19/10/2009 - 10:20h Dilma vai intensificar campanha no Sudeste

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Eleições: PT está dividido sobre presença da ministra ao lado de Lula no horário gratuito do partido na TV

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

A campanha a presidente da República da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, inicia uma nova etapa nesta semana . Vencida a fase das articulações políticas com os partidos aliados – ela se reúne amanhã com o PP e na quarta-feira com o PMDB -, o PT prepara-se para retomar a agenda de rua da candidata, interrompida após a descoberta do câncer no sistema linfático. As prioridades serão viagens ao Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo – os dois últimos governados pelo PSDB.

O comando de campanha confia na força da transferência de votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste e no êxito da recente viagem da ministra junto com o presidente para visitar as obras de transposição do Rio São Francisco. Por isto, a região – que conta com outro grande colégio eleitoral, a Bahia – estará de fora desta etapa da campanha planejada pela equipe da candidata.

Dilma vai retomar o contato com os movimentos sociais, empresários e segmentos religiosos. No começo do ano, ela chegou a se reunir com alguns setores da sociedade, convocados pelos diretórios estaduais do PT, principalmente o paulista. Mas o diagnóstico da doença e a necessidade de tratamento médico forçou a interrupção da agenda política e administrativa da chefe da Casa Civil.

O período coincidiu com a estagnação de Dilma nas pesquisas de intenção de voto, o que obrigou o PT a rever as estimativas eleitorais. No início de 2009, a expectativa no partido era de que a candidata chegasse ao fim do ano com 30% de intenção de voto nas pesquisas. Agora, o PT trabalha com a possibilidade de que ela chegue aos 20% em junho do ano que vem, quando começa oficialmente a campanha.

Alguns personagens serão fundamentais nesta nova etapa da campanha. O secretário pessoal do presidente da República, Gilberto Carvalho, retomou os contatos de Dilma com a Igreja Católica, mas outros grupos religiosos também serão procurados, embora já tenham tido reuniões sucessivas com a ministra há poucas semanas, em São Paulo.

Presente nos encontros da ministra com os partidos, o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) será fundamental no diálogo com os empresários, embora Dilma tenha um bom trânsito nesta área, fortalecido pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelo pré-sal. Outro que está em alta no staff político da campanha é o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que cuida da articulação de Dilma com prefeitos de diversas legendas da base aliada – em novembro, ela tem um encontro marcado com os prefeitos e vice-prefeitos do PT, previsto para acontecer em Guarulhos (SP).

O PT quer mostrar que Dilma tem habilidade política compatível com sua capacidade administrativa. Sua atuação à frente da Casa Civil – incluindo o PAC, o programa Minha Casa Minha Vida e o pré-sal – será utilizada à exaustão na campanha. Resta agora consolidar o papel de articuladora que começou a exercer nas conversas com os partidos aliados.

De acordo com um dos principais interlocutores de Dilma, essas conversas foram além do esperado. A chefe da Casa Civil encontrou-se com o PR, o PRB, o PCdoB, o PDT – todos indicando que devem apoiar a candidata em 2010. Espera-se que, na quarta-feira, seja selada a aliança formal e a composição da chapa oficial com o PMDB.

No grupo dos grandes aliados federais, só não foram procurados o PSB – que mantém a intenção de lançar a candidatura do deputado federal Ciro Gomes (CE) a presidente – e o PTB. A bancada parlamentar petebista quer apoiar Dilma, mas o presidente da legenda, Roberto Jefferson, defende o nome do pré-candidato do PSDB, o governador José Serra (SP). A tendência, na avaliação de petistas, é que o PTB não apoie ninguém formalmente.

A única divergência interna no PT é se Dilma será ou não a “grande estrela” do programa partidário, previsto para ir ao ar no fim deste ano. Articuladores próximos da ministra consideram fundamental a repetição da estratégia adotada pelo PSB em relação a Ciro Gomes. Outros aconselham prudência. “Estamos bem, não devemos arrumar complicações jurídicas para o nosso lado”, ponderou um líder petista.

15/10/2009 - 19:21h Marta Suplicy se inspira em Huffington Post para criar seu MPost

Por Guilherme Felitti, do IDG Now!

Blog mais popular do mundo, segundo ranking do Technorati, inspira site com cobertura generalizada e apartidária, promete sexóloga.

A sexóloga e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy lança na próxima segunda-feira (19/10) o MPost, site de conteúdo online inspirado no The Huffington Post, nascido como um blog pelas mãos da empresária Arianna Huffington em 2005.

“Aquilo é jornalismo que interessa na internet. Comecei a pesquisar para ver se havia iniciativa parecida no Brasil. Se não tem, então resolvi fazer”, explica Marta em encontro com a imprensa na qual o IDG Now! esteve presente na tarde desta quinta-feira (15/10).

Construído na plataforma para redes sociais Ning, o MPost inicialmente terá foco livre para cobertura de notícias e misturará tanto referências a conteúdos alheios como colunas e blogs publicados por colaboradores – todos amigos seus, afirma Marta.

A publicação eletrônica terá um conselho, formado pelo diretor de programação da Rede Globo Antônio Zimmerle, pelo economista e ex-Ministro da Fazenda Antônio Palocci e pelo escritor Marcelo Carneiro da Cunha, além da própria Marta.

Além dos blogueiros e colunistas convidados, o MPost, segundo Marta, incentivará que leitores enviem conteúdos, como fotos, textos e vídeos, com comentários ou notícias acontecendo naquele momento. No caso do recente incêndio na favela Diogo Pires, em São Paulo, envolvidos na tragédia, como moradores ou policiais, poderiam enviar relatos para o site, segundo ela.

Ainda que tenha sido criado e custeado pela sexóloga, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1983, o MPost, defende ela, terá cobertura apartidária e pretende “abrir um diálogo permanente” com a sociedade e “acelerar a capacidade de multiplicação de notícias pluralistas”.

“Vamos agregando colaboradores. Ainda está tudo em construção. Só não colocaremos o óbvio de sempre, como (conteúdo que incite) racismo, xingamentos e outros crimes”, afirma. O site, no entanto, terá posicionamento. “Claro (que terá posição política). Todo jornal tem posição. Mas vamos abrigar pessoas que pensem diferente de mim”.

Criado em maio de 2005 por parceria entre Arianna e os empresários Jonah Peretti e Kenneth Lerrer, o The Huffington Post passou de repositório de colunistas e agregador de blogs liberais para uma cobertura mais ampla que ultrapassava apenas política.

Nomes como Barack Obama, Norman Mailer, Hillary Clinton e Larry David já contribuíram para o portal, que começou a apostar em jornalismo regional no segundo semestre de 2008 com versões locais do portal para as cidades de Chicago, Nova York e Denver.

Segundo o CrunchBase, o The Huffington Post soma 37 milhões de dólares após três investimentos. De acordo com o ranking do buscador de blogs Technorati, o blog que leva o nome de Arianna é líder em popularidade online, com autoridade de 947. Segundo colocado, o Gizmodo, blog de gadgets do conglomerado Gawker, tem autoridade 895, segundo o serviço.

30/09/2009 - 13:04h A chance de Palocci

Rosângela Bittar – VALOR


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Certos de que foram os políticos paulistas do partido que mais perderam história e lastro eleitoral com os principais escândalos de corrupção do governo Lula, o PT repassa em análise nome por nome, perfil por perfil, biografia por biografia dos deputados, senadores, prefeitos e integrantes da sua caciquia partidária para definir, ainda este ano, um nome que possa ser lançado, sem riscos de vexame, à disputa do governo do Estado. Por incrível que possa parecer a analistas de perspectivas eleitorais, ainda é o deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci quem reúne maior densidade para enfrentar uma campanha, com chances, entre todos os do elenco petista.

Uma razão, a mais importante, para isto é que a ele podem ser atribuídos os resultados importantes colhidos agora na economia, mas plantados nos anos em que esteve à frente do Ministério da Fazenda.

É inegável a força negativa que ainda emana do episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, e nada indica ainda que o eleitorado paulista vá desprezar esta suspeita na hora de decidir seu voto. Porém, os analistas do PT creem que há muito o que fazer ainda para neutralizar a enraizada impressão de envolvimento do deputado Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, no episódio.

Primeiro, serão feitas pesquisas bem formuladas para detectar regiões, faixas etárias e nível social e de escolaridade do eleitor suscetível a definir seu voto com base neste caso. Segundo, acredita o PT que o partido terá, na absolvição obtida pelo ex-ministro no Supremo Tribunal Federal, um trunfo importante a contrapor às acusações que surgirão nos palanques da campanha. Terceiro, e é aqui que está a esperança dos que apostam nesta solução, há o sucesso da política econômica.

O Brasil foi o primeiro a sair da crise mundial porque foi muito bem preparado para o momento difícil, e quem preparou o país, contra tudo e contra todos, inclusive contra o PT e seus economistas que pressionavam o presidente Lula a mudar a política desde o início, foi Antonio Palocci.

Segundo avaliações do PT, a campanha para o governo de São Paulo será dura para o partido, principalmente se o deputado Ciro Gomes não for mesmo candidato no Estado como gostaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Estado de São Paulo é conservador, a candidatura do PSDB, se for mesmo Geraldo Alckmin, é uma candidatura forte, o eleitorado não muda sua opção assim, por nada, estando satisfeito com o desempenho do partido que está no poder. “Não tem sentido pensar que o povo vai trocar o governo se o PSDB está bem, não temos dados para imaginar isto”, diz um dos mais atuantes petistas da bancada de São Paulo.

Por outro lado, o PT tem dificuldades significativas em São Paulo, o Estado em que os políticos do partido mais perderam com as sucessivas crises políticas que viveu desde que chegou ao poder: José Genoino, João Paulo Cunha, Luizinho, Antonio Palocci, José Dirceu, José Mentor, foram todos afetados por diferentes episódios escandalosos. Genoino, João Paulo, Palocci e Mentor se reelegeram deputados; Marta Suplicy, após duas derrotas consecutivas para cargo majoritário, realizou o extraordinário feito de eleger uma bancada dela, pessoal, com base de votos na periferia, levando ao plenário da Câmara, além do já citado Mentor, Candido Vaccarezza, Jilmar Tatto, Carlos Zarattini e Devanir Ribeiro.

Candidatar-se em 2010 ao governo do Estado seria, para Marta, enfrentar o risco de perder de novo. Por isso, no momento, o que se considera para ela é uma candidatura a deputada federal. “Ela viria arejada para voltar em 2012″, diz um dos seus conselheiros.

O PT se convenceu de que só ganhou com Luiza Erundina porque ela venceu no turno único, e que Marta venceu para a prefeitura porque no segundo turno foi apoiada por Mário Covas. Portanto, o PT é forte no Estado mas não o é se estiver sozinho. E já foi muito ter obtido a recuperação, ainda que parcial, da imagem de um grande número de parlamentares. Saia quem sair candidato, Palocci ou Emídio de Souza, por exemplo, vai precisar de amplo apoio e alianças.

Análises em poder do PT mostram que o eleitor do Estado é conservador e tem receio de fazer mudanças bruscas. Não abandonará o PSDB facilmente. Por isso a maioria no PT está defendendo a ampliação das alianças, acenando para o centro.

“Nós, sozinhos, não conseguiremos ganhar nem a prefeitura nem o Estado. Além do PCdoB, do PSB e do PDT, temos que acenar para o centro”, diz um dos envolvidos nas negociações para o lançamento do candidato próprio. Ele próprio pergunta e responde quem é o centro em São Paulo: o PMDB. “O problema não é o voto, é a imagem, a simbologia, o tempo de televisão”.

Todo este quadro que se descortina do ponto de vista petista é um quadro de abertura, em que cabem até Ciro Gomes como candidato, Marta Suplicy apesar da preferência pelo lançamento a deputada federal, Emídio Gomes, uma aposta na renovação. Mas o que ainda cabe melhor no figurino é a silhueta de Palocci. Pelo discurso e pelo amplo espectro do apoio.

O discurso é o do homem que fez a estabilidade e que resistiu, bravamente, dando segurança ao presidente, às pressões petistas pela mudança do modelo. “Se não fosse ele a economia não estaria como está hoje”, reconhece um dos que o criticavam no PT. “Ele botou o pé na porta nos momentos cruciais, aumentou juros quando foi necessário, apostou no mercado interno, reduziu a dependência externa. É seu o mérito da política econômica.

Palocci, mostram as pesquisas, tem apoio numa ampla faixa de opinião pública, da classe média empresarial. E tem também, com a sentença de absolvição do STF, como enfrentar o discurso de campanha que o acusará da quebra de sigilo. A classe mais elitizada gosta também de sua ponderação, equilíbrio e da maneira cautelosa com que vem se conduzindo até agora. Não vai ser fácil, mas impossível não é. O PT considera seriamente seu nome.


Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail: rosangela.bittar@valor.com.br

09/09/2009 - 12:40h Marco regulatório do pré-sal: Temer tenta acordo para retirar urgência

Em troca, regras do pré-sal terão calendário de votação

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Denise Madueño – O Estado SP

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai tentar um acordo entre o governo e a oposição para a retirada do regime de urgência na tramitação das propostas dos projetos do marco regulatório do pré-sal, imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em troca de fixar um calendário para a votação das propostas. A alternativa que será discutida hoje prevê a conclusão da votação pela Câmara em um prazo próximo de 60 dias. No regime de urgência, o prazo é de 45 dias.

“Vou tentar um caminho que pode suspender a obstrução”, afirmou Temer. “Vou conversar com os líderes do governo e com os líderes da oposição. Se houver acordo, ele será cumprido e eu serei o fiador.” Temer lembrou que a retirada do regime de urgência depende de Lula, que, na semana passada, resistiu a um apelo nesse sentido feito pelo presidente da Câmara. A intenção é facilitar as votações na Casa que vêm sendo obstruídas pelos partidos de oposição – DEM, PPS e PSDB. Os projetos chegaram à Câmara na semana passada, mas, até agora, a discussão tem sido centrada na tramitação das propostas.

O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), avaliou que o fato de o debate estar na urgência da tramitação é um fator político que deve ser encarado pelo governo dessa forma. “Se interessar politicamente ao governo dar vitória à oposição nesse caso, o governo vai retirar a urgência e fixar um calendário.” Ele argumentou que a falta de quórum na sessão de ontem, que impediu a votação de medidas provisórias, não altera a disposição do governo. E lembrou que houve problemas nos aeroportos por causa do mau tempo, o que impediu a chegada de parlamentares.

RELATORES

Os líderes dos partidos acertaram ontem com Temer a divisão dos cargos de comando nas comissões que avaliarão os projetos. Um grupo de elite, formado por líderes, um ex-ministro e um ex-presidente da Casa, foi escalado. Temer convidou Arnaldo Jardim (PPS-SP), da oposição, para completar o quadro. Entre os nomes, não há nenhum deputado do Rio ou Espírito Santo, Estados cujos governadores, Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e Paulo Hartung (PMDB-ES), pressionam para manter a divisão dos royalties.

Uma das preocupações de Temer era evitar uma disputa entre Estados produtores e não produtores. Pelo acerto, o projeto que estabelece o regime de partilha será relatado pelo líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), na comissão que será presidida por Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara e ex-líder do PT.

O projeto que trata da capitalização da Petrobrás será relatado pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, e a comissão será presidida por Arnaldo Jardim. O relator do projeto que cria o Fundo Social será o deputado João Maia (PR-RN), e a comissão será presidida pelo líder do PSB, Rodrigo Rollemberg (DF).

Para presidir a comissão especial que vai analisar o projeto que cria a Petro-Sal foi escolhido Brizola Neto (PDT-RS). O relator, segundo a liderança do PP, será Luiz Fernando Faria (PP-MG), mas Temer não confirmou esse nome ainda, porque espera a indicação do líder, Mário Negromonte (PP-BA).

O líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC), defendeu a escolha de Jardim. Ele argumentou que o PPS concorda com grande parte das propostas do marco regulatório, mas está em obstrução contra o regime de urgência. “Temos uma certa simpatia ao projeto, por causa do monopólio da Petrobrás”, afirmou ele, que não diverge com o governo quanto à troca da concessão pelo sistema de partilha.

29/07/2009 - 11:37h Os curingas do Palácio

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Rosângela Bittar – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um plano, engendrou a estratégia, bolou a sucessão de procedimentos, colocou tudo em execução sob seu próprio comando e a percepção geral é que atingiu com muita antecedência seus objetivos. A ordem, não explicitada, por desnecessário, está clara: governo e PT, obedeçam, ou saiam de cena. Como ele tem uma popularidade amazônica, instrumentos à mão e ninguém produziu alternativa melhor, os súditos renderam-se às decisões do líder.

A candidata à sucessão presidencial é Dilma Rousseff, portanto uma certeza é que ficará vago o cargo de chefe da Casa Civil da Presidência da República. Também sairá o ministro do Gabinete de Relações Institucionais. E não propriamente dentro da Presidência, mas o cargo político mais importante do governo, sairá o ministro da Justiça. Lula prestará atenção a estes postos, em que se desempenham funções imprescindíveis à formação de uma boa retaguarda, para que possa dedicar-se integralmente à campanha, e o restante do governo seguirá funcionando rotineiramente.

O presidente explicou ao Ministério que precisava lançar a candidatura de Dilma antecipadamente por duas razões. Uma, para ter tempo de colar a candidata às políticas de governo e a si próprio; outra, para reduzir a vantagem inicial do adversário José Serra (PSDB) , com mais de 40% em todas as pesquisas.

A avaliação do presidente é que o objetivo já foi alcançado, e não há nada que exija, no momento, novas antecipações ou açodamento de nenhuma espécie..

Assim, seria cedo, por exemplo, para nomear diretores de campanha, como seus auxiliares pressionam e querem fazer crer que existem; é cedo para definir o novo comando da Casa Civil, que vai controlar o governo enquanto o presidente Lula viaja em campanha Brasil afora; é cedo para definir já o substituto do ministro de relações institucionais que deixará o cargo para integrar-se ao Tribunal de Contas da União; é cedo para a ministra Dilma deixar o governo.

Lula decidiu que ela deve sair no último minuto do último dia de março, limite final para a desincompatibilização. Acredita o presidente que o maior trunfo da candidata é ser a gerente do governo. Sair por aí ao léu, sem estar mais ligada às funções de governo, não lhe renderá os pontos que ganharia na gerência do Executivo, perdendo também o bônus do lançamento antecipado da candidatura.

Com o controle do tempo, o presidente arma opções à sua retaguarda. Para a Casa Civil, namora três nomes da equipe interna: O chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, o ministro da Comunicação, Franklin Martins, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

O ex-ministro Antonio Palocci saiu da lista de alternativas para a Casa Civil e para as Relações Institucionais, pelo menos por enquanto, porque as análises apontam que, mesmo se for inocentado do crime de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, o ex-ministro levaria para perto do presidente da República um problema, recolocando o governo no alvo dos ataques de adversários.

Lula, que vetou a possibilidade de Gilberto Carvalho disputar a presidência do PT, atribuiu-lhe novas tarefas e responsabilidades, e tanto pode ir para a Casa Civil como ficar onde está com as atribuições acumuladas. Gilberto delega a César Alvarez, alto funcionário da Presidência, a responsabilidade de cuidar da agenda presidencial, enquanto desempenha as novas funções de articulação com o Congresso, atuação com prefeitos e governadores, missões especiais junto ao empresariado.

Com Franklin Martins o presidente experimenta o mesmo sistema: as tarefas de Comunicação têm ficado com seus assessores enquanto o ministro tem sido chamado cada vez mais a fazer avaliações políticas, trabalhar as relações do governo com a opinião pública e a assumir atividades de confiança que lhe possibilitam fazer coordenações dentro do governo. Seus pronunciamentos em reuniões de coordenação política e ministeriais são bem recebidos pelo presidente e seus ministros. Pode ser transferido oficialmente a outro cargo.

Um terceiro curinga para a Casa Civil é o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que poderá, também, se lhe for determinado, continuar no Planejamento e não se candidatar a deputado em 2010. Como Carvalho e Franklin, que para ficar na retaguarda do presidente teriam altos funcionários técnicos para tocar a máquina, Paulo Bernardo contaria, no comando do PAC, o principal programa sob a coordenação da Casa civil, a atual responsável, Miriam Belchior, e o braço direito de Dilma, Erenice Guerra. Ambas sabem mais do programa que a titular.

A reorganização está sendo preparada para a Presidência. Com os Ministérios não há preocupação. O ministro da Justiça vai sair em janeiro, e há, sim, a possibilidade de ser feito um convite ao deputado José Eduardo Cardozo para o cargo. O deputado não tem interesse na reeleição para a Câmara, angariou a confiança e simpatia da ministra Dilma e poderá se afastar da disputa pela presidência do PT, deixando o caminho livre para a eleição de quem Lula quer ver no cargo, José Eduardo Dutra. Seria também, um ministeriável do governo Dilma, se vier a ser eleita.

Mas é só. Nos demais Ministérios o presidente pretende trabalhar com os secretários executivos. Na última reunião ministerial avisou a todos que não está disposto a abrir um processo de montagem de governo nos últimos nove meses de mandato. Isto significa que aproveitará Secretários Executivos, técnicos, soluções internas. De um deles, inclusive, o presidente não toma conhecimento. Saiu Mangabeira Unger, Lula recebeu uma lista de três nomes para seu lugar mas não demonstra o menor interesse por nenhum deles. O presidente quer fazer pouco movimento interno para fazer muito barulho externo. Porque não perdeu um mínimo de confiança na eleição da sua candidata e, ao contrário, acha que vai bater José Serra de “chicote”.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

24/04/2009 - 15:18h Procurador-geral rejeita acusação contra Palocci

“Maus tempos estes em que vivemos, em que uma versão, apenas hipótese solta, descompromissada mesmo, e sem o menor lastro em elementos concretos, pode ser levada aos tribunais como ‘presumivelmente possível’ e aí ser transformada em ‘plausível’ para se convolar em certeza para sustentar gravíssima acusação.”

Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no seu requerimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela rejeição de denúncia criminal contra o deputado Antonio Palocci (PT-SP) no caso do lixo de Riberão Preto

19/04/2009 - 13:04h Prioridade nacional

Clique no artigo de Antônio Palocci no jornal O Globo para ampliar e ler

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07/04/2009 - 11:27h Palocci cogita ser candidato em SP

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PT pressiona ex-ministro a ignorar processo no STF e começar campanha já, mas ele diz que ainda é cedo

Clarissa Oliveira – O Estado SP

O ex-ministro Antonio Palocci rompeu ontem o silêncio sobre a possibilidade de sair candidato nas eleições de 2010, mas adotou um discurso cauteloso. Pressionado por setores do PT a ignorar o caso que corre contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), Palocci não descartou uma candidatura ao governo paulista. Mas investiu na tese de que ainda é cedo para debater nomes.

“Não vou dizer que nunca passou pela minha cabeça. Mas falta um ano e meio ainda. É muito tempo”, disse Palocci, que aguarda parecer do STF, sobre a denúncia referente à quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. O caso, revelado pelo Estado, lhe custou a cadeira de ministro da Fazenda no governo Lula.

Sorridente e bem-humorado ao deixar um seminário do PT na Assembleia Legislativa paulista sobre a crise econômica, o ex-ministro admitiu o andamento das primeiras negociações em torno de seu nome. Disse que o PT “está livre para fazer esse debate”. Mas desconversou, dizendo não esperar nenhuma definição sobre o assunto no curto prazo. “É normal que o partido debata. Mas eu acho que a escolha de candidatos é só para o ano que vem.”

Reportagem veiculada ontem pelo Estado apontou que setores do PT pressionam Palocci para que ele coloque de imediato a pré-candidatura e dê o sinal verde para o início das articulações. Abertamente, o ex-ministro vinha evitando o assunto. E, dentro do partido, sua posição tem sido a de aguardar uma decisão do STF antes de se lançar na empreitada. A preocupação de Palocci, dizem aliados, é não “provocar” os ministros do tribunal.

A pressa manifestada por seus apoiadores, entretanto, reflete a preocupação em evitar a perda de espaço no processo de escolha do nome que disputará o Palácio dos Bandeirantes pelo PT. Mais do que isso, eles temem que Palocci desista de concorrer, abrindo espaço para outros cotados para a vaga, como o do ministro da Educação, Fernando Haddad. As manifestações para que Palocci ignore o Supremo têm partido, por exemplo, do grupo de apoio da ex-ministra Marta Suplicy.

Questionado se está preocupado com julgamento do STF, Palocci preferiu não se estender. “Estou aguardando”, limitou-se a dizer, logo antes de entrar no carro que o aguardava na porta da Assembleia.

DISCURSO VERDE

Enquanto outros petistas aproveitaram o evento de ontem para atacar o governador José Serra (PSDB) e levantar temas relacionados à corrida eleitoral de 2010, Palocci não fez uma menção sequer aos dois assuntos. Em vez disso, concentrou-se no tema da crise econômica e apostou numa forte defesa de questões ambientais. “O tema do aquecimento global vai ser importante para o próximo ciclo de crescimento”, afirmou, alegando que “em 20 ou 30 anos” o Brasil e outros países do mundo terão de lidar o custo das variações climáticas. “Também nessa questão, o Brasil precisa se posicionar de maneira clara”, acrescentou Palocci.

Mas seus colegas de partido assumiram a tarefa de lançá-lo para a sucessão de Serra. “O Palocci, sendo candidato, é o meu candidato”, disse Marta, que também participou do encontro. Apesar de seu grupo estar entre os que cobram pressa na definição da candidatura de Palocci, Marta desviou: “O tempo não é eterno, mas não acho que ele precise decidir amanhã”. Questionada sobre o fato de seu nome aparecer em vantagem nas pesquisas para o governo, a petista deixou claro que não disputará a vaga com Palocci. “Bom para ele, já que eu vou apoiá-lo”, concluiu.

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Marta promete ”pé no barro” para ajudar Dilma

Clarissa Oliveira – O Estado SP

De olho na coordenação da campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência em 2010, a ex-ministra Marta Suplicy disse ontem que está empenhada em fazer um “trabalho de base” para fortalecer a chefe da Casa Civil em São Paulo. “Trabalho de militância mesmo, pé no barro.”

Empenhado em acalmar a demanda por cargos no governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou recentemente Marta e os ex-prefeitos João Paulo, do Recife, e Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, para ajudarem nas articulações para 2010. Mencionando o “convite”, Marta disse planejar “grandes eventos” para Dilma, mas negou estar em busca de um degrau para a coordenação nacional da campanha. “Não penso assim. Penso que o nome da nossa candidata tem de ser levado à base. Eu agora estou com essa possibilidade porque não estou com nenhum cargo.”

26/03/2009 - 20:48h Comércio em queda, protecionismo em alta

Antônio Palocci – O Estado SP

Um dos efeitos mais graves da atual crise é a contração do comércio mundial. Ela vinha ocorrendo lentamente desde a eclosão dos problemas na área imobiliária americana em 2007. Mas em setembro do ano passado, após a quebra do Lehman Brothers, a crise financeira se exacerbou, secando as linhas de crédito para o comércio em todo o mundo.

A desorganização do fluxo de comércio internacional é, desde então, assustadora. Esse é um duro revés na economia da maior parte das nações, pois atinge uma atividade saudável para os países e promotora de maior produtividade nas empresas. A Ásia, que tinha a exportação de manufaturas como mola principal para tirar centenas de milhões de pessoas da miséria, é a região que mais sofre.

Atualmente o mercado de manufaturas apresenta capacidade ociosa porque, na esteira dos problemas de liquidez, há uma forte redução no consumo das famílias americanas, que representava 30% do consumo mundial. A maciça desorganização da economia americana, a partir do desmoronamento do seu setor financeiro, sugere, pelos seus reflexos no emprego, que essa contração não se reverterá imediatamente.

O endividamento das famílias jovens e a perda do valor dos ativos e da poupança para a aposentadoria das famílias mais idosas pesam nas expectativas de ambas, levando-as a ser muito cautelosas e não gastar os recentes incentivos fiscais e ajudas governamentais. De fato, a taxa de poupança das famílias americanas está nos níveis mais elevados dos últimos 14 anos.

Na Ásia, a queda da demanda se explica mais pela redução da renda corrente, em razão da retração do comércio internacional, do que pela queda de expectativas de médio prazo. Na medida em que o setor externo equivale a parcela significativa da produção desses países (China, 41,3%; Coreia, 45,6%; Tailândia, 73,8%; Malásia, 110,2%; e Cingapura, 230%), a contração tem efeito imediato sobre a massa salarial e o consumo.

É nesses países – onde tradicionalmente o déficit fiscal e a dívida pública são pequenos e há grandes excedentes comerciais (como os EUA tinham ao final dos anos 20) – que uma política mais agressiva de expansão fiscal e benefícios sociais para reanimar a demanda tem mais chances de sucesso, mesmo que as famílias asiáticas tenham maior propensão à poupança.

As ondas destrutivas da contração comercial já chegaram ao Brasil. As reduções nas exportações estão, desde setembro, persistentemente no campo dos dois dígitos, embora se observe uma pequena melhora mês a mês. Centenas de empresas de menor porte já deixaram de exportar.

O efeito no emprego e na renda tem sido menor aqui, no Brasil, do que na Ásia, onde o comércio corresponde à parcela maior da produção. Mas ele existe e atinge empresas e produtores da melhor qualidade, que têm vencido com base na conquista permanente de produtividade.

Nesses últimos anos o Brasil ampliou fortemente sua capacidade exportadora, diversificando mercados e assumindo a liderança no comércio de produtos minerais e do agronegócio. Mas mesmo no setor de manufaturas enfrentando uma duríssima concorrência com os asiáticos, muitas empresas brasileiras conquistaram importantes espaços.

Essas empresas superaram o desafio da valorização do real nos últimos anos, mas verão suas exportações debilitadas ainda por um tempo, pois a recente desvalorização da moeda não será suficiente para compensar a queda de demanda nos países mais ricos. Na verdade, em termos de comércio, o mundo ficou realmente menor.

Enquanto a crise financeira não for debelada, será muito difícil haver uma recuperação sustentada do comércio internacional. O desafio, portanto, é como compensar essas perdas – ainda que parcialmente – sem partir para o protecionismo, que começa a reaparecer como mecanismo de defesa em muitos países.

O protecionismo pune o consumidor do país que o pratica em nome do interesse de determinados segmentos arbitrariamente escolhidos. Perversamente, pune também o esforço de produtividade das empresas e dos países que desenvolvem corretamente suas próprias vocações. A pesquisa e a inovação são gravemente prejudicadas por barreiras, subsídios e outras distorções que vão surgindo.

Para lidar com esses novos desafios, países como o Brasil têm (assim como a China) a vantagem de um grande mercado interno e baixo endividamento das empresas e famílias. Assim, se a saúde do sistema financeiro e da área fiscal for preservada, há espaço para o crédito expandir e a economia se manter viva, sem trazer enfraquecimento maior para as contas externas, que são sempre o maior risco ao crescimento.

Muitas das empresas atingidas pelo colapso exportador estão entre as maiores e melhores do País. Se forem ajudadas por um conjunto coerente de ações, poderão sobreviver a esse momento duro, ajustando suas vendas e produtos para a realidade atual e se preparando para a retomada do comércio, que virá mais cedo ou mais tarde. Garantia de crédito no curto prazo, espaço para ajuste, redução de risco regulatório e dos custos de conformidade à lei podem ser a melhor forma dos governos diminuírem as incertezas e as fricções da economia.

Esses são mecanismos muito mais eficientes e justos do que o protecionismo. Afinal, o mundo aprendeu nos últimos anos que as trocas comerciais criam emprego e renda, desenvolvem vocações locais e regionais e ainda melhoram a produtividade de todo o tecido econômico. Se algum setor tem culpas por esta crise, certamente não é o do comércio.

Antônio Palocci, deputado federal (PT-SP), foi ministro da Fazenda