10/11/2009 - 15:13h Contagem regressiva para novo recorde

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Negócios & Cia – O Globo

Nem o mais otimista dos executivos ousou prever que a indústria automobilística brasileira terminaria 2009 com novo recorde histórico. A julgar pelo comportamento das vendas na 1a semana de novembro, o setor terá ultrapassado, antes do fim do mês, o recorde de 2.820.381 de veículos emplacados de 2008. Até domingo, o número estava em 2.492.824, 6% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Poucos segmentos da economia, incluindo o próprio PIB, crescerão num ritmo tão forte. A previsão é fechar dezembro com 3,1 milhões de unidades. O setor começou 2009 nocauteado pela escassez do crédito.

Reagiu após um empurrão do governo, que reduziu o IPI e levou consumidores de volta às concessionárias. O benefício começou a ser retirado em outubro, com a gradual elevação das alíquotas até dezembro.

Mês passado, foram emplacados 294.466 veículos; em setembro, 308.718.

Este mês, a estimativa é de 280 mil. É um ótimo número, levando-se em conta que um modelo 1.0 já está pagando 3% de IPI, contra 1,5% em outubro e zero no mês anterior. As montadoras, em geral, estão operando em dois turnos para dar conta da demanda, que só não está melhor em razão da queda nas exportações. Em 2008, até a crise explodir, operavam em três turnos. Por isso, o nível de emprego não retornou ao nível anterior. Infelizmente, vai demorar a chegar lá.

17/06/2009 - 12:26h Faltam automóveis nas lojas

http://www1.bestgraph.com/gifs/transport/voitures/voitures-05.gifPerto do fim do prazo de redução do IPI, faltam automóveis nas lojas

Modelos de maior saída só têm entrega prevista para julho, quando termina oficialmente a redução do imposto

Cleide Silva – O Estado SP

A duas semanas do fim do prazo oficial de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, modelos de maior saída desapareceram das concessionárias. A maioria dessas versões só tem entrega prevista para julho, quando o benefício terá acabado, caso o governo decida suspender a medida que zerou a alíquota do imposto para modelos 1.0 e cortou à metade a de carros com até 2.0 de potência.

A redução, em vigor desde dezembro, inicialmente teria validade por três meses, mas foi prorrogada por mais três, com prazo de vencimento em 30 de junho. Agora, o governo estuda se mantém o corte – que reduziu os preços dos carros novos entre 5% e 7% -, se aumenta o IPI gradualmente ou se retoma a alíquota normal, de 7% a 13%.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, voltou ontem a dizer que é contra a nova prorrogação e a retomada gradual das alíquotas. Ele defendeu a manutenção do corte apenas para o setor da construção civil, pois a medida iria ao encontro do programa do governo de construção e financiamento de casas populares.

O ministro admitiu, porém, que negociações sobre o tema entre governo, montadoras e sindicatos ainda não começaram, o que deve ocorrer na última semana do mês. “Até o último momento vou dizer que sou contra a prorrogação”, disse Miguel Jorge, ao citar representantes do setor automobilístico que alegam que “toda vez que se fala em prorrogação, diminuem as vendas”.

Na dúvida, os consumidores tentam antecipar compras, mas enfrentam falta de produtos. “Quase todos os modelos têm fila de espera de 20 a 30 dias, com exceção de Palio Fire e Mille Fire”, informou Daniel Queiroga, gerente da revenda Fiat Amazonas, grupo que tem seis lojas na capital paulista.

Na concessionária Toyota Caltabiano, na zona oeste, quase toda a linha Corolla e Hilux só tem entrega para daqui a 30 ou 45 dias, admitiu a gerente Maria de Lourdes Gameiro. “Para pronta entrega só temos algumas versões de menos saída, como Corolla XEi com câmbio mecânico, que custa cerca de R$ 64 mil”. Versões mais sofisticadas, como a de câmbio automático e banco de couro estão em falta. Essa versão está com preço reduzido em R$ 3,2 mil após o corte do IPI e é vendida a R$ 72,4 mil.

Na linha Volkswagen, a maior espera é pelo Voyage 1.0, de 20 a 25 dias, segundo o gerente da Amazon, na zona leste, Marcos Leite. “A fábrica está produzindo o que pode, fazendo horas extras aos sábados, mas não dá conta da demanda”, disse. “Muitos clientes pedem para eu garantir o preço reduzido até a entrega, mas não posso.”

Em outras revendas Volkswagen consultadas pelo Estado, também há fila de até 30 dias para a versão mais barata do novo Gol. A General Motors informou que “há espera em algumas lojas de 15 a 20 dias para Celta, Classic e Prisma”, mas revendas consultadas informaram que também faltam Meriva e Vectra. Na Ford, a espera para Fiesta, Ka e EcoSport é de 10 a 15 dias.

VENDAS EM ALTA

Na primeira quinzena de junho foram vendidos 117,8 mil veículos. Só em automóveis e comerciais leves foram 113,3 mil unidades, 6,4% a mais que em igual período de maio e cerca de 1% acima do volume do mesmo período de 2008. No acumulado do ano, foram vendidos 1,267 milhão de veículos, 3 mil a mais em relação ao ano passado.

A indústria trabalha com expectativa de vendas de cerca de 270 mil veículos até o fim do mês, volume próximo ao de março, quando também houve corrida às lojas por receio do fim da redução do IPI.

A medida foi adotada em meados de dezembro, quando as vendas despencaram em consequência da crise internacional e da falta de crédito. Desde então, as vendas estão praticamente empatadas com as do ano passado, quando não havia crise. O crédito também voltou ao bancos.

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a vontade de tornar a redução do tributo uma política permanente para o setor automotivo. Miguel Jorge, porém, acredita que a intenção de Lula é de um plano mais amplo de redução de impostos, mas sem esperar a reforma tributária, ainda longe de solução. O ministro quer ainda que seja tratada de forma isolada a discussão sobre a redução do IPI para carros, produtos da linha branca e material de construção.

02/04/2009 - 08:59h Montadoras têm melhor trimestre da história

Com o corte do IPI, as vendas chegaram a 668 mil veículos, alta de 3,14% em relação ao ano passado

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Cleide Silva – O Estado SP

Março foi o segundo melhor mês da história da indústria automobilística brasileira, com vendas de 271,4 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus. Em relação ao mesmo mês de 2008, foi registrado crescimento de 16,9%. Na comparação com fevereiro deste ano, o aumento foi de 36,1%. O melhor mês até agora é julho passado, com 288,1 mil carros vendidos.

Empresários do setor admitem que parte do desempenho se deve a antecipação de compras de consumidores que não confiavam na renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que venceria em 31 de março e foi estendido até 30 de junho, conforme anúncio do governo federal feito na segunda-feira. A medida permite preços entre 5% a 7% mais baixos para modelos com motor 1.0 até 2.0.

De janeiro a março, as vendas somaram 668,3 mil veículos, um aumento de 3,14% ante os mesmos meses do ano passado e o melhor resultado já obtido para esse período. Os dados, na visão de executivos, comprovam as previsões de que o Brasil sofreria menos com a crise internacional. Nos Estados Unidos, as vendas de carros despencaram 40% na comparação com março de 2008.

A ajuda recebida do governo, que além do benefício tributário incluiu a liberação de crédito para financiamento, também foi fundamental para o desempenho. “O impacto da redução do IPI, no entanto,vai começar a se diluir nos próximos meses”, diz o presidente da General Motors, Jaime Ardila. Para ele, as vendas nesse trimestre devem ficar na casa das 230 mil unidades ao mês.

Segundo Luiz Carlos Andrade, vice-presidente da Toyota, entre 20% a 30% das vendas em março foram antecipação de compra. “Abril será um mês morno, maio será mais quente e em junho vamos retomar (as vendas nos níveis do mês passado)”, prevê o executivo. Ele não quis fazer projeções para o ano. Ardila aposta em vendas de 2,4 milhões a 2,5 milhões de veículos, entre 11% a 15% menor que em 2008 por levar em conta um segundo semestre mais fraco que o anterior.

Só em automóveis e comerciais leves foram vendidos em março 261 mil unidades, 36,4% acima do volume de fevereiro e 11,6% maior que o de igual mês de 2008. No trimestre, as vendas cresceram 3,9% ante o ano passado, para 642,4 mil unidades. Fiat e Volkswagen travam disputa acirrada pela liderança no mercado, com 152,7 mil unidades vendidas pela primeira e 151,7 mil pela segunda. Depois vem a GM, com 123,3 mil veículos.

28/03/2009 - 13:38h Corte de IPI de carro é prorrogado

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Cleide Silva – O Estado SP

Uma manhã de conversas ao telefone entre sindicalistas, dirigentes de montadoras e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, selou ontem a renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros por mais três meses. O anúncio oficial será feito na segunda ou terça-feira, pois depende da agenda dos envolvidos nas negociações.

O governo já vinha manifestando intenção de renovar a medida, que ajudou as montadoras a venderem, em plena crise, mais veículos no primeiro trimestre deste ano do que em 2008. O impasse estava na contrapartida a ser exigida, de manutenção de empregos, sugerida pelas centrais sindicais. Só em janeiro e fevereiro as montadoras cortaram 4 mil vagas.

As fabricantes concordaram, desde que ficassem de fora os trabalhadores com contratos temporários. Os sindicalistas encontraram uma “frase mágica” para endossar o acordo, que terá cláusula afirmando que “os contratos temporários serão cumpridos”. Ou seja, aqueles que vencerem nos próximos três meses não serão renovados, pois tinham validade por um ano. A abertura de programa de demissão voluntária está liberada.

O corte do IPI em meados de dezembro e com validade inicial até 31 de março foi adotado para reduzir o efeito da crise financeira nas vendas de carros no País, que despencaram nos últimos meses de 2008. Apesar de ter provocado queda de 90% na arrecadação do imposto, a medida é vista como uma das poucas anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com resultado efetivo.

O primeiro trimestre deve ser fechado com vendas próximas a 655 mil veículos, 1% a mais do que em igual período de 2008, quando somaram 647,9 mil unidades. No segmento de automóveis e comerciais leves, o mais beneficiado pela medida, o aumento deve ficar perto de 2%, com 630 mil unidades.

Os estoques nos pátios das fábricas e das revendas, que chegaram a 305 mil veículos em dezembro, equivalentes a 56 dias de vendas, baixaram no mês passado para 181 mil unidades, ou 27 dias de comercialização.

A alíquota do IPI, que era de 7% para carros 1.0, permanecerá isenta. Para modelos 1.4 até 2.0, ficará em 5,5% para motores flex e 6,5% para a gasolina, metade da alíquota normal. Com o novo imposto, os preços dos carros caíram em média de 5% a 7%.

FEIRÕES

Com o anúncio da prorrogação só a partir de 2ª-feira, o governo não vai atrapalhar as campanhas das montadoras neste fim de semana, que usam como atrativo a última oportunidade para comprar carro com IPI reduzido.

A Volkswagen faz feirão hoje e amanhã na fábrica Anchieta e na área ao lado do Playcenter com o slogan “Último fim de semana de IPI reduzido”. A Fiat fará ações nas lojas de todo o País e divulga anúncios com a chamada “Aproveite o último fim de semana com IPI reduzido e condições especiais.”

16/03/2009 - 11:09h No ponto do ônibus

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Matthew Shirts – O Estado SP

Dá uma satisfação sair de casa a pé pela manhã. Moro numa ruazinha escondida, habitada em boa parte por cachorros, mas próxima do bochincho de Pinheiros e da Vila Madalena. A meio quarteirão do meu portão encontro trânsito. Tudo travado logo cedo.

Atravesso a rua com certa leveza no passo, negociando os espaços entre os automóveis parados. Tenho a sensação de levar vantagem. Sinto-me quase malandro por estar a pé.

Antigamente, quem estava de carro tinha pena dos pedestres. Monteiro Lobato escreve a respeito no Presidente Negro. Hoje, a equação se inverteu, pelo menos em São Paulo. Vou avançando a pé pelo trânsito. Deixo os veículos para trás. No primeiro farol costuma haver brigas e buzinaços. Às vezes faço gestos pedindo uma trégua nas buzinadas enquanto espero a iluminação do homenzinho ficar verde. Os motoristas detestam minha gesticulação, que me confere um ar de maluco, reconheço. Gesticulam de volta solicitando compreensão para o desespero da sua situação. Compreendo. Não é fácil o trânsito.

Busco o ponto de ônibus na Cardeal. Há algum tempo pesquiso a sociologia desse marcador geográfico. De onde vêm os passageiros? Para onde vão? O papel do vendedor de balas, águas e porcarias ali. Meu olhar de estrangeiro é fisgado pela falta de sinalização. Não há placas explicativas no ponto, apenas aquele pau descascado e solitário. Nenhuma instrução por escrito. Como as pessoas sabem qual ônibus tomar?

Desde que voltei a andar de busão, faz um ano ou dois, estou com bronca dos condutores. Eles dirigem sem levar em conta o conforto dos seus passageiros. São apressados. Trocam de marcha com agressividade. Ultrapassam sem necessidade. Há exceções que comprovam a regra. Peguei um, dia desses, com longo rabo-de-cavalo, zen, calmo, na linha Butantã-USP, claro. Foi uma delícia. Deu para ler meu livro tranquilamente.

Mas por outro lado, mesmo os motoristas broncos revelam paciência surpreendente para fornecer informações de itinerários. Aí está o segredo, pensei um dia desses. É assim que os passageiros se informam. Ficam parados ali na porta da frente do veículo, três ou quatro pessoas trocando ideias com o condutor. Quanto mais vivo no Brasil, mais me chama a atenção a oralidade da cultura. É na conversa e no contato pessoal que se aprende e se vive.

Nisso, o Brasil é diferente dos Estados Unidos, quase uma imagem invertida (para variar). Lá, os motoristas de ônibus dirigem mais tranquilos, auxiliados, é verdade, por asfalto liso, câmbios automáticos e equipamentos mais novos. Mas eles têm pouca paciência para explicar trajetos. Nesse quesito, seus colegas brasileiros são mais prestativos.

Ensina Sérgio Buarque de Holanda, em seu insuperável Raízes do Brasil: “Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade – daremos ao mundo o ‘homem cordial’. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal.”

Minha tese é a de que tal cordialidade é apagada pela impessoalidade do trânsito. Daí a agressividade dos condutores. Entre veículos não há lhaneza no trato, para repetir a ótima expressão de Sérgio Buarque. Descobri, aliás, ao procurar a palavra no dicionário, que “lhaneza” é de origem tibetana. Lhano, pelo que entendo, é sinônimo de afável. Poderia render uma campanha publicitária: “Lhaneza no trânsito.

14/03/2009 - 10:34h Comércio reage e cresce 1,4% em janeiro

Liquidações ajudam, mas é cedo para falar em recuperação, diz IBGE

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Jacqueline Farid – O Estado SP

O desempenho do comércio varejista surpreendeu em janeiro e trouxe um pouco de alívio ao fim de uma semana de notícias ruins na economia. As vendas do setor cresceram 1,4% ante dezembro, contrariando previsões de queda. Em relação a janeiro do ano passado, houve alta de 6%. Hiper e supermercados e móveis e eletrodomésticos garantiram os resultados.

Os analistas de mercado financeiro esperavam, em média, recuo 0,1% nas vendas em relação ao mês anterior. O técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, Reinaldo Pereira, atribuiu a boa surpresa às promoções de início de ano para esvaziar estoques, mas citou também a continuidade de aumento da massa salarial e as iniciativas governamentais para incentivar o consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e a nova tabela do Imposto de Renda.

Segundo Pereira, a crise elevou a quantidade de mercadoria armazenada nas lojas no último trimestre, o que levou a liquidações mais agressivas em janeiro. Até as vendas de bens duráveis como móveis e eletrodomésticos, que vinham registrando queda por causa da restrição de crédito, subiram 7,1% em janeiro em comparação a dezembro.

Apesar do desempenho positivo, Pereira ressaltou que houve perda de ritmo na expansão do varejo, revelada na comparação anual. Segundo ele, a alta de 6% ante janeiro de 2008 representou a menor expansão, para o primeiro mês do ano, desde janeiro de 2004. Em igual mês, o setor cresceu 11,8%, o melhor resultado da série iniciada em 2001. Ele disse que essa base de comparação elevada influenciou a desaceleração do crescimento em janeiro de 2009, mas houve também influência da crise. “Sem a crise, a perda de ritmo não seria tão forte.”

O chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, também credita os bons resultados de janeiro às promoções. “Os estoques estavam altos, ainda é cedo para dizer que a tendência de desaceleração vai mudar.”

A analista da Tendências Consultoria, Mariana Oliveira, também alerta que seria precipitado comemorar qualquer blindagem do varejo à crise. Ela considera que os dados de janeiro mostram que o comércio teve “fôlego surpreendente”, mas “seria prematuro afirmar que o comércio voltou a uma trajetória consistente de crescimento elevado”. Ela não descarta recuos nos próximos meses.

Segundo Mariana, os resultados de janeiro levaram a Tendências a colocar um viés positivo na projeção de aumento de 3,1% nas vendas do varejo este ano. Em 2008, as vendas cresceram 9,1%.

11/03/2009 - 11:00h No ano, foi o 3º melhor resultado da era Lula

Alta do PIB em 2008 ficou atrás apenas de 2005 e 2007, com 5,7%

Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

Apesar da forte queda no último trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 5,1% em 2008, o terceiro melhor resultado do governo Lula, abaixo apenas de 2005 e 2007 (ambos com 5,7%). Com o desempenho do ano passado, o PIB per capita cresceu 4%, depois de ter se expandido 4,5% em 2007. Esse é um ótimo resultado, já que a média anual de crescimento do PIB per capita nos últimos dez anos é de 2% e, nos últimos cinco anos, de 3,5%.

O PIB de 2008 teve como destaques, pelo lado da produção, a agropecuária, que cresceu 5,8%, e a construção civil, que teve expansão de 8%. Pelo lado da demanda, as estrelas foram os investimentos, que cresceram 13,8%, apesar do tombo no último trimestre.

Mesmo com o aumento médio da Selic (taxa básica de juros) de 11,9% para 12,5% de 2007 para 2008, a expansão nominal do crédito bancário para empresas (42,2%) e das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (23,4%) contribuiu para o salto dos investimentos.

Os consumos das famílias e do governo cresceram, respectivamente, 5,4% e 5,6%. No caso das famílias, foi o quinto aumento anual seguido, puxado pelo crescimento de 7,9% na massa salarial e pelo crescimento nominal de 30,3% nas operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas.

As importações de bens e serviços se expandiram em 18,5% e as exportações recuaram 0,6%. Na agropecuária, os desempenhos principais foram do café, com alta de 25%, cana (19,2%) e milho (13,3%). A construção civil foi impulsionada pelo crédito à habitação, que cresceu 30,4% em termos nominais.

INDÚSTRIA

A indústria de transformação cresceu apenas 3,2% em 2008, o pior desempenho na indústria como um todo. Alguns dos melhores desempenhos na indústria de transformação foram segmentos como “outros equipamentos de transporte” (exclui automóveis) e produtos farmacêuticos. E algumas das piores quedas foram em produtos de madeira e produtos químicos, materiais elétricos e equipamentos de comunicação.

A indústria extrativa mineral cresceu 4,3% em 2008 e a de produção e distribuição de eletricidade, gás e água se expandiu 4,5%.

Os melhores desempenhos entre todos setores industriais e de serviços ficaram com a intermediação financeira e previdência complementar (9,1%, puxada pelo crédito e seguros) e os serviços de informação, impulsionados pela telefonia celular. O comércio cresceu 6,1%.

TRIBUTOS

Os impostos sobre produtos cresceram 7,4% em 2008, mais que o valor agregado a preços básicos, que cresceu 4,7% (juntos, valor agregado e impostos compõem o PIB, que cresceu 5,1%). Os maiores aumentos de tributos foram os das importações – 23,4%, acompanhando o salto das compras externas -, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com 7,9%) e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com 6,9%.


REAÇÕES

Antonio Delfim Netto
Ex-ministro da Fazenda

“Como a atividade está fraca, o que demonstrou o PIB no quarto trimestre do ano passado, eu acredito que o BC deveria cortar os juros em 2 pontos porcentuais amanhã. Mas isso não deve ocorrer. Se o Copom diminuir a Selic em 1,5 ponto porcentual, mando rezar uma missa ecumênica”

Alexandre Schwartzman
Economista-chefe do banco Santander

“A queda de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008 vai provocar um efeito carregamento (carry over) negativo da ordem de 1,5% a 1,7% para o PIB em 2009. Essa é uma conta grosseira, já que ainda não refizemos os cálculos com base nos novos números do IBGE”

José Serra

Governador de São Paulo “Infelizmente, não me surpreendeu (a queda do PIB).Isso sugere uma ação rápida dos governos nas três esferas e, principalmente, do governo federal, que tem nas mãos a política monetária. Depois de seis meses, ainda pratica a política monetária mais equivocada de todos os países do mundo”

Pedro Malan
Economista e ex-ministro da Fazenda

Existe um amplo espaço para se reduzir os juros nominais e reais e podemos chegar até o fim do ano a um dígito. O resultado do PIB (queda de 3,6% no quarto trimestre de 2008) é uma das razões que me levam a pensar que há mais espaço para reduzir os juros”

Gustavo Franco
Ex-presidente do Banco Central

“Nunca faltou coragem aos definidores da política monetária de subir os juros, resistindo a pressões políticas para que não o fizessem. Existe uma oportunidade inédita de se baixar os juros de maneira agressiva. O movimento tem que ser abrupto daqui para frente”

Rodrigo Maia
Deputado federal pelo RJ e presidente do DEM

“A queda do PIB mostra incompetência e irresponsabilidade do governo. O presidente Lula continuou tratando a crise como marola e não se antecipou tomando medidas no momento adequado, quando a economia estava bem”

Sem crise, a economia teria crescido 6,1%

 

Sérgio Gobetti – O Estado SP

 


A economia teria fechado 2008 com crescimento de pelo menos 6,1%, a maior taxa desde o Plano Cruzado, em 1986, se não fosse a guinada provocada pela crise mundial. Nos três primeiros trimestres do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) vinha crescendo acima de 6% em relação ao mesmo período de 2007 e, de um trimestre para outro, vinha se expandindo cerca de 1,7% a cada três meses. Se, em vez de cair 3,6% no último trimestre, o PIB tivesse ficado simplesmente parado, o crescimento no final do ano teria sido 1% maior do que o registrado pelo IBGE.

11/03/2009 - 10:34h Mercado volta a crescer na China

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Tian Ying, Bloomberg, de Pequim – VALOR

As vendas de veículos na China dispararam 25% em fevereiro, a primeira alta em quatro meses, depois que o governo reduziu os impostos sobre alguns modelos, o que contribuiu para que o país aumentasse a sua vantagem como o maior mercado de automóveis do mundo este ano.

As vendas de carros de passageiros, ônibus e caminhões cresceram para 827,6 mil unidades, informou em Pequim a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis. O cômputo nos dois primeiros meses do ano cresceu 2,7%, para 1,56 milhão de unidades, em comparação com a queda de 39%, para 1,35 milhão de unidades, ocorrida nos EUA.

A China reduziu à metade os impostos sobre as vendas de carros de pequeno porte e tem planos de subsidiar veículos nas áreas rurais, para revitalizar a demanda, depois de as vendas de automóveis terem atingido o menor crescimento em uma década, no ano passado. Junto com o pacote de estímulo econômico do país, de 4 trilhões de yuan (US$ 585 bilhões), as políticas do governo fizeram com que a General Motors (GM) dobrasse, grosso modo, a sua projeção de crescimento das vendas de veículos na China para este ano.

“Os consumidores estão recuperando a confiança, devido ao pacote de estímulo”, disse Ricon Xia, analista do Instituto de Pesquisas Daiwa em Xangai. “Mesmo assim, as vendas de veículos deverão flutuar nos próximos meses.”

A alta nas vendas de fevereiro, a maior em 18 meses, foi ajudada pelo fato de neste ano o feriado do Ano-Novo Lunar ter caído no mês anterior. Em fevereiro de 2007, o feriado, aliado às nevascas, contribuiu para reduzir as vendas de veículos. A GM elevou a sua projeção de vendas de automóveis na China para 5% a 10%, em comparação com a projeção anterior, de menos de 3%.

07/03/2009 - 11:49h Venda de veículos puxa retomada tímida da indústria

Segmento saiu de queda de 40,8% em dezembro para uma alta exatamente no mesmo porcentual em janeiro

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Jacqueline Farid, RIO – O Estado SP

O tímido aumento na produção industrial de janeiro em relação a dezembro foi puxado especialmente pela atividade de veículos automotores, que inclui autopeças, caminhões e, sobretudo automóveis. O segmento, que foi muito castigado pela crise e pela consequente escassez de crédito, saiu de uma queda mensal de 40,8% em dezembro para uma alta de exatamente 40,8% em janeiro ante o mês anterior, zerando o saldo.

Segundo Sales, esse aumento reflete os efeitos positivos que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) teve sobre as vendas e produção de automóveis. No entanto, destacou que mesmo com essa clara relação entre o tributo e o desempenho do setor, há agora um problema adicional para a indústria automobilística, que é o aumento da inadimplência. “Há sinais de inadimplência neste início de ano, que podem ser a contrapartida dessa redução de IPI”, comentou.

Mesmo com o aumento ante o mês anterior, a fabricação de automóveis apresentou uma queda expressiva em relação a janeiro de 2008: 29,6%, surpreendendo analistas e até mesmo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que projetava queda de 27,1% para janeiro. Para a economista-chefe da consultoria da Rosenberg & Associados, Thaís Zara, a produção industrial deverá continuar a mostrar quedas razoáveis daqui para frente. “Não serão quedas tão profundas como a de janeiro, mas teremos queda forte já a partir de fevereiro.”

Incluindo caminhões e autopeças, o setor de produção de veículos apresentou queda ainda mais intensa em relação a janeiro de 2008: 34,5%. Nessa base de comparação, a queda foi “generalizada”, destacou Sales. O índice de difusão da indústria mostrou que 75% dos 755 produtos pesquisados recuaram nessa base de comparação. Das 27 atividades, houve alta apenas no grupo “outros equipamentos de transporte” (39,2%), formado prioritariamente por aviões.

Os principais tombos ante janeiro de 2008 ocorreram nos segmentos que dependem do crédito, como bens de consumo duráveis. Além dos automóveis, os eletrodomésticos também registraram tombo de 29,6%.

Aparelhos de telefonia celular, incluídos no subgrupo, mostraram queda de 63,8% nessa base de comparação. Segundo Sales, a produção de duráveis foi prejudicada também pela desconfiança de consumidores. E foi o abalo da confiança, neste caso de empresários, que derrubou a produção de bens de capital (-13,4%), segmento que sinaliza a intensidade de investimentos.

COLABOROU FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

06/03/2009 - 09:49h Indústria tem recuperação localizada

 

Silvia Costanti / Valor

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit: “Os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição”

Sergio Lamucci, Sergio Bueno e Vanessa Jurgenfeld, de São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis – VALOR

Os impactos da crise financeira sobre a atividade industrial foram díspares em fevereiro. Segmentos cuja demanda está ligada à renda da população, como calçadistas e têxteis, já sentiram claramente uma recuperação de encomendas e consideram que a pior fase da crise passou. Para empresas e setores cuja produção é alimentada por crédito ou investimento, as realidades são distintas. Ao mesmo tempo em que grandes usinas siderúrgicas desligam alto-fornos, fabricantes de máquinas e equipamentos, como Randon e Marcopolo, já sentiram uma melhora nas encomendas em fevereiro e março. Mesmo as empresas e setores que relatam uma recuperação em fevereiro e neste começo de março, contudo, indicam queda de produção em relação ao mesmo período do ano passado.

Hoje o IBGE divulga o resultado da produção industrial de janeiro. Os analistas esperam forte crescimento em relação a dezembro de 2008, feito o ajuste sazonal. A LCA Consultores projeta alta de 9,2%. Na comparação com janeiro do ano passado, contudo, a estimativa é de recuo de 10,2%. O Santander aposta em crescimento de 11% sobre dezembro e queda de 9,5% em relação janeiro de 2008.

Entre os indicadores já conhecidos, venda de automóveis e consumo de energia indicam que fevereiro voltou a crescer sobre janeiro. O licenciamento de automóveis e comerciais leves atingiu a média diária de 10,9 mil unidades, mais que os 10,1 mil de janeiro deste ano e os 10,4 mil de fevereiro do ano passado, na série com ajuste sazonal calculada pela LCA. O resultado é efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), destacam analistas e empresários do setor. O consumo diário de energia elétrica, por sua vez, atingiu a média de 50,2 MW em fevereiro, 2,7% a mais do que no mês anterior, também na série livre de influências sazonais. Em relação ao mesmo mês de 2008, houve queda de 0,59%.

O setor têxtil brasileiro acredita que o pior da crise já passou e vê sinais de melhora das encomendas nos últimos dias, após um primeiro bimestre fraco. “O varejo retomou os pedidos, está conseguindo girar seus estoques. Ainda vai levar algum tempo para que esse movimento ganhe velocidade, mas há bons indicativos para março”, diz Zeno Fischer, diretor de controladoria e planejamento da Lepper, de Joinville (SC). Indústria de cama, mesa e banho, a Lepper fechou o primeiro bimestre com queda de 10% nas vendas em relação ao igual período de 2008. Em fevereiro, até registrou uma melhora de vendas em relação a janeiro deste ano em torno de 20%, mas as vendas ficaram 10% abaixo do mesmo mês do ano passado. Segundo Fischer, apesar de um começo de ano de vendas em queda, a Lepper projeta crescimento de 10% no faturamento do ano, para R$ 145 milhões em 2009.

Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, há sinais melhores no setor, mas fevereiro foi um período de vendas menores do que igual mês do ano passado. “Mas há um clima de retomada da atividade, os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição. Nossa expectativa é que o pior (da crise) tenha passado”, diz. Na sua avaliação, as empresas do setor não farão mais paradas de ajuste de estoques, e embora exista um crédito ainda caro e restrito, as têxteis poderão ter um desempenho no ano melhor do que outros setores porque as compras de vestuário dependem pouco de crédito.

Na Indústria São Roberto, que atua no segmento de papelão ondulado, as vendas em fevereiro caíram 10% em relação ao mesmo mês do ano passado, uma queda ligeiramente inferior aos 12% registrados em janeiro na comparação com janeiro de 2008. A expectativa do presidente da empresa, Roberto Nicolau Jeha, é de que em março haja uma queda de 5% sobre o mesmo mês de 2008. “Março começou um pouco melhor do que fevereiro”, diz ele, acrescentando que só acredita numa melhora mais consistente no segundo semestre. Jeha diz que a demanda por papelão ondulado caiu menos por parte de empresas de alimentos e produtos de limpeza. No caso das companhias que dependem mais do crédito, como fabricantes de televisores e eletrodomésticos, o tombo foi maior.

O presidente da distribuidora de aço Rio Negro, Carlos Loureiro, diz que houve uma melhora na demanda por parte da indústria automobilística, beneficiada pela redução do IPI para veículos. Segundo ele, montadoras e empresas de autopeças voltaram a comprar com mais força, o que ajudou um pouco nas vendas de fevereiro e continua a auxiliar nas de março. “Mas não houve melhora nos outros segmentos”, diz ele, dizendo que continua fraca a procura por parte de empresas de máquinas agrícolas, rodoviárias e equipamentos para infraestrutura.

A indústria calçadista iniciou o ano com cenários distintos no mercado interno e nas exportações. As vendas domésticas arrancaram bem, turbinadas em alguns casos por descontos e aumentos de prazos de pagamento. Os fabricantes aguardam a reposição dos estoques dos lojistas, em maio, para confirmar a tendência. As exportações recuaram 23,9% no primeiro bimestre em comparação com igual período de 2008, para
US$ 280,6 milhões, mas o setor espera algum crescimento em 2009, impulsionado pela desvalorização do real, após a queda em volume e faturamento no ano passado.

Segundo o diretor comercial da gaúcha Piccadilly, Marlon Martins, em janeiro e fevereiro a empresa aumentou prazos de pagamento em 30 dias e concedeu descontos de 5% a 15% em algumas linhas para estimular os negócios no mercado interno. O resultado foi um aumento de três vezes no volume de vendas em fevereiro na comparação com janeiro, para mais de 600 mil pares. Em relação ao mesmo período de 2008, a alta foi de 2,5 vezes, informa o executivo.

No mercado externo, o recuo das vendas apontado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no bimestre deveu-se à demora na reposição dos estoques dos importadores em função da desaceleração econômica na América do Norte e Europa, avalia o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Ricardo Wirth. “Não esperávamos uma queda tão alta, mas não chegou a ser surpreendente.” Em fevereiro, as exportações renderam US$ 138 milhões, 3,3% a menos do que em janeiro e 29,3% abaixo do mesmo mês de 2008. Para o empresário, março ainda será um mês de “transição” entre as encomendas das coleções de verão e de inverno para o hemisfério norte.

Alguns setores e empresas ainda não sentiram recuperação da atividade, como a Usiminas e a CSN. A primeira anunciou que vai paralisar, a partir de segunda-feira e por tempo indeterminado, o alto-forno n 1 da usina de Cubatão na Baixada Santista. A CSN, que também produz aços planos, vai paralisar por 40 dias o alto-forno n 2, que responde por 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ). O presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, justificou a decisão pela falta de sinais mais consistentes de demanda para o segundo trimestre.

Por outro lado, a Marcopolo, maior fabricante brasileira de carrocerias para ônibus, após fechar o primeiro bimestre com vendas 10% menores, sentiu recuperação em março. A Randon, que produz implementos agrícolas, também espera retomada das vendas.

05/03/2009 - 16:00h Recessão e protecionismo: as lições de erros do passado

http://www.constelar.com.br/constelar/122_agosto08/imagens122/desempregados_1933.jpg

*Marcelo Piancastelli – VALOR

Numa viagem de estudos aos Estados Unidos como estudante de economia, a convite do Departamento de Estado, visitei Pittsburgh, na Pensilvânia, região de alta concentração da indústria siderúrgica americana. Diversas vezes, em diferentes reuniões, ouvi lamúrias contra a importação do aço brasileiro. Uma, em particular, ficou gravada até hoje. Jantando na casa de um operário da US Steel, eu o ouvi reclamar, durante todo o tempo, da situação da siderurgia americana e, em especial, da situação de colegas desempregados por conta das importações de aço brasileiro.

Já se passaram algumas décadas. A indústria siderúrgica americana, desde então, fez progressos, mas não se tornou competitiva mundialmente. Em se tratando de Estados Unidos, proponente líder do livre comércio, torna-se difícil alegar falta de talentos, de tecnologia, de capital e de mercado, ou culpar uma legislação trabalhista ultrapassada. Mas, da mesma forma, recrudescem todas aquelas reclamações protecionistas típicas de setores que não conseguem se tornar competitivos.

Eis que, no pacote de medidas contra a recessão proposto ao Congresso pela atual administração do presidente Obama, apareceu um ardiloso artigo coibindo importações de aço que traz à tona o mesmo velho e conhecido lema do protecionismo: salvaguardar empregos em indústrias sem condições de competir no mercado mundial. Em épocas de recessão há sempre esta tentação. As discussões das medidas propostas pelo governo americano no Senado se arrastaram mas, finalmente, acertou-se que apenas aquelas importações resguardadas por acordos internacionais estarão a salvo das novas medidas protecionistas. Ou seja, prevaleceu o protecionismo.

Aqui no Brasil, da mesma maneira, houve também tentativa semelhante. Por meio da conhecida “licença prévia de importação”, tentou-se implantar conhecidos e velhos controles não-tarifários sobre as importações. Iniciativa, felizmente, abortada a tempo diante da forte reação gerada.

A iniciativa americana atual, por sua vez, se assemelha mais àquelas velhas ideias e sequer se aproximam das “novas ideias de economistas mortos”! Isto nos remete a rever lições do passado. As lições da crise de 1929 fazem parte, hoje, de nosso dia-a-dia. Sabe-se que o protecionismo americano, juntamente com outros equívocos na política monetária, apenas prolongaram a recessão, que durou 10 anos e só terminou por conta do início da Segunda Guerra Mundial.

Algumas medidas contra a recessão que se tenta implantar agora, em 2009, são semelhantes àquelas que foram adotadas há quase 80 anos. O presidente Hoover ordenou aos governadores que expandissem os gastos públicos até onde possível. Os gastos públicos, em abril de 1930, estavam em nível mais elevado dos cinco anos anteriores.

O presidente Hoover elevou os preços dos produtos agrícolas como um estímulo ao aumento da produção, levando a uma superprodução.

Finalmente, em junho de 1930, chegou-se ao protecionismo. Um senador de Oregon, Willis Hawley, e outro de Utah, Reed Smoot, apresentaram um projeto de lei, que acabou aprovado e se tornou conhecido como Lei Smoot-Hawley. Tal lei impôs as mais altas tarifas da história americana.

Numa tentativa de amainar as reações contrárias, o presidente Hoover determinou que a aplicação da lei fosse conduzida por um comitê suprapartidário, com representação igualitária entre republicanos e democratas, cujo encargo seria flexibilizar as tarifas quando conveniente. Enquanto isso, as perspectivas da economia americana se deterioravam. O desemprego passou de 3% no outono de 1929 para 9% ao início do ano seguinte.

Em maio de 1930, 1.208 economistas, Irving Fisher entre eles, assinaram uma carta aberta ao presidente alertando-o sobre a necessidade de vetar tal legislação protecionista.

Os termos da carta aberta foram claros: “Nós estamos convencidos de que o aumento das restrições aduaneiras serão um erro. Elas operam em geral para aumentar os preços que os consumidores domésticos terão que pagar. Ao se aumentar os preços, induzirão custos de produção mais elevados e assim, vão compelir os consumidores a subsidiar a perda e a ineficiência na indústria. Ao mesmo tempo, tais restrições forçariam o consumidor a pagar por maiores lucros das firmas estabelecidas. Poucas pessoas poderiam ganhar com tais mudanças”.

Os economistas assinantes da carta aberta previam: “Muitos países nos vão cobrar em espécie”. Com relação à redução de desemprego, os economistas advertiram os republicanos, membros do Congresso que propunham tal lei protecionista, que “não se pode aumentar o emprego restringindo o comércio”.

Os produtores americanos de algodão, carne de porco, gordura animal e trigo passaram a sofrer consequências do protecionismo com queda de suas exportações.

O jornal parisiense “Le Quotidien” publicou um editorial intitulado “Pode Mr. Hoover limitar a catástrofe que os protecionistas americanos estão preparando?”. O primeiro-ministro francês à época, Aristide Briand, sugeriu a formação de um “mercado comum europeu” para fazer face à iniciativa americana.

Hoover recebeu alertas da Universidade de Stanford, sua “alma mater”, e 106 telegramas de executivos da General Motors em todo o mundo o advertiram que o protecionismo isolaria os Estados Unidos e aprofundaria a recessão.

Apesar de todas as advertências, o Congresso americano deu a Hoover o que ele queria. Hoover promulgou a lei em junho de 1930, assinando-a com seis penas de ouro, em homenagem aos seis líderes republicanos que se empenharam em aprová-la.

Já se sabe o final da história: a economia americana padeceu de uma recessão mais longa que o necessário – durou mais de 10 anos e só terminou quando a economia foi alavancada pelo início da Segunda Guerra Mundial.

O protecionismo imposto pela Lei Smoot-Hawley provocou retaliações protecionistas por um grande número de países em todo o mundo. O protecionismo privou os EUA de mercados antes conquistados e aprofundou a recessão. A França e a Itália impuseram tarifas para os automóveis americanos, Austrália e Índia fixaram novas tarifas para produtos americanos. O Canadá elevou suas tarifas três vezes e atingiu, de início, 125 produtos americanos. A Suíça, desgostosa com as tarifas sobre relógios, boicotou importações americanas.

Outras consequências indiretas, inclusive sobre os pagamentos dos débitos de outros países junto ao governo americano, exigirão um espaço muito maior que o disponível no momento para serem comentadas

*Marcelo Piancastelli é economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

05/03/2009 - 12:09h Autopeça recontrata demitidos em Taubaté

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Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

A recuperação nas vendas de veículos ocorrida em janeiro e fevereiro provoca uma lenta retomada da atividade no setor de autopeças. Empresas de Taubaté e do ABC Paulista reconvocam funcionários, estimuladas sobretudo pelo aumento das encomendas pela Volkswagen. Em janeiro, as vendas de automóveis e veículos leves cresceram 5,11% sobre dezembro e, em fevereiro, 0,85% sobre o mês anterior, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No ano, a Volkswagen liderou as vendas de veículos do país, com 23,34% dos emplacamentos.

Ontem, a Thyssenkrupp KMAB, que fornece autopeças para a montadora alemã e possui 400 funcionários em Taubaté (SP), recontratou 38 funcionários dos 70 que havia demitido desde que a crise internacional se agravou, em meados de setembro de 2008. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Isaac do Carmo, por enquanto, as empresas que têm a Volkswagen como principal cliente estão retomando mais rapidamente o ritmo de produção. “Outras empresas de autopeças que também demitiram já estão aumentando o pagamento de horas extras. Nesses casos o sindicato tem orientado as empresas a recontratar”, afirmou.

Carmo observou que a decisão da Volkswagen de convocar os 5,3 mil empregados da unidade de Taubaté para horas-extras aos sábados injetou na economia local R$ 8 milhões no primeiro bimestre deste ano. No ano todo de 2008, o pagamento de adicionais pela empresa no município totalizou R$ 50 milhões. A empresa também renovou os contratos de 650 temporários em janeiro para garantir o ritmo de produção. “Existe também uma expectativa de que a Fiat normalize a produção até o mês que vem, o que também dará impulso às empresas locais”, disse.

Em São Bernardo do Campo, a Kostal, que havia negociado com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC a redução da jornada, voltou atrás, também devido ao aumento da demanda. Em fevereiro, outras duas empresas de autopeças da região cancelaram a redução de jornada, a Fiamm e a Polistampo. “As empresas estão aos poucos cancelando a redução da jornada, mas é preciso confirmar se há mesmo uma tendência”, afirmou o presidente do sindicato, Sérgio Nobre.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, também confirmou a mudança nas indústrias de autopeças, mas salientou que a retomada do emprego é sempre muito mais lenta que o ritmo das demissões. Torres e Nobre citam como fonte de preocupação atual as empresas de máquinas e equipamentos, que têm procurado os sindicatos com o temor de que a redução do imposto de importação sobre máquinas usadas provoque mais quedas na demanda e as obrigue a demitir. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estuda um plano de ações para evitar demissões nesse setor.

04/03/2009 - 09:17h Fiat lucra R$ 1,87 bi, seu melhor resultado no País

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Cleide Silva – O Estado SP

 


A Fiat Automóveis obteve, em 2008, o maior lucro líquido de sua história no País. A líder em vendas de veículos registrou ganho de R$ 1,87 bilhão, ultrapassando em 11,3% o recorde anterior de 2007, quando teve resultado positivo de R$ 1,68 bilhão.

O montante equivale a quase 40% dos ganhos divulgados em janeiro pela matriz na Itália, de 1,61 bilhão (R$ 4,87 bilhões), valor 17% menor do que o obtido em 2007. O faturamento com vendas da filial brasileira atingiu R$ 18,4 bilhões, 7% a mais do que no ano anterior.

Em nota distribuída ao mercado ontem, a Fiat afirma que “apesar da redução na atividade durante o último trimestre, 2008 foi o melhor ano para a indústria automotiva no Brasil”. As vendas totais de automóveis e comerciais leves somaram 2,67 milhões de unidades, 14,1% a mais que em 2007. A Fiat cresceu 8,2%, com 657,7 mil carros.

O balanço foi o quarto seguido da subsidiária com resultados positivos. A Fiat é a única montadora que divulga balanço individual no País. Em 2005, a unidade de automóveis teve lucro de R$ 511,2 milhões e, em 2006, de R$ 803,7 milhões. A Fiat é a única montadora que divulga balanço no País.

RECALL

A Fiat inicia hoje a convocação de 52.986 modelos Punto para averiguação e, se necessário, troca do fecho do cinto de segurança do banco central traseiro. O recall envolve todos as unidades produzidas entre junho de 2007 e novembro de 2008, com motores 1.4 e 1.8.

Segundo Nilson Bretz, gerente de qualidade da Fiat, o problema foi detectado pela equipe da montadora e não há ocorrências de problema envolvendo consumidores. “É uma ação preventiva”, diz. A montadora constatou que se o passageiro do banco traseiro esquerdo, por engano, encaixar o cinto no fecho do assento central terá a falsa sensação de encaixe, mas a peça pode soltar-se. O recall é para substituir o fecho que não deveria aceitar a peça do cinto lateral.

04/03/2009 - 08:57h Resumo

Capa do jornal O Estado de São Paulo: um resumo significativo sobre o impacto da crise econômica
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090304/img/capadodia.jpgcarros_eua_brasil_estado.jpg

No Brasil, vendas reagem e fábricas adotam hora extra

Queda de 4,5% no número de unidades vendidas foi menor do que analistas e empresas esperavam

Ao contrário de mercados internacionais, as vendas de veículos no Brasil apresentaram pequena recuperação em fevereiro e, no bimestre, a queda é de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado, com 396,8 mil unidades vendidas. Diante de resultados menos pessimistas do que os previstos, as montadoras estão tendo de recorrer a horas extras e suspensão de dispensas temporárias para dar conta da demanda.

A Volkswagen convocou 7 mil funcionários – quase a totalidade do quadro da produção – para jornada extra neste sábado na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Na Fiat em Betim (MG), 12 mil funcionários vão trabalhar nos próximos três sábados para repor feriados. Cerca de 440 funcionários da Renault em São José dos Pinhais (PR)voltarão ao trabalho dia 23. Eles fazem parte do grupo de 844 pessoas com contratos suspensos até maio.

Com a necessidade de produzir mais, até para evitar filas de espera de alguns modelos, a ação das montadoras puxa a das autopeças. Nos últimos meses, várias fabricantes fizeram acordos de redução de jornada e agora estão voltando atrás.

Na região do ABC paulista, a Fiamm, fabricante de buzinas, cancelou a semana reduzida de trabalho três meses antes do previsto. Os 168 trabalhadores retomaram a jornada normal de cinco dias na segunda-feira. A medida visa a normalizar a produção, segundo informou a empresa ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Os 160 trabalhadores da Polistampo, que faz peças para portas, voltaram uma semana antes do previsto à jornada normal de trabalho.

A Volkswagen não comentou a razão das horas extras. A Fiat informou que pretende ampliar a produção diária de 2,6 mil para 3 mil veículos.

Marcelo Cioffi, da consultoria PricewaterhouseCoopers, avalia que o mercado brasileiro “não está tão ruim quanto se esperava”. Mas acha também que pode ser um movimento por parte das montadoras de garantir estoques para as vendas de março, último mês de redução do IPI. É provável que haja uma correria às lojas, “uma antecipação de compras”. As empresas, nos bastidores, tentam convencer o governo a manter o benefício.


NÚMEROS

396,8 mil
unidades foram vendidas em janeiro e fevereiro

7 mil
funcionários da Volkswagen foram convocados para trabalhar sábado. Na Fiat, 12 mil vão trabalhar nos próximos 3 sábados

Venda de carros cai até 53% nos EUA, o nível mais baixo em 30 anos

Especialistas falam em ‘depressão automotiva’ nos EUA; na Europa, a GM diz que pode ficar sem caixa em abril

Agências internacionais, NOVA YORK


A venda de automóveis das principais montadoras nos Estados Unidos em fevereiro caiu mais de 40% na comparação com igual período do ano passado. Apesar de oferecerem descontos bastante agressivos, o desempenho das montadoras registraram o nível mais baixo em quase 30 anos.

Na General Motors, que vem sobrevivendo graças a uma ajuda governamental de US$ 13,4 bilhões, a queda nas vendas foi de 52,9%. A Ford teve redução de 48% e a Chrysler, que também ganhou uma sobrevida com uma ajuda de US$ 4 bilhões em dezembro, viu suas vendas caírem 44%.

Maior montadora do mundo em vendas, a japonesa Toyota vendeu 37,3% a menos. Honda e Nissan anunciaram queda de 38% e 37%, respectivamente, enquanto a alemã BMW informou uma redução de 34,7%.

“Estamos vivendo uma depressão automotiva”, afirmou o analista da Standard & Poor?s Efraim Levy. “Consumidores temerosos de perder o emprego e assistindo a uma queda no valor de suas casas e de seus ativos em bolsa estão muito receosos de fazer compras grandes e não essenciais.”

Na Europa, o cenário também não é animador. Na Espanha, o número de registros de veículos caiu 48,8%, o pior desempenho para um mês de fevereiro na história do país. Na França – um dos países que havia resistido melhor à crise do setor em 2008 -, o recuo foi de 13,1%.

A retração da demanda na Europa já ameaça as subsidiárias da GM, que empregam 300 mil pessoas. “A GM Europa poderá ficar sem caixa lá para abril ou maio. Só uma ajuda governamental poderia evitar a perda de 300 mil postos de trabalho”, alertou o vice-presidente mundial de operações da GM, Fritz Henderson. O executivo pleiteia uma ajuda de US$ 4,2 bilhões, que seria usada para financiar a separação das subsidiárias Opel e Vauxhall.

No entanto, o apelo não parece sensibilizar os líderes europeus. Depois de uma reunião com o presidente executivo da GM Europa, Carl-Peter Forster, o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, declarou que ainda não está convencido de que a Opel tenha pela frente um “futuro sustentável”. Os governos da Suécia e da Grã-Bretanha, sede das subsidiárias Saab e Vauxhall, estão igualmente relutantes.

Os números negativos divulgados ontem alimentam os temores de que as montadoras não conseguirão obter a recuperação esperada para o segundo semestre deste ano nos EUA, com a qual as companhias vinham contando para desacelerar sua erosão financeira.

Para se qualificarem a receber mais US$ 21,6 bilhões do governo, além dos US$ 17,4 bilhões que já receberam, GM e Chrysler têm até o fim deste mês para demonstrar que estão tendo sucesso nos planos de reestruturação. Caso elas não sejam convincentes, não apenas não receberão mais recursos do governo como terão de devolver aquilo que receberam.

As duas montadoras insistem que terão condições de recuperar a lucratividade e, a partir de 2012, poderão começar a pagar os empréstimos recebidos. Entretanto, para isso, precisam aumentar consideravelmente as vendas este ano.

As empresas também tentam estabilizar suas operações com a queda da produção. A GM e a Ford, que ainda não precisou de ajuda financeira, já declararam que a produção no segundo trimestre deve ser reduzida em mais de 30%, ante o mesmo período de 2008.

“Diante de um cenário econômico frágil, temos de ficar atentos para perceber os indícios de que as condições estão se deteriorando”, afirmou a economista sênior da Ford nos EUA, Emily Kolinski Morris. “Isso quer dizer que não atingimos ainda o fundo do poço. Pode ser que o fundo tenha sido atingido em fevereiro, mas não há nenhuma âncora no horizonte econômico que nos permita ser conclusivos em relação a isso.”

Nem mesmo descontos de mais de US$ 5 mil, que se tornaram comuns nas últimas semanas, estão atraindo os consumidores americanos. E os poucos que ainda estão em busca de um carro novo esbarram na falta de crédito. Pensando nesse tipo de cliente, a Toyota pediu ontem em Tóquio um empréstimo emergencial de US$ 2 bilhões do governo japonês para financiar a compra de carros nos EUA.

03/03/2009 - 10:59h Crise golpeia indústria do etanol nos EUA

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Ricardo Balthazar, de San Antonio (EUA) – VALOR

A crise econômica internacional atirou a indústria de etanol dos Estados Unidos numa encruzilhada, interrompendo a expansão vertiginosa observada nos últimos três anos e alimentando dúvidas sobre sua capacidade de sobrevivência sem mudanças nas políticas governamentais que estimulam a produção de biocombustíveis no país.

Pelo menos 23 usinas americanas fecharam as portas nos últimos meses. Instalações capazes de processar 6,4 bilhões de litros de álcool por ano tornaram-se ociosas, o equivalente a um quarto da produção anual das destilarias brasileiras. Uma das maiores empresas do setor, a VeraSun, pediu concordata e pôs à venda cinco das suas 16 usinas.

O consumo de combustíveis está caindo nos EUA, porque as pessoas estão dirigindo seus carros com menos frequência para economizar e enfrentar a recessão. Isso reduziu a demanda por etanol, que as refinarias americanas usam principalmente como aditivo na composição da gasolina. A capacidade instalada nas usinas do país é hoje mais do que suficiente para atender às necessidades das refinarias.

A desaceleração da economia mundial também causou uma queda acentuada dos preços do petróleo no mercado internacional, tornando a gasolina mais barata que o etanol nos EUA e reduzindo o interesse das refinarias pelo combustível alternativo. As refinarias agora têm adquirido apenas o volume mínimo de álcool necessário para cumprir exigências da legislação.

As cotações do etanol no mercado americano caíram 46% desde o pico alcançado em meados do ano passado, de acordo com o economista John Urbanchuk, um veterano consultor da indústria. O milho usado como matéria-prima para fazer etanol nos EUA também ficou mais barato, mas seus preços continuam em níveis historicamente elevados, encarecendo os custos das usinas.

Isso tem comprimido as margens de lucro da indústria, tornando especialmente vulneráveis empresas como a VeraSun, que se endividaram bastante nos últimos anos para aumentar sua capacidade de produção. Investidores que no passado recente apostaram alto no setor agora pensam duas vezes antes de sacar o talão de cheques.

Até grandes grupos como a Archer Daniels Midland (ADM) foram afetados. Suas usinas têm condições de produzir 4 bilhões de litros de etanol por ano e tiveram um prejuízo de US$ 111 milhões no último trimestre. A perda anulou quase todos os ganhos obtidos pela ADM com adoçantes e outros produtos derivados do milho que ela também vende.

“Fomos golpeados por uma tempestade perfeita, uma combinação perversa de fatores adversos”, diz Bob Dinneen, presidente da Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), organização que defende os interesses das usinas americanas e realizou na semana passada uma conferência para avaliar o estado da indústria.

Os Estados Unidos produziram 34 bilhões de litros de etanol no ano passado. As metas fixadas pela legislação americana determinam que as refinarias ampliem o consumo para 40 bilhões de litros neste ano, o dobro do que elas consumiram em 2006. Será difícil cumprir a meta se a economia demorar para se recuperar e os motoristas mantiverem seus carros parados nas garagens.

Ao contrário do que ocorre no Brasil, onde os postos de distribuição vendem álcool e gasolina separadamente e boa parte da frota de automóveis foi projetada para rodar com os dois tipos de combustível, nos EUA não existe a infraestrutura necessária para fazer isso e poucos carros têm motores bicombustíveis, o que restringe o potencial de expansão das usinas americanas.

A indústria está pressionando o governo e o Congresso a autorizar a venda de gasolina com concentrações de álcool maiores do que a permitida pela legislação atual, o que poderia ampliar rapidamente a demanda por etanol no mercado americano. Hoje, a mistura do álcool à gasolina é limitada a 10% nos EUA. As usinas gostariam de ver o limite elevado para perto de 15%.

O problema é que as montadoras de automóveis e os fabricantes de motores resistem a essa mudança. O governo tem feito testes para avaliar o desempenho de vários motores com diferentes misturas de gasolina e álcool. Resultados preliminares sugerem que alguns motores funcionariam mal com concentrações de álcool superiores a 10% e outros romperiam limites estabelecidos pelas leis ambientais para emissão de poluentes.

As montadoras temem ser soterradas por uma avalanche de processos judiciais se a mudança for aprovada. “Precisamos nos proteger contra as ações que virão se os consumidores forem forçados a usar um combustível para o qual os motores de seus carros não foram projetados”, afirma Mark Maher, um executivo da General Motors que acompanha os testes em andamento.

As dificuldades da indústria dos EUA sugerem que o Brasil continuará enfrentando barreiras se quiser exportar volumes maiores de álcool para o cobiçado mercado americano. As tarifas que protegem o setor nos EUA encarecem o etanol importado das usinas brasileiras, que extraem o combustível da cana-de-açúcar e são mais competitivas que as destilarias americanas.

O Brasil vendeu mais de 2 bilhões de litros de etanol para os EUA em 2006. Como o petróleo estava em alta nessa época e as usinas americanas ainda não conseguiam suprir sozinhas a demanda interna, os produtores brasileiros conseguiram fazer bons negócios mesmo pagando as tarifas. No ano passado, os americanos consumiram muito mais etanol do que em 2006, mas o Brasil exportou para os EUA apenas 1,7 bilhão de litros.

03/03/2009 - 09:50h Aumento das exportações em fevereiro e queda das importações: balança comercial tem superávit

http://www.transaex.com.br/img_noticias/20090202122915_noticias.jpg

Importação cai e balança fecha mês com superávit

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

A forte queda nas importações levou a balança comercial a um superávit de US$ 1,76 bilhão em fevereiro. De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o mês passado foi marcado pelo aumento das médias diárias das exportações em relação a janeiro, queda acentuada das importações e tendência de maior participação dos países em desenvolvimento – principalmente da Ásia, que saiu de 15,5% (fevereiro de 2008) para 21,5% – nos destinos das exportações brasileiras.

Para Barral, depois de um janeiro muito ruim para a balança comercial, fevereiro foi melhor, apesar do cenário de crise e do menor número de dias úteis. O saldo de US$ 1,76 bilhão é resultado de vendas de US$ 9,58 bilhões e compras de US$ 7,82 bilhões. A comparação com fevereiro de 2008, por meio das médias diárias, revela quedas de 20,9% nas exportações e 30,9% nas importações. Levando em conta os dois primeiros meses do ano, as diminuições são de 21,9% (exportação) e 21,6% (importação).

A desvalorização do real e o menor ritmo de crescimento da economia reduziram as importações. Por outro lado, a crise mundial diminui a demanda por produtos brasileiros. Segundo o governo, a queda das importações em fevereiro também foi marcada pela retração dos preços do petróleo e derivados. Esse movimento foi responsável por uma redução de US$ 461 milhões nas compras do mês em relação a fevereiro de 2008.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirma que os números da balança em fevereiro mostram uma velocidade maior dos impactos da crise. Ele explica que o ritmo de queda das importações (30,9%) era esperado para março. “Atualmente, isso é mais provocado pelo câmbio que pela demanda, mas esses dois efeitos tendem a ter pesos iguais”, diz.

No lado das importações, as médias diárias de fevereiro mostram que todas as categorias de produtos tiveram reduções em relação a fevereiro de 2008. As maiores foram de petróleo (44%), matérias-primas e intermediários (34,3%), bens de capital (16,7%), bens de consumo duráveis (9,9%), automóveis (8,8%) e não duráveis (5,4%).

Na análise da quantidade importada, a queda foi de 42,9% em relação a fevereiro de 2008. A categoria mais afetada foi a de matérias-primas e intermediárias (47,7%). A maior redução, 85,4%, foi no segmento de matérias-primas para agricultura. Combustíveis perderam 40% em quantidade. As demais quedas ocorreram em maquinaria industrial (0,3%), bens de consumo duráveis (7,6%), não duráveis (12,9%), produtos alimentícios primários (41,7%) e produtos minerais (41,2%).

A perspectiva da balança comercial é “turbulenta”, segundo o dirigente da AEB. Para ele, as exportações continuam fracas e os países emergentes vão reduzir importações por falta de divisas. Quanto aos principais parceiros comerciais do Brasil, o cenário previsto por Castro também é desanimador. Em 2009, ele acredita que vai haver déficit com os EUA, pela primeira vez desde 1999, o que revela “a fraqueza da pauta de exportações com o maior mercado do mundo”. O saldo negativo com a China vai permanecer e o superávit com a Argentina vai diminuir.

Barral detalhou os números do comércio com China e EUA em fevereiro. Nas importações, o comércio com os EUA teve, na comparação com o mesmo mês de 2008, aumentos de 3,4% no valor e 6,2% nos preços, mas queda média de 7,1% nas quantidades. As maiores diminuições de quantidade foram em químicos orgânicos (53,4%), plásticos (40%), químicos diversos (32,1%), eletroeletrônicos (14,5%), máquinas e equipamentos (7,2%) e instrumentos óticos (2,2%).

Com relação às importações da China, fevereiro teve, em média, quedas de 12,4% no valor e 37,9% na quantidade, mas aumento de 34,3% nos preços. Os maiores aumentos de quantidade foram para têxteis (80,6%), ferro fundido (11,6%), calçados (9,6%) e químicos orgânicos (4%). As maiores quedas foram para combustíveis minerais (40,5%), máquinas/equipamentos (38,4%), siderúrgicos (28,3%), instrumentos óticos (22,5%), eletroeletrônicos (20%) e automóveis (12,4%).

03/03/2009 - 09:00h Com menos dias úteis, vendas em fevereiro superam as de janeiro

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Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

O mercado de veículos foi melhor em fevereiro do que em janeiro, mesmo com número de dias úteis menor. O avanço foi de 0,98%, incluindo os carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus. Embora não seja acentuado, o crescimento ganha importância num cenário de crise, mas também reflete a antecipação de compras por conta do fim do IPI menor, que dura só até o fim deste mês.

Fevereiro teve 18 dias úteis, ante os 20 dias de janeiro. O volume de licenciamentos de veículos novos vinha num ritmo médio de 10 mil unidades ao longo do mês. Mas no último dia, a quantidade aumentou para mais de 16 mil, o que chegou a surpreender muitos revendedores.

O mês terminou com o venda total de 199,3 mil unidades. Os volumes mensais tem ficado muito próximos das 200 mil unidades desde que o governo reduziu a alíquota do IPI para a maior parte dos automóveis, em meados de dezembro. No auge da crise, em novembro, o total de vendas foi de 177,8 mil. Mas antes da crise , a média mensal estava em torno de 235 mil unidades.

A comparação do resultado de fevereiro com o mesmo mês do ano passado mostra uma ligeira queda, de 0,72%. Também no acumulado do ano as vendas registraram uma retração, de 4,56% na comparação com o primeiro bimestre de 2008. O total de licenciamentos de veículos entre janeiro e fevereiro foi de 396,8 mil unidades.

“O desempenho estável destes setores foi possível graças à redução do IPI, das taxas de juros e às constantes promoções que vêm sendo mantidas pelas montadoras”, disse o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze, em comunicado ontem. Segundo a entidade, incluindo todos os setores de distribuição automotiva, as vendas registraram queda de 4,69% em fevereiro em relação a janeiro. Essa retração foi provocada principalmente pelo segmento de motocicletas.

Nos bastidores, a indústria automobilística há dias se mobiliza para tentar pressionar o governo a manter o IPI reduzido. O movimento é discreto, já que a indústria sabe que o consumidor não vai antecipar compras se souber que o IPI reduzido pode ser prorrogado.

Ao mesmo tempo, afirmam fontes do setor, existe uma pressão contrária na esfera política, por conta de perda na arrecadação. Enquanto não sai nenhuma decisão a respeito da prorrogação do benefícios, as montadoras se preparam para explorar o assunto nas campanhas de marketing deste mês.

A Fiat perdeu a liderança para a Volkswagen na virada do ano. A montadora alemã ficou com 23,34% das vendas de veículos do país no acumulado dos dois primeiros meses de 2009. A Fiat ficou em segundo lugar, com 22,25%, seguida pela General Motors (18,63%) e Ford (11,97%). Entre as montadoras mais novas, a , Honda está na frente, com 4,36%, seguida pela Renault (4,06%), Peugeot (2,97%) e Toyota (2,55%).

03/03/2009 - 08:45h Volkswagen convoca hora extra no ABC

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Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

O aumento no ritmo das vendas de veículos levou a Volkswagen a convocar praticamente todos os empregados da linha de produção da sua maior fábrica, em São Bernardo do Campo, no ABC, para fazer hora extra no sábado.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, apenas as áreas de motores e transmissões não funcionarão no período extraordinário. O trabalho no sábado visa atender ao aumento de demanda, segundo teria informado a empresa ao comitê dos empregados. A empresa não pôde ser contatada para confirmar as informações.

A Volks recomeçou a convocar os funcionários para hora extra logo depois das férias coletivas, em dezembro. Segundo os sindicalistas, os operários já foram para a fábrica em seis sábados. Metade foi para compensar folgas de fim de ano e o restante para acompanhar o reaquecimento do mercado.

Além do crescimento das vendas, impulsionadas pela decisão do governo de reduzir o IPI dos automóveis para combater a crise no crédito, a Volks também acelerou a produção porque assumiu a liderança do mercado, passando à frente da Fiat este ano.

02/03/2009 - 19:15h Venda de automóveis tem 3ª alta em fevereiro e supera 2008

KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

A venda de automóveis e comerciais leves registrou a terceira alta consecutiva em fevereiro deste ano, segundo dados antecipados pela Folha Online. Puxado pela redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e pelas promoções das montadoras, o desempenho superou 2008. No resultado por marca, a Volkswagen lidera o mercado.

Foram vendidos 191.360 automóveis e comerciais leves no mês de fevereiro (sem contar caminhões, ônibus e motos), alta de 0,14% sobre fevereiro de 2008 (191.089) e de 0,86% sobre janeiro deste ano (189.731 em resultado ajustado).

Embora a expansão tenha ficado abaixo de 1%, o número é representativo para o setor porque o mês de fevereiro deste ano teve menos dias úteis que janeiro e que fevereiro de 2008.

Ranking

A Volkswagen foi a montadora com maior participação de mercado em fevereiro (24,4%), considerando apenas automóveis e comerciais leves, à frente da Fiat (23,5%), General Motors (18,7%) e Ford (11,7%).

O carro mais vendido no período foi o Gol (VW), com 21.073 unidades. Em segundo aparece o Palio (Fiat), com 12.755 unidades, e, depois, o Uno (Fiat), com 11.055 veículos vendidos.

As medidas tomadas pelo governo –liberação de linha de crédito e redução do IPI– tiveram efeito em janeiro e em fevereiro, mas os benefícios fiscais terminam no final deste mês.

Veja os 10 veículos mais vendidos em fevereiro:

Gol (VW) — 21.073
Palio (Fiat) — 12.755
Uno (Fiat) — 11.055
Celta (GM) — 9.307
Fox/CrossFox (VW) — 8.422
Corsa sedan (GM) — 6.558
Ka (Ford) — 5.652
Fiesta (Ford) — 5.153
Voyage (VW) — 5.024
Siena (Fiat) — 4.828

23/02/2009 - 09:26h Nem todo mundo está afundando

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Ribamar Oliveira O Estado SP

Todos os dados econômicos relativos a dezembro do ano passado e a janeiro deste ano indicam que a crise internacional atingiu de forma mais dura, até agora, o setor industrial brasileiro. É importante observar que alguns ramos de atividade foram menos atingidos e outros até mesmo estão crescendo de forma expressiva, como é o caso do turismo interno, que avançou 20% de outubro de 2008 a janeiro. A indústria da construção civil e o setor de serviços também estão em expansão, embora em ritmo mais lento.

A massa salarial e a renda dos trabalhadores ainda estavam em crescimento até o mês passado, o que aparentemente explica os impactos diferenciados da crise na economia brasileira. O aumento da massa salarial e do rendimento não apenas sustentou a atividade de alguns setores, mas impediu uma queda mais expressiva da arrecadação tributária federal.

Para se ter uma ideia, a receita do Imposto de Renda sobre rendimentos do trabalho subiu 23% em janeiro, em termos reais (descontada a inflação), em comparação com o mesmo mês de 2008. A arrecadação do Imposto de Renda das pessoas jurídicas que declaram pelo lucro presumido cresceu 6,64% em janeiro, em termos reais, em comparação com igual mês do ano passado.

O coordenador geral de Estudo, Previsão e Análise da Receita Federal, Marcelo Lettieri, disse que o crescimento da arrecadação com base no lucro presumido é a melhor indicação de que a rentabilidade das empresas brasileiras ainda não foi afetada pela crise. Mas a arrecadação de janeiro refletiu a situação econômica de dezembro de 2008, ou seja, a receita do mês passado é relativa aos fatos geradores de dezembro passado. É provável que a rentabilidade das empresas piore com o desdobramento da crise, com reflexos negativos sobre a arrecadação.

Em dezembro, enquanto os setores de metalurgia, de eletricidade, de extração mineral, de fabricação de veículos automotores e de transporte terrestre apresentaram queda expressiva de arrecadação (em um deles, chegou a cair 55,4%), em outros ramos de atividade a receita tributária aumentou.

No setor de captação, tratamento e distribuição de água, por exemplo, a receita tributária cresceu 70,1% em janeiro em comparação com o mesmo mês do ano passado. Houve expansão também na construção de edifícios, no comércio atacadista (exceto automóveis) e nas áreas de seguro, resseguro, previdência complementar e plano de saúde. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) identificou um aumento de 60,6% na arrecadação do setor de obras de infraestrutura, o que, em parte, resultaria do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em janeiro deste ano, o nível de emprego formal (com carteira assinada) apresentou uma queda de 0,32% em relação ao estoque do mês anterior, significando uma perda de 101.748 vagas, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O IBGE apontou que o contingente de desempregados cresceu 20,6% em janeiro em relação a dezembro de 2008. No mês passado, o número total de desempregados subiu 323 mil nas seis principais regiões metropolitanas do País, segundo o IBGE.

Os dados do Caged mostram, no entanto, que alguns setores apresentaram resultados favoráveis no mês de janeiro. No ramo da construção civil, por exemplo, 11.324 postos de trabalho foram criados, quase a mesma quantidade de postos criados em janeiro do ano passado (11.708). O setor de serviços criou 2.452 novas vagas, enquanto na administração pública houve expansão de 2.234 postos.

No setor industrial ocorreu uma verdadeira tragédia. A indústria de transformação fechou 55.130 postos de trabalho em janeiro, segundo o Caged. O comércio fechou 50.781 vagas, mas, neste caso, as demissões se concentraram mais nos chamados trabalhadores temporários – aqueles contratados em decorrência das festas de fim de ano. De qualquer forma, a demissão deles resultou da desaceleração econômica, pois se a atividade estivesse em expansão os temporários poderiam ser efetivados.

É difícil fazer um prognóstico para os próximos meses, mas parece inevitável que o aumento do desemprego termine afetando a expansão da massa salarial e o rendimento do trabalhador. O significativo aumento do salário mínimo este ano e uma política fiscal expansionista do governo federal poderão amenizar esse efeito e reduzir o impacto da crise sobre a atividade econômica, principalmente sobre os setores que ainda mostram certo dinamismo.

BC vai mudar a previsão de crescimento

Mesmo que a meta de crescimento econômico este ano para o Palácio do Planalto seja de 4%, é muito provável que o Banco Central (BC), em seu primeiro relatório de inflação de 2009, que será divulgado em março, reduza sua previsão para a expansão da atividade econômica. No seu relatório de dezembro do ano passado, o BC projetou um crescimento de 3,2% para este ano. Nos bastidores, os técnicos já trabalham com 1,5% de expansão. É provável que este seja o número a ser colocado no relatório de inflação de março. Ainda vai ser um bom crescimento, quando se considera que o mundo não crescerá nada.

20/02/2009 - 10:05h Vendas sobem e GM muda plano de dispensa

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Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

O reaquecimento do mercado de automóveis vai evitar que parte dos 1,6 mil trabalhadores da General Motors que estavam para ser dispensados fiquem sem emprego. Depois de ter cogitado, poucos dias atrás, a dispensa desse pessoal, o presidente da GM do Brasil, Jaime Ardila, disse ontem que a empresa vai estudar caso a caso.

“Vamos renovar os contratos das pessoas que precisamos”, disse o executivo. Cada caso será analisado separadamente. O processo de avaliação começará em março, segundo Ardila.

O grupo de 1.633 empregados formava o terceiro turno de trabalho, aberto pela GM em São Caetano do Sul (SP) em abril do ano passado pela primeira vez na história dessa fábrica desde a sua inauguração em 1929.

Quando voltaram das férias coletivas, no início de janeiro, esses operários trabalharam somente um dia e já entraram em licença remunerada, sendo avisados que na data do vencimento de seus contratos – temporários – seria avaliado se eles permaneceriam na empresa ou seriam desligados. Esses contratos começarão a vencer entre o fim deste mês e março.

No início de janeiro, a GM decidiu não renovar os contratos de 744 trabalhadores temporários da fábrica de São José dos Campos (SP). Mas o cenário do mercado de veículos mudou desde então.

Ardila acompanha as vendas de veículos diariamente. Do início de janeiro até quarta-feira foram licenciados no Brasil 337,1 mil veículos. Isso representa um avanço de 8,4% na comparação com idêntico período em 2008.

“Isso significa que a redução do IPI tem muita importância”, diz o executivo. Para ele, o mercado continuará aquecido em fevereiro, em março – quando termina o benefício do IPI – e até abril, quando ainda haverá estoque de carros mais baratos por conta do incentivo tributário.

A partir de maio e junho haverá uma retração de mais ou menos 15% nas contas do presidente da GM. Ele estima que esse será o percentual de retração nas vendas de veículos este ano em relação a 2008.

Na quarta-feira a Volkswagen também decidiu renovar o contrato de 106 trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo que venceriam este mês.

O mercado externo continua caindo, enquanto o reaquecimento do mercado interno tem levado muitos trabalhadores temporários de volta para as fábricas.

Ardila diz que as vendas externas já passaram a ser uma parte muito pequena nos volumes de produção da companhia. A montadora vendeu no mercado brasileiro 29,3 mil veículos em dezembro e 38,1 mil em janeiro.

Ardila diz não estar contando com a prorrogação do benefício do IPI. Segundo ele, por outro lado, mesmo que os preços dos carros aumentem, com a volta do imposto, é possível que o governo continue a estimular as vendas por meio de linhas especiais para financiamento.

De modo geral, os executivos da indústria automobilística garantem não contar com a prorrogação do incentivo. Mas já faz alguns dias que representantes dessas empresas começaram a mobilizar-se em Brasília para convencer o governo que o benefício poderá ajudar a manter a atividade e os empregos no setor.

20/02/2009 - 09:30h Governo acredita no descolamento do Brasil

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Claudia Safatle – VALOR

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que ao longo da semana propagou os primeiros sinais de recuperação da economia brasileira, acredita que, embora os efeitos perversos da crise financeira mundial sobre o país continuem, “para o Brasil, o pior já passou. Para o resto do mundo, não”. Isso o leva a crer, também, que o país, por todos os bons fundamentos macroeconômicos, está num processo de “descolamento” dos demais países emergentes. O prêmio de risco, diz, é o atestado disso: “É o mercado dizendo que nosso país é menos arriscado que a maioria dos emergentes”, ressalta, com a tabela do EMBI do JP Morgan em mãos, durante conversa com o Valor.

O pior momento da crise que começou em setembro foi o último trimestre de 2008, diz. “Sofremos um impacto forte com o choque de crédito, a queda das exportações, o medo, a insegurança em relação aos impactos da crise.”

A cautela e o bom senso, porém, não recomendam comemorações, até porque não há garantia de que as surpresas vindas do resto do mundo acabaram. “Estamos num período de muita volatilidade. Em dezembro era um cenário, em janeiro, outro. Agora, temos indicadores antecedentes de que a produção industrial melhorou”, pondera. Dezembro e janeiro foram, na verdade, dois meses terríveis, temperados por um agudo ajuste de estoques na economia mundial e na economia doméstica. O Japão teve queda de 20% na produção industrial em dezembro, comparada a dezembro de 2007. Nos Estados Unidos, a queda foi de 8% e, em janeiro, o governo brasileiro ficou assustado, pois a brutal retração das economias desenvolvidas provocou queda de 22,8% nas exportações do país. Em relação a dias de verdadeiro pânico, de fato, hoje a situação é de certo alívio, apesar do mau humor no mercado externo.

Os primeiros dados da indústria automobilística que chegaram ao governo este ano – setor que estava puxando o crescimento e, no pós-setembro, passou a liderar a retração – apontam para uma boa recuperação das vendas e o mercado já começa a se ressentir da falta de alguns modelos. “Estão faltando o Honda Fit, o Ford Ka”, cita Mantega, que atribui a reação da demanda às medidas tomadas pelo governo no fim do ano passado, como a redução do IPI sobre os automóveis, à injeção de recursos dos compulsórios dos bancos nas empresas que financiam a compra de veículos e à redução do IOF para crédito pessoal. “A produção, que caiu para 4 mil veículos/dia, hoje voltou para 9 mil a 10 mil veículos/dia”, anima-se.

Foi esse o quadro que ele traçou nas duas reuniões desta semana com o presidente Lula – da coordenação política e do Conselho Político, com as lideranças dos partidos da base aliada. Nem de longe isso significa que a crise tenha acabado. “Jamais diria que a crise acabou. Sempre fui realista”, reage o ministro.

“Estamos assistindo a um cenário com os Estados Unidos e a Europa aprofundando suas recessões. No mercado interbancário as coisas estão melhorando um pouco, mas está muito aquém do desejado. Nos emergentes, houve alguma recuperação na China, e há sinais positivos no ar. O pacote fiscal aprovado pelo Congresso americano é um avanço, mas o problema financeiro não foi equacionado. Persistem dúvidas sobre que saída será dada à economia americana”, enumera, para mostrar que o panorama externo ainda é muito incerto.

A economia brasileira, contudo, vai ter desempenho positivo do PIB, assegura Mantega. Ele prefere não arriscar uma previsão mais realista. “Mantenho o crescimento de 4% este ano como objetivo a ser perseguido. Não necessariamente como resultado. Estamos num período de muita volatilidade”, reitera.

Não é só a indústria automobilística que está reagindo, segundo o ministro. Ele conta que sexta-feira passada, dia 13, “estava numa mesa com vários empresários e o Abílio Diniz (do Grupo Pão de Açucar) disse que suas vendas aumentaram 8% em janeiro e continuam crescendo em fevereiro. A Nestlé, do outro lado, está indo no mesmo sentido. A Unilever também. O comércio varejista caiu muito pouco.”

A receita tributária de janeiro teve queda real de cerca de 6%. O ministro assinala que “a arrecadação vai crescer menos que em 2008, porque a economia vai crescer menos e os lucro das empresas também. Por isso anunciamos o corte de R$ 37 bilhões no Orçamento deste ano”. Ele avisa, no entanto, que a comparação dos dados fiscais de janeiro de 2009 com o de 2008 não é uma boa medida porque, em 2008, ainda houve cobrança da CPMF e impacto positivo dos lançamentos de ações (IPO). Com isso, a arrecadação superou em R$ 5 bilhões a previsão daquele mês.

“Não estamos preocupados. Nossa arrecadação vai crescer menos, mas, ainda assim, crescerá muito mais do que a da França ou a dos Estados Unidos. Vamos ficar melhor que muitos países do ponto de vista fiscal. Só não digo melhor que a China, mas vamos ficar melhor que Rússia e Índia.”

Para a atividade econômica como um todo, Mantega espera “o primeiro semestre mais fraco e o segundo, mais forte”. Dadas as enormes incertezas que ainda cercam a economia mundial e, consequentemente, a nacional, Mantega apenas diz: “Não vejo taxas negativas (para o PIB que caracterize uma recessão), mas não posso afirmar nada.”

Claudia Safatle é diretora adjunta de redação e escreve às sextas-feiras

E-mail claudia.safatle@valor.com.br

19/02/2009 - 11:49h Desonerações somam R$ 7,3 bi desde o agravamento da crise

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA SP

Desde o acirramento da crise financeira mundial, em setembro do ano passado, o governo já promoveu R$ 7,3 bilhões em desoneração tributária para diversos setores da economia.
As medidas incluem redução de alíquotas IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e IR (Imposto de Renda).
Para estimular o setor automotivo, o Ministério da Fazenda alterou alíquotas do IPI sobre automóveis, caminhões e motos. A alíquota reduzida está valendo desde janeiro e será mantida até março.
Já há no governo proposta para prorrogar a data de vigência da medida. A renúncia fiscal, que ajudou a elevar a venda de veículos em janeiro, foi estimada em R$ 2 bilhões no período de três meses.
No caso do IOF, a preocupação da área econômica era, além de diminuir o custo dos empréstimos, aumentar a oferta de moeda estrangeira no país. Para isso, foi reduzida a alíquota para operações de câmbio, e a Receita Federal abriu mão de uma arrecadação estimada em R$ 288 milhões.
Por meio de medida provisória, o governo, além de reajustar a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física -o que já era esperado-, criou novas alíquotas de contribuição, alterando as faixas de incidência do imposto. Com a nova tabela, neste ano deixarão de ser arrecadados R$ 4,9 bilhões. A equipe econômica afirma que esses recursos serão injetados na economia, aumentando o consumo da população.
Já o IR sobre a receita de promoção comercial no exterior teve sua alíquota zerada. Isso custará ao fisco uma perda anual de R$ 10 milhões. No pacote habitacional, o governo ainda estuda reduzir IPI de material de construção para reativar a produção no setor da construção civil.
O governo também tomou decisões que não têm impacto fiscal direto, mas que deram algum fôlego às empresas.
Um exemplo foi a extensão em dez dias do prazo de recolhimento de tributos federais e a liberação antecipada de financiamentos agrícolas pelo Banco do Brasil.

18/02/2009 - 11:56h Venda de veículos cresce 16% em fevereiro

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Beth Moreira – O Estado SP

O aumento de 16,12% nas vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus na primeira quinzena de fevereiro ante igual período de janeiro, para 114.167 unidades, confirma a recuperação do setor, depois das fortes quedas no fim de 2008. Na comparação com igual período do ano passado, a alta foi de 6,52%, conforme dados divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Para o consultor André Beer, o desempenho foi excepcional. Ele ressaltou que foram vendidos, em média, 9,5 mil veículos por dia. “Se mantida essa média diária, o setor poderá alcançar em 2009 o mesmo nível de 2007, o que é excelente.” Nesse ritmo, diz o executivo, a indústria tem mais segurança para trabalhar. “As montadoras conseguem produzir de forma eficiente.” Para ele, a recuperação é consequência da retomada do crédito, a juros mais baixos, e do incentivo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Já o analista de siderurgia da corretora Link, Leonardo Alves, não está tão otimista. Para ele, o avanço pode indicar a antecipação das compras, pois o fim da isenção do IPI está previsto para o fim de março.

18/02/2009 - 11:09h Com corte do IPI, venda de veículos já se aproxima do nível de 2008

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DO ENVIADO ESPECIAL A FLORIANÓPOLIS – FOLHA SP


DA REPORTAGEM LOCAL

Com a redução do IPI e a retomada da oferta de crédito, o mercado está voltando ao patamar do ano passado. Nos primeiros 45 dias deste ano, foram vendidos 301,5 mil automóveis e comerciais leves no país, apenas 500 a menos do que no mesmo período de 2008.
“Esse resultado mostra que 2009 deve ser um ano bom, mas o segundo trimestre será crítico para a indústria automobilística. Quem está comprando agora está antecipando a compra”, afirmou Jaime Ardila, presidente da General Motors do Brasil, na apresentação do Vectra Next Edition, ontem. Ardila diz acreditar que a redução do IPI, prevista para terminar em 31 de março, não deverá ser prorrogada. “As montadoras e a Anfavea [associação dos fabricantes de veículos] estão pressionando o governo, mas ele não deve ceder.”
Para aproveitar o período de vigência do IPI reduzido, as montadoras planejam aumentar a produção e os estoques em março. O que não significa manter o quadro de funcionários das fábricas. “As montadoras devem mesmo aproveitar para produzir mais agora, enquanto o IPI está baixo. É claro que quem ousa pode ganhar ou perder. Mas o fato é que já temos demanda”, avalia o consultor André Beer, ex-presidente da Anfavea.
Para o presidente da GM, outras medidas precisam ser tomadas para estimular o mercado. “Uma delas é a redução da taxa Selic. O Banco Central tem fôlego para reduzi-la para 10% ao ano. O governo também poderia retomar gradualmente a cobrança do IPI.”
Enquanto isso não acontece, as financeiras aumentam o crédito e reduzem as taxas. Antes da crise, os juros para planos de 60 meses variavam de 1,3% a 1,4% ao mês.
“Chegaram a 1,9% [ao mês] em novembro, e hoje estão em 1,7%. Se estivessem entre 1,4% e 1,5% [ao mês], seriam mais atrativos para o consumidor”, diz Ardila.

Joinville
Apesar dos efeitos da crise global, a GM afirma que não irá cancelar os projetos e os investimentos no país, apesar de ter prorrogado em seis meses as obras para a construção de uma nova fábrica de motores em Joinville (SC). “As fortes chuvas que caíram na região atrapalharam os serviços de terraplanagem”, justifica Ardila. A inauguração agora está prevista para o início de 2010, após um investimento de US$ 200 milhões (R$ 454 milhões).
Essa quantia, porém, não faz parte dos US$ 13,4 bilhões emprestados à GM americana em dezembro. “O plano de reestruturação apresentado pela GM dos EUA não inclui o Brasil”, finaliza Ardila.

Fenabrave

Na primeira quinzena deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves cresceram 7,43% em relação ao mesmo período de 2008, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Até anteontem, foram vendidas 109.258 unidades, volume 15,56% maior do que o registrado no mesmo período de janeiro passado. (FELIPE NÓBREGA E PAULO DE ARAUJO)