29/10/2009 - 10:56h Falta de asfalto para obras é “bom problema”, diz Lula

http://www.elpais.com/recorte/20071126elpepiint_2/LCO340/Ies/presidente_brasileno_Luiz_Inazio_Lula_da_Silva.jpgPara ele, oferta de material não atendeu à demanda porque país “ficou 25 anos sem crescer”

“Tenho que de certa forma ficar feliz porque, quando vejo que falta asfalto, é porque (…) existe demanda maior do que a oferta”, disse


ITALO NOGUEIRA DA SUCURSAL DO RIO – FOLHA SP

A falta de asfalto que prejudica o andamento de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é um “bom problema”, afirmou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, a oferta do material não atendeu ao crescimento da demanda “porque o Brasil ficou 25 anos sem crescer”.
“Na medida em que o Brasil começou a crescer de forma muito forte, a gente começa a sentir falta. Isso é um problema, mas é o chamado bom problema”, afirmou o presidente.
A Folha revelou anteontem que a crise de abastecimento de asfalto provocou atraso em obras de rodovias federais no Nordeste, sendo duas incluídas no PAC.
A única produtora de asfalto do país é a Petrobras. A estatal culpou distribuidoras pela falta do produto na região. Lula afirmou que não procura “culpados” pelo problema.
“Em vez de ficar procurando culpados, tenho que de certa forma ficar feliz porque, quando vejo que falta asfalto, é porque (…) existe uma demanda maior do que a oferta.”
Ele disse ter ouvido queixas sobre a falta de outras matérias-primas, como cimento, tijolo e telha, e de profissionais, como engenheiros e azulejistas.
“Essa demanda forte que está acontecendo vai exigir que o Brasil dê um salto de qualidade na produção das coisas necessárias para construir estradas, ferrovias, viadutos e casas.”
Lula afirmou, em entrevista coletiva, que o país deve fechar o ano com um saldo de 1,1 milhão de empregos formais criados. Ele não disse se o governo vai manter a redução no IPI para eletrodomésticos.
“Se a economia crescer como nós prevemos no ano que vem, teremos mais facilidade para discutir se mantém ou não IPI.” O presidente afirmou que a decisão caberá ao ministro Guido Mantega (Fazenda).
O presidente disse ainda que o Banco Central vai “comprar tantos [dólares] quanto os dólares que aparecerem no mercado”, a fim de controlar a queda da cotação da moeda.
Ele afirmou que o governo ainda não encontrou um valor ideal para a divisa. “O dólar fraco ou forte demais não presta.”

04/10/2009 - 13:45h O recapeamento de Kassab: o buraco é mais embaixo

A metade das ruas da lista da própria prefeitura, estão sem recapeamento

buraco

William Cardoso do Agora

Buracos, remendos e muita reclamação por toda a cidade são as provas de que a Prefeitura de São Paulo não cumpriu o cronograma de recapeamento de vias proposto em 2008.

A reportagem visitou nas últimas três semanas 60 das 240 ruas que constavam na lista divulgada no site da prefeitura em abril do ano passado e constatou que só 40% delas receberam novo pavimento. O prazo para o recapeamento era até o final daquele ano.

A zona leste foi a que apresentou pior situação. Das vias visitadas aleatoriamente pela reportagem –foram 22–, apenas 23% delas apresentava asfalto renovado. Entre as asfaltadas recentemente, o desgaste já se mostrava em falhas e rachaduras.

Um dos exemplos é a rua Damásio Pinto, em Itaquera. Recapeada há menos de um ano, tem fissuras nas proximidades do Hospital Ermelino Matarazzo. “Já está tudo trincado. Parece um quebra-galho”, diz o aposentado Florindo Pereira Prado, 67 anos.

Na zona sul, o índice de recapeamento foi de 42%). O pavimento renovado em avenidas da Subprefeitura do Jabaquara (Santa Catarina e Alba), contrasta com os buracos nas pistas das estradas de Guarapiranga e Itapecerica da Serra (M’Boi Mirim e Campo Limpo, respectivamente).

O motorista Paulo Henrique Serafim, 24 anos, costuma passar de moto pela estrada de Itapecerica e afirma que precisa desviar dos buracos. “Eu já quase caí”, afirmou.

A zona oeste, especialmente as regiões do Itaim Bibi e dos Jardins, contou com amplo recapeamento de ruas e avenidas (66% das prometidas).

Os bairros da zona norte tiveram 43% das vias apontadas pelo cronograma, e visitadas pela reportagem, recapeadas. Porém, foi a região da cidade onde as não-recapeadas chamaram mais a atenção, tamanha a quantidade de buracos. Em alguns pontos, como na avenida Raimundo Pereira de Magalhães, a água brota do asfalto.

Na rua João Cordeiro, retalhos, buracos e remendos se estendem ao longo de duas ladeiras que formam a via.

05/09/2009 - 10:36h Cidade Suja

28/08/2009 - 11:15h Crescem os buracos de Kassab

Recapeamento de vias está parado

Neste ano, Prefeitura recuperou apenas 0,1% da malha viária; secretário diz que espera definição no Orçamento

Felipe Oda, O Estado SP e JORNAL DA TARDE


O programa de recapeamento da malha viária de São Paulo ainda não começou em 2009. Nos primeiros sete meses deste ano, a Prefeitura recapeou apenas 14,05 km, equivalente a 0,1% dos 15 mil km de vias da capital e menos do que os 24 km de extensão da Marginal do Tietê. Entre 2005 e 2008 foram recapeados, em média, 222 km ao ano, segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que um dos efeitos da falta de recapeamento é o surgimento dos buracos nas vias, comprometendo a segurança de motoristas e pedestres. A secretaria estima que a cidade ganha cerca de mil buracos por dia.

Ainda segundo informações da pasta, quando mantida a média de 222 km recapeados por ano, aproximadamente 65 mil buracos deixam de surgir nas vias da cidade no mesmo período, o que representa economia de R$ 4,6 milhões com o serviço de tapa-buracos. “Temos uma malha viária desgastada. Tapar buracos é uma ação emergencial e não resolve o problema viário. Não há preocupação da Prefeitura com a durabilidade e qualidade do serviço”, diz o engenheiro e especialista em pavimentação João Virgilio Merighi, presidente da Associação Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Ao contrário do programa de recapeamento, o programa de tapa-buracos ganhou força em 2009. Entre janeiro e julho deste ano, 411 mil buracos foram tapados, número que supera a média de 52 mil buracos tapados por mês entre 2005 e 2008. “Esse é um serviço cotidiano, feito para garantir a segurança e evitar o deterioração do asfalto do entorno. Tem de tapar buraco todo dia, como manutenção de rotina”, diz José Tadeu Balbo, professor da Escola Politécnica da USP.

O secretário Andrea Matarazzo afirma que o início das obras de recapeamento depende de quanto do Orçamento de 2009 será destinado ao serviço. “Devemos nos planejar de acordo com a perspectiva de arrecadação. Temos de fazer, mas quando tivermos dinheiro”, diz.

Em fevereiro, o secretário afirmou que o programa havia sido congelado por causa da “crise financeira, que causou o contingenciamento de parte do Orçamento no início deste ano”. Ontem, Matarazzo não soube informar os recursos que serão destinados à recuperação da malha viária: “Ainda não tenho uma expectativa de quanto será empregado.” A pasta prevê que o serviço recomece em outubro.

De janeiro a julho deste ano, a Prefeitura reduziu em quase um quarto o gasto com a conservação de vias em relação a 2008. Somadas as verbas das subprefeituras e da secretaria, foram R$ 14,7 milhões a menos. Das 31 regionais, 14 fecharam a torneira. A pasta não forneceu a verba gasta neste ano e em 2008 com recapeamento.

COLABOROU VITOR SORANO