04/11/2009 - 12:27h Lula recebe prêmio em Londres por papel na América Latina


Presidente é homenageado por entidade britânica por ser o “motor-chave da estabilidade e da integração” na região

Lula participará, também na Inglaterra, de abertura de seminário que vai destacar como o Brasil tem superado a crise econômica mundial

Lula_caricatura2

CLÓVIS ROSSI ENVIADO ESPECIAL A LONDRES – FOLHA SP

Sete meses após ter sido batizado como “o cara” pelo presidente Barack Obama, Luiz Inácio Lula da Silva regressa a Londres para receber um prêmio que é, de certa forma, um carimbo oficial para a brincadeira do colega americano.
Lula ganhou o prêmio de 2009 da Chatham House, que vem a ser a sede do respeitado Royal Institute for International Affairs. Motivo, segundo a nota oficial da Chatham House: Lula “é um motor-chave da estabilidade e da integração na América Latina”.
Numa enquete em seu site, a Chatham House perguntou aos internautas se achavam que o Brasil seria uma superpotência no futuro. Disseram que “sim” 56%; responderam que “não” 28% e 16% que não sabiam.
O país presidido por Lula também merece mimos. O jornal britânico “Financial Times” e seu congênere brasileiro “Valor Econômico” promovem, amanhã, o seminário “Investing in Brazil”, a ser aberto pelo presidente brasileiro.
É curioso que tanto o prêmio como o seminário destacam no atual governo características que pertencem muito mais ao universo do conservadorismo/liberalismo do que à esquerda, na qual Lula se situava.
Para a Chatham House, com o presidente Lula, o Brasil “tornou-se crescentemente integrado à economia mundial e trabalhou para construir consensos em foros econômicos e comerciais multilaterais”.
Já o seminário destaca o fato de que o Brasil está lentamente superando a recessão mundial, “graças em parte a um sistema financeiro estável, a mercados liberalizados, a políticas fiscal e monetária aperfeiçoadas que controlam a inflação”, além de recursos naturais e um “mix” exportador diversificado.
Tudo isso, mais a previsão de que o país cresça acima da média mundial, torna-o “uma região promissora para investimentos”. Essa mensagem será repetida por Lula e pela comitiva que o acompanha: os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil), os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, do BNDES, Luciano Coutinho, do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, e do Banco Santander, Emilio Botín.
Além de empresários como Roger Agnelli, da Vale.

04/10/2009 - 12:25h Capital externo no País vai crescer 21%

dinheirocorrendoEstimativa é da entidade mundial de banqueiros que prevê ainda queda de 24% desse fluxo nos outros países da AL

Patrícia Campos Mello – O Estado SP

Brasil terá aumento de 21% nos fluxos de capital estrangeiro neste ano, um desempenho muito melhor do que os outros países da América Latina, que terão queda de 24% nos investimentos, segundo o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), espécie de Febraban mundial que reúne 375 bancos do mundo.

Em 2009, o País vai receber US$ 42,7 bilhões em fluxos de capital estrangeiro privado, diante de US$ 34,7 bilhões em 2008. O Brasil havia sofrido queda de 63% nos fluxos de 2007 para 2008. Em 2010, o desempenho será ainda melhor, com fluxo de US$ 63,798 bilhões. “É simples: o Brasil está ajudando a tirar a região da crise”, disse ao Estado Phil Suttle, economista-chefe do instituto. “A maioria dos países só tem aumento nos fluxos de capital em 2010, e o Brasil já tem crescimento em 2009.”

O desempenho brasileiro é bem melhor do que o registrado nos emergentes como um todo. Nos países emergentes em geral, os fluxos serão de US$ 349 bilhões em 2009, uma queda de 46,3% em relação a 2008, e US$ 672 bilhões em 2010. Para a América Latina, os fluxos de capital vão cair de US$ 132,4 bilhões em 2008 para US$ 99,8 bilhões em 2009, e depois sobem para US$ 150,9 bilhões em em 2010. A principal razão para o bom desempenho do Brasil são os investimentos em carteira (ações e títulos), que passaram de US$ 8,89 bilhões em 2008 para US$ 29 bilhões líquidos em 2009. Serão de US$ 30 bilhões em 2010.

“O Brasil está em uma posição privilegiada”, disse Bill Rhodes, vice-diretor do conselho do Citibank e do IIF. “Eu nunca vi o setor bancário brasileiro em tão boa forma, muito líquido e capitalizado, e olha que eu acompanho o Brasil há décadas.”

O México, na América Latina, foi considerado um dos “atrasados” para sair da crise. E Argentina, Venezuela e Equador sofreram por causa de suas políticas “pouco amigáveis a investidores”, segundo o IIF.

CAPITAL ESPECULATIVO

Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco e vice-presidente do conselho do IIF, afirmou que a economia do Brasil está em um “excelente momento”. “O Brasil é uma das economias que cresce mais rapidamente no mundo ocidental”, disse Setubal.

Mas o relatório de fluxos do IIF alerta para a possibilidade de fluxos especulativos para países emergentes. “A perspectiva de maior crescimento e maiores taxas de juros em países emergentes deve atrair fluxos significativos de capital especulativo para muitas (mas não todas) economias, apresentado desafios para os formuladores de políticas”, adverte o IIF. Setubal não acredita que o Brasil esteja sujeito a fluxos de capital especulativo e sobrevalorização do capital. “Este não é um problema para o Brasil, temos muito investimento direto.”

Segundo Charles Dallara, diretor-gerente do IIF, o Brasil tem demonstrado “resiliência notável” na recessão e se disse confortável “com a taxa de câmbio flutuante” para lidar com os fluxos de capital.

O IIF diz que o provável aumento na regulamentação bancárias pode levar os bancos a se afastarem de países emergentes, dificultando acesso a crédito, principalmente para os países mais enfraquecidos.

Os banqueiros apontam para o aumento de fluxos de capital entre economias emergentes, diante do enfraquecimento dos países ricos. “Esses países estão se tornando cada vez mais exportadores de capital”, diz o Instituto. “E para aqueles que já têm uma exposição significativa em economias maduras como os EUA, investir em outros emergentes, tanto com empréstimos como em ações, é cada vez mais atraente. A China deve se tornar grande investidor em outros emergentes.”

02/09/2009 - 16:30h Petrobras tem o maior lucro do setor produtivo entre América Latina e EUA

http://www.ibtimes.com.br/data/articleimgs/3067-petrobras.jpg

da Folha Online

A Petrobras apontou no segundo trimestre de 2009 o maior lucro entre a empresas não-financeiras e de capital aberto da América Latina e Estados Unidos, segundo levantamento da consultoria Economática. A companhia registrou lucro líquido de US$ 3,963 bilhões no segundo trimestre deste ano.

A economática informou que considerou todos os relatórios enviados aos organismos reguladores de cada pais até 1º de setembro de 2009.

No levantamento geral, incluindo as empresas financeiras, o lucro da Petrobras fica atrás somente do Citigroup (US$ 4,279 bilhões).

Entre os 20 maiores lucros do segundo trimestre de 2009 da América Latina há 12 empresas brasileiras, cinco mexicanas, duas chilenas e uma argentina. No ranking por setor, a liderança fica por conta do setor bancário, com cinco representantes, seguido pelo setor de eletricidade, gás e água, com três empresas.

Para o cálculo, a Economática considerou os relatórios encaminhados pelas empresas aos seus respectivos órgãos de regulação local (CVM no caso do Brasil) e converteu os valores originais (moeda de cada pais) pelo dólar do dia 30 de junho (no caso do Brasil dólar Ptax venda).

Veja o ranking geral de empresas e o lucro do segundo trimestre

Citigroup — – US$ 4,279 bilhões
Petrobras — –US$ 3,963 bilhões
Exxon Mobil — US$ 3,950 bilhões
Goldman Sachs — US$ 3,435 bilhões
Berkshire Hathaway — US$ 3,295 bilhões
AT&T — – — – US$ 3,276 bilhões
Bank of America — US$ 3,224 bilhões
Johnson & Johnson — US$ 3,208 bilhões
Wells Fargo — – US$ 3,172 bilhões
IBM — – — – US$ 3,103 bilhões

24/07/2009 - 10:21h Crise global: crédito encolhe US$ 6 tri em um ano

Brasil foi o membro dos Brics com a maior retração de créditos de bancos estrangeiros, de US$ 13,4 bilhões

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado SP

O Banco de Compensações Internacionais (BIS) mostrou que, apesar dos esforços dos governos para recuperar os bancos, com a injeção de grandes somas, US$ 6 trilhões desapareceram das linhas de créditos nos últimos 12 meses no mundo.

O Brasil foi o membro do grupo Bric – que inclui Rússia, Índia e China – com maior retração de crédito de bancos estrangeiros este ano. De janeiro a junho, sumiram US$ 13,4 bilhões. Na Rússia, foram US$ 12,9 bilhões; na China, US$ 11,9 bilhões; na Índia, US$ 3,5 bilhões.

Em compensação, os empréstimos para as empresas no Brasil subiram US$ 790 milhões no mesmo período, revertendo a tendência de meses anteriores. Grande parte da queda no Brasil ocorreu pelo congelamento do crédito entre bancos.

Em dezembro de 2007, o volume de crédito, empréstimos e seguros para o Brasil era de US$ 157,2 bilhões, caindo para US$ 155 bilhões em dezembro de 2008 e para US$ 140 bilhões em março deste ano.

Os bancos internacionais chegaram a março com uma exposição no Brasil de US$ 284,2 bilhões – incluindo empréstimos e outras atividades, como seguros. Os europeus são os mais expostos, com US$ 212 bilhões. Os americanos têm exposição de US$ 41 bilhões. Três meses antes, a exposição dos bancos estrangeiros era de US$ 273,2 bilhões.

Entre janeiro e março, os empréstimos feitos por bancos despencaram no mundo em US$ 1,5 trilhão, cerca de 4%. Nesse caso, o BIS também aponta que o ritmo da queda foi menor que nos três meses anteriores, quando a retração foi a maior em 30 anos. Entre outubro e dezembro, a queda havia sido de US$ 1,9 trilhão.

Se a variação cambial for descontada, a queda nos primeiros três meses de 2009 foi de US$ 700 bilhões. Em um ano, chegou a US$ 3,3 trilhões. Ainda assim, é considerado preocupante e dando sinais de que o fluxo de empréstimos não foi retomado.

Desde as primeiras semanas da crise, os governos passaram a estimular empréstimos entre bancos. A seca no fluxo ocorreu diante da constatação de que ninguém sabia exatamente que risco corria ao fazer o empréstimo.

Uma série de medida foram tomadas, incluindo a criação de fundos para países emergentes que ficaram sem acesso a créditos. No comércio exterior, a estimativa da Organização Mundial do Comércio (OMC) é que o buraco no financiamento das exportações chegou a US$ 100 bilhões.

Mas os dados divulgados pelo BIS apontam que a retração continuou pelo menos até março. Os empréstimos passaram de US$ 35,8 trilhões em março de 2008 para US$ 29,4 trilhões em março deste ano. A queda no fluxo aos mercados emergentes foi de US$ 134 bilhões apenas nos primeiros três meses do ano.

Nos últimos 30 anos, o fluxo de créditos entre bancos teve aumento exponencial. Mas a tendência foi freada com a quebra do Lehman Brothers.

AMÉRICA LATINA

A queda dos empréstimos de bancos estrangeiros no Brasil foi a maior da América Latina (US$ 22,8 bilhões). A redução na região, porém, foi menor que a do último trimestre de 2008, de US$ 45 bilhões. No Chile, os empréstimos já aumentaram US$ 1,2 bilhão, depois de uma redução de US$ 3,8 bilhões no trimestre anterior.

18/07/2009 - 09:09h ”Brasil enfrenta bem a crise porque fez o dever de casa”

Para vice-presidente do Banco Mundial, alguns países da América Latina adotaram políticas adequadas

Fernando Dantas – O Estado de SP

A América Latina está resistindo melhor a esta crise do que resistiu às do passado porque se preparou adequadamente durante os anos que a precederam, segundo Pamela Cox, vice-presidente para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial. O Brasil, para ela, “é um dos países que fizeram o dever de casa”, com sólida política fiscal, redução de pobreza e acúmulo de reservas.

Ela acha, entretanto, que a região é dependente do comércio mundial e, portanto, precisa da recuperação do mundo desenvolvido para manter um ritmo satisfatório de crescimento no médio e longo prazos. Pamela esteve no Brasil esta semana, onde participou, no Rio, na segunda-feira, de um seminário sobre investimentos públicos na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela conversou com o Estado no Rio.

A economista elogiou o Bolsa-Família e a sua expansão em plena crise, o que dá aos pobres uma rede de segurança social. O Banco Mundial prevê que a crise levará ao aumento de 8 milhões a 13 milhões no número de pobres na América Latina e no Caribe, depois de uma queda de 60 milhões de 2002 a 2006.

A economista notou que, diferentemente do Leste Europeu, a América Latina não foi atingida pela crise por meio do setor financeiro, mas da economia real, afetada pela contração do comércio internacional e pela queda do preço das commodities. “A América Latina foi atingida não porque tenha aplicado as políticas econômicas erradas, mas por causa da abertura para o resto do mundo.”

Ela observou que, entre 2002 e 2006, a América Latina foi beneficiada com um crescimento médio de 5% ao ano e diversos países da região aproveitaram para implementar políticas econômicas adequadas, como superávits fiscais, redução da dívida pública e taxas de câmbio flexíveis.

Para Pamela, há, dentro da América Latina, diferenças entre o desempenho dos países na crise. Ela cita fatores como a dependência dos Estados Unidos em termos de comércio, muito forte no caso do México e de vários países centro-americanos, como um fator que aumentou o impacto da crise. Países como Venezuela e Equador, por outro lado, são muito dependentes das receitas do petróleo e prejudicados pela queda no seu preço.

Quanto ao fato de Venezuela, Equador e Argentina, por exemplo, terem executado políticas econômicas bem distintas de países como Brasil, Chile e Peru, ela é mais cautelosa. Evitando críticas específicas, diz apenas que os que “têm determinado tipo de política econômica – não têm dívida alta, não gastam mais do que podem e gastam sabiamente em investimentos de alto retorno – são os que crescem mais no longo prazo”.

13/07/2009 - 10:16h Participação do PIB do Brasil na AL deve crescer

http://www.forumdesalternatives.org/PG/images/articles/cumbre_america_latina.jpg

Conjuntura: Peso da economia do país na região aumentou 4,4 pontos percentuais entre os anos 2000 e 2008

Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

Mesmo na crise, o Brasil segue a tendência verificada ao longo da década de aumento da participação sobre o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, devendo encerrar a década com avanço de 5 pontos percentuais em sua participação na economia regional. Entre 2000 e 2008, o peso da economia brasileira na região cresceu 4,4 pontos percentuais, passando de 30,9% para 35,3%, conforme levantamento da Comissão Econômica para América Latina (Cepal).

Em 2009, segundo cálculo do BNP Paribas e do JP Morgan, a participação brasileira aumentará entre 0,6 e 0,7 ponto percentual e em 2010, terá incremento menor, de 0,1 a 0,3 ponto percentual. Vizinhos como Chile e Venezuela, que também ganharam importância na economia latino-americana, devem encerrar a década com avanços inferiores a dois pontos.

Em termos globais, a economia brasileira também deve apresentar resultados acima da média mundial, mas inferiores ao desempenho previsto para outros países emergentes. “As projeções para a economia brasileira são de queda no PIB de até 0,5%, que ainda é um desempenho positivo em comparação com outras economias. Esse resultado aumentará o peso relativo da economia brasileira na região”, avalia o representante da Cepal para América Latina, Renato Baumann. O organismo divulga na próxima semana as projeções de PIB para 2009.

Baumann ratifica as previsões já divulgadas por organismos como o Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) de recuperação da economia global a partir do segundo semestre, mas em nível insuficiente para reverter a tendência de queda neste ano. O Bird projeta queda de 2,9% no PIB global em 2009 e expansão de 2% no próximo ano.

Para a América Latina, a previsão é de queda de 2,2% neste ano e alta de 2% no próximo. O Brasil, segundo o Bird, deve apresentar retração de 1,1% na economia em 2009 e expansão de 2,5% em 2010.

O BNP Paribas projeta para este ano queda de 1,2% no PIB brasileiro e de 2,7% na América Latina. “É uma das projeções mais pessimistas do mercado, porque o banco considera que haverá desaceleração do consumo no mercado interno por conta do aumento na taxa de desemprego. O banco também aposta em uma melhora na taxa de investimento e do setor de bens de capital apenas em 2010. Há quem espere uma recuperação já no quarto trimestre”, afirma o estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz. Se for confirmado esse desempenho, o país encerrará o ano com 35,8% de participação no PIB regional, o que representa um avanço de 0,5 ponto percentual sobre a participação verificada no ano passado.

Para o Chile, que em 2008 representava 4,17% do PIB latino-americano, o banco prevê queda de 2% no PIB, levando a economia desse país a representar 4,17% da região. Para a Argentina, a previsão é de queda de 3,1% na economia e recuo na participação de 8,12% para 8,09%. O México terá a retração mais significativa da América Latina, com queda de 6,7% no PIB e redução da participação de 26,6% para 25,8%. “O ponto chave do desempenho econômico nos próximos trimestres será a recuperação da demanda doméstica. Países como o Chile e o México, cujas economias estão mais expostas, tendem a sofrer mais. Economias mais fechadas, como a brasileira, sofrerão menos”, afirma Lintz.

Outro diferencial apontado por Lintz que garantirá ao Brasil um desempenho acima da média é a capacidade do governo de estimular a economia. “A taxa de juros e os juros compulsórios são muito altos, as outras economias latino-americanas não têm tanta margem para baixar os juros e estimular o crescimento”, avalia. Outro ponto citado por ele é a possibilidade de o Brasil abrir mão de parte do superávit primário para investimento. No Chile, compara, o governo utilizou parte da poupança externa adquirida nos últimos anos com a expansão das exportações de commodities. “O Brasil fez a política anticíclica utilizando gastos correntes e não com fundo soberano, como foi feito no Chile.”

Para 2010, o BNP prevê expansão de 2,7% no PIB da América Latina, pouco acima dos 2,4% previstos para a economia global. O desempenho será puxado pelo crescimento do Brasil (3,5%), do Chile (3,2%), da Colômbia e do México (ambos com 3,1%). Argentina e Venezuela ainda registrarão quedas, de 1,5% e 2,7%, respectivamente.

Se tais estimativas forem confirmadas, a participação do Brasil no PIB da região chegará a 36,1% – avanço de 5,2 pontos percentuais na década. O Chile alcançará 4,24% de participação e também superará o nível de 2008 e o patamar do início da década, de 3,62%. O México ganhará peso na economia latino-americana, com participação de 26,07%, mas não recuperará o nível de 2008. Na década, perderá 4,47 pontos percentuais de participação no PIB regional. A Argentina ganhará participação, passando a representar 8,04% da economia da região (nível similar ao de 2008). Ainda assim, o país encerrará a década com perda de 5,6 pontos percentuais de participação.

O JP Morgan projeta para este ano queda de 1% do PIB brasileiro e de 2,9% na América Latina, com elevação da participação brasileira na economia da região para 35,9%. Para 2010, o banco projeta crescimento de 3,5% da economia brasileira e de 3,3% da economia latino-americana, elevando o peso do Brasil no PIB regional para 36,04%. Tanto o resultado brasileiro como o da região se manterão acima da média global. O JP Morgan prevê queda na economia global de 2,7% neste ano e incremento de 2,9% em 2010. “O resultado será superior à média global, mas inferior ao desempenho dos países emergentes, que devem crescer 5,2% no próximo ano, principalmente os países asiáticos”, estima o economista-chefe do JP Morgan, Fábio Akira.

Na sua avaliação, o fato de os preços internacionais das commodities haverem recuado menos do que se esperava durante a crise contribuiu para que o desempenho do Brasil e da América Latina se mantivesse acima da média mundial, já que a região é exportadora líquida de commodities.

Ainda de acordo com os cálculos do banco, a economia chilena registrará queda de 1,5% neste ano e crescimento de 3,2% em 2010, mantendo a mesma participação na economia da América Latina verificada no ano passado, de 4,2%. Na década, o ganho será de 0,58 ponto percentual. O México terá queda de 5,5% neste ano e expansão de 3,8% no próximo ano. A participação no PIB da América Latina ficará em 25,47%, abaixo dos 26,56% de 2008.

05/05/2009 - 09:42h Emergentes puxam recuperação, diz Mobius

Segundo megainvestidor, potencial de crescimento e bons fundamentos beneficiam países

http://www4.pictures.gi.zimbio.com/China+Industries+See+Signs+Recovery+Y4bIXI_zLGkl.jpg

Cynthia Decloedt – O Estado SP

A perspectiva para os mercados emergentes continua positiva e esses países devem desempenhar papel fundamental este ano e nos anos seguintes na atividade econômica global, disse ontem o diretor executivo da Templeton Asset Management, Mark Mobius, um investidor que administra US$ 20 bilhões em ativos de emergentes.

“Brasil e Rússia são países ricos em recursos naturais e, embora os preços das commodities tenham recuado, a tendência de longo prazo é de alta e esses países vão se beneficiar da demanda global por petróleo, aço, alumínio, celulose e outras commodities”, destaca Mobius em seu site na internet. Ele prevê expansão de 7% a 8% na economia chinesa.

Segundo Mobius, os países emergentes se beneficiam das características relativamente sólidas de seus fundamentos e do potencial de crescimento mais acelerado do que dos países desenvolvidos. Ele disse ainda que o crescimento dos emergentes deve também ser “rejuvenescido” pelas medidas fiscais e de flexibilização monetária que os governos e bancos centrais estão tomando.

As declarações do investidor deu novo ânimo ao mercado acionários brasileiro, levando a BMF&Bovespa a atingir o maior nível em sete meses, acima dos 50 mil pontos.

MAIORES GANHOS

Mobius destaca que os mercados acionários dos emergentes terminaram o primeiro trimestre com retorno positivo, citando o índice MSCI de Mercados Emergentes, que encerrou o período com retorno médio de 1% em dólar.

Os mercados latino-americanos ofereceram os melhores ganhos, com o índice MSCI para América Latina apresentando retorno de 4,9% em dólar; dentro dele, Brasil e Chile registraram ganho de dois dígitos, de 12,5% e 13,6%, respectivamente.

Os dez índices de ações com o melhor desempenho este ano são de emergentes, com liderança do Peru e da China. Desde 23 de março, quando Mobius disse que a base da tendência de alta estava sendo formada, o índice de mercados emergentes MSCI subiu 23%, comparados a 14% do índice global.

Mobius acredita que as bolsas dos mercados emergentes estão com tendência de alta, o que deve renovar o apetite comprador dos investidores estrangeiros.

Segundo ele, os mercados emergentes estão construindo a base para o próximo rali. Entre os mercados destacados por Mobius estão África do Sul, Turquia, Brasil e empresas chinesas listadas na Bolsa de Hong Kong.

As ações de mercados emergentes podem se transformar em um mercado ascendente no fim deste ano, pois a queda nas taxas de juros e a redução da inflação tornam os papéis mais atrativos, disse Mobius.

A concordata da Chrysler e outros “riscos de curto prazo” podem atrasar um pouco essa recuperação porque os especuladores podem apostar que as ações vão cair.

“Estamos num momento de criação do próximo período de ascensão do mercado”, disse o investidor. “O que está acontecendo agora vai continuar talvez até o fim do ano, quando, então, haverá um ponto de ruptura.”

13/04/2009 - 09:53h ”América Latina agora diz o que pensa”

http://www.pbs.org/newshour/images/latin_america/july-dec02/brazhak.jpg

 

Especialista em relações internacionais crê que era Obama vai permitir a construção de agenda conjunta entre AL e EUA

 

Fernando Dantas – O Estado SP

 


A relação dos Estados Unidos com a América Latina não é mais uma questão meramente regional. Deve se constituir numa agenda conjunta para temas globais, na opinião de Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, centro de estudos das relações entre os EUA e a América Latina e o Caribe, baseado em Washington. Para ele, os principais países latino-americanos, como o Brasil, estão mais afirmativos e independentes, e o presidente americano, Barack Obama, deveria tratar de assuntos mundiais, como a relação com China e Oriente Médio, na Cúpula das Américas, em Porto of Spain, em Trinidad Tobago, de 17 a 19 de abril. Hakim será uma das principais atrações da reunião regional no Rio do Fórum Econômico Mundial na América Latina, cuja programação de debates começa na quarta-feira. Ele falou ao Estado por telefone.

Quais as expectativas sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos na era Obama?

Obama começa com a grande vantagem de não ser o (ex-presidente George W.) Bush. O novo presidente tem um imagem muito especial na América Latina, na Europa, no mundo inteiro. Ele criou expectativas altas e é bem-recebido onde quer que vá. Mas há restrições. Com a crise, faltam recursos e a atenção do governo americano está fixada no cenário interno. O segundo problema é que a atitude na América Latina agora é ambivalente sobre o papel dos Estados Unidos.

Como assim?

A América Latina mudou nos últimos 10 a 15 anos e agora é mais independente, mais afirmativa, não aceita simplesmente o que vem de fora. A região agora diz o que pensa. Os Estados Unidos ainda são primordiais para muitas nações latino-americanas, mas países como Chile, Brasil e Peru têm uma diversidade inédita de parceiros comerciais e políticos. Na Cúpula de Trinidad e Tobago, Obama deveria falar do Oriente Médio, das relações com a China. A América Latina quer participar dessa conversação. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, elogiou as palavras de Obama de que não está programando uma agenda para América Latina, mas sim uma agenda com a América Latina. Talvez acabe sendo muito semelhante, mas eu diria que, em política externa, 50% é simbólico.

O que o sr. prevê em relação à Cuba no governo Obama?

O primeiro passo de Obama é positivo, ao levantar restrições aos cubano-americanos, que passam a poder visitar familiares de forma ilimitada. Tudo indica que o Obama quer liberalizar mais a relação, mas depende de como reagem os cubanos americanos e os cubanos em Cuba. Não se pode imaginar que os Estados Unidos façam mudanças contínuas nessa relação sem que haja uma reação de Cuba, seja liberando prisioneiros, ou facilitando viagens ao exterior, por exemplo.

A química entre Obama e Lula parece estar funcionando bem.

Bem, é preciso lembrar que a relação na época do Bush foi boa para o Brasil e para os EUA. Os dois países tinham uma afeição mútua, toleravam as diferenças, e os EUA deixaram o Brasil assumir uma certa liderança na América do Sul, com poucas críticas até quando os dois países estavam em desacordo. O Brasil é um país que não gosta de fazer alianças muito fortes, que busca uma relação equidistante dos seus parceiros, que preza sua independência. O Brasil é importante para os EUA. Se não fosse pelo Brasil, a Venezuela seria o país mais notório na América do Sul, com uma liberdade de ação muito maior do que tem agora. Há muitos temas para se avançar, agora com o Obama, mas uma grande oportunidade é a questão dos biocombustíveis.

A relação dos Estados Unidos com Hugo Chávez deve melhorar?

Acho que Obama está seguindo mais ou menos o caminho de Bush nos últimos dois anos – não é necessário abraçar Chávez, mas tampouco confrontá-lo. A crítica de Obama a Chávez deve ficar limitada à ajuda às Farcs e a intervenções fora do próprio país, isso é, enfatizar mais a política externa venezuelana do que a questão interna.

Haverá continuidade entre Bush e Obama, apesar das grandes diferenças entre os dois?

Acho que há uma agenda incompleta de Bush que Obama deve seguir, como regionalizar a iniciativa Mérida (plano de apoio americano de combate ao narcotráfico no México), ser mais afirmativo em relação aos biocombustíveis com o Brasil, completar os tratados de livre-comércio com Colômbia e Panamá, a questão de Cuba. Mesmo nos seus sucessos, como os acordos de livre-comércio com Peru, Chile e América Central, Bush deixou um sabor amargo nos outros países, com posições exigentes, inflexíveis. Isso vai mudar, e os EUA devem reconhecer que a América Latina é um ator mundial.

11/12/2008 - 08:53h MOODY’S DESCARTA RECESSÃO NA AMÉRICA LATINA EM 2009

A agência de classificação de riscos Moody’s acredita que, em 2009, a América Latina enfrentará uma desaceleração econômica, dada a deterioração das condições da economia no mundo todo, mas não entrará em recessão. “Por sorte, a América Latina está em uma situação macroeconômica muito melhor (do que outras regiões), o que a torna mais resistente aos choques externos”, disse a agência em relatório. Fonte Folha SP

03/10/2008 - 11:17h Crédito e commodity são risco para AL, diz revista

mapa_amlat.jpgeconomist_logo.jpg

Leandro Modé – O Estado de São Paulo

A despeito das mudanças econômicas promovidas nos principais países da região nos últimos anos, a América Latina ainda é mais dependente dos Estados Unidos do que muitos supõem. A avaliação é da revista britânica The Economist, que publicou ontem, em seu site, uma reportagem sobre o impacto da crise dos EUA nas Américas do Sul e Central.

Segundo a revista, uma prova de que os laços ainda são muito próximos foi a forte queda do Índice Bovespa na última segunda-feira, quando a Câmara dos Representantes rejeitou o pacote de socorro do sistema financeiro apresentado pelo governo Bush. Enquanto o Índice Dow Jones perdeu 7% naquele dia, o principal termômetro da bolsa paulista caiu 9%.

Ainda assim, a Economist reconhece que alguns países da região – notadamente Brasil, México, Colômbia e Peru – estão mais bem preparados para enfrentar a crise.

No caso brasileiro, a revista destaca a solidez do sistema bancário, em parte pelo fato de que as instituições financeiras do País não estavam expostas aos papéis lastreados em hipotecas subprime. A outra razão é que os bancos brasileiros “não são dependentes do crédito estrangeiro”.

Crédito, aliás, é um dos dois vetores de contaminação da região. “Particularmente para os exportadores”, diz o texto. “Se (a restrição) se prolongar, os bancos vão se voltar aos clientes domésticos, deixando menos crédito para o resto.”

O outro vetor de preocupação diz respeito aos preços das commodities, uma vez que praticamente todos os países da região se beneficiaram das altas desses produtos. Alguns, para a Economist, sofreriam mais: Venezuela, Argentina e Equador.

“O Brasil, maior economia latino-americana, parece melhor posicionado. Mas as commodities respondem por 50% das exportações, deixando-o, também, vulnerável a uma queda nos preços.”

10/07/2008 - 20:01h O espectro da caixa registradora

Latin America’s economies

The ghost at the till

Jul 10th 2008 | SANTIAGO AND SÃO PAULO
From The Economist print edition

Bitter experience has made Latin Americans intolerant of inflation. But have their policymakers banished this spectre?

Illustration by Peter Schrank

UNLIKE the developed world, Latin America has been barely touched so far by the credit crunch. Many of its economies are still growing fast, helped by demand for their commodity exports. But the commodity boom has started to have a less desirable effect: soaring food and fuel prices are pushing inflation up across the region. This has become a test of credibility for Latin America’s new-found economic stability, and for its central banks. Some of the more important ones have responded more robustly than many of their Asian peers—even if claims that Brazil’s hawkish Central Bank is “the new Bundesbank” require a pinch of salt.

The regional average inflation rate rose to 7.5% in April, from 5.2% a year before, according to the IMF. This is an underestimate, since Argentina’s official inflation figure of 9.1% is probably less than half the true rate. It also conceals a divide. Around the turn of the decade, several of the larger countries adopted floating exchange rates, and inflation targets administered by more-or-less independent central banks. Another group of countries—including Argentina and Venezuela—have given greater priority to growth than to price stability. But even among the first group, inflation has been rising. In response, central banks in Chile, Colombia, Mexico and Peru began to raise interest rates last year. Even so, they have missed their inflation targets, in most cases for the first time (see chart).

 To howls of protest, Brazil’s Central Bank halted three years of monetary easing last October. Since then it has raised rates by a percentage point. Even so, inflation is nearing the upper limit of the target of 4.5% plus-or-minus two percentage points. Two things that have helped to contain price rises in Brazil for the past few years—cheap goods from the rest of the world and a strengthening currency to buy them with—have now run their course, notes Marcelo Carvalho of Morgan Stanley, an investment bank.

After initially grumbling that higher rates were making the real too strong for Brazilian industries to compete, the finance ministry is now supporting the bank’s efforts. In June it tightened fiscal policy, raising its target for the primary surplus (ie, before debt payments) from 3.8% of GDP to 4.3%. The authorities are optimistic that inflation will be falling by the end of the year. But ordinary Brazilians are alarmed by the rise in the cost of a staple basket of food—up by as much as 50% in some parts of the country, according to DIEESE, a union-linked research body.

Brazil’s economy, along with those of Peru and Colombia, has been expanding at a faster rate than its underlying potential. But core inflation (stripping out food and fuel) has picked up in both Chile and Mexico despite sluggish growth, points out Alfredo Thorne, the chief Latin American economist at JPMorgan Chase, a bank. Mexico’s central bank is trying to steer a delicate path: it has raised rates but says that its aim is to get inflation back on target by the end of next year. With an important congressional election due next year, the government has stepped in to impose a price freeze on some staples. However, this month it raised the price of petrol.

Chile was once considered to have the best-managed Latin American economy. Its reputation has taken the biggest knock. The inflation rate has been rising for more than a year, reaching 9.5% in June. But the economy expanded by only about 3% in the first half of this year—the lowest rate since 2002. The authorities have some excuses. Chile imports nearly all of its oil. It subsidises fuel products a bit less than some of its neighbours: the fuel subsidy (ie, the difference between domestic and world prices) is likely to amount to around $500m this year, says a Chilean official. That contrasts with $1.2 billion in Peru and $19 billion in Mexico.

Nevertheless, some economists reckon that Chile’s Central Bank has made things worse by zigzagging between worries about growth and inflation. Earlier this year it tried to halt the appreciation of the peso because of concerns this was curbing exports. Then in June it raised its benchmark rate by half a percentage point; it is expected to tighten again this week.

Given how tricky it is proving to control inflation, central bankers should probably have raised rates earlier. But finance officials could also do more to help. Fiscal spending in Latin America is very pro-cyclical, points out Santiago Levy, the chief economist at the Inter-American Development Bank. Research by the bank found that in the seven largest economies, on average governments have spent rather than saved 80% of the extra revenues they have derived from the commodity boom since 2002. Even in Chile, which saves most of the windfall, fiscal policy is expansionary, with public spending growing at double the speed of the economy.

The test will be whether or not inflation is heading down by the end of this year. If it is not, more drastic action will be required, which might make a big dent in economic growth. The wiser among the region’s politicians know that, costly though it may be, the fight against inflation is one they cannot afford to lose. Already, price rises threaten to tip several million Latin Americans back into poverty. Brazil’s president, Luiz Inácio Lula da Silva, though a man of the left, has given strong backing to the Central Bank’s bitter medicine. Inflation is a “degrading disease”, he says. It is a malady that long debilitated Latin America. That is why the region is relatively intolerant of it now.

13/03/2008 - 15:06h Quando mais Leo, melhor (trocadilho besta para uma boa entrevista)

Entrevista: Sergio Leo no blog Exu caveira cover

sergio_leo2.jpg“Sergio Leo formou-se em jornalismo pela Escola da Comunicação da UFRJ na oitava década do século passado, e, neste milênio, especializou-se na UnB em Relações Internacionais. Já deu aulas de jornalismo em um curso de extensão da UnB e no Ceub, Centro de Ensino Unificado de Brasília. Trabalhava no Segundo Caderno dO Globo quando foi convidado por Ricardo Noblat para a sucursal do JB em Brasília, no começo do governo Sarney; passou, desde então, pelas sucursais da Folha, Estadão, O Globo, Rede Globo, isto É e Isto É Dinheiro, até se aquietar no Valor, onde está desde 2001. Como repórter especial do Valor, cobre todos os assuntos de Economia e Política, mas prefere mesmo acompanhar a política externa, especialmente na América do Sul, as negociações comerciais e as discussões sobre política industrial. Em 2004 inaugurou o blogue Sítio do Sergio Leo que, desde 2007, desdobrou em outro, o Ralações Internacionais.”entrevistador convidado: andré deak.

(mais…)

08/03/2008 - 14:44h O mito do Brasil pacífico

Historiadores questionam idéia de que, pelas mãos de D. João, país teve formação ordeira em oposição à da turbulenta América hispânica

img412/5783/familiarealbm0.jpg

Chegada da família real, de Geoff Hunt

Roberta Jansen – O Globo

bolivar.jpg

san_martin.JPG

Simon Bolivar e José de San Martín

A idéia de um Brasil coeso, pacífico e ordenado em oposição a uma América Latina fragmentada, sempre envolvida em conflitos e povoada por caudilhos, serve muito bem não apenas à literatura da região.

Ela surge com toda força para explicar crises diplomáticas, como a deflagrada na semana passada entre Colômbia, Equador e Venezuela.

Sobretudo num contexto de comemoração dos 200 anos da chegada da família real, em que o papel de D. João vem sendo apontado como crucial na construção dessa nação bem menos instável politicamente do que suas vizinhas de origem hispânica. Na contramão dessa arraigada visão, dois historiadores questionam o que chamam de mito criado em nome da defesa de um modelo de Estado.

(mais…)

18/11/2007 - 08:11h América Latina traz renovação para a esquerda, crê Ramonet

Diretor do “Monde Diplomatique” diz que a reforma constitucional de Chávez dá poder à sociedade e defende observatórios para monitorar imprensa

CLAUDIA ANTUNES
EDITORA DE MUNDO – FOLHA DE SÃO PAULO

Diretor do “Monde Diplomatique”, publicação mensal francesa lançada em 1954 que se consagrou pela orientação de esquerda, o espanhol Ignacio Ramonet, 64, acaba de fazer mais um périplo pela América Latina. Esteve em Buenos Aires, Santiago, Salvador e São Paulo, onde falou na última quinta no Salão Nacional do Jornalista Escritor, promovido pela Associação Brasileira de Imprensa, que termina hoje no Memorial da América Latina.
Ramonet vem defendendo o projeto de criação de observatórios destinados a monitorar a mídia, segundo ele “o único poder que não tem um contrapoder”. Em entrevista à Folha, ele defendeu com veemência o governo do venezuelano Hugo Chávez. Disse também que considera um alento o fato de esquerdas “muito diferentes” estarem surgindo na região, frente ao esgotamento dessa força ideológica no resto do mundo. Leia trechos da entrevista, feita por telefone, na última segunda-feira.

FOLHA – Seu interesse pela América Latina cresceu nos últimos tempos, não?
IGNACIO RAMONET
- Para minha geração, nascida logo após a Segunda Guerra, o grande debate político foi a descolonização, a africana em particular, mas simultaneamente prestamos muita atenção ao que acontecia na América Latina com a Revolução Cubana, as guerrilhas, a repressão. Hoje o interesse é maior porque, quando todas as esquerdas internacionais parecem esgotadas, aqui surgem esquerdas muito diferentes entre si, mas com apoio popular forte em quase todos os países em que há eleições.

FOLHA – Muitos apontam que a melhora econômica na região se deve à situação internacional e não a políticas de esquerda.
RAMONET
- É óbvio que uma parte do crescimento latino-americano se deve à conjuntura econômica internacional. Mas há agora uma situação especial na região, em razão da sua pacificação geral, com exceção da Colômbia; da democracia, com regimes legítimos e legais; e do fato de governos de esquerda estarem adotando uma política mais ou menos intensa de redistribuição.

FOLHA – O senhor falou num ambiente de pacificação, mas esse não é o quadro que se vê na Venezuela ou na Bolívia, por exemplo…
RAMONET
- Falei de pacificação no sentido de que os governos são legítimos e não há insurgências. Mas isso não quer dizer que não haja violência social. O Brasil e o Chile estão entre os países mais desiguais do mundo. E há toda a tensão política em torno da Venezuela, em razão da rapidez e da força da transformação lá, que desestabiliza os poderes tradicionais.

FOLHA – O senhor tem estado muito próximo de Chávez, não?
RAMONET
- Tenho a sorte de ter acompanhado a experiência venezuelana desde o início e de ter podido conversar regularmente com o presidente Chávez. Me parece que até agora ele manteve sua linha de respeito absoluto ao funcionamento democrático e à economia de mercado, por outro lado levando adiante a política de redistribuir os lucros do petróleo.

FOLHA – Há dois aspectos preocupantes na situação interna venezuelana: a reforma constitucional, que concentra os poderes nas mãos do presidente, e a pouca tolerância com o debate. Chávez não radicalizou demais depois da reeleição?
RAMONET
- Antes de introduzir a proposta de reforma constitucional, Chávez já era objeto de ataques muito violentos. O argumento da Constituição não é mais do que a continuação dessa política de desqualificação permanente. O fato é que o presidente nunca disse que ia impor a reforma da Carta, mas propor e submetê-la à decisão popular. Ninguém se escandaliza no mundo porque em 2000 o presidente [francês Jacques] Chirac fez um referendo para mudar a Constituição e permitir que o presidente pudesse ser reeleito indefinidamente, sem a limitação a dois mandatos.

FOLHA – Mas mesmo alguns dos que apoiaram Chávez estão preocupados com a centralização do poder na figura dele e na supressão do debate até dentro do governismo.
RAMONET
- Chávez sabe desde 2002 que a personalização do processo boliviariano o expõe de maneira excessiva. Contrariamente a tudo o que se diz, desde então ele está ampliando o processo, tirando poder da oligarquia e do sistema tradicional e transferindo-o maciçamente à sociedade. Dessa maneira, se o matam amanhã, o que desgraçadamente é possível, a sociedade tem poder para defender o processo.

FOLHA – Que balanço o senhor faz da revolução das comunicações produzida pela internet?
RAMONET
- A internet suscitou uma grande ilusão, a de uma comunicação democrática, relativamente barata, fácil de conseguir e planetária. Hoje vivemos uma certa decepção. Em geral os sites de internet mais freqüentados, os dez primeiros em cada país, já pertencem aos meios dominantes desse país. Resta a alternativa individual de criar um site, um blog.

FOLHA – E o que o senhor propõe?
RAMONET
- Acho que é preciso estimular todos os meios públicos, criar um equilíbrio entre meios privados e públicos, que não existe na maioria dos países latino-americanos. Eu propus a criação de observatórios. Hoje os meios de comunicação são o único poder que não têm um contrapoder, como têm os poderes político, econômico. O poder midiático não aceita um contrapoder, por essa característica de se considerar o guardião da liberdade de expressão e da democracia.

FOLHA – Qual é o limite entre a fiscalização e a censura?
RAMONET
- Os observatórios não têm o objetivo de censurar ou corrigir, mas de submeter os meios aos critérios de funcionamento jornalístico que eles próprios definem. Publicariam um informe sobre os desrespeitos aos objetivos expressos pelo próprio meio e seriam formados por jornalistas, professores de comunicação e leitores.

FOLHA – E como vai seu jornal?
RAMONET
- Também passamos dificuldades na difusão em papel. Nossa página na internet tem crescimento regular, mas a edição francesa teve queda de 5% neste ano. Temos 70 edições internacionais, que somam 2 milhões de exemplares.


NA INTERNET - Leia a íntegra da entrevista em www.folha.com.br/073202