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	<title>Blog do Favre &#187; antropologia</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Claude Lévi-Strauss: Ideias em constante transformação</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 11:38:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em trecho de livro inédito sobre o antropólogo, Eduardo Viveiros de Castro analisa o autor de Mitológicas

Claude Lévi-Strauss analisado por Eduardo Viveiros de Castro, ce n&#8217;est pas tout
O título do livro que começo a escrever aqui diante de vocês é Isso Não é Tudo: Lévi-Strauss e a Mitologia Ameríndia. &#8220;Isso não é tudo&#8221;, &#8220;ce n&#8217;est [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Em trecho de livro inédito sobre o antropólogo, Eduardo Viveiros de Castro analisa o autor de Mitológicas</strong></p>
<p><img src="http://www.lesquotidiennes.com/files/imagecache/480x240/articles/claudelevistrauss.jpg" alt="http://www.lesquotidiennes.com/files/imagecache/480x240/articles/claudelevistrauss.jpg" width="296" height="148" /><img src="http://www.estadao.com.br/fotos/eduardoviveiros_fabio_motta292.jpg" alt="http://www.estadao.com.br/fotos/eduardoviveiros_fabio_motta292.jpg" width="158" height="149" /><br />
<span style="font-size: x-small;">Claude Lévi-Strauss analisado por Eduardo Viveiros de Castro, <em>ce n&#8217;est pas tout</em></span></p>
<p>O título do livro que começo a escrever aqui diante de vocês é Isso Não é Tudo: Lévi-Strauss e a Mitologia Ameríndia. &#8220;Isso não é tudo&#8221;, &#8220;ce n&#8217;est pas tout&#8221; é uma fórmula frequentemente empregada por Lévi-Strauss, a ponto de poder ser considerada um pequeno maneirismo do autor, para introduzir um desdobramento ou uma guinada na análise, ou encerrar uma demonstração com uma sequência inesperada de acordes. Ela aparece, eventualmente nas variantes &#8220;não é só isso&#8221; e &#8220;há mais&#8221;, um pouco em toda parte na obra lévi-straussiana, mas (provavelmente) aumentando sua frequência nas Mitológicas.</p>
<p>A &#8220;petite phrase de Lévi-Strauss&#8221; marca um passo estilístico típico: o surgimento quase prestidigitatório (se a palavra existe) de sempre mais um eixo, sempre &#8220;um outro eixo&#8221; de transformação, disposto de través, em diagonal aos vários eixos que vinham até ali guiando a comparação; a produção em finta ou pirueta de uma torção suplementar completamente imprevista, que abre subitamente uma progressão que tudo encaminhava para o fechamento; a revelação de vínculo extra, implicado, obscuro, compactado no texto sob análise que subitamente se explica e esclarece, e ao mesmo tempo se multiplica e difrata em perspectivas que, literalmente, perdem-se de vista no horizonte. Teremos ocasião de registrar vários momentos da demonstração ao mesmo tempo sinuosa e reticular, barroca e rizomática abertos pelo &#8220;Isso não é tudo&#8221; nas Mitológicas. Na verdade, o movimento assinalado pela pequena frase ocorre muito mais frequentemente que ela; ela é opcional, mas o movimento, ao contrário, parece-nos necessário, intrínseco ao procedimento lévi-straussiano. A petite phrase, eis a nossa tese, cumpre na verdade uma função conceitual fundamental dentro da economia teórica do estruturalismo.</p>
<p>Descobri recentemente que F. Keck fala em um &#8220;méthode du &#8220;Ce n&#8221;est pas tout&#8221; &#8211; não fui, assim, o único a notar o maneirismo metódico. Mas Keck não tira deste método grandes lições, quando ao contrário penso que ele é muito importante. Ele aponta para o inacabamento da análise estrutural, e sugere as razões desse inacabamento: a fractalidade e rizomaticidade de todo objeto determinado pelo método estrutural, na medida em que esse objeto em geral é concebido sempre como um estado particular de um sistema de transformações cujos limites são contingentes. A &#8221;interminabilidade&#8221;, no duplo sentido (sem fim ou término, e sem possibilidade de determinação unívoca do que é um termo e uma relação, do que é literal e figurativo) da análise mítica é um princípio absolutamente fundamental das Mitológicas. Veremos que Lévi-Strauss insiste no caráter aberto, intensivo, iterativo, em nebulosa, poroso, &#8220;conexionista&#8221; dos sistemas míticos que reconstrói. &#8220;Isso não é tudo&#8221;, então, porque nada é tudo, em nenhum momento se alcança uma totalização. &#8220;Isto não é tudo&#8221; supõe um conceito de estrutura e de análise que não privilegia uma vontade de fechamento, compacidade, a determinação de uma combinatória exaustivamente definida a priori. Com o &#8220;isso não é tudo&#8221;, começamos a divisar a possibilidade de pensar Lévi-Strauss como um pós-estruturalista. (&#8230;)</p>
<p>Naturalmente, isso não é tudo? Lévi-Strauss irá insistir repetidas vezes nas Mitológicas sobre o fechamento do sistema que analisa, a redondez da terra da mitologia (mas também sua porosidade?), a completude do círculo que o leva das savanas do Brasil Central às costas brumosas do estado de Washington e da Columbia Britânica,e, localmente, sobre os vários fechamentos de grupos míticos menores. Será preciso então insistirmos sobre uma tensão interna ao pensamento do autor relativo à mitologia americana, a saber, sobre uma dialética da abertura e do fechamento analítico (e mítico) que caberá explorar, em suas aparentes contradições inclusive? Isso realmente não é tudo. A pequena frase pode ser usada para fechar a análise por um lado que parecia aberto. A ênfase no fechamento dos grupos, na coerência e homogeneidade do conjunto é sublinhada repetidas vezes no correr do texto, e atinge uma espécie de apoteose enfática no capítulo O Mito Único, do Homem Nu. Por isso, eu preciso sublinhar, já que estou fazendo uma leitura parcial, apostando na tensão que ora enfatiza a &#8221;vasta máquina combinatória que é todo sistema mítico&#8221; e o caráter grupal, fechado e coerente do seu &#8221;mito único&#8221;, ora fala em dinamismo, desequilíbrio, devir perpétuo, assimetria que sempre abre o mito por um outro lado &#8211; essa tensão deve estruturar minha exposição.</p>
<p>Lévi-Strauss, fundador do pós-estruturalismo&#8230; Ele certamente não é o último pré-estruturalista, mas é o primeiro pós-estruturalista. Ao dizer isso, em certo sentido, estaríamos antecipando a conclusão deste livro, que tem como uma de suas principais intenções a de mostrar a atualidade do pensamento lévi-straussiano: pensamento da assimetria, da complementaridade, da torção e da abertura. Poderíamos ir para casa agora e dedicar o tempo a ocupações mais amenas. Mas felizmente, ou infelizmente, isto não é tudo? Além de que será preciso demonstrar minimamente o bem-fundado de minha tese, o livro tem uma outra intenção maior, que não se comprime tão facilmente em um ou dois parágrafos, a saber, a intenção de expor a originalidade radical do pensamento indígena, tal como transparece nos discursos míticos analisados nas Mitológicas.</p>
<p><strong><br />
INÉDITO</strong></p>
<p>Estes são trechos da versão preliminar da Introdução Generalíssima do manuscrito inédito do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, Isso Não é Tudo: Lévi-Strauss e a Mitologia Ameríndia, a ser lançado pela Cosac Naify em agosto de 2010, junto à primeira edição brasileira de O Homem Nu, quarto volume das Mitológicas de Claude Lévi-Strauss. Trata-se da primeira grande análise das Mitológicas, e uma visão contemporânea da obra lévistraussiana e do estruturalismo de modo geral. Viveiros de Castro trabalhou com Lévi-Strauss e foi, segundo ele, responsável pela criação de uma &#8220;nova escola na antropologia&#8221;</p>
<p><strong><em>Fonte O Estado SP</em></strong></p>
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		<title>Claude Lévi-Strauss: Um século dedicado ao homem</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 11:24:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Linha do tempo





// 

 
1908
Claude Lévi-Strauss nasce em Bruxelas, Bélgica, no dia 28 de novembro. Seus pais são Raymond Lévi-Strauss, pintor, e Emma Lévy. No ano seguinte, a família retorna a Paris
1914
Seu pai é convocado para lutar na 1.ª Guerra e a família muda-se para casa de parentes em Versalhes, subúrbio de Paris, voltando à [...]]]></description>
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<h3>Linha do tempo</h3>
</div>
<div>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://fabiaolima.files.wordpress.com/2009/02/claude-levi-strauss_machado1209828628.jpg" alt="http://fabiaolima.files.wordpress.com/2009/02/claude-levi-strauss_machado1209828628.jpg" /></p>
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<div id="corpoNoticia"><strong> </strong></p>
<p>1908<br />
Claude Lévi-Strauss nasce em Bruxelas, Bélgica, no dia 28 de novembro. Seus pais são Raymond Lévi-Strauss, pintor, e Emma Lévy. No ano seguinte, a família retorna a Paris</p>
<p>1914<br />
Seu pai é convocado para lutar na 1.ª Guerra e a família muda-se para casa de parentes em Versalhes, subúrbio de Paris, voltando à capital apenas em 1918</p>
<p>1926<br />
Estuda direito e filosofia em Paris, ao lado de Maurice Merleau-Ponty e Simone de Beauvoir</p>
<p>1935<br />
Desembarca no Brasil e assume o cargo de professor de sociologia na USP. Sobre a São Paulo da época, disse ao &#8220;Estado&#8221;, no início dos anos 90: &#8220;Era um local de grande curiosidade, um pouco desordenada, dirigida para todos os sentidos.&#8221; No final do ano, realiza uma expedição a Mato Grosso e à Amazônia. Para o Le Monde, em 2005, declara: &#8220;A viagem ao Brasil foi a experiência mais importante da minha vida, seja pelo distanciamento e contraste, seja porque foi determinante na minha carreira. Tenho com este país uma dívida muito profunda&#8221;</p>
<p>1936<br />
Depois de uma curta expedição ao Pantanal, volta à França, onde exibe material coletado no Brasil. Dois anos mais tarde, volta para nova expedição ao Mato Grosso. Em 1939, retorna à França</p>
<p>1940<br />
É convocado pelo Exército francês. Oferece seus serviços como professor, em Montpellier, e deixa as Forças Armadas</p>
<p>1941<br />
Resolve deixar a França e segue para os EUA. Durante uma parada do navio em Porto Rico é considerado suspeito pelas autoridades americanas. Só é liberado após visitar Jacques Soustelle, que estava na ilha a serviço do general Charles de Gaulle</p>
<p>1942<br />
Já nos EUA, dá aulas de etnologia na Escola Livre de Estudos Superiores, em Nova York. Dois anos mais tarde, é chamado pelo Departamento das Relações<br />
Culturais, retorna à França, onde passa a ocupar cargo de diretor da entidade.</p>
<p>1949<br />
Publica seu primeiro livro, Estruturas Elementares do Parentesco, fruto de tese defendida um ano antes na Sorbonne</p>
<p>1950<br />
Nomeado diretor da Escola Prática de Altos Estudos, faz<br />
viagens à Índia e ao Paquistão, com apoio da Unesco.</p>
<p>1955<br />
Publica Tristes Trópicos, em que narra as expedições pelo Brasil e o contato com os índios cadiuéus, bororos, nhambiquaras e tupi-cavaíbas. &#8220;Foi um livro escrito num momento complexo: fracasso na carreira e minha vida pessoal abalada pela separação de minha mulher. Vi-me, então, livre de tudo, sem estar preso a nenhuma amarra universitária e quis fazer um livro dissociado de consequências&#8221;, disse depois.</p>
<p>1958<br />
É escolhido para ocupar a cadeira de antropologia social no tradicional Collège de France, em Paris.<br />
Publica o livro Antropologia<br />
Estrutural</p>
<p>1960<br />
Cria o Laboratório de Antropologia Social no Collège de France, em Paris. No ano seguinte, funda a revista de antropologia L&#8221;Homme: Revue Française d&#8221;Anthropologie e publica as obras O Tomemismo Hoje e O Pensamento Selvagem</p>
<p>1964<br />
Publica o primeiro volume das Mitológicas &#8211; O Cru e o Cozido. Os demais são Do Mel às Cinzas, de 1967, A Origem dos Modos à Mesa, de 1968, e O Homem Nu, publicado em 1971</p>
<p>1985<br />
Volta ao Brasil por alguns dias, integrando uma comitiva do então presidente francês François Mitterrand. &#8220;Ainda que muito curta, essa viagem produziu em mim uma verdadeira revolução mental: o Brasil tinha se transformado completamente, totalmente. Havia se tornado um outro país. Aquela cidade, São Paulo, que eu havia conhecido no momento em que chegava a 1 milhão de habitantes, já tinha 10 milhões de pessoas. Os traços e vestígios da época colonial haviam desaparecido e São Paulo se transformara em uma cidade muito assustadora, com quilômetros de torres. A urbanização da cidade fez desaparecer a natureza. O rio Tietê, fundamental na conquista do interior do Brasil, estava moribundo. De tal forma que cabe perguntar: afinal, essa quebra dos liames entre o homem e a natureza é ou não é uma característica do nosso tempo?&#8221;, declarou em entrevista ao Le Monde, em 2005</p>
<p>1994<br />
Lança Saudades do Brasil, coletânea de fotos feitas por ele no País nos anos 30. Dois anos depois, lança Saudades de São Paulo, livro de fotografias com o mesmo conceito</p>
<p>2005<br />
Recebe o 17º Prêmio Catalunha, na Espanha</p>
<p>2008<br />
Homenagens marcam, em todo o mundo, o centenário de seu<br />
Nascimento</p>
<p>2009<br />
Morre no dia 1.º de novembro, em Paris</p></div>
<div></div>
<div><em>Fonte O Estado SP</em></div>
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		<title>Darwin 200 anos depois</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 13:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Herton Escobar &#8211; O Estado SP
&#8220;No futuro distante, vejo campos abertos para pesquisas muito mais importantes. A psicologia será baseada num novo fundamento, baseado na necessária aquisição de cada poder e capacidade mental via gradação. Luz será lançada sobre a origem do homem e sua história.&#8221;
Charles Darwin, em A Origem das Espécies, 1859
Na semana em [...]]]></description>
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<p style="background-color: #ffff99">Herton Escobar &#8211; O Estado SP</p>
<p>&#8220;No futuro distante, vejo campos abertos para pesquisas muito mais importantes. A psicologia será baseada num novo fundamento, baseado na necessária aquisição de cada poder e capacidade mental via gradação. Luz será lançada sobre a origem do homem e sua história.&#8221;</p>
<p>Charles Darwin, em A Origem das Espécies, 1859</p>
<p>Na semana em que Charles Darwin completaria 200 anos, a atual crise financeira-econômica mundial oferece um cenário ideal para estudar o legado do grande naturalista. Assim como o asteroide que caiu sobre a Terra há 65 milhões de anos alterou radicalmente o clima do planeta, levando os dinossauros à extinção e permitindo a ascensão dos mamíferos (até então pequenos animais noturnos que viviam à sombra dos grandes répteis), o colapso de Wall Street detonou uma sequência de eventos que alteram profundamente o ambiente econômico mundial.</p>
<p>Empresas, bancos e modelos de negócios que não conseguirem se adaptar às novas condições correm o risco de desaparecer da face da Terra, tal qual os dinossauros. Alguns gigantes do setor financeiro já foram extintos. Novos negócios sustentáveis, antes sufocados pelo ambiente especulativo e de consumo desenfreado, agora têm uma chance para florescer, tal qual os pequenos mamíferos do cretáceo.</p>
<p>Esse é o princípio da evolução por seleção natural, descoberto por Darwin em meados do século 19, após sua viagem de volta ao mundo a bordo do H.M.S. Beagle e publicado em 1859, no livro A Origem das Espécies &#8211; para muitos, a obra mais importante da história da ciência. Darwin enxergou algo fundamental e revolucionário sobre o funcionamento da natureza: um mecanismo pelo qual espécies podem evoluir, diferenciar-se e originar novas espécies por meio de forças exclusivamente biológicas, sem necessidade de intervenção divina ou atos sobrenaturais. Um mecanismo tão poderoso que, como Darwin bem previu, abriu caminho para novos &#8211; e polêmicos &#8211; campos de estudo a respeito da existência humana.</p>
<p>Que o homem evoluiu de um ancestral comum com os primatas já é uma certeza científica universal, confirmada por um batalhão de informações genéticas produzidas desde a descoberta do DNA. Mas será que a espécie humana ainda está evoluindo? E até que ponto a seleção natural poderia explicar não apenas a evolução de características físicas do ser humano, como a postura ereta e o cérebro grande, mas também de características comportamentais, como o altruísmo, o egoísmo, o racismo ou uma propensão à infidelidade conjugal? Essas são algumas das perguntas darwinianas com as quais cientistas e filósofos de um &#8220;futuro distante&#8221; se digladiam no presente.</p>
<p>BASE CIENTÍFICA</p>
<p>O primeiro passo de Darwin para chegar a sua teoria foi perceber que todos os indivíduos &#8211; inclusive os membros de uma mesma espécie &#8211; são anatomicamente e fisiologicamente diferentes entre si. Alguns nascem com pernas um pouco mais longas, com a visão um pouco mais aguçada, com antenas mais sensíveis ou com a capacidade de digerir alimentos melhor do que seus pais e irmãos.</p>
<p>Se alguma dessas características calha de ser vantajosa no ambiente em que aquele organismo vive &#8211; por exemplo, a capacidade de viver mais tempo sem água em um ecossistema árido ou uma coloração de asa que se camufla melhor com a cor da casca de uma árvore -, esse indivíduo terá melhores chances de sobreviver e, consequentemente, de deixar descendentes com características genéticas iguais às dele para compor as geração futuras (chamada seleção positiva). Já os indivíduos menos adaptados sofrem o efeito contrário: em média, vivem menos e deixam menos descendentes (seleção negativa).</p>
<p>Deixe a seleção natural agir por tempo suficiente e as variedades menos aptas tenderão a desaparecer da população, substituídas pelos descendentes das variedades mais bem adaptadas. É o que Darwin chamou de &#8220;luta pela sobrevivência&#8221;, mas que ficou conhecido pelo apelativo (e enganoso) título de &#8220;a lei do mais forte&#8221;. Novas espécies surgem quando uma variedade se separa da população original e segue um caminho evolutivo diferente, tal como as linhagens do homem e do chimpanzé divergiram de um ancestral comum.</p>
<p>Quando as condições ambientais mudam, as espécies precisam mudar também. Características que eram benéficas ou irrelevantes podem se tornar deletérias e vice-versa. É um processo contínuo, porém lento e gradual, que pode levar de algumas dezenas a muitos milhões de anos, e por isso é tão difícil de ser observado diretamente. Em um evento extremo, como a queda de um asteroide ou a explosão de uma crise financeira global, porém, a seleção atua de maneira óbvia e implacável. No lugar de um bando de répteis gigantes, pode-se acabar com um bando de mamíferos pequenos e peludos.</p>
<p>UNIVERSALIDADE</p>
<p>Por mais polêmica que ainda seja do ponto de vista religioso, a teoria da evolução por seleção natural é hoje um pilar central das ciências biológicas, tão indispensável para explicar o desenvolvimento de uma joaninha quanto a resistência de bactérias a antibióticos ou a resposta de uma floresta ao efeitos do aquecimento global. Como disse o geneticista ucraniano Theodosius Dobzhansky, em 1973: &#8220;Nada na biologia faz sentido, a não ser sob a luz da evolução.&#8221;</p>
<p>&#8220;O que está implícito nessa frase é que a biologia só se consolidou como ciência após a teoria da evolução&#8221;, diz o biólogo Diogo Meyer, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. &#8220;Antes havia apenas o estudo dos seres vivos; não havia uma teoria que integrasse tudo numa ciência comum. Hoje sabemos que os processos que moldam o genoma de uma bactéria e de um elefante são parte da mesma família.&#8221;</p>
<p>A analogia sobre a crise financeira serve para mostrar que as teorias de Darwin &#8211; agrupadas no que se convencionou chamar de &#8220;darwinismo&#8221; &#8211; foram mais longe ainda: extrapolaram os limites da biologia e colonizaram outras áreas da ciência, influenciando várias esferas do pensamento humano.</p>
<p>Mais até do que uma analogia, a evolução por seleção natural é um elemento crucial da teoria econômica moderna, segundo o economista José Eli da Veiga. &#8220;A ideia é que qualquer sistema evolutivo obedece às leis do darwinismo. E a economia é certamente um sistema evolutivo&#8221;, afirma Veiga, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. &#8220;Um economista que não entende Darwin é um economista totalmente ultrapassado.&#8221;</p>
<p>Visto por uma ótica puramente evolucionista, vale a pena perguntar: ao financiar a salvação de empresas que, de outra forma, iriam à falência, estariam os governos indo contra a seleção natural? Vale a pena salvar os dinossauros?</p>
<p>&#8220;Darwin fez uma teoria biológica, mas construiu uma linha de raciocínio tão abstrata que acabou transcendendo a biologia&#8221;, diz o pesquisador Charbel El-Hani, coordenador do Grupo de Pesquisa em História, Filosofia e Ensino de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA).</p>
<p>SOCIOBIOLOGIA</p>
<p>No que se aplica à evolução de plantas, besouros, peixes e sabiás, a teoria de Darwin já é ponto pacífico na ciência. É quando se tenta aplicar a seleção natural aos seres humanos que a coisa fica complicada. Darwin desenhou uma árvore da vida na qual o homem é um galho tal como outro qualquer &#8211; uma espécie dotada de inteligência superior, porém gerada pelos mesmos mecanismos de diferenciação e seleção que produziram as plantas, besouros, peixes e sabiás. &#8220;Devo inferir por analogia que, provavelmente, todos os seres orgânicos que já viveram nesta Terra descenderam de uma única forma primordial, na qual a vida foi soprada pela primeira vez&#8221;, escreveu Darwin, no capítulo final de A Origem das Espécies.</p>
<p>Ele poderia ter deixado o ser humano fora dessa história, mas não deixou. As semelhanças entre os homens e os primatas já eram óbvias demais para serem ignoradas, mesmo no século 19, antes da genômica. A mera sugestão de que o Homo sapiens era uma forma evoluída de macaco e não um ser especial criado por Deus foi suficiente para detonar uma batalha entre ciência e religião que persiste até os dias de hoje. Darwin até tentou ficar de fora dessa briga no início, deixando o tema de fora de A Origem das Espécies (&#8221;Luz será lançada sobre a origem do homem e sua história&#8221; é a única referência que ele faz à espécie humana no texto). Mais tarde, porém, publicaria um livro específico sobre o assunto, chamado A Origem do Homem e a Seleção Sexual, de 1871.</p>
<p>A versão mais moderna desse debate se dá no campo da &#8220;sociobiologia&#8221;, uma ciência controversa que busca integrar conceitos biológicos ao estudo do comportamento humano. Umas de suas disciplinas, como previu Darwin, é a chamada &#8220;psicologia evolutiva&#8221;.</p>
<p>O raciocínio básico da sociobiologia é o de que, se o comportamento dos animais resulta de processos evolutivos, e os seres humanos são animais que evoluíram como todos os outros, então seu comportamento social deve ser, também, influenciado por processos biológicos &#8211; e não apenas culturais.</p>
<p>O tema é extremamente polêmico entre biólogos, antropólogos e sociólogos. &#8220;Não há nada no ser humano que não seja explicado por leis biológicas&#8221;, diz o biólogo Mário de Pinna, vice-diretor do Museu de Zoologia da USP. &#8220;A cultura tem origem biológica e, sendo assim, está sujeita também às leis da evolução.&#8221; Para ele, o ser humano continua a ser moldado pela seleção natural, tanto culturalmente quanto biologicamente. &#8220;Evolução nada mais é do que uma mudança na frequência de genes ou suas combinações ao longo do tempo numa população&#8221;, afirma Pinna. &#8220;Se você morre sem deixar filhos, geneticamente, é como se você nunca tivesse existido. Isso é seleção.&#8221;</p>
<p>O geneticista Sérgio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), discorda. &#8220;A evolução humana, do ponto de vista biológico, acabou&#8221;, diz. &#8220;Temos uma cultura que vai diretamente contra a seleção natural. Temos a medicina: pessoas que deveriam morrer não morrem.&#8221; Hoje, segundo Pena, a única seleção relevante é a cultural. &#8220;Evoluímos tanto que um dos produtos da nossa própria evolução é uma nova maneira de evoluir&#8221;, diz. &#8220;Tomamos as rédeas do nosso próprio destino como espécie.&#8221;</p>
<p>O dilema, segundo a antropóloga Gláucia Silva, da Universidade Federal Fluminense (UFF), surge de uma separação equivocada entre homem e natureza, enraizada nas culturas ocidentais. &#8220;Os seres humanos são radicalmente distintos de todos os outros animais, mas não deixam de ser animais&#8221;, afirma ela. A sociobiologia, segundo Gláucia, tem o mérito de tentar reconstruir essa unidade &#8211; porém, sem oferecer respostas satisfatórias, reduzindo tudo a uma questão genética. &#8220;Os sociobiólogos não sabem nada de antropologia social. Eles têm respostas tão simples que dá vontade de rir.&#8221;</p>
<p>Gláucia defende a tese de que a espécie humana continua a evoluir biologicamente &#8211; &#8220;Basta estar vivo para ser passivo de seleção&#8221;, diz ela -, mas que o comportamento social humano não tem nenhuma relação com isso. Nem mesmo o comportamento sexual. &#8220;Os seres humanos não têm instinto sexual&#8221;, diz a antropóloga. &#8220;A regulação da nossa atividade sexual é 100% cultural.&#8221;</p>
<p>As discordâncias mostram que a obra de Darwin está longe de virar história e que muitas das questões levantadas por ele continuam tão importantes no século 21 quanto eram no século 19. &#8220;É realmente notável que um naturalista daquela época pudesse fazer perguntas que permanecem relevantes tanto tempo depois&#8221;, diz o ecólogo Thomas Lewinsohn, da Universidade Estadual de Campinas.</p>
<p>Ele discorda de outros cientistas que prefeririam abandonar o título &#8220;teoria&#8221; e apresentar a evolução por seleção natural como um &#8220;fato&#8221; consumado. &#8220;Chamar uma teoria de fato é como transformá-la num fóssil&#8221;, diz. &#8220;A palavra de Darwin não é uma palavra sagrada, que não pode ser questionada. É uma teoria viva, em constante desenvolvimento, que pode e deve ser sempre reexaminada.&#8221;</p>
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		<title>França e Brasil: trocando &#8221;figurinhas&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 19:57:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Grande mostra idealizada para o ano da França no Brasil, em 2009, reunirá 250 trabalhos de fotógrafos veteranos e novos

Simonetta Persichetti &#8211; O Estado SP
&#160;


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História e memória do e sobre o Brasil serão os eixos da exposição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c"><strong>Grande mostra idealizada para o ano da França no Brasil, em 2009, reunirá 250 trabalhos de fotógrafos veteranos e novos</strong></div>
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<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Simonetta Persichetti &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
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<div class="ImagemMateria">                  <img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081124/img/2.18.imagem_verger.jpg" align="left" /></div>
<p>História e memória do e sobre o Brasil serão os eixos da exposição que entre abril e junho do próximo ano estará na Pinacoteca durante a programação do ano França no Brasil. Pensada e elaborada por Diógenes Moura, curador da Pinacoteca, em parceria com a CulturesFrance e o Consulado Geral da França de São Paulo, a exposição pretende ser um bate-papo entre os diversos artistas selecionados: &#8220;Como se eles estivessem numa mesa de bar trocando fotografias entre eles&#8221;, exemplifica Diógenes.</p>
<p>O primeiro eixo, histórico, será composto pelas imagens de Pierre Verger, Marcel Gautherot, Jean Manzon e Claude Lévi-Strauss, três franceses que têm em comum o fato de terem vivido no Brasil e registrado o País do ponto de vista humanista, do cotidiano da arte e religiosidade. Nas palavras do curador, o antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908) aparece como uma epígrafe da mostra, visto que, enquanto seus conterrâneos terão a oportunidade de mostrar seu olhar com 30 imagens, o antropólogo, um dos fundadores e professores da USP, onde lecionou sociologia de 1935 a 1939, aparece com poucas imagens: &#8220;É apenas uma pontuação. Poucas e eficientes imagens.&#8221;</p>
<p>Isso se deve ao fato de os três primeiros terem &#8211; em épocas, momentos e intencionalidades diferentes &#8211; fotografado os mesmos lugares. Coincidentemente, os três autores tiveram suas fotografias publicadas na revista O Cruzeiro numa época em que essa publicação era o sonho de vários fotógrafos e ajudou a criar entre nós a idéia do que era realmente a estética fotojornalística.</p>
<p>Jean Manzon (1915-1990), mais que seus colegas, foi determinante para trazer para o Brasil a modernização do fotojornalismo que nos anos 40 ainda engatinhava entre nós. Devemos a ele &#8211; que na Europa já havia trabalhado para as mais importantes revistas ilustradas da época, como por exemplo, a Paris Match &#8211; a introdução das câmeras mais ágeis para o trabalho do repórter, e trouxe também o respeito e o reconhecimento da profissão.</p>
<p>Já Marcel Gautherot (1910- 1996) chega ao Brasil em 1939. Na França, ele estava ligado à antropologia visual, sendo um dos responsáveis, em 1936, pela criação do Musée de L?Homme, em Paris. No Brasil, seu interesse se voltou sobretudo para o folclore, arquiteturas e festas brasileiras. Alguns desses seus trabalhos foram publicados na revista O Cruzeiro.</p>
<p>A vida e a obra de Pierre Verger (1932-1996) é há muito nossa conhecida. Seus estudos e viagens sobre o homem, que o levaram a percorrer de 1932 a 1946 o mundo todo, são bastante conhecidos. Desembarca no Brasil em 1946, mais precisamente na Bahia, pela qual &#8211; como não podia ser diferente &#8211; se encanta e onde decide se estabelecer pelo resto de sua vida. Procurou conhecer em detalhes a vida dos descendentes africanos, seus ritmos, sua religiosidade. Para tanto, durante anos fez a ponte aérea África-Brasil. Em 1948, passou a se dedicar ao estudo do candomblé. E foi na África, onde também estudou a religiosidade, que em 1953 recebeu o título de Fatumbi &#8220;nascido de novo graças ao Ifá&#8221;.</p>
<p>São essas visões de Brasil, dos marinheiros no porto, dos cultos e do cotidiano, que ele também registra e publica: &#8220;Esses nomes, com um período de atuação que atravessa as décadas de 1940 e 1980, reafirmam a importância e a sensibilidade de como um olhar estrangeiro seria incorporado aos mais diferentes temas da nossa cultura, podendo traduzi-la num documento sem precedentes para o entendimento da fotografia no Brasil&#8221;, conta o curador. A foto como descoberta do mundo.</p>
<p>Para que esta conversa se amplie e atualize, a Pinacoteca do Estado escolheu três brasileiros que, de alguma forma, décadas depois, também caminharam pelos mesmos lugares fotografados pelo olhar europeu. Luiz Braga, de Belém; Tiago Santana, de Fortaleza; e Mauro Restiffe, de São Paulo, contribuem com seu olhar moderno, ou pós-moderno, sobre o cotidiano brasileiro para o diálogo com o registrado nos anos 40 e 50 em especial, quando o ufanismo se fazia presente e a identidade nacional precisava ser reafirmada.</p>
<p>O olhar dos jovens &#8211; em relação aos colegas franceses &#8211; fotógrafos muito mais do detalhe, do pequeno, do aprofundamento e da interpretação dos locais desvelados pelos antecessores: &#8220;Trinta anos depois, três fotógrafos brasileiros parecem andar e registrar as mesmas imagens realizadas por Pierre Verger e Marcel Gautherot&#8221;, explica Diógenes. Claro que não são as mesmas imagens, mas as mesmas necessidades de encontro.</p>
<p>O fotógrafo Tiago Santana está realizando um novo ensaio para essa exposição: panorâmicas realizadas no interior do Ceará. Luiz Braga comparece com seu olhar particular sobre o cotidiano amazonense e Mauro Restiffe, o mais urbano de todos, coloca um ponto final nesta deliciosa conversa.</p>
<p>Mas é então que mais uma surpresa se faz presente: três fotógrafos contemporâneos franceses foram convidados para nos mostrar imageticamente como entendem e imaginam o Brasil. Já estão por aqui Antoine D?Agata, Bruno Barbey e Olivia Gay. Os três fazem parte da agência Magnum e cada um está realizando um ensaio específico para a mostra. D?Agata, preferiu fixar-se em São Paulo, mais precisamente no entorno da própria Pinacoteca, mas também vai trazer imagens do Rio e de Salvador. Ele trabalha sempre com as situações-limite do ser humano, buscando humanidade em lugares onde há muito ela foi esquecida ou abandonada. Barbey resolveu flutuar por São Paulo, Rio, Maranhão e Belém, enquanto que Olivia Gay fixou-se na Bahia, resolveu seguir famílias baianas e acompanhar seu dia-a-dia, em especial no que diz respeito à culinária.</p>
<p>Todas essas imagens &#8211; aproximadamente 250 &#8211; ocuparão cinco salas da Pinacoteca. Um diálogo franco-brasileiro que deverá viajar por todo o Brasil durante o ano de 2009 para aportar em 2010 na França, em Paris e no festival de Fotografia de Arles.</p>
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		<title>RETRATO DE UM HOMEM INVISÍVEL</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 18:15:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ &#8220;Sem forças&#8221; e encerrado em seu apartamento em um bairro nobre de Paris, Lévi-Strauss não deverá participar das comemorações de seu centenário; amigos falam sobre a convivência com o antropólogo

GABRIELA LONGMAN &#8211; FOLHA SP
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PARIS
&#160;
Mais importante intelectual vivo, Lévi-Strauss completa cem anos, no próximo dia 28, recolhido.

Tido como o pai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>&#8220;Sem forças&#8221; e encerrado em seu apartamento em um bairro nobre de Paris, Lévi-Strauss não deverá participar das comemorações de seu centenário; amigos falam sobre a convivência com o antropólogo</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://philippegoffe.files.wordpress.com/2008/05/claude-levi-strauss_machado1209828628.jpg" alt="http://philippegoffe.files.wordpress.com/2008/05/claude-levi-strauss_machado1209828628.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">GABRIELA LONGMAN &#8211; FOLHA SP</p>
<p>COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PARIS</p>
<p align="right">&nbsp;</p>
<p align="left">Mais importante intelectual vivo, Lévi-Strauss completa cem anos, no próximo dia 28, recolhido.</p>
<p align="right"><img src="http://www.vivercidades.org.br/publique222/media/gerchman_TristeTropicos.jpg" alt="http://www.vivercidades.org.br/publique222/media/gerchman_TristeTropicos.jpg" width="168" align="right" height="251" /></p>
<p>Tido como o pai do estruturalismo e grande responsável pela afirmação da antropologia no campo das ciências humanas, ele assistiu -ou participou- às infinitas transformações políticas, sociais e comportamentais do século 20.</p>
<p>Depois de atravessar duas guerras mundiais, um Maio de 68 e todos os rebuliços que se seguiram, a Paris atual tem muito pouco em comum com aquela em que ele passou a infância e a juventude.</p>
<p>Grande área residencial da burguesia parisiense -comparável, talvez, ao bairro de Higienópolis, em São Paulo-, o 16º arrondissement foi desde sempre a casa de Lévi-Strauss.</p>
<p>É ali que mora, há mais de 50 anos, num quinto andar do número 2 da rua dos Marroniers. A poucas quadras, fica a rua Passy, endereço onde viveu por mais de 20 anos com os pais, num apartamento de onde se avistava ainda o campo e suas fazendas.</p>
<p>Hoje, os prédios de La Défense -principal centro financeiro da França, localizado no extremo oeste- transformaram a paisagem.</p>
<p>A arquitetura de arranha-céu que Lévi-Strauss vira em São Paulo nos anos 1930 e em Nova York nos anos 1940 ganharia um canto específico para se desenvolver, para que o restante de Paris mantivesse preservada a unidade estética dos prédios baixos, telhados com chaminés, terraços de ferro e os bulevares haussmanianos que deixam transparecer os séculos 18 e 19.</p>
<p>Se a arquitetura se manteve em certa medida uniforme, para a alegria dos turistas, a população mudou.</p>
<p>Milhões de chineses, marroquinos, brasileiros, senegaleses, malianos são agora tão parisienses quanto aquele professor de etnologia que trabalhava como subdiretor do Museu do Homem e visitava os mercados de pulgas em busca de peças exóticas para sua coleção.</p>
<p>O kebab é tão popular quanto o crepe. O pluriculturalismo -termo em grande medida lévi-straussiano- é a marca principal desta nova cidade e de seus subúrbios, com todos os problemas de imigração e discriminação que gravitam em torno desse novo quadro.</p>
<p>A Paris de Godard e Truffaut é substituída pela de Laurent Cantet, com &#8220;Entre Paredes&#8221;.</p>
<p><img src="http://varenne.tc.columbia.edu/bib/illustrations/levi_strauss-pensee.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://varenne.tc.columbia.edu/bib/illustrations/levi_strauss-pensee.jpg" width="151" align="left" height="233" /><strong>&#8220;Sem forças&#8221;</strong></p>
<p>Mas esta cidade, mais lévi-straussiana do que nunca, tornou-se distante para Lévi-Strauss, que praticamente não sai mais de casa.</p>
<p>No dia 25, não irá ao colóquio que o Collège de France organiza com a presença de alguns de seus principais seguidores.</p>
<p>E, no 28, não estará presente à grande jornada de homenagens que o Museu do Quai Branly prepara para o centenário, com leituras de suas obras, projeção de documentários e fotos das expedições.</p>
<p>&#8220;É preciso dizer que ele está absolutamente sem forças&#8221;, adverte à Folha, por telefone, a secretária que gerencia sua correspondência.</p>
<p>As visitas de seus ex-alunos se tornam cada vez mais raras, assim como rareou-se seu hábito de escutar música clássica ao longo da tarde.</p>
<p>Mas são fatos recentes. Até o ano passado, Lévi-Strauss recebia amigos para jantar, lia publicações de sua área.</p>
<p>Com freqüência, atravessava ainda o rio rumo ao Quartier Latin, onde fazia visitas ao Laboratório de Antropologia Social (LAS), que ele fundou em 1960 após sua nomeação para a recém-criada cadeira de antropologia social do Collège de France, grande consagração de seu nome e seu trabalho.</p>
<p>Visitar hoje o laboratório no nº 52 da rua Cardinale Lemoine é mergulhar na atmosfera parisiense dos anos 1970, com o carpete vermelho manchado, um cheiro agridoce e o design editorial antiquado dos periódicos, expostos lado a lado numa pequena vitrina de vidro.</p>
<p>Com a Sorbonne, a Escola Normal Superior e o Collège de France ali próximos, o 5º arrondissement continua sendo por excelência o bairro dos estudantes -embora as jovens pró-Sarkozy não lembrem em muito as radicais feministas que passeavam pelas ruas no tumulto daquela época.</p>
<p>Dirigido atualmente por Pierre Descola, o centro de pesquisa tem cerca de 50 membros e uma das mais importantes bibliotecas da área de etnologia e etnografia.</p>
<p><strong>Escaninho vazio</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_zTW7YIHZb1o/R06xDfPUcZI/AAAAAAAAAUo/2R2Wjv2-G78/s1600-h/levi-strauss.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_zTW7YIHZb1o/R06xDfPUcZI/AAAAAAAAAUo/2R2Wjv2-G78/s320/levi-strauss.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138238898359792018" align="right" border="0" /></a>Entre os avisos no mural da entrada, uma folha sulfite anuncia um colóquio em homenagem a Lévi-Strauss na Rússia e escaninhos de madeira guardam a correspondência destinada a cada um dos membros. O de Lévi-Strauss está lá, sim, embora vazio.</p>
<p>A vice-diretora Brigitte Derlon lembra-se bem de vê-lo chegar até bem pouco tempo, caminhando com certa dificuldade, mas bem-disposto.</p>
<p>Quando criou o laboratório, o etnólogo francês contava com a companhia de um pesquisador romeno, Isac Chiva, a quem nomeou subdiretor.</p>
<p>Fugindo do stalinismo, o jovem judeu chegou a Paris, onde foi aluno de Lévi-Strauss na Escola Prática de Altos Estudos antes de tornar-se seu parceiro. Hoje, também recolhido em seu apartamento, tem dificuldade para rememorar antigos nomes, datas, histórias.</p>
<p>&#8220;Lévi-Strauss está bem, afinal tem cem anos. O problema sou eu, que tenho 82 e estou assim. É muito difícil lembrar. Não deveria ter aceitado te receber para esta entrevista, pois não tenho mais memória&#8221;, diz.</p>
<p>Cada frase é interrompida e seguida por longos silêncios e as perguntas ficam quase todas sem resposta.</p>
<p>Mas, ao ouvir falar em Lévi-Strauss, o colega caminha da sala até sua biblioteca e começa a mostrar as primeiras edições de &#8220;Antropologia Estrutural&#8221;, &#8220;As Estruturas Elementares do Parentesco&#8221; e &#8220;Tristes Trópicos&#8221; autografadas.</p>
<p>&#8220;Para Isac Chiva, pesquisador sutil e tenaz, em testemunho de minha estima e amizade&#8221;, diz uma das dedicatórias. Esses amigos de tanta convivência jantavam juntos há um ano, mas hoje muito raramente trocam um telefonema.</p>
<p><strong>Resposta doce</strong></p>
<p>De uma geração bem mais jovem de pesquisadores, Emmanuel Devaux foi procurá-lo em 1978. &#8220;Eu era um jovem tímido. Queria saber se era pertinente partir para um trabalho de campo na América do Norte, e não na Amazônia, como faziam todos os meus colegas do departamento&#8221;, contou à Folha.</p>
<p>Lévi-Strauss recebeu-o, muito cortês. &#8220;Vá sim, mas saiba que será deprimente&#8221;, foi a resposta. Em 2007, Devaux enviou-lhe um livro, em que questionava os conceitos estruturalistas. &#8220;Recebi uma resposta muito doce que dizia: &#8220;Leio seu livro ainda, embora muito lentamente. O que me deixa mais tempo para meditar sobre nossas concordâncias e discordâncias&#8221;.&#8221;</p>
<p>As atuais concordâncias e discordâncias de Lévi-Strauss em torno da imigração na França, da eleição de Obama, da crise financeira e de outras ordens do dia são um mistério. Faz alguns anos que parou por completo de dar entrevistas por &#8220;já não se considerar um homem deste tempo&#8221;.</p>
<p>E de que tempo ele é, então? Talvez daquele tempo mítico que ele próprio descreve em &#8220;A Via das Máscaras&#8221;.</p>
<p>Tempo em que a coleção de arte primitiva morava no Museu do Homem, e não no enorme Museu do Quai Branly, criado por Jean Nouvel.</p>
<p>Tempos de Barthes, Bachelard, Braudel. Hoje, todos eles viraram nomes de ruas parisienses, escritos em letras brancas sobre placas azuis.</p>
<p>Saussure é uma avenida movimentada perto da Porte de Clichy, bem ao norte. Foucault é uma alameda que termina no rio, colada ao Trocadéro.</p>
<p>Hoje, solto num tempo em que seus amigos, inimigos e seguidores diretos já desapareceram, Lévi-Strauss persiste como homem e como mito -ele que tanto analisou a interação simbólica entre vivos e mortos na sociedade dos bororos.</p>
<p>Disputando com Sartre o título de intelectual mais influente do século 20, ele é ainda um senhor de cem anos, recolhido no silêncio. Absolutamente vivo.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://lupacap.fltr.ucl.ac.be/images/Images%20Livres/Levi-Strauss_Homme_nu.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://lupacap.fltr.ucl.ac.be/images/Images%20Livres/Levi-Strauss_Homme_nu.jpg" width="252" height="388" /></div>
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		<title>De olho na Copa-14, 7 museus recebem R$ 2 milhões</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 11:47:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[

Museu Nacional de Belas Artes &#8211; RJ
Ministérios do Turismo e da Cultura investem para melhorar estrutura e divulgação das instituições
Clarissa Thomé &#8211; O Estado de São Paulo
Sete museus de Estados que são candidatos a sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014 vão receber, neste ano, R$ 2 milhões dos Ministérios do Turismo e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/08/de-olho-na-copa-14-7-museus-recebem-r-2-milhoes/6936/" rel="attachment wp-att-6936" title="museu_belas_artes_rj.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/08/de-olho-na-copa-14-7-museus-recebem-r-2-milhoes/6936/" rel="attachment wp-att-6936" title="museu_belas_artes_rj.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_yvWhoKej5y8/SLHQ53FM86I/AAAAAAAAA20/GAhL3waGYS8/s1600/belas+artes+24+AGOSTO+2008+080.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://3.bp.blogspot.com/_yvWhoKej5y8/SLHQ53FM86I/AAAAAAAAA20/GAhL3waGYS8/s1600/belas+artes+24+AGOSTO+2008+080.jpg" width="556" height="419" /></a></div>
<div align="center"><em>Museu Nacional de Belas Artes &#8211; RJ</em></div>
<p><font size="4">Ministérios do Turismo e da Cultura investem para melhorar estrutura e divulgação das instituições</font></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Clarissa Thomé &#8211; O Estado de São Paulo</strong></p>
<p>Sete museus de Estados que são candidatos a sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014 vão receber, neste ano, R$ 2 milhões dos Ministérios do Turismo e da Cultura para sua reestruturação. A idéia é transformar esses museus em atrações para turistas estrangeiros que virão ao País e ampliar a visitação nacional.</p>
<p>O programa de qualificação de museus para o turismo &#8211; que tem como mote &#8220;Museu &#8211; Descubra um na sua próxima viagem&#8221; &#8211; prevê o treinamento de profissionais de turismo e dos funcionários das instituições, melhoria nos espaços de exposição, aquisição de equipamentos e mobília, divulgação dos museus, panfletos e identificação trilíngüe de obras (português, espanhol e inglês) além de desenvolvimento de roteiros turísticos em que esses museus estejam inseridos.</p>
<p>Serão beneficiados os museus de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Bahia, a Casa das Artes do Divino, em Goiás, o Museu da Inconfidência, em Minas Gerais, o Museu Emílio Goeldi, no Pará, o Museu do Homem do Nordeste, em Pernambuco, o Museu Nacional de Belas Artes, no Estado do Rio, e o Museu Oceanográfico, no Rio Grande do Sul.</p>
<p>DIVERSIFICAÇÃO</p>
<p>&#8220;No mundo todo há uma potencialização do museu como atrativo turístico. Infelizmente, isso ainda não acontece no Brasil como gostaríamos. Esse programa é uma primeira iniciativa no sentido de aproximar os museus brasileiro do turismo, melhorar o receptivo desses museus, diversificar os roteiros turísticos. Sol e praia não podem ser as únicas atrações&#8221;, disse o ministro do Turismo, Luiz Barretto. Um dos objetivos do programa é ampliar o número de visitas aos museus.</p>
<p>O ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, que toma posse na quinta-feira, em substituição a Gilberto Gil, lembrou que as instituições já estão recebendo investimentos para o reforço da segurança, antes mesmo do programa de qualificação. &#8220;A segurança dos museus não depende deste programa. Já estamos fazendo investimentos, até mesmo atraindo a iniciativa privada, com incentivos da Lei Rouanet. Temos como meta dotar rapidamente nossos museus de estrutura de segurança que nos permita superar a vulnerabilidade que a gente tem hoje&#8221;, disse. Ele citou como exemplo o Museu Nacional de Belas Artes, um dos contemplados pela parceria entre os ministérios, e que já recebeu equipamentos de segurança.</p>
<p><strong>OS MUSEUS</strong><br />
<strong><br />
Museu de Arte Sacra:</strong> Aberto em 1958, há no acervo esculturas de madeira e barro e coleção de marfim dos séculos 17 e 18, além de prataria, móveis e pinturas. Salvador (BA). Site: www.mas.ufba.br<br />
<strong><br />
Museu da Inconfidência:</strong> Criado em 1938, tem documentos relativos à Inconfidência Mineira, como o volume original com a sentença de Tiradentes. Ouro Preto (MG). Site: www.museudainconfidencia.iphan.gov.br</p>
<p><strong>Museu Emilio Goeldi:</strong> Fundado em 1866, tem importante acervo etnográfico e arqueológico, além de coleções de estudos de botânica, zoologia e geologia. Belém (PA). Site: www.museu-goeldi.br</p>
<p><strong>Museu do Homem do Nordeste:</strong> Criado em 1979, surgiu a partir das idéias de Gilberto Freyre, que defendia um Museu de Etnografia sertaneja. Reúne acervos oriundos dos museus de Antropologia, de Arte Popular e do Açúcar. Recife (PE). Site: www.fundaj.gov.br<br />
<strong><br />
Museu Nacional de Belas Artes:</strong> Criado em 1937, teve origem nas obras trazidas de Portugal por d. João VI, em 1808. São pinturas, gravuras, esculturas de Auguste Rodin, Pablo Picasso, Joan Miró e muitos outros. Rio de Janeiro (RJ). Site: www.mnba.gov.br</p>
<p><strong>Museu Oceanográfico:</strong> Fundado em 1953, mantém exposição sobre o oceano, com maquetes e aquários. A coleção de moluscos tem 51 mil lotes. Rio Grande (RS). Site: www.museu.furg.br/museu_oceanografico.html</p>
<p><strong>Casa das Artes do Divino:</strong> Não há informações sobre o museu no Sistema Brasileiro de Museus. Pirenópolis (GO)</p>
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		<title>Antonio Candido, o mestre (III)</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/07/antonio-candido-o-mestre-iii/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 10:53:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Candido]]></category>
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		<description><![CDATA[Foto: ALAN RODRIGUES


As lembranças, os marcos e as principais obras do professor
Um olhar sobre a carreira, das leituras da adolescência à redefinição da crítica literária no Brasil

O Estado de São Paulo
Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")


Frases
&#8220;Eu diria que depois da minha família e da USP, a terceira grande coisa na minha formação foram meus amigos do grupo de Clima. Nós [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c"><font size="2"><em><font size="1">Foto: ALAN RODRIGUES</font></em><br />
</font><img src="http://www.terra.com.br/istoe/politica/images/155618a.jpg" align="left" width="270" /></p>
<h3></h3>
<p><font size="4">As lembranças, os marcos e as principais obras do professor</font></p>
<p>Um olhar sobre a carreira, das leituras da adolescência à redefinição da crítica literária no Brasil</p></div>
<div class="grupoC2">
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><strong><span style="background-color: #ffff99">O Estado de São Paulo</span></strong><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"></span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p><strong>Frases</strong></p>
<p>&#8220;Eu diria que depois da minha família e da USP, a terceira grande coisa na minha formação foram meus amigos do grupo de Clima. Nós temos plena consciência de nos termos formado uns aos outros.&#8221;</p>
<p>&#8220;Vendo as coisas de hoje, percebo que desde logo tive o pendor crítico, não apenas porque sempre gostei de ler os críticos, mas porque assumi instintivamente a atitude crítica. Dos 12 aos 14 anos eu fazia antologias próprias, em cadernos escolares: copiava trechos e depois compilava dados biográficos e apreciações sobre os autores.&#8221;</p>
<p>&#8220;Nunca tive um método de trabalho. Sou intermitente em matéria de escrita e flutuante em matéria de leitura. Há estações em que trabalho intensamente, outras em que fico na maior inércia. Acho que algumas das coisas que me ajudaram na vida intelectual foram justamente a flutuação, a dispersão, a leitura onívora.&#8221;</p>
<p>&#8220;Eu não desgostava das ciências sociais e a certa altura passei a gostar mais de antropologia que de sociologia, mas gostava muito mais de literatura. Mas a sociologia foi fundamental na minha formação, na medida em que condicionou a minha visão da sociedade e a minha reflexão política.&#8221;</p>
<p><strong>Cronologia</p>
<p>1918</strong><br />
Antonio Candido de Mello e Souza nasce no Rio, mas passa a maior parte da infância em Santa Rita de Cássia, Minas Gerais</p>
<p><strong>1928</strong><br />
Faz sua primeira viagem à Europa, onde permanece por dois anos</p>
<p><strong>1939</strong><br />
Ingressa na Faculdade de Direito da USP. Cursa, ao mesmo tempo, Filosofia</p>
<p><strong>1941</strong><br />
Lança, ao lado de Decio de Almeida Prado, Lourival Gomes Machado, Paulo Emilio Salles Gomes, Ruy Coelho e Gilda de Moraes Rocha, com quem se casaria, a revista Clima</p>
<p><strong>1945</strong><br />
Publica críticas literárias nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo</p>
<p><strong>1956</strong><br />
Circula o primeiro número do Suplemento Literário do Estado, caderno idealizado por Antonio Candido</p>
<p><strong>1957</strong><br />
Torna-se professor de literatura brasileira em Assis, no interior de São Paulo, onde fica dois anos</p>
<p><strong>1959</strong><br />
Publica Formação da Literatura Brasileira</p>
<p><strong>1961</strong><br />
Inaugura a cadeira de Teoria Literária na Universidade de São Paulo</p>
<p><strong>1980</strong><br />
Participa, ao lado de intelectuais como Sergio Buarque de Holanda, da fundação do Partido dos Trabalhadores</p>
<p><strong>1998</strong><br />
Recebe, dias antes de completar 80 anos, o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa, concedido anualmente<br />
pelo governo de Portugal</p>
<p><strong>2003</strong><br />
Recebe o prêmio Professor Emérito &#8211; Troféu Guerreiro da Educação, entregue pelo Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) e o Estado a professores que se destacam no exercício<br />
do magistério</p>
<p><strong>Os livros</p>
<p>FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA:</strong> Estudo do Arcadismo e do Romantismo, considerados pelo autor decisivos para a formação do que denomina &#8220;sistema literário&#8221;, a articulação de autores, obras e públicos de maneira a estabelecer uma tradição.</p>
<p><strong>PARCEIROS DO RIO BONITO:</strong> Reconstrução histórica da sociedade caipira, abrange desde as relações sociais básicas até os meios elementares de subsistência, com intuito de analisar como a expansão da economia capitalista descaracteriza a vida rústica tradicional.</p>
<p><strong>LITERATURA E SOCIEDADE:</strong> Aqui, o autor defende que a obra literária deve sempre ser estudada como objeto estético e analisa como as possíveis relações entre a literatura e a sociedade em que se insere podem interferir na definição do papel do crítico literário.</p>
<p><strong>INICIAÇÃO À LITERATURA BRASILEIRA: </strong>Repassando desde o século 16 a produção brasileira, o autor mostra como a literatura foi-se formando como atividade regular e instituição de cultura, dada a articulação progressiva de elementos que a tornaram atividade configurada.</p>
<p><strong>TESE E ANTÍTESE:</strong> No livro, são analisadas as &#8220;personalidades divididas&#8221; e contraditórias na obra de romancistas que pertencem a diferentes literaturas, como o francês Alexandre Dumas, o polonês Joseph Conrad e os brasileiros Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.</p>
<p>Entre coletâneas e edições originais, a maior parte da obra do professor Antonio Candido continua em catálogo. Abaixo, uma lista de títulos, publicados pela editora Ouro Sobre Azul, com apenas algumas exceções:</p>
<p>Um Funcionário da Monarquia<br />
O Método Crítico de S. Romero<br />
O Observador Literário<br />
Teresina Etc.<br />
O Albatroz e o Chinês<br />
Brigada Ligeira<br />
O Discurso e a Cidade<br />
A Educação pela Noite<br />
Ficção e Confissão<br />
Na Sala de Aula (Ática)<br />
Florestan Fernandes (Fundação Perseu Abramo)<br />
A Personagem de Ficção (Editora Perspectiva)<br />
Recortes<br />
Vários Escritos<br />
O Estudo Analítico do Poema (Editora Humanitas)</p></div>
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		<title>Antonio Candido, o mestre (II)</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 10:47:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Candido]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[
Um mestre digno de admiração
Dono de um espírito democrático, ele manteve, ao longo da vida, a capacidade de provocar e inspirar



Samuel Titan Jr. &#8211; O Estado de São Paulo


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A certa altura de Formação da Literatura Brasileira (1959), quando se prepara para discutir o aparecimento da ficção romântica como &#8220;instrumento de descoberta e interpretação&#8221; do País, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c">
<h3>Um mestre digno de admiração</h3>
<p>Dono de um espírito democrático, ele manteve, ao longo da vida, a capacidade de provocar e inspirar</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.cultura.mg.gov.br/arquivos/Gabinete/Image/antoniocandido_materia.jpg" alt="http://www.cultura.mg.gov.br/arquivos/Gabinete/Image/antoniocandido_materia.jpg" /></div>
</div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte"><strong><span style="background-color: #ffff99">Samuel Titan Jr. &#8211; O Estado de São Paulo</span></strong></p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>A certa altura de Formação da Literatura Brasileira (1959), quando se prepara para discutir o aparecimento da ficção romântica como &#8220;instrumento de descoberta e interpretação&#8221; do País, Antonio Candido dedica alguns parágrafos discretos a Machado de Assis. Observa que o trio romântico realizara uma obra admirável de importação do romance europeu, num exercício de dupla fidelidade &#8211; uma &#8220;fidelidade dilacerada, por isso mesmo difícil&#8221; &#8211; em que muitas vezes situações narrativas européias, imitadas com devoção, entravam em conflito com circunstâncias brasileiras, registradas com o mesmo empenho.</p>
<p>O resultado &#8211; desigual por definição &#8211; desse esforço da geração de Alencar, Macedo e Manuel Antônio de Almeida bem podia ter caído no vazio tão logo a voga romântica foi substituída pela &#8220;última novidade ultramarina&#8221; &#8211; como de fato se deu, sempre segundo Candido, com o advento do romance naturalista. É quando entra em cena Machado de Assis, &#8220;esse mestre admirável&#8221; que &#8220;se embebeu meticulosamente da obra dos predecessores&#8221;. A sua obra &#8220;pressupõe a existência dos predecessores&#8221;, na medida em que Machado se dedicou a &#8220;assimilar, aprofundar, fecundar o legado positivo das experiências anteriores&#8221;.</p>
<p>A observação, breve mas certeira, posiciona Machado numa tradição local sem reduzi-lo a esta e sugere que seu gênio consistiu menos em &#8220;começar da capo&#8221; do que em repensar e reescrever o legado do passado. Nesse sentido, Machado é o vértice secreto de Formação (por mais que esta se detenha em 1880, um ano antes das Memórias Póstumas de Brás Cubas), na medida em que o escritor fluminense consuma, superando-o, o esforço de seus predecessores &#8220;em seu desejo de ter uma literatura&#8221; e dar forma à sua experiência histórica e humana.</p>
<p>Ora, essas fórmulas, que iluminam Machado de Assis, iluminam também a figura desse seu leitor, Antonio Candido, no campo da crítica e da história literária. Imagino que ele, homem discreto, recuse a comparação e acuse a hipérbole. Pode ser. Mesmo assim, é o caso de notar como as idéias mestras de continuidade, aprofundamento e formação parecem ter norteado também o trajeto do crítico desde muito antes do ensaio de 1959: seja no empenho de autoformação levado a cabo pelo rapaz estudioso de que falam os testemunhos biográficos, seja na minúcia com que se &#8220;embebeu&#8221; (para usar o verbo que aplica a Machado) dos séculos 18 e 19, seja no tema de sua tese de doutorado, o crítico Silvio Romero &#8211; escolha das menos glamourosas, mas ditada por uma espécie de senso de missão intelectual.</p>
<p>Mais que isso, assim como Machado prolongava e reescrevia, em modo irônico, o melhor da ficção anterior, assim também Candido repensa o curso da literatura brasileira num espírito que não tem nada de conservador ou continuísta, operando antes sob o signo da vida contemporânea &#8211; que contém, no caso, os ingredientes do modernismo, do socialismo e das ciências sociais &#8211; estudadas, não por acaso, nos anos de formação da Universidade de São Paulo.</p>
<p>Para dar um exemplo central desse espírito crítico, vale lembrar como a própria fórmula da Formação da Literatura Brasileira vai na contramão da historiografia romântica (ao contrário do que pensam certos críticos) e desnaturaliza seu objeto e seu método. Se a convenção romântica fazia remontar a literatura nacional a alguma data em torno de 1500 &#8211; como se nada dificultasse a identidade de natureza, território, nação e literatura -, Candido começa justamente por se perguntar como e quando uma vida literária consistente começa a ganhar contornos diferenciados a partir de uma experiência histórica idem.</p>
<p>Não bastasse isso, o livro de Candido dá mais um passo decisivo, pois essa história sociologicamente informada da formação de uma literatura nacional é também a história da constituição no Brasil de uma esfera de autonomia das formas artísticas &#8211; uma esfera que, sendo autônoma e consistente, ganha também uma dinâmica própria e já não se deixa explicar nos termos simplistas de uma sociologia da literatura.</p>
<p>O problema já o interessara em sua tese de sociologia &#8220;dura&#8221;, Os Parceiros do Rio Bonito, que começara como estudo de uma forma de poesia e dança popular, o cururu, que aos poucos parecia se desligar de suas origens coletivas e coreográficas para ganhar contornos mais individualizados e desritualizados. Mas, para ficar no âmbito da literatura &#8220;culta&#8221;, note-se como a essa luz o vértice machadiano da Formação ganha todo seu sentido, ao mesmo tempo que se vislumbra a importância formativa que a literatura pós-1922, de Mário e Oswald a Drummond e João Cabral, teve para Candido.</p>
<p>Seria possível prosseguir adiante, comentando os vários desdobramentos e aspectos desse modo de praticar e viver a crítica: a noção fecunda de uma dialética entre o interno e o externo na constituição da obra de arte &#8211; idéia que ultrapassa a pecha corrente de &#8220;crítica sociologizante&#8221;; o estilo generoso de tantos ensaios do autor, que parecem menos preocupados em esgotar narcisicamente seus objetos do que em plantar marcos de orientação para leitores e críticos futuros; ou conceitos específicos, como o de &#8220;dialética da malandragem&#8221;, capaz de iluminar um aspecto da vida social brasileira, um romance de Manuel Antonio de Almeida e, de quebra, os dribles de um Garrincha (como há pouco sugeriu José Miguel Wisnik em Veneno Remédio).</p>
<p>Fazendo isso, creio que chegaríamos, por vias diversas, a uma mesma constatação: com a obra de Antonio Candido, a crítica e a historiografia literária brasileiras cumprem seu processo de formação e chegam à maioridade. Não porque com ele cheguem a seu termo ou verdade última, longe disso, e sim porque a obra e a atuação de Candido constituíram definitivamente um campo de discussão e dissensão capaz de ficar em pé sobre as próprias pernas, desobrigado de abandonar suas questões e perspectivas próprias a qualquer brisa ou ventania que venha a soprar.</p>
<p>Mas mostrar tudo isso com minúcia ultrapassaria os limites desse artigo, que de resto já ficou longo e sisudo demais. Homenagem sisuda não vale. O que vale é celebrar a conjunção ímpar de literatura, dialética e espírito democrático nessa figura que, aos 90 anos, não perdeu nada do interesse e da capacidade de provocar e inspirar.</p>
<p>Prova disso, para terminar, é uma anedota que, se não for verdadeira, é bene trovata e que talvez não desagrade ao mestre admirável e humorista emérito. Em algum momento dos anos 80, já aposentado, Antonio Candido vai dar uma conferência num auditório da Unicamp. No meio da platéia, um casal de calouros apaixonados não faz muito caso da palestra sobre poesia romântica brasileira e prefere beijar-se prolixamente. Conforme a hora avança, os dois vão se interessando, seguram o fogo e começam a prestar atenção. Logo estão totalmente siderados. Ao final, em meio às palmas, a moça entusiasmada cutuca o rapaz e decreta: &#8220;Não é que o velhinho leva jeito!?&#8221;</p>
<p><strong>Samuel Titan Jr. é tradutor  e professor de literatura comparada da USP</p>
<p>Mensagens de Parabéns</strong></p>
<p>&#8220;Antonio Candido é um raro exemplo, em nossa crítica, de um olhar simultaneamente atento ao contexto da obra e aos elementos formais que a constituem &#8211; não como reflexo, mas como réplica particularizada ao campo social de onde surgiu. É nesse fecundo trânsito/diálogo entre componentes externos e a transfiguração intrínseca do literário que se articula o discurso de Candido. Mas, paralelamente à erudição e à consistência argumentativa do historiador na clássica Formação da Literatura Brasileira, convém não esquecer suas perspicazes leituras de autores estrangeiros e a acuidade interpretativa no trato pontual de textos, a exemplo das interpretações compiladas em Na Sala de Aula, em que a microscopia do poético é desvelada com argúcia e sensibilidade.&#8221;<br />
<strong>ANTONIO CARLOS SECCHIN</strong><br />
POETA E ENSAÍSTA</p>
<p>&#8220;Antonio Candido trouxe para o âmbito dos estudos literários no Brasil as contribuições mais atualizadas e inovadoras das ciências humanas internacionais a partir de meados do século 20. Além da sociologia, da história e da filosofia, suas análises e cursos incorporaram temas e procedimentos da antropologia e da psicanálise e, já entre os anos 60 e 70, da lingüística. Isso para não falar das próprias correntes da teoria literária. Porém, tais ventos renovadores nunca viraram moeda fácil nem modismo descartável nos textos e aulas do mestre. Pois sempre nos ensinou, e este é o ponto crucial, a começar e a terminar qualquer estudo de obra literária por sua leitura mais atenta e amorosa. Trata-se aqui muito mais de uma atitude, de postura que envolve ética e política em seus mais elevados sentidos, coisa que não se ensina e não se aprende nem com pressa nem com pressuposição, mas com a lenta e erudita frequentação das diferentes vozes da poesia e da ficção, projeto de várias vidas.&#8221;<br />
<strong>FRANCISCO FOOT HARDMAN</strong><br />
PROFESSOR DE TEORIA LITERÁRIA DA UNICAMP</p>
<p>&#8220;Antonio Candido formou várias gerações de grandes críticos brasileiros. Um deles, Davi Arrigucci Jr., escreveu um ensaio definitivo sobre o método crítico de Candido: Movimentos de Um Leitor. Entre outras questões, Davi ressalta a relação da dimensão social com a linguagem. Ou seja, a forma e o conteúdo histórico são inseparáveis numa obra literária. Daí a importância do crítico AC como leitor perspicaz e privilegiado, capaz de aprofundar a compreensão do texto. Essa capacidade de ler e interpretar, que une intuição com erudição e análise, é um dos movimentos mais fascinantes da leitura crítica de Antonio Candido.&#8221;<br />
<strong>MILTON HATOUM</strong><br />
ESCRITOR</p>
<p>&#8220;Embora seja difícil avaliar a atualidade de qualquer trabalho de crítica literária, é inegável que a contribuição de Antonio Candido continua válida e instigante em pelo menos três níveis. Como professor, foi o principal responsável pelo êxito da virada universitária no que era chamado de estudos literários. Como historiador, instituiu uma organização de autores &amp; obras que, polêmica ou não, determinou um cânone. Como explicador de textos, nos doou um aparato metodológico ágil e útil de leitura.&#8221;<br />
<strong>SILVIANO SANTIAGO</strong><br />
ESCRITOR E ENSAÍSTA</p>
<p>&#8220;Ele nos dá a lição da leitura minuciosa, da comunicação clara, da busca pelo exemplo que possa representar o todo e, principalmente, da tentativa de uma visão sistemática dos caminhos da literatura brasileira. Talvez tenha sido o último de uma geração anterior ao divórcio entre a crítica de rodapé e o manual acadêmico. No calor da primeira hora, não evitou os novos e conseguiu produzir visões reveladoras dos clássicos. Sua lição maior? A de que não há por que tomar o texto isoladamente, fora da relação entre o esforço singular e o pacto coletivo que o torna texto literário. Ele oferece ao leitor o raro exemplo da aliança entre o apuro da forma, a relevância do tema e a síntese de processos sociais. Com Antonio Candido parece fácil mostrar como a literatura, o direito à literatura, é parte fundamental do exercício da nossa cidadania.&#8221;<br />
<strong>JOSÉ LUIZ PASSOS</strong><br />
DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS DA UNIVERSIDADE<br />
DA CALIFÓRNIA</p>
<p>&#8220;Na cultura da cordialidade, em que as polêmicas literárias prosperam, sempre reconduzindo o modelo dos nossos primeiros críticos da Escola do Recife, com seu estilo bacharelesco e seu veneno do repente nordestino, Antonio Candido é hoje um exemplo de sobriedade. Não se trata de uma virtude moral, mas de uma qualidade propriamente crítica. Quando não replica a O Seqüestro do Barroco, argüição irônico-cortês que lhe dedica Haroldo de Campos, nos anos 80, essa recusa do princípio do duelo é para nossa crítica um decreto de maturidade.&#8221;<br />
<strong>LEDA TENORIO DA MOTTA</strong><br />
CRÍTICA LITERÁRIA E TRADUTORA, PROFESSORA DA PUC-SP</p>
<p>&#8220;Ao lado de Augusto Meyer, Antonio Candido foi o primeiro que, entre nós, usou sistematicamente da combinação entre sensibilidade e percepção crítica. A aludida combinação é rara, pois supõe o enlace de um reconhecimento o quanto possível imediato de qualidade &#8211; a sensibilidade &#8211; com uma compreensão da obra, que exige mais do que contato apenas com o literário. Por isso ela é indispensável para que a palavra do crítico se insira no debate crítico &#8211; o que não se dá quando o crítico possui apenas ou sensibilidade ou percepção crítica. Acrescento um dado pessoal: ainda quando discorde de posições críticas de Antonio Candido, não esqueço de sempre acentuar que, depois do golpe de 1964, só pude continuar a sobreviver como professor porque ele me aceitou como seu orientando. No Rio, onde vivia, não era aceito para fazer pós-graduação sob a alegação de que fora cassado pelo AI-1.&#8221;<br />
<strong>LUIZ COSTA LIMA</strong><br />
CRÍTICO LITERÁRIO</p>
<p>&#8220;Antonio Candido é importante para a crítica, ainda hoje, justamente enquanto &#8220;crítico literário&#8221; de fato, isto é, alguém que lê um livro com gosto, analisa-o minuciosamente como objeto particular, e está disposto a produzir um juízo de valor a seu respeito, tendo em vista a sua composição própria e o seu lugar num vasto repertório literário, com o qual o crítico mantém relação de freqüentação assídua e envolvida.&#8221;<br />
<strong>ALCIR PÉCORA</strong><br />
PROFESSOR DE TEORIA E CRÍTICA LITERÁRIA DA UNICAMP</p>
<p>&#8220;Vale lembrar que a importância maior de toda a obra de Antonio Candido é que ele entende a literatura como a ?arma? com a qual defende a dignidade humana.&#8221;<br />
<strong>OLGÁRIA MATOS</strong><br />
FILÓSOFA</p>
<p>&#8220;Tratando-se de Antonio Candido, a expressão &#8220;iluminação crítica&#8221; não é fórmula batida: corporifica o rigor de uma ética militante e de um método de interpretação em que o empenho racionalista comanda a investigação combinada das produções culturais e dos contextos sociopolíticos. As tensões movem o crítico sensível, mas não contorcem seu discurso: o equilíbrio do estilo, que Candido faz parecer natural, ajuda a compreender como a particularização artística e a dinâmica social iluminam-se reciprocamente.&#8221;<br />
<strong>ALCIDES VILLAÇA</strong><br />
PROFESSOR DE LITERATURA BRASILEIRA NA USP</div>
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		<title>FH emociona políticos e amigos no adeus a Ruth</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jun 2008 09:57:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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 Velório em São Paulo teve a presença de Lula, de dez ministros, parlamentares, intelectuais e empresários
Adauri Antunes Barbosa e Flávio Freire &#8211; O GLOBO
SÃO PAULO. Políticos de campos opostos se uniram ontem na despedida à antropóloga Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Adversários políticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://portal.rpc.com.br/midia/tn_620_600_Ruth_velorio_Lula_Reuters.jpg" alt="A imagem “http://portal.rpc.com.br/midia/tn_620_600_Ruth_velorio_Lula_Reuters.jpg” contém erros e não pode ser exibida." height="428" width="551" /></div>
<p><strong> Velório em São Paulo teve a presença de Lula, de dez ministros, parlamentares, intelectuais e empresários</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Adauri Antunes Barbosa e Flávio Freire &#8211; O GLOBO</strong></p>
<p>SÃO PAULO. Políticos de campos opostos se uniram ontem na despedida à antropóloga Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.<br />
Adversários políticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente se abraçaram e choraram durante o velório, ao lado do caixão.</p>
<p>Lula e sua mulher, Marisa Letícia, que ficaram no velório por cerca de 40 minutos, abraçaram Fernando Henrique. Ao lado do ex-presidente, se aproximaram do caixão e prestaram as últimas homenagens a Ruth Cardoso. O presidente foi a São Paulo acompanhado por dez ministros e vários integrantes do governo.</p>
<p>Os presidentes dos demais poderes — do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes — também foram ao velório.</p>
<p>Ao lado de Fernando Henrique, muito emocionado, políticos conhecidos não seguraram a emoção e choraram. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), amigo de Ruth Cardoso, falou da influência dela: — Quero dizer que era a pessoa que eu mais ouvia a respeito da minha atuação na vida pública.</p>
<p>Sabia sempre que tinha uma opinião sensata, muitas vezes crítica, mas sincera, bem fundamentada e bem intencionada — disse o governador, depois de beijar o rosto da amiga.</p>
<p>Serra abraçou Lula, com quem conversou por alguns minutos: — (A visita de Lula) foi um gesto quase que institucional do reconhecimento do valor que a Ruth Cardoso tinha e que vai continuar tendo através do seu exemplo. Foi um reconhecimento justo e gentil da parte do presidente e de seus ministros.</p>
<p>FH recebe telefonemas dos Clinton e do rei Juan Carlos O movimento no salão do velório, no hall de entrada da Sala São Paulo, a sede da Orquestra Sinfônica de São Paulo (Osesp), foi intenso durante toda a tarde.</p>
<p>Entre os presentes, Paulo Skaf, presidente da Fiesp; os empresários Horário Lafer Piva, Mário Amato, Lázaro Brandão e Jorge Gerdau Johanpeter; João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, e sua mulher, Gisela; Otavio Frias Filho, diretor de Redação da “Folha de S. Paulo”; e as atrizes Maitê Proença e Regina Duarte.</p>
<p>Fernando Henrique recebeu telefonemas de condolências do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e de sua mulher, a senadora Hillary Clinton, e do rei Juan Carlos, da Espanha. Dezenas de coroas de flores foram enviadas ao velório e foram colocadas na entrada da Sala São Paulo. O enterro será hoje, às 10h, no Cemitério da Consolação, em São Paulo.</p>
<p>Inovação nos projetos sociais é traço destacado Um dos aspectos mais destacados pelas pessoas que conheceram Ruth Cardoso foi o trabalho social feito por ela à frente do Comunidade Solidária, quando foi primeira-dama.</p>
<p>— Ela ajudou a redefinir os rumos da política social no Brasil.</p>
<p>Não fez isso não só quando era mulher do presidente, mas fez isso até o último dia do Comunidade Solidária. Fez o Comunitas, algo dedicado à promoção social, não só alfabetização, mas treinamento e preparação de crianças jovens e adultos — disse Serra.</p>
<p>O governador Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, falou sobre o trabalho profissional pioneiro que dona Ruth fez: — O que deve ficar é a lembrança da grande companheira, da grande mulher brasileira, de uma das pioneiras do seu campo profissional e referência não apenas dentro, mas fora do Brasil também. Ela foi uma referência na sua geração e também para os que vieram depois.</p>
<p>A ex-prefeita Marta Suplicy (PT), que esteve no velório ao lado do marido, Luís Favre, lembrou o aspecto intelectual e o papel feminista de dona Ruth.</p>
<p>— Eu tinha muito respeito pela Ruth, que foi uma mulher excepcional em várias áreas.</p>
<p>Uma intelectual brilhante, muito respeitada no seu campo de saber, na antropologia. Participamos muitos anos de um grupo feminista juntas. Ela tinha uma consciência clara do papel da mulher e ajudou o marido a perceber isso. E, como primeira-dama, que ela não gostava de ser chamada, desempenhou um papel muito inovador devido à sua competência.</p>
<p>Ela foi modelo para várias pessoas, para várias gerações, uma professora excepcional também. É uma perda muito grande para o Brasil.</p>
<p>Nós não temos muitas mulheres com o porte, a sabedoria, a delicadeza, a gentileza que tinha a Ruth — afirmou Marta.</p>
<p>O ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza destacou a percepção que a antropóloga Ruth Cardoso tinha da educação como instrumento para reforçar políticas sociais.</p>
<p>— A Ruth tinha uma visão correta do que o país tinha que enfrentar. Por isso, trabalhou desde a elaboração do programa de governo. Ela não tinha um caráter paternalista e preferia abandonar as práticas clientelistas, de cooptação, pelo lado da ajuda — disse.</p>
<p>Paulo Renato lembrou que ela foi uma das formuladoras do programa de educação do PSDB desde a campanha presidencial de 1994 e incentivou a universalização do ensino básico: — Ter crianças em idade escolar trabalhando, em vez de estar na escola, sempre incomodou a Ruth, por isso o empenho dela no programa Bolsa Escola.</p>
<p>A HORA DA DESPEDIDA: Fernando Henrique se despede da companheira Ruth, com quem foi casado durante 55 anos, e recebe, emocionado, o abraço do presidente Lula no velório na Sala São Paulo, ao qual compareceram dez ministros, centenas de amigos do casal, intelectuais, empresários e artistas de todo o país</p>
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		<title>Chimpanzés se consolam com abraços e beijos, mostra estudo</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 16:47:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[agressão]]></category>
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 da Associated Press, em Washington
com Folha Online
Funciona com humanos e com chimpanzés também. Os animais com os quais compartilhamos 98% dos genes também usam abraços e até beijos para acalmar os outros, afirma um estudo da Universidade John Moores de Liverpool, na Inglaterra.
Segundo a pesquisa, o estresse dos chimpanzés vítimas de agressão foi reduzido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/06/chimpanzes-se-consolam-com-abracos-e-beijos-mostra-estudo/5854/" rel="attachment wp-att-5854" title="chimpanze_zyiab1.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/06/chimpanzes-se-consolam-com-abracos-e-beijos-mostra-estudo/5854/" rel="attachment wp-att-5854" title="chimpanze_zyiab1.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/06/chimpanze_zyiab1.jpg" alt="chimpanze_zyiab1.jpg" /></a></div>
<p><strong> da Associated Press, em Washington<br />
com Folha Online</strong></p>
<p>Funciona com humanos e com chimpanzés também. Os animais com os quais compartilhamos 98% dos genes também usam abraços e até beijos para acalmar os outros, afirma um estudo da Universidade John Moores de Liverpool, na Inglaterra.</p>
<p>Segundo a pesquisa, o estresse dos chimpanzés vítimas de agressão foi reduzido quando outro primata lhe oferecia um abraço ou um beijo. De acordo com Orlaith N. Fraser, do Centro de Pesquisa em Antropologia Evolutiva e Paleontologia da universidade britânica, isso é particularmente interessante porque o comportamento &#8211;beijos e abraços&#8211; só é visto após um conflito.</p>
<p>&#8220;Se é um beijo, o consolador pressiona sua boca aberta contra o corpo do receptor, normalmente no alto da cabeça ou nas costas&#8221;, destaca a pesquisadora. Já o abraço é como entre os humanos: dois braços envolvendo o outro.</p>
<p>O resultado desse consolo é uma redução do comportamento que sinaliza estresse, como coçadas ou golpes da vítima em si mesma, aponta o estudo, publicado na última edição do &#8220;Proceedings of the National Academy of Sciences&#8221;.</p>
<p>&#8220;Esse estudo acaba com as dúvidas sobre se o ato de consolar tem efeito, promovendo alívio e tranqüilizando os indivíduos após uma briga&#8221;, diz Frans de Waal, do Centro de Primatas Yerkes, da Universidade Emory, em Atlanta. Segundo ela, o ato é mais comum entre os chimpanzés que já se relacionavam anteriormente.</p>
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