27/04/2009 - 14:31h Bactérias proliferam após uso de antibióticos

ensaio

http://static.guim.co.uk/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2008/05/18/mrsa460.jpg
Clostridium difficile

TARA PARKER-POPE

newyorktimes_folha2.gif

A C. difficile criou imunidade a drogas e ficou mais perigosa

No início deste ano, Harold e Freda Mitchell, de Mississipi (EUA), tiveram uma séria doença no estômago. A princípio os médicos não sabiam o que estava errado, mas os sintomas gastrointestinais se tornaram tão graves que Freda, 66, ficou hospitalizada por duas semanas.
Um médico local reconheceu sinais da Clostridium difficile, uma bactéria contagiosa e potencialmente mortal. Embora a doença seja difícil de identificar, autoridades estimam que nos EUA a bactéria cause 350 mil infecções por ano somente em hospitais, com dezenas de milhares de outras ocorrendo em lares de idosos. Enquanto a maioria dos casos é encontrada em ambientes hospitalares, 20% ou mais podem ocorrer na comunidade. A doença mata de 15 mil a 20 mil pessoas anualmente.
“É a pior coisa que já tive de superar na vida”, disse Freda Mitchell, ainda enfraquecida pela doença. “Eu realmente pensei que fosse morrer.”
O mais assustador da C. difficile é que muitas vezes ela é estimulada pelos antibióticos. As drogas eliminam a doença-alvo, mas também matam grande parte das bactérias saudáveis que vivem no aparelho digestivo. Se uma pessoa entra em contato com a C. difficile ou já a tem, o distúrbio das bactérias benéficas cria uma oportunidade para que bactérias nocivas floresçam.
Especialistas em saúde pública vêm alertando há anos sobre o uso excessivo de antibióticos e o surgimento de “supermicróbios” -bactérias que criaram imunidade a diversos antibióticos.
“Aconselhamos aos consumidores que tenham certeza de que um antibiótico é necessário”, disse Dale N. Gerding, especialista em doenças infecciosas na Universidade Loyola, em Chicago. “Há muitos bons motivos para tomar um antibiótico, mas sinusite ou bronquite acabam sendo tratadas com remédios mesmo que possam desaparecer sozinhas.”
O tratamento típico da C. difficile é outra bateria de antibióticos, geralmente da droga vancomicina. Mas a situação pode rapidamente se tornar trágica. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA registraram vários casos de mulheres grávidas e no pós-parto que desenvolveram infecções de C. difficile potencialmente fatais após serem tratadas de pequenas infecções. Em alguns casos, uma infecção de C. difficile requer uma cirurgia de emergência para retirar o cólon do paciente.
Médicos dizem que muitos relatam surtos regulares de diarreia mesmo depois que a infecção se foi. Cerca de 20% dos pacientes com infecção sofrem recaída. No caso da família Mitchell, o marido havia tomado antibióticos para outro problema de saúde, e o tratamento aparentemente levou à infecção de C. difficile. Freda provavelmente contraiu a doença de seu marido. Médicos dizem que a doença dela é incomum porque a maioria das pessoas é protegida por sua própria flora bacteriana e não seria vulnerável à C. difficile se não tivesse tomado antibióticos.
O risco de contrair a bactéria fora de um hospital continua baixo, cerca de 7 casos por 100 mil pessoas, segundo estudos. O índice de infecção por C. difficile entre pacientes de hospital dobrou entre 2001 e 2005, segundo um relatório de abril de 2008 do CDC. O aumento de casos em todo o mundo está ligado ao crescimento do uso de todos os antibióticos, especialmente a droga chamada fluoroquinolones, que se popularizou em 2001.
A C. difficile também está mais mortal. Anos atrás, o índice de mortalidade de uma infecção pela bactéria variava de 1% a 2%. Mas hoje vários estudos estimam que o índice de mortes é de 6%. O motivo é o surgimento de uma variedade ultravirulenta que emite níveis mais altos de toxinas.
Pacientes e visitantes de hospitais devem lavar as mãos, e os visitantes deve evitar sentar-se no leito de um paciente ou usar o banheiro dele. Os pacientes devem relatar sintomas de diarreia grave ao médico.
“Até cerca de 2002 essa era uma doença muito branda e pouco mortal”, disse Perry Hookman, gastroenterologista e professor de medicina na Universidade de Miami. “Mas, nos últimos anos, os micróbios se tornaram hipervirulentos, mais severos, e viraram uma ameaça global.”

26/11/2008 - 09:13h Policromia

Mônica bergamo – Folha SP

Fui

Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras, deve deixar o cargo até janeiro. Ele já manifestou o desejo a amigos, para quem afirma que não interessa ficar na prefeitura sem ter “condições” de realizar o trabalho que vinha tocando. Homem mais poderoso da administração Gilberto Kassab (DEM-SP) até agora, Matarazzo vem sendo bombardeado pelo prefeito, que já falou mal dele até para adversários políticos. O secretário só está até agora no posto porque o governador José Serra (PSDB-SP) intercedeu por ele.

QUEM MANDA?
Quem entende de Kassab acredita que o prefeito de São Paulo fala mal de Matarazzo por questões políticas, e não pessoais. Responsável pelas subprefeituras, o secretário acaba comandando o coração da administração – com grande autonomia em relação ao grupo de Kassab.

ALERTA
A segurança do Senado enviou ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) a gravação de um telefonema recebido há cerca de um mês, em que um homem pedia que se “alertasse” o governo de que Lula sofreria um atentado numa de suas viagens ao Nordeste. Foi aberta uma investigação que descobriu que a chamada partiu de um telefone público do bairro de Bodocongó, na cidade de Campina Grande, na Paraíba.

EM CASA
A gravação, por tabela, confirmou ao GSI que a central do Senado pode gravar conversas feitas a partir de seus telefones. Há quem defenda, no gabinete, a tese de que o suposto grampo que interceptou conversa do senador Demóstenes Torres (DEM-TO) com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, pode ter sido feita no próprio parlamento.

BULA
O ministro José Gomes Temporão, da Saúde, desembarca hoje em Santa Catarina levando mais de 50 mil kits com antibióticos como amoxicilina, pomadas para dermatite, reidratantes e glicose injetável. Eles serão distribuídos às vítimas das enchentes no Estado.

Leia a integra da coluna de Mônica bergamo no jornal Folha de São Paulo

23/11/2008 - 15:17h A nova superbactéria

Caption: Scanning electron microscope image of A. baumannii, with maps of its genome (outer circle) and alien island sequences (inner circle – red).
Credit: Courtesy of J.Carr/CDC; T.Gianoulis and D.Massa/Yale

Comunidade internacional divulga alerta para infecções resistentes a remédios

Normalmente encontrada no solo e na água, uma perigosa e resistente bactéria se alastra por hospitais de todo o mundo, inclusive do Brasil, alertaram especialistas em doenças infecciosas em artigo publicado esta semana na revista médica “The Lancet”. De acordo com os médicos, a Acinetobacter baumannii seria ainda mais ameaçadora do que a MRSA (uma variante muito resistente de Staphylococcus aureus) e a Clostridium difficile: ela já responde por pelo menos 30% das infecções hospitalares resistentes a drogas.

— Há um crescente aumento de infecções por A baumannii em vários hospitais em todo o mundo — afirmou, em entrevista à Reuters, Matthew Falagas, da Universidade de Tufts, em Boston, e do Instituo Alfa de Ciências Biomédicas, na Grécia, co-autor do artigo ao lado de Drosos Karageorgopoulos. — E são infecções muito difíceis de tratar porque as bactérias são resistentes à maioria dos medicamentos disponíveis.

Brasil já registrou casos de infecção

Especialistas em infecção hospitalar no Brasil já estão cientes da ameaça da bactéria e de sua presença em centros de saúde no país há algum tempo.

— Do mesmo modo que em outros países, não somente as Staphylococcus aureus resistentes à meticilina, conhecidos como MRSA, têm preocupado nossa comunidade médicocientífica.

Surtos de infecções hospitalares causadas por A. baumannii, sensíveis somente ao antibiótico colistina, têm sido descritos, há alguns anos, no Brasil — diz Agnes Marie Sá Figueiredo, diretora do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

De acordo com o artigo da “Lancet”, o papel da A. baumannii em graves infecções diagnosticadas em pacientes criticamente doentes é cada vez mais claro. “Esse patógeno está associado a surtos de infecção muito difíceis de serem controlados”, destaca o texto.

Alguns médicos estão lançando mão de uma classe de antibióticos conhecidos como polimixinas para combater a infecção.

Essas drogas não são usadas há 20 anos para esta finalidade, em parte por causa dos efeitos colaterais que apresentam, entre eles problemas renais. “Isso significa que os médicos precisam de novas drogas para combater a bactéria”, sustentou Falagas. “Mas a melhor arma para deter o avanço da A. baumannii ainda é lavar bem as mãos. Essa é a medida mais importante de prevenção para os que trabalham em hospitais.” Mas não apenas. A limpeza das instalações hospitalares e dos equipamentos utilizados é ainda mais importante, sustentam especialistas em infecções resistentes.

A A. baumannii compartilha muitas das piores características da MRSA e da Clostridium difficile, como a sobrevivência em superfícies secas e a resistência à maioria dos desinfetantes. A A. baumannii sobrevive na poeira e até na roupa de cama por meses.

Ela também pode ser transportada na pele de pessoas saudáveis. Tudo isso torna muito difícil a erradicação da bactéria depois que ela se instala em alguma instituição, explicam os especialistas, e revelam a importância da limpeza rigorosa na prevenção.

A A. baumannii provoca infecções sangüíneas e pneumonia, entre outros problemas.

Especialistas dizem que a bactéria não representa uma ameaça às pessoas saudáveis e que mesmo para as linhagens mais resistentes ainda existem drogas eficazes. No entanto, dizem, a questão é preocupante.

17/11/2008 - 13:41h Saúde: os números ocultam

celula_cancer_peito.jpg
célula cancerosa vista ao microscópio eletrônico

AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO – O GLOBO

É inegável as conquistas obtidas em nosso país com relação a certas doenças infecciosas, principalmente aquelas cujas medidas de prevenção e/ou controle são mais conhecidas e efetivas, como a diarréia, a tuberculose, a malária e outras, conforme indicam as publicações recentes do Ministério da Saúde (Saúde Brasil 2007). Entretanto, o vasto universo das doenças causadas por microrganismos não se resume às doenças geralmente agrupadas como “infectocontagiosas” ou “infecciosas e parasitárias”.

Os microrganismos, sejam os protozoários, os fungos, as bactérias e, ainda, os vírus, estão envolvidos em diferentes tipos de afecções.

Por exemplo: há alguns anos, jamais poderíamos imaginar que certos tipos de cânceres estariam associados a tais seres microscópicos.

No entanto, um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina 2008, Dr. Harald zur Hausen, foi agraciado com essa honraria, justamente, por ter relacionado o câncer de colo de útero, o segundo mais freqüente em mulheres, com o papiloma vírus humano (HPV). Mas não pensem que a associação entre microrganismos e câncer se encerra aí.

Uma bactéria conhecida como Helicobacter pylori, a qual é encontrada no estômago de cerca de 2/3 da população mundial, é o principal fator de risco de úlcera péptica e duodenal, aumenta, segundo estudos, o risco de câncer gástrico, linfoma de tecido linfóide associado à mucosa, conhecido como linfoma de MALT, e, ainda, de câncer pancreático.

Portanto, parece-me fundamental que a sociedade seja alertada sobre o papel das doenças infecciosas em determinados tipos de cânceres e, conseqüentemente, sobre sua influência “silenciosa” nas taxas de óbtidos. Além disso, em certas circunstâncias, o câncer por si só pode predispor o paciente a severas e recorrentes infecções. Por outro lado, a neutropenia (que reflete um comprometimento do sistema imunológico) é reconhecida há décadas como importante fator de risco para o desenvolvimento de infecções em pacientes submetidos a certas quimioterapias.

Portanto, é fato amplamente conhecido, pela comunidade médica, que as doenças infecciosas são importantes causas de mortalidade entre pacientes com diversos tipos de neoplasias malignas.

Realmente, por muitos e muitos anos, a tuberculose foi a principal causa de morte entre as doenças respiratórias de adultos. Porém, apesar de os óbitos por essa doença ter diminuído, outras infecções respiratórias, as de natureza aguda, estavam em 2005 na 5ª ou 6ª posição entre as 10 principais causas de morte em nosso país, segundo dados do Saúde Brasil 2007. Cabe acrescentar que, através de um estudo recente do Unicef/OMS intitulado “Pneumonia: the forgoten killer of children, 2006”, ficou constatado que essa doença mata mais crianças do que qualquer outra, e estimase que seja responsável pela morte de cerca de 2.000.000 de crianças a cada ano, em todo o mundo, sendo as espécies bacterianas Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae as principais responsáveis. Porém, infelizmente, pouca atenção tem sido dada para essa doença. Nesse mesmo estudo foi estimado que 150.000.000 de episódios de pneumonia devam ocorrer a cada ano, sendo que o Brasil estaria em 5o lugar, junto com a Etiópia, com 4.000.000 de casos. É preciso salientar que não somente as crianças estão mais susceptíveis às pneumonias; os indivíduos idosos também estão entre a população susceptível e, portanto, com elevado risco para a doença e conseqüente mortalidade.

Vale lembrar, aqui também, outros importantes “matadores” que ficaram esquecidos nesta estória, as doenças hoje conhecidas como “infecções associadas a serviços de saúde” (IASS), em que se incluem as infecções hospitalares. Essas doenças acometem pacientes, durante o curso de um tratamento que receberam para debelar outra doença, em um estabelecimento que presta serviço de saúde. Segundo os Centers for Diseases Control (CDC), nos Estados Unidos, as IASS estão entre as 10 principais causas de mortalidade.

Não devemos, em hipótese alguma, sob pena de estarmos causando um erro grave, subestimar o impacto de tais doenças em nosso meio.

Estudos têm demonstrado que os índices dessas infecções são maiores em países da América Latina e da África. Agrava-se a essa triste estatística o fato de que muitas dessas infecções, como as que ocorrem nos hospitais, são causadas por bactérias resistentes a múltiplos antibióticos. Tal fato dificulta, significativamente, a pronta prescrição pelos médicos de uma terapia antibiótica eficaz, contribuindo assim para o aumento do número de óbitos.

Aos profissionais da saúde cabem estar atentos para os fenômenos resultantes da evolução adaptativa dos microrganismos, os quais culminam, algumas vezes, no surgimento de novas doenças (conhecidas como emergentes) e, em outras vezes, no aumento da incidência de doenças antigas, porém com características epidemiológicas singulares, únicas, as quais, quando não reconhecidas, podem mascarar os índices dessas infecções e da mortalidade associada.

Aos nossos políticos cabe o ônus da necessidade de aplicarem mais recursos para o desenvolvimento de laboratórios e sistemas cada vez mais sofisticados, visando à coleta e posterior análise de dados, sobre tais doenças, de maneira que os números possam nos apontar, de forma mais reveladora, esse mundo micro, porém da maior importância para a saúde global.

AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO é diretora do Instituto

21/09/2008 - 14:30h Da boca para dentro

A imagem “http://cogitare.forumenfermagem.org/wp-content/uploads/2008/06/dentist.gif” contém erros e não pode ser exibida.

http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/30/30_CHB_viv_sorriso.jpg

Novas pesquisas relacionam boa saúde oral à prevenção de várias doenças

Antônio Marinho* – O GLOBO

Imagine despejar todos os dias a maior parte de seu lixo no manancial de um rio. Com o tempo, lagos e fontes que recebem seu fluxo serão poluídos e podem morrer. É mais ou menos isso que ocorre ao negligenciarmos a higiene bucal. O acúmulo de bactérias em estruturas que envolvem os dentes causa inflamações e aumenta o risco de infecções em todo o corpo. Agora, novos estudos confirmam que cuidar da saúde oral protege contra infarto e derrame. Há quem afirme que a prevenção vai além. Pessoas que escovam mal os dentes e raramente visitam o dentista correm maior risco de cânceres, demência e até de parto prematuro.
O problema começa com o acúmulo de bactérias ao redor dos dentes, formando placas que atacam as gengivas e outras estruturas.
Aos poucos, os germes invadem tecidos e produzem substâncias tóxicas que inflamam as gengivas (gengivite), e alguns chegam à corrente sangüínea. Daí pegam carona para o coração e outros órgãos. Em casos graves (periodontites), os tecidos de suporte são afetados — com destruição de colágeno e de ligamentos — , responsáveis por manter os dentes nos ossos. De 7% a 15% da população mundial sofrem desse mal.

— Mais pesquisas sugerem associação entre infecções orais e doenças sistêmicas — diz a dentista americana Sally Cram.
Um exemplo é o estudo da Universidade de Bristol, de Howard Jenkinson. Na reunião da Sociedade Geral de Microbiologia, ele disse que centenas de cepas de bactérias vivem na boca e algumas entram no sangue. Isso pode causar problema cardíaco, mesmo em saudáveis. Elas produzem agrupamento de plaquetas, formando escudo contra o sistema imunológico e antibióticos.

Sem tratamento, risco de parto prematuro aumenta

Maurizio Tonetti, chefe da Divisão de Periodontologia da Universidade de Connecticut, investigou se um tratamento para anular a produção de bactérias e toxinas da boca seria benéfico em pacientes com aterosclerose.
Os resultados foram animadores. Em artigo na revista “New England Journal of Medicine”, ele mostrou que indivíduos submetidos por seis meses a intenso tratamento de doença das gengivas não apenas se livraram desse mal, mas melhoraram a função do endotélio (a camada interna dos vasos).
E pesquisa na Grã-Bretanha, com 366 gestantes, publicada no “Journal of Periodontology”, indicou que o tratamento de infecção de tecidos da gengiva reduziu o índice de nascimentos prematuros em 84%. Segundo os autores, essa doença eleva a produção de prostaglandina, substância que pode induzir ao parto. As grávidas que receberam cuidados dentários antes da 35ª semana tiveram menor chance de dar à luz antes da hora. Em outro trabalho, na revista “The Lancet Oncology”, autores associaram doenças das gengivas a maior chance de tumores de pulmão, fígado, rim e pâncreas, além de Alzheimer.
Porém não souberam explicar essa relação.

— Dados apontam risco adicional de até 2,8 para infarto em pessoas com periodontites.

Já encontraram traços de bactérias das gengivas em placa ateromatosa retirada em cirurgias. A forte resposta imune estimulada por periodontites parece ser o principal mecanismo na relação com doenças sistêmicas, como diabetes, artrite, a doença pulmonar obstrutiva crônica, úlceras, pneumonias, além de indução a parto prematuro e problema cardiovascular — diz Luciano Oliveira, doutorando em periodontia pela Uerj e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Mau hálito, retração e sangramento gengival podem ser os primeiros sinais, explica a dentista Cristiane Vivacqua. Ela diz que pessoas com gengivas doentes são duas vezes mais susceptíveis a queixas cardíacas.

— Doença periodontal pode piorar males cardíacos já existentes. Às vezes é necessária a profilaxia antes de tratamentos dentários, como uso de antibióticos. Isso é avaliado pelo dentista e médico — alerta.
Já a dentista Flávia Rabello de Mattos, especialista em implantes, lembra que diabetes, síndrome de Down, doença de Crohn e Aids favorecem a periodontite: — Habitualmente, doença da gengiva não causa dor, até que dentes se afrouxem ao mastigar ou se forme abcesso. Em fumantes, sinais iniciais são mascarados e eles só percebem o problema quando a perda óssea é grave. Sem tratamento, a perda óssea poderá ser de 1mm/ano.

* Com ‘The Washington Post’ e agências de notícias Existem cerca de 700 cepas de diferentes bactérias (como estafilococo e estreptococo) em uma boca saudável, metade ainda não classificada. Em agosto foi descoberta uma nova espécie, Prevotella histicola, que pode estar relacionada a cáries e doenças da gengiva. Se as bactérias entrarem na corrente sangüínea, podem causar problemas cardíacos e até derrame, mesmo que a pessoa esteja em boa forma física.

Há cerca de cem milhões de bactérias em cada mililítro de saliva. Vírus, fungos e protozoários também vivem na boca. Segundo cientistas, microorganismos procedentes de gengivas infectadas interagem com as plaquetas (elas participam do processo de coagulação, evitando hemorragias) provocando a inflamação das artérias, levando a seu estreitamento.

As bactérias também se unem aos depósitos de gorduras presentes nas artérias, o que pode facilitar a formação de coágulos. Outra explicação é que, ao se movimentar pelo corpo por meio do sangue, a bactéria estimula o sistema imunológico, causando inflamações que entopem as artérias.

Estudos americanos dizem que doenças das gengivas e outras infecções na boca estão associadas à maior incidência de câncer de pulmão, de sangue e de rim, além de pancreatites.

Exame da saliva ajuda a prevenir perda de dentes


Alteração no fluido pode ser sinal de doença, mas dentistas ignoram avaliação

Prestar atenção na saliva ajuda a melhorar a qualidade de vida já que o fluido pode revelar alterações no organismo. No entanto, estudo coordenado pela dentista Denise Falcão, do Departamento de Odontologia da Universidade de Brasília (UnB), diz que apenas 7% dos dentistas costumam fazer o exame, que é simples. E pelo menos 69% dos profissionais entrevistados disseram não ter assistido à aula sobre saliva em cursos de especialização e/ou mestrado.
A saliva desempenha funções no equilíbrio da orofaringe. A falta desse fluido torna o pH bucal ácido e favorece a cárie.
Além disso, a saliva contém uma substância que estimula a cicatrização da mucosa bucal e do esôfago. Portanto, sua deficiência predispõe a esofagites e aftas.

— Em outro estudo na UnB, vimos que a pessoa com saliva viscosa tem mais chances de sofrer mau hálito. Verificamos que portadores de doença periodontal costumam apresentar pH alcalino e saliva viscosa — disse Denise. — Não há como estabelecer relação de causa/efeito, mas as alterações dos padrões da saliva são indicadores de riscos para doenças.
Ela cita, por exemplo, a doença autoimune síndrome de Sjögren, que se caracteriza pela redução de saliva e lágrimas, entre outros sintomas. Geralmente é diagnosticada após anos, o que compromete muito a saúde. Entretanto, se o exame da saliva fosse feito rotineiramente, a doença seria detectada precocemente.

— Outro exemplo é que a saliva muito fluida e/ou a falta de saliva pode ser uma das causas de ardência bucal, situação muito comum principalmente nas mulheres na pós-menopausa, e isso costuma causa depressão. Mudança na coloração pode indicar descamação excessiva da mucosa, inflamações e infecções — alerta Denise.
Até mesmo o sono é ruim quando há pouca saliva. Isso porque a pessoa tende a se levantar com freqüência para beber água.
Outros problemas são a maior chance de ter aftas e outras lesões em mucosa da boca; menor fixação de restaurações dentárias, alteração de paladar e até dificuldade para falar. Segundo Denise, o teste — mostra a quantidade, a cor, a viscosidade e o pH — dura 30 minutos e deve ser feito uma vez ao ano, ou a critério do dentista. A coleta e a seqüência de avaliação deverá ser repetida em um outro dia e no mesmo horário para verificar a média dos valores.

— Carregada de imunoglobulinas ou anticorpos, a saliva tem participação decisiva em algumas doenças — diz o dentista Luciano Oliveira. — Embora seja um bom método auxiliar de diagnóstico, é pouco difundido em consultórios.
A dentista Flávia Rabello afirma que o aumento da produção de saliva, quando necessário, poderá ser conseguido com técnicas para estimulação e uso de medicamentos.
Há ainda a possibilidade de receitar substitutos desse fluido.
Outro estudo na UnB investiga a possibilidade de usar células-tronco na regeneração de tecidos com infecções bacterianas.
E cientistas do King’s College, de Londres, tentam produzir dentes a partir de células-tronco e realizaram pesquisas em camundongos. As células seriam programadas para se transformar em dentes e depois transplantadas para a mandíbula.

22/08/2008 - 13:05h Novo “antibiótico” trata doença sem matar bactéria

A imagem “http://www.saudeemmovimento.com.br/reportagem/imagens/bacterias.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

 

Brasileira nos EUA é co-autora de descoberta

 

 

IGOR ZOLNERKEVIC – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Uma equipe de 15 pesquisadores publica hoje na revista “Science” a descoberta do que promete ser um tipo revolucionário de “antibiótico”. Entre aspas, porque, a rigor, a substância é um antiinfectivo.

“O nosso “antibiótico” não é tóxico para a bactéria”, explica uma das autoras do estudo, a brasileira Vanessa Sperandio, da Universidade do Texas (EUA). Em vez de envenenar bactérias, como todo antibiótico faz, as moléculas do estudo grudam na superfície delas, evitando que percebam que estão dentro de um organismo e que está na hora de atacá-lo.

Algumas bactérias são como cães; atacam quando “farejam o medo”. Elas percebem que estão dentro do corpo de um hospedeiro quando sentem a presença dos hormônios responsáveis pelo estresse, a adrenalina e a noradrenalina, que também controlam a imunidade.

“Já ouviu falar que quando estamos estressados é mais fácil ficarmos doentes? Quanto mais adrenalina e noradrenalina no corpo, mais rápido a bactéria produz suas toxinas ou penetra as células”, diz Sperandio. “Se a bactéria não sente os hormônios, o sistema imunológico consegue se livrar dela tranqüilamente.”

Esse “farejador de hormônios” existe em pelo menos 25 bactérias que atacam humanos. “São todas as bactérias que causam diarréias sanguinolentas”, explica Sperandio.

Ela investiga o mecanismo do “olfato” dessas bactérias desde 1997. Em 2003, Sperandio e seus colaboradores notaram que era possível “entupir o nariz” dos microrganismos com uma molécula apropriada.

Depois de três anos analisando 150 mil moléculas, uma por uma, encontraram a molécula chamada de LED209 -que “enganou” três espécies em laboratório. “Também conseguimos tratar animais -coelhos e camundongos- infectados com pelo menos duas das bactérias que estudamos”, diz.

O fato da LED209 impedir as bactérias de provocarem doenças sem eliminá-las é “um marco importantíssimo”, comenta a microbióloga Roxane Piazza, do Instituto Butantan.

Resistência

Segundo Sperandio, as bactérias resistem hoje a quase todos os antibióticos que existem. Isso por causa da maneira como agem esses remédios. “Suponha que um antibiótico mate 10 bilhões de bactérias do seu corpo, mas dez delas sobrevivam. Essas bactérias resistentes serão a maioria na próxima geração”, explica Sperandio.

“Passamos 40 anos sem fazer progresso em pesquisa de antibióticos, até concluirmos que precisamos usar mecanismos de ação diferentes.”

O LED209 também anima os pesquisadores porque não é tóxico às células de mamíferos. “É promissora para se usar em humanos”, diz Piazza. Ainda falta muito o que fazer, porém, para chegar a um novo remédio. Espera-se obter uma droga segura para testes clínicos em cinco anos. “Aí tem de vir uma indústria farmacêutica grande para tomar o projeto e levar para frente”, diz a brasileira.

09/08/2008 - 08:09h Anvisa dá alerta sobre bactéria hospitalar

Para a agência, país vive epidemia de infecção por micobactéria; médicos sugerem adiar intervenção que não seja urgente

Desde 2003, foram registrados 2.102 casos em 14 Estados; doença afeta cicatrização de feridas e causa perda de tecidos

uti.jpg

CLÁUDIA COLLUCCI – Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ontem que o país vive uma “emergência epidemiológica” causada por uma bactéria presente em equipamentos de cirurgia -chamada micobactéria. Há ao menos duas hipóteses para explicar os surtos dessas infecções: sujeira dos aparelhos e resistência da bactéria aos produtos de esterilização.

Nos últimos cinco anos, a micobactéria, uma “prima” da tuberculose, fez 2.102 vítimas em 14 Estados brasileiros, a maioria em hospitais privados. Em São Paulo, foram notificados 43 casos -os últimos em 2004. Neste ano, houve 76 novas ocorrências no Distrito Federal, em Goiás e no Rio Grande do Sul. Duas mortes estão sob investigação no Paraná.

Em razão dessas infecções, que causam perdas de tecidos, nódulos e feridas que não cicatrizam, o governo do Espírito Santo decidiu na última terça suspender as lipoaspirações.

Os infectologistas classificam a situação como “grave” e orientam que as pessoas adiem cirurgias eletivas (que podem esperar), como lipoaspiração e implantes de silicone, até que a situação esteja sob controle.

“A nota da Anvisa é positiva porque alerta as pessoas que vão fazer uma cirurgia que não tenha emergência e que possa ser postergada para que aguardem um tempo até a normalização da situação”, diz a infectologista do hospital Sírio Libanês Beatriz Souza Dias.

O infectologista David Uip também avalia que as pessoas devam adiar cirurgias que não tenham urgência. Ele reforça que os órgãos de vigilância precisam explicar as razões que levaram o país a registrar esse alto número de infecções que, na sua avaliação, seriam evitáveis se houvesse um mecanismo de controle eficaz. “Esse é um processo complicado, que envolve perdas e é prolongado.”

Segundo a Anvisa, as infecções estão “fortemente relacionadas às falhas nos processos de limpeza, desinfecção e esterilização de produtos médicos”.

Na maioria dos serviços de saúde investigados pela agência, os instrumentos cirúrgicos foram submetidos somente ao processo de desinfecção, e não à esterilização, como é preconizado na legislação para a eliminação da bactéria.

Ontem, a Anvisa sugeriu, como medida cautelar, que os hospitais deixem de usar um dos produtos mais empregados na esterilização de equipamentos, o Glutaraldeído a 2%.

Resultados preliminares de um estudo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mostraram que uma das cepas da bactéria -M. massiliense- envolvida nos surtos apresentou resistência ao produto mesmo após dez horas de exposição. O produto foi eficaz para combater outras duas cepas.

A orientação da Anvisa é que a esterilização seja feita com outros produtos. Para a agência, as infecções pela micobactéria são uma “doença emergente”, que “não tem registro aqui e nem em outros países”.

Outra medida estudada pela Anvisa é limitar o número de videocirurgias (que usam cânulas e câmeras que adentram o corpo do paciente por meio de buracos na pele) feitas por dia em hospitais e clínicas. A medida seria para garantir que haja tempo suficiente para que os equipamentos cirúrgicos sejam adequadamente esterilizados.

EFEITOS

VÍTIMAS TÊM DE FAZER NOVAS CIRURGIAS PARA CORRIGIR CICATRIZES

Muitas vítimas da micobactéria estão tendo de fazer novas cirurgias para retirar tecidos atingidos ou para corrigir cicatrizes, segundo associações de pacientes. Elas também sofrem com os efeitos colaterais do coquetel de antibióticos. Há casos em que a terapia fracassou e outros em que as vítimas correm risco de amputação de membros, especialmente as que tiveram infecções ósseas. Os sintomas da infecção podem surgir até dois anos após a cirurgia. O Ministério da Saúde fornece os remédios usados contra a infecção.

05/05/2008 - 18:25h Salvem os antibióticos

http://www.braatonbeef.com/images/cow_barn.jpg

Coluna Ciencia em Dia

Folha de S.Paulo

A fundação norte-americana Pew Charitable Trusts é conhecida por apostar fundo na produção de conhecimento e ferramentas de análise para resolver problemas contemporâneos e aperfeiçoar políticas públicas. Na semana passada, publicou um relatório duro da comissão que trabalhou dois anos e meio sobre o sistema industrial de produção de carne (bois, porcos e aves). É de tirar o apetite.

O estudo de 124 páginas recebeu o título de “Pondo a Carne na Mesa” e pode ser baixado da página da Pew na internet (www.pewtrusts.org). Vai direto ao ponto: “O sistema atual para produção de alimentos de origem animal nos Estados Unidos não é sustentável e representa um inaceitável nível de risco para a saúde pública e de dano ao ambiente, assim como traz malefício desnecessário aos animais que criamos para comer”.

O relatório lista “n” fatores em apoio a essa conclusão. Um dos preponderantes, que acabou se tornando muito atual, é a dependência da agropecuária americana dos preços baixos do milho, base da ração usada para o animal ganhar peso em confinamento. A demanda pelo grão para produzir álcool combustível está pulverizando essa fonte barata de proteína, justamente no momento em que o preço do petróleo – de onde saem combustíveis para máquinas e matérias-primas para fertilizantes e defensivos – também bate recordes.

No quesito água, o estudo fornece uma informação preocupante: metade do aqüífero Ogallala já foi exaurida. Com mais de 450 mil quilômetros quadrados, o reservatório debaixo dos Estados de Nebraska, Kansas, Colorado, Oklahoma, Novo México e Texas fornece 20% de toda a água usada em irrigação nos EUA. Não demora em acabar, pois está baixando cerca de um metro por ano.

Chocantes, mesmo, são as conclusões na área dos efeitos sobre a saúde pública. Das 12 recomendações do capítulo, metade diz respeito ao abuso de antibióticos na agropecuária. Além de prevenir e tratar infecções nos animais, antibióticos também são empregados como aditivos na ração, para aumentar o ganho de peso.

Quanto mais se usam antibióticos, em humanos ou animais, pior se torna o problema da resistência. A maior parte das bactérias expostas a esses remédios morre. As poucas que tiverem resistência ao composto, porém, ganham uma enorme vantagem competitiva e se reproduzem rapidamente, passando a infectar os organismos sem que o antibiótico em questão possa eliminá-las. Com o tempo, surgem cepas terríveis de micróbios, que deixam os médicos sem ação.

O relatório diz que o fenômeno da resistência já se tornou “epidêmico”. Propõe, por isso, uma medida radical: banir todo uso não-terapêutico de antibióticos na pecuária. Ou seja, essas drogas só poderiam ser empregadas para tratar animais com infecção ou para prevenir infecções naqueles que comprovadamente tenham sido expostos a elas. Quanto ao uso terapêutico, propõe tornar obrigatória a regra de excluir do tratamento de animais aqueles antibióticos classificados como importantes para a saúde humana.

A Suécia baniu os antibióticos não-terapêuticos em 1986. A Dinamarca, em 1998. A União Européia, em 2006. Como resultado, vem diminuindo o reservatório de genes para resistência que poderia armar os germes capazes de atacar humanos (bactérias trocam material genético a torto e a direito).

E você, já ingeriu a sua ração diária de antibióticos?

Escrito por Marcelo Leite

11/04/2008 - 13:36h CULTURA E REALIDADE BRASILEIRA: PALESTRA ABORDOU ADITIVOS ALIMENTARES

Indicado a este blog por um leitor, reproduzimos a entrevista sobre corantes do Dr. Márcio Bontempo.

Autor de diversos livros sobre alimentação e saúde, o médico Márcio Bontempo ..proferiu, em 28 de junho, a palestra de encerramento da disciplina “Cultura e Realidade Brasileira”, do curso de Pedagogia-Gestão Escolar. A principal questão tratada na palestra foi o papel do administrador escolar em relação à cantina do estabelecimento de ensino, tendo em vista os produtos lá comercializados. Foram comentados também assuntos ligados ao uso de aditivos químicos nos alimentos, ao consumo de carnes e derivados e ao vegetarianismo.

A principal preocupação do professor Amilton de Souza Rocha foi levar os alunos, futuros administradores escolares, a uma reflexão crítica e à tomada de consciência sobre a questão dos alimentos fornecidos na escola, alertando-os para a necessidade de um monitoramento de todos os produtos que chegam à cantina e o que se deve fazer para minimizar os problemas advindos do consumo de alimentos com aditivos químicos. O alerta é feito, sobretudo, tendo em vista a falta de consciência da população adulta quanto à escolha dos alimentos e às conseqüências desse comportamento para crianças e adolescentes, alunos do ensino fundamental e médio.

Por isso, para este evento, foi escolhido um profissional da área médica que, em várias publicações, vem tratando da relação entre a má alimentação e a manifestação de doenças. Para o doutor Bontempo, o problema das patologias que afligem a população tem sido, quase sempre, discutido como fato isolado, ignorando a sua relação com a educação alimentar. O médico considera que os problemas de saúde devem ser tratados em conjunto com o restante das questões humanas, econômicas e sociais.

Entrevista

O doutor Márcio Bontempo, em entrevista à redação do Informação Superior, opinou sobre alimentação, aditivos alimentares e doenças e sobre o papel do administrador escolar na oferta de alimentação aos alunos.

1) IS: O que são aditivos químicos alimentares?
Márcio Bontempo: São substâncias químicas criadas pela indústria dos alimentos, incorporadas aos produtos alimentícios, visando geralmente à conservação, mudança ou estabilização da cor. É sabido que 91% dos corantes e aromatizantes utilizados pela indústria dos alimentos são supérfluos. Temos, assim, 9% de elementos essenciais. Fala-se que os aditivos são importantes e necessários, mas sabemos que não é assim. Eles são perigosos, penetram no âmago celular e hoje representam um perigo para a manutenção da saúde genética da humanidade.

2) IS: Qual é a origem dos aditivos alimentares?
MB: A maior parte dos aditivos principais (corantes e aromatizantes) provém do alcatrão e da ulha, derivados do petróleo, mas existem também os antibióticos e os naturais, de origem vegetal.

3) Como o consumidor pode fugir desses produtos?
MB: Não é difícil. Deve-se consumir frutas, legumes, cereais integrais e compostos mais naturais e evitar alimentos industrializados. As pessoas vêm usando cada vez mais produtos sintéticos e o problema é que se acostumaram a usar itens artificiais, a consumir fast food, alimentos imediatos, de rápido preparo, coisas que tornam artificial a alimentação.

4) Como o administrador escolar pode monitorar esse tipo de comercialização?
MB: Ele pode fazer isso por meio da cantina da escola, munindo-se de muita paciência e procurando ter o máximo de consciência em relação ao que é oferecido. O trabalho e a abordagem, quanto à conscientização, variam de acordo com a faixa etária dos alunos. O administrador escolar pode trabalhar junto à cantina escolar, oferecendo alimentos mais naturais. Não é preciso ter guloseimas coloridas, iogurtes e outros itens ricos em açúcar, corantes, aromatizantes, substâncias perigosas. Isso não é necessário, são coisas muito supérfluas. As crianças na cantina escolar compram geralmente itens supérfluos e o administrador deve saber que elas consomem esses produtos antes das refeições e, quando chegam em casa, comem pouco e absorvem quantidades de nutrientes muito aquém das necessidades, o que é um problema. O administrador escolar tem que formar essa consciência na escola que ele administra. São questões amplas e o bom gestor, interessado em conhecer o assunto, vai cumprir uma função muito maior porque, além de sua função pedagógica, estará também ensinando saúde. E isso é muito importante.

16/01/2008 - 08:16h Bactéria ataca comunidade gay nos EUA



Estudo sobre nova linhagem de micróbio resistente a antibióticos aponta núcleo de surto em bairro de San Francisco

Patógeno, comum em infecção hospitalar, cresce no ambiente exterior; risco para homossexual aumenta 13 vezes, diz pesquisador

DA REPORTAGEM LOCAL

Uma linhagem de bactéria potencialmente letal -e resistente a antibióticos- atravessou as fronteiras de hospitais nos EUA e está sendo transmitida entre homens gays pelo sexo, afirma estudo publicado anteontem. Os autores da pesquisa dizem que o patógeno conhecido como Sarm (Staphylococcus aureus resistente à meticilina), em geral restrito a casos de infecção hospitalar, está começando a aparecer fora dos ambientes clínicos em San Francisco e Boston.

(mais…)

19/10/2007 - 13:09h Bacteria responsible for more deaths in the United States each year than AIDS.

Schools in Several States Report Staph Infections, and Deaths Raise the Alarm

Bill Crandall for The New York Times

The nurse, Jenny Jones, and the principal, William Gregory, at a Maryland high school where there were staph infections.

By IAN URBINA

 

The New York Times

SANDY SPRING, Md., Oct. 18 — When the football players here at Sherwood High School were not getting the message about washing their uniforms and using only their own jerseys, the school nurse paid a surprise visit to the locker room. She brought along a baseball bat.

“Don’t make me use this,” the nurse, Jenny Jones, said, pointing out that seven players on the team had already contracted a deadly drug-resistant strain of bacteria this year. “Start washing your hands,” she said. “I mean it.”

School officials around the country have been scrambling this week to scrub locker rooms, reassure parents and impress upon students the importance of good hygiene. The heightened alarm comes in response to a federal report indicating that the bacteria, methicillin-resistant Staphylococcus aureus, or MRSA, are responsible for more deaths in the United States each year than AIDS.

MRSA (pronounced MEER-suh) is a strain of staph bacteria that does not respond to penicillin or related antibiotics, though it can be treated with other drugs. The infection can be spread by sharing items, like a towel or a piece of sports equipment that has been used by an infected person, or through skin-to-skin contact with an open wound.

On Wednesday and Thursday, scores of schools were closed and events were canceled in Connecticut, Maryland, North Carolina, Ohio and Virginia as cleaning crews disinfected buses, lockers and classrooms. More closings are planned on Friday.

School officials in Mississippi, New Hampshire and Virginia reported student deaths within the past two weeks from the bacteria, while officials in at least four other states reported cases of students being infected.

The federal report, written by doctors at the Centers for Disease Control and Prevention, found that nearly 19,000 people had died in the United States in 2005 after an invasive MRSA infection. The study also suggested that such infections might be twice as common as previously thought.

This week, health officials began reporting a growing number of cases in schools, gyms and day care centers, and not just in nursing homes and hospitals, as has often been the case in the past.

Nicole Coffin, a spokeswoman at the centers, said that while the results of the study are striking, it is important to realize that about 85 percent of the infections reported from the bacteria were in health care settings.

“MRSA in the community is typically a mild skin infection that rarely becomes life-threatening,” she said, adding that even when it does become more severe, the death rates for this type of infection are low.

Here in Sandy Spring, students seem to be getting the message that they need to take extra care.

“I think they’re taking it seriously now,” William Gregory, the principal at Sherwood High School, said of members of the football team. “She is pretty emphatic,” he said, pointing to Ms. Jones. “But the students are also seeing the reports of deaths, and that has reminded them.”

He added that as he visits locker rooms now, the tell-tale stench is gone from athletes’ uniforms, and students are calling him and the nurse diligently when cuts do not seem to be healing.

Elsewhere in the state, more than two dozen staph infections have been reported by four Anne Arundel County high schools over the past three weeks. County officials sent letters to parents explaining that crews have been scrubbing schools with hospital-grade disinfectant.

Ashton Bonds was one of the rare cases of a death from MRSA contracted outside a health care facility. Mr. Bonds, a 17-year-old football player from Staunton River High School in Moneta, Va., died Monday from the bacteria.

“He put up a fight,” said Veronica Bonds, Ashton’s mother. “He was strong. I just think he was just tired, too.”

In response to the death, students throughout the county protested what they called unsanitary conditions in their school buildings.

Although school officials have observed that the bacteria mostly affect student athletes, cases have been reported in children of elementary school age as well.

“I worry about her getting sick anyway, but I don’t want her to catch something that will make her very, very ill,” said Kelli Stammen about her 2-year-old daughter, who attends city-sponsored recreation and library classes in Grove City, Ohio, where a 17-year-old high school student was put in intensive care unit in September with a staph infection.

The C.D.C. study found that 27 percent of all invasive MRSA infections originated in hospitals, while 58 percent began outside of a hospital but in patients with some recent exposure to the health care system.

The remaining 15 percent of invasive MRSA cases originated in the community without any apparent health care risk factor.

Bob Driehaus contributed reporting from Cincinnati.

17/10/2007 - 13:33h Deadly Bacteria Found to Be More Common

Published: October 17, 2007

ATLANTA, Oct. 16 — Nearly 19,000 people died in the United States in 2005 after being infected with virulent drug-resistant bacteria that have spread rampantly through hospitals and nursing homes, according to the most thorough study of the disease’s prevalence ever conducted.


Ann Johansson for The New York Times
Dr. Elizabeth Bancroft called the findings “astounding.”

 

The government study, which is being published Wednesday in The Journal of the American Medical Association, suggests that such infections may be twice as common as previously thought, according to its lead author, Dr. R. Monina Klevens.

If the mortality estimates are correct, the number of deaths associated with the germ, methicillin-resistant Staphylococcus aureus, or MRSA, would exceed those attributed to H.I.V.-AIDS, Parkinson’s disease, emphysema or homicide each year.

By extrapolating data collected in nine places, the researchers estimated that 94,360 patients developed an invasive infection from the pathogen in 2005 and that nearly one of every five, or 18,650 of them, died. The study points out that it is not always possible to determine whether a death is caused by MRSA or merely accelerated by it.

The authors, who work for the Centers for Disease Control and Prevention, cautioned that their methodology differed significantly from previous studies and that direct comparisons were therefore risky. But they said they were surprised by the prevalence of serious infections, which they calculated as 32 cases per 100,000 people.

In an accompanying editorial in the medical journal, Dr. Elizabeth A. Bancroft, an epidemiologist with the Los Angeles County Department of Public Health, characterized that finding as “astounding.”

The prevalence of invasive MRSA — when the bacteria has not merely colonized on the skin, but has attacked a normally sterile part of the body, like the organs — is greater, Dr. Bancroft wrote, than the combined rates for other conditions caused by invasive bacteria, including bloodstream infections, meningitis and flesh-eating disease.

The study also concluded that 85 percent of invasive MRSA infections are associated with health care treatment. Previous research had indicated that many hospitals and long-term care centers had become breeding grounds for MRSA because bacteria could be transported from patient to patient by doctors, nurses and unsterilized equipment.

“This confirms in a very rigorous way that this is a huge health problem,” said Dr. John A. Jernigan, the deputy chief of prevention and response in the division of healthcare quality promotion at the disease control agency. “And it drives home that what we do in health care will have a lot to do with how we control it.”

The findings are likely to stimulate further an already active debate about whether hospitals and other medical centers should test all patients for MRSA upon admission. Some hospitals have had notable success in reducing their infection rates by isolating infected patients and then taking extra precautions, like requiring workers to wear gloves and gowns for every contact.

But other research has suggested that such techniques may be excessive, and may have the unintended consequence of diminishing medical care for quarantined patients. The disease control agency, in guidelines released last year, recommended that hospitals try to reduce infection rates by first improving hygiene and resort to screening high-risk patients only if other methods fail.

Dr. Lance R. Peterson, an epidemiologist with Evanston Northwestern Healthcare, said his hospital system in the Chicago area reduced its rate of invasive MRSA infections by 60 percent after it began screening all patients in 2005.

“This study puts more onus on organizations that don’t do active surveillance to demonstrate that they’re reducing their MRSA infections,” Dr. Peterson said. “Other things can work, but nothing else has been demonstrated to have this kind of impact. MRSA is theoretically a totally preventable disease.”

Numerous studies have shown that busy hospital workers disregard basic standards of hand-washing more than half the time. This week, Consumers Union, the nonprofit publisher of Consumer Reports, called for hospitals to begin publishing their compliance rates for hand-washing.

Lisa A. McGiffert, manager of the “Stop Hospital Infections” campaign at Consumers Union, said, “This study just accentuates that the hospital is ground zero, that this is where dangerous infections are occurring that are killing people every day.”

MRSA, which was first isolated in the United States in 1968, causes 10 percent to 20 percent of all infections acquired in health care settings, according to the disease control agency. Resistant to a number of front-line antibiotics, it can cause infections of surgical sites, the urinary tract, the bloodstream and lungs. Treatment often involves the intravenous delivery of other drugs, causing health officials to worry that overuse will breed further resistance.

The bacteria can be brought unknowingly into hospitals and nursing homes by patients who show no symptoms, and can be transmitted by contact as casual as the brush of a doctor’s lab coat. Highly opportunistic, they can enter the bloodstream through incisions and wounds and then quickly overwhelm a weakened immune system.

On Monday, a Virginia teenager died after a weeklong hospitalization for an MRSA infection that spread quickly to his kidneys, liver, lungs and the muscle around his heart. Local officials promptly closed 21 schools for a thorough cleaning.

A major difference between the new study and its predecessors is that it compiled confirmed cases of MRSA infection, rather than relying on coded patient records that sometimes lack precision. The study found higher prevalence rates and death rates for the elderly, African-Americans and men. The figures also varied by geography, with Baltimore’s incidence rates far exceeding those of the eight other locations: Connecticut; Atlanta; San Francisco; Denver; Portland, Ore.; Monroe County, N.Y.; Davidson County, Tenn.; and Ramsey County, Minn.

Dr. Klevens said further research would be needed to understand the racial and geographic disparities.