11/03/2009 - 16:33h Estupra, mas não aborta

MARCELO COELHO

FOLHA SP



A atitude desse arcebispo é tão estreita e sem caridade, que fica até vulgar criticá-la


BOMBAS DE fragmentação, também chamadas de “cluster” ou bombas-cacho, funcionam assim. Você lança uma bomba sobre uma área mais ou menos indefinida, uns quatro campos de futebol, digamos. Pontaria não é o importante.
O objetivo não é destruir um alvo muito específico, como um centro de atividades terroristas, uma ponte, ou uma fábrica de armamentos no país inimigo.
A bomba que você lançou -pode ser chamada de “bomba-mãe”- dá à luz centenas de bombas menores, que se espalham pela região, como se fossem uma chuva de granadas.
Como ninguém é perfeito, muitas dessas “granadas” ou submunições não explodem na hora certa e ficam no solo, à espera de que uma criança invente de tocar nelas. De modo que a região se transforma num verdadeiro campo minado.
Leio que, segundo a Cruz Vermelha, há 400 milhões de pessoas vivendo em terrenos semeados com essas bombas.
O Brasil é um dos países que produzem, estocam e exportam esse artefato bélico.
Por isso mesmo, o Brasil participou apenas como observador de uma convenção internacional no ano passado, na Noruega, em que 94 países assinaram um tratado para banir essas bombas.
Não creio que qualquer nação do mundo possa reivindicar foros de santidade em questões de defesa militar. Mas o Brasil até que tem um currículo razoável, se comparado a muitos outros países.
Acontece que as tais bomba “lança-granadas” são produzidas aqui. E exportadas, pelo que se sabe, a países como Irã e Arábia Saudita. O Brasil ficou, portanto, sem assinar nada. Isso foi em dezembro.
Mais informações no site da ONU www.mineaction.org e também em www.clusterconvention.org. Este último site afirma, aliás, que na próxima quarta-feira, 18, há mais uma chance para assinar o tal tratado. Um evento com esse objetivo será realizado na sede da ONU, em Nova York.
Bem que o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, poderia aproveitar o embalo dos últimos dias e excomungar os produtores brasileiros dessas tais bombas de fragmentação.
Na pessoa do presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, o cardeal Giovanni Re, o Vaticano manifesta seu apoio ao arcebispo de Olinda e Recife, que excomungou a mãe de uma menina de nove anos, grávida de gêmeos após ter sido estuprada pelo padrasto. A mãe da menina autorizou o aborto. Os médicos que o fizeram foram excomungados também.
A atitude desse arcebispo é tão estreita e sem caridade, que fica até vulgar criticá-la como merece. Mas quando leio que o padrasto, o homem acusado de estuprar a menina, não foi excomungado, não resisto à tentação.
Assim como se martelou muito a frase de Maluf sobre o “estupra, mas não mata”, bem que dom José mereceria ser celebrizado pelo “estupra, mas não aborta”.
Não vou discutir a questão do aborto neste espaço. Uns serão contra com motivos importantes, outros, como eu, são a favor de sua legalização.
Mas veio de um padre, evidentemente contrário ao aborto, uma atitude mais bonita nesse episódio. Márcio Fabri dos Anjos, que é também professor de bioética, declarou na TV outro dia que “a primeira palavra que eu esperava ouvir da Igreja é a de que Deus está do lado de quem sofre”. A própria nota oficial da CNBB mostra atitude mais hábil e reflexiva que a do arcebispo.
Afinal, por que não ouvir, dialogar e consolar, antes de condenar?
Fora da discussão do aborto, o que mais me incomoda é a “pauta”, como se diz em linguagem jornalística, que a hierarquia católica segue na maior parte do tempo.
Parece que tudo se resume a condenar a camisinha, no lado conservador, ou discutir a privatização da Vale do Rio Doce e a Alca, no campo da esquerda.
Lideranças católicas no Brasil teriam muitos outros assuntos a tratar. Por que não reclamam, por exemplo, de coisas como a propaganda de cerveja na televisão ou da exposição das crianças ao consumismo desenfreado?
Em casos como esses, fugiriam de uma teimosia doutrinária quase talebânica e poderiam construir algum consenso, para variar um pouco. E, já que se trata de defesa da vida, podiam pensar nas bombas que o país produz, em vez de condenar a mãe de uma menina de nove anos estuprada pelo padrasto.

coelhofsp@uol.com.br

07/12/2008 - 10:19h Governo PSDB: Verba secreta comprou fuzis e CDs

Especialistas apontam vício orçamentário e falta de licitação

Marcelo Godoy – O Estado SP

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/images/20060309-dupla.jpgO dinheiro para operações policiais reservadas foi usado para finalidades que não eram sigilosas nem operacionais. Esse seria o caso da compra de equipamentos para o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), de fuzis para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) sem licitação e até de CDs para divulgar dados de criminalidade. Quem afirma que o dinheiro foi gasto com esses equipamentos é Elaine Ramos Mansano, ex-assessora especial do secretário Saulo Abreu, entrevistada duas vezes pela reportagem.

Quatro professores de Direito ouvidos pelo Estado (Adilson Dallari, Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Floriano de Azevedo Marques e Edson Cosac Bortolai) disseram que o uso dessa verba para a compra de materiais que não eram sigilosos nem para operações policiais “é uma irregularidade, um vício na execução orçamentária”. Eles afirmaram que era preciso efetuar a compra por meio de licitação. Elaine, ex-assessora de Saulo, contou, por exemplo, que oficiais da PM teriam comparecido a uma feira de equipamentos de segurança em novembro de 2002, em São Paulo. Entusiasmados com um robô desativador de bombas e a maleta de negociação com microcâmera para crises com reféns (como a que poderia ter sido usada no caso Eloá), os oficiais fizeram o pedido ao gabinete.

“O Luiz Hélio (da Silva Franco, chefe de gabinete na gestão Saulo, de 2002 a 2006) comprou. Era lá, estava na feira. Era comprar ou não. Essas coisas eram para pagar com dinheiro mesmo porque se você pagar com cheque você está comprovando e deixa de ser sigilo.” O dinheiro vivo serviu para o Gate “fazer os testes”. O material foi comprado e exibido à imprensa em 26 de fevereiro de 2003.

O Estado teve acesso a cópias desse tipo de cheque para retirada de dinheiro vivo. Os saques foram feitos em duas contas correntes da Nossa Caixa: números 13-001143-1, agência 0847 (Avenida Angélica, 2.310), e a 13-000485-6, da agência 0935 (Rua da Quitanda, 78/80). As contas estavam em nome da secretaria e dos ordenadores de despesas nomeados por Luiz Hélio, o então chefe de gabinete. O de número 000718 da conta 13-001143- 1 tem o valor de R$ 25 mil.

Quem efetuava os saques era um auxiliar de gabinete, em nome de quem eram feitos os cheques. Trata-se de Carlos Jorge Santana, o Jorginho. Ele também fez isso nos primeiros 15 meses da gestão de Ronaldo Marzagão, quando o chefe de gabinete era Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho.

A mesma verba de operações teria abastecido a Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) com CDs para a gravação de dados de criminalidade distribuídos à imprensa. “Na verdade não é correto isso aí, porque a verba é de operação, mas como o assunto é correlato e era pouco valor, a gente fazia isso”, disse Elaine. No caso dos fuzis, ela conta que o então diretor do Deic, delegado Godofredo Bittencourt, queria adquirir “um ou dois fuzis” que, diz ela, seriam usados “em uma operação”.

O delegado teria tentado fazer uma licitação internacional, como a que o Gate fez recentemente para adquirir equipamentos da empresa Berkana. “Mas ele (Bittencourt) não conseguiu e aí o Luiz Hélio deu o dinheiro e ele comprou”, diz ela. O dinheiro foi sacado da verba de operações, e a compra, segundo a ex-assessora especial, foi feita. “Para a Polícia Civil, algumas vezes a gente comprou armamentos. Esporadicamente.” Ela disse que algumas dessas armas eram de calibres diferentes dos usados pela polícia para operações sigilosas.

Elaine ainda justificou os gastos com a verba de operações policiais dizendo que era usada para cobrir despesas com a escolta de juízes e personalidades ameaçadas. “Outra coisa que tinha muito era proteção ou escolta de juiz. Eles pediam aos montes. E você não vai usar dinheiro da rotina da polícia para isso, né? Então a gente fazia isso para pagar hotel, almoço dos policiais.”

26/11/2007 - 08:45h Brasil se rearma y refuerza la defensa de sus fronteras

É bom ficar alerta para evitar que a modernização urgente e necessária das Forças Armadas e de revalorização salarial de soldados e oficiais, não possa ser interpretado ou associado com qualquer ameaça aos países da região ou qualquer vocação de gendarme ou de super-potência. Este artigo do jornal El País é um alerta. A incitação da revista Veja, na linha do belicismo e outro sinal, grave.

As Forças Armada do Brasil devem estar a altura dos desafios de hoje e os militares devem ter sua carreira revalorizada e dignificada este é o sentido do esforço do presidente Lula, o resto é delírio de grande potência, que esconde a subordinação aos interesses norte-americanos na sua forma mais torpe, a do Bush. LF

El presidente brasileño, Luiz Inázio Lula da Silva

AmpliarEl presidente brasileño, Luiz Inázio Lula da Silva- REUTERS

EL PAÍS

El Gobierno de Lula aumentará un 50% el gasto bélico en 2008

J. MARIRRODRIGA – Buenos Aires – 26/11/2007

Más armas y de mejor calidad para tener más peso político en Latinoamérica. De este modo, Brasil ha optado por dar un giro significativo a su política de Defensa. El Gobierno de Luiz Inàcio Lula da Silva, junto a la cúpula militar del país, se encuentra elaborando un plan estratégico que verá la luz a comienzos de 2008, basado en el aumento hasta en un 50% de los gastos en material bélico, una reorganización de las defensas fronterizas y costeras y la asunción del papel de referente principal como árbitro en los conflictos que puedan surgir en el subcontinente.

Brasil tiene previsto gastarse en 2008 unos 4.600 millones de dólares (3.100 millones de euros) en compras de material para Defensa, sin contar los sueldos de los 310.000 integrantes de las Fuerzas Armadas, repartidos entre 190.000 militares del Ejército de Tierra, 70.000 de Aviación y 50.000 en la Marina. Una cifra que eleva en un 50% los 3.000 millones de dólares (2.000 millones de euros) presupuestados para este año.

Pero a diferencia de lo que han hecho otros países de la zona como Chile o Venezuela, los brasileños no emplearán la mayor parte de este dinero en compras en el mercado internacional de armas, sino que desarrollarán una industria bélica propia que, además de garantizar una menor dependencia de sistemas extranjeros, colocará a Brasil como referente para otros países a la hora de hacer sus propias adquisiciones.

Brasil intensificará la fabricación de aviones de combate y entrenamiento, sistemas antitanque, vehículos blindados, pequeños buques, electrónica, radares y munición en un ambicioso programa respaldado por capital privado nacional. En paralelo, ha comenzado el despliegue permanente de tropas en la frontera amazónica, con la construcción de una cadena de bases militares que vigilen la línea fronteriza más extensa de Suramérica.

Los motivos de este cambio han sido explicados por el propio Lula. “Las fronteras terrestres, las aguas jurisdiccionales y el espacio aéreo de las dimensiones de un país como Brasil demandan unas Fuerzas Armadas muy bien equipadas y adiestradas para la defensa de los intereses nacionales”, ha destacado el mandatario. Además, para llevar adelante la reorganización, Lula puso el pasado julio al frente del Ministerio de Defensa a Nelson Jobim, un ex presidente del Tribunal Supremo que asumió su cargo una semana después de la peor tragedia aérea de la historia del país, en medio de una fuerte controversia sobre el control del espacio aéreo, donde los militares tienen un papel preponderante. En este tiempo Jobim ha sido muy directo al exigir una modernización del Ejército y reclamar a los empresarios privados que participen del proyecto.

Desde el punto de vista brasileño, la prisa está más que justificada. En 2008 habrá concluido el ambicioso programa de rearme chileno que incluye aviones de combate de EE UU, un centenar de carros de combate alemanes, fragatas lanzamisiles, submarinos y radares de última generación, entre otras adquisiciones. También Venezuela recibirá gran parte de las compras realizadas durante los años anteriores, entre las que destacan cientos de miles de fusiles de asalto. Ambos son los países de la región que más han gastado en armas en los dos últimos años.

Brasil es calificado habitualmente con el tópico de gigante latinoamericano y ahora importantes sectores del Ejército han comenzado a reclamar que el gigante comience a actuar. Según un sondeo publicado el sábado por la revista Veja, el 63,5% de los militares brasileños cree que es posible un conflicto armado con los países vecinos. En cambio, entre una muestra de población civil, el 57,9% no cree posible ese escenario. Sobre quiénes serían los enemigos potenciales, el 50% de los uniformados cree que serán Venezuela y Bolivia.

Algunas voces, no autorizadas pero significativas, han ido más lejos, y así el general José Benedito de Barros Moreira subrayó hace diez días que Brasil tiene que desarrollar armas atómicas para proteger su patrimonio. Y Moreira no es un general más, sino que es titular de la secretaría de Política, Estrategia y Relaciones Internacionales del Ministerio de Defensa. Moreira se suma, aunque probablemente pasándose de la raya, a la tesis de su ministro, que nada más anunciarse el descubrimiento de unas gigantescas reservas de gas y petróleo frente a las costas del país se expresó a favor de dar un giro a la política de Defensa. “El mundo carece de agua, energía, alimentos y minerales. Brasil es rico en todo eso”, añadió Moreira para defender el argumento nuclear.

17/11/2007 - 08:46h Aux Etats-Unis, les "miracles" des armes de science-fiction

Déjà, cet été, DefenseTech nous racontait un drôle de truc, à propos d’un certain Active Denial System. Une sorte de “rayon de la mort”, mais qui ne tue pas.

L’engin vous envoie une bonne petite claque de micro-ondes, comme celles du four éponyme qui vous réchauffent un surgelé en moins de deux. Et la brûlure sur la peau est si violente que n’importe qui décampe. Formidable pour disperser une manif. Les vidéos valent le détour, comme celle-ci. , c’est un journaliste qui fait le cobaye.

Que nous apprenait donc DefenseTech, ce jour-là? Non, pas de problème, ce merveilleux matériel marche au poil, mais figurez vous que le Pentagone venait de décider que, non, vraiment, il n’allait pas envoyer cette petite merveille en Irak, où on est pourtant bien convaincu qu’elle ferait des miracles. Pourquoi? Un problème de “com”, semble-t-il. On a dû estimer que ce joujou ferait des ravages au 20 heures.

Aujourd’hui, l’excellente TechnologyReview nous parle d’un rayon magique qui arrête les voitures. Oui, comme dans les films de SciFi. Le HPEMS (High-Power ElectroMagnetic System) de Eureka Aerospace balance lui aussi son petit paquet d’ondes millimétriques. Bref, mais géant : deux gigawatts, pendant 50 nanosecondes. Aucun microprocesseur ne résiste à ce traitement. Comme les bagnoles actuelles en sont truffées, pour gérer l’injection, l’allumage et bien d’autres choses, elles baissent les bras.

La baseline de Eureka Aerospace, sise à Pasadena (Californie), est: “Imagination is as important as knowledge” (soit: “L’imagination est aussi importante que la connaissance”). Signé: Albert Einstein. Cela ne s’invente pas. Cette entreprise imaginative demande dix-huit mois pour proposer sa camelote à toutes les polices et armées du monde. Elle est pas belle, la vie?

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