19/08/2009 - 12:42h A marca do Serra

Rota do litoral paulista deve ganhar ao menos 10 pedágios Rio-Santos poderá receber até 6 praças; na Tamoios, 2 pontos já foram definidos

Estudos apontam cobrança também na Mogi-Dutra, na Mogi-Bertioga, já no trecho de descida da serra, e na Oswaldo Cruz, que leva a Ubatuba

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DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

O governo de São Paulo tem estudos, já em fase final, que preveem a instalação de pelo menos dez praças de pedágio nas rodovias de acesso às praias paulistas, incluindo a Rio-Santos (SP-55), entre a região de Bertioga e Ubatuba, extremo do litoral norte do Estado.
Dois pontos, nos km 13 e 57 da rodovia dos Tamoios, do Vale do Paraíba a Caraguatatuba, já foram definidos. Os demais ainda estão sob a análise do comitê gestor das PPPs (Parcerias Público Privadas) do governo José Serra (PSDB).
A Rio-Santos, principal estrada no contorno das praias paulistas, poderá receber até seis praças de pedágio, sendo quatro delas no litoral norte -região que compreende São Sebastião, Caraguatatuba, Ilhabela e Ubatuba.
Os estudos da gestão tucana também estabelecem a criação de pontos de cobrança na Mogi-Dutra, na Mogi-Bertioga, já na descida da serra, e na Oswaldo Cruz (SP-125), uma estrada sinuosa que leva a Ubatuba.
O plano do governo Serra é lançar ainda neste semestre a concessão à iniciativa privada de novos lotes de rodovias. Mas a tendência é que a cobrança de pedágio seja iniciada apenas depois das eleições estaduais e presidenciais de 2010. Antes, só haveria a realização de melhorias e de obras nas estradas.
Na Rio-Santos, altura de São Sebastião, há praças em estudo na praia Preta, nas proximidades de Juqueí, e na saída sul da cidade. Outra cabine pode ser instalada em Caraguatatuba, nas imediações do posto da Polícia Rodoviária Estadual.
A última ficaria no trecho federal da rodovia, entre Ubatuba e Paraty, a 2 km da divisa SP-RJ. Mas isso depende da transferência da estrada ao Estado.

Mobilização
A Folha apurou que a intenção do Estado é privatizar a operação dessas rodovias em dois lotes. Uma das áreas da licitação deve ter somente a Rio-Santos. Já a outra deve reunir as demais rodovias de acesso ao litoral e a Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123), entre Taubaté e Campos do Jordão.
A construção de pedágios planejada já mobiliza entidades e políticos das regiões afetadas. Amanhã, o secretário dos Transportes, Mauro Arce, e o deputado governista Luís Carlos Gondim (PPS) vão se reunir com moradores de Mogi das Cruzes para debater a proposta. “Sou contra pedágio em estrada com pista simples. E também é preciso detalhar as obras que serão feitas na Mogi-Bertioga”, afirma Gondim.
O assunto está na pauta da reunião do dia 26 do colegiado dos 39 vereadores da frente parlamentar do litoral norte. “É um temor. Com tanto pedágio, será que algum turista vai querer vir para cá?”, questiona o presidente da frente, Valdir Veríssimo (PPS), de Ilhabela.
Moradores do litoral paulista temem ser afetados pela cobrança em deslocamentos pequenos entre praias da região.
Luiz Celio Bottura, ex-presidente da Dersa (empresa do Estado), considera que a concessão das rodovias no litoral norte pode ser positiva ou negativa dependendo da utilidade das obras que ficarem a cargo das concessionárias. “Tudo depende da qualidade do viário e dos acessos. É isso que vai dizer se a cobrança vale a pena ou se é só arrecadatória”, afirma.
Para ele, a melhor alternativa para evitar situações injustas e atenuar a resistência de moradores é adotar uma política de fidelização -pela qual os motoristas que passam pelo pedágio diariamente possam pagar uma tarifa menor. O sistema, com controle eletrônico, foi adotado nas marginais da Castello Branco. (JOSÉ ERNESTO CREDENDIO e ALENCAR IZIDORO)

19/08/2009 - 11:53h Baixada é região que mais cresce no Estado e Praia Grande lidera no País

Área do litoral sul ganha 3 vezes mais habitantes que a capital e população já supera grandes centros do Nordeste

 

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Praia Grande

Diego Zanchetta – O Estado SP

 


Região metropolitana que mais cresce no Estado e com previsão de receber R$ 18,6 bilhões de investimentos para ampliação do Porto de Santos e pré-sal até 2013, a Baixada Santista ganhou 64.655 novos moradores em apenas dois anos, conforme os dados de atualização populacional dos municípios de 2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A região do litoral sul paulista ainda tem o município brasileiro com a maior taxa de crescimento demográfico da década: entre 2000 e 2009, a cidade de Praia Grande recebeu 56 mil habitantes a mais, totalizando hoje 249.551 moradores, índice de crescimento de 26,32% no período.

O índice anual médio de crescimento das nove cidades da Baixada entre 2007 e 2009 foi de 1,6%, mais que o triplo do registrado, por exemplo, na capital paulista (0,43%). Entre 2007 e 2008, o aumento populacional chegou a 2,1%, recorde entre as regiões metropolitanas do Sudeste do País. Com 1.668.428 habitantes, o litoral sul já conta com população superior a regiões metropolitanas de capitais como Maceió, São Luís e João Pessoa.

Mas, enquanto Praia Grande, Guarujá e Mongaguá mantêm um crescimento acima da média das cidades paulistas, Santos registrou declínio de 0,1%. Na avaliação de órgãos públicos e especialistas, a evasão comum dos centros das metrópoles para as periferias – no caso, de Santos para cidades vizinhas, com baixo custo de vida e melhores condições de moradia – também ocorre agora na Baixada, em um deslocamento semelhante ao observado nos anos 1970 na Grande São Paulo.

“O preço do solo ficou muito caro. O jovem que vive na casa dos pais, quando se casa para constituir família, não encontra imóveis ao redor e vai morar em áreas periféricas, como São Vicente ou municípios ao sul. Mas Santos também tem diversos empreendimentos imobiliários voltados à classe média alta de São Paulo, com base na facilidade de deslocamento pela Imigrantes”, explica Alberto Jakob, do Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Unicamp.

Depois de décadas morando em São Paulo, o casal Margarida e Benedito Storti completou dois anos de Praia Grande ontem. “Se eu soubesse que era tão bom, teria vindo antes”, conta Margarida, de 67 anos. Com os filhos criados e a aposentadoria do marido, vieram para o litoral em busca de vida mais tranquila: e ainda aplicaram a diferença de valores obtida na venda da casa. “Quem não precisa de uma renda extra?”, questiona a dona de casa, feliz em trocar os 18 degraus da antiga residência por um lar sem escadas. “Aqui tenho mais liberdade, sossego, e, como a cidade é toda plana, a gente anda mais. Em São Paulo não saía de casa”, afirma ela, que mora a 300 m da praia.

Autor de um doutorado em 2008 sobre a transformação do espaço urbano na Baixada, Jakob também estuda o impacto ambiental do crescimento da região por meio do Projeto Vulnerabilidade, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O pesquisador teme os impactos dos futuros projetos do governo federal. “A ampliação do porto, com o aprofundamento do canal, pode levar a uma agressão ao meio ambiente, ao se revolver e trazer à tona metais pesados que se acumularam no fundo do leito do rio.”

A formação geográfica da Baixada, que tem de um lado o oceano e de outro um paredão formado pelas Serras do Mar e da Jureia, também limita as possibilidades de expansão territorial, apesar do aumento de população, segundo urbanistas. Nos últimos anos, trechos de encostas de serra na orla entre Praia Grande e Itanhaém foram ocupados por favelas sem saneamento e com moradias precárias. A preocupação de ambientalistas é com o Parque do Piaçabuçu, uma área de mangue que faz parte do domínio do ecossistema da Serra do Mar, ao sul da Baixada.

Para especialistas, a tendência é de que as populações dessas periferias da Baixada fiquem cada vez mais excluídas das políticas públicas. Entre 2008 e julho deste ano, a Praia Grande recebeu 5.018 novos moradores. O crescimento atinge outras sete cidades da Baixada: Guarujá (3.784 novos habitantes), São Vicente (2.273), Cubatão (1.880), Itanhaém (1.361), Bertioga (1.288), Mongaguá (803) e Peruíbe (535).

POLÍTICA INTEGRADA

Segundo o pesquisador José Marcos Pinto da Cunha, do Departamento de Demografia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (Unicamp), a região prestes a se tornar metrópole precisa de políticas integradas entre os municípios. “Não é possível olhar a cidade como se existissem cercas rígidas que as pessoas não possam pular. O cidadão é metropolitano e sua relação não se dá necessariamente com a cidade, mas sim com a região. Pensar a região metropolitana como um todo é um dos desafios.”

COLABOROU REJANE LIMA

FRASES

Margarida Storti
Moradora

“Se eu soubesse que era tão bom, teria vindo antes”

Alberto Jakob
Nepo (Unicamp)

“O preço do solo ficou muito caro. O jovem que vive na casa dos pais, quando se casa para constituir família, não encontra imóveis ao redor e vai morar em áreas periféricas, como São Vicente ou municípios ao sul”

José M. P. da Cunha
Pesquisador

“Não é possível olhar a cidade como se existissem cercas rígidas que as pessoas não possam pular. O cidadão é metropolitano e sua relação não se dá necessariamente com a cidade, mas sim com a região. Pensar a região metropolitana como um todo é um dos desafios”

Após 60 anos, economia deixará perfil turístico

 

Diego Zanchetta – O Estado SP

 


Para empresários e prefeituras, o salto estimado para os próximos anos na produção de petróleo e de gás na Bacia de Santos poderá mudar o perfil da região, que desde a década de 1950 tem a economia voltada principalmente para o turismo. O desenvolvimento da Baixada inclui a construção de aeroportos, novas plataformas marítimas de descarga, estaleiros, condomínios industriais para escoar a produção do pré-sal ao exterior, túneis e novas estradas. Santos terá a sede de negócios da Petrobrás para o pré-sal, um complexo com três prédios em uma área de 25 mil m², perto do Porto.

Uma autarquia foi criada pelo governo do Estado para acompanhar o desenvolvimento da região, a Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem). “Estamos em uma região conurbada e as soluções precisam ser comuns entre os municípios. A Baixada teve três grandes ciclos econômicos. O primeiro do café, nos anos 1930; depois, a partir da década de 50, teve o desenvolvimento do polo industrial de Cubatão; e agora vivemos a possibilidade de expansão com o petróleo e uma gama de investimentos agregados”, afirma Edmur Mesquita, presidente da Agem.

Mesquita defende, por exemplo, o projeto Barnabé-Bagres, obra do governo federal que prevê a duplicação da capacidade do Porto de Santos com a construção de 45 berços de atracação para navios. A obra é questionada por ambientalistas do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). Já pensando na Petrobrás, que terá a sede de negócios do pré-sal em Santos, Praia Grande pediu autorização ao governo federal para construir um aeroporto ligado a uma futura zona de exportação, numa área de 7 milhões de m². “A região vive um momento de crescimento único em sua história”, resume o presidente da Agem.

03/08/2009 - 09:15h Cidades do litoral de SP planejam crescer com os negócios do pré-sal

Infraestrutura: Municípios da Baixada Santista já desenvolvem projetos para atender empresas do setor

Claudio Belli/Valor Foto Destaque
Foto Destaque
Márcio Lara, secretário de Governo de Santos: “A intenção é atrair empresas e empregar pessoas da região”

 

Samantha Maia, de São Paulo – VALOR

Mesmo que não recebam receitas diretas dos royalties relativas aos campos ainda não licitados, com a provável mudança do modelo de exploração do pré-sal para o sistema de partilha, as cidades da Baixada Santista acreditam que vão viver um forte crescimento econômico nos próximos anos com o salto da produção de petróleo e gás na Bacia de Santos.

Para isso, os municípios da região estão preparando terreno com o desenvolvimento de projetos que atendam às necessidades da atividade, como aeroportos, estaleiros e áreas de apoio ao porto. Locais com instalações ligadas à produção de petróleo e gás têm direito a royalties segundo a legislação atual.

Santos receberá a sede da unidade de negócio da Petrobras. O município do Guarujá já investe em um aeroporto e quer instalar uma base de suprimento a plataformas. Cubatão pretende receber um estaleiro, assim como Bertioga e Peruíbe. Praia Grande está empenhada em viabilizar a construção de um aeroporto e de um condomínio industrial. São Vicente e Mongaguá também se organizam para destinar áreas a indústrias. Itanhaém quer investir em melhorias em seu aeroporto e abrigar um retroporto, área de atividades de apoio ao porto.

A maioria das nove cidades que compõem a região tem o turismo como sua principal atividade, mas devem ter o perfil da sua economia radicalmente alterado em poucos anos com o setor de petróleo e gás assumindo o primeiro lugar como fonte de receitas. As prefeituras ainda não arriscam projeções sobre o crescimento na arrecadação, mas o projeto de investimento da Petrobras na Bacia de Santos prevê a aplicação de US$ 18,6 bilhões nos campos do pré-sal até 2013. O bloco Carioca está localizado no litoral paulista e, como é uma área já licitada e regida pela lei atual, deve render pagamento de royalties e participações especiais.

Num primeiro momento, as prefeituras optaram por não priorizar a discussão voltada à distribuição dos royalties e ao questionamento dos critérios do IBGE sobre a localização dos poços. No ano passado, cidades paulistas e o governo estadual reivindicaram a propriedade do campo de Tupi, maior reserva já descoberta do pré-sal, que pertence ao Rio, segundo o IBGE. Esses assuntos estão sendo discutidos por deputados e senadores e, em São Paulo, o governo estadual lidera um estudo sobre a legislação para elaborar uma posição oficial.

Há duas semanas, a Petrobras lançou em Santos o projeto da sede da sua unidade de negócios em Santos, de onde será feito todo o controle operacional da Bacia de Santos. Será um complexo com três prédios numa área de 25 mil metros quadrados (m2), e a previsão é que a primeira fase da construção termine no primeiro semestre de 2012. A estatal não anunciou o valor do investimento.

A construção demandará 1,2 mil trabalhadores e a unidade gerará 6 mil empregos diretos até 2014. Para cada emprego direto, devem ser criados cinco indiretos, calcula a prefeitura. Isso representa crescimento de quase 30% dos postos de trabalho na cidade, hoje em 137 mil pelos dados do Caged. A Petrobras iniciou atividades na cidade em 2006 e hoje emprega 800 pessoas em seu escritório.

Segundo Márcio Lara, secretário de Governo de Santos, desde que a a Petrobras começou a atuar na cidade, as prefeituras da região criaram um fórum de discussão com a participação da empresa para estudar a demanda e a oferta de serviços e postos de trabalho que a atividade geraria na região. “Assim as cidades podem se preparar para fornecer mão de obra, pois a intenção é atrair empresas e empregar pessoas da região”, diz Lara.

As cidades também estão realizando o levantamento de imóveis e terrenos com características adequadas para o desenvolvimento de atividades voltadas para petróleo e gás. “Temos buscado formas de colaborar o máximo possível com o processo de entrada de investimentos na cidade e acreditamos que Santos entrará numa fase de forte crescimento”, diz Lara.

Guarujá investirá R$ 40 milhões até o ano que vem para adequar o seu aeroporto militar a voos particulares e de atendimento às plataformas, uma área de 279 mil m2 “Será um aeroporto intermodal. As futuras plataformas demandarão uma base aérea”, diz o secretário de Governo do Guarujá, Ricardo Joaquim de Oliveira.

Outro projeto importante na cidade é a construção de uma área de suprimento às plataformas. Neste caso, o investimento seria privado. “Estamos desenvolvendo o projeto e a Petrobras já demonstrou interesse”, diz Oliveira. Os dois projetos devem gerar de 40 mil a 45 mil empregos, diretos e indiretos, o que dobrará o número de empregos formais na cidade, hoje em 42,7 mil postos.

“Teremos outra Guarujá, a mudança deve ser muito rápida, por isso temos grande preocupação também em qualificar nossa população”, diz ele. Segundo o secretário, um reflexo dessa política é o início em agosto das primeiras turmas do Senai na cidade.

Cubatão quer aproveitar sua vocação industrial e viabilizar a instalação de um estaleiro. Segundo Benito Gonzalez, secretário de Indústria do município, há três meses o projeto está sendo discutido e há empresas interessadas em investir. A prefeitura mapeou seis áreas que podem abrigar o estaleiro, mas ainda não divulgou o levantamento para evitar especulação imobiliária. “A grande vantagem de Cubatão é que temos produção local de aço. Estamos bastante otimistas em relação ao crescimento da cidade, queremos aproveitar as oportunidades”, diz, destacando que a administração também está preocupada em desenvolver o setor de serviços. Segundo a Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem), Peruíbe e Bertioga também estão interessadas em promover a instalação de estaleiros, mas de menor porte.

Praia Grande está empenhada em viabilizar a construção de um aeroporto ligado a uma zona de exportação (ZPE) numa área de 7 milhões de metros quadrados. A prefeitura já pediu regulamentação ao Ministério do Desenvolvimento para a instalação da ZPE. A empresa Icipar é a proprietária do terreno e está buscando a licença ambiental para o projeto.

O investimento no aeroporto é estimado em R$ 80 milhões e o complexo deve gerar 15 mil empregos diretos, um aumento de 50% dos postos de trabalho na cidade. “Queremos receber o máximo de empresas”, diz Arnaldo Amaral, vice-prefeito da cidade.

Também em busca de atrair empresas, São Vicente realizou um levantamento de áreas que podem ser destinadas para indústrias. A prefeitura trabalha nisso há dois anos e acredita que a exploração do pré-sal aumentará o interesse da iniciativa privada. “Já houve um crescimento considerável da procura. Temos recebido de dois a três pedidos de informação por semana”, diz o prefeito de São Vicente, Tercio Garcia. O município de Mongaguá iniciou um trabalho semelhante recentemente.

O aeroporto da cidade de Itanhaém é usado atualmente apenas para o transporte de passageiros. A intenção da prefeitura é adequá-lo para atender também às necessidades da Petrobras. Outro investimento planejado é a construção de um retroporto, onde são realizadas atividades de apoio ao porto como depósitos.

“A região toda se prepara para esse boom de investimentos”, comenta Luiz Carlos Rachid, assessor técnico da Agem. Segundo ele, os governos também se preocupam em ter planos de mitigação de impactos ambientais. “O planejamento é importante para que a entrada da Petrobras não traga desequilíbrios às cidades “, diz ele.

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Para prefeitos, demanda por serviços exigirá mais recursos

As prefeituras da Baixada Santista preferem não fechar uma avaliação sobre a mudança do modelo de exploração do petróleo da camada pré-sal até que o governo federal apresente um formato definitivo. O marco regulatório deve alterar o sistema de concessão para o de partilha, que exclui o pagamento de royalties aos Estados e municípios. Em lugar dos repasses, parte da produção dos campos deve ser revertida em receitas para um fundo federal.

As administrações municipais defendem, porém, que, independentemente de a fonte ser os royalties ou o fundo, os locais afetados devem ter um repasse maior de recursos para conseguir atender o aumento de demanda pelos serviços públicos.

Márcio Lara, secretário de Governo de Santos, diz que os municípios têm participado de discussões entre eles e com o Estado sobre o assunto. “O governo federal tem colocado de forma transparente suas decisões para participarmos. É uma questão em andamento que exige participação para garantir a melhor escolha. Ainda não há nada fechado”, diz ele.

A maior preocupação das prefeituras é com os impactos que o crescimento repentino deve causar sobre os serviços públicos. Arnaldo Amaral, vice-prefeito da Praia Grande, diz que fazer com que o crescimento traga qualidade de vida tem seu custo.

“Tem que continuar havendo royalties para aplicação nas áreas de saúde e educação, principalmente para sanar os impactos do crescimento populacional, da migração. É importante remodelar as formas de aplicação desses recursos, mas cortar, não, porque a cidade precisa oferecer moradias, segurança, e tudo isso tem seu custo.” Por isso, Amaral explica que os municípios estão buscando os governo federal e estadual para mostrar as necessidades da região. “Há uma mobilização política neste sentido.”

A receita arrecadada hoje pelas cidades da Baixada Santista referente a royalties é pouco representativa – R$ 8 milhões de janeiro a julho deste ano.

Para o prefeito de São Vicente, Tercio Garcia, é possível até que o modelo de partilha represente uma garantia de repasses maior que os royalties, dependendo do que for negociado. “A nossa expectativa é positiva, porque pelo modelo atual de distribuição de royalties não teríamos um aporte financeiro que correspondesse aos impactos na cidade. Caso os recursos do fundo sejam destinados à educação, saúde, nós poderemos aproveitar melhor” diz. (SM)