11/10/2008 - 09:23h Os paradoxos da crise mundial

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Gilles Lapouge* - O Estado de São Paulo

O que fazem as bolsas no primeiro dia deste fim de semana? Despencam. Agora, de certo modo, elas sabem se arranjar. Enquanto esperamos que se acalmem, vejamos algumas coisas curiosas. A crise agiu como fabuloso “revelador”: dogmas incontestados caíram por terra, e são substituídos por outros dogmas, ontem considerados abomináveis. Mas por quanto tempo?

Há 15 dias, a Islândia era um paraíso econômico. Povo rico, país sério, bem administrado, segundo o modelo escandinavo. Pois bem, de todos os países da Europa foi o que caiu mais rapidamente. Naufrágio. O mais inquietante é que, para não soçobrar, teve de aceitar um empréstimo de 4 bilhões de Moscou. É o cúmulo! E se amanhã a Europa Central ou os Bálcãs fossem pedir esmola a Moscou? Seria o maior perigo político.

“Wall Street virou a Praça Vermelha. Nem mesmo os próprios russos ousariam estatizar a este ponto.” O homem que diz isso não é nem um “comediante” nem um provocador, nem um “esquerdista”. É o seriíssimo Jean-Claude Junker, presidente do Eurogrupo.

Nicolas Sarkozy, depois de eleito, tomou a bandeira dos “liberais”. Seu discurso era exaltado: livre iniciativa, desregulamentação, sabedoria do “mercado”, viva o dinheiro, viva o lucro, viva os bancos, viva a bolsa etc…Uma Margaret Thatcher reencarnada no presidente francês. Em 15 dias, outro Sarkozy tomou o lugar daquele. E decretou: “Os banqueiros são uns bandidos. Abaixo os patrões delinqüentes, abaixo a vergonhosa corrida ao lucro, a imoralidade. Viva o Estado.”

A União Européia tem meio século. Superou questões que lhe foram legadas por 2 mil anos de história e furor. A certa altura, eclode a crise e o que vemos? Uma Europa dividida em antagonismos. Uma Inglaterra que vai por um caminho, uma Alemanha que vai por outro, uma França que toma um terceiro… Foi necessário meio século para criar a União Européia; bastaram oito dias de crise para gerar uma “Desunião Européia”.

O que se vislumbra é uma enorme mudança geopolítica: países que dividiam o mundo e os lucros, que reinavam sobre os outros, cambaleiam. EUA, a velha Europa e Japão estão se juntando aos “pobretões”.

Ao contrário, os países emergentes parecem, por enquanto, suportar o golpe e reagir com prudência e energia. É nesses países, até ontem mais ou menos menosprezados, que os especialistas colocam suas esperanças. “A fé mundial resiste nos países emergentes”, diz Christian de Boissieu, presidente do Conselho de Análise Econômica. “China, América Latina e Índia poderão aparar o choque da recessão americana.”

A pergunta foi feita a Jean-Pierre Petit, economista-chefe da Exane BNP Paribas: “A crise acelerará a migração do poder econômico e político do Ocidente para os países emergentes?” Petit respondeu sem hesitar: “Este processo já começou”.

Os países emergentes, com a China à frente, são os grandes vencedores desta década. Estamos assistindo a uma transferência do poder econômico, financeiro, político e mesmo tecnológico. Por cinco anos, o consumo nos EUA e na Europa foi inchado pela bolha imobiliária, que só favoreceu as aplicações financeiras, aprofundou as desigualdades entre as gerações, fabricou o endividamento das famílias, o déficit externo, ameaçando explodir o sistema financeiro internacional.

E prossegue: “As aquisições de ativos ocidentais por fundos soberanos ou pelas multinacionais de países emergentes se multiplicarão. Evidentemente, esses últimos reduzirão o ritmo de expansão, mas deverão resistir. Uma das grandes diferenças em relação à crise de 1929 é precisamente o peso dos emergentes na economia global. Este é um motivo de esperança.”

No jornal Libération, Olivier Compagnon, da Universidade Paris VII, surpreende-se que a América Latina resista à crise: “Mais sólidas, as economias da América Latina aproveitam da alta das matérias-primas.”

E cita a presidente do Chile, Michelle Bachelet, que lança farpas cruéis e irônicas aos países “dominantes”. “Michelle Bachelet surpreendeu-se com o fato de que os países ricos e as instituições internacionais, que durante 25 anos ensinaram à América Latina as virtudes da “desestatização” e o “credo neoliberal”, agora possam descobrir bruscamente as virtudes da “regulamentação”.

* É correspondente em Paris.

07/10/2008 - 09:12h Contágio pode quebrar a zona do euro

Angela Merkel, primeiro-ministro da Alemanha
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Larry Elliott * - O Estado de São Paulo

De certo modo, quando o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, disse no mês passado que o aperto do crédito era um problema americano, houve a sensação de que ele estava desafiando o destino. Quanto tempo levaria para que o contágio que limpou Wall Street e a City de Londres também fizesse uma ou duas vítimas no setor bancário da zona do euro? Bom, as palavras presunçosas de Steinbrueck mal saíram da sua boca, e recebemos a resposta. Belgas e holandeses tiveram de resgatar o banco Fortis; os irlandeses trataram de estender uma garantia geral para os seus depósitos, com medo de que pelo menos um, e provavelmente dois de seus grandes bancos estivessem perto de capotar.

A reflexão de Steinbrueck sobre a possibilidade de os Estados Unidos estarem perdendo seu status de potência hegemônica da economia mundial foi interrompida pela necessidade de buscar a aprovação de Bruxelas para a malfadada operação de resgate do grupo HRE alemão, de 35 bilhões de euros. E no final de semana os líderes dos quatro grandes países da Europa - Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha - convocaram uma reunião de cúpula global de emergência para o próximo mês. Uma lição para os ministros das Finanças: procurem não irritar os deuses.

O crescimento da França no terceiro trimestre baixou de 0,7%, no terceiro trimestre do ano passado, para 0,4% em cada um dos dois trimestres seguintes, depois tornou-se negativo em 0,3% no segundo trimestre deste ano. Christine Lagarde, a ministra das Finanças, prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) sofrerá nova contração no terceiro trimestre. O que equivale tecnicamente a uma recessão: dois trimestres consecutivos de resultados em queda.

A Itália teve um desempenho ainda pior. O PIB caiu tanto no quarto trimestre de 2007 quanto no segundo deste ano, empurrando a taxa de crescimento anual já anêmica para zero. Na França, é 1,1% e na Grã-Bretanha, 1,4%. A Alemanha obteve o melhor desempenho das quatro principais economias da Europa, mas também está reduzindo o crescimento, porque a demanda de suas exportações foi afetada pela crise global. A produção alemã caiu 0,5% no segundo trimestre, empurrando sua taxa anual de crescimento para 1,7%.

Em comparação, a expansão anual dos Estados Unidos é de 2,2%, embora seu forte desempenho no segundo trimestre se devesse a um corte único dos impostos de US$ 150 bilhões, e agora a economia pareça estar baixando seu ritmo ainda mais rapidamente. Há evidências de que em todo o mundo desenvolvido está havendo uma redução do ritmo, e isto ocorre nos países que seguem tanto o modelo da Europa continental quanto o anglo-saxônico: nos países em que surgiram bolhas no mercado da habitação, e nos que não houve bolha; nos países que adotaram o euro assim como nos que não o adotaram. A Espanha, por exemplo, está na união monetária, mas na sexta-feira anunciou uma ampla queda de 7% da produção industrial e apresenta um aumento acentuado do desemprego.

Três pesquisas realizadas na semana passada entre gerentes de compras na Grã-Bretanha - nos setores da manufatura, serviços e construção - advertiram que há uma recessão. A primeira reunião do gabinete da guerra econômica de Gordon Brown, realizada ontem, havia muito o que discutir.

O quadro é variado no que se refere a Islândia, Noruega e Suíça, que não fazem parte da União Européia. A Islândia está numa situação calamitosa, a confiança em seu sistema bancário em frangalhos e a economia já em marcha a ré acelerada. A Noruega, graças à alta do preço do petróleo, cresce a 3,3%, 1 ponto porcentual acima da Suíça.

Não é fácil enxergar através dessa névoa estatística, mas é possível tirar algumas conclusões. A primeira delas é que nenhum país do mundo desenvolvido ficará imune à crise. A segunda é que os seus efeitos para a “economia real” demoraram para se fazer sentir, mas agora estão se intensificando.

A este respeito, as medidas - ou a falta de medidas - do Banco Central Europeu são curiosas. Ao contrário do Federal Reserve (Fed, banco central americano) ou do Banco da Inglaterra, o BCE decidiu que o aumento da inflação, este ano, causado pelo aumento dos preços do petróleo e dos alimentos , merece a elevação das taxas de juros.

Agora, a inflação está caindo e, a julgar pelos comentários de Jean-Claude Trichet, seu presidente, o BCE pretende abrandar sua estratégia até o início de 2009, quando haverá abundantes evidências de que Europa, Japão e Estados Unidos estão em recessão, e isto terá um efeito enorme para a Grã-Bretanha, onde 50% das exportações vão para o restante da Europa. Entre os presidentes dos bancos centrais. talvez Mervyn King seja o que mais se aproxima dele.

Queimar lentamente Uma terceira conclusão é que o efeito do enfraquecimento lento do sistema bancário europeu provavelmente tem mais a ver com as diferenças nos sistemas contábeis do que com a maneira como é administrado. Como Steinbrueck sabe muito bem, os bancos alemães imitaram seus equivalentes britânicos e americanos no cassino subprime e fizeram as mesmas apostas questionáveis em derivativos arriscados. O que aconteceu foi que demorou mais tempo para os prejuízos aparecerem.

Uma quarta observação - novamente bastante óbvia - é que a zona do euro continua um híbrido. É uma união monetária, mas não uma união política, e portanto, países como a Irlanda tiveram de se arranjar sozinhos na operação de resgate dos bancos em dificuldades. Há uma nítida distinção entre os Estados Unidos, onde o governo tem peso financeiro em todos os 50 Estados, e a União Européia.

Convocar uma cúpula global não é a mesma coisa que fazer algo concreto, e Angela Merkel deixou claro que a Alemanha não ajudará bancos malandros de outros países da União Européia. O Banco Europeu de Investimentos decidiu liberar uma ajuda de emergência de 12 bilhões de libras esterlinas (US$ 2 bilhões) para as pequenas empresas, mas dada a dimensão e a escala da crise da União Européia, a quantia é insignificante.

No longo prazo, as uniões monetárias não sobrevivem sem uma união política, e portanto a quinta conclusão é que há pressões tanto para uma integração maior quanto para a desintegração. A crise poderá fortalecer os que argumentam que as medidas corretivas são intrinsecamente instáveis e continuarão assim até que haja uma união fiscal e monetária. Por outro lado, a crescente ameaça de recessão poderá levar alguns países a questionarem se valerá realmente a pena continuar numa união monetária.

Charles Goodheart, da School of Economics de Londres, observou na semana passada que nos últimos anos houve variações extremas na competitividade, nos custos da mão-de-obra e nas balanças comerciais em toda a zona do euro. As preocupações do BCE com a inflação só poderão ser corrigidas pelos países que registram grandes déficits da conta corrente, como a Espanha, ou que sofrem de uma profunda falta de competitividade, como a Itália, crescendo mais lentamente e reduzindo o padrão de vida. Evidentemente, estas não serão medidas populares.

Goodheart conclui que, se tivessem de decidir agora, alguns membros da união monetária votariam contra seu ingresso.

Optar não aderir é muito diferente de decidir sair, e haveria consideráveis conseqüências para um país que voltasse a adotar sua moeda nacional em lugar do euro. Goodheart aponta para o risco de que a união monetária possa quebrar-se em 10% a 20%, o que é pouco, mas certamente não deixa de ser significativo.

*Larry Elliott é editor de Economia do jornal britânico ‘The Guardian’

07/10/2008 - 09:06h Mundo está à beira de estatizar sistema bancário

Especialistas vêem retorno a velhas ideologias e regulação mais rígida

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Fernando Dantas - O Estado de São Paulo

O mundo assiste a uma grande onda de intervenção estatal no setor bancário privado. Nos Estados Unidos, o governo ajudou financeiramente o JP Morgan Chase a comprar o Bear Stearns em março, quando tudo começou, e deu garantias contra perdas ao Citi para este absorver o Wachovia (que agora podem ser suspensas como resultado da disputa do Citi com o Wells Fargo).

Fora do sistema estritamente bancário, o governo americano assumiu o controle das gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac e virtualmente estatizou por US$ 85 bilhões (em forma de empréstimo) a seguradora AIG. Além disso, estendeu em centenas de bilhões de dólares as linhas de liquidez aos bancos, fechou os olhos para a qualidade das garantias recebidas, decidiu remunerar os depósitos compulsórios e usou seu poder de pressão para provocar outras fusões de bancos.

Na Europa, a Islândia parece na iminência de estatizar o sistema bancário, e países como Alemanha, Áustria, Espanha, Portugal, Dinamarca e Irlanda anunciaram medidas para introduzir ou estender a garantia aos depósitos. No caso da Irlanda, a garantia é tão ampla que provocou a ira dos seus pares na União Européia (UE), temerosos de uma corrida bancária em que depositantes transfiram recursos de bancos de outros nacionalidades para os irlandeses. Houve socorro estatal a bancos específicos como o Fortis, do Benelux, o alemão Hypo Real State, o britânico Bradford & Bingley e o belga Dexia.

No caso do Fortis, a Holanda literalmente estatizou a parte nacional do banco. Entre os emergentes, medidas de socorro aos sistema bancário já foram tomadas na Rússia, Coréia, Chile e Brasil.

Há uma ironia no fato de que a maior onda de intervenção do Estado no sistema financeiro ocorre num momento em que a estatização bancária havia se tornado bandeira ideológica do passado, que hoje mal é desfraldada pelas poucas correntes mais à esquerda do espectro político. Esta invasão do setor público no sistema financeiro, aliás, não vem na esteira da política, mas sim das próprias finanças, já que os bancos quase quebrados, depois da farra da desregulamentação excessiva, são uma enorme ameaça à economia real.

Em recentes artigos no seu blog no site do Financial Times, o economista holandês Willem Buiter abordou provocativamente (mas sem um apoio claro) a questão da estatização do sistema bancário. Segundo Buiter, “há um antigo argumento de que não há razão real para a propriedade privada de instituições bancárias que recebem depósitos, porque elas não podem existir seguramente sem esquemas de garantia de depósito ou de emprestador de última instância, que são em última instância bancadas pelo contribuinte”.

Armando Castelar, da Gávea Investimentos, acha que, se a crise for às últimas conseqüências, pode-se chegar até o ponto da estatização em alguns países, mas como uma etapa temporária, ao fim da qual os bancos seriam repassados novamente à iniciativa privada. Ele nota que perdas ao contribuinte também muitas vezes ocorrem com bancos públicos, como no caso do Brasil, em que recapitalizações do Banco do Brasil tiveram um custo de vários bilhões de reais. “O Proer foi mais barato do que o socorro aos bancos estaduais e federais”, diz Castelar.

Ele prevê um futuro de regulação mais dura dos bancos, visão com a qual concorda o economista Fernando Ferrari Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e presidente da Associação Keynesiana Brasileira. “Não diria que tem de haver um processo de estatização, mas não há dúvida de que devemos entrar numa fase de regulação muito mais forte”, diz Ferrari Filho. Ele defende a restauração de alguns pontos da chamada arquitetura financeira internacional de Bretton Woods, como mais controles de capital e a recuperação por parte das autoridades econômicas da capacidade de estabelecer parâmetros para a trajetória do câmbio e do crédito.

03/10/2008 - 11:01h A crise cruzou o Atlântico e já se infiltrou na Europa

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Gilles Lapouge* - O Estado de São Paulo

A crise financeira mudou de natureza. Oito dias atrás apenas, era uma crise polida, respeitosa. Devastava os Estados Unidos, mas não entrava na Europa. Por duas razões: primeiro porque Wall Street é um ninho de loucos, irresponsáveis e egoístas. Depois, os bancos europeus são maravilhas, verdadeiras relojoarias suíças, sólidos, eternos. Esses tempos misericordiosos acabaram. A crise, insensível a discursos e fronteiras, se infiltrou na Europa. Bancos começaram a cair.

Os governos ficaram surpresos. Taparam os buracos, mas isso não bastou. Vários bancos grandes cambaleiam. Aí a Europa despertou. Sua sorte é que o presidente em exercício da União Européia (UE) é o presidente francês Nicolas Sarkozy, famoso por seu “olho de águia”. E, de fato, anteontem Sarkozy se pôs em campanha, com grande estardalhaço, dizendo que o capitalismo precisava ser “reinventado”. Convocou para sábado, em Paris, seus parceiros europeus do G-8 (Alemanha, Inglaterra e Itália), além da Comissão de Bruxelas e do Banco Central Europeu (BCE).

Infelizmente, em vez de felicitarem Sarkozy, os outros europeus acharam que ele estava fazendo demais. ” Mais um show de Sarkozy! As palavras não servem de nada. Precisamos de atos”, resmungaram. Sarkozy, muito espantado, quis mostrar que a reunião de sábado não seria um simples show. Ele havia costurado um plano arrasador contra a crise. De noite, um despacho da agência Reuters revelava o plano: criação de um “fundo federal” de 300 bilhões para ajudar os bancos enfermos.

Esse despacho saiu às 18h 27. Sete minutos depois, o ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück, dava sua breve resposta: “Não!” E o plano francês entrava pelo ralo.

A França, apoiada pela Bélgica, a Holanda e o BCE, queria que a crise fosse tratada com um “fundo europeu centralizado”. Esse sistema desagrada os alemães, favoráveis à “desconcentração dos poderes” na Europa. A Alemanha sempre foi contrária ao conceito francês de “governo econômico europeu”, e mais contrária ainda a um “orçamento europeu”.

Essas rixas entre os Estados europeus são muito graves, não só no âmbito financeiro como no político. É a construção européia, e, principalmente, sua mais bela conquista, a moeda comum que estão em risco. Há dez anos, quando o euro foi lançado, algumas vozes importantes disseram que ele estava condenado ao fracasso.

Por quê? Porque a carroça da moeda única tinha sido colocada à frente dos bois das instituições comuns. No entanto, o euro foi um sucesso. Ele rivalizava com o dólar e era gerido brilhantemente pelo BCE. Mas, no primeiro solavanco sério, a Europa se atrapalha. Agora que os bancos europeus se aproximam do abismo, a França e a Alemanha se desentendem e bloqueiam qualquer solução à altura do perigo.

Alguns dias atrás, os europeus zombavam dos americanos, incapazes de adotar o Plano Paulson. Hoje, a situação se inverte. O Plano Paulson está em marcha e a impotência, a cizânia, cruzaram o Atlântico.

A disputa entre Paris e Berlim é inquietante. A explosão da UE em vários clãs antagônicos é simbólica de suas fraquezas. Para além do salvamento dos bancos, é a própria construção européia que está à prova.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

22/09/2008 - 08:35h Internet grátis na rua é a cara de Berlim

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Quase 20 anos após a unificação, capital alemã busca imagem de cidade tecnológica e tem internet até nos restos do Muro

Lucas Pretti - Berlim - Caderno LINK - O Estado de São Paulo

Você olha para a frente e vê o Portão de Brandemburgo, uma das antigas entradas do reino da Prússia. Foi ali, em 1987, que o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan pediu que a Rússia desistisse da Guerra Fria: “Sr. Gorbachev, abra este portão”. História pura.

Logo atrás está o Bundestag (Parlamento) restaurado, com sua impressionante cúpula de vidro, a nova Chancelaria (governo federal) e, mais além, do outro lado do rio Spree, a Hauptbahnhof.

A construção futurista, que chama atenção pela gigantesca parede de vidro e em arco, foi inaugurada em 2006 e detém o título de maior e mais moderna estação de trem da Europa. Tudo lá dentro é transparente. É um marco da capital alemã pós-unificação (1990), que quer ser associada à modernidade.

Diante de tantos marcos do passado e do presente de Berlim, o visitante baixa os olhos e vê o resultado dessa mistura entre tradição e avanço tecnológico. Dezenas de terminais de acesso gratuito à internet estão espalhados pela cidade, alguns bem aqui, na avenida Unter den Linden.

É só tocar na tela e navegar sem fazer cadastro – pelo tempo que quiser. Nos terminais, colocados em pontos de ônibus e bondes, estações de trem e praças, é possível enviar mensagens de graça, consultar mapas e guias de shows e restaurantes. Agora, a parte “velho mundo”: não há filas nem vandalismo.

Após sucessivos traumas históricos, Berlim levou pouco tempo para mudar. O Muro foi derrubado em 1989 e, menos de 20 anos depois, as referências ao nazismo, a preconceitos de todas as ordens e à violência física, política e moral que dividia as Alemanhas são lembradas com respeito histórico em centenas de memoriais e museus. E só. Tudo o que sobra quer estar ligado à inovação e a um futuro de paz e prosperidade.

A rede de terminais de acesso gratuito à internet Bluespot (www.bluespot.de) foi instalada em 2005 pela empresa Wall AG (www.wall.de), especializada em mobiliário urbano, e conta hoje com 64 computadores em Berlim. Não cobrar pelo uso irrestrito é o que há de revolucionário no serviço, o que fez as lan houses sumirem do mapa e estimulou cibercafés como a rede Dunkin’ Donuts a oferecer redes Wi-Fi gratuitas a clientes.

Isso quando a rede sem fio já não é fornecida pela própria prefeitura. No Sony Center, moderno complexo de lojas, restaurantes, cinemas, hotéis e museus na Potsdamer Platz, é possível se conectar sem pagar nada nem obter senha. É só fazer como a garota da foto ao lado: sentar, abrir o notebook e navegar. Se quiser completar com uma cerveja alemã, há várias choperias em volta.

THE WALL
Um dia, o Muro de Berlim já foi símbolo de separação, mas a coisa mudou tanto que, hoje, a mania é se conectar, por meio do pouco que sobrou dele, a outras pessoas que vivem ou passam pela cidade. Visitantes do mundo todo vão aos resquícios da construção, na East Side Gallery, em Kreuzberg, para deixar gravados na parede e-mails ou endereços de sites e blogs.

Quem garante, porém, que os sites são verdadeiros e representam a intenção de seus autores de “falar” com outros turistas? Pois o Link enviou e-mails para a maioria dos endereços pichados e… o pessoal respondeu.

“Estive lá no ano passado, decidi escrever o e-mail por diversão e para ver se alguém me respondia. Acabei recebendo várias mensagens”, conta a estudante sueca Alma Helgesson, de 16 anos. Jovem, superconectada e impulsionada por algo que ela nem sabe o quê: é o perfil de quem deixa o e-mail no muro.

“Estou feliz que você tenha visto o meu e-mail”, respondeu a alemã Britta Adrians, de 17 anos, moradora de Hamburgo que estuda hoje na Nova Zelândia. E bombardeou este repórter com perguntas e uma simpatia incomum a alemães no contato não-virtual. Mais maduro, o designer e ilustrador espanhol Pablo Vallejo, de 33 anos, usou o Muro para divulgar seu blog yonosoytupadre.blogspot.com.

Aos poucos, numa mescla curiosa entre acaso e políticas oficiais, Berlim passa da dor cinza do passado às cores carregadas de promessas da tecnologia.

18/06/2008 - 18:21h Violência dos sentidos nas telas de Max Beckmann

Irmã e irmão

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Max Beckmann é um expresionista alemão e artista gráfico cujas obras transmitem uma visão pessimista da sociedade. Nasceu na Alemanha, em Leipzig, em 1884 e estudou na Academia de Belas Artes de Weimar; as suas primeiras obras são de estilo impressionista. A sua dramática experiência como ajudante no corpo médico durante la I Guerra Mundial, levou-o a pintar obras enérgicas e de grande dramatismo, caracterizadas por contornos muito marcados, colorido forte e violência implacável. Tal como as obras do movimento Nova Objectividade (Neue Sachlichkeit), os seus quadros expressavam uma crítica social à Alemanha do pós-guerra. Na década de 1930, Beckmann refletiu a sua consternação pela ascensão do nacional-socialismo em nove trípticos, que são gigantescas alegorias figurativas com cores estridentes, como A Partida (1932-1933, Museu de Arte Moderna, Nova Iorque). Beckmann pintou esta obra imediatamente depois que os nazis o destituíram do cargo de professor de arte na Escola de Arte Städel, de Frankfurt, por ser considerado artista degenerado. Em 1937 emigrou para Amsterdão ao saber que a sua obra iria ser exposta como arte degenerada numa exposição nazi. Em1947 mudou-se para os Estados Unidos. Entre 1947 e 1949, foi professor na Universidade Washington de Saint Louis (Missouri), lugar que abandonou para ir para Nova Iorque, onde morreu no ano seguinte. Fonte O século prodigioso

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Cristo e mulher em adultério - 1917
Óleo sobre tela

149.2 x 126.7 cm.

 

 

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Retrato de família - 1920
Óleo sobre tela
25 5/8 x 39 3/4″
Museum of Modern Art, Nova Iorque

 

 

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Ponte de ferro - 1922
Óleo sobre tela
120.5 x 84.5 cm.
Kunstsammlung Nordrhein. Dusseldorf

 

 

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Lido - 1924
Óleo sobre tela
72.5 x 90.5 cm.
St Louis Art Museum. St Louis

 

 

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Lirios Negros - 1928
Óleo sobre tela
74.9 x 41.9 cm.
Coleccão privada

 

 

 

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Quappi - 1934
Óleo sobre tela
139.5 x 59.5 cm
Museum of Modern Art, Nova Iorque

 

 

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Inferno de Pássaros - 1938
Óleo sobre tela
120 x 160 cm.
St. Louis Art Museum. St. Louis

 

 

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A tarde - 1946
Óleo sobre tela
89.5 x 133.5 cm.
Museum am Ostwall. Dortmund

 

 

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The Argonauts - 1949-50
Óleo sobre tela
Tríptico, painel central- 80 1/4 X 48″
Paineis laterais74 3/8 X 33″
Colecção privada, Nova Yorque

19/05/2008 - 13:22h A Bastilha da Alemanha

CULTURA E PENSAMENTO
 

Hegel e o imperador

História por Voltaire Schilling

Virou lugar comum dizer-se de que enquanto a Royal Navy garantia aos ingleses a soberania sobre os mares, e o Grand Armée de Napoleão assegurava aos franceses o usufruto de inúmeros territórios da Europa continental, os alemães, graças aos seus pensadores, reservaram para si a conquista dos céus, cabendo a eles tomar posse do “reino das abstrações e das generalidades”.

Nada mais evidente disso que o fato da famosa exposição da dialética hegeliana, nascida nos albores do século XIX, ter vindo à luz justamente no momento em que os clarões e os estrondos da artilharia de Napoleão se faziam ver e ouvir ao longe, na batalha de Iena, travada em 14 de outubro de 1806. Os canhões do imperador invasor anunciavam, sem o saber, a tomada de assalto do mundo das idéias feito pela filosofia germânica.

Napoleão em Iena

G.W.F. Hegel (1770-1831)

Enquanto a terra tremia e o ar era abalado pelas cargas dos franceses, George Wilhelm Friedrich Hegel, sentando à mesa do seu gabinete em Iena, preenchia as páginas finais do que pensava ser o seu gigantesco sistema de filosofia, cujas folhas derradeiras ele teve que esconder rapidamente no seu bolso quando os soldados franceses invadiam a sua moradia. A campanha de Napoleão fora fulminante. Uns meses antes dele marchar sobre a Turíngia, onde iria enfrentar os prussianos, ele esmagara uma impressionante coligação de forças austro-russas que se aliaram contra ele. Justamente no dia em que ele celebrava um ano da sua coroação, ocorrida em 2 de dezembro de 1804, na catedral de Notre Dame de Paris, as águias imperais, vitoriosas, voaram sobre as carcaças dos inimigos derrotados em Austerlitz, considerada a obra-prima das batalhas napoleônicas.

Pois justamente quando os dois imperadores Alexandre I da Rússia e Francisco II da Áustria, foram derrotados, a Prússia, então sozinha, num desatino total, resolveu entrar na guerra contra Napoleão.
Antes que as tropas de Frederico Guilherme III pudessem manobrar com algum eficácia contra os franceses, Napoleão fez uma impressionante marcha forçada sobre os prussianos e os derrotou numa só grande batalha, travada entre os dias 10 e 14 de outubro de 1806, dividida em dois combates, um nas proximidades de Iena mesmo e o outro um mais além, no norte da Turíngia, em Auerstadt.

Em apenas três semanas, descartando-se e humilhando o outrora todo-poderoso exército de Frederico, o Grande, Napoleão entrou em Berlim no dia 27 de outubro de 1806. A filosofia, percebeu Hegel mais do que qualquer outro pensador daquela época, não podia ignorar aquilo, não devia negar-se a enfrentar os efeitos daquele choque de realidade (como ele concluiu certa vez, “uma grande figura condena os homens a explicá-la”). Muitos anos depois, o pensador marxista Franz Mehring, igualmente meditando sobre o significado daquela batalha, classificou-a como a “Bastilha da Alemanha”, isto é o momento de inflexão histórica que assinalou o declínio do feudalismo nas terras da velha Germânia.

Hegel em Iena

A batalha de Iena, a Bastilha da Alemanha feudal, outubro de 1806

Hegel mudara-se de Frankfurt para lá cinco anos antes, em janeiro de 1801. Inscrevera-se para conseguir a sua Habilitação no curso do outono atraído pela fama e pelo bom nome da instituição. Desde que o Duque Carlos Augusto encarregara Goethe de assumir o patronato da Universidade de Iena, em 1785, a situação dela se modificara para melhor. Não que a universidade fosse obscura – diziam-na “o tesouro do conhecimento”-, mas evidentemente não tinha a resplandecência que passou a ter. Ela obtivera sua autorização confirmada pelo imperador Ferdinando II em 1558, tornando-se, com a designação de Jena Hohe Schule, inicialmente um centro de formação de teólogos e de clérigos protestantes (carreira aliás que o jovem Hegel, por instância do pai, tentou seguir), mas foi pelas mãos de Goethe que ela atingiu proeminência, tornado-se um chamariz para os artistas e intelectuais alemães do século XVIII-XIX.

O filósofo Fichte e o poeta Schiller foram professores lá, enquanto que os seguidores dos irmãos Schlegel, afamados críticos literários, tais como o poeta Novalis, o novelista Clemens Brentano e o dramaturgo Ludwig Tieck, que lá se estabeleceram entre 1796-1801, associaram-na ao seu movimento chamado de Kreis der Frühromantiker, o Círculo dos Primeiro Românticos. Por conseguinte, quando Hegel deu inicio a redação da Phänomenologie des Geistes (Fenomenologia do Espírito), obra filosófica que o deixou famoso em toda a Alemanha quase que da noite para o dia ao ser publicada em 1807, ele estava estimulado pelo ambiente intelectualmente efervescente que cercava aquela Universidade. Era o espírito de Goethe que, ainda que vivendo em Weimar, não muito distante de Iena, pairava olimpicamente sobre todos eles, servindo-lhes como uma emulação permanente. Espirito esse que foi reforçado ainda mais pela presença cada vez maior da personalidade de Napoleão, cujas vitórias militares impressionavam a todos.

30/04/2008 - 23:44h Arte brasileira está ‘rumo à vanguarda mundial’

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BBC Brasil

Em sua edição online, a renomada revista alemã “Der Spiegel” diz que a arte brasileira está conquistando os mercados internacionais.

O artigo afirma que principalmente a arte produzida em São Paulo está sendo descoberta por colecionadores europeus e americanos e cita o sucesso da feira SP Arte como prova desse interesse.

O texto com a manchete “Arte do Brasil em rumo à vanguarda mundial” chega a dizer que o bairro da Barra Funda poderá ser o novo “Chelsea” brasileiro, em uma referência ao bairro nova-iorquino que abriga muitas galerias.

“Depois de ter sido subestimada por muito tempo, a arte brasileira está sendo finalmente descoberta”, afirma o artigo.

Os jornalistas Nicoele Buesing e Heiko Klaas dizem que cada vez mais pinturas e instalações de artistas brasileiros são compradas por galerias e museus na Europa e nos Estados Unidos.

Segundo eles, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA), o Centro de Arte Rainha Sofia em Madri e o museu Tate de Londres estão entre os compradores mais ávidos.

Tanto obras contemporâneas como clássicos do passado estão em alta demanda no mercado internacional, diz o texto, que cita artistas como Alfredo Volpi, Lyigia Clark, Helio Oiticica e Mira Schendel.

“Os preços das obras alcançam facilmente a casa dos US$ 100 mil, que são pagos até mesmo por pequenas pinturas a guache”, diz a “Spiegel“.

Milagre paulista

O meio artístico paulistano está passando por uma fase de muita euforia e sucesso, afirma a “Spiegel“, que chama o fato de “o milagre de São Paulo”.

O artigo aponta para o fato de que o número de galerias tem crescido na cidade, e que a feira Arte SP se tornou em poucos anos um evento de peso no cenário artístico nacional com cerca de onze mil visitantes.

Os autores citam a dona da Galeria Vermelho, Eliana Finkelstein, que diz que recebe a visita de “muitos curadores europeus e americanos”.

A revista “Der Spiegel” é a mais lida da Alemanha com mais de 1 milhão de exemplares, e o Spiegel Online é o portal de notícias mais popular do país.

07/04/2008 - 13:27h Terrorismo à européia

 O FILTRO - Thomas Trauman - Época

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Está em curso uma fortíssima campanha contra os biocombustíveis que, ao final, vai atingir o Brasil. Na semana passada, a revista americana Time e o jornal britânico The Guardian lideraram essa campanha com textos que disseminavam confusão, desinformação e má-fé para concluir que os biocombustíveis são a nova ameaça ao futuro da humanidade. O alvo central parece ser o etanol à base de milho produzido nos Estados Unidos, mas em poucos parágrafos a imprensa gringa conclui que a cana-de-açúcar está empurrando a soja para a Amazônia e destruindo a floresta. É uma bobagem sem tamanho (a ameaça real sobre a Amazônia é do gado e da madeira, o resto é conversa), mas os interesses por trás dessa campanha são reais. Na semana passada, a Alemanha voltou atrás na decisão de dobrar para 10% a mistura de etanol à gasolina. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, acusou o Brasil e os EUA de dumping de biocombustíveis. Em março, o Reino Unido retirou o financiamento a um programa de etanol, relata o Valor. Uma preocupação emergencial dos europeus com o futuro da humanidade? Infelizmente, não. A Europa – Alemanha à frente – lidera a produção mundial de biodiesel e teme que o fim das tarifas de proteção abrirá as comportas para a produção tanto do Brasil quanto dos EUA. Com essa gritaria toda, podem, por exemplo, também convencer o Japão a adiar seus planos de aumentar o uso de etanol. É a mesma tática usada pelo lobby dos fazendeiros britânicos contra a carne brasileira. Diziam defender a saúde dos consumidores, obtinham espaço na imprensa para falar sobre as péssimas condições sanitárias brasileiras, para, na realidade, conseguir monopólio do mercado. Esse é o jogo do ecoterrorismo europeu.

Por Thomas Traumann

11/03/2008 - 09:00h Susto na China, tostex no EUA

De olho na China

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Comércio chinês leva tombo por motivos “sazonais”, mas crise ainda não abateu nível de transações na Ásia e na Europa

VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de São Paulo

OS EUA derretem em banho-maria, e seus bancos estão no tostex, alguns já cheirando a queimado, como o Bear Stearns, ora candidato a se tornar um banco árabe, chinês, cingapuriano ou, talvez, um pouco disso tudo. Faltaria apenas um colapso comercial chinês para a gente colocar, além das barbas, a cabeça inteira de molho.

Ontem saiu a notícia aparentemente assustadora de uma inopinada e forte queda do superávit comercial mensal da China, para US$ 8,5 bilhões em fevereiro. A média trimestral até janeiro era de quase US$ 23 bilhões. O volume de comércio, importações e exportações somados, caiu de quase US$ 200 bilhões em janeiro para US$ 166 bilhões.

Mas tanto o comércio exterior da China como o da Europa ainda vão bem das pernas. Como no Brasil, apesar da míngua do superávit.

O tombo de fevereiro está “fora da curva” da tendência do comércio chinês, dado o seu tamanho. A crise bateu na China? Sim, um tico. Mais importante, se o volume de comércio continuar a crescer, como está crescendo no acumulado de 12 meses, não importa se com superávit comercial menor, o mundo continua agradecendo. Fevereiro de 2007 contra fevereiro de 2006, as importações chinesas cresceram 31% -não parece ainda sinal de derrocada econômica.

Um sinal interessante do balanço de fevereiro foi o comércio com os EUA. As exportações chinesas caíram 5%, mas os americanos venderam 33% mais para a China. Em 2007, a América do Norte levou 20,7% das exportações chinesas e 8,4% das importações. Se o reequilíbrio do comércio bilateral se der por meio do estímulo à economia dos EUA, melhor. Lembrete: a China teve superávit de US$ 262 bilhões com o resto do mundo, exportando US$ 1,2 trilhão em 2007, umas oito vezes mais que o Brasil.

Ontem a Alemanha anunciou que suas exportações continuaram a crescer, acima das expectativas, mesmo com euro forte e com a queda do comércio com os EUA. As exportações alemãs em janeiro cresceram 12% para fora da Europa e 7,7% no continente. Em 2007, as vendas para os EUA caíram 6%, mas subiram 9% para a China e 21% para a Rússia. Até a França exportou mais.

Mas o que ocorreu na China de fevereiro? Houve um tremendo tumulto climático neste início do ano do rato. Tempestades de neve pararam indústrias e transportes. Faltou carvão. Houve um feriadão de Ano Novo. O preço das commodities, das quais a China é consumidora voraz, continuou a disparar. Isso parece um pouco explicação brasileira para quando as coisas vão mal. Mas faz sentido, e os mais entendidos em China dizem que o grosso do problema foi esse mesmo. Por ora.

Talvez mais importante, desde o ano passado, os chineses decidiram frear exportações e dirigir parte do investimento de suas empresas para fora do país. Querem evitar o superaquecimento da economia e assim conter a inflação, além de aumentar o consumo de seus cidadãos importando também mais. Cancelaram isenções fiscais de exportações e taxaram algumas delas.

Mas os dados são apenas de um bimestre, um sexto do ano. A lenta mas progressiva crise americana ainda não disse a que veio.

vinit@uol.com.br

15/11/2007 - 06:56h Millones de viajeros afectados por huelga de Alemania

Es la mayor huelga ferroviaria en la historia de Alemania.- El sindicato de conductores de locomotora exige una subida salarial que podría llegar al 31%

EFE - Berlín - El País

Millones de viajeros se están viendo afectados por la mayor huelga ferroviaria en la historia de Alemania, protagonizada por el sindicato de maquinistas GDL, que, tras paralizar casi por completo el transporte de mercancías, esta madrugada inició paros masivos en el transporte público.

El GDL ha iniciado la suspensión mayoritaria del transporte de pasajeros en las líneas de cercanías, regionales y larga distancia de Deutsche Bahn, los ferrocarriles alemanes. La huelga afecta especialmente al este de Alemania, donde se calcula que sólo circula un 10% de los tres de pasajeros regionales, mientras en las grandes urbes como Berlín se ha pasado de 5 a 20 e incluso 40 minutos la frecuencia de la circulación de las líneas de cercanías.

En el occidente del país la situación parece ser menos dramática, ya que la dirección de Deutsche Bahn calcula que circulan el 50% de los convoyes regionales y de cercanías y el 60% de los trenes de largo recorrido.

48 horas de huelga

En la práctica estos datos no parecen confirmarse, ya que, muchos de los trenes que debían circular dentro del plan de servicios mínimos y emergencia elaborado no funcionan, y pasajeros que contaban con que su tren circulase se han encontrado con la sorpresa de que esto no es así. La huelga en el transporte de pasajeros de los ferrocarriles

alemanes tiene previsto prolongarse 48 horas y finalizar a las 02.00 del sábado (01.00 GMT) a la vez que la del transporte de mercancías, que comenzó catorce horas antes.

El sindicato GDL se ha mostrado satisfecho con el desarrollo de la huelga y ha señalado que en las ocho primeras horas de paros, cuando estos sólo afectaban al transporte de mercancías, pararon más de 550 maquinistas en toda Alemania. Dicho sindicato exige la elaboración de un convenio para los maquinistas independiente del resto del personal de Deutsche Bahn y sustanciales subidas salariales de hasta un 30%, así como el pago de una cuantiosa prima única.

Las negociaciones entre el sindicato y la dirección de los ferrocarriles germanos se encuentran paralizadas desde hace más de diez días, ya que el primero exige una nueva oferta del segundo para volver a la mesa de conversaciones, mientras la empresa asegura que no se dejará chantajear por una minoría del personal ferroviario.

25/10/2007 - 14:24h Les sociaux-démocrates allemands se rééquilibrent à gauche

Des drapeaux avec le logo du parti social-démocrate allemand (SPD) à Bochum (Allemagne), en janvier 2002. | AFP/SEBASTIAN WILLNOW
AFP/SEBASTIAN WILLNOW

Des drapeaux avec le logo du parti social-démocrate allemand (SPD)
à Bochum (Allemagne), en janvier 2002.

Le Parti social-démocrate allemand est-il à l’image d’une épave à la dérive sur une mer tumultueuse ? La couverture de la dernière édition du magazine Der Spiegel témoigne du climat d’incertitude qui règne au sein du SPD alors que ses membres se réunissent en congrès à Hambourg à partir de vendredi 26 octobre.

A la traîne dans les sondages - il stagne à moins de 30 % depuis des mois -, le parti est pris en tenaille entre les unions chrétiennes CDU-CSU, ses partenaires au gouvernement, et le nouveau parti d’opposition Die Linke. A droite, les chrétiens-démocrates lui volent la vedette sur des sujets aussi porteurs que la famille ou l’environnement et profitent de l’aura internationale qui continue d’entourer la chancelière Angela Merkel (CDU). A gauche, le SPD se voit court-circuité sur les thèmes de la justice sociale par Die Linke.

Pour reprendre l’offensive dans la perspective des élections de 2009, Kurt Beck, président du SPD et ministre-président de Rhénanie-Palatinat, cherche à renouer avec l’électorat de gauche. Le nouveau programme, qui doit être adopté lors du congrès, met l’accent sur les références au “socialisme démocratique” et à “l’Etat social prévoyant”.

Autre concession faite à l’aile gauche du parti, l’arrivée d’Andrea Nahles à la tête du SPD. Après avoir été une farouche adversaire de l’ex-chancelier Gerhard Schröder et avoir provoqué le départ anticipé de Franz Müntefering de la présidence du parti en novembre 2005, elle doit être élue vice-présidente en même temps que Frank-Walter Steinmeier, ministre des affaires étrangères, la cheville ouvrière des réformes lorsqu’il était le bras droit de M. Schröder à la chancellerie.

Dans ce droit-fil, M. Beck souhaite revenir sur l’une des mesures phares du programme de l’agenda 2010, hérité de l’ère Schröder, et va soumettre aux délégués une proposition qui vise à allonger la durée de versement de l’allocation chômage pour les plus de 45 ans, réduite à 12 mois sous la coalition SPD- Verts.

Soutenue par la base et l’aile gauche du parti, cette stratégie a donné lieu à un bras de fer avec M. Müntefering, vice-chancelier et ministre du travail. Pour éviter un conflit lors du congrès, ce dernier a expliqué la semaine dernière qu’il allait se plier à la volonté du parti.

Ses autres collègues au gouvernement, le ministre des finances, Peer Steinbrück, ou M. Steinmeier, sont tout aussi sceptiques, mais évitent de contredire M. Beck. Ils savent qu’il faut apaiser la base du parti très remontée contre l’agenda 2010 et répondre à l’aspiration d’une plus grande justice sociale au sein de la population. Si l’économie allemande a pu profiter des réformes initiées par le SPD, elles lui ont beaucoup coûté en terme d’image. Entre 1998, date de l’élection de Gerhard Schröder à la chancellerie et 2007, le nombre d’adhérents a chuté de 775 036 à 545 223 personnes.

Aussi, la proposition de M. Beck devrait être adoptée à une large majorité. Pour le politologue Richard Stöss, professeur à l’Université libre de Berlin, plus qu’un revirement à gauche, la stratégie du SPD se veut être un rééquilibrage par rapport à 1998, lorsque M. Schröder avait fait campagne sur le thème de l’innovation et de l’équité. Ce deuxième aspect avait disparu après le départ d’Oskar Lafontaine, aujourd’hui président de Die Linke, et l’adoption de l’agenda 2010.

Reste à savoir si cette réorientation portera ses fruits. Des élections régionales fin janvier en Basse-Saxe, en Hesse et à Hambourg serviront de test. A plus long terme, cette stratégie pourrait permettre au SPD de former une coalition avec Die Linke même si, officiellement, la direction du parti continue de l’exclure.

En dehors de la politique sociale, d’autres sujets promettent de donner lieu à des débats enflammés. Conduit par le ministre social-démocrate Wolfgang Tiefensee, le projet de privatisation partielle de la Deutsche Bahn, la société allemande des chemins de fer, heurte de nombreux sociaux-démocrates. Beaucoup craignent que l’entreprise publique devienne la proie d’investisseurs mal intentionnés. Là encore, M. Beck devrait imposer ses vues en proposant, pour 25,1 % du capital de l’entreprise, l’émission d’actions populaires, dépourvues d’un droit de vote. M. Steinbrück est opposé à cette motion, craignant qu’elle tienne les investisseurs à distance.

En politique étrangère, c’est la participation à l’opération de lutte antiterroriste “enduring freedom” (liberté immuable) (OEF) dirigée par les Etats-Unis qui suscite la controverse. Le ministre des affaires étrangères aura la délicate mission de défendre cet engagement.

Cécile Calla pour Le Monde

09/10/2007 - 19:28h El SPD alemán, en caída libre

Kurt Beck, lider do SPD

JOSÉ COMAS - Berlín - El País

 

 

 

 

 

El Partido Socialdemócrata de Alemania (SPD), que a finales del mes de octubre celebrará un importante congreso en Hamburgo para renovar sus dirigentes y el programa, sigue hundido en los sondeos de intención de voto. Al mismo tiempo, el SPD atraviesa una crisis de liderazgo que deja en entredicho a su presidente, el primer ministro de Renania-Palatinado, Kurt Beck, de 58 años, y además se abre una profunda división sobre la línea que debe seguir el partido. En vísperas del congreso de Hamburgo, los socialdemócratas alemanes discuten sobre si avanzar en el programa de recortes sociales Agenda 2010, iniciado por el canciller Gerhard Schröder en el gobierno, o dar marcha atrás para recuperar el voto de la izquierda y a los descontentos.

El presidente del SPD no pudo aguantar más. Indignado por el fuego amigo y las emboscadas de algunos de sus compañeros de partido, Beck dio un puñetazo en la mesa en una reunión de la presidencia en Berlín y pronunció una frase que hizo las delicias de la prensa y ocupó los titulares: “No estoy dispuesto a soportar esta mierda por más tiempo”. Beck tiene una apariencia apacible, de gordo bueno, pero la permanente puesta en tela de juicio desde sus propias filas de su capacidad para dirigir el SPD le agotó la paciencia. En posteriores entrevistas Beck explicó el motivo de su exabrupto: “Alguna gente de tercera o cuarta fila que se esconde tras los arbustos y dice cosas más o menos inteligentes, pero irresponsables. No voy a tolerar que se entorpezca el trabajo de construcción en el que estamos empeñados”.

Lo de tercera o cuarta fila es un eufemismo. Beck podía haber pronunciado con más propiedad la histórica frase “el enemigo está dentro”, incluso en la primera línea del SPD. Apenas un par de días antes de la bronca de Beck dos de sus futuros vicepresidentes, el ministro de Exteriores, Frank Steinmeier, de 51 años, y el de Hacienda, Peer Steinbrück, de 60, que saldrán elegidos en el congreso de Hamburgo, más su antecesor en el cargo de presidente del SPD, el primer ministro de Brandeburgo, Matthias Platzeck, de 53 años, presentaron en la sede del partido en Berlín un libro con el título A la altura de los tiempos. Llamó la atención la ausencia de Beck en un acto que congregó a los primeros espadas del partido y que no figurase entre los autores de un libro que contiene una propuesta programática que consiste en continuar la línea trazada por el Gobierno de Schröder con la Agenda 2010 de recortes sociales para sanear las cuentas públicas y la Seguridad Social.

La izquierda del SPD, representada por la futura vicepresidenta Andrea Nahles, de 37 años, y el diputado Ottmar Schreiner, de 61, se oponen a las propuestas del trío Steinbrück-Steinmeier-Platzeck. Sostiene Schreiner la necesidad de corregir las reformas que introdujo el canciller Schröder: “Tenemos que mirar adelante y si algo salió mal hay que tener el valor de corregirlo”. El deslenguado ministro de Hacienda Steinbrück calificó de “llorones” a los que se oponen a llevar adelante el programa de recortes que, según sus defensores en el SPD e incluso sectores de los socios de gran coalición democristianos (CDU / CSU), ha sentado las bases de la actual recuperación económica.

En esta división en las filas socialdemócratas, Beck ha optado por situarse al lado de la izquierda del SPD y ha propuesto modificaciones en la Agenda 2010 tales como aumentar el periodo de percepción del seguro de desempleo. No se sabe si cuando Beck llamó la atención sobre los que le disparaban escondidos tras los arbustos pensaba en el vicecanciller y ministro de Trabajo, Franz Müntefering, de 67 años. Este veterano político ex presidente del partido salió al paso de las propuestas de Beck y afirmó que no se puede dar marcha atrás en las reformas. El enfrentamiento entre estos dos pesos pesados, Beck y Müntefering, es el tercero en poco tiempo. A la propuesta de Beck de que ha de intentarse la prohibición del neonazi Partido Nacional Democrático (NPD) se opuso Müntefering. Cuando Beck dijo que el SPD nunca formaría coalición en el oeste de Alemania con el partido La Izquierda, Müntefering replicó que esa decisión corresponde a los dirigentes de cada land y no a la dirección federal del partido.

Todas estas divisiones socavan el liderazgo del presidente del partido, que sigue refugiado en su gobierno de Renania-Palatinado, a 700 kilómetros de Berlín, donde se cuecen las decisiones políticas. La ausencia de Beck deja un vacío que ocupan sus potenciales competidores con declaraciones que evidencian la división existente y la falta de un rumbo claro en la socialdemocracia.

Esta situación tiene reflejo en los sondeos de intención de voto. Los más recientes dejan al SPD en torno a un 25%, casi 15 puntos menos que los democristianos (CDU / CSU), que acarician el 40%. Más de un 70% aprueba la gestión de la canciller democristiana, Angela Merkel. En un enfrentamiento electoral simulado, Merkel arrollaría a Beck, que ni siquiera ganaría la votación entre los que se declaran simpatizantes del SPD.

Con un líder en tela de juicio y sin rumbo programático, el SPD celebrará a final de mes un congreso que deberá elegir la nueva dirección. La suerte de Beck es la ausencia de alternativa. Tal vez porque en el SPD nadie está por la labor de quemarse en lo que parece una derrota anunciada en las elecciones de 2009, aunque hasta entonces las cosas pueden dar muchas vueltas. La socialdemocracia alemana está en crisis y a punto de perder por la izquierda una vez más en su historia los votos y la adhesión de los jóvenes. En los ochenta la aparición del partido ecopacifista Los Verdes supuso una enorme sangría de votos y militantes a la izquierda del SPD.

Ahora esto podría repetirse con la irrupción de La Izquierda, el partido formado por los poscomunistas del Este y los socialdemócratas decepcionados del oeste. Los últimos sondeos dan a La Izquierda una intención de voto del 12%, que se produce a costa del SPD. Un dato pone de manifiesto el envejecimiento del SPD, además de la caída vertiginosa de afiliados. La media de edad de sus militantes ronda los 58 años.

10/09/2007 - 19:01h Apresentadora alemã é demitida por defender política de Hitler

Eva Herman disse que durante o regime nazista se dava mais valor à família.

Marcelo Crescenti - BBC

De Frankfurt - A apresentadora do noticiário mais popular da televisão alemã foi demitida sumariamente depois de elogiar a política de Hitler quanto às famílias.

Eva Herman disse em uma entrevista coletiva que “nem tudo foi ruim no Terceiro Reich”, e que durante o regime nazista se dava mais valor à família e aos pais.

Herman era uma das apresentadoras do telejornal Tagesschau do canal ARD, o mais importante da Alemanha, e de vários talk shows.

Depois de elogiar a política de Hitler quanto às famílias ela disse que “é claro que essa foi uma época cruel, e que Hitler era um tirano que levou o povo alemão ao abismo.”

Eva Herman fez sua declaração polêmica durante a apresentação de um novo livro em que trata da imagem atual da família.

Ela foi demitida sumariamente pelos canais NDR e ARD, para os quais trabalhava, e foi duramente criticada pela imprensa alemã.

A apresentadora se defendeu dizendo que foi mal-entendida e que “quem me conhece sabe que eu não apoio movimentos extremistas nem de direita nem de esquerda.”

Herman já tinha causado polêmica ao apresentar seu primeiro livro no ano passado, Das Eva-Prinzip (”O príncipio Eva”, em tradução livre), com teses antifeministas.

A apresentadora defende o retorno da mulher à posição de mãe e dona-de-casa para “estabilizar a família”.

No entanto, a própria Herman fez carreira na TV e como autora de livros e se casou quatro vezes. Ela tem um filho. BBC Brasil

06/06/2007 - 15:39h Una carta desde Heiligendamm, sede de la G8

Un grupo de artistas ya plantaron su campamento sofisticado en Heiligendamm, Alemania, y evidentemente la elección no es casual.

Este año le toca a Alemania, y en Heiligendamm, ser la anfitriona del summit de la G8, donde como cada año, los dirigentes de los ocho países más ricos y poderosos del mundo se reúnen para discutir las cuestiones que ellos deciden que son las más importantes en la vida de hoy.

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Del 6 al 8 de junio, Angela Merkel, canciller alemana e inefable anfitriona de la reunión, presidirá una discusión de tres jornadas sobre pobreza y África, salud, paz y seguridad en el mundo, y la crisis a la que todos nos enfrentamos por el cambio climático. No es un chiste.

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