01/03/2009 - 19:53h Rio de Janeiro comemora 444 anos com festa aos pés do Cristo Redentor
01/03/2009 – 19:10 – Agência Brasil – IG

- Luis Favre
01/03/2009 – 19:10 – Agência Brasil – IG

Documentos revelam casos extraconjugais e herdeiros não reconhecidos do compositor de óperas italiano, autor de La Bohème e Tosca, nascido há 150 anos
Anthony Tommasini, The New York Times – O Estado SP
Quando Giacomo Puccini morreu em 1924 aos 65 anos, deixou como herança uma propriedade estimada em US$ 250 milhões, em valores atuais. Será que algum compositor de música clássica dos dias hoje chegou a reunir, em vida, tamanha fortuna? Desde sua morte, a popularidade de Puccini só cresceu. Encenada 1.200 vezes, La Bohème está no topo da lista de obras mais apresentadas do Metropolitan Opera, que inclui nas suas primeiras 6 posições outras duas obras de Puccini, Tosca e Madama Butterfly. Assim, é curioso que não se tenha feito muito estardalhaço por conta do 150º aniversário do nascimento de Puccini, celebrado este ano. Mas não importa. Puccini domina.
Até agora, neste ano de Puccini, aquilo que mais chamou a atenção para a vida do compositor foi a realização de um filme sobre a sua vida particular, uma dramatização elaborada com base em pesquisas recentes e dirigida pelo cineasta italiano Paolo Benvenuti. Artigos antecipando as descobertas dessas pesquisas foram publicados no The Independent, em Londres, e em outros veículos. Evidentemente, a neta do compositor, Simonetta Puccini, está consternada e reluta em crer na nova versão dos fatos.
O mais alto tribunal civil da Itália há muito confirma as alegações da sra. Puccini (antes chamada de Simonetta Giurumello) de que ela seria a filha de um relacionamento entre a sua mãe e o filho do compositor, Antonio, morto em 1946, tendo deixado viúva, mas nenhum descendente legal. Hoje, a sra. Puccini supervisiona fundação à qual deu início, dedicada à preservação da quinta de Puccini em Torre del Lago.
Puccini orgulhosamente chamava a si mesmo de “vigoroso caçador de aves selvagens, libretos de ópera e mulheres atraentes”. O filme de Benvenuti, Puccini e la Fanciulla, apresenta um fio recém-descoberto na confusa biografia do compositor. O enredo afirma que ele tem outra neta viva, Nadia Manfredi, descendente de um outro filho seu, também chamado Antonio, nascido de um caso com Giulia Manfredi, uma mulher vivaz de origem humilde que administrava um albergue em Torre del Lago e muito popular entre os agricultores locais e caçadores itinerantes. Cartas pessoais e outros documentos mostrados a Benvenuti por Nadia Manfredi em 2007 expõem aquilo que parece ser um caso convincente.
Também estão sendo lançadas novas gravações de suas óperas. Dois notáveis registros de La Bohème foram recentemente lançados em CD, gravados a partir de concertos realizados no ano passado. A edição da Deutsche Grammophon tem a soprano Anna Netrebko como Mimi e o tenor Rolando Villazón como Rodolfo, com regência de Bertrand de Billy. O lançamento da Telarc conta com a performance da Sinfônica de Atlanta, regida por Robert Spano, com a soprano Norah Amsellem e o tenor Marcus Haddock no elenco.
Apesar de Puccini ter demonstrado um incrível instinto para a mistura da música com a dramatização, suas óperas são o produto de um trabalho torturado. Eterno protelador, ele só conseguia compor durante frenéticas madrugadas inteiras, abastecidas por café e cigarros. Na verdade, levando em consideração a astuta sensibilidade de Puccini para o drama musical, é surpreendente perceber como suas idéias iniciais podiam ser mal concebidas.
Ao adaptar as histórias de Murger que acabariam se tornando a ópera La Bohème, por exemplo, ele queria eliminar a briga e a separação entre Mimi e Rodolfo. Numa carta em tom de súplica endereçada ao editor de Puccini, o libretista Luigi Illica expressou sua exasperação. Puccini estava determinado a transformar a trágica história dos jovens amantes pobretões em um pegajoso melodrama. “Eles se apaixonam, eles discutem, a pequena costureira morre”, escreveu ele. “É uma história sentimental, mas não é La Bohème.” Puccini ao final acertava na maioria de suas óperas, mas não antes de despejar uma torrente de abuso sobre seus libretistas, cujo sofrimento era contínuo.
A amplitude dramática e a riqueza lírica da música de Puccini por vezes eclipsam a complexidade da sua linguagem harmônica contemporânea. Admirador de Wagner e Debussy, ele enriqueceu suas trilhas sonoras com acordes cromáticos livres e escalas de tons inteiros. Ele demonstrava muito interesse nas correntes radicais da música moderna, sentia-se intrigado pelos experimentos de Arnold Schoenberg. Percorreu os 100 quilômetros de Torre del Lago até Florença apenas para assistir a uma apresentação de Pierrot Lunaire (1912), experiência que lhe causou profunda impressão.
E quanto às novas fofocas sobre a vida amorosa de Puccini? Como já é bem sabido, seu relacionamento com a esposa, Elvira, foi sensacional desde o início. Puccini a conheceu ainda esposa de um antigo amigo seu dos tempos de escola, em 1884, quando trabalhava como seu professor de piano. Começaram um caso e em questão de dois anos ela deixou o marido. Permitiu-se a Elvira que levasse consigo a filha. Logo ela teve de Puccini o seu único filho, Antonio. Mas com o marido de Elvira ainda vivo, obter um divórcio seria impossível na Itália.
Durante os anos que passou com Elvira, Puccini viveu flertes despudorados com seus “pequenos jardins”, conforme ele chamava as jovens com que se envolvia. Até que, em 1903, o marido de Elvira morreu. As impacientes irmãs de Puccini o fizeram desistir de uma paixão que vivia na época e se casar com Elvira, o que ele finalmente fez em 1904, depois de terem vivido juntos por 17 anos. Com o passar dos anos, Doria Manfredi, uma jovem da região, entrou no lar de Puccini como empregada. Enciumada, a volátil Elvira a atormentava, castigando-a em público e criando um escândalo, apesar dos protestos de Puccini alegando sua inocência. Em janeiro de 1909, a pobre e acuada Doria morreu de uma overdose de pílulas. Apesar de Elvira ter sido condenada por difamação, o pagamento de uma compensação de Puccini para a família Manfredi poupou sua esposa da prisão. Uma autópsia revelou posteriormente que Doria morreu virgem. Assim, neste caso, Puccini era de fato inocente.
Esta parte da história há muito está registrada. Mas novos documentos, revelados pelo filme de Benvenuti, sugerem que apesar de Puccini não ter se envolvido com Doria, ele protagonizou um longo caso com a prima dela, Giulia, que pode ter sido a inspiração para Minnie, a heroína de La Fanciulla del West. O filho que Giulia teve com Puccini era vigia noturno e morreu na miséria aos 65 anos, em 1988, sem jamais saber da sua herança. Sua filha, Nadia Manfredi, foi aos tribunais exigir a realização de testes de DNA para provar que ela é neta de Puccini. Simonetta Puccini opõe-se ao pedido, chamando-o de ataque à vida particular do mestre e da sua família. Até o momento, parece que a legislação italiana apóia a afirmação dela de que o caso já teria prescrevido. O caso continua. Nós, amantes de Puccini, temos que reconhecer que nosso ídolo não sai dessa história com a honra intacta. Ainda assim, esse enredo daria uma excelente ópera de Puccini, se ao menos ele ainda estivesse entre nós para escrevê-la.
Je t’aime et je suis très fière de toi. T’es un “mench”
Hoje, 25 de agosto de 1918 nasceu o maestro norte-americano Leonard Bernstein, falecido em 1990.
Happy Birthday, Leny, você continua sempre nos nossos corações.

Antonio Candido, 90 anos
Considerado o maior crítico literário do País, o autor de Formação da Literatura Brasileira ganha documentário sobre sua vida na semana do seu aniversário
Antonio Gonçalves Filho – O Estado de São Paulo
Apesar de ter aprendido a ler, ainda pequeno, em livros sobre mitos germânicos, o professor de literatura Antonio Candido, que completa 90 anos na quinta-feira, sempre manteve distância cautelosa da mitologia. Ele até imaginou, numa antiga entrevista, como iriam falar dele no futuro, quando se contasse os primórdios da sociologia na Universidade de São Paulo. Irônico, imitou o estilo de seus biógrafos – ou hagiógrafos – ao tentar descrevê-lo como “um professor que se caracterizava pela capacidade de especialização e pela profundidade”, lembrando que, quanto mais escuta o que se conta sobre sua época, tanto mais entende como se constrói a história. Ou o mito. Candido, mais conhecido como crítico literário, nunca se considerou um especialista e jamais se arrependeu de ter feito o curso de Ciências Sociais. Foi, segundo ele, a coluna vertebral de sua visão de mundo – literária, inclusive – e credita seu interesse na área ao amigo Florestan Fernandes, cujo filho, Florestan Fernandes Jr., acaba de dirigir um documentário sobre ele, que vai ao ar pela TV Brasil, na quinta, às 22 horas.
Como de costume, Antonio Candido é a figura central, mas só aparece em gravações antigas. Há muito não concede entrevistas e não abriu exceção nem para o filho do amigo Florestan, que teve de recorrer a entrevistas gravadas há alguns anos e convocar os amigos para falar dele. E são muitos. Quatro deles participaram na última segunda-feira, no teatro da USP, de um debate em que analisaram o papel fundamental que os livros Formação da Literatura Brasileira (1957) ou Os Parceiros do Rio Bonito (1964) tiveram na vida intelectual do País no último meio século: a professora de literatura Walnice Nogueira Galvão, o historiador Carlos Guilherme Motta, o sociólogo Francisco de Oliveira e o jurista Fábio Konder Comparato.
Candido apareceu nesse debate tanto como o professor que tirou do limbo autores antigos (Gregório de Matos, entre eles) quanto o crítico que contribuiu para criar a revista Clima e o Suplemento Literário do Estado, revelando novos escritores (Clarice Lispector, por exemplo), além de ser lembrado como o militante político que ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT) em fevereiro de 1980. Antonio Candido teria gostado de ouvir episódios de uma vida marcada por fatos pitorescos e amizades com os maiores intelectuais que este país já teve, de Mário de Andrade a Sérgio Buarque de Holanda, passando por Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado, Lourival Gomes Machado e Ruy Coelho.
Entre os episódios engraçados, um que não foi contado durante o debate – seu exame vestibular para a Faculdade de Filosofia-, talvez seja o mais conhecido. Fazia parte da banca o sociólogo francês Roger Bastide, que lhe perguntou qual era a importância sociológica de uma ilha (”une île”), ou seja, qual a importância do isolamento, que segrega os grupos. Ele entendeu como “la importance sociologique du Nil”, tratando logo de discorrer sobre a importância do transbordamento do Rio Nilo para a formação de comunidades no Egito. Bastide deu corda e Candido poderia ter falado horas sobre as cheias do Nilo, não fosse interrompido pelo presidente da banca, o italiano Luigi Galvani. Se isso não provou a verve sociológica de Candido, ao menos ficou como registro de uma tremenda vocação literária. Bastide, que não ligava para a especificidade da ciência sociológica, gostou, mas sua maior influência na faculdade seria o professor Jean Maugüé, que recomendava a seus alunos a leitura de Shakespeare e Dostoievski, além do estudo dos escritos de Marx, ortodoxo comunista que era.
Por causa do curso de Mangüé, Candido viria a se tonar militante do Partido Socialista Brasileiro e participante do Grupo Radical de Ação Popular, que, em 1942, espalhou panfletos contra a ditadura do Estado Novo, condenando-a por manter um posicionamento neutro com os países do Eixo até Vargas ser obrigado a romper relações diplomáticas com o nazi-fascismo. Um ano depois, Candido e outros jovens formados em Direito organizaram uma Frente de Resistência e, em 1944, por iniciativa do amigo Paulo Emílio Salles Gomes, criador da Cinemateca Brasileira, essa frente manteve contato com um grupo de comunistas dissidentes que discordavam do apoio do PC a Vargas. Entre eles estava Caio Prado Júnior, lembrado pelo historiador Carlos Guilherme Motta, no debate da USP, como um dos representantes da oligarquia, da “gauche elegante”, que refletiu sobre as desigualdades do Brasil. Candido seria, segundo ele, o limite do pensamento radical da classe média que freqüentou a Faculdade de Filosofia, apesar de o crítico sempre ter se definido como “desprovido de cabeça política”. Tendo convicção e princípios, não sabia transformá-los em ação, disse numa entrevista, revelando ter um um fundo de ceticismo que “atrapalha os ímpetos da militância”.
Essa modéstia não impediu, diz o professor de sociologia Francisco de Oliveira, que Candido fornecesse os instrumentos sensoriais para interpretar o Brasil, destacando seu papel cultural nas transformações políticas do País, em especial com Os Parceiros do Rio Bonito, livro que evita olhar a realidade brasileira de maneira mecânica, buscando entender as relações de uma sociedade caipira em confronto com os valores da civilização urbana que a levam ao isolamento. Quem quiser estudar a história social do Brasil, terá necessariamente de passar por essa literatura. Antonio Candido é incontornável.
© Projeto Releituras
Arnaldo Nogueira Jr
Aniversário
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
[473]
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…
15/10/1929
Uma visão breve sobre a vida e a obra do maior poeta da língua portuguesa:
- 1888: 11 de junho Nasce Fernando Antônio Nogueira Pessoa, em Lisboa.
- 1893: Perde o pai.
- 1895: A mãe casa-se com o comandante João Miguel Rosa. Partem para Durban, África do Sul.
- 1904: Recebe o Prêmio Queen Memorial Victoria, pelo ensaio apresentado no exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança.
- 1905: Regressa sozinho a Lisboa.
- 1912: Estréia na Revista Águia.
- 1915: Funda, com alguns amigos, a revista Orpheu.
- 1918/1921: Publicação dos English Poems.
- 1925: Morre a mãe do poeta.
- 1934: Publica Mensagem.
- 1935: Morre de complicações hepáticas em Lisboa.
Os versos acima, escritos com o heterônimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do livro “Fernando Pessoa – Obra Poética”, Cia. José Aguilar Editora – Rio de Janeiro, 1972, pág. 379.

Gilles Lapouge* – O Estado de São Paulo
Israel celebra seu 60º aniversário de fundação. Festas iluminam o país. Personalidades estrangeiras, entre elas o presidente George W. Bush, participam das comemorações. E os palestinos? Para os israelenses, a data é gloriosa. Para os palestinos é de luto, é o “dia da catástrofe”, ou “nakba. Já vimos algum dia um povo celebrar a sua “catástrofe”? O rancor palestino é total.
Até mesmo o moderado e indulgente presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, declarou em Ramallah que não receberia nenhuma delegação. E o premiê palestino, Salam Fayad, também mostrou seu mau humor: “Como vocês podem celebrar esta data enquanto o povo palestino padece sob o jugo de suas colônias e suas ações”, perguntou aos israelenses.
Por toda a parte é o furor. E uma rajada de críticas: a nakba começou em 1948, com a destruição de 400 povoados e o exílio de 760 mil palestinos expulsos de suas terras, enquanto 160 mil ficaram em Israel e se consideram cidadãos de “segunda classe”. Os palestinos forçados ao exílio tornaram-se 5 milhões. Israel proíbe seu retorno a um território que considera seu. Os que permaneceram em Israel, dizem-se vítimas de um apartheid. Mesmo a Corte Suprema de Israel reconheceu que eles eram discriminados.
Quando olhamos para os dois territórios palestinos, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, o quadro é ainda mais terrível. O famoso muro, erguido em 2000, foi sentido pelos palestinos como uma camisa-de-força mortífera com o fim de privá-los de seus campos e poços, para sufocá-los lentamente, matá-los sem muito ruído. Para eles, o objetivo do muro é tornar impossível o retorno dos palestinos às terras das quais foram espoliados.
A isso tudo se juntam os tiroteios, os foguetes, às vezes as bombas. Na quarta-feira, quatro palestinos foram mortos em Gaza. Desde o início das negociações de paz projetadas por Bush em novembro, 467 palestinos foram mortos (bem entendido, a essas acusações os israelenses replicam que foram os palestinos que começaram. Mas hoje fazemos eco das palavras dos palestinos, e não dos israelenses).
Os palestinos são vítimas de uma perseguição similar àquela sofrida pelos judeus nos tempos infames de Hitler. Gaza é “um campo de concentração”. O bloqueio paralisa a região. A vida ali é desumana. Para os palestinos, trata-se de um holocausto cometido pelos antigos mártires judeus.
O estranho é que essas acusações também são feitas por judeus europeus. Em Londres, cem personalidades judaicas assinaram um texto, publicado no jornal The Guardian, em que afirmam: “Nós não celebraremos o aniversário de um Estado criado tendo como base o terrorismo, os massacres e a espoliação das terras de outras pessoas. Um Estado que procede à limpeza étnica e inflige uma monstruosa punição coletiva à população civil de Gaza. É tempo de reconhecer o preço pago por um outro povo pelo anti-semitismo europeu e o genocídio hitlerista.”
* Gilles Lapouge é correspondente em Paris

Hillary Clinton- AP
ANTONIO CAÑO - Washington – El País
Mujer práctica por encima de todo, Hillary Clinton ha celebrado su 60 cumpleaños como le conviene en un momento como este: con una fiesta en la que ha recolectado un millón y medio de dólares (un millón de euros) para su campaña. La candidata presidencial del Partido Demócrata se veía radiante el jueves por la noche sobre el escenario de un teatro del Upper West Side de Manhattan, aplaudida por un público entregado y por unos cuantos famosos (Billy Cristal y Elvis Costello, entre otros). Pero, sobre todo, se la veía sinceramente emocionada abrazándose a su hija Chelsea y a su marido, Bill Clinton.
Los tiempos de infidelidades y mentiras parecen haber quedado atrás. El ex presidente parece haber controlado su hiperactividad y sus impulsos y se muestra como un compañero leal al que no se le caen los anillos por actuar de telonero en la gran empresa en la que su mujer está embarcada.
Quizá todo sea una puesta en escena, como dicen los críticos. Quizá ambos saben que se necesitan ahora y que ambos ganarán si continúan juntos. Pero quizá los críticos se equivoquen y esta célebre pareja haya encontrado la felicidad que antes perdieron en tantas ambiciones.
Hillary Clinton lleva la etiqueta de mujer segura y brillante desde su época universitaria. Gracias a ella ha sido una persona respetada, incluso en el ingrato papel de primera dama. Pero esa misma fama le ha obligado también a pagar un alto precio como mujer. Maltratada por fotos juveniles que no hacen justicia a su físico y relegada durante años al papel de la sacrificada y silenciosa esposa, Hillary Rodham Clinton supo esperar su momento para ocupar el primer plano. Fue elegida y reelegida con altos porcentajes como senadora por Nueva York después de dejar la Casa Blanca y, contra todos los pronósticos, se ha asentado como la probable primera presidenta de Estados Unidos.
Hillary Clinton se planta, pues, en los 60 años en un momento de apogeo. Las encuestas le dan más de 30 puntos de ventaja sobre su principal rival demócrata, Barack Obama, y le auguran también una victoria ante cualquiera de sus posibles rivales republicanos.
Ha pasado un calvario para llegar hasta aquí. Sus errores, unidos a la leyenda negra creada por sus enemigos, han estado a punto de descabalgarla varias veces. Pero ha resistido y hoy es, sin duda, la principal figura emergente de este país, objeto preferido de libros, reportajes y tertulias, una gran estrella.
Hillary Clinton es una política pragmática que supo echarse atrás en su avanzado proyecto de reforma sanitaria cuando las circunstancias adversas lo aconsejaron y que sabe ahora mantener posiciones conservadoras en política exterior para ganarse la confianza de los votantes.
Los norteamericanos adoran los cumpleaños y son los mejores para agasajar y hacer felices a quienes los celebran. Hoy es el día de Hillary Clinton y se le perdona todo. Mañana reanudaremos la batalla.