<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog do Favre &#187; bactérias</title>
	<atom:link href="http://blogdofavre.ig.com.br/tag/bacterias/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blogdofavre.ig.com.br</link>
	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 Nov 2009 00:00:42 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Bactérias proliferam após uso de antibióticos</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/bacterias-proliferam-apos-uso-de-antibioticos/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/bacterias-proliferam-apos-uso-de-antibioticos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 17:31:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[antibióticos]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[C. difficile]]></category>
		<category><![CDATA[Clostridium difficile]]></category>
		<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[infeção hospitalar]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/bacterias-proliferam-apos-uso-de-antibioticos/</guid>
		<description><![CDATA[ensaio

Clostridium difficile
TARA PARKER-POPE

A C. difficile criou imunidade a drogas e ficou mais perigosa
No início deste ano, Harold e Freda Mitchell, de Mississipi (EUA), tiveram uma séria doença no estômago. A princípio os médicos não sabiam o que estava errado, mas os sintomas gastrointestinais se tornaram tão graves que Freda, 66, ficou hospitalizada por duas semanas.
Um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="6"><strong>ensaio</strong></font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://static.guim.co.uk/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2008/05/18/mrsa460.jpg" alt="http://static.guim.co.uk/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2008/05/18/mrsa460.jpg" /></div>
<div align="center"><font size="-1" face="arial,sans-serif"><strong>Clostridium difficile</strong></font></div>
<p style="background-color: #ffff99">TARA PARKER-POPE</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/bacterias-proliferam-apos-uso-de-antibioticos/10970/" rel="attachment wp-att-10970" title="newyorktimes_folha2.gif"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/newyorktimes_folha2.gif" alt="newyorktimes_folha2.gif" /></a></p>
<p>A C. difficile criou imunidade a drogas e ficou mais perigosa</p>
<p>No início deste ano, Harold e Freda Mitchell, de Mississipi (EUA), tiveram uma séria doença no estômago. A princípio os médicos não sabiam o que estava errado, mas os sintomas gastrointestinais se tornaram tão graves que Freda, 66, ficou hospitalizada por duas semanas.<br />
Um médico local reconheceu sinais da Clostridium difficile, uma bactéria contagiosa e potencialmente mortal. Embora a doença seja difícil de identificar, autoridades estimam que nos EUA a bactéria cause 350 mil infecções por ano somente em hospitais, com dezenas de milhares de outras ocorrendo em lares de idosos. Enquanto a maioria dos casos é encontrada em ambientes hospitalares, 20% ou mais podem ocorrer na comunidade. A doença mata de 15 mil a 20 mil pessoas anualmente.<br />
&#8220;É a pior coisa que já tive de superar na vida&#8221;, disse Freda Mitchell, ainda enfraquecida pela doença. &#8220;Eu realmente pensei que fosse morrer.&#8221;<br />
O mais assustador da C. difficile é que muitas vezes ela é estimulada pelos antibióticos. As drogas eliminam a doença-alvo, mas também matam grande parte das bactérias saudáveis que vivem no aparelho digestivo. Se uma pessoa entra em contato com a C. difficile ou já a tem, o distúrbio das bactérias benéficas cria uma oportunidade para que bactérias nocivas floresçam.<br />
Especialistas em saúde pública vêm alertando há anos sobre o uso excessivo de antibióticos e o surgimento de &#8220;supermicróbios&#8221; -bactérias que criaram imunidade a diversos antibióticos.<br />
&#8220;Aconselhamos aos consumidores que tenham certeza de que um antibiótico é necessário&#8221;, disse Dale N. Gerding, especialista em doenças infecciosas na Universidade Loyola, em Chicago. &#8220;Há muitos bons motivos para tomar um antibiótico, mas sinusite ou bronquite acabam sendo tratadas com remédios mesmo que possam desaparecer sozinhas.&#8221;<br />
O tratamento típico da C. difficile é outra bateria de antibióticos, geralmente da droga vancomicina. Mas a situação pode rapidamente se tornar trágica. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA registraram vários casos de mulheres grávidas e no pós-parto que desenvolveram infecções de C. difficile potencialmente fatais após serem tratadas de pequenas infecções. Em alguns casos, uma infecção de C. difficile requer uma cirurgia de emergência para retirar o cólon do paciente.<br />
Médicos dizem que muitos relatam surtos regulares de diarreia mesmo depois que a infecção se foi. Cerca de 20% dos pacientes com infecção sofrem recaída. No caso da família Mitchell, o marido havia tomado antibióticos para outro problema de saúde, e o tratamento aparentemente levou à infecção de C. difficile. Freda provavelmente contraiu a doença de seu marido. Médicos dizem que a doença dela é incomum porque a maioria das pessoas é protegida por sua própria flora bacteriana e não seria vulnerável à C. difficile se não tivesse tomado antibióticos.<br />
O risco de contrair a bactéria fora de um hospital continua baixo, cerca de 7 casos por 100 mil pessoas, segundo estudos. O índice de infecção por C. difficile entre pacientes de hospital dobrou entre 2001 e 2005, segundo um relatório de abril de 2008 do CDC. O aumento de casos em todo o mundo está ligado ao crescimento do uso de todos os antibióticos, especialmente a droga chamada fluoroquinolones, que se popularizou em 2001.<br />
A C. difficile também está mais mortal. Anos atrás, o índice de mortalidade de uma infecção pela bactéria variava de 1% a 2%. Mas hoje vários estudos estimam que o índice de mortes é de 6%. O motivo é o surgimento de uma variedade ultravirulenta que emite níveis mais altos de toxinas.<br />
Pacientes e visitantes de hospitais devem lavar as mãos, e os visitantes deve evitar sentar-se no leito de um paciente ou usar o banheiro dele. Os pacientes devem relatar sintomas de diarreia grave ao médico.<br />
&#8220;Até cerca de 2002 essa era uma doença muito branda e pouco mortal&#8221;, disse Perry Hookman, gastroenterologista e professor de medicina na Universidade de Miami. &#8220;Mas, nos últimos anos, os micróbios se tornaram hipervirulentos, mais severos, e viraram uma ameaça global.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/bacterias-proliferam-apos-uso-de-antibioticos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Kassab vai manter lago poluído</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/kassab-vai-manter-lago-poluido/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/kassab-vai-manter-lago-poluido/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 12:54:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MEIO-AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[DEM]]></category>
		<category><![CDATA[diarreia]]></category>
		<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[esgoto]]></category>
		<category><![CDATA[galerias]]></category>
		<category><![CDATA[Kassab]]></category>
		<category><![CDATA[lagos]]></category>
		<category><![CDATA[parque da Aclimação]]></category>
		<category><![CDATA[parques]]></category>
		<category><![CDATA[poluição]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura SP]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/kassab-vai-manter-lago-poluido/</guid>
		<description><![CDATA[
Gabriela Gasparin do Agora
Sob descontentamento dos frequentadores do parque da Aclimação, a prefeitura voltará a encher o lago da área verde amanhã sem a retirada do lodo e lixo acumulados no fundo do ex-lago. O material, além de malcheiroso, transmite doenças à população.
O lago esvaziou na segunda-feira após o vertedouro (equipamento que controla o nível [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://img.estadao.com.br/fotos/63/B4/8A/63B48AEE716942169FA2A6C90FB4B304.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Gabriela Gasparin do Agora</p>
<p>Sob descontentamento dos frequentadores do parque da Aclimação, a prefeitura voltará a encher o lago da área verde amanhã sem a retirada do lodo e lixo acumulados no fundo do ex-lago. O material, além de malcheiroso, transmite doenças à população.</p>
<p>O lago esvaziou na segunda-feira após o vertedouro (equipamento que controla o nível de água do lago) ter a base rompida durante um temporal. Animais morreram.</p>
<p>O Prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que o motivo da tragédia não foi falta de manutenção, mas a pressão que a água da chuva provocou no equipamento.</p>
<p>O reparo da base do vertedouro deve ser finalizado hoje pela empresa contratada emergencialmente por cerca de R$ 160 mil. Será feito o encaixe de um tubo de concreto na base rompida e o lago voltará a ser enchido.</p>
<p>Kassab disse anteontem que não haverá a necessidade de retirar o lodo antes de encher. Segundo o prefeito, o material será removido com o lago já cheio, quando será colocado um novo vertedouro e as galerias da região serão revistas. A previsão do prefeito é que essa etapa esteja concluída em até 10 meses por causa da licitação. Kassab disse que a obra já estava prevista antes da tragédia e estava orçada em R$ 20 milhões.</p>
<p>Descontentamento<br />
A ideia de colocar água sobre o lamaçal que restou do que era um lago, entretanto, não agradou nem um pouco os frequentadores do parque.</p>
<p>Indignada, a população quer que o material seja retirado antes de encher o lago de novo. Além de peixes mortos que provocarão mal cheiro, há pneus, bacias, entulho, pedaços de madeiras e garrafas no lodo.</p>
<p>A Assuapa (Associação dos Usuários e Amigos do Parque Aclimação) fará um movimento amanhã exigindo a retirada do lodo antes de o lago encher. &#8220;Aconteceu uma tragédia, a prefeitura não tem que ficar fazendo licitação para a retirada do lodo&#8221;, disse o diretor da entidade, Roberto Casseb. A associação pretende montar um conselho para a recuperação do lago.</p>
<p>Ontem pela manhã, a sujeira do lago seco prendia a atenção visitantes do parque, que paravam para assistir à cena. &#8220;Eu queria saber como que essa sujeira entrou aqui. Podia aproveitar que o lago secou para tirar a lama&#8221;, disse a atendente Solange Guimarães, 28 anos, que visitava o parque na tarde de ontem.</p>
<p>O lodo do parque pode transmitir doenças, como hepatite e leptospirose, às pessoas, segundo o infectologista Paulo Olzon. O zootecnista da Unesp (Universidade do Estadual Paulista) disse que, apesar de não fazer mal aos peixes, é correto retirar o lodo do fundo do local onde havia o lago.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/kassab-vai-manter-lago-poluido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>4 anos mais tarde&#8230;</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/4-anos-mais-tarde/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/4-anos-mais-tarde/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 12:42:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MEIO-AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[DEM]]></category>
		<category><![CDATA[diarreia]]></category>
		<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[esgoto]]></category>
		<category><![CDATA[galerias]]></category>
		<category><![CDATA[Kassab]]></category>
		<category><![CDATA[lagos]]></category>
		<category><![CDATA[parque da Aclimação]]></category>
		<category><![CDATA[parques]]></category>
		<category><![CDATA[poluição]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura SP]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/4-anos-mais-tarde/</guid>
		<description><![CDATA[Ontem formulei aqui algumas perguntas sobre os problemas de manutenção do lago do Parque da Aclimação. O lago seco do engenheiro Kassab
&#8220;Em 2005, o então prefeito José Serra soltou um decreto autorizando as empresas privadas a “assumirem” a manutenção dos lagos dos parques municipais. Os quatro parques visados pelo decreto eram: Ibirapuera, Aclimação, Carmo e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ontem formulei aqui algumas perguntas sobre os problemas de manutenção do lago do Parque da Aclimação. </em><strong><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/o-lago-seco-do-engenheiro-kassab/" title="O lago seco do engenheiro Kassab" rel="bookmark">O lago seco do engenheiro Kassab</a></strong></p>
<p><strong><em>&#8220;Em 2005, o então prefeito José Serra soltou um decreto autorizando as empresas privadas a “assumirem” a manutenção dos lagos dos parques municipais. Os quatro parques visados pelo decreto eram: Ibirapuera, Aclimação, Carmo e Cidade de Toronto. As empresas deveriam, segundo o decreto de Serra, cuidar de poluição da água, erosão ribeirinha, vegetação local, assoreamento dos lagos, fauna aquática, avaliação de qualidade da água e campanhas que estimulem a participação da população na conservação dos lagos. Em troca fariam a publicidade nos locais.</em></strong></p>
<p><strong><em>Que fim recebeu o decreto? Quais empresas assumiram “cuidar” do lago?</em></strong></p>
<p><strong><em>Segundo a Folha de São Paulo da época “Um relatório com a atual condição desses lagos e as medidas de manutenção e recuperação necessárias em cada um deles deve ser publicado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) em 120 dias.” (Folha SP 10/8/2005).</em></strong></p>
<p><strong><em>O relatório foi feito? Quais foram suas conclusões?&#8221;</em></strong></p>
<p><em>Segundo o jornal <strong>O Estado SP </strong>a prefeitura produziu um relatório em 2006 identificando os problemas. Aparentemente a lista é a mesma que figurava no decreto de Serra em 2005. Segundo o <strong>Estado SP</strong> nenhuma empresa assumiu cuidar do lago e o jornal não consegue saber se a prefeitura cuidou do que seu próprio diagnostico considerava problemas à resolver. </em></p>
<p><em>Como para evitar que estes e outros elementos provantes do desfuncionamento da administração demo-tucana veiam a luz do dia, Kassab quer encher o lago rapidamente sem proceder a remoção do lodo contaminado, nem a limpeza da sujeira acumulada e isto contrariando opinião de técnicos ouvidos pela imprensa. </em></p>
<p><em>Kassab está preocupado com o cheiro de podre que emana do lago seco. Para esconder o cheiro, quer pressa para pôr água encima. </em></p>
<p><em>O acidente deveria servir para passar a limpo o tratamento dado pela prefeitura durante estes 4 anos, questão de pelo menos alguma coisa ficar limpa depois do ocorrido, já que aparentemente o lago continuará com o lodo contaminado e o fundo sujo.</em> <strong>LF </strong></p>
<p><strong><font size="5">Prefeitura identificou problemas na área em 2006</font></strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Vitor Sorano &#8211; O Estado SP</p>
<p>Um relatório da Prefeitura de São Paulo divulgado em 2006 apontava a necessidade de cinco &#8220;intervenções&#8221; no Lago da Aclimação &#8211; que se esvaziou na segunda-feira. Dentre elas estava a promoção de &#8220;mecanismos de manutenção do volume de água&#8221;. A Secretaria do Verde e Meio Ambiente não informou quando e como esses serviços foram realizados nem quanto foi gasto.</p>
<p>O Relatório Preliminar do Estado dos Lagos dos Parques Municipais de São Paulo &#8211; no qual constam as intervenções necessárias &#8211; foi elaborado pela atual gestão para subsidiar convênios com entidades públicas e privadas. O objetivo do prefeito Kassab (DEM) era passar a responsabilidade por cuidar dos lagos de parques públicos a terceiros. Nenhuma parceria, porém, foi fechada para o caso da Aclimação.</p>
<p>Além da manutenção do volume de água, o relatório ainda cita a necessidade de recomposição da flora à beira do lago. &#8220;Em áreas ao redor ocorre ausência da vegetação, provocando erosão&#8221;, diz o documento. Também são previstos o diagnóstico da profundidade do lago e das características do lodo ao fundo.</p>
<p>As obras de melhoria no lago são feitas há cerca de um ano, segundo a Prefeitura. A primeira e a segunda etapas &#8211; que incluem a despoluição do Córrego Pedra Azul e a retomada da circulação de água &#8211; já foram concluídas. A terceira etapa, que entrará em fase de licitação, prevê a retirada do lodo e a construção de um novo vertedouro. Após a licitação, a obra deve ser concluída até o fim do ano. Dessa forma, a capacidade vai aumentar de 70 milhões para 110 milhões de litros.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/4-anos-mais-tarde/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lodo contaminado de lago vaza para as ruas da Aclimação</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/lodo-contaminado-de-lago-vaza-para-as-ruas-da-aclimacao/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/lodo-contaminado-de-lago-vaza-para-as-ruas-da-aclimacao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 12:12:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MEIO-AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[chuvas]]></category>
		<category><![CDATA[diarreia]]></category>
		<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[esgoto]]></category>
		<category><![CDATA[galerias]]></category>
		<category><![CDATA[Kassab]]></category>
		<category><![CDATA[lagos]]></category>
		<category><![CDATA[parque da Aclimação]]></category>
		<category><![CDATA[parques]]></category>
		<category><![CDATA[Prefeitura SP]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/lodo-contaminado-de-lago-vaza-para-as-ruas-da-aclimacao/</guid>
		<description><![CDATA[
Lama e peixes mortos vieram de bueiros; prefeito admite que sujeira pode até fazer mal
Marcela Spinosa e Mônica Cardoso &#8211; O Estado SP
Pelo menos três ruas vizinhas do Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, amanheceram ontem com lama e peixes mortos. A sujeira subiu pelos bueiros, por onde passa a galeria de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://img.estadao.com.br/fotos/63/B4/8A/63B48AEE716942169FA2A6C90FB4B304.jpg" /></div>
<p><strong>Lama e peixes mortos vieram de bueiros; prefeito admite que sujeira pode até fazer mal</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Marcela Spinosa e Mônica Cardoso &#8211; O Estado SP</p>
<p>Pelo menos três ruas vizinhas do Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, amanheceram ontem com lama e peixes mortos. A sujeira subiu pelos bueiros, por onde passa a galeria de água pluvial. A tubulação sai do vertedouro, que rompeu segunda-feira e sugou, em menos de uma hora, a água do lago. Sem a &#8220;tampa&#8221;, a sujeira escoou pela estrutura, com a chuva de anteontem. Segundo a Prefeitura, o refluxo da água pelo bueiro pode ter sido causado pela própria galeria, que não suportaria o volume de água.</p>
<p>Os moradores receiam pegar algum tipo de doença se entrarem em contato com o lodo, uma vez que o lago recebeu esgoto até 2007, quando foram fechadas 42 ligações clandestinas. O prefeito Gilberto Kassab admitiu que o material está contaminado. Para o professor de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Ozon, é preciso evitar o contato. &#8220;As pessoas que entraram em contato com o lodo podem desenvolver leptospirose e salmonelose (doenças causadas por bactérias). Elas devem procurar o médico e fazer uso de antibióticos.&#8221;</p>
<p>Os sintomas da leptospirose incluem febre alta, dor de cabeça forte, calafrio, dor muscular, vômito, olhos e pele amarelada, dor abdominal, diarreia e erupções na pele. Os sintomas mais comuns da salmonelose são diarreia, febre, cãibras estomacais, náusea, vômitos e dores de cabeça.</p>
<p>Apesar de estarem acostumados com enchentes, os moradores das Ruas Oscar Guanabarino, Maracaí e Albina Barbosa nunca imaginaram que veriam as vias com lodo. &#8220;Jorrava pelo bueiro. Parecia um poço de petróleo de tão escura que a água estava&#8221;, afirmou a aposentada Neide Moraes Fera, de 63 anos. Ela disse que a chuva durou cerca de 20 minutos, mas foi suficiente para deixar marcas de quase 1 metro de altura nas paredes. E pelo menos 17 rachaduras abriram no asfalto da Albina Barbosa, por onde passa a tubulação.</p>
<p><strong>OBRA</strong></p>
<p>Para evitar que o lodo do lago da Aclimação caia no vertedouro, a empresa Épura, responsável pelo conserto da estrutura, cercou ontem com pedaços de madeira o buraco por onde a água do lago escoa. A reconstrução da parte danificada deve começar hoje. No interior da estrutura será colocado um tubo de concreto, que pesa 2.300 quilos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/lodo-contaminado-de-lago-vaza-para-as-ruas-da-aclimacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As bactérias da boca</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/as-bacterias-da-boca/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/as-bacterias-da-boca/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 20:12:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[EDUCAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[boca]]></category>
		<category><![CDATA[caries]]></category>
		<category><![CDATA[dentes]]></category>
		<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[higiene]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/as-bacterias-da-boca/</guid>
		<description><![CDATA[


				 							 								carregaFlash(\'http://render.estadao.com.br/images/videos/player.swf?http://render.estadao.com.br/images/videos/5D/D6/11/5DD611A26077403BACA298BE99185BBB.xml\',\'300\',\'245\'); 							


 						
Agencia Estado
Vídeo produzido com técnicas de última geração para captação de imagens microscópicas alerta para os riscos das bactérias existentes na boca humana 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 class="titulo"><span id="Titulo"><br />
</span></h1>
<p><br clear="all" /></p>
<div id="fotoDestaque">				 							<script type="text/javascript"> 								carregaFlash(\'http://render.estadao.com.br/images/videos/player.swf?http://render.estadao.com.br/images/videos/5D/D6/11/5DD611A26077403BACA298BE99185BBB.xml\',\'300\',\'245\'); 							</script></p>
<div style="text-align: center"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" id="player" width="300" height="245"><param name="id" value="player" /><param name="width" value="300" /><param name="height" value="245" /><param name="quality" value="high" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="flashvars" value="allowfullscreen=true" /><param name="allowscriptaccess" value="sameDomain" /><param name="menu" value="false" /><param name="src" value="http://render.estadao.com.br/images/videos/player.swf?file=http://render.estadao.com.br/images/videos/5D/D6/11/5DD611A26077403BACA298BE99185BBB.xml" /><embed type="application/x-shockwave-flash" id="player" width="300" height="245" quality="high" allowfullscreen="true" flashvars="allowfullscreen=true" allowscriptaccess="sameDomain" menu="false" src="http://render.estadao.com.br/images/videos/player.swf?file=http://render.estadao.com.br/images/videos/5D/D6/11/5DD611A26077403BACA298BE99185BBB.xml"></embed></object></div>
</div>
<p><br style="background-color: #ffff99" clear="all" /> 						<img src="http://estat.estadao.com.br/log/?5DD611A26077403BACA298BE99185BBB%7C41732062616374E97269617320646120626F6361%7C566964612026%7C4573746164E36F%7CV%7C687474703A2F2F7777772E6573746164616F2E636F6D2E62722F696E7465726174697669646164652F4D756C74696D696469612F53686F77566964656F732E616374696F6E3F64657374617175652E69644775696453656C6563743D3544443631314132363037373430334241434132393842453939313835424242" id="iLogM" style="display: none" width="1" height="1" /><span id="creditoDestaque"><span style="background-color: #ffff99"></span></span></p>
<p style="background-color: #ffff99"><span id="creditoDestaque">Agencia Estado</span></p>
<p><span id="linhaFina">Vídeo produzido com técnicas de última geração para captação de imagens microscópicas alerta para os riscos das bactérias existentes na boca humana </span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/as-bacterias-da-boca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Darwin 200 anos depois</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/darwin-200-anos-depois/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/darwin-200-anos-depois/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 13:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[EDUCAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[MEIO-AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[cérebro]]></category>
		<category><![CDATA[chimpanzés]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[Darwin]]></category>
		<category><![CDATA[DNA]]></category>
		<category><![CDATA[espécies]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[extinção]]></category>
		<category><![CDATA[genes]]></category>
		<category><![CDATA[genoma]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[homem]]></category>
		<category><![CDATA[homos]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[museus]]></category>
		<category><![CDATA[naturalista]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[regulação]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>
		<category><![CDATA[Terra]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/darwin-200-anos-depois/</guid>
		<description><![CDATA[
Herton Escobar &#8211; O Estado SP
&#8220;No futuro distante, vejo campos abertos para pesquisas muito mais importantes. A psicologia será baseada num novo fundamento, baseado na necessária aquisição de cada poder e capacidade mental via gradação. Luz será lançada sobre a origem do homem e sua história.&#8221;
Charles Darwin, em A Origem das Espécies, 1859
Na semana em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://g.virbcdn.com/cdnImages/resize_510x1500/Image-66769-1106830-darwinday.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://g.virbcdn.com/cdnImages/resize_510x1500/Image-66769-1106830-darwinday.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Herton Escobar &#8211; O Estado SP</p>
<p>&#8220;No futuro distante, vejo campos abertos para pesquisas muito mais importantes. A psicologia será baseada num novo fundamento, baseado na necessária aquisição de cada poder e capacidade mental via gradação. Luz será lançada sobre a origem do homem e sua história.&#8221;</p>
<p>Charles Darwin, em A Origem das Espécies, 1859</p>
<p>Na semana em que Charles Darwin completaria 200 anos, a atual crise financeira-econômica mundial oferece um cenário ideal para estudar o legado do grande naturalista. Assim como o asteroide que caiu sobre a Terra há 65 milhões de anos alterou radicalmente o clima do planeta, levando os dinossauros à extinção e permitindo a ascensão dos mamíferos (até então pequenos animais noturnos que viviam à sombra dos grandes répteis), o colapso de Wall Street detonou uma sequência de eventos que alteram profundamente o ambiente econômico mundial.</p>
<p>Empresas, bancos e modelos de negócios que não conseguirem se adaptar às novas condições correm o risco de desaparecer da face da Terra, tal qual os dinossauros. Alguns gigantes do setor financeiro já foram extintos. Novos negócios sustentáveis, antes sufocados pelo ambiente especulativo e de consumo desenfreado, agora têm uma chance para florescer, tal qual os pequenos mamíferos do cretáceo.</p>
<p>Esse é o princípio da evolução por seleção natural, descoberto por Darwin em meados do século 19, após sua viagem de volta ao mundo a bordo do H.M.S. Beagle e publicado em 1859, no livro A Origem das Espécies &#8211; para muitos, a obra mais importante da história da ciência. Darwin enxergou algo fundamental e revolucionário sobre o funcionamento da natureza: um mecanismo pelo qual espécies podem evoluir, diferenciar-se e originar novas espécies por meio de forças exclusivamente biológicas, sem necessidade de intervenção divina ou atos sobrenaturais. Um mecanismo tão poderoso que, como Darwin bem previu, abriu caminho para novos &#8211; e polêmicos &#8211; campos de estudo a respeito da existência humana.</p>
<p>Que o homem evoluiu de um ancestral comum com os primatas já é uma certeza científica universal, confirmada por um batalhão de informações genéticas produzidas desde a descoberta do DNA. Mas será que a espécie humana ainda está evoluindo? E até que ponto a seleção natural poderia explicar não apenas a evolução de características físicas do ser humano, como a postura ereta e o cérebro grande, mas também de características comportamentais, como o altruísmo, o egoísmo, o racismo ou uma propensão à infidelidade conjugal? Essas são algumas das perguntas darwinianas com as quais cientistas e filósofos de um &#8220;futuro distante&#8221; se digladiam no presente.</p>
<p>BASE CIENTÍFICA</p>
<p>O primeiro passo de Darwin para chegar a sua teoria foi perceber que todos os indivíduos &#8211; inclusive os membros de uma mesma espécie &#8211; são anatomicamente e fisiologicamente diferentes entre si. Alguns nascem com pernas um pouco mais longas, com a visão um pouco mais aguçada, com antenas mais sensíveis ou com a capacidade de digerir alimentos melhor do que seus pais e irmãos.</p>
<p>Se alguma dessas características calha de ser vantajosa no ambiente em que aquele organismo vive &#8211; por exemplo, a capacidade de viver mais tempo sem água em um ecossistema árido ou uma coloração de asa que se camufla melhor com a cor da casca de uma árvore -, esse indivíduo terá melhores chances de sobreviver e, consequentemente, de deixar descendentes com características genéticas iguais às dele para compor as geração futuras (chamada seleção positiva). Já os indivíduos menos adaptados sofrem o efeito contrário: em média, vivem menos e deixam menos descendentes (seleção negativa).</p>
<p>Deixe a seleção natural agir por tempo suficiente e as variedades menos aptas tenderão a desaparecer da população, substituídas pelos descendentes das variedades mais bem adaptadas. É o que Darwin chamou de &#8220;luta pela sobrevivência&#8221;, mas que ficou conhecido pelo apelativo (e enganoso) título de &#8220;a lei do mais forte&#8221;. Novas espécies surgem quando uma variedade se separa da população original e segue um caminho evolutivo diferente, tal como as linhagens do homem e do chimpanzé divergiram de um ancestral comum.</p>
<p>Quando as condições ambientais mudam, as espécies precisam mudar também. Características que eram benéficas ou irrelevantes podem se tornar deletérias e vice-versa. É um processo contínuo, porém lento e gradual, que pode levar de algumas dezenas a muitos milhões de anos, e por isso é tão difícil de ser observado diretamente. Em um evento extremo, como a queda de um asteroide ou a explosão de uma crise financeira global, porém, a seleção atua de maneira óbvia e implacável. No lugar de um bando de répteis gigantes, pode-se acabar com um bando de mamíferos pequenos e peludos.</p>
<p>UNIVERSALIDADE</p>
<p>Por mais polêmica que ainda seja do ponto de vista religioso, a teoria da evolução por seleção natural é hoje um pilar central das ciências biológicas, tão indispensável para explicar o desenvolvimento de uma joaninha quanto a resistência de bactérias a antibióticos ou a resposta de uma floresta ao efeitos do aquecimento global. Como disse o geneticista ucraniano Theodosius Dobzhansky, em 1973: &#8220;Nada na biologia faz sentido, a não ser sob a luz da evolução.&#8221;</p>
<p>&#8220;O que está implícito nessa frase é que a biologia só se consolidou como ciência após a teoria da evolução&#8221;, diz o biólogo Diogo Meyer, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. &#8220;Antes havia apenas o estudo dos seres vivos; não havia uma teoria que integrasse tudo numa ciência comum. Hoje sabemos que os processos que moldam o genoma de uma bactéria e de um elefante são parte da mesma família.&#8221;</p>
<p>A analogia sobre a crise financeira serve para mostrar que as teorias de Darwin &#8211; agrupadas no que se convencionou chamar de &#8220;darwinismo&#8221; &#8211; foram mais longe ainda: extrapolaram os limites da biologia e colonizaram outras áreas da ciência, influenciando várias esferas do pensamento humano.</p>
<p>Mais até do que uma analogia, a evolução por seleção natural é um elemento crucial da teoria econômica moderna, segundo o economista José Eli da Veiga. &#8220;A ideia é que qualquer sistema evolutivo obedece às leis do darwinismo. E a economia é certamente um sistema evolutivo&#8221;, afirma Veiga, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. &#8220;Um economista que não entende Darwin é um economista totalmente ultrapassado.&#8221;</p>
<p>Visto por uma ótica puramente evolucionista, vale a pena perguntar: ao financiar a salvação de empresas que, de outra forma, iriam à falência, estariam os governos indo contra a seleção natural? Vale a pena salvar os dinossauros?</p>
<p>&#8220;Darwin fez uma teoria biológica, mas construiu uma linha de raciocínio tão abstrata que acabou transcendendo a biologia&#8221;, diz o pesquisador Charbel El-Hani, coordenador do Grupo de Pesquisa em História, Filosofia e Ensino de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA).</p>
<p>SOCIOBIOLOGIA</p>
<p>No que se aplica à evolução de plantas, besouros, peixes e sabiás, a teoria de Darwin já é ponto pacífico na ciência. É quando se tenta aplicar a seleção natural aos seres humanos que a coisa fica complicada. Darwin desenhou uma árvore da vida na qual o homem é um galho tal como outro qualquer &#8211; uma espécie dotada de inteligência superior, porém gerada pelos mesmos mecanismos de diferenciação e seleção que produziram as plantas, besouros, peixes e sabiás. &#8220;Devo inferir por analogia que, provavelmente, todos os seres orgânicos que já viveram nesta Terra descenderam de uma única forma primordial, na qual a vida foi soprada pela primeira vez&#8221;, escreveu Darwin, no capítulo final de A Origem das Espécies.</p>
<p>Ele poderia ter deixado o ser humano fora dessa história, mas não deixou. As semelhanças entre os homens e os primatas já eram óbvias demais para serem ignoradas, mesmo no século 19, antes da genômica. A mera sugestão de que o Homo sapiens era uma forma evoluída de macaco e não um ser especial criado por Deus foi suficiente para detonar uma batalha entre ciência e religião que persiste até os dias de hoje. Darwin até tentou ficar de fora dessa briga no início, deixando o tema de fora de A Origem das Espécies (&#8221;Luz será lançada sobre a origem do homem e sua história&#8221; é a única referência que ele faz à espécie humana no texto). Mais tarde, porém, publicaria um livro específico sobre o assunto, chamado A Origem do Homem e a Seleção Sexual, de 1871.</p>
<p>A versão mais moderna desse debate se dá no campo da &#8220;sociobiologia&#8221;, uma ciência controversa que busca integrar conceitos biológicos ao estudo do comportamento humano. Umas de suas disciplinas, como previu Darwin, é a chamada &#8220;psicologia evolutiva&#8221;.</p>
<p>O raciocínio básico da sociobiologia é o de que, se o comportamento dos animais resulta de processos evolutivos, e os seres humanos são animais que evoluíram como todos os outros, então seu comportamento social deve ser, também, influenciado por processos biológicos &#8211; e não apenas culturais.</p>
<p>O tema é extremamente polêmico entre biólogos, antropólogos e sociólogos. &#8220;Não há nada no ser humano que não seja explicado por leis biológicas&#8221;, diz o biólogo Mário de Pinna, vice-diretor do Museu de Zoologia da USP. &#8220;A cultura tem origem biológica e, sendo assim, está sujeita também às leis da evolução.&#8221; Para ele, o ser humano continua a ser moldado pela seleção natural, tanto culturalmente quanto biologicamente. &#8220;Evolução nada mais é do que uma mudança na frequência de genes ou suas combinações ao longo do tempo numa população&#8221;, afirma Pinna. &#8220;Se você morre sem deixar filhos, geneticamente, é como se você nunca tivesse existido. Isso é seleção.&#8221;</p>
<p>O geneticista Sérgio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), discorda. &#8220;A evolução humana, do ponto de vista biológico, acabou&#8221;, diz. &#8220;Temos uma cultura que vai diretamente contra a seleção natural. Temos a medicina: pessoas que deveriam morrer não morrem.&#8221; Hoje, segundo Pena, a única seleção relevante é a cultural. &#8220;Evoluímos tanto que um dos produtos da nossa própria evolução é uma nova maneira de evoluir&#8221;, diz. &#8220;Tomamos as rédeas do nosso próprio destino como espécie.&#8221;</p>
<p>O dilema, segundo a antropóloga Gláucia Silva, da Universidade Federal Fluminense (UFF), surge de uma separação equivocada entre homem e natureza, enraizada nas culturas ocidentais. &#8220;Os seres humanos são radicalmente distintos de todos os outros animais, mas não deixam de ser animais&#8221;, afirma ela. A sociobiologia, segundo Gláucia, tem o mérito de tentar reconstruir essa unidade &#8211; porém, sem oferecer respostas satisfatórias, reduzindo tudo a uma questão genética. &#8220;Os sociobiólogos não sabem nada de antropologia social. Eles têm respostas tão simples que dá vontade de rir.&#8221;</p>
<p>Gláucia defende a tese de que a espécie humana continua a evoluir biologicamente &#8211; &#8220;Basta estar vivo para ser passivo de seleção&#8221;, diz ela -, mas que o comportamento social humano não tem nenhuma relação com isso. Nem mesmo o comportamento sexual. &#8220;Os seres humanos não têm instinto sexual&#8221;, diz a antropóloga. &#8220;A regulação da nossa atividade sexual é 100% cultural.&#8221;</p>
<p>As discordâncias mostram que a obra de Darwin está longe de virar história e que muitas das questões levantadas por ele continuam tão importantes no século 21 quanto eram no século 19. &#8220;É realmente notável que um naturalista daquela época pudesse fazer perguntas que permanecem relevantes tanto tempo depois&#8221;, diz o ecólogo Thomas Lewinsohn, da Universidade Estadual de Campinas.</p>
<p>Ele discorda de outros cientistas que prefeririam abandonar o título &#8220;teoria&#8221; e apresentar a evolução por seleção natural como um &#8220;fato&#8221; consumado. &#8220;Chamar uma teoria de fato é como transformá-la num fóssil&#8221;, diz. &#8220;A palavra de Darwin não é uma palavra sagrada, que não pode ser questionada. É uma teoria viva, em constante desenvolvimento, que pode e deve ser sempre reexaminada.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/darwin-200-anos-depois/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Soberania tecnológica às avessas</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/soberania-tecnologica-as-avessas/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/soberania-tecnologica-as-avessas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 13:04:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[ABR]]></category>
		<category><![CDATA[agropecuária]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[Cana]]></category>
		<category><![CDATA[conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[Embrapa]]></category>
		<category><![CDATA[empresas]]></category>
		<category><![CDATA[espécies]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[genoma]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Mercados]]></category>
		<category><![CDATA[Monsanto]]></category>
		<category><![CDATA[nação]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[patentes]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisas]]></category>
		<category><![CDATA[processos]]></category>
		<category><![CDATA[Reinach]]></category>
		<category><![CDATA[Renda]]></category>
		<category><![CDATA[royalties]]></category>
		<category><![CDATA[soberania]]></category>
		<category><![CDATA[técnica]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[UNICAMP]]></category>
		<category><![CDATA[USP]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/soberania-tecnologica-as-avessas/</guid>
		<description><![CDATA[

* por Rui Falcão
A compra das empresas brasileiras Alellyx e CanaVialis pela norte-americana Monsanto, anunciada no início de novembro, arrancou críticas do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, e sugere uma reflexão sobre o sentido do financiamento público da pesquisa em ciência e tecnologia (C&#38;T) no Brasil. Certamente, o ministro teria permanecido calado se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.cib.org.br/imagens/basico/ft_lavoura.jpg" alt="http://www.cib.org.br/imagens/basico/ft_lavoura.jpg" /></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.cib.org.br/imagens/basico/ft_cana.jpg" width="448" border="0" height="92" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">* por Rui Falcão</p>
<p><img src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/04/129_2921-rui%20falcao.JPG" alt="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/04/129_2921-rui%20falcao.JPG" align="left" />A compra das empresas brasileiras Alellyx e CanaVialis pela norte-americana Monsanto, anunciada no início de novembro, arrancou críticas do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, e sugere uma reflexão sobre o sentido do financiamento público da pesquisa em ciência e tecnologia (C&amp;T) no Brasil. Certamente, o ministro teria permanecido calado se se tratasse de um negócio comum. Em declaração ao jornal &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221;, Resende afirmou que &#8220;a venda (da Alellyx e CanaVialis) para qualquer grupo estrangeiro é decepcionante. Como é que eles foram vender duas jóias como essas, tão importantes para o País?&#8221;.</p>
<p>Ambas as empresas pertenciam à Votorantim Novos Negócios, fundo de capital de risco do grupo Votorantim, que as criou e financiava desde 2002, e têm a sua origem associada à pesquisa pública e a forte subvenção por parte do Estado na forma de investimento a fundo perdido, por se tratar de empresas brasileiras voltadas para pesquisa de interesse estratégico nacional. Segundo Rezende, nos últimos três anos a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Ciência e Tecnologia, havia aprovado a destinação de R$ 49,4 milhões para pesquisas nas duas empresas, dos quais R$ 6,4 milhões já foram desembolsados. “São duas empresas que receberam investimento do governo e, justo quando esses investimentos amadureciam, foram vendidas por um preço bastante módico”, afirmou – cerca de US$ 290 milhões, segundo informa o jornal.</p>
<p>Como observou o físico Joelmo Oliveira, diretor de Políticas de C&amp;T do Sindicato dos Pesquisadores de São Paulo (SinTPq) e colaborador do Grupo de Análise de Políticas de Inovação (GAPI &#8211; UNICAMP), Alellyx e CAnaVialis eram vistas até então como ícones de uma bem-sucedida política de Estado que visa a incentivar a pesquisa em C&amp;T dentro das empresas brasileiras e fomentar o espírito empreendedor entre os cientistas da Academia. “É em momentos como esse que vem à tona a importância das unidades públicas de pesquisa; são elas que de fato garantem a apropriação nacional do conhecimento tecnológico desenvolvido a partir de investimentos públicos”, escreveu Oliveira.</p>
<p>Com sede em Campinas, ambas as empresas foram criadas por pesquisadores acadêmicos que participaram dos primeiros grandes projetos de genômica no País, financiados em sua totalidade por recursos públicos. Sua história, na verdade, é indissociável dos resultados de investimentos públicos em pesquisa, e tem origem na esteira do primeiro seqüenciamento genético de um organismo vivo no Brasil, em 1999, anunciado como o &#8220;maior feito científico brasileiro dos últimos tempos&#8221;. Tratava-se da finalização do mapeamento genético da Xylella fastidiosa, a bactéria causadora da praga conhecida como &#8220;amarelinho&#8221;, que ataca os laranjais paulistas. O projeto Genoma-Xylella custou aos cofres públicos US$ 13 milhões, parte financiados pelo governo Federal, parte pelo governo paulista, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp).</p>
<p>A partir do conhecimento gerado pelo seqüenciamento do &#8220;amarelinho&#8221;, foi fundada em 2002 a empresa Alellyx Applied Genomics. Os sócios da empresa, lembra Oliveira, eram professores e pesquisadores da Unicamp, da USP e da Unesp, três das principais instituições acadêmicas do País. Por indicação do professor do Instituto de Química da USP, Fernando Reinach, à época já diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, a Votorantim Novos Negócios tornou-se sócia da nova empresa. Havia sido o próprio Reinach quem propôs o projeto Genoma-Xylella ao então diretor-científico da FAPESP, José Fernando Perez, em 1997. Ou seja, os professores que fundaram a Alellyx eram os mesmos que exerciam funções de coordenação na FAPESP, uma das principais financiadoras das pesquisas que levaram à criação da empresa.</p>
<p>No ano seguinte, foi fundada a CanaVialis S.A., também com participação da Votorantim Novos Negócios. Diferentemente da Alellyx, a pesquisa da CanaVialis prende-se ao melhoramento clássico de variedades da cana-de-açúcar, o que não envolve ainda alterações genéticas a partir de técnicas oriundas do seqüenciamento genético da cana.</p>
<p>Não é novidade o interesse de países como os EUA na tecnologia brasileira de produção de álcool de cana-de-açúcar em grande escala e na obtenção de variedades transgênicas da cana adaptadas às suas condições climáticas. Assim se explica a compra da Alellyx e da CanaVialis pela Monsanto, negócio que se tornou público em 2007, quando a Votorantim anunciou uma &#8220;parceria tecnológica&#8221; com a multinacional. Então, o diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, Fernando Reinach, afirmou: &#8220;Esta parceria tecnológica permitirá à Alellyx e CanaVialis disponibilizarem para o setor sucroalcooleiro tecnologias desenvolvidas pela Monsanto. Além disso, possibilitará à Monsanto utilizar tecnologias desenvolvidas por nossas empresas&#8221;.</p>
<p>Porém, o desfecho da “parceria” foi outro. Como observa o diretor do sindicato dos pesquisadores de São Paulo: “o &#8216;maior feito científico brasileiro dos últimos tempos&#8217;, que provavelmente se tornaria também o mais lucrativo negócio do século XXI, já não é brasileiro”, em que pesem os recursos públicos, o engenho e o esforço nacionais nele empenhados.</p>
<p>A curta trajetória da Alellyx e da CanaVialis sob controle nacional assume caráter emblemático do que vem a ser o destino dos resultados da C&amp;T em países que ainda não acordaram para a dimensão estratégica de C &amp;T como elemento central do poder nacional. A capacidade científica e tecnológica é na atualidade o grande ordenador do poder mundial nos seus desdobramentos político, econômico e militar. Dos assim chamados fatores de produção – capital, mão-de-obra, matéria-prima e tecnologia – o último predomina sobre os demais em valor estratégico. Países dotados de capital, mão-de-obra, matérias-primas abundantes mas sem tecnologia encontram-se em desvantagem frente a países detentores de tecnologia, mesmo carente dos demais fatores. É a disponibilidade de tecnologias que abre as portas para o domínio sobre os demais fatores onde quer que estejam eles.</p>
<p>Por isso, C &amp;T tornaram-se preocupação política primordial dos países desenvolvidos. Ali, não se dissocia C&amp;T da disputa entre empresas pela hegemonia em mercados ou da disputa pelo poder entre nações ou blocos de nações. Estão aí para atestá-lo a atualidade e a candência das questões internacionais referentes a investimentos, propriedade intelectual e ao comércio de serviços técnicos. De um lado da trincheira, os países desenvolvidos, tecnologicamente avançados, em busca da abertura de mercados para suas empresas e fechamento das possibilidades de acesso por terceiros às tecnologias por eles geradas. Do outro, países em desenvolvimento, tentando proteger seus mercados, para a expansão de empreendimentos nacionais, em busca de assegurar o acesso às tecnologias de que necessitam para o seu desenvolvimento.</p>
<p>De acordo com os fundamentalistas do mercado, ora em debandada no mundo, o veículo principal de transferência de tecnologia das economias avançadas para as sociedades periféricas seria o investimento direto estrangeiro. O conhecimento científico e tecnológico estaria, como qualquer mercadoria, disponível no mercado, bastando pagar o seu preço para adquiri-lo, ou bastando atrair a empresa que o detêm para fazer com que tal conhecimento se incorpore ao sistema econômico nacional. A atração de capitais estrangeiros permitiria a um país periférico, como o Brasil, dispensar investimentos vultosos em C&amp;T, &#8220;queimar etapas de desenvolvimento&#8221; e não &#8220;reinventar a roda&#8221;.</p>
<p>Essa foi a recomendação feita pelos EUA ao Brasil nas décadas 1960/70, quando da decisão brasileira de criar uma empresa estatal de pesquisa agropecuária tropical (a Embrapa), para atender às peculiaridades de um país com biomas localizados nessas latitudes. Sabe-se hoje que o Brasil somente é independente e líder mundial em tecnologia agropecuária tropical porque não deu atenção e não cedeu à pressão norte-americana. Obstáculos semelhantes se interpuseram na decisão brasileira de proceder com autonomia na pesquisa nuclear.</p>
<p>O fato é que cada país confere à sua política de C&amp;T grau de importância correspondente ao que atribui à utilização do conhecimento científico para o desenvolvimento, autonomia e defesa nacionais. Em princípio, não existe diferença entre o Brasil e os EUA no que se refere ao interesse de um físico pela estrutura nuclear, ou de um geneticista pelo genoma de um vegetal. Mas, quando se trata de saber quais pesquisas físicas ou genéticas podem tornar-se economicamente úteis em cada um dos países, a experiência do outro país é relativamente de pouca relevância. Cabe à política de C&amp;T, orientada pela estratégia e soberania nacionais, fazer a escolha adequada das áreas de pesquisa de interesse, com vistas a atingir os objetivos econômicos e sociais desejados pela nação.</p>
<p>Numa conjuntura histórica em que o velho mundo bipolar se desfez, assiste-se hoje ao surgimento de nova espécie de divisão internacional do trabalho, com a emergência da polarização tecnológica entre países dotados de alta tecnologia e países consumidores forçosamente dependentes. A posse de um monopólio tecnológico permite ao país dinâmico extrair renda tecnológica dos países dependentes, daí resultando perdas sociais, já que estes são (e, presumivelmente, permanecerão) importadores líquidos de tecnologia.</p>
<p>Os Estados Unidos, e com eles outros países avançados, aprenderam a se tornar ciosos do controle sobre tecnologias sensíveis. País que nada tem fixado em leis referente ao capital estrangeiro ou ao controle sobre tecnologias, os EUA arbitrariamente não autorizam, por período de anos ou décadas, a venda ao exterior de tecnologias consideradas sensíveis. A revisão em curso no sistema de propriedade intelectual na Organização Mundial do Comércio, sob a hegemonia dos países ricos, aponta para o estabelecimento de severas limitações à transferência de tecnologia, de forma a dificultar ou retardar ainda mais o surgimento de novos competidores.</p>
<p>A primeira conseqüência prática para países como o Brasil seria um incremento na conta de remessa de royalties para o exterior, que já é alentada. Mesmo quando a pesquisa se realiza aqui, no caso de empresa estrangeira a patente será registrada em nome da companhia, e sua utilização no Brasil, ou em qualquer país gerará pagamentos e remessas para a sede da empresa, detentora da patente. Ou seja, os direitos de propriedade intelectual pertencem à empresa matriz, independentemente da localização da pesquisa. Outro custo social associado à dependência externa em C&amp;T é a perda efetiva para os consumidores acarretada pelos altos preços que resultam do processo de monopolização.</p>
<p>A desnacionalização, como ocorreu no caso da Alellyx e da CanaVialis, tende ainda a acarretar, num contexto mais amplo, a transferência para o exterior dos centros de decisão da atividade econômica, do investimento, da alocação de recursos em geral e da P&amp;D em especial – e, na sua extensão, dos centros de decisão política. Essa transferência afeta a capacidade do Estado de cumprir com suas funções referentes ao desenvolvimento, à defesa e à soberania nacionais e amplia, portanto, o hiato entre o país periférico e os países avançados, numa espiral perversa e recorrente. Há quem acredite que, em princípio, as forças de mercado poderiam também cumprir com essas funções. Porém, nada indica em parte alguma do mundo que isso esteja ocorrendo ou que venha a ocorrer.</p>
<p>A desnacionalização da Alellyx e da CanaVialis serve, assim, de lição para lembrar que a produção do conhecimento cria ela própria novas vulnerabilidades e novas ameaças, para as quais um país grande, que tem muito a proteger, como o Brasil, não pode deixar de estar preparado. É dizer que a construção de uma base de C&amp;T condizente com as nossas aspirações e possibilidades depende do que sejamos capazes não somente de desenvolver mas também de manter &#8220;em casa&#8221;, sem prejuízo de parcerias internacionais que venham a fortalecer a soberania nacional em suas dimensões política, econômica, social e democrática.</p>
<p>O Estado brasileiro carece de uma definição do que se pretende com o financiamento público de pesquisa em C&amp;T.</p>
<p><strong>Rui Falcão, 64 anos, advogado e jornalista, é deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão Marta Suplicy.</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/soberania-tecnologica-as-avessas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A nova superbactéria</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/a-nova-superbacteria/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/a-nova-superbacteria/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 17:17:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[Acinetobacter baumannii]]></category>
		<category><![CDATA[antibióticos]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[especialistas]]></category>
		<category><![CDATA[Hospitais]]></category>
		<category><![CDATA[infecções]]></category>
		<category><![CDATA[medicamentos]]></category>
		<category><![CDATA[médicos]]></category>
		<category><![CDATA[MRSA]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção]]></category>
		<category><![CDATA[remédio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/a-nova-superbacteria/</guid>
		<description><![CDATA[  


Caption: Scanning electron microscope image of A. baumannii, with maps of its genome (outer circle) and alien island sequences (inner circle – red).
Credit: Courtesy of J.Carr/CDC; T.Gianoulis and D.Massa/Yale
Comunidade internacional divulga alerta para infecções resistentes a remédios
Normalmente encontrada no solo e na água, uma perigosa e resistente bactéria se alastra por hospitais de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">  <em><font size="1"><img src="http://www.eurekalert.org/multimedia/pub/web/3307_web.jpg" border="0" /></font></em></p>
<div align="center"></div>
<div align="center"></div>
<p align="center"><em><font size="1"><strong>Caption:</strong> Scanning electron microscope image of A. baumannii, with maps of its genome (outer circle) and alien island sequences (inner circle – red).<br />
<strong>Credit:</strong> Courtesy of J.Carr/CDC; T.Gianoulis and D.Massa/Yale</font></em></p>
<p><strong>Comunidade internacional divulga alerta para infecções resistentes a remédios</strong></p>
<p>Normalmente encontrada no solo e na água, uma perigosa e resistente bactéria se alastra por hospitais de todo o mundo, inclusive do Brasil, alertaram especialistas em doenças infecciosas em artigo publicado esta semana na revista médica “The Lancet”. De acordo com os médicos, a Acinetobacter baumannii seria ainda mais ameaçadora do que a MRSA (uma variante muito resistente de Staphylococcus aureus) e a Clostridium difficile: ela já responde por pelo menos 30% das infecções hospitalares resistentes a drogas.</p>
<p>— Há um crescente aumento de infecções por A baumannii em vários hospitais em todo o mundo — afirmou, em entrevista à Reuters, Matthew Falagas, da Universidade de Tufts, em Boston, e do Instituo Alfa de Ciências Biomédicas, na Grécia, co-autor do artigo ao lado de Drosos Karageorgopoulos. — E são infecções muito difíceis de tratar porque as bactérias são resistentes à maioria dos medicamentos disponíveis.</p>
<p>Brasil já registrou casos de infecção</p>
<p>Especialistas em infecção hospitalar no Brasil já estão cientes da ameaça da bactéria e de sua presença em centros de saúde no país há algum tempo.</p>
<p>— Do mesmo modo que em outros países, não somente as Staphylococcus aureus resistentes à meticilina, conhecidos como MRSA, têm preocupado nossa comunidade médicocientífica.</p>
<p>Surtos de infecções hospitalares causadas por A. baumannii, sensíveis somente ao antibiótico colistina, têm sido descritos, há alguns anos, no Brasil — diz Agnes Marie Sá Figueiredo, diretora do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</p>
<p>De acordo com o artigo da “Lancet”, o papel da A. baumannii em graves infecções diagnosticadas em pacientes criticamente doentes é cada vez mais claro. “Esse patógeno está associado a surtos de infecção muito difíceis de serem controlados”, destaca o texto.</p>
<p>Alguns médicos estão lançando mão de uma classe de antibióticos conhecidos como polimixinas para combater a infecção.</p>
<p>Essas drogas não são usadas há 20 anos para esta finalidade, em parte por causa dos efeitos colaterais que apresentam, entre eles problemas renais. “Isso significa que os médicos precisam de novas drogas para combater a bactéria”, sustentou Falagas. “Mas a melhor arma para deter o avanço da A. baumannii ainda é lavar bem as mãos. Essa é a medida mais importante de prevenção para os que trabalham em hospitais.” Mas não apenas. A limpeza das instalações hospitalares e dos equipamentos utilizados é ainda mais importante, sustentam especialistas em infecções resistentes.</p>
<p>A A. baumannii compartilha muitas das piores características da MRSA e da Clostridium difficile, como a sobrevivência em superfícies secas e a resistência à maioria dos desinfetantes. A A. baumannii sobrevive na poeira e até na roupa de cama por meses.</p>
<p>Ela também pode ser transportada na pele de pessoas saudáveis. Tudo isso torna muito difícil a erradicação da bactéria depois que ela se instala em alguma instituição, explicam os especialistas, e revelam a importância da limpeza rigorosa na prevenção.</p>
<p>A A. baumannii provoca infecções sangüíneas e pneumonia, entre outros problemas.</p>
<p>Especialistas dizem que a bactéria não representa uma ameaça às pessoas saudáveis e que mesmo para as linhagens mais resistentes ainda existem drogas eficazes. No entanto, dizem, a questão é preocupante.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/a-nova-superbacteria/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Saúde: os números ocultam</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/saude-os-numeros-ocultam/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/saude-os-numeros-ocultam/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 15:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[antibióticos]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[células]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[espécies]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Hospitais]]></category>
		<category><![CDATA[HPV]]></category>
		<category><![CDATA[idosos]]></category>
		<category><![CDATA[infecções]]></category>
		<category><![CDATA[laboratórios]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>
		<category><![CDATA[médicos]]></category>
		<category><![CDATA[mortes]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[óbitos]]></category>
		<category><![CDATA[quimioterapia]]></category>
		<category><![CDATA[tuberculose]]></category>
		<category><![CDATA[útero]]></category>
		<category><![CDATA[vírus]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/saude-os-numeros-ocultam/</guid>
		<description><![CDATA[
célula cancerosa vista ao microscópio eletrônico
AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO &#8211; O GLOBO
É inegável as conquistas obtidas em nosso país com relação a certas doenças infecciosas, principalmente aquelas cujas medidas de prevenção e/ou controle são mais conhecidas e efetivas, como a diarréia, a tuberculose, a malária e outras, conforme indicam as publicações recentes do Ministério da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/saude-os-numeros-ocultam/8552/" rel="attachment wp-att-8552" title="celula_cancer_peito.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/celula_cancer_peito.jpg" alt="celula_cancer_peito.jpg" /></a><font size="1"><em><br />
célula cancerosa vista ao microscópio eletrônico</em></font></p>
<p>AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO &#8211; O GLOBO</p>
<p>É inegável as conquistas obtidas em nosso país com relação a certas doenças infecciosas, principalmente aquelas cujas medidas de prevenção e/ou controle são mais conhecidas e efetivas, como a diarréia, a tuberculose, a malária e outras, conforme indicam as publicações recentes do Ministério da Saúde (Saúde Brasil 2007). Entretanto, o vasto universo das doenças causadas por microrganismos não se resume às doenças geralmente agrupadas como “infectocontagiosas” ou “infecciosas e parasitárias”.</p>
<p>Os microrganismos, sejam os protozoários, os fungos, as bactérias e, ainda, os vírus, estão envolvidos em diferentes tipos de afecções.</p>
<p>Por exemplo: há alguns anos, jamais poderíamos imaginar que certos tipos de cânceres estariam associados a tais seres microscópicos.</p>
<p>No entanto, um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina 2008, Dr. Harald zur Hausen, foi agraciado com essa honraria, justamente, por ter relacionado o câncer de colo de útero, o segundo mais freqüente em mulheres, com o papiloma vírus humano (HPV). Mas não pensem que a associação entre microrganismos e câncer se encerra aí.</p>
<p>Uma bactéria conhecida como Helicobacter pylori, a qual é encontrada no estômago de cerca de 2/3 da população mundial, é o principal fator de risco de úlcera péptica e duodenal, aumenta, segundo estudos, o risco de câncer gástrico, linfoma de tecido linfóide associado à mucosa, conhecido como linfoma de MALT, e, ainda, de câncer pancreático.</p>
<p>Portanto, parece-me fundamental que a sociedade seja alertada sobre o papel das doenças infecciosas em determinados tipos de cânceres e, conseqüentemente, sobre sua influência “silenciosa” nas taxas de óbtidos. Além disso, em certas circunstâncias, o câncer por si só pode predispor o paciente a severas e recorrentes infecções. Por outro lado, a neutropenia (que reflete um comprometimento do sistema imunológico) é reconhecida há décadas como importante fator de risco para o desenvolvimento de infecções em pacientes submetidos a certas quimioterapias.</p>
<p>Portanto, é fato amplamente conhecido, pela comunidade médica, que as doenças infecciosas são importantes causas de mortalidade entre pacientes com diversos tipos de neoplasias malignas.</p>
<p>Realmente, por muitos e muitos anos, a tuberculose foi a principal causa de morte entre as doenças respiratórias de adultos. Porém, apesar de os óbitos por essa doença ter diminuído, outras infecções respiratórias, as de natureza aguda, estavam em 2005 na 5ª ou 6ª posição entre as 10 principais causas de morte em nosso país, segundo dados do Saúde Brasil 2007. Cabe acrescentar que, através de um estudo recente do Unicef/OMS intitulado “Pneumonia: the forgoten killer of children, 2006”, ficou constatado que essa doença mata mais crianças do que qualquer outra, e estimase que seja responsável pela morte de cerca de 2.000.000 de crianças a cada ano, em todo o mundo, sendo as espécies bacterianas Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae as principais responsáveis. Porém, infelizmente, pouca atenção tem sido dada para essa doença. Nesse mesmo estudo foi estimado que 150.000.000 de episódios de pneumonia devam ocorrer a cada ano, sendo que o Brasil estaria em 5o lugar, junto com a Etiópia, com 4.000.000 de casos. É preciso salientar que não somente as crianças estão mais susceptíveis às pneumonias; os indivíduos idosos também estão entre a população susceptível e, portanto, com elevado risco para a doença e conseqüente mortalidade.</p>
<p>Vale lembrar, aqui também, outros importantes “matadores” que ficaram esquecidos nesta estória, as doenças hoje conhecidas como “infecções associadas a serviços de saúde” (IASS), em que se incluem as infecções hospitalares. Essas doenças acometem pacientes, durante o curso de um tratamento que receberam para debelar outra doença, em um estabelecimento que presta serviço de saúde. Segundo os Centers for Diseases Control (CDC), nos Estados Unidos, as IASS estão entre as 10 principais causas de mortalidade.</p>
<p>Não devemos, em hipótese alguma, sob pena de estarmos causando um erro grave, subestimar o impacto de tais doenças em nosso meio.</p>
<p>Estudos têm demonstrado que os índices dessas infecções são maiores em países da América Latina e da África. Agrava-se a essa triste estatística o fato de que muitas dessas infecções, como as que ocorrem nos hospitais, são causadas por bactérias resistentes a múltiplos antibióticos. Tal fato dificulta, significativamente, a pronta prescrição pelos médicos de uma terapia antibiótica eficaz, contribuindo assim para o aumento do número de óbitos.</p>
<p>Aos profissionais da saúde cabem estar atentos para os fenômenos resultantes da evolução adaptativa dos microrganismos, os quais culminam, algumas vezes, no surgimento de novas doenças (conhecidas como emergentes) e, em outras vezes, no aumento da incidência de doenças antigas, porém com características epidemiológicas singulares, únicas, as quais, quando não reconhecidas, podem mascarar os índices dessas infecções e da mortalidade associada.</p>
<p>Aos nossos políticos cabe o ônus da necessidade de aplicarem mais recursos para o desenvolvimento de laboratórios e sistemas cada vez mais sofisticados, visando à coleta e posterior análise de dados, sobre tais doenças, de maneira que os números possam nos apontar, de forma mais reveladora, esse mundo micro, porém da maior importância para a saúde global.</p>
<p>AGNES MARIE SÁ FIGUEIREDO é diretora do Instituto</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/saude-os-numeros-ocultam/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Da boca para dentro</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/da-boca-para-dentro/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/da-boca-para-dentro/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 17:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[Aids]]></category>
		<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[antibióticos]]></category>
		<category><![CDATA[Artrites]]></category>
		<category><![CDATA[bactérias]]></category>
		<category><![CDATA[cardiovasculares]]></category>
		<category><![CDATA[células]]></category>
		<category><![CDATA[cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[coágulos]]></category>
		<category><![CDATA[coração]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[diabetes]]></category>
		<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[gordura]]></category>
		<category><![CDATA[grávidas]]></category>
		<category><![CDATA[infarto]]></category>
		<category><![CDATA[infecções]]></category>
		<category><![CDATA[medicamentos]]></category>
		<category><![CDATA[médicos]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Ossos]]></category>
		<category><![CDATA[Paladar]]></category>
		<category><![CDATA[pâncreas]]></category>
		<category><![CDATA[parto]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisas]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção]]></category>
		<category><![CDATA[pulmão]]></category>
		<category><![CDATA[sangue]]></category>
		<category><![CDATA[vírus]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/da-boca-para-dentro/</guid>
		<description><![CDATA[

Novas pesquisas relacionam boa saúde oral à prevenção de várias doenças
Antônio Marinho* &#8211; O GLOBO
Imagine despejar todos os dias a maior parte de seu lixo no manancial de um rio. Com o tempo, lagos e fontes que recebem seu fluxo serão poluídos e podem morrer. É mais ou menos isso que ocorre ao negligenciarmos a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://cogitare.forumenfermagem.org/wp-content/uploads/2008/06/dentist.gif" alt="A imagem “http://cogitare.forumenfermagem.org/wp-content/uploads/2008/06/dentist.gif” contém erros e não pode ser exibida." /></div>
<p><img src="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/30/30_CHB_viv_sorriso.jpg" alt="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/06/30/30_CHB_viv_sorriso.jpg" align="left" /></p>
<p><font size="4"><strong>Novas pesquisas relacionam boa saúde oral à prevenção de várias doenças</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Antônio Marinho* &#8211; O GLOBO</strong></p>
<p>Imagine despejar todos os dias a maior parte de seu lixo no manancial de um rio. Com o tempo, lagos e fontes que recebem seu fluxo serão poluídos e podem morrer. É mais ou menos isso que ocorre ao negligenciarmos a higiene bucal. O acúmulo de bactérias em estruturas que envolvem os dentes causa inflamações e aumenta o risco de infecções em todo o corpo. Agora, novos estudos confirmam que cuidar da saúde oral protege contra infarto e derrame. Há quem afirme que a prevenção vai além. Pessoas que escovam mal os dentes e raramente visitam o dentista correm maior risco de cânceres, demência e até de parto prematuro.<br />
O problema começa com o acúmulo de bactérias ao redor dos dentes, formando placas que atacam as gengivas e outras estruturas.<br />
Aos poucos, os germes invadem tecidos e produzem substâncias tóxicas que inflamam as gengivas (gengivite), e alguns chegam à corrente sangüínea. Daí pegam carona para o coração e outros órgãos. Em casos graves (periodontites), os tecidos de suporte são afetados — com destruição de colágeno e de ligamentos — , responsáveis por manter os dentes nos ossos. De 7% a 15% da população mundial sofrem desse mal.</p>
<p>— Mais pesquisas sugerem associação entre infecções orais e doenças sistêmicas — diz a dentista americana Sally Cram.<br />
Um exemplo é o estudo da Universidade de Bristol, de Howard Jenkinson. Na reunião da Sociedade Geral de Microbiologia, ele disse que centenas de cepas de bactérias vivem na boca e algumas entram no sangue. Isso pode causar problema cardíaco, mesmo em saudáveis. Elas produzem agrupamento de plaquetas, formando escudo contra o sistema imunológico e antibióticos.<br />
<strong><br />
Sem tratamento, risco de parto prematuro aumenta</strong></p>
<p>Maurizio Tonetti, chefe da Divisão de Periodontologia da Universidade de Connecticut, investigou se um tratamento para anular a produção de bactérias e toxinas da boca seria benéfico em pacientes com aterosclerose.<br />
Os resultados foram animadores. Em artigo na revista “New England Journal of Medicine”, ele mostrou que indivíduos submetidos por seis meses a intenso tratamento de doença das gengivas não apenas se livraram desse mal, mas melhoraram a função do endotélio (a camada interna dos vasos).<br />
E pesquisa na Grã-Bretanha, com 366 gestantes, publicada no “Journal of Periodontology”, indicou que o tratamento de infecção de tecidos da gengiva reduziu o índice de nascimentos prematuros em 84%. Segundo os autores, essa doença eleva a produção de prostaglandina, substância que pode induzir ao parto. As grávidas que receberam cuidados dentários antes da 35ª semana tiveram menor chance de dar à luz antes da hora. Em outro trabalho, na revista “The Lancet Oncology”, autores associaram doenças das gengivas a maior chance de tumores de pulmão, fígado, rim e pâncreas, além de Alzheimer.<br />
Porém não souberam explicar essa relação.</p>
<p>— Dados apontam risco adicional de até 2,8 para infarto em pessoas com periodontites.</p>
<p>Já encontraram traços de bactérias das gengivas em placa ateromatosa retirada em cirurgias. A forte resposta imune estimulada por periodontites parece ser o principal mecanismo na relação com doenças sistêmicas, como diabetes, artrite, a doença pulmonar obstrutiva crônica, úlceras, pneumonias, além de indução a parto prematuro e problema cardiovascular — diz Luciano Oliveira, doutorando em periodontia pela Uerj e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes.<br />
Mau hálito, retração e sangramento gengival podem ser os primeiros sinais, explica a dentista Cristiane Vivacqua. Ela diz que pessoas com gengivas doentes são duas vezes mais susceptíveis a queixas cardíacas.</p>
<p>— Doença periodontal pode piorar males cardíacos já existentes. Às vezes é necessária a profilaxia antes de tratamentos dentários, como uso de antibióticos. Isso é avaliado pelo dentista e médico — alerta.<br />
Já a dentista Flávia Rabello de Mattos, especialista em implantes, lembra que diabetes, síndrome de Down, doença de Crohn e Aids favorecem a periodontite: — Habitualmente, doença da gengiva não causa dor, até que dentes se afrouxem ao mastigar ou se forme abcesso. Em fumantes, sinais iniciais são mascarados e eles só percebem o problema quando a perda óssea é grave. Sem tratamento, a perda óssea poderá ser de 1mm/ano.</p>
<p>* Com ‘The Washington Post’ e agências de notícias Existem cerca de 700 cepas de diferentes bactérias (como estafilococo e estreptococo) em uma boca saudável, metade ainda não classificada. Em agosto foi descoberta uma nova espécie, Prevotella histicola, que pode estar relacionada a cáries e doenças da gengiva. Se as bactérias entrarem na corrente sangüínea, podem causar problemas cardíacos e até derrame, mesmo que a pessoa esteja em boa forma física.</p>
<p>Há cerca de cem milhões de bactérias em cada mililítro de saliva. Vírus, fungos e protozoários também vivem na boca. Segundo cientistas, microorganismos procedentes de gengivas infectadas interagem com as plaquetas (elas participam do processo de coagulação, evitando hemorragias) provocando a inflamação das artérias, levando a seu estreitamento.</p>
<p>As bactérias também se unem aos depósitos de gorduras presentes nas artérias, o que pode facilitar a formação de coágulos. Outra explicação é que, ao se movimentar pelo corpo por meio do sangue, a bactéria estimula o sistema imunológico, causando inflamações que entopem as artérias.</p>
<p>Estudos americanos dizem que doenças das gengivas e outras infecções na boca estão associadas à maior incidência de câncer de pulmão, de sangue e de rim, além de pancreatites.<br />
<font size="5"><strong><br />
Exame da saliva ajuda a prevenir perda de dentes</strong></font></p>
<p><strong><br />
Alteração no fluido pode ser sinal de doença, mas dentistas ignoram avaliação</strong></p>
<p>Prestar atenção na saliva ajuda a melhorar a qualidade de vida já que o fluido pode revelar alterações no organismo. No entanto, estudo coordenado pela dentista Denise Falcão, do Departamento de Odontologia da Universidade de Brasília (UnB), diz que apenas 7% dos dentistas costumam fazer o exame, que é simples. E pelo menos 69% dos profissionais entrevistados disseram não ter assistido à aula sobre saliva em cursos de especialização e/ou mestrado.<br />
A saliva desempenha funções no equilíbrio da orofaringe. A falta desse fluido torna o pH bucal ácido e favorece a cárie.<br />
Além disso, a saliva contém uma substância que estimula a cicatrização da mucosa bucal e do esôfago. Portanto, sua deficiência predispõe a esofagites e aftas.</p>
<p>— Em outro estudo na UnB, vimos que a pessoa com saliva viscosa tem mais chances de sofrer mau hálito. Verificamos que portadores de doença periodontal costumam apresentar pH alcalino e saliva viscosa — disse Denise. — Não há como estabelecer relação de causa/efeito, mas as alterações dos padrões da saliva são indicadores de riscos para doenças.<br />
Ela cita, por exemplo, a doença autoimune síndrome de Sjögren, que se caracteriza pela redução de saliva e lágrimas, entre outros sintomas. Geralmente é diagnosticada após anos, o que compromete muito a saúde. Entretanto, se o exame da saliva fosse feito rotineiramente, a doença seria detectada precocemente.</p>
<p>— Outro exemplo é que a saliva muito fluida e/ou a falta de saliva pode ser uma das causas de ardência bucal, situação muito comum principalmente nas mulheres na pós-menopausa, e isso costuma causa depressão. Mudança na coloração pode indicar descamação excessiva da mucosa, inflamações e infecções — alerta Denise.<br />
Até mesmo o sono é ruim quando há pouca saliva. Isso porque a pessoa tende a se levantar com freqüência para beber água.<br />
Outros problemas são a maior chance de ter aftas e outras lesões em mucosa da boca; menor fixação de restaurações dentárias, alteração de paladar e até dificuldade para falar. Segundo Denise, o teste — mostra a quantidade, a cor, a viscosidade e o pH — dura 30 minutos e deve ser feito uma vez ao ano, ou a critério do dentista. A coleta e a seqüência de avaliação deverá ser repetida em um outro dia e no mesmo horário para verificar a média dos valores.</p>
<p>— Carregada de imunoglobulinas ou anticorpos, a saliva tem participação decisiva em algumas doenças — diz o dentista Luciano Oliveira. — Embora seja um bom método auxiliar de diagnóstico, é pouco difundido em consultórios.<br />
A dentista Flávia Rabello afirma que o aumento da produção de saliva, quando necessário, poderá ser conseguido com técnicas para estimulação e uso de medicamentos.<br />
Há ainda a possibilidade de receitar substitutos desse fluido.<br />
Outro estudo na UnB investiga a possibilidade de usar células-tronco na regeneração de tecidos com infecções bacterianas.<br />
E cientistas do King’s College, de Londres, tentam produzir dentes a partir de células-tronco e realizaram pesquisas em camundongos. As células seriam programadas para se transformar em dentes e depois transplantadas para a mandíbula.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/da-boca-para-dentro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
