11/11/2009 - 12:06h Explicações para o apagão e o tucano ridículo

Blog de Nassif

Por Henrique

Para Paraguai problema foi na CESP:

Descartan que sabotaje al sistema eléctrico nacional haya provocado el apagón

La Nacion, Py

La Administración Nacional de Electricidad (ANDE), descarta que el apagón generalizado producido anoche en nuestro país y el Brasil haya sido consecuencia de un sabotaje al sistema eléctrico. “Hasta el momento las informaciones recabadas desde el Centro Nacional de Operaciones de la Ande y del sector de Operaciones de la Itaipú Binacional, a las 21:13 hs. de ayer se registró la desconexión total de las unidades generadoras de Itaipú de 50 y 60 Hz, en principio como consecuencia de una falla en una línea de 440.000 Voltios perteneciente a la empresa brasileña CESP, que atiende la región de la ciudad de Sao Paulo”, según la ANDE.

Esta desconexión provocó en primer lugar un colapso eléctrico en el Brasil en la región sur – sudeste y centro oeste con un corte de carga en el Brasil del orden de 17.000 MW.

La generación total perdida en Itaipú fue de 10.900 MW, posteriormente y como consecuencia de lo detallado se produce un apagón general en el Paraguay, afectando a todo el país, a raíz de la desconexión de las unidades generadoras de Itaipú y de las líneas de interconexión con la central Yacyretá ocurrido 2 minutos más tarde.

La carga total interrumpida en el Paraguay fue de 1.401 MW. La recomposición total del sistema eléctrico – pese a la gravedad del hecho – en el territorio paraguayo demoro solo entre 15 y 20 minutos.

Cabe resaltar que se descarta totalmente toda posibilidad de sabotaje en el sistema, visto que el origen del colapso eléctrico que afecto a ambos países tuvo su origen en una perturbación en el sistema eléctrico brasileño.

Por Marco Aurélio

Notícia mais recente segundo a Folha on-line

O secretário executivo do Ministro de Energia, Márcio Zimmermann, afirmou nesta quarta-feira que a origem do apagão aconteceu em três linhas de transmissão nos Estados do Paraná e de São Paulo. Entre as linhas, duas ligam o município de Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e a outra fica entre Itaberá (SP) a Tijuco Preto (SP).

Segundo o secretário, as três linhas foram desligadas por conta de “condições meteorológicas diversas”. Todo o sistema já voltou e o apagão durou cerca de quatro horas, segundo os cálculos do ministério.

Por paulo frança

A BBC Brasil está publicando uma entrevista com engenheiro de Itaipu pelo lado do Paraguai, na qual ele afirma que o problema começou realmente em São Paulo, num curto-circuito. Abaixo, o trecho inicial:

Marcia Carmo

De Buenos Aires para a BBC Brasil

O Rio de Janeiro também foi afetado pelo apagão

O chefe da divisão de operações do sistema elétrico do Paraguai, na Administradora Nacional de Eletricidade (Ande, equivalente à Eletrobrás), engenheiro Luis Alberto Villordo, disse à BBC Brasil que um “curto circuito” no estado de São Paulo teria desencadeado a falta de energia no Brasil e no país vizinho.

“Houve um curto circuito numa linha de transmissão que atende a região de São Paulo. Esta falha não foi contida e foi se alastrando, contaminando outras linhas de transmissão de energia até chegar à hidrelétrica de Itaipu”, disse Villordo, por telefone, falando de Assunção.

Segundo ele, um temporal teria provocado o curto circuito arrastando o problema até Itaipu, de onde parte a energia para vários Estados brasileiros e para o Paraguai.

http://1.bp.blogspot.com/_Cnlp-CZMM8g/So6pWeR_EQI/AAAAAAAAAXY/H--l5IMQgYE/s400/AARTHUR+VIRGK%C3%8DLIO+iii.jpg
”Eles criticaram FHC, mas não resolveram”, diz líder do PSDB

Clarissa Oliveira – O Estado SP

Em Brasília, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), não tardou ontem para devolver as críticas que seu partido recebeu do PT na época da crise energética que atingiu o governo Fernando Henrique Cardoso (veja a memória dos grandes apagões e as declarações a respeito do ministro Edison Lobão, na página C3). “No passado, eles não aceitaram as explicações do governo de que havia uma causa climática para o problema. E a verdade é que, depois de todo esse tempo, eles não resolveram o que eles próprios diziam ser o problema”, afirmou ontem o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, que jantava com alguns amigos em um restaurante em Brasília quando foi avisado num telefonema sobre a falta de energia em pelo menos 12 Estados, além de parte do Distrito Federal e do Paraguai.

Ao afirmar que os blecautes são comuns em seu Estado, ele disse não aceitar as explicações iniciais do governo. “Se eu descer em Nova York no inverno vestindo uma camisa polo, vou ficar resfriado”, ironizou. Virgílio disse que não seria “leviano” de utilizar o termo “apagão”, como ficou conhecida a crise energética sob o governo tucano. Mas não economizou nas críticas ao governo petista. “O fato é que as mesmas pessoas que tanto nos criticaram agora estão sentadas em Brasília, protegidas pelo fato de não estarem sujeitas ao sistema de fornecimento de Itaipu”, continuou.

RÉPLICA

O líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), encarregou-se de devolver os ataques. Disse que não há comparação entre a crise que atingiu o governo FHC e o problema ocorrido na noite de ontem na rede. “Esta foi uma questão climática. O apagão deles foi um problema de falta de planejamento, um problema sistemático que prejudicou o Brasil por um ano”, reagiu o petista. “A oposição, mais uma vez, demonstra que não tem discurso”, completou Vaccarezza. Segundo o líder petista, o governo federal tomou imediatamente todas as providências para contornar a questão, assim que foi avisado sobre o problema na rede energética.

28/07/2009 - 12:51h A falta que faz o “Sacro Colégio”

Colunista

Raymundo Costa – VALOR

A uma semana do fim do recesso, a crise do Senado continua tão ou mais grave do que antes. E o que é pior: não há ninguém à mão com autoridade política para negociar uma saída institucional satisfatória. Para o Senado e para a opinião pública. Enfraquecido, o atual Congresso está sob suspeição para tratar de assuntos que vão afetar as próximas gerações de brasileiros. A regulamentação da exploração das reservas do pré-sal, para citar apenas um exemplo.

A crise do Senado já seria ruim em si mesma, se não houvesse suspeita pior: a de que ela também está sendo manipulada por setores do Executivo e do PT para minar a candidatura da ministra Dilma Roussseff (Casa Civil) a presidente da República. Independente do mérito das denúncias contra o senador José Sarney, é fato que misturaram-se a crise do Senado e a sucessão presidencial de 2010.

É essa urdidura que explica que no Senado oposição – na guerra para reconquistar o poder perdido em 2002 – e governistas, esquerda e direita históricos, estejam taticamente do mesmo lado. Não é à toa que a oposição cobra a demissão de Tarso Genro, pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, do ministério que manda na Polícia Federal (Justiça).

As acusações contra Sarney ocorrem na sequência do escândalo em que envolveu o presidente anterior, Renan Calheiros, enredado numa trama de best-seller com sexo e dinheiro, política e poder. Renan, por seu turno, entrou em cartaz depois dos “Aloprados”, pastelão que nem de perto alcançou o sucesso e a bilheteria do “Mensalão”.

Estar no Congresso hoje virou demérito. Veja-se a frase do senador Tasso Jereissati à revista Época, edição que está nas bancas: “Às vezes, eu sinto vergonha de ser senador”. O senador José Sarney sem dúvida “se apequenou”, como afirma Tasso à revista. Era ele quem sempre mencionava o “Sacro Colégio de Cardeais”, um grupo de parlamentares de vários partidos que, por sua experiência e responsabilidade, como contou em livro o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, teria uma visão institucional – na hora das crises, era a eles que se devia apelar. O “Sacro Colégio” não há mais.

Era gente como Paulo Brossard, Roberto Campos, Tancredo Neves, Jarbas Passarinho, Delfim Netto (quando o tremor de terra era na economia), o próprio Sarney e – indo um pouco mais atrás – Afonso Arinos, para citar apenas alguns nomes.

No Congresso todo podia-se contar uns 50 parlamentares com essa visão institucional acima dos partidos e sectarismos políticos. Sem saudosismos: o radicalismo, o jogo da sobrevivência eleitoral e o patrimonialismo são hoje a regra e contaminam as relações do atual Congresso.

O dr. Ulysses, como era chamado o deputado Ulysses Guimarães, presidente do ex-MDB e do PMDB, um dos cardeais mais influentes do “Sacro Colégio” na ditadura e na redemocratização, costumava dizer que uma Legislatura era sempre melhor que a anterior e pior que a próxima (ele falava ‘Congresso’). Muito bom como frase de efeito, provavelmente um exagero, mas desconcertantemente atual, quando se vê o Senado emparedado com as denúncias contra Sarney.

Os cardeais que pontificam a atual crise parecem mais preocupados com os holofotes da TV Senado, quando não estão eles próprios devendo explicação a seus eleitores sobre a extensão do envolvimento de cada um na crise.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-candidato a presidente da República, nome acima de suspeitas e educador respeitado, já conseguiu armar uma confusão que levou a uma discussão sobre o fechamento do Senado – tese, aliás, da corrente no PT do ministro que chefia a PF. Mas Cristovam Buarque também estava na lista dos favores de Agaciel Maia, o ex-todo-poderoso diretor do Senado.

O mesmo aconteceu com Artur Virgílio (AM), o líder do PSDB e o “ético” Pedro Simon (RS). Jereissati, que fez um governo premiado no Ceará, anda, também jogado na roda de moer da crise, anda enfurecido, quando poderia ser uma voz de equilíbrio.

O líder do Democratas (DEM), José Agripino, ficou repetitivo. E Eduardo Suplicy (PT-SP)? Tem razão Lula, o grande sustentáculo do presidente José Sarney: como é que ele ficou mais de 18 anos no Senado – está no 3º mandado – e não viu nada?

O comportamento errático da bancada do PT no Senado confunde mais do que explica a situação dos partidos na crise. Tendo o senador Aloizio Mercadante (SP) à frente, petistas querem o afastamento de Sarney do cargo. Nisso, estão juntinhos com o Democratas e PSDB, seus adversários na disputa de 2010. O DEM votou declaradamente em Sarney para presidente do Senado; o PSDB, contra. Assim como o PT.

Nem todos os senadores do PT defendem essa posição. Mas, pelo menos até agora, todos foram obrigados a engolir o apoio irrestrito que o presidente Lula deu a José Sarney, aliado de primeira hora de seu governo.

O apoio de Lula a Sarney é registrado nos partidos como resultado de um acordo para o apoio formal do PMDB a Dilma Rousseff nas eleições de 2010. Daí a ofensiva da oposição contra o presidente do Senado, na esperança de dividir os pemedebistas e eles fiquem sem candidato na sucessão presidencial do próximo ano.

Os ataques do PT a Sarney têm o mesmo efeito: enfraquecem a ala mais dilmista do partido (a bancada dos senadores) e também contribuem para que os pemedebistas cheguem rachados à eleição.

Sem porta de emergência, os senadores assistem passivos o esgarçamento das instituições: o Executivo é um poder de um escaninho só, apenas Lula fala; o Congresso está de joelhos, com o presidente do Senado pendurado na corda bamba do que Lula diz, e o Judiciário, quando extrapola sua função para além de interpretar a Constituição.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br

03/07/2009 - 14:11h Arthur Virgílio sem emprego em Dubai

Maria Cristina Fernandes – VALOR

Numa apoteótica semana para o circo do Senado Federal, a informação de que o Brasil pouco avançou no combate à corrupção passou como um apêndice no noticiário. Com a farta colheita da indústria de vazamentos em Brasília, de um lado, e o relatório do Banco Mundial, do outro, a conclusão decorrente seria de que o organismo internacional apenas constatou empiricamente a pasmaceira da política nacional.

Mas se o picadeiro de Brasília tem alguma serventia é precisamente a de mostrar que o selo de país mediano na corrupção internacional que o Bird, ano após ano, confere ao Brasil é tão confiável quanto uma rubrica de Agaciel Maia num ato secreto.

A lista do banco não resiste à mais leiga das lupas. Tome-se, por exemplo, os Emirados Árabes Unidos, país situado em 18º lugar entre os que melhor controlam a corrupção, 24 posições à frente do Brasil. A classificação não se baseia em ações de governo, mas em percepções.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) certamente não faria sucesso em Dubai. Não pela ausência de benesses ilícitas de denunciantes e denunciados. O que falta é denúncia.

O governo dos emires mescla poder hereditário e conselho consultivo de representantes escolhidos por um colégio eleitoral ampliado. A população convive com liberdades limitadas em troca de uma das maiores rendas per capita do mundo.

Não faz sentido algum comparar a percepção da corrupção num lugar desses com aquela advinda de um país que transmite as entranhas do Senado ao vivo.

Esse tipo de relatório ganha foro de publicação respeitável a despeito de seus critérios já terem sido exaustivamente desnudados. As críticas vão além da questionável metodologia de indicadores baseados nos interesses de grandes corporações e organizações não-governamentais com atuação nesses países.

Em abril o “Wall Street Journal” divulgou a conclusão dos trabalhos de um grupo de avaliação interno do banco que, em 690 páginas, enxovalhou seus próprios critérios para detecção de fraudes na concessão de empréstimos.

O relatório tem um trecho revelador: “Os tradicionais sistemas de controle do banco não foram projetados para resolver questões como fraude e corrupção. Eles foram criados para garantir a eficiência e integridade financeira do banco ao menor custo possível”.

Ou seja, a mesma instituição que se arvora na condição de classificar entre mais e menos corruptos 212 países do mundo inteiro não consegue ter governança sobre seus próprios empréstimos.

O cientista político americano Aaron Schneider já havia apontado as falhas das políticas de combate à corrupção do Bird nos países em desenvolvimento. Sua crítica se fundamenta no foco do banco sobre o que chama de “pequena corrupção” – privilégios do funcionalismo, suborno e propina – que ocupam, em grande parte, o jornalismo político nacional.

Não que a versão em miniatura da corrupção seja desimportante. Consome recursos públicos e prejudica a grande maioria que não pode se utilizar dessas benesses ilícitas do Estado.

O ponto é que se ignora a “grande corrupção”, aquela em que o Estado atua em favor de um setor particular da economia ou, com informações privilegiadas, baliza grandes fortunas no mercado financeiro.

Não é uma opção técnica a do combate à propina comezinha da burocracia. Ao fazê-lo, toma-se uma decisão política de não confrontar instâncias de poder cujas deliberações, em última instância, podem prejudicar os próprios interesses de instituições como o Banco Mundial. São esses interesses, como lembrou o relatório interno, que, em última instância, busca-se preservar.

Se o público pagante chegou a imaginar que as intrigas políticas são uma exclusividade do salão azul do Senado, Schneider traz algum conforto. Em artigo na coletânea “A corrupção: ensaios e críticas” (UFMG, 2008) conta que a indústria de relatórios internos no Banco Mundial foi fomentada em meio ao mal-estar produzido pela renúncia de um ex-presidente da instituição que favorecera funcionária com quem namorava.

O vazamento desses relatórios internos desvendou as contradições de uma instituição que tende a ignorar a corrupção em países que cresceram rapidamente graças à adoção de políticas preconizadas pelos credores, como abertura comercial, liberalização de mercados e achatamento de salários do funcionalismo.

Custa a crer que, depois da crise, cantada em verso e em prosa pela capacidade de abalar as diretrizes da ordem financeira global, esses anuários de corrupção mundial sigam ignorando seus próprios descaminhos.

E enquanto Ministério Público, Polícia Federal, Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas e Congresso Nacional – qual outra instituição tem sido capaz de sobreviver à reiterada exposição pública de suas entranhas? – continuarem funcionando à luz de uma imprensa que publica o que quer, a resposta a esse tipo de classificação é simples: “A corrupção no Brasil vai bem, obrigada”.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

03/07/2009 - 13:27h Que beleza de loteamento!

http://www.prosaepolitica.com.br/userfiles/image/04%2004%2009/Arthur%20virg%C3%ADlio%20e%20diretor%20do%20senado.jpg

Segundo Arthur Virgílo, líder do PSDB, é José Sarney que não teria condições morais de presidir o Senado. Leiam a seguir uma notinha do jornal O Globo de hoje:

“Que beleza! A pós-graduação que Carlos Alberto Nina Neto, lotado no gabinete do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), fazia na Espanha, recebendo salário do Senado, era em cinema na praia de Ibiza”

Coluna Panorama Político – página 2 jornal O GLOBO

29/06/2009 - 10:59h Os fantasmas que rondam Arthur Virgílio

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f7/Arthur_Virgilio.jpeg

Empréstimos de Agaciel a senadores ampliam crise

Gabinete de Arthur Virgílio confirma que pediu dinheiro ao ex-diretor-geral da Casa

Tucano tem sido o principal crítico de Agaciel e Sarney; bancadas de PSDB e DEM vão decidir se pedem o afastamento do presidente

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – Folha SP

Ameaças do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia de revelar empréstimos concedidos a senadores e definições de aliados sobre o apoio ao presidente José Sarney (PMDB-AP) vão contaminar ainda mais a crise na Casa numa semana que será decisiva para os dois.
Principal crítico de ambos desde o início da crise, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), terá de explicar um empréstimo que recebeu de Agaciel. As bancadas tucana e do DEM vão decidir amanhã se pedem o afastamento de Sarney do cargo.
Subchefe do gabinete de Virgílio, Carlos Homero Vieira Nina confirmou ontem que pediu dinheiro a Agaciel para ajudar o líder tucano a pagar uma conta de hotel em Paris, em 2003, conforme revelou a revista “IstoÉ” deste final de semana.
“O Arthur estava com um problema no cartão de crédito. Era fim de semana, então eu procurei o Agaciel, que é, ou era, um grande amigo meu”, disse Nina à Folha. “Podem ter sido uns R$ 10 mil, mas não eram US$ 10 mil [como informou a revista]“, completou.
De acordo com a revista, o dinheiro não foi pago. O assessor do líder tucano nega. “Eu fiz uma vaquinha e paguei na mesma semana”, disse. Vieira Nina não soube precisar se avisou o senador que o dinheiro depositado na conta dele era de Agaciel. “Não lembro, mas imagino que eu tenha dito sim.”
Vieira Nina também admitiu que três filhos seus foram funcionários do gabinete do tucano. Virgílio afirmou que irá representar contra si próprio no Conselho de Ética.
A Folha apurou que outros senadores também já tomaram empréstimos de Agaciel. Apesar de dizer publicamente que não ameaça e não chantageia ninguém, o ex-diretor tem enviado recados por interlocutores que poderá começar a revelar outros casos parecidos com o do líder do PSDB.
Ao discursar em favor de Tião Viana (PT-AC), que perdeu a eleição para a presidência do Senado para Sarney em fevereiro, Virgílio defendeu a saída de Agaciel da Direção Geral, posto que exercia desde 1995, quando foi nomeado por Sarney. O tucano citou na ocasião que uma secretária de Agaciel tinha um automóvel BMW.
Em março, Agaciel foi demitido, após a Folha revelar que ele escondeu da Justiça uma mansão avaliada em R$ 5 milhões. Foi revelado também que, a pedido do então diretor-geral, o Senado gastou R$ 6,2 milhões para pagar horas extras no recesso parlamentar. Agaciel e seu grupo passaram a creditar aos tucanos e a Tião Viana a origem das denúncias.
Em seguida, o petista teve que explicar por que emprestou um telefone celular do Senado para a filha viajar para o México. A conta custou R$ 14 mil. Em abril, quando foi revelado que Tasso Jereissati (PSDB-CE) usou sua cota de passagem aérea para fretar jatinhos particulares, o tucano culpou diretamente Agaciel.

Processo administrativo

Na quarta-feira, deverá ser confirmada a abertura de um processo administrativo contra o ex-diretor-geral, o que poderá resultar na sua demissão. Agaciel é o principal acusado de produzir atos secretos na Casa. A comissão de sindicância que apura o caso deverá entregar o seu relatório final. O Ministério Público Federal também abriu um inquérito relativo ao tema.
Amigo de Agaciel e padrinho de casamento de sua filha, Sarney também enfrentará dias de tensão. O DEM e o PSDB decidem amanhã suas posições em relação à situação de Sarney.
As duas bancadas questionam o fato de um neto de Sarney ser dono de uma corretora que atuou no mercado de crédito consignado do Senado. Para o DEM, o caso é parecido com o do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, cujos filhos eram donos ocultos de uma corretora que também operava no Senado.
“Não podemos ter dois pesos e duas medidas”, disse o líder do DEM José Agripino.

23/06/2009 - 18:50h Porque agora?

Reproduzo a seguir uma analise do jornalista Carlos Brickman sobre a crise no Senado. Cortei a nota na pergunta que ele faz, para convidar os leitores a formular as suas. Nos comentários o resto da nota de Brickman com a suposição dele.

“Não é difícil entender o que acontece no Senado: lá existe uma burocracia que se especializou em buscar benefícios para seus integrantes, de salários e vantagens ao prolongamento indefinido de sua permanência nos cargos. E, para que sua atividade não encontrasse obstáculos, mostrou sua boa vontade também aos nobres parlamentares. Foi de dinheiro a bens e serviços, de artifícios como os atos secretos para ocultar as irregularidades até nomeações à vontade, com bons salários. E, naturalmente, passagens aéreas para qualquer destino, bastando pedir.

Todos são culpados – dos burocratas que agiram à margem da lei aos senadores que, ocupando cargos de chefia, não fiscalizaram seu trabalho, passando pelos parlamentares que nunca estranharam os benefícios que recebiam com dinheiro público. E que ninguém diga que “não sabia de nada”: todos sabem que ter funcionários fantasmas é ilegal. Como alegar ignorância diante de uma funcionária que, recebendo do Senado, mora em outro país com a família?

A propósito, estamos todos escandalizados com o que ocorre no Senado. Mas existem no Brasil a Câmara dos Deputados, 27 Assembléias Legislativas, 5.563 Câmaras de Vereadores. Cada um tem sua burocracia – e seria espantoso se, em nenhuma dessas casas, os burocratas não tenham tido a mesma idéia de seus colegas do Senado. Existem também agências governamentais e empresas estatais da União, Estados e Municípios. O príncipe prussiano Otto von Bismarck costumava dizer que leis são como salsichas. É melhor não saber como são feitas.

O dono da bola

Agaciel Maia, nomeado para o comando da burocracia do Senado por José Sarney, exerceu o cargo por 15 anos. Começou a cair quando se divulgou que tinha uma casa, não-declarada à Receita, no valor de R$ 5 milhões. Ganhava por mês cerca de R$ 31 mil – quando o limite legal dos salários pagos pela União é o dos ministros do Supremo, R$ 24.500. Outros 350 funcionários da burocracia do Senado ganham mais que ministros do Supremo. É um horror – e daí?

A bola do dono

O orçamento do Senado, de R$ 2,7 bilhões, é maior que o de 21 capitais. Só São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre gastam mais que isso. Com este dinheiro, o Senado atende 81 senadores e 6.500 funcionários. Em dez anos, o orçamento pulou de R$ 882 milhões para os atuais 2,7 bilhões. Um pequeno passo para eles, um grande custo para o Brasil: o gasto triplicou.

Os inocentes

1 – Quem prefacia o livro “Tempo de Transformação”, de Agaciel Maia? O atual ministro da Defesa, e ex-ministro do Supremo, Nelson Jobim.

2 – É curioso, mas a imprensa de Brasília demorou a notar a casa de R$ 5 milhões de Agaciel. Todo mundo sabia onde ele morava, mas os jornalistas não.

3 – A história dos atos secretos que encobriam fartas nomeações, que agora provocou tanto escândalo, tinha sido publicada na Veja de 14 de maio de 1986. Portanto, não foi Agaciel Maia que inventou esse truque. Ele vem de longe!

A grande dúvida

Se todas essas coisas existiam há tempos, se ninguém fazia força para encobri-las, por que só agora provocaram escândalo? (…)

23/06/2009 - 11:39h Mônica Bergamo disse que o senador Arthur Virgílio (PSDB) lotou no seu gabinete e pagava com dinheiro público seu professor de jiu-jítsu, que morava em Manaus? ou eu entendi errado?

http://parlatube.com.br/seyretfiles/localvideos/Amazonas__AM/Senado/_thumbs/20090514-SEN-ARTHUR-VIRGILIO-AM.jpg

Mônica Bergamo

bergamo@folhasp.com.br

PANELA DE PRESSÃO
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) diz ter recebido vários “recados” de pessoas ligadas ao ex-diretor do Senado Agaciel Maia que o levaram a concluir que estava sendo pressionado para se “acoelhar” [tornar dócil] em relação a abusos no parlamento. Um deles dizia respeito a Oswaldo Alves, treinador de jiu-jítsu que foi seu professor e estava lotado em seu gabinete, mas morava em Manaus. “Quiseram dizer que ele era meu personal. Mas ele era a minha referência na juventude do Amazonas. Lá, o jiu-jítsu é mais popular que futebol.” O funcionário pediu demissão do gabinete