26/10/2009 - 08:29h Droga para aids vai tratar hepatite

Ministério afirma que acordo entre farmacêuticas atrasou ampliação dos usos aprovados do medicamento

Lígia Formenti, BRASÍLIA – O Estado SP


O Diário Oficial da União vai estampar na sua edição de amanhã o desfecho de mais uma queda de braço entre governo e indústria farmacêutica. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publica uma autorização para que o medicamento Tenofovir, atualmente usado para aids, seja indicado também para portadores de hepatite B. A medida é resultado de uma ação inédita, adotada pelo Ministério da Saúde. Diante da demora da empresa fabricante, a Gilead, em pedir a autorização para uso do remédio no tratamento da hepatite, o próprio ministério decidiu fazer a solicitação à agência.

“A hipótese mais provável é a de que havia um acordo entre empresas, dividindo o mercado brasileiro”, afirma o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre a resistência da fabricante. Nesse trato, a Gilead, multinacional de origem americana, não entraria no mercado de tratamento de hepatites no Brasil, deixando espaço para outras fabricantes. Com a iniciativa do ministério, o possível acerto foi minado.

Além do Tenofovir, o governo tinha como escolha adotar uma outra droga, o Adefovir, produzido pela multinacional GSK. Mas há pontos desfavoráveis. “Além do problema de preço, há um risco maior de pacientes desenvolverem resistência ao medicamento”, conta a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão, que liderou a organização de um novo protocolo de tratamento para hepatite B. O protocolo procura trazer uma padronização da terapia.

Pelas novas diretrizes, o Tenofovir seria usado como primeira opção de tratamento para portadores de hepatite B. A previsão é a de que, no primeiro ano, 2,5 mil pessoas recebam indicação para o remédio.

O Adefovir continuaria a ser usado por pacientes que já iniciaram o tratamento com a droga – graças às decisões judiciais em ações movidas para obtenção do medicamento. Há ainda um terceiro remédio, o Entecavir, fabricado pela Bristol, laboratório americano, cuja indicação é mais restrita.

Mariangela Simão conta que sua equipe mostrou à empresa fabricante do Tenofovir o interesse em comprá-lo para tratar portadores hepatite B. “Mas a empresa não esboçou nenhum movimento para fazer o pedido de registro à Anvisa.” Tanto na União Europeia quanto nos Estados Unidos, a droga já é usada para tratamento de hepatite.

O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Melo, afirma que esta é a primeira vez que o próprio ministério requer a autorização do uso de um remédio para indicação diferente da que havia sido registrada.

NOVA POLÍTICA

Desde setembro, a política para tratamento da hepatite B crônica – uma das maiores preocupações em saúde pública – mudou. A coordenação do trabalho agora é feita pelo Programa Nacional de DST-Aids, que passou a se chamar Departamento de DST-Aids e Hepatites Virais.

Depois de sete anos sem alteração, o ministério lança amanhã um novo protocolo para tratamento da forma crônica da hepatite B. O documento inclui quatro medicamentos para distribuição gratuita aos portadores da doença, entre eles o Tenofovir. A incorporação de novas drogas ao protocolo deve reduzir o número de ações judiciais de pacientes que reivindicam o fornecimento de remédios que não estão na lista de distribuição gratuita do governo.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvencio Furtado, há ainda uma lacuna: a inclusão de exames de carga viral para portadores de hepatite B crônica.

18/12/2008 - 10:34h ‘Parasitas’ sugam R$ 130 mi. Este é o valor estimado por promotor do Gaeco sobre esquema de fraude com insumos hospitalares

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Jornal da Tarde

remedio.gifRelator mira em firma de distribuição

Com apenas dois votos contrários – Milton Leite (DEM) e José Police Neto (PSDB) -, a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal aprovou ontem o relatório da subcomissão de vereadores que investiga a máfia dos parasitas. De autoria do petista Paulo Fiorilo, o texto pede, além de uma CPI em 2009, uma investigação do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas do Município (TCM) sobre os contratos da Secretaria de Saúde com a empresa Pronto Express, responsável por armazenar e distribuir insumos a rede básica hospitalar da capital.

“Há indícios de irregularidades nos preços praticados e na forma de contratação, além da informação de que a empresa foi habilitada junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em agosto de 2006, mas iniciou a prestação de serviços junto à Prefeitura no mês de maio de 2006”, destacou Fiorilo no relatório.

Investigação parlamentar

A Pronto Express, que substituiu os Correios na distribuição de medicamentos, virou alvo de investigação parlamentar após o vereador Aurélio Miguel (PR) ler em plenário reportagem do site Terra Magazine relatando que a empresa, com sede na Bahia, teve como sócio até 2003 o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), filho do senador ACM, morto em 2007, e que hoje é do publicitário Fernando Barros, acusado de ser “testa-de-ferro” de ACM Jr.

Para Police Neto, líder do governo na Câmara, “há excesso de acusações”. “Não vejo a relação apresentada (da Prefeitura) com o político baiano. Acho delicado lançar suspeição sobre algo que nem suspeição tem”, disse o vereador.

Segundo a Secretaria de Saúde, o contrato original, de 2004, com os Correios omitia que o serviço era de distribuição de medicamentos e, por isso, a licença da Anvisa não foi exigida. Quando a Pronto Express assumiu o serviço, em maio de 2006, “a licença da Anvisa foi providenciada, a pedido da pasta.”

PRONTO EXPRESS SUBSTITUIU CORREIOS

R$ 283 mil
por mês era o valor pago, segundo a Secretaria Municipal
de Saúde, aos Correios para cuidar da logística no recebimento de medicamentos e na distribuição para os hospitais
municipais

Maio a novembro de 2006:
foi o período em que a empresa Pronto Express assumiu em
‘caráter emergencial’ o serviço, depois que os Correios decidiram rescindir o contrato com a Prefeitura por “falta de interesse”, segundo informações da pasta da Saúde

R$ 698, 7 mil
por mês foi o valor que venceu licitação aberta pela Prefeitura, oferecido pela Pronto Express – na concorrência que teve mais cinco empresas, segundo a secretaria. O novo serviço começou no dia 1º dezembro de 2006

R$ 1,12 milhão
por mês, atualmente, é o valor estimado do contrato com
a empresa Pronto Express. O aumento no pagamento,
segundo a pasta de Saúde, se deu em razão do maior volume de medicamentos distribuídos e da entrega a cada 15 dias, em vez de uma vez por mês


‘Parasitas’ sugam R$ 130 mi

Este é o valor estimado por promotor do Gaeco sobre esquema de fraude com insumos hospitalares

Fabio Leite – Jornal da Tarde

f.leite@grupoestado.com.br

O rombo provocado pela máfia dos parasitas nos cofres públicos de São Paulo pode chegar a R$ 130 milhões. A projeção é do promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público que investiga esquema de fraude em licitações para venda de insumos a hospitais públicos estaduais e municipais, entre 2004 e outubro deste ano.

“É uma das maiores, se não for a maior fraude no sistema de saúde que o Brasil já registrou”, afirmou Carneiro, um dos promotores que, na semana passada, ofereceram denúncia à Justiça contra 13 pessoas – três empresários, três funcionários, dois laranjas, um doleiro e quatro funcionários públicos -, acusadas de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato (desvio de recursos públicos) e fraude às licitações.

No dia em que encaminhou a denúncia ao juiz da 2ª Vara Criminal da capital, o Gaeco divulgou uma nota dizendo que as fraudes causaram prejuízo de pelo menos R$ 80 milhões aos cofres públicos. “Mas já há perspectivas das auditorias da (Secretaria Estadual da) Fazenda que elevam para até R$ 130 milhões”, disse Carneiro. A Fazenda informou que ainda não tem os valores, “pois as auditorias ainda não foram concluídas.”

Num organograma apresentado junto à denúncia, o Ministério Público (MP) mostra que o esquema tinha por finalidade subornar os quatro funcionários públicos para fraudar pregões eletrônicos e presenciais em três hospitais: Ipiranga, Pérola Byington (estaduais) e Tatuapé (municipal).

Segundo o MP, atuaram no esquema Ziran Maria de Melo Moreira (chefe da seção do setor e compras do Ipiranga), Márcia Meneghello (diretora técnica da divisão de enfermagem do Pérola Byington) e João de Oliveira Filho, funcionário do mesmo hospital, e Milva Lúcia de Melo, diretora de farmácia do Tatuapé. O MP estima que eles teriam desviado, entre 2004 e 30 de outubro deste ano R$ 17,2 milhões, “ainda não integralmente calculados”.

No Hospital Municipal do Tatuapé, a servidora Milva, afirma a promotoria, interagia com a quadrilha “fraudando os procedimentos de licitação colocados em sua alçada”. Ela “controlava o estoque de produtos farmacêuticos, viabilizando pedidos depois repassados à quadrilha, segundo os seus próprios interesses espúrios”, informa a denúncia. Milva foi exonerada no dia 17 de novembro, a pedido, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Além de superfaturar o preço de insumos, já que as empresas idôneas que participavam do pregão eram desclassificadas pelos servidores públicos, mesmo apresentando preços menores, o suposto esquema ainda entregava produtos de baixa qualidade e em menor quantidade, segundo o MP.

Das 11 empresas suspeitas de participar da máfia, segundo o Departamento de Polícia Judiciária (Decap), que também investiga o esquema, cinco mantêm contratos com a Prefeitura. São elas: Embramed, Velox, Halex Istar, Home Care e Biodinâmica. Juntas elas receberam R$ 17,3 milhões do governo municipal entre 2005 e outubro deste ano. Para Carneiro, promotor do Gaeco, “todos os contratos com as empresas envolvidas são suspeitos.”


ENTENDA O CASO

Em 30 de outubro, a Polícia Civil desmantelou o esquema da ‘máfia dos parasitas’, acusada de fraudar licitações para venda de insumos a hospitais públicos, com superfaturamento de preços.

Das 11 empresas investigadas pelo Ministério Público , 5 mantêm contratos com a Prefeitura da capital: Embramed, Home Care, Halex Istar, Biodinâmica e Velox.

13 suspeitos (incluindo quatro servidores municipais e estaduais) foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público, que estima um prejuízos de até R$ 130 milhões para os cofres públicos.

Além da denúncia do MP que se refere a hospitais públicos municipais e estaduais de São Paulo, a máfia dos parasitas, segundo a Polícia Civil, também se ramificou por mais 29 prefeituras do Rio,de Minas Gerais e Goiás. Neste caso, a quantia de dinheiro público desviado ainda não foi calculada.

‘É uma das maiores, se não for a maior, fraudes no sistema de saúde que o Brasil já registrou”

JOSÉ REINALDO GUIMARÃES CARNEIRO,
PROMOTOR DO GAECO, QUE JÁ ENCAMINHOU DENÚNCIA À JUSTIÇA
CONTRA 13 ACUSADOS DE ENVOLVIMENTO COM O ESQUEMA DE FRAUDES
EM LICITAÇÕES DE HOSPITAIS PÚBLICOS MUNICIPAIS E ESTADUAIS

13/12/2008 - 15:42h FDA pode banir drogas para asma

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Serevent e Foradil, broncodilatadores aprovados pela Anvisa, são amplamente usados no Brasil

Recomendação é de painel de especialistas da agência, que avaliam que remédios aumentam risco de morte; posição não é definitiva

FERNANDA BASSETTE – FOLHA SP

Especialistas da FDA (agência norte-americana que regulamenta a aprovação de alimentos e fármacos) sugeriram a proibição do uso dos medicamentos Serevent e Foradil para tratar pacientes com asma sob a justificativa de que eles aumentam os riscos de morte. No Brasil, os dois remédios são aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e são amplamente prescritos pelos médicos.
A recomendação foi feita durante uma reunião realizada anteontem nos Estados Unidos e ainda não é a posição definitiva da FDA, que costuma seguir a mesma linha de decisão.
A discussão envolvendo os riscos dos medicamentos para asma incluía outros dois remédios: Advair (que ainda não é aprovado no Brasil) e Symbicort. Esses não tiveram associação direta com o aumento do número de mortes e continuam indicados para tratar asma.
Segundo o alergista Celso Henrique de Oliveira, professor da pós-graduação em pediatria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Foradil e Serevent são medicamentos broncodilatadores de ação prolongada, indicados apenas quando associados a um corticóide inalatório. Já Advair e Symbicort possuem corticóide na formulação. “O broncodilatador abre os brônquios e ajuda o paciente a respirar, enquanto o corticóide tem ação antiinflamatória e age no tratamento da doença.”
O problema, explica Oliveira, é que muitos pacientes usam os broncodilatadores por conta própria e para alívio imediato da crise, sem associar com um corticóide -o que não é recomendado. Em tese, esses remédios deveriam ser vendidos apenas com receita médica.
“A gente sabe que no Brasil a venda acontece indiscriminadamente. O remédio é indicado para uso duas vezes por dia, mas o paciente usa cinco, seis, até dez vezes. Isso causa uma sobrecarga mesmo. Além disso, as causas das mortes ainda estão sendo investigadas”, afirmou o alergista.
Segundo Oliveira, Serevent e Foradil são medicamentos “primos” dos broncodilatadores Aerolin e Berotec, de ação curta e que são usados no tratamento de asma há mais de 30 anos. “Serevent e Foradil são melhores, melhoram a qualidade de vida do paciente e têm uma indicação específica. Em vez de proibir o uso, as agências reguladoras deveriam controlar a venda, feita de maneira indiscriminada, pois qualquer remédio ingerido em excesso pode aumentar o risco de morte.”
Na opinião da alergista Yara Mello, diretora da Associação Brasileira de Asmáticos (Abra), os dois medicamentos possuem ação comprovada, demonstrada em inúmeros estudos clínicos, então ainda não há motivo para pânico.
“O que a FDA está apresentando agora são evidências estatísticas de que há mais casos de morte de pacientes que usaram os remédios sem o corticóide, mas eles ainda não comprovaram qual mecanismo está envolvido nisso. Por isso, acho complicado associar o medicamento à morte”, ponderou.

Nenhum caso grave

A assessoria de imprensa da Anvisa informou que a agência está acompanhando as discussões internacionais sobre a indicação de Serevent e Foradil para tratar asma, mas avisou que, por enquanto, não há indícios suficientes de riscos para proibir os medicamentos no Brasil e também não há nenhum registro de reação adversa ou efeito colateral grave associados aos medicamentos.
Tatiana Matozo, da Novartis (fabricante do Foradil) e Robson Lima, da GlaxoSmithKline (que fabrica o Serevent) informaram que as empresas acreditam na segurança dos produtos, quando usados de acordo com o que está previsto na bula -uso do remédio associado a um corticóide inalatório. As duas informaram também que a decisão não é definitiva.
(Colaborou RACHEL BOTELHO)

09/08/2008 - 08:09h Anvisa dá alerta sobre bactéria hospitalar

Para a agência, país vive epidemia de infecção por micobactéria; médicos sugerem adiar intervenção que não seja urgente

Desde 2003, foram registrados 2.102 casos em 14 Estados; doença afeta cicatrização de feridas e causa perda de tecidos

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CLÁUDIA COLLUCCI – Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ontem que o país vive uma “emergência epidemiológica” causada por uma bactéria presente em equipamentos de cirurgia -chamada micobactéria. Há ao menos duas hipóteses para explicar os surtos dessas infecções: sujeira dos aparelhos e resistência da bactéria aos produtos de esterilização.

Nos últimos cinco anos, a micobactéria, uma “prima” da tuberculose, fez 2.102 vítimas em 14 Estados brasileiros, a maioria em hospitais privados. Em São Paulo, foram notificados 43 casos -os últimos em 2004. Neste ano, houve 76 novas ocorrências no Distrito Federal, em Goiás e no Rio Grande do Sul. Duas mortes estão sob investigação no Paraná.

Em razão dessas infecções, que causam perdas de tecidos, nódulos e feridas que não cicatrizam, o governo do Espírito Santo decidiu na última terça suspender as lipoaspirações.

Os infectologistas classificam a situação como “grave” e orientam que as pessoas adiem cirurgias eletivas (que podem esperar), como lipoaspiração e implantes de silicone, até que a situação esteja sob controle.

“A nota da Anvisa é positiva porque alerta as pessoas que vão fazer uma cirurgia que não tenha emergência e que possa ser postergada para que aguardem um tempo até a normalização da situação”, diz a infectologista do hospital Sírio Libanês Beatriz Souza Dias.

O infectologista David Uip também avalia que as pessoas devam adiar cirurgias que não tenham urgência. Ele reforça que os órgãos de vigilância precisam explicar as razões que levaram o país a registrar esse alto número de infecções que, na sua avaliação, seriam evitáveis se houvesse um mecanismo de controle eficaz. “Esse é um processo complicado, que envolve perdas e é prolongado.”

Segundo a Anvisa, as infecções estão “fortemente relacionadas às falhas nos processos de limpeza, desinfecção e esterilização de produtos médicos”.

Na maioria dos serviços de saúde investigados pela agência, os instrumentos cirúrgicos foram submetidos somente ao processo de desinfecção, e não à esterilização, como é preconizado na legislação para a eliminação da bactéria.

Ontem, a Anvisa sugeriu, como medida cautelar, que os hospitais deixem de usar um dos produtos mais empregados na esterilização de equipamentos, o Glutaraldeído a 2%.

Resultados preliminares de um estudo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mostraram que uma das cepas da bactéria -M. massiliense- envolvida nos surtos apresentou resistência ao produto mesmo após dez horas de exposição. O produto foi eficaz para combater outras duas cepas.

A orientação da Anvisa é que a esterilização seja feita com outros produtos. Para a agência, as infecções pela micobactéria são uma “doença emergente”, que “não tem registro aqui e nem em outros países”.

Outra medida estudada pela Anvisa é limitar o número de videocirurgias (que usam cânulas e câmeras que adentram o corpo do paciente por meio de buracos na pele) feitas por dia em hospitais e clínicas. A medida seria para garantir que haja tempo suficiente para que os equipamentos cirúrgicos sejam adequadamente esterilizados.

EFEITOS

VÍTIMAS TÊM DE FAZER NOVAS CIRURGIAS PARA CORRIGIR CICATRIZES

Muitas vítimas da micobactéria estão tendo de fazer novas cirurgias para retirar tecidos atingidos ou para corrigir cicatrizes, segundo associações de pacientes. Elas também sofrem com os efeitos colaterais do coquetel de antibióticos. Há casos em que a terapia fracassou e outros em que as vítimas correm risco de amputação de membros, especialmente as que tiveram infecções ósseas. Os sintomas da infecção podem surgir até dois anos após a cirurgia. O Ministério da Saúde fornece os remédios usados contra a infecção.

11/04/2008 - 10:47h Corantes sob suspeita

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Autoridades européias querem banir aditivos que causariam hiperatividade em criança

O GLOBO

Autoridades de saúde européias recomendaram a proibição de seis corantes artificiais até 2009. Eles são suspeitos de causar hiperatividade e outros distúrbios de comportamento em crianças suscetíveis. Os aditivos são empregados em doces, bolos e refrigerantes e estão em uso no Brasil. A Agência de Alimentos do Reino Unido (FSA, na sigla em inglês) recomendou aos governos de países da União Européia que peçam as indústrias para banir os seis corantes até o fim de 2009. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quando há uma decisão internacional como esta, ela costuma levar a medida em consideração para ver se é o caso de adotá-la no Brasil.

A FSA também vai aconselhar e reforçar o alerta aos pais a respeito dos perigos das substâncias tartrazina (E102), amarelo quinolina (E104), amarelo pôr-do-sol (E110) carmoisina (E122), Ponceau 4R (E124) e vermelho allura AC (E129). Estes corantes e o preservativo benzoato de sódio (E211) foram associados à hiperatividade em estudo da Universidade de Southampton, no Reino Unido. As crianças tornaram-se distraídas e falharam em testes de atenção.

No momento, não há qualquer estudo na Anvisa para mudar o uso de corantes em alimentos.

Há apenas uma pesquisa em andamento na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, sobre os efeitos da tartrazina no organismo humano. A suspeita é que a substância pode provocar reações alérgicas.

A relação dessas substâncias é encontrada nos rótulos e os consumidores brasileiros podem conferir se eles estão na lista dos corantes que a FSA considera suspeitos de provocar distúrbios em crianças.

Os autores da pesquisa britânica estimam que 30% dos casos de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) seriam evitados se a indústria retirasse os corantes dos alimentos. Com essa decisão, grandes fabricantes e distribuidores teriam de reformular centenas de produtos, incluindo sorvetes, doces, shakes e refrigerantes.

Alguns produtos para os quais ainda não foram encontrados substitutos, como bolos, podem ser retirados temporariamente ou de forma definitiva. Os autores do estudo, publicado na revista científica “The Lancet” em setembro, disseram que os aditivos foram tão nocivos quanto o chumbo na gasolina, o qual foi banido depois de baixar em cinco pontos testes de QI em crianças. De acordo com pesquisadores, há evidências de que os aditivos pioram o comportamento de crianças normais e com TDAH.

— É dever da FSA colocar os consumidores em primeiro lugar. Esses aditivos dão cor aos alimentos, mas não apenas isso. Então seria razoável, à luz do estudo, removêlos — disse Deirdre Hutton, diretora da agência.

Substâncias deixam crianças distraídas

 A direção da FSA não tomou qualquer medida contra o benzoato de sódio porque ele é um preservativo, não um corante. O E211, que também está associado a problemas de saúde, é encontrado em refrigerantes e sua retirada iria exigir grandes investimentos e desafios tecnológicos por parte das indústrias.

A agência diz que a decisão não “significa a retirada imediata das substâncias”. Desde a década de 70, o consumo dos chamados aditivos “E” está relacionado com problemas de comportamento, mas esse debate se intensificou com o estudo da Universidade de Southampton.

— Esta decisão é uma notícia importante para as crianças e seus pais. Há muitos anos sabemos que os aditivos alteram o comportamento das crianças — disse Richard Watts, do Children’s Food Campaign.

Já a Federação de Bebidas e Alimentos classificou a decisão do FSA como “bizarra”, e disse que “a maioria dos produtos não contém estes corantes.” Órgãos ligados à saúde criticaram o fato de FSA recomendar o cumprimento voluntário da decisão, em vez de proibir diretamente os compostos

19/09/2007 - 11:08h Antiinflamatório "top" no Brasil é proibido na Austrália

MÁRCIO PINHO
da Folha de S.Paulo

O governo da Austrália proibiu a venda do medicamento Prexige, para tratamento de dores e problemas de artrite, após a morte de dois pacientes que usavam a droga no país. Fabricado pelo laboratório suíço Novartis, o remédio é o segundo mais vendido do Brasil em sua categoria.

A decisão ocorreu após o relato de oito casos de problemas: dois no Brasil, cinco na Austrália e um na Argentina. Dois dos pacientes tiveram de transplantar o fígado.

O gerente médico do laboratório no Brasil, João Navarro, diz que, “na grande maioria dos casos, houve utilização por tempo longo com dose não recomendada pela Novartis”.

Ele diz que na Austrália, por exemplo, a menor dose –100 mg, recomendada para tratamentos longos– tinha sido aprovada pouco antes de o medicamento ser proibido. Na maioria dos casos dos pacientes que reagiram à droga, foi usada a dose de 200 mg por tempo maior que o recomendado pela empresa. No Brasil, o medicamento é vendido na apresentação de 100 mg e 400 mg.

“O remédio é seguro, e a Novartis monitora o seu uso em todo o mundo. Mas, como todos dessa linha, tem algumas contra-indicações e precisa ser usado e receitado adequadamente”, afirma Navarro.

O Prexige está em mais de 50 países. No Brasil, a venda foi aprovada em 2005 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Dois anos depois, ele está em segundo lugar na classe de antiinflamatórios e anti-reumáticos. A categoria vendeu cerca de 6 milhões de unidades em 2007 (até agosto).

A Anvisa pediu dados à Novartis e diz estar revisando as “novas informações de segurança relacionadas a eventos adversos hepáticos graves em pacientes que usam o Prexige”.

Apesar da precaução, a agência afirma que os pacientes brasileiros que tiveram problemas no fígado melhoraram após a suspensão do remédio. Havia, porém, “outros fatores que contribuíam para o agravamento do dano”, como o uso exagerado da droga e histórico de problemas hepáticos.

Em um dos casos, o paciente tomava uma dose quatro vezes maior que a prescrita. A Anvisa não divulga o nome deles nem dá mais informações.

A bula do Prexige, diz a Anvisa, cita a chance de “eventos adversos hepáticos” e ressalta a contra-indicação em pacientes com problemas de fígado.

Além da Austrália, o Prexige enfrenta problemas nos Estados Unidos. Desde 2002, a Novartis espera o aval do FDA (órgão que regula o uso de medicamentos no país). Para João Navarro, isso ocorre porque houve problemas com produtos similares –caso do Vioxx, fora do mercado desde 2004.

Médicos

Médicos brasileiros defendem o Prexige. O presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Antonio Carlos Lopes, diz que o remédio é bem aceito e que o veto na Austrália pode envolver uma disputa entre laboratórios. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Fernando Neubarth, não houve nenhum alerta quanto ao Prexige.

Ambos dizem que todos os medicamentos têm efeitos colaterais e que é ter preciso ter critérios para prescrevê-los.