22/04/2009 - 18:26h Imagem contemporânea francesa abre calendário de artes visuais 2009 do Santander Cultural

Imagem contemporânea francesa abre calendário de artes visuais 2009 do Santander Cultural

■ ‘Reflexio: Imagem contemporânea na França ’ faz parte das iniciativas oficiais do Ano da França no Brasil e reúne nomes expressivos da fotografia francesa atual, numa mostra inédita.

■ Seminário Malraux ocorre na mesma semana de abertura da mostra, com três especialistas franceses e brasileiros que discutirão política cultural, indústria cultural e patrimônio.

Porto Alegre, abril de 2009 – A mostra Reflexio: Imagem contemporânea na França, em exposição a partir de 24 de abril, é o projeto do Santander Cultural para a agenda de intercâmbio internacional, inserida no calendário oficial do Ano na França no Brasil. A iniciativa, que tem o apoio da Embaixada da França no Brasil, com a chancela dos Comissariados Francês e Brasileiro e a parceria do Ministério da Cultura, reúne artistas com carreiras consagradas no circuito internacional e extremamente respeitados pela crítica especializada.

A curadora Ligia Canongia, crítica de arte e curadora independente brasileira, que residiu em Paris por nove meses, declara que um dos objetivos da mostra é “apresentar um panorama da nova fotografia francesa no âmbito das artes visuais contemporâneas”.

Reflexio é a origem etimológica latina de dois termos de nossa língua: reflexo e reflexão. A partir desses dois significados, contidos na palavra Reflexio, a exposição dirige-se tanto à idéia de “reflexo”, que faz parte da própria operação fotográfica enquanto mecanismo, quanto à “reflexão”, ou seja, a fotografia vista como forma de pensamento.

Patrick Tosani, Catherine Rebois, Suzanne Lafont, Eric Rondepierre, Jean-Luc Moulène e Valérie Jouve apresentam linguagens distintas e edições de montagem particulares, apresentando ao público algumas formas de a fotografia se articular, hoje, como expressão da arte.

A exposição investiga o papel da imagem na contemporaneidade, e propõe discutir a inserção da fotografia no circuito de arte internacional, uma pesquisa já iniciada desde os anos 80, quando esse suporte despontou como uma das mídias mais exploradas na produção contemporânea.

Da temática das cenas urbanas – que pode se referir a questões políticas, aos guetos sociais ou à arquitetura – até a temática do “corpo” ou da própria história da arte, a fotografia atual trafega por imagens que dialogam tanto com o gênero documental, quanto com cenas criadas a partir do puro imaginário.

Sobre o trabalho dos artistas

Patrick Tosani e Catherine Rebois discutem a questão do ‘corpo’ no universo da imagem – como tratar a corporeidade num meio de virtualidade por excelência, ou como inventar um corpo desmaterializado, que seja tão somente forma imaginária.

Suzanne Lafont e Eric Rondepierre discutem a possibilidade da fotografia intervir sobre outros meios da cultura, e re-construir suas linguagens originais em outros termos. Ambos se alimentam do cinema como fonte. Rondepierre recorta, monta, estabiliza e modifica o fluxo do movimento do cinema. Suzanne constrói cenas dramáticas sem cliques fotográficos estáveis, mas com uma edição cinemática, ou seja, que se reporta à montagem tradicional do filmes.

Jean-Luc Moulène e Valérie Jouve – investigam a realidade banal da vida cotidiana, quer pela análise da vida nas grandes metrópoles – nos seus refugos ou nos seus luxos, quer nos produtos da publicidade, ou ainda no comportamento e expressões humanas do dia-a-dia anônimo e errático.

Compreender o contexto contemporâneo ligado a fotografia tem sido um dos focos de iniciativas do Santander Cultural. A instituição vem realizando importantes mostras com linguagens fotográficas, todas inseridas numa proposta de refletir as possibilidades de interpretação a partir da imagem como; Olho Vivo – Cartier Bresson e os 50 anos da arte fotográfica brasileira (2004/2005), Hiper relações eletrodigitais (2004), e O Grão da Imagem – panorama da obra de Vera Chaves Barcellos (2007) e FILE POA/Rio (2008). Para Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural, participar do Ano da França realizando iniciativas reafirma o papel da instituição de agente de desenvolvimento ligado na integração de expertises, “Estamos bem satisfeitos em participar dessa agenda posicionando Porto Alegre como protagonista de uma mostra de fôlego, apresentando as novas tendências na França e que traz no seu cerne a reflexão sobre a imagem”.

Na programação de abertura do Ano da França o Santander Cultural alia outro destaque que é o Seminário Malraux, que acontece no mesmo período da abertura da mostra – 23, 24 e 25 de abril -, com três especialistas franceses e a interlocução com brasileiros para discutir política cultural, indústria cultural e patrimônio.

Desde a sua criação pelo governo Francês em 1961, os seminários Malraux (que fazem uma homenagem à André Malraux escritor, crítico e ativista político, três vezes ministro de Estado da informação e da cultura do governo Challes de Gaulle) visam a efetuar, juntamente com outros países, uma reflexão conjunta sobre temas como o papel da política pública da cultura, o financiamento da cultura, a descentralização cultural, a proteção do patrimônio e a capacitação na área de gerenciamento da cultura. Os primeiros encontros do Seminário Malraux foram em 1994, idealizados pelo governo francês como resposta aos interesses de outros países para conhecer a experiência cultural francesa. No Brasil, o Santander Cultural será o palco nacional para as palestras do Seminário Malraux de 2009.

Reflexio: Imagem contemporânea na França

Local: Santander Cultural, Rua Sete de Setembro, 1028

Data: a partir de 24 de abril de 2009

*23 de abril coquetel de abertura para convidados

Horário: Terças às sextas-feiras das 10h00 às 19h00
Sábados, domingos e feriados das 11h00 às 19h00

Entrada franca

23/08/2008 - 07:59h A arte latino-americana em alta

Freqüência de mostras desse segmento em galerias e instituições paulistanas revela uma expansão comercial dos vizinhos

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Exposição de Liliana Porter nos Estados-Unidos

Maria Hirszman – O Estado de São Paulo

A arte latino-americana vem conquistando um espaço cada vez maior na cena paulistana, como indica a presença freqüente desse segmento nos eventos organizados nos espaços públicos e galerias da cidade. No intervalo de pouco mais de uma semana, quatro novas exposições de artistas da região abriram as portas. A galeria Valu Oria iniciou a programação com abertura, no dia 7, da mostra da venezuelana Mercedes Elena Gonzalez. No sábado foi a vez da galeria Baró Cruz inaugurar exposição com uma seleção de arte contemporânea do México. E a eles se juntaram a artista argentina Liliana Porter e o uruguaio Marco Maggi, que mostram sua produção recente nas galerias Brito Cimino e Nara Roesler. Se somarmos a isso outras iniciativas como Contratextos – recorte de produção colombiana, até pouco tempo em cartaz no Centro Cultural São Paulo (CCSP) – e a grande antologia de arte mexicana que a Pinacoteca do Estado vai trazer a público a partir do próximo mês, é possível ver aí mais do que uma coincidência de agendas.

O mais provável é que essa movimentação seja uma combinação de diferentes aspectos: reflexo da valorização e expansão desse mercado, sobretudo nos EUA; fruto de uma política ativa de ampliação do diálogo com os países vizinhos que vai, inclusive, além do campo das artes plásticas (caso do CCSP, por exemplo); ou resultado da internacionalização da arte brasileira (ao levar a produção nacional a feiras e eventos lá fora faz com que os marchands naturalmente ampliem seus interesses para o que está sendo produzido de bom pelos latino-americanos).

Mesmo que por enquanto haja, nas exposições comerciais, uma presença forte de nomes já bastante conhecidos internacionalmente e do agrado dos colecionadores (é o caso de Liliana Porter e Marco Maggi, ambos, aliás, radicados em Nova York), os marchands parecem convencidos de que este é um momento oportuno para fazer com o que o mercado brasileiro descubra as qualidades e afinidades com a produção dos países vizinhos. “É o momento de avançarmos mais um estágio, rompendo de vez com um certo preconceito em relação a essa produção”, afirma Oscar Cruz, um dos proprietários da galeria Baró Cruz, que tem um grande número de latinos entre os artistas que representa. Mesmo discordando de que haja resistências em relação à arte latina, Fábio Cimino concorda que o crescimento desse filão depende sobretudo do trabalho de convencimento do marchand. “Estamos abrindo o olho; faz todo sentido ter um canal de comunicação mais forte com os países que têm ótimos artistas, preços muito bons e são mais próximos culturalmente de nós”, resume Daniel Roesler.

Na Estação Pinacoteca, a mostra Era da Divergência – Arte e Cultura Visual no México, que será inaugurada dia 13 de setembro, trata-se de ser uma exposição de cunho institucional. Com obras realizadas em período que compreende os anos 1968 a 1997, a ampla mostra, com mais de uma centena de obras, é fruto de uma parceria entre a instituição brasileira e o Museu Universitário de Ciências e Arte (Muca) da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam).

O Tempo Como Tema De Criação Do Uruguaio Marco Maggi

O tempo é, segundo Marco Maggi, a questão central de seu trabalho. É exatamente a reflexão sobre a estranha relação entre as artes visuais e a dimensão temporal – e, talvez, de forma ainda mais radical, a necessidade de se contrapor à tirânica velocidade imposta pelo mundo moderno – que o levou a criar essa obra lenta, profunda e sintética à qual os paulistanos foram apresentados há seis anos, primeiro na Bienal de 2002 e logo em seguida numa das mais destacadas exposições do ano.

Levando-se em consideração o caráter sedimentar de sua obra, há na exposição na Nara Roesler, uma linha de continuidade com os trabalhos já mostrados por aqui. Há inclusive obras novas de séries já iniciadas então, como os desenhos em papel alumínio emoldurados em cartões de slide, que remetem tanto aos moderníssimos chips de computador como aos desenhos pré-colombianos. A presença incontornável da linha, do desenho ou das formas recortadas de forma automática, brotando de forma quase inconsciente, também continuam a fazer parte de seu vocabulário, mas a partir de alguns novos pressupostos e indagações.

Intrigado com o fato de as artes visuais serem a única expressão artística que não se submete a uma dimensão temporal (ouvir uma sinfonia ou ler um livro pressupõe obrigatoriamente um intervalo de tempo preciso, mesmo que variável), Maggi se contrapõe a qualquer tentativa de enquadrar o espectador em tentativas de representar visualmente a quarta dimensão ou de forçá-lo a submeter-se a imposições alheias (como ocorreria no vídeo). Sua maneira de lidar com o tempo é aberta e se reflete em todo o espaço da exposição, propondo uma desaceleração do olhar, criando possibilidades de fruição e reflexão a partir de obras que são, segundo suas próprias palavras, “quase nada”.

“O que eu pretendo é mudar o protocolo de relação com a obra”, afirma. Apresentar a série The Ted Turner Collection – From CNN to the DNA talvez ajude a compreender melhor o que o artista pretende dizer com isso. Nesses trabalhos, ele desconstrói obras significativas da arte ocidental, subvertendo a ação da mídia que finge fazer uma revelação quando, na verdade, faz uma “cobertura” (o uso ambíguo do termo é proposital), uma edição premeditada, que mais oculta do que revela. Colocadas do avesso, sutilmente recortadas com estiletes criando delicadas paisagens abstratas e submetidas a rigorosas e estruturadoras grades geométricas, as obras clássicas de autores como Warhol, Fontana e Lygia Pape tornam-se irreconhecíveis (só é possível identificá-las porque a moldura permite ver também o avesso do quadro, a imagem original um pouco mutilada pelos recortes). No entanto, continua sendo delas que provém a matéria cromática que dá sentido a esses relevos bastante minimalistas, sedutores e incompreensíveis como o DNA. Seria uma espécie de novo analfabetismo, que precisamos reconhecer como uma característica dos novos tempos para conseguir ver além.

Marco Maggi e outros artistas na Bienal da Havana em 2003

La Habana / 2003 / Recorrido / Cabaña / Artistas

Marco Maggi

Marco Maggi

* 1957 Montevideo, Uruguay

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03/03/2008 - 00:32h “Brasil, país cultural”. Visão argentina após ARCO 2008

Más de 100 artistas, 32 galerías, 20 exposiciones y fuerte apoyo de crítica y público en el desembarco brasileño; Bernardo Paz, de Minas Gerais, fue elegido mejor coleccionista y Cildo Meireles recibió el Premio Velázquez

Por Alicia de Arteaga Enviada especial adncultura*com

 
CILDO MEIRELES. El brasileño fue distinguido con el Premio Velázquez Foto: EFE

Las cosas no llegan solas. Ni son gratis. La semana última, un jurado de notables distinguió al brasileño Cildo Meireles con el Premio Velázquez. El Cervantes de las artes visuales le fue otorgado por unanimidad por su aporte al arte conceptual y su capacidad “para armonizar el compromiso político con las necesidades poéticas de la creación”.

El premio puso fin a una semana de maratónicas inauguraciones con brasileños por todas partes, integrantes muchos de ellos de la representación oficial para la 27° edición de la Feria de Arte Contemporáneo (ARCO).

Con un criterio más cercano al de una bienal que al de una feria, los artistas fueron seleccionados por los curadores Paulo Sérgio Duarte y Moacir dos Anjos, elegidos a su vez por el Ministerio de Cultura de Brasil, que pagó el envío. El segundo paso fue convocar a las galerías. Los pasillos anchos y la estética minimal recibieron en el predio ferial Juan Carlos I al arte de la diversidad, producido desde Rio Grande do Sul hasta Bahía.

Lourdes Fernández, hiperactiva directora de la feria, y Gilberto Gil -rastas hasta el hombro, traje oscuro-, se cruzaron en la sala VIP. El ministro celebró la invitación y agradeció públicamente la oportunidad de estar en ARCO. Dicen quienes lo conocen que la burocracia le crispa las rastas, pero que está dispuesto a mover todas la fichas necesarias para hacer del país tropical un país cultural.

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