25/05/2011 - 09:44h Investida de Aécio e Guerra contra Serra divide tucanos paulistas

Alesp

Morando, líder do PSDB na Assembleia e um dos porta-vozes de Serra: “SP não aceita espaço inferior à secretaria-geral e ao ITV”


Ana Paula Grabois, Vandson Lima e Caio Junqueira | VALOR

A investida do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do presidente do PSDB, o deputado federal Sérgio Guerra (PE) para desalojar aliados do ex-governador José Serra da executiva do partido divide os tucanos paulistas. Vitorioso na indicação do comando dos diretórios municipal e estadual de São Paulo, que marginalizou os serristas, Alckmin defende espaço na executiva nacional tucana para São Paulo, mas não tem comprado briga pelo correligionário. “São Paulo não está fora da direção nacional. O Alckmin está na dele e o Sérgio Guerra está muito bem com o governador”, disse um interlocutor de Alckmin.

A cautela de Alckmin, candidato a líder inconteste do PSDB paulista, deve-se ao seu interesse em evitar que os serristas sejam atraídos para a seara do prefeito Gilberto Kassab e de seu novo partido. Na reunião com o presidente do PSDB, na segunda-feira, Alckmin trabalhou para garantir um representante na primeira vice-presidência da direção executiva, cargo diverso ao que Serra tem interesse em ocupar, a presidência do Instituto Teotonio Vilela (ITV), dono de um caixa de cerca de R$ 11 milhões – valor próximo à divida de R$ 11,9 milhões do partido em 2010.

Depois das eleições do ano passado, Serra almejava a presidência da sigla. Foi atropelado em janeiro por um abaixo-assinado de 54 parlamentares da bancada federal pedindo a permanência de Guerra na direção nacional do partido. Na época, foi oferecido a Serra a presidência do ITV. O tucano negou o convite, estendido ao ex-senador Tasso Jereissati.

Agora, Serra tenta negociar a presidência do instituto. “É preciso respeitar a biografia de Serra e lhe dar um cargo a altura. Tirando a presidência do partido, tem que ser a do ITV”, diz o deputado federal Antonio Imbassahy (BA).

O grupo de sustentação de Alckmin aceitou a indicação para a recondução do aecista Rodrigo de Castro para o cargo. Na avaliação desse grupo, o grau de articulação do deputado com a bancada federal é elevado, o que resultaria em derrota a um eventual concorrente na disputa pelo cargo.

Parlamentares ligados a Serra alardeavam ontem a sinalização de um acordo por parte de Guerra de aceitar que Serra ocupe a presidência do ITV. Uma comissão do partido teria agendado uma ida amanhã a Fortaleza para convencer Jereissati a desistir do instituto.

Os serristas queriam ainda a secretaria-geral do PSDB nas mãos do ex-governador Alberto Goldman. “São Paulo não aceita espaço inferior à secretaria-geral e à presidência do ITV”, diz o deputado estadual Orlando Morando, líder do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo e um dos porta-vozes de Serra nas negociações internas da legenda. Goldman foi submetido ontem a uma cirurgia de duas pontes de safena e não deve participar da convenção do PSDB, no sábado.

Deputados aecistas afirmaram que não havia nenhuma sinalização de acordo e mantinham o entendimento prévio de que o lugar de Serra seria no conselho político da sigla, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do senador Aécio, dos governadores Alckmin e Marconi Perillo (GO), além de Guerra e Tasso. Na avaliação deles, Serra no ITV seria o equivalente ao partido ter “duas cabeças” e “dois entendimentos diferentes”. Além disso, haveria dificuldade em convencer a bancada do Senado a retirar apoio a Tasso.

A inviabilidade disso, declararam, se daria porque o instituto é um órgão que presta assessoria à executiva e poderia haver divergência na condução do partido caso Serra tomasse posicionamentos contrários a Guerra. O receio é de que Serra no ITV vire “uma sombra” para o deputado. Convencer Tasso a recuar também seria outra dificuldade, principalmente pelas fortes divergências que teve com Serra na sua trajetória política.

Os serristas, porém, se diziam satisfeitos ontem com a sinalização do acordo. Disseram que já estava tudo pronto para uma ida de Guerra amanhã ao Ceará e que a vice-presidência também ficaria com Goldman. Avaliavam que Aécio não pode prescindir de São Paulo no seu projeto presidencial e que, portanto, tem de satisfazer o interesse das principais lideranças do Estado.

Entre os deputados federais ligados a Serra, já está sendo colocada a hipótese de debandada rumo ao PSD, legenda em processo de fundação criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O movimento seria semelhante ao que ocorreu depois da troca de direção do PSDB da capital paulista, em abril. Com a chegada do secretário de Gestão do governo Alckmin, Julio Semeghini, à presidência do diretório municipal, seis vereadores deixaram a legenda rumo a outros partidos, como PSD, PV e PMDB.

24/05/2011 - 10:04h Serristas elevam tom e ameaçam boicotar convenção

PSDB paulista avalia que, do jeito que a cúpula está sendo moldada, fica pavimentada indicação de Aécio como candidato a presidente em 2014

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Diante da falta de acordo para a composição da Executiva Nacional do PSDB, aliados do ex-governador José Serra ameaçam boicotar a convenção do partido, no sábado, em Brasília. A disputa pelo controle da direção partidária evidencia o clima já acirrado entre os tucanos na tentativa de influenciar os rumos da sigla na eleição presidencial de 2014.

Ontem, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), encontrou o governador Geraldo Alckmin, no Palácio dos Bandeirantes, para discutir a composição da nova cúpula partidária. Depois, esteve com representantes da bancada paulista, na sede do PSDB na capital.

Tanto o governador quanto os parlamentares insistiram na indicação de Serra para a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV). Num discurso uníssono, também pediram que o novo secretário-geral seja uma indicação da bancada paulista.

A presidência do ITV, no entanto, foi prometida ao ex-senador Tasso Jereissati (CE), apoiado pela maioria dos senadores e, em especial, por Aécio Neves (MG), que defende a reeleição do deputado Rodrigo de Castro (MG) para a secretaria-geral.

Guerra, que encontraria ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não se comprometeu com as demandas e sinalizou só a necessidade de composição. Sem entrar em detalhes, elogiou o ex-governador Aberto Goldman, um dos cotados pelos paulistas para a secretaria-geral. “São os pleitos sobre os quais eu já tinha conhecimento”, disse Guerra, ao sair da reunião. “O que o governador Geraldo pedir o partido dará atenção.”

Questionado se a indicação de Tasso já estava consolidada, ironizou: “Nem a minha está”. Tucanos ameaçam questionar na Justiça a recondução de Guerra, caso seus pleitos não sejam acatados.

A despeito da disputa pelo controle do PSDB em São Paulo, Alckmin tem defendido a indicação de Serra ao ITV para mostrar empenho pela unidade da sigla e por considerar importante dar ao ex-governador uma representação institucional no PSDB.

Ao lado do coordenador da bancada paulista do PSDB, Luiz Fernando Machado, o líder da sigla na Assembleia, Orlando Morando, insistiu nos dois pedidos na reunião de ontem. “É o maior Estado da federação”, afirmou Morando, segundo quem os paulistas farão “pressão total” para ficar com as duas vagas.

Acordo. Parlamentares ligados a Serra dizem que não vão participar da convenção se não houver acordo. Ontem, lideranças do Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo e Bahia, entraram em contato com os paulistas para dizer que também defendem Serra no ITV e maior participação dos Estados na Executiva.

Para os serristas, Guerra tem apoio de Aécio para ser reeleito. A avaliação é que, do jeito que a cúpula está sendo moldada, já fica pavimentada a indicação do mineiro como candidato a presidente, e eles não querem isso mais de três anos antes da disputa.

A convenção reunirá cerca de 600 delegados. Eles vão eleger 213 membros do diretório nacional, que votam na chapa da Executiva.

23/05/2011 - 09:02h Munhoz defende Serra no ITV e explicita racha

Presidente da Assembleia, aliado do ex-governador, também lançou Aloysio Nunes Ferreira (SP) para comandar partido no País

Raul Spinassé/A Tarde
Raul Spinassé/A Tarde

Na chuva. Serra assiste à beatificação de Irmã Dulce na BA


Gustavo Uribe – O Estado de S.Paulo

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz, aliado do ex-governador José Serra, lançou publicamente o nome do senador Aloysio Nunes Ferreira para a presidência do PSDB. Munhoz também se uniu ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na defesa do nome de Serra para a assumir a direção do Instituto Teotônio Vilela (ITV), importante braço do partido.

“A indicação do Serra para o Instituto Teotônio Vilela seria ótima. Eu não conversei com Serra a respeito, mas para o PSDB seria excelente”, afirmou Barros Munhoz. “O homem é capaz de fazer desse instituto o que ele precisa ser, e o que hoje ele não é.”

Além de se posicionar a favor de Serra comandar o ITV, Munhoz afirmou que o partido precisa iniciar um processo de renovação. Na avaliação dele, o deputado Sérgio Guerra (PE), candidato à reeleição, fez um bom trabalho na presidência da sigla, mas o atual momento de instabilidade tucana é propício para a condução de alguém com atitudes mais combativas à liderança. “Ele foi um bom presidente, mas seria saudável para o PSDB, neste momento, uma renovação. Alguém com uma postura mais oposicionista, mais consistente.”

Para o presidente da Assembleia Legislativa paulista, o senador Aloysio Nunes Ferreira seria o nome mais adequado para dirigir o partido no País.

Guerra, no entanto, é o único candidato à presidência do partido até agora e deve ser reeleito no próximo sábado, quando o PSDB fará sua convenção.

ITV. Na avaliação de Munhoz, as entidades do partido não desempenham um papel satisfatório. “Esses organismos devem ser estimulados e funcionar bem. No nosso caso, não é isso o que acontece.”

Desde a derrota do ex-prefeito e ex-governador de São Paulo nas eleições presidenciais de 2010, parte de seus correligionários tem defendido sua indicação para o instituto. Essa seria uma das formas de Serra se manter em evidência.

Alckmin tem agido pessoalmente para que a legenda chegue a um consenso e também tem defendido em público o nome de Serra para o cargo.

“Eu acho esse um ótimo nome, preparadíssimo. Pode dar uma boa contribuição ao partido no ITV”, afirmou o governador na quinta-feira.

A disputa pelo comando do instituto criou nos últimos dias um novo impasse no PSDB. Guerra defende o nome do ex-senador Tasso Jereissati (CE) para o ITV. “Todo mundo sabe e reconhece Tasso como uma das melhores figuras do PSDB”, afirmou na ocasião.

Tasso conta com o apoio da bancada tucana no Senado, que o convidou formalmente para dirigir o órgão. O senador Aécio Neves (MG), pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2014, também está entre os apoiadores de Tasso.

22/05/2011 - 08:47h Sem acordo na convenção

João Bosco Rabello – O Estado de S.Paulo

Na semana que antecede a convenção nacional (dia 29 próximo), as correntes em disputa pelo comando do PSDB dão por perdidas as chances de um acordo capaz de pacificar o partido. As últimas manifestações dos porta-vozes dos ex-governadores de Minas e São Paulo sintetizam o clima: de um lado, os aecistas lembram a frase de Tancredo Neves de que não se faz política sem vítimas; de outro, surge a ameaça de judicializar o processo, se José Serra for derrotado.

Materializam a disputa os cargos de presidente, secretário-geral e a direção do Instituto Teotônio Vilela (ITV), este último depositário de porcentual significativo do Fundo Partidário que, em 2011, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estima em R$ 11 milhões para o partido.

Aécio Neves trabalha pela reeleição do deputado Sérgio Guerra à presidência, pela permanência do deputado mineiro Rodrigo de Castro na secretaria-geral e pela eleição do ex-senador cearense Tasso Jereissati à presidência do ITV.

O ex-governador de Minas opera obstinadamente as bancadas regionais pela adesão à sua tese de “despaulistização” do partido em favor de uma maior capilaridade nacional que reduza sua dependência do eleitorado do Sudeste. O que soa como música aos ouvidos das bancadas do Norte e Nordeste.

Terça-feira passada, uma reunião das bancadas da Câmara e do Senado deixou claro que o fim da hegemonia paulista é forte aliado do senador mineiro.

Aécio tem dito a interlocutores que prefere “quebrar ovos” e definir um vitorioso a manter a disputa interna, que impede uma estratégia para 2014.

Xadrez mineiro

A estratégia de Aécio na tentativa de consolidar-se como candidato do partido em 2014 à sucessão de Dilma Rousseff considera que a candidatura de Gilberto Kassab ao governo paulista “amarrou” o governador Geraldo Alckmin à cadeira, impondo-lhe a reeleição. Tese reforçada pelo ingresso de seu vice, Afif Domingos no recém-fundado PSD, onde é alternativa à sucessão do atual prefeito de São Paulo. O ostensivo empenho do ex-presidente Lula em quebrar uma hegemonia tucana de 16 anos no Estado completa a conveniência de Alckmin ficar onde está e de Serra conformar-se em voltar à Prefeitura de São Paulo.

Ponte nordestina

Sem perder o foco nas articulações internas, Aécio conversa com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, principal liderança do PSB e passaporte nordestino indispensável a qualquer candidato presidencial. Campos busca visibilidade nacional e autonomia política que viabilizem voos mais altos ainda em 2014, se as circunstâncias autorizarem.

Sem força

Obstruído pelas suspeitas de tráfico de influência de seu principal articulador político, ministro Antonio Palocci, o governo volta enfraquecido à votação do novo Código Florestal, prevista para depois de amanhã. Sem muitas esperanças de reverter a maioria favorável ao relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), já se fala em veto presidencial ao que vier a ser aprovado contra a vontade do Planalto.

Sem pressão

O episódio Palocci ofuscou o “gabinete de crise” da ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, montado para denunciar o aumento do desmatamento.

Ciro

Sem espaço no PSB, Ciro Gomes já conversa com o PDT.

21/05/2011 - 09:58h PSDB já admite levar disputa interna à Justiça

Deputado diz que chances são ‘grandes’ se não houver acordo para abrigar grupo de José Serra

André Mascarenhas – O Estado de S.Paulo

A uma semana da convenção que definirá o Diretório Nacional do PSDB, tucanos paulistas já falam abertamente na possibilidade de decidir a composição da nova Executiva na Justiça. Em entrevista ontem à TV Estadão, o deputado William Dib disse que as chances para que isso ocorra são “grandes”, caso não haja acordo para abrigar o grupo do ex-governador de São Paulo José Serra na instância máxima da sigla.

“Eu acho que, não havendo consenso, existe uma possibilidade grande (de a Executiva ser decidida no Judiciário)”, disse. Nos bastidores, aliados de Serra argumentam que a fórmula em negociação, com manutenção do deputado Sérgio Guerra (PE) na presidência da sigla, favorece o senador tucano Aécio Neves (MG), que pressiona para que o deputado mineiro Rodrigo de Castro seja mantido na secretaria-geral. Para neutralizar o fortalecimento do mineiro, serristas articulam para que o ex-governador Alberto Goldman seja aclamado secretário-geral.

“O partido precisa sair unido dessa convenção, mas hoje existe uma perspectiva de racha”, afirmou Dib. Na opinião do deputado, Serra, que “teve 43 milhões de votos”, “precisa ter um espaço importante no partido”. “Não é isso o que está se apresentando.”

Argumento. A tese encampada pelos descontentes é que Guerra já ocupou a presidência pelo tempo-limite permitido pelo estatuto do PSDB – de dois mandatos consecutivos. Já circula na bancada tucana na Câmara um parecer que sustenta essa argumentação. Conforme adiantou a edição de anteontem do Estado, o texto seria usado em caso de não haver acordo.

“Acho que é uma coisa que ninguém gostaria. O deputado teve um trabalho importante para o partido, e nós também não podemos menosprezar o Aécio”, ponderou Dib. “Mas não podemos menosprezar os oito governadores, principalmente o Geraldo Alckmin aqui em São Paulo, e muito menos o José Serra”, concluiu.

20/05/2011 - 09:07h Guerra só vê Tasso em instituto tucano

Presidente do PSDB diz que único nome indicado até agora é o de ex-senador, mas paulistas como Alckmin e Aloysio Nunes apoiam Serra

Christiane Samarco / Brasília e Gustavo Uribe / São Paulo – O Estado de S.Paulo

O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, defendeu ontem a nomeação do ex-senador Tasso Jereissati (CE) para presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), centro de estudos e pesquisas do partido.

“Neste exato momento, estamos ouvindo todo o partido sobre a presidência do ITV e a única indicação colocada de forma clara é a de Tasso, que todo mundo sabe e reconhece como uma das melhores figuras do PSDB”, afirmou ontem à noite. Guerra também lembrou que a indicação formal de Tasso para o ITV não é nova. Foi iniciativa dos senadores da legislatura passada depois das eleições, incorporada pelos novatos, que sustentaram escolha de Tasso.

Além de Tasso, outro nome que vem sendo cogitado para a presidência do ITV é o do ex-governador José Serra. Parte dos tucanos, em especial o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defende a nomeação de Serra. “O governador José Serra não está à procura de cargos nem manifestou a mim intenção de ser presidente do partido nem do Instituto Teotônio Vilela”, ponderou Guerra.

Anfitrião da homenagem a Tasso, realizada na anteontem no Senado, o senador tucano Aécio Neves (MG) aposta que, apesar da polêmica em torno do ITV, a convenção nacional do dia 28 ocorrerá em clima de unidade. “O Serra é imprescindível e terá o espaço que quiser. Esse partido não vai ter dono”, disse Aécio, convencido de que “quem apostar no racha do partido vai se frustrar”.

Na mesma linha, Guerra afirma que a nova executiva nacional está sendo montada não para dar lugar a grupos, e sim para espelhar o conjunto do partido no Brasil inteiro. “Sem carimbos”, insiste, ao destacar que “pessoas intimamente ligadas o governador Serra vão participar da executiva, mas as escolhas não serão produto da soma de eventuais divisões internas”.

O presidente do partido acrescenta que o critério usado na renovação da direção partidária são a representatividade, a competência, e a dedicação. “O que está pesando é disposição e a disponibilidade para trabalhar pelo partido.” Afinal, conclui, “nossa questão não é dar medalhas a ninguém é sim trabalho”.

Encontro. Ontem, o governador Geraldo Alckmin disse que conversou com José Serra, na quarta-feira, no encontro em Brasília. Segundo ele, um dos temas tratados foi a indicação do tucano para a presidência do ITV. “Nós não fizemos uma reunião específica sobre isso. Mas conversamos sobre isso”, reconheceu Alckmin.

O governador, que tem encampado nos bastidores o nome de Serra para o posto, saiu em defesa do correligionário. “Eu acho o Serra um ótimo nome, preparadíssimo. Ele pode dar uma boa contribuição ao partido no Instituto Teotônio Vilela”, elogiou.

No encontro, o governador de São Paulo teria sondado o correligionário sobre a indicação ao posto. Às vésperas da Convenção Nacional do PSDB, Alckmin tem agido pessoalmente para que a legenda chegue a um consenso sobre a formação do novo comando da sigla. “O que nós vamos fazer é ajudar. Ajudar para unir o partido, para todos estarem representados”, disse o governador.

Além do nome de Serra, Alckmin tem apoiado nas últimas semanas a indicação do ex-governador de São Paulo Alberto Goldman para a secretaria-geral do PSDB. O cargo também tem sido alvo de disputa dentro da legenda.

Os aliados do ex-governador José Serra têm defendido o nome de Goldman como forma de equilibrar as forças na instância partidária. A avaliação deles é de que o atual presidente do PSDB, o deputado Sérgio Guerra, que deverá ser reconduzido ao cargo, seria mais próximo de tucanos ligados ao senador mineiro Aécio Neves.

Outro nome cotado para o posto é o do atual secretário-geral, deputado federal Rodrigo de Castro (MG), que teria o aval do senador mineiro.

Indicação

SÉRGIO GUERRA
PRESIDENTE NACIONAL DO PSDB E DEPUTADO FEDERAL (PE)

“A única indicação colocada de forma clara é a de Tasso, que todo mundo sabe e reconhece como uma das melhores figuras do PSDB”

19/05/2011 - 09:29h Alckmin defende Serra no comando de instituto tucano

O ex-senador Tasso Jereissati (CE), porém, foi indicado por tucanos para a presidência do Instituto Teotônio Vilela

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Em conversas para a composição da nova Executiva nacional do PSDB, o governador paulista, Geraldo Alckmin, passou a defender o nome do ex-governador José Serra na presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV).

A tese, que surgiu pela primeira vez logo após a derrota de Serra na disputa pela Presidência em 2010, ganhou força com o aval recente de Alckmin e foi discutida anteontem, discretamente, em dois encontros promovidos por tucanos: em reunião na casa do deputado Reinaldo Azambuja (MS) e no aniversário do líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP).

Para os tucanos paulistas, a presidência do ITV, núcleo de pesquisas e estudos do partido, é uma forma de prestigiar Serra na composição da Executiva nacional, a ser eleita no dia 28. Alckmin e Serra voltariam ontem de Brasília no mesmo avião. De acordo com aliados, o governador pretendia sondar mais uma vez Serra sobre o tema.

A presidência do ITV, no entanto, vem sendo pleiteada para o ex-senador Tasso Jereissati (CE). Ontem à noite, Tasso reuniu-se com a bancada de senadores no gabinete de Aécio Neves (MG) para discutir o tema. “Viemos aqui trazer o pedido da bancada para que Tasso aceite a presidência do ITV. E ele aceitou a indicação. Esperamos que o nome dele seja referendado na convenção nacional”, disse à noite a senadora Marisa Serrano (MS).

O senador mineiro também quer a reeleição do secretário-geral, deputado Rodrigo de Castro (MG). Mas aliados de Serra dizem que, para a nova direção partidária estar equilibrada entre as diferentes forças do partido, a secretaria-geral deveria ficar com alguém do grupo.

Para eles, o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), está atualmente mais próximo do senador mineiro. Guerra deve ser reconduzido na convenção nacional do partido. Nos últimos dias, os tucanos promoveram reuniões para discutir a composição da Executiva, principal órgão da direção partidária.

Na reunião na casa de Azambuja, parlamentares de outras regiões do País também questionaram a participação de outros Estados na Executiva – estavam presentes um deputado mineiro e um paulista. Foi criticada ainda a antecipação da eleição de 2014 e a necessidade de o partido focar, neste momento, a disputa municipal do ano que vem.

Depois do encontro, parte do grupo seguiu para o aniversário de Duarte Nogueira. Guerra, Aécio e o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira encontraram-se no apartamento do tucano, onde as conversas continuaram.

Parecer. Na esteira das discussões sobre a Executiva, começou a circular na bancada de deputados do PSDB um parecer que questiona a possibilidade de reeleição de Guerra. De acordo com parlamentares que viram o documento, o texto destaca o artigo 23 do Estatuto do PSDB para defender a tese de que não é permitida mais uma recondução.

O argumento é que o presidente do partido só poderia ser eleito para um mandato de dois anos, prorrogável por mais um.

Guerra foi eleito em 2007 e teve o mandato prorrogado em 2009. Portanto, não poderia mais ser reeleito. O texto seria usado em caso de não haver acordo na composição da Executiva./ COLABOROU CHRISTIANE SAMARCO

17/05/2011 - 08:55h Aécio busca aliança com Alckmin para dirigir PSDB

Mineiro entra em campo depois de governador elogiar nome de Goldman para secretaria-geral

Julia Duailibi, Gustavo Uribe, André Mascarenhas e Daiene Cardoso – O Estado SP

A pouco mais de dez dias da eleição para a nova direção nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves encontrou-se com o governador paulista, Geraldo Alckmin, para tentar costurar um consenso na composição da cúpula partidária.

Os dois reuniram-se nesta segunda-feira, 16, por cerca de meia hora, no Palácio dos Bandeirantes. Aécio quer a reeleição do deputado mineiro Rodrigo de Castro na secretaria-geral do PSDB e, para isso, busca o apoio de Alckmin.

O posto de secretário-geral, estratégico para as articulações que definirão as eleições presidenciais de 2014, tem sido disputado nos bastidores por aliados do ex-governador José Serra e de Aécio Neves, conforme revelou o Estado no último domingo.

O PSDB escolhe o comando da sigla no dia 28, quando deve ser reconduzido o atual presidente, deputado Sérgio Guerra (PE). Aliados de Serra, no entanto, acham que Guerra é próximo ao grupo de Aécio. Para formar uma Executiva “neutra”, querem indicar um outro secretário-geral.

07/05/2011 - 10:31h Laboratório paulista

A partir de uma briga regional, políticos de vários partidos promovem uma reforma que não passa pelo Congresso e nem atende aos interesses dos eleitores

Alan Rodrigues – Istoé

chamada.jpg
EXPERIÊNCIA
Serra, FHC, Alckmin, Marta, Temer, Lula, Mercadante, Chalita e Kassab (da esq.
para a dir.) são protagonistas dos bastidores de 2012 com reflexos em 2014

São Paulo, o maior colégio eleitoral do País e principal bunker da oposição demo-tucana, vem funcionando nos últimos meses como o laboratório para uma movimentação partidária de repercussão nacional. Com o governo federal colecionando índices de popularidade cada vez mais altos e uma oposição dividida e sem bandeiras, uma briga paroquial que coloca de um lado o governador Geraldo Alckmin e do outro o prefeito Gilberto Kassab e o ex-governador José Serra acabou se transformando, na prática, em uma espécie de reforma política que se alastra para todo o País. O problema é que essa reforma não passa pelo Congresso e desconsidera o interesse do eleitor. Seus protagonistas movem-se motivados apenas pela própria sobrevivência político-eleitoral. “Como o Congresso não fez a reforma necessária e nossos partidos não são agremiações ideológicas, os políticos estão fazendo a seu sabor e particularidade aquilo que melhor lhes cabem”, avalia o consultor Gaudêncio Torquato, professor da Universidade de São Paulo (USP). “Eles perderam a biruta e a falta de projetos coletivos permite a formação de um partido que se transforma rapidamente na tábua de salvação dos náufragos de diversas legendas, que, sem um discurso definido, procuram se aproximar daquilo que tem agradado ao eleitor nas mais diferentes regiões do País”, explica Torquato, referindo-se ao Partido Social Democrático (PSD), criado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab, sob as bênçãos do tucano José Serra e a batuta do veterano democrata Jorge Bornhausen.

O recado que saiu das urnas no ano passado foi decisivo para a gestação do novo partido. O eleitor de São Paulo escolheu o tucano Alckmin, decepcionou o cacique José Serra, sinalizou alguma convergência com a popularidade de Lula e do PT e, a exemplo do que fez boa parte do Brasil, repudiou o DEM. Para sobreviver e poder, se preciso, acolher o padrinho político Serra (cada vez mais isolado no PSDB), Kassab anunciou a formação do PSD, aglutinando tucanos que não se bicam com Alckmin e líderes que agonizam junto com o DEM. O laboratório paulista mostrou que realmente repercute e rapidamente passou a acolher interesses de todas as regiões, independentemente de qualquer preceito ideológico. O próprio Kassab afirma em sua peregrinação na busca das assinaturas necessárias para a formalização do partido: “O PSD não é de direita, nem de centro, nem de esquerda.” Com importantes líderes deixando o ninho tucano paulista em direção às fileiras kassabistas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Alckmin e outros dirigentes do PSDB batalham para unir formalmente o partido ao pouco que resta do DEM. Seria uma forma de manter espaço na oposição. O problema é que a tarefa de segurar correligionários parece cada vez mais difícil. “Eles formaram um partido que é aliado do PT no plano nacional, em Minas se aproximam de Aécio Neves e do governador Anastasia, e nos outros Estados e municípios recebem todos os que querem aderir a qualquer que seja o governo local”, disse Alckmin a líderes do PSDB e do DEM na última semana.

img.jpg
TENDÊNCIA
“O que acontece em São Paulo é fruto de uma mudança no cenário
político nacional e envolve todos os partidos” Jorge Bornhausen

“É lamentável o enfraquecimento das legendas para um partido que ninguém sabe o que quer”, avalia o cientista político Fábio Wanderley, doutor pela Universidade de Harvard e professor da UFMG. “Estamos vivendo uma grande crise partidária e isso não favorece a democracia”, lamenta. Principal orientador político de Kassab, o ex-senador Jorge Bornhausen reconhece a repercussão do movimento paulista. “O que acontece em São Paulo é fruto de uma mudança no cenário político nacional e envolve praticamente todos os partidos”, diz o veterano político catarinense. Ele não admite que o que move essas peças não é ideologia ou projetos para o País, mas tem razão ao dizer que a movimentação não se limita a uma oposição que saiu das urnas em frangalhos. A prova disso é que mesmo na base aliada do governo federal os movimentos no laboratório paulista não param de ocorrer, colocando em risco o projeto do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff de, em 2012, conquistar um dos principais redutos tucanos. No início do mês, o vice-presidente Michel Temer, conseguiu tirar do PSB e trazer para o PMDB o deputado Gabriel Chalita, aliado de Alckmin e um dos maiores puxadores de votos em São Paulo. Na semana passada, foi a vez de o PSB perder de sua fileiras o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que também migrará para o PMDB. Skaf e Chalita querem disputar a prefeitura paulistana em 2012. Com essa movimentação, o PMDB, principal aliado do PT no plano nacional, tenta ser mais respeitado e cria condições para eventualmente não repetir no maior colégio eleitoral do País a parceria federal, caso não seja saciado. “O PMDB precisa deixar de ser coadjuvante nas grandes cidades e assumir a condição de estrela de real grandeza”, tem dito Temer àqueles que pretendem buscar outras legendas.

Os movimentos são intensos, mas, nas próximas semanas, os experimentos que partem de São Paulo poderão encontrar um obstáculo difícil: o Judiciário. Ao fazerem uma espécie de reforma que não passe pelos trâmites legais, os políticos estão desafiando a Constituição e poderão ter seus desejos barrados no STF, órgão já consultado por alguns deputados paulistas, que por enquanto pedem para não ser citados, mas que não admitem o papel de cobaia.

05/05/2011 - 09:25h Crise da sigla expõe solidão de Serra

Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

A crise que enfraqueceu o PSDB paulista expôs o processo de isolamento político a que vem sendo submetido o ex-governador José Serra. Até a eleição de 2010, era ele quem concentrava o maior cacife de poder do tucanato no Estado. Desde a vitória da petista Dilma Rousseff, porém, Serra vem perdendo espaço na sigla.

Foi assim na briga interna do DEM, em que seus aliados perderam o controle do partido, hoje nas mãos de articuladores mais próximos do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

O segundo golpe veio em seguida, quando seu maior parceiro em São Paulo, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, dá sinais de que pode deixar o campo de oposição ao Planalto e levar o PSD para perto de Dilma e dos petistas.

Um tucano que acompanhou de perto a crise paulista diz que Serra tem consciência de que o novo partido de Kassab, o PSD, reduz a força da oposição. Nos bastidores, porém, integrantes tucanos de grupos adversários a Serra acusam o ex-governador de não ter agido para conter a sangria que Kassab promove no PSDB.

E para quem imaginou que o PSD ainda pudesse ser uma boia para acolher Serra mais adiante, expoentes da nova legenda afirmam que o tucano não cabe na sigla. Além disso, o próprio Aécio começa a se movimentar em busca de pontes com Kassab.

O temor de que Aécio tomasse a presidência do PSDB para fortalecer seu projeto presidencial em 2014 levou Serra a cometer o erro de empurrar o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra (PE), para a reeleição. Quando ensaiou tirar Guerra de cena, já era tarde. Àquela altura, o deputado contava com o apoio de Aécio e do governador paulista, Geraldo Alckmin.

Companheiros de Serra avaliam que ele também errou quando rechaçou de público a ideia de assumir o comando do Instituto Teotônio Vilela. Aecistas trataram de reservar o ITV ao ex-senador Tasso Jereissati (CE).

A escolha do deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP) para liderar a bancada tucana na Câmara teve o dedo de Geraldo Alckmin. E, ato contínuo, Aécio empatou o jogo “Minas Gerais versus São Paulo” ao indicar o deputado federal Paulo Abi Ackel (PSDB-MG) líder da minoria.

Na montagem do governo Alckmin, o grupo serrista teve menos espaço do que gostaria. Três de seus mais próximos colaboradores acabaram na Prefeitura. Mauro Ricardo, ex-secretário da Fazenda, assumiu a secretaria de Finanças de Kassab. O ex-secretário de Planejamento Francisco Luna está no Conselho da São Paulo Obras. Ao ex-governador Alberto Goldman, o prefeito reservou uma vaga no Conselho de Administração da São Paulo Urbanismo.

A sorte dos serristas não mudou na montagem do diretório do PSDB paulistano. Vereadores tucanos ligados a Serra e Kassab foram escanteados na primeira composição do diretório e seis deles e deixaram o partido.

O ex-deputado Walter Feldman, outro expoente tucano ligado a José Serra, que o ajudara a fundar o PSDB, também decidiu abandonar a legenda.

05/05/2011 - 08:52h Cisão tucana extrapola SP e já desafia Guerra

Presidente do PSDB caminha para reeleição em chapa única, mas crises regionais em São Paulo, Paraíba e Paraná contrariam ideia de unidade

Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA

O ex-governador José Serra até se insinuou, mas a três semanas da convenção nacional do PSDB nenhum tucano se apresentou para disputar a presidência do partido com o deputado federal Sérgio Guerra (PE), que caminha para reeleição em chapa única no dia 28 de maio.

Nem assim o tucanato vai se livrar de velhas disputas internas nem colocará um ponto final em problemas e litígios que se espalham por vários Estados, como São Paulo, Paraná e Paraíba. Além da briga permanente entre Minas Gerais e São Paulo pela vaga de candidato do partido à Presidência da República, em que se confrontam Serra e o senador mineiro Aécio Neves, há a disputa de poder entre o próprio Serra e o governador tucano Geraldo Alckmin. E isso vai se arrastar independentemente do talento de Guerra para negociar a partilha de poder na nova direção.

O desafio maior do tucanato hoje é acomodar Serra na estrutura partidária, sem colocá-lo em posição de comando que reforce um projeto presidencial nem tampouco deixá-lo sem poder a ponto de produzir outra crise, sugerindo a aposentadoria do líder que saiu da eleição presidencial de 2010 com um capital de quase 44 milhões de votos.

Mas, ainda que a tarefa seja cumprida, restarão os litígios nos Estados, agora agravados pelo clima de insegurança que o novo PSD semeou Brasil afora. No Paraná, por exemplo, Sérgio Guerra e o governador Beto Richa (PSDB) tiveram trabalho para segurar o deputado federal Fernando Franceschini, que fez seguidas ameaças de aderir ao novo partido nos últimos dias.

E os problemas não param aí. Richa também está desafiado a cumprir o compromisso com seu antigo vice-prefeito que assumiu a administração de Curitiba, Luciano Ducci, do PSB, e ao mesmo tempo segurar no PSDB o ex-deputado Gustavo Fruet. É que Ducci apoiou a eleição de Richa e agora conta com o aliado para se reeleger. Fruet por sua vez, avisou a vários interlocutores que não abre mão de disputar a prefeitura e lidera as pesquisas de intenção de voto.

Na Paraíba, a briga é entre o senador Cícero Lucena e o ex-governador Cássio Cunha Lima, que deve assumir uma vaga no Senado semana que vem. Cícero até hoje não se conforma por ter sido forçado a engolir uma aliança com o PSB do governador eleito Ricardo Coutinho, a quem se refere como inimigo pessoal. Como o vice-governador tucano Romulo Gouveia foi fisgado pelo no PSD, ele tenta aproveitar a deserção para romper a aliança que Cunha Lima sustenta. Reeleito presidente, Guerra terá que cuidar desses conflitos.

OS CHOQUES TUCANOS

Paraíba. Há um enfrentamento ostensivo entre Cássio Cunha Lima, que está prestes a assumir uma vaga no Senado, e o senador Cícero Lucena.

Paraná. O governador Beto Richa quer apoiar a reeleição de Luciano Ducci (PSB) à prefeitura de Curitiba, mas o tucano Gustavo Fruet quer a vaga.

Rio Grande do Sul. Na convenção estadual do dia 17, três grupos tucanos se enfrentaram.

Santa Catarina. Uma intervenção nacional garantiu apoio do grupo do ex-governador Leonel Pavan à eleição de Raimundo Colombo (ex-DEM). Agora, a regional sofre o assédio do PSD.

Rondônia. O PSDB nacional revogou os atos do ex-presidente Hamilton Casara e criou comissão provisória presidida pelo ex-senador Expedito Júnior.

05/05/2011 - 08:20h PSD: Criação da sigla conta com apoio de tucanos

Fora de São Paulo, onde Kassab e Alckmin não se entendem, integrantes do PSDB ajudam o prefeito a construir seu partido

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Diferentemente dos tucanos paulistas, que têm visto a criação do PSD como uma ameaça ao projeto do PSDB no Estado, integrantes do partido em outras regiões enxergam com simpatia a formação da nova legenda.

Além do senador Aécio Neves (MG), que busca uma aproximação com o PSD para viabilizar seu projeto de se tornar candidato a presidente em 2014, tucanos de outros Estados ajudam na formação da nova legenda.

Em Goiás, o secretário-chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha, é o coordenador do novo partido no Estado. Eleito deputado federal pelo DEM, ele é um dos principais nomes do governo do tucano Marconi Perillo.

Outros dois secretários do governo goiano também anunciaram que migrarão para o PSD. São eles Armando Vergílio (Cidades), do PMN, e Thiago Peixoto (Educação), que estaria desconfortável em seu partido, o PMDB. Quando Kassab esteve no Estado, em abril, conversou com Perillo sobre a nova sigla.

No Tocantins, o governador Siqueira Campos chegou a comparecer ao evento de lançamento da legenda na Assembleia Legislativa do Estado, no último dia 9. No encontro, tanto Kassab como a senadora Katia Abreu, que deixou o DEM para entrar na nova legenda, agradeceram o apoio de Campos na formação do PSD. O governador chegou a dizer que o novo partido “energizaria” as forças existentes na política do Tocantins.

Aliado. O prefeito paulistano também esteve com Beto Richa, governador do Paraná, e anunciou o apoio do partido à gestão do tucano no Estado. Em visita a Curitiba, também no dia 9 de abril, Kassab disse que o PSD seria um aliado na Assembleia.

“Os deputados federais e estaduais com os quais estamos conversando estão de alguma forma vinculados ao governador Beto Richa. Minha intuição diz que é natural e conveniente estarmos com o governador Beto Richa”, declarou Kassab.

04/05/2011 - 09:58h Alckmin e Serra fecham acordo e dividem poder no diretório estadual

Caio Junqueira | VALOR

De Brasília

O grupo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fechou um acordo com o do ex-governador José Serra para dividir o poder no diretório estadual do PSDB, cuja convenção está marcada para este sábado.

Com receio de que ocorra uma debandada no partido semelhante à que ocorreu na montagem da chapa do diretório municipal de São Paulo – em que, alijados do processo, seis dos 13 vereadores da capital deixaram o partido – Alckmin aceitou dividir o poder e ceder a secretaria-geral do partido ao deputado federal Vaz de Lima (PSDB-SP), que foi presidente da Assembleia Legislativa e líder do governo na gestão Serra. Outro aliado deve ocupar a primeira-vice presidência: o deputado federal Vanderlei Macris.

O encontro entre interlocutores de Alckmin e de Serra aconteceu na segunda-feira, em um restaurante em São Paulo. Participaram do encontro, pelo governo, os secretários estaduais Sidney Beraldo (Casa Civil), Edson Aparecido (Gestão Metropolitana), Silvio Torres (Habitação) e, mais ao final, Júlio Semeghini (Gestão Pública). Vaz de Lima também participou, além do deputado federal Luiz Fernando Machado, coordenador da bancada tucana paulista.

Com o acordo, desfez-se a possibilidade de que duas chapas disputassem o partido, algo que os serristas previam que podia acontecer, tendo em vista que na primeira reunião para tratar do assunto, há 45 dias – antes do imbróglio do PSDB paulistano – não houve avanço nas negociações. Anteontem ficou acertado ainda que o deputado estadual Pedro Tobias, aliado de Alckmin, presidirá o partido e que a segunda-vice-presidência será ocupada por um indicado pelos prefeitos tucanos no Estado.

Os serristas também conseguiram mais dois postos. Um, a ser indicado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) e que provavelmente será seu assessor especial, João Guariba. Outro, de uma correligionária muito próxima de Serra: Ieda Areias, sua secretária particular.

Atualmente, o diretório é presidido pelo deputado federal Mendes Thame (SP), que ficou no posto durante todo o mandato de Serra no Palácio dos Bandeirantes. Ele assumiu um ano depois do primeiro embate entre serristas e alckmistas, em 2006, quando houve a disputa pela indicação do partido para a candidatura a presidente da República contra o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, Alckmin acabou sendo indicado, contando com o apoio do presidente do diretório paulista à época, Sidney Beraldo. No entanto, perdeu para Lula. Serra foi eleito governador e apoiou Thame para o diretório.

No ano seguinte, ocorreu o segundo embate entre serristas e alckmistas. Alckmin lançou-se candidato a prefeito de São Paulo com apoio de parte da legenda, uma vez que os tucanos ligados a Serra apoiaram a reeleição de Gilberto Kassab (DEM), que foi ao segundo turno e venceu Marta Suplicy (PT). Neste ano, com a posse de Alckmin, os serristas que apoiaram Kassab se sentiram desprestigiados na condução das negociações para o diretório paulistano e muitos deixaram o partido. Para evitar que isso ocorresse novamente, Alckmin fechou o acordo com os serristas. Um novo encontro para sacramentá-lo ocorrerá na sexta-feira.

02/05/2011 - 08:58h Para ministro, oposição forte é bom para governo


Do lado tucano, Aécio diz que há ‘ajustamento’ no PSDB, e não crise, e Alckmin descarta, por ora, fusão com o DEM

Fausto Macedo, Tomas Okuda e Marcelo Rehder – O Estado de S.Paulo

Enquanto o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, rechaçavam a existência de uma crise no PSDB, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmava que o enfraquecimento da oposição não é desejável numa democracia. “Uma oposição forte e democrática é boa para nós. Durante os oito anos do governo Lula, convivemos com uma oposição pujante, e isso foi importante para o governo”, afirmou.

Para o petista, a criação de um novo partido, o PSD, formado por Gilberto Kassab, é um “rearranjo natural na evolução política”. “Nós temos tanta coisa para fazer na vida que não dá tempo para ficar olhando muito para detalhes do que acontece com outros partidos. Eu não quero me pronunciar sobre o partido do Kassab, o PSDB. Eles têm os problemas deles. Nós já temos muitos problemas no nosso governo para ficarmos preocupados com o que acontece do outro lado. Essas coisas, como já dizia o velho Ulysses (Guimarães), são como nuvens, que uma hora estão de um jeito, outra hora de outro”, disse Carvalho.

Segundo Aécio Neves, o PSDB é um dos partidos mais vigorosos do País. “Os partidos sempre passam por mudanças. Não sei o sentido desse ceticismo que vejo em algumas análises”, afirmou.

Aécio também comentou a debandada tucana. Na semana passada, Walter Feldman, um dos fundadores do partido, anunciou sua saída, depois de seis vereadores do PSDB já terem feito o mesmo. “Claro que ninguém quer perder companheiros. Mas trata-se de uma questão local, que não abala a estrutura do partido.” Para ele, o momento é de “ajustamento”. Alckmin considerou de “difícil” concretização a fusão do PSDB com o DEM. “Nesse momento acho difícil, mas é preciso manter o diálogo”.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse considerar importante que o PSDB supere a crise. “Não queremos um país monolítico, com um partido, ou com um a opinião apenas sobre as coisas.”

29/04/2011 - 09:18h Alckmin defende debate ’sem pressa’ sobre fusão

Gustavo Uribe – O Estado de S.Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mostrou-se favorável ao debate sobre a fusão entre PSDB, DEM e PPS e destacou que este é um tema a ser discutido por essas legendas de oposição ao governo Dilma Rousseff. “Eu acho que é um tema a ser discutido”, disse ontem, após participar de evento para divulgar a campanha de vacinação 2011, na capital paulista.

Apesar da garantia de que “vê com bons olhos” a proposta, o governador ponderou que a fusão não precisa ocorrer agora. “Isso não tem pressa, não precisa ser feito agora. Enfim, é uma discussão partidária.”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu nesta semana que existe a possibilidade de fusão entre PSDB e DEM, mas destacou que as conversas são “preliminares”. O presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), também considerou a hipótese, mas disse que as conversas ainda são informais.

Evasivas. O governador também fez um alerta nesta semana sobre o papel da oposição no Brasil e destacou que o País não tem vocação para a existência de um partido único. Indagado sobre a crise que atinge sua legenda em São Paulo, Alckmin tergiversou: “O PSDB não está em crise, é natural esse procedimento que ocorre. As pessoas têm liberdade (para sair da legenda)”.

Alckmin também foi evasivo quando perguntado sobre o papel do vice-governador Guilherme Afif Domingos, que foi afastado da Secretaria de Desenvolvimento Econômico para acomodar o DEM no governo estadual. “O doutor Afif fez um bom trabalho na pasta e combinei com ele que teremos atribuições relevantes e importantes para nos ajudar no governo”, afirmou, sem detalhar quais seriam as funções.

O tucano também evitou comentar as críticas feitas pelo ex-deputado estadual Ricardo Montoro, publicadas pelo Estado. O filho do ex-governador Franco Montoro assumiu que cogita deixar a sigla e que teme pelo futuro da legenda. “Nenhum comentário”, respondeu.

29/04/2011 - 08:28h Crise no PSDB atinge comando estadual

Resolvida a disputa no diretório municipal, agora problemas atingem direção da sigla no Estado: deputados querem mesmo tratamento dado a vereadores

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

A exemplo dos vereadores paulistanos, a bancada de deputados federais do PSDB de São Paulo resolveu pleitear maior espaço na formação da nova Executiva estadual, que será eleita daqui a uma semana.

Inspirados pelas demandas dos vereadores, que conseguiram ampliar a influência na cúpula partidária municipal após racha que resultou na saída de seis parlamentares, os deputados decidiram pedir, na formação da Executiva estadual, o mesmo espaço obtido pelos colegas tucanos da Câmara Municipal. A palavra de ordem é “isonomia”.

Em almoço na terça-feira, no Senado, os deputados Luiz Fernando Machado, coordenador da bancada paulista, e Vaz de Lima e o senador Aloysio Nunes Ferreira avaliaram que os parlamentares devem ter mais representatividade na cúpula partidária, já que a presidência do partido ficará com um deputado estadual, Pedro Tobias, que conta com o apoio do governador Geraldo Alckmin.

A bancada federal quer na Executiva estadual pelo menos os cinco postos que os vereadores obtiveram na cúpula municipal. Entre eles, a vice-presidência, a primeira-tesouraria e a secretaria-geral, para a qual não há nome de consenso. O ex-governador José Serra chegou a ser procurado por deputados federais para tratar do assunto.

Eles aceitam eleger Tobias presidente estadual, mas querem indicar um nome da bancada para secretário-geral. Tobias defende a recondução do atual secretário-geral, César Gontijo. “Defendo ele de novo porque precisa ser alguém que toca o dia a dia do partido. E ele fez um bom trabalho. Quem tem mandato não toca muito a vida partidária”, afirmou Tobias. Para o deputado, o partido não deve usar como critério para a escolha do presidente e demais cargos o revezamento entre deputados federais e estaduais – o atual presidente é um deputado federal. Ele defende eleição direta, em que todos os tucanos possam participar. “Isso está sendo acertado. Todo mundo será acomodado”, disse Tobias. Os parlamentares acreditam que o grupo de Alckmin vai ceder espaço para evitar um novo desgaste político.

Acordo. Se não houver um acordo sobre o nome que ocupará a secretaria-geral do PSDB estadual, Gontijo pode ir para a votação durante a convenção estadual do partido, que ocorrerá no dia 7, na Assembleia.

Do lado da bancada federal, o nome cotado para o posto é o do deputado Vaz de Lima. Os deputados estaduais também querem indicar o secretário-geral. Geraldo Vinholi e Mauro Bragato são cotados, mas a tendência é que haja uma composição da bancada estadual com a federal.

28/04/2011 - 09:20h Para frear crise, tucanos dão poder aos vereadores

Após perder seis parlamentares na Câmara paulistana, PSDB cede cargos importantes na Executiva a grupo que permaneceu na sigla

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Numa tentativa de estancar a crise que se arrasta por quase um mês, o PSDB abriu ontem espaço na cúpula partidária e conseguiu fechar acordo com vereadores paulistanos.

Em reunião na noite de ontem, a presidência municipal do partido costurou uma composição e cedeu aos vereadores cinco dos 18 cargos da nova Executiva. Para contemplar os parlamentares, o órgão foi ampliado – eram 15 postos na gestão anterior.

A secretaria-geral do partido, cargo que deflagrou a disputa interna, foi entregue ao vereador Adolfo Quintas. Ele estudava deixar o PSDB com o grupo de seis vereadores na semana passada. Os parlamentares também indicaram o segundo-vice-presidente, o primeiro-tesoureiro e um vogal. O líder do PSDB na Câmara, Floriano Pesaro, também terá espaço na Executiva, no posto que já era reservado à liderança.

O entendimento entre os vereadores e a cúpula do PSDB municipal, ligada ao governador Geraldo Alckmin, deve estancar a saída de mais vereadores do partido, que ficará com sete representantes na Câmara Municipal.

Durante a negociação, os aliados do governador também deram sinais de que ajudarão, na campanha do ano que vem, os parlamentares que ficaram. Os vereadores temem não conseguir se reelegerem ao enfrentar a máquina da Prefeitura, nas mãos de Gilberto Kassab. O PSD, a ser fundado pelo prefeito, é destino de pelo menos dois dos vereadores que saíram do PSDB.

Às vésperas da convenção municipal, dia 10 de abril, os vereadores perceberam que não teriam a presidência da sigla, como era o plano inicial. Passaram, então, a pleitear a secretária-geral, indicando Quintas. Mas houve a resistência de alguns aliados do governador que não queriam o cargo com o grupo, próximo de Kassab, o que alimentou o racha.

Pela primeira vez, a Executiva municipal tucana em São Paulo será composta por cinco vereadores. Para o presidente municipal, secretário estadual Julio Semeghini (Gestão Pública), foi fechado o acordo que havia sido proposto desde o início. “É aquele que desde o primeiro dia quisemos construir. É um acordo muito representativo”, afirmou.

Agora o PSDB paulista tenta articular um acordo para a eleição da Executiva estadual. A bancada de deputados federais quer a secretaria-geral do partido.

28/04/2011 - 08:59h ”Sinto um isolamento dentro do partido”

André Mascarenhas, estado.com.br – O Estado de S.Paulo

Ricardo Montoro, EX-DEPUTADO ESTADUAL E EX-VEREADOR

Filho do governador Franco Montoro (morto em 1999), o ex-deputado estadual Ricardo Montoro admite estar insatisfeito com o rumo tomado pelo novo diretório municipal em São Paulo, pivô da atual crise.

Que fatores levam o sr. a considerar deixar o PSDB?

Estou sentindo um isolamento dentro do partido. Fui vereador, deputado, secretário, e o partido me deu as costas.

O sr. concorda com a avaliação de que Alckmin é o responsável pelas defecções?

Eu não chegaria a nomear o governador. É um movimento que tem origem na eleição municipal de 2008, que o Kassab ganhou e o Geraldo perdeu. Essa é origem.

O que o sr. vai levar em conta para decidir?

Eu vou conversar com muita gente. O que eu quero deixar bem claro é que eu admito a possibilidade de sair. Mas eu ainda não saí e não tomei essa decisão. É um momento difícil e o que critico agora é essa falta de senso democrático que está tomando conta do partido.

Que avaliação o sr. faz da condução do partido pelo novo diretório municipal?

Está havendo um isolamento de um grupo. A saída de seis vereadores deveria ser profundamente lamentada por todo mundo. E não é. Parece que o pessoal acha que é isso mesmo. A saída de uma figura como o Walter Feldman, que é fundador do PSDB, e que tanto serviço prestou ao partido, deveria ser lamentada.

28/04/2011 - 08:47h A demolição do PSDB

EDITORIAL – O Estado de S.Paulo

O autor francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) dizia que um romance não se escreve com ideias, mas com palavras. No que possa ter de verdade, a frase se aplica também à política, com uma diferença: em sentido estrito, a arte de conquistar e conservar o poder se faz com palavras e atos. A analogia vem a propósito dos solavancos mais recentes – e decerto não derradeiros – que abalam o PSDB, a agremiação que não sabe, entre outras coisas, o que fazer com o robusto patrimônio de 43,7 milhões de votos obtidos por seu candidato na última eleição presidencial.

De um lado, o ex-presidente e tucano emérito Fernando Henrique viaja pelo mundo das ideias em busca de bases conceituais para reconstruir o papel de sua legenda e dos aliados oposicionistas, depois da sua terceira derrota consecutiva para o PT de Lula em um decênio. De outro lado, no rés do chão da política partidária, atulhado do que nela há de mais velho, banal e, ainda assim, dominante – os cálculos de conveniência das ambições e vendetas pessoais -, o também tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, toca a obra de demolição do enfermiço partido no seu berço e reduto mais consolidado.

Costumava-se dizer do seu correligionário José Serra que era uma figura politicamente desagregadora. Se foi, ou é, parece um aprendiz perto do rival que não se conforma até hoje com o apoio do outro ao afinal vitorioso concorrente do DEM, Gilberto Kassab, na eleição para prefeito da capital de 2008. Por conta disso e pelo aparente projeto de governar o Estado pela terceira vez, com um hiato entre 2007 e 2011, Alckmin se empenha em afirmar a hegemonia de seu grupo na seção paulista da legenda, tratando de confinar nas suas bordas os companheiros de diferentes lealdades.

Além disso – e aí já se trata dos prejuízos sofridos pelo interesse público -, deu de desmantelar políticas bem-sucedidas adotadas no interregno José Serra em áreas cruciais para a população, como educação e saúde. Chega a dar a impressão de querer apagar da história recente do Estado o período serrista. Essa política de demolição tem os seus custos, porém. Seis dos 13 membros da bancada do PSDB na Câmara de Vereadores paulistana deixaram o ninho na semana passada. E um tucano de primeira hora, o ex-deputado e secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, acaba de fazer o mesmo.

Aqueles se guardaram de atribuir frontalmente ao governador a sua decisão. Mas este o acusou com todas as letras e argumentos ponderáveis. Argumentos que remetem à ascensão política do ex-prefeito de Pindamonhangaba pelas mãos de Mário Covas, de quem foi vice-governador e sucessor, depois de sua morte, e ao empenho de Alckmin em participar de todos os ciclos eleitorais da década passada: para governador, presidente, prefeito e novamente governador. Nem que para isso tivesse de implodir a aliança entre o PSDB e o DEM na citada eleição municipal de 2008. “Isso demonstra o seu apetite pelo poder”, apontou Feldman. “Essa é a verdade.”

A ironia é que, diante das baixas causadas pela iniciativa de Kassab de criar uma nova sigla, o PSD, o mesmo Alckmin que resistiu à parceria com o ex-PFL quando a agremiação tinha ainda razoável expressão política, agora, quando faz água, torna a recorrer aos seus quadros para recompor a equipe, depois de demitir o vice-governador e titular da estratégica Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Afif, que resolveu acompanhar Kassab.

As fraturas no PSDB paulista ocorrem na pior hora e no pior lugar. Elas são um entrave para o soerguimento do partido, em sua dimensão nacional. Qualquer que seja o peso das ideias para o que Fernando Henrique chama “refazer caminhos”, as palavras e os atos que constituem a essência da política dependem de líderes dotados de coerência e carisma para proferi-las e praticá-los com credibilidade – e a crise paulista revela políticos que não estão à altura da tarefa. Sem líderes não se fortifica um partido, muito menos se chega às urnas com chances efetivas de sair delas vitorioso. Os erros de Alckmin não só o enfraquecem no plano regional, como sufocam as aspirações tucanas na esfera nacional. Assim os brasileiros não terão uma alternativa viável para o projeto de poder do PT.

25/04/2011 - 08:49h ”A grande confusão foi ter a criação do novo partido, o PSD, neste momento”

- O Estado de S.Paulo

Julio Semeghini, presidente do PSDB em São Paulo

O novo presidente do PSDB paulista, Julio Semeghini, afirma que o clima no partido ainda está contaminado pela eleição municipal de 2008.

Por que o PSDB não conseguiu fechar um acordo com os vereadores e evitar o racha?

Até o dia da eleição, os vereadores estavam pleiteando a presidência. E a presidência é difícil de compor. A grande maioria teria de abrir mão. Houve um avanço significativo quando a gente juntou todos os candidatos numa única grande chapa. Mas o diretório municipal tem um força muito grande da base do partido. Então não há quem possa ter ingerência. Não tinha como os vereadores terem a presidência do partido.

Mas ele pediram a secretaria-geral e integrantes do PSDB não deixaram fechar o acordo?

Sempre houve o diálogo, e o acordo chegou a praticamente ser fechado. A grande confusão foi ter a criação do novo partido, do PSD, neste momento. Misturou o acordo do diretório municipal com projetos pessoais de algumas pessoas.

O clima no PSDB está contaminado pela eleição de 2008?

Está. Na verdade, 2008 é quando foi a crise. Agora é um final de um processo que começou em 2008 e que magoou muita gente. De lá para cá, todo mundo tem trabalhado para construir, para juntar e unificar.

Para alguns tucanos, Alckmin queria defenestrar os vereadores que não o apoiaram em 2008.

O governador tem respeitado bastante o ponto de vista da militância. Mas vou deixar bem claro: eu quase desisti da minha candidatura de tanto que o governador cobrava para que fosse construído o acordo. E ele se dedicou pessoalmente.

O PSDB vai mesmo insistir em pedir o mandato dos que saírem?

Grande parte dos vereadores que querem sair tem de 20 mil a 40 mil votos. Esses vereadores têm muito mérito deles, mas se elegeram com a força do número 45. Então não é justo que essas pessoas saiam do partido e levem consigo o seu mandato.

Os vereadores que ficarem farão parte da nova Executiva?

Quem ficar vai indicar o secretário-geral. Esse diretório que está sendo composto vai preparar o partido para uma grande novidade no próximo ano que são as prévias. O PSDB sempre fugiu das prévias. Acha que é um racha no partido, e isso não é verdade. Outros partidos se fortalecem porque tem prévias.

20/04/2011 - 08:57h Desfiliação cresce e PSDB vai à Justiça para tentar reaver mandatos

Vandson Lima | VALOR

De São Paulo

O vereador Souza Santos anunciou ontem, no plenário da Câmara Municipal de São Paulo, o seu pedido de desfiliação do PSDB. Com isso, chega a seis o número de baixas na bancada de 13 integrantes do partido. “Sofremos uma perseguição odiosa e um processo desses não tem volta. Se é assim, prefiro sair”, disse o vereador.

A saída de Souza Santos chegou a ser anunciada junto com a dos outros dissidentes. O vereador recebeu um telefonema do governador Geraldo Alckmin, o que adiou em um dia sua saída. “A gente conversa sempre, estive com ele na última campanha. Mas diante de fatos como esses, a permanência é difícil”, observou.

Júlio Semeghini, deputado federal e novo presidente do diretório municipal, diz que o PSDB não aceitará a debandada passivamente: “Vamos à Justiça pedir os mandatos”. Outra medida será pedir à Câmara Municipal o vídeo no qual tucanos fariam fortes críticas aos vereadores. A gravação é o trunfo dos dissidentes para manter seus mandatos: “Vou abrir a fita para todos, sem edição, sem cortes. Vamos jogar às claras. Se foram ofendidos, deviam tomar posição contra as pessoas, não contra o partido, que está sendo exposto”.

Semeghini alega que, ao contrário do que dizem os vereadores, foi oferecido a eles espaço na estrutura partidária: “Adiamos a formação da executiva para construir um acordo. Está registrado em duas atas de reunião”. Ao vereador Adolfo Quintas, outro que pode deixar o PSDB, já foi oferecida a secretaria-geral.

Com a saída de Santos, a bancada do PSDB fica reduzida a sete vereadores. Na segunda-feira, deixaram o PSDB os vereadores José Police Neto, que preside a Câmara Municipal, Dalton Silvano, Juscelino Gadelha, Gilberto Natalini e Ricardo Teixeira.

Para o secretário-geral do PSDB, César Gontijo, é natural que haja divergências dentro de um partido “grande e plural”: “Não existe quem manda. Existem posições majoritárias. Quem não respeita sente desconforto”, avaliou.

Já o prefeito Gilberto Kassab atribuiu a atitude dos vereadores às questões partidárias internas. “[O racha no PSDB] é uma questão interna de partido político que vive uma crise”, declarou.

Alckmin adotou um tom pacificador e minimizou a saída dos vereadores. Disse confiar no trabalho de Julio Semeghini para reestruturar o diretório e rechaçou a ideia de revanchismo de seus pares contra o grupo de vereadores que apoiou a candidatura de Kassab à Prefeitura de São Paulo, em 2008. “A maioria tem que ser respeitada, esse é o princípio da democracia. As pessoas nunca falam os reais motivos nesses casos”, disse o tucano logo depois da assinatura de 167 contratos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

O governador também acenou para o DEM, que deve ser contemplado com uma secretaria nos próximos dias. A exoneração a pedido do ex-secretário João Sampaio foi publicada ontem no “Diário Oficial do Estado”. O nome mais cotado para a vaga é o deputado federal Rodrigo Garcia, ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, que era tido como aliado do prefeito Gilberto Kassab.

Ao permanecer no DEM, Garcia ganhou prestígio na legenda e foi indicado para presidir o diretório estadual. Com a desfiliação do vice-governador Guilherme Afif Domingos, para fundar o PSD, o DEM pleiteia seu espaço na administração do Estado. (Com agências noticiosas)

20/04/2011 - 08:34h Para cacique do PSDB, radicais causaram racha

Ex-dirigente, Lobo diz que alertou governador sobre espírito de vingança; Alckmin afirmou que não controla o partido

Julia Duailibi e Gustavo Uribe / AGÊNCIA ESTADO – O Estado de S.Paulo

Um dia após a debandada de seis vereadores do PSDB, líderes do partido apontaram a ação de “radicais” da legenda que inviabilizaram a negociação com os parlamentares, enquanto o governador Geraldo Alckmin alegou não ser papel dele controlar o partido.

“Quem deve dirigir o partido é o partido. Não sou eu, são as bases do partido que se manifestam”, afirmou ontem o governador, em resposta a críticas dos vereadores que o acusaram de perder o controle sobre a direção municipal da legenda. Para justificar a saída, os vereadores, ligados ao prefeito Gilberto Kassab (ex-DEM), disseram ter sido “desrespeitados” no processo de composição da nova Executiva, presidida pelo secretário Julio Semeghini (Gestão Pública), ligado a Alckmin.

O ex-presidente municipal do PSDB José Henrique Reis Lobo declarou ontem ter avisado Alckmin de que “radicais” do partido não queriam chegar a um entendimento com os vereadores.

“O governador foi alertado por nós de que era preciso afastar alguns radicais que, movidos pela raiva e pelo espírito de vingança, acabariam provocando a cizânia”, disse Lobo, fiador da candidatura Alckmin a prefeito em 2008. “Essa é a crônica do desastre que já estava anunciado. Desde o começo nós alertamos as pessoas ligadas à candidatura de Semeghini que, ou eles seguravam os radicais que apoiavam o seu nome, ou o resultado seria uma cisão que prejudicaria gravemente o PSDB da capital.”

Lobo disse que há cerca de 10 dias, num jantar com o secretário estadual José Aníbal (Energia), pediu a intervenção para “trazer à razão” figuras próximas a ele e ao secretário Edson Aparecido (Desenvolvimento Regional) “que visivelmente trabalhavam no sentido de excluir os vereadores”. “Ambos não participavam desse espírito revanchista, mas ficava cada vez mais claro que esse grupo estava totalmente fora de controle.”

Questionado sobre quem são os integrantes do grupo, Lobo afirmou que são setores ligados aos ex-presidentes municipais do partido João Câmara e o vereador Tião Farias. Segundo o tucano, os dois “se julgam os mais lídimos representantes das bases, mas fazem política de maneira atrasada e primária, como se cada um que diverge fosse um inimigo a ser eliminado”.

“Semeghini ficou refém desse pessoal. Embora ele concordasse com algumas propostas que poderiam levar à conciliação, sempre deixou claro que não tinha autonomia para resolver a respeito do que era conversado e que precisava submeter a proposta ao grupo que o apoiava”, disse Lobo. Na avaliação dele, as demandas da bancada de vereadores, entre as quais a participação na secretaria-geral do partido, não eram “inaceitáveis”.

Lobo discordou da avaliação de que os vereadores deixariam o partido de qualquer jeito. “Ao contrário da nota divulgada anteontem pelo presidente Júlio Semeghini (anteontem), eles queriam um pretexto para permanecer e não para sair. O que houve foi mesmo intolerância e incompreensão de um pessoal que sempre faz política com raiva, movido por espírito belicoso, de revanche, de vingança e que nunca cede aos apelos da razão.”

Semeghini alega ter o controle do partido. “O presidente sou eu. Câmara e Farias só tinham dois cargos: a primeira e a segunda vice-presidência. Como estamos reféns de pessoas que têm apenas dois cargos?”, reagiu.

Para Aníbal, houve empenho na negociação com os vereadores para se formar uma maioria política. “Eles vieram com esse discurso de que era uma questão de projeto de poder. É uma bobagem”, disse o secretário, destacando haver mágoas por parte de tucanos com os vereadores em razão da eleição em 2008, quando os parlamentares apoiaram a reeleição de Kassab contra Alckmin.

Impacto. Os tucanos tentaram minimizar o impacto da saída dos vereadores na eleição de 2012. “Foi um episódio localizado, não terá reflexo na eleição”, disse o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Para Lobo, a saída dos vereadores é “uma pena e uma perda”, mas não significa que a sigla se inviabilizará na disputa. Alckmin ressaltou que a decisão de deixar a legenda é de “foro íntimo” e que cabe ao PSDB deliberar se reivindicará na Justiça os cargos.

Mas ontem, mais um tucano oficializou sua saída do PSDB. O vereador Souza Santos é o sexto, dos 13 vereadores da bancada tucana, a deixar o partido nos últimos dias. Bispo da Igreja Universal, o parlamentar alegou ser vítima de uma “perseguição odiosa” dos integrantes que comandam o diretório municipal.

Um dia após a debandada, o lugar reservado no plenário para a bancada do PSDB, que era a maior da Casa desde 2001, ficou com cadeiras vazias. O líder do partido, Floriano Pesaro, chorou em seu discurso. Ele considera que a direção do diretório municipal não poderia ter desprezado parlamentares com quase 228 mil votos em 2008. “Vamos trabalhar arduamente para reverter algumas decisões tomadas no calor das brigas.”/ COLABOROU DIEGO ZANCHETTA

Razão

GERALDO ALCKMIN
GOVERNADOR DE SÃO PAULO

“Quem deve dirigir o partido é o partido. Não sou eu, são as bases do partido que se manifestam”

JOSÉ HENRIQUE REIS LOBO
EX-PRESIDENTE MUNICIPAL DO PSDB

“Essa é a crônica do desastre que já estava anunciado. Desde o começo nós alertamos as pessoas ligadas à candidatura de Semeghini (Júlio) que, ou eles seguravam os radicais que apoiavam o seu nome ou o resultado seria uma cisão que prejudicaria gravemente o PSDB da capital”

CRONOLOGIA

2008
Alckmin decide concorrer à Prefeitura contra Kassab, então no DEM e ex-vice de José Serra. Os tucanos se dividem entre as candidaturas.

2009
Reeleito, Kassab trabalha para evitar que Alckmin dispute o governo do Estado.

2010
Alckmin se impõe como candidato ao governo, e Kassab emplaca seu aliado de DEM Guilherme Afif como vice.

2011
Kassab e Afif fundam o PSD e anunciam a disposição de ter um candidato a prefeito. Vereadores do PSDB decidem acompanhar o prefeito.

10/04/2011 - 08:20h Alckmin luta por independência sem romper com Serra

No front político, governador vê sombra do antecessor rondar o dia a dia; na área administrativa, busca autonomia, sem causar fraturas

Julia Duailibi e Roberto Almeida – O Estado de S.Paulo

No fim de janeiro, integrantes da bancada tucana na Câmara dos Deputados articularam um abaixo-assinado para reconduzir o deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE) ao cargo de presidente nacional do partido. Ao saber da notícia, o ex-governador José Serra procurou o governador Geraldo Alckmin na mesma noite.

A assinatura de deputados da bancada paulista no documento fez com que a ação fosse vista como uma manobra de Alckmin e do mineiro Aécio Neves para isolar Serra e evitar que o candidato derrotado na eleição presidencial de 2010 pleiteasse a função de presidente para viabilizar seu projeto político.

Serra queria que o governador divulgasse, na mesma noite, uma nota negando qualquer participação com Aécio na articulação. Não houve a nota. Mas, no dia seguinte, Alckmin deu a seguinte declaração: “Nem sei se o Serra quer ser presidente do partido. Mas, se quiser, terá meu integral apoio”.

O episódio ilustra, de certa forma, os 100 dias de governo Alckmin: no front político, um período marcado pela influência de um ex-governador que não deixou de frequentar o Palácio dos Bandeirantes. Na seara administrativa, a busca por autonomia, sem a ruptura com a gestão anterior.

Logo que foi formado o governo de transição, entre novembro e dezembro passados, Alckmin já dava indícios de que não promoveria um rompimento com Serra. Chegou a oferecer ao ex-governador o espaço que lhe conviesse na futura administração. Como se sabe, Serra não aceitou – e até hoje diz a aliados que não pretende aceitar. Fez, no entanto, indicações, como a de Dilma Pena para a Sabesp. E sugeriu a manutenção de Antonio Ferreira Pinto na Segurança.

Pente-fino. Depois da transição em que foi chamado de “personalista” por quadros tradicionais do PSDB, ao privilegiar o seu grupo na formação do governo, Alckmin assumiu promovendo um pente-fino em atos da era Serra-Goldman. Despertou a ira do ex-governador, que ligou para integrantes do governo para reclamar de declarações de Julio Semeghini (Gestão Pública) sobre o tema.

Nos bastidores, aliados do governador ainda não haviam digerido o apoio de Serra à reeleição do prefeito Gilberto Kassab, que disputou o cargo com Alckmin em 2008. Houve ataques à gestão Serra sob a alegação de que a máquina do Estado fora inchada em ano eleitoral. “Precisamos cortar a tradicional gordura de último ano do governo passado”, disse um tucano após participar da primeira reunião do secretariado, no dia 3 de janeiro.

O governador determinou um “redesenho” na área dos Transportes. Mandou rever trâmites para a duplicação da Rodovia dos Tamoios, prevista pelo governo Serra, e a construção da ponte estaiada ligando Santos ao Guarujá, cuja maquete havia sido visitada pelo ex-governador pouco antes de se desincompatibilizar do governo para disputar a Presidência.

Aliados de Alckmin não economizaram palavras para criticar o governo anterior na área de prevenção de enchentes e na expansão dos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) em ano eleitoral, iniciativa que causou impacto nas contas da Saúde.

Na medida em que a administração ganhava autonomia, as críticas também apareciam. “Dei ordem para o meu pessoal ir tocando o dia a dia sem olhar para trás”, disse um secretário, que tem boa relação com Serra, ao comentar telefonemas e e-mails de “serristas” recebidos por funcionários da pasta para cobrar projetos cancelados ou modificados.

Nos primeiros três meses de governo, Alckmin buscou como maior diferencial incrementar a interlocução com segmentos da sociedade civil. Tentou reverter a relação ruim do governo anterior com o funcionalismo, mais especificamente com o sindicato dos professores. Na tentativa de demonstrar “abertura” para o diálogo, anunciará nos próximos dias um “conselhão” nos moldes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal, formado por 40 integrantes.

Na área política, criou a Câmara de Desenvolvimento Metropolitano, buscando ações cirúrgicas em redutos petistas e contato mais próximo com prefeitos.

Crises. Abrindo a fase de más notícias, Alckmin foi acusado pela Procuradoria Regional Eleitoral, em janeiro, de ter cometido possíveis irregularidades na captação de recursos para a campanha ao receber doação de concessionárias de serviços públicos. O caso ainda não foi julgado, e o PSDB nega irregularidade.

O primeiro escândalo de repercussão, no entanto, teve nome próprio e parentesco: Paulo César Ribeiro. Cunhado de Alckmin, foi alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo por supostos desvios em contratos com a Prefeitura de Pindamonhangaba.

O maior constrangimento, porém, veio do gabinete logo abaixo do seu, o do vice-governador Guilherme Afif Domingos, que decidiu sair do DEM e acompanhar Kassab, desafeto do governador, na empreitada de fundar uma nova legenda, o PSD.

Alckmin tentou dissuadi-lo. E Afif tentou mostrar a Alckmin que a articulação não seria ruim para ele. Um dia antes de anunciar a mudança, os dois se encontraram no gabinete. O vice insistiu que a nova legenda marcharia unida com os tucanos na eleição municipal de 2012, mas o governador não se convenceu. A maioria dos integrantes do núcleo duro do governo o aconselhou a tirar Afif da Secretaria de Desenvolvimento, pasta que acumula com a vice.

Diante de um quadro eleitoral fragilizado com os movimentos de Kassab, Alckmin passou a apontar Serra como candidato a prefeito no ano que vem, ciente de que ele é capaz de trazer o prefeito para a aliança.

Não agradou ao tucano, mas demarcou território. Demonstrou, sobretudo, saber aonde quer chegar ao alimentar a proximidade política com Serra, neste primeiro trimestre de governo.

03/04/2011 - 09:49h Disputa com gosto de ”déjà vu” em SP

A pouco mais de um ano das eleições, PSDB e PT têm dificuldades para apresentar novos nomes

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

No dia 29 de março de 2004, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), à revelia de um resistente José Serra, candidato derrotado à Presidência em 2002, lançou-o na corrida pela prefeitura paulistana. “Eu acho que ele deve refletir, porque é a vontade da sociedade. Para um cargo majoritário, você não tem só as vontades pessoais”, disse, então, Alckmin.

Sete anos depois, na semana passada, o mesmo governador de São Paulo reeditou sua fala. À revelia do mesmo resistente José Serra, desta vez candidato derrotado à Presidência em 2010, afirmou praticamente a mesma coisa, mas agora sobre a eleição de 2012: “Serra é o candidato mais expressivo. Dos nomes do nosso grupo, é o melhor”.

A um ano e meio da eleição municipal, a principal aposta das cúpulas do PSDB e do PT, na eleição para prefeito da maior cidade do País, é a reedição do embate entre quadros tradicionais, evidenciando dificuldade de renovação política.

No PT, por exemplo, desde 98, a senadora Marta Suplicy e o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) se revezam na corrida pelo Estado ou pela Prefeitura – com exceção de 2002, quando José Genoino foi candidato. Marta disputa a Prefeitura desde 2000.

Apostas do PT para a eleição de 2012? Mercadante ou Marta.

O script se repete no PSDB. Alckmin e Serra foram os únicos nomes do PSDB a disputar o governo paulista, desde a morte de Mario Covas em 2001. A partir de 1996, Serra se revezou com Alckmin na indicação para a Prefeitura. Concorreu naquele ano. Em 2000, foi a vez de Alckmin. Quatro anos depois, Serra disputou. Em 2008, Alckmin de novo.

Aposta do PSDB para a corrida de 2012? José Serra.

Tanto PSDB quanto PT avaliam ter nomes competitivos que nunca disputaram o Executivo. Mas temem lançá-los, principalmente se os adversários apostarem numa saída já testada e conhecida pelo eleitorado. Além disso, políticos tradicionais têm mais inserção na máquina partidária, o que facilita a viabilidade interna de suas candidaturas.

“Os partidos são oligarquias que funcionam de tal maneira que não dão espaço para novas lideranças. Os dirigentes se apegam à máquina e usam isso para inibir ou controlar novas lideranças”, diz o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas.

Os neófitos na corrida municipal estão fora do eixo PT-PSDB. O secretário paulistano do Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV), aparece como uma forte aposta com o apoio do prefeito Gilberto Kassab no anunciado PSD. O empresário Paulo Skaf e o deputado Gabriel Chalita, que podem sair tanto pelo PSB como pelo PMDB, também querem concorrer. Teixeira cita o exemplo da eleição presidencial de 2010, em que Dilma Rousseff só conseguiu a indicação do PT porque toda uma geração de petistas havia sido descartada em razão de escândalos envolvendo a sigla.

Alckmin insiste na reedição do que chama “dupla Pelé e Pepe” – atacantes do Santos nas décadas de 1950 e 60 -, com Serra na Prefeitura, e ele no governo do Estado. Serra rechaça a ideia. Segundo aliados, considera que enterraria sua carreira política ao ficar amarrado na Prefeitura, quando ambicionaria disputar a Presidência ou o governo paulista.

Para Alckmin, é conveniente lançar Serra, nome capaz de manter Kassab, e o PSD, na aliança. Seguindo o script de 2004, enquanto Serra resiste, outros quadros tradicionais se movimentam com condições de viabilizar a candidatura, como o secretário estadual de Energia, José Aníbal.

A chamada “geração pós-64″ está fora dos planos. “Há uma máxima: espaço político nunca é dado, é conquistado. É um processo que leva tempo “, declara o secretário Bruno Covas (Meio Ambiente), um dos nomes considerados “novos” no partido, ao lado do presidente da Câmara Municipal, José Police Neto.

“É essencial renovação. Novos nomes revigoram o partido. No entanto, sei do peso político de Serra”, afirma o líder do PSDB na Câmara, vereador Floriano Pesaro. Para Alexandre Schneider, secretário municipal de Educação, nenhum partido quer testar: “A escolha sempre recaiu em quem tem história, densidade eleitoral e chance de vitória”.

PT. Mercadante tem apoio do PT paulista, se quiser disputar. Mas, apesar de haver certa resistência ao nome de Marta após a eleição de 2010, o PT não ignora o capital político dela, principalmente na periferia da capital.

O ex-presidente Lula ainda quer um nome novo, como o ministro Fernando Haddad (Educação). Sem entrada na máquina partidária, Haddad tem dado indícios de interesse na política local: há uma semana, foi a Cidade Tiradentes para discutir vagas em creches.

O PT aposta que seu adversário será Serra. “Se for ele, é a política do passado”, afirmou deputado Jilmar Tatto, um dos que pretendem entrar na disputa. “Ou o PT aparece com cara nova, nova roupagem, ou perde a eleição.”

Para o deputado Carlos Zarattini, outro pré-candidato, a sigla “reconhece” dívida com Mercadante, que foi para o “sacrifício” ao disputar o governo em 2010. Mas diz: “A população espera mudança”.

Também entram na lista petista de “novos nomes” os ministros Alexandre Padilha (Saúde), que diz não ter interesse na disputa, e José Eduardo Cardozo (Justiça).

02/04/2011 - 10:00h Alckmin alega reestruturação e esvazia Afif

Roberto Almeida – O Estado de S.Paulo

Em meio ao desconforto que atinge o Palácio dos Bandeirantes pela migração do vice-governador Guilherme Afif Domingos para o PSD, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e aliados próximos agiram ontem para minimizar o primeiro sinal de esvaziamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Tecnologia, tocada pelo vice.

A pasta perdeu, anteontem, por meio de decreto publicado no Diário Oficial, o Conselho Estadual de Petróleo e Gás Natural para a Secretaria de Energia, tocada por José Aníbal. Na prática, a ação retirou poderio político do vice, que era efetivamente o coordenador do conselho e responsável por projetos de exploração de petróleo no Estado.

No entanto, o governador negou “questão partidária” na ação. “(Esvaziamento da pasta) é uma interpretação equivocada”, afirmou, após evento no Palácio dos Bandeirantes. “Até porque, se você tem uma Secretaria de Energia, não tem como petróleo e gás não estarem dentro de sua responsabilidade”, disse.

Aníbal fez coro a Alckmin e negou que houvesse intenção partidária na mudança. Ele afirmou, apenas, que a decisão é antiga e que a formatação e a atuação do conselho está em estudo.

Afif não compareceu ao evento e, procurado, preferiu não comentar o caso. Reservadamente, porém, aliados do governador não escondem a contrariedade com a decisão de Afif e afirmam que o vice passará, a partir de agora, a colher os frutos da migração para o PSD, que consideraram açodada. “Não dá para esconder que há um descontentamento”, disse um tucano.