10/11/2009 - 15:48h Corte de emissões de 40% anuncia Dilma

Governo diz que apresentará número concreto em Copenhague, mas não meta.

A estimativa de corte nas emissões de CO2 leva em consideração um crescimento econômico entre 5% e 6%.

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Soraya Aggege e Lino Rodrigues SÃO PAULO – O Globo

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou ontem que o governo apresentará, até o próximo dia 14, um “objetivo voluntário e consensual” de redução das emissões de gases de efeito estufa na faixa dos 40% até 2020, a ser levado para o encontro mundial da ONU sobre mudanças climáticas, na Dinamarca, em dezembro. A redução é relativa ao total de emissões projetado para 2020, caso nada for feito.

O anúncio foi feito depois de uma longa reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vários ministros com cientistas, ONGs e entidades empresariais e de trabalhadores, que chegaram a um consenso.

— Não estamos muitos distantes disso: 38%, 42%. O número que será apresentado será o factível e ainda faltam alguns cálculos.

Só assumiremos o que for realmente possível. E não apresentaremos metas, pois essas devem ser apresentadas pelos países do Anexo 1 (maiores emissores), mas sim objetivos voluntários e consensuais — disse a ministra-chefe.

Secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e responsável pela coordenação da reunião, o diretor da Coppe, José Pinguelli Rosa, afirmou: — Não importam os termos, se é meta ou se é objetivo. O importante é que, pela primeira vez, o governo não desmaiou ao ouvir nosso pedido de 40% de redução e o número ficará em torno disso.

Dilma afirmou que, durante a reunião na Dinamarca, o Brasil terá uma posição muito clara ao afirmar sua condição de ser um dos países mais comprometidos com a energia renovável e a redução de desmatamento: — As medidas permitirão que o governo esteja bastante forte. Então, já somos um exemplo para o mundo. Mas o fato de anunciarmos um objetivo expressivo não impede que saibamos que os responsáveis são os países desenvolvidos — disse a ministra

Crescimento é calculado entre 5% e 6%

A estimativa de corte nas emissões de CO2 leva em consideração um crescimento econômico entre 5% e 6%. Dependendo da conta, a redução de 40% em relação à projeção do crescimento das emissões equivale a um equilíbrio nos lançamentos: ou seja, chegaríamos a 2020 com aproximadamente o mesmo volume de lançamentos que tínhamos em 2005, um avanço considerável, segundo especialistas.

Já está acertado que o país vai reduzir o desmatamento em 80%, o que contribuirá para uma diminuição de 20% das emissões dos gases. Os demais 20% viriam de ações na agropecuária e na indústria.

Mais cedo, no programa semanal “Café com o Presidente”, Lula voltou a insistir que as medidas compensatórias devem ser proporcionais à responsabilidade de cada país pelas alterações no clima, e que, por isso, as nações desenvolvidas teriam uma parte maior da conta

09/07/2009 - 07:59h Petrobras desmente atraso na distribuição de diesel menos poluente

Diesel com baixo teor de enxofre – respostas ao jornal O Globo e portal UOL

8 de julho de 2009 / 23:55

dieselO Globo – Gostaria de saber o que a Petrobras tem a comentar sobre a notícia que foi veiculada hoje em alguns jornais de que a Prefeitura de SP estaria entrando com uma representação na OEA contra o governo brasileiro por conta do atraso na distribuição de um diesel menos poluente.
Portal UOL – Gostaria de saber a posição da Petrobras sobre a decisão da prefeitura paulista e entidades ambientalistas de entrarem com uma representação contra o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA) por desrespeito aos direitos humanos e violação de pactos internacionais por ter postergado a distribuição de diesel menos poluente para abastecer a frota brasileira..

 

A Petrobras não tem conhecimento de qualquer representação contra o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA) referente à questão do diesel. Não é verdadeira a afirmação que a Companhia “postergou a distribuição de diesel menos poluente.”

A Petrobras reafirma que nunca descumpriu a Resolução 315 do Conama, que determinava limites para as emissões veiculares. Por meio de um acordo negociado pelo Ministério Público Federal e diversas entidades, com a orientação do Ministério do Meio Ambiente, ficou acertado, em outubro de 2008, um cronograma para a distribuição de diesel com baixo teor de enxofre.

Dessa forma, a partir de janeiro de 2009, os ônibus urbanos da cidade do Rio de Janeiro e de São Paulo passaram a receber o diesel 50, com baixo teor de enxofre. Em maio, o combustível foi fornecido para todos os veículos a diesel das áreas metropolitanas de Fortaleza, Recife e Belém. Em agosto, será a vez de Curitiba ter o combustível para suas frotas de ônibus. Em janeiro de 2010, o combustível será fornecido para os ônibus urbanos de Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e da região metropolitana da Cidade de São Paulo. Em janeiro de 2011, o diesel S-50 estará disponível na região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.

Em janeiro de 2011, o combustível será fornecido também aos ônibus urbanos das outras três regiões metropolitanas do Estado de São Paulo (Baixada Santista, Campinas e São José dos Campos).

É importante ressaltar que não é apenas o diesel que influencia a qualidade do ar. Primeiro, porque o enxofre impacta somente o material particulado. A qualidade do ar é afetada por vários outros fatores. Além disso, o diesel de 50 ppm de enxofre só é efetivo quando utilizado em motores com tecnologia avançada. Os benefícios em termos de material particulado ainda são pequenos nos motores atuais.

Assim, mesmo sem as tecnologias automotivas mais eficientes ambientalmente, a Petrobras começou a distribuir o diesel S-50 para o mercado brasileiro,desde janeiro de 2009. Os motores com a nova tecnologia somente estarão disponíveis a partir de janeiro de 2012.

Blog da petrobras

27/04/2009 - 13:24h Especialistas divergem sobre impactos do aquecimento global

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Alguns cientistas preferem não fazer previsões catastróficas demais

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Por ANDREW C. REVKIN

A linguagem foi apocalíptica. Um importante cientista climático advertiu que o aumento das temperaturas na Terra provocaria desastres irreversíveis se não fossem tomadas medidas urgentes para conter o aquecimento global.
“O clima se aproxima de seus pontos de desequilíbrio”, escreveu o cientista climático da Nasa James Hansen no jornal “The Observer” de Londres em fevereiro. As calamidades resultantes, advertiram Hansen e outros cientistas de pensamento semelhante, poderão ser amplas e avassaladoras: a perda de inúmeras espécies quando os recifes dos oceanos e as florestas forem perturbados; a transformação da Amazônia em um campo seco; o aumento do nível do mar resultante do derretimento de camadas de gelo na Antártida e na Groenlândia; e o aquecimento da tundra ártica, que liberaria o gás metano na atmosfera.
Mas a ideia de que o planeta está se aproximando do ponto de desequilíbrio -limite em que a mudança se torna incontível- causou uma divisão entre cientistas que de outro modo compartilham profundas preocupações sobre o aquecimento climático.
Ambientalistas e alguns especialistas advertem cada vez mais sobre esses pontos de desequilíbrio em seus esforços para mobilizar o público. O termo confere uma sensação de imediatez às potenciais ameaças do aquecimento climático-perigos que de outro modo poderiam parecer irrelevantes.
Mas outros cientistas dizem que há poucas evidências sólidas que apoiem as previsões de catástrofe. Eles temem que o uso do termo “pontos de desequilíbrio” possa ser enganoso e cause um retrocesso, alimentando as críticas de alarmismo e ameaçando o apoio público à redução das emissões de gases do efeito estufa.
“Acho que grande parte dessa conversa é perigosa”, disse Kenneth Caldeira, cientista da Universidade Stanford, na Califórnia, e do Instituto Carnegie, organização para pesquisas científicas, e defensor da ação rápida para reduzir as emissões de dióxido de carbono. “Se dissermos que já passamos dos limites e pontos de desequilíbrio, será uma desculpa para a inação.”
Enquanto os estudos dos padrões climáticos no passado distante mostram o potencial para mudanças drásticas, dizem esses cientistas, há uma enorme incerteza ao fazer previsões específicas sobre o futuro. Em alguns casos, há grandes questões sobre se os desastres causados pelo clima -como a perda da Amazônia ou o aumento no nível do mar em vários metros- sequer são plausíveis. E, mesmo nos casos em que a maioria dos cientistas concorda que o aumento da temperatura poderia causar uma mudança incontível, ninguém sabe onde está o limite que detonaria as mudanças.
Hansen defende o uso do termo ponto de desequilíbrio e disse que ele representa acuradamente algumas consequências prováveis do aquecimento global irrestrito. Existe abundante evidência, diz, de que o aumento das temperaturas pode ter um efeito abrupto, calamitoso e “não linear” sobre as geleiras e os ecossistemas.
Mas outros veem poucas evidências de um distúrbio desenfreado. Por exemplo, a ideia de que o recente recuo acentuado do gelo de verão no mar do pólo norte adquiriu um momento próprio foi contestada recentemente em trabalhos dos cientistas John S. Wettlaufer, da Universidade Yale, e Ian Eisenman, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Eles afirmam que os bancos de gelo finos têm a capacidade de se reconstituir rapidamente no final do verão, equilibrando o derretimento que ocorre enquanto a luz do sol atinge e aquece a água escura.
De modo mais geral, Wettlaufer salientou a importância de ser “totalmente honestos sobre o que sabemos e o que não sabemos”.

07/04/2009 - 12:02h Copenhague não deve ter acordo sobre metas, diz embaixador


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imagem Blógui S.A.

AFRA BALAZINA ENVIADA ESPECIAL A BONN (ALEMANHA) – FOLHA SP

A Conferência do Clima em Copenhague (Dinamarca), que acontecerá em dezembro, pode ter sido abatida na decolagem. A reunião deveria fechar o acordo com as metas que os países terão para reduzir suas emissões de gases-estufa após 2012, quando o Protocolo de Kyoto expira. Porém, segundo o embaixador brasileiro para mudança do clima, Sergio Serra, já se fala que possivelmente se delimite em Copenhague apenas os parâmetros gerais do acordo, e que a decisão sobre metas fique para 2010.
As metas já deveriam estar sendo negociadas em Bonn (Alemanha), numa reunião preparatória que termina amanhã. Segundo Serra, porém, a negociação está “empacada”. Os Estados Unidos estão no foco impasse, já que, nas palavras do embaixador, dificilmente o país “terá com precisão a oferta” que vai fazer até dezembro. Os negociadores americanos, sob novo governo, ainda estão tomando pé da situação e parecem preferir resolver antes a legislação interna -precisam do apoio do Congresso para ratificar um acordo do clima. Uma disputa entre países desenvolvidos e em desenvolvimento também ajuda a piorar o problema. Os ricos só querem abrir suas propostas de corte de emissão depois de os mais pobres o fazerem. “É como no pôquer. Ninguém quer mostrar suas cartas”, diz o embaixador. Na opinião de Serra, é melhor prolongar negociações do que ter acordo pífio já em 2009.
“Esta data foi escolhida para dar um prazo de três anos antes da entrada em vigor, para que os países tenham tempo de ratificar o acordo. Se for feita uma nova reunião [em 2010], a rigor o período que os países terão será reduzido em algo entre seis meses a um ano”, afirma o embaixador. “A situação [do clima] é suficientemente séria e preocupante e acho que ninguém, nenhum país, quer assumir jogar isso para cima.” As ONGs argumentam, baseadas no relatório do IPCC (Painel do Clima da ONU), que os países desenvolvidos precisam reduzir 40% de suas emissões de gases-estufa até 2020, em relação aos níveis de 1990.
Mas as nações que integram a aliança dos pequenos Estados-ilhas, ameaçados pelo aumento do nível do mar, dizem que 40% é pouco. Segundo eles, novos estudos -posteriores ao último relatório do IPCC indicam que o número está defasado. A União Europeia, por exemplo, promete cortar 20% das emissões até 2020, podendo chegar a 30% dependendo do esforço dos demais países.
Outro ponto que está sendo tratado “com paixão”, segundo o embaixador, é o ano-base que será usado para definir as metas de redução. O Protocolo de Kyoto define 1990 como ano-base, mas muitos países têm proposto outros anos. Um projeto de lei nos EUA, por exemplo, indica 2005, quando a emissão de gases-estufa americanos já tinha crescido bem mais. (A redução até 2020, portanto, seria mais fácil de atingir.) No longo prazo, porém, a alteração do ano não fará muita diferença, afirmam os EUA.

Negociação paralela

O presidente Barack Obama acaba de relançar, porém, com outro nome, o grupo das maiores economias para discutir questões relacionadas a energia e ambiente. A ideia já existia no governo do antecessor, George W. Bush. A primeira reunião, com 16 países além da União Europeia, ocorre ainda neste mês em Washington. O governo brasileiro vai participar, mas tem receio de que o encontro também se transforme numa negociação. “Não temos interesse em criar uma negociação paralela”, diz Serra.
Isso provavelmente causaria mal estar com os países excluídos do fórum de Obama.

A repórter AFRA BALAZINA viajou a convite da Convenção do Clima da ONU