT

Clarissa Oliveira – O Estado SP

Palco da principal crise política deste ano, o Senado foi transformado em moeda de troca para a negociação de alianças no maior colégio eleitoral do País. Para assegurar um palanque forte na corrida presidencial de 2010, os partidos que tendem a polarizar a eleição decidiram empurrar seus integrantes para o sacrifício e apoiar potenciais aliados para uma das vagas que serão abertas na Casa no ano que vem.

Em 2010, entram em jogo duas das três cadeiras a que cada Estado tem direito no Senado. A renovação ocorrerá pouco mais de um ano após o Estado revelar o escândalo dos atos secretos, que colocou na mira o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Em São Paulo, serão disputadas as posições de Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB). Candidato à reeleição, Mercadante é tido como presença certa na disputa. Mas o PT já definiu que a segunda vaga servirá apenas para atrair apoiadores para a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) estava de olho na vaga, mas isso não impediu o PT de apresentar ao vereador Gabriel Chalita, ex-tucano recém-filiado ao PSB, uma proposta de composição. O PT vê a oportunidade de ganhar um puxador de votos tradicionalmente dirigidos ao PSDB. Também quer fortalecer o palanque religioso de Dilma, graças à relação de Chalita com a Renovação Carismática Católica.

Evitando bater de frente com o PSB, Mercadante vem defendendo internamente que o PT dê atenção ao PC do B, que ventila os nomes do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) e do vereador Netinho de Paula (PC do B-SP). Ele investe ainda na tese de que o melhor é apostar em quadros experientes. “Precisamos de senadores com competência e, de preferência, boa experiência legislativa”, diz.

O PDT também cobra apoio para o Senado, numa manobra para aumentar seu passe. “Meu nome está colocado e nós queremos ser contemplados”, diz o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, avisando que é candidato.

ANTECIPAÇÃO

Entre os tucanos, a decisão de abrir mão de uma das vagas foi tomada ainda em 2008. Com a chancela do governador José Serra, potencial candidato tucano à Presidência, o bloco PSDB-DEM prometeu apoio ao ex-governador Orestes Quércia (PMDB), numa manobra para trazer o PMDB paulista para a aliança que reelegeu o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e pavimentar um acordo para 2010.

Quércia ficou com a cadeira que caberia ao DEM na aliança. Mas a sigla já tinha ao menos um interessado na vaga, o secretário do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM). Em 2006, Afif perdeu para Eduardo Suplicy (PT) por apenas 770 mil votos. O acerto com Quércia deixou livre a segunda vaga da aliança PSDB-DEM-PMDB, que, até segunda ordem, ficará com o tucanato. Na lista dos cotados, estão os deputados José Aníbal (PSDB-SP) e Mendes Thame (PSDB), além do secretário da Educação de Serra, Paulo Renato de Souza (PSDB).

Na prática, a vaga pode acabar com o ex-governador e secretário do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, caso ele não consiga se viabilizar para o Palácio dos Bandeirantes. Dizendo ter “muito interesse” em concorrer, Aníbal admite que a negociação será decidida para facilitar a composição federal. “Não é sacrificar o partido, mas temos consciência de que o mais importante é dar densidade à candidatura presidencial.”

O tucanato ligado a Alckmin provavelmente ouvirá cobranças do PTB. A sigla, que apoiou o ex-governador em 2008, diz querer ajuda para reeleger Romeu Tuma (PTB). “É no mínimo justo, considerando a relação de lealdade que temos há anos com o PSDB”, diz o presidente do PTB paulista, deputado estadual Campos Machado (PTB). Já o PV da senadora Marina Silva (AC) ainda não definiu quem vai lançar. Mas, reservadamente, dirigentes dizem já ter decidido o ex-deputado Fábio Feldmann (PV) como alvo das investidas.


FRASES

Aloizio Mercadante
Senador (PT)

“Precisamos de senadores com competência e, de preferência, boa experiência legislativa”

Paulinho Pereira da Silva
Deputado (PDT)

“Meu nome está colocado e nós queremos ser contemplados”

José Aníbal
Deputado (PSDB)

“Não é sacrificar o partido, mas temos consciência
de que o mais importante é dar densidade à candidatura presidencial”

16/10/2009 - 12:43h Pela janela basculante

ColunistaMaria Cristina Fernandes – VALOR

Tancredo Neves apostou no vazio político criado pelo empate entre um regime militar combalido, de um lado, e uma oposição sem força de outro. A opção pelo colégio eleitoral desempataria o jogo.

Vinte e cinco anos depois, é outra a polarização que move a política. Mas é o herdeiro da tradição do PSD mineiro que continua armando o jogo. Aécio Neves aposta que o vazio advindo de uma candidatura José Serra inviabilizada e uma opção Dilma Rousseff sem fôlego de vitória pavimente sua chegada ao poder.

Professor da Universidade Federal de Minas Gerais e um dos mais ativos intelectuais do PT, Juarez Guimarães formula a analogia na expectativa de que o neto de Tancredo não vingue a tradição a que se filia.

Sua aposta é que a polarização entre PT e PSDB, que pauta a política nacional desde 1994 e movimenta 70% do eleitorado, ainda não deu sinais de esgotamento.

É por esta polarização que certamente se pautam tanto o QG de Dilma Rousseff quanto os partidários de José Serra. Foi pelo desmonte dela que o governador de Minas Gerais levou, suado, a sucessão municipal em Belo Horizonte. E é nessa toada que tem construído o discurso pós-lulista de suas ambições presidenciais.

Só o pessedismo mineiro explica por que esse discurso destoa menos em Aécio do que em Serra. O PSD de Juscelino Kubitschek que inspira Aécio compunha a base política de Getúlio Vargas, a quem Luiz Inácio Lula da Silva é costumeiramente comparado.

Ao contrário dos liberais paulistas, que chegaram a fazer guerra contra a legislação trabalhista, explica Guimarães, os mineiros nunca encamparam um discurso radicalmente antiestatal.

A concentração financeira em São Paulo e a decadência da Praça Sete de Setembro, antigo centro bancário de Belo Horizonte, cunhariam as duas faces de uma mesma moeda.

São Paulo se desenvolveria sob a aliança entre o capital financeiro e industrial enquanto Minas continuaria a contar com a forte presença estatal para alavancar os investimentos estaduais.

É sob esta luz de popa que urge observar a posição do governador mineiro nesse imbróglio que envolve a Vale. O governador era líder do PSDB na Câmara quando fechou com seu partido em defesa dos leilões de privatização da empresa.

Uma crise mundial e um pré-sal depois, o discurso de Aécio está mais nacionalista. Fecha com o governo federal no modelo de partilha e busca tirar proveito da mudança na legislação para obter royalties mais gordos ao Estado na exploração dos minérios. Tenta dobrar os empresários do setor pela moderação, a contrastar com o mando petista.

Esta semana, Aécio recebeu Roger Agnelli no Palácio da Liberdade. Na foto posada, cobranças mútuas. Aécio por investimentos da Vale e Agnelli pelo empenho do Estado no desfazimento dos percalços ambientais.

A portas fechadas, encontraram-se ali um presidenciável com um discurso mais próximo da Casa das Garças do que dos fundos de pensão e um executivo por estes premido. Horas depois, Aécio e Lula seriam flagrados num registro fotográfico de discreto entrevero – “Não acredite em tudo o que vê pela janela basculante”, diria Aécio negando desentendimentos.

Para vingar, o pós-lulismo de Aécio – estatismo mitigado de um liberal mineiro – já incensada pela postulação de Ciro Gomes, ainda precisaria contar com o esvaziamento de Serra, seguido pelo de Dilma.

Na oposição, cresce a hipótese de que Serra pode vir a optar pela reeleição face a um risco cada vez maior de a candidatura Dilma chegar ao carnaval em condição de empate técnico.

O risco é agravado pela perspectiva de o comando do Estado cair nas mãos de Geraldo Alckmin, uma opção que não agrada ao PSDB de Serra e, desde os entreveros da sucessão paulistana, nem ao DEM de Gilberto Kassab.

A outra condição para Aécio emplacar – o esvaziamento da candidatura Dilma – é mais incerta. Além de manter os partidos aliados sob relativo controle, todos os indicadores da economia – do emprego às reservas cambiais – lhe servem de cabos eleitorais. É mais do que improvável que o principal deles – um presidente da República aprovado por 80% do eleitorado – seja incapaz de levar sua candidata ao segundo turno.

Ainda que derrotado, Aécio seria vitorioso numa disputa contra Dilma. Dela sairia como líder da oposição. Dezoito anos mais velho, duas vezes candidato derrotado à Presidência e com o Palácio dos Bandeirantes entregue de bandeja ao fogo amigo, Serra não poderia reivindicar a mesma posição.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

13/10/2009 - 08:29h “Serra vai ganhar guerra de biografias”

Ana Paula Paiva / Valor
Foto Destaque
González recorda debate de 2006: “Saí festejado, mas foi desastroso. Alckmin colocou o dedo na cara do Lula, foi desrespeitoso”

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

Luiz González, 56 anos, paulistano, neto de espanhóis da Galícia, deverá ser o principal estrategista da campanha do governador de São Paulo, José Serra, a presidente em 2010. É o marqueteiro preferido dos tucanos paulistas. Sua ascensão no marketing político foi concomitante à consolidação do PSDB no governo estadual. Já se vão 15 anos desde que fez a campanha de Mário Covas, em 1994, mesmo ano em que trabalhou para Serra, que disputava o Senado. Quatro anos depois, ajudava Covas a se reeleger. Em 2000, perdeu com Alckmin na prefeitura, mas o fez governador dois anos depois. Voltaria a trabalhar para Serra na campanha à prefeitura em 2004 e ao governo do Estado em 2006, quando atuou para Alckmin na disputa presidencial. No ano passado, elegeu Gilberto Kassab (DEM) prefeito.

Foi em sua agência Lua Branca, detentora de contratos de publicidade tanto com a Prefeitura de São Paulo quanto com o governo paulista, que ele recebeu o Valor para uma entrevista, explicitou sua estratégia que, a exemplo do governo, é de polarização entre Serra e Dilma – “Só que o embate não vai ser entre Lula x FHC, mas entre a biografia de um realizador e a de uma desconhecida”. A seguir, trechos da entrevista:

Valor: O senhor não teme a transferência de votos de Lula para Dilma?

Luiz González: Aqui em São Paulo ou em Caetés (cidade pernambucana em que Lula nasceu)? Em Caetés haverá mais. A pergunta é: quanto Lula vai transferir nos lugares onde a informação é menos variada, chega mais devagar e as pessoas dependem mais do Estado? Quanto isso pesa mais do que a admiração que as pessoas possam ter por um cara como o Serra e a expectativa de que com ele o lugar onde o eleitor vive melhora? Lula fez campanha para Marta. Foi para o palanque e resultou em quê? Nada. Não levantou meio ponto porque o eleitor aqui é atento.

Valor: Mas e no resto do país?

González: Alckmin era desconhecido nacionalmente, enfrentava um mito que tinha disputado as cinco últimas eleições e que havia feito um governo em que a economia ia bem. Agora está invertido. A Dilma é desconhecida, o Serra é mais conhecido e tem mais biografia. Dilma precisa mostrar o que o governo fez. Pode subir até certo ponto, mas para subir para valer tem que expor a pessoa.

Valor: Foi a privatização que derrotou o Alckmin?

González: Eu nunca saí de um estúdio tão festejado como naquele dia do debate da Bandeirantes. Não só os políticos mas também os coleguinhas. E eu sabia que tinha dado errado. Tinha falado pra ele: não faz isso. Foi ali que ele perdeu a eleição. Colocou o dedo na cara do Lula, foi desrespeitoso. O público fala: ‘Quem é esse cara? Tô desconhecendo’. E teve também a reação do Lula no segundo turno. Fez a famosa reunião no Palácio do Planalto com 17 ministros, despachou um para cada Estado e escalou quatro para aparecerem no “Bom Dia Brasil”, “Jornal Hoje”, “Jornal Nacional” e “Jornal da Globo”. Várias entrevistas do PT metendo a ripa no Alckmin e do nosso lado ninguém. O Tasso (Jereissati) estava no interior do Ceará, o Sérgio Guerra, em Pernambuco, o César Maia sumiu. Consegui o Heráclito Fortes para dar uma coletiva. Se você dá uma entrevista às 15h eu tenho que dar outra às 15h30. Esse é o jogo. E o nosso foi um desastre.

Valor: A força do Lula no Nordeste também não foi decisiva?

González: Não foi apenas no Nordeste. Uma grande derrota que ele sofreu foi no Amazonas. Perdemos em Minas, que tem 10 milhões de eleitores, por 1 milhão de votos. No Amazonas, que tem 2 milhões, perdemos por 900 mil votos. Amazonas virou Minas, que é o terceiro colégio eleitoral do país, porque os dois candidatos da base do Alckmin, Arthur Virgílio e Amazonino Mendes, brigaram o tempo todo e nenhum deles conseguiu defender o candidato da acusação de que ele acabaria com a Zona Franca.

Valor: Em 2010, o comando de Lula sobre a campanha não fará a diferença?

González: Uma coisa é o Lula outra é essa mulher [Dilma] que ninguém sabe de onde veio. Estou colocando como caricatura o discurso, mas no fundo é o seguinte: será que as pessoas estão dispostas a aguentar o PT mais quatro anos sem o Lula? Sem o Lula ficam só os Waldomiros [Waldomiro Diniz, ex-assessor do Planalto flagrado em vídeo recebendo propina]. O Lula foi preservado nessa coisa toda, e sem ele como é que fica?

Valor: O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?

González: Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece? Tudo isso vai continuar e vai melhorar porque onde esse cara [Serra] põe a mão dá certo. Veja só, como ministro: 300 hospitais reformados. Como deputado: tirou o seguro-desemprego do papel. Como ministro da Saúde: fez os genéricos. Como governador: fez três vezes mais metrô que todo mundo. Onde ele põe a mão dá certo. Vai dar certo com aposentadoria, com salário mínimo, água encanada porque ele é um realizador, tem credibilidade, melhora a vida das pessoas por onde passa. E do lado de lá? Quem é? Ninguém sabe.

Valor: E o PAC e o pré-sal?

González: Eles vão mostrar o PAC, nós vamos mostrar que o PAC não existe. Está tudo parado. A vantagem da campanha política é que o contraditório é exercido todos os dias. Cada um fala o que quer, ouve o que não quer e o eleitor julga. Por isso a campanha não é publicitária, é jornalística. Quanto tem para o pré-sal? São 5 bilhões de barris a US$ 40 dólares o barril. US$ 200 bilhões. Por que não põe US$ 100 bilhões na saúde agora? Ah, não existe? Pensei que tivesse. Não estão falando que a Petrobras está sendo capitalizada com 5 bilhões de barris?

Valor: A aposta, então, é que na disputa entre biografias o Serra leve?

González: O Serra é o favorito, tem grandes chances de ganhar. A Dilma passou a ter problemas com a entrada do Ciro [Gomes] e da Marina. Será uma surpresa se ela decolar. O governo acha que vai ser um plebiscito Lula versus não-Lula, ou Lula versus FHC, mas nós não vamos deixar. Não é isso. É a biografia do Serra contra a da Dilma. E daí o nosso japonês é melhor do que o japonês dos outros. Serra foi deputado constituinte, senador, secretário de Estado, ministro duas vezes, prefeito, governador. Tudo o que ele fez alicerça o que vai prometer. Isso dá credibilidade, confiança. E é uma figura nacional.

Valor: Como contrabalançar o Norte e o Nordeste?

González: Uma questão central na campanha é que Serra não pode perder Sul e Sudeste. Não é à toa toda essa movimentação em São Paulo. Eles não são trouxas, precisam de alguém que tire votos do Serra aqui. Uns cinco, seis pontos. Todo esse jogo com o [Gabriel] Chalita é entre PSB e PT porque tem que tirar uns 4 milhões de votos do Serra aqui. O Nordeste é fundamental, é importante, mas acho que nunca se pode perder suas cidadelas. O negócio é que não se pode perder de muito lá e ganhar bem aqui. Serra é tido no Nordeste como o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve.

Valor: O PMDB é crucial?

González: Se o PMDB for para o governo nos prejudica bastante porque tempo de TV é importante.

Valor: O fato de o PMDB ter as maiores bancadas no Congresso e o maior número de prefeitos não é importante também?

González: Não. Isso não é garantido, pois ninguém sabe se eles vão ajudar mesmo. Alguns só ajudam se receberem recurso material, outros até ajudam adversários. O PMDB de Pernambuco é diferente do de Goiás, que é diferente do Rio. Há a possibilidade remota, mas existente, de eles fecharem com o Serra. Aí nossa chance aumenta muito. A possibilidade em que acredito: o PMDB não vai para ninguém. Aí zera e a eleição fica polarizada entre Serra e Dilma. Mas até o início da campanha ela vai sofrer com matérias que ela não emplaca. Alguém do PT em off criticando, dizendo que o gênio dela é ruim, que ela briga com todo mundo. Só bastidores. Ela vai sofrer com isso.

Valor: E o Ciro?

González: Não emplaca. Primeiro porque não vai ter tempo de TV. Vai ter PSB e mais o tempo igualitário, que vai dar uns dois minutos e meio. Sabe qual a leitura do público? ´Aquele pequenininho lá não vai governar porque não consegue agregar. Tem dois que são pra valer e dois nanicos´. Segundo porque ele é verborrágico e alguém vai provocá-lo. Pode ser o Serra ou até mesmo a Dilma, porque pode se travar uma disputa entre ela e o Ciro pelo segundo lugar. Para nós é o melhor cenário. Isso se o Ciro não tiver cometido nenhum deslize verborrágico, o que eu não acredito.

Valor: E a Marina?

González: É uma candidata interessante, bacana, com história bacana, com aura de seriedade. A única coisa que a prejudica neste momento é o pouco tempo de TV. É pouco para expor as ideias, convencer, seduzir e apaixonar. O eleitor também avalia a capacidade de fazer alianças pelo tempo de TV. A tradução do pouco tempo é esse: o cara não tem força. Ela tende a murchar também.

Valor: Aqui em São Paulo o PSDB faz sucessor sem atropelos?

González: São Paulo sempre é uma eleição complicada. É um lugar com opinião pública forte, gente informada, urbanizada, antenada. Mas acho difícil para a oposição mesmo porque não sei quem é o candidato.

Valor: O Palocci pode ser competitivo em São Paulo?

González: Será um erro se ele sair. Tem uma série de coisas de quando ele foi prefeito de Ribeirão Preto que ainda não foram resolvidas, assim como o caso do caseiro Francenildo que também não foi resolvido na opinião pública.

Valor: E a disputa entre os tucanos? Alckmin lidera as pesquisas, mas o meio político prefere Aloysio Nunes Ferreira, com dois pontos nas pesquisas. É difícil alavancar o Aloysio?

González: Você pergunta o que é mais difícil, não a minha preferência. Mesmo porque, essa é uma questão partidária e não me caberia opinar. Mas é óbvio que é mais difícil pegar alguém com 3 ou 5 pontos e lutar morro acima para levar a 20, 25 pontos e forçar o segundo turno do que pegar um candidato com 50 pontos, ex-governador do Estado.

Valor: O que é mais determinante ao voto?

González: Tem uma tese do professor João Albuquerque, da USP, defendendo que 15% votam por identificação, o mesmo percentual, por oposição e 70% por expectativa de benefício futuro. A questão central é como se cria uma identificação com o candidato e se desperta no eleitor a confiança de que ele é capaz de melhorar sua vida.

Valor: A internet vai ser importante em 2010?

González: A cada eleição a internet fica mais importante. E, em 2010, pode até ser a ferramenta mais comentada, pelas novidades que trará. Mas não acredito que será a mais importante. Nas condições de 2010, acho que a TV ainda será mais importante do que a internet, por mais amplas e diversificadas que sejam as ações na internet e por mais tradicionais que sejam na TV. Mário Covas dizia que se ele tivesse pouco dinheiro pagaria advogado e programa de TV e depois contrataria o resto. Se fosse para hierarquizar os veículos que eu usaria, diria que o mais importante é o horário eleitoral, free media [presença dos candidatos no rádio, TV, jornais e revistas], programa eleitoral no rádio e, por fim, a internet.

Valor: Por que?

González: Pela abrangência. O Brasil tem pouco mais de 131 milhões de eleitores. A televisão chega a praticamente todos. Existem 57 milhões de domicílios no Brasil. Há pelo menos um aparelho de TV em 95% desses domicílios – 170 milhões de brasileiros a assistem diariamente. Estima-se que haja até 60 milhões de internautas, com 11 milhões de conexões em banda larga. Ou seja: a televisão chega a muito mais gente. Outra questão é a distribuição geográfica. A TV chega a todo o país de maneira mais uniforme: 96% dos domicílios urbanos têm TV. Na zona rural a presença cai, mas ainda é alta: 78% das residências rurais têm TV. Essa presença avassaladora e bem distribuída não acontece, ainda, com a internet. A internet está mais presente nas regiões Sul e Sudeste, com 60% dos internautas. Mas as regiões Norte e Nordeste que têm, juntas, 34% do eleitorado, só têm 22% dos internautas.

Valor: Essa concentração da internet no Sul e Sudeste favorece alguma candidatura?

González: Acho que a internet vai servir de maneira distinta às candidaturas. Serve mais ao PT do que ao PSDB. Como o PT tem mais dificuldade no Sul e no Sudeste, onde a internet tem mais penetração, o instrumento vale mais. Da mesma forma, se o corte for cidade grande versus cidade pequena, o PT tem mais dificuldade nas capitais e cidades grandes. O PSDB tem mais dificuldade nos grotões. Desse ponto de vista, o que o PSDB precisa é de carro de som nas pequenas cidades. Além disso, a televisão é um veículo impressionista. É um veículo de emoção, que surpreende o telespectador em sua casa. Nessas características essenciais, é insubstituível.

Valor: O que o senhor achou da reforma eleitoral recém-aprovada?

González: Lamentável. O Congresso perdeu a oportunidade de limpar as regras eleitorais, de deixar o pleito mais livre. Por exemplo: não se pode usar imagem externa nas inserções ao longo da programação, nos comerciais. Mas se pode usar imagem externa nos programas grandes, em bloco. Qual o motivo?

Valor: Quais são os outros problemas da reforma?

González: A reforma instituiu um “liberou geral” nas coligações. Agora é possível, na mesma circunscrição eleitoral, fazer coligações que se contradizem. Essa emenda do “liberou geral” para as coligações atende a estratégia governista. Nos últimos anos, prevaleceu a norma que impedia o uso de um espaço eleitoral no rádio e na TV por um candidato a outro cargo. Mesmo assim, em 2006 Lula “invadiu” grande parte das campanhas estaduais, principalmente onde o candidato a governador do PT era fraco. Foi parcialmente punido por isso, com perda de tempo de TV. Nem todas as “invasões” foram descobertas a tempo de se acionar o TSE. Na eleição de 2010, as campanhas estaduais estão autorizadas a veicular “imagem e voz” do candidato a presidente, ou de militante político nacional. Traduzindo: é a licença para Lula e Dilma” invadirem” os tempos de propaganda de candidatos a governador, senador e deputados. Vai ser uma festa. Infelizmente, a oposição deixou passar. Vamos ver o que o TSE diz sobre o assunto.

11/10/2009 - 09:34h Movimentação pró-Aloysio aumenta divisão no partido

Principais lideranças do DEM no Estado, como Kassab, trabalham em favor do titular da Casa Civil de Serra

http://www.desenvolvimento.sp.gov.br/noticias/img/serragoldmananuncio4bi.jpg
Serra, Goldman, Aloysio


O Estado SP

Nos últimos meses, as movimentações de adeptos da candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin e de simpatizantes do chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, criaram tensão no PSDB. O motivo do desconforto são as articulações promovidas por tucanos próximos a Aloysio, no interior do Estado, com a ajuda do DEM. As principais lideranças do partido aliado, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, trabalham no bastidor para emplacar o nome do secretário da Casa Civil de Serra.

Discretamente, Aloysio costura uma rede de apoios no Estado. Além do DEM, o chefe da Casa Civil tem garantido o apoio do PMDB, partido ao qual já pertenceu, do PPS e de legendas menores. O ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista, não impõe restrições a Alckmin, embora também se dê bem com Aloysio. Mas pesam questões pessoais. Em 2010, Quércia fará coligação com a chapa tucana, ocupando uma das duas vagas para o Senado. Prefere não ter na outra vaga Alckmin. Em conversas reservadas, o comentário é que o Senado será “ofertado” ao secretário de Desenvolvimento de Serra, caso ele seja vetado na disputa estadual.

Com a caneta na mão para liberar verbas, Aloysio recebe elogios até de prefeitos da oposição. Nas palavras de um aliado, trata-se de uma “campanha devastadora”. Seus índices nas pesquisas, porém, não ultrapassam os 5%. Nos fins de semana, ele viaja pelo interior. Em agosto, ganhou títulos de cidadão benemérito de 12 cidades que compõem a Associação dos Municípios do Vale do Paranapanema.

No dia 26 de setembro, 37 prefeitos, 175 vereadores e integrantes de 64 municípios receberam Aloysio em Taquaritinga. O prefeito José Paulo Delgado Júnior, do DEM, disse que os políticos da região estão envolvidos na candidatura do tucano. “Ele tem atendido muito os prefeitos. Na classe política, 95% apoiam Aloysio. Alckmin era um grande governador, mas está mais descentralizado, e Aloysio tem poder para decidir as coisas.” A ideia, disse Delgado, é fazer vários encontros entre prefeitos do DEM e Aloysio, até o fim do ano, para fortalecer sua pré-candidatura.

O deputado Walter Ihoshi (DEM-SP), da região de Marília, afirmou que percebe entre os prefeitos muito entusiasmo com Aloysio. “É um grande nome”, insistiu. “Se dependesse dos prefeitos, já estaria eleito.”

Os discípulos de Aloysio garantem que, caso a disputa chegue à convenção, ele leva a maioria dos votos. Alckmistas rebatem: juram que o ex-governador tem 90% de apoio dos delegados no Estado.

Aloysio conta com a simpatia de Serra, mas amigos do governador garantem que o pragmatismo falará mais alto na hora da escolha do concorrente. “Para impedir a candidatura do Alckmin, Serra teria de fazer um banho de sangue no PSDB de São Paulo”, diz um ministro do governo Lula. Se Aloysio não entrar no páreo, deverá ser um dos coordenadores da campanha de Serra. Ele não tem interesse em disputar novamente a Câmara.

O secretário-geral do PSDB estadual, César Gontijo, minimiza o confronto. “Não temos o direito de perder tempo com disputas paroquiais. A energia precisa ser focada na indicação de Serra para a Presidência. São Paulo tem de passar para o Brasil um clima de harmonia”.

Pelo menos está acertado que a escolha do candidato a governador sairá no começo do ano que vem. Primeiro, será batido o martelo sobre a cadeira presidencial. O argumento é que Serra não pode indicar o sucessor agora, pois encurtaria seu governo e sinalizaria para o mineiro Aécio Neves, o outro postulante do PSDB ao Planalto, a definição de seu destino.

Em tese, o governador paulista pode disputar a reeleição. Mas, por enquanto, trata-se apenas de uma tese.

11/10/2009 - 09:14h ”Exilado” no PSDB, Alckmin reage ao fogo amigo e busca se fortalecer

Secretário de Serra foi convencido de que precisa agir rápido para firmar candidatura ao governo de São Paulo

Caio Guatelli / Folha Imagem
Foto Destaque
José Serra, entre Alckmin e Aloysio


Julia Duailibi e Vera Rosa – O Estado SP

Alvo de fogo amigo no ninho tucano, o pré-candidato do PSDB ao governo paulista Geraldo Alckmin decidiu mudar a estratégia de campanha ao Palácio dos Bandeirantes. Mantido numa espécie de exílio político, o secretário estadual de Desenvolvimento, líder das pesquisas de intenção de voto em São Paulo, trabalha agora para se reaproximar do PSDB, diminuir a resistência interna e consolidar seu nome na corrida, com a chancela do governador José Serra.

Aliados de Alckmin identificaram adversários, principalmente no DEM, que tentam “vender” sua imagem como a de um homem isolado. Tudo com o objetivo de amarrar o PSDB ao secretário-chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, outro postulante à cadeira de Serra. Munido desse diagnóstico, o ex-governador foi convencido de que é preciso agir rápido para neutralizar o bombardeio na seara tucana.

De temperamento discreto e sem tino para articulação política, Alckmin entrou na operação para fortalecer seu nome. “Estou saindo do período sabático, mas continuo na fase paz e amor”, anunciou. Apesar de contar com até 60% das intenções de voto, segundo pesquisas contratadas pelo partido, ele coleciona desafetos no PSDB e seu relacionamento com Serra, candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é apenas protocolar.

Disposto a mostrar serviço, Alckmin atuou pessoalmente, nas últimas semanas, para levar filiados ao PSDB. Foram 12 adesões que renderão candidatos a deputados federal e estadual. Além disso, ele tentou organizar reunião com a bancada paulista do PSDB na Câmara. Foi desaconselhado, sob o argumento de que ali prevalece o racha. Passou, então, a chamar parlamentares para conversas em seu escritório. A todos apresenta o mesmo script: uma dúzia de pesquisas, feitas por prefeitos, nas quais desponta como favorito na disputa.

Numa sinalização bem recebida por alckmistas, Serra delegou ao ex-governador a tarefa de representá-lo na filiação da deputada Rita Camata (ex-PMDB) ao PSDB, no último dia 30. Alckmin deixou a discrição de lado e desembarcou em Vitória (ES) acompanhado de oito deputados paulistas, que formam sua “tropa de choque”.

O secretário de Serra sofreu dois revezes, nas últimas semanas, que o ajudaram a sair da toca: o desembarque do PSDB de seu afilhado político Gabriel Chalita – vereador mais votado do País, que migrou para o PSB – e a filiação do deputado Geraldo Vinholi, ex-PDT, costurada à sua revelia. O parlamentar, que operou na Assembleia Legislativa contra Alckmin, quando ele era governador, chegou ao PSDB dizendo se identificar “com Serra e Aloysio”. Alckmin se sentiu desrespeitado.

LULÉCIO – DILMIN

Ele também ficou bastante irritado ao perceber o movimento pró-Aloysio organizado com o apoio do DEM. A temperatura entre “alckmistas” e “aloysistas” subiu tanto nos últimos meses que adversários dos tucanos já apostavam, em tom de galhofa, em comitês conjuntos entre Dilma Rousseff, candidata do PT à sucessão de Lula, e Geraldo Alckmin, em 2010.

A distorção, batizada de “Dilmin”, foi inspirada na eleição de 2006, quando apareceram em Minas os comitês “Lulécio”, numa referência a Lula – então candidato à reeleição – e ao governador Aécio Neves, que também concorria ao segundo mandato. Aliados de Alckmin chegaram a identificar uma assessora do Palácio dos Bandeirantes que, ao marcar cerimônias do governo, pedia aos prefeitos apoio a Aloysio.

Empenhado em desfazer a imagem de político que cria atritos – em 2006 ele desafiou Serra e saiu candidato à Presidência e, no ano passado, disputou a eleição contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM), aborrecendo o governador -, Alckmin afirma agora estar disposto a ajudar o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), a montar palanques para a campanha tucana ao Planalto.

“Eu tive muita aliança e pouco apoio. Sei que isso precisa ser construído”, admitiu o ex-governador, neoadepto da técnica de Pilates, que passou a praticar duas vezes por semana com os vizinhos de prédio.

Guerra tenta jogar água no confronto entre Alckmin e Aloysio. “Nós estamos trabalhando para unir o partido”, disse ele. Na prática, apesar do discurso pacificador, a rede de intrigas preocupa a cúpula do PSDB. O Estado, maior colégio eleitoral do País, terá influência decisiva na sucessão de Lula em 2010. A avaliação é que qualquer turbulência em São Paulo pode prejudicar a eleição de Serra, que deve enfrentar difícil campanha contra Dilma.

Na tentativa de mostrar sintonia com a direção do PSDB, Alckmin irá a Goiás, na semana que vem, e à Bahia, no começo de novembro. Nas duas viagens, ele participará dos encontros nacionais do PSDB para debater temas como emprego e segurança, que rendem votos.

Além de “tourear” os aliados de Aloysio, o ex-governador também está de olho no deputado Antonio Palocci, possível candidato do PT à sucessão de Serra. Não parece acreditar que Ciro Gomes (PSB-CE) vá encarar a empreitada em São Paulo. Alckmin e Palocci são médicos. Quando o petista era ministro da Fazenda, confidenciou ao tucano que, se voltasse no tempo, gostaria de ser psiquiatra. Foi então que Alckmin lhe deu o livro Curar – o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamento nem psicanálise, escrito por David Servan Schreiber. Um livro que trata das emoções e, no diagnóstico dos alckmistas, vale para qualquer campanha.

04/10/2009 - 13:02h ”Alckmin só não saiu porque é bem mais conservador do que eu”

http://blog.cancaonova.com/eto/files/2009/03/glcn002145039337.jpgChalita diz que sua votação lhe deu autonomia para buscar caminho próprio

Quando deixou a Secretaria de Educação, em 2006, Gabriel Chalita prometeu a si mesmo que não se envolveria mais com política. Queria se dedicar unicamente à vida literária, que já rendeu 46 livros em seus 40 anos. Mudou de ideia dois anos depois: o mentor tucano Geraldo Alckmin estava enfraquecido no embate com Gilberto Kassab pela Prefeitura de São Paulo e bem que poderia contar com o jovem boa pinta e promissora liderança católica no palanque.

Se não deu resultado para Alckmin, Chalita foi eleito vereador, o mais votado do Brasil. Agora, o escritor, filósofo, educador, doutor em direito, cantor, etc. está envolvido na política até o topo da cabeleira bem penteada. E protagonizou uma dança de cadeiras que mobilizou a política paulista.

Na terça-feira, ele assinou a filiação ao PSB, aplaudido por boa parte da cúpula do PT de São Paulo, Ciro Gomes, Luiza Erundina, Marcelinho Carioca, Claudinei Quirino, padre Júlio Lancellotti e outras personalidades, políticas ou quase. Preparou um discurso, o que quase nunca faz, em que citou Santo Agostinho, Kant, Bento XVI, Clarice Lispector, Aristóteles… “Minha expressiva votação me deu autonomia para buscar um caminho próprio. Eu sair do PSDB não enfraquece o Alckmin, porque quem vota em mim vota nele”, disse antes da aula de filosofia que daria na Casa do Saber.

Ao longo da semana, Chalita deixou claro que entre as principais motivações para sua decisão está mesmo a profunda divergência com o governador José Serra. Tanto que, quando recebeu Cid Gomes, governador do Ceará, na quarta-feira, confessou a mágoa com os serristas e disparou, como se fizesse uma grande revelação: “O Serra não gosta de professor.” Ao que ouviu de Cid: “Nem de nordestino.” Riram, congratularam-se pela gracinha, empolgaram-se com a chance de Chalita ser senador ou, quem sabe, governador de São Paulo. E Cid recebeu das mãos enormes do novo correligionário uma cópia autografada de seu mais recente livro.

No gabinete 710 da Câmara, a plaquinha ainda dizia “Gabriel Chalita – PSDB”. Mas o desligamento da legenda começou há dois meses, quando ele passou a consultar seus eleitores sobre uma mudança. Transição consumada, os 15 assessores do vereador tiveram de se virar em torno de sua agenda (aulas na PUC e no Mackenzie, palestras para professores e empresas em todo o Brasil – essa é sua principal fonte de renda -, missas e celebrações religiosas, programa de rádio e de TV em emissoras ligadas à Igreja e e-mails de fãs professoras e carolas). Enquanto isso, Chalita tratou de convocar a equipe do publicitário Lula Vieira, responsável pela campanha de Fernando Gabeira à Prefeitura do Rio no ano passado, para dar início à sua própria. “Não sei se estou pronto para ser senador. Mas tenho obsessão pelo projeto de escola em tempo integral e é nisso que vou trabalhar.”

Sua atuação na Câmara até aqui é definida por colegas como “discreta”, como a de quem “está claramente de passagem pela Casa”. Ele preside a Comissão de Direitos Humanos e é membro da Comissão de Constituição e Justiça e justifica as críticas dizendo que, de fato, não se apresenta frequentemente à tribuna. “Só vou se tenho algo a dizer. Mas nunca faltei às votações ou às comissões, que é onde está o real poder do Legislativo.”

A figura pouco confrontadora o transformou quase que num “mascote” dos vereadores. Ele é bem tratado e não esconde que gosta de afagos. Sofre a oposição do vereador Claudio Fonseca (PPS), presidente do sindicato dos professores há 22 anos, que ataca sua gestão na pasta da Educação. E deve passar a ser alvo também de José Police Neto, líder do PSDB na Casa: “A quem serve essa mudança? A que interesses políticos está atendendo?”

Peão ou não dos jogos políticos entre PSDB e PT, sua escolha fez barulho. Chalita garante que a decisão não renderá um novo livro, por ter sido um processo difícil, pouco inspirador. Mas, segundo ele, outros tucanos seguiram seus passos em cidades do interior de São Paulo. Alckmin não queria sua saída, diz. “Só não saiu também porque é bem mais conservador do que eu.”

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse: “Sua decisão parece já estar tomada. Tenha coragem.” E o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que oficializou sua filiação ao PSB na quarta-feira, teria lhe telefonado várias vezes para pedir opinião. Skaf, como o próprio Chalita, flertou bastante com outros partidos.

A escolha seria, então, ideológica ou pragmática? “O PSDB e o PSB não são tão diferentes. O socialismo é um só. A questão é que o PSDB fez alianças mais à direita”, tergiversa. Por falar em direita, o vereador se coloca na ala menos conservadora da Igreja. É contra o aborto, mas não contra a mulher que aborta. Garante que não mistura religião com política, mas sempre fala do movimento carismático Canção Nova e de seus projetos religiosos em conversas com outros políticos.

Indagado se quer ser presidente um dia, Chalita hesita, mas admite. “Seria uma honra. Mas, como ministro da Educação de governo em que eu acredite, já estaria feliz.” Está dado o recado.

02/10/2009 - 09:59h Chamado de ”presidente”, Serra ataca oposição

Segundo ele, opositores na Assembleia ficam concentrados em atrapalhar construção de presídios, ou falando mal de concessões que não estão certas

Serra quer banir da língua portuguesa a palavra PEDÁGIOS, por isso fala em “concessões”. As tarifas de pedágios, a quantidade de pedágios, o custo para o transporte de mercadorias e de pessoas dos pedágios de Serra são motivo de reação da população. Não se trata só da oposição e sim da aplicação abusiva de uma verdadeira tributação para alavancar ganâncias absurdas das concessionárias e obsessões eleitorais do candidato-governador.

Já quando trata da questão da implantação dos presídios aparece com força o autoritarismo que Serra carrega. Nenhuma consulta aos prefeitos das cidades, nenhuma negociação de contrapartidas. Foi uma tentativa de cima para baixo de impor as escolhas arbitrárias do candidato-governador. LF

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Gustavo Porto e Brás Henrique, RIBEIRÃO PRETO

Chamado de “futuro presidente da República” por políticos governistas e até adversários, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disparou críticas ontem aos deputados que lhe fazem oposição na Assembleia. Em sua avaliação, eles não têm discurso contra seu governo e escolheram temas como construção de presídios e concessões de rodovias para atacá-lo.

“Devo dizer que nem sempre é fácil para a oposição fazer um discurso em São Paulo, por isso ficam concentrados em atrapalhar a construção de presídios, ou falando mal das concessões que não estão certas e coisas dessa natureza, menores dentro de um debate político mais amplo”, disse Serra, durante inauguração de obra em Ribeirão.

Ainda em seu discurso, ele voltou a comparar os investimentos feitos pelo governo paulista no Estado aos do governo federal. “Conseguimos manter o elevadíssimo nível de investimentos este ano, cerca de R$ 20 bilhões, que chegam perto de todo investimento federal.”

Citou ainda uma série de obras estaduais para a região de Ribeirão Preto. “O Estado está bem e isso é muito bom. Pelo povo, que merece, e pela contribuição ao País, porque em São Paulo são arrecadados 45% a 50% dos tributos do Brasil”, afirmou.

MÉDICOS

Possíveis adversários na disputa pelo governo de São Paulo em 2010, o deputado Antonio Palocci (PT) e o secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSDB), se encontraram ontem durante evento em Ribeirão. “Saudações médicas”, foi a frase de Alckmin a Palocci, ao ser cumprimentado pelo deputado. Ao lado de Serra e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), Alckmin e Palocci participaram da solenidade que marcou o início das transmissões digitas de EPTV, afiliada da Rede Globo no interior paulista.

“Eleição é no ano que vem e tudo o que é feito neste ano é esquentamento de motores, mas acho que nada se decide na verdade”, disse Palocci. O deputado, no entanto, considerou “positiva” a filiação ao PSB do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. “É saudável que um empresário se filie, acho que é positivo para a democracia brasileira.”

Já Alckmin ironizou a ansiedade de políticos e jornalistas a respeito das definições para 2010. “Os dois ansiosos, políticos e jornalistas, é que ficam querendo antecipar as coisas.”

30/09/2009 - 09:16h Chalita acusa governo estadual de ter descontinuado seus projetos na área de educação

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Ciro Gomes sobre Chalita: “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos”


PSB filia Gabriel Chalita em ato anti-Serra


Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

Numa reunião que contou com a presença de petistas, a filiação do vereador paulistano Gabriel Chalita, ex-PSDB, ao PSB, transformou-se ontem em um ato contra o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). As críticas foram puxadas pelo seu mais novo integrante e tiveram como principal alvo a gestão da educação no Estado, que entre 2002 e 2006 teve à frente o próprio Chalita. O pré-candidato a presidente da legenda, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), reforçou os ataques, com discurso de candidato a presidente em 2010.

“Durante minha gestão, não tivemos uma greve no magistério. A evasão foi a mais baixa da história. E o currículo foi incrementado com a participação dos professores. Aí está uma diferença básica. Eu respeito os professores. Não coloco neles a culpa pelos eventuais fracassos. Culpados são os maus gestores por destruírem políticas públicas, por não terem a humildade de dar continuidade ao que dá certo. Pelo personalismo hediondo tão mesquinho daqueles que pouco entendem de ética”, disse Chalita em longo discurso.

Depois, afirmou que um dos motivos por que deixou o partido foi a falta de espaço para debater a educação. “A minha lamentação no PSDB é que eu faço um projeto nacional, e no meu partido essas teses não eram nem discutidas. Queria, por exemplo, convencer que a escola em tempo integral é um bom caminho e eu não tinha esse espaço”

Criticou ainda que os métodos do governador paulista na política. “Basta fazer qualquer movimento de saída partidária que vem uma quantidade de blogs te destruindo com coisas que a gente não sabe de onde vem. Tem gente que diz que é o Serra quem faz. Na política, a gente deveria parar de usar o subsolo. Serra não é um político que admiro.”

Filiado por quase 20 anos ao PSDB, foi o vereador mais votado em São Paulo em 2008, com 102 mil votos. Entretanto, por pertencer ao grupo político do ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, não encontrou espaço no partido para postular o Senado. Aceitou, então, a ida ao PSB sob essa condição. Foi recebido com fogos e escola de samba em um amplo e lotado auditório no Sindicato dos Eletricitários, no bairro da Liberdade, centro da capital paulista.

A assessoria da Secretaria da Educação disse ontem que as críticas de Chalita são infundadas, na medida em que não houve descontinuidade de projetos da gestão anterior e que há políticas de valorização e incentivo ao professor sendo tocadas pelo atual secretário, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.

Antes do discurso de Chalita, Ciro fez um discurso com nuances de candidato a presidente, que passou pela política e economia nacional e internacional. Sobre Chalita, disse que o novo correligionário é o símbolo do que o país precisa na política: “Um jovem que resolveu botar a mão na massa” e que “sem dúvida tem grande futuro na política de São Paulo e do Brasil”. “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos, que é razoavelmente bem avaliado mas pelo qual ninguém morre de amores”, disse Ciro, que chegou a mencionar Chalita como possível candidato do PSB ao governo do Estado.

Mas foi nos ataques a Serra, seu provável adversário em 2010, que Ciro, foi mais incisivo. “Ou o senhor José Serra é a volta da turma do presidente Fernando Henrique ou não é. Ele foi ou não foi ministro do FHC em dois mandatos, que tiveram o definhamento consistente da massa salarial em relação ao PIB, do crédito, o desfinanciamento dos investimentos em serviços públicos”, disse, afirmando em seguida que o país corre risco com a candidatura Serra. Em relação a si, disse: “Batam no mensageiro mas por favor prestem atenção na mensagem”.

Ciro reafirmou sua intenção de se candidatar a presidente, embora o partido pretenda definir isso no início do ano. Há a possibilidade de que ele transfira seu domicílio eleitoral para São Paulo, deixando em aberto a possibilidade de disputar o governo paulista. Uma reunião que ocorreria ontem e foi adiada para a manhã de hoje entre dirigentes do PSB deve debater essa transferência. Enquanto a decisão final não ocorre, Ciro se coloca como candidato e o PSB se movimenta para filiar o maior número possível de pré-candidatos com visibilidade a cargos proporcionais . Isso ocorre principalmente em São Paulo, onde pretende montar palanque para enfrentar o PSDB.

Anteontem, a reitora da USP, Suely Vilela, foi umas das que assinaram a ficha de filiação. Primeira mulher a assumir a reitoria da universidade, assumiu o cargo em novembro de 2005, durante a gestão Alckmin. Foi no governo Serra, porém, que enfrentou crises que desgastaram sua relação com o atual governador, como a ocupação da reitoria e greve de professores. Em conversa ontem com o Valor, disse que até deixar o cargo, em novembro, irá contribuir com plataformas educacionais para o partido. A decisão sobre uma possível candidatura ocorrerá depois. Afirmou se filiar ao PSB por acreditar nos ideais de “justiça, igualdade e participação” da sigla e que “a universidade é apartidária”. Sobre sua relação com o governador, disse que “Relação entre universidade e governo é sempre cordial”.


“É o maior fato político e eleitoral”, diz petista

“É o maior fato político e eleitoral do semestre. Muda a realidade em São Paulo e contribui para alterar a realidade nacional. Com Chalita entre nós, podemos apresentar a São Paulo algo para darmos um salto a frente.” As palavras foram ditas ontem pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, na cerimônia de filiação do ex-tucano Gabriel Chalita ao PSB, um dos principais partidos da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Vaccarezza era mais um dos petistas presentes e entusiasmados com a adesão do ex-secretário da Educação do então governador Geraldo Alckmin (PSDB) à base aliada federal. Ao seu lado na mesa estava o presidente do PT paulista, Edinho Silva, que postou no twitter, ao deixar o ato: “Saindo do ato de filiação do Chalita ao PSB, muito representativo e com muita força política. O projeto do governo Luiz Inácio Lula da Silva ganha mais força social.” Outros dois vereadores petistas compareceram: José Américo e João Antonio.

Antes do ato, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) comemorava, também pelo twitter: “Daqui a pouco o vereador de SP Gabriel Chalita deixa o PSDB e se filia ao PSB passando a apoiar o governo Lula e seu projeto de nação.”

Essa aproximação contraria o histórico da relação do PT com o vereador paulistano. Enquanto esteve no PSDB, Chalita era um dos alvos preferidos dos petistas paulistas.

Em 23 de setembro de 2008, o líder da bancada do PT, Roberto Felício, protocolou nos Ministérios Público Estadual e Federal pedido de investigação sobre possível irregularidade na evolução do patrimônio de Chalita. Em março de 2006, a bancada petista protocolou um pedido de “CPI do Chalita”. Queria verificar a cessão de uma fazenda de 87 hectares para a rede de Comunicação Canção Nova, onde o então secretário de Educação de Alckmin tem um programa.

Em outubro de 2005, a Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia, liderada pelo PT, aprovou a convocação de Chalita para prestar esclarecimentos sobre a existência de 200 vans e micro-ônibus destinados ao transporte escolar que estariam paradas no pátio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. (CJ)

Comentário LF

Não sei se Vaccarezza exagera quando afirma que a filiação de Chalita “É o maior fato político e eleitoral do semestre”, é possível que seja exagerado mesmo.

A Folha, ao que parece, está convencida que a afirmação do líder do PT é um exagero. Por isso dedica ao fato um espaço reduzido.

A cobertura da Folha se resume hoje a ecoar crítica de Alckmin a Chalita, no Painel, e a uma foto legendada delatando Ciro por fumo em lugar proibido.

Ciro_fuma

Painel

RENATA LO PRETE – painel@uol.com.br

Alckmin sobre Chalita

No dia em que seu ex-pupilo Gabriel Chalita se filiou ao PSB e subiu o tom dos ataques a José Serra, Geraldo Alckmin resolveu romper o silêncio sobre o assunto. “Ele deveria ter continuado no PSDB. Respeito sua decisão, mas não concordo com suas críticas”, afirma o ex-governador, atual secretário do Desenvolvimento e líder isolado nas pesquisas sobre a sucessão no Palácio dos Bandeirantes.
“Primeiro, porque o Serra sempre foi nosso aliado e sabe que pode contar comigo”, diz Alckmin. “Segundo, porque o povo aprova e quer a continuidade do governo do PSDB em São Paulo. Assim como, mostram as pesquisas, quer uma nova Presidência tucana.”

Claque.
Os petistas Cândido Vacarezza, Edinho Silva, José Américo e João Antonio prestigiaram a filiação de Chalita. Depois, os dois últimos levaram o neoaliado almoçar.

28/09/2009 - 09:54h Líder nas pesquisas para o governo, Alckmin isola-se no PSDB

Caio Guatelli / Folha Imagem
Foto Destaque
Alckmin com Serra e Aloysio: ambos são secretários estaduais, mas é o da Casa Civil que tem poder de liberar emendas e construir a base de apoio no partido

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

A isolada liderança de Geraldo Alckmin (PSDB) para a sucessão do governo paulista em 2010 não tem sido suficiente para que seu nome tenha a unanimidade de seu partido, muito menos de seus principais aliados, DEM e PMDB. Há uma crescente mobilização para viabilizar a candidatura do seu correligionário, o secretário-chefe da Casa Civil de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, distante de Alckmin quase 50 pontos nas pesquisas.

O cenário lembra o de 2008, quando os tucanos se dividiram entre a candidatura à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a de Alckmin. Um ano depois, quem apoiou Kassab está com Aloysio. Já o grupo de Alckmin comporta dissidências.

Em razão disso, há no partido a certeza de que só o governador José Serra (PSDB) pode arbitrar o embate interno entre seus dois secretários e impedir a realização de prévias ou de uma convenção, se avaliar que isso pode atrapalhar sua campanha a presidente da República. A prioridade, por ora, é consolidar seu nome para a disputa ao Planalto, em uma composição com o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). Isso deve ser feito até janeiro. Depois, focará no cenário estadual até o final de março, prazo final para Alckmin e Aloysio se desincompatibilizarem de seus cargos.

Não havendo definição, o processo pode se estender até a convenção, em junho. O embate, porém, é dado como certo. “Vai ter disputa interna. Não há nenhum problema em passarmos por isso”, afirma o líder do governo na Assembleia, Vaz de Lima (PSDB), historicamente ligado a Aloysio.

Até que a disputa seja explícita, o trabalho é nos bastidores, onde Aloysio tem liderança absoluta. Seus apoiadores apostam na força da máquina do governo paulista – da qual Aloysio é o gerente – e na rejeição a Alckmin, no partido e entre os aliados, para construir sua candidatura.

Cálculos do PSDB mostram que na Câmara Municipal de São Paulo, dos 12 vereadores, apenas um tem apoio declarado a Alckmin: seu ex-secretário de Assistência Social, Floriano Pesaro. O ex-governador tinha outro vereador ao seu lado, seu também ex-secretário de Educação Gabriel Chalita que, sem espaço no partido, assina amanhã sua ficha de filiação ao PSB para concorrer ao Senado. Na Assembleia Legislativa, dos 23 deputados, o cálculo é de que 21 estão com Aloysio. A bancada federal se divide, mas ainda assim a preferência é por Aloysio: 9 x 7.

O que explica esse quadro é, primeiro, o relacionamento político-financeiro que Aloysio tem construído com as bases estaduais. É ele o principal responsável pela liberação das emendas parlamentares e pelos convênios assinados entre o Estado e os municípios. Só nos dois primeiros anos do governo, foram liberados cerca de R$ 210 milhões diretamente para prefeitos e R$ 227 milhões para deputados estaduais, ambas dentro de uma rubrica orçamentária específica da Casa Civil, denominada Unidade de Apoio aos Municípios. Na gestão anterior, do próprio Alckmin, os valores dessa rubrica eram, segundo o governo, “muito menores”. Cotas orçamentárias para deputados estaduais, hoje em R$ 3 milhões, nem existiam.

Outro fator é o crescente isolamento político-partidário de Alckmin, dentro e fora do PSDB. Sua atuação nos três últimos processos eleitorais levaram a isso. Em 2004, tentou impor seu polêmico secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, como candidato a prefeito, uma figura sem qualquer ligação histórica com o partido.

Dois anos depois, o PSDB sangrou na disputa entre Serra e Alckmin para a candidatura à Presidência. O atual governador ia melhor nas pesquisas, mas Alckmin e seu grupo disseminavam a tese do “candidato natural”, uma vez que Serra teria de deixar a prefeitura ao passo que Alckmin estava em seu último ano no governo do Estado.

Mas são das eleições de 2008 que ainda restam as grandes feridas. Parte dos tucanos apoiava Kassab, já que se tratava da manutenção da aliança em que fora eleito em 2004, como vice de Serra. Outra parte, o grupo de Alckmin, se apoiava na liderança nas pesquisas para impor sua candidatura. Ao final, o ex-governador não chegou ao segundo turno.

Muitos dos tucanos que ficaram com Kassab foram chamados de traidores e chegaram a sofrer ameaças de expulsão. Fundador do partido, o secretário paulistano de Esportes e deputado federal licenciado Walter Feldman é um deles. Cauteloso, não se posiciona na disputa mas diz que ela é bem-vinda. “O partido só se fortalecerá na luta interna. O que prejudica o PSDB é ter medo disso. Será uma boa disputa entre os dois.”

A formação de uma forte corrente favorável a convenção ou às prévias não é único revés que Alckmin enfrenta. Ele assiste ainda à defecção de antigos aliados. Um exemplo é Tião Farias, muito ligado a Mário Covas e um dos poucos vereadores que em 2008 foram de Alckmin. Lotado na Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, está com Aloysio. Outros dois alckmistas de carteirinha também desembarcaram, o atual vereador Carlos Bezerra Júnior e o deputado estadual Marcos Zerbini. Procurados, Farias e Bezerra não responderam ao pedido de entrevista. Zerbini disse que “não queria comentar o assunto”.

O ex-secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, que ajudou Alckmin nos conflitos internos em 2008, está fechado com Serra. Será uma espécie de assessor político especial do governador. O presidente do PSDB paulistano, José Henrique dos Reis Lobo, ligado a Alckmin e importante ponte entre ele e Serra, enfrenta desprestígio com a base municipal. Tem o diretório, mas não o diálogo com a Câmara e a prefeitura.

No DEM de Kassab, o discurso é de que o apoio é total a quem Serra indicar, embora seja nítido o desconforto com a hipótese de que Alckmin seja esse nome. Um sinal disso é a colocação de Kassab como nome viável ao governo do Estado. O DEM também baseia-se em pesquisas internas que dão viabilidade eleitoral a Kassab no Estado e no crítico cenário nacional que o partido prevê enfrentar em 2010, após oito anos de oposição ao popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A opção do PSDB pela candidatura Aloysio deixaria uma porta aberta a Kassab caso o secretário tucano se mostre pouco viável até abril, prazo da desincompatibilização.

Mais próximo aliado de Kassab em Brasília, o deputado federal Guilherme Campos (DEM-SP), ex-vice prefeito de Campinas e coordenador da bancada paulista federal do DEM, diz que o projeto da legenda é fazer Serra presidente e apoiar quem este indicar à sucessão. Afirma ainda que liderança em pesquisa, a um ano das eleições, é irrelevante. “A pesquisa nessa fase pré-eleitoral é um cenário que mede antes o nível de conhecimento do que de viabilidade eleitoral. Não dá para comparar a exposição e a presença na mídia que o Alckmin tem com a do Aloysio. É só pegar o exemplo de 2008, com o Kassab. Alckmin liderava e perdeu. Kassab decolou”, afirma.

O PMDB do ex-governador Orestes Quércia também está fechado com Aloysio, que foi homem forte nas duas últimas gestões do partido no Estado. Além disso, há resquícios de 2008. Na campanha, Alckmin, ao criticar a aliança de Kassab com Quércia, disse que o ex-governador “quebrou o Estado”.

Em meio às dificuldades, os alckmistas adotaram a seguinte premissa: esquecer os conflitos de 2008, pois eleição para presidente e governador tem nuances diferentes da de prefeito e o foco agora deve ser construir o melhor cenário no Estado para que Serra seja eleito presidente.

“O objetivo é ganhar a presidência e criar cenários para que isso se dê da forma mais favorável possível. Não se pode pensar 2010 com a cabeça de 2008″, diz o deputado federal Edson Aparecido (SP), fiel a Alckmin. Para ele, não se pode querer “turbinar cenários que hoje não existem”. “As questões que fazem parte de um processo eleitoral para presidente e governador são absolutamente distintas”, diz.

O também deputado federal Silvio Torres (SP), do mesmo grupo político, aposta no governador José Serra para unir o partido. “Os problemas são perfeitamente superáveis a partir do momento em que Serra conduzir esse processo. Não vamos nos perder em malquerências do passado. O projeto Serra presidente passa por candidaturas fortes nos Estados. É essa visão amadurecida que precisamos ter”, afirma.

A prioridade de fazer Serra presidente é uníssona entre os dois grupos. A diferença é que os defensores de Aloysio acham que seus 2% nas pesquisas podem ser alavancados com certa facilidade. O partido tem a máquina, a aliança tem a quase totalidade dos 645 municípios paulistas e os investimentos em 2010 serão grandes. Por outro lado, se o crescimento nas pesquisas demorar a acontecer, o PSDB corre o risco de enfrentar uma dura eleição no Estado que comanda desde 1995, colocando em risco o projeto principal de voltar ao governo federal. “As atenções não podem estar voltadas para a candidatura a governador, mas sim para presidente. Uma disputa em Sao Paulo dispersaria os esforços”, afirma o secretário-geral do PSDB paulista, Cesar Gontijo.

Serra aguarda a definição do cenário até o início de 2009. Precisa, primeiro, compor com Aécio, pois avalia que sem São Paulo e Minas unidos em uma candidatura tucana – trata-se dos dois maiores colégios eleitorais do país – fica difícil se contrapor ao favoritismo petista no Norte e Nordeste. Quer partir de uma base de 70% em seu Estado. Para atingir esse índice precisa de um candidato forte.

“Para Alckmin ter chance precisa se aproximar desses setores que têm reclamações contra ele, caso contrário corremos o risco de DEM e PMDB até fazerem um candidato. Isso pode ser evitado”, diz o secretário municipal de Participação e Parceria, Ricardo Montoro (PSDB). Assim como outros tucanos próximos a Kassab, ele também acha que só a pesquisa não será suficiente para dar amálgama à candidatura Alckmin. “Não se iluda com Ibope. Ibope é nível de conhecimento, não é voto definido. Quem acha diferente disso não entende de política.”

Procurado por meio de sua assessoria, Alckmin não foi localizado pela reportagem. Em público, tem emitido sinais de composição. Por exemplo, costuma comparecer a eventos em que Kassab está e já conversou com Quércia. Mas ainda que prevaleça seu nome, terá que ceder. O desenho atual, caso isso ocorra, é de que Kassab indique o candidato a vice – possivelmente o secretário estadual de Trabalho, Afif Domingos – e que, para ajudar na campanha de Quércia ao Senado, o PSDB lance apenas um nome ao cargo. Por outro lado, pode avaliar que sua situação no partido está muito difícil e aceitar sair para o Senado ou procurar outra legenda para se candidatar, como fez Chalita ao ir para o PSB. Teria até a próxima semana para fazê-lo.

28/09/2009 - 08:58h PSDB acusa Chalita de oportunismo político

Vereador disse que lhe foi negado espaço no partido

Julia Duailibi – O Estado SP


Vereador mais votado em 2008, Chalita vai para o PSB


Tucanos reagiram às críticas feitas pelo vereador paulistano Gabriel Chalita ao PSDB, partido no qual militou por mais de 20 anos e do qual anunciou a desfiliação na semana passada. Amanhã Chalita ingressa formalmente no PSB, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo federal, para disputar o Senado em 2010.

O presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, afirmou que as declarações de Chalita mostram que “o ruído provocado pela sua saída do PSDB talvez tenha colocado fora de controle a sua pretensão e vaidade”. O secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, também questionou as afirmações do vereador. “De repente, ele se deu conta de que as coisas não são como ele pensou. Estranho. Soa mais como oportunismo político”, disse.

Em entrevista ao Estado, publicada no fim de semana, o vereador criticou a gestão da educação em São Paulo, alegando que a atual administração passa a imagem de que os professores são “vagabundos”. Disse também que não tinha espaço no partido por ser aliado do ex-governador Geraldo Alckmin, a quem teceu elogios.

Insinuou que o governador José Serra e aliados estariam por trás de críticas a sua formação intelectual. “De repente, começou a surgir coisa de todos os lados. Escritor de autoajuda, fez biografia da Vanusa. De uma hora para outra. Começaram a tratar meus programas de educação de forma vulgar. Não sei se foi ele que fez, mas foi uma coincidência”, declarou.

Lobo, secretário estadual de Relações Institucionais e até então um dos principais defensores de Chalita no partido, afirmou que a fala do vereador revela ressentimentos pessoais. “Ele saiu do partido dizendo que apenas procurava um espaço e uma tribuna para expor suas ideias. Sua fala revela, no entanto, que fez por fortes ressentimentos pessoais”, disse. “Além disso, ao fazer uma enorme futrica envolvendo os nomes de Serra e Alckmin, pode dar razão aos que acreditam que a elegância e a sobriedade, que pareciam características suas, tenham sido apenas uma farsa que não lhe convém mais representar.”

CONTRAPONTO

Paulo Renato afirmou não ser verdade que o Estado parou programas implementados por Chalita, quando secretário de Alckmin. “O Escola da Família e o Escola de Tempo Integral foram mantidos. Mas queremos ter a certeza de que funcionam.” O secretário questionou o retrocesso de certos indicadores entre 2002 e 2006, período em que Chalita foi secretário. “Alguns indicadores tiveram desaceleração no período. Houve alta na taxa de absenteísmo dos professores. Não é uma crítica a Chalita. Mas buscamos programas que achamos mais efetivos na busca de qualidade. Cada governo tem uma prioridade.”

Questionado sobre o mestrado internacional para professores, defendido pelo vereador, Paulo Renato disse que o programa continua. “Mas qual o impacto num conjunto de 230 mil professores? Buscamos mecanismos efetivos. Não queremos programas charmosos.”

27/09/2009 - 08:55h Quercia é Serra, quer arrastar o PMDB para apoiar o tucano e gostaria de Kassab candidato a governador

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”Temos poder para fazer a aliança com o PSDB”

Clarissa Oliveira e Julia Duailibi – O Estado SP

Aliado dos tucanos em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) disse não “confiar” na aliança com o PT em 2010 e na disposição do PT de dar a vice-presidência para o seu colega de partido Michel Temer, presidente da Câmara. “Eu nem acredito que o PT dê a vice-presidência para ele.”

Na contramão de Temer, que em entrevista ao Estado defendeu que a aliança PT-PMDB seja definida em outubro, Quércia disse que será a convenção, apenas em junho, que decidirá quem o partido apoiará. “É um grupo no PMDB que pretende apoiar e não quer conversar com ninguém.” As declarações do ex-governador já têm um tom de racha, tradicional no PMDB a cada eleição. “A mesma esperança que eles têm de que o PMDB apoie a candidatura do PT nós temos no sentido de virar. Quem manda no partido é a convenção”, afirmou.

Para Quércia, a “posição de São Paulo” de fechar com o PSDB é “incontestada”. Abaixo, a entrevista concedida na sexta-feira em seu escritório.

Com o foi a reunião com a cúpula do PMDB semana passada?

Estivemos lá eu, Jarbas (Vasconcelos) e Ibsen Pinheiro, representando o Pedro Simon, por causa das declarações do presidente do partido de que teria se definido pela candidatura da Dilma. Sou da Executiva Nacional e ninguém me chamou para falar sobre esse assunto. Mesmo essa questão de eventual candidatura do Michel, ele nunca falou, nunca conversou com ninguém. Nossa expectativa é de que as coisas vão mudar muito. Mas, se conversar, a gente sente que é possível ter uma solução boa.

Solução boa é o quê? Apoiar o candidato do PSDB?

O que colocamos é que o raciocínio está errado. O comando nacional vai definir, mas não chamou o comando nacional? Não é Exército, não é regime militar. O comandante manda, dá a ordem e se cumpre. Política é conversar, é diálogo, é debate. Ficou definido, no final da reunião, que o Michel iria convocar outra reunião para continuar debatendo.

Espera-se que a aliança com o PT seja anunciada em breve.

Quem anuncia isso? É o presidente do PMDB? Não, é o presidente do PT. Então, significa que o PT está mesmo mandando no PMDB. Não é o PMDB. É um grupo no PMDB que pretende apoiar e não quer conversar com ninguém.

O PMDB vai rachar de novo?

Não queremos que o PMDB rache. Até porque temos esperança. A mesma esperança que eles têm de que o PMDB apoie a candidatura do PT nós temos no sentido de virar. Quem manda no partido é a convenção.

Há a sensação de que a negociação com o PSDB é projeto pessoal do sr. para se lançar ao Senado.

É da Executiva do partido em São Paulo. Não é meu.

Quem está com o sr. nesse plano?

Todo o PMDB de São Paulo. Na reunião, eu coloquei isso. A posição de São Paulo é incontestada. Nem o Michel nunca contestou, que é nosso deputado federal. Essa posição é legítima, apoiada unanimemente.

Além de São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, quem mais?

Santa Catarina. Não está definido o Rio Grande do Sul, mas tenho certeza de que vai definir. Temos esperanças no Mato Grosso do Sul e em Goiás.

O sr. diz que o PMDB paulista está fechado. Mas a decisão ocorreu quando não era tão forte a possibilidade de Temer ser vice. São Paulo não pode rever a posição?

Não. Nossa posição é de apoio à campanha do PSDB para o governo e de Serra para presidente. Se não conseguirmos na convenção, em São Paulo temos poder para fazer a aliança com o PSDB. Mesmo sem a aliança nacional.

Mesmo com o Temer na vice?

É. Por que vamos protelar o processo? Tudo bem, eu respeito muito o Temer. É uma liderança muito importante. Mas não vai mudar São Paulo.

O PMDB de São Paulo fará a campanha do Serra mesmo tendo a vice de Dilma com o Temer?

Não posso dizer isso, porque não sei o que vai dizer a convenção do partido. Quero fazer isso. Pretendo fazer isso. Vou propor à convenção nacional do partido apoio ao Serra para poder fazer isso.

E o palanque nacional?

O palanque nacional vamos decidir na época. Isso não é hora de decidir. A hipótese com que eu trabalho é a de apoiar o Serra para presidente. Vejo condição para isso. Quem está demonstrando claramente essa possibilidade sou eu? Não, é o Michel Temer. Porque eles estão precipitando. Por que estão fazendo isso? Eles querem segurar o processo.

Por que não fazer aliança com o PT?

Quando fui candidato a senador, havia um compromisso de me ajudar. E eles não cumpriram o compromisso.

O sr. acha que o PT vai deixar de cumprir compromissos se firmar uma aliança em torno da Dilma?

Não sei. Eu não confio na aliança com o PT. Agora, se os outros confiam, o que é que eu posso fazer? Eu não confio.

O sr. apoiou o presidente Lula lá atrás.

Eu apoiei o projeto, e ele não foi executado. Não cumpriram esse programa. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) conseguiu fazer 7% das obras anunciadas. Existem 29% em andamento e 64% não saíram do papel.

O PT diz que o sr. desembarcou do programa petista porque não teve espaço para cargos.

Nem nunca quis. Nas conversas em que fui consultado, nunca reivindiquei cargo nenhum. Tenho alguma coisa pessoal contra o Lula? Não, nunca tive. Sempre foi muito simpático comigo. Ajudei a organizar o apoio do PMDB ao governo Lula. Ajudei a somar o partido em torno do Michel. Mas estou convencido de que é ruim para o País continuar com o PT no governo. Gostaria de estar brigando pela candidatura do PMDB. Infelizmente, não é possível.

O senhor está se sentindo atropelado nesse processo de aliança?

O raciocínio deles é “vamos decidir o nacional e todo mundo vai ter de seguir”. Vai decidir não em nome do partido, em nome de uma discussão, de um debate. Se decidir. Espero que isso não venha a acontecer. Estou convencido de que o Michel Temer vai cumprir o compromisso que ele assumiu comigo, com o Jarbas e com o Ibsen Pinheiro de continuar a discussão.

Mas, no final, o PMDB sempre acaba indo com o governo, não?

Não deveria. Lembro que na campanha passada lutei muito para ter candidato próprio. Dessa vez, percebi que era difícil. Fizemos a aliança em São Paulo já prevendo a hipótese de apoiar o Serra. Se o Brasil continuar com o governo do PT sem o Lula vai ser a pior coisa que pode acontecer. Tenho obrigação de fazer alguma coisa. E acho que, hoje, é brigar como puder para ajudar o Serra. Porque eu adoro o Serra? Não. Há um processo em andamento, de que é a melhor alternativa para o País. Se amanhã ele não for o candidato do PSDB, vamos apoiar o Aécio. Que representa aquilo que o Serra também representa.

O sr. apoiaria o Serra mesmo que retirassem a legenda para o sr. disputar o Senado?

Não sou ambicionado desesperadamente para ser senador. Evidentemente, acho que teria de ser do PMDB esse senador.

A ala governista diz que ficou resolvido que a definição das alianças deverá ser antecipada.

Confira com o Ibsen, o Jarbas. Temer ainda pediu para eu ser mais manso na minha declaração, pois estava cheio de jornalistas lá fora. Eu disse “tudo bem, vou ser manso”.

Se ele não estivesse na liderança do partido seria mais fácil fazer a negociação que o sr. quer?

Eu o ajudei a ser presidente.

E agora ele trai o sr.?

Ele não está traindo. Está sendo pressionado pelo outro lado, pelas circunstâncias. Pode ser que ele goste da circunstância de ser vice-presidente. E eu nem acredito que o PT dê a vice-presidência para ele. Eu não acredito.

Por quê?

É subjetivo. Difícil explicar por quê. Tem muita gente que não acredita. Não sou só eu, não. Gente do Michel não acredita.

Mas o que dá esse argumento para o sr.?

É uma impressão. Evidentemente, interessa a eles dizer que o Michel é o vice. Aí São Paulo está envolvido. É o vice de São Paulo. Não sei se é para valer.

É jogo de cena?

Pode ser. Não acredito que eles vão apoiá-lo. Vocês vão ver isso acontecer. Não existe nada oficial. Dizem que o Michel seria bom. Mas aí, a maioria não quis, essas coisas. Tenho uma falha política. Sou muito sincero em tudo. Não costumo mentir nunca. Falo aquilo que eu penso.

Como o sr. vê a discussão do candidato a governador em São Paulo?

Há dois candidatos, o Aloysio e o Alckmin. Basicamente, vai depender do PSDB e do Serra.

Se Aloysio for candidato, Alckmin pode ir para o Senado. Aflige o sr.?

São duas vagas.

O DEM tem resistência ao Alckmin, setores do partido ameaçam lançar o Kassab?

Não existe isso. Kassab não é candidato.

Mas seria bom a Alda Marco Antônio na Prefeitura de São Paulo?

Seria ótimo. Se o Kassab fosse candidato, acho que teria condições de se eleger.

Poderia ser um prêmio de consolação caso o PSDB tire do senhor a legenda para o Senado?

Pode ser. Fechado. Pronto.

24/09/2009 - 20:56h “Nunca vivemos uma situação tão boa no aspecto econômico e tão confusa na política”, disse Marta em Diadema

Marta Suplicy desdenha Alckmin, mas teme Serra

Heloísa Resende

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Marta revelou que Dilma Rousseff estará no ABC no próximo dia 19


Leandro Amaral – Repórter Diário


Na sequência da peregrinação no ABC, a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), não mostrou papas na língua ao avaliar o cenário político eleitoral. Com a tendência de pleitear uma vaga na Câmara Federal, a petista reafirmou seu apoio à candidatura do ex-ministro Antonio Palocci para a sucessão do governo paulista.

“Ele tem as condições de propiciar um desenvolvimento que o nosso estado precisa. Ele tem a visão de investimento, além de ter uma visão social muito clara. Então, acredito que é a pessoa com perfil muito bom para disputar com chance de vitória”, disse a ex-ministra do Turismo nesta quinta-feira (24/09) durante visita ao prefeito de Diadema, Mario Reali (PT). Recentemente, Marta fez o mesmo em São Bernardo e Mauá, cidades também comandadas pelo Partido dos Trabalhadores.

A ex-prefeita destacou que Palocci só não será o postulante se não quiser. Porém, ao analisar o principal adversário – o PSDB – que ostenta a hegemonia no âmbito estadual, Marta traçou dois duelos distintos: um “temido”, tendo como oponente o atual governador José Serra; o outro, mais brando, com o ex- comandante paulista Geraldo Alckmin na trincheira rival.

“O PSDB terá um candidato muito forte se for o Serra. Se não for ele, não tem nenhum que a gente não possa ganhar com mais facilidade. O Serra é muito forte”, teme. “O Alckmin não é mais o candidato que era. Ele tem uma história hoje diferente daquela registrada quando ele deixou o governo do Estado. As nossas pesquisas indicam isso”, desdenha.

Enaltecendo o cenário econômico nacional, a petista deu mostras de qual será a estratégia para manter o poder no planalto e destronar os tucanos em São Paulo. “O Lula tirou o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros, da linha branca, aumentou o salário mínimo e o Bolsa Família. Assim os mais pobres ajudaram o País a sair da crise. Se o PSDB estivesse na presidência, como nós sairíamos da crise?”, questiona. Na sucessão do Palácio dos Bandeirantes, o PT vai querer atrair para Palocci (ex-ministro da Fazenda) os méritos da política econômica implantada no governo Lula. “Nunca vivemos uma situação tão boa no aspecto econômico e tão confusa na política. Temos um céu de brigadeiro economicamente – exaltado internacionalmente. Fomos os últimos a entrar na crise e os primeiro a sair, mostrando que era uma marolinha mesmo. Já politicamente, no PT, estamos tranquilos em relação a nossa candidatura a presidência e ao PMDB como vice. Mas os outros partidos não estão. Existe um quadro tumultuado”

Dilma no ABC
Marta Suplicy revelou que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata do governo à sucessão do presidente Lula, estará no ABC no próximo mês. Segundo ela, no dia 19 de outubro, a “mãe do PAC” estará cumprindo uma agenda de eventos em São Bernardo.

19/09/2009 - 12:31h Chalita disse que vai sair do PSDB

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PSDB reage, mas não dá a Chalita vaga no Senado

Prestes a se filiar ao PSB, vereador é alvo de investidas dos tucanos para que fique

 

Clarissa Oliveira e Julia Duailibi -O Estado SP

 


Prestes a deixar o PSDB, o vereador paulistano Gabriel Chalita foi alvo de investidas do partido para que fique na legenda. Os tucanos, no entanto, não ofereceram ao parlamentar a garantia de concorrer ao Senado pela sigla na eleição de 2010. Em almoço com o presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, Chalita afirmou que se sente atraído com a possibilidade de concorrer ao Senado pelo PSB. “Não tem como o partido dar essa garantia. Há outros nomes que querem disputar a vaga”, declarou Lobo, após o encontro.

Padrinho político do vereador, o ex-governador Geraldo Alckmin procurou investir na tese de que a transferência para o PSB ainda não é certa. “Fiz um apelo para que ele fique no PSDB”, disse o tucano.

Ontem, Chalita se reuniu em São Paulo com dirigentes do PT paulista a fim de colocar na mesa as alternativas para uma composição em 2010. No encontro, o vereador disse que está decidido a romper com o PSDB. Apesar de se sentir pressionado a permanecer no partido, Chalita não mantém boa relação com aliados de Serra. Disse aos petistas que vai conversar com corregilionários no final de semana, mas que poderá entregar sua carta de desfiliação até terça-feira.

A cúpula do PT avalia que, no PSB, Chalita reforça o palanque da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no maior colégio eleitoral do País. Ontem, houve reações no PT. Parlamentares ligados à ex-prefeita Marta Suplicy, que queriam vê-la em uma das vagas para o Senado, demonstraram apreensão com as conversas com o tucano.

Mas a preocupação maior é com o senador Aloizio Mercadante (SP). Se os planos da cúpula do PT derem certo, Chalita e Mercadante farão dobradinha na disputa para o Senado. Campeão de votos para a Câmara Municipal em 2008, Chalita tiraria do petista a chance de ter como companheiro de chapa um nome com menos exposição. Mercadante se limitou a negar que tivesse discutido com colegas de partido a possível ida de Chalita para o PSB. Mas, segundo petistas, o senador tomou conhecimento das negociações durante uma reunião ocorrida recentemente em Brasília.

Depois de um dia de reuniões, Chalita foi o anfitrião de uma festa de aniversário para dom Odilo Scherer em sua casa. Entre os convidados, petistas, como o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, e o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza, dividiam espaço com tucanos como Alckmin, e com peemedebistas, como o presidente da Câmara, Michel Temer.

18/09/2009 - 11:33h Kassab está determinado a disputar o governo paulista em 2010, segundo O Globo

Jornal O Globo página 2

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15/09/2009 - 10:52h Para presidente nacional do DEM, são “intriga boba” às informações sobre existência de veto de Serra a uma suposta intenção de Kassab de disputar o governo

Reprodução da propaganda de Alckmin em que o locutor diz que o tucano está com Serra e Covas e Kassab com Quércia e Pitta
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Acerto entre DEM e tucanos independe de SP, diz Maia

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O presidente nacional do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), descartou ontem articulação do partido para lançar o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), a governador do Estado. Segundo Maia, até por decisão do próprio Kassab, o DEM vai manter a aliança com o PSDB em 2010, independentemente do candidato que for escolhido pelo governador José Serra (PSDB) à sua sucessão.

“Não está na nossa programação ter um candidato a governo de São Paulo”, afirmou o deputado. Ele considerou “intriga boba” informações sobre existência de veto de Serra a uma suposta intenção de Kassab de disputar o governo. “O prefeito Kassab é o presidente do diretório estadual do DEM e ele já disse que fará o que for preciso para ajudar a candidatura do governador Serra a presidente”, disse Maia.

Os dois nomes cotados para disputar o Palácio do Bandeirantes em 2010 são do PSDB: o ex-governador Geraldo Alckmin, secretário de Desenvolvimento do Estado, e o chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira. A escolha do candidato depende de Serra – que só quer tomar essa decisão após a definição sobre sua candidatura à Presidência da República. Isso só deve ocorrer no início do próximo ano.

Serra tem dito a aliados que bater o martelo agora em torno de um candidato a governador significaria anunciar como certa a decisão de disputar o Palácio do Planalto. Líder das pesquisas de intenção de voto para presidente, o governador paulista não quer prejudicar sua gestão estadual, antecipando a campanha. Enquanto não se declarar candidato a presidente, Serra mantém como opção a candidatura à reeleição em São Paulo. Além disso, a indicação do PSDB a candidato a presidente ainda é disputada pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Entre os dois tucanos, Kassab tem ligação com Aloysio, seu candidato preferencial a governador. O chefe da Casa Civil manifestou a intenção de não disputar a reeleição em 2014, caso vença em 2010. É uma sinalização política animadora para o prefeito, que poderia concluir a gestão (vai até 2012), ficar dois anos sem mandato e disputar a sucessão de Aloysio.

Alckmin, por sua vez, aparece como favorito em todas as pesquisas de intenção de voto a governador de São Paulo, com mais de 40%. Mesmo assim, seus próprios aliados são cautelosos ao analisar o processo sucessório estadual. Falta um ano para a eleição e, até lá, o cenário pode se alterar. Aloysio ocupa um cargo forte no governo, que o aproxima de prefeitos, e tem a preferência de boa parte dos partidos que compõem a aliança de Serra.

O ex-governador Orestes Quércia, presidente do diretório estadual do PMDB, já manifestou sua opção por Aloysio. Aliado estratégico de Serra, Quércia levou o PMDB a apoiar a reeleição de Kassab em 2008, contra Alckmin. Agora, na disputa ao governo do Estado, Quércia prefere Aloysio, mas não veta Alckmin. O pemedebista reafirmou ontem que o PMDB mantém a aliança com Serra e apoiará o candidato a governador que for escolhido por Serra.

Aliados de Aloysio avaliam que ele tem chance porque, mantido o cenário atual, qualquer nome ligado a Serra que for apontado por ele como candidato à sua sucessão tem grande chance de vencer a eleição. Isso porque o PT e os partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não têm candidatos competitivos.

15/09/2009 - 10:39h Serra nega decisão em favor de Alckmin como candidato. Objetivo do anúncio do suposto “veto” a Kassab é evitar saída de Alckmin do PSDB


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Veto a Kassab tem como objetivo evitar saída de Alckmin do PSDB

JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O veto do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à articulação do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para tentar concorrer ao governo do Estado no ano que vem foi um gesto do tucano na tentativa de evitar que Geraldo Alckmin deixe o PSDB até o final deste mês e concorra ao cargo por outro partido.
Líder disparado na mais recente pesquisa Datafolha, Alckmin, ex-governador e atual secretário do Desenvolvimento do governo Serra, recebeu sondagens de PSB, PTB e PV.
Os verdes estão dispostos a montar um palanque forte para Marina Silva, sua presidenciável, em São Paulo, e sonham contar com Alckmin.
PSB e PTB, apesar de integrarem a base de Serra, ainda avaliam apoiar o candidato (ou a candidata) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O vereador de São Paulo Gabriel Chalita (PSDB), histórico aliado de Alckmin, já anunciou que estuda deixar o PSDB para concorrer ao Senado. A decisão foi entendida no Palácio dos Bandeirantes como um recado claro de que Alckmin poderá fazer o mesmo se não tiver garantia de que irá concorrer ao governo com o apoio de Serra.
No PSDB, Alckmin disputa com o secretário da Casa Civil paulista, Aloysio Nunes Ferreira, o direito de se candidatar. Desde meados deste ano, no entanto, Kassab também vem articulando uma pré-candidatura com o apoio de parte do grupo serrista.
A ideia do DEM seria lançar Alckmin ao Senado ou à Câmara dos Deputados, hipóteses que o tucano não cogita.
Kassab nega: “Todos sabem que eu ficarei até o final de meu mandato e que existe em São Paulo uma aliança do PSDB com o DEM”.
Segundo tucanos, o potencial de estrago de uma candidatura de Alckmin por outro partido é considerado muito alto para os planos de Serra de disputar a Presidência. Isso ocorre porque Serra seria pressionado a concorrer à reeleição para diminuir os riscos de o PSDB deixar o poder em São Paulo.

Páreo
Negando que Serra tenha sugerido que abandonasse a disputa, Nunes Ferreira deixou claro que não desistiu ao dizer que só no ano que vem decidirá se disputa as convenções contra Alckmin.
Serra, por sua vez, negou que tenha negociado apoio a Alckmin. “Não houve essa conversa. Não estou tratando de sucessão. Até porque sou governador e vou começar a tratar de sucessão aqui agora?”

14/09/2009 - 10:13h Chuva afogou candidatura de Kassab. Para Serra, o prefeito abandonar a prefeitura “pegaria mal perante o eleitorado”

Serra veta Kassab e decide que Alckmin é o candidato em SP

Governador intervém para evitar que disputa prejudique seu projeto nacional

Tucano quer reforçar parceria com a ala paulista do PMDB; articulação deve garantir para Quércia uma das vagas na eleição para o Senado

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Reprodução da propaganda de Alckmin em que o locutor diz que o tucano está com Serra e Covas e Kassab com Quércia e Pitta

KENNEDY ALENCAR – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), vetou a articulação do prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM), para tentar se candidatar ao Palácio dos Bandeirantes. Ao mesmo tempo, fechou com o ex-governador Geraldo Alckmin que ele será o próximo candidato do PSDB ao governo paulista.
Serra interveio na sua própria sucessão porque avaliou que estava se desenhando um cenário de guerra que poderia prejudicar sua aspiração presidencial. O primeiro movimento foi dizer a Kassab, seu aliado político, que ele deveria permanecer na prefeitura, sob pena de criar um problema na aliança PSDB-DEM e ficar mal perante o eleitorado paulistano, que o reelegeu no ano passado.
Kassab desejava ser candidato a governador, pois a capacidade de investimento da prefeitura é muito pequena se comparada à do Estado de São Paulo. Ele avalia que terá dificuldade para cumprir promessas e que deverá realizar uma administração mediana, o que impediria voos mais altos na política após deixar a prefeitura.
Vetado por Serra, Kassab passou a alimentar a possibilidade de apoiar outro tucano para o governo, o secretário da Casa Civil de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira. Kassab, que derrotou Alckmin na campanha municipal de 2008, não deseja ver o antigo desafeto no governo com caixa para gastar. O governador, então, nomeou Alckmin como seu secretário.
Serra avisou a Kassab e Aloysio que precisa apoiar Alckmin, favorito nas pesquisas, para evitar uma crise na aliança PSDB-DEM no seu reduto eleitoral e para reforçar a parceria com o PMDB paulista, abrindo caminho para que o ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista, seja um dos candidatos a senador da aliança que deverá ocorrer no Estado entre os três partidos.
O apoio de Quércia é fundamental para Serra tentar minar ou esvaziar parcialmente o provável apoio oficial do PMDB nacional à eventual candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Rio e Bahia
O governador paulista tenta ainda se reaproximar de dois peemedebistas com quem tem relação antiga, mas que migraram para o campo lulista: o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.
Cabral está insatisfeito com Lula e Dilma por causa do embate político em torno do pré-sal, já que o governo quer reduzir os royalties dos Estados produtores, como Rio, São Paulo e Espírito Santo.
No Rio de Janeiro, Serra tem desempenho mais fraco do que em outros Estados, além da dificuldade para formar um palanque forte em 2010. Por isso o paulista fechou com Cabral na luta pelos royalties, que agora será travada no Congresso. Candidato à reeleição, Cabral já pensa nos ganhos do pré-sal.
Serra aproveita o rompimento de Geddel com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e estimula o lançamento da candidatura do ministro ao governo baiano. Dessa forma, o tucano paulista acredita que tem chance de evitar um apoio formal do PMDB a Dilma.
Lula já viu os movimentos de Serra e vai entrar em campo para tentar acalmar Cabral e Geddel, mantendo o apoio deles ao PT na sucessão de outubro do ano que vem.

 

 

Chuva expõe corte de verba e obriga prefeito a recuar

DA REPORTAGEM LOCAL

A chuva da semana passada colocou na defensiva o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que iniciou seu segundo mandato cortando o Orçamento e reduzindo gastos da administração, inclusive com serviços considerados essenciais, como o de varrição de ruas.
A forte chuva alagou a cidade e expôs a sujeira espalhada pelas vias, que ajudou a entupir bueiros e agravar a enchente. Enfrentando desgaste, Kassab foi obrigado a recuar da decisão de diminuir a verba para a limpeza.
Os cortes, porém, atingiram mais áreas. Da verba reservada para a construção de piscinões -reservatórios que ajudam a reter a água das chuvas- , gastou só 7,3%.
O prefeito alega que o congelamento de recursos se deve à queda na expectativa de receita, causada pela crise.
Quando tentava garantir a reeleição na campanha de 2008, Kassab enviou um Orçamento para a Câmara Municipal no valor R$ 29,4 bilhões. Após sucessivos cortes, ele e sua equipe esperam gastar agora R$ 21,2 bilhões.

05/09/2009 - 10:37h PSDB em alerta contra Kassab

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Silvia Amorim – O Estado SP

A demissão do secretário de Coordenação das Subprefeituras Andrea Matarazzo no início desta semana abriu no PSDB paulistano um foco de desconfiança em relação ao aliado e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Parte do tucanato acusa Kassab de tentar viabilizar um projeto de ampliação de poder do DEM no Estado para as próximas eleições à custa de um enfraquecimento do PSDB.

Eles apontam uma substituição aos poucos de quadros do PSDB em várias áreas do governo municipal. A saída de Matarazzo, homem forte da prefeitura na gestão José Serra, na quarta-feira passada foi a gota d’água para o início dos discursos contra Kassab. Além da perda de espaço na máquina administrativa, há queixas de cooptação de filiados pelo DEM. Dois subprefeitos tucanos – Laert Teixeira (Itaquera) e Beto Mendes (M?Boi Mirim) – já manifestaram que vão disputar uma cadeira de deputado estadual em 2010 pelo partido do prefeito.

Matarazzo foi demitido por Kassab, diferentemente do que informou em nota a prefeitura. Numa reunião anteontem com subprefeitos, Kassab apontou razões pessoais e eleitorais para a saída. Na disputa eleitoral em 2008, Matarazzo não apoiou a reeleição de Kassab, mas o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

Kassab é hoje a principal liderança do DEM no Estado. Isso, aliado ao alto índice de aprovação de sua gestão, põe o prefeito como alternativa ao governo paulista em 2010. Na pior das hipóteses, uma maior força do DEM no Estado aumentaria o capital político da legenda numa negociação com o PSDB.

04/09/2009 - 15:25h As pulgas de Mônica Bergamo

PULGA
Cresceu no PSDB ligado a Geraldo Alckmin, ontem, depois da demissão de Andrea Matarazzo, a certeza de que o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), em aliança com Orestes Quércia (PMDB-SP), é candidato ao governo de São Paulo em 2010.

PULGA 2
“Os dois [Kassab e Quércia] só estão apoiando a pré-candidatura do Aloysio [Nunes Ferreira, secretário da Casa Civil do governador José Serra] para prejudicar uma possível candidatura do Alckmin. Sabem que ele não tem voto e esperam apresentar Kassab como solução de consenso em 2010″, diz um dirigente tucano.

Leia a integra da coluna de Mônica Bergamo, na Folha SP

30/08/2009 - 16:44h Pesquisa Vox Populi