19/09/2009 - 13:12h Faltam médico e remédio em UBSs e Kassab fecha maternidade do hospital Tatuapé. Serra sanciona terceirização em hospitais de SP

Rivaldo Gomes/Folha Imagem
Waldomiro Rocha não conseguiu remédios receitados
Waldomiro Rocha não conseguiu remédios receitados

Faltam médico e remédio em UBSs

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Kassab congela 12% da verba da Saúde para 2009

Willian Cardoso e Léo Arcoverde do Agora

Além do fechamento da maternidade do Hospital Municipal do Tatuapé, a redução de gastos na área da saúde também tem gerado problemas como falta de remédios e médicos na capital.

Na UBS Sítio da Casa Pintada, na Vila Jacuí (zona leste de SP), segundo moradores da região, não há anti-inflamatório nem curativo para os pacientes. Pior para o cabeleireiro Waldomiro Gomes da Rocha, 48 anos. Após ser atendido, por conta de um dedo inflamado, ele soube, na farmácia da unidade, que voltaria para casa sem a medicação receitada. “Entrou um pedaço de cabelo de um cliente na terça-feira. Pensei que iria melhorar, mas não consegui dormir de tanta dor. O médico receitou remédio e curativo. Só que não tem.

Na UBS Jardim das Oliveiras, também na zona leste, uma funcionária contou que uma paciente precisou obter prescrição de insulina com uma médica da AMA que fica ao lado, pois a UBS ficou sem médico por três horas.

No Hospital do M’Boi Mirim (zona sul de SP), pacientes contavam com dois clínicos no pronto-atendimento no fim da tarde de ontem. Um pediatra era responsável pela UTI, pela internação infantil e por eventuais emergências no pronto-socorro.

Resposta
A Secretaria Municipal da Saúde disse que atende toda a demanda tanto nas situações de urgência quanto nas consultas agendadas. A pasta também negou falta de profissionais na rede. Em relação à UBS Jardim das Oliveiras, a pasta explicou que os casos de urgência, em eventual falta de profissionais médicos, são encaminhados para a AMA.

A Saúde nega a falta de curativo e de medicamento na unidade. Procurada ontem à noite novamente, a pasta informou que não teria como responder sobre o hospital do M’Boi Mirim.

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Kassab fecha maternidade do hospital Tatuapé

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Kassab congela 12% da verba da Saúde para 2009

Bruno Ribeiro e Léo Arcoverde do Agora

Depois de se comprometer, por escrito, a manter a maternidade do hospital do Tatuapé (zona leste de SP) aberta, a gestão Gilberto Kassab (DEM) decidiu que fechará a unidade definitivamente. A maternidade contava com equipamentos complexos, como tomógrafo e UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para adultos, usada por mães que corressem risco de morte.

A medida ocorre em um momento em que a Secretaria Municipal da Saúde passa por um congelamento de R$ 644 milhões nas verbas da saúde. Cerca de 17% do total de recursos já empenhados (reservados para serem gastos) neste ano ainda não foram utilizados. A prefeitura nega relação entre o fechamento da maternidade e a economia de dinheiro.

A maternidade fazia 90 partos por mês, cerca de 1% do total mensal da cidade, e está fechada desde junho do ano passado. Mas era para ser um fechamento temporário. Segundo a prefeitura, como a UTI adulta passaria por reformas e o setor da maternidade era a única parte do prédio que poderia abrigar a estrutura da UTI, que não poderia deixar de funcionar, a maternidade foi desativada e a UTI ocupou o local.

Antes mesmo do fechamento, funcionários já diziam que o plano da prefeitura era fechar a maternidade para sempre, o que foi negado. O secretário-adjunto na época chegou a assinar um termo de compromisso, em nome do secretário Januário Montone, e o entregou à Câmara Municipal. O texto dizia que a reforma terminaria em 90 dias e a maternidade reabriria (veja quadro ao lado).

Passados mais de 450 dias, na última semana do mês passado, o conselho gestor do hospital foi avisado que o fechamento era definitivo.

O coordenador do conselho gestor, médico Marcelo Sidney Gonçalves, disse que não há falta de leitos de maternidade na cidade. Mas que o hospital do Tatuapé é “um caso à parte”, dada a estrutura para os partos de risco. “No final de julho, uma mãe de 19 anos que teve parto no [hospital estadual] Leonor Mendes de Barros [referência para partos na zona leste] e faleceu no transporte. Teve complicação, não tinha estrutura para dar suporte à mãe, botaram na ambulância para chegar até o hospital Sapopemba [zona leste] e chegou morta. No Tatuapé, há todo esse suporte.

Ontem, a enfermeira Maura Rezende Correia de Lima, 23 anos, grávida de sete meses e hipertensa, foi com o marido até a porta do hospital e não conseguiu atendimento. “A minha médica, que é residente aqui, me encaminhou do Hospital João 23 [na Mooca] para essa unidade, para que eu desse continuidade ao meu pré-natal. Tive 16 por 10 de pressão ontem à noite, e, mesmo assim, não me atendem”, reclamou a paciente.

A enfermeira disse que sua gravidez é de alto risco e que esperava ser melhor atendida. “Pensei que pudesse ter meu filho aqui. É um absurdo isso que o prefeito está fazendo.”

Demanda diminuiu, diz pasta

Bruno Ribeiro
do Agora

A Secretaria Municipal da Saúde disse, em nota, que vai fechar a maternidade do hospital municipal do Tatuapé porque a demanda na região vem diminuindo.

“Há cinco anos, faziam-se 350 partos por mês. No último ano, o máximo a que se chegou foi a 90 partos por mês. Outra razão é a localização do hospital, na mesma avenida onde fica a Maternidade Leonor Mendes de Barros, que também vem perdendo demanda –hoje com 40% de ociosidade”, informou a nota.

O texto diz que o hospital nunca foi referência de partos de risco. “A referência da região é a Leonor Mendes de Barros”, que, segundo a nota, possui leitos de berçário e de UTI.

Segundo o texto, as pacientes do Tatuapé irão para o Leonor e para o Hospital Municipal Doutor Ignácio Proença de Gouveia, que recebeu 16 novos leitos (mesma quantidade que tinha o Tatuapé).

Sobre a alegação de que a maternidade era cara, a nota diz que “a intenção da Secretaria Municipal da Saúde não é fazer economia, e sim priorizar as necessidades da população que atende”

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Serra sanciona terceirização em hospitais de SP

Folha de S.Paulo

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sancionou o projeto de lei que permite que todos os hospitais públicos da rede estadual sejam dirigidos por OSs (organizações sociais), mas vetou o artigo que possibilitaria que esses hospitais atendessem, mediante cobrança, a pacientes particulares e com plano de saúde. A decisão está na edição de hoje do “Diário Oficial” do Estado.

O projeto de lei original, de autoria do governador, só previa a permissão para a terceirização. A reserva de até 25% dos atendimentos a pacientes particulares e com plano de saúde foi acrescentada durante a tramitação na Assembleia, por uma emenda da deputada Maria Lúcia Amary (PSDB).

Entidades de defesa do SUS (Sistema Único de Saúde), contrárias aos termos do projeto de lei, apostavam que no final a cobrança nos hospitais públicos seria vetada. Segundo elas, o governo apoiou essa emenda com o objetivo de provocar uma grande polêmica em torno da cobrança e, assim, aprovar sem questionamentos a terceirização da gestão dos hospitais.

De acordo com o governador, a emenda da deputada tucana foi vetada porque uma lei federal e outra estadual obrigam a operadora de plano de saúde, quando seu cliente é atendido num hospital público, a fazer o pagamento ao SUS. As leis não falam em paciente particular.

A reportagem procurou a deputada Maria Lúcia Amary ontem, mas não conseguiu contato. Questionada antes do veto sobre não ser especialista em saúde –uma das críticas de entidades de saúde–, ela respondeu: “Eu não conheço todos os assuntos, mas procurei me inteirar. [Se fossem necessários conhecimentos específicos,] Lula não seria presidente. Ele não tem nem curso superior e discute qualquer assunto, inclusive os que ele não conhece”.

As OSs são entidades privadas sem fins lucrativos habilitadas para gerir hospitais, laboratórios e postos de saúde públicos. Elas recebem do dinheiro enviado pelos cofres públicos. O governo continua sendo o dono dos hospitais e exige que as entidades cumpram metas em sua gestão. Esse modelo começou a ser utilizado em São Paulo em 1998. Hoje o Estado já conta com 25 hospitais geridos pelas OSs.

16/09/2009 - 10:56h Kassab congela 12% da verba da Saúde para 2009

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Recursos represados chegam a R$ 644,4 milhões; construção de três hospitais perdeu metade do dinheiro

Diego Zanchetta – O Estado SP

A gestão Gilberto Kassab (DEM) descumpriu a promessa de não congelar verbas na área da Saúde. Somente no primeiro semestre deste ano, os recursos represados da pasta somaram R$ 644,4 milhões, o equivalente a 12% do orçamento anual atualizado para o setor, de R$ 5,4 bilhões. Uma das dotações mais atingidas, com um contingenciamento de 77%, é a rubrica destinada a ampliação e reforma de equipamentos de saúde: foram congelados R$ 79,7 milhões de um orçamento anual de R$ 104,1 milhões.

Os dados constam no Relatório de Acompanhamento Orçamentário e Financeiro da Secretaria Municipal da Saúde do segundo trimestre, enviado à Câmara Municipal. Desde fevereiro, o prefeito vinha afirmando que o congelamento de verbas não atingiria as áreas de Saúde e de Educação. Outras obras e intervenções, como a construção de túneis e viadutos, a varrição, a coleta do lixo, o recapeamento de ruas e a limpeza de galerias pluviais já foram atingidos por corte e congelamentos de até 20% na verba de 2009.

Mas o relatório assinado pelo secretário da Saúde, Januário Montone, e entregue à Comissão de Saúde do Legislativo, mostra que o congelamento também atingiu, por exemplo, a verba prevista para a construção de três novos hospitais até 2012, uma das principais promessas de Kassab feitas durante a campanha da reeleição. Dos R$ 90 milhões previstos este ano para o início da construção de hospitais na Vila Brasilândia (zona norte), em Parelheiros (zona sul) e na Vila Matilde (zona leste), R$ 45 milhões foram congelados no primeiro semestre. As três unidades ainda estão em fase de projeto.

Outro programa vitrine da primeira gestão do prefeito foi atingido pelo congelamento. Se entre 2006 e 2008 o prefeito entregou 110 AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais), neste ano apenas uma unidade das dez previstas pelo governo no Plano de Metas ficou pronta, na Casa Verde. Oito unidades ainda estão na fase de definição de parceiros. Ao todo, o prefeito congelou no semestre R$ 30,5 milhões para a construção de novos equipamentos de saúde – ou 70% dos R$ 43,9 milhões previstos.

No Plano de Metas também estão previstas 50 unidades de atendimento odontológico (AMAs-Sorriso) até 2012. Nenhuma ficou pronta neste ano. A verba de R$ 92,9 milhões para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência também sofreu congelamento de 15% (R$ 14,2 milhões). Da rubrica que prevê verba anual de R$ 11,6 milhões para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores, foi congelado R$ 1 milhão (9%).

“SEM CORTES”

Em nota, a Secretaria da Saúde informou que não haverá cortes de verbas na pasta e os prazos serão cumpridos para a construção de AMAs e de hospitais. “Cabe ainda explicar que o contingenciamento se refere a um quadro momentâneo do processo orçamentário”, diz a nota. A pasta afirma que o contingenciamento “é uma ferramenta de austeridade e responsabilidade de uma gestão preocupada com o cenário de crise mundial, presente principalmente no primeiro semestre de 2009, mas que, de forma alguma, inviabiliza ou causa prejuízo aos serviços de saúde”.

Do total de R$ 5,4 bilhões para o ano, o governo empenhou (já previu gastar) R$ 2,9 bilhões de janeiro a junho. A Saúde garante que os serviços de pronto atendimento não estão sendo afetados pelo congelamento. A pasta ressalta ainda ter investido mais de R$ 10 milhões só por causa da gripe A (H1N1).

13/06/2009 - 10:03h Kassab sem remédio para às crianças sem médicos

Editorial do jornal AGORA

Crianças sem médico

Para tentar resolver problemas de saúde, mães e crianças passam horas nas filas dos ambulatórios da periferia de São Paulo. Muitas vezes, a espera é inútil.

Nas AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais), da prefeitura, faltam médicos –principalmente pediatras, que cuidam das crianças. Em algumas unidades, as mães são mandadas de volta para casa, pois não havia profissionais para atendê-las. Onde há médico, a fila de espera passa de quatro horas. Tudo isso o Agora mostrou na quarta-feira.

No outono, com resfriados e problemas alérgicos, as crianças costumam precisar ainda mais de atendimento. Nas salas de espera, choram e deixam as mães nervosas. E isso justo nas AMAs, prometidas por Kassab durante a campanha eleitoral como uma solução para as longas filas e para a falta de médicos.

A Secretaria Municipal da Saúde afirma que há poucos pediatras no mercado. Não diz, no entanto, o que vai fazer para solucionar o problema. Não dá para deixar por isso mesmo.

Se existe resistência dos médicos em trabalhar na periferia, talvez fosse necessário pensar em oferecer melhores condições, salários ou gratificações para preencher as vagas. E cobrar rigorosamente a presença de quem já é contratado, um procedimento óbvio que nem sempre é seguido.

Ninguém pode ganhar sem trabalhar, especialmente quando o pagamento é feito com dinheiro público. A prefeitura precisa se mexer. Deixar criança sem atendimento em áreas carentes da cidade não é aceitável.

10/06/2009 - 14:04h “Crianças doentes chorando, mães irritadas, salas de espera cheias e filas intermináveis de atendimento”, é a “gestão” Kassab na saúde

Sem médico, AMA de Kassab deixa crianças na fila

Aline Mazzo e Gilberto Yoshinaga do Agora

Crianças doentes chorando, mães irritadas, salas de espera cheias e filas intermináveis de atendimento. Essa cena é comum na periferia de São Paulo, onde as AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais), postos de saúde básica, sofrem com a falta de médicos, principalmente pediatras. Segundo usuários e funcionários, a situação piora a cada dia.

Robson Ventura /Folha Imagem
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Fila de espera para o atendimento na AMA Anhanguera

A reportagem do Agora visitou nesta semana 18 AMAs nas zonas sul, norte e leste da cidade (são 115 no total). Em pelo menos oito faltavam pediatras, sendo que em algumas as mães eram mandadas de volta para casa, já que não havia médicos. Mesmo nas unidades em que o quadro de profissionais estava completo, a demanda era grande, o que causava fila de espera.

O próprio prefeito Gilberto Kassab (DEM), ao explorar a criação das AMAs na eleição, afirmava que elas reduziriam as filas e acabariam com a falta de médicos na cidade.

Demissões, faltas
A situação mais caótica era na AMA Parelheiros, extremo sul da cidade. Ontem de manhã, nenhum dos três pediatras tinha ido trabalhar. “Um deles pediu demissão semana passada porque foi agredido pela mãe de uma criança. Ele era muito bom”, lamentou uma funcionária, que pediu para não ser identificada.

Cerca de 50 mães aguardavam atendimento às 12h30. “Meu filho está muito resfriado, com febre e tosse. Ele é alérgico. Não posso dar qualquer remédio”, disse a dona de casa Josefa Torres, 37 anos, com o filho de seis anos.

Segundo funcionários, a coordenação conseguiu um pediatra que chegaria às 13h.

Nos postos City Jaraguá e Elísio Teixeira Leite, ambos no Jaraguá (zona norte de SP), o atendimento para pediatria, anteontem, acabou às 13h. Os funcionários avisavam os usuários que só haveria médico no dia seguinte. “Saí do serviço para trazer meu filho aqui. Ele está com dor de estômago e vomitando. Agora me mandaram para o hospital de Taipas. Não tenho como ir”, reclamou a costureira Isabel Roque Moreira, 50 anos.

Em muitas unidades, o atendimento fica prejudicado pela ausência de médicos. Geralmente, o quadro é formado por dois pediatras. Quando um falta, o outro não consegue dar conta da demanda. “Na maioria das vezes somos avisados da falta assim que a AMA abre. É muito difícil conseguir um médico rápido. O pessoal não gosta de vir para a periferia”, afirmou a gerente de uma unidade, que não quis se identificar.

No posto do Jardim da Conquista 3 (zona leste de SP), havia cerca de 40 pessoas esperando pela consulta, por volta das 12h de ontem. Apenas um pediatra fazia o atendimento clínico. “Aqui demora de quatro a cinco horas para ser atendido”, disse uma moradora que estava na fila.

Garoto leva 7 horas para ser atendido

Gilberto Yoshinaga do Agora

Foram quase sete horas de peregrinação, em dois dias, para que a dona de casa Valdirene Pereira de Souza, 37 anos, garantisse que seu filho Gabriel, 7, fosse atendido por um pediatra. “Para driblar a falta de médicos tem que ter paciência”, afirma ela.

Preocupada com uma inflamação na garganta do filho, Valdirene o levou à AMA Jardim Etelvina, em Guaianases (zona leste de SP), no início da tarde de anteontem. “Disseram que eu deveria tentar outro hospital ou voltar outro dia”, conta. Ela, então, decidiu ir a pé para o pronto-socorro municipal Júlio Tupy, a dois quilômetros dali. “Lá, esperei mais de duas horas e desisti, porque também não tinha médico”, lembra.

A dona de casa fez o filho faltar às aulas, ontem, e voltou à mesma AMA às 9h. O garoto só foi atendido depois de quatro horas e meia de espera, pelo único pediatra que estava no local. “Só não demorou mais porque muitas mães que estavam na fila desistiram”, afirma ela. “O duro é a gente esperar sem almoço, enquanto vê os funcionários fazendo pausa para fumar ou para bater papo”, desabafa.

Com sintomas de pneumonia, o metalúrgico Rafael Lira de Sales, 35 anos, teve de esperar três horas, anteontem, até ser atendido na AMA Parque Anhanguera. “O pior é ficar passando mal debaixo do sol, porque não cabe mais gente lá dentro”, comentou. A sala de espera tem 33 assentos, mas cerca de 80 pessoas aguardavam atendimento.

Sua mulher, Valéria Bianchi Sales, de 32 anos, afirma que o atendimento só foi rápido nos primeiros meses seguintes à inauguração da unidade, em março do ano passado. “Ultimamente, o atendimento tem sido bem demorado. Às vezes, não tem pediatra aqui”, reclama ela.

Pediatras estão em falta

Aline Mazzo e Gilberto Yoshinaga do Agora

A Secretaria Municipal da Saúde afirmou que a falta de pediatras acontece porque há poucos profissionais dessa especialidade no mercado –tanto na rede pública quanto na privada. Segundo nota enviada pela pasta, esse déficit é constatado pela baixa oferta de recém-formados.

As vagas para pediatras são oferecidas pelas entidades parceiras que gerenciam as AMAs, por meio de processos seletivos, com ampla divulgação na mídia, afirmou a secretaria.

Apesar de mencionar que a contratação de profissionais é uma preocupação constante, a pasta não diz o que fará para solucionar o problema. Além disso, diz que, das 18 unidades visitadas, apenas 8 são gerenciadas por organizações sociais. Ou seja, as outras dez são administradas pela própria gestão Kassab.

Quanto à agressão aos médicos, a secretaria afirmou que os seguranças das unidades cuidam da proteção do patrimônio e dos funcionários.

01/01/2009 - 15:15h Cinismo ou arrobo de sinceridade?

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“Trânsito não é prioridade”, afirma Kassab em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo

A afirmação de Kassab é uma confissão da sua incompetência e um insulto lançado na cara dos paulistanos, de todos os eleitores.

“Trânsito não é prioridade”, afirma sem pudor o prefeito, corroborando o que tenho mostrado aqui durante estes anos e que para alguns parecia excessivo.

Pois bem, fora este insólito reconhecimento, as declarações de Kassab aos jornais de hoje mostram um método: repetir uma inverdade muitas vezes até virar o seu contrário. O pior é que temos que reconhecer que o método funciona em São Paulo com razoável êxito.

Os usuários do transporte público sabem que o setor não foi prioridade do governo demo-tucano pois o vivenciam diariamente. Nenhum corredor novo, trajetos cada vez mais longos, nenhuma fiscalização, CET sucateada, nenhum investimento em semáforos inteligentes etc. Mas a cidade comporta um número grande de pessoas que não utilizam o transporte público e para eles Kassab pretendeu que o setor era uma prioridade, repetindo, como repete agora, realizações inexistentes. Quem usa sabe, quem não usa acreditou em Kassab. Os problemas do trânsito são decorrentes diretos das fraquezas do transporte público. E trânsito e transporte público nunca foram prioridade para os demo-tucanos.

Para que o método funcione plenamente são necessários dois requisitos a mais, estreitamente ligados entre si. Uma mídia favorável e uma oposição sem voz. Os jornais cumprem sua parte sonegando aos vereadores da oposição qualquer espaço nas suas páginas e enviesando ou reduzindo permanentemente a cobertura sobre os fatos (sem falar em matérias abertamente favoráveis e campanhas interesseiras).

Vou dar um exemplo do método de Kassab. Na entrevista ao Estadão o prefeito declara: “É fundamental o investimento em corredores, como deve ser feito, não como as administrações anteriores falavam. Corredor mesmo é você não ter interferência, não ter cruzamento. Nos pontos de parada, ter áreas para ultrapassagem, como é o Expresso Tiradentes, como é o Celso Garcia, como é o projeto para a zona sul.”

O que vemos? Kassab fala de corredores e diz que é fundamental; depois ataca as “administrações anteriores” e acrescenta um descritivo citando dois corredores. O primeiro é o Fura-Fila planejado na gestão anterior, de Celso Pitta, e do qual só existem 8 Km já tendo engolido somas fabulosas (projeto tipicamente marqueteiro e condenado por todos os especialistas de transporte por faraônico, caro e não prioritário) e um corredor que é só um projeto, o Celso Garcia, que em 4 anos nem saiu do papel. O total é completado com o mantra inverídico de aporte de R$1 bilhão no metrô (a cifra é bem menor, como já foi noticiado pelos jornais).O leitor desinformado pensa que Kassab construiu dois bons corredores. A verdade é que prometeu 5, não fez nenhum e só completou uma pequena parte do fura-fila, isto em 4 anos!

Kassab diz que é inadmissível as gestões anteriores não terem investido no metrô. Inadmissível é ter participado da administração Pitta e destruído as finanças da prefeitura, escamotear a responsabilidade dos 14 anos de poder demo-tucano no pouco metrô existente e confessar que o transporte público -do qual Kassab é responsavel- os ônibus e corredores, não são prioridade.

Inverdade também quando fala do número de vagas em creche criadas nos últimos 4 anos, inverdade registrada na própria entrevista ao afirmar na mesma frase “Fizemos 60 mil vagas. A gente recebe na cidade inteira os cumprimentos. São mães beijando, cumprimentando. Quase dobramos o número de vagas. Ninguém questiona se a gente vai zerar. Fizemos 48 mil vagas em creche.” 48 mil ou 60 mil?

Nenhuma das cifras é verdadeira. Quem tem criança e não tem vaga em creche sabe do que estamos falando. Os que se interessam no assunto e conhecem os dados de 110 mil crianças aguardando vaga e a realidade do trabalho realizado por Kassab, também. Mais e os outros?

Outro exemplo na mesma entrevista, as especialidades medicas. Segundo Kassab este problema não existe. Textual!

O entrevistador disse que “o Conselho Regional de Medicina mostrou que muitos pacientes voltam às AMAs com o mesmo problema, sinal de que eles não têm acesso a especialistas”, o que é de conhecimento de todos e só durante a campanha eleitoral Kassab criou algumas AMAs especialidades, muito poucas e abaixo do prometido. Pois bem, vejam sua resposta:

“Temos as AMAs voltadas para especialistas, o Estado tem as AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) e trabalhamos em conjunto. Não existe esse problema. O que existe na saúde e na educação é a necessidade permanente de melhorar e aperfeiçoar.”

Cinismo? Sim, mas um método: repetir uma inverdade até virar realidade. Para todos aqueles que utilizam o sistema privado de saúde e que não passam perto do sistema público, não aguardam meses para marcar uma consulta, o método funciona. Novamente, graças ao fato que a voz da oposição é afastada dos jornais (quase nunca os jornais entrevistam vereador da oposição para fazer o contraponto as propostas ou afirmações do governo demo-tucano).

Em janeiro de 2004 Marta Suplicy formulou um desejo, no discurso de transmissão do cargo para os demo-tucanos, para que tivessem o dobro dos seus acertos e a metade dos seus próprios erros. Nos primeiros 4 anos demo-tucanos foi o contrário o que aconteceu. Hoje iniciam um novo mandato de mais 4 anos que espero permita que realizem pelo menos o que prometeram para os 4 que passaram.

Luis Favre

Leiam embaixo o artigo do Estadão e a entrevista de Gilberto Kassab

01/01/2009 - 15:06h Trânsito não é prioridade para Kassab

Viviane Kulczynski e Bruno Tavares – O Estado SP

O engenheiro Gilberto Kassab (DEM), de 48 anos, toma posse hoje, em cerimônia a partir das 15 horas, como o primeiro prefeito reeleito de São Paulo. Após 33 meses no cargo – em abril de 2006, como vice de José Serra (PSDB), assumiu o posto com a saída do titular, que disputou e assumiu o governo do Estado -, Kassab agora tem a bênção de 3.790.558 milhões de votos (60,7% dos válidos) recebidos no 2ª turno.Eleito pela coligação São Paulo no Rumo Certo (com PR, PMDB, PRP, PV e PSC), bateu a candidata do PT, Marta Suplicy (39,3% dos votos) e segue no comando da cidade de maior orçamento do País (R$ 27,5 bilhões). Com o desafio de apresentar à sociedade um político além da Lei Cidade Limpa, terá de correr contra o tempo para realizar as novas promessas e concluir as antigas.

Como o Estado revelou na edição de ontem, a gestão deixa um passivo equivalente a R$ 5 bilhões. A maioria dos projetos e obras inacabados se concentra nas áreas de transportes, habitação e revitalização do centro. Mas os desafios atingem todas as áreas.

CARROS-CHEFE

Diante do quadro, Kassab promete empenhar forças em duas frentes que ele aponta como as grandes marcas do mandato anterior: saúde e educação. “Temos 5 milhões de pessoas que dependem do ensino público em São Paulo e 7 milhões de pessoas que dependem da saúde pública”, afirmou em entrevista ao Estado, na sexta-feira passada (leia na página C3). “Nunca se fez tanto em saúde e educação, que é o carro-chefe da nossa administração, a nossa marca.”

Mas e o trânsito, prefeito? “Você não quer que eu repita os erros de administrações anteriores, pensar no curto prazo, me preocupar em colocar nome em placa e não fazer a lição de casa, não é?” Os paulistanos, que viram em 2008 índices de congestionamentos serem batidos sucessivamente (o caos: 266 km de lentidão, às 19h30 do dia 9 de maio), terão de esperar. O tema não é prioridade.

Kassab prefere apostar em planos de longo prazo e cita sempre os investimentos em parceria com o Estado na ampliação do Metrô. “Na nossa gestão, (o investimento foi de) R$ 1 bilhão.” E deposita esperanças no Rodoanel, outra obra tocada pelo Estado, para desafogar as Marginais e liberar os caminhos pela cidade. “A grande transformação é daqui a um ano, quando tivermos a conclusão do trecho sul. Aí vamos ter uma reanálise do trânsito na cidade.”

Alguma grande mudança no horizonte? Definitivamente, não. “São oito anos de uma mesma gestão. É o mesmo governo, a mesma filosofia. A cidade renovou o mandato (assumido em 2005 por Serra). Não tem por que mudar”, diz Kassab, que promete ficar no cargo até o fim do mandato. “Chance zero”, falou, sobre uma possível candidatura ao governo do Estado, em 2010. Ano, aliás, em que ele gostaria de ver Serra eleito presidente. “Ele é a pessoa mais bem preparada hoje na vida pública para se tornar presidente”, enfatizou.

Após seis anos sem férias, o prefeito deve descansar em fevereiro. Mas não revela onde.

”Se receita cair, social não sofrerá cortes”
Gilberto Kassab: prefeito de São Paulo

Bruno Tavares e Viviane Kulczynski O Estado SP

O senhor termina o primeiro mandato com alguma frustração que esses próximos quatro anos vão lhe permitir resolver?

Quem tem o cargo de prefeito de São Paulo sempre tem a frustração de não ter solucionado todos os problemas na dimensão que gostaria. Essa é a frustração de qualquer um que esteja na vida pública. Você quer resolver todos os problemas na área de ensino, na saúde. Mas, por outro lado, é muito gratificante observar que nós avançamos mais do que qualquer gestão anterior. Nunca se fez tanto em saúde e educação, que é o carro-chefe da nossa administração, a nossa marca. Eu diria que a frustração foi não ter avançado mais. E a frustração é que nos motiva a continuar realizando. Fizemos bastante, foi uma gestão muito qualificada e nos dá muita motivação para continuar.

No primeiro mandato, o sr. sempre fez questão de se colocar como o vice do Serra…

Isso vai continuar, é a mesma administração, não muda nada. Acho que hoje ninguém tem dúvida. São oito anos de uma gestão.

Mas agora o eleito é o senhor.

Num primeiro momento, o Serra foi eleito. Ao assumir, meu papel era dar sequência a todos os compromissos, à gestão e mostrar para a cidade que o Serra acertou ao deixar na Prefeitura alguém com os mesmos compromissos. Agora, o que mudou? A cidade conheceu (meu trabalho), o vice-prefeito se tornou prefeito e achou que ele era o melhor para dar sequência. É o mesmo governo, a mesma filosofia. A cidade renovou o mandato. Não tem por que mudar, tanto é que eu não mudei a equipe. Não vão mudar as prioridades, os objetivos.

Na educação, ainda há o déficit de vagas em creches. Como resolver?

Fizemos 60 mil vagas. A gente recebe na cidade inteira os cumprimentos. São mães beijando, cumprimentando. Quase dobramos o número de vagas. Ninguém questiona se a gente vai zerar. Fizemos 48 mil vagas em creche. Isso nos permite afirmar que vamos zerar e as pessoas acreditarem. Já fizemos tanto sem ser a prioridade absoluta. A prioridade era escola de lata, salários. Agora é creche.

Na saúde, a prioridade são as AMAs, que o sr. faz sempre questão de enaltecer…

115 AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), é um número extraordinário.

Mas elas ainda têm pendências, uma delas jurídica.

Esse questionamento jurídico não é só em relação à cidade de São Paulo. Acontece no governo do Estado, em outros Estados. O Supremo tem sido muito cuidadoso. Você vai fechar as AMAs, que estão atendendo 1 milhão de pessoas por mês? Fechar os hospitais de parceria, que funcionam com menos recursos e melhor? Demos um exemplo com a valorização do funcionalismo. As parcerias não vieram substituir, vieram complementar. Na medida em que elas complementaram, valorizamos o servidor para trabalhar em condições de igualdade. Então, não tem aquela disputa, aquele ciúmes, aquele medo.

E a questão de especialidade, o Conselho Regional de Medicina mostrou que muitos pacientes voltam às AMAs com o mesmo problema, sinal de que eles não têm acesso a especialistas.

Temos as AMAs voltadas para especialistas, o Estado tem as AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) e trabalhamos em conjunto. Não existe esse problema. O que existe na saúde e na educação é a necessidade permanente de melhorar e aperfeiçoar.

O sr. diz que a marca do governo é saúde e educação. Mas e o transporte, o trânsito? Não são prioridade?

Não. As prioridades são saúde e educação. Em transporte público, procuramos fazer a tarifa mais baixa possível porque são 4 milhões de pessoas que utilizam e é a mais baixa do Brasil. Vamos ficar três anos sem aumentá-la. Apesar disso, não deixamos de fazer o que deve ser feito, que é investimento em transporte público de qualidade.

Mas quais os planos para trânsito e transporte público?

Todos nós pagamos pela omissão de administrações anteriores. A falta de investimento em transporte público. É impressionante e inadmissível aceitar que nunca na cidade houve investimento da Prefeitura no Metrô. Na nossa gestão, (o investimento foi de) R$ 1 bilhão. Isso é uma demonstração da nossa falta de preocupação em colocar nome em placa. Não sou governador e nem secretário de Estado e nem serei mais prefeito quando as obras ficarem prontas. Mas, infelizmente, isso não foi feito nas últimas décadas. É fundamental o investimento em corredores, como deve ser feito, não como as administrações anteriores falavam. Corredor mesmo é você não ter interferência, não ter cruzamento. Nos pontos de parada, ter áreas para ultrapassagem, como é o Expresso Tiradentes, como é o Celso Garcia, como é o projeto para a zona sul. E investimento em Metrô e trem. Isso é transporte de qualidade. Você não pode é dizer que vai estimular com pedágio, com taxas, o uso de transporte público, se você não cria o transporte público de qualidade. É um direito da pessoa ter carro. Você tem de criar o transporte público de qualidade para que ela deixe o carro em casa, porque o tempo de viagem do transporte público vai ser 10 vezes menor. Eu sempre fui de metrô para o centro. Essa é a política que tem de ser implantada e nós implantamos na nossa gestão, só que ela é de longo prazo. O prefeito não pode ter a preocupação de colocar nome em placa. Com R$ 1 bilhão eu poderia ter feito dez pontes. É o que meus antecessores faziam. Eu não fiz.

Como o sr. mesmo diz, são medidas de longo prazo. Até lá, o que vai ser feito para o trânsito?

Você não quer que eu repita os erros de administrações anteriores, pensar no curto prazo, me preocupar em colocar nome em placa e não fazer a lição de casa.

Não existe nada que possa ser feito, como a restrições a caminhões?

Não, porque a grande transformação é daqui a um ano, quando tivermos a conclusão do trecho sul do Rodoanel. Aí vamos ter uma reanálise do trânsito na cidade, porque vamos ter toda a circulação de caminhões com direção principalmente à Baixada Santista, o Porto de Santos, sem entrar na cidade de São Paulo. O trecho sul é o mais importante, porque chega à Anchieta/Imigrantes. Ele ficará pronto já em 2010.

O sr. não pensa em nenhuma medida de engenharia de trânsito?

Medida de engenharia é manter as transformações, continuar as pequenas obras, naqueles pontos críticos e fazer a gestão do trânsito. Investir em tecnologia. Estamos recuperando nossa rede de semáforos que estava totalmente velha. Ela era mecânica, agora será totalmente eletrônica. Os nossos semáforos inteligentes… Nenhum deles era inteligente, eram todos burros.

A promessa de não reajustar a tarifa de ônibus, hoje em R$ 2,30, foi feita antes da crise econômica. Os subsídios não podem impactar os cofres da Prefeitura?

Como a Prefeitura está numa boa saúde financeira, fizemos uma opção pelo social. E o que é o social? Transporte público, saúde e educação. Hoje São Paulo tem a tarifa mais barata do Brasil. É muito positivo fazer com que 4 milhões de usuários tenham a tarifa mais barata do Brasil. Aqui está R$ 2,30 por três horas. Vamos poder, mesmo com a crise, manter a tarifa. Ela ficará três anos sem reajuste e só será reajustada em 2010.

Mesmo com os R$ 2 bilhões a menos no orçamento não haverá prejuízo ao tesouro?

Isso já está definido no orçamento. Não vamos cortar no social. Se tiver redução, vai ser em outras áreas. Qual é o desafio? Você não pode errar nas receitas. Quanto vamos arrecadar em 2008? Cerca de R$ 24 bilhões. Se você partir disso, já se define 31% para educação. Para saúde, mais uma vez não vou gastar só 15%. Na educação, a lei obriga 31%. Na saúde, 15%. Neste ano, fechei com 19%. Então, saúde, educação e transportes são três áreas em que não vou mexer. Qual o maior desafio? Tentar não mexer em nada do resto. Se cair a receita, temos de ir atrás de novas receitas. Operações urbanas, por exemplo…

Impostos?

Impostos não. Não vamos aumentar a carga tributária. Operações urbanas podem ser a saída.

Quando veremos aquela região da Luz revitalizada?

Estamos numa fase final. Estamos encaminhando para a Câmara o projeto de concessão urbanística para agilizar a primeira fase. Já temos 27 grandes empresas habilitadas ao incentivo.

Será possível entregar aquela área nesta gestão?

Tenho essa meta. É uma meta.

Na gestão passada, a Câmara foi muito favorável aos projetos do Executivo. A renovação foi pequena, mas de que forma o sr. pretende trazer os vereadores para o lado do governo?

Acho que não vai mudar. Vai continuar uma relação o mais transparente possível, em cima de políticas públicas. A maioria dos vereadores foi reeleita. A Câmara tem sua independência. Como no orçamento, eles não precisavam ter reduzido. Eles não questionaram o mérito, fizeram um corte linear porque acharam que não vai ter receita. Podiam ter contingenciado, mas não muda nada.

O sr. tem um favorito para a presidência da mesa diretora?

Mais uma vez não vamos interferir. A ideia é não ter nenhuma interferência, deixar a condução entre eles, seja o partido da base aliada, seja o líder do governo. Não tem da nossa parte nenhuma orientação, como não teve nas outras vezes.

Quais investimentos estão sujeitos a corte se a arrecadação de fato diminuir no próximo ano?

Não serão no campo social. E, se não serão no campo social, se você elencar tudo aquilo que não é social, vai definir daí qual é o volume de receita que deixará de entrar para cortar o equivalente.

A manutenção da cidade não será prejudicada?

Não, aí são serviços.

Quais pastas ainda estão sujeitas a mudanças?

Não teve alteração. Quando ganhei a eleição, disse que não haveria. O que tem são alterações rotineiras. A Prefeitura, com essa dimensão, muda muito mesmo, são muitos secretários, muitos colaboradores. O que aconteceu desde o segundo turno até agora, e durante o ano, são mudanças naturais, rotineiras.

E as novas secretarias ou as que ganharam status de secretaria?

O secretário ganhou status, não foi criada nenhuma estrutura. Secretaria de Segurança: nós crescemos, integramos com as ações do Estado, do governo federal. Tanto que o governo federal usa a cidade como exemplo de integração de ações do poder público municipal com o governo federal. Apenas mudamos o nome. Em vez de coordenador é secretário. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano: só retiramos parte da estrutura de política urbana da Secretaria de Planejamento para uma outra estrutura. E o Miguel, que já está lá, que é diretor de Planejamento Urbano, passou a ter o status de secretário. O Controle Urbano é só o Contru que vai ficar especificamente isolado, porque o Contru não tem vinculação com Habitação, tem relação com a cidade inteira. Criamos cargos em Habitação e Meio Ambiente porque há 40 novos parques.

Vários dos seus desafios são temas metropolitanos. O sr. pensa em ajudar a criar uma autoridade metropolitana?

Isso é papel do governador. Acho que o prefeito de São Paulo sendo a favor ajuda. Mas isso tem de ser coordenado pelo governo do Estado.

E em que moldes?

Criando agências metropolitanas de serviços, específicas. O transporte público, por exemplo, tem de ser pensado sob a ótica metropolitana. Não tem sentido o Metrô e os trens da CPTM não integrarem todas as cidades. Até porque, com isso, as pessoas não vêm de carro para São Paulo.

E sob o aspecto tarifário?

As tarifas são mais caras em outras cidades. Precisaria ver a planilha de custos delas.

Quais são, por parte do Executivo, as linhas mestras da revisão do Plano Diretor?

Aproximar o emprego da moradia. Não tem nenhum sentido você ter 4,5 milhões de moradias na zona leste e o investimento em empregos não ter se concentrado nessa região. E por isso essas duas áreas de incentivos que foram criadas, na zona leste e na Nova Luz, que é vizinha da zona leste. São regiões fundamentais e dotadas de infraestrutura de transportes. Por isso as pessoas podem chegar à Nova Luz de Metrô, de trem. Planejar uma cidade com 11,5 milhões de habitantes é antes de mais nada levar emprego para as regiões próximas de onde as pessoas moram.

E de que forma o sr. pretende viabilizar isso?

Induzindo o estabelecimento de polos e indústrias em regiões específicas próximo dessas áreas.

Na primeira gestão, o sr. teve como marca pessoal e mais forte o Projeto Cidade Limpa…

Não é mais forte. Mais forte é saúde e educação. Onde eu ando, 90% das pessoas agradecem pela saúde e educação. Essa é a marca do governo.

E qual será o Cidade Limpa dessa gestão, com mesma envergadura?

O Cidade Limpa é um modelo. É mais do que o combate à poluição visual, é um combate à poluição em seus múltiplos aspectos. Como começamos pelo combate à poluição visual, que é o mais fácil, ficou com essa marca mais forte. Mas o Cidade Limpa também é a construção de moradias para transferir as pessoas das áreas de mananciais e despoluir as represas; é a atuação do Psiu no combate à poluição sonora; é a inspeção veicular. O Cidade Limpa é uma força de expressão. E não é a marca. Nossa marca, nossa prioridade, continua sendo saúde e educação. Temos 5 milhões de pessoas que dependem do ensino público em São Paulo e 7 milhões de pessoas que dependem da saúde pública. Se prioridade de um governo não é estar ao lado dessas pessoas, então não sei o que é prioridade

Quais suas pretensões políticas ao final deste mandato, já que não pode ser reeleito?

Tenho um único objetivo: sair ao fim deste mandato…

Cumprindo-o inteiro?

Cumprindo inteiro. Sair da mesma maneira que estou saindo neste primeiro, o que está sendo muito gratificante. As pessoas contentes com a administração, 63% na última pesquisa entendendo que a administração é ótima ou boa, 80% aprovando.

E se o seu nome aparecesse para o governo do Estado?

Não vou ser candidato. Vou cumprir o mandato até o fim. Chance zero.

CIDADE LIMPA: “Não é a marca. Nossa marca, nossa prioridade, continua sendo saúde e educação”

OITO ANOS: “É o mesmo governo, a mesma filosofia. A cidade renovou o mandato. Não tem por que mudar”

PLANO DIRETOR: “Meta é aproximar emprego da moradia, estabelecendo polos e indústrias em regiões específicas”

30/12/2008 - 11:14h O balanço da mediocridade

Gilberto Kassab fez grande alarde, no seu balanço de gestão ontem, do superávit de R$2 bi nas contas da prefeitura em 2008. José Serra, que o acompanhava, se disse impressionado. E é verdadeiramente impressionante.

Com tantas necessidades em saúde, educação, transporte, chegar ao fim do ano com tanto dinheiro em caixa é quase impossível. Mas Kassab conseguiu.

O jornal AGORA SP, do grupo Folha, explica em uma manchete, o “milagre” do prefeito. “Kassab deixa de entregar 9 AMAs Especialidades”, informa o jornal.

Cresce o número de crianças fora de creche. Nenhum corredor foi construído na cidade em 4 anos. Poderíamos listar assim as promessas descumpridas e os problemas acumulados que exigem mais investimentos e ação da prefeitura.

Mas não sejamos injustos. A prefeitura aplicou dinheiro não só no banco. Ela também investiu dinheiro na saúde, na educação, no subsídio ao transporte, no recapeamento de ruas. O contrário seria além de surpreendente, ilegal. (Resulta engraçado ler nos jornais que Kassab pretende, apesar da crise, não mexer e continuar aplicando 31% em educação ou 15% na saúde. Crise ou não, estes percentagens são obrigatórios por lei, a crise só poderá diminuir os montantes e não a percentagem).

Mas mesmo contando este 4 anos com receitas volumosas geradas pelo crescimento econômico fruto da política do governo Lula, a falta de visão e de planejamento da administração demo-tucana é tamanha, que quase nenhuma de suas metas foi cumprida e o dinheiro acabou engrossando o caixa dos bancos.

O exemplo das AMAs especialidades destacado pelo jornal é significativo desta incapacidade, incluso no setor em que Kassab se saiu melhor. Se analisarmos, por exemplo, o programa Saúde da Família encontramos as mesmas carências. O programa foi implementado na cidade por Marta Suplicy que criou 800 equipes. Em quatro anos a prefeitura criou mais 422 equipes e hoje a cidade esta coberta em apenas 40% pelo programa, com 1.222 equipes.

Mas com R$10 bilhões a mais por ano a situação não deveria estar bem acima?

Outro exemplo, a expansão das UBS para o atendimento medico, particularmente na periferia. Em 2004 a cidade contava com 374 UBS, recuperadas após o descalabro das cooperativas do PAS e com uma grande quantidade de unidades novas construídas na administração petista. Hoje, R$10 bilhões e 4 anos a mais, as UBS são 417, segundo a prefeitura. Apenas 38 UBS em quatro anos.

Se em quatro anos de bonança financeira, após ter recebido a prefeitura reconstruída graças ao trabalho duro feito por Marta e com os eixos de intervenção organizados e focados, os resultados são tão medíocres é porque a questão da ação redistributiva do poder público não é o centro da problematica demo-tucana.

Por isso a população deverá ficar vigilante, particularmente a que mais requer da ação da prefeitura, para que os efeitos da crise não sejam descarregados sobre os programas sociais. Marta Suplicy marcou com esses programas sociais, que ainda hoje continuam ditando o rumo para diminuir a desigualdade e melhorar a vida dos mais pobres. Preservar estas conquistas será uma prioridade ainda maior no próximo ano. LF

30/12/2008 - 11:04h Kassab deixa de entregar 9 AMAs Especialidades

AGORA SP

A PROMESSA PREVIA 15 UNIDADES E SÓ SEIS FORAM ABERTAS. SECRETARIA DIZ QUE OS OUTROS NOVE POSTOS SERÃO INAUGURADOS NO COMEÇO DE 2009

Nove das 15 unidades de saúde com médicos especialistas que foram prometidas até o fim deste ano pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), reeleito para mais um mandato, ficarão para a próxima gestão. Até agora, apenas seis foram abertas na capital -as outras nove deverão ser entregues no início de 2009.

Na gestão que acaba neste ano, a prefeitura entregou mais AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) do que o prometido e construiu novas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Este é o balanço da saúde na capital que o Agora publica hoje, depois das reportagens sobre educação e transporte.

As AMAs Especialidades, como as unidades são chamadas, foram criadas para atender pacientes nas áreas de urologia, cardiologia, endocrinologia, reumatologia, neurologia, ortopedia e angiologia.

Essas unidades poderiam agilizar a marcação de consultas com os especialistas na rede pública, ao atender os pacientes nas AMAs sem encaminhá-los para hospitais -quase sempre superlotados.

Mas o que se vê ainda é a demora para a marcação de consultas na capital -justamente o que a prefeitura queria amenizar com a criação das AMAs Especialidades.

Precisando de um endocrinologista, a monitora educacional Maria do Carmo Gomes de Azevedo, 58 anos, conta que já esteve três vezes na UBS/AMA Especialidades Santa Cecília (região central de SP) desde outubro último, sem sucesso, tentando uma consulta com o endocrinologista.

Na última terça-feira, 22 de dezembro, ela voltou ao posto e, de novo, não conseguiu marcar a consulta. “Disseram que as marcações só a partir de 30 de janeiro”, afirmou.

Apesar de reconhecer a importância das especialidades, o médico Antonio Carlos Lopes, professor titular de Clínica Médica da Unifesp e presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, acha que a Prefeitura de São Paulo deveria melhorar o atendimento nas AMAs em vez de expandir os postos de especialidades.

“Um clínico bem formado resolve 70% dos casos a um custo muito mais barato do que mandar o paciente para um especialista”, diz Lopes.

Segundo ele, a demanda por um médico especialista seria menor se o atendimento primário fosse mais eficiente.

Além da formação do médico, Lopes critica também os baixos salários do profissional e as más condições de trabalho, o que, na visão dele, acaba prejudicando o atendimento ao paciente. Para ele, os médicos devem trabalhar perto de casa.
(Tharsila Prates)

09/12/2008 - 11:03h Cortes orçamentários sacrificam promessas de campanha em São Paulo

A mídia insiste em propalar as afirmações de Kassab para justificar as mudanças propostas no orçamento da prefeitura para 2009. Os jornais afirmam, contrariamente a toda evidencia, que o orçamento 2008 não recolheu o dinheiro previsto, por conta da crise, e que os cortes na proposta inicial para 2009 devem sofrer cortes, para adequar-lo a queda da arrecadação provocada pela crise no ano próximo.

A verdade é que o orçamento de 2008 foi “ambicioso” nas previsões de arrecadação, para facilitar o remanejamento posterior das verbas.

A proposta de orçamento para 2009 devia obrigatoriamente ser encaminhada numa data em que a campanha eleitoral ainda estava em andamento. A proposta devia conter, por tanto, todas as promessas eleitorais. Passado o pleito, trata-se de desfazer a mascarada. O dinheiro “previsto” esfumou. No seu lugar um orçamento menor e mesmo assim ainda “ambicioso”, para poder depois remanejar à vontade. LF

http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br/images/kassabinho2.JPG

Caio Junqueira – VALOR

O Orçamento que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), terá em 2009 deve comprometer pelo menos duas de suas promessas de campanha: a destinação de R$ 1 bilhão para a ampliação do Metrô e o congelamento das tarifas de ônibus. O relatório do vereador Milton Leite (DEM), que em razão da crise financeira apresentou cortes de R$ 2,2 bilhões na proposta inicialmente encaminhada pela prefeitura, prevê que R$ 218 milhões sejam transferidos ao Metrô. Na proposta inicial da prefeitura, esse montante era de R$ 250 milhões. Já os subsídios às empresas responsáveis pelo transporte público, que acabam por segurar o preço das passagens, passaram de R$ 600 milhões para R$ 523,5 milhões. Ocorre que, até este mês, haviam sido repassados às empresas R$ 560 milhões.

Também foram incluídas dezenas de novas dotações “simbólicas” com o valor de R$ 1 mil e que englobam temas tocados pelo prefeito durante a campanha eleitoral, como regularização de loteamentos, recuperação de mananciais, urbanização de favelas, construção de escolas, Atendimento Médico Ambulatorial (AMAs) e bibliotecas, Programa Mãe Paulistana, terminais e corredores de ônibus, duplicação de avenidas (como a Guarapiranga) e canalização de córregos. De acordo com o relator, a peça que vai a votação hoje dá uma margem de remanejamento de verbas de 15% ao prefeito, que seriam alocados para esses programas de acordo com o cenário da crise.

O Palácio do Anhangabaú, sede da prefeitura, jogou todo o processo de cortes para os vereadores. A avaliação é de que isso foi feito para evitar eventual desgaste político no primeiro ano de mandato. A própria prefeitura poderia ter encaminhado uma revisão da proposta original, já que, pelo regimento da Câmara, o prazo final para isso é votação do relatório na Comissão de Finanças, marcada para hoje. Isso, porém, não foi feito e todo o ônus dos cortes foi transferido para os vereadores, com acompanhamento discreto da prefeitura. Na proposta original apresentada por Kassab em outubro, a previsão era de R$ 29,3 bilhões. Com os cortes apresentados, ficará em R$ 27,1 bilhões. O valor, porém, não deve sequer chegar a ser totalmente executado. “Estamos numa crise. Não creio que R$ 27 bilhões sejam executados, mas tomara que esteja errado”, afirmou Leite. A redução de valores para a área de transportes, segundo ele, se deve ao fato de que “em conversas com o Executivo foi estimado que deverá haver redução de passageiros por causa da crise”.

A Secretaria de Transportes, conforme publicado ontem no Valor, foi a que teve o terceiro maior corte de verbas no parecer. A maior redução foi da Secretaria de Serviços, que cuida do lixo e iluminação. O segundo maior corte foi na pasta de Subprefeituras, de 11,8%. A bancada do PT apresentará na reunião substitutivo em que pede a manutenção do Orçamento original e taxa de remanejamento limitada a 5%.

22/10/2008 - 12:05h Clínica de Kassab é posto de saúde reformado

Clique na imagem para ampliar e ler a Folha SP

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10/10/2008 - 09:55h O voto paulistano de Piraporinha a Santana

Cristiane Agostine e Caio Junqueira, VALOR

Entre as senhoras de Santana e os jovens de Piraporinha localizam-se os extremos do eleitorado paulistano que surpreendeu neste domingo ao conferir ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), já no primeiro turno, uma votação superior ao da ex-prefeita Marta Suplicy.

Reduto paulistano do moralismo que, na ditadura, clamou por censura, Santana foi uma das zonas eleitorais em que Marta mais perdeu votos. Em sua eleição como prefeita, em 2000, teve 34,6% dos votos lá. Na tentativa de reeleição, em 2004, 25,9%. Este ano, sua votação reduziu-se para 12,1%.

Piraporinha deu à petista o maior ganho de votos, proporcionalmente, em relação às últimas eleições: teve 43,1% em 2000, 52% em 2004 e 59,5% neste ano. Configurou-se, assim, como um dos poucos bastiões do município que resistiram ao avanço kassabista.

O Valor passou um dia em cada uma dessas regiões para tentar desvendar as razões desses comportamentos opostos. Em Piraporinha, a população predominantemente carente acha que Kassab apenas deu continuidade às iniciativas administrativas tomadas por Marta, que o precedeu no cargo. Até uma espécie de tribunal popular foi montado no local para julgar o atual prefeito, condenando-o por negligência e falta de investimentos no bairro nas áreas de educação, cultura e esporte.

Em Santana a situação é inversa e o anti-petismo é um sentimento alastrado entre as pessoas, em sua maioria integrante da classe média paulistana. A defesa da tradição, da família e da propriedade fundamentam os argumentos contrários a Marta Suplicy em um bairro com forte apelo de católicos conservadores, onde o vereador Gabriel Chalita (PSDB) colheu uma de suas mais expressivas votações

Em Piraporinha, corredores de ônibus, bilhete único e CEUs movem eleitor

Em uma travessa da estrada do M’Boi Mirim, uma das principais ruas de Piraporinha, na zona sul de São Paulo, Romualdo José da Silva, de 48 anos, protege-se em um pequeno salão de cabeleireiros da garoa que caía na manhã de quarta-feira. É só perguntar para ele para quem foi o seu voto e ele logo fala que é PT de coração. As ações do governo da ex-prefeita Marta Suplicy são enumeradas por ele como em uma propaganda política: Centros Educacionais Unificados (CEUs), corredores de ônibus, bilhete único, material escolar e uniforme. “Marta ajudou muito a população mais pobre e ninguém pensava em fazer isso”, resume.

Marisa Cauduro/Valor
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Antonio Jefferson: “Kassab é o prefeito dos ricos. Só veio para terminar as coisas da prefeita”

Perto de lá estão dois CEUs, entregues pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), semelhantes aos da gestão da ex-prefeita. Está também o Hospital do M’ Boi Mirim, projeto de Marta, que foi entregue pelo prefeito e as Amas, unidades de saúde, bandeiras da atual gestão. O investimento de Kassab no bairro não parece ter tido efeito sobre Romualdo. “Kassab fez muito, mas ele só deu continuidade às obras de Marta. Os projeto são dela e ninguém nunca vai tirar.”

Pedro Viano do Santo, de 52, pai de 11 filhos, interrompe a conversa: “Acho Kassab mais corajoso. Ele está há pouco tempo e já limpou a cidade”, disse, referindo-se ao Cidade Limpa . Pedro votou em Kassab no primeiro turno, por recomendação de sua igreja evangélica. Apesar dos elogios, diz que agora vai de Marta: “O pessoal da igreja fechou com ele e eu votei também. Mas agora o voto é meu, não adianta e vou de Marta.”

Piraporinha, onde mora Romualdo, é a zona eleitoral onde Marta mais ganhou votos, proporcionalmente, em relação à eleição de 2004. Neste ano, ela teve 59,5% dos votos e Kassab, 20,97%. Quatro anos atrás, teve 52% e José Serra (PSDB), 32,17% . Na zona eleitoral, que corresponde ao Jardim Ângela e Jardim São Luis, o PT sempre foi forte.

No CEU Guarapiranga, entregue por Kassab, Romildo Merces de Jesus, de 28 anos, deixa a filha de quatro anos enquanto comenta: “Isso aqui é coisa da Marta. ” Ele diz não gostar de Kassab porque a prefeitura o fez sair da favela onde vivia. “Me falaram: vai para o albergue ou para a rua. Não é assim que se trata.”

“Kassab é o prefeito dos ricos, está muito longe de se preocupar com os pobres”, opina Antonio Jefferson, de 21 anos, sobre o crescimento do PT no bairro. “Ele se preocupou mais com a imagem da cidade, em diminuir a poluição visual, do que com o povo. Do que adianta ter a cidade limpa se o povo está triste, sem saúde?”. Funcionário de supermercado, lembra que participou de manifestações para que a prefeitura construísse o hospital M’ Boi Mirim, ainda na gestão Marta. “O povo viu quem lutou por isso. Foi a mesma coisa com os CEUS. Foi a Marta que lutou pelo terreno. O Kassab só veio para terminar as coisas da prefeita.”

Os moradores de Piraporinha também se organizaram para pedir investimentos na região. A igreja e movimentos sociais fizeram dois tribunais populares para “julgar” a prefeitura e no último prepararam uma ação civil pública contra o governo por falta de investimentos em educação, cultura e esporte. O tribunal foi organizado pelo Fórum de Defesa da Vida, que reúne 250 entidades e representantes do Ministério Público. “A ausência do poder público é marcante aqui”, diz Lea Maria Chaves, integrante do fórum.

O Jardim Angela, que compõe Piraporinha, já foi considerada a área mais violenta do mundo pela ONU. Ainda hoje é classificada como uma das regiões onde os direitos humanos são menos respeitados. Cerca de 30% da população vivem em mais de 270 favelas. “Acredito que o partido PT é mais sensível ao social”, diz Lea Maria, apesar de reclamar de dificuldades para trabalhar com o governo de Marta. “Voto no PT, mas acho que lidar com Kassab é mais fácil.”

Nas ruas da região, a campanha petista predomina, mas as ações de Kassab no reduto petista reverteram-se em alguns votos. No CEU Vila do Sol, Maria Rosangela, 27 anos, dona de casa, diz ter mudado o voto depois do CEU, onde estuda sua filha. “Em 2004 votei na Marta, mas agora foi Kassab. Vamos ver se ele continua fazendo benfeitorias para cá.” No hospital M’Boi Mirim, Moacir Edson Costa, de 37 anos, trabalhador autônomo, comenta que “Marta foi boa” e que em 2004 votou nela. “Voto no Kassab para ele continuar o que está fazendo.”

A comerciante Ivone França, de 63 anos, afirma que votou em Kassab “por opção na hora.” Ela reclama que a ex-prefeita preocupou-se muito com os mais carentes. “Marta fez muita escola na periferia. Isso ajuda e atrapalha. Para quem tem lojinha de material escolar, como eu, foi ruim. Não vendo quase nada depois que a prefeitura passou a dar material escolar.” Sua irmã, Lucia Aparecida, de 53 anos, também escolheu o prefeito. Ela também reclama dos projetos de transferência de renda. “Tem muita gente carente que recebe essas bolsas, mas não precisa. Aqui falam que Marta vai dobrar asbolsas só pra votarem nela.”

Dona de um bar, reclama das taxas do lixo e da iluminação criadas na gestão Marta e não se conforma com um comentário sobre o caos aéreo de Marta, feito quando a petista era ministra do Turismo. “Eu até gravei da televisão ela falando o ‘relaxa e goza’. Queria mostrar para a minha filha, para não votar na Marta”. Do Jardim Angela, onde a comerciante mora com a família, o trajeto de ônibus até o centro a viagem dura mais de duas horas. Sua filha tem de fazê-lo de segunda a sexta. “Todo mundo tem carro, não podemos culpar o Kassab pelo trânsito. Acho que tem de fazer rodízio de dois dias. Pode por mais ônibus que for, se não tiver rodízio de dois dias, vai continuar do jeito que está.” (CA)

Em Santana, tradição religiosa, culto à família e aversão a taxas definem escolha

Nem a presença da Paróquia de São José Operário, Patrono dos Trabalhadores, é capaz de levar os eleitores do bairro de Santana a votar na candidata à prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, Marta Suplicy. É neste bairro da classe média e alta paulistana, o primeiro ao norte do rio Tietê, que ela assiste , eleição após eleição, sua votação despencar. De 2000 a 2004, caiu 25%. Neste ano, 53%.

Leonardo Rodrigues/Valor
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Ariane Leonardi: “A família dela é muito desregrada. Político tem que ter regra. O que ela proporciona à minha família?”

Encontrar um eleitor petista nas tortuosas ruas deste bairro é tarefa árdua. Na melhor das hipóteses, o que se vê são ex-petistas (arrependidos) que, quando optaram pelo 13 nas urnas, o destinatário foi o presidente Lula. Bem antes de ele tentar ser presidente. “Só votei no Lula em 1986 porque eu trabalhava com metalúrgica. Depois nunca mais. Trabalhei com a Erundina. Para consertar um banheiro eles faziam reunião. Se Moisés fosse petista ainda estava no Egito consultando as bases pra ver se fugiam do Egito”, diz Ruth Guiness, 63, dona-de-casa, caminhando por uma das feiras livres do bairro na fria manhã de anteontem.

As opiniões expressadas, em geral, trazem consigo uma anedota, um termo pejorativo – como a referência à gestão Lula a um “governo de bebum” e a ojeriza a ele por uma “questão de pele”- e muitas referências a condutas pessoais tidas por inaceitáveis aos políticos. Mais do que ao presidente e ao partido, são esses julgamentos que embasam a maior parte das críticas a Marta, ainda que o bairro concentre o maior índice de divorciados da cidade.

“A família dela é muito desregrada. Político tem que ser como um juiz, tem que ter regra. O que ela proporciona para a minha família? Ligo a tevê e ela está na Parada Gay. O que tá indicando para meu filho? Para relaxar e gozar? E o filho dela? Cantor louco de rock, ‘zueiro’, o que proporciona de bom? Sem falar que para ser prefeita tem que ter marido”, afirma a advogada Ariane Leonardi, 32 anos. Atuante na área de direito de família para pessoas carentes, embora a bordo de um Dodge Journey da montadora Chrysler avaliado em cerca de R$ 100 mil, ela pede, no fim da conversa: “Frise a família e a sociedade. O que falta nela é o conceito de família”.

O discurso expõe um componente constante no bairro, a religiosidade. Desde sua fundação, a Igreja tem presença forte no local, a começar pela origem do seu nome: Santa Ana. Formado a partir da doação de uma sesmaria a Companhia de Jesus no século XVII, o crescimento veio no fim do século XIX, com a instalação de um colégio pela Irmãs de São José de Chambéry. Já no início da abertura política ainda durante o regime militar, ficaram famosas as “senhoras de Santana” que atuaram contra o despudor televisivo.

Hoje, a aversão ao PT e a Marta é questionada pelo padre Humberto, da Paróquia São José Operário. “A resposta para isso é uma constante busca minha. Mas acho que há um receio da classe média a aspectos religiosos, políticos e comportamentais que venham de setores progressistas da sociedade”, afirma. Ele conta também que verificou isso quando se instalou no bairro, há cinco anos, e muitas pessoas tinham aversão ao Concílio Vaticano II, documento papal que nos anos 60 modernizou e abriu a instituição para, segundo ele, “tantas realidades”.

Além da tradição e da família, a propriedade também permeia os argumentos contrários à petista. Bairro onde o pequeno e médio comércios compõem o visual das ruas, as taxas do lixo e da luz criadas na gestão Marta, entre 2001 e 2004, são pontos que elevam a rejeição à ex-prefeita. “Eu gostava tanto dela, votava nela, mas depois, com essas taxas não dá mais. Pesou bastante para a gente. Quando mexe no bolso fica ruim, né”, diz Ingrid, proprietária do Empório da Beleza, na avenida Alfredo Pujol, a principal do bairro.

Há, porém, quem estenda as críticas às questões administrativas e ao setor considerado ponto forte da candidata: educação. Presente na rede pública municipal de ensino desde os anos 80, a diretora de escola Jane Garcia, 52 anos, kassabista, teve como chefes em última instância uma seqüência de prefeitos com colorações partidárias diversas: Mário Covas, Jânio Quadros, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra e Gilberto Kassab. E garante: o chefe atual é o maioral. “Ela fez os CEUs mas e o restante como é que fica? Estou em uma escola hoje que precisava de reformas elétricas, hidráulicas, pintura, ampliação. Só agora conseguimos. Só agora os professores são valorizados com aumentos”, diz, enquanto seu poodle Tara, protegido do frio com um vestidinho azul, descansa em seu colo. Depois da exposição técnica, cita, tal qual os outros entrevistados, os aspectos pessoais da candidata petista. “Ela é arrogante e tem toda a questão social-familiar”.

O anti-petismo de Santana acaba por contaminar a candidatura dos vereadores da legenda. O primeiro integrante da sigla a aparecer na lista dos mais votados é José Américo, na 33ª colocação, com 256 votos. Antes dele, predominam políticos do PSDB, DEM, PP e PTB. Quem lidera o ranking, com 3.095 votos, é o tucano Gabriel Chalita, o mais votado da capital paulista. Tendo por lema de campanha “São Paulo mais educada, sua família mais feliz”, descreve em seu site que “foi catequista, ministro da eucaristia e seminarista” e que “considera a família o alicerce da sociedade”. (CJ)

04/10/2008 - 12:51h Comparar

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Amanhã é o primeiro turno da eleição, mas a cidade já vive um clima de polarização entre a atual administração e a candidatura da Marta.

A mídia tem insistido, apoiada nos resultados das pesquisas, sobre a boa avaliação da gestão Kassab, semelhante a boa avaliação da administração da Marta. Ficando o segundo turno favorecendo os candidatos a reeleição, por conta da boa situação que vive o país e os próprios municípios.

O segundo turno vai centralizar o debate e, no caso de São Paulo, permitir comparar gestões e propostas. Para os partidários da Marta, essa escolha deverá se fazer sobre a questão da liderança que São Paulo precisa. Liderança para aprofundar a luta contra a desigualdade social e para integrar e incluir no progresso as maiorias, ou serviço mínimo para contentar setores médios conservadores e sem ambição para lidar com os desáfios do século.

Marta assumiu uma cidade financeiramente quebrada e numa situação econômica de quase recessão. A herança combinou 8 anos de governo FHC, com 4 anos de governo Pitta – Kassab.

A priméira questão a destacar é que essa cidade foi quebrada por Pitta com a colaboração de Kassab e com a participação do seu partido aos quatro anos de decadência.

Já os demo-tucanos, e Kassab travestido deles, assumiram uma prefeitura após o governo Marta e em plena recuperação econômica do país com o presidente Lula.

O resultado herdado pelos que provavelmente disputarão o segundo turno é bem diferente, o que se traduz em números: Kassab teve 50% de receitas a mais que Marta para enfrentar os grandes problemas da cidade.

Marta teve que usar de criatividade, perseverança e inovação para reconstruir São Paulo. Ela propôs participação ao PSDB que a tinha apoiado contra Maluf, mas os tucanos preferiram por cálculo político ir para a oposição.

Ela propôs parcerias ao setor privado e empresarial e muitos responderam presente, o que permitiu importantes conquistas. Foi graças a parceria com o Banco Santander, por exemplo, que as crianças dos CEU’s puderam dispor de instrumentos musicais que a cidade sem dinheiro não podia comprar (instrumentos agora encostados). Foi graças a parceria com o Pão de Açúcar que a Fonte de Ibirapuera pode ser entregue a cidade para seus 450 anos, sem usar o dinheiro parco da própria prefeitura. Foi graças a contribuição da Valisere que as crianças dos CEU’s receberam de graça os maios para poder usufruir das piscinas. Foi com o dinheiro da TIM que Marta conseguiu completar a obra de Oscar Niemayer e fazer o teatro de Ibirapuera, porque sem dinheiro só assim era possível responder as necessidades de uma gestão eficiente.

Foi indo atrás do dinheiro do BID que Marta obteve os recursos para revitalizar o Centro que permitiu recuperar o Mercado Municipal, erradicar a Favela do Gato, renovar a Praça da Sé. Os $100 milhões de dólares permitiram tudo isso e quase 85% desse total ficou para a gestão atual, que nada fez e ainda teve que pagar multa ao BID por não ter usado o dinheiro deixado a sua disposição.

Foi com o mesmo espirito de inovação e criatividade que Marta criou os títulos do CEPAC, permitindo que o dinheiro privado fosse canalizado para obras nas regiões onde o dinheiro foi arrecadado, como a Ponte Estaida, os túneis e que previa a transformação das favelas em moradias dignas. As favelas ainda estão encostadas na avenida e a ponte acabou custando 50% a mais com a atual administração.

Com 50% de receitas a menos que a atual gestão, Marta deu uniforme e material escolar de graça, merenda digna, transporte escolar gratuito e construiu 21 CEU’s.Eliminou uma parte das escolas de lata feitas por Pitta e Kassab e deixou todas prontas para serem substituídas. Kassab não conseguiu entregar nenhuma única vez os uniformes de verão antes do inverno, reduziu o Vai e Volta e fez 13 CEU’s menores e mais caros. Ou seja com 50% de receitas a mais e CEU a menos, Kassab só gastou mais.

O mesmo podemos dizer sobre o transporte público onde o caos deixado por Pitta e Kassab, deu lugar a 100 km de corredores, 10 mil ônibus novos, legalização e eliminação do transporte clandestino e, finalmente, o Bilhete-Único. Com 50% de receitas a mais, Kassab fez 8 km de corredores, limitou o uso do Bilhete-Único e deixou a CET ao deus-dará.

O mesmo na questão da Saúde, onde reinava o PAS que Pitta e Kassab entregaram aos gafanhotos da destruição. Marta municipalizou a saúde, recuperou os equipamentos dos hospitais, contratou novamente os médicos e fez mais. Construiu 45 novas UBS e recuperou as existentes deixadas em estado deplorável. Criou 800 equipes de Saúde da família, começou a construção de dois novos hospitais e também em parceria com empresas privadas, conseguiu mamógrafos novos doados pela Avon. Com 50% de receitas a mais kassab renomeou 99 UBS em AMA (o dado é do jornal Folha de São Paulo) e construiu mais 11, completou os hospitais que Marta tinha iniciado e a situação continua a ser ruim nesse setor.

Se formos falar dos projetos sociais, como o Renda-Mínima, aí já seria covardia proceder a comparar.

Para que ambas gestões estivessem empatadas seria necessário que em todos os elementos a serem comparados, os demo-tucanos tivessem 50% a mais de resultados, pois contaram com 50% a mais de receitas. O que vemos é que em quase tudo é o contrário que é verdadeiro: Marta fez mais com 50% a menos. É isto é uma demonstração indiscutível de liderança e capacidade a dirigir uma cidade do porte de São Paulo.

Deixei para o final a questão que parece ser a única onde a opinião de uma parte da população, da mídia e da propaganda demo-tucana parecem marcar uma superioridade em relação a Marta: os impostos e taxas.

Marta teve que aumentar os impostos e taxas para fazer frente as necessidades da cidade nas condições em que fora deixada pela administração Pitta-Kassab (Kassab foi secretário de planejamento de Pitta durante dois anos e depois optou por ser candidato a deputado, sem romper com Pitta que continuou contando com a participação do partido de Kassab até o fim).

O aumento do IPTU foi feito introduzindo um elemento de justiça fiscal, quem ganha mais paga mais. Marta isentou de IPTU 1 milhão de domicílios. Esta manifestação clara de repartir o esforço para que os mais ricos assumam uma parte maior deu sustento a campanha de destruição contra Marta. A taxa do lixo veio dar um argumento suplementário para a elite que permitia um eco na população pobre, pois a taxa era paga por todos. Marta já diz que isto foi um erro. O que seus detratores não dizem é que a carga tributária municipal continuou aumentando, o que explica que Kassab teve 50% de receitas a mais e que nenhuma redução de impostos de envergadura foi implementada na cidade. A única que propôs reduzir os impostos dos autônomos foi a própria Marta, copiada depois pelos demais candidatos. mas porque Kassab não fez antes?

Seguramente o leitor deve estar se perguntando: onde foi o dinheiro? onde está o 50% de receitas a mais, se com 50% a menos Marta fez tanto mais?

Pois bem, uma parte esta no banco: R$ 4,5 bilhões está aplicado no banco. O custo de quase todas as obras de Kassab, em valores reais, sofreram aumentos. Ou seja, os 13 CEU’s de Kassab eram menores, com menos lugares de teatro, menos piscinas mas custaram de 8% a 60% a mais do previsto. O mesmo com a ponte Estaiada, o mesmo com o leite das crianças, o mesmo com o conjunto da obra demo-tucana. Resultado: uma parte do 50% a mais de receita pagou mais caro em valores atualizados, as obras e serviços e uma parte está no banco. Uma pequena parte foi usada para financiar o fim da taxa do lixo, não sem antes liberar as empresas concessionárias de reciclagem, recolhimento de lixo nas favelas etc.

O segundo turno, cara à cara e com o mesmo tempo de TV a população poderá decidir o rumo que quer dar a cidade de São Paulo. Sobre as propostas para o futuro a campanha de Marta tem feito e em todas as áreas. Kassab simplesmente copia ou chia.

Luis Favre

24/09/2008 - 18:35h Folha sabatinou Marta

foto Cesar Ogata
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Na sabatina da Folha, Marta deixou claro o centro das divergências que opõem o PT a administração demo-tucana.

Para estes últimos, o Estado deve ser reduzido a sua mínima expressão. Não é por acaso que sempre se comparam com “gerentes” ou administração de empresa. Uma boa administração pública para eles, é a que dá lucro, no caso dinheiro aplicado no banco. Hoje mais de R$ 4 bi da prefeitura estão no banco: falta remédios, médicos, creches, habitação, e investimentos; mas o dinheiro está no banco. Mas isto não significa que sejam ecônomos ou comedidos em matéria de endividamento, carga tributária ou contratos a preços acima do mercado. Basta ver o endividamento em que deixaram o Brasil após 8 anos de FHC e o patamar em que deixaram a carga tributária, para perceber que é lorota o de austeros administradores.

Para o PT o Estado é um instrumento de redistribuição, permitindo que os impostos recolhidos na base de quem ganha mais e paga mais, sejam investidos em serviços a população “corrigindo” assim, em parte, a desigualdade social existente na sociedade.

As reduções de impostos não devem ser em detrimento da ação do Estado e sim para ampliar a geração de riqueza que sustente a ação redistributiva do próprio Estado.

Marta mostrou que a atual administração é incompetente para gastar, apesar das necessidades crescentes da população e da cidade, privilegiando as aplicações financeiras. Foi assim, incluso com o dinheiro federal, que não foi utilizado no SAMU por exemplo. Os exemplos, que Marta forneceu foram vários.

Marta mostrou que deixou as finanças em melhores condições que quando ela assumiu a prefeitura. Explicitando ao mesmo tempo, o esforço que significou recuperar São Paulo após a passagem de Pitta e tendo que pagar 13% do orçamento pela dívida negociada entre Pitta e FHC.

Mesmo assim, com R$ 10 Bilhões a menos em valores atualizados, Marta criou 800 equipes de Saúde da Família, contra 200 mais na atual gestão 150 das quais sem médicos. Construiu 45 UBS novas e municipalizou a saúde, iniciando a construção dos dois hospitais, M’BoiMirim e Cidade Tiradentes (Kassab transformou 99 UBS em AMA e criu 13 AMAS novas); Marta construiu 21 CEU’s (contra 13 da atual gestão), construiu mais de 100 Km de corredores de ônibus, contra 8 Km da atual gestão; deu uniforme e material escolar; Vai e Volta; 8 programas sociais como o Renda Mínima, para quase 300 mil famílias.

Convidada a comentar o único programa implantado em 4 anos pela atual gestão, o Cidade Limpa, Marta mostrou que para ser limpa, a cidade precisa mais que proibir outdoors, ela precisa coleta seletiva, aterros sanitários, centrais de compostagem e recolher o lixo das favelas.

Nestas questões as concepções divergentes indicadas no começo desta nota foram ilustradas praticamente. Kassab pediu para reduzir o valor dos contratos e em contrapartida abriu mão destas exigências impostas por Marta nos contratos. A “economia”, pífia, em troca de deixar o lixo nas favelas, com conseqüências ambientais e de saúde pesadas, não compensa.

Por último, Marta mostrou a importância de internet para entrar de cheio na era digital, combatendo a exclusão digital das maiorias e de propulsar significativamente a construção de metrô para recuperar o atraso gigantesco nesta área, após 14 anos de governos demo-tucanos dos quais 8 anos com FHC como presidente. LF

18/09/2008 - 13:00h Folha diz que todos os bicos são iguais, para fazer brilhar o seu. Nossa estrela não voa baixo, por isso a Folha não percebe

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Numa tentativa grosseira de esconder a realidade, a Folha de SP em editorial atribui aos candidatos similaridades enganosas.

O editorial procura responder a Marta e justificar a orientação pro-Kassab do próprio jornal.

Primeiro, a Folha faz de conta de ignorar, que foram a Marta e o PT os que primeiros apresentaram um programa de governo para a cidade de São Paulo, com propostas e metas. Já Kassab apresentou dois dias atrás sua plataforma.

A proposta de internet sem fio gratuita estava no programa de governo de Marta, ou seja antes da campanha ir para a TV (Ampliar inclusão digital com acesso à internet banda larga através de escolas, telecentros e demais equipamentos públicos municipais, programa de governo). A Folha não levantou dúvidas na época. Levantou agora, sem apresentar nenhuma. Mas serviu de chamariz para Kassab tentar desqualificar a proposta.

O programa é de início de agosto e nele figuram os pontos essenciais que a propaganda eleitoral de Marta apresenta de maneira mais dinâmica. Todas as propostas estão no documento. A criação de uma rede de policlínicas de especialidades, idem. A proposta de rede CEU na educação, também. As propostas de corredores, sua extensão, ampliação do Bilhete-Único e plano para o metrô, igualmente. A redução dos impostos, ISS e ampliação dos domicílios isentos de IPTU foram ampliamente divulgados antes da campanha. O mesmo em relação aos projetos sociais.

Igualmente clara foi Marta e sua campanha, na crítica ao governo demo-tucano, que faz dela a única candidata de oposição, ao menos até agora. As críticas claras: Quase nenhuma construção de corredores de ônibus, nenhum participação no metrô até dois meses antes da campanha eleitoral começar, improvisação no trânsito, redução dos benefícios do Bilhete-Único e demais programas sociais. Falta de médicos, descaso com o SAMU, nenhuma Farmácia Popular. Dinheiro do BID jogado fora no centro. O resto, copia mal feita e mais cara, das principais marcas da gestão do PT a começar pelos CEU’s.

A própria Folha chegou a mostrar que dos 25 CEU’s reivindicados por Kassab, entregou só 13. Do bilhão alardeado para o metrô, só R$ 275 milhões (aliás não previstos no orçamento 2008). A formação profissional, apareceu depois da Marta falar. Especialidade médicas, após Marta. Mesmo as AMA’s, sobre a qual nenhuma reportagem de fundo foi jamais feita pela Folha, ela acabou reconhecendo que das supostas 110 criadas, 99 eram antigas UBS, muitas delas feitas por Marta.

Marta fez e propõe. Kassab copia mal e desqualifica. A Folha ajuda. O “Brasil sorridente” é um programa do governo Lula que Marta vai implantar em São Paulo. Kassab não fez e copia agora a proposta. O editorial da Folha pretende o contrário.

A Secretária de Segurança municipal foi criada por Marta. Serra e Kassab a dissolveram. Marta e Alckmin defendem que ela volte a existir. Para o editorial da Folha é tudo igual, quem acabou com a Secretária e quem defende sua existência.

Mas o que motiva o editorial e preocupa a Folha é a questão de preservar o travestimento político de Kassab. Ela está indignada com Alckmin por ele ter descoberto, certo bem tardiamente, que Kassab não é tucano. Ela protesta e considera isto irrelevante. Nada diz, porém, sobre o fato dos demo-tucanos serem todos lulistas de criancinha nesta campanha.

Para a Folha a crítica de Alckmin lembrando que Kassab foi personagem chave do malufismo e ativo secretário do governo Pitta incomoda, como para muitos dos articulistas dos jornais, porque o único tucano com direito a título legitimo aos olhos desta parte da mídia é aquele que considera que “25 não é problema, é solução”. E se ele batizou Kassab como filhote da ave preta, que legitimidade tem Alckmin para questionar quem realmente manda?

A seguir o Editorial da Folha. Boa leitura.

Luis Favre

Editoriais

editoriais@uol.com.br

Diferenças nanicas

Na corrida pela prefeitura paulistana, candidatos lançam mão de táticas artificiais para encobrir a pobreza do debate

SERIA CÔMICA , se não fosse muito sem graça, a situação atual da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Como nada de concreto parece diferenciar as propostas dos principais concorrentes, começam então a surgir táticas artificiais para conferir cores mais vivas à disputa.
É assim que Marta Suplicy, do PT, traz a idéia de prover o município de conexões gratuitas à internet. Não que a proposta seja extravagante -o qualificativo se aplica melhor ao plano malufista de cobrir de concreto parte do Tietê-, mas as dúvidas que inspira, do ponto de vista técnico e dos recursos envolvidos, tendem a acentuar seu aspecto de chamariz eleitoral.
Gilberto Kassab, do DEM, retruca com rapidez. Imagina, a partir do histórico administrativo da petista, que com isso haveria de vir uma “taxa-antena” no eventual governo Marta. Engana-se, porém, quem deduzir daí a presença de um espírito mais austero no tocante às finanças públicas. No embalo da campanha, o candidato à reeleição promete que as passagens de ônibus não terão aumento em 2009.
Lances desse tipo conferem algo de nanico às diferenças entre os candidatos, que concordam na esfera macroscópica das generalidades planejadas. É o que mostra reportagem publicada ontem na Folha, comparando os planos de Marta, Alckmin e Kassab. Em vários pontos, as coincidências são flagrantes.
Alckmin quer criar a Secretaria de Segurança Urbana e Cidadã; Marta, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana. Kassab promete 50 “AMAs Sorriso” no campo da saúde dentária, a que Marta responde com a ampliação do “Brasil Sorridente”.
Se provoca sorriso, a convergência entre os programas de governo não tem por que ocasionar maior mordacidade. Notórias carências sociais aliam-se à perspectiva, não se sabe se duradoura, de certa folga financeira na prefeitura: natural que, em matéria de planos e realizações, mais continuidade do que confronto seja o mote da campanha.
Piores -e igualmente artificiais- têm sido as tentativas de transferir para o plano político as diferenças mínimas que separam os programas dos candidatos. Tentando reagir à ascensão de Kassab nas pesquisas, Alckmin resolveu ferir a nota da fidelidade partidária. Criticou os tucanos que participam da gestão do atual prefeito, a seu ver “sem compromisso com o PSDB”.
Caberia perguntar em que momento, no decorrer da gestão Kassab, romperam-se princípios partidários do PSDB; e quais as críticas que Geraldo Alckmin teria feito aos supostos traidores do partido nessa ocasião.
A tardia indignação alckmista surge apenas como recurso de campanha, num sistema político em que os partidos contam pouco, e em que o compromisso de qualquer candidato, como sempre, não é com princípios programáticos, mas com o marketing do momento. O resultado é risível, mas não tira da corrida à prefeitura paulistana um certo tom de melancolia.

16/09/2008 - 13:07h Menino maravilha no país da realidade

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Robert Vieira de Lima é um menino de 8 anos com um sorriso de quem curte a vida. Os franceses usam uma expressão “viver a vida a pleno dente”, ou seja com um sorriso grande, cheio. Assim parece ser Robert, que descobri ontem no SPTV 2° edição e hoje nos principais jornais de São Paulo.

Robert é o menino que ajudou a mãe a dar a luz a sua irmãzinha, no cômodo da casa humilde onde mora, em Cidade Tiradentes, na zona leste.

“Tô me sentindo um herói” declara orgulhoso, enquanto conta que aprendeu nos filmes como retirar a criança com cuidado, após a cabeça sair completamente.

Mas, se Robert pode sentir orgulho, tendo ajudado a mãe em momento tão delicado e difícil, ele também pode sentir orgulho de ter contribuído, talvez sem saber, para sua cidade.

O episódio vivido por Robert, e nisso ele também vai sentir orgulho, desnudou a montanha de propaganda enganosa jogada na TV sobre a saúde demo-tucana.

O pai de Robert tentou acionar o SAMU, as contrações tinham começado as 3 horas da manhã e duas horas depois começaram os sangramentos. Nenhuma resposta do SAMU (Ver aqui SAMU e Farmácia Popular: governo federal entra com a verba e a prefeitura de Kassab com o “trololó”).

Desesperado ele decidiu ir a pé à AMA (carro-chefe da propaganda, provavelmente uma das antigas UBS, renomeadas para vender ilusão). Segundo Luciano, pai do menino Robert, na AMA tinha ambulâncias paradas, mas não tinha motoristas e no atendimento disseram para resolver no 192. Ao cabo de 40 minutos, acompanhado de elementos da GCM, Luciano conseguiu voltar para casa e encontrar mãe, bebê e Robert na melhor situação, vista as circunstâncias.

Segundo Tramontina, do SPTV, a Secretária Municipal de Saúde indagada pela reportagem informou que o horário de atendimento da AMA é 7 horas da manhã e por isso não tinha motorista, mas que ela conta com esse serviço. Nenhuma explicação sobre o SAMU. O jornal AGORA esteve na AMA e foi informado pelos funcionarios que a unidade não oferece esse serviço. Do SAMU, nada.

Evidentemente, emergências, disfuncionamentos, existem nos sistemas mais desenvolvidos. Acontece que no país das maravilhas da propaganda kassabista, a situação do SAMU e a falta de médicos na periferia, inexistem. Como inexiste dinheiro do SAMU aplicado no banco, enquanto as ambulâncias aguardam conserto.

Segundo editorial do jornal O Estado de São Paulo:

“O Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu) da cidade de São Paulo deveria ter recebido investimentos de R$ 168,2 milhões desde 2005, mas, desse total, apenas R$ 16,7 milhões foram efetivamente utilizados. Há pouco mais de um ano, o Estado noticiou que pelo menos R$ 35 milhões das verbas destinadas pelo Ministério da Saúde para financiamento dos serviços de socorro urgente a doentes e vítimas de acidentes estavam aplicados no mercado financeiro, enquanto o atendimento de urgência de doentes e acidentados demorava três vezes mais do que o recomendado pelos organismos internacionais. Faltavam motoristas, médicos, enfermeiros e ambulâncias em bom estado de conservação, embora sobrasse dinheiro. A frota de ambulâncias era de 137 veículos, que atendiam, em média, a 800 casos por dia. O tempo de espera variava entre 30 e 40 minutos.” (OESP 14/08/2008).

A família de Robert foi vítima destes fatos, que eles seguramente não leram no jornal, mas que conhecem e conheceram novamente pela experiência que viveram. No caso, nem o editorial do Estadão, nem a família de Robert, vivem no mundo da fantasia onde Kassab e seu boneco tentam enganar a “patuleia”, mas só a “Manhatan paulista” finge que acredita.

Luis Favre

13/09/2008 - 13:22h A verdade distorcida pela Folha

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A Folha SP prosseguiu hoje com a edição do debate da quinta-feira na Band. Ontem o jornal tinha reproduzido os ataques contra Marta, dos seus adversários (A edição do debate).

Hoje, na mesma linha, procura igualar Kassab com Marta em matéria de “distorções”.

A realidade é que Kassab, no mesmo estilo de Maluf, usa e abusa de inverdades flagrantes quando fala de sua gestão. A Folha procura minimizar esta verificável constatação, para propalar a idéia que tudo mundo faz igual.

Não, não é igual e vou prosseguir aqui desmontando essa falsa “isenção”, que serve de refugio a demagogia kassabista.

Primeiro, no título do artigo e no lide (ver embaixo) Marta e Kassab são igualados. No corpo do artigo a Folha mostra, falando de Kassab, que não tem dois professores por aula, como falsamente pretende e afirma o candidato demo. No artigo a Folha esclarece que 90% das AMAS são, em verdade, as UBS anteriores que foram renomeadas (ou seja das supostas 110 AMAS, 99 eram as UBS anteriores e 11 são novas).

Depois, o artigo aborda a afirmação de Marta no debate da Band, que durante sua gestão ela fez 100 km de corredores. A Folha diz: “Durante a gestão petista, de 2001 a 2004, mais de 100 kilometros de vias exclusivas para ônibus passaram por uma significativa reformulação física e estrutural. Porem, durante a administração de Marta, cerca de 50 novos quilômetros de corredores foram efetivamente criados.”

Pelos critérios que aparentemente a Folha utilizou, estaríamos perante o seguinte quadro: Marta reformou física e estruturalmente mais de 100 kilometros, dos quais 50 foram novos corredores. Kassab não fez nenhum corredor e “entregou” 10 quilômetros, dos quais 8 no fura-fila. Primeiro ponto.

Para o leitor entender o que significa o critério da Folha, o corredor da 9 de julho não faz parte dos “quilômetros” da Marta. O corredor existe, se minha memória não me engana, desde quando Mário Covas foi prefeito em 1980-82. Pelos “critérios” da Folha ele faz parte das “reformulações físicas e estruturais”.

Mesmo assim os dados da Folha estão errados. Os corredores, na gestão Marta denominados Passa-Rápido, eram 39 Km em 2001, dos quais 35 Km foram reformados “física e estruturalmente” entre 2001-2004. Novos 67 Km foram construídos no mesmo período. (Os dados são da Secretária Municipal de Transportes).

Para 2004-2008 estavam previstos mais 219 km para atingir um total de 325 km de corredores.

Hoje, na cidade de São Paulo existem 106 Km de corredores (35 km reformados “física e estruturalmente” + 67 Km novos, todos na gestão Marta + 4 anteriores), nenhum novo corredor foi construído em 4 anos de gestão demo-tucana. Kassab “reformou física e estruturalmente” 10 km, dos quais 8 Km no Fura-Fila.

A manchete e o artigo da Folha procuram evitar que esta verdade apareça como ela é: uma prova do descaso com o transporte público na gestão Kassab e uma verdadeira revolução na gestão Marta.

“Detalhe”: Marta teve a herança de Pitta, do qual Kassab foi o Secretário de Planejamento, e o equivalente a 10 Bilhões de reais a menos (em valores atualizados), que a gestão Kassab.

A suposta “objetividade” esconde esta verdade. A propaganda de Kassab, também.

Luis Favre

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Clique na imagem para ampliar e ler

10/09/2008 - 13:58h O mundo de fantásias da Manhatam paulistana

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“A classe média que vota no PSDB e que vive na Manhattan paulistana, que nunca foi à Brasilândia, a Itaquera, nunca viu uma AMA nem uma UBS, começou a assistir àquele festival de maravilhas [no programa de Kassab] e a achar que está tudo ótimo. Mudar pra quê? É mudança ou continuidade? Eu acho que o Geraldo tem de ser o candidato da mudança. E ficou impossível dizer isso na TV.”

(publicitário Lucas Pacheco explicando sua saída da campanha de Alckmin)

02/09/2008 - 08:31h Marta expõe suas idéias em sabatina do grupo Estado

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Marta admite meta diferenciada de desempenho escolar na periferia

Durante sabatina promovida pelo Grupo Estado, candidata do PT à prefeitura prometeu dar autonomia para que as escolas do município estabeleçam seus objetivos e façam sua própria avaliação

Daniel Bramatti e Guilherme Scarance – O ESTADO DE SÃO PAULO

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, revelou que, se eleita, dará autonomia às escolas municipais, para que elas próprias definam as metas de desempenho dos alunos e apontem as carências de formação de seus professores. O anúncio foi feito ontem, durante sabatina promovida pelo Grupo Estado, no seu auditório. Hoje será a vez de o tucano Geraldo Alckmin responder às questões de jornalistas e do público. O evento será transmitido ao vivo pela TV Estadão, no portal www.estadao.com.br, das 11 às 13 horas.

link Assista à íntegra da sabatina com a candidata Marta Suplicy, do PT

Marta não quis se comprometer com a eliminação do déficit de creches na cidade. “Vou fazer o máximo que o dinheiro der”, disse a ex-prefeita, sem citar números.

A petista admitiu ter abandonado uma promessa que fez em 2004, quando era prefeita e concorreu à reeleição – a criação do chamado CEU Saúde, estrutura semelhante aos Centros Educacionais Unificados, mas voltada para o atendimento médico. Para Marta, a idéia era “perfeita”, mas “ficou como um factóide”. Segundo ela, a execução do projeto ficou inviabilizada porque a gestão de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) na priorizou outro modelo, o das AMAs.

A seguir, os principais trechos da sabatina:

REGIÃO METROPOLITANA

“Temos a perfeita consciência de que isso aqui é o coração do Brasil e você não pode administrar essa região toda sem ter uma conversa entre os responsáveis por cada município. (…) O que sempre dificulta é quando você é o mais poderoso e quer mandar. Então, temos de fazer uma coisa muito equânime, conversada, muito bem dialogada. Agora tem uma coisa boa que eu notei. O PT está com muita possibilidade de ganhar em várias cidades importantes, as que têm mais peso. Isso facilita.”

META PARA CRECHES

“Acho que é bobagem. Quando cria essas metas, primeiro, são aleatórias. Pode dizer: vou zerar o déficit de creches na cidade. Seriam duas creches por dia. Então, eu nunca fui de prometer o que não posso fazer. As pessoas que acompanharam minha administração sabem o quanto fiz de creche – fiz mais creche que as gestões Maluf e Pitta juntas. Eu sou mulher, sei da importância da creche para a mulher e sei da importância do salário a mais da mãe. E sei, principalmente, como psicóloga, da importância para a criança de uma creche decente. Vou fazer o máximo que o dinheiro der.”

AUTONOMIA DAS ESCOLAS

“Vamos dar autonomia para as escolas e condições para que os professores trabalhem numa escola só. A escola faz a sua própria avaliação e cria a sua meta. E ela vai ser cobrada. Vai dizer qual é a sua carência em termos de formação. Vamos fazer isso nos primeiros meses de governo. A partir disso, vamos fazer centros de formação continuada, para que o professorado da nossa cidade possa ter acesso à continuação de sua formação.”

“Essa é a realidade (possibilidade de escolas da periferia terem metas inferiores às de bairros nobres). Provavelmente, uma escola de uma região mais periférica não tem o mesmo nível da região daqui. Nós vamos exatamente tentar transpor isso.”

ESCOLAS DE LATA

“Quem fez as escolas de lata foi o Kassab, porque ele foi secretário de Planejamento do Pitta. Ele ajudou a planejar as escolas de lata. Quando eu entrei já havia várias ações do Ministério Público para tirar as escolas de lata, porque haviam sido feitas em áreas de proteção ambiental. (…) Foi uma briga com o Ministério Público, que depois se convenceu que a questão social era preponderante e a escola poderia ser feita de alvenaria. Retiramos 13 ou 17 e deixamos todas as outras licitadas. Então ele (Kassab) fez a obrigação dele, já estava tudo licitado e ele acabou de retirar. E demorou muito, poderia ter feito mais rápido.”

INVESTIMENTO EM METRÔ

“Quem é responsável pelo metrô na cidade de São Paulo é o Estado. O Estado está há 14 anos nas mãos dos tucanos. Nesses 14 anos, eles tiveram 8 anos no governo federal e 4 anos na Prefeitura de São Paulo. Então, me parece um pouco estranho eu hoje ser responsável, como ex-prefeita, que peguei essa cidade falida, pela não-existência de metrô razoável na cidade.”

“Se o Kassab está pondo dinheiro agora – e não está pondo tudo que está dizendo, disse que vai pôr R$ 1 bi e já estamos em setembro e até agora pôs R$ 270 milhões; eu vou pôr R$ 480 milhões/ano, R$ 2 bi quase em quatro anos – por que não colocou antes? Por que deixou R$ 2 bilhões de superávit em 2003, 2004, e esse dinheiro não foi para o metrô? Eles não tiveram a percepção da crise de transportes. Enquanto todo o Brasil se preparou para o boom econômico, a Prefeitura de São Paulo não acreditou. Não investiu em transporte. Essa é a realidade.”

PROCESSO

“Nós tivemos as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas e pela Câmara Municipal. Depois tivemos as contas aprovadas e arquivado processo, o Supremo arquivou, dizendo que eu tinha cumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal, que tinha deixado a cidade em condição muito melhor do que recebi, que tinha deixado com R$ 91 milhões de superávit.”

RODÍZIO 24 HORAS/PEDÁGIO

“Pensei e descartei, porque isso realmente é sinônimo de incompetência. (…) Você vai tirando o direito do cidadão e, daqui a pouco, você não consegue sair de casa. Tem alternativas. Temos de ter uma clareza do que fazer.”

SOLUÇÕES PARA O TRÂNSITO

“Eu tenho três propostas para essa situação. De curto, médio e longo prazo, todas a ser feitas no primeiro dia. Curto prazo é investir direto na SPTrans e na CET. Isso é a primeira coisa e já tem respostas rápidas, além de fazer pequenas obras – às vezes tirando uma calçada, já agiliza. Em segundo lugar, médio prazo, é corredor de ônibus. Pode investir no primeiro dia, mas vai levar um ano e meio, dois. E depois o metrô, que uma cidade como São Paulo, uma metrópole desse porte tem de ter metrô.”

MINISTRA DE LULA

“Eu, como ministra do Turismo, tive essa percepção. Comecei a analisar o que o turismo tinha de organizar como responsabilidade. Mas também a questão da mobilidade urbana. Fiz um projeto para as principais capitais que vão ser escolhidas – São Paulo está entre elas – e levei para o presidente Lula e para a ministra Dilma. Colocando que, se não fosse feito esse investimento, não chegamos a 2014 com os 63 quilômetros de metrô que necessitamos e 279 quilômetros de corredores de ônibus que necessitamos em função da Copa de 2014. Na China deu para ver o que é uma organização. Lá é mais fácil do que aqui, certamente. Não tem problemas de impugnação de licitação.”

CORREDORES DE ÔNIBUS

“A fiscalização está muito ruim hoje. Vou dar um exemplo concreto: o corredor Vila Nova Cachoeirinha. Quando a gente implantou, fazia 23 quilômetros por hora, agora faz 9. O Rebouças, que estão dizendo ?olha como está ruim?, quando foi implantado, funcionou que era uma beleza. Por que não funciona agora? Primeiro, permitiram o ônibus intermunicipal – um desastre. Depois, metade dos radares no corredor está quebrada, não tem fiscalização. E aí os corredores que tinham fluxo estão parados. Agora, a culpa é do corredor? Não tem fiscalização, não tem gestão. E estão gritando que a culpa é minha, que deveria ter investido no metrô. É insano.”

CRISE NA SAÚDE

“Quando investe como foi investido no PAS, foi muito ruim. Oito anos que a cidade ficou sem os repasses do Estado e os repasses da União. Os hospitais foram todos privatizados e, uma coisa muito perversa, os contratos não tinham obrigatoriedade de investimento. (…) Tive de recuperar todos os hospitais, que estavam absolutamente depredados. Aí recebemos as unidades básicas do Estado, que também estavam sucateadas. (…) Na hora que PAS acabou, ficamos sem médico. Tivemos de contratar 23 mil profissionais para todas áreas da saúde. Então, foi uma reconstrução de um sistema dilapidado de saúde.”

CEU SAÚDE

“Eu teria feito (se reeleita). Não dá para fazer mais o que eu tinha pensado. Exatamente porque aprendi que a saúde é uma construção e a cidade de São Paulo está cansada de ser desconstruída. Eu teria feito o CEU Saúde. Ele teria exatamente tudo acoplado. Não dá (para retomar agora). Fizeram muitas AMAs. Foi uma pena, eu concordo com você. Ficou como um factóide, foi um erro ter posto o nome. Porque a idéia é perfeita, tanto é que em Diadema o prefeito inaugurou o Quarteirão de Saúde, com as mesmas pessoas que planejaram o CEU Saúde daqui e é o maior sucesso. (…) O Serra optou por AMA, não vou parar as AMAs. Tem de melhorar. ”

INVESTIMENTO EM SAÚDE

“Não tenho decidido quanto vai ser investido. Depois vocês vão cobrar. Não vou dar esse prazer a vocês. Quero fazer um compromisso. Depois de quatro anos, eu ter melhorado de forma considerável – que as pessoas possam ter uma diminuição muito grande no tempo de consulta e exame médico.”

METAS DO SAÚDE DA FAMÍLIA

“Não dava. Isso foi uma das divergências minhas com (o ex-secretário) Eduardo Jorge. A meta era 1.200. Eu ficava muito aflita – a gente tentou fazer muita coisa ao mesmo tempo, com muito pouco dinheiro. Aumentávamos o Programa de Saúde da Família com excelentes resultados. (…) Não dá para fazer tudo de uma única vez – isso é uma coisa que às vezes frustra.”

FHC X LULA

“Quando ganhei, eram os dois últimos anos de Fernando Henrique. Aquela história dos 10 milhões de desempregados, recessão grande no País, dívida externa gigantesca. São Paulo ficou a pão e água na gestão Fernando Henrique. E os dois primeiros anos do Lula, que foram muito difíceis também. Se hoje estamos vivendo esta bonança, é muito pelo que foi feito nos dois primeiros anos do governo. Hoje, a situação é completamente diferente – os aportes que o governo Lula está fazendo não só para o governo Serra, como também para o governo Kassab. A cidade só não tem mais, segundo os ministros com quem eu tenho conversado, porque a cidade de São Paulo não faz projetos em busca de recursos federais.”

“RELAXA E GOZA”

“Mau para eles (se usarem declaração no horário eleitoral). A população não gosta de baixaria, desse tipo de golpe baixo. Em relação a isso, já me desculpei com a população e a população quer discutir proposta. Quem vai à tela com uma coisa dessas, é que está se sentindo muito acuado, senão não apelaria para isso.”

PARCERIA COM LULA

“Acho que a relação é institucional (entre município e União). Mas vai além. Passa pelas propostas e pela ideologia. O que o Lula disse, com toda clareza? Nós temos projetos semelhantes, pensamos da mesma forma. Ele trabalha melhor comigo, não porque sou amiguinha dele. Ele trabalha melhor comigo porque construímos um partido juntos, com as mesmas propostas. Não vejo Kassab nem o Alckmin terem as mesmas preocupações que o presidente tem.”

SUPERÁVIT EM CAIXA

“A propaganda contra foi tão pesada, que o Serra fez naquele momento, que as pessoas ficam com isso na cabeça – que a cidade estava quebrada. Eu não entreguei a cidade quebrada. (…) Não era preciso ter feito o carnaval que ele fez.”

01/09/2008 - 10:28h A saúde está doente

Sobrevivendo à base de soro caseiro

Crianças convivem com más condições em favelas

Roberto Almeida, O ESTADO DE SÃO PAULO


Se Denise dos Santos chora, é porque a vida ela diz que “só vai levando”. Para a dona de casa, cada avanço parece que vem seguido de dois retrocessos – sensação comum entre os moradores da favela Jardim Floresta, na zona sul de São Paulo. O esgoto foi canalizado, as vielas receberam pavimento, mas as benfeitorias, que continuam sob a lei do tráfico, agora são palco para um surto de diarréia entre crianças. A causa para o problema, que incomoda moradores há um mês, ainda não foi descoberta.Não se sabe se é a água, ou se é a comida, mas a filha de Denise, S., de 10 anos, desmaiou duas vezes no banheiro com febre e fortes dores de barriga. Foi levada ao posto de saúde para fazer exames, e hoje aguarda os resultados. Enquanto isso, soro caseiro. A mãe, esperançosa, até esboça um sorriso. “Se Deus quiser, vai ficar tudo bem”, diz, olhando para a filha. Ela espera o melhor porque Simone Pereira, a poucos metros dali, ri à toa. Seu filho mais novo, J., de apenas 4 anos, também está passando mal, mas desta vez saiu do banho apressado, brincando mesmo molhado, escapando das mãos de sua avó, que queria enrolá-lo na toalha. Ainda assim, soro caseiro.

Mais crianças com problemas de saúde vão aparecendo. Outras quatro, em 15 minutos de caminhada. Na creche que atende a favela, administrada pela ONG Reconciliação, o panorama é o mesmo: são duas reclamações por semana, com média subindo desde julho, segundo a enfermeira Cássia Tomé. Ela aguarda uma análise da água que abastece a região.

A favela é parte da Vila São José, à beira da Avenida Teotônio Vilela, área de manancial. Um pequeno ponto da região da Capela do Socorro, que em 2007 foi líder em mortalidade infantil. Segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), divulgados pelo Movimento Nossa São Paulo, a cada mil nascimentos, 17 morrem antes de completar 1 ano – três vezes mais em comparação a um nascimento em Pinheiros, na zona oeste.

Os filhos de Denise e Simone sobrevivem, assim como as crianças do outro lado da avenida, na Favela da Minhoca. Ali, canos desembocam em um córrego, que segundo moradores está infestado de ratos. Tudo a um quilômetro da Represa Guarapiranga, que abastece parte da cidade.

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Saúde é a área mais mal avaliada de todas as últimas gestões

Adriana Carranca – O Estado de São Paulo

Os três dos candidatos à Prefeitura de São Paulo que já ocuparam o posto anteriormente falharam na saúde. A área se tornou o calcanhar de Aquiles das administrações municipais. Na opinião dos eleitores, foi neste setor que os prefeitos Paulo Maluf (1993-1996), Marta Suplicy (2001-2004) e o atual, Gilberto Kassab (2006-2008), tiveram o pior desempenho. Na gestão José Serra (2005-2006), que apóia o candidato tucano Geraldo Alckmin, não foi diferente.

As entrevistas foram feitas no penúltimo ano das administrações, exceto por Maluf, realizada ao fim da gestão. A saúde foi a área de pior desempenho de Kassab para 23,1% dos entrevistados, seguida dos transportes, para 12%. A enquete foi respondida por 605 moradores e eleitores, de ambos os sexos e com idades entre 18 e 70 anos, distribuídos proporcionalmente à população de cada região da cidade, critérios adotados em todas as pesquisas.

Na gestão Serra, 31% apontaram a saúde como pior área, também seguida dos transportes, com 16,3%. Na administração Marta, a insatisfação com saúde e segurança foi similar, para 19,5% e 17,7%, respectivamente. Maluf foi o que teve a pior avaliação da área: para 50,6%, a saúde era o principal problema, seguida da violência.

Isso, apesar de a saúde ter sido a principal bandeira de Maluf e de seu sucessor, Celso Pitta, que iniciaram a terceirização dos serviços municipais com o Plano de Atendimento à Saúde (PAS). O programa gerou polêmica e foi alvo de denúncias. “Os médicos tinham de aderir ao PAS, formando cooperativas para administrar cada unidade, ou eram afastados. Conheço profissionais tarimbados que foram cuidar de asfalto”, diz o médico Clóvis Constantino, do Conselho Federal de Medicina. “Até alimentação e lavanderia eram terceirizados. Isso dificultava a fiscalização.”

Ele, no entanto, não é contra a terceirização, adotada até hoje com o repasse da gestão dos equipamentos públicos às chamadas Organizações Sociais (OSs), entidades sem fins lucrativos do terceiro setor. “Essas parcerias otimizam recursos e as organizações sociais são entidades com tradição na gestão da saúde, como o Hospital Santa Catarina”, defende. Outra vantagem é que as OSs podem administrar várias unidades na mesma região, o que, em tese, facilitaria a integração dos serviços, embora isso ainda não funcione bem na prática.

A falta de integração entre as unidades com funções diversas e de fluxo no encaminhamento dos pacientes são o principal gargalo da saúde, segundo os especialistas. “As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) não conversam com os hospitais municipais nem estaduais, não há um sistema de informações integrado”, diz Paulo Mangeon Elias, do departamento de Medicina Preventiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, é preciso garantir que o paciente recebido nos postos de atendimento básico – as chamadas portas de entrada – sejam encaminhados para exames laboratoriais e tratamento, quando necessário, o que ainda é falho. “Essa coexistência de diferentes modelos como UBS, AMA e PSF dificulta a gestão. E o atendimento de média complexidade continua falho. Você faz consulta, mas espera meses por um exame ou atendimento que demande especialidade, como oncologia e cardiologia”, diz Áurea Ianni, pesquisadora do Instituto de Saúde do Estado. Ela defende uma estratégia metropolitana, já moradores das cidades vizinhas buscam atendimento em São Paulo.

DESCONTROLE

As OSs receberão repasses de R$ 168 milhões neste ano e já gerenciam 226 das 412 UBSs e 57 das 115 unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs), além de quatro prontos-socorros, quatro unidades de pronto-atendimento (menores, para emergências) e 69 outros serviços. Embora seja elogiado por boa parte da comunidade médica e da administração da saúde por otimizar recursos e dar maior agilidade ao sistema, como na contratação de profissionais e compra de equipamentos, já que dispensa licitações, o processo é hoje duramente criticado por falta de controle nos repasses de dinheiro público.

O Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou falta de fiscalização na transferência de verbas e de exigência do cumprimento de metas de atendimento, como previsto na Lei Municipal 14.132, de 2006, que regulamentou as OSs. Com base em relatórios do TCM, o Ministério Público move uma ação civil pública contra a Prefeitura. “A prestação de contas sobre a aplicação dos recursos tem de ser mensal porque, se houver sobras, isso deve ser compensado no repasse subseqüente. Mas o Programa Saúde da Família, por exemplo, funciona desde 2001, com parte da gestão terceirizada via convênios ou OSs e a primeira análise dos repasses só foi feita em 2005″, diz a promotora de Justiça Anna Trotta Yaryd. Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a ação se refere a contratos anteriores e que o controle de repasses é feito trimestralmente, sendo compensadas as sobras no quarto mês.

O médico Oswaldo Tanaka, professor do Departamento de Prática de Saúde Pública, da Faculdade de Saúde Pública da USP, defende a criação de uma agência reguladora “forte e competente” para a saúde. “O setor privado produz mais com menos. Mas é preciso aprimorar as parcerias, garantindo a eficiência dos serviços geridos pelas entidades”, diz o médico.

COLABOROU FABIANE LEITE

PRINCIPAIS PONTOS DO SISTEMA MUNICIPAL

UBS: É a porta de entrada no sistema, onde são agendadas consultas com clínico-geral, ginecologista, pediatra e vacinação

AMA: Atendimento sem consulta marcada para casos de baixa complexidade, como diarréia, dores, pequenas contusões, problemas respiratórios

PSF: Criado pelo Ministério da Saúde, em 1994, prevê atendimento integral por equipe multiprofissional – clínico-geral, enfermeiro e dois auxiliares, cinco agentes comunitários – responsável por 4 mil famílias

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

O que são: Para caracterizar-se como organização social, a entidade não pode ter fins lucrativos e deve atender a princípios como legalidade, impessoalidade e moralidade. Elas recebem repasses da Prefeitura para gerir hospitais e unidades de saúde

Principais gestores: Casa de Saúde Santa Marcelina, Associação Congregação Santa Catarina, Fundação Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e Irmandade da Santa Casa de São Paulo, entre outros

PROBLEMAS DO SISTEMA:

Falta de integração entre os serviços das unidades e hospitais

Há falhas e demora no encaminhamento dos pacientes, após atendimento nas UBSs e AMAs, chamadas de portas de entrada

Faltam serviços especializados, como oncologia e cardiologia, e o agendamento de exames pode demorar meses

Ainda não há uma estrutura bem montada para tratamento contínuo de doenças agudas

Os repasses para OSs são feitos sem fiscalização ou exigência do cumprimento de metas

SAÚDE EM NÚMEROS

R$ 4,9 bilhões
é o orçamento da saúde em 2008

412 unidades
Básicas de Saúde (UBSs)

115 unidades
de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs)

1.052 equipes
do Programa Saúde da Família (PSF)

16 hospitais
e prontos-socorros, além de unidades de menor porte, para pronto-atendimento de
casos mais graves

 

 

Entre os desafios, organizar sistema e integrar serviços

Especialistas dizem também que é preciso garantir fluxo de atendimento

Adriana Carranca

Os candidatos à prefeito de São Paulo prometem “criar, implantar, ampliar” o sistema municipal de saúde, mas na opinião do economista Áquilas Mendes, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (Abres), isso é uma falácia. Ele explica que apenas 3% dos R$ 4,9 bilhões do orçamento da pasta em 2008 referem-se a investimentos. O restante é custeio com a manutenção dos serviços já existentes, que não pode ser reduzido.

“Ampliar serviços significa aumentar a despesa, mas isso depende de ampliar a base de arrecadação, o que não tem sido um esforço das administrações”, diz. O orçamento da Secretaria Municipal de Saúde, entre 2005 e 2007, ficou em cerca de 16% da receita – o mínimo exigido por emenda constitucional é 15%. Em 2008, a revisão orçamentária prevê 20%. “Mas, o comprometimento das despesas rígidas ainda é enorme. A folha compromete 30%”.

Para os especialistas, a questão central da próxima gestão deve ser organizar o sistema, integrar os serviços e garantir o fluxo dos atendimentos. “Precisa construir mais UBSs e hospitais? Sim. Mas, desde que haja eficiência no atual sistema. Ou vamos continuar fazendo mais do mesmo”, diz Paulo Mangeon Elias, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP. Para ele, falta nas propostas um plano para o município, com metas e financiadores definidos, tendo como diretriz o Sistema Único de Saúde (SUS). “A partir dele, cada administração cumprirá a sua parte. Mas isso não se faz com uma proposta de governo. Os problemas da saúde em São Paulo não serão resolvidos em uma gestão, por mais brilhante que ela seja”, diz.

Na avaliação de Oswaldo Tanaka, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) as propostas deste ano demonstram uma “valorização da saúde como política pública, como prevê a Constituição”. As propostas dos candidatos Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), diz ele, são semelhantes. “Propõem atenção à saúde básica e composição de serviços para diferentes complexidades, além da construção de três hospitais em áreas precárias. Kassab, porém, dá mais ênfase às AMAs. A curto prazo, a população fica satisfeita, mas o problema é que você tem de garantir o atendimento pós-AMA dos casos agudos e seu acompanhamento contínuo”.

Tanaka considerou as propostas de Soninha e Ivan Valente “mais intencionais do que operacionais”. “O que eles propõem não nos dá parâmetros para, mais tarde, cobrar as promessas”, disse. Sobre a criação de mutirões de consultas proposta por Soninha, ressaltou: “É boa, mas o que eu faço com as doenças encontradas? Essa é a grande questão hoje.” Ele também criticou a proposta de Paulo Maluf. “Se retomado, o PAS enfrentará novo embate técnico e político. Era gerido como um plano de saúde, por cooperativas privadas e, portanto, não atende aos princípios de universalidade do SUS. E não podemos correr o risco de sermos excluídos novamente do SUS porque os financiamentos federais e estaduais são muito importantes”, diz o médico.

22/08/2008 - 23:41h No ar, o Dr. Alckmin

Eleição em São Paulo

Blog de Noblat

No capítulo eleitoral da tarde de hoje em São Paulo, o zen Geraldo Alckmin (PSDB) fez o que muita gente implorava que fizesse na campanha presidencial: assumiu o seu lado médico de ser. E ao finalmente sair de Pinda para retomar sua especialidade profissional, aproveitou para tentar aplicar anestesia-geral no medalha de bronze Gilberto Kassab (DEM).

Do alto do seu jaleco, após fazer um diagnóstico sombrio da saúde na cidade administrada por Kassab, o dr Alckmin deu solução para tudo – de integração dos serviços à construção de hospitais, policlínicas e o escambau. Tudo com sigla, tudo com número, tudo com fotografia. E tudo perto de casa, prometeu.

O golpe de Alckmin foi de tiro longo, para alcancar também, lá no outro lado do mundo em que se encontra desde a véspera da estréia da campanha na TV, o governador José Serra. Não precisa explicar mas não custa lembrar: Saúde é a grande marca de Serra desde o Ministério. Tanto é que um dos motivos da derrota da candidata Marta Suplicy (PT) para ele nas últimas eleições é atribuído ao fato dela ter agendado este tema na campanha. Com força na Educação por causa dos CEUs, ela focou na proposta de um CEU da Saúde. Entrou na seara do adversário e deu no que deu.

Agora é diferente. Alckmin abandonou a medicina pela política, mas não pode se dizer que não seja médico. Quanto a Kassab, não foi ministro nem médico, é engenheiro, portanto não tem credenciais para essa disputa. De outro lado, Kassab é o fiel depositário da marca do padrinho político e antecessor, especialmente de sua menina dos olhos, as AMAs.

É, o candidato do DEM vai ter que largar rapidinho a pilha de papéis e o paletó que carrega na mão nos seus comerciais na TV, pois vai precisar usar os dois braços, quem sabe até um pé, nessa briga em que se meteu com seu parceiro histórico, o PSDB.

A jornalista Cila Schulman é estrategista e coordenadora de comunicação de campanhas eleitorais desde 1988. Estudou na “Graduate School of Political Management” da “George Washington University” e é membro e palestrante de entidades internacionais como IAPC – Associação Internacional de Consultores Políticos -, EAPC – Associação Européia de Consultores Políticos e Alacop – Associação Latino Americana de Consultores Políticos.

13/08/2008 - 11:09h CBN: entrevista Marta Suplicy

3 COMENTÁRIOS PARA “CBN: entrevista com Marta Suplicy (PT)”:

Comentado por Luiz Marcelo em 12/08/2008 – 14:20h:

Adoro viver em São Paulo com Marta na prefeitura. Com ela a cidade se transforma, se moderniza e se dignifica. Adoooooooooro você Marta. Uma mulher honesta e trabalhadora, uma pessoa que ama muito a nossa cidade. Perdão Favre, mas eu amo a Marta. Demais! Doutor Scudufum.

Comentado por Andre Gruber em 12/08/2008 – 22:00h:

Parabéns à nossa Prefeita ! Show de lógica e bom senso. Mesmo o Milton Yung cobrando o por que que os problemas da Humanidade não foram solucionados na administração Marta, ela ainda mostrou que fez muito mais em quatro do que certas pessoas em quinze. De qualquer forma, não concordo que a PMSP invista no metrô da cidade sem que isso se converta em ações da Cia.do Metrô. Imaginem eles utilizando o dinheiro do meu IPTU do jeito que eles administram o meu do ICMS.

Comentado por Wilson em 13/08/2008 – 10:09h:

Eu me declaro um invejoso! Explico…
Nestas próximas eleições municipais votarei em um candidato do PMDB e seu vice do DEMO (não contem pra ninguém) e não em um candidato do PTB e seu vice do PT, por questão de cidadania e não de ideologia, claro.
Fico imaginando como seria prazeroso fazer campanha pra Marta e coroar minha participação cívica com o voto nessa grande mulher.
O paulistano não avalia a sorte que possui.

16/07/2008 - 09:26h CUT e Força confirmam hoje apoio a Marta

 

Clarissa Oliveira – O Estado de São Paulo

Além de contar com a militância petista na eleição paulistana, a ex-ministra  (PT) terá a seu lado as duas principais centrais sindicais do País. Marta, que pela primeira vez reuniu a Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) na capital, tem encontro hoje com as duas entidades, para definir a estratégia de campanha.

Somente a Força Sindical, que era aliada ao tucanato em São Paulo, diz ser capaz de agregar à candidatura petista o apoio de 90% de seus cerca de 130 sindicatos na cidade – algo em torno de 1,6 milhão de trabalhadores. Os demais 10% manterão o apoio ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Alinhada ao PT, a CUT diz contar com 500 mil trabalhadores na capital.

Os dirigentes da CUT e da Força avaliam que a união de forças ajudará a derrubar rejeição de Marta. “Nós é que fazíamos essa rejeição, falando mal dela por aí”, disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força. “Ela ganha muito com o apoio conjunto”, conclui o presidente da CUT-SP, Edilson de Paula.

Marta comandou ontem mais um seminário temático, dessa vez sobre saúde. Com a desistência do ministro José Gomes Temporão de participar, ela acabou debatendo propostas com o presidente do Hospital Albert Einstein, Cláudio Lottenberg, ex-secretário de Saúde do hoje governador José Serra (PSDB). “Sou amigo pessoal da prefeita Marta”, justificou o palestrante. No discurso, Marta disse que manterá medidas da gestão atual, como as organizações sociais na gestão de hospitais e a rede de Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

15/07/2008 - 22:47h Contribuição de Marta Suplicy sobre saúde no seminário do PT

O Seminário do PT contou com a participação (de esq. a direita) de Gonzalo Vecina e Cláudio Lottemberg, Secretários Municipais de Saúde de Marta Suplicy e José Serra, respectivamente, com Marta Suplicy. Na foto junto com o vereador José Américo e o coordenador do programa de Marta, Jorge Wilhem

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Minhas amigas, meus amigos…

Quero agradecer a presença de Cláudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein, e de Gonzalo Vecina, que foi meu secretário da Saúde e hoje é superintendente do Hospital Sírio-Libanês.
Quero agradecer, também, a presença de todos vocês – deputados, vereadores, profissionais da saúde, lideranças comunitárias, militantes do PT.
Vamos dar início, hoje, ao debate de mais um tema do seminário “São Paulo: Novos Caminhos”. Vamos falar de saúde.

(mais…)

01/07/2008 - 14:01h A saúde municipal está doente

http://www.sneri.blog.br/wp-content/saude_uti.jpg

“O que tem que funcionar é o Programa de Saúde da Família, é a UBS, que tem que ter clínico, tem que ter pediatra, ginecologista-obstetra.”

Geraldo Alckmin criticando a saúde municipal de Kassab.

O programa Saúde da Família foi implementado na cidade de São Paulo na administração Marta Suplicy. Ele começou com as equipes herdadas do qualis de Alckmin (de memória penso que eram 200 equipes) e atingiu mais de 700 durante a administração petista ao cabo de três anos. Na época o orçamento da prefeitura era bem pequeno comparado com o da administração Kassab. Durante o governo demo-tucano o programa saúde da família ficou parado. Hoje tem o mesmo número de equipes que na época de Marta e seu funcionamento é precário como constatou o candidato tucano.

O mesmo aconteceu nas UBS, quase todas recuperadas e reformadas na administração petista, elas foram relegadas a um segundo plano e nada foi feito para resolver o problema das especialidades. As AMA’s, além de congestionadas como constatou Alckmin, não resolvem os problemas do estrangulamento na rede de saúde municipal motivado pela falta de especialistas e de clinicas de especialidades, como propõe Marta. As AMA’s são um pronto-socorro precário que ajuda em problemas imediatos e menores. O investimento nas Unidades Básicas de Saúde foi quase nulo e as AMA’s não respondem as necessidades da população. A constatação de Alckmin é convergente com o diagnostico feito durante estes quatro anos pelos PT.

Como lembrou o ex- governador tucano é por isso que a questão da saúde é a pior avaliada da administração demo-tucana, onde eles venderam nas eleições de 2004 uma excelência, que a prática mostrou como inexistente.

Respondendo a Alckmin, Gilberto Kassab desabafou: “Ele se esqueceu que em oito anos a prefeitura fez dois hospitais. Ele só esqueceu de dizer o que estamos fazendo.” É verdade, ele concluiu agora os dois hospitais projetados por Marta Suplicy, em Cidade Tiradentes que estava bem avançado em 2004 e o de M’Boi Mirim. Mas isto não invalida a constatação que a população faz: pretenderam que com eles a saúde daria um salto de qualidade e o resultado é bem medíocre.

Na saúde o balanço deste quatro anos são ruins e Kassab não pode argüir da herança: ele recebeu a saúde municipal bem melhor do estado em que ele e Pitta a deixaram em 2000 com o famoso PAS. Trocaram muitos secretários e a coisa ficou pior. Triste balanço da ação dos demo-tucanos na prefeitura.

Fica só uma pergunta que Kassab já formulou ontem e a qual Alckmin não respondeu: porque demorou quatro anos a criticar o que seu próprio partido fazia e que só o PT questionava?

A pergunta que seguramente algum jornalista acabará também fazendo ficará provavelmente sem resposta.

LF

15/06/2008 - 13:37h Alckmin-Kassab-Serra no governo: segurança, saúde e transporte são ruins ou pessimos, segundo Datafolha, e o trânsito um caos

Trânsito é péssimo para 87%, mas só 5% acham que é o pior problema de SP

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EVANDRO SPINELLI – FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

O trânsito em São Paulo é quase uma unanimidade: 87% avaliam como ruim ou péssimo, segundo pesquisa de março do Datafolha. Mas, surpreendentemente, quando se pergunta qual é o pior problema da cidade, o trânsito aparece em sétimo lugar, com 5%.

O agora candidato Gilberto Kassab (DEM) sabe que terá de mostrar que está enfrentando o problema do trânsito -área com pior avaliação de seu governo entre nove setores relacionados-, tanto que demitiu na semana passada o presidente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e, no dia seguinte, anunciou, pela segunda vez, um pacote de 40 pequenas medidas de efeito discutível, conforme especialistas.

O pior problema de São Paulo, com 17% -segundo pesquisa feita em 14 de fevereiro-, é a segurança, área sob responsabilidade do governo do Estado.

Saúde vem logo em seguida, com 16% -55% dos moradores dizem que o sistema é ruim ou péssimo. Em fevereiro, era considerada a área de pior desempenho do prefeito, que aposta na boa avaliação das AMAs (assistências médicas ambulatoriais). Em fevereiro, quando foi feita a pesquisa que põe a saúde em segundo lugar entre os piores problemas, o governo tinha entregue 63 AMAs. Desde lá já foram inauguradas outras 42.

Transporte coletivo é outra área sensível -terceira no ranking dos piores problemas, com 12%. É um setor em que Marta Suplicy, pré-candidata do PT, tem bom desempenho. Kassab optou por discurso em defesa do metrô e anunciou que aplicará R$ 1 bilhão na ampliação da malha metroviária.

A área de educação, apesar de ser a quinta colocada no ranking dos maiores problemas, com 9%, é uma das duas áreas em que Kassab vai melhor -a outra é o projeto Cidade Limpa.