11/03/2009 - 09:35h AL vê esvair cenário de recuperação rápida
México puxa a fila das vítimas na AL
Cerca de 80% das vendas externas são para os EUA e a queda no petróleo derrubou a receita de exportação
Marcos de Moura e Souza e Rodrigo Uchoa, de São Paulo – VALOR
A América Latina sentiu o golpe e as previsões de recuperação em relação à crise mundial já se alongaram para depois de 2010.
As economias mais abertas da região estão registrando contração acima da esperada, com forte queda da produção industrial e das exportações. Mesmo os países considerados mais preparados para enfrentar a crise, como o Chile, já veem evaporar as previsões de recuperação rápida.
Segundo a Cepal, órgão da ONU para América Latina e Caribe, a retomada do crescimento na região, antes prevista para o segundo semestre de 2009, não pode ser esperada agora “nem para o segundo semestre de 2010″.
No caso do Chile, a pesquisa mensal feita pelo BC do país com economistas, acadêmicos, consultores e executivos mostra que a expectativa deles em relação ao crescimento vem piorando paulatinamente. E, para o primeiro trimestre deste ano, eles esperam uma contração de 1,1%. Tomás Flores, um dos consultados, diz que todo este ano será bem negativo.
Em janeiro, os analistas consultados pelo BC esperavam que o Chile fechasse 2009 com crescimento de 5%. Agora, a mediana das estimativas é de crescimento de 1,2% – e há um número significativo de economistas que espera contração ou crescimento nulo.
O impacto na produção industrial tem sido maior do que esperado, dizem os analistas chilenos.
O México é outro que mostra fragilidade, principalmente porque cerca de 80% de suas vendas externas são para o EUA e porque a queda dos preços do petróleo derrubou a receitas com exportação.
“Das principais economias da região, o México é a que terá mais dificuldades de conseguir registrar crescimento este ano”, disse Jurgen Weller, especialista em Assuntos Econômicos da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal. A maioria dos países menores da América Central e Caribe – dada a forte dependência em relação aos EUA – também vai pelo caminho de desaceleração ou retração, a exemplo do México, diz ele.
No quarto trimestre, a segunda maior latino-americana encolheu 2,7% em relação ao terceiro trimestre. Foi uma retração menor do que a do Brasil, mas, por ter uma economia mais aberta que a brasileira, o panorama mexicano é mais sombrio, dizem os analistas. As exportações representam cerca de 30% do PIB do México, assim como no Chile, diz Alberto Ramos, economista da Goldman Sachs para a América Latina. “No Brasil, a economia mais fechada da região, o peso das exportações no PIB é de cerca de 12%.” Num momento de crise global isso pode ser uma virtude, mas num momento de recuperação geral, o país tende a demorar para voltar a crescer.
Ramos, que também vê o México como a economia da região mais exposta à crise, coloca Venezuela, Equador e, em menor grau, a Argentina na posição de países que têm adotado políticas heteredoxas, pouco atraentes aos investidores ou que não souberam aproveitar o boom das commodities para encher o caixa para momentos de desaceleração.
Na visão do analista da Goldman Sachs, Chile, Peru e Colômbia ainda são os países que mostram maior capacidade de enfrentar o cenário adverso. Os três são países que com manejo macroeconômico mais sólido que os vizinhos, diz Ramos. “O Brasil está mais perto desse grupo, embora pudesse ter feito mais para deter o crescimento sucessivo dos gastos correntes nos últimos quatro anos.”
Ramos lembra que o governo da presidente chilena, Michelle Bachelet, poupou o equivalente a 22% do PIB nos últimos três anos. O país registrou superávit fiscal de 5,2% do PIB em 2008 deverá ter neste ano um déficit de 4%. “O governo conseguirá financiar esse déficit com a economia que fez.”
Entretanto, segundo Rodrigo De Faro, economista da Universidade do Chile, o impacto nas exportações tem sido muito maior do que esperado. “Se a recuperação mundial não vier em 2010, não haverá como driblar a crise.”
As exportações do Chile caíram 41,7% nesses dois primeiros meses do ano, sendo que a baixa nas importações foi de 29%.








