07/08/2008 - 09:56h Mapa da desigualdade

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PAULA MIRAGLIA - ESPECIAL PARA A FOLHA

NUM CENÁRIO de queda expressiva dos homicídios no Estado nos últimos cinco anos, a publicação do mapa da distribuição dos crimes na cidade de São Paulo, baseado em dados da Secretaria da Segurança Pública, ganha ainda mais importância.

Em primeiro lugar, fica evidente o valor da informação, sobretudo quando o tema são dados relativos à criminalidade. Ainda que a pasta questione a divulgação desses dados -apontando a possibilidade de estigmatização de determinadas regiões, possível benefício da especulação imobiliária ou eventual prejuízo das ações policiais-, essas são informações fundamentais para a formulação de políticas públicas que extrapolem a área da segurança, assim como para revelar a economia desigual de riscos em São Paulo.

O mapa traz uma série de informações conhecidas, expondo disparidades profundas na cidade e mostrando como a capital paulista foi eficiente na contenção dos crimes de natureza violenta, tais como homicídios e estupros, nas periferias da cidade.

Mas os dados também mostram que essa não é uma associação imediata. Distritos com níveis semelhantes de vulnerabilidade social não têm como resultado as mesmas taxas de homicídio, da mesma forma que nem todos os bairros com renda alta são alvos dos crimes contra o patrimônio. O que pode, a princípio, parecer uma equação óbvia, se apresenta como um problema mais complexo e diversificado, e está intrinsecamente ligado à geografia de uma cidade fragmentada, onde a segregação se dá também via vitimização criminal.

Desse modo, fica claro como o território é um elemento fundamental na elaboração de políticas de prevenção e combate à criminalidade. É preciso compreender, a partir de cada localidade, as dinâmicas envolvidas nas estatísticas criminais. A presença do crime organizado ou a grande circulação de armas de fogo, por exemplo, são elementos determinantes para altas taxas de homicídio. Por outro lado, ruas pouco iluminadas e espaços desertos e deteriorados podem favorecer a prática de roubo de carros ou estupros.

Com efeito, se a ação policial cumpre um papel essencial, um diagnóstico territorializado pode subsidiar políticas de prevenção mais eficazes, plurais e que envolvam outras áreas e atores além da própria polícia.

Iluminação e melhoria da infra-estrutura urbana atendem às demandas colocadas por certo tipo de crime; câmeras de vigilância em certos locais podem ser eficientes na prevenção de roubos de carro e furtos; a recuperação de espaços públicos e a mobilização comunitária já se mostraram estratégias poderosas de prevenção. Os exemplos são muitos e refletem o fato de que as múltiplas versões da criminalidade pedem ações e políticas focadas.

São Paulo é uma cidade que vem fazendo grandes investimentos -públicos e privados- em segurança. Nas últimas duas décadas, a criminalidade foi responsável pela transformação progressiva da paisagem da cidade, seja em regiões ricas ou pobres. Reverter a disparidade que caracteriza a distribuição da segurança entre distritos deve ser entendido também como uma política urbana, e parte de um projeto maior de construção de uma cidade menos desigual, na qual a segurança seja um direito de todos.

Paula Miraglia é doutora em Antropologia Social pela USP e diretora executiva do Ilanud (Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente).

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Mais luz no apagão demo-tucano

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02/07/2008 - 12:06h Petróleo vermelho-sangue

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Bob Herbert* - The New York Times e O Estado de São Paulo

É cada vez mais difícil que continuemos sendo enganados. Há duas semanas, The New York Times noticiou que quatro das maiores petrolíferas do Ocidente estavam prestes a assinar contratos sem licitação que lhes permitirão regressar ao Iraque, onde está a terceira reserva de petróleo mais abundante do planeta. Os acordos, que deverão ser finalizados nos próximos 30 dias, são o tipo de notícia pela qual as grandes petrolíferas vivem.

Podia-se até ouvir executivos cantando Oh, Happy Day (”Oh, Dia Feliz”) nos escritórios da Exxon Mobil, Shell, Total e BP, excluídas do Iraque há 35 anos. Nesta semana, ouvimos falar que um grupo de assessores americanos, orientados por uma equipe do Departamento de Estado, teve atuação importante na elaboração desses contratos entre as companhias e o governo iraquiano. A Chevron e outras empresas também estão prestes a concluir acordos.

Durante muito tempo, o presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney, ambos ex-executivos de petrolíferas, tentaram nos convencer de que a guerra no Iraque foi provocada pelo terrorismo, por armas de destruição em massa, e teria como objetivo levar a liberdade e a democracia ao povo iraquiano - enfim, por causa de tudo, menos do petróleo.

Não se levou em conta o fato de que Saddam Hussein não representava ameaça iminente para os EUA. Nem o fato de que o Iraque não tinha nada a ver com os ataques de 11 de setembro de 2001. No início de 2003, as tropas foram mandadas para a batalha e lá continuam, depois da morte de mais de 4 mil americanos, sem que haja previsão de fim do conflito.

As verdadeiras prioridades dos EUA ficaram evidentes quando começaram as pilhagens, após a queda de Bagdá. No meio da violência e do caos, os soldados americanos receberam a ordem de proteger um alvo particularmente precioso: o Ministério do Petróleo do Iraque. Agora, é muito conveniente a perspectiva de que o governo Bush, obcecado por petróleo, assessore o governo iraquiano na conclusão dos contratos com as petrolíferas!

Os contratos em si não são muito expressivos. Eles são, isto sim, a chave cobiçada que começará a abrir as portas das imensas reservas de petróleo do Iraque. É um prêmio para as petrolíferas. Mas a que custo? Além do preço terrível em termos de soldados americanos e de iraquianos mortos e feridos, a guerra desviou as atenções e os recursos necessários para sanar problemas cruciais nos EUA, onde o mercado da habitação entrou em colapso, a Bolsa de Valores enlouqueceu, a gasolina chegou a custar mais de US$ 4 o galão (3,8 litros), o desemprego aumenta e um número extraordinário de famílias de trabalhadores cheias de dívidas vê à frente o abismo financeiro.

E há ainda a guerra ao terror. As notícias mais recentes informam que a Al-Qaeda se reagrupou nas áreas tribais do Paquistão e recuperou a capacidade de lançar ataques terroristas a partir dali. Para um governo ligado umbilicalmente à indústria petrolífera, o fascínio das enormes reservas do Iraque foi maior até mesmo do que o impulso de aniquilar um inimigo que, no 11/9, assassinou mais de 2.700 civis.

Quem sabe quanto tempo os EUA levarão para desvincular-se de forma significativa do Iraque? O que se pode imaginar é que os EUA não farão grandes avanços em política energética, na cobertura de saúde para todos, na melhoria das escolas públicas ou na redução da dívida pública e privada enquanto não puserem fim ao compromisso ilimitado com uma guerra catastrófica que já consumiu trilhões de dólares. Quanto tempo levará para que os EUA se convençam disso?

*Bob Herbert é colunista do jornal “The New York Times”

09/05/2008 - 13:19h Agripino, um amador na inquisição

Recomendo vivamente ler este post de Sergio Leo na integra. Um pedaço da história de latino-américa e do Brasil esta resumida no conteúdo deste artigo. Um bom momento para lembrar que o deputado Agripino Maia, o representante do DEM, ex-PFL, ex-Arena, guarda uma claríssima continuidade com os métodos que defendia no passado. Ele se “saiu mal” porque na sua pergunta mostrou sua identificação com aqueles que também acusavam Dilma Roussef de mentirosa: seus torturadores. Ele ecoou aquele famoso “vamos acabar com essa raça do PT”, do seu correligionário de partido. Eis o que está no coração destes lideres do DEM. LF

Sitio de Sergio Leo

Com essa, nem a Dilma Roussef contava, e os jornais hoje comentam que foi um sucesso a aparição dela para explicar o vazamento de dados sobre despesas no governo FHC, em parte porque ela já saiu marcando gol, graças a uma jogada desastrosa do adversário. O adversário, no caso, era o deputado demo Agripino Maia, e a jogada foi acusar Dilma de mentir, porque ela mesma admitiu que mentiu aos torturadores que a pegaram quando estava na guerrilha. A história está nos jornais; Dilma saiu muito bem e o senador derrapou porque não se tocou com o fato de que eram torturadores aqueles para quem Dilma mentiu (como não ligou para o fato de que seu partido nos anos 70 e 80, a Arena, tinha nos torturadores um apoio no exercício do poder). Agripino deve ter ficado impressionado com a segurança da Dilma, em uma histórica entrevista para o Luis Maklouf de Carvalho, em que a hoje ministra teoriza sobre como mentir em interrogatório:

Pergunta - Como era essa história de mentir diante da tortura?
Dilma - A gente tinha que fazer uma moldura e só se lembrar da moldura, da história que se inventava, e não saía disso. Tinha que ter uma história. Na relação do torturador com o torturado a única coisa que não pode acontecer é você falar “não falo”. Se você falar “não falo”, dali a cinco minutos você pode ser obrigado a falar, porque eles sabem que você tem algo a dizer. Se você falar “não falo”, você diz pra eles o seguinte: “Eu sei o que você quer saber e não te direi”. Aí você entrega a arma pra ele te torturar e te perguntar. Sua história não pode ser “não falo”. Tem que ser uma história e dali para a frente você não sabe mais nada, não pode saber.
Pergunta - É um jogo difícil.
Dilma - É uma arte. A dificuldade é convencê-lo de que você não sabe mais do que aquela moldura. Não é um jogo só de resistência física, é de resistência psíquica. Até porque uma das coisas que você descobre é que você está sozinho.

“Peguei a mentirosa”, deve ter pensado o senador, que fez pouco caso ou não leu o resto da conversa. Que resto. Torna de uma monstruosidade tacanha usar essa história como arma política para atacar qualquer pessoa:

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18/02/2008 - 09:09h Acuerdo con Brasil para la fabricación de armamento

EL PRESIDENTE BRASILEÑO ESTARA EL VIERNES EN LA CASA ROSADA

A presidenta de Argentina, Cristina Kirchner quando foi recebida pelo président Lula foto : Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

El convenio, de “producción para la defensa”, lo firmarán Cristina y Lula.

Los gobiernos de Brasil y la Argentina encararán la fabricación conjunta de diversos tipo de armas, tanto para la defensa regional como la exportación. Es lo que se desprende de uno de los acuerdos -el de “producción para la defensa”- que el viernes firmarán en la Casa Rosada la presidenta Cristina Fernández y su par de Brasil, Inacio Lula Da Silva.Hace ya varios años que Brasil pudo perforar el cerco tendido por el exclusivo club de países exportadores de armamento, una industria muy redituable y que siempre tiene compradores. (more…)

17/11/2007 - 08:46h Aux Etats-Unis, les "miracles" des armes de science-fiction

Déjà, cet été, DefenseTech nous racontait un drôle de truc, à propos d’un certain Active Denial System. Une sorte de “rayon de la mort”, mais qui ne tue pas.

L’engin vous envoie une bonne petite claque de micro-ondes, comme celles du four éponyme qui vous réchauffent un surgelé en moins de deux. Et la brûlure sur la peau est si violente que n’importe qui décampe. Formidable pour disperser une manif. Les vidéos valent le détour, comme celle-ci. , c’est un journaliste qui fait le cobaye.

Que nous apprenait donc DefenseTech, ce jour-là? Non, pas de problème, ce merveilleux matériel marche au poil, mais figurez vous que le Pentagone venait de décider que, non, vraiment, il n’allait pas envoyer cette petite merveille en Irak, où on est pourtant bien convaincu qu’elle ferait des miracles. Pourquoi? Un problème de “com”, semble-t-il. On a dû estimer que ce joujou ferait des ravages au 20 heures.

Aujourd’hui, l’excellente TechnologyReview nous parle d’un rayon magique qui arrête les voitures. Oui, comme dans les films de SciFi. Le HPEMS (High-Power ElectroMagnetic System) de Eureka Aerospace balance lui aussi son petit paquet d’ondes millimétriques. Bref, mais géant : deux gigawatts, pendant 50 nanosecondes. Aucun microprocesseur ne résiste à ce traitement. Comme les bagnoles actuelles en sont truffées, pour gérer l’injection, l’allumage et bien d’autres choses, elles baissent les bras.

La baseline de Eureka Aerospace, sise à Pasadena (Californie), est: “Imagination is as important as knowledge” (soit: “L’imagination est aussi importante que la connaissance”). Signé: Albert Einstein. Cela ne s’invente pas. Cette entreprise imaginative demande dix-huit mois pour proposer sa camelote à toutes les polices et armées du monde. Elle est pas belle, la vie?

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03/08/2007 - 10:34h As armas e mentiras de Nicolas Sarkozy

O Estado de São Paulo

Gilles Lapouge*

Resgatadas das prisões e dos carrascos de Muamar Kadafi, as cinco enfermeiras búlgaras e o médico palestino estão em casa, longe do terror. O mundo inteiro saudou sua libertação - obtida no fim de julho, depois de oito anos de prisão -, graças a um longo trabalho dos diplomatas europeus e, no fim, ao ativismo fulgurante do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e sua doce mulher, Cécilia.

“Tudo está bem quando acaba bem.” O problema é que nada acabou, pois essa brilhante operação logo se transformou num caso obscuro, inquietante. Esse “ato de amor” do Estado começou a cheirar a armas, resgate e geopolítica.

Após o triunfo da sua mediação, Sarkozy declarou ter sido conduzido somente pelas preocupações humanitárias. Certo, a França fornecerá uma central nuclear à Líbia, mas apenas para a criação de usinas de “dessalinização da água do mar”, o que é ecológico, mas cientificamente absurdo. A opinião pública não insistiu. Não quis estragar a festa.

Infelizmente, o filho de Kadafi, Saif al-Islam, pisou na bola. E declarou ao jornal Le Monde que a libertação das enfermeiras foi muito bem paga: entregas volumosas de mísseis antitanque, exercícios militares conjuntos e até um projeto para fabricar armas. Sendo assim, o ex-terrorista Kadafi vai se tornar novamente uma pessoa socialmente aceitável, mesmo num terreno perigoso, o da guerra e das armas.

As revelações do filho de Kadafi causaram estupor. Os deputados exigiram explicações do chanceler Bernard Kouchner. Que foi vago. Na verdade, não sabia de nada. Então, a pergunta foi dirigida ao próprio Sarkozy: “Houve um contrato de armas?” Sua resposta foi: “Não.” “Houve alguma contrapartida?” Ele respondeu: “Nenhuma.”

Quem é o mentiroso? Sarkozy? O filho de Kadafi? Uma pista: ontem o governo líbio anunciou a assinatura, com empresas francesas, de contratos para a compra de mísseis e equipamentos de comunicação (ler ao lado), totalizando mais de US$ 400 milhões…

O mais grave não é o fato de a França vender armas à Líbia, mas a amplitude dessa cooperação militar. E sobretudo o fato de tudo ter sido tramado em silêncio e em segredo. Somente um homem, Sarkozy, conduziu todo o processo, nas barbas de seu próprio chanceler, que não sabia de nada.

Uma outra revelação terrível: Kadafi obrigou as enfermeiras búlgaras e o médico palestino a assinarem, na presença de personalidades européias (entre elas, Cécilia Sarkozy), um documento comprometendo-se a renunciar a qualquer recurso judicial e a não contar que foram torturados. Eles foram. “O pior era a máquina de tortura elétrica”, contou o palestino. “Às vezes eu era torturado na mesma sala que as enfermeiras. Eu estava nu. Elas, metade nuas. Tenho vergonha de dizer o que fizeram com essas mulheres.”

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris