15/06/2009 - 15:57h Alterar tom de voz para conversar com criança prejudica aprendizado da fala

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VANESSA TEODORO da Folha Online

O aprendizado da comunicação pode ser prejudicado se os pais falarem constantemente com tom de voz infantilizado ou se usarem o diminutivo quando conversarem com as crianças. É o que afirma Débora Maria Befi Lopes, professora associada do curso de fonoaudiologia da USP (Universidade de São Paulo).

A fonoaudióloga diz que os pais são o modelo das crianças para a o conhecimento da linguagem oral, por isso a comunicação deve ser a mais natural possível.

“Ninguém precisa falar difícil nem fácil, é falar normalmente. Você não fala com uma criança com palavras que ela não conhece, você vai usar um vocabulário básico, expondo ela às coisas do dia-a-dia. Sem mudar o padrão de entonação para uma coisa mais infantil”, recomenda.

Lopes afirma, porém, que o fato de os pais “darem voz a brinquedos” não é condenado, o problema é quando o adulto altera sua entonação toda vez que conversa com seus filhos.

“Existem pessoas que falam como se a criança não tivesse noção de compreensão, falam tudo no diminutivo, com um padrão articulatório incorreto. Isso você pode fazer em um momento, é natural que ocorra, mas não é natural você passa o dia todo falando assim”, explica.

14/04/2009 - 09:39h Nenhuma escola de ensino médio atinge meta em SP


Só dez unidades de 4ª série na capital paulista obtiveram nota considerada adequada

Dados do Saresp mostram que unidades de 6ª e 8ª séries também ficaram com desempenho abaixo da meta em português e matemática

FÁBIO TAKAHASHI E EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Nenhuma escola estadual da capital paulista que oferece sexta e oitava séries ou ensino médio tem médias consideradas adequadas em português e matemática, conforme critério da própria Secretaria da Educação. Na quarta série, apenas dez unidades atingiram o patamar.
O governo José Serra (PSDB) mantém 580 escolas com quarta série na capital paulista; 632 têm sexta; 619, oitava; e 588, ensino médio (antigo colegial).

Os dados estão presentes no Saresp, exame anual aplicado pelo Estado, cujos resultados foram divulgados na semana passada. A tabulação dos resultados das unidades na capital foi feita pela Folha.

A secretaria espera que na quarta série os alunos consigam, por exemplo, compreender a moral de uma fábula ou resolver problemas matemáticos que envolvam centavos. A pasta reconhece que há problemas na qualidade do ensino, mas afirma que tem havido avanços. Cita, por exemplo, a melhora do desempenho em matemática. Em língua portuguesa, porém, houve queda na maioria das séries.

Ontem, durante a posse do novo secretário da Educação, Paulo Renato Souza, Serra afirmou que, “em questão de prédios, de merenda, de transporte, a situação é de boa para excelente. As professoras são muito simpáticas, e os alunos têm vontade de aprender. Mas isso não está acontecendo.”

O tucano apontou como ações para a melhora da qualidade do ensino a criação de materiais pedagógicos e a bonificação por desempenho (pago aos educadores a partir do resultado de sua unidade) -projetos já em andamento. Já o novo secretário da Educação afirmou que “os resultados estão melhorando. O problema é que muitas vezes espera-se grandes mudanças em pouco tempo.”

Salários

O presidente da Udemo (entidade que representa os diretores de escolas), Luiz Gonzaga Pinto, afirmou que “é preciso uma mudança na estrutura da escola pública”. Ele diz que os principais pontos são fixar o professor em uma escola e pagar melhores salários. “É preciso uma política para entusiasmar o pessoal”.

Para ele, o pagamento do bônus por desempenho foi um “desastre”. “Cerca de 30% dos educadores não vão receber nada e ficaram muito desanimados. Outros estão em escolas com boas notas, mas vão ganhar menos do que em outras com piores desempenhos.” O mecanismo criado pelo governo prioriza as unidades que melhoraram em um ano, não necessariamente as que têm os melhores desempenhos.

Colaboraram JULIANA CARIELLO, DANIELA MERCIER, MAURÍCIO MORAES, MÔNICA RIBEIRO E RIBEIRO E IGOR GIANNASI

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