19/03/2012 - 08:37h Ataque antisemita: Homem mata quatro pessoas em frente a escola judaica na França


Três crianças estão entre os mortos; atirador pode ser o mesmo autor de outros ataques

O GLOBO E AGENCIAS INTERNACIONAIS

 Policiais isolam a área onde homem abriu fogo em escola em Toulouse Foto: AFP
Policiais isolam a área onde homem abriu fogo em escola em Toulouse AFP

TOULOUSE – Um homem em uma scooter abriu fogo em frente a uma escola judaica em Toulouse, no sudoeste da França, nesta segunda-feira, matando pelo menos três crianças e um adulto, informou uma fonte policial. Um adolescente de 17 anos também estaria gravemente ferido.

O adulto morto seria um rabino que dá aulas no colégio, que morreu junto com seus filhos de três e seis anos. A quarta vítima seria a filha do diretor da escola, com idade entre oito e dez anos, disse à TV israelense Rahamin Sabag, rabino que trabalha no local.

O ataque aconteceu quando os alunos estavam chegando para as aulas da escola Hatorah Ozar, pouco depois das 8h. Os tiros foram disparados contra um grupo de pais e alunos. Dois tipos de cápsulas foram encontrados no local.

No domingo passado, um militar francês foi assassinado a tiros em uma rua de Toulouse. Ele não estava com o uniforme e pilotava uma moto também sem identificação militar. Na quinta-feira, mais dois militares morreram e outro ficou gravemente ferido em Montauban, cidade vizinha a Toulouse. Nos dois casos, o autor dos disparos fugiu em uma scooter e usou armas do mesmo calibre das encontradas na escola.

— Apesar de ser muito cedo para dizer se eram ou não as mesmas armas, há semelhanças — afirmou Pierre-Henry Brandet, porta-voz do Ministério do Interior, citando o uso da motocicleta e o local dos ataques.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, viajou para Toulouse com o presidente do Conselho de Representantes Judeus da França. Sarkozy classificou o ataque de “drama abominável” e “tragédia assustadora”. O ministro do Interior da França, Claude Gueant, interrompeu uma visita no nordeste da França e também viajou para a cidade. Israel se disse “horrorizado” pela notícia. A imprensa francesa informou que a segurança foi reforçada em todas as escolas judias do país.

A França tem uma das maiores comunidades judaicas da Europa e registrou 389 casos de antissemitismo em 2011, de acordo com o Conselho de Representantes Judeus do país.

03/08/2010 - 07:14h SP admite ação do crime organizado


Serra defende política de segurança do estado; Dilma elogia a do Rio

Tatiana Farah – O GLOBO

SÃO PAULO. O governo paulista admitiu ontem que os ataques contra a tropa de elite do estado, a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), podem ter sido cometidos pelo crime organizado.

O governador Alberto Goldman (PSDB), que no domingo descartara uma ação coordenada da facção criminosa que atua de dentro dos presídios, mudou de tom ontem e afirmou que “todos (os criminosos) fazem parte de uma organização criminosa”. Mas disse que os ataques não preocupam tanto quanto em 2006, quando dezenas de policiais foram mortos em diversos atentados.

— Nada que nos preocupe no mesmo nível de 2006. Hoje, eles não têm absolutamente condições de chegar ao que se chegou em 2006 — disse Goldman.

O secretário de Segurança, Antonio Ferreira Pinto, disse que o crime organizado tentou matar o comandante da Rota, o tenente-coronel Paulo Telhada: — O coronel foi vítima de um atentado e só pode ser do crime organizado. O crime organizado aqui de fora — disse o secretário, afirmando que “é lógico que tem” crime organizado em São Paulo que não esteja infiltrado nos presídios: — No combate ao crime organizado, a Rota preocupa. Ela tem sido muito eficiente, o que acaba incomodando a marginalidade.

Ferreira Pinto descartou uma suposta retaliação de policiais afastados pelo comandante, e disse que, em 2006, o quadro era “completamente diferente”: — O sistema penitenciário vivia uma crise de autoridade. Hoje, a situação está sob controle.

Depois de escapar dos tiros, o comandante Telhada ainda teve de levar uma bronca dos superiores.

Ele concedeu entrevistas sem permissão, afirmando que já havia um suspeito do atentado.

Segundo a assessoria de imprensa da PM, o comandante da Rota “deveria ter sido preservado” depois do incidente.

O ex-governador José Serra, candidato a presidente, defendeu a segurança pública: — Os índices de segurança mostram a continuidade da melhora nessa área. A taxa (de homicídio) é inferior a dez, patamar semelhante ao de países mais desenvolvidos. O trabalho da Secretaria de Segurança continua sendo feito com firmeza na repressão dura contra o crime.

Respeitando os direitos individuais e humanos, sempre.

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, criticou: — Mesmo São Paulo, que tem 20 anos do mesmo governo e é o mais rico da federação, paga um dos piores pisos salariais para os policiais e tem problemas de descontrole com a segurança.

Candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff deu uma estocada em São Paulo: — Lamento profundamente que isso tenha ocorrido. Nós temos no Rio uma política que deu muito certo — não é que ela acabe com a violência, mas ela dificulta que o crime organizado utilize as cadeias como plataforma para agir —, a transferência de presos para presídios de segurança máxima.

COLABORARAM: Flávio Freire e Sergio Roxo

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Toda Mídia – FOLHA SP

NELSON DE SÁ – nelsonsa@uol.com.br

PCC, UPP etc.

Manchete de eleições da Folha.com no fim do dia, “Dilma elogia a política de segurança do Rio e sugere falhas em SP”. No alto do Terra, Aloizio Mercadante acrescentou que, eleito governador, copiaria do Rio as UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora. Também na Folha.com, “Marina diz que SP tem descontrole na segurança”, efeito da “hegemonia tucana“.
O “Brasil Urgente”, da Band, ressaltou no final que “Governador não descarta que ataque seja de facção” _com repórter questionando Alberto Goldman sobre PCC e a repercussão na campanha de Serra. A home do jornal “O Estado de S. Paulo“, que já havia dado os ataques como ação do PCC na capa de papel, fechou o dia com a submanchete “Questionado por ataques do PCC, Serra vê melhora na segurança”.

02/08/2010 - 09:27h Rota é alvo de dois ataques do crime organizado; bandido morre em ação

Quinze horas depois de atentado contra comandante, criminosos atiraram contra o quartel do batalhão. Polícia redobrou vigilância

Matar Telhada seria para a facção como erguer um troféu

Bastidor: Marcelo Godoy – O Estado de S.Paulo

As novas ações imputadas ao PCC tiveram como alvo um dos principais instrumentos do governo de combate ao crime organizado: a Rota. Ela foi responsável pela apreensão recente de quase R$ 2 milhões em dinheiro, dezenas de fuzis, metralhadoras e carabinas e de mais de uma tonelada de drogas da cúpula da facção. Seus homens se envolveram em tiroteios em que importantes membros do PCC foram mortos ou presos. O uso da Rota é uma estratégia que ganhou força em 2009. Sua fórmula passa pela busca, processamento e análise de informações do sistema prisional e das ruas realizados pela Inteligência da PM. Quando tudo está apurado, esta aciona a Rota.

A cúpula da Segurança Pública não tem dúvida de que o sucesso dessas ações está por trás da reação do PCC. A facção escolheu os alvos a dedo. O tenente-coronel Paulo Telhada não é um policial comum. Além de chefiar a mais famosa unidade da PM, ele é desses oficiais carismáticos que gostam de comandar da linha de frente – não faz muito tempo, matou com um tiro um ladrão que roubava um hotel nos Jardins. Assassiná-lo permitiria à facção erguer um troféu. Já o ataque ao quartel da Rota, para o governo, foi uma ação de propaganda da facção. Os disparos contra o prédio não causaram danos relevantes. E os responsáveis se expuseram de tal forma que um deles foi baleado e morto pela guarda. Assim, seu único propósito seria a repercussão que o fato teria na sociedade. Essa, aliás, era uma das principais preocupações do governo. Pegas de surpresa pelas ações do PCC – nenhum dos órgãos de inteligência detectara a preparação dos ataques -, as Polícia Civil e Militar tentam agora demonstrar eficiência no esclarecimento desses crimes.

Diego Zanchetta, Eduardo Reina, Josmar Jozino, Marcelo Godoy e Tiago Dantas – O Estado de S.Paulo


Homem que atirou contra sede da Rota, na Avenida Tiradentes, foi morto


As Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), unidade de elite da Polícia Militar, transformou-se no alvo dos mais graves ataques praticados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) neste ano em São Paulo. Um suspeito de integrar a facção criminosa foi morto quando disparava contra o prédio do quartel da Rota, no centro de São Paulo.
Quinze horas antes, o comandante do batalhão, tenente-coronel Paulo Adriano Telhada, escapara ileso de um atentado à bala. Em seus 40 anos de existência – ela foi fundada em 1970 – essa é a primeira vez que a sede e o chefe da Rota são alvos de um ataque. A polícia ainda investiga a possibilidade de incêndios criminosos que destruíram 13 carros na madrugada de ontem na zona leste terem ligação com as novas ações da facção criminosa.
O governador Alberto Goldman (PSDB) afirmou ontem que “não existe nenhum perigo que possa colocar em risco a segurança do povo paulista”. O Centro de Inteligência Policial da PM e três departamentos da Polícia Civil estão apurando os ataques. Suspeita-se que eles são uma retaliação dos bandidos às ações da Rota que atingiram as finanças da liderança da facção, com a apreensão de armas, drogas e dinheiro e a prisão de homens da organização. “Pode ser uma reação a eles”, disse Goldman.
As ações do PCC começaram às 11 horas de anteontem, na Vila Penteado, zona norte. O tenente-coronel Telhada retirava sua picape de casa quando percebeu a aproximação de um carro com dois homens. Ao ver o passageiro abaixar o vidro e colocar a mão para fora da janela, Telhada se deitou no banco da picape. Os criminosos dispararam cerca de dez tiros e fugiram.

Pouco antes das 4 horas, policiais da Rota que estavam de guarda no quartel na Avenida Tiradentes, na Luz, escutaram disparos. Eles pareciam vir da rua ao lado, a João Teodoro. Os policiais foram verificar o que estava acontecendo e surpreenderam um homem de pé atirando em direção às janelas da lateral do quartel. Eles revidaram e balearam o criminoso, que morreu.

Identidade. Ele foi identificado como Frank Ligieri Sons, de 33 anos. O acusado deixou em fevereiro a prisão em Guarulhos, na Grande São Paulo. Em sua ficha policial consta que ele foi acusado de dois roubos – um na região da Sé e outro na Lapa, em São Paulo -, um estupro e uma lesão corporal, estes em Guarulhos.

Um outro bandido, que o aguardava em um carro, fugiu. Com Frank os policiais afirmaram ter encontrado um coquetel molotov e uma pistola calibre 40, mesmo tipo usado no atentado fracassado contra o tenente-coronel Telhada. Ele é suspeito de integrar a facção criminosa.

O atentado contra a Rota está sendo investigado pelo Centro de Inteligência da PM e pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Já o atentado contra Telhada é alvo de inquérito do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Uma das principais pistas neste caso é a placa de um carro que o tenente-coronel conseguiu anotar.

As ações colocaram a polícia em alerta – comandos foram orientados a redobrar a vigilância. Cones foram postos na frente de quartéis, como o da Rota. Por enquanto, a polícia não identificou os outros participantes dos ataques.
CRONOLOGIA

29 de fevereiro de 2008
Rota prende dois tesoureiros do PCC e apreende R$ 674 mil

16 de abril de 2009
Presos 18 membros na escola de samba Barroca Zona Sul

26 de agosto de 2009
Apreensão de 130 kg de cocaína

17 de maio de 2010
Fábio Fernandes da Silva, o Vampirinho, um dos líderes da facção, é morto

7 de julho de 2010
Oito homens do PCC na zona leste são presos e um é morto

Defesa
ALBERTO GOLDMAN, governador do Estado: “Existe um cuidado maior, é claro, mas nada fora do normal”

‘Expoentes do crime organizado estão mandando esses atentados’

Eduardo Reina – O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA Paulo Adriano Telhada

COMANDANTE DA RONDAS OSTENSIVAS TOBIAS DE AGUIAR (ROTA)

Um dia depois de escapar de um atentado a tiros, o comandante da Rota, Paulo Adriano Telhada, de 47 anos, disse ontem que os ataques contra ele e contra o quartel da Rota são uma represália às ações enérgicas da PM contra o crime organizado. E destacou que as ações foram realizadas a mando de expoentes do crime organizado.

Os atentados têm alguma relação com o crime organizado?

É possível. A PM tem incomodado muito o crime organizado nos dois últimos anos. Prendemos muita gente, desarticulamos ações, apreendemos armas, dinheiro e drogas.

Esses dois ataques mais os carros queimados na zona leste foram feitos pelo mesmo grupo?

Sobre os carros queimados é difícil falar. Mas os tiros contra o quartel são um sinal de ação planejada do crime organizado. Quiseram provocar um impacto mais psicológico. Esse bandido (atingido após o atentado ao quartel) que morreu saiu da cadeia em fevereiro. Devia estar devendo para todo mundo. Aí, mandaram ele fazer tal coisa. Se não fizesse, iam quebrar ele.

Há uma guerra declarada do PCC contra a Rota?

Para mim está claro que esse partido, se um dia teve força, hoje já era. Uma facção que já foi desarticulada. Quem está mandando esses atentados são expoentes do crime organizado que estão aparecendo.

Os ataques podem continuar?

Que isso que aconteceu sirva de alerta para todo mundo. Estão atacando pai de família, autoridade. Está na hora de a sociedade mostrar sua força. Vamos dar uma resposta enérgica, dentro da lei. Todo mundo está sujeito a sofrer um atentado: polícia, jornalista ou político.

07/01/2009 - 15:56h Paz em Gaza: uma solução complexa

Palestinos pegam pertences em casa destruída por Israelhttp://www.galizacig.com/imxact/2005/09/neno_palestino_bandeira_asentamento_morag.jpg

Apesar da guerra na faixa de Gaza ficar bem distante do Brasil e a região não fazer parte de uma área estratégica para o país, me parece adequado o governo brasileiro ter-se manifestado oficialmente deplorando a intervenção militar, condenando o terrorismo e apregoando uma solução pacífica. Mais ainda que o Brasil é um candidato a ocupar uma vaga no Conselho de Segurança da ONU e conta para isto com o apoio de países como França e China, entre outros. Para tanto, deve redobrar cuidados e responsabilidade nas suas intervenções visando a preservar a paz em um conflito extremadamente complexo.

A postura assumida pelo governo Lula parte do direito internacional e da necessidade de garantir a autodeterminação nacional do povo palestino e do povo israelense, em dois Estados soberanos. Trata-se da luta pela emancipação da nação palestina e pela paz e a segurança do Estado e dos cidadãos israelenses.

As ações militares israelenses, o massacre de civis e a intervenção militar em Gaza, na minha opinião, debilitam a reivindicação legítima de Israel à segurança e ao fim dos atentados e ataques contra sua população. As ações terroristas e provocativas do Hamas são um empecilho e um questionamento permanente a qualquer solução negociada.

Penso que Israel tem o direito legitimo de defender seu território e seus cidadãos do Hamas e de qualquer outro grupo terrorista que recusa a existência do próprio Estado de Israel. A intervenção militar em Gaza, a repressão na Cisjordânia, a tolerância com os colonos nos territórios ocupados, a construção do muro da vergonha e a recusa a implementar os acordos de Oslo na sua plenitude, longe da reduzir o poder dos extremistas em ambos os lados, os reforça e legitima aos olhos das respectivas populações.

Me parece evidente, mas reconheço que o tema está sujeito a debates apaixonados, que uma coisa é o direito de Israel de tentar destruir os grupos terroristas e outra, a invasão e a repressão ao povo palestino no seu território. Como me parece legitimo, por exemplo, a vontade dos Estados-Unidos de punir os autores do atentado do 11 de setembro e considerar -como aliás defendeu Obama- inapropriada, ilegitima e colonialista a intervenção americana no Iraque.

A postura equilibrada e responsável do governo brasileiro deve receber o apoio de todos os partidos e forças democráticas e favoráveis a paz. As bases para uma posição consensual de apoio a postura do Brasil existem. Nenhum partido representativo, nem o PT, nem o PSDB, nem o PMDB tem manifestado qualquer apoio a intervenção militar israelense e nenhum deles defende as ações terroristas do Hamas contra cidadãos israelenses no Estado de Israel. Todos reconhecem o direito de Israel e da Palestina viverem em Estados, lado a lado, com fronteiras e segurança garantidas. Todas as forças políticas e entidades representativas no Brasil são favoráveis a uma solução pacífica. A maioria dos petistas, tenho certeza, estão plenamente identificados com esta postura do governo brasileiro.

Posições desequilibradas, paixões descontroladas e comparações históricas abusivas, em nada contribuem à causa palestina, à segurança dos cidadãos israelenses e à paz na região.

Luis Favre

04/01/2009 - 14:34h “Os bombardeios brutais sobre Gaza suscitam profundas indagações na minha mente”

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 Daniel Barenboim, THE GUARDIAN – O Estado SP

Tenho apenas três desejos para o ano-novo. O primeiro é que o governo de Israel se conscientize, de uma vez por todas, que o conflito no Oriente Médio não pode ser resolvido por meios militares. O segundo é que o Hamas se conscientize que não defenderá seus interesses pela violência, e que Israel está aqui para ficar. O terceiro é que o mundo reconheça que esse conflito não é igual a nenhum outro em toda a história.

É um conflito intricado e sensível, um conflito humano entre dois povos profundamente convencidos de seu direito de viver no mesmo pedaço de terra. É por isso que não poderá ser resolvido nem pela diplomacia nem pelas armas.

Os acontecimentos dos últimos dias são extremamente preocupantes para mim por várias razões de caráter humano e político.

Embora seja óbvio que Israel tem o direito de se defender, que não pode e não deve tolerar os constantes ataques contra seus cidadãos, os bombardeios brutais sobre Gaza suscitam profundas indagações na minha mente.

MORTES

A primeira é se o governo de Israel tem o direito de considerar todo o povo palestino culpado pelas ações do Hamas. Será que toda a população de Gaza deve ser responsabilizada pelos pecados de uma organização terrorista?

Nós, o povo judeu, deveríamos saber e sentir mais profundamente do que qualquer outro povo que o assassinato de civis inocentes é desumano e inaceitável. Os militares israelenses argumentam, de maneira muito frágil, que a Faixa de Gaza é tão densamente povoada que é impossível evitar a morte de civis.

A debilidade desse argumento me leva a formular outras perguntas. Se as mortes de civis são inevitáveis, qual é a finalidade dos bombardeios? Qual é a lógica, se é que existe alguma, por trás da violência, e o que Israel espera conseguir por meio dela? Se o objetivo da operação é destruir o Hamas, a pergunta mais importante a ser feita é se esse objetivo é viável. Se não é, todo o ataque não só é cruel, bárbaro e repreensível, como também é insensato.

Por outro lado, se for realmente possível destruir o Hamas por meio de operações militares, que reação Israel espera que haja em Gaza depois que isso se concluir? Em Gaza vivem 1,5 milhão de palestinos, que seguramente não cairão de joelhos de repente para reverenciar o poderio do Exército israelense.

Não devemos esquecer que o Hamas, antes de ser eleito, foi encorajado por Israel como tática para enfraquecer o então líder palestino Yasser Arafat. A história recente de Israel me faz acreditar que, se o Hamas for eliminado por meio de bombardeios, outro grupo certamente tomará o seu lugar, um grupo que talvez seja mais radical e mais violento.

VINGANÇA

Israel não pode se permitir uma derrota militar porque teme desaparecer do mapa. No entanto, a história demonstrou que toda vitória militar sempre deixou Israel em uma posição política mais fraca do que a anterior por causa do surgimento de grupos radicais.

Não pretendo subestimar a dificuldade das decisões que o governo israelense precisa tomar a cada dia, nem subestimo a importância da segurança de Israel. Entretanto, continuo convencido de que o único plano viável para a segurança em Israel, no longo prazo, é obter a aceitação de todos os nossos vizinhos.

Desejo para o ano de 2009 a volta da famosa inteligência que foi sempre atribuída aos judeus. Desejo a volta da sabedoria do Rei Salomão para os estrategistas israelenses, a fim de que a usem para compreender que palestinos e israelenses gozam de idênticos direitos humanos.

A violência palestina atormenta os israelenses e não contribui para a causa palestina. A retaliação militar israelense é desumana, imoral e não garante a segurança de Israel. Como disse antes, os destinos dos dois povos estão inextricavelmente ligados e os obriga a viver lado a lado. Eles terão de decidir se querem que isso se torne uma bênção ou uma maldição.

Maestro Daniel Barenboim, judeu, cidadão israelense e cidadão de honra da Palestina

02/12/2008 - 09:18h Obama anuncia nova política externa

Ao confirmar Hillary e Gates em sua equipe de governo, presidente eleito promete volta ao multilateralismo

Patrícia Campos Mello – O Estado SP

Prometendo “uma nova aurora para a liderança americana”, o presidente eleito Barack Obama anunciou ontem a indicação de Hillary Clinton, sua maior rival nas primárias democratas, como a secretária de Estado e a manutenção de Robert Gates como secretário de Defesa.

link Confira o time de Barack Obama

“Vamos renovar velhas alianças e construir novas e duradouras parcerias”, disse Obama em entrevista coletiva para apresentar sua equipe de política externa.

O anúncio reforça o objetivo de Obama de traçar uma volta ao multilateralismo e se engajar em diplomacia enérgica para recuperar a imagem dos EUA no mundo. “Precisamos fazer uma diplomacia vigorosa para construir um futuro com mais parceiros e menos adversários,” disse Hillary.

Obama declarou ter “confiança total” em sua “querida amiga”. Os dois deixaram a entrevista de braços dados. Essa imagem era inimaginável apenas alguns meses atrás. Durante a campanha, Obama disse que a experiência de Hillary em política externa se limitava a “tomar chá com embaixadores”. Hillary acusou Obama de ser “ingênuo”.

Questionado se sua estratégia de reunir um time de rivais não poderia se transformar em um choque de rivais, Obama disse que acredita em personalidades fortes e opiniões firmes e alfinetou o governo George W. Bush. “Um dos perigos na Casa Branca é você ser dominado por um pensamento único, com o qual todos concordam, e não há visões divergentes”, disse.

“Vou receber bem o debate vigoroso dentro da Casa Branca, mas estarei determinando as políticas. Serei responsável pela visão desse time e espero que eles implementem essa visão. Em ultima instância, a responsabilidade é minha, como dizia Harry Truman.”

Obama disse ainda que a indicação de Hillary era uma prova de “seriedade em renovar a diplomacia americana e restabelecer as alianças dos EUA”. Além da senadora e de Gates, ele anunciou a governadora do Arizona, Janet Napolitano, como secretária de Segurança Interna; Eric Holder, como secretário de Justiça; o general reformado Jim Jones, como conselheiro de segurança nacional; e Susan Rice, como embaixadora dos EUA na ONU. Para reforçar seu compromisso com o multilateralismo, Obama vai elevar o cargo de Susan para uma posição dentro do gabinete, como era no governo de Bill Clinton.

Joe Biden, cuja pouca visibilidade vinha demonstrando sua falta de poder, finalmente teve sua oportunidade de falar. Ao referir-se aos novos desafios em política externa, mencionou a emergência de China, Índia, Rússia e Brasil.

Obama também se referiu à situação no Afeganistão e na Índia, onde os EUA estão em uma situação delicada. A Casa Branca tem ótimas relações com a Índia e sempre confiou no apoio do Paquistão na luta contra o terrorismo. Agora, Washington terá de resolver a crise entre os dois países, agravada pelos atentados que deixaram cerca de 200 mortos em Mumbai.

“Eu acho que nações soberanas têm o direito de se proteger”, disse Obama quando questionado se a Índia teria o mesmo direito que os EUA têm de atacar suspeitos de terrorismo dentro do Paquistão. “A maior ameaça para o povo americano hoje são os santuários terroristas no Afeganistão e em algumas partes do Paquistão”, afirmou.

26/11/2008 - 09:13h Policromia

Mônica bergamo – Folha SP

Fui

Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras, deve deixar o cargo até janeiro. Ele já manifestou o desejo a amigos, para quem afirma que não interessa ficar na prefeitura sem ter “condições” de realizar o trabalho que vinha tocando. Homem mais poderoso da administração Gilberto Kassab (DEM-SP) até agora, Matarazzo vem sendo bombardeado pelo prefeito, que já falou mal dele até para adversários políticos. O secretário só está até agora no posto porque o governador José Serra (PSDB-SP) intercedeu por ele.

QUEM MANDA?
Quem entende de Kassab acredita que o prefeito de São Paulo fala mal de Matarazzo por questões políticas, e não pessoais. Responsável pelas subprefeituras, o secretário acaba comandando o coração da administração – com grande autonomia em relação ao grupo de Kassab.

ALERTA
A segurança do Senado enviou ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) a gravação de um telefonema recebido há cerca de um mês, em que um homem pedia que se “alertasse” o governo de que Lula sofreria um atentado numa de suas viagens ao Nordeste. Foi aberta uma investigação que descobriu que a chamada partiu de um telefone público do bairro de Bodocongó, na cidade de Campina Grande, na Paraíba.

EM CASA
A gravação, por tabela, confirmou ao GSI que a central do Senado pode gravar conversas feitas a partir de seus telefones. Há quem defenda, no gabinete, a tese de que o suposto grampo que interceptou conversa do senador Demóstenes Torres (DEM-TO) com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, pode ter sido feita no próprio parlamento.

BULA
O ministro José Gomes Temporão, da Saúde, desembarca hoje em Santa Catarina levando mais de 50 mil kits com antibióticos como amoxicilina, pomadas para dermatite, reidratantes e glicose injetável. Eles serão distribuídos às vítimas das enchentes no Estado.

Leia a integra da coluna de Mônica bergamo no jornal Folha de São Paulo

04/09/2008 - 16:32h O alemão que fotografou o apocalipse

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Thomas Hoepker, autor da mais polêmica foto registrada no 11 de setembro, vem ao Brasil para inaugurar a sua exposição

Antonio Gonçalves Filho – O Estado de São Paulo

A mais polêmica foto da tragédia do 11 de setembro de 2001, quando terroristas colocaram abaixo as torres gêmeas, em Nova York, não mostra o choque dos aviões contra os prédios do World Trade Center nem as vítimas do atentado. Registra uma cena idílica de verão. Nela, cinco jovens conversam tranqüilamente em algum lugar de Williamsburg, no cais do Brooklyn, em meio a ciprestes e flores, enquanto uma nuvem negra de fumaça cobre os prédios de Manhattan. Seria uma montagem forjada em fotoshop? Um comentário irônico sobre a alienação da juventude americana? Uma crítica à incapacidade do homem contemporâneo de se comover com o drama alheio? Nenhuma das anteriores. É, ou deveria apenas ser, um instantâneo do fotógrafo alemão Thomas Hoepker, ex-presidente da agência Magnum (de 2003 a 2006) que, a convite da Galeria de Babel, abre esta semana, em São Paulo, uma exposição com sua série histórica sobre Cassius Clay, feita na época (1966) em que o pugilista se converteu ao islamismo.

Hoepker, que concedeu por telefone uma entrevista exclusiva ao Estado, vai ter sua foto do 11 de setembro leiloada no sábado pela Bolsa de Arte (preço estimado entre R$ 14 e R$ 18 mil) e exibida também no 2º Circuito de Fotografia I-Contemporâneo (leia texto na página 7), a partir do dia 10, no Shopping Iguatemi. Antes, no sábado, Hoepker abre sua individual na Galeria de Babel, onde mostra a série de Muhammad Ali, nome que Cassius Clay adotou após se tornar muçulmano. É um trabalho de referência na história do fotojornalismo. Em raras ocasiões a comunhão entre fotógrafo e celebridade chegou a tal grau de intimidade, permitindo revelar aspectos da vida particular do boxeador.

Fotojornalista é como Hoepker se define, mesmo sendo valorizado como artista no circuito internacional. Entrar nesse mercado, diz, foi apenas circunstancial. Com a redução no orçamento das revistas impressas, conseqüência da concorrência da internet, fotógrafos realizam cada vez menos trabalhos por encomenda de editoras, que garantiram a Hoepker fotografar séries históricas transformadas em livros, entre eles o impressionante Return of the Maya (Dewi Lewis Publishing, 160 páginas, 1998). A publicação registra a vida dos descendentes dos maias após a longa guerra civil da Guatemala, que acabou em 1996 e deixou um rastro de 150 mil mortes nos 36 anos do conflito, encerrado com o acordo entre o presidente Arzu e guerrilheiros.

“Esse foi um trabalho para a revista Stern, que me mandou para a Guatemala fazer uma reportagem turística sobre os costumes locais”, conta Hoepker. Ele acabou subvertendo a pauta, envolvendo-se com o sofrimento dos maias. “Após 500 anos de opressão cultural, pela primeira vez esse povo pôde praticar seus rituais religiosos e resgatar antigos costumes de seus ancestrais”, lembra o fotojornalista, que visitou o país quatro vezes, registrando, de 1990 a 1997, como os descendentes dos maias recuperaram os corpos de seus mortos no confronto com o governo guatemalteco e a maneira como conduziram os ritos fúnebres em cavernas, ravinas e cachoeiras.

Para a mesma Stern ele realizou, em 1975, outra impressionante série sobre a vida cotidiana em Berlim Oriental, quando a cidade alemã ainda era dividida pelo muro. Hoepker, um alemão de 72 anos nascido em Munique, atravessou a cortina de ferro como assistente técnico da revista, registrando imagens de dissidentes políticos como Wolf Bierman e Robert Havemann, além do retrato inquietante de um comerciante exibindo um ganso em plena época do Natal, uma raridade gastronômica na triste Berlim Oriental. “Comparando com o tempo em que lá vivi, a reunificação fez bem para os alemães do Leste, a despeito da nostalgia de alguns representantes do antigo regime, que não enxergam com bons olhos as mudanças na Alemanha”, observa.

Por essa época as fotos de Hoepker já eram distribuídas pela Magnum e seus documentários exibidos pela televisão alemã, chamando a atenção de editores americanos. Todos conheciam a série de Muhammad Ali, feita para a Stern em 1966, época em que negros eram discriminados em locais públicos nos EUA. O punho de Cassius Clay, exibido na foto desta página, era visto então como um protesto contra a opressão. “Foi uma leitura equivocada da foto, que é de fato ambígua, mas nem tanto como a do 11 de setembro”, esclarece Hoepker, dizendo que pretendeu apenas destacar o punho de um campeão.

No caso da foto maior desta página, a da tragédia das torres gêmeas, foi justamente seu caráter indeterminado que fez Hoepker mantê-la escondida por três anos, até que um amigo seu da Alemanha resolveu incluí-la numa retrospectiva dedicada ao fotógrafo. Quando publicada nos EUA, ele foi acusado de banalização do terror. Hoepker defendeu-se, dizendo que não pretendia, de modo algum, ser desrespeitoso com a memória dos mortos na tragédia. “Tanto que, ao selecionar as fotos da Magnum para um livro, retive a minha, por considerar que sua publicação poderia distorcer a realidade tal como a percebemos naquele dia.”

A imagem foi registrada por acaso. Retido em seu carro no Brooklyn, sem poder atravessar a ponte, ele viu um grupo de jovens conversando no cais de Williambsurg e tirou três fotos. “Não pensei em nada naquele momento, nem mesmo em fazer uma crítica à alienação dos garotos, como denunciaram posteriormente dois deles”, admite o fotógrafo. “De qualquer modo, acho que é da natureza humana se habituar com o horror”, diz o fotógrafo, um dos últimos da escola humanista de Cartier-Bresson e Elliott Erwitt, suas duas maiores referências.

Serviço

Thomas Hoepker. Galeria de Babel e Paparazzi Galeria. Av. Pedroso de Moraes, 100, tel. 3816-5520. Visitação: 24 h. Até 8/11. Abertura domingo, 15 h

15/06/2008 - 19:00h Verissimo

Crônica

O Globo

Rir ou não rir

verissimo.jpgCasal de judeus americanos em visita a Israel entra num clube noturno de Tel Aviv onde se apresenta um cômico local. As piadas do cômico fazem grande sucesso com o público e quem ri mais do que todos é o americano.

Sua mulher estranha. As piadas são em hebraico. O marido não sabe hebraico. Por que está rindo tanto?

— Por que não? — responde o marido. — Eu confio nesta gente!

Dependendo do jornal que você lê, e às vezes do analista num mesmo jornal, o otimismo com a situação do Brasil se justifica, é um delírio ou é um embuste. Poucas vezes na nossa história recente entender o que se passa dependeu tanto da predisposição, ou do preconceito, de cada um. A economia do país raramente esteve tão bem, nunca se comprou tanto carro e casa própria, estamos finalmente a caminho de ter um bendito mercado para sustentar nosso desenvolvimento — ou a caminho do caos. Você decide. Os números não provam nada, ou provam tudo, o que dá no mesmo. Uma correta avaliação é improvável, já que os profissionais da avaliação se contradizem. Os fatos não influem muito na decisão de ser otimista ou catastrófico.

Ou seja: saber hebraico é secundário. Para rir ou não rir das piadas, basta confiar ou não confiar em quem está rindo.

FOFOCA

Com Barack Obama definido como candidato dos democratas à Casa Branca, espera-se para qualquer momento não um atentado contra ele mas uma fofoca sexual, que nos Estados Unidos também costuma ser uma arma. Em países latinos as revelações sexuais não têm o mesmo efeito, portanto não têm o mesmo risco político.

A filha que o Mitterrand tinha com sua amante foi motivo apenas de curiosidade, e de afetuosa surpresa com um pecado menor do velho, e não prejudicaria sua carreira política mesmo se tivesse aparecido antes. E o boato de que o Chirac era amante da Claudia Cardinale só aumentou sua reputação. No Brasil existe um imenso lençol subterrâneo, se este é o termo, de indiscrições conhecidas do poder que nunca vêm à superfície. Tipo todo o mundo sabe mas ninguém publica.

O que é saudável, já que a vida particular do político só é relevante quando surgem falhas de caráter que afetarão o nosso bolso, como uma tara por dinheiro público, e qual é o problema de namorar um pouco se ajuda a relaxar e até a governar e legislar melhor, desde que a patroa não fique sabendo? Mas há quem diga que a falta de inconfidências no mercado se deve a uma insuficiência do nosso setor editorial, que ainda não pôde fazer ofertas convincentes.

Quando morreu Buddy, o labrador dos Clinton, talvez o cachorro com mais histórias para contar do mundo, suspeitou-se que o atropelamento se devesse aos rumores de um contrato milionário para publicar um livro seu, título provável “Memórias da Casa Branca, ou Babando no tapete do Salão Oval”. Buddy, presumivelmente, estava presente nos encontros de Clinton com estagiárias para fins não reprodutivos. Inconfidências de assessores, empregados, amantes etc. são um risco constante para dirigentes americanos e ingleses, incluindo até a família real — no caso dos Estados Unidos, os Kennedy.

As revelações podem ser moderadamente embaraçosas (como a da atriz Angie Dickenson, que descreveu seu caso com John Kennedy como “os quinze segundos mais memoráveis da minha vida”) ou podem acabar com reputações para sempre. Do Bush nunca se soube nada, salvo os atos antinaturais que praticou com o país. Do Barack Obama, devem estar catando.

20/04/2008 - 17:26h Os analistas independentes, “cavalo de Tróia do Pentágono”

‘New York Times’ desvela en un reportaje que el Pentágono usa a analistas de cadenas de Televisión para transmitir sus puntos de vista

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EFE / ELPAIS.com – Washington / Madrid

El Pentágono ha utilizado desde 2003 a decenas de “analistas militares” para generar una cobertura positiva de la lucha antiterrorista en los medios de comunicación, según un reportaje de investigación del The New York Times.

En un artículo de primera plana, el diario señala que, en su campaña de persuasión, el Pentágono ha infiltrado en la radio y televisión a militares jubilados, que por su experiencia tienen vasta “autoridad” para opinar sobre asuntos de defensa y seguridad nacional tras los atentados de 2001.

Tras realizar entrevistas y un análisis de archivos oficiales (el rotativo asegura haber analizado más de 8.000 páginas) , el diario afirma que el Gobierno del presidente George W. Bush “ha utilizado su control del acceso y la información para transformar a los analistas en una especie de caballo de Troya en los medios, un instrumento para moldear la cobertura mediática de la lucha antiterrorista”.

Sin embargo, detrás de la apariencia de objetividad, lo que el Departamento de Defensa ha querido con estos métodos es “generar cobertura noticiosa favorable a la gestión del Gobierno en tiempos de guerra”, agrega el rotativo.

La campaña, en marcha desde poco antes de la invasión de Irak en 2003, “ha intentado explotar las alianzas ideológicas y militares, además de una potente dinámica financiera: la mayoría de los analistas tienen vínculos con contratistas militares con intereses en las mismas políticas de guerra que debían evaluar” en los programas de televisión, según el diario.

Estos asesores se presentaban ante los medios de comunicación como analistas independientes.-”No estoy aquí representando a la administración”, repetía Jeffrey D. McCausland, analista militar de la CBS.

Eso, según sugiere el diario, sin duda resta credibilidad a las evaluaciones que puedan ofrecer estos analistas, muchos de los cuales han tenido acceso privilegiado a informes de inteligencia secretos o el Pentágono les ha costeado viajes a Irak.

“Estas relaciones de negocios casi nunca se divulgan a los televidentes y algunas veces ni a las propias cadenas de televisión”, continua el New York Times.

Además, muchos de estos supuestos “analistas objetivos” tienen vínculos con las más influyentes empresas de defensa en el país y representan a más de 150 contratistas militares, ya sea en calidad de consultores, ejecutivos, o miembros de sus juntas directivas, según la información del diario.

En declaraciones al New York Times, un portavoz del Pentágono, Bryan Whitman, defendió la relación con estos analistas con el argumento de que ellos sólo han dado información puntual sobre la guerra.

03/10/2007 - 17:57h La gauche mexicaine cherche une stratégie, par Joëlle Stolz

L‘irruption tonitruante, sur la scène politique mexicaine, d’une guérilla d’extrême gauche capable de réaliser des attentats dévastateurs pour l’économie a sonné l’alarme au sommet de l’Etat, déjà confronté aux narcotrafiquants. Mais elle ébranle aussi une gauche tiraillée entre un courant qui veut négocier son appui aux réformes du président Felipe Calderon, et un autre qui maintient une ligne de rupture avec le gouvernement conservateur. L’explosion, les 5 et 10 juillet, puis avec plus d’ampleur le 10 septembre, de charges placées à des points vulnérables des canalisations de la Pemex, la société nationale d’hydrocarbures, a été revendiquée par l’Armée populaire révolutionnaire, l’EPR.

Apparu en 1996, l’EPR est l’héritier d’un mouvement plus ancien, le Parti révolutionnaire ouvrier clandestin-Union populaire, que l’on soupçonne d’avoir abattu des militants qui avaient renoncé à la lutte armée. Ces dernières années, l’EPR ne s’était manifestée que par des communiqués et des bombes rudimentaires, déposées dans des lieux publics à des heures où elles ne risquaient pas de faire de victimes.

La crise déclenchée par le scrutin présidentiel du 2 juillet 2006 – la gauche refusant de reconnaître la victoire de M. Calderon – a remis sur le pied de guerre la petite dizaine d’organisations clandestines qui coexistaient au Mexique, dans les Etats déshérités d’Oaxaca et du Guerrero, ainsi qu’autour de la capitale. Après l’étouffement par les forces fédérales de la “Commune d’Oaxaca”, fin novembre 2006, elles ont fait le constat que “la voie pacifique” pour une transformation de la société semblait “définitivement bloquée”. Le conflit d’Oaxaca reste un foyer mal éteint : l’EPR présente sa nouvelle offensive comme une réaction à la disparition de deux de ses membres, fin mai à Oaxaca, et désigne comme responsable le gouverneur de cet Etat, Ulises Ruiz.

Les attentats de l’été, commis dans les Etats centraux de Guanajuato et de Queretaro, puis dans celui de Veracruz, sur la côte atlantique, indiquent un changement d’échelle. Jamais l’EPR n’avait agi si loin de ses bases ni fait preuve d’une telle sophistication. Ce saut qualitatif a nourri bien des hypothèses, depuis des complicités à l’intérieur de la Pemex jusqu’à une opération de la CIA pour “déstabiliser” le voisin immédiat des Etats-Unis – sans doute la dernière chose que souhaiterait Washington -, en passant par une diversion favorable aux “narcos”.

Selon une source proche des enquêteurs, les récents attentats, réalisés avec des explosifs disponibles dans le secteur de la construction, portent la patte de l’EPR, même s’ils supposent un entraînement spécial. Par des membres de l’ETA basque réfugiés au Mexique ? Des guérilleros colombiens ? D’anciens militaires mexicains ? L’unique certitude est l’impact obtenu : pas un blessé, mais un maximum de dégâts matériels, entraînant pendant une semaine une baisse de 25 % de l’approvisionnement en gaz et la paralysie de milliers d’entreprises, jusqu’aux usines sidérurgiques de la côte pacifique. L’EPR y a gagné en notoriété, notamment auprès des secteurs de l’opinion qui croient que seule la lutte armée peut aboutir à un réel changement, soit 15 % des Mexicains, selon un sondage de 2006. Même s’il faut relativiser aujourd’hui ce chiffre, il révèle un réservoir de sympathie pour la guérilla parmi ceux qui avaient voté pour le candidat présidentiel de la gauche, Andrés Manuel Lopez Obrador, dit “Amlo”.

Signe des temps, l’Armée zapatiste de libération nationale, l’EZLN du “sous-commandant” Marcos, en net retrait depuis plus d’un an, a exprimé sa solidarité avec l’EPR tout en dénonçant avec virulence la gauche “institutionnelle, qui n’est qu’une droite honteuse”, et la complicité de celle-ci, au Chiapas, avec le harcèlement des communautés zapatistes. “Amlo”, qui sillonne le pays pour fédérer les mécontents, a réitéré son attachement à une opposition non violente. Se gardant de l’attaquer, l’EPR a concentré ses critiques contre la présidente de la Chambre des députés, Ruth Zavaleta, membre comme “Amlo” du Parti de la révolution démocratique (PRD), mais figure de proue du courant prêt à composer avec le gouvernement. Le fossé se creuse entre une gauche institutionnelle, engagée dans la dynamique du travail parlementaire, et la base “lopezobradoriste” qui l’accuse de “traîtrise”.

CONTRE LES “CHUCHOS”

La première, autour du courant Nouvelle Gauche, dit des “Chuchos”, domine la direction nationale du PRD, et contrôle les groupes parlementaires fédéraux (Sénat et Chambre des députés) et l’Assemblée législative de la capitale. Elle se targue d’avoir négocié avec la droite, en échange de la réforme fiscale, une loi qui rogne l’influence des chaînes de télévision commerciale et autorise les candidatures indépendantes. Et elle a obtenu le remplacement des conseillers de l’Institut fédéral électoral, dont l’opposition avait blâmé la partialité durant la crise de 2006.

Mais ses adversaires viennent de lancer la bataille : c’est un proche d’”Amlo”, Alejandro Encinas, qui briguera contre les “Chuchos” la direction du PRD lors de son prochain congrès, en mars 2008. Il a reçu le soutien du maire de Mexico, Marcelo Ebrard, fort de l’énorme appareil de la capitale. Malgré tout, M. Encinas croit possible de préserver un front commun. Après l’élection frauduleuse du président Carlos Salinas en 1988, “le salinisme a réussi à incorporer des forces de gauche” à son projet de libéralisation économique, rappelle-t-il. “Je ne vois rien de tel aujourd’hui”, ajoute-t-il. M. Encinas minimise la demi-douzaine de défaites subies par son parti depuis un an dans des scrutins régionaux, la plus significative étant celle d’Oaxaca, où ses représentants se sont laissé corrompre par M. Ruiz, et où l’opposition a choisi l’abstention massive. Le PRD risque même de perdre, le 11 novembre, son bastion du Michoacan, fief de la famille Cardenas.

L’opposition voit surtout lui échapper une partie de son argumentaire, intégré à la rhétorique gouvernementale. M. Calderon a pris soin de se réconcilier avec Cuba et le Venezuela de Hugo Chavez, deux images sensibles pour la gauche. Le 21 septembre, il a asséné à des chefs d’entreprise médusés un discours stigmatisant les fortunes “construites sur le sang et la douleur de la moitié des Mexicains”, ou encore la “médiocrité” d’élites auto-satisfaites. Prise entre le feu de la guérilla et l’onction du langage présidentiel, la gauche mexicaine peine à arrêter une stratégie qui ne soit pas seulement la politique du pire : miser sur l’échec des réformes.

Joëlle Stolz