23/09/2009 - 11:51h Só 50% da GCM portará arma

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A outra metade usará spray de pimenta e cassetetes

Felipe Oda e Maíra Teixeira – O Estado SP

A Guarda Civil Metropolitana não poderá mais andar armada. Em decreto publicado ontem no Diário Oficial da Cidade, apenas 50% do efetivo dos GCMs que trabalham na proteção de instalações públicas ou em locais de uso público poderão portar armas de fogo. A outra metade deverá utilizar armas não letais, como spray de pimenta e cassetetes. O anúncio foi feito um dia após o secretário da Segurança Urbana, Edsom Ortega Marques, entregar 7 mil sprays de pimenta para o comando da GCM.

O baixo risco, “sobretudo em determinados dias e horários”, nos locais e atividades protegidos pela GCM foi utilizado como justificativa para a proibição. A decisão tem como objetivo “a mitigação de riscos à população causados pela utilização de armas de fogo em locais públicos”.

Carlos Augusto Sousa Silva, presidente do sindicato da categoria (Sindguardas), classifica a decisão como “equivocada”. “A GCM tem uma taxa de letalidade mais baixa que a PM. Seguindo a lógica do secretário, a PM deveria ser desarmada, não a GCM.” Para Silva, o assassinato da jovem em Heliópolis, no dia 31 de agosto, e do rapaz no ônibus, no último dia 15, pesaram na decisão.

Em nota, a pasta afirma que há situações em que 100% do efetivo poderá usar armas de fogo, porém não especifica quando e onde o uso será liberado.

GREVE CANCELADA

Ao contrário do que prometeram, os guardas-civis metropolitanos não retomarão a greve. A decisão foi tomada após a Secretaria de Gestão marcar reunião para hoje, às 10h, quando o secretário Rodrigo Garcia ouvirá os representantes do Sindguardas. A decisão foi tomada ontem à noite, em assembleia.

A categoria reivindica reajuste de 60% para 140% sobre o Regime Especial do Trabalho Policial, elevação do piso salarial para R$ 1,3 mil e melhores condições de trabalho. Os guardas-civis fizeram paralisação de uma semana e encerraram o movimento no dia 2 deste mês, quando o Tribunal Regional do Trabalho determinou o retorno ao trabalho.

Comentário postado no site do Estadão

não sou da capital

Qua, 23/09/09 09:11 vagnerresgate.com.br, vagnerresgate.com.br@estadao.com.br

Não sou da capital, porem no meu ramo profissional atuo constantemente com a violencia urbana das cidades do interior paulista onde vejo GMs atuando de forma altamente capacitadas que dominam determinadas situações com grande profissionalismo. Desarmar homens que de uma forma indireta auxiliam com a segurança publica lidando com o pior dos homens e’ condena-los de certa forma a morte. Sigam o exemplo de cidades vizinhas como limeira que de forma exaustivacapacitam seus profissionais da GM com exaustantes treinamentos tornando-os aptos para segurança. Não se deve julgar uma corporação ou unidade por um fato negativo isolado, o erro no meu ponto de vista esta no despreparo de quem seleciona estes candidatos, e’ facil criticar quando se esta dentro de casa debaixo de um ar condicionado, aqueles que todo dia arriscam a vida para garantir a sua tranquilidade. Não defendo bandido de farda, mas acho injusto sentenciar bons homens a morte lhes tirando a sua unica defesa, a arma.

08/03/2009 - 12:09h O mundo precisa de mulheres livres


Desafios atuais são grandes e complexos demais para serem resolvidos sem a participação delas

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Hillary Clinton* – O Estado SP

Há 11 anos, em viagem à China, encontrei ativistas que me relataram seus esforços para melhorar a situação da mulher no país. Elas me apresentaram os desafios enfrentados pelas mulheres: discriminação no emprego, assistência médica inadequada, violência doméstica, leis antiquadas.

Reencontrei algumas delas há poucas semanas, durante minha primeira viagem à Ásia como secretária de Estado. Desta vez, ouvi sobre progressos obtidos na década passada. No entanto, mesmo após alguns avanços importantes, essas mulheres chinesas não deixaram dúvidas de que ainda existem obstáculos e injustiças, como ocorre em muitas partes do mundo.

Tenho ouvido histórias como as delas em todos os continentes. Em 8 de março, ao comemorarmos o Dia Internacional da Mulher, temos a chance de avaliar tanto os avanços conquistados quanto os desafios remanescentes – e de pensar sobre o papel vital que as mulheres devem desempenhar na solução dos desafios globais do século 21.

Os problemas que enfrentamos hoje são demasiadamente grandes e complexos para serem resolvidos sem a plena participação das mulheres. Fortalecer os direitos das mulheres não é somente obrigação moral, é também uma necessidade, no momento em que enfrentamos uma crise econômica global, disseminação do terrorismo e das armas nucleares, conflitos regionais e mudanças climáticas, com seus respectivos perigos para a saúde e a segurança mundiais. Esses desafios exigem tudo o que temos. Não os resolveremos com meias medidas. Mas com frequência metade do mundo é deixada de fora dessas e muitas outras questões.

Atualmente, mais mulheres chefiam governos, empresas e ONGs do que nas gerações anteriores. Mas essa boa notícia tem outro lado. As mulheres ainda constituem a maioria dos pobres, desnutridos e não escolarizados do mundo. Ainda estão sujeitas a estupro como tática de guerra e ainda são exploradas em âmbito mundial por traficantes, em atividades criminosas que rendem bilhões.

Crimes em nome da honra, mutilação genital, além de outras práticas violentas e degradantes cujo alvo são mulheres, continuam a ser toleradas em muitos lugares. Há poucos meses, uma jovem do Afeganistão estava a caminho da escola quando um grupo de homens jogou-lhe ácido no rosto, causando-lhe danos permanentes à visão, só porque se opunham à sua busca por instrução. A tentativa de aterrorizar a moça e sua família fracassou. “Meus pais disseram para eu continuar na escola, ainda que possa ser morta”, disse ela.

A coragem e a determinação dessa jovem servem de inspiração para que todos nós – mulheres e homens – continuemos a trabalhar com o maior empenho possível para garantir que meninas e mulheres consigam seus merecidos direitos.

Especialmente em meio a esta crise financeira, devemos lembrar o que um conjunto crescente de pesquisas nos diz: o apoio a mulheres é um investimento de alto retorno, que resulta em economias mais fortes, sociedades civis mais vigorosas, comunidades mais saudáveis e mais paz e estabilidade. Investir nas mulheres é um modo de apoiar futuras gerações, pois elas gastam a maior parte de sua renda em alimentos, remédios e escolas para os filhos.

Mesmo em países desenvolvidos, o pleno poder econômico das mulheres está longe de ser alcançado. Mulheres de muitas nações continuam a ganhar menos que os homens para fazer o mesmo trabalho – uma lacuna contra a qual o presidente Barack Obama deu um passo adiante nos Estados Unidos este ano, ao assinar a Lei Lilly Ledbetter de Pagamento Justo, que fortalece a capacidade das mulheres de contestar salários desiguais.

É necessário dar às mulheres a oportunidade de trabalhar com salários justos, ter acesso a crédito e abrir negócios. Elas merecem igualdade na esfera política, acesso igual à urna eleitoral, liberdade para apresentar reivindicações ao governo e candidatar-se a cargos públicos. Elas têm direito à assistência médica para si e suas famílias e o direito de enviar os filhos e filhas à escola. Elas desempenham um papel vital no estabelecimento da paz e da estabilidade no mundo inteiro. Em regiões arrasadas pela guerra, são frequentemente mulheres que dão um jeito de superar diferenças e descobrir interesses comuns.

Ao viajar pelo mundo em minha nova função, não me esquecerei das mulheres que já encontrei – mulheres que lutaram contra adversidades extraordinárias para mudar leis de modo a poder possuir bens, ter direitos no casamento, frequentar escola, apoiar a família e até atuar como pacificadoras.

Serei uma defensora veemente, trabalhando com meus pares de outras nações, assim como com ONGs, empresas e indivíduos, para continuar a promover o avanço dessas questões. Reconhecer o pleno potencial e o comprometimento das mulheres não é apenas questão de justiça. Trata-se de fortalecer a prosperidade, o progresso e a paz global para as próximas gerações.

* Hillary Clinton é secretária de Estado dos Estados Unidos

08/02/2009 - 09:35h Israel: eleição é o epílogo da guerra em Gaza

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Gilles Lapouge* – O Estado SP

Na terça-feira teremos eleições em Israel. Será o epílogo da guerra contra Gaza e o Hamas, que matou um grande número de civis palestinos. Não devemos esquecer que o conflito foi arquitetado pelos trabalhistas (Ehud Barak é ministro da Defesa) e pelo Kadima (Tzipi Livni é chanceler) para tentar derrotar o Likud de Benjamin Netanyahu e seus aliados da direita religiosa e secular.

A operação contra Gaza alcançou o objetivo? Os trabalhistas e centristas conseguirão derrotar Netanyahu? No início, acreditou-se que sim, pois a operação foi um sucesso. Agora, porém, os israelenses se perguntam se o triunfo militar não foi um fracasso político.

O Hamas continua de pé. Os túneis por onde recebiam foguetes e armas foram destruídos, mas já estão sendo reconstruídos. No plano internacional, a violência foi desaprovada. Até Yagil Levy, um israelense especialista militar, se disse chocado com o número de palestinos mortos.

A proporção, que durante a Intifada foi de seis palestinos para cada israelense, desta vez foi de 60 para um. Levy acredita que alguns militares do alto escalão devem ser levados a tribunais internacionais. Aqueles que lançaram o bombardeio (trabalhistas e Kadima) não melhoraram sua posição. Netanyahu está tão certo da vitória que, no início, nem se preocupou em fazer campanha. Há alguns dias, contudo, resolveu sair de sua “torre de marfim” e participou do debate eleitoral.

Por que? Porque sua liderança diminuiu, mas apenas ligeiramente. O Kadima, partido fundado por Ariel Sharon, uma figura carismática, cresceu. Além disso, surgiu em cena um personagem inesperado: Avigdor Lieberman. De origem russa, ele lidera o partido ultranacionalista Israel Beiteinu.

Orador eloquente, ele aproveitou-se do mal-estar em Israel para ampliar seu eleitorado. Segundo pesquisas, seu partido está na frente dos trabalhistas. Portanto, ele será fundamental na formação do próximo governo. Likud e Kadima estão de olho nele. Netanyahu já lhe prometeu um cargo importante. Além disso, temendo ver mais um a sua direita, endureceu seu discurso e afirmou que o Likud manterá Jerusalém unida sob a soberania de Israel.

Livni não ficou para trás. Sabe que há uma rivalidade entre os dois líderes da direita – Netanyahu e Lieberman – e tenta atrair o Israel Beiteinu. Ela não está desesperada para chegar lá, mas alguns observadores acham que ela está se iludindo.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

01/02/2009 - 12:28h ”Solução de dois Estados só depende de Israel”

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Jimmy Carter: ex-presidente americano; segundo Carter, medida não foi adotada até agora porque israelenses rejeitam se retirar da Cisjordânia

 

Reza Aslan, Global Viewpoint – O Estado SP

 


O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter debate as perspectivas para uma solução de dois Estados para a crise palestino-israelense, bem como a política externa americana diante do Irã.

Segundo os argumentos do seu novo livro, “Podemos chegar à paz na Terra Santa: Um plano que vai funcionar”, a imensa maioria dos israelenses e palestinos já aceita os parâmetros de uma solução de dois Estados. Então por que a solução de dois Estados ainda parece tão longe de se tornar realidade?

Até o momento isso se deveu ao fato de os israelenses não estarem dispostos a dar um passo fundamental, que é a retirada da Cisjordânia. Isso é central para a solução do conflito, e Israel não apenas continuou a aumentar o número de assentamentos no território como também construiu uma muralha na área palestina da Cisjordânia. Se os israelenses aceitarem a solução, terão de se retirar da Cisjordânia e eles ainda não demonstraram disposição em fazê-lo.

Parece que durante cerca de 40 anos o status quo beneficiou Israel. Mas agora parece que ocorreu uma virada, em termos demográficos. Não falta muito tempo para que haja mais árabes do que judeus entre o Mediterrâneo e o Rio Jordão. Esta não é a verdadeira ameaça à existência de Israel?

Exato. Logo haverá uma maioria árabe naquele território de um único Estado, o que significa que Israel terá apenas três opções completamente inaceitáveis. Uma delas é o que se pode chamar de limpeza étnica, coisa que ninguém deseja, e isto significa obrigar os palestinos a deixar o território. A segunda opção seria ter um país dentro do qual houvesse duas classes de cidadãos: uma delas seria composta pelos judeus, que teriam direito ao voto; a outra seria formada pelos árabes sem direito ao voto. E isso seria equivalente ao apartheid sul-africano.

A terceira e última opção é deixar que os árabes detenham a maioria dos votos, e com alguma divisão entre os judeus, e os árabes votando em bloco, eles controlariam todo o governo e não haveria mais um Estado judaico. Estas são as opções, excluída a solução de dois Estados.

Parece que a opinião pública e a mídia americanas estão mais dispostas a criticar Israel após a guerra em Gaza.

As pesquisas mostram que isso é verdade. Acho que veremos grandes mudanças, e a demonstração mais concreta é a eleição de Barack Obama. Desde sua primeira semana na presidência, ficou claro que a paz no Oriente Médio será uma de suas prioridades. E o enviado especial escolhido por ele, George Mitchell, é muito mais qualificado do que muitos de seus predecessores.

A maioria dos israelenses está disposta a abrir mão da Cisjordânia em troca da paz, e os palestinos desejam a mesma coisa. A poderosa voz do presidente dos EUA terá um imenso impacto sobre a opinião pública, não somente no seu país, mas também nos territórios palestinos e em Israel.

Qual seria a principal lição que o presidente deveria aprender a partir da sua experiência nas tentativas de encerrar o conflito no Oriente Médio?

Os EUA precisam desempenhar um papel forte desde os primeiros momentos de seu governo, sendo enfáticos nos esforços para conduzir as negociações até a sua conclusão. É necessário agir logo, demonstrar comprometimento profundo e ser persistente.

Este processo começa com o reconhecimento do papel desempenhado pelo Hamas nas negociações?

Ainda é cedo para isto. O Hamas se comprometeu a aceitar qualquer acordo negociado com Israel, desde que seja submetido ao povo palestino em um plebiscito, ou se for eleito um governo de unidade e os representantes do governo aprovarem o acordo. Este é um importante passo a ser dado quando chegar o momento nas negociações com o Hamas.

Talvez agora tenhamos a oportunidade de reconsiderar os últimos 30 anos de política externa americana em relação ao Irã. Que conselho daria a Obama a respeito do melhor modo de tentar uma aproximação com o Irã?

Ele já prometeu, antes e depois de ser eleito presidente, que abrirá todas as formas de comunicação com o Irã. Se você descartar o presidente Mahmud Ahmadinejad e se aproximar de membros mais responsáveis do governo do Irã, penso que, quando Obama enviar alguém para explorar as possibilidades de negociação, acho que essa pessoa será bem recebida. Meu conselho para Obama é simplesmente fazer o que prometeu que faria: abrir um canal de comunicações com o Irã.

O senhor é otimista com relação à situação no Irã e no Oriente Médio daqui a oito anos?

Sim, comparando com as circunstâncias atuais, de onde partimos. O melhor meio de restringir os movimentos potenciais do Irã para aumentar sua capacidade nuclear é conseguir a paz entre israelenses e palestinos, acabar com a guerra oficial entre Israel e Síria, Israel e Líbano. Acho que isso eliminaria, e muito, a ameaça da qual os iranianos sentem que precisam se defender. E de uma maneira mais geral, debilitaria a influência de Teerã e seu prestígio, que cresceu por causa da guerra do Iraque. Assim, o fim da guerra no Iraque e a paz no Oriente Médio seriam duas coisas que colocariam o Irã de volta a uma posição em que sua influência negativa em prol do terrorismo diminuiria, e o país sentiria menos necessidade de ter armas nucleares para se defender.

31/01/2009 - 11:23h Cresce nº de estupros no Estado. Roubo seguido de morte teve aumento de 21% em 2008

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Cresce nº de estupros no Estado

Roubo seguido de morte teve aumento de 21% em 2008, segundo Secretaria da Segurança

Fernanda Aranda e Camilla Haddad – O Estado SP

O estupro está na lista dos três crimes que mais cresceram no Estado de São Paulo em 2008. Foram 3.387 casos ante 3.223 no ano anterior, um acréscimo de 5%. Os dados foram divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). A violência sexual só perde em aumento para o latrocínio – roubo seguido de morte -, crime que subiu 21% em igual período (veja mais no quadro ao lado).

Para o capitão e assistente militar da Coordenadoria de Assistência e Planejamento (CAP), Márcio da Silva, os estupros são mais difíceis de combater por serem comuns em residências. “É um crime que acontece em ambiente familiar e não depende tanto da segurança pública”, diz. O oficial observou que a Lei Maria da Penha fez com que as vítimas passassem a comunicar as agressões. “A lei estimulou as mulheres a denunciar.”

As pesquisas científicas sobre estupro endossam que os autores das agressões, no geral, conhecem as vítimas. E apesar da SSP não separar os registros por faixa etária nem por bairro, os estudos mostram que são as crianças o alvo preferencial deste tipo de criminoso.

No Hospital Pérola Byington, no centro de São Paulo – referência nacional para atendimento de violentados -, meninas entre 0 e 11 anos são maioria entre os atendidos. Um perfil realizado com 1.926 pacientes recebidos em 2007 mostrou que, antes de completar o 12º aniversário, elas respondem por 43% dos casos.

Levantamento semelhante feito pelo Ministério da Saúde com base em registros de atendimento em hospitais públicos de 27 municípios do País também constatou que a violência sexual é predominante entre os meninos e meninas que dão entrada nas unidades vítimas de maus-tratos. Em 2007, 4.309 prontuários foram analisados e a proporção de estupro foi de 43,7% dos casos. Na parcela acima de 10 anos, o índice chegou a 56,3%.

O capitão Silva justificou que, em comparação com outros anos, o crime de estupro vem caindo. Segundo ele, a taxa de queda em 1999 foi de 28,7% e de 3,2% em 2006.

LATROCÍNIO

Reportagem na quinta-feira mostrou, com exclusividade, que o latrocínio (roubo seguido de morte), crime hediondo, aumentou 64% na capital no ano passado, em relação a 2007. Para o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Paulo Bicudo, o crime, na maioria das vezes, ocorre porque a vítima esboça alguma tipo de reação. “No latrocínio não é intenção do bandido provocar a morte, é um roubo que não deu certo”, diz. Segundo o delegado, a arma no bandido está cada vez mais sofisticada por se tratar de peças automáticas que são disparadas com mais facilidade.

Ele diz que o porcentual de esclarecimento desses crimes cresceu 47,2% em 2008 em relação ao ano anterior. A polícia, que pede para as pessoas nunca reagirem ao assalto, não divulga os bairros com maior índice de latrocínio nem o perfil das vítimas. Em 2008, foram registradas 69 ocorrências desse tipo de crime na capital, ante 42 no ano anterior. No total, foram 69 ocorrências – em 2007, foram 42. Em todo o Estado, o número foi de 267 no ano passado e 218 em 2007.

Houve redução na ocorrência de outros crimes

Os dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que houve redução na soma dos outros crimes durante o comparativo com os anos de 2007 e 2008 por 100 mil habitantes.

A maior queda foi a de roubo de carros: 13,41%, seguido por lesão corporal com intenção, 12,5%. As tentativas de homicídio caíram 11,57% e lesão corporal sem intenção, 6,07%. Furtos de carros foram reduzidos em 7,52%, enquanto furto caiu 7,46%. Homicídio sem intenção caiu 10,05% e com intenção, 3,63%. Roubos a banco reduziram em 1,05% e roubo, 0,06%.

A SSP informou que a redução nos índices de criminalidade se deve ao trabalho conjunto das polícias civil e militar. Entre as atribuições para a queda a pasta destacou ainda o reforço do policiamento feito com a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicleta (Rocam) e também o policiamento de trânsito, realizado pelo 34.º Batalhão da Polícia Militar. Policiais ficam em viaturas nos cruzamentos considerados perigosos da cidade. Outros cruzamentos recebem a visita frequente de viaturas que fazem ronda de dia e de noite. Os endereços desses locais não são informados por questão estratégicas.

16/01/2009 - 14:04h Perspectiva de paz torna a guerra ainda mais desumana

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Gilles Lapouge* – O Estado SP

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, reconheceu: aviões israelenses bombardearam o complexo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) em Gaza. O Hospital Al-Quds também foi atingido. Qual a razão desses ataques? Respostai: havia 700 palestinos refugiados no complexo. Era preciso atingi-los. É a lógica. Ataca-se onde os inimigos se encontram.

Alguns objetam, porém, que é igualmente lógico que civis, nas circunstâncias com alguns combatentes entre eles, presos em sua cidade, e correndo como um bando de ratos perseguidos por um caçador, procuram escapar da morte forçando as portas dos lugares pretensamente protegidos pelo direito. O direito? Por duas vezes, nos últimos dias, verificou-se que é uma péssima ideia esconder-se em lugares neutros. É a melhor maneira de atrair o raio. Cerca de 40 mortos numa escola da ONU, na semana passada, deram prova disso.

Mas a verdadeira razão desse ato deve ser procurada em outro lugar. As negociações entre Israel e o Hamas, com intermediação do Egito, haviam progredido de tal forma que, na manhã de ontem, a expectativa era de que as armas parassem de troar em um ou dois dias. Foi, portanto, na véspera desse evento que Israel empreendeu ataques de uma violência sem precedente, incluindo a destruição no complexo da ONU de assistência a uma população que morre de fome quando escapa da morte que vem do céu .

A ideia aponta, portanto, para um quadro duplo. De um lado, a paz é vislumbrada. De outro, a guerra se torna mais desumana. Ora, essas duas faces, longe de se contradizerem, se completam. “No último minuto”, disse um diplomata da região, “tenta-se obter progressos no terreno antes de a paz se impor. É a estratégia clássica de Israel”. Será o caso admitir que se multiplique o número de mortos para aumentar a chance de viver? Estranha dialética! E se, em vez de preparar a paz, esses excessos dessem uma nova chance à guerra?

Não se trata de fazer um julgamento, favorável ou indignado, sobre a guerra lançada por Israel. As provocações do Hamas, seus bombardeios cínicos das cidades israelenses, eram ignóbeis. No entanto, são muitos os que se escandalizaram com a maneira como essa guerra foi conduzida. A Federação Internacional dos Direitos Humanos pediu ao Conselho de Segurança da ONU que investigue “crimes na Faixa de Gaza que devem ser qualificados como de guerra, se não forem crimes contra a humanidade”. As bombas de fósforo Dime (Dense Inert Metal Explosive) são aceitas pelo direito internacional, é verdade, mas são abjetas. A agência Associated Press cita testemunhas que viram os efeitos dessas bombas: “Viu-se a fumaça branca vinda do céu descolar a pele do rosto e dos membros.” Eis a questão: para restaurar a paz, seria realmente necessário primeiro bombardear as instalações da ONU, um hospital, e atingir civis com bombas capazes de descolar a pele dos rostos e dos membros?


*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

07/12/2008 - 10:19h Governo PSDB: Verba secreta comprou fuzis e CDs

Especialistas apontam vício orçamentário e falta de licitação

Marcelo Godoy – O Estado SP

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/images/20060309-dupla.jpgO dinheiro para operações policiais reservadas foi usado para finalidades que não eram sigilosas nem operacionais. Esse seria o caso da compra de equipamentos para o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), de fuzis para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) sem licitação e até de CDs para divulgar dados de criminalidade. Quem afirma que o dinheiro foi gasto com esses equipamentos é Elaine Ramos Mansano, ex-assessora especial do secretário Saulo Abreu, entrevistada duas vezes pela reportagem.

Quatro professores de Direito ouvidos pelo Estado (Adilson Dallari, Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Floriano de Azevedo Marques e Edson Cosac Bortolai) disseram que o uso dessa verba para a compra de materiais que não eram sigilosos nem para operações policiais “é uma irregularidade, um vício na execução orçamentária”. Eles afirmaram que era preciso efetuar a compra por meio de licitação. Elaine, ex-assessora de Saulo, contou, por exemplo, que oficiais da PM teriam comparecido a uma feira de equipamentos de segurança em novembro de 2002, em São Paulo. Entusiasmados com um robô desativador de bombas e a maleta de negociação com microcâmera para crises com reféns (como a que poderia ter sido usada no caso Eloá), os oficiais fizeram o pedido ao gabinete.

“O Luiz Hélio (da Silva Franco, chefe de gabinete na gestão Saulo, de 2002 a 2006) comprou. Era lá, estava na feira. Era comprar ou não. Essas coisas eram para pagar com dinheiro mesmo porque se você pagar com cheque você está comprovando e deixa de ser sigilo.” O dinheiro vivo serviu para o Gate “fazer os testes”. O material foi comprado e exibido à imprensa em 26 de fevereiro de 2003.

O Estado teve acesso a cópias desse tipo de cheque para retirada de dinheiro vivo. Os saques foram feitos em duas contas correntes da Nossa Caixa: números 13-001143-1, agência 0847 (Avenida Angélica, 2.310), e a 13-000485-6, da agência 0935 (Rua da Quitanda, 78/80). As contas estavam em nome da secretaria e dos ordenadores de despesas nomeados por Luiz Hélio, o então chefe de gabinete. O de número 000718 da conta 13-001143- 1 tem o valor de R$ 25 mil.

Quem efetuava os saques era um auxiliar de gabinete, em nome de quem eram feitos os cheques. Trata-se de Carlos Jorge Santana, o Jorginho. Ele também fez isso nos primeiros 15 meses da gestão de Ronaldo Marzagão, quando o chefe de gabinete era Tadeu Sérgio Pinto de Carvalho.

A mesma verba de operações teria abastecido a Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) com CDs para a gravação de dados de criminalidade distribuídos à imprensa. “Na verdade não é correto isso aí, porque a verba é de operação, mas como o assunto é correlato e era pouco valor, a gente fazia isso”, disse Elaine. No caso dos fuzis, ela conta que o então diretor do Deic, delegado Godofredo Bittencourt, queria adquirir “um ou dois fuzis” que, diz ela, seriam usados “em uma operação”.

O delegado teria tentado fazer uma licitação internacional, como a que o Gate fez recentemente para adquirir equipamentos da empresa Berkana. “Mas ele (Bittencourt) não conseguiu e aí o Luiz Hélio deu o dinheiro e ele comprou”, diz ela. O dinheiro foi sacado da verba de operações, e a compra, segundo a ex-assessora especial, foi feita. “Para a Polícia Civil, algumas vezes a gente comprou armamentos. Esporadicamente.” Ela disse que algumas dessas armas eram de calibres diferentes dos usados pela polícia para operações sigilosas.

Elaine ainda justificou os gastos com a verba de operações policiais dizendo que era usada para cobrir despesas com a escolta de juízes e personalidades ameaçadas. “Outra coisa que tinha muito era proteção ou escolta de juiz. Eles pediam aos montes. E você não vai usar dinheiro da rotina da polícia para isso, né? Então a gente fazia isso para pagar hotel, almoço dos policiais.”

13/11/2008 - 15:18h Perícia: Eloá levou tiros no momento da invasão

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Resultado contraria versão da polícia, de que só entrou em apartamento após ouvir disparo

O Globo

SÃO PAULO. O Instituto de Criminalística de Santo André, no ABC, concluiu que os dois tiros que mataram Eloá Cristina Pimentel foram dados no momento em que a PM invadiu o apartamento onde ela e Nayara Rodrigues eram mantidas reféns por Lindemberg Alves Fernandes. Eloá morreu ao ser atingida na cabeça e na virilha, em 17 de outubro, após ser mantida refém por mais de cem horas pelo ex-namorado.

O resultado da perícia confirma o depoimento de Nayara, que afirmou não ter ocorrido tiro antes de a polícia invadir.

O coronel Eduardo José Félix, que comandou a operação, garantiu que a polícia só invadiu porque teria ouvido tiros momentos antes.

A arma apreendida com Lindemberg tinha quatro cartuchos deflagrados. Segundo a perícia, três dos disparos foram efetuados no momento da invasão.

Dois atingiram Eloá, o outro, Nayara. O quarto disparo teria ocorrido em outro momento.

Em depoimento, Nayara disse que, cerca de duas horas antes da invasão, Lindemberg atirou para o teto. Um quinto tiro chegou a ser feito, mas picotou, porque a munição era velha.

O diretor do Instituto de Criminalística de Santo André, Nelson Gonçalves, explica que os dois tiros atingiram Eloá no mesmo ângulo, de cima para baixo, o que indica terem sido disparados na mesma hora.

22/10/2008 - 09:00h Na guerra da informação morre a verdade

ELIO GASPARI – O Globo

serra_caricatura.jpgNão é o caso de se começar o que o governador José Serra chamou de uma “guerra de informações”, em torno dos desastres de seus policiais.

Nas guerras prevalece o mais forte, e nem sempre ele tem razão. O surto de incompetência e dissimulação apresentado pela polícia e pelo governo de Serra é apenas um caso de malversação do poder.

O governo paulista varre para debaixo do tapete o motim de uma parte do grupo de elite da Polícia Civil mobilizado para ajudar a PM a conter a manifestação da quarta-feira passada.

Esses policiais abandonaram a posição em que estavam e mudaram de lado, aderindo à passeata. Alguns tinham armas. Ecoaram os fuzileiros navais que, em 1964, deixaram os oficiais a ver navios e aderiram à baderna dos marinheiros amotinados no sindicato dos metalúrgicos, no Rio.

Serra não deveria demonizar o PT e o deputado Paulinho da Força, responsabilizando-os pela passeata que pretendia seguir até o Palácio dos Bandeirantes. A manifestação se movia em lugar proibido e bastaria esse argumento. Ademais, Paulinho já era o notório Paulinho quando apoiou a candidatura de Serra à prefeitura de São Paulo, em 2004.

Nessa transação seu PDT ganhou a Secretaria do Trabalho.

Para efeito de raciocínio, admitase que mexer com a rebelião dos policiais poderá radicalizar uma divisão na categoria. Tudo bem. Então tome-se o caso do seqüestro das jovens Eloá Cristina Rodrigues e Nayara Rodrigues da Silva. Nele não houve política.

As duas meninas ficaram em cativeiro durante 100 horas, tempo suficiente para que uma polícia capaz desfizesse a malfeitoria. Num lance inédito na história dos seqüestros, permitiram que uma refém menor de idade voltasse ao local do seqüestro.

Fizeram isso sem a autorização de seus pais. Se uma mulher quiser embarcar para a Disney com a filha de 15 anos é obrigada a mostrar a autorização do pai à Polícia Federal. Para entrar no valhacouto de um delinqüente não foi necessária nenhuma das duas. O coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM, disse que colocaria seu filho em situação semelhante, mas, ofendendo a lei, ele pôs a filha dos outros.

O pai de Nayara, o metalúrgico Luciano Vieira da Silva, foi expulso do posto de comando das operações da PM.

Seu crime foi ter-se exaltado quando lhe disseram que não poderia falar com o comandante. Em vez de desentocar o bandido, chuçaram o pai da vítima. A tragédia terminou com a morte de Eloá e com Nayara ferida no rosto. O seqüestrador saiu ileso.

O comandante do Policiamento de Choque, coronel Eduardo Félix, defendeu sua operação tabajara dizendo que não atirou no bandido por se tratar de um “garoto em crise amorosa”.

Romântico o coronel, mas ele foi além: “Se a operação tivesse sido bem-sucedida, os policiais estariam sendo aplaudidos e o resultado não seria contestado.” Bingo. Se o goleiro Barbosa tivesse defendido o chute de Ghiggia em 1950, teria sido aplaudido.

Fracassar é uma coisa, apresentar justificativas néscias, bem outra.

A patuléia não é volúvel, ela até prefere aplaudir a polícia. Descarregar o infortúnio nas justas reclamações de quem lhe paga o soldo é covardia a serviço da empulhação.

Na “guerra de informações” da polícia paulista a primeira vítima foi a verdade. A segunda, a inteligência.

20/10/2008 - 08:55h Mãe diz que não autorizou volta de Nayara

Em entrevista à Rede Globo, mãe disse ter ficado surpresa quando viu filha subir as escadas; declaração confirma o que pai havia dito

Corregedoria da Polícia Militar ainda vai apurar se condução da operação pelo Gate teve falha que possa ter colocado vidas em risco

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Eloá e Nayara

KLEBER TOMAZ – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Andrea Rodrigues Araújo, mãe de Nayara Rodrigues da Silva, 15, disse ontem que não autorizou o retorno da filha ao apartamento onde ela havia sido mantida refém. A declaração foi dada à Rede Globo e confirma o que o pai já havia dito. “Fiquei surpresa quando ela passou pelas escadas”, disse a mãe que, no momento, estava com os policiais e acompanhava tudo pela TV.
No sábado, em entrevista coletiva, o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, disse que a mãe havia autorizado que a menina entrasse no prédio para negociar com Lindemberg Fernandes Alves. Segundo ele, o combinado era que a menina e o irmão (amigo de Lindemberg) não entrassem no apartamento, parando a uma distância segura. “A mãe autorizou, e o grupo analisou. Até onde ela iria, não ia ter risco nenhum. O que ocorreu é que o irmão parou [antes de chegar à porta], e ela não”, disse.

Delegado

A Polícia Civil isentou o Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) da PM na morte de Eloá e concluiu que quem atirou nela e em Nayara, ambas com 15 anos, foi mesmo Lindemberg.
“Todos os disparos [com munição letal] ocorridos no apartamento foram feitos por Lindemberg. Apenas um disparo de calibre 12 de borracha foi feito pela PM”, afirmou o delegado-seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos
Segundo ele, todos projéteis encontrados pela Polícia Técnico-Científica são compatíveis com o calibre 32, a arma usada por Lindemberg.
A Polícia Civil, no entanto, ainda não sabe dizer se o tiro que matou Eloá foi dado antes ou depois de a PM invadir.
A PM diz que explodiu a porta do imóvel e entrou apenas quando escutou o tiro. A perícia e a própria Nayara poderão esclarecer o fato. A menina só poderá prestar depoimento quando receber alta.
Jornalistas que estavam no local no momento da invasão- e alguns moradores que conversaram com a reportagem- dizem que só ouviram disparos após a derrubada da porta.

Homicídio doloso
“Nada indica que a tática usada pela PM tenha levado a menina à morte. São duas coisas distintas, o crime e a tática”, afirmou ontem o delegado-seccional de Santo André.
Segundo o delegado, após a invasão, os policiais militares do Gate só fizeram um disparo com bala de borracha em direção à Lindemberg e erraram.
Eloá levou dois tiros, na cabeça e na virilha, e Nayara, um, na boca. Foram retirados projéteis do abdômen de Eloá e do maxilar de Nayara.
Por conta da dúvida sobre quando a ordem dos fatos, a Polícia Civil apura, paralelamente, a ação da PM, apesar desse não ser o foco da sua investigação. Oficialmente, a Corregedoria da PM apura se negociação e invasão foram corretas. (…)

Leia mais no jornal Folha de São Paulo

07/08/2008 - 09:56h Mapa da desigualdade

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PAULA MIRAGLIA – ESPECIAL PARA A FOLHA

NUM CENÁRIO de queda expressiva dos homicídios no Estado nos últimos cinco anos, a publicação do mapa da distribuição dos crimes na cidade de São Paulo, baseado em dados da Secretaria da Segurança Pública, ganha ainda mais importância.

Em primeiro lugar, fica evidente o valor da informação, sobretudo quando o tema são dados relativos à criminalidade. Ainda que a pasta questione a divulgação desses dados -apontando a possibilidade de estigmatização de determinadas regiões, possível benefício da especulação imobiliária ou eventual prejuízo das ações policiais-, essas são informações fundamentais para a formulação de políticas públicas que extrapolem a área da segurança, assim como para revelar a economia desigual de riscos em São Paulo.

O mapa traz uma série de informações conhecidas, expondo disparidades profundas na cidade e mostrando como a capital paulista foi eficiente na contenção dos crimes de natureza violenta, tais como homicídios e estupros, nas periferias da cidade.

Mas os dados também mostram que essa não é uma associação imediata. Distritos com níveis semelhantes de vulnerabilidade social não têm como resultado as mesmas taxas de homicídio, da mesma forma que nem todos os bairros com renda alta são alvos dos crimes contra o patrimônio. O que pode, a princípio, parecer uma equação óbvia, se apresenta como um problema mais complexo e diversificado, e está intrinsecamente ligado à geografia de uma cidade fragmentada, onde a segregação se dá também via vitimização criminal.

Desse modo, fica claro como o território é um elemento fundamental na elaboração de políticas de prevenção e combate à criminalidade. É preciso compreender, a partir de cada localidade, as dinâmicas envolvidas nas estatísticas criminais. A presença do crime organizado ou a grande circulação de armas de fogo, por exemplo, são elementos determinantes para altas taxas de homicídio. Por outro lado, ruas pouco iluminadas e espaços desertos e deteriorados podem favorecer a prática de roubo de carros ou estupros.

Com efeito, se a ação policial cumpre um papel essencial, um diagnóstico territorializado pode subsidiar políticas de prevenção mais eficazes, plurais e que envolvam outras áreas e atores além da própria polícia.

Iluminação e melhoria da infra-estrutura urbana atendem às demandas colocadas por certo tipo de crime; câmeras de vigilância em certos locais podem ser eficientes na prevenção de roubos de carro e furtos; a recuperação de espaços públicos e a mobilização comunitária já se mostraram estratégias poderosas de prevenção. Os exemplos são muitos e refletem o fato de que as múltiplas versões da criminalidade pedem ações e políticas focadas.

São Paulo é uma cidade que vem fazendo grandes investimentos -públicos e privados- em segurança. Nas últimas duas décadas, a criminalidade foi responsável pela transformação progressiva da paisagem da cidade, seja em regiões ricas ou pobres. Reverter a disparidade que caracteriza a distribuição da segurança entre distritos deve ser entendido também como uma política urbana, e parte de um projeto maior de construção de uma cidade menos desigual, na qual a segurança seja um direito de todos.

Paula Miraglia é doutora em Antropologia Social pela USP e diretora executiva do Ilanud (Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente).

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Mais luz no apagão demo-tucano

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02/07/2008 - 12:06h Petróleo vermelho-sangue

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Bob Herbert* – The New York Times e O Estado de São Paulo

É cada vez mais difícil que continuemos sendo enganados. Há duas semanas, The New York Times noticiou que quatro das maiores petrolíferas do Ocidente estavam prestes a assinar contratos sem licitação que lhes permitirão regressar ao Iraque, onde está a terceira reserva de petróleo mais abundante do planeta. Os acordos, que deverão ser finalizados nos próximos 30 dias, são o tipo de notícia pela qual as grandes petrolíferas vivem.

Podia-se até ouvir executivos cantando Oh, Happy Day (”Oh, Dia Feliz”) nos escritórios da Exxon Mobil, Shell, Total e BP, excluídas do Iraque há 35 anos. Nesta semana, ouvimos falar que um grupo de assessores americanos, orientados por uma equipe do Departamento de Estado, teve atuação importante na elaboração desses contratos entre as companhias e o governo iraquiano. A Chevron e outras empresas também estão prestes a concluir acordos.

Durante muito tempo, o presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney, ambos ex-executivos de petrolíferas, tentaram nos convencer de que a guerra no Iraque foi provocada pelo terrorismo, por armas de destruição em massa, e teria como objetivo levar a liberdade e a democracia ao povo iraquiano – enfim, por causa de tudo, menos do petróleo.

Não se levou em conta o fato de que Saddam Hussein não representava ameaça iminente para os EUA. Nem o fato de que o Iraque não tinha nada a ver com os ataques de 11 de setembro de 2001. No início de 2003, as tropas foram mandadas para a batalha e lá continuam, depois da morte de mais de 4 mil americanos, sem que haja previsão de fim do conflito.

As verdadeiras prioridades dos EUA ficaram evidentes quando começaram as pilhagens, após a queda de Bagdá. No meio da violência e do caos, os soldados americanos receberam a ordem de proteger um alvo particularmente precioso: o Ministério do Petróleo do Iraque. Agora, é muito conveniente a perspectiva de que o governo Bush, obcecado por petróleo, assessore o governo iraquiano na conclusão dos contratos com as petrolíferas!

Os contratos em si não são muito expressivos. Eles são, isto sim, a chave cobiçada que começará a abrir as portas das imensas reservas de petróleo do Iraque. É um prêmio para as petrolíferas. Mas a que custo? Além do preço terrível em termos de soldados americanos e de iraquianos mortos e feridos, a guerra desviou as atenções e os recursos necessários para sanar problemas cruciais nos EUA, onde o mercado da habitação entrou em colapso, a Bolsa de Valores enlouqueceu, a gasolina chegou a custar mais de US$ 4 o galão (3,8 litros), o desemprego aumenta e um número extraordinário de famílias de trabalhadores cheias de dívidas vê à frente o abismo financeiro.

E há ainda a guerra ao terror. As notícias mais recentes informam que a Al-Qaeda se reagrupou nas áreas tribais do Paquistão e recuperou a capacidade de lançar ataques terroristas a partir dali. Para um governo ligado umbilicalmente à indústria petrolífera, o fascínio das enormes reservas do Iraque foi maior até mesmo do que o impulso de aniquilar um inimigo que, no 11/9, assassinou mais de 2.700 civis.

Quem sabe quanto tempo os EUA levarão para desvincular-se de forma significativa do Iraque? O que se pode imaginar é que os EUA não farão grandes avanços em política energética, na cobertura de saúde para todos, na melhoria das escolas públicas ou na redução da dívida pública e privada enquanto não puserem fim ao compromisso ilimitado com uma guerra catastrófica que já consumiu trilhões de dólares. Quanto tempo levará para que os EUA se convençam disso?

*Bob Herbert é colunista do jornal “The New York Times”

09/05/2008 - 13:19h Agripino, um amador na inquisição

Recomendo vivamente ler este post de Sergio Leo na integra. Um pedaço da história de latino-américa e do Brasil esta resumida no conteúdo deste artigo. Um bom momento para lembrar que o deputado Agripino Maia, o representante do DEM, ex-PFL, ex-Arena, guarda uma claríssima continuidade com os métodos que defendia no passado. Ele se “saiu mal” porque na sua pergunta mostrou sua identificação com aqueles que também acusavam Dilma Roussef de mentirosa: seus torturadores. Ele ecoou aquele famoso “vamos acabar com essa raça do PT”, do seu correligionário de partido. Eis o que está no coração destes lideres do DEM. LF

Sitio de Sergio Leo

Com essa, nem a Dilma Roussef contava, e os jornais hoje comentam que foi um sucesso a aparição dela para explicar o vazamento de dados sobre despesas no governo FHC, em parte porque ela já saiu marcando gol, graças a uma jogada desastrosa do adversário. O adversário, no caso, era o deputado demo Agripino Maia, e a jogada foi acusar Dilma de mentir, porque ela mesma admitiu que mentiu aos torturadores que a pegaram quando estava na guerrilha. A história está nos jornais; Dilma saiu muito bem e o senador derrapou porque não se tocou com o fato de que eram torturadores aqueles para quem Dilma mentiu (como não ligou para o fato de que seu partido nos anos 70 e 80, a Arena, tinha nos torturadores um apoio no exercício do poder). Agripino deve ter ficado impressionado com a segurança da Dilma, em uma histórica entrevista para o Luis Maklouf de Carvalho, em que a hoje ministra teoriza sobre como mentir em interrogatório:

Pergunta - Como era essa história de mentir diante da tortura?
Dilma - A gente tinha que fazer uma moldura e só se lembrar da moldura, da história que se inventava, e não saía disso. Tinha que ter uma história. Na relação do torturador com o torturado a única coisa que não pode acontecer é você falar “não falo”. Se você falar “não falo”, dali a cinco minutos você pode ser obrigado a falar, porque eles sabem que você tem algo a dizer. Se você falar “não falo”, você diz pra eles o seguinte: “Eu sei o que você quer saber e não te direi”. Aí você entrega a arma pra ele te torturar e te perguntar. Sua história não pode ser “não falo”. Tem que ser uma história e dali para a frente você não sabe mais nada, não pode saber.
Pergunta - É um jogo difícil.
Dilma - É uma arte. A dificuldade é convencê-lo de que você não sabe mais do que aquela moldura. Não é um jogo só de resistência física, é de resistência psíquica. Até porque uma das coisas que você descobre é que você está sozinho.

“Peguei a mentirosa”, deve ter pensado o senador, que fez pouco caso ou não leu o resto da conversa. Que resto. Torna de uma monstruosidade tacanha usar essa história como arma política para atacar qualquer pessoa:

(mais…)

18/02/2008 - 09:09h Acuerdo con Brasil para la fabricación de armamento

EL PRESIDENTE BRASILEÑO ESTARA EL VIERNES EN LA CASA ROSADA

A presidenta de Argentina, Cristina Kirchner quando foi recebida pelo président Lula foto : Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

El convenio, de “producción para la defensa”, lo firmarán Cristina y Lula.

Los gobiernos de Brasil y la Argentina encararán la fabricación conjunta de diversos tipo de armas, tanto para la defensa regional como la exportación. Es lo que se desprende de uno de los acuerdos -el de “producción para la defensa”- que el viernes firmarán en la Casa Rosada la presidenta Cristina Fernández y su par de Brasil, Inacio Lula Da Silva.Hace ya varios años que Brasil pudo perforar el cerco tendido por el exclusivo club de países exportadores de armamento, una industria muy redituable y que siempre tiene compradores. (mais…)

17/11/2007 - 08:46h Aux Etats-Unis, les "miracles" des armes de science-fiction

Déjà, cet été, DefenseTech nous racontait un drôle de truc, à propos d’un certain Active Denial System. Une sorte de “rayon de la mort”, mais qui ne tue pas.

L’engin vous envoie une bonne petite claque de micro-ondes, comme celles du four éponyme qui vous réchauffent un surgelé en moins de deux. Et la brûlure sur la peau est si violente que n’importe qui décampe. Formidable pour disperser une manif. Les vidéos valent le détour, comme celle-ci. , c’est un journaliste qui fait le cobaye.

Que nous apprenait donc DefenseTech, ce jour-là? Non, pas de problème, ce merveilleux matériel marche au poil, mais figurez vous que le Pentagone venait de décider que, non, vraiment, il n’allait pas envoyer cette petite merveille en Irak, où on est pourtant bien convaincu qu’elle ferait des miracles. Pourquoi? Un problème de “com”, semble-t-il. On a dû estimer que ce joujou ferait des ravages au 20 heures.

Aujourd’hui, l’excellente TechnologyReview nous parle d’un rayon magique qui arrête les voitures. Oui, comme dans les films de SciFi. Le HPEMS (High-Power ElectroMagnetic System) de Eureka Aerospace balance lui aussi son petit paquet d’ondes millimétriques. Bref, mais géant : deux gigawatts, pendant 50 nanosecondes. Aucun microprocesseur ne résiste à ce traitement. Comme les bagnoles actuelles en sont truffées, pour gérer l’injection, l’allumage et bien d’autres choses, elles baissent les bras.

La baseline de Eureka Aerospace, sise à Pasadena (Californie), est: “Imagination is as important as knowledge” (soit: “L’imagination est aussi importante que la connaissance”). Signé: Albert Einstein. Cela ne s’invente pas. Cette entreprise imaginative demande dix-huit mois pour proposer sa camelote à toutes les polices et armées du monde. Elle est pas belle, la vie?

En partenariat avec:

03/08/2007 - 10:34h As armas e mentiras de Nicolas Sarkozy

O Estado de São Paulo

Gilles Lapouge*

Resgatadas das prisões e dos carrascos de Muamar Kadafi, as cinco enfermeiras búlgaras e o médico palestino estão em casa, longe do terror. O mundo inteiro saudou sua libertação – obtida no fim de julho, depois de oito anos de prisão -, graças a um longo trabalho dos diplomatas europeus e, no fim, ao ativismo fulgurante do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e sua doce mulher, Cécilia.

“Tudo está bem quando acaba bem.” O problema é que nada acabou, pois essa brilhante operação logo se transformou num caso obscuro, inquietante. Esse “ato de amor” do Estado começou a cheirar a armas, resgate e geopolítica.

Após o triunfo da sua mediação, Sarkozy declarou ter sido conduzido somente pelas preocupações humanitárias. Certo, a França fornecerá uma central nuclear à Líbia, mas apenas para a criação de usinas de “dessalinização da água do mar”, o que é ecológico, mas cientificamente absurdo. A opinião pública não insistiu. Não quis estragar a festa.

Infelizmente, o filho de Kadafi, Saif al-Islam, pisou na bola. E declarou ao jornal Le Monde que a libertação das enfermeiras foi muito bem paga: entregas volumosas de mísseis antitanque, exercícios militares conjuntos e até um projeto para fabricar armas. Sendo assim, o ex-terrorista Kadafi vai se tornar novamente uma pessoa socialmente aceitável, mesmo num terreno perigoso, o da guerra e das armas.

As revelações do filho de Kadafi causaram estupor. Os deputados exigiram explicações do chanceler Bernard Kouchner. Que foi vago. Na verdade, não sabia de nada. Então, a pergunta foi dirigida ao próprio Sarkozy: “Houve um contrato de armas?” Sua resposta foi: “Não.” “Houve alguma contrapartida?” Ele respondeu: “Nenhuma.”

Quem é o mentiroso? Sarkozy? O filho de Kadafi? Uma pista: ontem o governo líbio anunciou a assinatura, com empresas francesas, de contratos para a compra de mísseis e equipamentos de comunicação (ler ao lado), totalizando mais de US$ 400 milhões…

O mais grave não é o fato de a França vender armas à Líbia, mas a amplitude dessa cooperação militar. E sobretudo o fato de tudo ter sido tramado em silêncio e em segredo. Somente um homem, Sarkozy, conduziu todo o processo, nas barbas de seu próprio chanceler, que não sabia de nada.

Uma outra revelação terrível: Kadafi obrigou as enfermeiras búlgaras e o médico palestino a assinarem, na presença de personalidades européias (entre elas, Cécilia Sarkozy), um documento comprometendo-se a renunciar a qualquer recurso judicial e a não contar que foram torturados. Eles foram. “O pior era a máquina de tortura elétrica”, contou o palestino. “Às vezes eu era torturado na mesma sala que as enfermeiras. Eu estava nu. Elas, metade nuas. Tenho vergonha de dizer o que fizeram com essas mulheres.”

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris