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	<title>Blog do Favre &#187; aposentados</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 Nov 2009 11:53:09 +0000</lastBuildDate>
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		<title>BB amplia limite de consignado em R$ 4 bilhões. A medida vai beneficiar aposentados e servidores</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 13:29:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Fernando Nakagawa, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
O Banco do Brasil aumentou em R$ 4 bilhões o limite pré-aprovado para o crédito consignado de 2 milhões de clientes. A medida vai beneficiar aposentados que recebem pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores do Ministério do Planejamento &#8211; entidades que assinaram convênio com o banco. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Fernando Nakagawa, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O Banco do Brasil aumentou em R$ 4 bilhões o limite pré-aprovado para o crédito consignado de 2 milhões de clientes. A medida vai beneficiar aposentados que recebem pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores do Ministério do Planejamento &#8211; entidades que assinaram convênio com o banco. Em nota, o BB informa que a ampliação dos valores é resultado de um processo que teve &#8220;refinamento das metodologias de análise de crédito&#8221;. Medidas semelhantes já foram anunciadas para micro e pequenas empresas e outras linhas de financiamento para pessoas físicas.</p>
<p>Alinhado com a política do governo de ampliar empréstimos para manter a economia aquecida, o BB refez cálculos e observou que um grupo de clientes tinha possibilidade de tomar mais crédito. São correntistas com bom histórico e baixo perfil de risco e, por isso, ganharam o limite extra.</p>
<p>O vice-presidente de Crédito, Controladoria e Risco Global do BB, Ricardo Flores, destaca que a medida é feita automaticamente, sem que os funcionários tenham de analisar caso a caso. &#8220;Nosso objetivo é expandir a carteira de crédito com qualidade e eficiência, buscando a automatização de processos que desonerem a rede de atendimento e possam liberar os funcionários das agências para a realização de negócios&#8221;, disse o executivo, em nota.</p>
<p>Atualmente, o BB tem R$ 20 bilhões em empréstimos com desconto em folha de pagamento, principalmente com aposentados e servidores públicos. A instituição é líder no segmento, com 32,6% de todo o consignado. Esse tipo de operação já representa 36% de todos os empréstimos para as pessoas físicas no banco federal.</p>
<p>Desde maio, essa é a quarta vez no ano que o Banco do Brasil eleva o crédito pré-aprovado para os clientes. Nas ocasiões anteriores, o valor havia sido ampliado, no total, em R$ 61,3 bilhões. Aumentar os limites, porém, não significa que o financiamento será tomado rapidamente pelos clientes. De maio até o início de setembro, o banco só emprestou efetivamente 8,7% do novo limite oferecido aos correntistas.</p>
<p>A investida do BB no crédito consignado tenta abocanhar parte do segmento de crédito que apresentou a melhor reação após o tombo provocado pela crise. Em agosto, bancos emprestaram R$ 6 bilhões em crédito consignado. O valor é 115% maior que o de dezembro de 2008. Nessa mesma base de comparação, o crédito pessoal cresceu 46% e o cartão de crédito avançou 14%.</p>
<p>Além disso, a preferência dada pelo banco federal aos aposentados e servidores públicos é explicada porque esse segmento concentra 86,8% de todos os empréstimos com desconto em folha. A iniciativa privada, portanto, respondeu apenas por 13,2% das operações. Em agosto, brasileiros deviam R$ 67 bilhões aos bancos apenas no consignado.</p>
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		<title>Crise afeta menos a base da pirâmide</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 12:08:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Beneficiadas pelo aumento do salário mínimo e do Bolsa Família, classes D e E ajudam a conter retração da economia

&#160;
Paula Pacheco &#8211; O Estado SP
&#160;


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A crise abateu de formas distintas os brasileiros. Ao que parece, a população [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c"><font size="4"><strong>Beneficiadas pelo aumento do salário mínimo e do Bolsa Família, classes D e E ajudam a conter retração da economia</strong></font></div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Paula Pacheco &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div class="ImagemMateria">                  <img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090511/img/4.23.imagem_paraiso.jpg" align="left" /></div>
<p>A crise abateu de formas distintas os brasileiros. Ao que parece, a população de menor poder aquisitivo foi a que menos sofreu. É o que dizem consumidores da base da pirâmide e empresários, segundo uma pesquisa do instituto LatinPanel. Entre os entrevistados, 30% da classe C afirmam que a crise afetou sua situação econômica, 28% se sentem abalados na classe A e 26% nas D e E.</p>
<p>A conclusão do estudo, segundo Ana Fioratti, diretora da LatinPanel, é que as classes D e E podem estar se configurando como a nova classe emergente. Desde 2007 é a faixa de consumidores que mais contribuiu para o crescimento da base de faturamento do varejo. Além disso, é a parte da população com menor comprometimento das finanças com dívidas.</p>
<p>As classes D e E correspondem a 42% da população brasileira e 34% dos consumidores. No Norte e no Nordeste, a participação chega a 61% da população e 52% do consumo. &#8220;Elas ganharam poder de compra. Para este ano, com a queda do valor da cesta básica, a previsão é que a tendência de aumento do consumo se mantenha. A conjuntura para esses consumidores é positiva&#8221;, avalia Ana.</p>
<p>Presidente do Banco Gerador, voltado às pequenas e médias prefeituras e empresas do Norte e Nordeste, Paulo Dalla Nora acompanha de perto a baixa renda. Convicto das oportunidades, lançou recentemente um cartão de crédito para as sacoleiras que se abastecem da produção têxtil da região de Caruaru (PE). &#8220;Quem compra dessas sacoleiras, que vendem calcinha a R$ 1, são as classes D e E, formadas por aposentados, funcionários públicos e beneficiados pelo Bolsa Família&#8221;, diz.</p>
<p>Segundo levantamento feito por Dalla Nora, cerca de 40% da renda nas regiões Norte e Nordeste está ligada ao Bolsa Família e ao salário mínimo. No Maranhão e no Piauí, por exemplo, 49% da população é beneficiada pelo Bolsa Família. &#8220;São pessoas que não tiveram queda de renda, ao contrário&#8221;, ressalta.</p>
<p>Desde 1º de fevereiro, o salário mínimo, reajustado em 6,4%, vale R$ 465. O aumento implica, segundo cálculos de especialistas, uma injeção de R$ 21 bilhões na economia. De acordo com o Ministério da Previdência Social, a alta do valor beneficia 25 milhões de trabalhadores formais e informais. Só entre aposentados e pensionistas, são 17,8 milhões de brasileiros. O reajuste pode elevar em até 0,2% o Produto Interno Bruto (PIB) do País.</p>
<p>Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann diz: &#8220;Dificilmente outras categorias terão o mesmo volume de benefícios que as classes D e E, que contaram com o aumento do mínimo.&#8221;</p>
<p>Waldir Quadros, professor de economia da Unicamp, lembra que o recém-lançado programa habitacional do governo, Minha Casa, Minha Vida, deverá fazer parte da rede de proteção desses trabalhadores, porque tem como objetivo, além de diminuir o déficit de moradia, garantir a geração de emprego para a baixa renda.</p>
<p><strong>BOLSA FAMÍLIA</strong></p>
<p>Segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, &#8220;o esforço do governo em gerar proteção aos mais pobres não tem a ver apenas com a necessidade de atender a uma demanda social&#8221;. Há a dimensão econômica. Oferecer renda a esta parte da população garante a estabilidade econômica, &#8220;com a geração de emprego e a movimentação da economia&#8221;. Hoje 11,1 milhões de famílias estão no Bolsa Família.</p>
<p>Em abril, o presidente Lula assinou decreto para reajustar o limite máximo de renda das famílias que recebem o Bolsa Família. A partir de agora, podem se inscrever no programa as famílias com renda mensal per capita de até R$ 137. Antes, o valor teto era de R$ 120. Esta é a faixa classificada como em &#8220;situação de pobreza&#8221;. Também foi reajustada a faixa daqueles classificados como em situação de &#8220;extrema pobreza&#8221;, cujo teto passa de R$ 60 para R$ 69.</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><font size="5"><strong>&#8221;Esta crise é de gente rica&#8221;</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Paula Pacheco &#8211; O Estado SP</p>
<p>Em plena quarta-feira, o comércio de Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, não dá sinal de arrefecimento. Na loja de Antonio Cavalcante, a Toninho Móveis, Eliane Maria de Jesus Correia, pensionista que recebe R$ 600 por mês, compra uma mesa para computador. Dá entrada de R$ 20 e terá pela frente sete prestações de R$ 21.</p>
<p>Cavalcante, dono de três lojas de móveis em Paraisópolis, é todo sorriso. &#8220;Aqui a situação é cruel, mas não piorou por causa dessa tal de crise&#8221;, explica. Ele financia os clientes e cobra em média 10% de juro ao mês. Ao lado funciona o bar de Amilton da Silva. Alguma queda na venda da cerveja e da cachaça? Nenhuma. &#8220;O salário mínimo aumentou. Os aposentados estão ganhando mais e ainda tem o Bolsa Família. Reclamar do quê?&#8221;, diz Silva.</p>
<p>Raimundo Araújo, dono de supermercado, oferece marcas como Nestlé, Camil, Elma-Chips e Coca-Cola. E filosofa. &#8220;Esta crise é de gente rica. Por aqui as pessoas estão lascadas desde sempre. Nada mudou.&#8221;</p>
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		<title>Mortos na enchente: presos em congestionamento, dois morrem por parada cardiorrespiratória durante temporal em SP</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 20:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[colaboração para a Folha Online
Dois homens morreram após sofrerem parada cardiorrespiratória dentro do carro, presos nos congestionamentos causados pelo temporal que atingiu São Paulo na terça-feira (17).
De acordo com informações do 1º DP de São Caetano do Sul (região metropolitana), o aposentado José Mendes Moreira Filho, 74, sofreu parada cardiorrespiratória por volta de 16h30 na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">colaboração para a <strong>Folha Online</strong></p>
<p>Dois homens morreram após sofrerem parada cardiorrespiratória dentro do carro, presos nos congestionamentos causados pelo temporal que atingiu São Paulo na terça-feira (17).</p>
<p>De acordo com informações do 1º DP de São Caetano do Sul (região metropolitana), o aposentado José Mendes Moreira Filho, 74, sofreu parada cardiorrespiratória por volta de 16h30 na avenida do Estado, no cruzamento com a rua Pedro Alexandrino, bairro Fundação.</p>
<p align="center"><font size="1"><em>Diego Padgurschi/Folha Imagem</em></font></p>
<div align="center"></div>
<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/mortos-na-enchente-em-sp-presos-em-congestionamento-dois-morrem-por-parada-cardiorrespiratoria-durante-temporal-em-sp/10202/" rel="attachment wp-att-10202" title="bombeiros.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/bombeiros.jpg" alt="bombeiros.jpg" /></a><br />
<font size="1"><em> Bombeiros recebem 60 pedidos de resgate de pessoas ilhadas em áreas alagadas de São Paulo; alguns foram resgatados em botes</em></font></p>
<p>A avenida do Estado foi uma das vias afetadas pelos alagamentos ontem. Moreira Filho foi socorrido pelos bombeiros, que tentaram reanimá-lo a caminho do pronto-socorro do hospital municipal Albert Sabin, mas ele já chegou morto à unidade.</p>
<p>Na zona leste de São Paulo, o empresário Ciro de Souza Nogueira, 81, um dos fundadores da Brinquedos Bandeirantes, morreu também após sofrer parada cardiorrespiratória depois de escapar de seu carro &#8211;que estava submerso&#8211; na avenida Luís Inácio de Anhaia Melo.</p>
<p>Segundo informações da Polícia Militar, o empresário chegou a receber os primeiros socorros por moradores de uma casa na altura do número 2.367, mas não resistiu. O caso foi registrado no 56º Distrito Policial da Vila Alpina.</p>
<p><strong>Alagamento</strong></p>
<p>Na terça (17), o temporal que atingiu a cidade de São Paulo provocou <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u536200.shtml">60 pontos de alagamento</a>, deixou dezenas de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u536340.shtml">pessoas ilhadas</a> em suas casas e veículos, <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u536284.shtml">mais de 200 km</a> de congestionamento e <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u536288.shtml">interrompeu a circulação</a> das linhas dos trens da linha 10-Turquesa (Luz &#8211; Rio Grande da Serra).</p>
<p>Segundo previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para esta quarta, o céu ficará nublado com possibilidade de pancadas de chuva isoladas a partir do período da tarde. A temperatura máxima é 26ºC.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>de sonho, medo e felicidade</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/de-sonho-medo-e-felicidade/</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 18:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Maioridade
Marisa Cauduro/Folha Imagem

O músico Jurandir Bueno, 62, com sua namorada, Sônia Arakaki, 62, bailarina
O velho-novo
Em um de seus poemas, Paulo Leminski fazia uma pergunta reveladora: &#8220;Que podia um velho fazer / nos idos de 1916,/ a não ser pegar pneumonia, / deixar tudo para os filhos / e virar fotografia?&#8221;.
No Brasil do ínicio do século [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="5"><strong><font color="green">Maior</font>idade</strong></font></p>
<div align="center"><em><font size="1">Marisa Cauduro/Folha Imagem</font></em><br />
<em><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200901.jpg" border="0" /></em><br />
<em>O músico Jurandir Bueno, 62, com sua namorada, Sônia Arakaki, 62, bailarina</em></div>
<p><font size="5"><strong>O velho-novo</strong></font></p>
<p>Em um de seus poemas, Paulo Leminski fazia uma pergunta reveladora: &#8220;Que podia um velho fazer / nos idos de 1916,/ a não ser pegar pneumonia, / deixar tudo para os filhos / e virar fotografia?&#8221;.<br />
No Brasil do ínicio do século passado, os tais velhos eram muito mais moços; a expectativa de vida ao nascer era de 34 anos. Em 2007, último dado disponível no IBGE, havia saltado para 72,6 anos. Longevidade, anticoncepcional, liberação sexual, divórcio e avanços da medicina tornaram obsoleto aquele velho precoce. Mudou tudo, inclusive os termos. Em vez do sexagenário aposentado (alguém recolhido a seu aposento), expressões mais fiéis, como terceira e quarta idades, que indicam uma sequência natural e mais vida pela frente.<br />
Há um velho-novo nas ruas, e a <strong>Folha</strong> foi a campo, em pesquisa nacional inédita, para responder quem ele é, como vive e o que pensa.</p>
<p><strong><font size="+1" color="#000080">Sensibilidade</font></strong></p>
<p><font size="5"><strong><br />
</strong></font>  <strong>Saúde e casa própria são as aspirações mais citadas; violência é o grande medo; maioria se diz feliz, mas acha que os outros não são (nem os jovens)</strong></p>
<p align="center"><font size="1">Rafael Andrade/Folha Imagem</font><br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200904.jpg" border="0" /><br />
<font size="1"><em>Pescador desde 1955, Fernando Barros, o Maricá, completa 80 anos em abril, mas quer continuar pescando até os cem, &#8220;se Deus permitir&#8221;</em></font></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>MÁRIO MAGALHÃES &#8211; FOLHA SP</strong></p>
<p><font size="-1">EM SÃO PAULO E NO RIO</font></p>
<p>Até onde mergulha a memória de Fernando Barros, o mar já engolfou dois companheiros seus, da colônia de  pescadores do posto 6, no cantinho direito da praia de Copacabana.<br />
Por pouco ele não fez companhia a bagres e badejos embaixo d’água. &#8220;Durante um temporal, com muito vento, eu fui parar lá em Niterói&#8221;, recorda. &#8220;A canoa virou duas vezes, desvirou e veio embora.&#8221;<br />
De susto em susto, ele não se assusta mais. Nem no mar, nem na terra. &#8220;Não tenho medo de morrer, de ficar doente, de nada. Se ali é um perigo, eu digo: vou passar é ali.&#8221;<br />
Com uma dupla de colegas, ele embarca antes das 6h em uma canoa movida a motor e volta cinco horas depois. De domingo a domingo. Está nessa lida desde 1959. Sua função é puxar, no braço, as redes e linhas que outrora capturavam 150 kg, 200 kg de pescado e que hoje só emergem com pouco mais de uma dúzia de exemplares.<br />
Numa quinta-feira ensolarada de fevereiro, ele pescou a sorte grande: atracou na areia com seis peixes-enxada, seis tamboris, quatro linguados, três pargos brancos e uma arraia. No mês que vem, Barros, conhecido na praia como Maricá, completa 80 anos.<br />
De cada três brasileiros com 60 anos ou mais, dois (67%) se comportam como Maricá e dizem não temer a própria morte. Em contraste com os jovens, somente 11% identificam sua morte como o maior medo –são 23% entre os que têm de 16 a 25 anos, segundo outra pesquisa, entre jovens, realizada no ano passado.<br />
&#8220;Na hora em que a morte chega não há opção&#8221;, diz a dona-de-casa Maria Dulce dos Santos Silva, 62, moradora do bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. &#8220;Da morte Eu tenho medo é da vida&#8221;, emenda o metalúrgico aposentado Paulo Pecoraro, 64, colega de Maria Dulce em aulas de violão oferecidas pelo governo do Estado.<br />
&#8220;Tenho medo de violência e de ficar doente, na dependência de outras pessoas, a coisa mais triste que existe&#8221;, conta Paulo. Temores associados à violência constituem o maior medo (25%) declarado pelos idosos do país. Seguem os medos com problemas de saúde (18%) e a morte -17%, incluindo a de parentes. Declaram não ter medo 22%.<br />
O comerciante aposentado Szaja Frank, 89, polonês radicado no Brasil desde 1948, foi vítima de assalto em sua loja poucos anos atrás. Seu medo maior &#8220;Ser assaltado.&#8221; Sua mulher, a dona-de-casa brasileira Brana Rubinsky Frank, 81, teme as enfermidades: &#8220;A gente vai dormir bem e tem medo de acordar com dor&#8221;.<br />
Em uma manifestação de longevidade do amor, são quase 60 anos de casamento, Brana passou a despertar de  madrugada para confirmar que o coração do marido batia -como pais costumam fazer com bebês. &#8220;Eu ficava  tocando nele para ver se ele se mexia.&#8221;<br />
Brana diz que a mania já passou, mas Frank revela que nem tanto. &#8220;Hoje eu fico deitado, e ela vem ver se eu estou dormindo.&#8221; Encontrando-os no passeio diário na praça Buenos Aires, em Higienópolis, reduto de classe média para cima, a preocupação soa exagerada. Soldado do exército soviético na guerra (1939-45), Frank ostenta boa forma.<br />
Em outra praça, a &#8220;do Forró&#8221;, no bairro proletário São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo), o segurança aposentado João Raimundo da Silva, 69, constata: &#8220;Quando eu era jovem não tinha nada. Hoje também não tenho nada&#8221;.<br />
O tom de conformidade não lhe roubou os sonhos. Nenhum supera o de &#8220;ter uma casa&#8221;. Ele mora de favor com  uma família, ganha o mínimo, poupa R$ 200 por mês e ignora quanto custa uma casa.<br />
Sonhos associados à moradia são os principais dos brasileiros mais velhos (19%), ao lado de ter saúde ou recuperá-la (18%) e à frente dos anseios ligados à família (12%) -11% não cultivam sonhos. Conforme o Datafolha, a aspiração de possuir uma casa própria é a número um para 10% dos idosos e 10% dos jovens.<br />
Em outro banco da &#8220;praça do Forró&#8221;, o vaqueiro aposentado Jaime Benigno Ribeiro, 69, amaldiçoa o infarto que o apeou da vida mais saudável. Ainda assim, como 2% das pessoas da sua faixa etária, seu sonho supremo é arrumar trabalho. &#8220;O negócio era uma fazenda para eu tirar leite.&#8221;<br />
Sem saúde, com dinheiro escasso e viúvo duas vezes, Ribeiro desencantou-se: &#8220;Não tenho felicidade, não&#8221;. Ele forma a minoria: meros 2% dos velhos se dizem infelizes -20% afirmam-se mais ou menos felizes, e 78%, felizes.<br />
Indagados sobre a felicidade alheia, contudo, sustentam que apenas 32% dos idosos brasileiros são felizes. Isso é, infelizes são os outros.<br />
De volta da pescaria, Maricá relaciona sua felicidade à saúde. &#8220;Comigo é o contrário: se ficar parado uma semana, sinto o corpo todo dolorido.&#8221; Descarta pendurar os anzóis: &#8220;Se Deus permitir, sigo até os cem anos pescando. É tempo brabo, é temporal, é mar brabo, e a gente vai embora&#8221;.</p>
<p>o sonho da casa própria é bem maior entre elas <strong>12%</strong></p>
<p>entre os homens, não passa de <strong>7%</strong></p>
<p>quando a pergunta é sobre bens materiais, a situação se inverte: <strong>12%</strong> eles x <strong>5%</strong> elas</p>
<p><strong>28%</strong>  é o índice dos que sonham com saúde na faixa acima dos 75</p>
<p><strong>34%</strong> das mulheres têm medo da morte, contra <strong>30%</strong> dos homens</p>
<p><strong>67%</strong> dos separados se dizem felizes, abaixo da média geral, de <strong>78%</strong></p>
<p><strong><font size="+1" color="#000080">Intimidade</font></strong></p>
<p><font size="5"><strong>sexygenários</strong></font></p>
<p><strong>47% fazem sexo regularmente e, destes, 91% dizem nunca ter usado remédio para disfunção erétil</strong></p>
<p><strong>PAULO SAMPAIO</strong><br />
<font size="-1">DA REPORTAGEM LOCAL</font></p>
<p>Do bolso do microempresário Nélson Oliveira, 66, não sai um tostão para comprar Viagra. E ele garante que, desde que se casou, há 48 anos, transa diariamente com a mulher. Ao lado, Néia, 65, só confirma. &#8220;É sim, é sim.&#8221;<br />
Quando o assunto é desempenho sexual, com frequência se apela a uma testemunha –ainda mais quando quem  fala é alguém do sexo masculino e de terceira idade.<br />
Feitas as contas, Oliveira teve com a mulher 17.540 relações nesses quase 50 anos, pontual como um relógio cuco e sem ajuda química.<br />
Esse índice de &#8220;abstenção zero&#8221; pode gerar polêmica, mas, a julgar pelo Datafolha, a vida sexual após os 60 é mais movimentada do que prega a maledicência popular, que costuma enxergar na terceira idade o fim do erotismo.<br />
Quase metade dos idosos ouvidos na pesquisa declara ter relações sexuais –um quarto deles, uma vez ou mais por semana. Mesmo na faixa dos maiores de 75, 24% se revelaram sexualmente ativos.<br />
Os mais afoitos podem dizer que, com o advento das drogas para disfunção erétil, agora é fácil. Só que 88% dos homens entrevistados dizem nunca ter usado remédio, embora até admitam alguma mudança no desempenho.<br />
Exemplo: o músico Jurandir Bueno, 62, retratado na capa deste caderno com a namorada, a bailarina Sônia Arakaki, 62, jura que nunca tomou nada e que vai transar até o fim da vida; confia no próprio corpo, diz. Só faz uma ressalva: &#8220;O processo é demorado&#8221;. &#8220;Gosto de conhecer bem a pessoa, preciso estar envolvido. Não sou uma máquina!&#8221;<br />
Jurandir &#8220;pesquisou&#8221; a bailarina durante quatro meses, até irem para a cama. &#8220;Eu também não estava com  pressa. Com a idade, as coisas ficam mais tranquilas&#8221;, conta Sônia, que foi casada durante 20 anos e tem três filhos.</p>
<p><strong>Reféns do machismo</strong><br />
Em qualquer faixa etária, é previsível uma dose de exagero ou, digamos, de inverdades sobre o desempenho  sexual, afirma o geriatra Wilson Jacob Filho, colunista da <strong>Folha</strong>. Ainda mais quando mexe com alguns tabus da masculinidade. &#8220;O que se espera deles é que se mantenham viris, e os que não são suficientemente esclarecidos associam a dificuldade sexual à incompetência, e não a doenças como diabetes, hipertensão, depressão ou problemas na próstata.&#8221;<br />
Jacob dá um exemplo de como a imagem é fundamental. &#8220;Quando o HC tinha o Laboratório da Impotência, atendia dez pessoas. Mudaram o nome para Laboratório da Disfunção Erétil, e o número de pacientes foi para uns 10 mil&#8221;, conta, rindo.<br />
Na pesquisa Datafolha, a diferença de visão do sexo entre homens e mulheres revela um dado paradoxal: 74% dos homens afirmam ter vida sexual ativa, enquanto 76% das mulheres dizem exatamente o contrário. Considerando que o índice de casados de terceira idade é 47%, com quem eles transam?<br />
Existem várias possibilidades, dizem os especialistas: sozinho (masturbação), com companhias eventuais ou usando outras formas de atingir o orgasmo, sem penetração peniana.<br />
E as esposas &#8220;Muitas mulheres consideram sua missão sexual cumprida depois da procriação e acabam  consentindo tacitamente que o marido se mantenha ativo&#8221;, diz Dorli Kamkhagi, da USP.<br />
Embora faça questão de sexo, a cabeleireira Sônia Maria Gonçalves, 63, casada três vezes, três filhos, conta que, com a menopausa, dispensou temporariamente os &#8220;serviços&#8221; do segundo marido.<br />
&#8220;Acabou a euforia. Ele foi o homem que mais me ensinou coisas, mas mesmo assim eu não queria saber de sexo. Até disse: ‘Pode procurar outra, que comigo não rola’.&#8221;<br />
Há seis meses, Sônia descobriu um câncer de mama e retirou o seio direito, mas diz que isso não atrapalhou em nada o relacionamento entre ela e o atual marido, que tem 54 anos. &#8220;No começo fiquei constrangida, mas ele disse que isso era bobagem e pediu para ver o curativo.&#8221;<br />
A palavra-chave é compreensão, define o empresário Wanderlei Marques, 62, casado há 32 anos. &#8220;Quando você é recém-casado, toda hora é hora. É aquela loucura. Mas, como a gente faz muitas vezes, a qualidade fica pra depois.&#8221;<br />
Ele conta que, em todos esses anos, o período sexual mais difícil foi quando nasceu o primeiro filho. &#8220;A mãe, ali, é só da criança. Se você estiver com vontade, vai continuar.&#8221;<br />
Wanderlei não se incomoda em dizer que usa remédio. &#8220;Não adianta dizer que a disposição sexual não cai com a idade. Por sorte, a medicina está a nosso favor.&#8221;<br />
E manda seu último recado: &#8220;Não existe Viagra pra mulher. Então, se você toma o comprimido, mas ela está fria, não adianta nada&#8221;.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/es1503200909.gif" /></div>
<p><strong>Leia a integra da pesquisa no caderno especial da Folha de São Paulo </strong></p>
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		<title>Crise afunda economia espanhola</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 14:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Após anos de crescimento alto, puxado por abundância de crédito, desemprego explode no país
Adoção do euro limita ação do governo; empresários querem reforma trabalhista e economistas preveem retomada lenta e dolorosa
VICTOR MALLET DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
Quando um dos maiores clubes de futebol de um país tão fanático pelo esporte quanto é a Espanha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.reflejosocial.com/wp-content/uploads/2009/01/esp_laboral-desempleo.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.reflejosocial.com/wp-content/uploads/2009/01/esp_laboral-desempleo.jpg" /></div>
<p><strong>Após anos de crescimento alto, puxado por abundância de crédito, desemprego explode no país</strong></p>
<p><strong>Adoção do euro limita ação do governo; empresários querem reforma trabalhista e economistas preveem retomada lenta e dolorosa</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">VICTOR MALLET DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</p>
<p>Quando um dos maiores clubes de futebol de um país tão fanático pelo esporte quanto é a Espanha deixa de pagar seus jogadores, é um aviso de que algo pode estar drasticamente errado em uma das economias mais bem sucedidas na Europa.<br />
David Villa é um dos jogadores do Valencia cujo último salário está atrasado por tempo indeterminado pelo clube, fortemente endividado. Villa é apenas mais um entre o número crescente de vítimas, ricas e pobres, de um mergulho na recessão que se encaminha para ser uma das piores da Europa.<br />
As tensões estão começando a se manifestar na sociedade espanhola, normalmente tranquila e tolerante. Vendedores de rua e africanos residentes no país fizeram duas manifestações neste mês em Lavapiés, em Madri, protestando contra o alegado racismo e as investidas policiais; subsequentemente, veio à tona que a polícia da capital recebeu cotas semanais de imigrantes ilegais que deve prender. Em Andaluzia, no sul, milhares de imigrantes sem comida ou abrigo invadiram cidades procurando em vão trabalhos na colheita de azeitonas já tomados por espanhóis.<br />
Guindastes estão parados em obras na costa espanhola e nas periferias. Muitas lojas pequenas no centro de Madri fecharam. Um dono de construtora arruinado é acusado de cinco assaltos a bancos.<br />
&#8220;Não vamos ter uma recessão. Vamos ter uma depressão, como nos anos 1930&#8243;, diz o economista Lorenzo Bernaldo de Quirós, presidente da Freemarket International Consulting. Quirós é um dos analistas mais pessimistas, mas se justifica apontando previsões quase consensuais: o desemprego atingindo 19% até o final do ano (contra mais de 14%, ou 3,3 milhões de pessoas, hoje); um déficit orçamentário de ao menos 6,5% do PIB; contração econômica de 3% ou mais em 2009, e, possivelmente, uma deflação. &#8220;Somado à crise financeira, este é o quadro perfeito para definir uma depressão&#8221;, conclui.<br />
Essa depressão pode atingir a economia espanhola -uma das dez maiores do planeta e a quarta da zona do euro- com tanta gravidade que pode fazê-la perder muitos dos ganhos conquistados na década passada desde a adoção do euro.<br />
Até a chegada da crise global, a Espanha tinha desempenho elogiável. Seu retorno à democracia e à prosperidade após uma guerra civil e a ditadura Franco é, afinal, uma das grandes histórias de sucesso da Europa do pós-guerra. Nos dez anos terminados em 2006, o crescimento real chegou à média anual de 3,7%, contra 2,1% na zona do euro. O PIB per capital subiu para mais de 90% da média dos 15 principais países ocidentais da União Europeia.<br />
Essa expansão ajudou a gerar mais de 5 milhões de empregos e a atrair mais imigrantes, como proporção relativa à população, que qualquer outro país da Europa. A construção civil, financiada pelo crédito fácil, foi o motor principal da economia durante uma década -e aí está a origem das dificuldades. Como nos EUA e no Reino Unido, a bolha imobiliária se rompeu, com grande força.<br />
Estimados 1 milhão de casas e apartamentos recém-construídos estão desocupados. A construção residencial -que respondeu diretamente por 7,5% do PIB em 2006- está quase parando. O lobby que representa 14 grandes construtoras anunciou que não iniciou a construção de uma única casa nova em dezembro e só 135 em todo o quarto trimestre de 2008. &#8220;Durante 15 anos, o padrão de crescimento da economia espanhola foi baseada em mercados financeiros com alto grau de liquidez &#8211; e liquidez barata&#8221;, diz Rafael Doménech, economista-chefe para a Europa do banco espanhol BBVA. &#8220;Foi ótimo para a economia espanhola que as famílias e as empresas usassem essa liquidez para aumentar sua dívida.&#8221;<br />
E foi o que elas fizeram. A dívida do setor privado dobrou em uma década, chegando a 120% do PIB. Com boa parte do crédito vindo de aposentados alemães e outros poupadores, através de títulos de crédito espanhóis avalizados por hipotecas, o déficit de conta corrente chegou a mais de 10% do PIB. Com o novo ambiente dos mercados financeiros, diz Doménech, &#8220;não podemos esperar usar o mesmo modelo de crescimento dos últimos dez anos&#8221;.<br />
Teoricamente, a Espanha poderia substituir a atividade da construção com o aumento da produção em outros setores. O país é uma das economias mais abertas do mundo, e suas empresas nos setores de moda, energia renovável, infraestrutura e bancos têm sido investidores externos e exportadores ativos. Mas outras economias não estão em condições de assumir o lugar da construção. A indústria automotiva espanhola, responsável por um quinto das exportações do país e 6% de seu PIB, está lutando para fazer frente à queda na demanda doméstica e externa. O turismo, que movimenta 50 bilhões, caiu 3% no ano passado -a primeira queda anual desde 97.<br />
O premiê socialista José Luis Rodríguez Zapatero seguiu o mesmo caminho que outros líderes na crise, anunciando uma enxurrada de planos de gastos governamentais, numa tentativa de combater o aumento do desemprego e evitar uma depressão prolongada. Miguel Sebastián, seu ministro da Indústria, vem flertando com o protecionismo -embora negue a acusação-, lançando uma campanha de &#8220;compre produtos espanhóis&#8221;.<br />
Mas não há certeza alguma de que as medidas de gastos -algumas anunciadas apesar das objeções do ministro das Finanças e ex-responsável pela restrição fiscal, Pedro Solbes- terão os efeitos desejados. O que é certo é que a margem fiscal de manobra do governo, com o déficit orçamentário projetado já sendo mais que o dobro do teto de 3% do PIB permitido pela UE, é fortemente limitada. Embora a dívida pública acumulada ainda seja relativamente modesta, a deterioração das finanças públicas levou a agência de classificação Standard &amp; Poor&#8217;s, no mês passado, a tirar da Espanha sua classificação AAA.<br />
Em crises anteriores, a Espanha simplesmente desvalorizou a peseta para aumentar a competitividade das exportações e atrair investimentos -o caminho seguido agora pelo Reino Unido-, mas uma desvalorização unilateral deixou de ser uma opção possível para um membro da zona do euro.<br />
Quase todos os executivos, economistas ortodoxos e políticos da oposição de direita concluem que a única maneira de a Espanha emergir da crise mais forte -ou sobreviver a ela dentro dos limites da zona do euro- é aumentar sua produtividade e competitividade, adotando reformas estruturais. O que querem dizer é que empregados possam ser contratados e demitidos mais facilmente, a um custo menor, e que os salários sejam definidos por empresas, não por setores.<br />
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Miguel Angel Fernández Ordóñez, irritou o governo ao descrever a reforma trabalhista como a medida &#8220;mais importante&#8221; contra o desemprego.<br />
Enquanto isso, o fim da alta performance econômica deixa a dúvida: será que o país poderá retomá-la ao final da crise global? Para os economistas, a construção foi uma parte tão importante que a recuperação inevitavelmente será lenta. &#8220;A economia espanhola levará cerca de sete anos para crescer a 3% ao ano novamente&#8221;, diz Bernardo Quirós. &#8220;Os espanhóis perderão metade de sua riqueza. É horrível.&#8221;</p>
<p><strong>Tradução de CLARA ALLAIN</strong></p>
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		<title>Salário mínimo deve ir a R$ 464,38</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 11:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Valor está previsto no Orçamento de 2009, que segue agora para a sanção presidencial
MARCOS BURGHI, Jornal da Tarde
marcos.burghi@grupoestado.com.br
O salário mínimo de 2009 deve subir 11,89%. Ao menos é o que está previsto no Orçamento de 2009, aprovado ontem pelo Congresso Nacional e que agora segue para sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://txt4.jt.com.br/editorias/2008/12/19/img/jt_grande.jpg" width="550" border="0" height="967" /></div>
<div style="text-align: center"></div>
<p><strong>Valor está previsto no Orçamento de 2009, que segue agora para a sanção presidencial</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">MARCOS BURGHI, Jornal da Tarde</p>
<p>marcos.burghi@grupoestado.com.br</p>
<p>O salário mínimo de 2009 deve subir 11,89%. Ao menos é o que está previsto no Orçamento de 2009, aprovado ontem pelo Congresso Nacional e que agora segue para sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p>De acordo com o documento, o valor será reajustado dos atuais R$ 415 para R$ 464,38. A previsão é o que o novo salário mínimo entre em vigor em 1º de fevereiro.</p>
<p>O cálculo do reajuste leva em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado e o Produto Interno Bruto (PIB). Para o reajuste de 2009 foi considerado o crescimento de 5,42% do PIB de 2007. A inflação de 1° de março deste ano a 31 de janeiro de 2009, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ainda é desconhecida. No projeto de Orçamento, o governo estimou que o porcentual ficará em torno de 6,2%.</p>
<p>Uma vez aprovado pelo presidente, o novo mínimo vai alterar cálculos de valores pagos e recebidos no País. O valor mínimo da aposentadoria mensal paga a um beneficiário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será de R$ 464,38. A quantia também serve de referência para a base de cálculo da contribuição dos empregados domésticos para o INSS. Atualmente, a base é o salário mínimo regional definido pelo governo do Estado para a categoria, de R$ 450, mas enquanto não houver reajuste do valor pelo governo do Estado valerá o mínimo federal, uma vez que é maior. Assim, o recolhimento que hoje é de R$ 54 (12% de R$ 450), com o novo salário passaria a R$ 55,73 (12% de R$ 464,38) a partir do cálculo de fevereiro para recolhimento em março. O mesmo valor serve de base para apuração dos 8% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cujo recolhimento no caso do empregado doméstico é facultativo.</p>
<p>Com o novo valor também muda o mínimo que os trabalhadores recebem a título de Programa de Integração Social (PIS), que também iria de R$ 415 para R$ 464,38. Também muda o valor máximo para as causas no Juizado Especial Federal. A casa só aceita casos cujo valor máximo em disputa chegue a 60 salários mínimos. Dessa forma, o teto passaria dos atuais R$ 24,9 mil para R$ 27.862,80.</p>
<p>O novo valor também mexe com as parcelas do seguro-desemprego, mas o Ministério do Trabalho informou que os cálculos ainda não foram realizados.</p>
<p><strong>Corte</strong></p>
<p>O Orçamento chega ao Planalto com um corte de R$ 4 bilhões em ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse será feito um remanejamento em pelo menos duas áreas: Educação e Ciência e Tecnologia. Só na Educação, o corte foi de R$ 1,1 bilhão. Na Ciência e Tecnologia, R$ 1 bilhão.</p>
<p><strong>O QUE MUDA COM O NOVO VALOR</strong></p>
<p><strong>APOSENTADORIA</strong></p>
<p>Aposentados que ganham o piso passariam a receber R$ 464,38</p>
<p><strong>CAUSAS NA JUSTIÇA</strong></p>
<p>O teto para causas no Juizado Especial Federal passa a<br />
R$ 27,9 mil (60 salários)</p>
<p><strong>MÍNIMO REGIONAL</strong></p>
<p>O valor para categorias profissionais na faixa de R$ 450, como empregadas<br />
domésticas, auxiliares administrativos e ascensoristas iria para R$ 464,38 a partir de 1º de fevereiro. O valor também passa a ser referência para cálculo da contribuição patronal das empregadas domésticas,<br />
de 12% e da contribuição facultativa de 8% para o FGTS</p>
<p><strong>SEGURO-DESEMPREGO</strong></p>
<p>O valor também será alterado, no entanto, o Ministério do Trabalho e<br />
Emprego informou que os cálculos só serão feitos depois de aprovado o valor pela Presidência da República</p>
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		<title>Previdência registra redução de 17,6% no déficit em 2008</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 14:35:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
VALOR
O Regime Geral da Previdência Social (RGPS) apresentou em outubro, segundo dados divulgados pelo governo, o menor déficit dos últimos dois anos: R$ 1,909 bilhão. Esse resultado é decorrente de receitas de R$ 13,475 bilhões e despesas de R$ 15,384 bilhões. Considerando o período janeiro-outubro, o déficit nominal acumulado é de R$ 33,719 bilhões, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://bp1.blogger.com/_gnphWs8xdmg/RwkUEOA6QlI/AAAAAAAAABE/CTzmEP4YDo4/s1600/caosnaprevidencia.jpg" width="248" height="250" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>VALOR</strong></p>
<p>O Regime Geral da Previdência Social (RGPS) apresentou em outubro, segundo dados divulgados pelo governo, o menor déficit dos últimos dois anos: R$ 1,909 bilhão. Esse resultado é decorrente de receitas de R$ 13,475 bilhões e despesas de R$ 15,384 bilhões. Considerando o período janeiro-outubro, o déficit nominal acumulado é de R$ 33,719 bilhões, com arrecadação de R$ 126,831 bilhões e pagamentos de R$ 160,551 bilhões.</p>
<p>Nos primeiros dez meses do ano, a arrecadação líquida da Previdência foi 9,4% maior que a do mesmo período em 2007. Por outro lado, as despesas com benefícios previdenciários elevaram-se 2,4% no mesmo período.</p>
<p>O secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, manteve a previsão de que 2008 será encerrado com o menor déficit dos últimos anos: R$ 38 bilhões. Em 2007, a Previdência registrou resultado negativo de R$ 46 bilhões. Na avaliação do secretário, o bom desempenho do mercado de trabalho, com criação recorde de empregos formais (mais de 2,1 milhões no ano até outubro), vem elevando a arrecadação das contribuições previdenciárias.</p>
<p>O déficit da Previdência Social, entre janeiro e outubro, foi 17,6% menor que o verificado no mesmo período de 2007. &#8220;Podemos olhar com tranqüilidade o fechamento do ano, pois os indicadores que temos são de que a Previdência não terá dificuldades em 2008&#8243;, afirmou Schwarzer.</p>
<p>A arrecadação líquida da Previdência Social no mês de outubro foi de R$ 13,475 bilhões, a segunda maior da série histórica. Na comparação com outubro de 2007, o crescimento foi de 7,3%. Schwarzer procurou ressaltar o superávit de R$ 733 milhões registrado em outubro no setor urbano. Ele explicou que a queda do déficit e o registro de superávits nesse setor nos últimos anos é uma tendência que deve ser mantida.</p>
<p>Na análise de todos os benefícios previdenciários concedidos em outubro, o Regime Geral da Previdência Social mostrou aumento de 2,4% sobre o mesmo mês do ano passado. Na comparação com setembro, houve queda de 1,7%. Em outubro, foram concedidos 195,6 mil auxílios-doença, o que mostra aumento de 5,16% sobre a concessão desse tipo de benefício em igual período de 2007.</p>
<p>Em outubro, os benefícios previdenciários alcançaram a marca de 25,982 milhões no estoque, o que representa crescimento de 3,5% sobre o mesmo mês do ano passado. A quantidade de auxílios-doença acumulada até o mês passado chegou a 1,370 milhão de unidades. (AG)</p>
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		<title>Frente parlamentar defende piso nacional dos professores</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 13:06:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Cristiane Agostine, de Brasília &#8211; VALOR
No período em que Estados e municípios negociam a aprovação de seus Orçamentos para 2009, deputados federais e senadores pressionam os governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul e Paraná a implementarem o piso nacional para os professores. Lançaram ontem uma frente em contraposição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://populo.weblog.com.pt/arquivo/professor.jpg" alt="http://populo.weblog.com.pt/arquivo/professor.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Cristiane Agostine, de Brasília &#8211; VALOR</strong></p>
<p>No período em que Estados e municípios negociam a aprovação de seus Orçamentos para 2009, deputados federais e senadores pressionam os governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul e Paraná a implementarem o piso nacional para os professores. Lançaram ontem uma frente em contraposição à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pelos cinco Estados contra a lei que criou o piso, de R$ 950, e aumentou a carga horária da educação básica.</p>
<p>Com mais de 150 assinaturas, segundo a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), a frente protestará nos Estados para que os governadores reformulem seus Orçamentos&#8221;. A Adin é uma afronta ao Congresso, ao movimento sindical e aos professores&#8221;, disse a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).</p>
<p>Na ação apresentada pelos Estados contra a Lei 11.738/08, que instituiu o piso, os governadores argumentam que a medida não cabe no Orçamento. &#8220;A lei extrapola ao legislar sobre a carga horária&#8221;, diz a secretária de Educação do Ceará, Maria Izolda Cela. A medida, diz, levará o governo estadual a contratar mais de 7 mil professores, o que aumentará os gastos em R$ 102 milhões. &#8220;Não consigo entender a postura do governo federal&#8221;, diz.</p>
<p>Em nota, a Secretaria de Educação de Santa Catarina adverte para o risco de se ultrapassar os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. A secretaria contesta a inclusão do aumento de horas-atividade e diz que terá de contratar 5,4 mil profissionais.</p>
<p>O cumprimento do piso será escalonado. O valor integral deve ser pago em 2010 para uma jornada de 40 horas semanais. O benefício também será destinado a aposentados e pensionistas. Além do piso, a lei, em vigor desde julho, estabelece que os professores devem reservar um terço da carga horária a funções fora da sala de aula, como planejamento das lições e correção de provas.</p>
<p>Os Estados e municípios que comprovarem não ter condições de pagar o reajuste terão complementação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica. Segundo o governo federal, cerca de 40% dos professores em início de carreira recebem menos do que o piso. É a primeira categoria a ter piso salarial definido na Constituição.</p>
<p>Na frente, já há divergências. Segundo o deputado federal Gastão Vieira (PMDB-MA), o movimento está politizando a discussão contra os partidos dos governadores.</p>
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		<title>EUA: Aposentados ficam mais pobres</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 12:45:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Clifford Krauss * &#8211; O Estado SP
Depois que o mercado acionário começou a cair, amigos têm procurado Barbara Goldsmith para falar sobre sua depressão, perda de apetite e insônia. &#8220;As pessoas estão sofrendo&#8221;, disse Goldsmith, uma terapeuta semi-aposentada que aconselha colegas residentes no Gleneagles Country Club, um condomínio fechado daqui. &#8220;Houve uma morte. O dinheiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Clifford Krauss * &#8211; O Estado SP</p>
<p>Depois que o mercado acionário começou a cair, amigos têm procurado Barbara Goldsmith para falar sobre sua depressão, perda de apetite e insônia. &#8220;As pessoas estão sofrendo&#8221;, disse Goldsmith, uma terapeuta semi-aposentada que aconselha colegas residentes no Gleneagles Country Club, um condomínio fechado daqui. &#8220;Houve uma morte. O dinheiro deles morreu.&#8221; Em comunidades como Gleneagles e nas casas de aposentados, estes são dias de medo e incerteza.</p>
<p>Em teoria, os aposentados não deveriam investir muito no mercado acionário; na realidade, muitos milhões o fazem. Com a economia em queda livre e as ações registrando perdas de 40% neste ano, legiões de pessoas das classes média e média alta estão subitamente preocupadas sobre se terão o suficiente para continuar vivendo.</p>
<p>Evidentemente, não estão se formando filas para o pão em lugares como Gleneagles. Os aposentados jogam golfe, tênis e cartas. Mas sustentar essa vida confortável por mais duas ou três décadas, como muitos aposentados esperam fazer, requer dinheiro. Pessoas com investimentos que valiam US$ 1 milhão ou US$ 2 milhões, alguns meses atrás, estão subitamente cancelando cruzeiros, recortando cupons de supermercados, comendo em casa e não em restaurantes e reduzindo contribuições para a formação universitária dos netos.</p>
<p>Como os aposentados de toda parte, os moradores daqui jogaram deliberadamente com o que viam com riscos competitivos. Eles todos ouviram o conselho padrão para retirarem seus ativos de ações para investimentos mais seguros quando se aproximavam da aposentadoria. Mas, com as taxas de juros muito baixas, os retornos sobre investimentos seguros como os títulos do governo eram magros, e muitos deles viam um risco em não manter algum dinheiro em ações. Para financiar uma longa aposentadoria, eles acharam que precisariam dos ganhos do mercado acionário.</p>
<p>Manter o dinheiro em ações os deixou expostos ao risco de um derretimento do mercado que ocorre uma vez na vida. Agora, esse dia está próximo. &#8220;Cada monitor de TV da sala de jogos e do vestiário está sintonizado na CNBC para ficarmos apreensivos o dia todo&#8221;, disse Jerry Rivkin, de 75 anos, dono de loja de eletrodomésticos aposentado. &#8220;Nós ficamos jogando por moedas e centavos enquanto nos assistimos perdendo dezenas de milhares.&#8221;</p>
<p>Para enfrentar a situação, algumas pessoas estão vendendo suas casas no Norte, para garantirem sua permanência aqui. Um punhado de condôminos em Gleneagles teve sua hipoteca executada. Durante anos, consultores de aposentadoria disseram que os idosos deviam investir pouco em ações, colocando a maioria de seus ativos em bônus, certificados de depósito e outros investimentos conservadores. Mas mesmo alguns dos especialistas reconhecem que essa estratégia nem sempre funciona para pessoas aposentadas com boa saúde que podem viver até os 90 anos ou mais.</p>
<p>&#8220;Com as expectativas de vida do jeito que estão, e a medicina melhorando a cada ano&#8221;, disse Joseph La Scala, um consultor financeiro sênior da GunnAllen Financial, &#8220;alguém que esteja entrando na aposentadoria agora precisa ser um investidor de longo prazo, e isso significa que precisa haver mais alocação de investimentos em ativos de crescimento como ações.&#8221;</p>
<p>Segundo estatísticas do governo, um terço dos aposentados quase não tem exposição em ações. Mas estes são principalmente pessoas pobres ou de baixa classe média cuja renda depende da Previdência Social. Outras estão blindadas por benefícios de pensões, embora estes estejam encolhendo nos últimos anos, especialmente para aposentados mais jovens.</p>
<p>Especialistas em aposentadoria dizem que uma maioria das pessoas das classes média e média alta tem portfólios bem mais carregados de ações e correm mais risco do que o normalmente recomendado. Segundo estudo da Universidade de Michigan patrocinado pelo National Institute of Ageing, dos 40% mais ricos da população com 75 anos ou mais, mais da metade tinha pelo menos um terço de suas poupanças em ações.</p>
<p>&#8220;As pessoas idosas de classe média fizeram planos baseados num conjunto de suposições de como o mundo funciona, e o mundo endoidou&#8221;, disse Alicia H. Munnell, diretora do Centro de Pesquisas sobre Aposentadoria do Boston College. Essas suposições já incluíram as noções de que contas bancárias e bônus corporativos eram seguros, e as ações de primeira linha eram os melhores investimentos de longo prazo.</p>
<p>&#8220;Se ligar para minha mãe&#8221;, disse Jason J. Fichtner, vice-comissário em exercício do departamento de Previdência Social, &#8220;sua meta era US$ 1 milhão em ações para se aposentar. Ela teve isso por um fim de semana, e agora seu valor caiu para US$ 600 mil.&#8221;</p>
<p>Em Gleneagles, as pessoas ainda jogam cartas, golfe e tomam aulas de pintura. Mas a apreensão da comunidade é palpável e crescente. &#8220;Eu me sinto horrível&#8221;, disse Harry Pure, 80 anos, diretor de atletismo aposentado da Universidade de Filadélfia, que perdeu 25% de suas poupanças. Num intervalo de sua aula de pintura, ele disse: &#8220;Era ótimo colocar a cabeça no travesseiro de noite e saber que estava seguro. Agora eu coloco a cabeça no travesseiro e as células cinzentas não conseguem dormir. Todos os diferentes cenários ficam ocupando minha mente agora: O que fazer?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Isso ameaça nosso estilo de vida&#8221;, disse Sid Freedman, 74 anos, um antigo dono de uma empresa têxtil. Com mais de US$ 2 milhões em ativos, ele achava que ele e a esposa estavam preparados para uma aposentadoria longa e segura.</p>
<p><strong><br />
* Escreve para The New York Times, de Delray Beach, Flórida</strong></p>
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		<title>Brasil acertou ao não privatizar previdência, diz ministro</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 11:30:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Isabel Sobral e Ana Paula Lacerda &#8211; O Estado de São Paulo
O ministro da Previdência Social, José Pimentel, disse ontem que o Brasil &#8220;acertou&#8221; ao não seguir as &#8220;orientações do FMI&#8221; aos países da América Latina, nos anos 90, para que privatizassem seus sistemas de previdência. Segundo o ministro, a maioria dos países latino-americanos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/10/brasil-acertou-ao-nao-privatizar-previdencia-diz-ministro/8048/" rel="attachment wp-att-8048" title="aposentados-praia.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/10/brasil-acertou-ao-nao-privatizar-previdencia-diz-ministro/8048/" rel="attachment wp-att-8048" title="aposentados-praia.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/10/aposentados-praia.jpg" alt="aposentados-praia.jpg" /></a></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Isabel Sobral e Ana Paula Lacerda &#8211; O Estado de São Paulo</strong></p>
<p>O ministro da Previdência Social, José Pimentel, disse ontem que o Brasil &#8220;acertou&#8221; ao não seguir as &#8220;orientações do FMI&#8221; aos países da América Latina, nos anos 90, para que privatizassem seus sistemas de previdência. Segundo o ministro, a maioria dos países latino-americanos que optaram por seguir o regime de capitalização das aposentadorias, mais usado por fundos privados, estão tendo de voltar atrás.</p>
<p>O comentário se referiu às notícias de que o governo argentino pretende acabar com o regime de previdência privada. &#8220;O Brasil resistiu e hoje é fonte de parâmetros para os ajustes que nossos vizinhos estão fazendo nas distorções dos seus regimes&#8221;, afirmou Pimentel.</p>
<p>Ele lembrou que, no modelo brasileiro, além da previdência pública &#8211; gerida pelo governo, por meio do INSS, em regime de repartição (quando a atual geração de trabalhadores contribui para o pagamento da geração aposentada) &#8211; há a alternativa da previdência privada, com base em fundos de pensão, que complementam a aposentadoria básica e são opcionais.</p>
<p>A Argentina criou um sistema em que os trabalhadores devem optar entre receber pensão do Estado ou contribuir para um fundo de pensão, onde cada um contribui para sua própria aposentadoria no futuro.</p>
<p>Quem não especifica por escrito que deseja ir para o sistema estatal passa obrigatoriamente para o privado. Desde o início do ano, os fundos privados teriam sofrido perdas de 40% por causa da crise.</p>
<p>O Chile, que tem o mesmo modelo da Argentina, também enfrenta perdas. Algumas aposentadorias tiveram de ser adiadas. &#8220;Nesses países, os fundos estão mais expostos a risco, com 60% a 70% das aplicações em renda variável&#8221;, diz o vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Carlos Guerra. &#8220;No Brasil, por lei, o máximo é 49%, e as empresas não costumam ultrapassar 10%.&#8221;</p>
<div id="c">
<h3>Déficit do INSS caiu 16,4% neste ano, até setembro</h3>
<p>Contratações formais favoreceram a arrecadação, que chegou a R$ 115,5 bilhões no ano, apesar da crise global</p></div>
<div class="grupoC2">
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Isabel Sobral,O Estado SP</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>Apesar da crise internacional, o ritmo das contratações formais continua beneficiando as contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De janeiro a setembro, apresentaram déficit de R$ 32,3 bilhões, anunciou ontem o Ministério da Previdência. Houve queda real (descontada a inflação) de 16,4% ante o rombo de igual período de 2007. A arrecadação somou R$ 115,5 bilhões, uma alta de 9,7% ante igual período de 2007.</p>
<p>As despesas cresceram 2,7% de janeiro a setembro, chegando a R$ 147,9 bilhões. Só em setembro, o déficit foi de R$ 7,4 bilhões, uma queda real de 24,3% ante os R$ 9,8 bilhões negativos de setembro de 2007. Como ocorre há três anos, o déficit de setembro subiu por causa do adiantamento de metade do 13º salário para os 22,6 milhões de aposentados e pensionistas do INSS.</p>
<p>A contrapartida para o INSS em arrecadação sobre esse benefício só entrará no caixa em dezembro. As receitas do mês somaram R$ 13,4 bilhões, o resultado mensal mais alto até hoje, exceto em meses de dezembro. As despesas somaram R$ 20,8 bilhões.</p>
<p>O ministro da Previdência, José Pimentel, se mostrou otimista com o fato de os dados ainda não apontarem reflexo da crise no mercado formal de trabalho. Para ele, os &#8220;bons indicadores&#8221; da economia brasileira e as medidas de irrigação do crédito devem manter o atual comportamento da oferta de emprego. &#8220;O mundo do trabalho continua forte&#8221;, afirmou Pimentel. A previsão de déficit para o ano permanece em R$ 38 bilhões.</p>
<p>A avaliação contrasta com as opiniões de especialistas de que a crise levará a uma desaceleração da economia mundial, o que poderá repercutir no emprego. &#8220;Evidente que, se não tivéssemos essa crise mundial, estaríamos muito melhor. Mas o pânico que se viu em setembro não deve se confirmar&#8221;, afirmou o ministro.</p></div>
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