14/11/2009 - 13:23h “Os declaro marido…e marido”

caravggio
“Amor vincet omnia”. Ou, na língua de Júlio César, “O amor conquista tudo”. Título da obra de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571 – 1610), que exibe um Cupido com ar triunfador.
A obra foi pintada para o marquês Vincenzo Giustiniani entre 1602 e 1603. Está no Staatliche Museen, Berlim.

mao332a “Os declaro marido…e marido”. A frase poderá ser formalmente ouvida por Alex Freyre e José María Di Bello nos próximos dias, quando poderão casar-se, formalmente, no Registro Civil de Buenos Aires.

A autorização para este casamento entre dois homens foi assinada pela juíza Gabriela Seijas, que considerou que são inconstitucionais os artigos 172 do Código Civil argentino – que estabelece que é necessário o consentimento de “um homem e uma mulher” – e o 188, que determina a fórmula “os declaro marido e mulher”.

Segundo a juíza, “a lei deve tratar cada pessoa com igual respeito em função de suas singularidades, sem necessidade de entendê-las ou regulá-las”.

Desta forma, Alex, de 39 anos, e José María, de 41, anunciaram ontem (sexta-feira) que estão “orgulhosos” e “felizes”. Eles também afirmaram que serão o primeiro casal de homens que poderão casar-se oficialmente na História da América Latina. A medida cria precedentes para o fim do impedimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo dentro da cidade de Buenos Aires.

Até o momento, a cidade de Buenos Aires autorizava a união civil de duas pessoas do mesmo sexo. A mesma norma está em funcionamento há meses no Uruguai. Mas, a união civil deixa de lado vários direitos de um casamento formal, entre eles, a adoção de crianças. A partir do casamento, Alex e José María poderão adotar, se desejarem.

O CASAMENTO, O PREFEITO E O YOUTUBE
Maurício Macri, prefeito de Buenos Aires, do partido de centro-direita Proposta Republicana, anunciou que não impedirá o casamento, já que considera que está “a favor da liberdade e o direito das pessoas de serem felizes de acordo com suas próprias decisões”.

Macri surpreendeu ao deixar de lado suas posições costumeiramente conservadoras ao admitir que a aceitação do casamento homossexual “é uma tendência em todo o mundo”.

Para mostrar sua modernidade, o prefeito fez o anúncio em um vídeo institucional que colocou no site Youtube. “Espero que sejam felizes”, expressou Macri.

O link do Youtube, com a mensagem de Macri:
http://www.youtube.com/watch?v=T7fp0ecfQ3s&feature=player_embedded

Diversas pesquisas nos últimos meses indicaram que 60% dos portenhos não colocam impedimentos para a legalização do casamento entre homossexuais.

PARLAMENTO E IGREJA
A comunidade gay em Buenos Aires espera que a decisão da juíza Seijas sirva de “empurrão” para o debate do projeto de lei que está em andamento no Congresso Nacional que inclui no Código Civil o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O projeto também prevê a modificação de artigos que atualmente impedem que gays, lésbicas, bissexuais e transexuais tenham os mesmos direitos nas relações de família que um heterossexual. A proposta é a de – basicamente – substituir a expressão “homem e mulher” por “contraintes”.

Com essa modificação as pessoas do mesmo sexo que casarem terão direitos a pensões, planos de saúde conjuntos, além das heranças. No caso de filhos adotados, em caso de separação dos pais, ambos terão direitos e obrigações sobre os menores.

No entanto, o tratamento deste projeto foi criticado pela cúpula da Igreja Católica argentina. A comissão executiva do Episcopado afirmou que sua definição de “casamento” é a de “uma relação estável entre homem e mulher, que em sua diversidade de complementam para a transmissão e o cuidado da vida”. Desde que a Igreja emitiu sua posição, o tratamento do projeto de lei ficou paralisado.

obeliscoes
Com satírico humor, portenhos indicam que o Obelisco de Buenos Aires, em pleno centro da capital, é uma exaltação fálica de 67 metros de altura. Na foto, propriamente equipado com um preservativo para o dia mundial de luta contra a Aids, em 2005.

BOOM DO ‘PINK MONEY’
Desde a crise financeira de 2001-2002 – a pior da História do país – a capital argentina deixou de lado o machismo imortalizado nas letras do tango e transformou-se na “Meca” do turismo gay na América Latina.

Nos últimos anos a cidade ficou repleta de bares, restaurantes, hostals, boutiques e discotecas gays.

Os especialistas sustentam que Buenos Aires tornou-se atraente graças à desvalorização da moeda (ocorrida em 2002) e o glamour que a cidade ostenta, proporcionado pela arquitetura europeia do início do século XX, quando a capital argentina – apelidada de “Paris da América do Sul” – era uma das mais elegantes do planeta. O especialista em turismo gay, Alfredo Cañete, diretor da Buegay, acrescenta em inglês o motivo da atração gerada por Buenos Aires: “italian looking cute guys” (garotos bonitos com aspectos de italianos).

Além disso, Buenos Aires é a cidade onde viveu e morreu Evita Perón, ícone do mundo gay – para profunda irritação do Peronismo ortodoxo – tal como Marilyn Monroe e Maddona.

O espírito “gay-friendly” ficou evidente há quatro anos, quando as autoridades municipais aprovaram a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Estimativas indicam que do total de 36 milhões de argentinos, 2 milhões são gays e lésbicas.

Por toda a cidade – principalmente nos bairros de San Telmo, Recoleta e Palermo – espalham-se uma dezena de “hostals” e 50 bares e restaurantes gay-friendlies, uma Wine Store, além de cursos de tango para homossexuais.

Há dois anos a cidade foi a sede da Copa do Mundo de Futebol Gay (a Argentina foi a campeã graças ao gol de seu atacante principal, um brasileiro residente no país).

Buenos Aires também conta com o Queer Tango Festival, um evento anual que cada vez arrepia menos os tangueiros ortodoxos. Ao longo do ano, o público gay também pode desfrutar do tango em duas tanguerías especializadas para esse público, além de dezenas de cursos especializados nesse tipo de dança.

Os comércios portenhos celebram a afluência do denominado “pink money”, já que os turistas gays estrangeiros gastam 25% a mais do que os turistas heterossexuais que passeiam por Buenos Aires.

No início desta década a maior parte da clientela gay estrangeira que visitava Buenos Aires era composta por jovens homossexuais europeus e americanos. Mas, nos últimos anos começaram a desembarcar ostensivos contingentes de brasileiros, colombianos e mexicanos.

Buenos Aires também tornou-se um ponto de atração para gays a ponto de aposentar-se nos EUA e Europa, que mudam-se para a capital argentina. Na cidade, suas aposentadorias rendem mais do que nos países de origem. Além disso, encontram imóveis baratos para instalar-se.

Os gays portenhos, com seu satírico humor, indicam que a cidade sempre fora gay-friendly, mas ninguém havia percebido: “temos um monumento, o Obelisco, que é uma exaltação fálica de 67 metros de altura…e além disso, é só ver que o palácio presidencial é a Casa Rosada!”.

08/11/2009 - 13:57h Ministro chama imposto de carro 1.0 de aberração e propõe ”IPI verde”

Ele defende fim do incentivo ao ‘popular’ e repasse do benefício tributário aos carros econômicos de qualquer cilindrada

David Friedlander e Raquel Landim – O Estado SP


Entrevista
Miguel Jorge: ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior


Quem é:
Miguel Jorge

Jornalista, foi chefe de redação do Estado e seguiu carreira de executivo na Autolatina, Volkswagen e Santander

É ministro do Desenvolvimento desde março de 2007

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, trabalha numa proposta polêmica. Ele defende o fim do incentivo tributário para o carro com motor 1.0, o “popular” – que desde 1993 paga menos imposto que os carros com motores mais potentes. O ministro propõe a transferência desse benefício para automóveis de baixo consumo de combustível. Os carros mais econômicos, diz Jorge, pagariam um Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menor. O “IPI verde”, como foi apelidado, já está sendo adotado para alguns eletrodomésticos, como geladeiras e máquinas de lavar.

Jorge defende o mesmo mecanismo para os carros. Diz que a potência do motor não é um critério correto para definir quem vai pagar mais ou menos imposto. Os automóveis 1.0 são tributados com IPI de 7%, enquanto as outras categorias recolhem até 25%, dependendo do modelo. “Tem de rever isso. Foi feito em cima de uma aberração”, diz. Ele afirma que a mudança não seria feita agora, mas seu ministério e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) estão trabalhando há pouco mais de dois anos nesse projeto.

Um dos auxiliares mais discretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas últimas semanas Jorge ganhou evidência por causa das retaliações do Planalto às medidas protecionistas adotadas pela Argentina contra produtos brasileiros. Para forçar os vizinhos a recuar, o Brasil acionou entraves burocráticos e bloqueou caminhões com carga argentina na fronteira. Sobre esse confronto, a discrição do ministro chega a ser mordaz: “Briga? Não tem briga.”

Nesta entrevista, ele também fala da criação de um banco federal totalmente voltado ao financiamento do comércio exterior e sobre os negócios que está tentando fechar com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A seguir, os principais trechos da entrevista:

A redução do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para eletrodomésticos e para materiais de construção vai continuar em 2010?

Eu defendo isso. Temos um programa de construção de casas em que o governo se dispõe a financiar R$ 36 bilhões para quem ganha três salários mínimos. Se você cobra IPI, esses R$ 36 bilhões vão financiar um número menor de casas.

É possível manter o benefício com a arrecadação do governo em queda?

A arrecadação vai reagir. Os empresários estão prevendo o melhor Natal dos últimos anos. Melhor que 2007, melhor do que 2008 seria sem a crise. Não falo em previsões de analistas, porque eles nunca acertam, não sabem o que está se passando, não sabem o que está por trás da análise. Falo das previsões de profissionais do setor. As indústrias de linha branca e automobilística, por exemplo, voltaram a contratar.

E a redução do IPI para os carros? Acaba mesmo este ano ou o benefício pode ser prorrogado?

Não vai ter redução de IPI. Em princípio, não vai ter.

O “IPI verde”, já implantado nos eletrodomésticos, pode ser aplicado também nos carros?

Estamos nesse processo há dois anos e pouco, com o pessoal do Inmetro. Naquela época não se falava em verde, mas em eficiência energética. Motores mais eficientes, que gastam menos, teriam um selo de eficiência, como tem na geladeira e na máquina de lavar. Mas, primeiro, o selo é voluntário. Ainda não estamos obrigando ninguém a colocar. Vamos avançar os estudos para que isso seja um programa nacional e, aí sim, discutir o processo de imposto baseado na eficiência energética.

Carros mais econômicos pagariam imposto menor?

Esse é o modelo. É uma questão de ser mais justo. Se você tem um equipamento mais eficiente e outro menos, por que não ter a vantagem do imposto para o equipamento mais eficiente?

Seria uma política permanente ou uma medida de emergência contra a crise?

Quando esses estudos estiverem mais avançados, gostaríamos que fosse uma política permanente. Sempre teve uma grande discussão na indústria sobre essa questão de diferenciar o IPI por cilindrada. O carro com a mesma cilindrada pode ser 30% mais eficiente do que outro, mas paga o mesmo imposto. Não é correto. Essa coisa do carro 1.0 é preciso ir às origens dos fatos. Isso começou com uma aberração dos anos 90. Tem de rever isso porque foi feito em cima de uma aberração. Não tem sentido dividir por cilindrada.

Que aberração?

Uma empresa, que era a única que tinha carro 1.0 na época, conseguiu no Ministério da Fazenda uma redução de 50% do IPI, que naquela época era 40% do valor do automóvel. O IPI passou a ser 20% para os carros 1.0 fabricados no Brasil. Esse era o pulo do gato: só uma empresa (o ministro se refere à Fiat) tinha 1.0 fabricado no Brasil, exportado para a Itália. Nem era vendido aqui. Essa empresa ficou dois anos e meio sozinha no mercado, com o IPI reduzido, uma vantagem competitiva brutal. As outras empresas também desenvolveram o motor 1.0, isso virou 70% do mercado, depois caiu, agora voltou com a política de incentivo contra a crise, já que eles são mais baratos e teve a ascensão das classes D e E.

O caminho então não é favorecer os mais pobres, mas buscar a eficiência energética …

Falando desse jeito fica meio esquisito… O que precisa é fazer a política que está sendo feita: dar à população D e E a capacidade de comprar o produto melhor. Não é facilitar a venda do produto que não tem qualidade.

Falando em facilitar a vida, até que ponto o senhor está disposto a ir na briga com a Argentina?

Que briga? Não tem briga.

O governo brasileiro está segurando mercadoria argentina na fronteira com a justificativa de que precisa avaliar documentos. Quanto tempo isso vai durar?

Vai durar o necessário. É um volume pequeno, não chega a 10% das importações.

O sr. conversou com alguém do governo argentino?

A Debora Giorgi (ministra da Produção da Argentina) ligou e o Ivan (Ramalho, secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento) falou com ela. Ele falou e me senti desobrigado de ligar. Mas parece que a conversa foi amena.

Em nome da parceria comercial, durante muitos anos o Brasil aceitou provocações da Argentina? Agora houve uma mudança de atitude do governo?

(Silêncio)

Pela primeira vez tem caminhão argentino parado na fronteira…

Sim, mas os perecíveis foram liberados. Frutas, uvas, pêssego. Quanto às outras cargas, vamos aguardar.

Mas é só a mercadoria argentina que precisa de avaliação?

Por enquanto, é.

Os problemas internos do Mercosul têm solução?

Têm solução. O que não pode é ter uma parceria que fica a critério de quem está no governo decidir como vai ser. As regras deviam ser claras e independentes das condições conjunturais da economia de cada país. Se não fosse assim, a União Europeia nunca existiria.

05/11/2009 - 20:00h Tango, uma forma de caminhar pela vida

Blog de Ariel Palacios

por Ariel Palacios, O Estado SP

piernas

A herança afro no tango argentino fica evidente pela sensualidade dos passos desta forma de “caminhar pela vida”


Um relatório elaborado por Cynthia Quiroga, psicóloga colombiana (o cantor Carlos Gardel morreu em 1935 na colombiana Medellín), integrante da Universidade de Frankfurt (Alemanha, terra onde foi inventado o bandonenón) afirma que o tango eleva o desejo sexual.
A Universidade recomenda o tango para casais com problemas de baixa testosterona
Sexo à parte, o tango – ritmo musical do rio da Prata (pois é praticado em ambas margens, a uruguaia e a argentina) – foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, no mês passado.

maozinhassd “O tango é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico…sua representação é um simulacro erótico”. (do escritor espanhol Rafael Salillas em 1898)

“…Dança-se entre um homem e uma mulher, mas sem cópula”.(Salillas, 1898)

Para o escritor Jorge Luis Borges, o tango era “uma forma de caminhar pela vida”. Para o poeta Enrique Santos Discépolo, “um pensamento triste que pode ser dançado”. No exterior, o tango é a música emblemática que representa a Argentina, embora o mesmo gênero musical também seja símbolo do vizinho do outro lado do rio da Prata, o Uruguai. Os argentinos se ufanam da definição dada pelo filósofo americano Waldo Frank, que sustentou que o tango é “a dança popular mais profunda do mundo”.

A palavra tango talvez seja a mais associada à Argentina em todo o planeta. A crise econômica de dezembro de 2001 foi chamada de “efeito tango” pela imprensa mundial. O caráter fatalista e pessimista que muitos argentinos exercem diariamente sobre a política, a economia e suas próprias vidas pessoais também é apontado como “um tango”.

Mais do que triste, o tango é introvertido e introspectivo, ao contrário de outras danças populares que são extrovertidas e eufóricas. Para o escritor Ernesto Sábato, “somente um gringo pode fazer a palhaçada de aproveitar um tango para conversar e se divertir”. Segundo o autor, “um napolitano dança a tarantela para se divertir. O portenho dança um tango para meditar sobre seu destino”.

O tango é multifacético. Suas letras falam da mãe “santa”, da turma de amigos, das ruas do bairro e da pérfida – e perdida – mulher que os abandonou. Mas além disso, o tango também fala do hedonismo e da aparência, das divisões sociais e dos picaretas. Ele também é frequentemente satírico, com letras que disparam ácidas farpas contra tudo e contra todos.

NASCIMENTO
Na Argentina (no Uruguai a História é outra), mais do que ‘argentino’, o tango é portenho, já que o interior da Argentina seria melhor representado por outros ritmos, como o chamamé, o malambo e a zamba.

O bairro da Boca não foi o berço do tango, ao contrário do que indicam certas lendas, especialmente de guias turísticos estrangeiros.

mondongo
Tango nasceu no ‘barrio del Mondongo’, atual bairro de Montserrat. O bairro está marcado em vermelho nesse mapa antigo de Buenos Aires.


O tango surgiu ao redor de 1877 no bairro de Montserrat, situado entre a Casa Rosada e o atual Congresso Nacional. Na época, ali residiam os descendentes dos escravos negros que haviam sido liberados em 1813.
Em Montserrat, também chamado de “barrio del Mondongo”, os afro-argentinos organizaram-se em associações beneficentes, que de noite – em barracos de sapé – preparavam festas para angariar fundos.

Nesses eventos, tocavam batucadas lânguidas, que para os escandalizados vizinhos brancos da área eram danças “luxurientas” e “indecentes” na coreografia.

As reuniões em Monserrat-Mondongo muitas vezes acabavam subitamente com a intervenção da polícia, que aparecia para “colocar ordem” no lugar.

Na época de carnaval as associações de afro-argentinos saíam às ruas para dançar ao som da batucada, denominada na região do rio da Prata como “candombe”.

A rivalidade dos grupos – cada um queria mostrar que era melhor na coreografia – provocava confrontos sangrentos nas ruas. Por este motivo, depois de anos de incidentes, o governo ordenou a dissolução das associações.

Sem poder sair às ruas, os afro-portenhos organizaram lugares exclusivos de dança, os “tambos”. Com esta palavra começa a polêmica sobre a origem do tango. Para alguns “tangólogos”, “tango” viria de “tambo”. Para outros, vem de “Xango”, ou “Xangô”, deus africano da guerra.

A própria palavra “tango”, com essa grafia, apareceu em 1836 no “Diccionario Provincial de Voces Cubanas”. O livro define “tango” como “a reunião de negros para dançar ao som de seus tambores ou atabaques”. Outra teoria indica que “tango” vem de “tambor”.

A polêmica e a discussão são elementos altamente cotados na mesa dos argentinos. Portanto, abundam versões sobre o assunto. Uma teoria indica que “tango” vem de “tang”, palavra pertencente a um dialeto africano que poderia ser traduzida como “aproximar-se, tocar”.

tangopassos
Uma forma de caminhar pela vida com raízes africanas que posteriormente foram europeizadas


Curiosamente, outra versão sustenta que a palavra vem do latim “tangere”, que também significa “tocar”. No espanhol antigo, “tangir” equivale a tocar um instrumento.

Para complicar, no século XIX existia na Espanha um “tango andaluz”. E no México, no século XVIII, uma dança com o mesmo nome.
Nenhuma dessas teorias (há várias teorias adicionais sobre a origem da palavra) foi comprovada. Os argentinos continuam dançando este gênero sem se preocupar por sua etimologia.

Desta forma, os afro-portenhos tiveram que resignar-se a ficar dentro de seus “tambos”, dançando o embrião daquilo que em poucas décadas seria o tango tal como o conhecemos hoje em dia.

A forma de dançar era – de certa forma – vagamente similar ao samba brasileiro atual: dança solta, eventualmente segurando o/a parceiro/a, além de muito requebro.

Mas, nesse momento em que essa forma prototípica do tango está em plena ebulição nos lugares de encontros dos afro-argentinos, ocorre uma guinada que seria fundamental para o desenvolvimento do tango: o surgimento do “compadrito” nos “tambos”.

gabino
Gabino Ezeiza, um dos expoentes agro-argentinos do tango em seus primórdios


(Veremos o surgimento do compadrito no tango nos próximos dias e também a vida de Gabino Ezeiza)

maozonad

TWITTER
Embalado pelas novas tecnologias, estamos no Twitter! Quem quiser acompanhar as twittadas de vosso blogueiro é só buscar pelo nome de arielpalacios (tudo junto) no Twitter.

readingw

………………………………………………………….
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).

22/07/2009 - 17:16h Traducción simultánea

En otro ejemplo de apoyo al diálogo cultural con la Argentina, Brasil aloja una muestra sobre nuestro arte contemporáneo, mientras continúa en su embajada porteña una exposición de artistas de ambos países

Traducción simultánea
FLAVIA DA RIN. Creó un jardín artificial, en el hall de entrada del edificio, para ubicar sus obras con hadas

Por Raquel San Martín
Enviada especial – San Pablo, 2009

¿Cómo se dice habitación en portugués?” Leandro Erlich buscó ayuda con la mirada, parado frente a su obra ante un grupo de visitantes, en su mayoría brasileños. Siguió explicando en perfecto español su instalación El vecino , un cuarto en el que, al mirar el interior, el espectador se ve a sí mismo. Todos lo entendieron.

Esa traducción sin idiomas que permite el arte se repite en cada una de las obras que componen la muestra Argentina hoy , inaugurada la semana pasada en el Centro Cultural del Banco do Brasil paulista, que busca trazar un panorama del arte contemporáneo argentino y a la vez batallar contra el desconocimiento que sobre esa producción todavía se mantiene aquí.

Ambiciosa -la exposición reúne 60 obras de 33 artistas, en formatos y técnicas diversas, realizadas entre 2000 y 2009-, la muestra se exhibirá en San Pablo hasta el 30 de agosto y luego seguirá viaje rumbo a Río de Janeiro, para presentarse del 14 de septiembre al 22 de noviembre.

Con el empuje y la producción de Marlise Jozami, la curaduría binacional de Franklin Espath Pedroso y Adriana Rosenberg, la exhibición y toda la movilización que la rodea están financiadas por el Banco do Brasil, motivado en esta iniciativa por la ley de mecenazgo que, con éxito, rige en este país desde 1991.

Las obras de los artistas argentinos, que tienen entre 28 y 53 años, ocupan cada rincón de las cinco plantas de su centro cultural, un edificio construido en 1901, ex sede bancaria, que está ubicado en el cruce de dos calles peatonales del centro antiguo de la ciudad y conserva toda la majestuosidad de la arquitectura de principios del siglo XX.

Hay obras en salas de exhibición más tradicionales -Res, Nicola Costantino, Dino Bruzzone, Gian Paolo Minelli, Esteban Pastorino-, pero también en el hall de entrada -Flavia Da Rin, Fabiana Barreda-, en los pasillos que balconean el centro del edificio -Tomás Espina, Max Gómez Canle, Leandro Erlich- y hasta en la bóveda, donde Marina de Caro recreó su instalación Entre paréntesis , una habitación que hay que recorrer sin zapatos y que propone reflexionar sobre la inmigración y la memoria.

Mientras algunas obras parecen volverse parte del edificio -como el mural de Leila Tschopp en la planta baja-, otros claramente intervienen el espacio para cambiarlo: la noche de la inauguración, los visitantes deambulaban sobre el “pasto” de la instalación de Flavia Da Rin, en el hall de entrada circular, y parecían no advertir cómo la artista había rodeado una columna del antiguo edificio para convertirla en un árbol.

“En los últimos años me ha sorprendido la presencia de la figuración en el arte argentino contemporáneo, aún con toda la tradición que la abstracción tiene en el país. Así que elegí artistas que trabajan con la figuración, y los dividí en dos grupos: los que arman un mundo propio y los que se inspiran en el tema de la ciudad”, explicó Espath Pedroso a adn cultura, que en el catálogo habla de artistas “con un pensamiento coherente, propio, en busca de un trabajo riguroso”. “El concepto central siempre fue mostrar la mirada de un extranjero sobre la Argentina”, dijo.

Hay, si así se mira, una variedad estética importante en las obras, que enriquece la figuración prometida como eje y que lleva a pensar si la “argentinidad” no será solamente un accidente geográfico en común. Las obras, a su manera, reflexionan sobre el tiempo, el espacio, el azar y la experiencia urbana.

“En muchas hay referencias a algo profundo de la cultura argentina, ironías sobre la historia del arte y temas de la cultura popular”, matizó Rosenberg. Eso aparece en las fotografías de las banderas de River y Boca de Bruzzone, en la relectura de la Conquista del Desierto y las marchas de protesta de Leonel Luna, en las referencias a la historia del arte de Res y en la instalación auditiva de Leandro Tartaglia, en la que se escuchan textos periodísticos y literarios.

Sin embargo, los propios artistas -trece de ellos viajaron para la inauguración de la muestra- comentaban la dificultad de encontrar un arte “argentino”, o de adjudicar una identidad nacional a cualquier producción artística en la actualidad.

Difícil hacerlo, por ejemplo, con el mural de Pablo Siquier, en vinilo contra el muro, que él mismo explicaba a los visitantes inaugurales como “la experiencia de las grandes urbes”. “Mi trabajo celebra la diversidad y el caos de las ciudades, con los intentos fallidos de orden. Esas imperfecciones me fascinan”, dijo. Perfecto para esta ciudad desbordante y construida en desnivel, que fue integrando las localidades cercanas sin dar con un trazado que las organizara bajo una identidad común.

Tampoco hay referencias solamente argentinas en la instalación de Silvia Rivas, que mediante videos recrea “las cualidades del tiempo y la urgencia”, como ella misma contó. Ni en la obra de Mariano Sardón, Libro de arena , en la que la arena devela un texto si el espectador proyecta su sombra sobre ella.

Con el espacio colmado de curadores, críticos, galeristas, coleccionistas y gestores culturales brasileños y argentinos en la noche de la apertura, los creadores de las obras comentaban los beneficios de acceder a una vidriera en Brasil, aunque varias galerías locales ya albergan artistas argentinos. Parece, sin embargo, más un movimiento individual que el resultado de una política; en Brasil, el apoyo a los diálogos culturales bilaterales, como el de esta muestra, es una decisión. Otro ejemplo se encuentra en estos días en Buenos Aires, con Transitorio-Permanente , también curada por Espath Pedroso, que hasta el 9 de agosto reúne a artistas brasileños y argentinos en la embajada de Brasil (ver Diálogo en dos idiomas , en la edición de adn cultura del 20 de junio de 2009).

Para recordar la procedencia de las obras, se eligió como emblema de la muestra una escarapela celeste y blanca, que se repite en el catálogo y en las paredes del centro cultural. Quizá sea esa la razón por la que, en una vitrina, se acomodaban cajas de los argentinísimos alfajores Havanna. Y no era una instalación.

© LA NACION

05/07/2009 - 10:00h “Kirchner perdeu eleição para construção midiática”

Filósofo compara De Narváez a Collor e Fujimori, “direita que se oferece como leve”

Ricardo Forster admite, porém, que governo Cristina cometeu erros e perdeu contato com a sua base de sustentação popular

http://momento24.com/en/wp-content/uploads/2009/06/de-narvaez.jpg

DE BUENOS AIRES – FOLHA SP

À medida que o governo de Cristina Kirchner se enfraquece na Argentina, avança um setor da direita no país que explora a lógica dos meios de comunicação e o fim da política tradicional.
Para o filósofo Ricardo Forster, o governo cometeu erros, mas perdeu as eleições legislativas na maior Província do país para um “personagem construído midiaticamente” -o empresário Francisco De Narváez-, que compara aos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Alberto Fujimori (Peru).
Cabeça do grupo de intelectuais que apontava risco de uma “restauração conservadora” no país em caso de derrota do governo, Forster diz que esse processo ainda não se completou e que o governo ainda tem chance de seu recuperar -mas não a ponto de se manter no poder depois de 2011. (TG)

FOLHA – Por que o governo perdeu a eleição?
RICARDO FORSTER
- Pelo desgaste de um longo período. Por erros ao processar conflitos agudos da sociedade. Pelo fortalecimento de uma oposição de direita, unida na deslegitimação do governo pelos grandes meios de comunicação. O vínculo do governo com a corporação midiática se rompeu em 2007 e agora ele pagou um preço caro por isso.

FOLHA – O sr. crê que o estilo do governo está ultrapassado?
FORSTER
- Um dos triunfos do neoliberalismo foi deslocar a política para linguagens audiovisuais e publicitárias. Essa mutação permite que grandes triunfos da época sejam para os Berlusconi [Silvio, primeiro-ministro da Itália], os De Narváez, que constroem políticas a partir da espetacularização. É uma direita que se apropriou com astúcia dos meios de comunicação e das novas formas de subjetividade. Isso o governo não soube fazer.

FOLHA – Qual é a sua opinião sobre Francisco de Narváez?
FORSTER
- Parece uma figura como Collor de Mello no Brasil, [Alberto] Fujimori no Peru. Uma parte da socidade sente que ali está o poder, as luzes do espetáculo, e não importa o que haja por trás, que seja um personagem construído midiaticamente. Expressa uma visão reacionária da sociedade, de uma direita que se oferece como leve, diferente da velha direita autoritária e violenta do século passado. São produtos de fácil digestão.

FOLHA – A eleição expressa repúdio da sociedade a um estilo visto como confrontativo?
FORSTER
- O governo gestou um confronto onde as corporações econômicas querem fixar a agenda. O conflito está gerado quando se disputa renda, poder. É preciso diferenciar forma de conteúdo. O governo se equivocou em várias coisas, deveria ter revisado as estatísticas oficiais, trocado funcionários, não soube ler sinais da sociedade, perdeu contato com sua base de sustentação popular.

FOLHA – Há um fim de ciclo do kirchnerismo ou o governo pode voltar a se fortalecer?
FORSTER
- Se o governo acreditar que não houve derrota, errará. Se recuperar uma visão de maior abertura, acoplar outros atores, dizer quais são seus projetos reais, poderá se reestabilizar. Talvez não para 2011, mas para o futuro. Não me atreveria a dizer que há um ocaso. É um momento difícil, um limite a que chegou, e terá que buscar as formas de se reconstruir, para dentro e para fora.

05/07/2009 - 09:44h Argentina sofre com o cesarismo de Kirchner

http://viatolosa.net/wp-content/uploads/2007/10/kirchner-nestor-cristina.JPG

Tomás Eloy Martínez* – O Estado SP

A última campanha eleitoral confirmou na Argentina o papel inesgotável do cesarismo nas nações que ainda têm instituições frágeis na América Latina. Ou seja, quase todas.

Se tomarmos a definição de Gramsci, “o cesarismo expressa sempre a solução arbitrária, confiada a uma grande personalidade, de uma situação histórico-política caracterizada por um equilíbrio de forças de perspectivas catastróficas”.

Para o marxista italiano pode haver cesarismos progressistas, como os de Júlio César e Napoleão, ou reacionários, como os de Napoleão III e Bismarck. Mas, em todos os casos, trata-se de uma saída chefiada por um líder militar, embora não apenas militar, de uma situação excepcional.

A América Latina tem sido fértil em autocratas de grande popularidade, os quais, nos tempos modernos, foram expandindo e afiançando seu poder mediante o controle da corrupção, da polícia e da faculdade de repartir os recursos do Estado segundo sua conveniência.

Não há maior símbolo de cesarismo democrático do que o regime do venezuelano Juan Vicente Gómez. Um de seus ministros, Laureano Vallenilla Lanz, estabeleceu a validade do termo em um livro de 1919.

Gabriel García Márquez inspirou-se em Gómez para criar o personagem do ditador em seu romance O Outono do Patriarca. Quando cheguei à Venezuela, em 1975, a figura de Gómez continuava ocupando o centro da imaginação nacional, e agora que encontrou no presidente Hugo Chávez seu melhor discípulo, não passa praticamente uma semana sem que a oposição invoque o termo.

Gómez cresceu ao lado de seu predecessor, Cipriano Castro, que iniciou o século 20 enfrentando uma poderosa ameaça internacional por não poder pagar a dívida contraída com empresas estrangeiras que haviam sido expropriadas.

Navios de bandeira inglesa, italiana e alemã bloquearam o porto de La Guaira, em 1902, mas a Venezuela conseguiu evitar a asfixia invocando a Doutrina Drago, que defende a ilegalidade da cobrança violenta de dívidas por parte de grandes potências em detrimento da soberania, estabilidade e dignidade dos Estados fracos.

Ao se tornar o líder do nacionalismo, Gómez pôde dar o salto para a vice-presidência. Quando Cipriano Castro teve de se submeter a uma cirurgia na Alemanha, ele o traiu com um golpe que o instalou na presidência por 27 anos. Ali, na cadeira patriarcal, morreu em 1935.

Seu ideólogo, Vallenilla Lanz, um sociólogo positivista, tentou argumentar que povos como o venezuelano não estavam capacitados para respirar uma atmosfera republicana. Somente um militar poderia tirá-los da miséria e da anomia.

Ele determinou que “o caudilho constitui a única força de conservação social” e “o militar, eleito ou hereditário, é uma necessidade fatal em quase todas as nações da América espanhola, condenadas a uma vida turbulenta”.

Como eficiente porta-voz da ideologia oficial, Lanz não se refere a Gómez de maneira direta em seu ensaio. Ele se baseia na figura tutelar de Simón Bolívar, que propôs a presidência vitalícia. E escreve que Bolívar “nunca abrigou a mínima esperança” de que aquelas “Constituições de papel” pudessem estabelecer a ordem.

Seus críticos, como o exilado Rómulo Betancourt, do Partido Revolucionário Venezuelano – posteriormente presidente constitucional -, o chamaram de “Maquiavel tropical recheado de papel higiênico”. Longe de se ofender, Lanz agradeceu a comparação com o autor de O Príncipe.

Chávez não é o único herdeiro da ideia de um César avalizado periodicamente por eleições livres. Decidido a concentrar todo o poder em suas mãos, ele está no governo há dez anos, o mesmo tempo que Carlos Menem.

Figuras como o ex-presidente peruano Alberto Fujimori ou Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, viram na perpetuação presidencial o veículo para moldar seus países segundo seus desejos. Sem falar no líder cubano Fidel Castro, que não conseguiu achar um sucessor que não fosse do seu sangue.

O Brasil superou, com os governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva, a herança do autoritarismo populista de Getúlio Vargas, mas, na Argentina, o exemplo de Perón está impregnado no partido que ele fundou e se confunde com o Estado.

Muito contribuem as torpezas de uma oposição que se mostra menos interessada na construção da democracia do que no assalto aos privilégios da coisa pública.

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner, como Gómez, tentou prolongar seus planos de hegemonia alternando-se com seus parentes no governo, como fez ao decidir a candidatura da atual presidente, Cristina, sua mulher.

Agora, Néstor sai em defesa do modelo agitando o fantasma de um conflito de interesses entre grupos e classes que somente uma figura providencial, o César, poderia conter.

“Tenham bem claro”, declarou Kirchner antes das eleições realizadas há uma semana, “que não é mais uma eleição. Ou é a volta ao passado para tentar impor projetos que nada têm a ver com o povo ou é a consolidação de um projeto nacional e popular que devolva a justiça social.”

De algum modo, esse é o jogo bonapartista, uma das formas do cesarismo. Depois das revoluções de 1848, Luís Bonaparte foi eleito – no primeiro voto universal na Europa – presidente da Segunda República Francesa. Suas constantes convocatórias para referendos desvirtuaram a representatividade republicana e consolidaram sua popularidade.

No dia 2 de dezembro de 1851, ele arrasou a crescente oposição monárquica convocando um plebiscito com a pergunta: “Querem ser governados por Bonaparte? Sim ou Não?” Um ano mais tarde, após uma reforma constitucional, converteu-se num imperador autoritário.

A presidente Cristina conhece bem a história de Napoleão III, pois citou a obra de Marx O 18 Brumário de Luís Bonaparte, evocando a famosa frase: “A história se repete, inicialmente como tragédia, depois como farsa.”

A influência do estilo cesarista de seu marido – para o qual discordar é trair – ameaça a estabilidade institucional tanto quanto a falta de ideias da oposição. Do seu púlpito partidário, o ex-presidente Kirchner não vislumbrou outro futuro além do caos ou da continuidade do modelo imposto pela vontade do César. Nada empobreceu tanto na Argentina quanto a imaginação de seus políticos.

* Tomás Eloy Martínez, escritor e jornalista argentino, recebeu recentemente o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo

29/06/2009 - 09:25h É a política, meu caro

Sergio Leo – VALOR

O veterano Antônio Cafiero, ex-ministro de Juan Perón, contou à Reuters uma explicação habitual do antigo chefe para a curiosa situação política argentina, em que uma disputa encarniçada opôs peronistas a peronistas na eleição realizada ontem: “Nós peronistas somos como gatos: nos ouvem gritar, pensam que estamos brigando e estamos nos reproduzindo”. A piada traz um sotaque lunfardo, a gíria falada no porto de Buenos Aires, mas é infeliz para traduzir o que acontece no país vizinho. É um balaio de gatos essa briga travada pela condução dos destinos da Argentina. E pode sobrar para o Brasil.

O peronismo tem fortes chances de sair sem um líder definido das urnas desta semana. É grande, também, a possibilidade de que o casal Kirchner, que compartilha informalmente o poder presidencial, perca a folgada maioria legislativa, e encontre no Congresso uma resistência maior aos atos da Casa Rosada. Cristina Kirchner decepcionou os que acreditavam que daria à presidência um caráter mais aberto ao exterior, em constaste com o provincialismo populista do marido, que a antecedeu no poder. A situação política argentina, após as eleições deste fim de semana, exigirá uma concentração ainda maior de atenção da dirigente em relação às questões internas.

Alguém falou de Mercosul, por aí? Em 25 de julho, os sócios do Mercosul se reúnem para o encontro semestral dos presidentes. A agenda promete ter como estrelas um tema antigo, e não resolvido, e uma vistosa discussão metafísica.

O tema antigo será a eliminação da dupla cobrança da tarifa externa comum, a aberração do Mercosul que faz com quem um produto, após pagar tarifa de importação ao entrar no bloco, tenha de pagar de novo a tarifa ao ser transportado de um sócio a outro. Numa união aduaneira, como o Mercosul tenta ser há pelo menos 15 anos, um produto importado paga imposto uma vez só, ao entrar, e circula livremente entre os países do bloco. Era a regra que o governo brasileiro esperava adotar no fim de 2008, durante a reunião do Mercosul em Bahia, mas o Paraguai se opôs e as negociações esfriaram. O tema voltará à mesa.

A metafísica fica por conta do que provavelmente os presidentes escolherão para celebrar o “avanço” da integração no Cone Sul: a oficialização do novo sistema de eleição para o Parlamento do Mercosul, órgão de muitas e sadias utopias e praticamente nenhum poder real. Após duras negociações foi enterrada a pretensão dos sócios menores de estabelecer um sistema de representação paritária, com igual representação para todos os países. Brasil terá mais cadeiras, Argentina 30% menos e Uruguai e Paraguai serão minoria.

Os protestos dos uruguaios e paraguaios, contudo, fizeram com que fosse reduzida quase à metade a representação prevista para o Brasil, que de 70 passou a 37, entre 2011 e 2014. O Paraguai terá 18, o que significa que, para cada 380 mil paraguaios com direito de eleger um deputado no parlamento, serão necessários 5,2 milhões de brasileiros para ter a mesma representação. Ou seja, para eleger um deputado do Brasil no parlamento do Mercosul são necessários, em brasileiros, o equivalente a quase dois terços da população paraguaia. Difícil imaginar que, com essa correlação de forças, o Brasil dê ao Parlamento muito poder de decisão.

O Parlamento, que será eleito nos países com os congressos locais, não deixa de ser uma maneira de trazer para a discussão comum temas hoje confinados às reuniões de burocratas ou especialistas. Mas o fato de que ele deve ser a maior estrela da reunião dos presidentes mostra bem o impasse em que está metido o Mercosul. Há esperanças no governo brasileiro de que a próxima reunião faça avançar a discussão sobre a dupla cobrança da TEC, com maiores concessões ao Paraguai, e decisões a serem tomadas só no fim do ano, na reunião seguinte.

Uma eleição, na Argentina, de representantes dos grupos de oposição ao kirchnerismo poderia atenuar a forte tendência protecionista do país. Francisco de Narvaez, o exótico candidato da direita peronista, herdeiro milionário habituado a luxos e orgulhoso detentor de duas tatuagens, declarou recentemente à imprensa brasileira que defende para a Argentina uma posição em relação ao Brasil semelhante à do Canadá em relação aos Estados Unidos – o que foi entendido como uma disposição a um papel complementar e não competitivo em matéria de desenvolvimento industrial.

Ele disputa com Kirchner a cadeira de deputado pela província de Buenos Aires, mas não é concorrente à Presidência, por ser de nacionalidade colombiana; seu candidato é o empresário Maurício Macri, que tem negócios com o Brasil e é adversário ferrenho dos Kirchner.

A Argentina, porém, se seguir os prognósticos e sair dessas eleições sem uma liderança clara, terá grande estimulo para uma guerra de facas no peronismo às escuras, no melhor estilo das paródias de contos gauchescos do celebrado portenho Jorge Luis Borges. Não será um ambiente fértil para que vicejem gestos elegantes da Casa Rosada em direção ao Brasil. Num país em crise econômica, com inflação em alta medida por estatísticas sem credibilidade e grande fuga de capitais, também promete crescer no Mercosul o contencioso entre Argentina e Uruguai, desta vez por causa da liberal política de câmbio do vizinho platino.

Uruguai e Argentina estão até hoje estremecidos por causa da oposição barulhenta dos argentinos contrários à instalação de indústrias de papel nas margens do rio que marca a fronteira. Agora se estranham por causa da resistência uruguaia em aumentar o controle e fiscalização sobre a origem dos dólares que cidadãos argentinos vem tirando ilegalmente do país e, após atravessar de barcas a fronteira para a cidade de Sacramento, depositam em massa nos sigilosos bancos uruguaios, que já sonhou ser a Suíça do Cone Sul. Kirchner tem retaliado o Uruguai nas decisões do Mercosul por causa disso.

O Mercosul, bem sucedido no campo comercial, vem provando que a integração é, essencialmente, uma decisão política. E a política promete desmoralizar, pelo menos no horizonte de médio prazo, o otimismo que os presidentes devem tentar transparecer na próxima reunião do bloco.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

29/06/2009 - 09:15h Argentina: esta nueva derecha

EL MODELO QUE SIGUEN DE NARVAEZ Y MACRI

Con los resultados en caliente, queda en claro que estas nuevas figuras siguen un modelo sin raíces, surgido de los negocios y supuestamente “eficiente”. Y el gran símbolo de este estilo es un señor italiano llamado Berlusconi.

El modelo del Cavaliere

Por José Natanson – Página 12

El surgimiento de una nueva derecha no es un fenómeno limitado a la Argentina, sino una tendencia más general que tiene un origen geopolítico. Entre mediados de los ’80 y principios de los ’90, Estados Unidos decidió que había llegado el momento de dejar que la democracia volviera a América latina. Los brotes guerrilleros y los movimientos populares que en el pasado espantaban a Washington estaban o aplastados o domesticados, y desde 1989 la caída del Muro de Berlín había desactivado el riesgo de que la región siguiera el ejemplo de Cuba y se alineara con la Unión Soviética.

A este Washington más tolerante y democrático se sumó la creciente conciencia internacional acerca de las violaciones a los derechos humanos por parte de las dictaduras, sobre todo en Argentina, Chile y Centroamérica. Y también la imprevisibilidad de los gobiernos autoritarios: al fin y al cabo, fue un militar y no un líder izquierdista quien decidió invadir las Malvinas y declararle la guerra nada menos que a Gran Bretaña.

En el nuevo mundo unipolar, hasta el último rincón del planeta quedó expuesto a la influencia estadounidense, pero era una influencia distinta, más difusa, menos directa. Tras el 11 de septiembre, Washington cerró el círculo de su nueva doctrina de seguridad (el enemigo ya no era el comunismo sino el terrorismo) y desvió su atención a lugares más remotos y urgentes. Esto explica el giro a la izquierda en América latina y el tranquilo ascenso de líderes y partidos que en el pasado seguramente hubieran sido bloqueados por Estados Unidos mediante la desestabilización o el golpe de Estado. Y esto explica también que esté surgiendo, más lenta y dificultosamente, una nueva derecha.

Es nueva porque es democrática: aunque la tentación de la desestabilización y el golpe están presentes, sobre todo en los países institucionalmente más frágiles y económicamente más concentrados, como Bolivia, insistamos en que el componente democrático tiene un sentido más profundo y estructural: es una derecha que defiende electoralmente los intereses (empresariales, económicos) y valores (estabilidad, orden en las calles, propiedad privada) que en el pasado se imponían por las armas. Esa es la novedad.

Entrepreneurs

El progreso individual y el ascenso como fruto del esfuerzo son desde siempre valores importantes para la derecha, que no sólo no reniega del individualismo, sino que incluso lo considera un motor clave para el progreso de la sociedad (lo cual explica, según la famosa tesis de Norberto Bobbio, que la derecha acepte las diferencias sociales, es decir la desigualdad, lo cual produce a su vez una visión definida del balance Estado-mercado y del rol de este último en la economía y en la sociedad). Así, frente a una izquierda que tradicionalmente ha buscado a sus líderes en los movimientos colectivos (sindicatos, partidos, asambleas), hoy existe una derecha que ha hecho del mundo empresarial la cantera de la que salen sus dirigentes más taquilleros.

Un rápido recorrido por América latina ayuda a comprobar esta intuición. El próximo miércoles asumirá la presidencia de Panamá Ricardo Martinelli, millonario propietario de la cadena de supermercados Super 99 y –dato a tener en cuenta– el primer presidente desde la recuperación de la democracia que no proviene de los partidos tradicionales. Hace poco menos de un mes dejó la presidencia de El Salvador Elías Saca, un empresario perteneciente al derechista Arena. En Chile, todas las encuestas señalan como el favorito a Sebastián Piñera, el propietario de LAN y poseedor de una fortuna de 1200 millones de dólares (y el único líder importante de derecha que votó por el No a Pinochet en el plebiscito de 1988). Durante seis años gobernó México Vicente Fox, que ingresó a Coca-Cola como supervisor de reparto y fue ascendiendo hasta convertirse en gerente de la división latinoamericana de la empresa. Y ahí está también el pintoresco magnate ecuatoriano Alvaro Noboa, el rey de los exportadores de banano y camarón, que había salido segundo en tres elecciones presidenciales y quedó tercero en las últimas.

Populismo de derecha

La nueva derecha de Mauricio Macri y Francisco de Narváez, que ayer consolidó su primacía en la Capital y ganó la elección en la provincia, es parte de esta tendencia latinoamericana más amplia. Y como el origen de nuestra política hay que buscarlo siempre en Europa, la comparación transatlántica ayuda a explorar algunas claves de este nuevo fenómeno, aunque el paralelismo más pertinente no sea la reaccionaria y dogmática derecha del PP español, ni la sobria centeroderecha socialcristiana alemana ni el tradicional partido conservador británico, sino la nueva derecha italiana que desde hace un par de décadas lidera Silvio Berlusconi. En ambos casos, en Argentina y en Italia, el origen se remonta a un colapso político y el estallido de una crisis de representación, por imperio de las cacerolas (acá) o de la investigación judicial de la Tangetopoli (allá).

Como los líderes de Unión-PRO, Berlusconi es un símbolo de la alianza entre negocios (aunque hay que reconocerle al Duce que él sí hizo su propia fortuna), medios de comunicación (Berlusconi fue el primer empresario televisivo en romper el monopolio de la RAI) y deporte (es el dueño del club Milan). Pero no es sólo el origen empresarial ni la capacidad de expresar la poderosa fusión entre espectáculo, política y deporte lo que emparienta al líder italiano con los jefes del peronismo disidente, sino también una manera particular de entender la política. Desde un carisma muy mediático pero no por eso menos real, los tres han logrado construir una relación directa con el electorado (Berlusconi, pese a todas sus boutades o debido a ellas, es el dirigente más querido de Italia) y afirmar una popularidad que traspasa las fronteras de clase, lo que da forma a una especie de populismo de derecha.

Hay en ellos un fondo común ultrapragmático que les permite moldear su discurso de acuerdo con la necesidad del momento. De Alsogaray o Cavallo podía pensarse cualquier cosa, menos que alguno de ellos propondría, en la misma campaña, eliminar las retenciones, quitar el IVA a los alimentos y extender masivamente los planes sociales –es decir, desfinanciar totalmente al Estado–, como hizo De Narváez en los últimos meses. Y también hay en Macri y en De Narváez, como en Berlusconi, una tensa combinación de conservadurismo y liberalismo, que si por un lado implica una relación cercana con la Iglesia (Berlusconi acompañó a los obispos italianos en su resistencia a la despenalización de la eutanasia y se opone a la legalización del aborto), por otro se traduce en una libertad muy moderna –y en el caso del italiano muy vistosa– de la vida privada.

Estos vacíos y estas tensiones requieren necesariamente un cemento que los unifique más allá de la popularidad de los líderes. Berlusconi lo encontró en el terror a la inmigración norafricana y su campaña para endurecer las leyes, que la semana pasada quedó crudamente comprobada con la violenta expulsión de los gitanos de Nápoles. ¿Ocupará la inseguridad el lugar en el proyecto nacional de Macri y De Narváez que ocupó la inmigración a la candidatura de Berlusconi en 2007? Podría ser, pero sólo podría. Aunque el tema fue uno de los ejes de la campaña y en buena medida explica el ascenso del peronismo disidente en la provincia de Buenos Aires, la experiencia enseña que las elecciones presidenciales suelen estar dominadas por otras cuestiones, de la economía a la política, y que la inseguridad resulta decisiva básicamente en los comicios distritales. Hasta ahora.

Algo más que jabón en polvo

Macri y De Narváez son empresarios y no economistas ultraideologizados, como sus antecesores Alvaro Alsogaray, Domingo Cavallo y Ricardo López Murphy. Quizás por eso, porque provienen del flexible y pragmático mundo de los negocios y no de las consultoras o las cátedras de economía (en sus propias palabras, del mundo de la acción y los hechos y no del mundo de los discursos), ambos han comprendido una verdad esencial que sus antepasados nunca lograron entender: para ganar una elección y gobernar es necesario contar con el apoyo de al menos un sector de los votos y del aparato del peronismo. Y si Menem consiguió en su momento reconvertirse a la derecha luego de una larga y muy tradicional carrera en el PJ (fue gobernador, estuvo detenido por los militares y acompañó a Cafiero en la renovación peronista), los jefes de Unión-PRO avanzan por un camino inverso: su plan es llegar al peronismo desde la derecha y no a la derecha del peronismo. Menemismo por otros medios.

Por eso, el peor error que se podría cometer en la lectura de los resultados de ayer es pensar que la consolidación electoral del macrismo y el ascenso rutilante de De Narváez se explican simplemente por la astucia de la publicidad, el poder de sus millones o la influencia de los medios de comunicación. Desde que en 1952 Dwight Eisenhower se convirtió en el primer candidato presidencial en apelar a los servicios de una agencia de publicidad, el marketing político ha ido ocupando cada vez más espacio en las campañas. Y aunque las primeras teorías hablaban de vender a un candidato como si se tratara de jabón en polvo, desde hace al menos dos décadas sabemos que esto no es posible, que la publicidad y el dinero y la televisión no alcanzan para ganar una elección (aunque sí para otras cosas, por ejemplo para hacer conocido –instalar– a un postulante). Hay miles de ejemplos de brillantes campañas publicitarias y millones de dólares convertidos en unos pocos votos, el último de los cuales fue el patético ensayo presidencial de Jorge Sobisch.

Del mismo modo, si por un lado es cierto que algunos medios de comunicación contribuyeron al ascenso de De Narváez, el consenso mediático tampoco alcanza por sí mismo para ganar una elección como la de ayer. También hay miles de ejemplos de candidatos que, pese a la oposición de buena parte de los medios, ganaron las elecciones (la reelección de Chávez, por ejemplo, o la victoria de Ricardo Lagos en Chile en el 2000).

Con esto se pretende señalar algo evidente, pero que, a la luz de algunos comentarios de los últimos días, vale la pena subrayar: el ascenso de la nueva derecha no se explica por los consejos de Durán Barba ni por la campaña de Agulla, y ni siquiera por las fortunas de sus candidatos, sino por un contexto geopolítico nuevo y, en la Argentina, por la muy política estrategia de sus líderes de morder un sector del peronismo en el conurbano, construir a una candidata imbatible en la Capital y, sobre todo, ganar la disputa con el panradicalismo por el voto anti K. En suma, un fenómeno que no es ni publicitario ni mediático, sino estrictamente político. Por supuesto, explicarlo en términos de marketing quizás resulte tranquilizador para las conciencias progresistas que se niegan a aceptar que la derecha puede ser popular incluso en los sectores más pobres, pero ayuda muy poco a entender las cosas.

29/06/2009 - 09:00h NESTOR Y CRISTINA KIRCHNER, EN UN TIEMPO DE INEVITABLE OCASO

Una innumerable lista de errores que concluyeron en un derrumbe

Por: Eduardo van der Kooy – Clarín

La última jugada política de apostador empedernido le salió muy mal a Néstor Kirchner. El plebiscito que buscó con denuedo para reemplazar lo que debió ser una elección legislativa de medio término, normal, se convirtió en una verdadera trampa para él. El ex presidente asistió anoche a la asfixia final de su liderazgo peronista y, de modo incomprensible, dejó además en estado de acentuada debilidad al Gobierno de su esposa, Cristina Fernández, a quien hace apenas un año y medio entronizó sin un solo chistido del partido oficial.

La derrota ¿o el derrumbe¿ se conoció anoche pero se vino edificando desde hace mucho tiempo. Con una persistencia, de parte de Kirchner, que aconsejaría revisar en forma simultánea los manuales de la política, desde ya, pero también de la psicología.

Ningún presidente salió del poder en la Argentina de la nueva democracia con la ponderación social de Kirchner. Ese margen generoso le permitió resignar la reelección y cederle su lugar a Cristina. En el 2007 la Presidenta logró el 47% de los votos en el orden nacional y el 48% en Buenos Aires. Le arrancó 23% de ventaja a la oposición.

Contó además con un ciclo económico interno y externo muy favorable, por lo menos hasta comienzos del 2008. Tuvo en todo ese trayecto una oposición fragmentada e insolvente. Pero su sensibilidad política y percepción de la realidad viró bruscamente desde el mismo instante en que cambio su domicilio de la Casa Rosada por la residencia de Olivos.

Kirchner había proclamado durante su mandato que ningún proyecto de tinte nacional podía excluir a las clases medias. Soñaba con aquel viejo molde de convergencia de clases que sintetizó, durante décadas, el peronismo de Juan Perón. El ex presidente nunca logró seducir a aquellos sectores en los años de su mandato. Pero la bonanza económica le acercaron, inevitablemente, muchos de esos votos. Sin ir lejos, Cristina triunfó con respaldo de la clase media y del campo bonaerense cuando se consagró Presidenta. Fueron casi 900 mil en el principal distrito electoral.

El largo y todavía irresuelto conflicto con el campo le ahuyentó esos votos y también la mas solidaridad mínima de los sectores medios. La radiografía de las legislativas de ayer resulta, en ese sentido, implacable: los Kirchner perdieron Buenos Aires, Capital, Santa Fe, Córdoba, Mendoza y Entre Ríos. No pudieron vencer tampoco en ninguna de las ciudades grandes.

Aquel pleito con el campo fue uno de los disparadores de la derrota. Pero lo fue también un deterioro económico negado de modo sistemático por las cifras virtuales del INDEC. Las mentiras del INDEC crisparon a los sectores medios pero dañaron, sobre todo, el bolsillo de los sectores populares. Esa combinación resultó letal para la derrota en Buenos Aires que aniquiló el último argumento político con que contaba Kirchner para cantar una supuesta victoria que no fue.

Buenos Aires, aunque parezca paradójico, terminó desnudando la fragilidad del armado político de Kirchner. Con tantos años de buena economía el ex presidente fue incapaz de consolidar un proyecto: deambuló por la transversalidad, por la concertación, y terminó refugiado en la maquinaria vetusta del PJ bonaerense. Pero nunca se percató de un detalle: ese peronismo le respondía casi por rutina, porque, mal o bien, se cobijaban en el calor del poder. Porque recibía beneficios económicos. Pero nunca existió una comunión política y afectiva sustantiva entre el partido y el ex presidente.

El peronismo del interior de Buenos Aires lo dejó librado a su suerte luego del conflicto con el campo. Daniel Scioli debió encargarse de la campaña en esas tierras hostiles al Gobierno. Ayer hubo, con seguridad, un dato histórico: el kirchnerismo no tuvo ningún voto en América, un poblado de 3 mil habitantes, del centro de Buenos Aires. El problema insoluble fue el conurbano y muchos de los intendentes aceptaron las candidaturas testimoniales sin gusto y con resignación. La clave de la debacle en Buenos Aires se escondió en esas zonas de cierta vecindad a la Capital.

Muchos intendentes instaron a corte de boletas. Entregaron las suyas y dejaron librada a la voluntad del votante la elección de Kirchner, Francisco De Narváez o Margarita Stolbizer. Varios intendentes, también, cargaron los cuartos oscuros con las llamadas “boletas espejo”, en las cuales figuraban ellos sólo acompañados por candidatos a cargos vecinales. La mecánica sucedió en todo el conurbano incluido el segundo cordón, donde los Kirchner conjeturaban la fidelidad inclaudicable de la gente.
La estrategia electoral del ex presidente terminó siendo, al fin de cuentas, tan estéril como todos los proyectos partidarios y políticos que pergeñó en estos años. ¿Alguien podía suponer que los habitantes del segundo cordón del conurbano no tienen padecimientos similares ¿o peores¿ a los del resto del país?. ¿Nadie pensó que el indisimulado mal humor social en el país, en la Capital y en el interior bonaerense podía desparramarse a manera de contagio?.

Tampoco Kirchner reparó en otra lección. El peronismo mas poderoso de la historia de Buenos Aires, el que comandó en su época Eduardo Duhalde, resultó perforado en 1997 cuando irrumpió la Alianza y Graciela Fernández Meijide. ¿Por qué razón habría de salir indemne ahora?. Aquella vez pesó la saturación con el menemismo; ahora puede haber sido decisiva la bronca acumulada contra los Kirchner.

El ex presidente y su esposa no pudieron ayer resolver el problema electoral que les plantearon las legislativas. Desde hoy tienen otro desafío de no menor envergadura: resolver el problema político. Hay un partido oficial ¿el peronismo¿ que resultó descabezado con la excepción de Carlos Reutemann, apretado ganador en Santa Fe. Hay un Congreso que mutará de manera sustancial a partir de diciembre, aunque el impacto político de la derrota, con seguridad, caerá también sobre los diputados y senadores oficiales que continuarán seis meses mas. Hay una oposición que puede empezar a desperezarse, a pesar de su diáspora, luego del espaldarazo popular.

Hay, en suma, una nación política mucho mas compleja. Muy distinta a la que siempre conocieron y disfrutaron los Kirchner.

27/06/2009 - 18:39h Argentina renueva el Parlamento en un contexto de contracción económica

El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos

kirchners.jpg

EFE – Buenos Aires – 27/06/2009 – El País

El Gobierno de Cristina Fernández afronta este domingo unas elecciones legislativas en las que están llamados a votar unos 28 millones de argentinos y está en juego la mayoría oficialista en el Parlamento, en un contexto de contracción económica después de seis años consecutivos de crecimiento económico.

La alarma por el avance de la gripe A N1H1, que hasta ahora ha causado 26 muertos, y las encuestas que prevén una reñida votación en la provincia de Buenos Aires, el mayor distrito electoral del país, son los otros elementos a tener en cuenta en unos comicios que tienen lugar en la mitad de la gestión de Fernández. En medio de medidas de prevención sanitaria en los lugares de votación, el domingo se renovará la mitad de los 257 escaños de diputados y un tercio de los 72 del Senado, además de legislaturas provinciales y municipales.

El Gobierno ha instalado unas 100 cámaras de vídeo en mesas electorales de populosos distritos bonaerenses vecinos a la capital argentina, como pidió la Cámara Nacional Electoral. “Bajamos la cantidad de electores por mesa para evitar inconvenientes y se instalaron cámaras de seguridad para darle mayor transparencia” a la votación, ha explicado el ministro de Interior, Florencio Randazzo, quien ha calificado de “irresponsables” las denuncias de algunos candidatos opositores sobre posibles fraudes.

Randazzo ha explicado que las denuncias de fraude tienen “la intencionalidad política” de quitar “legitimidad” a “aquellos que finalmente son elegidos por la voluntad popular” en unas elecciones en las que se movilizará a unos 120.000 efectivos de las Fuerzas Armadas y de seguridad.

El ex presidente Néstor Kirchner (2003-2007), esposo, antecesor de Fernández y quien encabeza la lista oficialista de diputados por la provincia de Buenos Aires, se juega en estos comicios no solo la mayoría parlamentaria del oficialismo y sus aliados, sino su estabilidad como líder del Partido Justicialista (PJ, peronista). La hegemonía de Kirchner se ve amenazada por el empresario Francisco de Narváez, que aspira a un escaño de diputado al frente de la coalición Unión-Pro, formada por peronistas disidentes como él y seguidores del conservador Mauricio Macri, el alcalde de la capital argentina, líder de Propuesta Republicana (Pro).

Los últimos sondeos arrojan un empate técnico entre ambas fuerzas políticas en la provincia de Buenos Aires, tradicional bastión peronista, cuyo voto es decisivo para dibujar el mapa político del país con vistas a las presidenciales de 2011.

En la capital argentina, segundo distrito electoral del país, se da por descontada la victoria de Gabriela Michetti, candidata de Pro, seguida por la lista de centroizquierda del cineasta Fernando Pino Solanas, convertido en la revelación de estos comicios, y con estrecho margen sobre Alfonso Prat Gay, aspirante del Acuerdo Cívico y Social, en tercer lugar. Este resultado supondría que Carlos Heller, del Frente para la Victoria de Kirchner, sería el gran perdedor de la jornada en la capital argentina.

También se prevén derrotas de las listas del oficialismo en las provincias de Córdoba (centro), donde la liza se centra entre peronistas disidentes, y Santa Fe (noreste), el tercero y cuarto distrito electorales del país, respectivamente. En Santa Fe, las encuestas vaticinan una reñida votación entre el ex corredor de Fórmula Uno y peronista disidente Carlos Reutemann y el socialista Rubén Giustiniani, quienes aspiran a renovar sus banca de senadores. Reutemann aspira a ser candidato presidencial del peronismo en 2011, mientras que una victoria socialista reforzaría la pretensión del gobernador santafesino, Hermes Binner, a competir por la jefatura del Estado.

Algunos analistas políticos, que prevén que el oficialismo perderá la mayoría parlamentaria aunque se mantendrá como principal fuerza política, han adelantado que los resultados electorales de este domingo pueden demorarse por lo ajustado de la votación en la provincia de Buenos Aires y la coincidencia de las legislativas provinciales y municipales.

10/06/2009 - 18:27h Sociedades raras

http://doisdedosdeprosa.files.wordpress.com/2007/04/berlusconi.jpghttp://www.casamerica.es/var/casamerica.es/storage/images/otras-miradas/fama-y-sociedad/carlos-menem-y-cecilia-bolocco-llegan-a-un-acuerdo-para-iniciar-su-divorcio/carlos-menem-y-cecilia-bolocco/262565-1-esl-ES/carlos_menem_y_cecilia_bolocco_fullblock.jpg

Sociedades raritas

Es cierto, como estipuló Carlos Marx, que los impulsos y conflictos económicos son aquellos que hacen girar las ruedas de la historia. Pero tampoco la plata es todo. Los que así lo creen, intuyó Voltaire, “suelen estar sujetos a hacer cualquier cosa por dinero”. Las razones del corazón -y las de otros órganos, un poco más a mano- hacen también lo suyo. Hasta historia.

Que lo diga si no Silvio Berlusconi -por no hablar del postrer juego sexual del actor David Carradine-, cuya última broma la estrenó el lunes, durante una recepción oficial, acercándose a algunos de los invitados y preguntándoles: “¿Eres menor? Si es así, podemos hablar”. Lo que se toma con tan buen humor el primer ministro italiano es una acusación gravísima por parte de su mujer, quien tramita el divorcio sosteniendo que “Il Cavaliere” se dedica a las muy chicas, especialmente a una que acaba de cumplir 18 años.

La prueba del escándalo ha sido la publicación de fotos tomadas en su villa de Cerdeña, donde el poderoso caballero solía hacer fiestas en las que numerosas lolitas ejercían el top less.

Increíblemente, estas inclinaciones hormonales -por así llamarlas- no hacen mella en la popularidad del gobernante que, furioso, niega todo y le echa la culpa a ¡un complot de izquierda! Lo cual habla quizá más del estado de la sociedad italiana que de Berlusconi mismo.

El que ya no quiere ni oir del tema es Bill Clinton, que anduvo por estos barrios la última semana. Al ex jefe del imperio americano una relación con una jovencita que de pura sólo tuvo el célebre episodio del puro en el Salón Oval, le hizo una espantosa mella en su popularidad y casi le cuesta la presidencia.

Pero la que sabe de amores bien asimétricos es Moria Casán, quien le explicó a una revista: “¿Cómo no voy a tener un novio de 25 años si me siento de 22?”. Abuela y todo, quiso razonar: “Para ellos represento una clase de historia. Me cuentan de pibes que se mueren por mí y yo no lo puedo creer. (…) Algunas que generaron deseo, se les termina la juventud y se vuelven patéticas y decadentes. La gente las ve y reflexiona: ‘Pensar que ésta era una bomba’. A mí no me ocurrió. Estoy en otra dimensión.” Quizá efectivamente no le haya pasado; lo que está fuera de duda es lo de la otra dimensión.

Y allende la Cordillera, Cecilia Bolocco -que no pudo ser primera dama argentina a pesar de haberse casado con alguien que casi podría haber sido su abuelo- se toma venganza de las inclemencias del calendario, noviando a los 44 años, con un joven de 28.

De la asimetría al delito hay bastante más que un paso. Y aunque en muchos distritos de la Argentina esté prohibido fumar en bares, manejar con dos copas de más o cultivar plantas de marihuana, está permitido, en cambio, cometer relaciones sexuales con los hijos, siempre y cuando sean consentidas y los perjudicados hayan cumplido la mayoría de edad.

El incesto no es delito en la Argentina y quizá eso pese en lo ocurrido con el llamado Chacal de Mendoza. Que semejantes monstruosidades no causen una conmoción similar a la que desató en el mundo el monstruo de Amstetten, resulta extraño. Y más raro, porque este caso pinta peor.

Ya han salido hijas de matrimonios anteriores de Lucero confesando que también abusó de ellas. Y su víctima principal -con quien tuvo siete hijos nietos- parece aún bajo el poder psicológico del victimario: sostiene que ya lo perdonó y no se presentará como querellante en su contra.

Todo lo cual habla más de la sociedad que del espanto mismo de los hechos. Sobre todo por estos días de frío medular y luz tímida en que nuestra linda Argentina sólo parece enfrascada en dilucidar si castigará o premiará en las urnas a un matrimonio nada asimétrico pero por demás singular.

(Marcelo A. Moreno, publicado en la columna Disparador de Clarín el domingo 7 de junio del 2009)

02/06/2009 - 17:29h Mato pra todo lado e animais soltos

Ah, os argentinos

 

 

Um dia me mudo para Buenos Aires. E acho que se o Lula fizesse o mesmo seria bem feliz. “O que há com os brasileiros que viajam? Todos se queixam do Lula!” me pergunta um taxista perplexo que, como a maioria dos argentinos que conheço, diz francamente sentir inveja da qualidade do governo brasileiro e da cena política do país. Pra você ver como estão nossos vizinhos.

(aliás, descobri finalmente por que o idelber defende o governo Cristina Kirchner. Ele considera o Página 12 o supra-sumo do jornalismo sul-americano, e foi nesse jornal que li um de seus melhores articulistas defender a tese de que o Hugo Chávez não contou nada aos Kirchner quando os visitou semanas antes de nacionalizar a Techint, um grupo ítalo-argentino, cuja estatização provocou umas notas débeis de protesto da Casa Rosada)

Visto de fora, o Brasil é o que é: uma grande potência e um dos países com instituições mais modernas do mundo. Me ufano desse país. E aqui leio, rindo, os analistas desesperados dizendo que a política externa é um fracasso proque não conseguiu emplacar a Ellen Gracie no órgão de solução de controvérsias da OMC nem garantir o empreguinho em Paris aos brasileiros que queriam o cargo de direção na Unesco.

Janto com o emblemático Jorge Castro, e com jornalistas, e participo de um momento mágico na história da América Latina: a um canto da mesa, eu, o Alexandre Pinheiro e o Ariel Palácios descobrimos, surpresos, que somos todos brasileiros que odeiam futebol. Há esperança paraa civlização. Ainda que eu desconfie do Ariel, ele sabe quem disputou a final das útlimas copas. Eu só sei sobre a de 1982, em que saí às ruas com uma camisa da Itália. Como ia advinhar que a seleção ia perder logo da squadra azzurra??

Bom, em Buenos Aires, apesar de ter recebido reduzida contribuição, de poucos e bons frequentadores deste blogue, até não fiz feio. E aproveitei parte do que disse lá na coluna do Valor, mas isso deixo para um argentino boa praça contar AQUI. Sim, chamei as Galerias Pacifico de Shopping Pacífico na coluna, mas quequiá, é quase a mesma coisa.

E, nessas mesmas Galerias Pacífico (o Atheneo está uma porcaria, acho que sacrificaram as estantes de livro para investir na lanchonete para os turistas que vão lá sacar fotos e falar alto em portugues), encontrei preciosidades, a começar pela espécie inecistente no Brasil: o vendedor de livros quelivros.

Fico sabendo, por uma dessas avis rara do Cone Sul, que existe uma coletânea dos artigos jornalísticos do Roberto Arlt, o cara que influenciou uma parte grande dos autores atuais argentinos, com quem já brinquei neste sítio, e que se costuma contrapor a Jorge Luis Borges, um o intelectual erudito e de texto elaborado; o outro politizado, popular e de texto reto.

Já faz parte da biblioteca, “Cronicas en el Mundo“, com um livro inacreditável do Ricardo Piglia, “Crítica y Ficcion“, de quem descobri que terei de chupar páginas inteiras quando estiver falando na OFFFlip, em julho, dois livros do Martin Kogan, por influência do idelber, e um do Bolaño. Tem mais um de um autor uruguaio, de quem falarei em breve por aqui.
E volto a postar, que está uma vergonha o Sítio, mato pra todo lado.

01/06/2009 - 11:25h Preocupações com a Argentina

Sergio Leo – VALOR

A Argentina ainda tem escritores fundamentais, como Roberto Arlt, pouco conhecidos do público brasileiro, que, um dia, quem sabe, ouvirá esse nome com a familiaridade com que escuta referências a autores como Lima Barreto. Até lá, a maior aproximação cultural entre os dois países vem se dando mesmo no pragmático terreno do turismo: nos últimos dias, frios e chuvosos, em Buenos Aires, o português é língua franca nas ruas e nos shopping centers. Para os argentinos, essa invasão de turistas, que espalha multidões em lugares como o Shopping Pacífico e a rua Florida, mostra como o mercado de câmbio anda favorável ao real.

Notável, também, é a maneira elogiosa, misto de admiração e uma ponta de inveja, com que jornalistas e acadêmicos argentinos falam do Brasil e da política brasileira. Vista de fora, das margens do rio da Prata, a independência de poderes brasileira é louvada e derramam-se adjetivos de aprovação à estabilidade econômica obtida pelo governo. Até os políticos ganham uma aura distinta. Na semana passada, em seminário promovido pela Universidade Tres de Febrero sobre as relações bilaterais, um jornalista do diário “La Nacion” lembrava à plateia, encantado, que a quantidade de votos recebida por Aloyzio Mercadante para o Senado seria o bastante para elegê-lo presidente de qualquer república sul-americana. Menos o Brasil, claro.

Há uma sensível simpatia com o Brasil em Buenos Aires – onde se recebe com perplexidade as reclamações de brasileiros contra as mazelas do Brasil e do governo em Brasília. Em breve se completarão trinta anos do processo de aproximação e superação de desconfianças entre os dois países, iniciado nos últimos anos de governo militar no Brasil, com o acordo para eliminar as disputas que travavam a construção da hidrelétrica de Itapu. Aparentemente, porém, os dois países vivem uma nova etapa no relacionamento, a de construção de novas desconfianças.

Não há mais medo na Argentina de que um dia o Brasil possa abrir as comportas de Itapu e inundar parte do país; nem existem programas nucleares ou militares nos dois países que apontem o outro como inimigo em potencial – pelo contrário, há acordos de cooperação nas duas áreas, e até conversas avançadas para uma polícia comum. A desconfiança viceja, porém, quando se conversa com empresários dos dois países. O estilo Kirchner, duro e centralizador nas controvérsias com o setor privado, intimida empresas brasileiras e desencoraja queixas públicas sobre problemas na Argentina, como dificuldades com o fisco e com as alfândegas.

É grande a lista de queixas do setor privado brasileiro contra a Argentina, a começar pelas barreiras de entrada ao mercado local – em detrimento de concorrentes como a China, que ganha espaço na maioria dos setores antes dominados pelos brasileiros. Embora a conjuntura mundial não seja favorável a acordos de abertura de comércio, empresários apontam a Argentina e sua política protecionista como um obstáculo a qualquer tentativa de retomada de negociações de acordos comerciais, como o tentado pela União Europeia. É recente a lembrança da recusa argentina em acompanhar o Brasil nas propostas para destravar as negociações na Organização Mundial de Comércio (OMC).

Esperava-se que a substituição de Néstor Kirchner por Cristina inaugurasse uma nova fase na política externa do vizinho, com maior abertura para acordos e maior interesse em iniciativas multilaterais para os problemas do país e da região. Essa expectativa frustrou-se, e a política externa argentina ainda é mais um reflexo das circunstâncias e conveniências da política interna. O Palácio San Martín, que sedia a diplomacia argentina, atua sob severa vigilância da Casa Rosada, que considera excessivas algumas concessões retóricas feitas nas discussões com o Brasil.

O processo de criação de desconfianças entre Brasil e Argentina tem forte componente de política interna. Ela captura as atenções do Executivo local, e costuma obrigá-lo a endurecer nas disputas externas, de olho no efeito delas sobre a composição de forças na política local. Com a aproximação de disputadas eleições para o Legislativo, que podem deixar em minoria o grupo dos Kirchner, aumenta o potencial de problemas internos para o atual governo, com reflexos negativos para sua política externa. A possível derrota dos Kirchner dificultará as ações do governo, ou criará um grave impasse político na Argentina; e muitos analistas preveem, em consequência, abalos na política cambial, com previsível corrida à compra de dólares e novas quedas na cotação do peso. Já são públicas as pressões, especialmente da União Industrial Argentina, para que o governo deixe de lado a política do Banco Central de defesa da moeda e apresse a desvalorização.

As dificuldades políticas e a desvalorização do peso podem contribuir para que a Argentina perca ainda mais importância na balança comercial brasileira. No primeiro quadrimestre de 2009, já foi bem forte a queda da Argentina no ranking de parceiros comerciais, onde a China escalou posições e ocupou o posto de maior comprador de produtos brasileiros. Os argentinos, que absorviam 10% das vendas brasileiras entre janeiro e abril de 2008, agora demandam cerca de 7% (menos que isso, em abril). A China, que era 6,5% do mercado para exportações brasileiras, hoje representa 13%.

Decresce a importância argentina para os planos dos exportadores brasileiros. Eles ainda têm no vizinho seu maior mercado para produtos como automóveis, partes e peças, mas cada vez menos. Os movimentos de arrumação na indústria automobilística multinacional trazem também riscos de gerar atritos bilaterais, caso, nos novos planos das montadoras, haja a decisão de fechar ou redimensionar fábricas na Argentina para concentrar-se no maior mercado da região.

Há discordâncias argentinas interessantes e instrutivas, como a divergência, no passado, entre grupos literários afiliados a Roberto Arlt e a Jorge Luis Borges. Mas os brasileiros podem se ver falando em breve sobre outro tipo, mais árido e desagradável de conflito, no que diz respeito ao país vizinho.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail sergio.leo@valor.com.br

20/05/2009 - 15:29h Brasil é possível candidato a upgrade, diz Moody’s

http://www.ra6.com.br/img/blog/financas.jpg

REGINA CARDEAL – Agencia Estado

SÃO PAULO – O Brasil e o Peru são possíveis candidatos para uma elevação da nota de crédito (upgrade) após provarem que são resilientes à crise global, embora não haja planos imediatos de elevação do rating, disseram analistas da agência de classificação de risco Moody´s Investor Service. “As crises revelaram a capacidade de resistência dos países aos choques e o Brasil e o Peru se saíram muito bem”, disse Mauro Leos, responsável da Moody´s para os ratings regionais, em teleconferência.

Enquanto a Standard & Poor´s e a Fitch Ratings conferiram grau de investimento à dívida soberana do Brasil e do Peru no ano passado, a Moody´s assumiu uma postura mais cautelosa, mantendo os dois países um nível abaixo do grau de investimento. Leos destacou que a Moodys se sente confortável ao elevar ratings durante uma crise, como fez com o Chile, mas sua equipe de analistas se reservará o julgamento até que veja mais dados econômicos sobre o impacto da crise. Os ratings para a dívida soberana do Brasil e do Peru têm perspectiva estável e normalmente a Moody´s altera a perspectiva antes de mudar o rating.

Segundo o analista sênior da Moody´s Gabriel Torres, o México está bem estabelecido três níveis acima do grau de investimento e tem amplo acesso aos mercados. O México, no entanto, é vulnerável por causa de sua dependência dos EUA, acrescentou. Torres indicou que a Moody´s não tem pressa para mudar o rating do México.

Os países da América Latina estão se saindo melhor do que muitos outros na desaceleração global, particularmente do que a Europa Oriental. “Os ratings da dívida da região começaram em geral mais baixos do que os de outras áreas. De fato, a crise tem mostrado que alguns são mais fortes do que muitos pensavam”, disse Torres. Enquanto isso, o impacto político da crise foi muito limitado e os sistemas bancários se mantiveram, em geral, sólidos, ele acrescentou.

No lado fiscal, alguns países da América Latina apresentavam superávits até serem atingidos pela crise e o declínio na renda não foi suficientemente dramático para atingir a maioria dos países, disse Torres. A Moody´s prevê um déficit fiscal médio de 3% do Produto Interno Bruto em 2009.

No caso da Argentina, o país não pode ser rebaixado mais a menos que haja um default ou risco iminente de default. “Em geral, estamos confortáveis com nossos ratings na região”, disse Leos. As informações são da Dow Jones.

10/05/2009 - 19:25h Comienza el asalto al trono de los Kirchner


El esposo de la presidenta argentina se moviliza ante las cruciales legislativas de junio

Comienza el asalto al trono de los Kirchner

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ – Buenos Aires – 10/05/2009 – El País

Las elecciones legislativas argentinas del 28 de junio, a punto de que se abra la campaña electoral, se anuncian como una pelea muy dura. No se trata sólo de conservar mayorías parlamentarias, sino que se han convertido en una lucha directa por el poder: se trata de quitarles, o pegarle una gran tajada, al poderío de los Kirchner en los dos años de presidencia que le quedan a Cristina Fernández, y de saber quién queda situado como posible alternativa en 2011.

Peronismo disidente, que podría caracterizarse, más o menos, como un centro-derecha; el radicalismo, que se identificaría con el centro-izquierda; y el kirchnerismo, el peronismo oficialista, que representa el matrimonio Néstor y Cristina Kirchner, y que tendría un difícil encaje ideológico, son las tres corrientes que compiten en estas elecciones.

Los comicios se van a desarrollar en un escenario político en el que la gran mayoría de los argentinos cree, según el último sondeo de MRC Mori, que el segundo problema del país es la clase política (el número uno es la inseguridad) y en el que son muy pocos los políticos que llegan al aprobado: los Kirchner, por ejemplo, rondan el 50% de imagen “mala o muy mala”.

La elaboración de las listas, que se cerraron a las doce de la noche del sábado, ha sido trabajosa, porque había que poner de acuerdo a multitud de personajes, pero, a falta de confirmación y a expensas del misterio alentado por Néstor Kirchner, parece que la decisiva pelea por la provincia de Buenos Aires la encabezarán el propio Kirchner, los disidentes Francisco de Narváez-Felipe Sola y los radicales Margarita Stolbizer-Ricardo Alfonsín.

El que más se juega es Kirchner, presidente del Partido Justicialista. Las encuestas indican que ha bajado en popularidad y que va a perder escaños y votos. Su posición está debilitada en las provincias de Santa Fe, Córdoba y Mendoza. Pero lo que más importa es la poderosa provincia de Buenos Aires. Ahí es, especialmente en el llamado “conurbano”, el doble cinturón empobrecido de la capital, donde el oficialismo tienen que echar el resto.

La debilidad de Kirchner quedó de manifiesto en dos movimientos: adelantar los comicios, que debían celebrarse en octubre, para ganarle algunos meses a la crisis económica; y poner en marcha las polémicas candidaturas testimoniales. Se trata de personas que ocupan cargos públicos, a las que Kirchner fuerza a presentarse en su lista, aunque los interesados no ocultan que renunciarán a su escaño media hora después de conseguirlo.

Testimonial, aunque en este caso no vaya a renunciar a su escaño, es también la candidatura de la actriz Nacha Guevara, de 69 años, quien probablemente ocupe el tercer puesto en la lista de Néstor Kirchner. Guevara ha interpretado hasta hace pocos días, con formidable éxito, el musical Evita, y su imagen se confunde con la del gran mito peronista.

La campaña de los Kirchner se ha basado en la idea de yo, o el caos, con frecuentes alusiones a la crisis del 2001 y al corralito (que acabó con buena parte de los ahorros de la clase media). “O ganamos nosotros o nadie se ocupará de los pobres”, aseguró la presidenta Cristina Fernández.

Un sondeo hecho público ayer por la revista Perfil indica que los ciudadanos creen que la situación del país es mala o muy mala (61%) y el 50% cree que irá todavía a peor en los próximos tres meses. Por encima, incluso, del miedo a perder el empleo o a la subida de precios, los argentinos están preocupados por lo que perciben como un fuerte aumento de la delincuencia. La corrupción, que, según muchos estudios internacionales, es uno de los grandes problemas del país, no es percibido así por los ciudadanos (8%).

La oposición parece decidida a dar la batalla en los temas económicos y de seguridad. Francisco de Narváez, que posee una gran fortuna (producto de la venta de una cadena familiar de supermercados), está seguro de que el aumento de la delincuencia es uno de los grandes asuntos en Buenos Aires y ha invertido una importante cantidad de dinero en anuncios publicitarios en televisión. Solá, a su lado, ofrece experiencia y dominio de una parte del aparato peronista, sin el que nadie cree en Argentina que se pueda gobernar.

Los radicales, por su parte, intentan recuperar la imagen del fallecido Raúl Alfonsín y su defensa del diálogo y las instituciones. El objetivo de todos ellos es el mismo una vez en el Parlamento: forzar a los Kirchner, a los que acusan de autoritarismo, a negociar la gobernación del país.

07/05/2009 - 16:35h Evita, ícone pop que virou camiseta e musical, sopraria 90 velinhas

por Ariel Palacios,  O Estado SP

Se Eva Duarte de Perón estivesse viva, sopraria 90 velinhas nesta quinta-feira, dia 7 de maio. Mas, sua curta vida foi interrompida em 1952 por um devastador câncer. A figura de Evita ainda gera polêmica entre os argentinos, embora cada vez menos. Seu túmulo no cemitério da Recoleta é visitado majoritariamente por turistas estrangeiros.

simples

Umas das imagens preferidas de Evita pela esquerda peronista

Desde os anos 60 ela é símbolo de “rebeldia” para a esquerda peronista. Sua efígie está presente nas passeatas desses setores em faixas e cartazes. No entanto, nessas ocasiões aparece na versão mais “simples”, sem os vestidos de luxo e sem as jóias que costumava ostentar.

gala2

Um casal de arromba: Evita, com Perón, em retrato oficial

 

Mas, enquanto esteve viva foi identificada com o Fascismo. Ela apoiou enfáticamente o regime de extrema direita do ditador espanhol Francisco Franco, entre outras ditaduras totalitárias.
Além disso, colaborou com seu marido, o presidente Juan Domingo Perón, a receber criminosos de guerra nazistas, nos anos seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial.

franco2

Evita respaldou o regime de extrema direita de Franco

 

De quebra, Evita ajudou Perón na desarticulação dos sindicatos socialistas. Ela tornou-se na “protetora” do sindicalismo peronista, que costuma – ainda hoje – apresentar-se como uma “terceira via” entre o “capitalismo yankee” e o “marxismo ateu”.

Evita criou uma fundação, a Fundação Eva Perón, com a qual ajudou centenas de milhares de pessoas com problemas financeiros, de moradia e de saúde.
Seus críticos indicam que ela aplicou políticas assistencialistas, mas nada fez para mudar as estruturas. Seus defensores afirmam que ela, pelo menos, ao contrário de muitos políticos, forneceu ajuda aos setores pobres da população.
Seus críticos retrucam e sustentam que as ajudas dadas aos pobres eram com produtos confiscados de empresas privadas. Seus defensores dão a tréplica e afirmam que os confiscos eram justificáveis, já que as empresas lucravam graças aos baixos salários de seus empregados.

Peronistas de todo tipo tentaram usar a imagem de Evita. O neo-liberal ex-presidente Carlos Menem citava Evita como exemplo a seguir. A presidente Cristina Kirchner cita Evita como exemplo a seguir.

evitacfk

Cristina Kirchner tenta emular gestos de Evita

madonna
A colombiana Ingrid Betancourt, que nunca pretendeu ser Evita; Cristina Kirchner, que cita Evita constantemente, e Madonna, que lucrou muito graças a Evita

Não somente políticos usaram Evita. Ela também transformou-se em produto comercial. Nas últimas três décadas a temperamental e passional esposa de Perón virou musical, filme (baseado no musical), camiseta, caneca, pôster e até chaveiro. Por enquanto, não se transformou em sabão em pó. Mas, nunca é tarde demais.

dance

Como sacolejar o esqueleto ao ritmo do musical Evita

 

“Voltarei e serei milhões”. A lenda diz que Evita pronunciou essa frase segundos antes de morrer. Os “milhões”, indicava o mito, eram os milhões de trabalhadores que viriam reclamar suas conquistas. Mas, na realidade, transformaram-se nos milhões de dólares gerados anualmente por este ícone pop.

MITOS E FATOS:
- Evita não era pobre, como diz a lenda. Sua mãe era a dona de uma pensão na cidade de Junín, na província de Buenos Aires. Viviam de forma austera, mas digna.

- O mito divulgado pelos opositores de Evita indica que ela prostituía-se nos primeiros anos em Buenos Aires. Mas, não existe prova alguma disso.

- Evita não liderou as massas para liberar seu namorado, o então coronel Juan Domingo Perón, detido em 1945 pelo governo militar que integrava (e que temia a crescente popularidade do então denominado “Coronel Kolynos”, por seu permanente sorriso). Após a prisão de Perón, ela refugiou-se na casa de sua mãe, em Junín.

- Evita nunca pronunciou a frase “volveré y seré millones” (voltarei e serei milhões). A frase é apócrifa. Mas, poderia encaixar-se bem na categoria de “se non è vero è ben trovato”, pois adapta-se bem à personalidade da “Mãe dos Pobres”.

- O mito diz que quando ela estava morrendo de câncer, apareceram pichações nos muros de Buenos Aires (e especialmente nos arredores da residência presidencial) com a frase “Viva el cáncer” (Viva o câncer). Não seria uma atitude estranha por parte dos opositores de Evita, que a detestavam. Mas, não há registros sobre a existência dessas pichações. As versões sobre esses grafitos surgiram anos após a morte de Evita.

- O mito, divulgado pelos opositores de Eva Perón, sustenta que ela tinha uma fortuna no exterior, mais especificamente, em bancos suíços. No entanto, apesar das investigações realizadas, nenhuma conta bancária foi encontrada em terras helvéticas.

- Evita, ao contrário do que mostra o musical e filme “Evita”, jamais conheceu o argentino Ernesto ‘Che’ Guevara, transformado em líder guerrilheiro em Cuba anos após a morte de Eva Perón. O Che, inclusive, considerava Evita e seu marido políticos de ‘direita’. E, até considerava que o casal era ‘proto-fascista’.

cdhechef

Guevara, que não gostava de Evita, teve o mesmo destino da compatriota argentina: transformou-se em todo tipo de produto comercial. Até virou restaurante, o Chef Guevara

- Durante anos, no exterior, existiu o mito de que em cada lar operário argentino havia um “altar” com a foto de Evita e velas acesas embaixo. Isso ocorreu em muitas casas de pessoas pobres após sua morte em 1952. Mas, esse ‘altar’ nunca foi prática generalizada. E deixou praticamente de ser visto a partir dos anos 90.

seb

Livro disseca imagem de Evita

SEGUNDO SOCIÓLOGO, EVITA ERA ‘A MULHER DO CHICOTE’
Um dos principais sociólogos da Argentina, Juan José Sebreli, publicou recentemente “Cômicos e Mártires – Ensaio contra os mitos”, livro que desatou intensa polêmica, já que nele ousa intrometer-se com os maiores – e intocáveis – mitos da História argentina. O livro – que na Espanha recebeu o prêmio Casamérica – analisa o fenômeno dos mitos do ex-astro do futebol Diego Armando Maradona; o cantor de tangos Carlos Gardel;o líder guerrilheiro Ernesto ‘Che’ Guevara, e a “Mãe dos pobres”, Evita Perón.

“Evita exaltou, de forma significativa, a subordinação da mulher ao homem”, disparou Sebreli, enquanto bebia um ‘cortado’ no café ‘El Olmo’. Durante a entrevista que lhe fiz em fevereiro, ele torpedeou o mito de Evita como paladina do gênero feminino. “Além do voto para as mulheres, ela jamais pensou em reivindicações feministas essenciais, como, por exemplo, o divórcio e a despenalização do aborto”, disse.

Evita é sustentada como mito tanto pela direita como pela esquerda, explicou Sebreli, que indicou que “embora em seu discurso estivesse do lado dos operários, ela respaldou de forma enérgica a repressão às greves realizadas contra o governo de seu marido. Evita, longe de ter sido uma defensora dos operários, ajudou na domesticação do sindicalismo argentino. Ela era a perseguida e a perseguidora, a mulher do chicote”.

Sebreli afirma que, ao contrário da lenda, Evita nunca esteve na mobilização de trabalhadores que no dia 17 de outubro de 1945 foi às ruas pedir a liberação do então coronel Juan Domingo Perón, detido por seus colegas militares. “Evita era ninguém, só era a amante de Perón…Essa imagem dela liderando as massas naquele dia decisivo apareceu anos depois. É preciso desmascarar isso. Evita estava naquele dia na cidade de Junín, com seus parentes”.

“Perón não é mito. Ele é figura histórica. Ninguém se interessa profundamente em Perón hoje em dia, a não ser que seja um historiador. Mas, todos conhecem Evita. É seu jeito de ser, o look. E, de quebra, ainda está ali o musical e o filme sobre o musical. Perón foi um político, mas Evita foi o ornamento estético do fenômeno político do Peronismo. Veja bem: um ornamento estético muito importante”, explica.

Segundo o sociólogo, “Perón pode ser discutido hoje em dia. Mas, Evita é intocável.Quase o mesmo caso do Che e de Maradona. As pessoas fazem poucas piadas paródicas sobre eles. O dia em que começarem as piadas, será o fim de seus mitos”.

Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão.
E, acima de tudo, serão cortadas frases de comentaristas que façam apologia do delito.

27/04/2009 - 11:49h Reforçar a estabilidade regional é essencial para integração sul-americana e para o Brasil

Lula marca data para o real sul-americano

Sergio Leo – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já marcou data para anunciar seus planos ambiciosos para o uso do real nas transações da América do Sul. Esses planos avançam além da campanha feita por ele para estender aos sócios sul-americanos o mecanismo de comércio em moeda local, já lançado com a Argentina – embora sem muito sucesso até agora, como noticiaram Raquel Landim e Janes Rocha, em reportagem do Valor, na semana passada. Na próxima reunião da Unasul, que agrega os países da região, ainda neste semestre, Lula quer apresentar aos parceiros uma proposta que pode ampliar o uso do real nas relações entre os vizinhos.

O mecanismo ainda não está pronto, e passa por discussões na equipe econômica, onde, jura-se no Palácio do Planalto, já existe concordância do reticente Banco Central. Sem dar detalhes da proposta, os assessores de Lula descrevem uma proposta que se assemelha à linha de swap em dólares aberta pelos EUA ao Brasil e outros países, no ano passado, pela qual os beneficiados por trocar no Federal Reserve suas moedas por dólares, até um limite e por um tempo limitado, que se esgota nesta semana. Mas terá diferenças, ao incorporar mecanismos de compensação de moedas.

Os países sul-americanos serão autorizados a sacar, do BC, uma quantia em reais, que poderão usar para o comércio com o Brasil ou até repassar a outros países no continente (que, por sua vez, poderiam usar a moeda para pagar compromissos no mercado brasileiro). Falta ainda, segundo um graduado assessor de Lula, definir o total que será posto à disposição dos vizinhos. Lula quer que seja uma quantia significativa.

O mecanismo em elaboração difere do sistema de pagamentos em moeda local já adotado com a Argentina porque ele permite o uso do real em outros pagamentos, além de operações comerciais. E permite também aos países beneficiados usar os reais adquiridos para transações com outros países. Além da óbvia vantagem para o Brasil, por permitir a maior circulação da moeda brasileira entre os países do continente, o novo sistema, segundo se argumenta no Planalto, ajudaria aos outros governos da América do Sul a reduzir sua dependência de dólares em transações internacionais na região – em um período de escassez de moeda americana no continente.

O Brasil tem superávits no comércio com todas as nações da América do Sul, à exceção da Bolívia. Os bolivianos tem déficits no comércio com os outros países, e um enorme superávit com o Brasil, graças à venda de gás ao mercado brasileiro. A cessão de dólares aos vizinhos permitira a esses países reduzir seus problemas de balanço de pagamentos em dólar, inclusive na Bolívia, que poderia usar os reais para comprar produtos de outros países andinos, ou da Argentina, por exemplo. Esses são os argumentos que Lula levará à reunião da Unasul, em junho.

Lula conversou sobre o assunto, na semana passada, em Buenos Aires com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Foi um dos principais assuntos levados por ele para a conversa privada com a presidente. O tema também foi abordado ligeiramente durante a reunião dos ministros com os chefes de Estado.

A ampliação do uso do real é um desdobramento natural da série de iniciativas que vem sendo tomada na relação bilateral, na tentativa de, progressivamente, permitir à Argentina menor dependência do dólar, já que o país, desde a decretação da restruturação unilateral de sua dívida, em 2005, tem acesso muito limitado ao mercado de capitais internacional. O Brasil, na visita, ampliou, de US$ 120 milhões para US$ 1,5 bilhão o valor das operações que podem ser firmadas sob amparo do Convênio de Crédito Recíproco (o CCR, espécie de mecanismo de compensação em moedas locais acoplado a um seguro de exportação). Firmou acordo, ainda, para que compromissos como compra e venda de energia elétrica e pagamentos previdenciários possam ser realizados em moeda local, real ou peso.

Não é a única iniciativa no continente, de redução da dependência em relação ao dólar para transações com vizinhos. Atento aos movimentos brasileiros, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reuniu seus associados na Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), pequenos países centro-americanos e do Caribe, além da Bolívia, e com Equador e Paraguai firmou um acordo para um mecanismo de compensação regional a que denominaram “sucre”, embrião, segundo o venezuelano, de uma futura moeda regional.

Como muitos dos anúncios de Chávez, o “sucre” tem muito de intenção e pouco de realidade, por enquanto, já que iniciativas de livre trânsito cambial na Venezuela esbarram no rígido controle de pagamentos internacionais feitos pelo governo. Chávez, no fim de semana, recebeu o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e como outros governantes do continente, mostrou interesse no mecanismo de comércio em moeda local entre Brasil e Argentina. A conversa não foi além de perguntas interessadas do venezuelano. Não se sabe como compatibilizar o mecanismo com o controle cambial imposto no país.

A iniciativa brasileira de expandir a circulação do real no continente pode ser interpretada por dois ângulos. Um deles, se adotada a retórica com que o venezuelano Chávez cerca medidas do gênero, pode ser vista como uma medida antiamericana – o que não é – destinada a botar a colherzinha do Brasil na sopa da desconstrução dos Estados Unidos como emissor da moeda de troca mundial.

Outra interpretação, mais do agrado do governo brasileiro, é a de que a crise financeira e de confiança nos mercados mundiais ameaça fortemente as contas externas dos países da região, com quem o Brasil tem uma parcela substancial de seu comércio. Se quiser reduzir as fontes de pressão sobre as políticas comerciais dos parceiros sul-americanos e minimizar seus efeitos sobre as vendas de produtos brasileiros na região, o governo brasileiro tem de buscar mecanismos criativos e menos dependentes do fluxo de dólares para esses países. Lula mandou seus técnicos encontrarem esses mecanismos e conta tê-los em mãos, até junho.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

01/04/2009 - 15:36h Raúl Alfonsín: El símbolo de la democracia

Luchador tenaz de la política y radical de toda la vida, pasa a la historia como el presidente que le puso fin al horror de la dictadura. Deja un fuerte legado de ética y decencia republicanas, con unánime reconocimiento.

Por María Seoane – Clarín

1983/ LA HORA CERO. Una multitud emocionada escucha el primer mensaje de Alfonsín desde los balcones del Cabildo a pocas horas de haber jurado como Presidente de los argentinos. Comenzaba así el sueño de la refundación de la democracia en un país con muchas heridas abiertas por la violación a los derechos humanos y la guerra de Malvinas, además de la crítica situación económica.

El mundo al que llegó aquel sábado 12 de marzo de 1927 marchaba hacia la Gran Depresión. París era una fiesta aún, pero el colonialismo se resistía a morir y el capitalismo pujaba con violencia para repartirse lonjas del mundo que avanzaba en zigzag hacia el precipicio de la Segunda Guerra Mundial. En los días en que Raúl Ricardo Alfonsín nació, la Liga de las Naciones ratificaba la Convención contra la Esclavitud; en estos pagos, el gran Luigi Pirandello tomaba café en el Tortoni; la Antártida y el continente recién establecían su primera comunicación telegráfica y el gobierno del radicalismo “galerita” de Torcuato de Alvear llegaba a su fin arrollado por el imparable retorno del “Peludo” Hipólito Yrigoyen que había lanzado la consigna de nacionalización del petróleo, tanto su explotación como comercialización canalizando un sentimiento nacionalista potente en un país que aún tenía la tercera parte de la población extranjera. Aquel mundo, entonces, retumbaba en las paredes de una casa levantada con ladrillos unidos por barro, en Chascomús, corazón húmedo de la provincia de Buenos Aires, donde la descendiente de irlandeses Ana María Foulkes escuchará una y otra vez a su marido Serafín Raúl Alfonsín Ochoa, un gallego rotundo y radical apasionado, despotricar contra las infamias de los años 30, cuando golpe militar, fraude, desocupación derrocaron al presidente Yrigoyen y acordonaron la vida de los argentinos.

(mais…)

01/04/2009 - 15:15h Con marcada emoción, miles de personas despiden a Alfonsín

http://www.clarin.com/diario/2009/04/01/um/thumb/alfcongreso.jpg

El ex presidente es velado en una capilla ardiente en el Salón Azul del Senado, que se mantendrá abierto por la noche. El entierro será mañana en la Recoleta.

Seguidores de Alfonsín esperan en las puertas del Congreso para despedirlo. Por Fabricio Soza, de Clarín.com.

“El féretro del ex presidente fue recibido con una ovación”. Por Hernán Reyes, para Clarín.com.

Miles de personas siguen llegando al Congreso de la Nación para rendir tributo a Raúl Alfonsín. Los restos del ex presidente son velados en el Salón Azul del Senado. Afuera de la sede parlamentaria, había cientos de personas esperando ya por la madrugada; el flujo de personas que, emocionadas, se acercaron al edificio llevó a que se decidiera extender el velorio hasta mañana a las 11 de la mañana, en lugar de cerrarlo esta noche, como estaba previsto originalmente.

El furgón con el cuerpo del ex mandatario arribó a las 7:27 a la explanada de la avenida Entre Ríos. Allí fue recibido por una formación de honor del Regimiento de Granaderos. Minutos más tarde, fue trasladado a la capilla ardiente instalada en la Cámara alta por, entre otros, el vicepresidente Julio Cobos y el titular de Diputados, Eduardo Fellner.

Cientos de personas esperan su turno afuera del Congreso para saludar al ex presidente. La cola es de cerca de 200 metros y pasa Bartolomé Mitre. Muchos de ellos están en vigilia desde anoche, pudo comprobar Clarín.com. La zona cercana está vedada al tránsito y el ingreso del público esta en Rivadavia y Riobamba.

Además de la familia de Alfonsín, se encuentran en la capilla ardiente figuras políticas de diversos signos. Monseñor Justo Laguna dejó una bendición para el ex presidente.

La sede parlamentaria mantuvo su cúpula iluminada y la bandera a media asta durante toda la noche, como todos los edificios públicos por el duelo de tres días dispuesto por el Gobierno, en cuyo transcurso fue incesante el arribo de palmas y coronas florales como ofrenda al ex mandatario.

Los cortes se produjeron en la avenida Entre Ríos desde Adolfo Alsina hasta Rivadavia y en Hipólito Yrigoyen desde Combate de los Pozos hasta Solís.

Las vallas del frente del histórico edificio fueron cubiertas con una bandera argentina de 35 metros por 1,50 de ancho, y por una algo más corta, roja y blanca, con el nombre del partido en el que militó toda su vida el ex mandatario.

Pasacalles de grandes dimensiones fueron atados a las columnas de iluminación del otro lado de la avenida Entre Ríos, en la acera de la Plaza de los dos Congresos, mirando hacia la sede parlamentaria.

“Por las luchas de ayer, por los derechos de hoy, por la igualdad de mañana. Juventud Radical”, decía más significativo, mientras otros cumplían una función meramente enunciativa, como “Los Irrompibles, la mística de la militancia”, “Ateneo Ricardo Cordo” o “Franja Morada, regional Buenos Aires”.

Otro, con un retrato del dirigente muerto decía a modo de tributo: “Sos nuestra bandera”, firmado por “Los hijos de la democracia”, y había tres iguales de “Gracias Raúl. Flia Báez. UCR Benavídez”.

Fonte Clarin

21/03/2009 - 15:54h Brasil y Argentina mantienen su pulso comercial


Brasil y Argentina mantienen su pulso comercial
Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, en el foro empresarial celebrado ayer São Paulo.- AP

FRANCHO BARÓN – Río de Janeiro – El País

“La devaluación del real también es proteccionismo”, afirma Fernández

Los presidentes de Argentina y Brasil, Cristina Fernández y Luiz Inácio Lula da Silva, intentaron eludir ayer el espinoso asunto de las relaciones comerciales entre sus países, pero no lo consiguieron. Se encontraron en São Paulo, en el marco de un foro empresarial bilateral, y el malestar entre sus respectivos sectores industriales pudo más que los buenos propósitos de hablar sobre asuntos más agradecidos, como la posición común que los Gobiernos de Brasilia y Buenos Aires pretenden llevar a la cumbre del G-20, que se celebrará el próximo 2 de abril en Londres.

Lula, que profesa públicamente su oposición frontal al proteccionismo de los mercados nacionales y que, para predicar con el ejemplo, recientemente fulminó un plan de restricciones a la entrada de 3.000 productos en Brasil, mira con malos ojos la decisión argentina de imponer barreras comerciales a una lista de 200 productos, muchos de ellos brasileños.

Fernández, sin embargo, justifica la permanencia de estas licencias no automáticas de importación con el argumento de que la balanza comercial entre Brasil y Argentina se inclina desproporcionadamente hacia el primero, algo que, según ella, en tiempos de crisis rampante es mucho menos soportable. La presidenta argentina también esgrime la mala racha que atraviesa el sector industrial de su país y la necesidad apremiante de reestructurarlo. “Con economías de diferente desarrollo y una desventaja en la balanza comercial, es natural que se adopten medidas para no agravar una situación que es estructural”, dijo ayer Fernández, que compareció ante la prensa junto a Lula.

La actitud del Gobierno argentino molesta al sector industrial brasileño, básicamente porque la crisis mundial ya ha impactado de lleno en Brasil y sus indicadores de crecimiento económico y producción industrial no paran de caer en picado. El último boletín semanal difundido por el Banco Central de Brasil sitúa la previsión de crecimiento para este año en el 0,59%, cuando el producto interior bruto (PIB) brasileño cerró 2008 en un alentador 5,1%. Para los industriales brasileños resulta especialmente sangrante el hecho de que su Gobierno anunció en enero nuevas restricciones a la entrada de 3.000 productos (aproximadamente, el 60% de sus importaciones) en su mercado. En aquel momento Argentina protestó enérgicamente y Lula, en un gesto paternalista y de buena vecindad, decidió dar marcha atrás con las barreras comerciales.

Según fuentes gubernamentales brasileñas, Lula no está de acuerdo con las medidas proteccionistas que se están aplicando en Argentina, aunque no le queda más remedio que respetarlas. “El proteccionismo es casi una religión. Cuando pasa algo [como la crisis mundial] todo el mundo quiere defender a sus empresas y a sus economías. Esto es normal”, afirmó ayer Lula en tono conciliador. Sin embargo, hizo énfasis en la necesidad de que los países se protejan contra las prácticas de dumping y abogó por reforzar los intercambios comerciales con sus países vecinos. “Cuanto más nos vendamos mutuamente, más independientes seremos del bloque de los países desarrollados”, concluyó.

Fernández, por su parte, se mostró menos diplomática que su homólogo brasileño y aludió sin rodeos a las que su Gobierno considera medidas proteccionistas brasileñas. “También es, por ejemplo, devaluar una moneda. La reciente devaluación del real frente al dólar también se podría calificar de medida proteccionista. Y los beneficios fiscales que algunos Estados brasileños otorgan a las empresas que se radican en sus territorios también pueden ser medidas proteccionistas”, enumeró la presidenta argentina.

La tensión por la gresca comercial con el vecino austral, que tiene en pie de guerra a buena parte de la industria brasileña, vino a sumarse ayer a la difusión de dos encuestas que registran una preocupante caída de la popularidad del Gobierno capitaneado por Lula. El Instituto Brasileño de Opinión Pública y Estadística (IBOPE), cifró ayer en nueve puntos porcentuales la disminución de la aprobación popular al actual Gobierno. Según la institución, la buena imagen del Ejecutivo brasileño ha caído por primera vez desde el inicio de su segundo mandato, desde el histórico 73% registrado el pasado diciembre hasta el 64% actual.

Por su parte, la empresa de sondeos Datafolha apunta a una caída de cinco puntos en la aprobación de la gestión del Gobierno brasileño, desde el 70% registrado el pasado noviembre hasta el 65% de hoy. La mala noticia se debe, según los encuestadores, a los preocupantes indicadores económicos del país, que empeoran cada día que pasa.

08/03/2009 - 16:40h Aprender arte

El campo artístico ha logrado la señal más clara de éxito al ser pensado como una actividad profesional con creciente salida laboral. Con la misma velocidad que en su momento detectó un futuro para las carreras de administración de empresas o las de comunicación, el mundo universitario local vio en el arte un “nicho”, según la jerga del marketing, con enormes posibilidades

 Talleres. Convocan tanto a artistas que quieren hacer carrera como a los que no Foto: Gza. Andrés Waissman

http://adncultura.lanacion.com.ar/anexos/imagen/09/966570.JPG
DESDE TEMPRANO. En el Malba funciona con éxito la programación de educación a través del arte, sistema del que fue pionero el MoMA de Nueva York

Por Raquel San Martín
De la Redacción de LA NACION

Durante años, la crítica de arte fue terreno de escritores y poetas; el diseño de una exposición, de museólogos; la dirección de una galería, de conocedores; la política cultural, de intuitivos. Ya no.

Del gueto y la elite a la tapa de los diarios y las exposiciones que atraen multitudes, el arte ensanchó sus fronteras, rodeó a los artistas con una variedad de nuevas funciones, pero también refinó sus demandas. “En el mundo del arte hoy ya no es suficiente estar conectado”, sintetiza una curadora.

Hoy hace falta haber estudiado. En la Argentina, la oferta posible se multiplica en especialidades: gestión cultural, curaduría, conservación y restauración de obras, montaje de exposiciones, crítica de arte, artes electrónicas e historia del arte se reparten en licenciaturas y posgrados en las universidades e institutos, que contratan a investigadores y curadores para pedirles que diseñen para ellos programas innovadores en un campo pleno de ofertas.

Como eco de una tendencia que ya tiene años en otros países, aquí se crean carreras, se publican libros y se abren posibilidades de investigación en todo aquello que acompaña y sostiene a los artistas, desde seleccionar y colgar sus obras hasta criticarlas y estudiarlas, pasando por promoverlas en el mercado. En ese sentido, el campo artístico -nunca como hoy una actividad colectiva- ha logrado la señal más clara de éxito: poder ser pensado como actividad profesional.

Paralelamente a este interés más formal, el auge de la oferta desborda y alcanza al público común: museos y centros culturales organizan cursos que se dictan a sala llena, ante un auditorio ávido de entender y formar parte de un universo artístico que abre sus puertas pero mantiene algunas barreras sólo traspuestas por los que saben.

“En la proliferación hay una gran diversidad. Por un lado, hay un conjunto de propuestas destinadas a un público interesado y otras de formación de posgrado, que aproxima el arte a profesionales de otras carreras. Y otro grupo, que son las carreras y posgrados de universidades, con fuerte predominio de las estatales, que llegan a un público más especializado y también extranjero. En muchas de ellas, entre el 25 y el 30% de los alumnos provienen de países latinoamericanos, lo que es un estímulo para el desarrollo pero también para el sostenimiento de los posgrados”, sintetiza a adn cultura Diana Wechsler, investigadora del Conicet, profesora en la carrera de Artes de la UBA y en las maestrías del área de la Universidad Nacional de San Martín (Unsam), además de curadora independiente.

Impulsado por un discurso político que atribuye a la cultura la capacidad de integrar socialmente y generar recursos, el arte se puso de moda. Y ya hay quienes alertan sobre una saturación de profesionales formados para un mercado local que, aún en expansión, tiene dimensiones modestas y una multiplicación de ofertas que no arriesgan demasiado desde el punto de vista intelectual.

Con la misma velocidad que en su momento detectó un futuro para las carreras de administración de empresas, o para las de comunicación, el mundo universitario local vio en el arte un “nicho” -en el lenguaje del marketing- con posibilidades en alza.

En 38 de las 93 instituciones universitarias del país, públicas y privadas, hoy se dictan carreras vinculadas al arte, que atraen, según datos del Ministerio de Educación, a unos 49.000 estudiantes, más que los que estudian Ciencias de la Comunicación. El crecimiento del interés es sostenido y constante: desde 2001 se incorporaron 10.000 alumnos y las carreras de arte ocupan hoy el quinto lugar en las preferencias de los nuevos ingresantes. Todo un logro para una actividad que, hasta hace poco, en muchos imaginarios seguía asociada a la pobreza.

A las carreras más tradicionales de arte, como las de las universidades de Buenos Aires, La Plata, Córdoba, Cuyo y Tucumán, con décadas de trayectoria, se suman ofertas de grado en otros temas, como las artes electrónicas en la Universidad Nacional de Tres de Febrero (Untref), la conservación y restauración en la Universidad del Museo Social Argentino (UMSA), el arte multimedial en la Universidad Maimónides o la crítica de artes en el Instituto Universitario Nacional del Arte (IUNA), y posgrados que cubren una variedad cada vez más amplia, desde la historia del arte hasta la gestión de la cultura.

“Este auge de carreras y de interés tiene que ver con un proceso de profesionalización que se da en todo el campo del arte. Si antes el curador de un museo tenía un perfil bajo, ahora es un autor que se prepara técnica y teóricamente. Y la gestión de instituciones culturales se volvió más compleja”, dice Inés Katzenstein, investigadora, curadora y directora del Programa de Arte que desde este año tendrá la Universidad Torcuato Di Tella. El área incluirá un programa de formación para artistas jóvenes con teoría, práctica y talleres, pero también seminarios y cursos abiertos sobre temas de historia y crítica de las artes. En proyecto, hay una licenciatura en artes.

El juego entre oferta de carreras y necesidades del mercado contiene otros elementos, por ejemplo, la competencia que esta proliferación de profesionales en el mundo del arte ya está provocando. “Al haber un mercado superpoblado, se genera una situación competitiva fuerte y hay que tener un rasgo diferencial para posicionarse y destacarse”, analiza Rubens Bayardo, antropólogo y director del posgrado en Gestión Cultural de la Unsam. Las deficiencias de formación en muchos de quienes tienen cargos en organismos culturales del Estado aporta más interesados.

Sin embargo, hay quienes señalan que este auge de carreras vinculadas al arte no es sino el resultado lógico de lo que se sembró hace 25 años, cuando, con la recuperación de la democracia, se revitalizaron carreras tradicionales de arte (como las de la UBA, fundada en 1963 por Julio E. Payró; o la de la Universidad Nacional de Cuyo, creada a fines de los años 30), en las que se educaron muchos de los que hoy diseñan posgrados, dan clases, investigan y, en palabras de José Emilio Burucúa, “han dado forma a un campo artístico muy robusto”.

“En los años 80 se hizo fuerte la formación de profesionales a partir de varias universidades nacionales, y ese núcleo ha hecho posible que tengamos grandes profesores y muchos investigadores”, sostiene Burucúa, historiador e intelectual del arte, ex docente de la UBA y profesor de grado de la Unsam, donde hasta hace poco dirigió la maestría en Historia del Arte.

No es causal que el estímulo, que hoy da resultados visibles, haya comenzado en esa década. “Desde 1983, el campo del arte argentino ha tenido un impulso por una necesidad de autoexpresión en una sociedad que recuperaba la libertad de hacerlo. Eso ha alimentado la fortaleza del campo artístico y cultural, que mantuvo durante la crisis de 2001. El arte ha sido una tabla de salvación y llenó una voluntad de autoconocimiento”, expresa Burucúa.

La época del arte

Quizá sea eso lo que atrae cada vez más personas a los cursos y seminarios vinculados al arte, que en Buenos Aires se vuelven incontables. La Asociación Amigos del Museo Nacional de Bellas Artes, por ejemplo, ofrece desde hace años su carrera no formal de Historia del Arte, que llena su auditorio, complementada por un calendario de cursos que van de la música y la estética al arte contemporáneo.

Otro tanto sucede en el Centro Cultural Ricardo Rojas, el Recoleta, el Museo Sívori, el Centro Cultural Borges, el Espacio Fundación Telefónica y la Universidad Torcuato Di Tella, por citar unos pocos. A ellos se suman los museos que acompañan sus muestras más importantes con seminarios afines, como sucedió con el Malba y la visita de Sophie Calle o con la Fundación Proa, a propósito de la megamuestra consagrada a Marcel Duchamp, y, como todos los años, con los programas de auditorio encarados por arteBA, Buenos Aires Photo, Gallery Nights y Expotrastiendas.

Si cada época tiene un modo de expresión que la define, ¿será ésta la época del arte? “Se ha producido efectivamente un cambio en el lugar de la cultura y las artes con relación a otras esferas sociales. Arte y cultura aparecían en el imaginario como algo propio de una elite, que representaban un plus por encima de las necesidades básicas de la gente. Hoy está incorporado a la vida social, a la producción económica y a la política”, dice Bayardo. “Lo cultural tiene una relevancia enorme -agrega- en la estetización de los productos de consumo.”

Podría arriesgarse todavía más: la identidad cultural define un lugar en el mundo (la religión, el género, los gustos musicales pesan más que las clases sociales, por ejemplo) y hasta puede convertirse en una “marca”: desde hace años se difunde la idea de Buenos Aires como “capital del arte”, gracias a la interacción de la política pública y el sector privado. El crecimiento de circuitos artísticos, ferias y festivales en la ciudad colabora para despertar en un público más masivo el interés por aprender.

Hay, además, una renovada preeminencia del arte en el campo teórico de las humanidades que, con menor visibilidad pero una influencia sostenida, aporta casi tanto a este interés como la presencia creciente de galerías de arte.

“Ha habido un giro en las ciencias sociales y las humanidades, en el que muchos planteos teóricos de larga data en la historia del arte han alcanzado un papel central en otras disciplinas, como la historia de la cultura o la historia intelectual. Estudiar las representaciones, lo simbólico, la decodificación de textos y los vínculos entre imagen y escritura es algo que la historia del arte viene trabajando, y que los estudios culturales, por ejemplo, hoy rescatan. Que otras disciplinas se encuadren en estas problemáticas hace que aparezca el interés por el arte de sociólogos, historiadores y gente de la comunicación”, analiza Wechsler.

Cambio de paradigma o salida laboral

En este panorama, existe un aspecto que cambia el lugar de la demanda académica: hay en el arte, en términos más concretos, nuevas posibilidades de trabajo.

La gestión de la cultura, por ejemplo, es un campo amplio y con posibilidades. “Hay una apertura de opciones profesionales en la gestión cultural que viene de la mano de entender que no es un sector de gastos inútiles, sino una inversión que da réditos y que hay que manejar profesionalmente”, dijo Bayardo.

“En cultura hubo durante mucho tiempo la idea de que uno hace lo que le gusta o lo que le parece. Hoy se entiende que hay que elaborar políticas a partir de conocimientos, datos, investigaciones e información sólida, conocer el terreno y elegir estratégicamente qué aspectos y expresiones culturales se van a promocionar”, sintetiza.

Las exposiciones artísticas también han inaugurado múltiples tareas. El curador, por ejemplo, adquirió un lugar central, como parte de un museo, de un espacio de arte o en su actividad independiente. “Los estudios curatoriales tienen un auge total en Europa y Estados Unidos. El curador es una figura particular, que tiene que encarar un trabajo de producción cada vez más enorme”, dice Katzenstein, y cuenta que uno de los objetivos de la UTDT es abrir una maestría en Curaduría, porque “alguien que sale de Historia del Arte necesita una formación en arte contemporáneo”.

Con eso coincide Graciela Taquini, una de las primeras egresadas de la carrera de Artes en la UBA, hoy investigadora y curadora especializada en artes electrónicas, que reconoce haber hecho su carrera “en la práctica”. “Hoy veo a las chicas más jóvenes, tan formadas y tan eficientes, y pienso que están ganando tiempo. Pero a la vez, que la experiencia es insustituible.”

Para Taquini, la curaduría debería ser un posgrado. “Muchos se dicen curadores y no lo son. No debería ser una carrera de grado, sino una especialización de una carrera de arte. Más allá de la formación, de todos modos, las curadurías tienen el sello de las obsesiones personales”, admite la especialista que ha hecho del videoarte su territorio expresivo y reconoce como “obsesiones” el simulacro, la verdad y la paradoja.

El auge de las artes electrónicas -que van desde la fotografía y el video hasta la instalación y el net art – abrió una serie de nuevas funciones que hay que aprender. “Las artes electrónicas requieren una formación específica, para rendir cuenta teóricamente de lo que se hace. Así, han surgido teóricos y artistas-teóricos en este campo, pero también la necesidad imperiosa de formar curadores en artes electrónicas”, dice Norberto Griffa, director del Departamento de Arte y Cultura de la Untref y coordinador de la carrera de Artes Electrónicas, pionera en el campo, iniciada en 2000. La Untref abrirá este año una maestría en Tecnología y Estética de las Artes Electrónicas.

“Hay en este campo un problema de mantenimiento, de hacer que los aparatos funcionen todo el tiempo y eso demanda criterios de exposición diferentes. Las obras tienen que convivir en un mismo espacio sin contradecirse”, describe Griffa.

En el otro extremo de la historia, el pasado también se mira hoy de otra manera. “Otra causa del auge por estudiar arte tiene que ver con la creciente conciencia sobre la preservación patrimonial, sobre la que, si se mira el largo plazo, ha habido progresos en los museos del país. Hay necesidad de gente idónea que haga fichajes eruditos del patrimonio y que pueda imaginar una política patrimonial”, opina Burucúa.

¿No puede una oferta creciente saturar un campo artístico de dimensiones modestas, como el nuestro? “Estamos en el punto del brote, en plena explosión. Pero creo que todo esto va a ir decantando”, analiza Griffa. Para Burucúa, hay que mirar a las provincias. “Hay siempre un riesgo de saturación laboral, sobre todo en Buenos Aires, pero no creo que suceda todavía. Hay centenares de instituciones, en todo el país, que necesitan estos profesionales”, sugiere.

Otros comparan cantidad y calidad, y alertan: “Espero que en la Argentina este auge de formación haga que se generen discusiones más interesantes, de mayor complejidad y riqueza; no sólo gente preparada para hacer un presupuesto u ocupar un puesto de trabajo. Que se puedan formar como intelectuales, porque lo que hace falta es gente que piense”, dice Katzenstein. Entre los cursos informales, agrega Taquini, “faltan cursos de historia del arte argentino con un punto de vista menos tradicional, más cuestionador y crítico”.

Debajo de la mediática espuma del arte convertido en moda, hay corrientes sociales que demandan atención. Cuidado, dicen muchos, que largas filas para entrar en un museo o visitantes récord en una feria no necesariamente indican una multitud diversa, sino probablemente la misma gente que ya tenía familiaridad con el arte, sólo que ahora con acceso a una oferta más variada. “La democratización del acceso al arte afecta todavía a un segmento escueto de la sociedad, que es la clase media alta. El gran desafío es incorporar a otros sectores”, dice Burucúa.

También, repensar el lugar del artista en este andamiaje profesional de intermediarios que se teje a su alrededor y que, según a quien se pregunte, oscila entre lo beneficioso y lo prescindible.

15/02/2009 - 16:50h O baú das preciosidades de Julio Cortázar

Muitos textos inéditos aparecem nos 25 anos da morte do escritor

http://www.literatura.us/cortazar/jc_desk.jpg

Luiz Zanin Oricchio – O Estado SP

Há 25 anos, no dia 12 de fevereiro de 1984, morria em Paris o escritor Julio Cortázar. Passado esse quarto de século, a data traz algo mais relevante que o artificialismo das efemérides: a editora espanhola Alfaguara promete, para maio, um sólido volume de inéditos do autor, reunidos sob o título de Papeles Inesperados.

São textos que prometem: 11 contos nunca antes publicados, um capítulo que ficou fora da versão final do romance O Livro de Manuel, 13 poemas e quatro entrevistas que o escritor fez a si mesmo. Entre os papéis foram encontrados ainda 11 novos episódios do livro Um Tal Lucas, uma narrativa intitulada Os Gatos, e mais três textos avulsos que deveriam ter sido incluídos em uma das obras mais conhecidas do escritor, Histórias de Cronópios e de Famas. Há também vários “sueltos”, artigos ensaísticos sobre pintura, literatura, política e viagens. Farto material, suficiente para uma obra póstuma de 450 páginas, como está projetando a Alfaguara.

O material, segundo o diário espanhol El Pais, estava guardado em cinco caixotes e foram recuperados e inventariados por Aurora Bernárdez, primeira mulher de Cortázar, e pelo pesquisador argentino Carlos Álvarez, especializado na obra cortazariana.

Apenas após a publicação desse material inédito se terá ideia do seu valor literário. Mas, desde já, se pode dizer que sua importância histórica é imensurável. Cortázar foi um contista de mão cheia e algumas de suas coletâneas estão entre os clássicos universais do gênero como Bestiário, Alguém Que Anda por Aí e Octaedro. Basta lembrar que um dos seus contos, Las Babas del Diablo, foi adaptado para o cinema por ninguém menos que Michelangelo Antonioni no filme Blow Up – Depois Daquele Beijo, um clássico dos anos 60.

De qualquer forma, o material trará à tona a eterna discussão sobre a publicação póstuma de inéditos. Se não foram publicados em vida do escritor foi porque ele assim o desejou. Mas até que ponto o artista é o melhor juiz de sua própria obra? Sempre é bom lembrar que Kafka pediu ao seu melhor amigo, Max Brod, que destruísse todos os manuscritos após sua morte. Para o bem da humanidade, Brod traiu o amigo.

http://eblogtxt.files.wordpress.com/2009/01/julio_cortazar3.jpgCortázar, ao que se saiba, não deixou nenhuma instrução do gênero. Simplesmente ignorou esses escritos e deixou-os repousando em silêncio enquanto construía uma das obras mais sólidas da literatura hispano-americana do século passado. Esses inéditos não cobrem um período específico de sua vida, mas abrangem quase a totalidade de sua carreira literária. Segundo informações da editora, há entre eles textos dos anos 1930, quando Cortázar era ainda um simples professor de província e nunca havia publicado, o que só viria a acontecer em 1946 quando Jorge Luis Borges, que então dirigia a revista Los Anales de Buenos Aires, deu espaço para um estranho conto chamado A Casa Tomada. Mas há também textos mais recentes, que acompanham a trajetória do escritor praticamente até 1984, ano da sua morte. Pode-se dizer, então, que esses inéditos significam a descoberta de um Cortázar subterrâneo, ignorado até agora. De que maneira esses textos poderão conduzir a reavaliações da obra ou da biografia é assunto para ser pensado depois que forem lidos.

Qualquer que seja o seu valor, pode ser que sirvam como pretexto para reavivar a discussão em torno de uma obra que, além da intrínseca importância literária, foi das mais estimulantes do século passado. Cortázar celebrizou-se como autor de contos fantásticos (A Casa Tomada é um deles), mas não pode ser reduzido a essa etiqueta, embora tenha se tornado um autor clássico nesse gênero.

Mas obras como O Jogo da Amarelinha ou Livro de Manuel nada têm de fantástico, pelo menos não no sentido convencional do termo. Rayuela, título original de O Jogo da Amarelinha, é considerada a sua obra-prima, e continua a ser um romance desafiador até hoje. Narra, em dois tempos, a vida de um alter ego de Cortázar, o intelectual argentino Horácio Oliveira. Na primeira metade do livro, o quarentão Horácio vive em Paris um caso de amor com a uruguaia Maga. Na segunda, expulso da França, ele retorna à Argentina. O livro pode ser lido de maneira convencional, em linha reta, ou saltando de um capítulo a outro, segundo uma chave de leitura predeterminada. Há capítulos “dispensáveis”, que podem ser pulados em determinada sequência de leitura.

No entanto, o leitor experimentado em Cortázar logo descobre que esses capítulos dispensáveis são na verdade os essenciais. Alguns deles põem em cena um personagem aparentemente secundário, o escritor Morelli, que discute literatura com Horácio e com seus amigos do Clube da Serpente, agremiação informal de artistas malditos dispersos por Paris. O livro é, ao mesmo tempo, a narrativa e seu questionamento, conteúdo e forma convergindo na crítica radical da literatura contemporânea e seus impasses.

Esse aspecto da obra foi detectado por um dos principais ensaístas literários do Brasil, Davi Arrigucci Jr., que o analisa em O Escorpião Encalacrado, livro de exegese literária que teve a aprovação do próprio Cortázar. O título é citação de um trecho de O Jogo da Amarelinha: “El alacrán, cansado de ser un alacrán, pero necesitado de su propia alacranidad para dejar de ser un alacrán.” Um escorpião que, cansado de si, crava em si o próprio ferrão para deixar de ser um escorpião. Metáfora para formas narrativas cansadas, a linguagem que precisa ser destruída pela linguagem, para que nova linguagem possa nascer.

Essa a “poética” de Cortázar, um escritor do jogo, do improviso, da criação. Um escritor jazzístico, que tinha em Charlie Parker seu modelo maior de artista (A Parker é dedicado seu conto O Perseguidor). Gosto pelo lúdico que repercute na obra do mais badalado escritor latino-americano da atualidade, o chileno Roberto Bolaño (1953-2003).

15/02/2009 - 10:49h ”Será que estamos saindo do poço?”

Economista da FGV vê retomada gradual da indústria e diz que dezembro foi o pior mês neste período recente

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2008/images/img-ju411_03a.jpg

Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

Apesar da crise econômica global ainda dar sinais de virulência, e da má recepção inicial dos mercados ao pacote de US$ 2 trilhões de ajuda ao sistema financeiro do presidente americano Barack Obama, uma tímida luz no fim do túnel parece ter surgido nos últimos dias, no caso brasileiro.

“Os dados me levam a crer que dezembro foi o pior mês da economia brasileira neste período recente, e que em janeiro nós já estamos saindo um pouco do fundo do poço”, diz Vagner Ardeo, vice-diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio.

Ardeo é o principal responsável por indicadores da FGV com os índices de confiança do consumidor e da indústria de transformação, e o Sinalizador da Produção Industrial (SPI), que busca antecipar a produção industrial em São Paulo.

Ele nota que os índices de confiança chegaram perto da estabilização em janeiro, depois de quedas muito acentuadas nos meses anteriores. No caso do SPI, o índice para janeiro foi de avanço de 5,7%, depois de registrar quedas de respectivamente 0,4%, 6% e 13,5% em outubro, novembro e dezembro.

Ardeo observa que o SPI vem prevendo muito bem o resultado efetivo da produção industrial em São Paulo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que caiu 0,8%, 3,5% e 14,9% de outubro a dezembro. Desta forma, o SPI de 5,7% para janeiro é um resultado animador.

O economista ressalva que o aquecimento está muito concentrado no chamado “material de transporte”, que inclui basicamente a indústria automobilística. Outro ponto de interrogação é o impacto da piora do mercado de trabalho no segmento de bens não-duráveis, como alimentos e roupas.

“Em dezembro houve grande perda de postos de trabalho, e isso tende a afetar a confiança do consumidor, embora em janeiro ela tenha ficado relativamente estável”, diz Ardeo.

Na Quest Investimentos, do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros (leia entrevista abaixo), um levantamento mostra que, no último mês, o real e o peso chileno foram as únicas moedas que se valorizaram em relação ao dólar, numa lista de países que inclui Argentina, México, Turquia, Rússia, Coreia do Sul, Hungria e Polônia. Em termos de mercado acionário, o Brasil, com valorização acima de 5%, teve o melhor desempenho, com exceção da China e da Índia, num grupo de 13 países emergentes acompanhados pela Quest.

Joel Bogdanski, economista do Banco Itaú, é mais cauteloso em relação ao momento da economia brasileira: “É bem difícil afirmar com certeza que o fundo do poço tenha sido atingido, porque a crise continua evoluindo lá fora”. Ele acha que o ocorrido em janeiro no setor automobilístico pode ter sido um fenômeno específico, que não necessariamente sinaliza uma tendência para a economia como um todo.

Bogdanski nota que o que mais afetou a economia brasileira, e provocou a parada brusca do fim de 2009, foram as expectativas, ligadas à confiança de consumidores e empresários. E esta, por sua vez, mostrou-se bastante vulnerável à evolução do quadro internacional, centrada nos Estados Unidos e nas economias ricas.

“Houve essa voltadinha no começo do ano, mas não se pode descartar outra onda de abalo lá fora – uma recessão mundial é algo muito sério”, diz.

Bogdanski concorda, porém, com a análise de Mendonça de Barros de que o Brasil vem se destacando como uma economia emergente numa situação relativamente favorável. “Os investidores estão começando a fazer conta e a perceber que o Brasil está melhor”, afirma.

11/02/2009 - 20:30h Outro episodio da infâmia, no banco dos réus na Argentina

Jorge Carlos Olivera, captado fugazmente a través del cristal, a su entrada en el tribunal
Jorge Carlos Olivera, captado fugazmente a través del cristal, a su entrada en el tribunal- AFP

Los magistrados que juzgan al general Jorge Carlos Olivera.
Los magistrados que juzgan al general Jorge Carlos Olivera.- EFE

Otro episodio de la infamia, en un banquillo argentino

El general Olivera protagoniza el juicio más importante a la dictadura después de los procesos a Videla y Massera

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ – El País

El general argentino Jorge Carlos Olivera Rovere compareció ayer ante el Tribunal Oral Federal Número 5 de Buenos Aires con un impecable terno gris y paso reposado, propio de sus 82 años de edad. Miró de frente, casi sin pestañear, a los familiares de los asesinados y desaparecidos, y se sentó con la espalda rígida, sin hacer caso a los murmullos de “asesino” que recorrieron la sala. El general Olivera Rovere está acusado de ser el máximo responsable de los centros clandestinos de detención y tortura que funcionaron en Buenos Aires durante los años de la dictadura y su juicio es, quizás, el más importante que se ha desarrollado en Argentina contra los responsables de aquella barbarie, una vez procesados los integrantes de la propia Junta Militar, como Videla o Massera.

Olivera y los otros cinco altos mandos que comparecieron ayer con él (dos generales, dos coroneles y un teniente coronel, subjefes de la misma zona militar) representan al terrible Primer Cuerpo del Ejército que encabezó la represión política en Buenos Aires a partir de 1976. En concreto, y para esta causa, Olivera está acusado de cuatro asesinatos (cuatro refugiados uruguayos, entre ellos los diputados Zelmar Michelini y Héctor Gutiérrez, que fueron arrebatados a la puerta de sus hoteles el 18 de mayo de 1976 y cuyos cuerpos aparecieron tres días después en un coche abandonado), 116 secuestros y desapariciones, y numerosos delitos de tortura. Entre sus víctimas puede figurar también el escritor y periodista Haroldo Conti.

El general Olivera casi logró salir impune, a pesar de la larga lista de crímenes que se le imputan. Con la llegada de la democracia fue procesado, pero su eventual condena quedó interrumpida gracias a las leyes de perdón y amnistía. Reabiertas las causas en 2003, fue de nuevo detenido y estuvo preso durante tres años, hasta que la Cámara de Casación lo puso en libertad a la espera de juicio.

Así pues, Jorge Carlos Olivera llegó ayer al Tribunal tranquilamente, desde su domicilio porteño. El secretario de Derechos Humanos del Ministerio de Justicia, Eduardo Luis Duhalde, que asistió a la sesión, aseguró que “las pruebas colectadas son tan abrumadoras” que considera que la condena está asegurada. “Espero que sea condenado al máximo de la pena prevista”, añadió. Dada su edad es, sin embargo, poco probable que vuelva a pisar la cárcel.

El juicio, que durará varios meses debido al gran número de testigos citados, empezó en medio de una fuerte polémica porque los jueces del Tribunal Federal impidieron la entrada de cámaras de televisión y fotográficas, en contra, se supone, de las órdenes ya dadas por la Corte Suprema que ampara el derecho a la publicidad de los juicios. Los jueces de este tribunal decidieron autorizar únicamente a un cámara del canal público de televisión y a un fotógrafo para que entraran en la sala durante tres minutos. La televisión rechazó el acuerdo y el fotógrafo no pudo hacer ninguna foto sensata, porque los jueces decidieron sorprendentemente que los tres minutos habían acabado antes de que el procesado entrara en la sala. “Queremos ver la cara del asesino”, protestaban en la puerta familiares de las víctimas. El tribunal, integrado por los jueces Daniel Obligado, Guillermo Gordo y Ricardo Frías, se mostraron también inflexibles al exigir a las representantes de las Abuelas de la Plaza de Mayo que se despojaran de sus famosos pañuelos blancos, por considerarlos “símbolos” inapropiados.

Entre los testigos figuran algunas de las víctimas que consiguieron sobrevivir a su paso por alguno de los centros de detención controlados por el Primer Cuerpo del Ejército, cuyo jefe era el tristemente célebre general Carlos Suárez Mason, el más despiadado de los despiadados, muerto en 2005, a los 81 años, de un ataque al corazón. Lugares como El Banco, el Olimpo o Automotores Orletti forman ya parte de la historia de la infamia en Argentina.

01/02/2009 - 13:01h ”Do exílio ninguém regressa”

O argentino Tomás Eloy Martínez tenta com Purgatório recuperar o que o desterro lhe tirou

http://felixjtapia.org/blog/wp-content/uploads/2008/02/tomaseloymartinez3.jpg

 

Soledad Gallego-Diaz, EL PAÍS – O Estado SP

 


O purgatório, segundo a doutrina da Igreja Católica, é o processo de purificação necessário antes de se entrar no reino dos céus e passa pela dor de não desfrutar a presença de Deus, a ausência, a perda do bem extraordinário que é a contemplação do amor e do ente querido. Purgatorio é, nesse sentido, o melhor título possível para o mais recente romance do escritor argentino Tomás Eloy Martínez (Tucumán, 1934): a história de uma perda e de um exílio. Sua personagem, Emilia Dupuy, procura, durante 30 anos, seu marido detido pelos militares argentinos e desaparecido. Um dia ela o encontra num pub dos Estados Unidos: o tempo não passou para ele. “Quando você volta ao lar do qual partiu, pensa que fechou o círculo, mas percebe que sua viagem foi só de ida. Do exílio ninguém regressa”, escreve o narrador da história. Mas Emilia não acredita nele.

Seu romance é uma história terrível de perda.

Pensei muito na dor das pessoas que perderam alguém, mas, sobretudo, na dor maiúscula que significa não ver esse alguém morto. A constatação da morte é, pelo menos, uma forma de consolo. O limbo ou o purgatório de não saber o que foi feito do ser amado, onde ele está, se está morto, ou se está perguntando por você em outro lugar, é desesperador. De fato, já se fala disso na tragédia grega, quando Antígona não consegue enterrar seu irmão.

Durante a época da ditadura militar desapareceram cerca de 30 mil argentinos. Esse sentimento de perda, que é tão opressivo no romance, acomete qualquer argentino de sua geração?

Em meu caso, fui expulso de meu país pouco antes da ditadura. A motivação que me levou a escrever este livro é, precisamente, a interrupção de uma vida pelo exílio. Há dez anos de minha vida que se foram para sempre e que são irrecuperáveis. Pensei em recuperá-los mediante a escrita. A privação dos afetos é terrível. Por alguma razão, os gregos já pensavam no exílio como um castigo equivalente à morte. Eles o arrancam de seus afetos, de seus filhos, de sua vida profissional. Eles o obrigam a ser outro. E nessa “alteridade” você se perde.

Chama a atenção que suas duas personagens, Emilia e Simón, sejam precisamente cartógrafos.

Não sei bem por que, mas me preocupa há algum tempo a ideia do mapa e da semelhança entre o mapa e o romance. A escrita do romance e a realização dos mapas são, ambas, invenções da realidade, imaginações. No princípio, os seres humanos, quando não sabiam em que terra estavam pisando, imaginavam o mundo e lhe punham nomes a seu critério.

Mas, ao mesmo tempo, os mapas existem para que as pessoas não se percam, para que alguém não desapareça.

Exatamente.

A personagem de Emilia está perdida, mas encontra Simón pela formidável intensidade de seu amor. O amor é o único sentimento capaz de desencadear tanta força?

É sobretudo a ansiedade de recuperar o amor que não se viveu, que nos converte em outro ser. Como eu digo, o impulso inicial que me moveu a escrever este livro foi tratar de recuperar, mediante a escrita e a imaginação, o que o exílio me tirou. A escrita e a imaginação têm um poder maiúsculo, um poder que tratei de medir com a escrita deste romance. A ideia original era narrar a vida cotidiana dos argentinos, não os campos de concentração, não os tormentos, não as mortes horrendas, e sim a mediocridade da vida cotidiana. Sobretudo, algo que me perturbava, estando fora por tanto tempo, como não se reage, como se olha para outro lado? As ditaduras não são possíveis sem uma cumplicidade coletiva; uma certa forma de resignação ou de cumplicidade coletiva. A fonte dessa cumplicidade, acredito, é a ignorância. O grande recurso dos autoritarismos é obrigá-lo a ignorar, a que só saiba o que eles querem que saiba.

A primeira coisa que as autoridades israelenses fizeram antes de invadir Gaza foi impedir a presença de jornalistas.

Sim. E outra coisa importante. Aqui, se você denunciava o que via, o regime o denegria imediatamente como “antiargentino” e como tal o condenava. Agora, se você publica fora de Israel alguma coisa sobre o que sucede em Israel, podem muito bem chamá-lo de antissemita. Quando Israel levantou o muro, que me pareceu contrário a toda tradição da perseguição aos judeus, publiquei um artigo em La Nación, dizendo que era uma barbaridade, uma forma lenta de morte, e você não imagina a quantidade de vozes que se ergueram aqui para me acusar de antissemita.

Uma personagem que me parece interessante é a de Dupuy, o pai de Emilia. Ele não é um homem que está louco, mas que é, basicamente, um sem-vergonha.

Isso mesmo. Um canalha. Ele tem um ideal de extrema direita, militar, a ideia de construir um país sobre a ideia de “Deus, Pátria e Lar”, a espada e a Igreja, a união das armas com a fé e tudo isso misturado com a corrupção que afeta os pressupostamente incorruptíveis e se revela avassaladora. É esse também o tema de outro romance meu, O Voo da Rainha. Neste caso, é um jornalista incorruptível, que, em seu empenho em lutar contra a corrupção, se corrompe.

É tão fácil se corromper?

Se você não tem uma estrutura moral muito sólida e a corrupção não o repugna por princípio ou por vergonha, então, sim, suponho que a corrupção é uma tentação muito importante. Ela assume formas às vezes imprevisíveis. Aqui se veem infinitas formas de corrupção, inclusive você pode se converter em um corrupto sem ter consciência disso. A corrupção não é somente corrupção do dinheiro. A corrupção no jornalismo, por exemplo, é a sedução do poder, fazê-lo acreditar que você pode derrubar um ministro ou ter alguma influência maior.

Um episódio curioso no romance é o momento em que Dupuy pai visita Orson Welles para lhe propor que faça um documentário sobre os campeonatos mundiais de futebol. Cheguei a acreditar que fosse uma história possível.

Assim se criam as personagens. Conheci Orson Welles tal como Dupuy o conhece, na última tourada de Antonio Bievenida, em Toledo. Eu era um jornalista e ele estava muito envolvido na cerimônia de apartar os touros, opinando como se fosse um especialista. Eu me contive e não lhe perguntei sobre o Quixote, que ele havia deixado pelo meio. Admiro muito Welles, para mim ele é eticamente muito valioso. Pareceu-me que se o episódio não tivesse verossimilhança não poderia ter força e pus-me a estudar Welles, de modo que quando Dupuy o visita, eu sabia onde ele estava, o que fazia. Descobri que nessa época Orson Welles emprestou sua voz a um filme que se chama Genocídio, e me pareceu interessante devolver-lhe a homenagem.

Com relação à personagem de Emilia, às vezes é desesperador o tempo que ela demora para se dar conta do que se passou com seu marido, apesar das muitas pessoas que lhe contam.

Ela o explica num dado momento: “Se Simón está morto, então meu pai é um assassino e minha mãe, uma cúmplice.” E sobre a morte de seu marido, que já seria uma carga suficiente para ela, pois é a esperança que a mantém viva, teria que somar a culpa por esses antepassados assombrosos. Emilia é um reflexo, ou uma metáfora, embora a palavra me pareça um pouco presunçosa, da sociedade argentina em geral, à qual estão ocorrendo as coisas diante de seus olhos e ela não os vê. Prefere esperar que ocorram milagres. Mas Emilia não espera passivamente, porque procura de todos os modos.

A história de amor, que é tão importante no romance, seria possível pensá-la igual se a desaparecida fosse ela e Simón quem a procura?

Creio que o gênero masculino não tem, em geral, a mesma força passional e a mesma tenacidade que as mulheres têm. Por algum motivo, são As Mães da Plaza de Mayo e não Os Pais da Plaza de Mayo. Embora os maridos acompanhem o símbolo da busca e da espera, foram as mulheres que bateram de frente com a ditadura.

Seu romance tem muitas leituras possíveis: é uma história de amor, mas também um romance político, mas também um romance metafísico… É um romance sem medo.

Sem medo das consequências. Caminhar sobre uma corda bamba sem cair. Nesses temas a gente pensa qual é o limite e até onde posso avançar, e quanto mais livre você se sente, mais seguro se sente e melhor avança. De todos os meus livros, este foi o que escrevi mais rapidamente, me deixando levar.

O senhor acredita que algo que existiu um dia existe para sempre?

Um ser que existiu persiste por intermédio da memória. Por isso, o livro insiste em que a identidade de cada um de nós está nas recordações. Não só nas recordações que se tem, mas nas recordações que se deixa. Por isso o céu e o inferno são suas boas e suas más ações, aquilo que você deixou e o que permanece na memória dos outros.

TRADUÇÃO DE CELSO MAURO PACIORNIK

FLUÊNCIA NARRATIVA E BASES HISTÓRICAS MARCAM SUA FICÇÃO

CONTRA O PODER: A experiência com a ditadura militar argentina resultou em marca na militância e na ficção de Tomás Eloy Martínez, nascido na província de Tucumán, em 1934. Formado em literatura e especializado em Jorge Luis Borges, Eloy Martínez atuou como repórter na Argentina e na França, tendo iniciado a carreira jornalística como crítico de cinema. Durante o seu exílio, ele ajudou a fundar periódicos importantes como El Diario (Venezuela) e Siglo 21 (México). Ele criou o suplemento literário Primer Plano para o jornal Página/12, de Buenos Aires. Desde 1995, ele dirige o Programa de Estudos Latino-americanos da Rutgers University, em Nova Jersey. Marcados pela fluência narrativa e tramados em bases históricas, seus romances abordam, de modo geral, os efeitos do exercício do poder, visto sob um olhar cético, por vezes cáustico. Cinco de seus livros estão em catálogo: O Voo da Rainha (Objetiva), O Cantor de Tango, A Mão do Amo, O Romance de Perón, Santa Evita (todos Companhia das Letras).