02/10/2009 - 11:41h Governo avalia medidas para facilitar as exportações

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Renata Veríssimo e Fabio Granerbrasília – O Estado SP

Diante do efeito negativo da alta do real sobre a competitividade das exportações brasileiras, o governo estuda a implementação de medidas, em sua maioria de caráter gerencial, mas com impacto tributário, que podem baixar o custo do produto nacional no exterior.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) encaminhou ao Ministério da Fazenda um documento com sugestões para ajudar o setor exportador. A proposta é vista com simpatia na Secretaria de Política Econômica da Fazenda, mas enfrenta resistência na Receita Federal. A principal medida acelera a devolução de créditos tributários, antecipando capital de giro para as empresas a um custo mais baixo.

O problema, que diminui a viabilidade desse projeto, é o contexto de queda forte de arrecadação, que está colocando em risco o cumprimento da meta de superávit fiscal. Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, esteve com o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, para pedir urgência para as medidas.

A ideia de Jorge é criar um mecanismo de devolução de crédito tributário vinculada ao tamanho das exportações das companhias. Pela proposta, com base nas exportações do ano anterior a empresa receberia de imediato 50% do que teria direito em restituição de impostos. O restante só seria recebido após a Receita concluir a análise dos créditos. Ao mesmo tempo, o processo de fiscalização seria simplificado para permitir a conclusão mais rápida do processo e agilizar a devolução dos créditos.

Segundo uma fonte da equipe econômica, a medida não teria um impacto fiscal permanente, mas apenas no primeiro ano, quando fosse feita a antecipação. O problema é que esse impacto ocorre em um ambiente de pouco espaço fiscal. Contra esse argumento, os defensores da ideia lembram que os créditos não são direito do governo, mas das empresas.

O MDIC também está preocupado com a ameaça os Estados de não devolver no próximo ano o ICMS pago em exportações desoneradas pela chamada Lei Kandir. Isso porque o governo não incluiu no Orçamento de 2010 a previsão de repasse aos Estados das compensações pelas perdas geradas pela Lei Kandir – que isentou de ICMS a exportação de produtos básicos.

Segundo uma fonte, os governadores estão fazendo caixa com os recursos das empresas porque não há nenhum reajuste nos valores. O MIDC sugere que os Estados paguem juros na devolução dos créditos para compensar a inflação.

Outra proposta é simplificar o chamado sistema de drawback, pelo qual as empresas recebem a devolução dos tributos pagos na compra de insumos, nacionais ou importados, usados na fabricação de bens a serem exportados. O governo quer apressar essa devolução. O drawback, no entanto, só beneficia grandes empresas exportadoras.

O MDIC quer também melhorar a atuação do BNDES, ampliando as linhas de exportação e simplificando o acesso aos financiamentos. Uma fonte explicou que os bancos, inclusive públicos, operam pouco estas linhas. A Caixa também já foi cobrada para ser mais ativa nesses financiamentos.

Crise impede mais exportações

Para secretário, vendas serão inferiores a US$ 160 bi

Renata Veríssimo – O Estado SP

A forte retração da economia mundial vai impedir que as exportações atinjam o valor projetado pelo governo e fará com que o Brasil exporte este ano menos do que em 2007. Ontem o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, afirmou que “seguramente as exportações serão inferiores a US$ 160 bilhões”. Este era o valor projetado pelo ministério no início do ano para as vendas externas em 2009.

Barral disse que o ministério não fez um novo cálculo, mas as vendas externas devem ficar em torno de US$ 158 bilhões, valor do acumulado dos últimos 12 meses até setembro. “Levaremos dois ou três anos para chegar ao nível de comércio de 2008″, previu.

No ano passado, as vendas externas totalizaram o recorde de US$ 197,8 bilhões, mas abaixo dos US$ 200 bilhões projetados pelo ministério, por causa da crise internacional que reduziu o comércio já nos últimos meses. Em 2007, as exportações somaram US$ 160,7 bilhões.

“Os outros países não estão se recuperando como o Brasil. O problema é lá fora, com os nossos compradores”, disse o secretário. “A forma de reagir a isso é melhorar a competitividade do setor exportador”, completou. Ele defendeu a redução dos custos de transação financeira, logística e impostos acumulados na cadeia produtiva. Barral criticou, por exemplo, a atitude dos Estados que não devolvem às empresas o crédito gerado pela desoneração de ICMS das exportações.

“Tanto governo quanto empresas precisam fazer um esforço para reduzir os custos”, disse. “Muita gente não se convenceu da importância do comércio exterior.” Segundo o secretário, o governo tem adotado sistematicamente medidas para ajudar o setor, mas muitas delas acabam tendo os efeitos anulados por causa da valorização do real em relação ao dólar.

Ele anunciou que, neste mês, o governo implantará uma simplificação do sistema de drawback, pelo qual as empresas deixam de pagar os tributos cobrados sobre os insumos nacionais ou importados a serem utilizados na produção de bens exportáveis.

Segundo Barral, esta é uma das medidas para reduzir “a pressão” sobre o exportador. A mudança será operacional, com uma melhoria no software do programa, de forma a permitir que as médias empresas também consigam utilizar o benefício.

02/07/2009 - 09:08h Excelente resultado

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Celso Ming

Em princípio, a crise financeira deveria concentrar um punhado de coisas ruins. Mas, desta vez, além de umas tantas coisas ruins, está produzindo um punhado de surpresas boas. Uma delas é o comportamento da balança comercial.

As projeções feitas em dezembro e em janeiro apontavam para um despencamento do resultado do comércio exterior do Brasil ao longo deste ano. A pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central, por exemplo, mostrava que, nas quatro semanas de janeiro, as cerca de 100 instituições auscultadas apostaram num superávit comercial para todo o ano de apenas US$ 14 bilhões (queda de 43%). Pois, ontem, os números do Comércio Exterior apontavam quase isso já nos primeiros seis meses do ano: saldo positivo de US$ 13,9 bilhões. Ou seja, é provável que o resultado do ano inteiro fique acima dos US$ 30 bilhões, mais do que o dobro previsto no início do ano.

São resultados impressionantes diante da grave prostração da economia mundial, período em que os países ricos, os principais importadores globais, enfrentam uma derrubada do PIB que deverá ficar entre 4,5% (na zona do euro) e 3% (nos Estados Unidos), conforme apontam as projeções do Banco Mundial.

Em 12 meses (de julho de 2008 a junho de 2009), pior fase da turbulência, as exportações brasileiras caíram apenas 1,7%, enquanto as importações cresceram 0,4%.

A principal contribuição para o desempenho do primeiro semestre está sendo dada pelo excelente comportamento da demanda (e também dos preços) das commodities agrícolas (veja o Confira). A participação dos produtos básicos no total exportado no primeiro semestre subiu de 35,3% (em 2008) para 42,0% (em 2009).

As estatísticas da Secex mostram que nos primeiros seis meses do ano o Brasil reduziu suas exportações para todos os blocos econômicos, menos para a China, para onde cresceram 42,3%. Além disso, a China passou a ser o principal parceiro comercial do Brasil e levou no semestre 14,9% das exportações.

Por irônico que possa parecer, verifica-se, mais uma vez, que o principal responsável pela baixa do dólar no câmbio interno é o exportador, que despeja no câmbio interno os dólares faturados lá fora, e não os aplicadores de curto prazo que estariam vindo para cá para especular com juros. E é justamente o exportador quem mais lamenta a valorização do real.

As estatísticas de junho ajudaram a demonstrar de onde provém a pressão sobre o dólar no câmbio interno. O Banco Central passou a ter de comprar cerca de US$ 4 bilhões por mês em moeda estrangeira, apenas para neutralizar o impacto do resultado comercial sobre a cotação do dólar.

Não dá para deixar passar em branco a forte queda das importações nos últimos seis meses. Elas foram 28,9% menores, o que reflete a queda da produção industrial e a baixa renovação dos estoques, que fica evidenciada pela redução de 32,4% na importação de matérias-primas.

Outro dado negativo a registrar é a redução (no semestre) de 13,7% das importações de bens de capital (máquinas), o que demonstra a menor disposição de investir em aumento da capacidade produtiva.

Confira

Foi por aí – Aí está o retrato da alta das commodities a partir de maio, parte das explicações para o bom desempenho das exportações no primeiro semestre. Enquanto a China seguir importando, as exportações ajudarão a afugentar a crise.

18/05/2009 - 14:25h Pauta exportadora do País – só ganhos

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Nathan Blanche* – O Estado SP

O desempenho da balança comercial brasileira nos últimos anos, e mesmo durante a atual crise, deve ser atribuído principalmente aos superávits dos setores de agronegócio e mineração. Diante deste quadro, já há algum tempo surgem críticas e preocupações de alguns analistas, inclusive com destaque na imprensa, sobre a dependência do saldo comercial da exportação desses produtos. Afirma-se que há uma volta ao atraso da década de 1980, quando o Brasil era exportador exclusivo de produtos básicos. O que se pretende mostrar neste artigo é que não é porque o País é exportador de produtos básicos e semielaborados que está fadado a ter baixos crescimento e desenvolvimento.

A afirmação de “volta ao atraso da década de 1980″ é tendenciosa, superficial e carece de qualquer fundamento para o caso brasileiro. Procede a preocupação em relação ao risco para o desempenho das contas externas e para a trajetória de crescimento econômico de países cuja diversificação da pauta é mínima e a produção carece de desenvolvimento tecnológico.

Países com baixa diversificação de sua pauta de exportação ficam à mercê da tendência e da volatilidade dos preços das commodities específicas, o que de fato pode gerar problemas no balanço de pagamentos. Além disso, a carência de desenvolvimento tecnológico e humano que muito se observa em grandes países exportadores de commodities específicas é um claro limitador ao crescimento de longo prazo dessa economia.

Mas não é porque o país é exportador de produto básico que está fadado a ter baixos investimentos, reduzido crescimento econômico e desenvolvimento limitado. Pode-se tomar como exemplo o Chile, cujas contas externas têm forte dependência do preço do cobre, mas o nível de desenvolvimento humano, tecnológico e institucional é elevado, impulsionando o crescimento de longo prazo da economia.

O Brasil, diferentemente do Chile e de outros países produtores de petróleo, possui uma pauta de exportação bastante diversificada, mesmo quando comparado com países desenvolvidos como Canadá, Austrália e Nova Zelândia (ver quadro abaixo, ref. 2007). Essa diversificação protege a economia de enfrentar estrangulamentos no balanço de pagamentos, como ocorre com países que dependem da exportação de poucos produtos.

Nesse contexto é importante destacar que, apesar da forte retração da demanda mundial e do baixo crescimento doméstico decorrentes da crise financeira, o Brasil ainda deve apresentar um saldo comercial superavitário em US$ 21,8 bilhões e ainda ter uma sobra do balanço de pagamentos na casa de US$ 16 bilhões em 2009.

Além disso, a vantagem comparativa e a competitividade da agricultura brasileira resultam de esforços de décadas. O atual nível tecnológico se deve ao desenvolvimento de pesquisas realizadas por instituições como Embrapa, Esalq, Universidade de Viçosa e outros. E é justamente esse nível tecnológico que permite altos ganhos de produtividade, que fazem com que a agricultura seja lucrativa mesmo com os enormes custos advindos dos entraves de infraestrutura, principalmente no que se refere a armazenamento, estradas, ferrovias e portos.

E a variável-chave que tem permitido que essa vantagem comparativa apareça é o câmbio flutuante, um dos três pilares da política econômica – formado em conjunto com responsabilidade fiscal e monetária – que têm permitido a consolidação da estabilidade macroeconômica brasileira. Diferentemente do passado, quando o câmbio era fixo, os agentes podem ser beneficiados pela rentabilidade gerada por suas atividades.

Assim, o Brasil não se encaixa no grupo de países que poderia enfrentar problemas de balanços de pagamentos e menor taxa de crescimento da economia no longo prazo por depender da exportação do agronegócio e da mineração. Ao contrário, o País não voltou ao atraso da década de 1980, mas, sim, deu vários passos em direção a um futuro marcado por taxas mais expressivas de crescimento da economia.

É importante ressaltar que os setores de agronegócio e mineração devem aumentar sua participação no saldo comercial este ano, o que em parte se deve ao fato de sofrerem menos em momentos de crise, uma vez que apresentam uma demanda mais inelástica a alterações na renda. Por exemplo, a participação do saldo do agronegócio no saldo comercial, que atingiu 113,5%, em 2007; 206,7%, em 2008; e deve passar para 230,4% neste ano. Com isso, acaba beneficiando a indústria e os serviços domésticos, pois, mantendo o controle das contas correntes, evita uma depreciação acelerada do real, o que obviamente demandaria aperto de política monetária, inibindo o consumo interno. Além disso, esses dois setores devem apresentar rentabilidade bastante positiva, apesar da queda importante dos preços em dólares dessas commodities. E isso acontece, uma vez que a depreciação do real compensa boa parte da queda de preços em dólares. Esse benefício não existe só para o Brasil, mas para todos os exportadores de commodities, dada a característica de commodity-currency de suas moedas.

Enfim, as críticas não fazem sentido para o caso brasileiro. Além disso, é justamente a exportação de básicos e semielaborados que está garantindo o bom desempenho da balança comercial e, consequentemente, do balanço de pagamentos. O Brasil só tem ganho com essa estrutura de comércio externo. A vantagem comparativa brasileira nesses setores é clara e vai continuar sendo determinante para o desempenho do saldo comercial no futuro.

*Nathan Blanche é sócio diretor da Tendências Consultoria Integrada

11/05/2009 - 11:08h O Oriente chega mais perto

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Ideograma chines: Crise = perigo e oportunidade

Sergio Leo – VALOR

O Brasil sofrerá menos com a crise mundial, em parte por ter diversificado seus mercados de exportação, procurando clientes em todos os recantos do mundo. Em resposta à crise, e em consequência de um poderoso movimento internacional de deslocamento do eixo econômico do globo, o comércio do Brasil volta, porém, a concentrar-se rapidamente. Desta vez, em torno de mercados povoados por consumidores inteligentes de tez amarela e olhos puxados. A rápida ascensão da China como o principal destino das vendas brasileiras ao exterior é só um aspecto da emergência da Ásia como polo dinâmico do comércio mundial.

Nesta semana, quando chegar em Pequim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será pressionado por integrantes do próprio governo a falar de comércio. É a Embraer, que teme perder encomendas de sua filial na China para empresas aeronáuticas, concorrentes chineses puro-sangue. São os exportadores de carne suína e frango, que consideram o empurrão presidencial fundamental para mover as forças do mercado chinês. Lula deve atender às demandas dos empresários, mas quer, também, falar de política.

Segundo um ministro com trânsito livre no gabinete presidencial, Lula quer fazer da visita uma oportunidade de articular com a China uma ação política coordenada em instâncias internacionais, como a reunião dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) em junho, as Nações Unidas e o G-20, reunião das economias mais influentes do mundo. É uma pretensão inteligente, se, com ela, vier uma negociação para atender aos interesses empresariais do Brasil em relação aos mercados asiáticos.

Mesmo os conselheiros de Lula comentam que é circunstancial o primeiro lugar da China entre os importadores brasileiros. Os Estados Unidos, que foram lançados ao segundo lugar entre os mercados para a exportação brasileira, encontram-se em crise, que devem superar no futuro próximo, para voltar ao posto de maior consumidor de produtos brasileiros. Mas a ascensão asiática é impressionante demais para ser mero fenômeno conjuntural.

Em abril, as exportações brasileiras para países asiáticos chegaram a 30% do total de vendas brasileiras ao exterior. A China absorveu 18% do total. Se computado o resultado do quadrimestre, a fatia das exportações brasileiras acolhida pela China chega a quase 13%, e as vendas aos asiáticos representam quase 25% do total. Vale lembrar que, no primeiro quadrimestre de 2008, os Estados Unidos, hoje compradores de apenas 11% das exportações brasileiras, eram 14% do mercado para os brasileiros no exterior. A velocidade com que os chineses e outros asiáticos se tornam destino preferencial das vendas brasileiras é sintomática, porém.

O vigor das vendas aos asiáticos é sintoma de um mal preocupante, a concentração das exportações brasileiras em bens de baixo valor agregado, as chamadas commodities, como minério de ferro, soja e celulose. Mas também indica que os mercados compradores mais dinâmicos estão em outros meridianos, diferentes dos tradicionais.

E é em mercados chamados emergentes que o Brasil encontra onde escoar sua produção. Só na Ásia o desempenho das exportações brasileiras alcança crescimento expressivo (a África é o outro continente para onde o Brasil aumentou exportações, mas em medíocres 5%). O crescimento das vendas aos asiáticos, de 28% de janeiro a abril, se deve prioritariamente à China, mas também a países como Taiwan, Coreia do Sul, Cingapura e Indonésia. Esses países compensaram o desempenho importador do Japão, que, pelo contrário, diminuiu as compras. Os chineses, em 2008, importavam mais de duas vezes e meia o que o Japão comprava do Brasil; agora absorvem quase quatro vezes mais em produtos brasileiros que os japoneses.

Interessado em fortalecer os laços políticos com os chineses, Lula cometerá um grave erro se descurar da agenda econômico-comercial. A Ásia, além de ser grande consumidor de commodities, é um potencial comprador de manufaturados brasileiros, e está cada vez mais perto, em termos de logística: em 2009, como relatou o Valor, deve ser concluída a ligação brasileira com o pacífico, via Peru. Em 2010, será a vez de projetos que passam por Bolívia e Chile, parte do antigo plano IIRSA, de integração da infraestrutura sul-americana. Haveria outra ligação, passando pelo Equador, que foi armazenada na geladeira pelas autoridades brasileiras amuadas com as bravatas nacionalistas do presidente equatoriano Rafael Correa.

A Ásia ganha importância para o mundo e para o Brasil, e, por tabela, tende a mostrar a importância de boas relações do governo brasileiro com os vizinhos andinos, caminho para os portos que levarão mercadorias brasileiras ao Pacífico. Na Agenda China, que o governo elaborou com apoio da CNI e do Conselho Empresarial Brasil-China, foram identificadas oportunidades no mercado chinês para produtos tão variados quanto autopeças, partes de ar condicionado e material elétrico. A aliança política ajuda, nesses casos, mas faz falta, ainda, uma estratégia empresarial consistente.

No Brasil, empresários do setor manufatureiro, ocupados com a sobrevivência, em tarefas comezinhas como a busca de fontes para seu capital de giro, desdenharam da missão empresarial que parte para a China nesta semana. Antenas mais eficientes, como as do governo dos EUA, já perceberam a forte atração gravitacional que o mercado asiático promete exercer no futuro próximo – não é por outro motivo que o Eximbank americano resolveu triplicar o crédito comercial para o Brasil, em plena crise, como relatou Patrícia Campos Mello em “O Estado de S. Paulo” neste fim de semana.

O discurso do setor privado em relação à China ainda é presa dos interesses defensivos, que veem nos chineses uma ameaça à indústria instalada no país. Esses interesses estão fortemente representados na missão empresarial que acompanha Lula à China, nesta semana. Falta, até hoje, porém, uma ação mais vigorosa do governo e do setor privado, capaz de aproveitar a crescente aproximação política com a China para explorar o potencial emergente dos mercados asiáticos.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

28/04/2009 - 11:46h Superávit comercial acumulado é 35,7% maior que em 2008

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Renata Veríssimo – O Estado SP

O superávit da balança comercial acumulado no ano, até a quarta semana de abril, totaliza US$ 5,56 bilhões, 35,7% maior que no mesmo período do ano passado, quando fechou em US$ 4,09 bilhões. O resultado deve-se à retração do comércio mundial, que levou a uma queda nas exportações e nas importações brasileiras. As vendas externas, no período, caíram 17,3% pela média diária, totalizando US$ 40,67 bilhões. Já as importações diminuíram 22,3%, somando US$ 35,11bilhões.

Somente na quarta semana de abril, cujos dados foram divulgados ontem, a balança comercial apresentou exportações de US$ 2,49 bilhões e importações de US$ 1,61 bilhão, produzindo um superávit de US$ 880 milhões. Com isso, as vendas externas somam US$ 9,49 bilhões no acumulado deste mês e as importações, US$ 6,95 bilhões, com superávit de US$ 2,54 bilhões. Em relação a abril do ano passado, a média diária das exportações, de US$ 593,4 milhões, caiu 11,4%. A média das importações, de US$ 434,3 milhões, diminuiu 26%.

Os produtos básicos são os únicos a apresentar expansão nas exportações brasileiras em abril. Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, a média diária das vendas externas de básicos, até a quarta semana deste mês, cresceu 25% em relação à média diária de abril de 2008. Os destaques são as vendas de petróleo em bruto, minério de ferro, algodão em bruto, farelo de soja, carne de frango e soja em grão.

As vendas de manufaturados caíram 29,9% no mesmo período e as exportações de semimanufaturados recuaram 24,8%. Nas importações, houve redução nas compras de adubos e fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, borracha e obras, aeronaves e peças e equipamentos eletroeletrônicos.

24/03/2009 - 12:03h Balança comercial tem superávit em março

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Renata Veríssimo – O Estado SP

A forte retração do comércio mundial tem provocado uma recuperação do superávit da balança comercial brasileira. O saldo comercial este mês, acumulado em três semanas, soma US$ 1,04 bilhão, e já supera o de março de 2008, de US$ 988 milhões.

Depois de começar o ano com um déficit de US$ 524 milhões em janeiro, o superávit acumulado em 2009 totaliza US$ 2,28 bilhões, 1,8% menor que no mesmo período do ano passado. Em 2008, a queda do saldo comercial foi vertiginosa por causa do aumento das importações, que cresciam mais que o dobro das exportações. Houve uma retração de 38,2% em relação ao superávit de 2007.

Neste ano, importações e exportações estão em queda. Mas segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as exportações caíram menos que as importações e este mês somam US$ 7,99 bilhões, queda de 15,5% em relação à média diária de março de 2008. As importações totalizam US$ 6,95 bilhões, retração de 20,3%. Na terceira semana, o Brasil exportou US$ 2,79 bilhões e importou US$ 2,17 bilhões – um superávit de US$ 619 milhões.

03/03/2009 - 09:50h Aumento das exportações em fevereiro e queda das importações: balança comercial tem superávit

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Importação cai e balança fecha mês com superávit

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

A forte queda nas importações levou a balança comercial a um superávit de US$ 1,76 bilhão em fevereiro. De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o mês passado foi marcado pelo aumento das médias diárias das exportações em relação a janeiro, queda acentuada das importações e tendência de maior participação dos países em desenvolvimento – principalmente da Ásia, que saiu de 15,5% (fevereiro de 2008) para 21,5% – nos destinos das exportações brasileiras.

Para Barral, depois de um janeiro muito ruim para a balança comercial, fevereiro foi melhor, apesar do cenário de crise e do menor número de dias úteis. O saldo de US$ 1,76 bilhão é resultado de vendas de US$ 9,58 bilhões e compras de US$ 7,82 bilhões. A comparação com fevereiro de 2008, por meio das médias diárias, revela quedas de 20,9% nas exportações e 30,9% nas importações. Levando em conta os dois primeiros meses do ano, as diminuições são de 21,9% (exportação) e 21,6% (importação).

A desvalorização do real e o menor ritmo de crescimento da economia reduziram as importações. Por outro lado, a crise mundial diminui a demanda por produtos brasileiros. Segundo o governo, a queda das importações em fevereiro também foi marcada pela retração dos preços do petróleo e derivados. Esse movimento foi responsável por uma redução de US$ 461 milhões nas compras do mês em relação a fevereiro de 2008.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirma que os números da balança em fevereiro mostram uma velocidade maior dos impactos da crise. Ele explica que o ritmo de queda das importações (30,9%) era esperado para março. “Atualmente, isso é mais provocado pelo câmbio que pela demanda, mas esses dois efeitos tendem a ter pesos iguais”, diz.

No lado das importações, as médias diárias de fevereiro mostram que todas as categorias de produtos tiveram reduções em relação a fevereiro de 2008. As maiores foram de petróleo (44%), matérias-primas e intermediários (34,3%), bens de capital (16,7%), bens de consumo duráveis (9,9%), automóveis (8,8%) e não duráveis (5,4%).

Na análise da quantidade importada, a queda foi de 42,9% em relação a fevereiro de 2008. A categoria mais afetada foi a de matérias-primas e intermediárias (47,7%). A maior redução, 85,4%, foi no segmento de matérias-primas para agricultura. Combustíveis perderam 40% em quantidade. As demais quedas ocorreram em maquinaria industrial (0,3%), bens de consumo duráveis (7,6%), não duráveis (12,9%), produtos alimentícios primários (41,7%) e produtos minerais (41,2%).

A perspectiva da balança comercial é “turbulenta”, segundo o dirigente da AEB. Para ele, as exportações continuam fracas e os países emergentes vão reduzir importações por falta de divisas. Quanto aos principais parceiros comerciais do Brasil, o cenário previsto por Castro também é desanimador. Em 2009, ele acredita que vai haver déficit com os EUA, pela primeira vez desde 1999, o que revela “a fraqueza da pauta de exportações com o maior mercado do mundo”. O saldo negativo com a China vai permanecer e o superávit com a Argentina vai diminuir.

Barral detalhou os números do comércio com China e EUA em fevereiro. Nas importações, o comércio com os EUA teve, na comparação com o mesmo mês de 2008, aumentos de 3,4% no valor e 6,2% nos preços, mas queda média de 7,1% nas quantidades. As maiores diminuições de quantidade foram em químicos orgânicos (53,4%), plásticos (40%), químicos diversos (32,1%), eletroeletrônicos (14,5%), máquinas e equipamentos (7,2%) e instrumentos óticos (2,2%).

Com relação às importações da China, fevereiro teve, em média, quedas de 12,4% no valor e 37,9% na quantidade, mas aumento de 34,3% nos preços. Os maiores aumentos de quantidade foram para têxteis (80,6%), ferro fundido (11,6%), calçados (9,6%) e químicos orgânicos (4%). As maiores quedas foram para combustíveis minerais (40,5%), máquinas/equipamentos (38,4%), siderúrgicos (28,3%), instrumentos óticos (22,5%), eletroeletrônicos (20%) e automóveis (12,4%).

17/02/2009 - 09:46h Balança comercial brasileira reverte déficit de janeiro

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Renata Veríssimo – O Estado SP

Os números melhores da balança comercial brasileira em fevereiro reverteram o déficit de US$ 524 milhões de janeiro. O superávit acumulado no ano até a segunda semana deste mês é de US$ 172 milhões, resultado de exportações de US$ 14,88 milhões e importações de US$ 14,71 bilhões.

Somente na segunda semana de fevereiro, a balança teve saldo positivo de U$ 225 milhões. As exportações somaram US$ 2,36 bilhões e as importações, US$ 2,14 bilhões, segundo os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento. O superávit em fevereiro é de US$ 696 milhões. As exportações somam neste mês US$ 5,1 bilhões e as importações, US$ 4,4 bilhões.

Apesar da melhora do saldo, exportações e importações continuam a cair ante 2008. A média diária das vendas externas nas duas primeiras semanas de fevereiro caiu 24,3% em relação à média diária de fevereiro de 2008. Nas importações, a retração foi de 30%. A redução nas vendas externas de produtos manufaturados este mês foi de 29,4%, semimanufaturados encolheram 25,2% e produtos básicos caíram 10,9%.

28/02/2008 - 09:06h Dólar a R$ 1,67 reabre debate sobre os efeitos do câmbio na economia

Moeda americana cai pelo 8.º dia seguido e já acumula perda de quase 6% em 2008

Leandro Modé e Vera Dantas – O Estado de São Paulo

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A forte queda do dólar nos últimos dias acirrou novamente o debate sobre os riscos da valorização do real para a economia brasileira. Ontem, a moeda americana perdeu 0,77% e fechou cotada por R$ 1,671, valor mais baixo desde 18 de maio de 1999. Foi a oitava queda seguida. Entre 15 de fevereiro e ontem, a desvalorização é de 4,73%. No ano, chega a 5,86%.

“O que está ocorrendo é muito grave”, disse o ex-ministro da Fazenda e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Luiz Carlos Bresser-Pereira. “A taxa de câmbio é o maior equívoco da economia brasileira hoje. É incompatível com o crescimento de longo prazo do País.”

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola discorda. “Costumamos atribuir as variações da taxa de câmbio a fatores domésticos, mas isso tem de mudar”, disse. “A desvalorização do dólar ocorre no mundo todo e não vejo o que o governo possa fazer no curto prazo para alterar essa tendência.”

A professora da FGV Eliana Cardoso vai pelo mesmo caminho. “Há muita especulação contra o dólar no mundo inteiro”, disse. “O Brasil é especialmente beneficiado porque vive um momento de euforia.” Entre os fatores que ela cita para explicar o otimismo estão o fim do temor de um apagão de energia elétrica já em 2008 e a proposta de reforma tributária do governo que, para ela, “faz sentido”.

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28/02/2008 - 08:53h Contas externas, tudo bem, mesmo?

Rolf Kuntz* – O Estado de São Paulo

Relaxem, têm dito analistas de comércio exterior. O aumento das importações, argumentam, reflete o crescimento econômico e a expansão dos investimentos. Há muita compra de máquinas e equipamentos e isso resultará em maior eficiência. A redução do superávit comercial é um fenômeno saudável, portanto, e não há motivo para preocupação. E ninguém deve perder o sono, acrescentam, por causa do déficit em conta corrente. O buraco, ainda pequeno, é coberto pelo investimento direto e a posição externa do País é sólida. Afinal, com reservas maiores que a dívida, onde pode estar o perigo? Toda essa conversa seria mais tranqüilizante, no entanto, se duas ou três luzinhas, nesse quadro, não piscassem como sinais de alerta.

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26/02/2008 - 08:04h 2007 enfraquece tese da desindustrialização

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Sergio Lamucci – VALOR

O desempenho robusto da indústria em 2007 coloca em xeque a tese de desindustrialização da economia brasileira. Mesmo com a forte valorização do câmbio, o setor cresceu 6% no ano passado – acima do esperado para o conjunto da economia – com destaque para a alta de 19,5% da produção de bens de capital, o que ajuda a explicar a alta projetada de mais de 13% do investimento na construção civil e em máquinas e equipamentos. As estimativas apontam ainda para a continuidade do forte crescimento da produção industrial em janeiro, e as estatísticas já divulgadas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram uma expressiva geração de empregos no segmento no mês passado.

Para alguns analistas, os números sepultam a idéia de que há um processo de desindustrialização em curso, mostrando a vitalidade das empresas do setor. Há quem diga, porém, que uma expansão significativa num ano não invalida a idéia de que a indústria perde importância na economia, com enfraquecimento dos elos produtivos, e que o segmento tende a se especializar em setores produtores de commodities. A forte queda do saldo comercial da indústria seria um sinal preocupante.

O ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman, economista-chefe para a América Latina do ABN Amro, diz que o desempenho de 2007 é sinal inequívoco de que não há processo de desindustrialização no país. “O resultado da produção industrial é clara nesse sentido”, afirma, destacando não apenas a magnitude da expansão como também setores que mostraram maior dinamismo.

Ele nota que, entre os cinco setores com maior expansão, nenhum é produtor de commodities (os segmentos que mais cresceram foram máquinas e equipamentos, veículos automotores, máquinas para escritório e equipamentos de informática, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e outros equipamentos de transporte). Todos eles têm conteúdo tecnológico entre médio e alto, afirma ele. Mesmo com o dólar barato, tiveram um crescimento expressivo. As estimativas apontam para um avanço, em janeiro, de 1% a 1,5% da produção em relação a dezembro, na série livre de influências sazonais.

“Enquanto as lideranças empresariais fazem terrorismo, os empresários trabalham e empregam”, diz ele, destacando o avanço do emprego industrial em 2007. Os números do Caged mostram que em 2007 houve um saldo de 395 mil vagas no segmento, 60% a mais do que no anterior. Em janeiro deste ano o cenário continuou positivo: a indústria de transformação gerou 59 mil postos de trabalho, o grande destaque entre os 143 mil mil novos empregos.

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26/02/2008 - 07:52h Sem riscos

celso_ming1.jpgpor Celso Ming – O Estado de São Paulo

Na semana passada, a balança comercial brasileira apontou o primeiro déficit (importações maiores do que exportações) em uma semana. É um número relativamente pequeno (US$ 81 milhões) que, no entanto, chegou a disparar algumas luzes amarelas, como se alguma coisa de errado estivesse acontecendo nas contas externas, justamente onde a economia vai dando espetáculo.

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, tomou a iniciativa de explicar que se trata de um fato episódico sem capacidade de definir tendência. Desde o terceiro trimestre de 2007, os analistas esperam déficit nas contas correntes que, além do comércio, contabiliza os serviços e as transferências unilaterais. O Banco Central (BC) espera resultado negativo de US$ 3,5 bilhões, enquanto o mercado, auscultado pelo próprio BC (Pesquisa Focus), trabalha com déficit de US$ 7,9 bilhões.

Mas, na balança comercial, a expectativa tanto do BC como do mercado é de superávit mais baixo do que os US$ 40 bilhões registrados em 2007, mas, ainda assim, um forte superávit, de US$ 30 bilhões.

Há alguns anos os críticos da atual política macroeconômica vêm advertindo que a valorização do real conduzirá inexoravelmente ao déficit comercial, porque desestimula exportações, na medida em que deixa o produto brasileiro mais caro em moeda estrangeira, e estimula importações ao baratear em reais o produto estrangeiro.

Não é o que está ocorrendo. As exportações avançam neste ano em ritmo mais forte do que em 2007. Estão crescendo a 22,4% ao ano, tomado este número como medida de crescimento da média por dia útil. No ano passado inteiro, aumentaram 16,6%.

A diferença está em que as importações crescem com ainda maior vigor, nada menos que 51,2% nas primeiras oito semanas do ano, quando comparadas a igual período do ano anterior.

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11/01/2008 - 10:01h Setor têxtil quer modificar acordo feito com chineses

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Rafael Rosas VALOR

As importações de países asiáticos, notadamente a China, continuam trazendo preocupações para o setor têxtil brasileiro. Para este ano, um dos objetivos das indústrias têxteis e de confecções é dar novos moldes ao acordo iniciado com o governo chinês em 2006 e que prevê a limitação do crescimento de importações de oito categorias de têxteis, o que significa teto de avanço anual para 72 produtos. Em 2007, as importações da China representaram 39% de tudo o que foi comprado pelo Brasil em produtos têxteis no exterior.

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11/01/2008 - 09:53h Déficit comercial de têxteis cresce 1.864%

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Importação da China é o principal motivo do resultado ruim em 2007
Clarissa Thomé, RIO O Estado de São Paulo

A indústria têxtil registrou déficit na balança comercial de US$ 648 milhões em 2007 – um crescimento de 1.864% em relação ao ano anterior, quando o saldo negativo ficou em US$ 33 milhões. As exportações cresceram de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,4 bilhões, mas foram em muito superadas pelas importações, que passaram de US$$ 2,1 bilhões para US$ 3 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), na semana de moda outono/inverno carioca, o Fashion Rio, que começou na segunda-feira e amanhã.
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22/08/2007 - 11:10h Mercosul aprova e Brasil deve anunciar elevação de tarifa de calçados e tecidos

Valor

Após quase três meses de negociação, o Brasil conseguiu de todos os sócios do Mercosul a aprovação para aumentar a tarifa externa comum (TEC) do bloco aplicada às importações de calçados, tecidos e confecções. A decisão, a ser formalizada até o início da semana que vem em resolução da comissão de Comércio do Mercosul, vai autorizar os sócios que assim desejarem, a aumentar para 35% as tarifas de importação de calçados e confecções e até 26% as de tecidos.

A decisão deve ser anunciada oficialmente hoje, após visita do ministro da Indústria do Paraguai, José Maria Ibañez, ao ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ibañez vem acompanhado de uma comitiva de altos funcionários e o presidente da União Industrial Paraguaia, Gustavo Volpe. A medida, na prática, cria mais uma distorção no sistema alfandegário comum do Mercosul, já que o aumento da tarifa não será aplicado uniformemente por todos os países. O Uruguai já informou que, por ter adotado recentemente medidas de apoio à indústria têxtil, só deverá acompanhar os sócios no aumento da tarifa sobre calçados.

A decisão provoca polêmica no Brasil, também, onde a indústria de confecções acusa o governo de ter usado os argentinos como escudo para atender a uma reivindicação da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e aumentar a tarifa de importação de tecidos, causando aumento de custos para a indústria de bens acabados. Para sustentar a acusação, lembram que a ata da reunião do Grupo Mercado Comum que registrou a discussão do tema trazia uma tabela de tarifas sugeridas para tecidos de autoria da Abit. Os argentinos, porém, desde maio vinham apontando o aumento nas tarifas dos tecidos como medida necessária para autorizar a elevação da TEC para calçados e confecções. A iniciativa do Brasil foi conseqüência das pressões dos setores afetados pela perda de competitividade causada pela valorização do real frente ao dólar.

O governo brasileiro chegou a anunciar que elevaria as tarifas unilateralmente, caso não conseguisse aprovação dos sócios. Seria a primeira vez em que o Brasil adotaria uma medida isolada para atender a queixas de exportadores. Com a concordância prévia dos sócios, será possível ao governo brasileiro anunciar o respeito às normas do Mercosul, ainda que a norma em questão seja uma autorização para provocar mais uma “perfuração” na tarifa externa que deveria ser comum a todas as alfândegas do bloco.

13/07/2007 - 10:18h COMÉRCIO EXTERIOR: Déficit têxtil já é de US$ 403 milhões

A balança comercial do setor têxtil e de confecções fechou o primeiro semestre com um déficit de US$ 403,5 milhões, num volume quase sete vezes maior do que o resultado negativo de todo o ano passado, que foi de US$ 60 milhões.

Até junho, as importações somaram US$ 1,407 bilhão e as exportações, US$ 1,003 bilhão. Segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o déficit deve se aproximar de US$ 1 bilhão neste ano. “O setor está submetido a condições macroeconômicas extremamente difíceis, como juros altos e carga tributária elevada. Esses problemas estruturais estão sendo maximizados pelo câmbio apreciado, que tem tirado competitividade dos nossos produtos”, avalia o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel. Segundo seus cálculos, o real se valorizou 37% nos últimos três anos frente ao dólar, enquanto o yuan (moeda chinesa) não ultrapassou 8%. Fonte Correio Braziliense.