06/10/2009 - 16:38h Dieta pode agir contra depressão

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Pesquisa com 10.094 espanhóis mostrou que cardápio mediterrâneo tem efeito protetor no cérebro

De acordo com o estudo, os voluntários com maior adesão a essa dieta tinham risco cerca de 30% menor de desenvolver o distúrbio


JULLIANE SILVEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Fortemente relacionada à redução de risco para doenças cardiovasculares, a dieta mediterrânea mostrou efeito protetor contra a depressão em um estudo realizado com 10.094 pessoas. O trabalho foi publicado na edição de outubro do “Archives of General Psychiatry”, um dos periódicos da Associação Médica Americana.
Pesquisadores das universidades de Las Palmas de Gran Canaria e de Navarra (ambas na Espanha) avaliaram dados desses espanhóis, que preencheram questionários de 1999 a 2005 sobre a própria ingestão alimentar. Eles calcularam a adesão à dieta mediterrânea baseados em nove itens: maior ingestão de gorduras monoinsaturadas em comparação às saturadas, consumo moderado de álcool e laticínios, baixa ingestão de carne vermelha e alto consumo de legumes, frutas, oleaginosas (como nozes e castanhas), cereais e peixes.
Após acompanharem os voluntários por cerca de quatro anos, identificaram 480 novos casos de depressão -a maioria (324 ocorrências) em mulheres. Os que seguiram a dieta apresentaram risco 30% menor de desenvolver depressão. Para chegar aos resultados, foram ajustados outros fatores influenciáveis, como estilo de vida, estado civil, doenças crônicas e uso de antidepressivos.
“Algumas variáveis, como os que não desenvolveram depressão serem mentalmente mais saudáveis e mais propensos a aderir a uma dieta mais saudável, não foram medidas. Mas é um estudo benfeito, com metodologia adequada”, pondera a psiquiatra Andrea Feijó de Mello, da Associação Brasileira de Psiquiatria e pesquisadora da Unifesp.
Trabalhos anteriores mostram que populações que consomem altas quantidades de peixes apresentam menores índices de depressão. Uma das explicações é que o ácido graxo ômega 3 (presente em peixes de água fria, como o salmão) influencia na estrutura do sistema nervoso central e no transporte de neurotransmissores.
Os ácidos graxos ajudam na formação da membrana celular, tornando-a mais fluida. A fluidez das membranas dos neurônios contribui para uma melhor plasticidade cerebral (capacidade de os neurônios se comunicarem), fator importante para o equilíbrio emocional do paciente.
“Quando há empobrecimento da comunicação, há prejuízos na memória, fluência verbal, criatividade e iniciativa, que são sintomas da depressão, fazendo a pessoa se tornar mais vulnerável à doença”, diz Renério Fráguas Jr., supervisor da residência médica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Vitaminas
A dieta mediterrânea também oferece bons teores de folato e vitamina B12 (presentes em vegetais, peixes e ovos), nutrientes que participam como cofatores na sintetização de serotonina no cérebro, neurotransmissor relacionado às alterações no humor.
Segundo Fráguas Jr., alguns estudos mostram resultados significativos da suplementação em pacientes que têm depressão e não apresentam melhora com medicamentos.
“É um dos mecanismos para explicar a associação entre questões nutricionais e depressão. Na prática, já oferecemos suplementos, principalmente para idosos que podem ter uma diminuição na absorção desses nutrientes e podem ser mais vulneráveis à depressão.”

22/08/2009 - 16:25h Gyrotonic, uma onda que faz bem e veio para ficar

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Uma máquina para fazer alongamento

Silvia Herrera, Jornal da Tarde

maniadecorrer.jt@grupoestado.com.br

Um profundo alongamento da coluna vertebral, como se estivesse espreguiçando profundamente e despertando, vértebra por vértebra. É uma das funções do gyrotonic. O método foi desenvolvido pelo iogue romeno Julius Horvath, radicado em Nova York nos anos 1970, e chegou ao Brasil 14 anos depois, pela bailarina carioca Rita Renha. Hoje há professores em várias capitais brasileiras, principalmente Rio, Salvador, Belo Horizonte e São Paulo.

“Aqui em São Paulo são três professoras”, conta Roberta Quinn, que foi aluna de Horvath em Nova York, onde morou por alguns anos. “Tenho algumas alunas que são professoras de pilates que se surpreendem com a aula, costumam dizer: ‘Nossa achava que era alongada’.”

Roberta, que também é corredora amadora, recomenda o gyrotonic como prevenção de lesões e para alongar depois de provas longas. “Tentei colocar uma aula de gyrotonic na corrida da Nike, mas não deixaram, seria para muita gente.” A aula é individual e dura uma hora. O primeiro desafio é descobrir o que é o assoalho pélvico e como trabalhá-lo. Depois, concentrar-se na respiração, nos movimentos de expirar e inspirar desenrolando a coluna lentamente.

“Imagine fazer movimentos dentro de um pote de mel”, diz Roberta. O exercício não é nada grudento, mas tem a resistência, como se fosse a do mel. E é feito sobre uma máquina de madeira, com elásticos presos a pesos. “O aparelho é feito por encomenda, o meu veio de Nova York, mas já existe uma empresa em Salvador que o fabrica.” Os movimentos são amplos, com rotação de 360 graus e mesclam natação, tai chi chuan, dança, ioga e pilates. “É possível fazer 150 exercícios diferentes com a máquina”, explica.