11/03/2009 - 09:35h AL vê esvair cenário de recuperação rápida

México puxa a fila das vítimas na AL

Cerca de 80% das vendas externas são para os EUA e a queda no petróleo derrubou a receita de exportação

Marcos de Moura e Souza e Rodrigo Uchoa, de São Paulo – VALOR

A América Latina sentiu o golpe e as previsões de recuperação em relação à crise mundial já se alongaram para depois de 2010.

As economias mais abertas da região estão registrando contração acima da esperada, com forte queda da produção industrial e das exportações. Mesmo os países considerados mais preparados para enfrentar a crise, como o Chile, já veem evaporar as previsões de recuperação rápida.

Segundo a Cepal, órgão da ONU para América Latina e Caribe, a retomada do crescimento na região, antes prevista para o segundo semestre de 2009, não pode ser esperada agora “nem para o segundo semestre de 2010″.

No caso do Chile, a pesquisa mensal feita pelo BC do país com economistas, acadêmicos, consultores e executivos mostra que a expectativa deles em relação ao crescimento vem piorando paulatinamente. E, para o primeiro trimestre deste ano, eles esperam uma contração de 1,1%. Tomás Flores, um dos consultados, diz que todo este ano será bem negativo.

Em janeiro, os analistas consultados pelo BC esperavam que o Chile fechasse 2009 com crescimento de 5%. Agora, a mediana das estimativas é de crescimento de 1,2% – e há um número significativo de economistas que espera contração ou crescimento nulo.

O impacto na produção industrial tem sido maior do que esperado, dizem os analistas chilenos.

O México é outro que mostra fragilidade, principalmente porque cerca de 80% de suas vendas externas são para o EUA e porque a queda dos preços do petróleo derrubou a receitas com exportação.

“Das principais economias da região, o México é a que terá mais dificuldades de conseguir registrar crescimento este ano”, disse Jurgen Weller, especialista em Assuntos Econômicos da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal. A maioria dos países menores da América Central e Caribe – dada a forte dependência em relação aos EUA – também vai pelo caminho de desaceleração ou retração, a exemplo do México, diz ele.

No quarto trimestre, a segunda maior latino-americana encolheu 2,7% em relação ao terceiro trimestre. Foi uma retração menor do que a do Brasil, mas, por ter uma economia mais aberta que a brasileira, o panorama mexicano é mais sombrio, dizem os analistas. As exportações representam cerca de 30% do PIB do México, assim como no Chile, diz Alberto Ramos, economista da Goldman Sachs para a América Latina. “No Brasil, a economia mais fechada da região, o peso das exportações no PIB é de cerca de 12%.” Num momento de crise global isso pode ser uma virtude, mas num momento de recuperação geral, o país tende a demorar para voltar a crescer.

Ramos, que também vê o México como a economia da região mais exposta à crise, coloca Venezuela, Equador e, em menor grau, a Argentina na posição de países que têm adotado políticas heteredoxas, pouco atraentes aos investidores ou que não souberam aproveitar o boom das commodities para encher o caixa para momentos de desaceleração.

Na visão do analista da Goldman Sachs, Chile, Peru e Colômbia ainda são os países que mostram maior capacidade de enfrentar o cenário adverso. Os três são países que com manejo macroeconômico mais sólido que os vizinhos, diz Ramos. “O Brasil está mais perto desse grupo, embora pudesse ter feito mais para deter o crescimento sucessivo dos gastos correntes nos últimos quatro anos.”

Ramos lembra que o governo da presidente chilena, Michelle Bachelet, poupou o equivalente a 22% do PIB nos últimos três anos. O país registrou superávit fiscal de 5,2% do PIB em 2008 deverá ter neste ano um déficit de 4%. “O governo conseguirá financiar esse déficit com a economia que fez.”

Entretanto, segundo Rodrigo De Faro, economista da Universidade do Chile, o impacto nas exportações tem sido muito maior do que esperado. “Se a recuperação mundial não vier em 2010, não haverá como driblar a crise.”

As exportações do Chile caíram 41,7% nesses dois primeiros meses do ano, sendo que a baixa nas importações foi de 29%.

18/12/2008 - 06:44h Crítica à presidenta de Chile se alimenta do machismo

PRESIDENTE AO MAR:
GOVERNO CHILENO SAI EM DEFESA DE MERGULHO DE BACHELET

O banho de mar da presidente Michelle Bachelet, 57, fotografada com uma assessora às 6h30 da manhã na Costa do Sauípe (Bahia), onde participou de quatro cúpulas regionais, provocou polêmica no Chile. O Palácio de la Moneda se viu obrigado a sair em defesa da mandatária. O secretário de Governo, Francisco Vidal, lembrou que não havia compromissos oficiais tão cedo. “A presidente se mata de trabalhar pelo Chile. Se ela acorda cedo e está de frente à praia, qual é o mal de dar um mergulho? Um presidente ou uma presidente pode ter vida privada? Seria bom um pouquinho.” O paraguaio Fernando Lugo também foi fotografado andando na praia de short e camiseta, mas não entrou no mar. Fonte Folha SP

EFE
A presidente chilena Michelle Bachelet toma banho de mar na Costa do Sauípe (BA)
A presidente chilena Michelle Bachelet toma banho de mar na Costa do Sauípe (BA)

02/11/2008 - 10:42h Em crise, esquerda busca rumo no Chile

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Primeira derrota nacional em 18 anos traz ascensão da nova direita

João Paulo Charleaux – O Estado SP

Ao contrário de quase todos os outros países da América – incluindo os EUA -, a direita foi quem mais cresceu com as eleições municipais do dia 26 no Chile. E isso aconteceu justamente em um dos poucos países onde a clássica divisão direita-esquerda dispensa eufemismos como cocaleiros, indígenas, peronistas e bolivarianos.

A Concertação, aliança da atual presidente socialista, Michelle Bachelet, perdeu sua primeira eleição em 18 anos para a direita. O prejuízo da esquerda foi de 56 das 203 prefeituras, enquanto a Aliança, coligação de partidos de direita, elegeu 36 novos prefeitos, além dos 104 que detinha anteriormente. A dança das cadeiras representa um salto de 25% para a direita e um tombo de 27% para a esquerda.

Desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1990, a Concertação, coalização de socialistas, social-democratas e democratas-cristãos, vinha se mantendo e se expandindo no poder, em um claro sinal de que o legado de 17 anos de governo militar (1973-1990) tinha sido suficiente para a maioria dos chilenos.

Entretanto, as eleições da semana passada mostraram mais do que uma revanche da direita – revelam que talvez já não haja no país aquela mesma direita das décadas de 70 e 80, ou que, pelo menos, mostraram que ela está em vias de extinção.

Prova disso foi que Lucía Pinochet Hiriart, filha do ex-ditador, foi a segunda vereadora em número de votos na comuna (bairro) de Vitacura, com 15,75% dos votos. No entanto, ela saiu como candidata independente, em vez de usar o guarda-chuva da direita.

“Aqui, todos querem distância daquela direita da ditadura Pinochet”, disse ao Estado o cientista político da Universidade do Chile, Guillermo Holzmann. “A coligação de direita (Aliança) é agora uma mescla daquela direita antiga, do Pinochet, representada pela União Democrática Independente (UDI), juntamente com uma nova direita chilena, que se apresenta como moderna e neoliberal, chamada Renovação Nacional.”

É essa nova direita que mais ameaça a hegemonia da Concertação nas eleições presidenciais de 2009. No cenário mais provável, o candidato da Aliança seria o milionário Sebastían Piñera, dono da empresa aérea Lan Chile, que tem hoje 37% das intenções de voto.

OPÇÕES

Do lado da Concertação, o nome mais cotado era o de Soledad Alvear, até as eleições presidente da Democracia Cristã. Mas o desempenho do partido foi tão fraco que forçou os caciques da Concertação a reverem seus planos. O partido de Soledad perdeu 41 prefeituras, deixando de ser o maior do país.

Depois do duro golpe da semana passada, a Concertação teve de buscar candidatos no passado, como o ex-presidente chileno Eduardo Frei, que governou o país de 1994 a 2000, e Ricardo Lagos, que antecedeu Bachelet.

Outra alternativa seria o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, mas a média de intenção de votos de qualquer um desses candidatos não passa de 5%.

“Pela esquerda ou pela direita, as eleições puseram uma pedra pesada no caminho da hegemonia da Concertação”, disse Holzmann.

27/04/2008 - 09:38h Avanços para os gays na AL


Países da região começam a adotar leis que garantem direitos a casais homossexuais

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Janaína Figueiredo – O Globo

Correspondente • BUENOS AIRES

Por recente decisão da Corte Suprema do Chile, adotada após um pedido da Igreja Católica, a professora Sandra Pavez foi proibida de continuar dando aulas de religião, trabalho que exerce há mais de 20 anos, por ser homossexual.
O caso contrasta drasticamente com a realidade que vivem outros países latino-americanos, como o Uruguai, o primeiro a aprovar em seu Congresso uma lei nacional que prevê a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A medida, que começou a vigorar este ano, é inédita na região.

Paralelamente, cidades como Buenos Aires, Bogotá e o Distrito Federal mexicano permitem a união civil entre homossexuais e a Constituição venezuelana de 1999 inclui uma lei que prevê o respeito à diversidade sexual, iniciativa que também poderia ser incorporada pelas futuras constituições da Bolívia e Equador, ainda em discussão.

Do lado dos países mais fechados e menos avançados na defesa dos direitos homossexuais estão, além do Chile, Costa Rica, Peru e Paraguai.

Embora tenham eleito uma mulher, Michelle Bachelet, como presidente, em 2006, os chilenos ainda conservam um perfil profundamente conservador.

O Movimento de Integração e Liberação Homossexual (Movilh), em parceria com o deputado socialista Marco Enríquez Ominani, apresentou um projeto para aprovar uma lei de casamento e reconhecimento da união civil entre homossexuais, mas a iniciativa tem poucas chances de prosperar.

Pioneirismo no Uruguai

Já os uruguaios demonstraram ser um dos mais revolucionários em matéria de diversidade sexual. Atualmente, o Congresso do país está debatendo um projeto para dar sinal verde à adoção de crianças por parte de casais homossexuais. O fato de ser um país laico ajuda o Uruguai a avançar mais rapidamente.

Na Argentina, as cidades de Buenos Aires, Villa Maria (província de Rio Negro) e Santa Fe permitem a união civil entre pessoas do mesmo sexo. ONGs locais estão lutando para aprovar um projeto de lei nacional sobre o casamento de homossexuais, já que a união civil não prevê os mesmos direitos que o casamento. Os ativistas argentinos também defendem o direito dos transexuais modificarem sua identidade e a adoção de crianças por parte de casais homossexuais. Ambas propostas ainda não foram tratadas pelo congresso.

Carta da Venezuela cita discriminação

Um dos casos mais interessantes do continente é o venezuelano. A Constituição do país, elaborada pelo governo do presidente Hugo Chávez, afirma que “não serão permitidas discriminações fundamentadas em raça, sexo, religião ou condição social”. Bolívia e Equador, países que passam neste momento por processos de reforma constitucional, poderiam incluir direitos semelhantes em seus novos textos constitucionais.

Os países do Mercosul estão avançando de forma expressiva. No ano passado, os governos de Brasil, Argentina e Uruguai solicitaram à ONU a realização de uma convenção mundial para discutir os direitos homossexuais.

Dentro do bloco, o trabalho é realizado pela Rede de Altas Autoridades em matéria de Direitos Humanos, integrada por todos os secretários de direitos humanos do Mercosul, mais países associados e órgãos estatais de combate à discriminação.

Em 2007, foi criado o Grupo Técnico de Diversidade Sexual, que este ano organizou um seminário no Uruguai com a participação da sociedade civil. Durante o encontro, foi elaborado um Plano de Trabalho que prevê, por exemplo, a aprovação de leis contra a discriminação e a realização de campanhas nacionais a favor dos direitos dos homossexuais

Longa espera no Congresso no Brasil

Demétrio Weber – O Globo

BRASÍLIA. O Brasil convive com altas doses de preconceito contra o homossexualismo.

O projeto de lei que regula a união civil entre pessoas do mesmo sexo, apresentado pela então deputada Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, está na Câmara, à espera de votação, há 13 anos. O Congresso discute ainda propostas para criminalizar a homofobia, autorizar a troca do primeiro nome de transexuais, obrigar planos de saúde a atender dependentes gays, assim como permitir que casais gays adotem crianças.

— Até hoje tem gente que fala que homossexualismo é questão de saúde pública, como se fosse doença — resume o assessor especial da Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência, José G u e rr a .

No Congresso, segundo Guerra, as atenções estão voltadas para a votação do projeto de lei 122/2006, que criminaliza qualquer discriminação com base na orientação sexual, desde a recusa em alugar um apartamento, contratar um empregado ou hostilizar e agredir verbalmente alguém por causa de sua opção sexual.

A proposta está na Comissão de Assuntos Sociais e recebeu parecer favorável da relator Fátima Cleide (PTRO).

Em 1987, os constituintes brasileiros rejeitaram a proposta de incluir, na nova Constituição, a proibição expressa de discriminação ligada à orientação sexual. O Código Penal Militar ainda classifica como crime o ato sexual entre militares do mesmo sexo. Quem vive em união estável com pessoa do mesmo sexo não tem direito assegurado a herança ou p e n s ã o .

— Não há uma legislação geral, só atitudes esparsas que aceitam a união civil. Você fica à mercê de entrar na Justiça para garantir esses direitos — diz Guerra.

07/01/2008 - 08:20h Futuro presidente precisa olhar para o sul (New Day in the Americas)

Roger Cohen*

Juan Bautista Alberdi, um constitucionalista e liberal argentino, observou em 1837 que “as nações, como os homens, não têm asas; elas fazem suas jornadas a pé, passo a passo”. A América Latina, por muito tempo suscetível aos milagres utópicos de revolucionários e caudilhos e ainda não imune a eles, tem se esforçado para absorver essa verdade. Mas, como observa Michael Reid em seu novo livro, Forgotten Continent (Continente esquecido), democracias de massa duráveis têm surgido na região.

Nos últimos anos, essas democracias rolaram os dados com uma extraordinária variedade de líderes, entre os quais Michelle Bachelet no Chile; Luiz Inácio Lula da Silva, o metalúrgico que chegou à presidência no Brasil; e Hugo Chávez, egresso dos quartéis, na Venezuela.
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06/01/2008 - 11:26h New Day in the Americas

The New York Times
January 6, 2008

Op-Ed Columnist

By ROGER COHEN

SÃO PAULO, Brazil

Juan Bautista Alberdi, an Argentine constitutionalist and liberal, noted in 1837 that “Nations, like men, do not have wings; they make their journeys on foot, step by step.”

Latin America, long susceptible to the utopian mirages of revolutionaries and caudillos and still not immune to them, has struggled to absorb this truth. But, as Michael Reid observes in his new book, “Forgotten Continent,” durable mass democracies have emerged across the region.

In recent years, these democracies have rolled the dice with an extraordinary variety of leaders, including Michelle Bachelet in Chile; Luiz Inácio Lula da Silva, the metalworker who rose to govern Brazil; and Venezuela’s barracks-bred Hugo Chávez.

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30/10/2007 - 09:23h "Woman power"

LA NUEVA CAMADA DE MUJERES POLITICAS Y PRESIDENTAS DEMOCRATICAS

Clarín

Cristina se suma al “woman power”, que ya exhibe su sello por el mundo
Vienen avanzando en lugares clave del planeta. Tienen un denominador común: la educación superior.

Por: Daniel Juri

Tal vez, haya llegado la hora de hacer cambios urgentes en el diccionario. En la larga lista de acepciones de la palabra “mujer”, dice la Real Academia Española, en su vigésima segunda edición: “Mujer pública: prostituta”.

Otra definición: “Mujer de gobierno: Criada que tenía a su cargo el gobierno económico de la casa”. Como siempre, la lengua termina yendo un paso más allá que las academias. Y hoy, para el común de la gente, mujeres públicas, mujeres de gobierno son Angela Dorotea Kasner, Hillary Rodham, Cristina Fernández o Mamá Sirleaf . Y es que, a pesar de que a las tres primeras se las conozca por el apellido de sus maridos y a la cuarta con el más femenino de los apodos, se trata, nada menos, que de mujeres de todo el mundo que pasaron a ser emblema del “woman power”, un fenómeno que amenaza con sacudir, también, hasta la última letra del diccionario.

La primera de estas mujeres es la poderosa jefa del gobierno alemán, Angela Merkel; la segunda, Hillary Clinton, la candidata demócrata que amaga con instalarse en la Casa Blanca y no, esta vez, para redecorarla como primera dama, sino para dirigir los destinos de la primera potencia del mundo. La tercera es Cristina Fernández de Kirchner, elegida ayer presidenta de los argentinos. Luego, le sigue Ellen Johnson Sirleaf, verdadero emblema de este arranque del siglo XXI, quien el año pasado se convirtió en la primera mujer presidenta de Africa. No solo eso: ganó las elecciones en Liberia con un 59,4 por ciento de votos y se hizo cargo de un país desgarrado por una guerra civil. Encima, pudo con la política y hasta con un fetiche masculino: venció en las urnas a un ex futbolista llamado George Weah.

A las poderosas de este mundo contemporáneo parece unirlas un denominador común: la educación superior. Fueron las aulas del siglo XX las que, en definitiva, les dieron a la mujer el instru mento fundamental para pelear lugares, por ejemplo, dentro del “old boys club” de EE.UU., como se llama a ese coto cerrado que, históricamente, produjo candidatos presidenciales a destajo, siempre hombres. Con su acceso a la educación superior, la mujer pudo liberarse hasta de ese viejo mito religioso que le endilgó durante siglos la causa del pecado original. Ese mito por el que solo Eva y una serpiente (femenina) fueron expulsadas del Paraíso. “Soy socialista, agnóstica, separada y mujer”, dijo a poco de asumir el gobierno la presidenta chilena Michele Bachelet.

Merkel es científica, Hillary era una abogada exitosa cuando su marido llegó a presidente. Cristina también es abogada y un cuadro político de peso surgido de las filas del peronismo. La africana Sirleaf es una economista licenciada en Harvard. También salió de esa universidad estadounidense la abogada laboralista Tarja Jalonen, que ya va por su segundo mandato en Finlandia. Bachelet es médico cirujana y pediatra.

En el otro extremo del planeta, la economista Gloria Arroyo, actual presidenta de Filipinas -que lidia en su país contra la corrupción, la guerrilla y el terrorismo- compartió alguna vez las aulas con Bill Clinton, en la Universidad de Georgetown. Vaira Vike Freiberga, la presidenta de Letonia se doctoró en Psicología en Canadá. Es traductora de español y habla francés, inglés y alemán, además de letón, claro.

Profesionales, políticas exitosas, verdaderas damas, femeninas -cada una con su estilo- y lejos, muy lejos todas ellas, de esa imagen masculinizada que instaló la hoy anciana baronesa Margaret Thatcher, ex primer ministro británica, una famosa dama de hierro.

13/10/2007 - 16:12h Energy Crunch Threatens South American Nations

David Lillo/Agence France-Presse — Getty Images

Smog hit record levels in Santiago, Chile, when Argentina cut back on natural gas shipments.

By ALEXEI BARRIONUEVO

The New York Times

SANTIAGO, Chile — For Chile and Argentina, it was the frostiest of winters, and not just the reading on the thermometer.

During one of the coldest South American winters here in decades, neighboring Argentina cut at least 90 percent of the natural gas it sends to Chile 79 times along pipelines that connect the two countries.

Power plants and factories in this smoggy capital were forced to switch to diesel and fuel oil, which belch more air pollution and have nearly quadrupled the cost of producing electricity. Santiago reported its highest number of dangerous smog days in the past seven years.

Argentina’s actions have chilled relations between the two countries. But the impact of South America’s energy crisis is far broader. Across the region, concerns about energy are roiling national politics, generating tensions between neighbors and emerging as one of the biggest brakes to growth and integration.

Energy is the Achilles’ heel of the governments in Brazil, Argentina and Chile, which are struggling to maintain sufficient natural gas supplies after several years of strong economic growth.

“Bottlenecks in energy supply will be a critical policy concern in Latin America over the next two to five years,” said Christopher Garman, the Latin America director at Eurasia Group, a New York-based consulting firm.

Energy concerns are at the top of the agenda for the region’s incumbent leaders, most of whom have high popularity ratings, thanks mostly to buoyant economies riding a wave of higher commodity prices.

But the steady economic growth has only increased energy demand, while governments have failed for a decade to invest enough in natural gas exploration and new power plants to expand their energy supplies.

President Luiz Inácio Lula da Silva of Brazil is particularly preoccupied with the risk of power shortages that could occur as early as 2009, according to analysts. In an interview in September, he said the region’s gas woes were reason to support new hydroelectric power plants and projects to produce electricity from sugar cane. “I do not want to make Brazil dependent on gas,” he said.

The other alternative is to raise consumer prices or impose austerity measures, something politicians have been reluctant to do. History shows they can help sink a president.

When Brazil suffered an energy crunch in 2000, President Fernando Henrique Cardoso implored consumers to conserve, imposing penalties on those who did not. In the end, a major crisis was averted, but the government’s approval rating dropped by a third, and Mr. da Silva — not Mr. Cardoso’s chosen successor — was elected in 2002.

Néstor Kirchner, Argentina’s president, has steadfastly refused to raise his country’s gas and electricity prices, which are among the lowest in the world, ahead of the Oct. 28 election. Mr. Kirchner’s wife, Cristina Fernández de Kirchner, is the leading candidate to succeed him.

Instead, his government placed winter energy-use restrictions on industries and cut off its neighbor to the west, Chile.

Mr. Kirchner’s strategy has satisfied voters and kept Argentina’s economy humming, for now. But the low gas and power prices have scared away needed foreign investment in energy development and raised fears of runaway inflation.

Argentina could be digging itself a bigger hole to crawl out of. While the government refuses to impose on residential consumers to cut back, Argentina’s energy demands are rising faster than supply.

Power plants have little or no spare capacity and are suffering from a lack of maintenance, increasing the chances of brownouts or blackouts, said Sylvie D’Apote, an analyst with Cambridge Energy Research Associates.

Argentina’s energy troubles began with the crushing economic crisis of 2001, when its currency, the peso, was devalued almost overnight by some 300 percent. In a panic, the government moved energy rates from dollars to pesos.

Suddenly Argentine natural gas was the cheapest in Latin America, and residential electricity rates were among the lowest in the world.

For Mrs. Kirchner, if she is elected, changing course would be risky. Raising energy prices would only worsen inflation and raise the ire of Argentine voters, potentially spoiling the Kirchners’ plans to tag-team the presidency for the next 12 years.

Argentina’s economy, which is expected to grow this year by about 8 percent for a fifth straight year, is struggling with rising inflation pegged by private economists at nearly 20 percent, more than double official government claims.

Mr. Kirchner has denied there is even an energy crisis, noting that residential consumers have yet to feel a pinch.

Instead, it is Chile that is being squeezed. With few energy resources of its own, Chile had come to rely on Argentina for natural gas. The neighbors signed contracts in 1994, giving Chile a cheap source of fuel and a way to help clean Santiago’s notoriously smoggy air.

Argentine officials say that the Argentine Congress never approved the energy accords, making them nonbinding. The Chileans call that claim ludicrous.

The energy crunch is already contributing to inflation in Chile. Chile’s inflation is expected to be 6.4 percent this year, nearly a third of which is attributable to the cost of energy and food, said Pablo Goldberg, chief economist for Latin America at Merrill Lynch.

Political problems have limited Chile’s energy options. Bolivia, which has the largest gas reserves in the region, has forbidden Argentina from re-exporting Bolivian gas to Chile because of a decades-old dispute over maritime access rights.

Analysts have doubts in any case about just how much natural gas Bolivia, which nationalized its gas sector last year, can extract without foreign investment.

With few options, Chile’s government, led by President Michelle Bachelet, is moving on several fronts to diversify its energy supplies.

Two liquefied natural gas terminals should be completed by the middle of 2009. Chile is also opening up some land for oil and gas exploration, though it historically has found little.

Ms. Bachelet received a government-financed study last week exploring the prospects for building nuclear power plants, which is likely to be a controversial decision for the next government.

“We can’t just wait with our arms crossed and hope for a miracle to happen,” said Antonio Baciagalupo, the chief executive of GNL Quintero, the consortium building the liquefied natural gas plant near Santiago.

25/09/2007 - 09:06h Protestos tentam acelerar distribuição de renda no Chile

The Economist, de Santiago

Jornal Valor

Apesar de uma transição para a democracia e do rápido crescimento econômico, os chilenos queixaram-se muito ao longo dos últimos 20 anos – mas discretamente. Muitos sentiram-se decepcionados pelos termos segundo os quais o general Augusto Pinochet deixou o poder, em 1990: o ditador permaneceu no comando do Exército por oito anos; mas as queixas foram emudecidas pelo alívio com a volta da democracia. Muitos também ficaram desapontados com o fato de a coalizão de centro-esquerda, chamada Concertación, que está no poder desde 1990, ter mantido as políticas de livre mercado da ditadura; mas esse desapontamento foi moderado pela prosperidade e melhorias nos serviços resultantes dessas políticas.

As queixas contidas, começaram, de repente, a ser verbalizadas ruidosamente. No ano passado, animados pela promessa de Michelle Bachelet, presidente do Chile desde março de 2006, de praticar um governo democrático mais “participativo”, alunos de escolas secundárias foram às ruas para exigir melhor ensino, no maior dos protestos desde a década de 80. Com o preço do cobre – principal produto exportado pelo país – em níveis recordes, e a economia crescendo 6% neste ano, também os trabalhadores estão protestando.
Até recentemente, greves eram relativamente raras no Chile. No ano passado, porém, mineiros de Escondida, a maior mina de cobre do mundo, conquistaram um aumento substancial de salários, após greve de um mês. Neste ano, houve paralisações no setor de reflorestamento e uma greve de 36 dias por trabalhadores subcontratados pela Codelco, a empresa estatal produtora de cobre.
“Os trabalhadores vêm um país que está crescendo e companhias que estão indo bem, e ficam cansados de esperar”, explica Arturo Martínez, presidente da Central Unitária de Trabajadores (CUT), a principal confederação sindical chilena. Os sindicatos criticam a distribuição desigual de renda no país. Uma pesquisa governamental, no ano passado, descobriu que quase 1 milhão de trabalhadores, ou 15% do total, estava ganhando menos do que o salário mínimo estipulado na legislação – pouco mais de US$ 200 por mês.
Em vista da forte queda do desemprego, as exigências salariais não são de surpreender. Elas são também estimuladas pelo Partido Comunista. A essas cobranças somam-se críticas ao descumprimento, pelo governo, de uma promessa de campanha, a de promover uma reforma num sistema eleitoral deixado intacto pela ditadura, que torna quase impossível aos partidos pequenos (como o próprio PC) conquistar assentos no Congresso.

Líderes sindicais dizem que o país está à beira de uma conflagração social. Sem dúvida, as recentes greves e manifestações foram incomumente violentas, assim como um dia nacional de protesto convocado, entre outros, pela CUT e pelo Partido Comunista, em 29 de agosto.
Essa iniciativa ganhou o apoio de alguns políticos da Concertación, que passaram a protestar contra o “neoliberalismo” de seu próprio governo. Eles são contrários a uma rígida política fiscal segundo a qual grande parte do ganho extraordinário resultante do preço do cobre está sendo poupado para o futuro. Isso permitirá que o governo disponha dos recursos para safar-se de uma eventual recessão futura.
Mais que uma grande inflexão ideológica, o descontentamento reflete uma mudança nas relações trabalhistas. Os trabalhadores estão mais conscientes de seus direitos e querem que estes sejam respeitados, diz um administrador sênior na Codelco.
Uma questão contestada é a subcontratação de trabalhadores. Isso contribuiu para manter as exportações competitivas, mas em alguns setores têm sido usadas como um meio de formar um contingente de mão-de-obra remunerado com baixos salários sob contratos de curto prazo.
Uma nova lei procura coibir o uso indevido da subcontratação. No mês passado, o governo constituiu uma comissão para analisar mudanças mais abrangentes nas legislação trabalhista. “Não fomos condenados a ver pobreza e desigualdade e simplesmente ficar esperando que o crescimento e uma gradual propagação da riqueza se encarregue de acabar com os problemas”, afirmou Bachelet recentemente. O governo também quer constituir tribunais especiais para julgar queixas de trabalhadores e pretende fortalecer o seguro-desemprego.
A estabilidade econômica, política e social desde 1990 foi crucial para atrair os investimentos, tanto nacionais como estrangeiros, que asseguraram rápido crescimento econômico. Em conseqüência, o Chile é um país muito mais rico: a renda per capita é de quase US$ 9 mil, contra apenas US$ 2,4 mil em 1990. Neste estágio de seu desenvolvimento, mais investimento de capital e melhor ensino fariam crescer a produtividade e, portanto, os salários, num círculo virtuoso.
Há grande margem para melhorias de produtividade. A atividade de reflorestamento é cinco vezes mais intensiva em mão-de-obra do que, por exemplo, na Escandinávia. Mas melhorias no ensino levam tempo. E, como alternativa a investimentos de capital, as empresas chilenas podem importar mão-de-obra barata de vizinhos mais pobres, como o Peru e a Bolívia, assinala Rosanna Costa, do Libertad y Desarrollo, um instituto de estudos conservador. Isso está acontecendo em atividades mal remuneradas em setores como a construção civil e a agricultura.
Os chilenos estão rompendo os grilhões mentais impostos pela ditadura. O processo foi acelerado pela morte de Pinochet, em dezembro passado. Mas a liberdade política gerou impaciência nas demandas por uma participação mais justa na divisão dos frutos do crescimento. Bachelet revelou-se menos inclinada do que seus predecessores em praticar a bem-sucedida receita do Concertación – liberalismo econômico combinado com políticas sociais redistributivas.

Apesar disso, parece improvável que o Chile dê uma guinada rumo ao populismo. Com a crescente prosperidade vieram os financiamentos de casas próprias e dívidas no cartão de crédito. Esses são “os novos grilhões dos trabalhadores”, queixa-se Martínez. São também um sinal de que a maioria dos chilenos hoje têm interesse na estabilidade.

01/09/2007 - 08:22h Chile: dilema existencial para un gobierno socialdemócrata

El descontento social que afloró esta semana en las protestas en la capital chilena ilumina situaciones que se repiten en la mayoría de países de la región.

DESAFIO. PRESIDENTA BACHELET

 



Oscar Raúl Cardoso para Clarín
ocardoso@clarin.com

Hay, por lo menos, dos formas de entender los tumultos de descontento sindical de los últimos días en Chile.

Uno de ellos, el más frecuente que emplean los analistas, es un complejo inventario de motivaciones más o menos mezquinas: la insinuación de un agotamiento histórico de la Concertación —alianza de socialistas y democristianos que gobierna el país desde los años 80— que hace tiempo se anuncia sin que se cumpla; una puja entre los sectores políticos y sindicales del socialismo por el tipo de voz que les corresponde en la administración de Michelle Bachelet, y hasta especulaciones sobre las intenciones de un sector —obviamente masculino— de la dirigencia política chilena que quiere imponerle un “tributo de género” a la Presidenta por haberse alzado con el premio de su candidatura consagrada electoralmente.

En otras palabras, parecen querer recordarle que por su condición de mujer su liderazgo no podría ser igual de sólido al de, digamos, Ricardo Lagos, Eduardo Frei o Patricio Aylwin, sus antecesores. Parece un propósito absurdo y autodestructivo, pero la naturaleza humana aconseja no descartar nada de plano.

En alguna medida cada uno de estas motivaciones —y otras muchas posibles— deben haber estado presentes en el pequeño tsunami político que la Central nica de Trabajadores de Chile le planteó al gobierno el miércoles pasado con una protesta callejera a la que sumaron algunas figuras no sindicales del oficialismo. La voz de Bachelet sonó clara un día después cuando reprochó, no sin razón, que “no es posible apoyar a un gobierno día por medio”.

La protesta de la CUT tiene el signo salarial pero es de mayor dimensión: un sector de la sociedad chilena que con su voto llevó a Bachelet a la Presidencia se considera víctima de una distribución regresiva del ingreso nacional y no descubre que el gobierno esté realmente comprometido con modificar esta situación. Lea más aqui

22/05/2007 - 05:41h Bachelet lanzó un plan social sin precedentes para Chile

La presidenta chilena, cuya imagen positiva cayó fuertemente en los últimos meses, presentó el programa de gobierno que aplicará hasta el final de su mandato. Entre otros puntos, contempla dar pensiones para todos los ancianos en situación de pobreza y un aumento anual de US$ 650 millones para el presupuesto en educación.

La presidenta de Chile, Michelle Bachelet, lanzó hoy el mayor programa social de la historia del país, con una inversión multimillonaria. Además, anticipó que su gobierno apoyará la moción parlamentaria de declarar inaplicable la Ley de Amnistía, en un discurso ante el Congreso. Al trazar el programa político, económico y social hasta el final de su mandato y en medio de una importante crisis política –motivada por casos de corrupción y las deficiencias del Transantiago, el nuevo programa integral de transportes para la capital chilena-, Bachelet reconoció los errores de su gestión y anunció que liberará miles de millones de dólares hasta el fin de su mandato en programas de empleo, capacitación, educación y salud.

El programa anunciado contempla inversiones anuales sobre los 5.000 millones de dólares. Además, la presidenta ratificó que distribuirá pensiones de 145 dólares para todos los adultos mayores pobres y anticipó que subirá de 56 a 80 las enfermedades que el Estado atenderá gratuitamente, entre otras medidas.

La mandataria también planteó que su gobierno tendrá como “prioridad la integración de la región”, y expuso su perspectiva de convertir a Chile en una potencia empresarial sudamericana. Para ello, proclamó la necesidad de concordar “una agenda de futuro con los países vecinos”, en alusión a Bolivia, Perú y Argentina, y confirmó su respaldo a todas las iniciativas regionales de integración en energía, infraestructura y comercio.

En tanto, en busca de superar la crisis política, la presidenta afirmó que apoyará “la moción que declara inaplicable la amnistía y la prescripción para los crímenes de lesa humanidad”. Además, agregó que “no renunciaremos a la justicia y promoveremos una ley que resuelva los asuntos patrimoniales y civiles de las víctima”. Leia mais aqui no jornal Clarín de Argentina