07/03/2009 - 11:49h Venda de veículos puxa retomada tímida da indústria

Segmento saiu de queda de 40,8% em dezembro para uma alta exatamente no mesmo porcentual em janeiro

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Jacqueline Farid, RIO – O Estado SP

O tímido aumento na produção industrial de janeiro em relação a dezembro foi puxado especialmente pela atividade de veículos automotores, que inclui autopeças, caminhões e, sobretudo automóveis. O segmento, que foi muito castigado pela crise e pela consequente escassez de crédito, saiu de uma queda mensal de 40,8% em dezembro para uma alta de exatamente 40,8% em janeiro ante o mês anterior, zerando o saldo.

Segundo Sales, esse aumento reflete os efeitos positivos que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) teve sobre as vendas e produção de automóveis. No entanto, destacou que mesmo com essa clara relação entre o tributo e o desempenho do setor, há agora um problema adicional para a indústria automobilística, que é o aumento da inadimplência. “Há sinais de inadimplência neste início de ano, que podem ser a contrapartida dessa redução de IPI”, comentou.

Mesmo com o aumento ante o mês anterior, a fabricação de automóveis apresentou uma queda expressiva em relação a janeiro de 2008: 29,6%, surpreendendo analistas e até mesmo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que projetava queda de 27,1% para janeiro. Para a economista-chefe da consultoria da Rosenberg & Associados, Thaís Zara, a produção industrial deverá continuar a mostrar quedas razoáveis daqui para frente. “Não serão quedas tão profundas como a de janeiro, mas teremos queda forte já a partir de fevereiro.”

Incluindo caminhões e autopeças, o setor de produção de veículos apresentou queda ainda mais intensa em relação a janeiro de 2008: 34,5%. Nessa base de comparação, a queda foi “generalizada”, destacou Sales. O índice de difusão da indústria mostrou que 75% dos 755 produtos pesquisados recuaram nessa base de comparação. Das 27 atividades, houve alta apenas no grupo “outros equipamentos de transporte” (39,2%), formado prioritariamente por aviões.

Os principais tombos ante janeiro de 2008 ocorreram nos segmentos que dependem do crédito, como bens de consumo duráveis. Além dos automóveis, os eletrodomésticos também registraram tombo de 29,6%.

Aparelhos de telefonia celular, incluídos no subgrupo, mostraram queda de 63,8% nessa base de comparação. Segundo Sales, a produção de duráveis foi prejudicada também pela desconfiança de consumidores. E foi o abalo da confiança, neste caso de empresários, que derrubou a produção de bens de capital (-13,4%), segmento que sinaliza a intensidade de investimentos.

COLABOROU FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

06/03/2009 - 09:49h Indústria tem recuperação localizada

 

Silvia Costanti / Valor

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit: “Os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição”

Sergio Lamucci, Sergio Bueno e Vanessa Jurgenfeld, de São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis – VALOR

Os impactos da crise financeira sobre a atividade industrial foram díspares em fevereiro. Segmentos cuja demanda está ligada à renda da população, como calçadistas e têxteis, já sentiram claramente uma recuperação de encomendas e consideram que a pior fase da crise passou. Para empresas e setores cuja produção é alimentada por crédito ou investimento, as realidades são distintas. Ao mesmo tempo em que grandes usinas siderúrgicas desligam alto-fornos, fabricantes de máquinas e equipamentos, como Randon e Marcopolo, já sentiram uma melhora nas encomendas em fevereiro e março. Mesmo as empresas e setores que relatam uma recuperação em fevereiro e neste começo de março, contudo, indicam queda de produção em relação ao mesmo período do ano passado.

Hoje o IBGE divulga o resultado da produção industrial de janeiro. Os analistas esperam forte crescimento em relação a dezembro de 2008, feito o ajuste sazonal. A LCA Consultores projeta alta de 9,2%. Na comparação com janeiro do ano passado, contudo, a estimativa é de recuo de 10,2%. O Santander aposta em crescimento de 11% sobre dezembro e queda de 9,5% em relação janeiro de 2008.

Entre os indicadores já conhecidos, venda de automóveis e consumo de energia indicam que fevereiro voltou a crescer sobre janeiro. O licenciamento de automóveis e comerciais leves atingiu a média diária de 10,9 mil unidades, mais que os 10,1 mil de janeiro deste ano e os 10,4 mil de fevereiro do ano passado, na série com ajuste sazonal calculada pela LCA. O resultado é efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), destacam analistas e empresários do setor. O consumo diário de energia elétrica, por sua vez, atingiu a média de 50,2 MW em fevereiro, 2,7% a mais do que no mês anterior, também na série livre de influências sazonais. Em relação ao mesmo mês de 2008, houve queda de 0,59%.

O setor têxtil brasileiro acredita que o pior da crise já passou e vê sinais de melhora das encomendas nos últimos dias, após um primeiro bimestre fraco. “O varejo retomou os pedidos, está conseguindo girar seus estoques. Ainda vai levar algum tempo para que esse movimento ganhe velocidade, mas há bons indicativos para março”, diz Zeno Fischer, diretor de controladoria e planejamento da Lepper, de Joinville (SC). Indústria de cama, mesa e banho, a Lepper fechou o primeiro bimestre com queda de 10% nas vendas em relação ao igual período de 2008. Em fevereiro, até registrou uma melhora de vendas em relação a janeiro deste ano em torno de 20%, mas as vendas ficaram 10% abaixo do mesmo mês do ano passado. Segundo Fischer, apesar de um começo de ano de vendas em queda, a Lepper projeta crescimento de 10% no faturamento do ano, para R$ 145 milhões em 2009.

Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, há sinais melhores no setor, mas fevereiro foi um período de vendas menores do que igual mês do ano passado. “Mas há um clima de retomada da atividade, os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição. Nossa expectativa é que o pior (da crise) tenha passado”, diz. Na sua avaliação, as empresas do setor não farão mais paradas de ajuste de estoques, e embora exista um crédito ainda caro e restrito, as têxteis poderão ter um desempenho no ano melhor do que outros setores porque as compras de vestuário dependem pouco de crédito.

Na Indústria São Roberto, que atua no segmento de papelão ondulado, as vendas em fevereiro caíram 10% em relação ao mesmo mês do ano passado, uma queda ligeiramente inferior aos 12% registrados em janeiro na comparação com janeiro de 2008. A expectativa do presidente da empresa, Roberto Nicolau Jeha, é de que em março haja uma queda de 5% sobre o mesmo mês de 2008. “Março começou um pouco melhor do que fevereiro”, diz ele, acrescentando que só acredita numa melhora mais consistente no segundo semestre. Jeha diz que a demanda por papelão ondulado caiu menos por parte de empresas de alimentos e produtos de limpeza. No caso das companhias que dependem mais do crédito, como fabricantes de televisores e eletrodomésticos, o tombo foi maior.

O presidente da distribuidora de aço Rio Negro, Carlos Loureiro, diz que houve uma melhora na demanda por parte da indústria automobilística, beneficiada pela redução do IPI para veículos. Segundo ele, montadoras e empresas de autopeças voltaram a comprar com mais força, o que ajudou um pouco nas vendas de fevereiro e continua a auxiliar nas de março. “Mas não houve melhora nos outros segmentos”, diz ele, dizendo que continua fraca a procura por parte de empresas de máquinas agrícolas, rodoviárias e equipamentos para infraestrutura.

A indústria calçadista iniciou o ano com cenários distintos no mercado interno e nas exportações. As vendas domésticas arrancaram bem, turbinadas em alguns casos por descontos e aumentos de prazos de pagamento. Os fabricantes aguardam a reposição dos estoques dos lojistas, em maio, para confirmar a tendência. As exportações recuaram 23,9% no primeiro bimestre em comparação com igual período de 2008, para
US$ 280,6 milhões, mas o setor espera algum crescimento em 2009, impulsionado pela desvalorização do real, após a queda em volume e faturamento no ano passado.

Segundo o diretor comercial da gaúcha Piccadilly, Marlon Martins, em janeiro e fevereiro a empresa aumentou prazos de pagamento em 30 dias e concedeu descontos de 5% a 15% em algumas linhas para estimular os negócios no mercado interno. O resultado foi um aumento de três vezes no volume de vendas em fevereiro na comparação com janeiro, para mais de 600 mil pares. Em relação ao mesmo período de 2008, a alta foi de 2,5 vezes, informa o executivo.

No mercado externo, o recuo das vendas apontado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no bimestre deveu-se à demora na reposição dos estoques dos importadores em função da desaceleração econômica na América do Norte e Europa, avalia o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Ricardo Wirth. “Não esperávamos uma queda tão alta, mas não chegou a ser surpreendente.” Em fevereiro, as exportações renderam US$ 138 milhões, 3,3% a menos do que em janeiro e 29,3% abaixo do mesmo mês de 2008. Para o empresário, março ainda será um mês de “transição” entre as encomendas das coleções de verão e de inverno para o hemisfério norte.

Alguns setores e empresas ainda não sentiram recuperação da atividade, como a Usiminas e a CSN. A primeira anunciou que vai paralisar, a partir de segunda-feira e por tempo indeterminado, o alto-forno n 1 da usina de Cubatão na Baixada Santista. A CSN, que também produz aços planos, vai paralisar por 40 dias o alto-forno n 2, que responde por 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ). O presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, justificou a decisão pela falta de sinais mais consistentes de demanda para o segundo trimestre.

Por outro lado, a Marcopolo, maior fabricante brasileira de carrocerias para ônibus, após fechar o primeiro bimestre com vendas 10% menores, sentiu recuperação em março. A Randon, que produz implementos agrícolas, também espera retomada das vendas.

05/03/2009 - 12:09h Autopeça recontrata demitidos em Taubaté

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Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

A recuperação nas vendas de veículos ocorrida em janeiro e fevereiro provoca uma lenta retomada da atividade no setor de autopeças. Empresas de Taubaté e do ABC Paulista reconvocam funcionários, estimuladas sobretudo pelo aumento das encomendas pela Volkswagen. Em janeiro, as vendas de automóveis e veículos leves cresceram 5,11% sobre dezembro e, em fevereiro, 0,85% sobre o mês anterior, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No ano, a Volkswagen liderou as vendas de veículos do país, com 23,34% dos emplacamentos.

Ontem, a Thyssenkrupp KMAB, que fornece autopeças para a montadora alemã e possui 400 funcionários em Taubaté (SP), recontratou 38 funcionários dos 70 que havia demitido desde que a crise internacional se agravou, em meados de setembro de 2008. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Isaac do Carmo, por enquanto, as empresas que têm a Volkswagen como principal cliente estão retomando mais rapidamente o ritmo de produção. “Outras empresas de autopeças que também demitiram já estão aumentando o pagamento de horas extras. Nesses casos o sindicato tem orientado as empresas a recontratar”, afirmou.

Carmo observou que a decisão da Volkswagen de convocar os 5,3 mil empregados da unidade de Taubaté para horas-extras aos sábados injetou na economia local R$ 8 milhões no primeiro bimestre deste ano. No ano todo de 2008, o pagamento de adicionais pela empresa no município totalizou R$ 50 milhões. A empresa também renovou os contratos de 650 temporários em janeiro para garantir o ritmo de produção. “Existe também uma expectativa de que a Fiat normalize a produção até o mês que vem, o que também dará impulso às empresas locais”, disse.

Em São Bernardo do Campo, a Kostal, que havia negociado com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC a redução da jornada, voltou atrás, também devido ao aumento da demanda. Em fevereiro, outras duas empresas de autopeças da região cancelaram a redução de jornada, a Fiamm e a Polistampo. “As empresas estão aos poucos cancelando a redução da jornada, mas é preciso confirmar se há mesmo uma tendência”, afirmou o presidente do sindicato, Sérgio Nobre.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, também confirmou a mudança nas indústrias de autopeças, mas salientou que a retomada do emprego é sempre muito mais lenta que o ritmo das demissões. Torres e Nobre citam como fonte de preocupação atual as empresas de máquinas e equipamentos, que têm procurado os sindicatos com o temor de que a redução do imposto de importação sobre máquinas usadas provoque mais quedas na demanda e as obrigue a demitir. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estuda um plano de ações para evitar demissões nesse setor.

03/02/2009 - 11:26h Embalado com IPI menor, mercado reage

 

Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

A indústria automobilística retomou um pouco do fôlego no mês passado graças, principalmente, ao efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na venda de automóveis. O total de veículos que passaram pelo licenciamento em janeiro foi de 197,47 mil unidades, o que representou um acréscimo de 1,5% na comparação com dezembro.

Tradicionalmente, janeiro costuma ser mais fraco do que dezembro. Por isso, qualquer crescimento é um dado positivo, mesmo levando em conta que o resultado do último mês de 2008 foi muito ruim, com fábricas paradas por conta das férias coletivas em praticamente todas.

Mas não é apenas o dado do licenciamento de automóveis que animou o setor. Números extra-oficiais indicam que o nível dos estoques baixou em torno de 10%. Há um mês havia nos pátios das concessionárias e das fábricas total de 211 mil veículos, o suficiente para 36 dias de vendas.

A queda representa um alívio para as montadoras. Com estoque menor, é possível fazer a produção retomar um pouco da normalidade, sem ter de apelar para férias coletivas, banco de horas ou mesmo demissões.

A média diária de vendas em todo o ano passado ficou em mais de 11 mil veículos. No primeiro mês de 2009, o volume caiu para pouco mais de 10 mil. Mas isso tem sido considerado positivo para a maior parte dos executivos, que levou um susto com o impacto da queda das vendas desde o início de novembro. Como disse um executivo do setor, a indústria precisa agora “construir degrau por degrau”.

Apesar disso, o momento ainda é de crise. As vendas do mês passado representaram um declínio de 8,13% na comparação com janeiro de 2008. Na indústria de autopeças o ritmo dos pedidos indica volumes menores também em fevereiro em relação às encomendas de um ano atrás.

Se o resultado de janeiro for anualizado, chega-se a um mercado total aproximado para o ano de 2,4 milhões de unidades. Trata-se de um volume inferior aos 2,82 milhões de veículos vendidos no ano passado. O lado positivo é que tradicionalmente muitos outros meses do ano costumam ser melhores do que janeiro. Mas, por outro lado, é importante ressaltar que o desempenho do mês passado é em boa parte resultado da redução do IPI, que, a princípio, tem prazo para terminar, em 31 de março.

A maior parte da retomada registrada no primeiro mês do ano foi puxada pelos carros de passeio. Nesse segmento, pesa também favoravelmente para o futuro a expectativa de que o Banco Central reduza ainda mais a taxa básica de juros.

Já na indústria de caminhões, ainda há muita resistência por parte dos transportadores de efetuar as compras agora, mesmo com o estímulo do IPI menor.

Além do mercado interno, a indústria tem registrado quedas nos pedidos externos, o que provoca impacto nas exportações de veículos. Embora prefiram não falar em previsões abertamente, nos bastidores boa parte dos executivos já conta com uma forte retração nas vendas externas deste ano. Trata-se de uma consequência do impacto da crise, principalmente nos países vizinhos.

Aos poucos, a indústria começa a refazer as suas programações de produção a partir da retomada da demanda. Há casos como o da General Motors , que recentemente anunciou ter desistido de conceder novo período de férias coletivas na fábrica de Gravataí (RS), onde é produzido do Celta.

Em janeiro, a Volkswagen passou à frente da Fiat. A montadora alemã ficou no primeiro lugar com 21,96% , seguida muito de muito perto pela Fiat, com 21,93%. A General Motors, em terceiro lugar, ficou com fatia de 19,32%, seguida por Ford (12,04%), Honda (4,73%), Renault (4,46%), Peugeot (3,08%), Citroën (2,62%) e Toyota (2,42%).

26/01/2009 - 16:37h Veja as medidas já anunciadas no Brasil para combater os efeitos da crise

da Folha Online

O governo já anunciou uma série de medidas nas últimas semanas para evitar uma piora no sistema financeiro.

Veja as principais medidas:

19 de setembro

Quatro dias após a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, o crédito internacional seca e o dólar dispara no Brasil. O Banco Central anuncia um leilão de US$ 500 milhões com compromisso de recompra da moeda após 30 dias. Nessa operação o BC “empresta” os dólares às instituições financeiras durante esse período. Os recursos servem para que os bancos possam financiar as exportações brasileiras.

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24 de setembro

A crise internacional de confiança nos bancos e a falta de crédito externo afetam os bancos pequenos e médios no Brasil. O BC anuncia então mudanças no recolhimento de depósitos compulsórios, que beneficia bancos menores e instituições que trabalham com leasing. Com isso, o BC garante a injeção de R$ 13 bilhões no mercado.

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1º de outubro

O Banco do Brasil antecipa R$ 5 bilhões em crédito para o setor agrícola para suprir a falta de recursos causada pela crise financeira.

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2 de outubro

O BC anuncia a redução do compulsório para os bancos grandes que comprarem parte das carteiras de crédito dos bancos pequenos. A avaliação do governo é que os grandes bancos estão preferindo segurar os recursos a emprestar para essas instituições. A estimativa do BC é que a mudança injete R$ 23,5 bilhões na economia, além de ajudar as instituições menores.

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6 de outubro

Governo anuncia a criação de uma linha internacional de crédito para ajudar os exportadores, com o dinheiro das reservas internacionais do BC. O governo também reforça a linha de financiamento para exportações pré-embarque do BNDES, com mais R$ 5 bilhões.

No final do dia, o presidente Lula edita uma medida provisória que dá mais poderes ao BC para atuar durante a crise. Entre elas, está a autorização para o BC comprar carteiras de crédito de bancos em dificuldades no Brasil.

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8 de outubro

O dólar chega a R$ 2,48 pela manhã e obriga o BC a queimar parte das reservas internacionais para acalmar o mercado. Pela primeira vez, desde o dia 13 de fevereiro de 2003, o BC realiza um leilão em que vende parte dos US$ 208 bilhões que tem em caixa.

Nos leilões anteriores, o BC vendia a moeda com um compromisso de recompra. Na prática, isso funcionava como um empréstimo e não afetava as reservas. Foram realizados três leilões. Os valores não foram divulgados.

No fim do dia, o BC anuncia mais duas mudanças nas regras do recolhimento sobre depósitos compulsórios e coloca mais R$ 23,2 bilhões na economia.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, convoca uma reunião do G20 financeiro, presidido atualmente pelo Brasil,na sede do FMI (Fundo Monetário Internacional), nos Estados Unidos.

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9 de outubro

CMN (Conselho Monetário Nacional) regulamenta as regras para que o BC possa socorrer os bancos que precisem de crédito em dólares ou reais. A regulamentação dá ao BC poderes para interferir na administração dos bancos que venderem suas carteiras de crédito à instituição em busca de recursos.

No fim do dia, o presidente Lula se reúne com o ministro da Fazenda e o presidente do BC, que embarcam para os EUA com a missão de defender uma regulamentação mais rígida dos mercados financeiros no encontro do FMI.

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13 de outubro

O BC informa mais mudanças no compulsório, que significam a liberação na economia de R$ 47,1 bilhões dos R$ 100 bilhões que foram prometidos pela manhã.

No compulsório sobre exigibilidade adicional (que inclui depósitos a vista, prazo e poupança), o limite de dedução aumentou de R$ 300 milhões para R$ 1 bilhão. O limite de dedução do compulsório sobre depósitos a prazo passou de R$ 700 milhões para R$ 2 bilhões, com impacto de R$ 13,1 bilhões a partir de 17 de outubro.

Os bancos também terão direito a fazer um abatimento em relação ao compulsório recolhido sobre operações de leasing. Em relação ao desconto no compulsório sobre depósitos a prazo para quem comprar carteiras de crédito de outros bancos, muda o patrimônio de referência do banco vendedor, que sobe de R$ 2,5 bilhões para R$ 7 bilhões. O percentual de desconto para quem comprou sobe de 40% para 70%.

Segundo o BC, além de vender a carteira de crédito, os bancos menores poderão vender também outros ativos, principalmente aqueles ligados a fundos de investimentos desses bancos.

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16 de outubro

O Banco Central anunciou mais uma mudança nas regras dos depósitos compulsórios. Agora, o BC ampliou as possibilidades para que esses bancos possam elevar o dinheiro que têm em caixa com a venda de ativos para bancos maiores.

Além de vender a sua carteira de crédito e títulos dos seus fundos de investimentos, os bancos menores poderão vender outros ativos: 1) títulos e valores mobiliários de renda fixa, adiantamentos e outros créditos de pessoas físicas e jurídicas não-financeiras; 2) depósito interfinanceiro com garantia de ativos elencados no item 1 ou de operações de crédito.

Além disso, o CMN autorizou o Banco Central a determinar que, nas operações de empréstimos em moeda estrangeira, os recursos sejam direcionados para operações de comércio exterior. O BC também fica autorizado a receber debêntures emitidas por empresas não financeiras nas operações de redesconto.

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22 de outubro

O presidente Lula assinou MP (medida provisória) que autoriza os bancos públicos brasileiros, a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, a adquirirem participações em instituições financeiras no pais sem passar por um processo de licitação. A MP é ampla (leia íntegra), composta de sete artigos, e inclui todo tipo de instituição financeira: seguradoras, instituições previdenciárias, empresas de capitalização, etc.

À noite, Lula assinou outro decreto que zera a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para a aplicação no mercado de capitais e operação de empréstimos e financiamentos externos. Com a decisão, o capital que entra no país tem maior rentabilidade, ou seja, trazer dólares para o Brasil fica mais atraente ao investidor.

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27 de outubro

O Banco Central anuncia mais uma mudança nas regras dos depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos brasileiros. A medida pode injetar mais R$ 6 bilhões na economia.

Com a mudança, os bancos que anteciparem suas contribuições ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) no valor de 60 meses terão um desconto no recolhimento do compulsório sobre depósitos à vista. O valor mensal do desconto será o equivalente à contribuição de um mês ao FGC. Os bancos usarão como base o valor recolhido em 1º de outubro, referente ao mês de agosto deste ano.

Hoje, os bancos são obrigados a recolher 42% dos depósitos à vista (dinheiro da conta corrente) feitos pelos seus clientes e depositar o dinheiro em espécie no BC. Esse dinheiro fica parado, sem remuneração, e equivale hoje a cerca de 20% de todo o compulsório recolhido pelo BC.

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29 de outubro

O Banco Central do Brasil e o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) anunciaram o estabelecimento de uma linha de “swap” (troca) de dólares americanos por reais no valor de US$ 30 bilhões.

Segundo o BC, essa linha será utilizada para incrementar os fundos disponíveis para as operações em dólares feitas pelo BC no Brasil. Isso inclui os leilões de dólares realizados por aqui. A linha é válida até 30 de abril de 2009.

Já a Caixa Econômica Federal confirmou hoje que irá disponibilizar uma linha de crédito de capital de giro de R$ 3 bilhões para empresas de construção civil. Além disso, o governo vai permitir outros bancos direcionem mais recursos da poupança para essas empresas. O governo vai criar um fundo com base nos dividendos que seriam pagos pela Caixa à União até 2010. O fundo terá de R$ 1,050 bilhão, ou seja, vai garantir 35% das operações.

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30 de outubro

BC anuncia regra para forçar os bancos a liberar o crédito obtido com o alívio no compulsório. Hoje, o dinheiro do compulsório sobre depósitos a prazo é recolhido na forma de títulos públicos. Ou seja, o banco recebe uma remuneração igual a do título. Agora, os bancos irão recolher apenas 30% em títulos. Os outros 70% serão recolhidos em espécie, ou seja, vão ficar parados no BC sem remuneração. Para não sofrer essa “punição”, os grandes bancos terão de comprar carteiras de crédito e outros papéis de bancos menores que estejam com problemas de liquidez (falta de dinheiro).

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4 de novembro

Banco Central altera regras para os leilões de empréstimos de dólares destinados a financiar o comércio exterior. Até agora, o BC só havia realizado em leilão desse tipo, no valor de US$ 1,6 bilhão. Pela nova regra, os bancos poderão participar desses leilões de dólares sem apresentar garantias em títulos, como era exigido até hoje. Será feita apenas uma operação de empréstimo de dólares das reservas internacionais por 30 dias. Nessas operações, ao invés de títulos, os bancos dão como garantia o valor dos dólares em reais.

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5 de novembro

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) anuncia criação de uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para financiamento dos produtores rurais. O dinheiro será usado para financiar as CPRs (Cédulas do Produtor Rural). A operação da linha será feita pelo Banco do Brasil.

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6 de novembro

O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou, durante reunião do chamado Conselhão (o CDES, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), uma série de novas medidas que, juntas, disponibilizam R$ 19 bilhões em linhas de crédito para diversos setores via BNDES (banco estatal de investimento) e Banco do Brasil.

O anúncio com valor mais alto refere-se ao BNDES, que terá mais R$ 10 bilhões para financiar o capital de giro de empresas e para empréstimos em linhas de exportação pré-embarque –ou seja, os valores serão usados para permitir as vendas externas.

Outros R$ 5 bilhões, provenientes do BB (Banco do Brasil), serão usados para abrir uma linha de crédito para capital de giro de pequenas e médias empresas.

Como já era esperado, Mantega confirmou R$ 4 bilhões, também do BB, para ajudar os bancos de montadoras a elevar o crédito aos consumidores.

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11 de novembro

O governo de São Paulo lançou uma linha de crédito de R$ 4 bilhões, por intermédio do banco Nossa Caixa, para os bancos e financeiras ligadas às montadoras de veículos em todo o país, que sofrem com a escassez de crédito.

À tarde, a Caixa Econômica Federal divulgou a ampliação do limite de financiamento para compra de material de construção de R$ 7.000 para R$ 25 mil.

À noite, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anunciou conjunto de medidas de alívio tributário e de aumento do crédito para o setor produtivo para ajudar as pequenas e médias empresas.

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12 de novembro

A Caixa Econômica Federal libera R$ 2 bilhões para financiar bens de consumo diretamente no varejo e estimular a economia brasileira. Segundo informou a instituição nesta quarta-feira, a medida abrange a compra de eletrodomésticos, eletrônico, móveis, TV e vídeo, além de material de construção.

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13 de novembro

BC anuncia nova mudança no compulsório, alterando a forma de recolhimento de cerca de R$ 40 bilhões, o que representa quase 20% de todo o depósito compulsório depositado hoje pelos bancos. O compulsório adicional sobre depósitos à vista, a prazo e poupança (chamado pelo BC de “exigibilidade adicional”), que hoje é recolhido em espécie, passará a ser recolhido em títulos públicos a partir de 1º de dezembro.

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16 de novembro

O governo publica medida provisória que altera as datas de pagamento de tributos federais como o IR (Imposto de Renda) recolhido na fonte, a contribuição previdenciária, do PIS/Cofins e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

O pagamento do IR e da contribuição para a Previdência passam a ser pagos não mais no dia 10, mas no dia 20 do mês seguinte ao fato gerador. O pagamento do IPI será adiado do dia 15 para o dia 25 de cada mês. O PIS/Cofins terá uma ampliação menor de prazo, do dia 20 para 25.

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21 de novembro

O governo publica o decreto que reduz o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado nos financiamentos para a compra de motos por pessoas físicas. A alíquota agora vai passar de 3,38% para 0,38%. Poderão ser financiadas com imposto mais baixo motocicletas, motonetas e ciclonetas.

No início do ano, o governo elevou o IOF de 1,5% para 3,38% para recompor a perda da CPMF, cuja alíquota era de 0,38% sobre qualquer movimentação financeira.

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25 de novembro

O Banco Central anuncia novas mudanças nos depósitos compulsórios para destinar mais R$ 6,2 bilhões ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Esse dinheiro faz parte dos R$ 10 bilhões extras anunciados pelo governo no início do mês. O restante já chegou ao BNDES por meio da Caixa Econômica Federal, que irá emprestar o dinheiro para reforçar o capital de giro das empresas nesse momento de crise.

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1º de dezembro

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anuncia a criação de uma nova linha de capital de giro de empresas brasileiras, de até R$ 6 bilhões. A nova linha visa recuperar a concessão de crédito para as empresas, que segundo o BC (Banco Central) começou a se recuperar, ainda que em patamares tímidos. O prazo da linha vai até 30 de junho de 2009.

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11 de dezembro

O CMN (Conselho Monetário Nacional) anuncia que vai ampliar as alternativas de aplicação das reservas internacionais do Brasil. O Banco Central ficará autorizado a disponibilizar parte desse dinheiro, por meio dos bancos, para as empresas brasileiras que precisem rolar financiamentos feitos no exterior. O governo estima gastar mais de US$ 10 bilhões das reservas, que hoje estão acima de US$ 200 bilhões.

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11 de dezembro

Governo federal anuncia medidas para reduzir impostos e aliviar os efeitos da crise econômica que pretendem injetar R$ 8,4 bilhões na economia. Entre as principais mudanças anunciadas estão a nova tabela do Imposto de Renda, a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o consumo e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para as montadoras.

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12 de dezembro

O governador de São Paulo, José Serra, anunciou um pacote de medidas fiscais e financeiras para ajudar na redução dos impactos da crise financeira global. Entre as medidas tomadas pelo governo paulista estão uma linha de crédito de R$ 1,2 bilhão para empresas de autopeças e máquinas e mudanças nos regulamentos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e da Nota Fiscal Paulista.

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16 de dezembro

Os bancos pequenos terão R$ 5,4 bilhões a mais para utilizarem em operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas. O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou hoje a liberação de recursos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para essas instituições.

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17 de dezembro

Banco Central divulga que balanço da liberação de depósitos compulsórios, que soma R$ 98 bilhões. O compulsório é o dinheiro dos clientes que os bancos são obrigados a deixar depositados no BC.

BC também divulga que já fez atuações no mercado de câmbio no valor de US$ 53,4 bilhões entre os dias 19 de setembro e 16 de dezembro para segurar a disparada do dólar.

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22 de janeiro de 2009

Governo anunciou recursos adicionais para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor de R$ 100 bilhões para os anos de 2009 e 2010. Esse dinheiro virá por meio do caixa do governo e das captações feitas no exterior pelo Tesouro Nacional.

O dinheiro ficará disponível para o banco, que irá sacar conforme necessário. Serão priorizados investimentos na área de gás e energia, bens de capital e infraestrutura, entre outros setores. Também vão garantir os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da Petrobras.

21/01/2009 - 11:09h Metalúrgicos vão pedir volta das câmaras setoriais a Lula

Silvia Costanti / Valor

Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: “Os atores estão se acusando ao invés de se unir”

Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, negocia hoje em Brasília com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, um pacote de medidas específico para a cadeia automotiva. A principal proposta consiste em repetir a fórmula da Câmara Setorial Automotiva, criada em março de 1992, que reuniu governo, montadoras, autopeças, distribuidores e representantes dos trabalhadores para definir ações contra a crise que o setor vivia na época.

A proximidade do presidente Lula com o sindicato, que presidiu entre 1975 e 1980, rendeu a Nobre uma conversa privada com o presidente, à parte das discussões que vêm sendo feitas com as centrais sindicais. “Lula tem o sindicato como uma referência, até para seus discursos. E ele me deve isso, já que estou sem sala por causa dele”, brinca Nobre, fazendo referência à produção do filme de Fábio Barreto “Lula, o Filho do Brasil”. A produção do filme está reformando a sede do sindicato para que o local tenha a aparência da década de 70, quando Lula era presidente da entidade, e a sala de Nobre está entre os locais em reforma.

Em sua reunião com o presidente, Nobre vai apresentar dados recentes sobre o desempenho do setor automotivo e propostas para reaquecer a produção e as vendas de veículos, garantindo dessa forma a manutenção do nível de emprego. Entre as informações estão dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), baseado nas estatística do Ministério do Trabalho. O levantamento do Dieese revela que, de janeiro a novembro de 2008 (último mês de divulgação pelo ministério dos dados municipais de emprego e desemprego), os sete municípios do ABC que reúnem as montadoras e autopeças registraram taxa de rotatividade de 2,7% para montadoras e de 24,2% para autopeças. Ao longo de 23 meses, iniciados em janeiro de 2007, esse índice foi maior, de 7,1% nas montadoras e de 42,7% nas autopeças. “Quero chamar a atenção para o presidente de que o alto nível de demissões não é só crise externa. A multa sobre o FGTS já foi incorporada no custo das empresas e por isso a rotatividade continua sendo extremamente alta. A manutenção do emprego e da renda garante o consumo e a produção. É preciso definir uma estratégia em conjunto para que o nível de emprego seja mantido”, afirma.

Na avaliação do sindicalista, a crise tem afetado sobretudo a oferta de crédito, elemento que contribuiu fortemente para o salto nas vendas de veículos dos últimos anos. “A crise está desagregando, os atores estão se acusando ao invés de se unir”, afirma Nobre, justificando o pedido de retomada da Câmara Setorial Automotiva. Ele observa que, na experiência de 1992 e 1993, governo, indústrias e sindicatos reuniram-se e estabeleceram metas de produção e vendas. O governo baixou alíquotas de impostos e o nível de emprego foi mantido. As medidas tiveram êxito e as vendas do setor voltaram a crescer. “É preciso criar uma agenda positiva, definir metas de produção e vendas e isso implica mexer no spread bancário, na taxa de juros e na tributação”, afirma. Além desses itens contidos na pauta da reunião com o presidente Lula, Nobre também pretende prospectar recursos para projetos do sindicato na área cultural, entre eles, o de colocar no ar, até 2011, uma emissora de tevê educativa.

17/01/2009 - 11:56h Greve para Magneti, que demitiu no ABC

Greve foi aprovada pelos 670 funcionários da empresa. Foto: Antonio Ledes

Corte de 400 causa paralisação de 2,6 mil metalúrgicos por 24 horas

Joaquim Alessi – O Estado SP

Os cerca de 1,6 mil funcionários das unidades de Santo André e Mauá da fabricante de autopeças Magneti Marelli Cofap iniciaram às 6h da manhã de ontem uma greve de advertência de 24 horas contra a demissão de aproximadamente 400 companheiros. “Todas as demissões vamos responder com greve”, discursou em frente ao portão principal da unidade o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino da Silva, o Martinha, que cobrou intervenção direta do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele tem de usar o peso político do seu cargo para promover um grande pacto nacional contra a crise”, disse o sindicalista.

Também em São Bernardo, onde as demissões na Magneti Marelli Cofap atingiram cerca de 150 operários, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC promoveu manifestação. Os sindicalistas não têm o número exato de demissões na empresa, até porque grande parte deles foi contratada há menos de um ano, período em que não há necessidade de a homologação ser feita no sindicato. A empresa foi procurada, mas não retornou as ligações para comentar as demissões.

Martinha afirmou que o quadro em Santo André e Mauá é preocupante porque entre oito a dez empresas de médio porte já manifestaram ao sindicato o desejo de cortar pessoal. Essas indústrias empregam cerca de 3 mil trabalhadores e as demissões atingiriam entre 250 e 300 funcionários. Já foram demitidos 34 na Borlem Alumínio e outros 31 na GT do Brasil (do Grupo Italiano Gammastamp), fabricante de peças automotivas.

O sindicalista afirmou que, se as paralisações de advertência não surtirem efeito, serão adotadas novas ações. “Vamos chamar todos os desempregados e fazer atividades populares em frente às Prefeituras, Câmaras Municipais, Palácio dos Bandeirantes, se preciso vamos a Brasília e vamos cobrar ação das autoridades”, disse Martinha.

Ao cobrar uma posição mais firme de Lula, Martinha defendeu uma “agenda positiva” para o País. “O presidente Lula tem de ligar para o Serra, para o Aécio e dizer: vamos esquecer as eleições de 2010, deixar a disputa política de lado e pensar na população.”

A CUT deflagra na próxima segunda-feira o movimento “Os trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise”. A campanha vai reivindicar garantia de emprego, manutenção dos direitos dos trabalhadores, queda imediata dos juros e a contrapartida das empresas que receberem incentivos do governo.

Serão feitas manifestações de rua, passeatas, protestos diante de empresas e todas as formas possíveis de luta, segundo os sindicalistas. CUTs estaduais, confederações e federações cutistas por ramo de atividade econômica e sindicatos já estão envolvidos no movimento, que também distribuirá para a população panfletos explicativos com as propostas dos trabalhadores e as declarações que, segundo eles, o empresariado e parte da mídia usam para confundir a opinião pública.

APELO AO BISPO

As 744 demissões na GM no início da semana levaram o Sindicato dos Metalúrgicos de São Jose dos Campos a pedir ajuda para a Igreja Católica. Na manhã de ontem, diretores sindicais se reuniram com o representante da diocese de São José dos Campos, padre Paulo Renato, para discutir a situação dos temporários dispensados. A entidade quer o apoio e a participação dos padres e da comunidade católica na campanha contra as demissões.

De acordo com o presidente do sindicato, Adilson dos Santos, eles entregaram ao padre uma carta endereçada ao bispo dom Moacir Silva. “Existe a necessidade de unificar a cidade e a região na luta pelo emprego e contra a ameaça aos poucos direitos trabalhistas que dispomos. Precisamos da igreja e da comunidade católica.”

Ontem foi um dia pacífico na frente da fábrica da GM de São José dos Campos, sem protestos ou paralisações na produção. Entretanto, ficou definido que no dia 24 de janeiro haverá um grande ato na praça central da cidade, na tentativa de reverter os cortes.

16/12/2008 - 09:29h Centrais sindicais repudiam flexibilização

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Ana Paula Lacerda e Paulo Justus – O Estado SP

As centrais sindicais repudiaram a idéia de flexibilização temporária das leis trabalhistas, mencionada pelo presidente da Vale, Roger Agnelli, em entrevista publicada pelo Estado, no domingo. Os sindicalistas dizem que a mineradora tem condições de manter os empregos e está usando a crise como desculpa para fazer demissões.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, o momento é de garantir o emprego. Ele diz que parte dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador vai para o BNDES. “Esse dinheiro beneficia tanto a Vale quanto outras empresas e, por isso, elas deveriam diminuir os lucros e manter os empregos”.

Santos diz que os sindicatos ligados à CUT estão orientados a fazer mobilização e greve em caso de propostas de suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada e de salário, ambas previstas em lei e defendidas por Agnelli.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira dos Santos, o Paulinho, criticou a idéia de mudança temporária nas leis trabalhistas. “Essa medida pode se tornar definitiva depois da crise, por isso não podemos mexer nas garantias dos trabalhadores”, diz. Paulinho admite a possibilidade de utilização dos instrumentos previstos na lei para garantir os empregos. “A suspensão do contrato e a redução de jornada com redução do salário devem se tornar mais freqüentes no ano que vem, com o agravamento da crise.”

A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) condena toda mudança nas leis trabalhistas . “A choradeira dos empresários não tem nenhuma justificativa. Eles lucraram muito e agora querem descontar nas costas dos trabalhadores no primeiro momento de dificuldade”, diz o coordenador da entidade, José Maria de Almeida.

Apesar da contra-indicação das centrais, a suspensão de contrato de trabalho já ocorre em vários sindicatos. O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas sugeriu a medida como forma de garantir o emprego nas indústrias de eletroeletrônicos, motos e autopeças. “Durante a suspensão, o funcionário recebe seguro-desemprego, depois volta ao trabalho”, diz o secretário do sindicato, Sidnei Malaquias.

A suspensão do contrato também é defendida pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Antonio Ramalho. “Não é o ideal, mas é melhor do que a demissão. Nesse meio tempo, o trabalhador poderia fazer algum curso, custeado pela empresa ou pelo governo.”

Na Vale, o Grupo Renovação, que representa oito sindicatos de trabalhadores da mineradora, assinou um acordo para a suspensão temporária do contrato de trabalho. “Essa medida será usada se necessário”, afirma o coordenador do grupo, Sebastião Alves Oliveira. Segundo ele, a medida pode atingir até quatro mil funcionários da empresa.

10/12/2008 - 10:37h EUA: Governo ajuda, mas vai interferir em tudo

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Ricardo Balthazar, de Washington – VALOR

O pacote de socorro à indústria automobilística que está em discussão nos Estados Unidos obrigará as três grandes montadoras americanas, General Motors, Ford e Chrysler, a aceitar um grau inédito de interferência do governo nos seus negócios em troca da ajuda financeira que elas precisam obter para enfrentar a crise que engolfou o setor.

Conforme o rascunho do projeto em discussão no Congresso, as empresas terão que rever as políticas de remuneração dos seus executivos, suspender o pagamento de dividendos aos acionistas e submeter seus investimentos à aprovação de um funcionário do governo que terá a missão de monitorar as empresas beneficiadas pelo plano.

Qualquer transação cujo valor seja superior a US$ 25 milhões terá que ser submetida à avaliação desse funcionário e poderá ser simplesmente vetada por ele. De acordo com o projeto, a restrição se aplica a vendas de ativos, investimentos, contratos e qualquer outro tipo de compromisso assumido pelas empresas.

O projeto também proíbe as montadoras que receberem ajuda do governo de recorrer à Justiça para contestar Estados que impuserem limites mais rigorosos do que os previstos na legislação federal para as emissões de gás carbônico dos seus automóveis. A Califórnia vem tentando fazer isso há meses e enfrenta ferrenha oposição da indústria.

O projeto foi apresentado à Casa Branca por líderes do Partido Democrata no Congresso na segunda-feira e foi recebido com reservas pelo governo e seus aliados no Partido Republicano. Integrantes dos dois partidos passaram o dia ontem tentando resolver suas diferenças e esperavam colocar o projeto em votação até o fim desta semana.

Na semana passada, os executivos-chefes das montadoras pediram ao Congresso US$ 34 bilhões em empréstimos para enfrentar a crise atual. A falta de crédito na praça e a queda nas vendas de automóveis agravaram as dificuldades que as três empresas enfrentam há muitos anos para competir com seus rivais japoneses.

A GM pediu US$ 18 bilhões e a Chrysler quer US$ 7 bilhões. As duas empresas dizem que não têm condições de continuar operando se não tiverem ajuda até o fim do ano. A Ford diz que não precisa de dinheiro agora, mas quer uma linha de crédito de US$ 9 bilhões, que seria usada no ano que vem se a crise do setor se aprofundar ainda mais.

O projeto em discussão no Congresso permite a liberação de até US$ 15 bilhões para as montadoras. Os empréstimos teriam prazo de sete anos e o governo poderia exigir como garantia ações nas indústrias beneficiadas. A proposta divulgada pelos democratas permite que o governo tenha até mesmo ações com direito a voto nas empresas.

Na manhã de ontem, o líder dos democratas no Senado, Harry Reid, sugeriu que o pacote poderia ser colocado em votação em poucas horas. Mas o líder dos republicanos, Mitch McConnell, criticou o projeto e a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou que muitos detalhes ainda estavam em negociação.

O poder da autoridade que irá monitorar a gestão das empresas beneficiadas pelo pacote era um dos pontos ainda em discussão ontem. A deputada democrata Nancy Pelosi, que preside a Câmara, sugeriu para a função o ex-presidente do Federal Reserve, o banco central americano, Paul Volcker, hoje um dos principais assessores econômicos do presidente eleito Barack Obama.

Senadores republicanos manifestaram ontem várias restrições ao pacote e expressaram dúvidas sobre a capacidade das montadoras de sobreviver mesmo se receberem ajuda. Embora os democratas tenham maioria nas duas casas do Congresso, eles não têm votos suficientes para aprovar o projeto no Senado sem apoio dos republicanos.

Parte da resistência ao pacote é resultado do desgaste que o Congresso sofreu ao aprovar o plano de socorro ao sistema financeiro que o governo começou a executar em outubro, para o qual foram destinados US$ 700 bilhões. Os dois pacotes têm semelhanças, mas o das montadoras submete a indústria a um tratamento muito mais rigoroso do que o recebido pelos bancos.

As instituições financeiras que receberam ajuda também precisaram cortar os bônus dos diretores e os dividendos dos acionistas, mas tiveram bastante liberdade para administrar o dinheiro que receberam. O governo evitou tomar medidas para obrigá-las a usar esses recursos para ampliar a oferta de crédito, como muitos políticos queriam.

Mesmo se o pacote passar, será difícil conter os problemas que a crise já começou a criar para fabricantes de autopeças, revendedores de automóveis e outras empresas que dependem das montadoras. As indústrias que quiserem ajuda do governo terão que executar planos de reestruturação que irão resultar na eliminação de milhares de postos de trabalho.

19/11/2008 - 09:15h Para metalúrgicos, crise é passageira

 
Jefferson Dias/Valor
Benigno José Domingues, metalúrgico do ABC: pescaria, mas perto de casa

 

 

 

De São Bernardo do Campo – VALOR  

A chuva forte da manhã, substituiu o fim de semana ensolarado na grande São Paulo, e cedeu lugar à velha garoa, fina e constante. A instabilidade do clima, semelhante a dos mercados financeiros, fez companhia aos humores dos metalúrgicos da base sindical de São Bernardo do Campo na noite de segunda-feira. Aos poucos, alguns prevenidos chegavam com seus guarda-chuvas e jaquetas, outros não ligavam para a mudança do clima e uma camiseta já era suficiente para ficar a vontade.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo foi falar sobre a crise financeira e seus impactos sobre o Brasil. Metalúrgicos das grandes montadoras (Ford, Volkswagen, Mercedes Benz) e das autopeças lotaram a sala reservada para o evento. Na platéia, muitos estão com férias coletivas marcadas, mas a maioria apenas para o fim do ano, como é tradicional na base do sindicato. Os semblantes eram menos nublados do que se poderia esperar. E as preocupações também. Nas autopeças, o temor de demissões é maior; nas montadoras, os trabalhadores mantém os planos de consumo para o Natal, esperando que os brasileiros também continuem comprando carros novos.

De camisa pólo branca, Benigno José Domingues, conhecido como “Maluf” por conta de algumas semelhanças com o político, chegou com 20 minutos de antecedência. Aos 53 anos, trabalha no setor metalúrgico desde 1977, quando começou na Volkswagen. Desde 1996, está na Delga Indústria e Comércio, empresa de autopeças, como operador de empilhadeira.

Domingues conta que há vários anos não ouvia falar em férias coletivas, medida anunciada nos últimos dias na empresa em que trabalha. Ele diz que ficará parado por duas semanas (a partir de 22 de dezembro), mas não vê riscos de que a crise afete a fábrica onde está empregado, pois espera que a partir de janeiro a situação melhore. Para o período que ficará parado planeja a pescaria. “A gente tem chumaço (isca), vamos descer até o riacho e pescar um pouquinho” brinca o operário. Apesar da tranqüilidade que manifesta, está atento. “Não dá para ir para muito longe, a gente fica preocupado, o dinheiro que a gente pega é preciso guardar e segurar, a gente não sabe, né?”, pondera o metalúrgico.

Objetivo e com um bloquinho de anotações, ele foi à palestra à procura de uma “orientação”. “É muito importante participar desses debates para o nosso dia a dia, temos que fazer tudo com o pé no chão” observa Domingues. Ele admite estar preocupado com o cenário para as autopeças. Sempre atento ao que acontece com as montadoras, ele descreve que o clima entre os funcionários na empresa é de preocupação, principalmente por conta de demissões noticiadas em outras autopeças de Diadema, na base do sindicato. Ontem, em Campinas, novas demissões foram anunciadas na Foxconn, de eletroeletrônicos.

Outro operário do setor de autopeças que apareceu para conferir as análises da crise, foi José Augusto, de 38 anos. Na Welcon Fasteel, fábrica em que trabalha há cinco anos e sete meses como operador de máquina no departamento de estamparia, Augusto faz parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e do Comitê Sindical da Empresa (CSE).

Na empresa foram anunciadas férias coletivas para o início de dezembro para acompanhar o calendário das montadoras, o que reforçou, no início, o clima de preocupação entre os trabalhadores, conta Augusto. “O pessoal ficou meio surpreso no começo, mas agora já estão assimilando melhor o fato, embora a maioria tema demissões”, acrescenta.

Se para os trabalhadores das autopeças as dúvidas pairam e criam nebulosidades, para os jovens colegas de trabalho e ponteadores da Ford, Sandro Randal Alves, 31 anos, e Jairo de Souza Franco, de 25, o céu cinzento da mudança não provocará diferenças.

Alves completou o ensino médio e decidiu investir em cursos do departamento de Formação Sindical. Fez dois, um de Ergonomia e outro de Formação para Formadores. Orgulha-se das oportunidades e empenha-se em acompanhar de perto tudo o que está ligado às questões trabalhistas.

A Ford informou que as férias coletivas começarão a partir de 15 de dezembro. Para Alves, a parada representa uma pequena diferença na programação dos anos anteriores, mas não implica na desaceleração na produção, e pode ser explicada como uma necessidade de adaptação dos estoques.

Para os seus companheiros de produção, contudo, a notícia não foi recebida com tanta frieza. Alves conta que há muitos trabalhadores apreensivos, mas responsabiliza a mídia pelo clima de desconfiança. Para o Natal, com sua esposa e as duas filhas, ele não pretende alterar os hábitos em comparação com outras festas. Nas férias coletivas, vai aproveitar para descansar e estudar.

Com voz de locutor de rádio e poucas palavras bem cuidadas, o companheiro de trabalho de Alves, o tímido mineiro Jairo concorda com a análise de que o setor não sofrerá grandes adaptações. Em São Paulo desde os 12 anos, quando veio morar com a tia para estudar e depois trabalhar, Jairo planeja uma visita à mãe em Minas Gerais nas férias coletivas. E não teme perder o emprego na volta.

Na Volkswagen, o clima é um pouco mais apreensivo entre os funcionários, segundo o coordenador do comitê sindical, Reinaldo Marques. As notícias de carros parados nos pátios trazem preocupação e levam os operários a questionar as medidas que a empresa pode tomar nos próximos dias.

 

12/11/2008 - 10:01h EUA: montadoras na mira do Estado

Crise pode levar governo americano a assumir GM, Ford e Chrysler, como fez com bancos

José Meirelles Passos – O GLOBO – Correspondente • WASHINGTON

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O governo dos Estados Unidos começa a se convencer de que não há outra alternativa para salvar a indústria automobilística do país — centrada na General Motors (GM), na Ford e na Chrysler — do que estatizar as três empresas ou, pelo menos, alguma delas, como já vem fazendo no setor financeiro. Segundo analistas do setor e membros da equipe do presidente eleito, Barack Obama, a questão já não é mais de “se” isso será necessário, mas de “quando” tomar essa iniciativa. A estimativa é que, quanto mais o presidente George W. Bush resistir, pior será para a economia.

Isso porque a GM está à beira da falência. Ela já anunciou que tem dinheiro suficiente para se manter apenas até o fim do ano, mas que, se as vendas continuarem caindo — em outubro a queda foi de 45,1% —, talvez nem chegue lá. A empresa fechou seu balanço do terceiro trimestre com US$ 16,2 bilhões em caixa, mas precisa de US$ 11 bilhões a US$ 14 bilhões por mês só para bancar os seus custos básicos: salários, pagamentos a fornecedores e pensão de seus aposentados.

Ontem, seus papéis chegaram a cair 18%, para seu menor nível em 65 anos, encerrando o pregão em queda de 13%, a US$ 2,92.

Desde 1946 a ação não fechava abaixo de US$ 3.

— Já fizemos os cortes possíveis.

Cortamos até o osso.

Sem ajuda do governo não vamos conseguir operar nos primeiros seis meses de 2009 — disse o presidente da GM, Frederick A. Henderson.

As medidas incluem um corte de US$ 10 bilhões em agosto, venda de US$ 5 bilhões em ativos, um corte de US$ 5 bilhões na semana passada, redução de US$ 2,5 bilhões em investimentos para 2009, produção menor em dez fábricas e adiamento de lançamentos.

Segundo o “Wall Street Journal”, a GM negocia aumentar sua participação em uma joint venture na China que faz carros populares.

Obama defende ajuda a montadoras

Se a GM chegar à bancarrota provocará uma quebra em série, pois isso afetará seus fornecedores de autopeças, que também abastecem Ford e Chrysler, apressando o colapso destas. Calcula-se que a falência das três causaria o desemprego de três milhões de americanos e uma perda de US$ 156,4 bilhões em impostos nos próximos três anos. O quadro poderia se agravar com as falências dos fornecedores de autopeças, aço, plástico e vidro para as montadoras, pois isso acabaria afetando também as três grandes montadoras japonesas instaladas nos EUA: Toyota, Honda e Nissan.

— Diante da inércia do governo, não vejo outra saída. Para mim, é apenas questão de tempo a primeira das três montadoras americanas declarar falência — disse Kevin Tynan, da Argus Research.

Em sua conversa com Bush, segundafeira, Obama afirmou ser urgente a injeção de dinheiro público no setor. Bush respondeu que também anda preocupado com o assunto, mas impôs uma condição. Ele disse que sua prioridade é aprovar o acordo bilateral de livre comércio com a Colômbia, estancado há meses no Congresso. E que só concordaria em financiar as três montadoras americanas se Câmara e Senado aprovassem esse tratado.

Obama sempre foi contra esse acordo bilateral. E, a julgar pelo que dizem seus assessores, ele estaria disposto a pagar para ver. Ou seja: os democratas não cederiam à pressão (alguns a chamam de chantagem) de Bush, apostando em que ele não deixaria que a GM, que já foi a maior montadora do mundo e é um ícone do capitalismo americano, quebrasse no final de seu governo, já tão criticado.

O governo aprovou US$ 25 bilhões de ajuda às montadoras em setembro, mas vinculando esse dinheiro ao desenvolvimento de veículos que consumam menos combustível e poluam menos. A questão é que as fábricas necessitam de capital urgente para pagar as suas contas.

Obama sugeriu um novo pacote de US$ 25 bilhões, sem condições, ou o acesso das três montadoras a parte dos US$ 700 bilhões destinados originalmente ao resgate de instituições financeiras — o que tem o apoio da presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi. Ela pediu ontem uma “ajuda financeira de emergência e limitada” para o setor. Se Bush não concordar com uma coisa ou outra, restará à GM, em especial, encontrar formas de se manter de pé até 20 de janeiro, quando Obama assume e, então, terá como salvá-la da falência.

 

 

Vendas voltam a nível da Segunda Guerra

WASHINGTON. As vendas de veículos nos Estados Unidos estão chegando quase ao fundo do poço. Entre janeiro e outubro, a queda foi de 14,5% em relação a igual período do ano passado. Só em outubro, as vendas atingiram um nível igual ao de 25 anos atrás.

A General Motors foi a empresa que mais perdeu. Suas vendas caíram 45,1% no mês passado. Segundo a empresa, considerando o crescimento da população dos EUA, as vendas tiveram uma queda proporcional fora do comum: ela vendeu um volume igual ao que atingira logo depois da Segunda Guerra Mundial.

— Isso mostra que é preciso que o governo faça algo, e logo, para nos ajudar a sair desse período de congelamento de vendas — disse Mike DiGiovanni, funcionário da GM encarregado das previsões de vendas.

As seis principais montadoras dos EUA continuaram perdendo dinheiro em outubro, tanto as três americanas (GM, Ford e Chrysler) quanto as três japonesas (Toyota, Honda e Nissan). Em 2007, elas venderam 16,1 milhões de automóveis, jipes, vans, caminhões e caminhonetes.

A perspectiva para 2008, a continuar no ritmo atual, é que as vendas não passem de 10,6 milhões.

Isso significa que a situação está se tornando bem pior do que o esperado, já que, na recessão mais profunda, no início dos anos 90, as fábricas chegaram a vender 12 milhões de veículos por ano. O enxugamento do mercado significa que os revendedores também estão em maus lençóis. Cerca de 1.600 já saíram de cena este ano.

— Se as coisas continuarem do jeito que estão, não há dúvida de que um número ainda maior de revendedores de veículos fecharão as portas até o fim do ano — disse o consultor Mark Johnson.

Sua previsão é que, até dezembro, nada menos do que duas mil revendedoras desaparecerão do mercado. (J.M.P.)

10/11/2008 - 12:13h O que fazer com a China na crise

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Sergio Leo – VALOR

O Brasil tem dois tipos de preocupações em relação à China, que, apesar do tamanho, é um participante discreto das reuniões de cúpula convocadas para evitar uma ameaçadora recessão mundial. Analistas buscam na peculiar macroeconomia chinesa pistas da reação do país à crise e da capacidade de ajudar o mundo a atravessá-la. Ao mesmo tempo, o Brasil debate a melhor estratégia para lidar com a crescente voracidade chinesa no mercado internacional.

Em Brasília, as autoridades esperam receber neste mês um sinal de como a China vai combinar a retração dos mercados consumidores e as sensibilidades afetadas pelo apetite dos exportadores chineses. Vence em dezembro o prazo combinado na OMC para que os países sócios pudessem impor salvaguardas contra produtos têxteis chineses. Com a extinção das salvaguardas hoje aplicadas pelo Brasil, estará liberada a entrada de têxteis da China no mercado brasileiro, o que apavora os concorrentes nacionais. O governo brasileiro sugeriu uma alternativa às salvaguardas; os chineses fazem mistério.

O Brasil quer um “mecanismo de consultas” entre os setores privados dos dois países, sob a supervisão dos governos: sempre que houver alta muito forte nas vendas chinesas ao Brasil, se não houver acordo privado para evitar danos sérios aos concorrentes nacionais, o governo brasileiro poderia adotar “medidas administrativas” contra as “distorções” no comércio.

“É um mecanismo muito mais suave do que existe hoje”, defende o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, que não dá detalhes sobre as “medidas administrativas” cogitadas. Os chineses temem criar precedentes contra as próprias importações e estão calados desde meados de outubro, quando receberam respostas a pedidos de esclarecimento sobre a proposta brasileira.

Neste ano, haverá déficit recorde no comércio com a China. As compras de produtos chineses vão superar em mais de US$ 2 bilhões as vendas do Brasil àquele país. Até outubro, mesmo com menor ritmo de crescimento, o déficit já chegou perto do alcançado em 2007 (US$ 1,87 bilhão): as importações brasileiras foram quase US$ 1,8 bilhão superiores às vendas para aquele mercado. “Precisamos diversificar a pauta de exportações para a China, que importa muitos manufaturados, mas não do Brasil”, diz Ramalho.

No último trimestre, houve aumento forte no ritmo de aumento das vendas à China, e uma redução do ritmo de crescimento das compras. Mas os negócios com grãos e óleo de soja são os maiores responsáveis pelo melhor desempenho, e representam, sozinhos, 42,5 % das exportações brasileiras à China. Com as exportações de minério, somam 70% do total. No caso da soja, pelo menos, é boa notícia o fato de que se destinam ao mercado consumidor interno, como reflexo da melhoria nas condições locais de alimentação e urbanização – algo que a recessão mundial não abalará muito..

O governo prepara um esforço de exportação para a China e, baseado nas estatísticas de comércio, já identificou setores como máquinas para têxteis e couros, autopeças e motores, preparações alimentícias e equipamentos diversos que os chineses compram de outros países. “Estamos na fase de identificar, no caso de máquinas e equipamentos, que produtos são comprados, de quem e por quê”, relata Ramalho. No próximo ano, missões comerciais para vender manufaturados serão enviadas à China.

O secretário-executivo da Câmara de Comércio Brasil-China, Rodrigo Maciel, argumenta que o principal fator responsável pelo aumento de importações de produtos da China são as compras feitas pela própria indústria brasileira, de máquinas e equipamentos. Essas importações de bens de capital representam, há anos, mais de 50% do total das importações, e o crescimento até setembro de 2008 chegou a 78% em relação ao mesmo período do ano passado, lembra ele.

As vendas chinesas de têxteis ao Brasil aumentaram 50%, mas perderam espaço no total das importações originadas na China, pela primeira vez nos últimos anos, de 7,9% para 7%. As de brinquedos também decresceram de 2% do total para 1,2% do total (o aumento das exportações de brinquedos em relação a 2007 foi de quase 35%). Maciel desdenha dos temores de uma invasão potencial de produtos chineses deslocados pela recessão dos mercados desenvolvidos. “O esforço estratégico das exportações chinesas para diversificar mercados já aconteceu e eles ocuparam o que podiam”, argumenta. “O Brasil foi um dos países para os quais mais cresceram as vendas da China.”

“Os chineses estão aumentando o valor agregado dos produtos vendidos para cá e isso preocupa cada vez mais setores industriais”, responde o presidente do Conselho d e Comércio Internacional da Fecomercio, Mario Marconini, que, amanhã, promove um seminário em São Paulo dedicado às conseqüências da crise para a China e o Brasil. “Todos precisamos da China, para dar fôlego ao mercado mundial. A a questão é como irão reagir à crise”, acrescenta.

Muito do que acontecerá no comércio com os chineses dependerá da reação da China ao desaquecimento na economia mundial. Até setembro, apesar da redução no ritmo de crescimento, as exportações chinesas aos EUA continuam firmes, e mesmo os bancos mais expostos a maus negócios no mercado americano mostraram bons resultados no terceiro trimestre, segundo a consultoria GaveKalDragonomics. O setor imobiliário contraiu-se com as medidas oficiais de restrição de crédito, e a produção industrial perde fôlego, mostrando sinais de acúmulo de estoques.

Ainda não se sabe se são estoques de bens intermediários, sinal de gestão de preços nas indústrias, ou de bens finais, que mostrariam preocupante retração na demanda tradicional por mercadorias chinesas. Na semana passada, as autoridades locais anunciaram liberação de quase US$ 600 milhões para incentivar o mercado interno. Mas a resposta chinesa ainda é um dos maiores enigma da crise.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

07/11/2008 - 11:19h Têxteis e calçadistas reduzem férias

Davilym Dourado / valor

Com estoques altos, Buettner concede férias coletivas a todos os funcionários, afirma o presidente da empresa, João Henrique Marchewsky

VALOR de São Paulo. Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Recife

http://www.assintecal.org.br/assintecal/images/conteudofoto/conteudo_14731_foto_1_calcadistas.jpgNos setores têxtil e calçadista, as férias de fim de ano foram mantidas e, alguns casos, até reduzidas. Um dos principais pólos calçadistas do Rio Grande do Sul, Sapiranga está registrando reduções nos períodos de férias coletivas devido ao mercado aquecido para as indústrias do setor, disse o diretor do sindicato dos trabalhadores local, Leandro dos Santos. A Paquetá, que opera nos mercados interno e externo e emprega 3 mil pessoas na cidade, decidiu substituir o período tradicional de 15 a 20 dias de férias pelo período entre o Natal e o Ano Novo que totaliza nove dias.

O quadro é semelhante na Daibi, com 600 funcionários. Focada no mercado externo, a empresa vai conceder 15 dias de férias, contra os 20 dias nos anos anteriores, mas o período exato não foi comunicado ao sindicato, disse Santos. A Beira-Rio já informou que vai parar do dia 22 de dezembro a 10 de janeiro, repetindo os 20 dias de férias concedidos no ano passado.

Em Parobé, também no Rio Grande do Sul, a Azaléia, com 5,3 mil funcionários, deve manter, “em princípio”, os 20 dias de férias tradicionais, comentou o presidente da entidade, João Pires. A maior preocupação na cidade é com os mais de 400 pequenos “ateliês”, que empregam 4 mil pessoas e produzem como terceirizadas para empresas exportadoras, diz. Conforme Pires, com a retração de consumo nos Estados Unidos, maior importador de calçados brasileiros, e com as alegadas perdas provocadas pelas operações de derivativos, as empresas contratantes estão reduzindo as encomendas e nos últimos meses pelo menos 100 pessoas perderam o emprego nos ateliês.

Em Santa Catarina, Malwee e Marisol, darão férias coletivas a todos os seus funcionários entre novembro e dezembro, informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Têxteis de Jaraguá do Sul, Gildo Antônio Alves. O período de 20 dias será o mais comum entre as empresas da região, que somam 450 indústrias. Com encomendas fortes, a Marisol será uma exceção. Neste ano, a empresa reduziu as férias coletivas de 20 para 13 dias.

Em Brusque (SC), a Buettner pretende dar 14 dias de férias coletivas, começando no dia 22 de dezembro. O presidente da empresa, João Henrique Marchewsky, observa que as férias em 2007 foram de dez dias e a empresa não ficou totalmente sem produzir no período. Dessa vez, a parada será de 100% dos funcionários. O período será maior por conta do aumento dos estoques e pelas perspectivas de um primeiro trimestre mais fraca de encomendas em 2009, em razão da crise econômica mundial. A empresa tem 1,4 mil empregados.

De acordo com o Sindicato dos trabalhadores das Indústrias Têxteis de Blumenau, que representa funcionários de 211 indústrias, ainda não foram comunicadas as férias coletivas de grandes empresas como Teka, Hering e Coteminas. Vivian Bertoldi, presidente do sindicato, acredita que as empresas concederão de 10 a 20 dias. A Teka informou que fará uma parada entre 22 de dezembro e 11 de janeiro. A expectativa é de férias de 10 dias na Hering e de 20 dias na Coteminas. Caso venha a conceder, será a primeira vez que a Coteminas, com uma fábrica em Blumenau, terá férias coletivas na cidade.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados e Vestuário de Crato e Juazeiro do Norte, no Ceará, não recebeu nenhum aviso de férias coletivas. No ano passado, nesta mesma época, algumas firmas já tinham comunicado que dariam férias. O Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal) também informou não ter recebido avisos de férias coletivas.

A Baterias Moura, de Pernambuco, optou por iniciar as férias coletivas em outubro para cerca de 10% do quadro de funcionários. O sistema funcionará assim até dezembro, segundo Sérgio Moura, vice-presidente da companhia. Em outubro, as vendas para as fabricantes de automóveis caíram 5%, e as exportações, 20%. Por causa disso, o executivo estima que as vendas do último trimestre de 2008 serão 10% menores em relação ao mesmo período de 2007.

Para o próximo ano, entretanto, a expectativa de Moura é de melhora na demanda. “Ainda são sabemos muito bem quanto, mas trabalhamos com crescimento para 2009. Por isso optamos por não demitir os trabalhadores.” O vice-presidente prevê alta de 20% nas exportações de 2009 e de 5% na venda para montadoras. Para ele, o câmbio está mais favorável às vendas externas. “E creio que os bancos das montadoras vão financiar mais os carros.”

Mesmo no segmento de autopeças, o período de férias coletivas foi mantido em algumas praças. Em Caxias do Sul (RS), apenas algumas empresas de pequeno e médio porte da cadeia de produção de autopeças, com até 200 funcionários, encaminharam os programas de férias coletivas, informou o diretor do sindicato dos metalúrgicos local, Antônio Homem. Em geral as férias vão de 22 de dezembro a 4 de janeiro. “Normalmente esse é o período concedido pelas empresas da região”, afirmou.

O grupo Randon, um dos maiores do município, também concederá férias do dia 19 de dezembro a 4 de janeiro, mantendo uma “tradição histórica” da companhia, informou o diretor corporativo de relações com investidores, Astor Schmitt. No período 2007/08, a parada foi de 22 de dezembro a 6 de janeiro. Segundo o diretor do sindicato dos metalúrgicos, a base de atuação da entidade, que inclui Caxias do Sul e oito pequenos municípios vizinhos, reúne cerca de 40 mil trabalhadores do setor.

A situação se repete em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, onde trabalham em torno de 11 mil metalúrgicos, disse o presidente do sindicato local, Nelson Luiz da Silva. A entidade ainda não recebeu nenhum comunicado formal das empresas, mas as informações disponíveis são de que elas vão conceder 20 dias de férias entre o Natal e o Ano Novo.

09/09/2008 - 09:30h Metalúrgico estimula bancário a obter reajuste real elevado

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A negociação de data-base dos metalúrgicos, que no fim de semana garantiu à trabalhadores de montadoras do ABC reajuste salarial de 11,01%, sendo 3,6 pontos percentuais de ganho real, trouxe ânimo extra aos bancários, que iniciam na próxima semana as negociações de reajustes para a categoria. “Sem dúvida, a conquista dos metalúrgicos reforça nosso argumento”, diz o presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e coordenador do comando nacional que negocia os reajustes salariais dos bancários, Wagner Freitas.

A categoria, que iniciou ontem a rodada de negociações de cláusulas sociais com os bancos, reivindica um ganho sobre a inflação de 5 pontos percentuais. A proposta será colocada em debate na reunião marcada para o dia 16. A partir daí, as instituições financeiras terão até a data da plenária nacional dos bancários (marcada para 25 de setembro) para aprovar a proposta ou fazer uma contra-oferta. “Caso não haja acordo, também estamos dispostos a deflagrar greve a partir da data da plenária”, diz Freitas. Para o sindicalista, o momento de negociar ganhos reais é este, em que a economia brasileira se expande e dá sinais de que crescerá de forma sustentada. “Essa crença é o que levou as montadoras a aceitarem o repasse.”

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) também trabalha com o objetivo de obter ganhos mais robustos na negociação, que se inicia no dia 19. A categoria, que reúne profissionais das indústrias química, cosmética e de fertilizantes, exige reajuste de 15%, sendo 7% de reposição da inflação, afirmou o presidente da Fequimfar, Danilo Pereira. “As indústrias do setor, como o setor automotivo, tiveram ganhos de produtividade e a idéia é que dividam os ganhos.”

O coordenador da campanha salarial da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio de Moraes, também vai exigir da Petrobras, na primeira rodada de negociações que ocorre no dia 16, aumento real de 5%, apoiando-se nas negociações realizadas por outras categorias ao longo do ano. Para o supervisor do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), José Silvestre Prado de Oliveira, o reajuste aos metalúrgicos – certamente um dos maiores registrados no ano – reforça o poder de negociação de outras categorias que têm data-base no segundo semestre. “Os metalúrgicos são uma categoria que serve como referência para as negociações de outros grupos”, afirmou.

Mesmo entre os metalúrgicos, a negociação fechada no sábado pelos trabalhadores do ABC serviu de referência para que os trabalhadores da Volkswagen do Paraná endurecessem o discurso. Na semana passada, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba obteve reajuste de 10,1%, sendo 2,6% de ganho real, mas a proposta foi rejeitada pelos trabalhadores da Volks, que querem o mesmo reajuste obtido pelos metalúrgicos do ABC, abono superior aos R$ 1,45 mil oferecidos pela montadora e pagamento dos dias parados, afirmou Sérgio Butka, presidente do sindicato. Em São Paulo, os metalúrgicos do setor de autopeças, funilaria e forjaria também recusaram a proposta das indústrias (8,8% de reajuste, sendo 1,5% de aumento real) para exigir ganho acima da inflação de 3,6%. (CB)

07/09/2008 - 10:44h Metalúrgicos do ABC fecham acordo e suspendem greve

Sindicalistas aprovam proposta das montadoras
Ernesto Rodrigues/AE

Sindicalistas aceitam reajuste salarial de 11,01% proposto pelas montadores; aumento real é de 3,6%

Rodrigo Petry, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Os metalúrgicos do ABC aprovaram neste sábado em assembléia a proposta das montadoras de reajuste salarial de 11,01%, o que representa um aumento real de 3,6%. “Foi um valor bastante significativo”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. A categoria ameaçava entrar em greve por tempo indeterminado caso um índice satisfatório de reajuste não fosse atingido.

Além do reajuste, Nobre afirmou que foi acertada ainda a elevação do piso da categoria em 12,6%, que passará de R$ 1.110,00 para R$ 1.250,00. Os metalúrgicos receberão abono em setembro de R$ 1.450,00. “Com o abono, a reposição real chegará a 5%”, afirmou Nobre.

As bancadas patronal e sindical ficaram 18 horas em reunião, até as 4h30 deste sábado. Participaram junto dos metalúrgicos do ABC, os de Taubaté, São Carlos e Tatuí. A proposta foi aceita também pelos trabalhadores do chamado grupo 8, das áreas de metais não-ferrosos, balanças e laminação.

“A expansão da indústria automobilística no último ano nos colocou em condições de buscar esse aumento dos salários”, disse Nobre. Em 2 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e, em seu discurso, disse aos metalúrgicos que a hora de se lutar por aumentos reais de salário é justamente quando a economia está em crescimento, o que vem acontecendo com o País.

Na segunda-feira, os trabalhadores do setor de autopeças vão se reunir para negociar o reajuste salarial. Essa categoria sempre espera as montadoras para definir seus reajustes.

29/08/2008 - 09:02h Autopeças abrem novas fábricas

Enquanto a ZF anuncia investimentos de R$ 715 milhões, a Hyundai planeja trazer 10 fornecedores para o Brasil

Cleide Silva – O Estado de São Paulo


A fabricante de autopeças ZF vai investir R$ 715 milhões no Brasil na ampliação das quatro fábricas do grupo e na construção de uma quinta filial, em local a ser definido. A unidade da Argentina receberá R$ 38 milhões, totalizando R$ 753 milhões a serem aplicados na região até 2013. O valor é 40% superior ao previsto pela companhia no início do ano.

Puxadas pelas montadoras, que anunciaram ampliação de capacidade e novas unidades, empresas de autopeças também partem para um novo ciclo de investimentos que ampliará o número de fabricantes no País. Só a Hyundai, que estuda a construção de uma fábrica em Piracicaba (SP), deve atrair pelo menos 10 fornecedores coreanos que não atuam no Brasil.

Juntas, montadoras e autopeças planejam investir US$ 23 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) de 2008 a 2012, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Só neste ano, as fábricas de veículos vão gastar US$ 4,9 bilhões (R$ 8 bilhões), enquanto as de componentes calculam aportes de US$ 1,6 bilhão (R$ 2,6 bilhões).

A capacidade produtiva das montadoras saltará de 3,5 milhões de veículos este ano para cerca de 5 milhões nos próximos cinco anos. A Toyota anunciou para 2011 nova fábrica em Sorocaba (SP), para 150 mil carros, projeto que deve consumir cerca de US$ 700 milhões (R$ 1,1 bilhão). Embora ainda não tenha batido o martelo, a Hyundai deve ter uma fábrica própria em São Paulo para mais de 100 mil automóveis anuais, com investimentos próximos ao da concorrente japonesa.

“A América do Sul, principalmente o Brasil, tem sido cenário atraente para investimentos”, disse ontem o presidente mundial da ZF, Hans-Georg Härter. Segundo o executivo, a região e outros mercados, como os do chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), devem compensar a queda de vendas em mercados maduros, como os Estados Unidos.

A ZF produz no Brasil sistemas de embreagens e de direção e peças como coxins e buchas em fábricas em Sorocaba, São Bernardo do Campo e Araraquara, em São Paulo, e Belo Horizonte. Na Argentina, produz amortecedores e suspensões. Juntas, as fábricas empregam mais de 4 mil pessoas.

O local da próxima fábrica de transmissões no País deve ser anunciado até novembro, e deve ficar com cerca de R$ 200 milhões do investimento previsto até 2013. Disputam o projeto os Estados de São Paulo (com Sorocaba), Santa Catarina (com Lages) e Minas Gerais.

“Vamos levar em conta principalmente custos com logística e mão-de-obra”, informou Wilson Bricio, presidente da ZF América do Sul. Além da nova unidade, o investimento ampliará a produção atual de sistemas de direção em 30% e dobrará a linha de embreagens (de 2 milhões para 4 milhões de peças/ano). A produção de transmissões passará de 40 mil para 200 mil unidades por ano.

Parte do aporte também irá para o desenvolvimento de novas tecnologias, como a de sistemas híbridos, uma combinação de motor elétrico com transmissão automatizada.

A filial brasileira, inaugurada há 50 anos, foi a primeira do grupo fora da Alemanha e responde por 4% da receita mundial, de 12,7 bilhões em 2007 (R$ 30 bilhões). “Este ano a participação deve aumentar para 5%, de um faturamento total de 13 bilhões”, disse o vice-presidente executivo do grupo, Wolfgang Vogel. A ZF está presente em 25 países, com 119 fábricas. As exportações da filial devem passar de R$ 302 milhões em 2007 para R$ 660 milhões em 2010. Entre os mercados que receberão produtos brasileiros estão a China e a Rússia.