23/08/2008 - 07:59h A arte latino-americana em alta

Freqüência de mostras desse segmento em galerias e instituições paulistanas revela uma expansão comercial dos vizinhos

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Exposição de Liliana Porter nos Estados-Unidos

Maria Hirszman - O Estado de São Paulo

A arte latino-americana vem conquistando um espaço cada vez maior na cena paulistana, como indica a presença freqüente desse segmento nos eventos organizados nos espaços públicos e galerias da cidade. No intervalo de pouco mais de uma semana, quatro novas exposições de artistas da região abriram as portas. A galeria Valu Oria iniciou a programação com abertura, no dia 7, da mostra da venezuelana Mercedes Elena Gonzalez. No sábado foi a vez da galeria Baró Cruz inaugurar exposição com uma seleção de arte contemporânea do México. E a eles se juntaram a artista argentina Liliana Porter e o uruguaio Marco Maggi, que mostram sua produção recente nas galerias Brito Cimino e Nara Roesler. Se somarmos a isso outras iniciativas como Contratextos - recorte de produção colombiana, até pouco tempo em cartaz no Centro Cultural São Paulo (CCSP) - e a grande antologia de arte mexicana que a Pinacoteca do Estado vai trazer a público a partir do próximo mês, é possível ver aí mais do que uma coincidência de agendas.

O mais provável é que essa movimentação seja uma combinação de diferentes aspectos: reflexo da valorização e expansão desse mercado, sobretudo nos EUA; fruto de uma política ativa de ampliação do diálogo com os países vizinhos que vai, inclusive, além do campo das artes plásticas (caso do CCSP, por exemplo); ou resultado da internacionalização da arte brasileira (ao levar a produção nacional a feiras e eventos lá fora faz com que os marchands naturalmente ampliem seus interesses para o que está sendo produzido de bom pelos latino-americanos).

Mesmo que por enquanto haja, nas exposições comerciais, uma presença forte de nomes já bastante conhecidos internacionalmente e do agrado dos colecionadores (é o caso de Liliana Porter e Marco Maggi, ambos, aliás, radicados em Nova York), os marchands parecem convencidos de que este é um momento oportuno para fazer com o que o mercado brasileiro descubra as qualidades e afinidades com a produção dos países vizinhos. “É o momento de avançarmos mais um estágio, rompendo de vez com um certo preconceito em relação a essa produção”, afirma Oscar Cruz, um dos proprietários da galeria Baró Cruz, que tem um grande número de latinos entre os artistas que representa. Mesmo discordando de que haja resistências em relação à arte latina, Fábio Cimino concorda que o crescimento desse filão depende sobretudo do trabalho de convencimento do marchand. “Estamos abrindo o olho; faz todo sentido ter um canal de comunicação mais forte com os países que têm ótimos artistas, preços muito bons e são mais próximos culturalmente de nós”, resume Daniel Roesler.

Na Estação Pinacoteca, a mostra Era da Divergência - Arte e Cultura Visual no México, que será inaugurada dia 13 de setembro, trata-se de ser uma exposição de cunho institucional. Com obras realizadas em período que compreende os anos 1968 a 1997, a ampla mostra, com mais de uma centena de obras, é fruto de uma parceria entre a instituição brasileira e o Museu Universitário de Ciências e Arte (Muca) da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam).

O Tempo Como Tema De Criação Do Uruguaio Marco Maggi

O tempo é, segundo Marco Maggi, a questão central de seu trabalho. É exatamente a reflexão sobre a estranha relação entre as artes visuais e a dimensão temporal - e, talvez, de forma ainda mais radical, a necessidade de se contrapor à tirânica velocidade imposta pelo mundo moderno - que o levou a criar essa obra lenta, profunda e sintética à qual os paulistanos foram apresentados há seis anos, primeiro na Bienal de 2002 e logo em seguida numa das mais destacadas exposições do ano.

Levando-se em consideração o caráter sedimentar de sua obra, há na exposição na Nara Roesler, uma linha de continuidade com os trabalhos já mostrados por aqui. Há inclusive obras novas de séries já iniciadas então, como os desenhos em papel alumínio emoldurados em cartões de slide, que remetem tanto aos moderníssimos chips de computador como aos desenhos pré-colombianos. A presença incontornável da linha, do desenho ou das formas recortadas de forma automática, brotando de forma quase inconsciente, também continuam a fazer parte de seu vocabulário, mas a partir de alguns novos pressupostos e indagações.

Intrigado com o fato de as artes visuais serem a única expressão artística que não se submete a uma dimensão temporal (ouvir uma sinfonia ou ler um livro pressupõe obrigatoriamente um intervalo de tempo preciso, mesmo que variável), Maggi se contrapõe a qualquer tentativa de enquadrar o espectador em tentativas de representar visualmente a quarta dimensão ou de forçá-lo a submeter-se a imposições alheias (como ocorreria no vídeo). Sua maneira de lidar com o tempo é aberta e se reflete em todo o espaço da exposição, propondo uma desaceleração do olhar, criando possibilidades de fruição e reflexão a partir de obras que são, segundo suas próprias palavras, “quase nada”.

“O que eu pretendo é mudar o protocolo de relação com a obra”, afirma. Apresentar a série The Ted Turner Collection - From CNN to the DNA talvez ajude a compreender melhor o que o artista pretende dizer com isso. Nesses trabalhos, ele desconstrói obras significativas da arte ocidental, subvertendo a ação da mídia que finge fazer uma revelação quando, na verdade, faz uma “cobertura” (o uso ambíguo do termo é proposital), uma edição premeditada, que mais oculta do que revela. Colocadas do avesso, sutilmente recortadas com estiletes criando delicadas paisagens abstratas e submetidas a rigorosas e estruturadoras grades geométricas, as obras clássicas de autores como Warhol, Fontana e Lygia Pape tornam-se irreconhecíveis (só é possível identificá-las porque a moldura permite ver também o avesso do quadro, a imagem original um pouco mutilada pelos recortes). No entanto, continua sendo delas que provém a matéria cromática que dá sentido a esses relevos bastante minimalistas, sedutores e incompreensíveis como o DNA. Seria uma espécie de novo analfabetismo, que precisamos reconhecer como uma característica dos novos tempos para conseguir ver além.

Marco Maggi e outros artistas na Bienal da Havana em 2003

La Habana / 2003 / Recorrido / Cabaña / Artistas

Marco Maggi

Marco Maggi

* 1957 Montevideo, Uruguay

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23/07/2008 - 18:06h Anomalias e FLAP em São Paulo

Anomalías y FLAP 2.0 08 por Alan Mills (blog Revolver)

{n} Siempre me he considerado un ser anómalo. Lo dije recién, en Guatemala, durante un conversatorio sobre la exposición Mundo Capitol y me quedé helado al ver a varias personas asintiendo desde el público. Ay. A veces esperas que te digan “no Alancito, usted es bien normal, mijito”. Pero no existe entidad más sincera que un público concentrado en lo que les estás hablando. Se los digo.

{ñ} Entonces, el ser anómalo debe hablar de su anomalía, integrarla a su universo, a la comunidad. Así se va entendiendo, haciendo entender. Pienso.

{o} Y tiene que conversar sobre otras anomalías, sus parientes, seres análogos, sus estímulos. Así se comunica. Intuyo.

{p} Este sábado 26 de 10:00 a 17:00 horas, en el espacio B_arco de arte contemporáneo en Sâo Paulo (rua dr. virgílio de carvalho pinto, 426), Ana Rüsche y yo impartiremos el taller ANOMALIAS: la enfermedad na tradiçâo. Conversaremos sobre diversos exponentes de las artes plásticas y la literatura contemporánea latinoamericana (de la década del 60 hasta hoy), obras que experimentan con elementos anómalos, híbridos, disonantes, cuyo impacto corroe las estructuras más previsibles, instalando un arte capaz de modificar su entorno.

{q} Serán comentados: El poeta Roberto Piva (Brasil), voz de la locura y los inadaptados, un blasfemo contra la ciudad hipócrita y decadente, a la que le confiere polaridades celestiales e infernales; la producción de los años 70 y 80 del artista plástico Cildo Meireles (Brasil), con la que ataca al régimen totalitario, construyendo obras en soportes “circulables”, como papel moneda, botellas retornables de Coca Cola, cuestionando también la distribución del arte a la población; el proyecto estético del CADA (Colectivo de Acciones de Arte), formado por Diamela Eltit, Raúl Zurita, Lotty Rosenfeld e Fernando Balcells, los cuales, entre 1978 e 1981, elaboraron propuestas artísticas interdisciplinarias desafiando la dictadura de Augusto Pinochet y ampliando de manera radical los limites de las artes; El tiempo principia en Xibalbá, novela de Luis de Lión (Guatemala). Se trata de la novela de una persona de origen maya, donde se desarrolla una visión extrema de la vida en una sociedad fragmentada y violenta, donde la sexualidad manifiesta toda su carga de poder y dominación; las crónicas de Pedro Lemebel (Chile), registro fiel de su posición como artista queer, irónicas y feroces piezas que desmantelan la moral burguesa chilena. Fundador del colectivo Las yeguas del Apocalipsis, Lemebel realizó diversas intervenciones urbanas; Los cuentos de Marcelino Freire (Brasil), escritor que desde los años 90 trabaja la oralidad de los que no tienen voz y de lo políticamente incorrecto, trazando en sus textos un lenguaje directo, que prescinde de ornamentos, discursos contradictorios, donde habla lo que no quiere ser escuchado; sobre los años 2000, serán presentados los trabajos de las artistas Alessandra Cestac (Brasil) y Regina Galindo (Guatemala), que exploran el propio cuerpo como material poético, exponiendo sus distorsiones, dolores y la usurpación de lo femenino, la usurpación de lo humano.

{r} Están todos invitados, incluso los que se sienten así más normalitos, pa’ que nos entiendan.

{s} Dentro de poco se dejará sentir una avalancha de sujetos poéticos (anómalos muchos de ellos) pelas ruas de Sâo Paulo. O festival latinoamericano de poesia, FLAP (1 al 8 de agosto), traerá a muchos amigos de América Latina para hacer lecturas y debatir sobre a poesia y los nuevos medios, cómo se transforma el habla poética en los nuevos soportes virtuales, el mundo de la web 2.0 y las relaciones entre poesía e mercado editorial, marketing y publicidad. A lingua oficial será o portuñol, el cual ya manejo a la perfección. Según la nota de Elisa Andrade Buzzo “a programação inclui debates sobre música (”Zona Franca v: o rap atura a literatura (e vice-versa)”, se destaca a presença em massa de latinos, com mais de vinte escritores (Alan Mills, da Guatemala; Héctor Hernández Montecinos, do Chile; Virginia Fuente, da Argentina; Ernesto Carrión, do Equador; Rodrigo Flores, do México, dentre outros), além dos convidados brasileiros, alguns deles já presentes em outros anos”. Por ahí andaremos, entonces, celebrando la palabra, again.

{t} Viva la conexión! Até mais, caras.

Imágenes: Alessandra Cestac, Cildo Meireles, ww.literaturaguatemalteca.org, fragmento de Purgatorio y afiche de la FLAP por Jozz.

09/06/2008 - 20:48h Prêmio ao arte brasileiro

Cildo Meireles, artista conceptual y autodefinido como comprometido políticamente, recibirá el Premio Velázquez de Artes Plásticas 2008

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El artista conceptual brasileño Cildo Meireles, que recibirá el Premio Velázquez de las Artes Plásticas 2008 Foto: EFE

MADRID, (EFE).- El Rey de España Juan Carlos I entregará hoy al artista brasileño Cildo Meireles (Río de Janeiro, 1948) el Premio Velázquez de Artes Plásticas 2008, concedido por un trabajo que critica la esencia europea propia del arte moderno occidental para reelaborarlo y darle una nueva identidad.

El arte es siempre “una especie de inutilidad indispensable” que mana de quienes están cerca de la locura y tienen la fuerza y el coraje de transformar el entorno, afirmó hoy en rueda de prensa el brasileño.

http://www.bndes.gov.br/cultura/espaco/images/infancia/cildo_meireles.jpg

La ceremonia de entrega del galardón, que pretende convertirse en el Cervantes de las artes plásticas, se celebrará en el Museo del Prado, en Madrid, estará presidida por los Reyes Juan Carlos y Sofía, y contará con la asistencia, entre otras autoridades, del ministro de Cultura, César Antonio Molina.

El jurado del premio estimó que la obra de Meireles postula un compromiso político que ha sabido armonizar con las necesidades poéticas de toda creación y recoge críticamente la esencia europea propia del arte moderno occidental, transformándola de tal modo que le da identidad propia e incita a cuestionar las mismas bases del arte occidental.

Meireles, que utiliza la fotografía, la instalación o la pintura en sus trabajos, admitió que si bien está considerado como un artista conceptual, su singularidad es siempre fronteriza del compromiso político, del que no puede huir.

Meireles, dibujante y escultor, es pionero en el arte de la instalación desde los años 60, al que incorporó distintos medios como el cine, y participó en convocatorias tan importantes como la Bienal de Sao Paulo o la Documenta de Kassel.

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Su veredicto sobre la crisis económica mundial y el arte es que, “si no se nota, se notará. La crisis nos envuelve a todos, pero es secundaria, hay cosas más importantes: la propia supervivencia del planeta”. En cuanto a Brasil, Meireles sostuvo que tiene prioridades como la educación, la salud y los sueldos antes que el arte, que en su país responde a la máxima “cada uno para sí y Dios contra todos”.

El premio Velázquez, dotado con 90.450 euros (142.000 dólares), reconoce el conjunto de la obra de un creador español o de la comunidad iberoamericana de naciones. Desde que se concedió por primera vez en 2002, los galardonados fueron Ramón Gaya, Antoni Tapies, Pablo Palazuelo, Juan Soriano, Antonio López y Gordillo.

24/05/2008 - 16:16h “Tengo una idea cada dos años”

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La controvertida artista plástica francesa visitó Buenos Aires para asistir al estreno de Dolor exquisito, una pieza dramática, basada en su obra que, a su vez, se inspiró en una experiencia personal: la ruptura de una relación amorosa

Calle suele recurrir a sus propias experiencias vitales para alimentar la creación Foto: Guillermo Monteleone
http://farm1.static.flickr.com/103/367165826_f3338f91c7.jpg?v=0
“Le Téléphone”, Sophie Calle

Por Raquel San Martín
De la Redacción de LA NACION

La encuentro mientras desayuna sola en un coqueto hotel de Palermo Soho. Sophie Calle parece salida de una escena de los años 70: grandes anteojos negros, vestido corto de estampado pop, cabello carré, respuestas ambiguas y provocadoras, aire despreocupado. La mujer pequeña y sonriente que sigue desayunando durante la entrevista filmó los siete últimos minutos de agonía de su madre y los mostró en la Bienal de Venecia; contrató un detective privado para que la siguiera y expuso esas fotografías; siguió y fotografió a un desconocido en Venecia, y consiguió un puesto de mucama en un hotel para tomar imágenes de las habitaciones cuando sus huéspedes no estaban. Son “historias banales” -me dirá dentro de un momento, encogiéndose de hombros, como quien responde lo evidente- que disparan obras de arte tan celebradas (lo que reconoce) como criticadas (de lo que se niega a hablar).

Considerada la más célebre artista conceptual francesa, de 54 años, vino a Buenos Aires -”sí, la ciudad es linda”, dice-por primera vez para asistir al estreno de la obra teatral Dolor exquisito , montada sobre la base de una obra plástica y textual suya, de 2004, que relata su experiencia de una ruptura sentimental. Sophie Calle dice que tiene una generosa hora de tiempo, habla en español, ofrece café y se presta a las fotos, pero el resto no lo hace fácil. Repite “sí”, “no”, “nada” y “de eso no quiero hablar”, niega algo para afirmarlo enseguida, dice que no usa su vida como tema. Me corrige: usa el arte para tomar distancia de las situaciones que se le vuelven insoportables.

Con dirección de Emilio García Webhi y actuación de Maricel Álvarez, Dolor exquisito se presenta todos los sábados, a las 21, en la Sala Beckett. Calle, que se resistió a saber algo de la obra o a asistir a los ensayos -”Si es buena, muy bien, y si es mala, no es mi culpa”, justifica-, sí estuvo en el estreno, y se la vio satisfecha. Pero es difícil saber qué habrá pensado. “Esta obra ya la hizo un grupo de teatro inglés, un grupo absolutamente loco pero que con este texto hizo una lectura muy sencilla: dos personas sobre la escena. Me sorprendí porque pensaba que iban a cambiarlo. De alguna manera esperaba que lo cambiaran más, que lo trataran mal, que lo desarmaran, y no que lo leyeran. Me gustó mucho, pero era demasiado respetuoso”, dice.

Dolor exquisito parte, como suele hacer Calle, de una experiencia personal: fue abandonada por un hombre mediante un llamado telefónico que recibió mientras estaba de viaje en Japón, en 1985. De regreso en París, Calle decidió exorcizar “el día más infeliz de toda mi vida” contando la historia incansablemente y pidiendo a sus amigos que le relataran sus más dolorosas experiencias. Todo eso mostró en fotos y textos.

 

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Exposition Sophie Calle « True Stories », Galerie Emmanuel Perrotin, Miami
6 septembre-25 novembre 2006

-¿Cómo es verse a una misma en una escena? Hay un personaje que es usted.

-No, ya no. Es una obra. El texto que escribí es una ficción, no soy yo. Sí es algo que ha pasado, no es falso, pero cuando hice Dolor exquisito no se trataba para mí de decir la verdad sino de hacer una obra. Aunque haya pasado así y no de otra manera, no es la realidad. Hay una distancia siempre. Yo nunca tengo la sensación de mostrarme en mi intimidad.

-Pero siempre se usa a sí misma en sus obras.

-Sí, pero escribo algo, doy un paso al costado, miro la situación, la describo. No estoy llorando en los brazos de una amiga, estoy haciendo algo que puede servir.

-El arte fue catártico o terapéutico en esta obra.

-Sí, pero como motor, al principio. -Se ha dicho que los motores principales de su obra son el dolor o la pérdida. ¿Usted lo vive así?

-En la mitad de mi trabajo, sí, pero no siempre. Cuando trabajé sobre los ciegos preguntándoles sobre la belleza, o a los guardianes de museos sobre los cuadros robados, no se trataba de mí. Cuando contraté a un detective para que me siguiera no venía de ningún dolor, cuando hice los hoteles no venía de ningún dolor. Se puede decir que el tema muchas veces es el dolor, pero no siempre es el mío.

-¿Y qué hay entonces en común en sus obras?

-La ausencia. La ausencia de alguien en la muerte, alguien que no puedo tocar, alguien que sigo sin conocer, de un cuadro robado.

-¿Qué aprendió del dolor a medida que sus allegados le contaban sus sufrimientos?

-Nada. -¿La sorprendió algo?

-No. Es todo muy banal. Mi historia era muy banal.

-Entonces, ¿cuál fue el sentido de la obra?

-Mi intención fue hacer una obra de arte. ¿Es demasiado poco? Soy artista, mi intención es esa. No es una obra sociológica, no la hice como libro de autoayuda.

-Usted escribió que “el arte es el acto por el cual el artista se conoce a sí mismo”. ¿Qué aprendió sobre usted a través del arte?

-He aprendido pero no sé de dónde. El arte, un hombre que te deja, tu madre que se muere… no puedo definir momentos que me enseñaron algo. Aprendí porque he cambiado, pero no sé de dónde viene lo que aprendí.

-Pensaba en esa intención de tomar las cosas que le pasan y transformarlas en obras de arte.

-Es utilizar mi vida cuando las cosas están en mi contra, para tomar control sobre ellas y superarlas. El arte sí me permitió hacer eso. Cuando me sucede algo que no soporto, mi manera es ver si puedo darlo vuelta, enfrentar la situación pero dando un paso al costado, para poner distancia entre la situación y yo.

-Muchos artistas usan la propia vida de alguna manera en sus obras…

[Interrumpe] -Marcel Proust, Victor Hugo… -¿Usted la usa de manera distinta?

-No sé, no es mi trabajo hacer comparaciones, es el tuyo. Yo hago el trabajo, tú haces la crítica.

-¿Usted se convirtió en su propia obra?

-No, porque esto del Dolor exquisito me pasó hace veinte años, hice algo dieciséis años después. No vivo en los recuerdos de ese momento. Tengo una idea más o menos cada dos años. Algo me pasa, pero hay miles de horas en las que nada me está pasando. Pienso en la idea, pero luego es trabajar, ir a ver gente, fotografiar. No estoy llorando todo el tiempo. Estoy en la obra misma porque estoy contando un episodio que duró tres meses, pero después hubo dieciséis años.

-¿Por qué pasó todo ese tiempo?

-Porque al principio, el hecho de tomar distancia y la terapia eran parte de la idea, que era contar la historia a punto de aburrirme por repetición. Iba a hacer eso hasta ya no sufrir. La terapia era la regla del juego. Pero como funcionó, me dio miedo regresar, leer los textos, escribir, me sentía frágil todavía. Entonces dejé el proyecto, pensando que iba a ser por un año, luego hubo otras cosas y quedó allí. Y en un momento dado me gustó el hecho de dejarlo porque era como una protección contra el miedo de no tener más ideas. Era algo que me protegía, como un paracaídas. Hasta que se acercó el año 2000 y una superstición me hizo pensar que si no lo hacía ya, no lo iba a hacer nunca.

A Calle le gusta hablar de la obra que tiene en marcha. Dedica largos minutos a detallar “una idea abandonada que está apareciendo de nuevo y una idea que sigue”. La primera, que empezó hace cuatro años, tiene que ver con “la gente que desaparece, que se va y no regresa”. Con una amiga periodista, se dedicaron a entrevistar a familiares de unas 20 personas desaparecidas y, mientras no acertaban a dar coherencia a una idea, la propia vida se metió en la obra: la periodista, de cobertura en Irak, fue secuestrada durante cinco meses y Sophie Calle, en París, organizó un grupo para reclamar por su aparición. “Ella desapareció y yo me convertí en familiar. Finalmente regresó, pero todavía no lo hemos retomado”, dice.

La otra idea vuelve a sumar viajes y fotografías. Una vidente le tira las cartas -”no creo en el tarot y eso lo hace más interesante”, dice- y le aconseja emprender un viaje a un lugar preciso. Ella lo hace y, permanentemente comunicadas, la clarividente va dirigiendo sus pasos a distancia, mientras la artista fotografía el tránsito azaroso. En París, me cuenta, mostrará en septiembre las fotos de sus dos primeros viajes.

-¿Por qué cree que sus obras son exitosas?

-Ese es el trabajo del crítico. -¿Por qué algunas son polémicas y hay gente que las critica?

-No sé nada de eso [se ríe]. -¿Qué le pasa cuando escucha críticas?

-No me importa. Hace ocho días, por pura causalidad, alguien me dijo que había leído algo sobre mí en un blog . Entré allí y vi cosas horrorosas sobre mí, escritas por una artista que no tiene éxito, por cierto. No me importa, es una artista que tiene amargura, ¿por qué voy a leer eso? Hay gente que me insulta pero también pasa lo contrario. Van, pagan la entrada, algo les interesa. Puedo imaginar por qué les gusta y por qué no.

-¿Por qué será?

-¿Por qué no les gusta? -Sí.

-No quiero entrar en eso. -¿Y por qué les gusta?

-Hay un público de arte que va a ver este tipo de obras. Pero cuento situaciones muy banales, que le han pasado a todo el mundo, y esto es un plus, una entrada más psicológica. Son situaciones comunes, de una banalidad absoluta. Por eso no tengo la impresión de que es mi vida; ella, ella, ella [señala a la camarera; a una pasajera que desayuna en la mesa de al lado y la mira, extrañada; me señala a mí] lo han vivido.

Su última ruptura amorosa fue, justamente el tema de la obra que llevó al pabellón francés de la 52° Bienal de Venecia: en Prenez soin de vous (”Cuídese”), 107 mujeres “reinterpretaron” un e-mail de despedida que Calle había recibido en su celular.

-¿Piensa en el espectador cuando hace una obra?

-Pienso cómo lo van a entender, en el estilo, en la lengua. La Bienal de Venecia es un caso particular porque es un público internacional y yo escribo en francés. El hecho de la comprensión entró en la obra, por eso hay tantas actrices, cantantes y bailarinas, porque necesitábamos interpretaciones que no se redujeran al texto. En este caso, el público ha cambiado la obra totalmente.

-La fotografía se destaca en su obra…

-Por primera vez ahora, pero no tanto. Es más bien la idea lo central, y el texto. Cuando la fotografía es parte de la acción, sí. Cuando yo seguía a la gente y la fotografiaba, era parte de la excitación, de estar cerca. Pero en otros trabajos, cuando es un objeto muerto que hay que fotografiar, no lo hago, porque no soy buena en eso.

-¿Cómo se da cuenta de que una obra está terminada?

-Muchas veces es evidente. En el caso de los ciegos, uno de ellos me dijo: “Odio la belleza porque no la entiendo”. Es difícil seguir después de eso. En el caso de los cuartos de hotel, me habían tomado por un mes. En el caso del hombre al que seguía en Venecia, cuando regresé a París. En la Bienal de Venecia, hay una fecha tope, hay que estar listo. En el caso de Dolor exquisito el final estaba anunciado al principio: el día que me desperté de buen humor, ese día paré. A veces se siente el final, y a veces es la vida la que lo impone.

-La describen como una artista conceptual. ¿A usted eso le dice algo?

-No. También me llaman artista narrativa. Creo que el arte conceptual es un poco frío, lo que yo hago es más sentimental, más emocional.

Sophie Calle afirma que no usa su vida en su arte. Pero cuando la dejo terminando otro cappuccino , después de casi una hora de conversación, me pregunto si no acabo de ser parte de una de sus obras.

16/01/2008 - 17:54h La irresistible atracción de un corazón de plástico


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Entre las galerías de arte de Le Marais, el barrio más movido de París, me planté de pura casualidad ante una vidriera detrás de la cual un corazón gigante -rojo, hecho de pequeñas piezas de plástico entretejidas- giraba suavemente.

Me dejé llevar por la imagen hipnótica y entré.
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11/12/2007 - 18:27h Te amo-Yo no

 

Desde ayer y hasta el próximo lunes 17 una pareja de performers realizará un experimento en la tienda trendy Solo Amor de Madrid.

Se trata de Siete intentos por separarse el uno del otro.El proyecto forma parte de Madrid Procesos 07, organizado por AVAM, con el apoyo de la Comunidad de Madrid.

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Los artistas holandeses Eva Schippers y Serge Lammerts se encerrarán durante 7 días en un espacio de 4 metros cuadrados

Durante esa semana completa los artistas vivirán juntos en una habitación minúscula y sólo tendrán una idea en la mente: cómo deshacerse de la otra persona y crear su propio espacio personal.
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11/12/2007 - 18:19h Te amo-Yo no

Desde ayer y hasta el próximo lunes 17 una pareja de performers realizará un experimento en la tienda trendy Solo Amor de Madrid.Se trata de Siete intentos por separarse el uno del otro.El proyecto forma parte de Madrid Procesos 07, organizado por AVAM, con el apoyo de la Comunidad de Madrid.

img_dd9d4ae8corazon-partido.gif

Los artistas holandeses Eva Schippers y Serge Lammerts se encerrarán durante 7 días en un espacio de 4 metros cuadrados

Durante esa semana completa los artistas vivirán juntos en una habitación minúscula y sólo tendrán una idea en la mente: cómo deshacerse de la otra persona y crear su propio espacio personal.

Las acciones serán documentadas en vídeo e imágenes fotográficas.

El proyecto se basa en el estudio de las nuevas situaciones que se desarrollan en el mundo de la pareja, en las cuales cada una de las partes busca el equilibrio entre la convivencia y el amor y en las que el inevitable paso del tiempo va deteriorando las relaciones.

Eva Schippers y Serge Lammerts llevan trabajando juntos de manera regular desde hace tres años, en los que han desarrollado fundamentalmente un trabajo de performance de caracter social y humano.

Bajo el nombre de Atelier SEVA han investigado la delicada línea existente entre el deseo de “estar juntos” y la aparente imposibilidad de dejar de ser uno mismo por el otro. Estos serán los siete intentos por separarse que llevarán a cabo durante la semana:

1º Intento: durante el primer día los artistas trabajarán con prendas de ropa, construyendo una pared de tela que les separe.2º Intento: el segundo día, los artistas crearán una distancia fija entre ellos, valiéndose de diferentes objetos, para hacerles imposible su movilidad en el espacio.

3º Intento: durante el tercer día el espacio se organizará como un laberinto, donde los artistas serán como fichas de un juego.

4º Intento: el cuarto día, la acción consistirá en la rotura y reparación de vajilla domestica (platos y tazas).

5º Intento: se basará en la comida y el proceso de comer.

6º Intento: los artistas se pintarán el uno al otro utilizando el mismo color de la pared, logrando en ese proceso ‘borrarse’ mutuamente. En la pared opuesta del escaparate estará dispuesto un reloj que marcará el paso del tiempo al revés, simbolizando las memorias desvanecidas en su proceso de desaparición mútua.

7º Intento: durante el último día, se desarrollará una acción basada en el acto de verse y escucharse mutuamente.

¿Ganará el amor o la furia?

19/10/2007 - 12:46h León Ferrari: León de Oro en la Biennale de Venecia

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Ferrari -último a la derecha- y los otros premiados este mediodia en Venecia por Cristina Civale

Estoy aquí, en el Arsenal de Venecia, en la sala de prensa de la Bienal, en esta computadora en la que no emboco los acentos. Chiara Costa, del equipo de prensa tampoco me sabe decir como se ponen: entonces disculpas, hasta que no me encuentre con mi laptop, este post será sin acentos o con acentos tanos.

Ahora empieza la versión 2.0, con acentos, desde mi laptop.

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La Civilización Occidental y Cristiana -1965-

Tengo las manos calientes y el corazón que se me sale del cuerpo, estoy emocionada: León Ferrari, sin duda el artista visual argentino contemporáneo más talentoso, grosso, humilde, de choque y creativo, se llevó el León de Oro al “mejor artista presente en la muestra central de la Biennale”, en su edición 52, este mediodía en el Teatro alla Tese dell’ Arsenale di Venezia.

Más de trescientos invitados lo aplaudieron. Humilde y breve, agradeció a José Roca, Director de Arte del Banco de Bogota y director artístico de Phligrafika 2010 de Philadelphia, de manos de quien tomó el premio.

Las razones dadas: “ En el Arsenal se presentó un corpus de trabajo que ofrece algunos ejemplos de una larga carrera. El artista en cuestión continuó a desarrollar una práctica crítica en el contexto de una situacion política y social muchas veces adversa. Este premio se le entrega no sólo por su actitud ética y por su compromiso poíitico sino también por la relevancia estética contemporánea, inesperada para una obra que se ha desarrollado en los últimos 60 anios“(Tomada de la versión en italiano, la inglesa es ligeramente diferente).

Con sus ochenta y largos años, este premio no hace más que confirmar lo que ya todos sabemos y apreciamos de su obra. Que es monumental, poderosa, sin concesiones: su Cristo colgado en un avión de guerra (la obra que marcó un hito en su carrera y en el arte argentino), la obra llamada “La civilizacion occidental y cristiana”; sus recientes collages presentados aquí: una serie de falsas tapas de L’Osservatore Romano con frases de papas ilustradas con irreverentes obras de liturgia o fotografías de militares más su obra reciente en poliuretano constituyeron el corpus que impactó al jurado formado por Manuel Bora Villet, presidente y director del Museo de Arte Contemporáneo de Barcelona; Iwona Blazwick, directora de la prestigiosa galeria londinense Whitechapel; Abdellah Karroum, curador independiente de París y el ya mencionado José Roca.

Lo saludé entre el tumulto y ahora espero mientras termina su “pranzo” de honor con las autoridades de la Biennale a que me regale unas palabras. Pero conozco su parquedad y lo que ahora importa es este reconocimiento a su obra.

Este mismo mediodía recibieron premios el austríaco Andreas Fogarasi por la mejor participación en un pabellón nacional; Emily Jacir, jordana, recibió el Leon de Oro a la mejor obra de una artista menor de 40 años (ayer justamente comentaba que era una de las obras que más me había impactado, va en el próximo post una reseña sobre ella y fotos exclusivas); hubo una mención de honor para el bulgaro Nedko Salakov y el Pabellón de Lituania mereció el gran premio como pabellón de un país.

Cambio y fuera, perdón por las imprudencias gramaticales de la versión 1.0. (Ya resueltas, espero)

Felicidades al gran gran León!!!!!

Ps: Chiara me informa que Ferrari terminó por fin de almorzar, aquí ya son casi las 4 de la tarde, y ahora viene hacia la sala de prensa, generoso, a hablar un par de minutos… Espero…

PS 2: Luego de recorrer una vez más el pabellón donde se exhibe su obra, finalmente viene a mi encuentro. Ya van a ser las cuatro y media. Llega, acompañado de su mujer y de su hijo, feliz, más que feliz. Me deja que lo abrace esta vez y lo primero que me dice en italiano: “Yo soy muy malo -sono molto cativo-. Ahora después de esperar 87 años por fin llega este premio, el más grande. Me alegra pero también es una lastima: ya no habrá otra Venecia, debería esperar toda otra larga vida y sería muy aburrido”.

Espió el blog, se rió de su foto -gentileza de la Bienal- y dio una tácita aprobación. Luego se fue a seguir festejando con los suyos.

15/09/2007 - 11:45h Alianza contra un mal evitable

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Fotografía de Carlos Oñatibia

El próximo lunes a las 7 de la tarde, los alumnos del último año de la carrera Gestión e Historia del Arte de la Universidad del Salvador -a cargo de Julio Suaya- junto con M.A.C.M.A. (Movimiento Ayuda Cáncer de Mama), presentan la exposición Mama.

Se trata de un proyecto artístico que busca concientizar acerca de la detección temprana de esta enfermedad.

Una de cada siete mujeres está en riesgo de contraerla, como así también, en una mínima proporción, puede darse en hombres.

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Obra de Fabiana Barreda

Once artistas plásticos -Yamandú Rodríguez, Nicolás Hardy, Tatiana Parcero, Fabiana Barreda, Dolores May, Maria Allemand, Lucila Heinberg, Carlos Oñatibia, Esteban Rivero, Darío Zana, Federico Minuchín- participan de la convocatoria, creando y donando obras para la muestra.

La venta de las mismas es a total beneficio de M.A.C.M.A.

La exposición podrá visitarse hasta el 12 de octubre en el Centro Cultural Caras y Caretas, Venezuela 370, en el mismo lugar donde se hará la presentación.

Seguramente estos egresados de la USAL darán que hablar como gestores culturales.

Una gran idea cero exhibicionista para cerrar la carrera.
Para mí, al menos, una bella promesa cargada de esperanza.

Una única objeción: el nombre de la muestra me parece poco feliz. Pero es nada con todo lo que ofrecen.