26/10/2009 - 11:35h Alckmin e Serra em São Paulo

FERNANDO DE BARROS E SILVA – FOLHA SP

SÃO PAULO – Os holofotes da sucessão se voltam, no momento, para a hipótese extravagante de que Ciro Gomes possa ser candidato ao governo paulista apoiado pelas forças de Lula. Fora das luzes, porém, há uma outra batalha sendo travada no interior do campo tucano.
Se José Serra for mesmo disputar a Presidência, qualquer solução que não seja a candidatura de Geraldo Alckmin em São Paulo custaria caro demais ao PSDB. É o que pensam pessoas influentes do serrismo. A razão é simples: Alckmin tem mais de 40% das intenções de voto nas pesquisas. O outro postulante à vaga, o secretário de Governo, Aloysio Nunes Ferreira, não passa dos 2%.
Jogo encerrado? Serra procura evitar o assunto, mas Aloysio tem mostrado um apetite surpreendente. Colegas brincam que nunca viram ninguém tão homenageado por prefeitos do interior.
Quem conhece Serra, no entanto, aposta que prevalecerá o seguinte raciocínio: Aloysio é mais próximo e seria melhor governador, mas Alckmin é o candidato que mais convém às pretensões presidenciais dos tucanos -e assim será.
O PSDB, de resto, dizem os entendidos, não teria estrutura de pessoal para sustentar duas campanhas difíceis em São Paulo. E Serra não poderia carregar um azarão no colo tendo a máquina de Lula/Dilma contra si no país.
Alckmin é hoje uma espécie de ilha anexada ao continente do serrismo. Mas seu principal adversário em São Paulo não está no PSDB. Chama-se Gilberto Kassab. O prefeito mobiliza todas as suas forças na bancada estadual do DEM e com colegas do interior para viabilizar Aloysio. Kassab vê em Alckmin uma ameaça a seu futuro no Estado. O tucano, por sua vez, espalha que o prefeito abandonou a cidade para fazer política fora de casa.
Alckmin, por ora, aguarda a mediação de Serra. Mas, confiante, já tem uma chapa “conciliadora” na cabeça: Guilherme Afif, do DEM, seria seu vice; Quércia, do PMDB, disputaria uma vaga ao Senado; a outra seria de Aloysio. E então?

11/10/2009 - 09:34h Movimentação pró-Aloysio aumenta divisão no partido

Principais lideranças do DEM no Estado, como Kassab, trabalham em favor do titular da Casa Civil de Serra

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Serra, Goldman, Aloysio


O Estado SP

Nos últimos meses, as movimentações de adeptos da candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin e de simpatizantes do chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, criaram tensão no PSDB. O motivo do desconforto são as articulações promovidas por tucanos próximos a Aloysio, no interior do Estado, com a ajuda do DEM. As principais lideranças do partido aliado, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, trabalham no bastidor para emplacar o nome do secretário da Casa Civil de Serra.

Discretamente, Aloysio costura uma rede de apoios no Estado. Além do DEM, o chefe da Casa Civil tem garantido o apoio do PMDB, partido ao qual já pertenceu, do PPS e de legendas menores. O ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista, não impõe restrições a Alckmin, embora também se dê bem com Aloysio. Mas pesam questões pessoais. Em 2010, Quércia fará coligação com a chapa tucana, ocupando uma das duas vagas para o Senado. Prefere não ter na outra vaga Alckmin. Em conversas reservadas, o comentário é que o Senado será “ofertado” ao secretário de Desenvolvimento de Serra, caso ele seja vetado na disputa estadual.

Com a caneta na mão para liberar verbas, Aloysio recebe elogios até de prefeitos da oposição. Nas palavras de um aliado, trata-se de uma “campanha devastadora”. Seus índices nas pesquisas, porém, não ultrapassam os 5%. Nos fins de semana, ele viaja pelo interior. Em agosto, ganhou títulos de cidadão benemérito de 12 cidades que compõem a Associação dos Municípios do Vale do Paranapanema.

No dia 26 de setembro, 37 prefeitos, 175 vereadores e integrantes de 64 municípios receberam Aloysio em Taquaritinga. O prefeito José Paulo Delgado Júnior, do DEM, disse que os políticos da região estão envolvidos na candidatura do tucano. “Ele tem atendido muito os prefeitos. Na classe política, 95% apoiam Aloysio. Alckmin era um grande governador, mas está mais descentralizado, e Aloysio tem poder para decidir as coisas.” A ideia, disse Delgado, é fazer vários encontros entre prefeitos do DEM e Aloysio, até o fim do ano, para fortalecer sua pré-candidatura.

O deputado Walter Ihoshi (DEM-SP), da região de Marília, afirmou que percebe entre os prefeitos muito entusiasmo com Aloysio. “É um grande nome”, insistiu. “Se dependesse dos prefeitos, já estaria eleito.”

Os discípulos de Aloysio garantem que, caso a disputa chegue à convenção, ele leva a maioria dos votos. Alckmistas rebatem: juram que o ex-governador tem 90% de apoio dos delegados no Estado.

Aloysio conta com a simpatia de Serra, mas amigos do governador garantem que o pragmatismo falará mais alto na hora da escolha do concorrente. “Para impedir a candidatura do Alckmin, Serra teria de fazer um banho de sangue no PSDB de São Paulo”, diz um ministro do governo Lula. Se Aloysio não entrar no páreo, deverá ser um dos coordenadores da campanha de Serra. Ele não tem interesse em disputar novamente a Câmara.

O secretário-geral do PSDB estadual, César Gontijo, minimiza o confronto. “Não temos o direito de perder tempo com disputas paroquiais. A energia precisa ser focada na indicação de Serra para a Presidência. São Paulo tem de passar para o Brasil um clima de harmonia”.

Pelo menos está acertado que a escolha do candidato a governador sairá no começo do ano que vem. Primeiro, será batido o martelo sobre a cadeira presidencial. O argumento é que Serra não pode indicar o sucessor agora, pois encurtaria seu governo e sinalizaria para o mineiro Aécio Neves, o outro postulante do PSDB ao Planalto, a definição de seu destino.

Em tese, o governador paulista pode disputar a reeleição. Mas, por enquanto, trata-se apenas de uma tese.

11/10/2009 - 09:14h ”Exilado” no PSDB, Alckmin reage ao fogo amigo e busca se fortalecer

Secretário de Serra foi convencido de que precisa agir rápido para firmar candidatura ao governo de São Paulo

Caio Guatelli / Folha Imagem
Foto Destaque
José Serra, entre Alckmin e Aloysio


Julia Duailibi e Vera Rosa – O Estado SP

Alvo de fogo amigo no ninho tucano, o pré-candidato do PSDB ao governo paulista Geraldo Alckmin decidiu mudar a estratégia de campanha ao Palácio dos Bandeirantes. Mantido numa espécie de exílio político, o secretário estadual de Desenvolvimento, líder das pesquisas de intenção de voto em São Paulo, trabalha agora para se reaproximar do PSDB, diminuir a resistência interna e consolidar seu nome na corrida, com a chancela do governador José Serra.

Aliados de Alckmin identificaram adversários, principalmente no DEM, que tentam “vender” sua imagem como a de um homem isolado. Tudo com o objetivo de amarrar o PSDB ao secretário-chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, outro postulante à cadeira de Serra. Munido desse diagnóstico, o ex-governador foi convencido de que é preciso agir rápido para neutralizar o bombardeio na seara tucana.

De temperamento discreto e sem tino para articulação política, Alckmin entrou na operação para fortalecer seu nome. “Estou saindo do período sabático, mas continuo na fase paz e amor”, anunciou. Apesar de contar com até 60% das intenções de voto, segundo pesquisas contratadas pelo partido, ele coleciona desafetos no PSDB e seu relacionamento com Serra, candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é apenas protocolar.

Disposto a mostrar serviço, Alckmin atuou pessoalmente, nas últimas semanas, para levar filiados ao PSDB. Foram 12 adesões que renderão candidatos a deputados federal e estadual. Além disso, ele tentou organizar reunião com a bancada paulista do PSDB na Câmara. Foi desaconselhado, sob o argumento de que ali prevalece o racha. Passou, então, a chamar parlamentares para conversas em seu escritório. A todos apresenta o mesmo script: uma dúzia de pesquisas, feitas por prefeitos, nas quais desponta como favorito na disputa.

Numa sinalização bem recebida por alckmistas, Serra delegou ao ex-governador a tarefa de representá-lo na filiação da deputada Rita Camata (ex-PMDB) ao PSDB, no último dia 30. Alckmin deixou a discrição de lado e desembarcou em Vitória (ES) acompanhado de oito deputados paulistas, que formam sua “tropa de choque”.

O secretário de Serra sofreu dois revezes, nas últimas semanas, que o ajudaram a sair da toca: o desembarque do PSDB de seu afilhado político Gabriel Chalita – vereador mais votado do País, que migrou para o PSB – e a filiação do deputado Geraldo Vinholi, ex-PDT, costurada à sua revelia. O parlamentar, que operou na Assembleia Legislativa contra Alckmin, quando ele era governador, chegou ao PSDB dizendo se identificar “com Serra e Aloysio”. Alckmin se sentiu desrespeitado.

LULÉCIO – DILMIN

Ele também ficou bastante irritado ao perceber o movimento pró-Aloysio organizado com o apoio do DEM. A temperatura entre “alckmistas” e “aloysistas” subiu tanto nos últimos meses que adversários dos tucanos já apostavam, em tom de galhofa, em comitês conjuntos entre Dilma Rousseff, candidata do PT à sucessão de Lula, e Geraldo Alckmin, em 2010.

A distorção, batizada de “Dilmin”, foi inspirada na eleição de 2006, quando apareceram em Minas os comitês “Lulécio”, numa referência a Lula – então candidato à reeleição – e ao governador Aécio Neves, que também concorria ao segundo mandato. Aliados de Alckmin chegaram a identificar uma assessora do Palácio dos Bandeirantes que, ao marcar cerimônias do governo, pedia aos prefeitos apoio a Aloysio.

Empenhado em desfazer a imagem de político que cria atritos – em 2006 ele desafiou Serra e saiu candidato à Presidência e, no ano passado, disputou a eleição contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM), aborrecendo o governador -, Alckmin afirma agora estar disposto a ajudar o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), a montar palanques para a campanha tucana ao Planalto.

“Eu tive muita aliança e pouco apoio. Sei que isso precisa ser construído”, admitiu o ex-governador, neoadepto da técnica de Pilates, que passou a praticar duas vezes por semana com os vizinhos de prédio.

Guerra tenta jogar água no confronto entre Alckmin e Aloysio. “Nós estamos trabalhando para unir o partido”, disse ele. Na prática, apesar do discurso pacificador, a rede de intrigas preocupa a cúpula do PSDB. O Estado, maior colégio eleitoral do País, terá influência decisiva na sucessão de Lula em 2010. A avaliação é que qualquer turbulência em São Paulo pode prejudicar a eleição de Serra, que deve enfrentar difícil campanha contra Dilma.

Na tentativa de mostrar sintonia com a direção do PSDB, Alckmin irá a Goiás, na semana que vem, e à Bahia, no começo de novembro. Nas duas viagens, ele participará dos encontros nacionais do PSDB para debater temas como emprego e segurança, que rendem votos.

Além de “tourear” os aliados de Aloysio, o ex-governador também está de olho no deputado Antonio Palocci, possível candidato do PT à sucessão de Serra. Não parece acreditar que Ciro Gomes (PSB-CE) vá encarar a empreitada em São Paulo. Alckmin e Palocci são médicos. Quando o petista era ministro da Fazenda, confidenciou ao tucano que, se voltasse no tempo, gostaria de ser psiquiatra. Foi então que Alckmin lhe deu o livro Curar – o stress, a ansiedade e a depressão sem medicamento nem psicanálise, escrito por David Servan Schreiber. Um livro que trata das emoções e, no diagnóstico dos alckmistas, vale para qualquer campanha.

28/09/2009 - 09:54h Líder nas pesquisas para o governo, Alckmin isola-se no PSDB

Caio Guatelli / Folha Imagem
Foto Destaque
Alckmin com Serra e Aloysio: ambos são secretários estaduais, mas é o da Casa Civil que tem poder de liberar emendas e construir a base de apoio no partido

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

A isolada liderança de Geraldo Alckmin (PSDB) para a sucessão do governo paulista em 2010 não tem sido suficiente para que seu nome tenha a unanimidade de seu partido, muito menos de seus principais aliados, DEM e PMDB. Há uma crescente mobilização para viabilizar a candidatura do seu correligionário, o secretário-chefe da Casa Civil de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, distante de Alckmin quase 50 pontos nas pesquisas.

O cenário lembra o de 2008, quando os tucanos se dividiram entre a candidatura à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a de Alckmin. Um ano depois, quem apoiou Kassab está com Aloysio. Já o grupo de Alckmin comporta dissidências.

Em razão disso, há no partido a certeza de que só o governador José Serra (PSDB) pode arbitrar o embate interno entre seus dois secretários e impedir a realização de prévias ou de uma convenção, se avaliar que isso pode atrapalhar sua campanha a presidente da República. A prioridade, por ora, é consolidar seu nome para a disputa ao Planalto, em uma composição com o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). Isso deve ser feito até janeiro. Depois, focará no cenário estadual até o final de março, prazo final para Alckmin e Aloysio se desincompatibilizarem de seus cargos.

Não havendo definição, o processo pode se estender até a convenção, em junho. O embate, porém, é dado como certo. “Vai ter disputa interna. Não há nenhum problema em passarmos por isso”, afirma o líder do governo na Assembleia, Vaz de Lima (PSDB), historicamente ligado a Aloysio.

Até que a disputa seja explícita, o trabalho é nos bastidores, onde Aloysio tem liderança absoluta. Seus apoiadores apostam na força da máquina do governo paulista – da qual Aloysio é o gerente – e na rejeição a Alckmin, no partido e entre os aliados, para construir sua candidatura.

Cálculos do PSDB mostram que na Câmara Municipal de São Paulo, dos 12 vereadores, apenas um tem apoio declarado a Alckmin: seu ex-secretário de Assistência Social, Floriano Pesaro. O ex-governador tinha outro vereador ao seu lado, seu também ex-secretário de Educação Gabriel Chalita que, sem espaço no partido, assina amanhã sua ficha de filiação ao PSB para concorrer ao Senado. Na Assembleia Legislativa, dos 23 deputados, o cálculo é de que 21 estão com Aloysio. A bancada federal se divide, mas ainda assim a preferência é por Aloysio: 9 x 7.

O que explica esse quadro é, primeiro, o relacionamento político-financeiro que Aloysio tem construído com as bases estaduais. É ele o principal responsável pela liberação das emendas parlamentares e pelos convênios assinados entre o Estado e os municípios. Só nos dois primeiros anos do governo, foram liberados cerca de R$ 210 milhões diretamente para prefeitos e R$ 227 milhões para deputados estaduais, ambas dentro de uma rubrica orçamentária específica da Casa Civil, denominada Unidade de Apoio aos Municípios. Na gestão anterior, do próprio Alckmin, os valores dessa rubrica eram, segundo o governo, “muito menores”. Cotas orçamentárias para deputados estaduais, hoje em R$ 3 milhões, nem existiam.

Outro fator é o crescente isolamento político-partidário de Alckmin, dentro e fora do PSDB. Sua atuação nos três últimos processos eleitorais levaram a isso. Em 2004, tentou impor seu polêmico secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, como candidato a prefeito, uma figura sem qualquer ligação histórica com o partido.

Dois anos depois, o PSDB sangrou na disputa entre Serra e Alckmin para a candidatura à Presidência. O atual governador ia melhor nas pesquisas, mas Alckmin e seu grupo disseminavam a tese do “candidato natural”, uma vez que Serra teria de deixar a prefeitura ao passo que Alckmin estava em seu último ano no governo do Estado.

Mas são das eleições de 2008 que ainda restam as grandes feridas. Parte dos tucanos apoiava Kassab, já que se tratava da manutenção da aliança em que fora eleito em 2004, como vice de Serra. Outra parte, o grupo de Alckmin, se apoiava na liderança nas pesquisas para impor sua candidatura. Ao final, o ex-governador não chegou ao segundo turno.

Muitos dos tucanos que ficaram com Kassab foram chamados de traidores e chegaram a sofrer ameaças de expulsão. Fundador do partido, o secretário paulistano de Esportes e deputado federal licenciado Walter Feldman é um deles. Cauteloso, não se posiciona na disputa mas diz que ela é bem-vinda. “O partido só se fortalecerá na luta interna. O que prejudica o PSDB é ter medo disso. Será uma boa disputa entre os dois.”

A formação de uma forte corrente favorável a convenção ou às prévias não é único revés que Alckmin enfrenta. Ele assiste ainda à defecção de antigos aliados. Um exemplo é Tião Farias, muito ligado a Mário Covas e um dos poucos vereadores que em 2008 foram de Alckmin. Lotado na Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, está com Aloysio. Outros dois alckmistas de carteirinha também desembarcaram, o atual vereador Carlos Bezerra Júnior e o deputado estadual Marcos Zerbini. Procurados, Farias e Bezerra não responderam ao pedido de entrevista. Zerbini disse que “não queria comentar o assunto”.

O ex-secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, que ajudou Alckmin nos conflitos internos em 2008, está fechado com Serra. Será uma espécie de assessor político especial do governador. O presidente do PSDB paulistano, José Henrique dos Reis Lobo, ligado a Alckmin e importante ponte entre ele e Serra, enfrenta desprestígio com a base municipal. Tem o diretório, mas não o diálogo com a Câmara e a prefeitura.

No DEM de Kassab, o discurso é de que o apoio é total a quem Serra indicar, embora seja nítido o desconforto com a hipótese de que Alckmin seja esse nome. Um sinal disso é a colocação de Kassab como nome viável ao governo do Estado. O DEM também baseia-se em pesquisas internas que dão viabilidade eleitoral a Kassab no Estado e no crítico cenário nacional que o partido prevê enfrentar em 2010, após oito anos de oposição ao popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A opção do PSDB pela candidatura Aloysio deixaria uma porta aberta a Kassab caso o secretário tucano se mostre pouco viável até abril, prazo da desincompatibilização.

Mais próximo aliado de Kassab em Brasília, o deputado federal Guilherme Campos (DEM-SP), ex-vice prefeito de Campinas e coordenador da bancada paulista federal do DEM, diz que o projeto da legenda é fazer Serra presidente e apoiar quem este indicar à sucessão. Afirma ainda que liderança em pesquisa, a um ano das eleições, é irrelevante. “A pesquisa nessa fase pré-eleitoral é um cenário que mede antes o nível de conhecimento do que de viabilidade eleitoral. Não dá para comparar a exposição e a presença na mídia que o Alckmin tem com a do Aloysio. É só pegar o exemplo de 2008, com o Kassab. Alckmin liderava e perdeu. Kassab decolou”, afirma.

O PMDB do ex-governador Orestes Quércia também está fechado com Aloysio, que foi homem forte nas duas últimas gestões do partido no Estado. Além disso, há resquícios de 2008. Na campanha, Alckmin, ao criticar a aliança de Kassab com Quércia, disse que o ex-governador “quebrou o Estado”.

Em meio às dificuldades, os alckmistas adotaram a seguinte premissa: esquecer os conflitos de 2008, pois eleição para presidente e governador tem nuances diferentes da de prefeito e o foco agora deve ser construir o melhor cenário no Estado para que Serra seja eleito presidente.

“O objetivo é ganhar a presidência e criar cenários para que isso se dê da forma mais favorável possível. Não se pode pensar 2010 com a cabeça de 2008″, diz o deputado federal Edson Aparecido (SP), fiel a Alckmin. Para ele, não se pode querer “turbinar cenários que hoje não existem”. “As questões que fazem parte de um processo eleitoral para presidente e governador são absolutamente distintas”, diz.

O também deputado federal Silvio Torres (SP), do mesmo grupo político, aposta no governador José Serra para unir o partido. “Os problemas são perfeitamente superáveis a partir do momento em que Serra conduzir esse processo. Não vamos nos perder em malquerências do passado. O projeto Serra presidente passa por candidaturas fortes nos Estados. É essa visão amadurecida que precisamos ter”, afirma.

A prioridade de fazer Serra presidente é uníssona entre os dois grupos. A diferença é que os defensores de Aloysio acham que seus 2% nas pesquisas podem ser alavancados com certa facilidade. O partido tem a máquina, a aliança tem a quase totalidade dos 645 municípios paulistas e os investimentos em 2010 serão grandes. Por outro lado, se o crescimento nas pesquisas demorar a acontecer, o PSDB corre o risco de enfrentar uma dura eleição no Estado que comanda desde 1995, colocando em risco o projeto principal de voltar ao governo federal. “As atenções não podem estar voltadas para a candidatura a governador, mas sim para presidente. Uma disputa em Sao Paulo dispersaria os esforços”, afirma o secretário-geral do PSDB paulista, Cesar Gontijo.

Serra aguarda a definição do cenário até o início de 2009. Precisa, primeiro, compor com Aécio, pois avalia que sem São Paulo e Minas unidos em uma candidatura tucana – trata-se dos dois maiores colégios eleitorais do país – fica difícil se contrapor ao favoritismo petista no Norte e Nordeste. Quer partir de uma base de 70% em seu Estado. Para atingir esse índice precisa de um candidato forte.

“Para Alckmin ter chance precisa se aproximar desses setores que têm reclamações contra ele, caso contrário corremos o risco de DEM e PMDB até fazerem um candidato. Isso pode ser evitado”, diz o secretário municipal de Participação e Parceria, Ricardo Montoro (PSDB). Assim como outros tucanos próximos a Kassab, ele também acha que só a pesquisa não será suficiente para dar amálgama à candidatura Alckmin. “Não se iluda com Ibope. Ibope é nível de conhecimento, não é voto definido. Quem acha diferente disso não entende de política.”

Procurado por meio de sua assessoria, Alckmin não foi localizado pela reportagem. Em público, tem emitido sinais de composição. Por exemplo, costuma comparecer a eventos em que Kassab está e já conversou com Quércia. Mas ainda que prevaleça seu nome, terá que ceder. O desenho atual, caso isso ocorra, é de que Kassab indique o candidato a vice – possivelmente o secretário estadual de Trabalho, Afif Domingos – e que, para ajudar na campanha de Quércia ao Senado, o PSDB lance apenas um nome ao cargo. Por outro lado, pode avaliar que sua situação no partido está muito difícil e aceitar sair para o Senado ou procurar outra legenda para se candidatar, como fez Chalita ao ir para o PSB. Teria até a próxima semana para fazê-lo.

18/09/2009 - 11:33h Kassab está determinado a disputar o governo paulista em 2010, segundo O Globo

Jornal O Globo página 2

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04/09/2009 - 15:25h As pulgas de Mônica Bergamo

PULGA
Cresceu no PSDB ligado a Geraldo Alckmin, ontem, depois da demissão de Andrea Matarazzo, a certeza de que o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), em aliança com Orestes Quércia (PMDB-SP), é candidato ao governo de São Paulo em 2010.

PULGA 2
“Os dois [Kassab e Quércia] só estão apoiando a pré-candidatura do Aloysio [Nunes Ferreira, secretário da Casa Civil do governador José Serra] para prejudicar uma possível candidatura do Alckmin. Sabem que ele não tem voto e esperam apresentar Kassab como solução de consenso em 2010″, diz um dirigente tucano.

Leia a integra da coluna de Mônica Bergamo, na Folha SP

21/07/2009 - 10:57h PSDB-SP avalia prévias para a escolha dos candidatos ao governo e ao Senado

Alan Marques/Folha Imagem
Foto Destaque
Alckmin e Aloysio: PSDB avalia dois modelos de prévia, um que votem os 4.004 delegados e outro que abranja os 105 integrantes do diretório estadual tucano

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

A exemplo do que deve ocorrer com os governadores de Minas, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, o PSDB avalia transferir a solução encontrada para a existência de dois candidatos a presidente em 2010 também para a sucessão no Estado de São Paulo: as prévias partidárias. A hipótese começa a ganhar força e é tida como melhor saída para que os dois pretendentes ao cargo, o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, e o secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, não façam com que o partido entre em mais uma eleição paulista dividido.

Assim como a disputa em plano nacional, os principais defensores da ideia são aqueles que estão com o mais baixo índice de intenção de voto. No caso, tucanos ligados a Aloysio, que na última pesquisa Datafolha marcou 2% das intenções de voto, no melhor dos cenários. Fica atrás de Antonio Palocci (PT), Luiza Erundina (PSB), Paulo Maluf (PP) e Soninha (PPS). Alckmin atinge mais de 50%.

A fórmula por ora que prevalece é de que votem os 4.004 delegados estaduais do partido distribuídos entre os 645 municípios. Também se avalia a possibilidade de um processo interno eleitoral que restrinja a disputa entre os 105 integrantes do diretório estadual, composto em sua maioria por detentores de cargos eletivos nos planos federal e estadual.

Nesse universo, os correligionários de Aloysio dizem que ele venceria uma eventual disputa interna, embalado pela liberação de recursos para deputados estaduais e prefeitos. O secretário tem percorrido o interior paulista para participar de encontros com lideranças municipais e regionais, nas quais ouve as reivindicações e trabalha para consegui-las. Seu reduto eleitoral é a região de São José do Rio Preto (440 km a noroeste do Estado), uma das mais populosas do Estado, mas sua atuação na Casa Civil tem feito com que ganhe apoio em outras regiões do Estado.

Afastado do comando do governo estadual desde 2006, Alckmin tem nos altos índices das pesquisa sua principal força para ser escolhido candidato. Rivaliza esse apoio popular com os recursos financeiros que Aloysio tem utilizado para se movimentar pelo interior. Além disso, é um tucano de origem, fundador do PSDB e que praticamente formou o partido no Estado no início dos anos 90. Aloysio é um ex-pemedebista muito ligado a Orestes Quércia, cujo grupo foi reconduzido ao núcleo do poder estadual pelas mãos de Serra.

O reduto alckmista mais forte é no Vale do Paraíba, região de Pindamonhangaba (145 km a Nordeste de São Paulo) onde iniciou sua carreira política. Politicamente, a Pasta que ocupa no governo Serra -Desenvolvimento – limita sua atuação no Estado basicamente à definição de políticas de educação superior, técnica e tecnológica. Contra ele pesam ainda recentes embates internos no partido, para ser escolhido candidato a presidente em 2006 e a prefeito de São Paulo em 2008. Ambos os episódios geraram rachas no partido.

Os prós e contras de ambos são suficientes para que dirigentes do partido não especulem sobre quais seriam as chances reais de vitória de cada um deles. O que não falta é bombardeio interno. Para um lado, Aloysio não é tucano de origem (ele se filiou ao partido no final dos anos 90) e só tem apoio pela força do cargo. Para o outro lado, Alckmin é um neo-serrista que passou por cima do governador nas duas últimas eleições.

Com esse cenário, as prévias paulistas só acontecerão se Serra não encontrar uma solução que agrade aos dois candidatos. Embora tenha preferência por Aloysio, o governador paulista imagina que Alckmin partindo de 50% seja imbatível e não lhe traria problemas no Estado que seu partido comanda desde 1995.

A disputa entre os dois é impulsionada pelo fato de o indicado ter grandes chances de ser eleito. O governo paulista está presente, diretamente ou com seus aliados, em cerca de 550 dos 645 municípios paulistas. O partido dá a eleição como ganha. Acha que o PT vai entrar apenas para construir o nome de alguém para as eleições seguintes. E que a possibilidade de o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) entrar na disputa é o sinal mais claro da falta de opção da oposição e do receio de um péssimo desempenho nas urnas.

A possibilidade de prévias também atinge os candidatos ao Senado. O partido tem quatro nomes em jogo: o presidente estadual do PSDB, deputado federal Mendes Thame; o líder do partido na Câmara, José Aníbal; o vereador em São Paulo, Gabriel Chalita; e o secretário de Educação, Paulo Renato de Souza.

Serra tem preferência por Paulo Renato, embora o ex-ministro da Educação não tenha tanta exposição eleitoral quanto Aníbal e Mendes Thame. Chalita é considerado alckmista ferrenho. E, segundo tucanos paulistas, se o grupo de Alckmin não levar a candidatura ao governo ficará com o Senado. A outra vaga para o Senado está reservada a Quércia. Foi esta a condição do acordo feito em 2008 pelo qual o PMDB apoiaria Gilberto Kassab (DEM).

As duas prévias em discussão, porém, não são a única preocupação do governador no cenário eleitoral de 2010 no Estado. Serra tem manifestado apreensão sobre a composição da chapa das eleições proporcionais, que escolherão os deputados federais e estaduais. O governador quer uma chapa com puxadores de voto. Sem a presença de aventureiros, portanto. Com isso, pretende que o PSDB e seu aliado DEM elejam o maior número possível de parlamentares para a bancada federal que possa dar sustentação a um eventual mandato tucano na Presidência da República. Em 2006, os tucanos elegeram 17 dos 80 deputados paulistas. O DEM elegeu três.

Em razão disso, na semana que vem dirigentes estaduais do partido irão se reunir para começar a definir a distribuição de candidatos pelo Estado. A meta é evitar que mais de um candidato dispute a mesma região. Assim, cada um teria uma faixa de cerca de 330 mil eleitores que seriam o público-alvo de cada um.

O partido também conversará sobre as intervenções já feitas este ano em 73 diretórios municipais paulistas em que os tucanos não obtiveram bom desempenho eleitoral em 2008, como Ubatuba, São Caetano, Barretos, Itú, Matão e Mogi-Guaçu. Nesses municípios, as lideranças estaduais -como deputados e coordenadores regionais- indicarão nomes para compor uma comissão provisória, que será responsável pela revitalização local do partido.

15/07/2009 - 10:26h Liberação de verbas é ato de campanha do tucano Aloysio Nunes, segundo o Estadão

O Estado de São Paulo, o jornal, associa a liberação de verbas do governo de São Paulo aos municípios, à candidatura tucana a governador. A associação, mais que pertinente, mostra como procede o uso da máquina em favor do PSDB no poder e mesmo na disputa interna, feita com dinheiro público. O artigo não informa, porém, se a liberação de verbas para os municípios segue um princípio republicano indiferente a cor política do prefeito que recebe o dinheiro, ou um favoritismo partidário.

Faço uma aposta e lanço um desafio. Aposto que a base de apoio de Serra é a que recebe mais convênios, não sendo respeitada a representatividade da oposição. Desafio os jornais a publicar, como já fizeram inúmeras vezes com o governo federal, o número e a cor politica dos beneficiados pelos convênios entre Estado e municípios, aqui em São Paulo. LF

Aloysio anuncia repasses a prefeitos

É a segunda vez em menos de um mês que secretário, um dos cotados para suceder Serra, libera verbas

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Governador, vice-governador e Aloysio Nunes – O candidato de peito

Silvia Amorim – O Estado SP

Pela segunda vez em menos de um mês, o secretário da Casa Civil do governo José Serra (PSDB), Aloysio Nunes Ferreira Filho, comandou um anúncio de liberação de recursos para prefeituras paulistas. Ontem, em um evento que reuniu mais de 40 prefeitos na sede do governo estadual, Aloysio oficializou o repasse de R$ 9,2 milhões a 48 municípios. No mês passado, em encontro com outros 90 prefeitos, ele havia autorizado convênios de R$ 21 milhões.

O tucano é um dos nomes do PSDB para a sucessão de Serra no governo paulista em 2010. Ele disputa com o ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, a vaga de candidato do partido. Ambos sabem, entretanto, que a decisão final será do governador. Aloysio tem a seu favor a simpatia do DEM, principal aliado do PSDB no governo. Alckmin aposta no seu alto índice de popularidade nas pesquisas para disputar a eleição.

Nesses eventos públicos, Aloysio mantém sempre o discurso em tom administrativo. Mas a sua passagem, aos poucos, para a linha de frente em alguns eventos tem chamado a atenção, já que, muito discreto, sempre foi conhecido pela atuação nos bastidores da articulação política do governo. Alckmin também tem aproveitado os compromissos da administração para marcar presença no interior do Estado.

Os recursos anunciados ontem serão destinados a obras e compra de máquinas. Desde o início da gestão, Serra liberou R$ 862,8 milhões em convênios para 594 municípios paulistas. Ontem, em outro evento, ao anunciar um curso para formar mais de 100 mil técnicos em enfermagem, Serra lamentou a falta de continuidade desse tipo de programa, criado por ele quando ministro da Saúde, na esfera federal.

01/06/2009 - 09:56h Mais pesquisas

Pesquisa eleitoral com mais de um ano de antecedência ao pleito não tem função eleitoral e sim política. Ela serve para os debates internos aos partidos ou para avaliações sobre a viabilidade de tal o qual candidatura.

Por isso chama a atenção os diferentes cenários escolhidos para realizar as pesquisas, que não se basam nos candidatos efetivamente definidos, e sim em escolhas arbitrariamente decididas pelos que encomendam as pesquisas, no caso a Folha de São Paulo e o Datafolha.

Por exemplo, porque não incluir entre os eventuais candidatos o nome de Kassab? Porque não testar o efeito eleitoral da repetição de duas candidaturas do espetro demo-tucano (Alckmin e Kassab ou Kassab e Aloysio)? Vários setores do DEM defendem sua candidatura ao governo estadual em 2010 e não aceitam a do Alckmin.

Porque não incluir o nome do senador Aloizio Mercadante, que já foi candidato ao cargo de governador em 2006, mesmo que ele afirme que prefere ser candidato a releição de senador? Porque manter em todos os cenários várias candidaturas da oposição e só uma da situação?

Nos cenários escolhidos pelo Datafolha, chama a atenção os resultados obtidos por alguns nomes, como Alckmin e Marta, mas também Palocci com 7% em um dos cenários. Enquanto Alckmin dispõe da visibilidade de seu cargo, Marta está fora do noticiário e mais inclinada a disputar um cargo ao senado e Palocci só aparece raramente.

Em todo caso, a pesquisa eleitoral mostra consonância com a avaliação positiva do governo tucano em São Paulo, fazendo do candidato da situação o favorito da disputa.

Mas ainda muita água vai correr por baixo da ponte…

LF

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http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/05/05_MHG_pais_marta.jpg

Alckmin amplia vantagem na corrida pelo governo de SP

Ex-governador obtém de 47% a 50% dos votos; sem tucano, Marta se isola na liderança e o atual secretário de Serra subiu de 28 para 32 pontos; no interior, tucano atinge 53%, contra 10% de petista

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL

Quatro meses após ter assumido um cargo de primeiro escalão no governo de José Serra (PSDB) em São Paulo, Geraldo Alckmin ampliou ainda mais sua dianteira na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
O ex-governador tucano obtém de 47% a 50% das intenções de voto, revela pesquisa Datafolha realizada entre os dias 26 e 28 de maio. O melhor segundo colocado nos cenários em que Alckmin é apresentado ao eleitor, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT),chega a15%.
Sem Alckmin na disputa, Marta Suplicy se isola na liderança e alcança 25%, seguida por Paulo Maluf (PP), com 15%. Em março deste ano, quando o Datafolha realizou o primeiro levantamento para a sucessão ao governo do Estado, o atual secretário de Desenvolvimento de Serra variava de 41% a 46% das intenções de voto, e a petista atingia 13% no principal cenário (os dois apresentados ao eleitor) -portanto, a diferença entre eles era de 28 pontos percentuais e agora está em 32.
Também no levantamento anterior, Marta tinha 19% sem Alckmin na disputa e estava empatada tecnicamente com Paulo Maluf, então com 17%. A mais recente pesquisa, que tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos (intervalo de confiança de 95%), apresentou seis cenários ao eleitor. Nenhum deles tem o governador José Serra, líder na corrida pela sucessão do presidente Lula. No cenário sem Alckmin e com Marta, o secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, aparece como candidato do PSDB e atinge 2%.
Os outros nomes petistas foram o do ministro da Educação, Fernando Haddad, o do deputado federal Antonio Palocci e o do prefeito de Osasco, Emídio de Souza. O primeiro tem 1% das intenções, e o segundo, 7% no seu melhor desempenho. Emídio não pontuou. Nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade suas intenções de voto, o que indica que ele teria grandes chances de vencer no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
São nos cenários sem Marta que Alckmin atinge, respectivamente, 48% e 50% das preferências dos eleitores. A pesquisa do Datafolha é um levantamento por amostragem estratificada por sexo e idade com sorteio aleatório dos entrevistados -acima de 16 anos.
Foram realizadas 2.058 entrevistas em 56 municípios. Desde que assumiu a secretaria de Estado do Desenvolvimento em janeiro, após não ter chegado nem sequer ao segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo em 2008, Alckmin tem concentrado sua agenda de viagens e inaugurações no interior do Estado, onde ganhou sete pontos percentuais com Marta na disputa e chegou a 53% das intenções de voto.
Em março, o ex-governador tinha 46% no interior no cenário com a petista, e 34% na capital, onde alcançou agora 38%.
Marta permaneceu com 10% no interior e oscilou dois para cima na cidade de São Paulo, chegando a 22%. No principal cenário da pesquisa, Maluf tem 9% na terceira posição, seguido por Luiza Erundina (PSB), com 6%, por Soninha (PPS), com 5% e Paulinho (PDT) e Campos Machado (PTB), ambos com 2% cada. Ivan Valente (PSOL) e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf (sem partido), aparecem com 1% cada um.

12/12/2007 - 08:59h Kassab e Alckmin avisam aliados que vão disputar em SP

“Reeleição é algo que tem de ser considerado com naturalidade”, afirma prefeito; concorrer “é um direito dele”, diz vice de Serra

Kassab já admite ruptura da aliança entre PSDB e DEM nas eleições municipais e não vê constrangimento em enfrentar Alckmin em 2008

Ricardo Matsukawa/Futura Press
O prefeito Gilberto Kassab durante inauguração da nova unidade da rede do Hospital São Luiz

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, admitiu ontem, em discurso, a “intenção de continuar a contribuir” pessoalmente para o que chamou de futuro da cidade. Após listar realizações de sua administração, Kassab concluiu:
“Estamos apontando o caminho ideal a ser seguido. É sincera e firme nossa intenção de continuar a contribuir pessoalmente, diretamente, para semear, cultivar e, ao cabo, participar dos festejos da colheita”.

(mais…)

12/12/2007 - 08:53h Kassab e Alckmin avisam aliados que vão disputar em SP

“Reeleição é algo que tem de ser considerado com naturalidade”, afirma prefeito; concorrer “é um direito dele”, diz vice de Serra

Kassab já admite ruptura da aliança entre PSDB e DEM nas eleições municipais e não vê constrangimento em enfrentar Alckmin em 2008

Ricardo Matsukawa/Futura Press
O prefeito Gilberto Kassab durante inauguração da nova unidade da rede do Hospital São Luiz

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
FOLHA DE SÃO PAULO

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, admitiu ontem, em discurso, a “intenção de continuar a contribuir” pessoalmente para o que chamou de futuro da cidade. Após listar realizações de sua administração, Kassab concluiu:
“Estamos apontando o caminho ideal a ser seguido. É sincera e firme nossa intenção de continuar a contribuir pessoalmente, diretamente, para semear, cultivar e, ao cabo, participar dos festejos da colheita”.
O discurso foi previamente distribuído pela assessoria de Kassab. Nele, a palavra continuar está em caixa alta. Embora o prefeito tenha minimizado, depois, o impacto do discurso -alegando que poderia contribuir para a cidade como cidadão- o texto foi encarado como um anúncio de sua disposição de concorrer à reeleição.
“Ele disse que quer continuar, né? Então, pergunte a ele”, esquivou-se de comentar o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que representava o governador José Serra na entrega do prêmio “Eminente Engenheiro do Ano”, concedido pelo Instituto de Engenharia de São Paulo.
Antes de ser homenageado, ao responder se considera a reeleição uma tendência natural, Kassab declarou que “a reeleição é algo que tem de ser considerado com naturalidade, sim”. “Vejo com naturalidade que isso seja colocado à mesa de negociação.”
A divulgação da última pesquisa Datafolha precipitou a disputa, no bloco PSDB-DEM, pelo direito de concorrer à prefeitura. A dez meses da eleição e para desgosto de Serra (PSDB), tucanos dão como certa a candidatura tanto do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) como a de Kassab.
Estimulados pelos números, os dois avisaram a aliados que vão concorrer. Alegando que interlocutores de Serra não impõem obstáculos, Kassab diz que não vê constrangimento em enfrentar Alckmin.
Na segunda, em entrevista ao “Agora”, Kassab admitiu a possibilidade de ruptura da aliança PSDB-DEM. Até então, repetia que a coalizão não seria dissolvida. Ao comentar a pesquisa Datafolha (na qual tem 13% das intenções de voto), ele reconheceu a hipótese de revisão da aliança: “É mais do que natural que a aliança possa continuar na cidade. Porém, o momento de debatê-la é o ano que vem”.
Para o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, a candidatura de Kassab “é uma tendência natural”.
A idéia de que a candidatura de Kassab é legítima encontra eco dentro do Palácio dos Bandeirantes. Tucanos ligados a Serra avaliam que é difícil impedir que um prefeito se candidate à reeleição. “É um direito dele”, afirma o vice-governador Alberto Goldman (PSDB).
Os defensores da candidatura Alckmin reagem. “Respeitamos o direito do prefeito. Mas, para a decisão, devem pesar critérios objetivos, como competitividade. Alckmin é o candidato mais competitivo”, disse o deputado Duarte Nogueira.
A disputa contraria Serra. Segundo tucanos, ele pediu que adiassem o debate, sob o argumento de que pode prejudicar a administração. Ele reclama da antecipação de um problema.
“Temos muito tempo. É desejável um acordo. Se não, teremos que demover alguém dessa idéia [concorrer]. Temos 2010 pela frente”, diz Goldman.