17/11/2008 - 18:16h Arte em transição

Por dois anos, a curadora Tereza de Arruda veio trabalhando no projeto de China: Construção/Desconstrução, mostra de arte contemporânea chinesa encomendada pelo Masp e que será inaugurada amanhã para convidados e na quarta para o público. Em São Paulo, a produção contemporânea da China foi apresentada nos últimos tempos de forma pingada, entre uma exposição e outra, entre uma Bienal e outra – e infelizmente China Hoje, com ampla seleção de obras da coleção do suíço Uli Sigg, foi exibida no ano passado apenas no Rio. Agora, China: Construção/Desconstrução, no primeiro andar do Masp, é uma mostra mais condensada, mas não por isso deixa de ser representativa. Traz cerca de 45 obras – grande parte pinturas – de 16 artistas – 5 deles representados apenas por vídeos. “É uma vertente marcada por um contexto de fragmentação, de transição”, diz a curadora.
Falar de transição significa dizer que as obras refletem uma produção de artistas da 2ª e 3ª gerações de abertura da China para o mundo capitalista ocidental. O mote da construção/desconstrução não aparece apenas literalmente, como na instalação de Ma Jiawei ou nas fotos de Wang Qingsong (o durante e o depois de um banquete da ONU) e nas de Ai Weiwei (sobre a edificação do estádio Ninho de Pássaro para as Olimpíadas de Pequim) -, mas abarca também a idéia de criação de uma poética marcada por “quebras de preceitos e tradições”, segundo a curadora. Por isso, o milenar símbolo do dragão recriado nas telas de Yin Zhaoyang ganha outra dinâmica para se tornar emblemático dessa transição, assim como o movimento que Chen Bo promoveu em sua obra: primeiramente, o artista tinha como personagens de suas pinturas, de forte carga gestual, os trabalhadores rurais, “os heróis trabalhadores”, para passar pelos mitos do pop ocidental até chegar ao que vemos agora: seus protagonistas são pessoas comuns.
Se já é um fato que o mercado vem baixando seu interesse pela produção contemporânea chinesa, para voltar seus olhares ávidos para obras de criadores da Índia e América Latina, é ao mesmo tempo inegável que a China ainda tem o seu apelo pela força da situação atual. Tereza de Arruda acredita que somente agora, por causa dessa espécie de rebaixamento pós-boom, os criadores chineses vêm alçando outros vôos na produção. Uma característica é certa: a maioria dos trabalhos apresentados são, curiosamente, dípticos e trípticos – o que reforça ainda a idéia de quebra. Além disso, o forte dessa arte é ainda a pintura – de grandes dimensões e figurativa. “Eles estão começando a fazer arte abstrata e arte conceitual”, diz a curadora, citando o trabalho A Loja de Liu Ding, que trata de um conceito: a autoria. Sua instalação é formada por telas feitas por artesãos, mas assinadas por Ding. Exemplares delas serão vendidas na loja do Masp.
Serviço
China: Construção/Desconstrução. Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 11 h/18 h (5.ª até 20 h; fecha 2.ª). R$ 15 (3.ª, grátis). Até 15/2. Abertura amanhã, para convidados

Quando o adeus às ilusões leva à criação
Em suas fotos, Wang Qingsong critica a rápida ocidentalização de seu país


Cláudia Trevisan, PEQUIM – O Estado SP
De operário modelo de poços de petróleo nos anos 80 a artista plástico consagrado internacionalmente, Wang Qingsong é um dos melhores exemplos do diálogo entre história e arte que marca grande parte da produção contemporânea da China, da qual os brasileiros poderão ter uma mostra a partir de amanhã no Museu de Arte de São Paulo (Masp).
China: Construção/Reconstrução reúne obras de 16 artistas, imersos no desafio de interpretar uma realidade que muda de maneira vertiginosa desde o fim dos anos 70, quando a China abandonou décadas de isolamento e embarcou em um rápido processo de abertura e reforma econômica.
Todos os participantes da exposição têm mais de 30 anos e a maioria nasceu em uma China que vivia imersa no culto a Mao Tsé-tung. O consumo atendia apenas a necessidades básicas, o guarda-roupa de todos apresentava poucas variações e a atividade econômica era totalmente controlada pelo Estado.
Hoje, os ricos consomem Louis Vuitton e BMW e lojas do McDonald?s e KFC estão espalhadas por todo o país. Apesar do inegável sucesso econômico da receita chinesa, muitos dos artistas experimentam um sentimento de desilusão e desconforto diante de um mundo no qual não há espaço para sonhos voluntaristas.
“Na minha infância, eu queria ser soldado, porque a China enfrentava invasões estrangeiras. Quando comecei a trabalhar, eu queria ser cientista, para fazer algo importante para o país”, lembra Wang Qingsong, que vai expor duas obras no Masp. O artista nasceu em 1967, no início da Revolução Cultural (1966-1976), que foi marcada pela promoção da arte engajada e por inúmeras campanhas ideológicas promovidas por Mao Tsé-tung. “No início dos anos 80, todo mundo era idealista e queria contribuir para o país.”

O adeus às ilusões levou Wang Qingsong para o mundo artístico e hoje ele retrata os conflitos e contradições da sociedade chinesa em representações teatrais registradas em fotografias. De maneira geral, os trabalhos são marcados pela crítica ao consumismo e à rápida ocidentalização do país.
A Esperança Gloriosa é um de seus trabalhos que serão apresentados em São Paulo. A imagem mostra um cenário desolado, no centro do qual um pequeno grupo de despossuídos contempla o sol nascente à frente dos anéis olímpicos escavados em um charco no chão.
Além de fotos, a exposição terá pinturas, instalações e performances. Li Guo Sheng, dono da galeria Chinablue, que organizou a mostra, afirma que ela terá a participação de artistas consagrados internacionalmente, de outros que começam a se projetar fora da China e de jovens ainda desconhecidos.
Além de Wang Qingsong, outras estrelas serão Ai Wei Wei, He Yunchang, Yin Zhaoyang, Zhou Wenzhong e Zhou Xiaohu. Segundo Li Guo Sheng, o objetivo é apresentar a China como um país em desenvolvimento, imerso em rápida transformação e no qual a arte também vem sendo construída.
O pintor Zhou Wenzhong, de 34 abos, terá cinco obras em exibição e estará em São Paulo nesta semana junto com outros dois artistas que também participam da mostra, Chen Bo, de 35 anos, e Xiong Yu, de 33.
Como Wang Qingsong, Zhou Wenzhong reflete em sua arte: “Na escola eu tinha altos ideais, mas minhas aspirações e sonhos se confrontaram com a realidade. A arte é uma maneira de escapar do sentimento de frustração.”
Escultura de Ai Wei Wei




















Pero como la ironía atraviesa con la facilidad de un cutter los despiadados días de la posmodernidad, azorados asistimos cómo al borde de un anunciado debacle, los predicadores globales del liberalismo a ultranza, encabezados el mismísimo George W. Bush, que se agotaron propinando lecciones de libre mercado al mundo y alrededores, hoy claman a grito pelado por una intervención estatal para regular los mercados diseñada, vaya casualidad, por los máximos pedagogos de las burbujas libérrimas.















![Os Gemeos - Radial Leste / Rua Jaceguai by [fran], on Flickr](http://farm1.static.flickr.com/44/133897863_d2e48ee3c9.jpg?v=0)
























