30/09/2008 - 08:58h PSDB nega, mas negociação com DEM para 2º turno prossegue

http://www.contraovento.blogger.com.br/acorte%20de%20tucanos.JPG

Informação provocou mal-estar na campanha de Alckmin por passar idéia de que tucanos teriam ”jogado a toalha”

Ana Paula Scinocca e Marcelo de Moraes - O Estado de São Paulo

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), confirmou que desde o início da campanha conversa abertamente com dirigentes do PSDB sobre a formação de aliança no segundo turno para tentar impedir a vitória da petista Marta Suplicy em São Paulo. Ontem, o Estado revelou que dirigentes tucanos, como o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), já discutem a articulação que reúna os dois partidos na segunda etapa da disputa. Essas conversas, feitas com líderes do DEM, como o ex-senador Jorge Bornhausen e o próprio Maia, incluem a possibilidade de acordo em torno do prefeito Gilberto Kassab (DEM), diante de sua vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin, indicada pelas pesquisas de intenção de voto.

link Enquete: Quem ganha com briga Kassab-Alckmin?

A informação provocou mal-estar na campanha de Alckmin por passar a idéia de que dirigentes nacionais teriam “jogado a toalha”, duvidando de sua vitória. Por conta disso, os tucanos aliados de Alckmin passaram o dia tentando negar a articulação, planejada para ser anunciada logo depois do primeiro turno.

Sérgio Guerra chegou a divulgar nota oficial ontem para dizer que essa negociação não estava sendo feita. “Não há e não houve conversa com o ex-senador Jorge Bornhausen com vistas às eleições de São Paulo. O PSDB só trabalha com uma hipótese: o candidato do partido, Geraldo Alckmin, estará no segundo turno.”

Ao Estado, o presidente nacional do PSDB reafirmou o que escrevera na nota e confirmou que tem conversado sistematicamente com Rodrigo Maia, mas “nunca sobre segundo turno”.

“Na semana passada mesmo, conversamos e ele até reclamou da troca de farpas entre Alckmin e Kassab. Mas nunca falamos de segundo turno”, disse. “Nacionalmente, o partido está fora da eleição de São Paulo.”

E tem estado mesmo fora. Alckmin tem feito a campanha com o PSDB dividido entre ele e Kassab. Freqüentemente, o tucano tem se queixado a amigos do “abandono” e se diz amparado apenas pela mulher, Lu Alckmin, e pela filha Sophia.

ADVERSÁRIO COMUM

Para os dirigentes do DEM, a discussão sobre o acordo no segundo turno é “natural”, já que os dois partidos são aliados nacionais e regionais, enquanto a candidatura petista representa o governo federal, adversário comum para as duas legendas. Maia lembra que uma eventual vitória de Marta sobre Kassab ou Alckmin seria muito ruim para os dois partidos, que perderiam o controle da maior cidade do País.

“Acho que Kassab estará no segundo turno e não tenho dúvida de que receberá o apoio de todo o PSDB. Até porque não conheço um político do DEM ou do PSDB que prefira apoiar Marta em vez de ficar do lado do Kassab ou do Alckmin”, disse Maia. “Seria um tiro no pé não acontecer esse apoio. É claro que aquele que for para o segundo turno terá a ajuda dos dois partidos. É uma coisa lógica. DEM e PSDB sabem que a vitória de Marta representa um problema para ambos.”

Sobre as conversas com os tucanos, o presidente do DEM disse que nunca deixou de falar com regularidade com Sérgio Guerra. “Claro que conversamos sempre. E é claro que vai haver uma convergência dos dois partidos no segundo turno.”

O prefeito do Rio, César Maia, pai de Rodrigo Maia, concorda que os dois partidos estarão juntos no palanque do segundo turno. E avalia que os eleitores dos dois candidatos também se reunirão em torno daquele que ficar incumbido de enfrentar Marta. Acha até que isso independe de Alckmin decidir apoiar ou não Kassab no segundo turno.

“Nenhum de nós conduz nossos eleitores como desejaríamos. Quem confronta o PT e influencia seu eleitor não tem como impedir que o eleitor coerentemente vá contra o PT”, afirmou César Maia.

Para o prefeito do Rio, a votação em São Paulo representa uma “eleição binária”, com dois lados claramente definidos. “O eleitor, numa eleição binária, não vota a favor de seu antípoda. Portanto, no segundo turno, essa será a tendência: eleitores do Kassab, mais eleitores do Alckmin com Kassab”, apostou.

Até petistas ficaram surpresos com o movimento tucano na reta final da campanha. Em seu blog, Luiz Favre, marido de Marta Suplicy, comparou o gesto a uma “punhalada”. “Bem na contramão das afirmações do candidato tucano, os dirigentes nacionais do PSDB, com FHC na cabeça, afirmam em alto e bom som que o demo Kassab é tão tucano quanto. Isto, a seis dias do primeiro turno, enquanto as pesquisas indicam uma disputa acirrada entre Alckmin e Kassab, é uma verdadeira facada pelas costas em Geraldo Alckmin”, escreveu Favre.

09/09/2008 - 10:32h Katia Abreu (DEM-Tocantins) é opção para compor chapa com PSDB em 2010. PT lidera em Palmas

estrela_sobe4.jpgkatiaabreu.jpg

Katia Abreu, senadora DEM do Tocantins mira 2010, mas na capital do Estado é PT que lidera

Raquel Ulhôa - VALOR

Em Palmas, prefeito petista lidera disputa com 35% das intenções de voto
De Palmas (TO)

Com 35% das intenções de voto, o prefeito licenciado Raul Filho, do PT, lidera a disputa pela Prefeitura de Palmas, capital do Tocantins, segundo pesquisa realizada pelo Ibope entre os dias 2 e 4 de setembro. A candidata do DEM, a ex-prefeita Nilmar Ruiz, que em agosto aparecia em primeiro lugar em duas rodadas da pesquisa Serpes, encomendadas pelo Jornal do Tocantins, aparece em terceiro lugar, com 22%, atrás do petista e do deputado estadual Marcelo Lelis (PV), que tem 27%.

Lelis é candidato da coligação integrada pelo PSDB do ex-governador Siqueira Campos, que o apóia à distância, sem participação ativa. Defensor da criação do Estado do Tocantins quando deputado federal por Goiás, Siqueira está afastado do cenário político desde 2006, quando perdeu a eleição de governador - cargo que ocupou por três vezes - para Marcelo Miranda (PMDB).

Até hoje, dedica-se à contestação judicial da eleição de Miranda, por uso da máquina na campanha. Siqueira anunciou que ficaria distante da campanha de Lelis, embora o apóie, porque sua prioridade é o Recurso Contra a Expedição de Diploma (RCED) do governador. Em 2006, além de sua derrota pessoal, o ex-governador também viu o filho, o ex-senador Eduardo Siqueira Campos, ser derrotado para o Senado pela senadora Kátia Abreu (DEM), ex-aliada política.

Por enquanto, a senadora tem se dedicado mais à campanha no interior. E vê preocupada a queda de Nilmar nas pesquisas. Pretende dedicar mais tempo à capital. Nilmar aparece com maior índice de rejeição (30%). Sem fatos políticos que justifiquem a queda, analistas atribuem a rejeição ao programa eleitoral gratuito.

Um dos problemas foi a ambigüidade em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. O Democratas faz oposição radical ao petista, mas o programa de Nilmar usava a imagem de Lula, anunciando suposto acordo entre ele e a candidata, pela governabilidade da capital. A Justiça Eleitoral proibiu a candidata de veicular propaganda eleitoral com imagem de Lula.

O prefeito licenciado Raul Filho tem a segunda maior rejeição (26%), mas, aparentemente, não teve sua candidatura abalada com as denúncias publicadas pelo jornal “Correio Braziliense” de irregularidades apontadas pela Polícia Federal em licitação.

Segundo o Correio, a PF suspeita que o prefeito licenciado, em troca de um aparelho de ginástica de R$ 9 mil, agiu para favorecer o consórcio Prefisan/Compav numa obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O prefeito petista negou irregularidades e disse que o equipamento foi comprado numa transação normal. (RU)

Senadora é opção do DEM para compor chapa presidencial com PSDB
De Palmas (TO)

Por onde tem andado no interior do Tocantins nesta campanha municipal, a senadora Kátia Abreu (DEM) é lançada a candidata a governadora em 2010. Ela ouve, agradece e fica quieta. Prefere aguardar o resultado das eleições de 2008, para que seu futuro político seja analisado a partir do número de votos que seu partido obtiver nacionalmente.

Apesar da baixa densidade eleitoral do seu Estado (926,7 mil eleitores, o que representa 0,71% do eleitorado nacional e quarto menor colégio eleitoral do país), seu nome é citado como uma das opções do DEM em caso de candidatura própria a presidente da República ou a vice-presidente, numa coligação com o PSDB - nesse caso, se o candidato for o governador de São Paulo, José Serra. A aliança preferencial do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, caso seja ele o candidato, acredita-se, é com o PMDB.

“Se eu fosse vice do Serra, eu levantaria os produtores do Brasil todo. Virariam militantes”, diz Kátia, sobrevoando o rio Tocantins, entre um município e outro visitado no fim-de-semana. Se depender dos seus aliados no Estado, o destino de Kátia - primeira senadora mulher do Tocantins - será mesmo a eleição para o governo estadual.

“Kátia não tem opção. O povo do Estado só abre mão dela se for para presidente da República. Ela é empreendedora, ousada. Vai atrair investidores para o Tocantins”, afirmou a prefeita do Brejinho de Nazaré (100 Km de Palmas), Miyuki Hyashida, no sábado, em sua casa.

Candidata à reeleição com mais de 70% de aprovação no município e presidente da Comissão de Piscicultura da CNA, Miyuki, Kátia e o presidente do Democratas no Estado, o deputado federal João Oliveira, acabavam de voltar de uma atividade de campanha em uma comunidade quilombola da cidade. A senadora discursou em cima de caminhão, dançou forró e sússia (dança folclórica de origem africana) e, na casa de um morador, comeu arroz, feijão e frango - com muita pimenta.

Brejinho de Nazaré foi o terceiro dos 12 municípios do Tocantins visitados por Kátia entre a noite de quinta, dia 4, até domingo, 7. Quase sempre acompanhada do presidente do DEM estadual. O partido tem 23 dos 139 prefeitos do Estado e quer eleger 35. Como ex-presidente do DEM do Tocantins e sua principal liderança, Kátia planeja visitar até a eleição quase todos os municípios - exceto 25, onde há disputa entre aliados.

A senadora também tenta melhorar a qualidade dos prefeitos do partido. Em abril, o DEM promoveu seminário de gestão pública para os então pré-candidatos, com algumas teses que Kátia repete nos discursos. Entre elas, a escola de tempo integral para que as crianças comam e aprendam atividades esportivas.

Defende construção de postos de saúde que realizem exames da próstrata nos homens e pré-natal nas mulheres grávidas. E propõe a realização de uma “gincana do conhecimento” entre municípios, com competição de matemática, leitura e índices de saúde. Depois da eleição, pretende oferecer curso sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Aos 46 anos, com três filhos e uma neta de cinco, Kátia lidera caminhadas com candidatos, militantes e eleitores pelas ruas de municípios como Ipueiras (1.184 habitantes) e Porto Nacional (47.141), em ritmo de maratona. Os discursos são contundentes, desafiadores. “Não tenho medo de homem, cara feia ou pito”, repete.

Na sexta-feira, depois de Ipueiras, Porto Nacional e Brejinho de Nazaré, a senadora terminou o dia em Paraíso do Tocantins, onde “produziu um comício” para ficar na história da cidade. Lá, o PMDB do governador Marcelo Miranda, seu aliado estadual, rompeu com o DEM, que tinha o candidato mais forte entre os aliados. Por isso, o partido de Kátia aliou-se ao PTB - que tem o candidato a prefeito - e indicou o vice.

Ela encomendou 300 camisetas brancas com a palavra “Esperança” impressa, para distribuir aos convidados do palanque, já que está proibida impressão de propaganda eleitoral. Pôs a assessoria enlouquecida atrás de uma pomba branca. Apareceram três, todas soltas ao final dos discursos para delírio do público. Rosas brancas foram jogadas. Ao final, com Roberto Carlos tocando ao fundo, todos cantaram “Jesus Cristo”. (RU)

27/08/2008 - 10:17h PSDB e DEM tentam salvar aliança

alckminkassab.JPG


Raymundo Costa - VALOR

Em crise diante do crescimento da candidatura de Gilberto Kassab (DEM) e da queda de Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas de opinião, tucanos de São Paulo já falam em administrar a eleição com o “menor nível de dano possível” para poder chegar ao final da campanha e assegurar uma aliança no segundo turno com o Democratas. “Essa é uma desgraça anunciada há muito tempo”, avaliou, desolado, um cacique tucano.

A situação é considerada crítica e na avaliação dos dirigentes partidários só quem tem a perder é o PSDB. De fato, ontem o Democratas enviou um recado aos tucanos paulistanos que diz que quem tem que encontrar uma solução para o problema é o PSDB. Nas entrelinhas, a eventual renúncia de Alckmin, visto ser improvável que ele mantenha uma campanha sem atacar o prefeito candidato à reeleição.

No PT, o confronto entre Democratas e os tucanos de Geraldo Alckmin e do governador de São Paulo, José Serra, levou o partido a começar a considerar a hipótese de Marta Suplicy vencer ainda no primeiro turno da eleição de 5 de outubro. “Uma hipótese que passou a ser visível, mas uma equação muito difícil de fechar”, segundo dirigente.

Uma vitória no primeiro turno, na avaliação real dos petistas, somente terá condições objetivas de ocorrer com o agravamento do confronto entre os grupos de Serra e Alckmin, mais o Democratas de Gilberto Kassab. Algo que eles já não julgam tão improvável e deixa perplexo o Democratas. No DEM, a única explicação encontrada para a profundidade do racha tucano é a disputa entre José Serra e o governador Aécio Neves em torno da sucessão do presidente Lula.

O Democratas avalia ser impossível que todos os problemas do PSDB tenham “se encavalado” num momento só, às vésperas das eleições municipais. Outra explicação é que Alckmin se iludiu com a votação que teve contra Lula na cidade de São Paulo, nas eleições de 2006.

Enquanto observa o que acontece do outro lado, a campanha de Marta Suplicy decidiu manter a estratégia até agora adotada, cuja melhor tradução seria seu programa de TV. Segundo petistas, uma espécie de reedição da campanha vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002: “Marta Paz e Amor”. Resumo feito por um deputado ligado à campanha de Marta: o PT está tranqüilo, o PSDB, em confusão.

Os tucanos ligados ao governador José Serra têm evitado falar sobre a crise na campanha de Alckmin, para não agravar ainda mais o problema. A avaliação dos dirigentes tucanos é que o quadro está muito confuso, mas era um quadro previsível. Tudo o que ocorreu na primeira semana de campanha teria sido previsto. Mais do que isso, houve várias tentativas de convencer Alckmin de que não se poderia chegar a essa situação, pois ela fatalmente levará a uma campanha muito difícil, cheia de conflitos.

O raciocínio básico era e ainda é o seguinte: Numa campanha eleitoral, a situação nunca tem dois candidatos. Podem ser dez os candidatos, que nove serão da oposição, seja ela a oposição light ou a oposição radical. Mas só um será o candidato da continuidade, e em São Paulo este nome era e ainda é o de Kassab.

Ou seja, não havia jeito: Geraldo Alckmin seria um candidato de oposição, cuja essência é o conflito, e como tal ele teria de fazer oposição aos aliados (o DEM e Kassab), ao PSDB (que ainda governa São Paulo por meio dos quadros que manteve na prefeitura) e aos companheiros (José Serra, que apoiou a candidatura Democrata).

Na contra-mão da pressão do Democratas, no entanto, o PSDB não acredita que possa ocorrer alguma mudança no atual quadro eleitoral de São Paulo. “Não dá para imaginar”, disse um tucano ligado à candidatura Kassab. “Esse quadro vai se manter, o que nós temos que fazer é administrar da melhor maneira possível até o final, de modo a assegurar os apoios no segundo turno”.

Os tucanos procuram se impor uma lei do silêncio porque consideram que qualquer frase, mesmo vazia, é muito explorada politicamente. Ontem, por exemplo, os jornais estamparam uma frase de Alckmin segundo a qual o apoio de Serra não teria “efeito prático” na eleição. Os serristas afirmam que Alckmin apenas afirmou o óbvio: em São Paulo, o apoio de Serra ou de Lula a um dos candidatos não terá nenhum efeito prático do ponto de vista da opinião pública.

Nem Lula nem Serra, segundo essa avaliação, teriam condições de transferir votos a ponto de influir no resultado da eleição. No máximo o que pode acontecer é José Serra consolidar a imagem de Kassab como o candidato da continuidade. Como o prefeito é um candidato cuja gestão é bem avaliada, ele pode se beneficiar da idéia continuísta.

O temor dos serristas é que a campanha de Alckmin agora possa enveredar “contra o nosso governo, as nossas pessoas”. Em geral, acredita-se que Kassab roubará mais pontos do tucano. Como ocorria na eleição de 2006, enquanto Lula disparava nas pesquisas, correligionários de Alckmin se limitam a dizer que o crescimento de Kassab era previsível, mas que a situação deve mudar, passado o impacto da primeira semana de campanha.

13/08/2008 - 11:20h O ensaio mineiro das eleições presidenciais

aecio_pimentel_ciro_lacerda.jpg

Aécio Neves, Fernando Pimentel (atual prefeito), Marcio Lacerda e Ciro Gomes em campanha no Mercado Central de Belo Horizonte

Editorial - VALOR

Por enquanto, a inédita coligação em Belo Horizonte, que uniu os dois partidos que tradicionalmente polarizam a eleição, PT e PSDB, em torno de um candidato do PSB que em outra hipótese não teria chance alguma, produziu apenas um candidato obscuro cercado de estrelas por todos os lados. Márcio Lacerda (PSB) desfilou anteontem seu terceiro lugar nas pesquisas ladeado pelo governador Aécio Neves (PSDB), pelo atual prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo deputado Ciro Gomes (PPS) como aquele que pode vir a ser uma criatura política concebida pela transferência direta do prestígio pessoal do governador e do prefeito. A aposta é a de que ambos têm substância eleitoral suficiente não apenas para transformar os 60% dos indecisos em votos favoráveis, mas para fazer da eleição de Lacerda um dado definitivo no jogo eleitoral de 2010, quando se estará decidindo a Presidência da República.

O cearense Ciro Gomes entrou no jogo mineiro por absoluta falta de opções. Por quase seis anos, foi a promessa de candidatura presidencial que aglutinaria todo o bloco governista por obra e graça de um apoio pessoal de Lula, que acenou com essa possibilidade até ceder - à sua maneira - à opção do PT por uma candidatura própria. Também o presidente Lula passou a apostar unicamente na força de seu prestígio - tanto no PT quando junto ao eleitor - para transformar uma ministra técnica, a da Casa Civil, Dilma Rousseff, em sua sucessora. Abrigado num pequeno partido e com chances cada vez mais remotas de coligação com o PT em 2010, Ciro tem que aumentar o seu cacife para ter algum poder de negociação na sucessão de Lula. A vitória do candidato de seu partido em Belo Horizonte é um dado importante, e uma aposta que o une a Aécio, um ex-colega de PSDB - Ciro foi um dos fundadores do partido e saiu batendo a porta no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A capital mineira tornou-se uma peça importante no jogo sucessório nacional por falta de opção. Aécio Neves tem que encontrar um caminho próprio que não passe por São Paulo, onde tem um adversário interno declarado, o governador José Serra, e um que pode sempre ser um postulante a qualquer cargo, Geraldo Alckmin. As eleições de BH tornaram-se um modelo do que seria o ideal para ele em 2010: uma aliança entre ele, o PT e o PSB que isole postulantes paulistas; e um acerto com Ciro Gomes, que pode lhe valer uma visibilidade no Nordeste que hoje não tem.

No meio dessa porção de interesses políticos que se projetam a 2010, existe o eleitor da capital mineira. Por enquanto, não é possível dizer que ele vá referendar o projeto político de seu governador e do seu prefeito - este, interessado, no momento, em definir sua hegemonia sobre o diretório mineiro do PT. Os dados objetivos não permitem nenhuma aposta: Jô Morais, do PCdoB, tem hoje o primeiro lugar nas pesquisas, mas é também a mais conhecida do eleitor - e não começou o horário eleitoral gratuito, que apresentará o desconhecido Lacerda e tentará converter o alto grau de aprovação das administrações de Aécio e Pimentel em votos a favor dele. De outro lado, o alto índice de indecisão, e o fato de nenhum dos candidatos a prefeito ter um peso próprio que garanta um claro favoritismo, dá chances a Lacerda de ganhar apenas apresentando ao eleitor o aval de seus apoiadores. Conta também a favor do candidato do PSB, registra uma pesquisa do Instituto Vox Populi, um alto índice de aprovação do eleitorado à aliança entre PT e PSDB, que o apóia.

Se Jô Moraes ganhar, ninguém ganha grandes coisas junto com ela. Se Lacerda perder, perdem Aécio, Pimentel e Ciro Gomes - e a maior chance de a sucessão presidencial sair do círculo de influência paulista. Nessa circunstância, é de se esperar que pelo menos as duas lideranças mineiras joguem todo o seu prestígio e poder não apenas para conseguir votos para Lacerda, mas para conter dissidências. A máquina municipal do PT, sob influência do prefeito, abriu processo na Comissão de Ética contra todos aqueles que declararam apoio público à candidata do PCdoB. É só o começo. O jogo tende a ser pesado - e se for pesado demais, pode ter o efeito contrário e favorecer Jô Morais, numa eleição onde nenhum candidato tem uma fatia de liderança própria - e onde, teoricamente, qualquer vitorioso será um azarão.

29/07/2008 - 09:56h Serra se distancia e some de eventos ao lado de Kassab

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO
Depois do início da campanha, governador e prefeito tiveram só um encontro público

“Tem dia que a gente fala várias vezes, tem dia que não fala”, disse o prefeito, cuja campanha usa imagem do tucano em panfletos

Patricia Stavis - 7.jul.08/Folha Imagem
serra_kassab_institucional.jpg
Kassab e Serra no último evento juntos em público, no TJ-SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo

As aparições públicas do governador José Serra (PSDB) ao lado do prefeito Gilberto Kassab (DEM), seu afilhado político, rarearam após a abertura oficial da campanha eleitoral em São Paulo, no início do mês.
O último encontro público entre os dois ocorreu no dia 7. Os assessores do prefeito afirmam que não existe previsão de quando os dois voltarão a posar juntos para as câmeras.

A atual realidade é bem diferente do período da pré-campanha. Só nos últimos dez dias do mês passado, Serra e Kassab estiveram lado a lado em eventos pelo menos quatro vezes.

Kassab está estacionado em terceiro lugar do Datafolha, com 13%. Marta Suplicy (PT), com 36%, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 32%, estão empatados tecnicamente na ponta.

Ontem, Kassab tentou minimizar o sumiço de Serra. “Nossa relação é rotineira, tem dia que a gente fala várias vezes, tem dia que não fala, por telefone, pessoalmente. A responsabilidade de governar o Estado é muito grande, são diversas atribuições”, afirmou o prefeito.

Mesmo sem a presença física de Serra, a campanha de Kassab tenta explorar a parceria. Sua campanha tem distribuído panfletos pela cidade com fotos dos dois. Seus assessores alegam que as limitações da Lei Eleitoral, que proíbe a participação do prefeito em inaugurações, por exemplo, ajudaram a rarear os encontros conjuntos.

Eles afirmam ainda que há encontros rotineiros entre os dois para discussões administrativas referentes a projetos do Estado com a prefeitura.

Assessores do governador afirmam que ele não vai abandonar o projeto reeleitoral de Kassab antes do segundo turno, sob risco de implodir sua política de alianças para a eleição presidencial de 2010. Nas palavras de auxiliares, Serra pretende transmitir a imagem de neutralidade, até para não melindrar os alckmistas.

O grupo ligado ao governador não esconde o desconforto com o e-mail enviado por Kassab aos subprefeitos, pedindo “ação” no dia em que seriam realizadas as entrevistas para a última pesquisa Datafolha.
Na quinta-feira, antes de o caso vir à tona, o governador se encontrou reservadamente com Kassab. Um dos temas discutidos foi sua “neutralidade”. Secretários tucanos da gestão do prefeito, até agora aguerridos, também dizem que vão evitar eventos de campanha. Tal tarefa será delegada, dizem, aos subprefeitos tucanos que estão na gestão municipal.

Mesmo os tucanos kassabistas já dizem que será inevitável que Serra apareça no programa eleitoral de Alckmin na TV. O governador também estará no de Kassab. Serra não gravará depoimentos. Mas há um farto material colhido durante as inaugurações em que os dois estiveram lado a lado.

Os aliados de Alckmin esperam que, com a suspeita de uso da máquina pesando sobre Kassab, Serra fique mais distante do prefeito.

(JOSÉ ALBERTO BOMBIG, FERNANDO BARROS DE MELLO e CONRADO CORSALETTE)

09/07/2008 - 11:02h Erundina anuncia apoio a Marta

marta_erundina_rindo.jpg

Cristiane Agostine - VALOR

Ex-prefeita e uma das fundadoras do PT, a deputada federal Luiza Erundina (PSB) declarou ontem apoio à candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, e defendeu a extensão da aliança entre o PT e os partidos do bloco de esquerda para 2010. “Marta, conte comigo”, discursou a ex-petista, que se desligou da sigla em 1997.

Depois de receber homenagens de petistas em um seminário sobre habitação organizado pelo partido, Erundina demonstrou que estava satisfeita com o apoio do PSB, juntamente com o PDT e PCdoB à Marta. “A composição das forças democráticas e populares em torno da tua candidatura (de Marta Suplicy), de um projeto para São Paulo, sem dúvida nenhuma tem uma dimensão política, tem um componente político que vai para além de 2008. Transborda para 2010 e politicamente marca o processo político nacional”, disse.

“Eu discutia, eu defendia que aqueles partidos que compõe o chamado bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) estivessem em uma aliança com o PT, com Marta, para que se pudesse configurar um outro campo político ideológico”, discursou a deputada. Na eleição passada, Erundina não apoiou Marta no primeiro turno e saiu candidata.

Ontem, Erundina foi muito aplaudida por uma platéia de cerca de 400 pessoas, composta por militantes petistas, lideranças de movimentos sociais, políticos e estudantes. Marta Suplicy elogiou as ações da hoje socialista e lembrou das dificuldades enfrentadas quando Erundina foi prefeita. “Quero lembrar que há 20 anos São Paulo elegeu uma mulher nordestina e do PT”, comentou Marta.

A deputada, visivelmente emocionada, começou seu discurso falando as negociações de seu partido com o PT e depois disse que não “precisava ser vice-prefeita”. “Mas eu queria um governo de esquerda”, explicou. Ela foi convidada para compor a chapa de Marta, mas seu partido não aceitou o cargo de vice. “Estou absolutamente tranqüila e feliz de a decisão ter sido não aquela que eu defendia, mas a mais correta e justa para São Paulo”, ponderou. O vice de Marta é o deputado Aldo Rebelo, do PCdoB.

Ontem, Marta teve outra boa notícia: por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) acolheu recurso e revogou a decisão de primeiro grau que a multou e à empresa Folha da Manhã, por entender que houve propaganda antecipada em uma entrevista concedida pela petista à “Folha de S.Paulo”. O TRE também cancelou por unanimidade multa contra a Editora Abril, por entrevista à revista “Veja São Paulo”.

Segundo o relator do recurso movido pela “Folha”, desembargador Walter de Almeida Guilherme, as questões citadas na sentença de primeiro grau ficaram “prejudicadas” depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicar uma nova resolução, modificando a disposição sobre propaganda eleitoral que deu margem para as ações contra veículos de comunicação.

Os ministros do TSE revogaram o artigo 24, que proibia os pré-candidatos de “expor propostas de campanha” antes do início da campanha, e criaram um novo artigo que diz: “Os pré-candidatos e candidatos poderão participar de entrevistas, debates e encontros antes de 6 de julho de 2008″.

Depois do voto do relator, o juiz Paulo Octávio Baptista Pereira fez questão de dizer que também votaria pela retirada da multa mesmo sem a nova resolução do TSE. A entrevista de Marta à “Folha” foi publicada no dia 4 de junho e à “Veja São Paulo” ? , na edição de 4 a 11 de junho. (Com agências noticiosas)

03/07/2008 - 11:36h Serra não nadará num mar de rosas

VALOR

Há algo mais do que um simples racha entre PSDB e DEM no ar poluído da capital paulista. A candidatura à reeleição do prefeito Geraldo Kassab (DEM) é um ingrediente novo num cenário onde há 15 anos três partidos - o PSDB, o PT e o PP (ou seja qual for o nome do partido do ex-prefeito Paulo Maluf) - monopolizam as atenções do eleitor. Kassab interrompe o que tem sido uma gradativa e natural transferência para o PSDB dos votos mais à direita, historicamente destinados a Maluf, ao entrar diretamente na disputa por esse eleitorado; e o candidato tucano, Geraldo Alckmin, além de deixar de ser o caminho natural para o eleitor malufista, tem dificuldades de acesso ao eleitorado mais à esquerda e ao voto de periferia, que teria de disputar com Marta Suplicy (PT).

Em 2004, PSDB e DEM estavam juntos, com o hoje governador José Serra (PSDB) na cabeça de chapa e Kassab na vice. Serra, com um perfil mais à esquerda do que o DEM e com um eleitorado forte ao centro, conseguiu com a aliança também agregar votos à direita e vencer as eleições. Em outubro próximo, DEM e PSDB não apenas serão concorrentes, mas terão candidatos com um perfil ideológico muito semelhante.

Em 2000, quando era vice-governador e candidatou-se a prefeito, Alckmin conseguiu ser o maior beneficiário do esvaziamento do eleitorado malufista. Maluf foi seriamente atingido pelo catastrófico mandato de seu apadrinhado, Celso Pitta (1996-2000). Segundo estudo de Fernando Limongi e Lara Mesquita, 27% dos eleitores que votaram em Maluf em 1996 transferiram seu votos para o PSDB na eleição seguinte (”Disputa por votos malufistas deve marcar eleições à prefeitura de São Paulo”, Cristiane Agostine, Valor, 29/10/2007). A partir de então, a polarização entre PT e Maluf na capital paulista cedeu espaço ao PSDB. Em 2000, Marta Suplicy obteve 38,01% dos votos no primeiro turno, e o então PPB de Paulo Maluf, com 17,35%, foi para o segundo turno com uma distância de apenas 0,14 pontos percentuais sobre o PSDB. Nas eleições de 2004, vencidas, enfim, pelo tucano José Serra, o PSDB teve 43,56% no primeiro turno, contra 35,82% de Marta Suplicy. Maluf veio em distante terceiro lugar, com 11,92% dos votos.

A soma dos votos da classe alta e a manutenção de parcela do eleitorado ex-malufista, de classe média conservadora (que deu acesso dos tucanos à periferia de São Paulo), pode ter sido determinante para a vitória de Serra. Foi determinante, contudo, não ter ninguém concorrendo em sua faixa de eleitorado e conseguir avançar sobre os votos conservadores. O hoje governador conseguiu votos à direita sem ter uma firme rejeição do eleitorado de centro-esquerda, onde disputava votos com o PT.
Alckmin e Kassab disputam mesmo voto

Essas eleições concentram candidatos à direita na capital paulista - Kassab, Alckmin e o próprio Maluf, que nas pesquisas ainda exibe 8% das intenções de voto. Os votos conservadores estão rachados e qualquer dos dois candidatos depende de polarizar com a petista Marta Suplicy para ter chances de ir ao segundo turno. Ser uma alternativa viável à petista arregimenta votos à direita, que tende a exercer o voto útil contra o candidato de esquerda.

Se Alckmin conseguir isso, ainda terá de superar suas dificuldades de acesso aos votos de periferia. Aí o PT tem superioridade porque foi o alvo preferencial da administração petista, ainda na memória recente; e porque tem beneficiários dos programas sociais do governo Lula. No segundo turno das eleições de 2002, quando disputaram a Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra, a diferença de votos dados aos dois na cidade foi mínima - 48,94% para o tucano e 51% para o petista, o que representou escassos 167 mil votos. Na Zona Leste, Serra levou uma surra de Lula: em Sapopemba, Itaim Paulista e Guaianazes, o presidente obteve 60% dos votos. Kassab, candidato à reeleição, retomou programas do governo de Marta e governou para a classe média - isso lhe dá possibilidade maior de acesso ao eleitor pobre e pode atrair os eleitores ricos, onde os tucanos exercem a hegemonia.

Marta ainda pode crescer na periferia. Lá, é mais forte a atuação de movimentos sociais, que tendem a exercer o seu voto útil no PT; os programas sociais do governo federal são em maior número; e parcela do petismo local compete ativamente com a política de clientela liberada do malufismo.

Com o PT com preferência consolidada na população pobre e o PSDB na população rica, os votos da classe média conservadora, malufista ou ex-malufista, são fundamentais para qualquer candidato que dispute com Marta. É difícil, nessa circunstância, imaginar que durante toda a campanha as relações entre Kassab e Alckmin serão cordiais - na verdade, eles estarão competindo fundamentalmente um com o outro, junto ao mesmo eleitorado, para disputar o segundo turno. Alckmin, que fez da sua candidatura a maior pedra no sapato do governador José Serra - cuja aliança em torno da reeleição de Kassab consolidaria, por si, o apoio à sua candidatura em 2010 - pode ser um complicador maior ainda, quando a disputa eleitoral exigir um ataque frontal ao candidato do DEM. A vida de Serra não vai ser um mar de rosas.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

29/06/2008 - 10:28h “Todos os brasileiros estão numa situação melhor, especialmente os mais pobres”

Novamente em campanha para uma disputa acirrada
 

Daniel Bramatti e Clarissa Oliveira do jornal O Estado de São Paulo fizeram uma excelente entrevista de Marta Suplicy.

A sra. concorda com a avaliação de que o trânsito será questão central da campanha? Como enfrentar o problema?

Acho que esse governo executou muito pouco em relação à saúde e à educação. Mas o trânsito deve provocar um debate mais acirrado, porque é disso que as pessoas estão reclamando. Fizemos 100 quilômetros de corredores e deixamos 200 quilômetros programados. Foram feitos só 7,5. A curto prazo, é preciso recuperar a capacidade de gestão da CET, que está sucateada. O segundo ponto são os corredores. Isso demora um ano e meio para fazer. E a longo prazo é investir em metrô, pois hoje há recurso para fazer.

Por que só agora?

Em 2003, quando poderíamos ter investido na linha 4, não tinha projeto. Nós governamos com poucos recursos. Quando entrei, eram R$ 9 bilhões (Orçamento municipal). Em 2005, eram R$ 15 bilhões, e hoje são R$ 21 bilhões. Os tucanos estão no poder há 16 anos, não podem dizer que o metrô não anda por causa da prefeitura.

Como o presidente Lula participará da campanha?

O presidente só não é unanimidade hoje porque isso não existe em política. Ele desfruta de um prestígio enorme graças à gestão econômica. Todos os brasileiros estão numa situação melhor, principalmente os mais pobres. A presença dele será muito positiva.

Seu mapa de votação em 2004 mostra um apoio maior na periferia e uma resistência muito forte nas áreas mais nobres. Por que essa rejeição ao PT ou ao seu nome na classe média?

Houve muitas campanhas amedrontadoras em relação ao PT que depois se mostraram absolutamente infundadas. O presidente Lula cumpriu todos os contratos, ao contrário do que fez Serra na prefeitura. Um preconceito de classe ainda existe contra o PT. O governo que eu fiz adicionou algo a isso. Fiz um governo de inclusão social. Vários setores, principalmente a classe média que vive de um salário mais contado, perceberam que tinham de fazer um esforço gigantesco para colocar seu filho num colégio particular que não chegava aos pés de um CEU, que era feito para os mais pobres. Para muitas pessoas foi visto como se (a prefeitura) estivesse tirando delas. Pensavam: “Eu me mato para pagar o balé para a minha filha, ou a aula de violino para o meu filho, e meu imposto está indo para essas pessoas que provavelmente nem pagam nada e estão tendo acesso a bens e a luxos de que não precisam.” Muitos se engajaram nessa campanha. O próprio PSDB, que, depois, devido à pressão da população beneficiada, teve de voltar atrás e continuar o projeto dos CEUs. Eles poderiam ter inaugurado os novos CEUs com um ano e meio de governo, porque as obras estavam contratadas.

Houve resistências?

Houve, eles não queriam fazer. Mas o importante é recuperar o conceito de CEU. O conceito de que uma criança pobre não tem de ter acesso só a aulas de matemática e português. Ela precisa de uma janela para algo que na sua vivência familiar é impossível, teatro, instrumento musical, filme, clube. A idéia é que todas as crianças possam ter isso.

Qual a sua avaliação do projeto Cidade Limpa?

Acho um bom projeto e nós vamos continuar, talvez ouvindo mais os pequenos comerciantes, que se sentiram prejudicados, vendo como podemos ajudá-los a recuperar as fachadas que ficaram deterioradas com a retirada de painéis.

O PMDB diz que não fez aliança com o PT porque o partido teria sido incapaz de oferecer garantias para um acordo. Mesmo a aliança com tradicionais aliados demorou para ser fechada. Houve erros?

Não creio. Estamos com os aliados que deveríamos ter. São os partidos de esquerda, que têm uma proposta programática mais afim. E a conversa com Aldo Rebelo (candidato a vice-prefeito) foi extremamente positiva. É uma pessoa que acrescenta em termos de competência, experiência, por sua bagagem e sua origem, ele é do Nordeste. Está bom demais do jeito que acabou saindo.

Dentro do próprio PT há pessoas que dizem que a sra. poderia sair da prefeitura em 2010 para se candidatar a governadora. Há possibilidade de isso acontecer?

Não cogito nada nessa direção. Resolvi ser candidata para consolidar políticas públicas. Recebemos 12 hospitais sem aparelhos. A saúde era um deserto, uma coisa muito difícil recuperar. Nós começamos a reconstruir e deixamos tudo pronto para o passo seguinte. Íamos fazer os centros de especialidades, o que esse governo não aproveitou. O gargalo que nós deixamos é exatamente o que hoje continua: a pessoa demora dois anos para marcar um exame, oito meses para marcar outro… Se tivesse havido continuidade no transporte, teríamos 200 quilômetros de corredores. Na educação teríamos feito os CEUs em um ano e meio. É muito duro ter um governo de quatro anos. Quando decidi ser candidata, pensei: vou ser por quatro anos e vou tentar ficar oito. Porque aí eu consolido, deixo na cidade uma marca que fica.

Dois flancos que seus adversários tendem a explorar: aumento de impostos e a declaração do “relaxa e goza”, da qual a sra. já se desculpou. Existe o temor de que isso seja usado na campanha?

Tudo pode ser usado. Pode ser usado contra o Alckmin que caiu o metrô que ele construiu, que o Kassab chamou de vagabundo (um manifestante contra o projeto Cidade Limpa). Mas não sei o que isso acrescenta para a avaliação do eleitor. Não espero que eles usem, nem pretendo usar. Em relação a impostos, reconheço que a mão pesou quando se quis fazer muita coisa ao mesmo tempo. Houve reavaliação da planta genérica, IPTU progressivo e as taxas. Muitos foram isentos do IPTU, mas para outros pesou. Hoje eu não faria do mesmo jeito.

Há espaço para cortar impostos?

Acho que sim, já pedi para estudar. Isso seria importante.

Qual a sua posição em relação a aborto, pena de morte e casamento gay?

Ninguém pode ser a favor do aborto como método, mas não se pode ignorar o grave problema de saúde pública dos abortos clandestinos. Sou a favor da aplicação da lei que já garante assistência às mulheres e à ampliação em alguns casos, como, por exemplo, de anencefalia. Sou contra a pena de morte e a favor da parceria civil de homossexuais, como já tem sido reconhecida em sentenças judiciais.

28/06/2008 - 10:44h Jornalismo: Marta consolida apoio eleitoral

Cesar Ogata
marta_aldo.jpg

Paulo Liebert/AE
Marta com Aldo: “De um lado, as forças de esquerda, com projeto de inclusão. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação”

Durante lançamento da coligação do bloco de “esquerda” em São Paulo, petista cita empenho de Lula na formação da aliança e critica PSDB e DEM. Paulinho da Força diz que sindicatos irão trabalhar na campanha

Alessandra Pereira - Correio Braziliense

São Paulo — Afinados no discurso de que a chapa representa a união das forças de esquerda em torno da retomada da principal capital do país, a pré-candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, e seu candidato a vice, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), apresentaram ontem a coligação batizada de Uma Nova Atitude por São Paulo. Na prática, Marta consolidou o apoio dos maiores partidos do bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) aos petistas, depois de uma longa negociação que precisou de intervenções diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chegar a bom termo.

Em ato de lançamento com as presenças do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, foi esse o enfoque de consenso. A de que a formação da chapa une as “forças populares” em uma campanha que, na avaliação de Marta Suplicy, será, mais uma vez, polarizada entre dois grupos políticos e projetos distintos.

“São Paulo vai ser palco de uma disputa entre dois projetos. De um lado, as forças de esquerda, com um projeto de inclusão social. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação social”, disse a ex-prefeita e ex-ministra do Turismo, em referência às candidaturas do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), que tenta a reeleição. Com a coligação, a chapa terá cerca de 7,5 minutos de tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Marta se disse alegre em poder ter como vice alguém “do porte de Aldo Rebelo”. “Sinto que temos uma dupla afinada, com uma competência bastante complementar”, disse. Questionada sobre a participação de Lula nas negociações, a ex-prefeita, que governou São Paulo entre 2001 e 2004 e perdeu a reeleição para o atual governador do estado, José Serra (PSDB), comentou: “O presidente fazia muito gosto no apoio das esquerdas aqui em São Paulo para o seu partido (PT). Isso eu sei porque foi comentado a mim. O Aldo pode dizer qual foi o peso desse pleito presidencial”.

Segundo o deputado, “houve um empenho grande do presidente Lula” e das lideranças de todos os partidos para que o bloco se unisse ao PT na formação de uma grande chapa de esquerda em São Paulo. Tanto Marta quanto Rebelo foram reticentes quanto à possibilidade de a aliança paulistana se prolongar até as eleições de 2010. “Há expectativa de que seja estratégica”, afirmou o deputado, lembrando que PT e PCdoB estão juntos desde 1988.

Esquema
Marta Suplicy e Aldo Rebelo também negaram constrangimento em relação à presença no ato e ao apoio de Paulo Pereira da Silva, acusado de envolvimento em um esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Paulinho abdicou de seus sigilos telefônico, bancário e fiscal e está sendo investigado pelo Conselho de Ética da Câmara e pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”, defendeu Rebelo. Marta afirmou não ver problema algum: “Ninguém pode ser julgado antes da hora”.

No ato de ontem, Paulinho foi cumprimentado com abraços por Marta e Rebelo. O deputado, que deixou a presidência do PDT em razão das acusações, mas ainda comanda a Força Sindical, disse que os 52 sindicatos ligados à central irão trabalhar firme por Marta. “Os trabalhadores vão buscar voto por voto nas ruas”, disse.

Segundo Marta, é a primeira vez, em muitos anos, que as centrais
sindicais estão juntas em uma candidatura para a prefeitura de São Paulo. “Isso é motivo de entusiasmo, porque temos todos os sindicatos, temos uma militância com garra, querendo ir para as ruas, temos uma coligação forte e o apoio do presidente Lula”, computou. Lula já confirmou que irá prestigiar a campanha de Marta sempre que possível.

Mais do que a da cúpula do PSB, representado pelo presidente do diretório municipal, o vereador paulistano, Eliseu Gabriel, a maior ausência sentida foi a da deputada federal Luiza Erundina, que chegou a ser cogitada para a vaga de vice de Marta. Representantes dos partidos do bloquinho acreditam que a candidatura teria ainda mais força com Erundina como vice, porque ela já foi prefeita e aparecia com 8% das intenções de voto para prefeita, contra apenas 1% de Rebelo.

Segundo representantes do PSB, Erundina terá participação ativa na campanha e é nome importante também para ocupar posição de destaque em um eventual novo governo de Marta Suplicy na capital paulista. Hoje e amanhã, os partidos do bloquinho e o PT fazem as convenções partidárias para homologar as candidaturas.


Alckmin nas ruas

No mesmo dia em que os adversários desfilaram a tiracolo com cabos eleitorais de peso, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin, enfrentou, solitário, o eleitorado. Desacompanhado até de fiéis deputados tucanos, Alckmin fez uma visita breve a uma feira de lojistas de shoppings na Zona Norte da cidade.

O tucano minimizou a maratona de inaugurações às vésperas do início da eleição — promovida pelo prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) — e seu impacto nas urnas dizendo que ela não é uma ameaça. “Para mim, está bastante claro que a disputa mais difícil é com o PT”, afirmou.

Mas, mesmo em relação à adversária petista, a ex-ministra Marta Suplicy, o ex-governador adotou um discurso otimista. “Está bom. Estamos num empate técnico com a candidata do PT e, na simulação de segundo turno, temos 9, 10 pontos, uma boa margem de frente”, disse ao citar pesquisas recentes.

Alckmin, rodeado por assessores tucanos e organizadores da feira, percorreu por cerca de uma hora estandes de expositores, distribuiu beijos e apertos de mão e tirou fotos. Já Kassab, pela segunda vez nesta semana, esteve ao lado do governador José Serra (PSDB). Ambos entregaram um viaduto na Zona Leste da cidade. “É natural que todos os candidatos procurem se expor, buscar votos. Isso faz parte do processo democrático”, disse Alckmin.

24/06/2008 - 15:58h Os medos do Estadão

A imagem “http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080624/img/capadodia.jpg” contém erros e não pode ser exibida.O Editorial do Estadão de hoje é uma peça de ficção. Um exercício de wishful thinking, de “criação ilusória de fatos que se desejaria fossem realidade”, na tradução precisa do dicionário Michaelis.

O editorial do jornal O Estado de São Paulo lança hoje um sonoro ufa, de alívio prematuro, pela escolha de Alckmin como candidato do PSDB e pelo suposto apoio de Serra a esta escolha.

“o PSDB de São Paulo chegou à melhor solução possível. E isso, especialmente, porque o governador Serra soube enfatizar a possibilidade real de restabelecer a aliança PSDB-DEM no muito provável segundo turno entre um deles e a candidata do PT. “Se a aliança não se traduziu agora numa candidatura única, tem que se traduzir, sim, numa unidade no segundo turno” - disse o governador em seu pronunciamento na Convenção.”

O editorial finge ignorar que os serristas opostos a candidatura Alckmin eram uma minoria e não tinham nenhuma possibilidade de impedir o PSDB de lançar Alckmin candidato, mesmo que quisessem.

O editorial desestima também que essa candidatura nasce marcada pela divisão tucana e sem o consenso dos caciques, consenso que sempre pautou as decisões tucanas. Pior, ela concorre diretamente com Kassab, o candidato de José Serra, da maioria dos vereadores do PSDB e dos quadros que exercem funções no aparelho municipal e estadual. Todos eles continuarão fazendo campanha por Kassab, mesmo se a formalidade da propaganda eleitoral obrigatória falará outra coisa. Mais ainda, é Kassab que ficou com os apoios do PMDB, do PR e demais aliados de Serra e dos serristas.

Vale lembrar, o que o editorial não faz, que quando Ulysses Guimarães foi candidato contra o desejo do então poderoso Quercia, o PMDB mostrou-se unido de fachada, crucificando o candidato.

Os movimentos de Serra não deixam nenhuma dúvida sobre o objetivo dele. Liquidar o perigo que Alckmin representa para suas ambições, tentando salvar na medida do possivel a face. O editorial participa desta tentativa de “limpar” a cara de Serra e faz de conta que a mão de gato não é a dele.

Segundo o Editorial : “Da forma como conduziu as facções divergentes do PSDB paulistano no complicado impasse, o “presidenciável” paulista de 2010 sem dúvida tem tudo para consolidar o apoio geral de seu partido, a começar pelo de um agradecido Geraldo Alckmin, que fez questão de repetir em seu discurso: “Sempre estive com ele (Serra) em todas as campanhas e estarei nas futuras.” Os próprios líderes da dissidência tucana kassabista poderão não se transformar em batalhadores entusiasmados da campanha de Alckmin, mas mostraram-se convencidos da necessidade de ceder posição em favor de um “objetivo maior”, qual seja, o da candidatura de Serra à Presidência, daqui a dois anos. “

É o que se denomina confundir os desejos do Estadão, com a realidade. Nem os autores acreditam no que escrevem.

Como constata o editorial da Folha, também de hoje: (O PSDB) “Sempre preferiu ostentar um consenso que já não possui e no qual não crêem nem sequer os tucanos mais ingênuos, hoje atarantados em meio a tantas rivalidades.”

A bem da verdade, é o Alckmin que precisa vender a idéia que não está sendo crucificado e que o racha acabou. O bom senso fez todos se reconciliarem e ele já se vê aspergindo de água bendita o rebanho rejuntado, incluso das ovelhas negras. Para isso serve o editorial do Estadão.

Vã ilusão!

O próximo passo será tentar transformar a candidata do PT na encarnação do mal absoluto. Para preservar a continuidade que “os paulistanos podem esperar(…) (e que) em muitos aspectos tem sido eficiente e inovador.” (dixit editorial do Estadão)

Estranha acusação para incentivar o maniqueismo. Quem asseguraria melhor a continuidade dos CEU’s por exemplo: Marta, Alckmin ou Kassab? Os três hoje são a favor do que Marta soube criar, implantar e que o PSDB com apoio de uma parte da mídia, o Estadão especialmente, atacou e prometeu parar. Hoje existe consenso em favor deles. Como também ninguém questiona agora os uniformes, o material escolar, a merenda de qualidade, a criação de vagas em creches e escolas, a revalorização dos professores e o Vai e Volta.

Mas como atribuir ao PT os resultados péssimos na educação, se a própria Secretária de Educação de Serra, do PSDB, diz que jogaram fora R$ 2 bilhões de reais (segundo o Estadão é o equivalente de todo o dinheiro da educação básica do Brasil, um ano do orçamento do FUNDEB) e que os resultados após 14 anos de tucanato no Estado são esse desastre monumental?

Como acusar a candidata do PT se o caos no trânsito, outro problema crucial, está diretamente ligado ao pouco investimento do Estado no metrô, que avançou a passos de tartaruga, segundo o próprio Estadão em concordância com idêntica avaliação de Serra. Ou o quase nulo investimento de Kassab nos corredores para os ônibus é culpa do PT que criou o Bilhete-Único, construiu terminais e mais de 110 Km de corredores?

Seria “solução de continuidade” (ainda o editorial do Estadão) o plano apresentado por Marta e o governo federal para dar um salto na implantação do metrô en vistas da copa de 2014? Neste caso até que seria bem vinda essa “solução de continuidade” perante o pouco que o governo do PSDB avançou no transporte público. O Estadão ousaria estar contra um choque de investimento no metrô como propõe Marta com apoio do governo federal? o governador Serra recusaria? Agora, se a preocupação do Estadão é com a continuidade do Bilhete-Único criado e implantado por Marta, pode ficar sossegado, o Bilhete-Único continuará e ampliará sua duração com ela na prefeitura. Ou alguém dúvida disto?

O Estadão estaria preocupado com a continuidade do que? da ética?

Como evitará que Geraldo Alckmin seja carimbado de “Geraldo Alstom”, vista a grossa propina recebida durante seu mandato e de Covas, para manipular as licitações no metrô em favor da empresa francesa? Como não constatar que, como os jornais tem mostrado nas últimas semanas, o tratamento de Alstom como empresa-camarada dos tucanos teve uma perfeita continuidade no Estado de São Paulo desde 1990 até agora? Ou impedir CPI para este caso público e claro de suborno é prova de ética?

Ou o Estadão está com medo de Marta parar obras, não pagar fornecedores como fiz José Serra, ela que deu continuidade a programas que o PT não apoiou, como o Fura-Fila de Pitta-Kassab, ou que criado por outros o PT defendeu e melhorou, como o Leva-leite de Paulo Maluf?

Lamentavelmente para a identificação ideológica do Estadão com o PSDB, nem na questão da carga tributária poderá atribuir a Marta uma fúria arrecadatoria da qual estariam desprovidos os tucanos. Os números são claros no que concerne o aumento da carga tributária no pais, no Estado e na cidade de São Paulo durante os governos do PSDB, de par com o endividamento gigantesco promovido por eles em todas as esferas, para pretender que o problema é uma invenção ideológica da esquerda. Sem falar que Marta reconheceu publicamente ter cometido alguns erros neste item.

Pela primeira vez existe a possibilidade que estas eleições em São Paulo, ao contrário do que gostaria o Estadão, possam escapar a um certo maniqueismo. De sorte que a polarização poderá explicitar as reais divergências sobre às questões de fundo. E não estou convencido que dependendo do tema, não apareçam convergências que uma visão maniqueista ignora. Para isso é necessário que a mídia contribua não só com isenção, mas participando do debate democrático, sem simplismo redutor e sem tomar partido.

Se isto acontecer, a divisão do PSDB terá contribuído, sem que seus dirigentes percebessem, para o progresso do debate político durante anos escamoteado no pais.

Mas alguns persistem na tentativa de exorcizar o real, para adequá-lo a sua visão ideológica. O editorial do Estadão é a prova.

Luis Favre

22/06/2008 - 21:49h Relembrando

Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Madrugar não faz amanhecer mais cedo

As eleições municipais acontecerão em Outubro deste ano. Em maio e Junho as convenções partidárias escolherão seus candidatos. Esse é o calendário politico-eleitoral em 2008.

A mídia escrita está interessada em adiantar o calendário e a disputa é grande para vender jornal e para furar o concorrente.

A prefeitura de São Paulo é governada pelo PSDB, junto com o DEM de Kassab. Ambos partidos governam a cidade juntos, porém estão divididos em relação as candidaturas.

Eles tem que resolver está disputa entre as ambições de Alckmin e a vontade do Serra e Kassab e quanto antes melhor para eles.

A guerra entre eles está acirrada e ela pode comprometer a aliança, levando ao lançamento de dois candidatos igualmente ambiciosos e substancialmente da mesma cor política.

As consequências disto pode levar a uma ruptura com efeitos na própria composição política para 2010.

Tudo indica que uma candidatura Alckmin, mais ainda se conseguir ser vitoriosa, servirá para um desfecho, da escolha em 2010, desfavorável ao governador José Serra. Em todo caso este parece ser o ponto de vista de Serra, não sem razão.

A máquina da prefeitura e a representatividade da cidade de São Paulo faria de Alckmin um “presidenciável” ou um poderoso apoiador do tucano Aécio, rival de Serra para 2010. O DEM, por sua vez, não teria maior motivo para alavancar a candidatura de Serra, pois se sentirá alijado do que considerá um direito legítimo. Preservou os interesses do governador, suas escolhas na prefeitura, o apoio para o governo estadual e Kassab atua como um sub-prefeito do governador. Em troca será jogado fora pelo PSDB, nos braços de Alckmin? Usado e jogado fora, o DEM nada ganharia aceitando o hara-kiri.

Por sua vez, para Alckmin o dilema também é grande. Seus partidários foram postos para fora do governo estadual e não contam com grande participação na prefeitura. Serra mostrou que não hesita em abrir os porões e jogar na mídia as mazelas do que foi a administração Alckmin no Estado. Desde o ” mensalinho” na Nossa Caixa, até as generosidades com os pedágios ou os pífios resultados em questões como segurança e educação. Como confiar que Serra cumprirá em 2010, as promessas de hoje? Alckmin quer garantias, mais ainda sabendo que no caso de ter que enfrentar Marta Suplicy o resultado pode por um ponto final a suas ambições políticas. Sem garantias, pensa ele, é melhor arriscar. Com garantias o papo pode ser outro…

O PT não tem nenhum interesse em se meter nessa briga, nem precipitar seu desfecho. Nada ganha em fazer campanha antes da hora, pois a população está longe de manifestar qualquer interesse pela eleição agora. Mas pode aproveitar os próximos meses para definir e estruturar sua tática eleitoral e sua política de alianças, começar a elaborar suas propostas para a cidade e construir junto com seus aliados o caminho da escolha da candidatura mais adequada as necessidades da implementação das suas propostas.

Deste processo e do consenso unitário, construído com os outros partidos da base do governo Lula, é que o nome do candidato ou da candidata poderá ser escolhido com mais correspondência com a conjuntura de Outubro. A força eleitoral da candidatura ganhará a se projetar no menor tempo, mas maior espaço, proporcionado pela campanha e pelo impacto das propostas e convergências que a sustentarão.

Ansiedade e precipitação podem dar sensação de importância e utilidade, mas os afoitos quase sempre morrem na praia… ou como parece indicar o estudo publicado neste blog sobre doenças cardiovasculares, de enfartes.
Luis Favre

Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Interesse público

Não sem razão o vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, disse que deveria prevalecer o “interesse público” na questão da escolha do candidato à prefeitura de São Paulo.

Mas do qual “interesse público” se trata?

A guerra intestina no PSDB para saber se prevalece Kassab ou Alckmin é uma manifestação de ambição política, carreiras à projetar ou preservar, cálculos sobre conveniências pessoais e espaços nas máquinas públicas, nos cargos distribuídos generosamente nas empresas e organismos da Prefeitura e do Estado, aos correligionários.

A candidatura tucana em 2010 é o objetivo e os aspirantes a ela querem se apossar da prefeitura para alavancar estas ambições pessoais.

Todos se inspiram na trajetória de José Serra: galgar cargos e abandoná-los ao sabor de sua ambição à atingir a Presidência da República. O programa, as alianças, as idéias e as realizações devem corresponder a este objetivo, coincida ele ou não, com o interesse público.

Ou acaso prevaleceu o “interesse público” na decisão de Serra de se eleger Prefeito de São Paulo como trampolim para candidatar-se novamente apenas um ano após sua eleição?

A única coisa de “público” na briga entre tucanos, é a notoriedade pública das ambições pessoais de Alckmin e Kassab.

Goldman tem razão quando constatá que Alckmim apóia e defende o governo demo-tucano na capital paulista e deveria em toda lógica apoiar sua reeleição. O interesse pessoal de Alckmin não deveria, segundo a filosofia de Goldman, prevalecer sobre a concordância política com o governo municipal. Mas como ignorar, argumento do Alckmin, que o cargo de Prefeito, ganho pelo PSDB com Serra, foi para Kassab e o DEM por conta pura e exclusiva da ambição pessoal de Serra de galgar um escalão a mais na busca obsessiva da candidatura tucana a presidente?

Agora, FHC é convocado para à disputa pelos serristas, enquanto Aécio vem defender Alckmin. Cada um com sua estratégia, com sua ambição e com seu apetite voraz pelo… interesse público!

Por isso importa tão pouco, para eles, o que fizeram no governo da maior cidade do Brasil.

Eram contra os CEU’s, mas depois acharam mais cômodo ceder a pressão da população e continuar o que a Marta iniciou e que eles combateram. Eram contra os uniformes e o material escolar gratuito, que a Marta introduziu, e depois mantiveram pela mesma pressão popular (com a incompetência típica e a falta de planejamento, em todos estes anos nunca conseguiram entregar os uniformes de verão a não ser… no inverno).

Depois de se encher a boca contra a carga tributária, governam o município com um orçamento que é o dobro do que era na época da Marta e conseguem reduzir o numero de domicílios isentos de pagar IPTU, que a administração do PT tinha estabelecido em 1 milhão duzentos mil, nos 900 mil atuais. Aumentaram as multas, o IPTU, os radares, as tarifas de ônibus e não construíram um mísero corredor novo em quatro anos.

Além do apoio manifesto de setores da mídia paulista, jornais impressos e também radio e TV, segunda edição, o único que podem reivindicar ao cabo de quatro anos é o fim dos outdoors. Muito pouco para sustentar o engôdo do “interesse público”.

O afligente espetáculo de briga no PSDB deixara seguramente alguma plumas no chão e até algum tucano depenado, nada para ser lamentado. Só serve para mostrar o grau de indigência dos tucanos no que concerne idéias e projetos voltados para o interesse público, e quanto é grande o bico de oro das ambições pessoais.

Luis Favre

20/06/2008 - 09:24h PDT, PCdoB e PSB apoiam Marta e sugerem Aldo Rebelo como vice

Aldo Rebelo recua e aceita ser vice de Marta Suplicy

marta_lula_mintur.JPG

Valor Econômico

aldo.jpgBRASÍLIA - O PT contrariou o apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e decidiu manter o veto à coligação formal do partido com o PSDB na eleição para prefeito de Belo Horizonte. Antes da reunião Comissão Executiva Nacional (CEN) petista, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), que recebera o mesmo apelo de Lula, autorizou os partidos que integram o chamado ” bloquinho ” a apresentar seu nome para compor a chapa da candidatura de Marta Suplicy a prefeita de São Paulo, na condição de vice.

Segundo Aldo, sua decisão deveria ser entendida como um ” gesto de boa vontade ” em relação ao entendimento da esquerda, conforme pedira Lula numa reunião, na véspera, com os presidentes do PT, PSB, PCdoB e PDT. Aldo então contava, embora sem muito otimismo, que seu gesto provocasse alguma ” reciprocidade ” do PT. Referia-se à retirada do veto à aliança entre PSB, PT e PSDB em Belo Horizonte. O PCdoB já dera por perdida a possibilidade de obter o apoio do PT no Rio de Janeiro.

À noite, Aldo preferiu não comentar a decisão. O deputado, que é ex-ministro de Lula e ex-presidente da Câmara, quer antes conversar com os partidos que integram o ” bloquinho ” , que defendem sua indicação para a chapa de Marta a prefeito. Aldo defendeu o lançamento de candidaturas próprias do bloco nos grandes colégios eleitorais, mas os partidos que integram o bloco, em São Paulo, pensavam de maneira diferente e a divisão entre eles era dada como certa. O PDT, por exemplo, iria com Marta de qualquer maneira.

Ainda assim, Aldo comemorou o fato de os três partidos tomarem a decisão de apresentá-lo como vice. ” O símbolo de São Paulo pesa muito ” , disse. Além da suposta unidade do bloco em São Paulo, Aldo disse que a decisão foi tomada sob condições, como a discussão de uma plataforma de governo com a candidata Marta Suplicy. A decisão do ” bloquinho ” foi aplaudida ao ser anunciada na reunião da executiva petista.

Hoje, as siglas do bloco se reúnem com a direção municipal do PT para debater os pontos que foram apresentados aos petistas como condição de apoio a Marta. São eles: a indicação de Aldo na vice; a formação de um conselho político de campanha constituído por lideranças de todos os partidos e que tenha poder para definir tanto rumos da campanha eleitoral quanto aspectos do programa de governo; e a participação no governo, em caso de vitória na eleição. Ao PCdoB interessa, por exemplo, a área de esportes, assim como ao PDT a área trabalhista.

A coligação na chapa para vereadores ainda não é consenso. O PDT já firmou posicionamento de que não tem interesse em que a aliança seja ampliada também para a chapa de vereadores. Já o PRB tem esse interesse. Os outros dois partidos ainda não firmaram entendimento sobre o assunto. A avaliação é de que a ausência de uma candidatura a prefeito faz com que diminuam os votos de legenda, que costumam ajudar a eleger bancada para a Câmara Municipal. Além disso, uma chapa própria garante a linha de sucessão, na eventualidade de algum vereador desejar se candidatar em 2010 para a Assembléia Legislativa ou a Câmara dos Deputados.

Em reunião anteontem, o PT demonstrou abertura para discutir os pontos. A expectativa é de que já no início da próxima semana seja oficializada a chapa e as questões que demandem mais tempo, como a formação do conselho político, sejam negociadas após a formalização da candidatura. Há também um limite temporal para que isso ocorra: as chapas devem estar constituídas até o fim do mês, uma vez que a campanha se inicia no dia 6 de julho. As convenções desses partidos estão marcadas para o próximo fim de semana.

Fora de São Paulo, o maior problema para a direção do PT continua sendo Minas, pois Lula fizera um apelo ao partido para que não fossem criados problemas para a aliança com o PSDB. Dois recursos à CEN ajudaram a cúpula petista a resolver o problema rapidamente. Um pedia a intervenção prévia no diretório municipal de Belo Horizonte; outro, que o veto à aliança com os tucanos fosse reconsiderado. Por 13 votos, a Executiva decidiu rejeitar os dois recursos. Houve um voto pela intervenção e outro pela reconsideração.

A decisão já era esperada pelos petistas ligados ao prefeito Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, que a classificam de ” bolchevismo tardio ” e não têm a menor intenção de cumprir a determinação. A convenção para referendar a aliança com o candidato Márcio Lacerda (PSB) está confirmada para o próximo dia 21. Falta acertar como se dará a participação do PSDB do governador Aécio Neves. Para contar com o tempo de TV dos tucanos, PSB e PT precisam se coligar formalmente com o PSDB.

Para os aliados de Pimentel a decisão do PT tem contornos de ” revanchismo ” , algo pessoal contra o prefeito de Belo Horizonte, que defendia a ” despaulistização ” do PT. Avaliam que dá para fazer a campanha e ganhar a eleição sem o aval da cúpula ” bolchevique ” e que, em dezembro, o que importará é que no final do ano Fernando Pimentel e Aécio Neves terão eleito o prefeito da capital de Minas Gerais e que nada restará ao PT fazer.

A decisão da cúpula petista serve para agastar ainda mais a relação do PT com seus aliados à esquerda, mas demonstra que nenhum deles ainda conseguiu reunir força suficiente para avançar sobre uma porção significativa do espaço petista. Os partidos registraram também que, a exemplo do que ocorreu em outras ocasiões, como a eleição para a presidência da Câmara vencida pelo deputado Arlindo Chinaglia, o PT fez o que quis apesar das manifestações em contrário do presidente Lula.

(Raymundo Costa e Caio Junqueira | Valor Econômico)

19/06/2008 - 22:08h Em quem você acredita, nos serristas ou nos alckministas?

Coluna Direto da fonte de S. Racy no Estadão de hoje


Vai ter troco

Candidato a vereador do PSDB foi encontrar um secretário tucano-kassabista no Iguatemi e acabou sendo arrastado até a casa de Gilberto Kassab, que mora atrás do shopping.

Lá, foi “quase” convencido a assinar o documento a favor da coligação com o DEM. “A situação é de guerra”, declara um tucano das antigas.

alckmin_serra_bebendo.jpg

Tucano diz que recebeu proposta de suborno de kassabistas

WANDERLEY PREITE SOBRINHO
MARCELO GUTIERRES
colaboração para Folha Online

A briga interna do PSDB em torno da indicação para concorrer à Prefeitura de São Paulo ganhou um novo personagem: Pedro Vicente, presidente do diretório do PSDB no Jardim São Luís, zona Sul de São Paulo. Ele afirmou nesta quinta-feira à Folha Online que recebeu uma proposta de R$ 100 mil “da parte dos vereadores do PSDB” para assinar a lista em favor da chapa encabeçada pelo atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) e contrária à candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Vicente –que é favorável à candidatura Alckmin– disse que os vereadores kassabistas montaram um “quartel general” para convencer o maior número possível de delegados a votar na chapa pró-Kassab. “Foi montado um quartel general comandado pelos vereadores”, disse.

Ele disse que no último dia 9, por volta das 19h30, recebeu uma ligação de um homem que se identificou como membro do PSDB. Nessa ligação, ele pediu um encontro com Vicente para tratar da sucessão na capital paulista. “Ligaram no meu celular e perguntaram se eu era o Pedro Vicente.”

Vicente afirma que aceitou o encontro, que foi marcado para acontecer no Carrefour Giovanni Gronchi, na zona sul da cidade. A reunião deveria acontecer no estacionamento do hipermercado, mas Vicente pediu para que ela fosse realizada na praça de alimentação “onde há câmeras para filmar.”

“Chegando lá, ele falou que era do diretório estadual do PSDB. Eu perguntei de qual município, ele respondeu que era de São Paulo.” Mas quando Vicente perguntou qual era o diretório zonal, o homem teria voltado a repetir “diretório estadual”. “Aí eu perguntei o nome dele, que se identificou como Marcos Aurélio da Silva. Mas eu não sei se é verdade.”

Vicente afirma que Marcos queria seu apoio para a candidatura Kassab porque ele seria muito influente no PSDB daquela região, que inclui nove diretórios: Piraporinha, Santo Amaro, Parelheiros, Cidade Ademar, Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim São Luís, Capela do Socorro e Grajaú.

“Ele disse que se eu aceitasse, me oferecia dois cargos na prefeitura. Eu ia escolher os cargos, ir na prefeitura com os documentos, que sairia tudo no Diário Oficial. Então eu questionei: ‘cargo por seis meses?’. Ele me respondeu: ‘então o seu negócio é dinheiro?’ e eu respondi que não era um cara barato, que era para ver até onde ele iria chegar. Então ele me ofereceu R$ 100 mil e depois baixou para R$ 50 mil”, afirmou Vicente.

Vicente disse que pediu um tempo para pensar a respeito. Então fez uma reunião com os nove diretórios. “Foi quando fiquei sabendo que esse Marcos ofereceu o mesmo para os líderes de Cidade Ademar, Grajaú e Paralheiros.”

Segundo o delegado tucano, ficou combinado entre as partes que Marcos ligaria para Vicente amanhã às 12h para combinar o dia do pagamento.

Vicente também diz que foram registradas outras formas de coação por parte dos kassabistas. Ele afirma que motoboys foram contratados para visitar a casa de todos os delegados para colher suas assinaturas. “Muitos diziam que a assinatura era pró-Alckmin, então alguns assinaram por engano. Alguns motoboys disseram que a assinatura era só para os vereadores, não mencionava o Kassab.”

O outro lado

“Esse moço está no partido há muito pouco tempo. Ele é um provocador”, afirmou o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, defensor da aliança com o DEM. “Ele é o cara mais agitado da zona sul. Ele foi funcionário da subprefeitura.”

Feldman disse que não conhece as motivações de Vicente para fazer essas denúncias, mas pediu provas para investigar o caso. “Se ele tem uma prova disso, isso nos interessa muito. Isso é um crime. Se a denúncia for consistente, temos de fazer uma prisão em flagrante.”

Mesmo assim, ele ironizou a acusação. “Eu acho incrível que alguém ofereça um valor desse por um voto. Ele deve se considerar uma pessoa muito especial. Acho que é mentira. Mas, se tiver prova, temos o interesse de investigar.”

O secretário defendeu o PSDB e isentou a ala alckimista, que poderia ter articulado a denúncia. “Isso não tem nada a ver com a nossa prática e a nossa conduta. Não acredito que ninguém que esteja nessa batalha tenha esse tipo de prática. No PSDB não tem esse tipo de prática. Eu jamais acusaria o outro lado sem ter prova.”

Kassab

Kassab também negou a tentativa de suborno ao tucano. “Eu estou sabendo agora, mas tenho certeza absoluta que é muito provável que não tenha fundamento [a acusação]. São acusações eleitoreiras”, afirmou.

Sobre o fato de terem oferecido cargo ao tucano, Kassab afirmou: “Espero que não seja verdadeira a afirmação. O PSDB tem história, tem quadros e um presidente de diretório não está à venda”, afirmou.

19/06/2008 - 21:47h A direita está brava (p. da vida)

Nota de Noblat

Por que Aldo virou vice de Marta

Mais uma vez o PT bateu o pé, esticou a corda e ganhou a parada na hora de se compor com seus aliados mais próximos para disputar eleições.

O chamado bloquinho de partidos de esquerda (PC do B, PSB, PDT e, vá lá, PRB) estava unido em torno da candidatura do deputado Aldo Rebelo (PC do B) a prefeito de São Paulo.

Para que Aldo virasse candidato a vice de Marta Suplicy, como queria o PT, o bloquinho pedia:

a) a desistência de Alessandro Molon, candidato do PT a prefeito do Rio;

b) o apoio do PT carioca à candidatura a prefeita de Jandira Feghalli (PC do B);

c) a revogação do veto da direção nacional do PT a uma aliança formal entre o PT mineiro e o PSDB do governador Aécio Neves para eleger Márcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte;

d) a desistência da candidata do PT a prefeita de Manaus e o apoio do partido à reeleição do prefeito Serafim Fernandes (PSB).

O PT não atendeu a nenhum dos pedidos - apesar do aparente empenho de Lula para que pelo menos atendesse alguns.

Aldo aceitou ser vice de Marta porque o PSB cedeu ao apelo de Lula, interessado em ajudar sua ex-ministra. Se Aldo se recusasse a ser vice, o PSB indicaria para a vaga a ex-prefeita Luiza Erundina.

E o que o PSB ganhou em troca?

A promessa de Lula de que dará uma força para que Serafim se reeleja em Manaus. E para que Lacerda se eleja em Belo Horizonte.

Lula ficou grato a Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB.

O PT não se sente grato a ninguém.

Ricardo Noblat

17/06/2008 - 19:54h Tucanos pró-Kassab racham partido em chapa contra Alckmin

Grupo do PSDB que apóia prefeito de SP registrou chapa nesta terça-feira no diretório municipal

jose-serra.jpgalckminkassab.JPG

Carmen Munari, da Reuters - Portal Estado.com.br

SÃO PAULO - Está formalizado o racha no PSDB de São Paulo. O grupo do partido que apóia a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição registrou chapa no diretório municipal nesta terça-feira, que vai disputar a indicação com o ex-governador Geraldo Alckmin. A proposta, assinada por 424 delegados do total de 1.344, é encabeçada pelo secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, e pelo líder da bancada tucana na Câmara Municipal, Gilberto Natalini. Dos 12 vereadores do partido, apenas um apóia Alckmin.

O diretório municipal tem até 48 horas para enviar o registro da chapa à direção nacional do partido, em Brasília, que tem direito à última palavra.

“A prefeitura de São Paulo é um governo nosso, em aliança com o DEM. A bancada do PSDB é a favor da gestão Kassab”, disse Natalini, ao registrar a chapa, acompanhado de 10 vereadores.

O prazo para o registro terminava nesta terça-feira, cinco dias antes da convenção marcada para domingo, 22.

A disputa entre as duas correntes se estende há meses. Em maio, no entanto, Geraldo Alckmin conseguiu a indicação do partido em reunião marcada por fortes protestos dos kassabistas.

No sábado passado, a candidatura de Kassab foi formalizada em convenção do DEM, que contou com a presença dos políticos tucanos que o apóiam. O governador em exercício Alberto Goldman compareceu representando José Serra. Em viagem ao exterior desde o dia 11 de junho, Serra vem trabalhando nos bastidores pela candidatura Kassab.

PSDB e DEM elegeram Serra prefeito e Kassab como seu vice em 2004. Em 2006, Kassab assumiu a prefeitura quando Serra disputou e venceu a disputa pelo governo do Estado. Os tucanos mantiveram forte presença na máquina da prefeitura, em secretarias e demais órgãos.

Além do DEM, Kassab tem o apoio do PMDB, PR e PV. Enquanto a candidatura Alckmin fechou com o PTB, que ocupará a vice.

Na esperança de obter o apoio do PSDB, o vice na chapa de Kassab ficou em aberto até a convenção tucana. Se esta hipótese não se concretizar, o PMDB ocupará a vice.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, interferiu na disputa paulistana e chamou os dissidentes a Brasília na semana passada, sem sucesso.

O que está em jogo nesta disputa é o apoio do DEM à possível candidatura de Serra à Presidência da República em 2010. O tucano quer garantir a adesão do parceiro político e preferiria ver Alckmin como candidato ao governo do Estado. Para o DEM, a conquista da capital paulista daria um forte impulso ao partido, que tem apenas um governador (Distrito Federal) e perdeu participação parlamentar nas últimas eleições.

Pesquisas de intenção de voto para a prefeitura de São Paulo mostram Kassab em terceiro lugar na disputa. Marta Suplicy (PT) e Alckmin lideram em empate técnico.