02/09/2009 - 13:51h BB eleva em R$ 36,7 bilhões a oferta de crédito pré-aprovado

É a terceira vez neste ano que o Banco do Brasil aumenta o limite de empréstimo a clientes

http://www.agenciasindical.com.br/imagens/geral/fachada_banco-do-brasil.jpg

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA – O Estado SP

Pela terceira vez no ano, o Banco do Brasil anunciou ontem ampliação dos limites de empréstimo para clientes. Dessa vez, o crédito pré-aprovado de mais de 1,5 milhão de correntistas foi elevado em R$ 36,7 bilhões. A medida vai beneficiar principalmente pessoas físicas e pequenas e microempresas. Aumentar limites, porém, não significa que o financiamento será tomado rapidamente. Desde maio, quando a instituição começou a ampliar o valor disponível, o BB só emprestou 8,7% do novo limite oferecido.

Alinhado com a política do governo de ampliar empréstimos para manter a economia aquecida, o BB refez cálculos e observou que um grupo de clientes tinha a possibilidade de tomar mais crédito. São correntistas com bom histórico e baixo perfil de risco, diz o vice-presidente de Crédito, Controladoria e Risco Global do BB, Ricardo Flores. Diante da avaliação, o banco decidiu ampliar limites para aproveitar “boas oportunidades de mercado”, como a recuperação da produção industrial e aumento da confiança do consumidor. “Antes que outros concorrentes façam esse mesmo movimento”, disse Flores.

Dos novos recursos oferecidos, R$ 17,8 bilhões serão destinados às pessoas físicas. A maior parcela desse valor, de R$ 12,7 bilhões, será oferecida como limite pré-aprovado para a compra de material de construção com pagamento em até 60 meses. O restante vai aumentar limite no cartão de crédito e financiamento em loja.

Para as micro e pequenas empresas, foram destinados R$ 13,9 bilhões para investimento, como compra de máquinas e veículos. Boa parte desse dinheiro que vai beneficiar 240 mil clientes é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o BB é apenas o intermediário da operação. Também foram ampliados os limites no setor rural para o financiamento do estoque da safrinha e, para 4 mil prefeituras, foi elevada a oferta de recursos para financiar a infraestrutura viária e transporte escolar.

Antes, o BB já havia ampliado o limite de crédito dos clientes em R$ 24,6 bilhões em duas ocasiões desde maio.

Apesar de as famílias e empresas terem acesso a mais empréstimos, os financiamentos ocorrem gradualmente. Desses recursos, apenas R$ 1,4 bilhão foi tomado por pessoas físicas, principalmente em empréstimos consignados. Nas empresas, novos créditos somaram R$ 750 milhões. Do total, apenas 8,73% do limite extra foram transformados em operações financeiras.

Entre as pessoas físicas que já usaram parte desse novo limite, a inadimplência está em apenas 0,21%, segundo Flores. O número foi usado pelo vice-presidente do BB para reafirmar a avaliação de que a estratégia foi bem sucedida porque foi possível ampliar o volume de operações sem agregar grande inadimplência à carteira.

17/08/2009 - 11:43h BB negocia sociedade bilionária

Banco deve reunir seguradoras em duas divisões, em parcerias com a espanhola Mapfre e a americana Principal

 

Adriana Fernandes, BRASÍLIA – O Estado SP

 


Embalado pelo retorno à liderança do ranking das maiores instituições financeiras do País, o Banco do Brasil (BB) vai agora acelerar a reestruturação das suas operações de seguro. O modelo atual é baseado em cinco empresas, com uma intricada participação de sócios, que tem atrapalhado a expansão do banco no setor de seguridade, que promete ser agora a “bola da vez” do mercado, pois está cada vez mais limitada a expansão dos negócios bancários via crescimento do crédito.

O BB contratou o banco de investimentos UBS Pactual para estudar o modelo e apresentar uma proposta de reforma ao conselho diretor do banco. O UBS abriu negociações com os três principais parceiros do BB em seguros: a espanhola Mapfre, a americana Principal e a brasileira SulAmérica.

Depois de seis meses de negociação, segundo fontes do comando do BB, a opção com mais chances de ser fechada,até o momento, é a criação de duas divisões: uma com a Principal (concentrada na área de previdência) e outra com a Mapfre (nos outros nichos, como automóveis e apólices de vida). A operação deve envolver dinheiro novo, com as duas empresas pagando ao BB para ter exclusividade ao acesso à sua gigantesca rede de agências bancárias.

Também foi estudada uma integração do BB com a SulAmérica (parceira do BB nas áreas de seguro veículo e saúde). Nesse arranjo, o BB compraria a participação do banco holandês ING na seguradora e formaria uma empresa com o sócio brasileiro.

Na área de seguros, o BB tem participação na Brasil Saúde, BrasilCap, Aliança do Brasil, BrasilPrev e Brasil Veículos. Uma racionalização do negócio é apontada como essencial agora para consolidar a posição de liderança do banco, reconquistada do Itaú Unibanco. O maior rival é o Bradesco, líder no setor de seguros no Brasil. Santander e Itaú Unibanco também estão se movimentando. “Queremos é dar mais eficiência aos resultados”, disse uma fonte do BB. “Não podemos perder tempo”, acrescentou. Se a associação com a Principal e a Mapfre for confirmada, o BB deve se tornar o maior grupo segurador do País.

A compra da Nossa Caixa, no fim de 2008, tornou a reestruturação da área de seguros do BB urgente. A Nossa Caixa tem outros sócios na área. O maior problema é o com o Mapfre que tem acordo de exclusividade. Apesar de ter comprado o controle da Nossa Caixa, o BB não pode usar os produtos de suas seguradoras BrasilPrev (previdência) e Aliança do Brasil (apólice de vida) nas agências do banco paulista. O Mapfre tem acordo até o ano de 2025. Se não fizer um acordo com os espanhóis, o BB vai ter que desembolsar dinheiro para terminar o contrato de exclusividade.

A compra da Aliança Brasil, em setembro de 2008, marcou o início da reestruturação. O BB comprou a fatia da Companhia de Participações Aliança da Bahia na Aliança do Brasil, que atua nos ramos de seguros de vida e patrimonial, e ficou com 100% do seu capital total.

O presidente do BB, Aldemir Bendine, em entrevista, na semana passada, já antecipou que a reestruturação pode resultar em aumento de capital entre 40% e 50% .

A Caixa Econômica Federal, que tem a Caixa Seguros, também está fazendo movimentos no setor de seguros, informou uma fonte do banco. Uma das opções é se associar a alguma seguradora ou outro banco. A fonte explicou que o negócio é urgente porque a Medida Provisória (MP) 459, que criou o programa Minha Casa, Minha Vida, acaba com a venda casada de seguro habitacional com financiamento imobiliário. A regra vale para bancos públicos e privados. “O interesse é de associar a uma empresa de seguro”, disse um dirigente da Caixa.

O BB NAS SEGURADORAS

49,99 % da BRASIL CAP

49,99% da BRASILPREV

70% da BRASIL VEÍCULOS

49,92% da BRASIL SAÚDE

100% da ALIANÇA DO BRASIL

14/08/2009 - 10:32h Os vexames dos bancões privados

VINICIUS TORRES FREIRE


Banca critica desempenho dos estatais e leva tiro dos fatos, com o balanço do BB; é outro vexame da rica safra de 2009

FAZ PARTE do show petista espinafrar bancos. Mas a banca privada poderia ter dormido sem levar essa carraspana desmoralizante do ministro da Fazenda. Brandindo os números superiores do balanço do Banco do Brasil, Guido Mantega pôde sapatear alegremente sobre as críticas de banqueiros à concorrência estatal. Outro vexame dos bancos privados.
A vexação mais recente não tinha nem uma semana. Os bancos privados haviam feito enorme lobby para gorar o leilão das contas do INSS. Até 2008, o governo pagava mais de R$ 250 milhões aos bancos que faziam os pagamentos do INSS. Em vez de pagar, decidiu vender aos bancos o direito de prestar tal serviço, em leilão. A banca dizia que não iria ao “absurdo” leilão, que o governo pressionava os estatais para que a disputa não fosse um fracasso etc. Bem, houve o tal leilão. E o Bradesco levou um monte de contas do INSS.
Mais vexame da banca privada. Desde o estouro da crise, em outubro de 2008, os bancos estatais foram responsáveis por 83% do aumento do estoque de crédito para o setor privado no Brasil. Os bancos privados estrangeiros, aliás, chegaram a reduzir o total de empréstimos. De janeiro a setembro de 2008, os estatais respondiam por só 38% da variação do crédito. Logo, os estatais evitaram que o crédito desabasse na crise e, assim, recessão feia. Bancos privados e porta-vozes vários diziam que os bancos estatais faziam besteira, emprestando dinheiro que não receberiam. Dado o histórico de rombos e irresponsabilidade dos estatais, era um temor muito razoável. Mas não havia fatos bastantes para avacalhar, de pronto, a iniciativa estatal. Aliás, ainda pode ser que alguns empréstimos estatais desse período miquem. Até agora, os fatos desmentem tal possibilidade.
Roberto Setubal, do Itaú, motivo da ira de Mantega, disse nesta semana que a atitude da concorrência estatal é “insustentável”-em 12 meses, o crescimento da carteira de crédito do BB foi o dobro da alta da carteira do Itaú. Pode bem ser que Setubal, muito bem informado, tenha razão. Mas onde estão os seus fatos? Há mais vexames. Em maio, os números do crédito indicaram que a banca privada voltava a emprestar quase tanto quanto a estatal. Banqueiros diziam que podiam então fazê-lo responsavelmente, pois a economia dava sinais de vida. Bem, os dados de junho mostraram nova retirada dos bancos privados do front de crédito, cujo estoque só cresceu praticamente devido aos estatais.
Outra conversa fiada, outro vexame. Os bancos ainda bateram o pé para não baixar as taxas que cobram para administrar fundos de investimento. Diziam que a fuga dos investidores dos fundos em direção à poupança não era problema dos bancos, mas só dos juros altos da poupança. Os juros tabelados da poupança são decerto um problemão, mas muitas taxas de fundos são de fato extorsivas. Como o governo sentou sobre a solução do caso da poupança, em boa parte por populismo, a banca teve de se mexer e baixar suas taxas. Vexame.
Os bancos de resto foram flagrados pelos fiscais da concorrência aprontando com monopólios nos cartões de crédito. Foi um vexame dentro de casa, pois a banca afinal é amiga do capitalismo. Não é?

vinit@uol.com.br

14/08/2009 - 10:13h BB expande crédito, tem menos calote e lucra R$ 4 bi

O Número 1 em ativos

http://www.claudiohumberto.com.br/Portals/8/2007/08_agosto/BB%203.JPG

Direção do Banco do Brasil festeja volta à liderança do setor financeiro em ativos

Instituição supera Itaú Unibanco em R$ 2,4 bi em ativos, mas seu lucro no 1º semestre aumenta apenas 0,55% em relação a 2008

FABRICIO VIEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O Banco do Brasil comemorou o retorno ao topo do ranking de maior banco do país. Mas, no que se refere a lucro conquistado, ficou atrás de seus concorrentes privados. No primeiro semestre do ano, o BB reportou lucro de R$ 4,014 bilhões, um aumento de apenas 0,55% em relação ao mesmo período de 2008. O Bradesco registrou R$ 4,020 bilhões. E o Itaú Unibanco apresentou lucro de R$ 4,586 bilhões.
“Para nós, é motivo de extrema satisfação, de alegria, voltar à liderança”, afirmou o presidente do BB, Aldemir Bendine.
Encerrado o primeiro semestre, o BB computava ativos totais de R$ 598,8 bilhões, superando os R$ 596,4 bilhões registrados pelo Itaú Unibanco.
O balanço do BB mostrou claramente os reflexos da decisão do governo de utilizar os bancos públicos como instrumento de fomento do crédito.
Enquanto as carteiras dos gigantes privados encolheram entre março e junho, com as instituições temerosas em relação ao crescente risco de calote, o BB registrou expansão relevante, de 4,4%, alcançando R$ 252,5 bilhões. Em 12 meses, o aumento da carteira de crédito chegou a 32,8%.
A expansão da carteira destinada à pessoa física é ainda mais impressionante: 69% desde junho de 2008.
“O BB adotou a estratégia correta ao dar um voto de confiança ao país e trabalhar para o destravamento do crédito”, disse o presidente do BB.
Mais do que a simples continuidade no crescimento do crédito, o BB mostrou recuo na inadimplência, em sentido contrário ao experimentado pelos seus concorrentes.
Os atrasos acima de 90 dias no segmento de pessoa física recuaram de 5,9% em março para 5,7% no fim do segundo trimestre. A média da inadimplência do sistema financeiro nessa categoria ficou em 8,6% no segundo trimestre.

Aproveitar o espaço
“O resultado do BB ilustra a atitude do governo de usar os bancos públicos para ocupar os espaços deixados pelos privados após a crise. O crescimento da carteira do BB foge do ritmo que observamos nos grandes privados. Agora que o BB exerceu essa atividade anticíclica, vamos ver como os privados vão se comportar”, disse Luis Miguel Santacreu, analista da consultoria Austin Rating.
Além de buscar manter a oferta de crédito, o governo federal tem mostrado preocupação com a manutenção do “spread” em níveis elevados. O “spread” se refere à diferença entre os juros que os bancos pagam para captar dinheiro no mercado e a taxa cobrada nos empréstimos que concedem.
No caso do Banco do Brasil, houve pequeno aumento do “spread” à pessoa física entre março e junho, de 20,5% para 21,2%. Na comparação com junho de 2008, quando estava em 23,4%, houve queda expressiva.
Com a continuidade na expansão do crédito e a conjuntura econômica pouco favorável, o BB não teve como escapar de elevar suas provisões para liquidação duvidosa -recursos separados para compensar possíveis calotes futuros. A provisão total subiu 29,9% no ano e alcançou R$ 17,7 bilhões.
No segundo trimestre, o lucro líquido do banco alcançou R$ 2,348 bilhões. Nesse período, eventos extraordinários turbinaram o resultado -como a venda da participação na VisaNet, que gerou R$ 1,4 bilhão.
Segundo estudo da Economática, o BB apareceu como o mais rentável banco da América no primeiro semestre, com rentabilidade média sobre o patrimônio de 12,9%. Na segunda posição, o Bradesco apareceu com 11,2%.
A ação ON do BB subiu 2,37% no pregão da Bolsa de ontem.

13/08/2009 - 09:39h Ação agressiva no crédito devolve a liderança ao BB

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

Expansão na crise leva o Banco do Brasil a passar o Itaú no ranking dos bancos

Fazenda se queixa de declarações do presidente do Itaú sobre expansão dos bancos públicos na crise; lucro do BB cresce 43%

GUILHERME BARROS COLUNISTA DA FOLHA

Nove meses após ter perdido a liderança para o Itaú Unibanco, o Banco do Brasil retomou o posto de maior banco em ativos do Brasil e da América Latina.
Segundo o balanço do segundo trimestre do ano, divulgado na madrugada de hoje, os ativos do Banco do Brasil chegaram a R$ 598,8 bilhões, ante R$ 596,4 bilhões do Itaú Unibanco.
O Banco do Brasil salta da 10ª para a 7ª posição no ranking dos maiores bancos da América Latina e dos EUA, segundo a consultoria Economática. O Bank of America se mantém na liderança, seguido por JPMorgan Chase e Citigroup. O Itaú Unibanco cai de 7º para 8º.
O BB lucrou R$ 4,014 bilhões no primeiro semestre, alta de 0,55% ante o mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, o lucro foi de R$ 2,348 bilhões (+43%).
Segundo a Folha apurou, a atuação agressiva do BB na concessão de crédito durante a crise foi fundamental para a instituição ter recuperado a liderança do ranking bancário, objetivo cobrado por Lula após a perda do posto. Enquanto os bancos privados foram mais cautelosos após o congelamento global do crédito, o BB acelerou a liberação de empréstimos para evitar um contágio maior da crise.
Os números do primeiro semestre divulgados pelos bancos privados mostram claramente essa desaceleração na concessão do crédito. No ano passado, o crédito se expandiu no país a um ritmo de cerca de 30%. Em junho, caiu pela metade em relação ao mesmo mês do ano passado.
Segundo dados da consultoria Austin Rating, com base nos balanços do segundo trimestre de dez bancos privados, o crédito cresceu em média 16,1% em relação a junho de 2008. O Itaú Unibanco, por exemplo, registrou expansão de 15,7% do crédito, e o Bradesco, de 20%. Já em relação a dezembro, o volume dos empréstimos dos bancos privados praticamente não se alterou ou até caiu.
Além da forte aceleração do crédito, os números do BB relativos ao primeiro semestre mostram redução do “spread” (diferença entre os juros pagos pelos bancos ao captar recursos no mercado e a taxa cobrada dos clientes). A equipe econômica pretende usar esses dados para aumentar a pressão sobre os bancos privados para que baixem o “spread”.
Segundo a Folha apurou, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria ficado incomodado com declarações do presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, de que a redução do “spread” nos bancos públicos não seria sustentável.
O debate promete ser acirrado nos próximos dias. Segundo Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, a grande questão é saber se essa atuação agressiva do Banco do Brasil deteriorou ou não a qualidade da sua carteira de crédito, o que só o tempo vai dizer.
De qualquer forma, Rodrigues afirma que a atuação dos bancos públicos, tanto do Banco do Brasil como da Caixa Econômica Federal, foi extremamente importante para a recuperação do crédito no país.
“Os bancos públicos foram fundamentais para a irrigação do crédito na economia”, diz Rodrigues.
O crédito é o principal item na constituição dos ativos dos bancos. Enquanto o ativo do Banco do Brasil tem crescido em ritmo bastante forte na crise, o do Itaú Unibanco fez o caminho inverso. De acordo com a Economática, o ativo do Itaú Unibanco caiu de R$ 633 bilhões em dezembro para R$ 596,4 bilhões em junho.

18/05/2009 - 10:44h “Conservadorismo” afetou lucro do BB


Entrevista: Presidente do banco diz que perda na rentabilidade decorre de “exagero” na restrição ao crédito


Ruy Baron / Valor

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine: “Sempre acreditei que o principal componente do resultado é a intermediação financeira”

 Alex Ribeiro, de Brasília – VALOR

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, afirma que a queda do lucro da instituição no primeiro trimestre é resultado de exagero na restrição de crédito e nas provisões para devedores duvidosos. “Veio um cenário de conservadorismo, consequência da crise”, afirma Bendine, em entrevista ao Valor. “Essa equação não ficou bem equilibrada.”

O lucro do BB no primeiro trimestre foi de R$ 1,655 bilhão, 12,9% menor que o mesmo período de 2008. Bendine pondera que essa cautela era natural, dado o ambiente de incerteza provocado pela crise financeira internacional. Mas diz que, a partir de maio, percebe-se a convergência da inadimplência a patamares mais próximo da normalidade, o que vai permitir que o banco amplie mais o crédito e recomponha a rentabilidade.

Bendine foi nomeado presidente do BB em abril porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava insatisfeito com a resistência do antigo titular do cargo, Antonio Francisco de Lima Neto, em reduzir spreads e ampliar o crédito em meio a um cenário econômico incerto.

A indicação de Bendine foi, no princípio, mal recebida pelo mercado financeiro, que receava ingerências políticas no BB. “Não tenho nem tive nenhum tipo de vinculação ou filiação partidária”, afirma Bendini, na entrevista. A seguir, os principais trechos.

Valor: A sua nomeação para a presidência do BB foi mal recebida pelo mercado. As ações do banco chegaram a cair 11%, embora tenham se recuperado. A que o sr. atribui essa repercussão?

Aldemir Bendine: Discordo que tenha sido mal recebida. Talvez tenha sido mal interpretada num primeiro momento. Nos dois primeiros dias, dada uma série de interpretações, que considero errôneas, houve queda nos preços das ações. A partir do terceiro dia, depois de eu ter feito uma conferência com os analistas de mercado, as ações têm se mantido em constante alta.

Valor: O mercado se preocupava com uma eventual politização do BB. O sr. tem vinculação com o PT?

Bendine: Nenhuma. Sou um funcionário com 30 anos de casa. Tenho uma carreira dentro do banco, com passagem nas mais importantes áreas. Subi os degraus naturalmente. Não tenho nem tive nenhum tipo de vinculação ou filiação partidária, nem agora nem ao longo de minha trajetória. É natural esse tipo de interpretação quando é feita a substituição no comando de uma empresa em que aproximadamente 70% do capital é do governo, em que o decreto de nomeação é do presidente da República. Mas não tenho vinculo partidário.

Valor: Outra preocupação é se o sr. vai se vincular mais aos interesses do governo do que aos dos acionistas, que esperam resultados.

Bendine: O que houve, na verdade, foi uma coincidência de visão e de postura. Sempre acreditei, ao longo de minha história no banco, que o principal componente do resultado é a intermediação financeira. O BB sempre foi um grande especialista em crédito. Para mim, a estratégia natural do banco é a alavancagem do crédito. Isso coincidiu com algumas interpretações (dentro do governo) de que o banco não vinha atuando de forma decisiva no crédito.

Valor: Haverá um compromisso formal de gestão com o governo?

Bendine: Não, não terá. De fato, assumi um compromisso com o ministro (da Fazenda, Guido Mantega), um compromisso moral de conduzir o banco para uma ação mais decisiva, mais pragmática.

Valor: Seria para reduzir os juros e o spread dos empréstimos?

Bendine: Não. Reduzir os juros e o spread é algo que já está dado, que faz parte de um processo econômico, das condições de mercado. Não é um processo exclusivo do BB e não se faz de forma artificial. Mas, ao aproveitar a nossa competitividade, que já existe, porque por tradição o BB pratica as menores taxas de juros do mercado, ao atuar de forma mais agressiva, vamos conquistar espaço, conquistar clientes. O movimento natural de defesa da concorrência é procurar se manter atrativo para manter os seus clientes. Então pode ser que, naturalmente, leve para uma redução do spread mais acelerada.

Valor: Ao mesmo tempo em que o sr. assumiu um compromisso com o governo de destravar o crédito, também assumiu com o acionista minoritário o compromisso de manter a rentabilidade. Como conciliar esses dois objetivos aparentemente conflitantes?

Bendine: Não acho conflitantes, acho convergentes. Quando você tem uma condição de queda do spread dada ao longo do tempo, a única forma para compensar a sua rentabilidade na intermediação financeira é com o aumento do volume de negócios. Há ainda espaço para crescer em áreas onde o banco não tem um volume compatível com o seu tamanho. Temos áreas novas para explorar e trazer resultado, notadamente no financiamento de veículos, financiamento imobiliário, cartões de crédito e, principalmente, seguridade.

Valor: Mas a redução da rentabilidade é um fato concreto. O resultado recorrente passou das casa dos 25% em 2008 para 19% em 2009, o que é o limite inferior da meta para o ano, definida entre 19% e 22%. Haveria espaço para continuar reduzindo o spread?

Bendine: A redução do spread foi dada, aconteceu, mas numa velocidade e num volume superior ao crescimento da carteira de crédito. A carteira de crédito não cresceu na mesma proporção.

Valor: Por quê?

Bendine: Veio um cenário de conservadorismo, consequência da crise. Essa equação não ficou bem equilibrada. A queda de spread não foi proporcional ao crescimento de crédito.

Valor: A restrição do crédito foi uma decisão gerencial equivocada?

Bendine: Era uma tendência natural, dada a crise, quando você tinha um ambiente de incerteza. Considerando que temos para frente um cenário macroeconômico com clareza um pouco maior, em que a gente enxerga que o país não está em uma situação tão agravada como se imaginava no início da crise, a gente vê uma possibilidade de evolução do crédito em uma velocidade muito maior do que a do primeiro trimestre. Notadamente, a partir de maio.

Valor: O resultado também foi afetado pelas provisões. O que houve?

Bendine: Talvez a gente não conseguiu, e isso vale para todo o mercado, e o BB especificamente, lidar com algumas questões que tiveram um impacto muito maior. Teve um leve descolamento da inadimplência, em função de um cenário de incerteza na economia, teve que trabalhar com um cenário de maior provisionamento.

Valor: Mas o que aconteceu com as provisões? A avaliação se mostrou equivocada?

Bendine: Foi um pouco de insegurança do ponto de vista do consumidor, em relação cenário de manutenção de emprego e renda. Mas o BB tradicionalmente tem a menor taxa de inadimplência do mercado e isso foi mantido. Inclusive esse descolamento (alta da taxa de inadimplência) no BB foi menor do que no mercado. O que a gente percebe é que voltou a um patamar mais próximo de normalidade.

Valor: O nível de provisionamento se mostrou exagerado para o cenário que houve mais tarde?

Bendine: Talvez um pouco.

Valor: Isso também teria afetado o resultado?

Bendine: Afetou, na medida em que você faz um provisionamento maior em relação a isso.

Valor: Como avançar no crédito sem abrir mão da segurança na avaliação de risco?

Bendine: Nossa técnica bancária e nossas regras na concessão de crédito estão mantidas e são rígidas. O que a gente vê como oportunidade não é alavancar crédito com empresas que já são tradicionalmente clientes. A gente vê espaço para buscar novos clientes que talvez não estejam tendo um atendimento que eles imaginam necessário para suas atividades.

Valor: O BB entrou no programa do governo “Minha Casa, Minha Vida”, que tem uma ênfase em baixa renda. Isso significa que o BB vai operar no segmento com menor margem sem ainda ter adquirido larga experiência no crédito imobiliário. Não seria uma estratégia perigosa?

Bendine: A gente entrou no crédito imobiliário já no ano passado e vem buscando esse aprendizado. Ao aderir ao programa “Minha Casa, Minha Vida”, não significa que estamos abrindo mão de atuar no segmento de maior renda. Essa política permanece. Naquela faixa de menor renda, não estamos entrando de forma decisiva porque essa é uma exclusividade da Caixa Econômica Federal. Estamos trabalhando no segmento acima de três salários mínimos. Nesse programa há uma oportunidade ímpar para financiar o produtor, a construção, o que é uma bela margem de negócio.

Valor: Outro programa de interesse do governo que o Banco do Brasil entrou é o financiamento de eletrodomésticos da linha branca. Mas é justamente esse segmento, nas estatísticas do Banco Central, que tem apresentado o maior aumento da inadimplência. Os riscos não seriam excessivos?

Bendine: Os bancos atuam normalmente em duas arenas no financiamento direto ao consumidor. Uma é o crédito a clientes do próprio banco, que têm um histórico, um relacionamento anterior. O outro é o financiamento do cliente não correntista, através de uma parceria com uma rede varejista, por exemplo. O histórico, o conhecimento desse cliente, o relacionamento, é um pouco menor do que aquele que é um cliente tradicional seu. No caso específico desse programa no BB, a gente criou uma linha voltada para o nosso correntista. Por isso que nós tivemos condições de colocar uma taxa bastante agressiva, acreditando numa demanda maior que vai existir em função da recente decisão do governo de reduzir o IPI para a linha branca.

Valor: No caso do cliente do BB, a inadimplência é menor?

Bendine: No dados do BC você não consegue separar isso. É natural que a inadimplência entre os não correntistas seja maior do que entre os clientes em que há um relacionamento anterior.

Valor: A compra de metade do Banco Votorantim devolveu a liderança do mercado ao BB, que foi perdida para o Itaú Unibanco?

Bendine: Deve-se tomar cuidado com esse tipo de afirmação. O Votorantim ainda não foi incorporado nos nossos ativos, até porque depende da aprovação do BC. Nas incorporações de bancos, como as recentes operações envolvendo bancos privados, ocorre uma sinergia negativa de ativos. Há uma sinergia positiva nos resultados, tarifas, receitas de serviços, mas nos ativos a sinergia é negativa.

Valor: Como assim?

Bendine: Ela ocorre, por exemplo, na exposição de crédito que os dois bancos têm com uma mesma empresa. O banco A, que é o controlador, já tem esse nível de exposição com a empresa. E verifica-se que o banco B também tem sua própria exposição a essa empresa. Ao trazer essas duas exposições à analise de risco de uma única instituição, a tendência é diminuir o grau de exposição. Então você tem uma tendência de ter uma redução nos ativos.

Valor: Há algum horizonte para o BB retomar a liderança?

Bendine: São duas variáveis: o crescimento orgânico (ampliar as operações do próprio banco) e o inorgânico (fusões e aquisições). O concorrente pode, a qualquer tempo, adquirir uma empresa. Essa é uma variável não controlável. Considerando só o crescimento orgânico, até o próximo ano o BB retoma a liderança.

Valor: O sr. tem repetido que a área de seguridade pode contribuir mais para o resultado do banco. Esta definida a estratégia?

Bendine: Por uma questão de acordo de confidencialidade assinado com parceiros ou interessados, não posso me alongar nessa questão. O que eu posso adiantar é que temos um modelo estabelecido no segmento de seguridade bastante diferente da concorrência, até por algumas características de um banco de sociedade de economia mista. O banco vinha com esse modelo há 15 anos e algumas alterações ocorreram nesse mercado. Por exemplo, a gente trabalha segmentado aqui no banco o ramo de vida do ramo de previdência, coisa que o mercado há muito tempo mostrou ser mais eficiente trabalhar isso no mesmo “business”. O banco tinha “n”, empresas que não estavam debaixo de uma “holding”. Então não havia ganhos de sinergia, havia “n” plataformas em cada uma das empresas.

Valor: O BB vai seguir sozinho na seguridade ou vai continuar com parceiros privados?

Bendine: Não posso falar. Tenho um acordo de confidencialidade e posso ferir compromissos com os meus parceiros se fizer comentários sobre isso.

Valor: As negociações para aquisição do BRB foram suspensas?

Bendine: Não tenho nenhum comunicado formal do governo do Distrito Federal ou do próprio BRB de que as negociações foram interrompidas. Soube de algumas declarações (que indicam a desistência do negócio), mas não tive ainda a oportunidade de estar com o governador. A gente tem uma agenda próxima marcada. Dada a troca de comando no BB e outros fatores extraordinários, talvez tenha tido alguma interrupção no cronograma, mas eu estou confiante que o cronograma siga o ritmo normal.

Valor: E no caso do Banestes?

Bendine: Esta dentro do cronograma, na fase de avaliação pelos dois lados. Ainda não estão concluídas

Valor: No fim do ano passado, o índice de Basiléia do BB caiu bastante, em virtude das aquisições. Esse pode ser um limite para ampliar o volume de crédito?

Bendine: Claro que, dado essas aquisições recentes, que reduzem o índice de Basiléia, isso vem se apertando. Mas a gente tem ainda uma folga que nos permite uma grande alavancagem em 2009. Mas a gente vai ter sim a preocupação de começar uma discussão sobre o patrimônio, sobre a estrutura de capital do banco para que a gente não fique refém de uma impossibilidade de maior alavancagem no próximo ano.

Valor: Quais são as alternativas?

Bendine: Pode ser aumento de capital, retenção de dividendos, divida subordinada e outros instrumentos. No devido momento, a gente vai conversar com o Tesouro Nacional e com a Fazenda para ver a melhor alternativa.

Valor: O BB tinha, antes da crise, um programa de internacionalização, que incluía atuar no varejo nos Estados Unidos. Esse projeto está mantido?

Bendine: Não só está mantido, como estamos fazendo uma revisitação sobre novas oportunidades, dado esse cenário que a gente vivenciou a partir de setembro. Não nos esqueçamos que ele tem também um lado voltado para a presença do brasileiro lá fora. Ainda temos um número expressivo de brasileiros no mercado americano, por volta de 1,5 milhão de pessoas. Então alí tem um nicho importante de alavancagem de negócios.

Valor: E a Visanet?

Bendine: Fizemos um pedido de registro na CVM, e é o máximo que eu posso falar porque estamos em um processo de oferta.

Valor: Vai ter alguma troca na presidência da Nossa Caixa?

Bendine: Eu desconheço.

06/05/2009 - 09:45h Brasileira é a quarta mais admirada

petrobras
Petrobrás passou do vigéssimo para o quarto lugar no ranking mundial das empresas mais admiradas. Lula e Sérgio Gabrielli, presidente da estatal brasileira, podem festejar à vontade
http://www.portaldoservidor.pr.gov.br/arquivos/Image/LulaPreSal.jpg

Do Rio – VALOR

A Petrobras galgou de vigésimo para quarto lugar entre as empresas mais admiradas do mundo entre 200 listadas no ranking do Reputation Institute. A pesquisa, realizada em 32 países, foi divulgada à meia-noite de ontem no site da revista “Forbes”. A primeira colocada foi a italiana Ferrero, da área de alimentação, seguida pela sueca Ikea e a americana Johnson & Johnson.

Este é o quarto ano consecutivo que o levantamento é realizado. Todas as empresas são avaliadas dentro de seu próprio país entre pessoas de todas as classes. Com base nas respostas é calculada uma média de pontos relativos a produtos e serviços, inovação, ambiente de trabalho, governança, cidadania, liderança, desempenho financeiro, entre outros itens.

A brasileira Sadia ficou em quarto lugar, logo após a Petrobras, no ranking mundial apesar dos problemas que vem enfrentando e as dificuldades financeiras criadas por arriscados contratos de derivativos. Segundo uma das responsáveis pela pesquisa, a professora Ana Luisa Almeida, diretora do Reputation Institute do Brasil, mesmo o público tendo conhecimento dos problemas da Sadia a confiabilidade de seus produtos permanece, o que pesou na avaliação.

Outras brasileiras também estão entre as 200 mais bem avaliadas: a Votorantim (20ª), a Vale (28ª), Gerdau (63ª), Usiminas (84ª), Pão de Açúcar (113ª), Banco do Brasil (124ª), CSN (180ª) e Embraer (197ª).

Mas, segundo Ana Luisa, a pesquisa mostra que marcas fortes podem não ser tão bem avaliadas. Entre os exemplos estão a Coca Cola e a Microsoft que receberam a 79ª e 32ª posição respectivamente. “Grandes multinacionais já não tem identidade nacional muito forte, em especial nos Estados Unidos, diferentemente de países emergentes como o Brasil, onde há um uma relação de grande afetividade como, por exemplo, com a estatal Petrobras. (HM)

16/04/2009 - 11:29h Agronegócio terá pacote de ajuda de R$ 10 bilhões

Lula deve anunciar hoje uma linha de financiamento, por meio do Banco do Brasil e do BNDES, que vai beneficiar principalmente os frigoríficos

http://www.capitaldojerico.com/noticias/fotos/1649g.jpg

João Domingos – O Estado SP

O governo federal vai lançar hoje um pacote de ajuda à agroindústria. Por intermédio do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deve ser criada uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para o setor melhorar seu capital de giro.

As taxas de juros serão especiais, muito menor do que as que são oferecidas hoje pelo mercado, informou um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente tem pressa em definir logo as regras para a ajuda à agroindústria, no momento em dificuldades por causa da queda das exportações, causada pela crise global. O setor que mais sentiu o impacto da crise foi o da pecuária. Frigoríficos têm sido fechados seguidamente e outros estão em dificuldades financeiras. As perspectivas são de novas demissões na indústria da carne.

Na correria para resolver os problemas da falta de crédito para a agroindústria, o presidente Lula convocou para hoje à tarde uma reunião com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do Planejamento, Paulo Bernardo, além do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.

De acordo com auxiliares de Lula, o presidente quer anunciar hoje o valor da ajuda ao setor da agroindústria. A proposta a ser levada pelos ministros será de R$ 10 bilhões.

Na semana passada, Lula conversou com Stephanes, Bernardo e Mantega e disse que não via por que não criar logo uma linha de crédito e capital de giro para a agroindústria. “Há mercado interno e externo, e os produtores continuam trabalhando. O que eles precisam é ter acesso a crédito e capital de giro”, disse Lula aos ministros.

Logo em seguida, o presidente disse a eles que queria dentro de uma semana uma solução para o setor. O prazo termina hoje.

Do Rio de Janeiro, onde participou ontem da abertura do Fórum Econômico Mundial na América Latina, Lula tornou a cobrar dos ministros se já tinham a solução para apresentar à agroindústria. Disseram que sim. Só falta definir a taxa de juros dos empréstimos subsidiados.

FRIGORÍFICOS

A situação dos frigoríficos hoje é muito ruim. Muitos precisam mais do que capital de giro. Como a Perdigão anunciou que não comprará os que estão falindo ou se encontram em grandes dificuldades, a solução para o setor da carne ficou mais difícil.

Uma das soluções pensadas para os frigoríficos poderá sair da forma como são tributados. Numa visita à Câmara dos Deputados, ontem, Mantega disse que o governo está estudando uma “mudança na estrutura tributária” dos frigoríficos, com alívio da carga de impostos.

O ministro disse ainda que há uma disputa de interesses entre os grandes e os pequenos, mas o governo encontrará uma forma de contentar a todos.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que não participará da reunião de hoje com o presidente Lula, quer pôr no pacote de ajuda aos frigoríficos medidas relacionadas com a preservação do meio ambiente.

Poderá ser incluída a exigência de que só receberão ajuda os que se comprometerem a não comprar gado criado ilegalmente em áreas de proteção ambiental.

09/04/2009 - 10:43h “Spread” bancários: transparência é um clamor nacional

Clique no artigo do jornal O Globo para ampliar

bb_spread.jpg

09/04/2009 - 10:25h A mudança na presidência do BB não impacta a classificação de risco de crédito da instituição financeira, no entender das três principais agências de rating: a Standard & Poor’s, a Fitch Ratings e a Moody’s Investors Services.

Gustavo Lourenção / Valor

Milena Zaniboni, analista da Standard & Poor’s: De acordo com a analista, o banco vem mantendo as melhores práticas de governança corporativa, é transparente e participa do Novo Mercado, “de forma a preservar o valor aos acionistas”

 

Ratings são mantidos apesar da mudança no BB

Cristiane Perini Lucchesi e Altamiro Silva Júnior, de São Paulo – VALOR

A mudança na presidência do Banco do Brasil não impacta a classificação de risco de crédito da instituição financeira, no entender dos analistas das três principais agências de rating: a Standard & Poor’s, a Fitch Ratings e a Moody’s Investors Services.

“Uma coisa é o discurso do governo e outra coisa é a prática”, afirma Milena Zaniboni, analista da Standard & Poor’s. Segundo ela, mesmo em meio à crise atual, o BB vem adotando posturas semelhantes aos demais bancos comerciais privados. Ela não vê razão para isso mudar agora. De acordo com a analista, o banco vem mantendo as melhores práticas de governança corporativa, é transparente e participa do Novo Mercado, “de forma a preservar o valor aos acionistas”.

Segundo Milena, “o BB é estratégico para o governo e ele socorreria o banco caso fosse necessário, embora eu não acredito que esse venha a ser o caso”. Ela prefere “esperar para ver” os números do banco antes de realizar qualquer tipo de mudança. O rating do BB pela Standard & Poor’s é “BBB-”, a primeira nota do grau de investimento e o mesmo do que o do governo federal.

“O Tesouro não vai querer estragar seu pote de ouro”, concorda Ceres Lisboa, analista da Moody’s Investors Services. Ela lembra que o BB tem contribuído de forma determinante a encher o cofre do Tesouro Nacional, seu principal acionista. No último trimestre do ano passado, por exemplo, a remuneração total do BB aos acionistas, considerando-se os juros sobre capital próprio e dividendos, foi de R$ 1,178 bilhão, equivalente a 40% do lucro.

“O risco de uma ingerência política que desalinhasse o BB seria grande demais para o Tesouro, ainda mais em um momento como o atual”, acredita. Ela vê, no entanto, o risco de maior pressão do governo sobre a direção do banco e de deterioração na sua qualidade de gestão. “O desafio para o governo é como usar as instituições financeiras federais para melhorar a distribuição e o preço do crédito sem no entanto piorar a qualidade dos seus ativos”, afirma. Pela Moody’s, o BB tem nota “A1″ em moeda local, a melhor possível, e “Baa3″ em moeda estrangeira, a primeiro do grau de investimento. O Tesouro Nacional tem notas mais baixas: “Ba1″ em moeda local e estrangeira, o último degrau do investimento especulativo.

Também a Fitch Ratings “vai monitorar de perto os próximos passos do banco, principalmente a concessão de novos empréstimos”, nas palavras de seu diretor-executivo no Brasil, Rafael Guedes. Segundo ele, mais do que olhar o comportamento da carteira total, será a nova safra de crédito que pode indicar mudanças na atuação do banco. “Qualquer mudança que não tenha orientação comercial não será bem-vista”, afirma.

O cenário atual, no qual a qualidade dos ativos dos bancos vem piorando, não é dos mais propícios para interferências que possam comprometer os resultados, acredita ele. “Lucro é absolutamente importante neste momento, dá robustez para enfrentar momentos de maior risco.”

É importante também comparar as práticas do BB com a de seus seus competidores, como Bradesco e Itaú, diz Guedes. Essa análise pode mostrar se o banco público vem praticando juros muito mais baixos ou emprestando volumes muito maiores, fatores que podem indicar interferência na gestão. “Mais do que tudo, o que vai contar são os números.” Por conta de um histórico melhor de resultados que o BB, que começou a melhorar seus números a partir de 2000, Itaú e Bradesco têm, pela Fitch, nota um nível acima da do BB, tanto em moeda externa como local.

Walter Machado de Barros, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), avalia que a intenção do governo é usar o BB para fazer política monetária, baixando juros e expandindo o crédito. “Isso é função do Banco Central”. Para Barros, para forçar uma redução do spread, o governo deveria fazer outras ações, como reduzir impostos cobrados dos bancos.

09/04/2009 - 09:56h Sob nova direção, BB continua a prática de boa governança e de profissionalismo

A maneira em que a substituição do presidente do Banco do Brasil tornou-se pública provavelmente explique a queda no preço das ações do banco, mas rapidamente elas voltarão a uma situação normal. É ao menos o que explica o relatório elaborado pelo Bank of America Merill Lynch e penso que esteja certo.

Os jornais repercutiram temores de “ingerência política” no banco. Estes “temores” não se manifestaram, porém, quando o governador José Serra pediu para o Banco do Brasil comprar Nossa Caixa e ele poder ganhar recursos para melhor alavancar sua ambição presidencial. É quase cômico ver agora a oposição proclamar: “não é bom para o país que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, os dois principais bancos públicos brasileiros, realizem negócios sem licitação com instituições financeiras, empresas do ramo de seguro, previdência e capitalização, como vem acontecendo” (Nota do PSDB, DEM, PPS sobre a troca no BB). Porque não cobraram “licitação” para a venda da Nossa Caixa pelo governador Serra?

Uma parte dos que expressam esses “temores” está entre os que regularmente exigem a ingerência política do presidente Lula para obrigar o Banco Central a abaixar a taxa Selic a um ritmo mais brusco. Recentemente o presidente do PSDB, Sérgio Guerra e o próprio aspirante ao planalto, José Serra, questionaram a própria autonomia operacional do Banco Central. Outros pediram a demissão sumária de Henrique Meirelles. Ninguém falou em ingerência política.

Em fim, quando as autoridades americanas dizem que não hesitarão a intervir e até estatizar os próprios bancos privados, para assegurar o saneamento do setor e evitar uma recessão ainda maior, ninguém viu nada de mais visto os problemas a resolver por lá.

Outro aspecto da troca de comando no BB parece concernir o “spread” praticados pelos bancos, objeto de debate nacional, pois a medida em que a queda da taxa de juros se acelera é o peso desse “spread” que contribui a secar o crédito e a diminuir a liquidez para as empresas. A gritaria -amplamente justificada- contra tamanhas taxas, parecia generalizada. Bastou a mídia apurar que o descontentamento também atingia os bancos públicos e que o governo federal não ficaria passivo perante esta exigência razoável, para os que mais vociferavam falem agora em “ingerência política”.

O Banco do Brasil teve em 2008 um dos maiores lucros do setor bancário (R$8,8 bilhões). Em dezembro, dois meses após a crise internacional bater com força no Brasil, o BB aumentou seus juros enquanto o BC abaixava os seus. Precisamente quando a gritaria contra o BC e os bancos era ensurdecedora e a necessidade de liquidez das empresas era angustiante.

Na capa do jornal VALOR está afirmado: “Na origem da substituição de Antônio Francisco Lima Neto por Aldemir Bendine, até então vic-presidente de Novos Negócios do BB, esteve a resistência do ex-presidente em reduzir os juros nos empréstimos do banco para não comprometer os resultados da instituição.”

Sejamos lógicos, se reduzir o “spread” que os bancos cobram nos empréstimos fosse comprometer seus resultados, então esses “spread” não são escorchantes ou abusivos. Eles estariam na taxa normal, para evitar comprometer os resultados dessas instituições. A FEBRABAN ficará feliz de contar com o apoio entusiasta dos que até pouco diziam ser uma verdadeira pratica de usura as taxas praticadas pelos bancos.

Se ao contrário, a resistência dos bancos em abaixar suas taxas para preservar seus lucros cada vez maiores graças a pouca concorrência no setor e aos juros praticados, deve ser refreada; abaixar os juros dos bancos públicos constitui uma alavanca essencial para introduzir a libre concorrência e o libre mercado no sistema bancário brasileiro.

Mas o Banco do Brasil converteu-se quase no principal álibi dos bancos privados, que alegavam com razão que se o próprio banco administrado pelo governo federal aumenta seu “spread” é porque qualquer redução seria contrária a realidade do mercado. Com a queda da taxa Selic, hoje com o menor juro real dos últimos 20 anos, o álibi dos banqueiros dificilmente se sustenta.

O presidente Lula deu provas sobradas de seu pouco apego a práticas dirigistas e intervencionistas. Seu compromisso com o povo brasileiro é garantia do respeito aos contratos, a boa governança das instituições para-públicas e da autonomia operacional do Banco Central, chave da estabilidade do sistema financeiro brasileiro.

A troca de comando no BB não muda absolutamente nada a estes compromissos fundamentais e permitirá seguramente que o país continue enfrentando os efeitos da crise externa com a força que o mundo inteiro reconhece. Um Brasil no rumo certo.

Luis Favre

22/03/2009 - 11:06h ”A economia não está descendo a ladeira”

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/525/imagens/conselho4.jpg

Roberto Setubal: presidente do Itaú-Unibanco; presidente do maior banco brasileiro afirma que o País evitará a recessão em 2009 e vê indícios de que o pior já passou

 

Leandro Modé e Ricardo Grinbaum O Estado SP

 


Em meio ao terremoto que sacode o mercado financeiro mundial, o sistema bancário brasileiro tem exibido uma solidez que, segundo analistas, evitou que os efeitos da crise aqui fossem ainda mais drásticos. Essa situação privilegiada ante os concorrentes internacionais fez com que bancos brasileiros fossem alvo de rumores sobre potenciais aquisições em outros países nas últimas semanas. Nesse quesito, destaca-se o Itaú-Unibanco. Fruto da maior fusão bancária da história brasileira, a instituição é de longe a primeira do ranking no País, com R$ 632 bilhões em ativos. À frente do conglomerado está Roberto Setubal, que desmente negociações para expansão além das fronteiras nacionais. “A prioridade, neste momento, é fazer a integração do banco”, disse em entrevista ao Estado. Cauteloso, ele não se arrisca a dizer que o pior da crise passou. Em compensação, diz não acreditar em recessão no Brasil este ano. “Vejo crescimento próximo de zero, que já é positivo dada a queda do último trimestre do ano passado.”

O governo prepara um pacote para reduzir o spread bancário. De quem é a responsabilidade pelos spreads altos?

Essa agenda tem de ser pensada tecnicamente. O spread é alto por várias razões. Temos a taxa de juros, os compulsórios e a inadimplência mais elevados do mundo, além de altos impostos na intermediação financeira. Evidentemente, a decorrência disso tudo é termos o maior spread do mundo. Devemos, portanto, atacar cada um desses pontos.

Há uma avaliação no governo de que a competição bancária é baixa no País. Caixa e Banco do Brasil têm sido forçados a reduzir os juros para, com isso, induzir o restante do mercado a fazer o mesmo.

Essa é uma crítica injusta com o sistema financeiro. Se analisarmos os vários setores da economia, diria que o setor bancário é um dos que mais têm competição, se não for aquele onde a competição é maior. De qualquer forma, é possível ampliá-la criando condições mais adequadas, como mais transparência. O governo tem parcela significativa do crédito no Brasil, se levarmos em conta as instituições que controla. Justamente por isso, conhece as dificuldades. Portanto, reduzir o spread não é questão de vontade. Há uma questão técnica que precisa ser equacionada.

Há essa disposição no governo de fazer Caixa e BB reduzirem o juro.

Entendo a intenção do governo de manter uma oferta de crédito grande para reativar a economia. De outro lado, tenho certeza de que ninguém quer criar uma crise bancária, não vai fazer loucura. Muito menos os bancos privados. Em primeiro lugar, temos de zelar pelos recursos dos depositantes. Não devemos, de forma nenhuma, criar uma situação que fragilize essa condição.

O que pensa sobre a remuneração da poupança?

No Brasil, temos uma distorção que já vem de mais de 20 anos: a caderneta de poupança é isenta de impostos e tem um nível de juros básicos relativamente elevados para a economia mundial. Se queremos juros mais baixos, de alguma forma teremos de rever a remuneração da poupança. Há várias possibilidades. Temos de ficar muito atentos para evitar questionamentos jurídicos sobre a mudança. A forma que me parece mais adequada para enfrentar o problema neste primeiro momento seria introduzir o Imposto de Renda nas aplicações de poupança acima de um determinado valor, digamos R$ 100 mil, R$ 200 mil. Se pegarmos esse valor, provavelmente 99% dos poupadores continuarão isentos.

Sempre se disse que, quando os juros caíssem no Brasil, os bancos iam ter problemas.

Temos juros elevados há muitos anos. Sempre disse que, como em qualquer lugar do mundo, os bancos sobrevivem com qualquer nível de juros. O que muda é a dinâmica de resultados, a formação das receitas. Os bancos têm de ser flexíveis para se adaptar a isso. Vejo o Itaú-Unibanco preparado para juros menores.

Qual o cenário do juro para o fim do ano?

Pode chegar a 9% ou menos. No futuro, teremos de sentir como a economia reage, mas creio que está madura para um juro abaixo de 10%.

Vocês veem recessão no Brasil?

Não. Vejo neste ano um crescimento próximo de zero, que já é um número positivo dada a queda do último trimestre do ano passado. Podemos ter crescimento neste primeiro trimestre, o que seria uma surpresa positiva. Alguns indicadores estão reagindo bem, como o consumo de energia. A economia dá sinais de que encontrou um piso. Vários indicadores mostram que a economia não está descendo a ladeira.

O pior já passou?

É possível que sim. Não dá para fazer essa afirmação, mas já há indícios de que talvez tenhamos atingido o fundo do poço.

E lá fora?

É uma situação bem diferente. A crise é muito grave. O que ocorreu no sistema financeiro dos países desenvolvidos foi de uma dimensão inesperada. Levará três, quatro anos para que o PIB de EUA, Europa e Japão retorne aos níveis anteriores. Independente disso, a economia brasileira pode retomar o crescimento em 2010 – 3% é um nível bastante razoável.

O Citigroup e o Bank of America (BofA) vão sobreviver?

Sobreviverão. Claramente, o governo americano está dando todo apoio para que sobrevivam. Pela dimensão que ambos têm no mundo, é importante que esse apoio continue sendo dado.

Como vê a possibilidade de estatização desses bancos?

O fato de o governo americano ter colocado capital dentro desses bancos não significa que a intenção seja administrá-los, que são instituições muito complexas. A intenção do governo é reequilibrar o sistema financeiro e se livrar desse problema. É muito mais apagar um incêndio.

Isso resolve o problema? Há quem diga que pode virar um novo Japão (que demorou anos para resolver problemas e, por isso, enfrentou longa estagnação econômica).

O governo caminha para um caminho e alguns analistas apontam para outros. Vimos, nesta semana, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) injetar mais recursos na economia. Finalmente, estamos vendo propostas e soluções à altura do problema. Podemos estar começando a ver o início do fim da crise financeira, o que significa que o governo conseguirá estabilizar o sistema financeiro. Com isso, podemos ter a expectativa de ver a retomada do crescimento econômico daqui a alguns anos.

Como o sr. avalia uma estatização temporária dos bancos?

Sou pragmático. Não defendo nem ataco. Se essa for a melhor solução, tem de fazer o que é melhor para o país.

Se o Itaú-Unibanco operasse nos EUA, faria as mesmas operações que causaram esses problemas?

Seria muito fácil dizer não e eu sairia bem na fotografia. Dadas as condições do mercado, faríamos alguma coisa. Provavelmente não na intensidade que alguns bancos fizeram. Certamente não teríamos sido agressivos no mercado. Mas, quando se está inserido em um mercado, você não vê os riscos. Então, é muito difícil dizer que sairíamos incólumes. Não é razoável dizer isso.

É difícil ver o concorrente ganhar dinheiro com aquilo e não seguir o mesmo caminho.

Não é só isso. Além das perdas diretas pelo envolvimento na questão do subprime, há as perdas indiretas. Todos os bancos perderam. Nenhum banco tem anunciado crescimento dos resultados. O Itaú-Unibanco seria menos atingido.

Em que momento vocês perceberam que havia uma exuberância irracional lá fora?

Olhando hoje, o mercado em geral, e o próprio Fed, percebia que havia algo errado. O Alan Greenspan (ex-presidente do Fed) falou alguns anos atrás em exuberância irracional. Mais recentemente, apontou para o “conundrum”, um mistério relacionado aos spreads de longo prazo muito baixos. Tudo isso sinalizava que havia problemas. Ninguém sabia exatamente onde, mas havia indícios de que algo estava fora do lugar. Quando começaram a aparecer os problemas com mais gravidade, em 2007, as pessoas foram se dando conta do tamanho. A dimensão que tomou foi totalmente inesperada.

Disse-se que o financiamento de veículos foi o subprime brasileiro.

Não tem nada parecido aqui. No Brasil, vamos assistir a um aumento da inadimplência, mas nada como nos EUA. Estamos mais acostumados a flutuações. Vamos ver um ciclo novo de crescimento da inadimplência. Mas os bancos estão preparados para absorver essa onda. Até porque, no Brasil, não vejo a economia entrando em recessão profunda.

Há um expressivo aumento da inadimplência entre as empresas pequenas e médias, atribuído, em grande medida, à falta de crédito.

Não falta dinheiro. A demanda de crédito sobe quando o PIB está crescendo. Quando cai, ocorre o oposto. Além disso, com mais incerteza, os bancos ficam mais seletivos na concessão de crédito. De qualquer modo, quando olhamos o volume de crédito na economia, há um aumento. O próprio Itaú, no último trimestre (de 2008), aumentou em mais de 6% o volume de crédito ofertado. Neste primeiro trimestre, cresceram nossos empréstimos para pequenas empresas. E é uma época, sazonalmente, mais fraca.

A ideia do governo de comprar participação em bancos pequenos e médios preocupa?

A preocupação do governo é ter a possibilidade, caso algum banco tenha dificuldades insuperáveis, de absorvê-lo por um de seus bancos.

O Itaú-Unibanco já é o maior banco do País. Qual a próxima meta?

Integrar os dois bancos.

E as especulações sobre o mexicano Banamex?

Nossa prioridade, no momento, é fazer a integração do banco. É um mega esforço integrar duas empresas desse tamanho. Estamos muito focados. Essa etapa vem antes de qualquer outra coisa. Não fizemos a fusão para ter o banco maior, mas o mais forte, com mais capacidade até para fazer aquisições fora do Brasil.

Não tem um monte de bancos baratos no mercado hoje?

Banco barato, normalmente, é banco ruim. Queremos banco bom. Não vejo a possibilidade de tomarmos risco para comprar algo incerto. A crise é longa e as oportunidades não vão desaparecer rapidamente.

O Itaú-Unibanco tem cerca de 100 mil funcionários. Muitos estão aflitos com a possibilidade de demissões. O que o sr. diz a eles?

Não vamos fechar agências, vamos até continuar expandindo os negócios em algumas áreas. Pelo natural turnover (rotatividade) da organização, vamos ter condições de fazer as reduções inevitáveis de uma forma natural, no tempo e sem pressão. Evidentemente, isso vai exigir um esforço interno de transferência de funcionários de uma área para a outra, retreinamentos. Estamos dispostos a fazer isso.

Quem é:
Roberto Setubal

É presidente executivo do Itaú-Unibanco, o maior banco brasileiro por ativos

É formado em Engenharia pela Universidade de São Paulo e tem pós-graduação pela
Universidade Stanford

Presidiu o Banco Itaú entre 1994 e novembro passado. Foi treinado durante anos para exercer a função

13/11/2008 - 10:03h Maldades e bondades

CELSO MING – O Estado SP

celso_ming2.jpgA discussão da hora é se o governo deve ou não adotar políticas anticíclicas.

Trata-se de decisões de política econômica contra a paradeira da economia. A idéia é: se tudo vai bem, é melhor aplicar políticas de austeridade para equilibrar as finanças públicas. Se vai mal, é preciso gastar mais para ajudar na recuperação do sistema produtivo.

O Fundo Monetário Internacional, que sempre se bateu pelo rigor fiscal, agora recomenda o aumento das despesas públicas para ajudar a enfrentar a recessão que vem vindo braba.

Aqui essas políticas são mais conhecidas como sacos de maldades ou de bondades. O que se pede agora é que o governo despeje o conteúdo de sacos de bondades. Essas coisas estão chegando mais com propósitos eleitorais do que técnicos. O horizonte das manobras são as eleições presidenciais de 2010. E o quadro de fundo é o de que o presidente Lula não tem candidato vendável ao eleitor enquanto a oposição tem pelo menos dois nomes.

Isso posto, o governo Lula mandou que a Caixa Econômica Federal despejasse R$ 3 bilhões para reforçar o capital de giro das imobiliárias e que o Banco do Brasil (BB) enfiasse outros R$ 4 bilhões no crédito para compra de veículos.

Mas tanto o governador de São Paulo, José Serra, como o de Minas, Aécio Neves, ambos do PSDB, estão empenhados em mostrar serviço em escala nacional. As bondades de Serra prevêem R$ 4 bilhões da Nossa Caixa para financiar veículos.

E aí vai um lance especial de esperteza de Serra, que faz cumprimentos com chapéu alheio. Se o dinheiro é da Nossa Caixa, que será repassada ao BB, fica óbvio que os financiamentos acabarão sendo ativos do BB, com prazo de vencimento superior a dois anos.

O pacote de Aécio é mais modesto, de R$ 470 milhões, a serem distribuídos pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais para ajudar o setor produtivo a enfrentar a crise.

Boa pergunta consiste em saber se a paradeira das vendas da indústria automobilística é devida à falta de financiamento ou a certo esgotamento do mercado. Há boas razões para acreditar que é falta de mercado.

Em 2007, as vendas de automóveis cresceram 28% e, neste ano até outubro, 23%, avanços tão fantásticos como insustentáveis. Na maior parte desse período, os financiamentos foram feitos por mais de 36 meses. No início do ano, chegaram a ultrapassar 90 meses, o que levou o ministro Mantega a anunciar a intenção de intervir para reduzir os prazos. Isso significa que uma larga fatia do mercado parece atendida. O consumidor ainda está pagando seu carro e não pretende voltar tão cedo à concessionária.

Além disso, o estancamento do crédito ocorrido há cerca de um mês não se deveu a problemas nos bancos, como aconteceu no exterior. Apareceu com o estouro das operações com derivativos de câmbio, que lançaram dúvidas sobre a capacidade de pagamento de muitas empresas. Como o problema já está equacionado, o fluxo do crédito começa a ser restabelecido.

Dentro de algumas semanas saberemos até que ponto mais crédito à compra de veículos será suficiente para a retomada da produção. E, se for para combater a recessão que vem vindo aí, convém perguntar se o segmento a ser atendido prioritariamente é o de veículos.

Confira

Erro de foco – Vai ser difícil para o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, livrar-se da pecha de incompetente.

Há menos de um mês, praticamente chantageou o Congresso para que aprovasse o pacote de US$ 750 bilhões, mas ontem reconheceu que o pacote não está funcionando. Ele quer agora mudar o foco e passar a financiar o consumo.

O problema é que as demandas estão aumentando: é o resgate das hipotecas, o socorro à indústria de veículos, a capitalização dos bancos, a recessão fazendo estrago… E o governo Bush com sua credibilidade quase zero.

13/11/2008 - 09:41h BB pode herdar pacote paulista

serra_caricatura2.jpg

Renée Pereira = O Estado SP

O pacote de R$ 4 bilhões anunciado na terça-feira pelo governador de São Paulo, José Serra, deverá parar, em breve, nas mãos do governo federal. O dinheiro será liberado pela estatal estadual Nossa Caixa aos bancos de montadoras para financiar a compra de veículos pelos consumidores. A instituição, no entanto, está perto de ser vendida ao Banco do Brasil, que dias antes havia lançado pacote de ajuda ao setor automobilístico também no valor de R$ 4 bilhões.

Isso significa que, apesar da apresentação feita em São Paulo, com a presença do governador paulista e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a responsabilidade e o risco pela liberação dos recursos poderá ficar por conta do banco federal, cuja carteira de crédito para financiamento dos bancos de montadoras somará R$ 8 bilhões com a aquisição da Nossa Caixa. Hoje o portfólio do Banco do Brasil para financiar veículos é de R$ 5 bilhões.

Procurado, o governo paulista não quis comentar o fato de ter lançado o pacote às vésperas da venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil. Mas argumenta que não pode ficar parado enquanto a crise se agrava e afeta um dos setores mais importantes da economia do Estado.

29/05/2008 - 09:41h Incorporação da Nossa Caixa pelo BB deve render R$ 12 bilhões ao Estado de São Paulo

L'image “http://www.valoronline.com.br/images/edicoes/ed_0002016/imagens/arte29fin-nossa-c8.gif” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O governo José Serra (PSDB) pretende levantar R$ 12 bilhões na operação casada de incorporação da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. Metade deste valor, R$ 6 bilhões, viria do valor esperado pelo Palácio dos Bandeirantes para a venda do banco paulista. O montante corresponde ao dobro do seu patrimônio, avaliado em cerca de R$ 3 bilhões. Os outros R$ 6 bilhões são esperados com o leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), cuja renovação das licenças pelo governo federal de suas usinas geradoras é condição necessária para que a transação entre os bancos ocorra.

O Estado de São Paulo pretende anular a objeção do setor financeiro privado com o negócio realizado entre os dois bancos oficiais judicializando a questão. A expectativa é de que o Supremo Tribunal Federal seja instado a se manifestar sobre o interesse do Estado em comercializar a Nossa Caixa exclusivamente com o Banco do Brasil -por exemplo, pelo PSOL ou pela própria Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Atualmente, há o entendimento pelo Supremo de que os depósitos judiciais só podem ser administrados por bancos oficiais, o que avalizaria o negócio. Uma nova manifestação pode vir a confirmar essa tese. Em caso negativo, o governo paulista chega a trabalhar com a hipótese de negociar separadamente as operações da Nossa Caixa. Seria excluída, por exemplo, a folha de pagamento dos funcionários públicos sobre a qual a Nossa Caixa tem direito. Nessa circunstância, apenas a folha seria aberta a leilão com a participação dos bancos privados.

No entanto, a chance disso ocorrer é remota, na avaliação de dirigentes ligados ao governador. A percepção desses interlocutores de Serra é de que “o Supremo é um tribunal político” e como a transação beneficia tanto o governo federal quanto o estadual, a tendência é de que o Supremo permita que o negócio seja fechado apenas entre os bancos ao qual os dois estão subordinados. Chega-se a fazer a conta do número de ministros do STF que permitiriam a transação: 9, “sete ligados ao Lula mais dois ligados ao Serra”. No caso dessa estratégia falhar, a operação seria abortada. De acordo com um interlocutor do Bandeirantes, “não há hipótese de o Estado vender a Nossa Caixa para os bancos privados”.

Dos R$ 12 bilhões que o Estado pretende levantar na operação, cerca de 90% serão destinados a investimentos em infra-estrutura no Estado até 2010. Os 10% restantes teriam o objetivo de financiar a agência de desenvolvimento paulista, uma espécie de “BNDES paulista”, já anunciada por Serra.

Os investimentos em infra-estrutura, em especial em transportes, além de tentar alavancar a candidatura de Serra à Presidência da República em 2010, também compensariam a indisposição do setor financeiro com o tucano, já que os bilhões irrigariam os cofres de outros setores empresariais, como os empreiteiros. Bancos e empreiteiras são os grandes financiadores de campanha no país.

A previsão é de que em até 120 dias o projeto de lei que autorizará a venda do banco paulista chegue à Assembléia Legislativa, onde deve passar sem maiores problemas. Além de o governo ter maioria na Casa -71 dos 94 deputados são da base aliada de Serra – os próprios petistas admitem que, caso o projeto de lei venha sem a possibilidade de que o banco seja leiloado, que mantenha os direitos dos funcionários e características de “banco social”, não haverá obstáculos. Ontem, o governador paulista classificou de “especulação” a venda casada da Nossa Caixa com a renovação de licenças da Cesp. “Não há nenhuma troca, estamos encaminhando separadamente esses assuntos”, disse.

O Banco do Brasil assinou anteontem um termo de confidencialidade com a Nossa Caixa para iniciar a avaliação do banco. Para o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, a situação da Nossa Caixa já apresentava problemas e caminhava ou para uma venda ou para uma intervenção do Banco Central. Um sinal disso era de que, em 2007, o banco só conseguiu fechar no azul depois da ativação de seus créditos tributários com autorização do Banco Central. De acordo com o presidente do sindicato, Luís Cláudio, a dificuldade veio quando Serra determinou que o banco comprasse por R$ 2 bilhões a folha de pagamento dos funcionários em um momento que o banco investia na expansão de sua rede. Isso fez com que o banco tivesse prejuízo nos terceiro e quarto trimestres de 2007 e precisasse ativar créditos tributários no Banco Central.

28/05/2008 - 08:48h Opinião tucana

Operação casada é de interesse dos dois lados

Renovação de licenças das usinas da Cesp favorece o governo de SP

Christiane Samarco, O Estado de São Paulo

A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) entrou nas negociações para a venda do banco paulista Nossa Caixa ao Banco do Brasil. A estratégia do governador José Serra (PSDB-SP) tem três metas: vender a Nossa Caixa numa operação que não configure uma privatização, manter os bancários como funcionários públicos e ainda arrancar do governo federal a renovação das licenças das usinas geradoras da Cesp. A operação casada interessa ao governo federal porque facilita a política de expansão acelerada do BB via incorporação de bancos estaduais.

Diante de um governo Lula assumidamente antiprivatizações, José Serra, pré-candidato à sucessão em 2010, faria um negócio neste ano de eleições municipais que agradaria a 15 mil funcionários. Segundo um dirigente tucano que acompanha a negociação, o sonho desses bancários é assumir a condição de funcionários do BB sem fazer concurso público. Vendida em leilão e arrematada por um banco privado, a Nossa Caixa seria candidata a um enxugamento imediato de pessoal, isto é, a freqüentar o noticiário das demissões de trabalhadores.

A boa vontade de parte a parte já produziu resultados concretos: o governo federal mudou o discurso que remetia a discussão sobre as licenças das geradoras de energia para 2009 ou para “o futuro governo” – de 2011 em diante, portanto – porque a maioria das licenças vencia em 2015.

Além do início oficial das negociações para a venda da Nossa Caixa, comunicada no dia 21 à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou ao Estado que pretende criar uma comissão, “até a próxima quinzena”, para estudar a renovação, pela segunda vez, das licenças das geradoras, inclusive as da Cesp. Em março passado, o leilão da Cesp foi cancelado porque os possíveis compradores temiam levar uma empresa que podia ficar sem fornecedores de energia.

As hidrelétricas de Jupiá e de Ilha Solteira representam 67% da capacidade geradora da Cesp, e qualquer solução sugerida pela comissão criada pelo ministro de Minas e Energia terá de passar pelo crivo do próprio Lobão e do Planalto. O Estado apurou que nos estudos sobre a renovação das licenças, o governo federal tende a criar uma “cláusula tarifária”, isto é, a estabelecer um teto para o preço do kw/hora, regulando o custo da energia para o consumidor.

“A energia produzida por geradoras que já tiveram os investimentos pagos e repagos não pode entrar no leilão”, explicou uma fonte do governo. A mesma fonte lembra que o papel do governo é atender ao interesse do contribuinte, que já pagou pela usina, mantendo baixo o preço da chamada “energia velha”. A idéia é não permitir que o leilão de privatização pressione o custo dessa energia, uma vez que o investimento está pra lá de amortizado.

VANTAGENS

Na avaliação dos tucanos, o eleitor vai entender a diferença entre vender a Nossa Caixa e privatizar a Cesp. Dizem que, no setor de energia, o próprio governo federal atrai cada vez mais capital privado e, além disso, Serra usaria o dinheiro para anunciar investimentos pesados em infra-estrutura de grande interesse social.

Apesar de ter montado a estratégia da operação casada, Serra terá de administrar a forte pressão dos bancos privados a favor do leilão da Nossa Caixa, capitaneada pela Federação dos Bancos (Febraban). Da mesma forma como o BB, existem grandes bancos privados que incorporaram bancos estaduais – como o Itaú, que comprou o Banco do Estado do Paraná. O BB, por sua vez, está concluindo o processo de incorporação do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). E já negocia ficar com o Banco de Brasília (BRB).

JOGO DE INTERESSES

O que favorece o governo Lula

Garante exclusividade, até 2018, na captação de depósitos judiciais, que somaram R$ 15,3 bilhões em dezembro de 2007

Reforça presença do BB nos 645 municípios paulistas, com 559 agências, 396 postos de atendimento e 1.276 de auto-atendimento

Agrega o serviço de pagamento de mais de 600 mil servidores

Incorpora folha de pagamento de 260 prefeituras, 90 Câmaras Municipais e 67 autarquias

Cria estrutura que pode ser convertida em máquina política no Estado de maior poder aquisitivo

O que favorece o governo Serra

Livra o candidato a candidato à presidência da República em 2010 da pecha de privatista que o PT colou no PSDB

Evita problemas políticos em ano eleitoral, como greves e protestos dos 15.155 funcionários da Nossa Caixa que associam privatização à demissão

Mostra boa vontade para atender ao governo Lula e ganha cacife para negociar a prorrogação da concessão das usinas da Cesp

27/05/2008 - 09:15h Negócios com ações da Nossa Caixa dobram em 2 dias

Movimento financeiro saltou de R$ 8,68 milhões para R$ 15,67 milhões e suscitou as suspeitas da CVM

L'image “http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/Nossa%20Caixa%20dentro%20credito.JPG” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

Renée Pereira – O Estado de São Paulo

O volume financeiro das ações da Nossa Caixa na quarta-feira, antes do anúncio da negociação com o Banco do Brasil (BB), quase dobrou em relação ao de segunda-feira. Segundo levantamento da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-MG), com dados da Economática, os negócios saltaram de R$ 8,68 milhões para R$ 15,67 milhões.

O número de operações subiu de 725 para 994, um salto de 37%. Já o preço das ações da instituição teve alta de 2,83% no período. Na semana anterior ao anúncio, a média era de 583 negócios por dia, com volume negociado inferior a R$ 10 milhões.

Essa forte movimentação suscitou as suspeitas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que decidiu investigar se houve informação privilegiada de alguns investidores, até porque o número de operações não subiu na mesma proporção que o volume financeiro. Ou seja, as operações teriam sido feitas por um número restrito de investidores.

Analistas do mercado financeiro reconhecem que o volume negociado foi claramente estranho. Mas, segundo eles, a movimentação começou a ficar mais forte já na segunda-feira. “Isso pôde ser verificado com clareza porque as ações da Nossa Caixa não têm muita negociação, o que destoou da movimentação diária”, disse um analista que não quis se identificar.

Na sexta-feira, depois do feriado e do anúncio das duas instituições, a negociação com as ações da Nossa Caixa explodiram. Segundo a Apimec-MG, o número de negócios saltou para 4.824 operações e o volume financeiro, para R$ 190,52 milhões, aumento de 565% e 2096%, respectivamente. Nesse dia, as ações ordinárias da instituição tiveram um avanço de 31,52%, para R$ 36,3. No pregão de ontem, os papéis subiram 3%, para R$ 37,39.

Na opinião do presidente da Apimec-MG, Paulo Ângelo Carvalho de Souza, os números mostram claramente uma movimentação fora da normal. Além disso, ele acredita que, mesmo na sexta-feira, depois do anúncio, as negociações de ações da Nossa Caixa deveriam ter sido suspensas pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

A explicação, completa o executivo, é que se trata de um negócio que pode não se realizar. “Esses anúncios precisam ser feitos, mas há de se ter mais cautela para que tais informações sejam passadas com clareza e precisão e após o pregão da Bolsa.” Ele citou também o caso da Agência Nacional do Petróleo (ANP), cujo anúncio de uma grande reserva de petróleo no País causou especulações com papéis da Petrobrás.

LEILÃO OU VENDA

A polêmica em torno da venda da Nossa Caixa também continua entre os bancos privados, que reivindicam a realização de um leilão. Um dos pontos primordiais do processo está relacionado ao fato de que os depósitos judiciais – em torno de R$ 16 bilhões – da Nossa Caixa, um dos grandes atrativos, apenas podem ficar com bancos oficiais. Por isso, o valor do banco seria reduzido se uma instituição privada o comprasse.

Há, porém, pareceres de juristas renomados no mercado, como Adilson Abreu Dallari e Luís Roberto Barroso, que contestam essa tese. Os documentos, a que o Estado teve acesso, mostram que eles consideram inconstitucional a determinação para que o depósito judicial tenha de ficar com banco oficial. Para eles, isso viola os princípios constitucionais de livre iniciativa e livre concorrência.

Além disso, os juristas destacam que a lei diz que os depósitos devem ser feitos “preferencialmente” em bancos oficiais. Ou seja, a escolha da instituição fica a critério do juiz.

26/05/2008 - 10:01h Nossa Caixa pode mudar relação de forças

http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/Nossa%20Caixa%20dentro%20credito.JPG

Maria Christina Carvalho e Silvia Fregoni, de São Paulo – VALOR

Não poder disputar a compra de um banco que pode realmente fazer diferença na briga de mercado é o principal motivo de frustração e crítica dos grandes bancos de varejo à investida do Banco do Brasil (BB) sobre a Nossa Caixa. “A Nossa Caixa tem um grande valor estratégico, ela pode ser um divisor importante na disputa de mercado”, disse um alto executivo de um dos maiores bancos de varejo do mercado. Com ativos totais de R$ 51,4 bilhões, carteira de crédito de R$ 9,7 bilhões, 5,7 milhões de clientes e uma rede de 950 agências e postos de atendimento quase que totalmente concentrada no Estado mais rico da União, São Paulo, a Nossa Caixa pode mesmo mudar a relação de forças do mercado brasileiro, que ficou meio “embolado” após a compra do Real pelo Santander.

Não é por outro motivo que, na sexta-feira, o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, fez coro às críticas que o presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, já havia feito, quinta-feira, ao anúncio de que o BB estava em negociação direta para comprar o controle da Nossa Caixa. Os banqueiros defendem a venda do banco controlado pelo governo paulista em leilão, do qual todos possam participar.

“O leilão traz as coisas às claras, como o preço correto, que seria formado a partir da concorrência entre os interessados. As regras de mercado devem prevalecer, com a realização de uma licitação pública. Seria mais legítimo”, disse Brandão em nota divulgada pelo Bradesco sexta-feira. O Bradesco declarou-se interessado na Nossa Caixa, assim como o Itaú. “O Banco do Brasil é um candidato forte, mas não se pode eliminar o direito à concorrência. Sem dúvida, interessa ao Bradesco participar do processo. Isso é inegável”, disse Brandão na nota.

O vice-presidente de varejo do Unibanco, Márcio Schettini, disse que a instituição teria “muito interesse” em participar de um eventual leilão da Nossa Caixa. Segundo ele, há interesse mesmo diante do fato de que os depósitos judiciais não possam ser transferidos automaticamente para uma instituição privada. O executivo afirmou que o principal ativo da Nossa Caixa é a estrutura de distribuição. “Estimamos que a banco aumentaria em pelo menos 40% a nossa presença no Estado de São Paulo.” Segundo Schettini, a compra da Nossa Caixa casaria perfeitamente com os planos de expansão divulgados pelo Unibanco para este e os próximos anos.

A instituição comandada por Pedro Moreira Salles planeja abrir 120 agências em 2008, mais do que o dobro da média dos últimos anos, que é de 50 unidades. Para 2009, a meta é abrir mais 120. No final do ano passado, o banco tinha 1.270 pontos de atendimento, sendo 980 agências. “O plano de expansão comercial consumirá metade dos investimentos de R$ 600 milhões previstos pelo Unibanco para este ano”, afirmou.

Outro ativo de grande importância na Nossa Caixa, de acordo com ele, é o direito de explorar as contas dos funcionários públicos do Estado. São clientes que possuem poder aquisitivo superior ao da média da população e que têm estabilidade de emprego. Por isso, são potencialmente bons consumidores de produtos bancários. “Imaginávamos que o governo do Estado de São Paulo daria uma solução de mercado à Nossa Caixa, em continuidade ao processo de abertura de capital da companhia”, disse ele, referindo-se à expectativa de realização de um leilão para a venda do banco. A carteira de clientes da Nossa Caixa inclui 1,1 milhão de funcionários públicos da ativa e aposentados do Estado de São Paulo, que estão entre os de maior renda no país.

Os cerca de R$ 12 bilhões de depósitos judiciais na Nossa Caixa também interessam aos bancos: são recursos relativamente estáveis e que custam o mesmo que a poupança, TR mais 6% ao ano. E, ao contrário do que o presidente do BB, Lima Neto, disse, não seriam automaticamente transferidos para um banco público caso a Nossa Caixa fosse adquirida por uma instituição privada.

No processo de privatização, há vários casos de venda de banco públicos para o setor privado com transferência dos depósitos judiciais, ao menos por algum tempo. Foi o que aconteceu com o Banespa. Foram vendidos com os depósitos judiciais os bancos Banerj e Bemge, adquiridos pelo Itaú, e o Baneb e Banco do Estado do Amazonas, que passaram para as mãos do Bradesco. Como lembrou outro executivo de banco, os depósitos judiciais não são os únicos fatores considerados no preço, que leva em conta também a clientela, a sinergia, a rede de distribuição e até o corpo funcional do alvo da compra. Para ele, só um leilão aberto definiria o preço mais justo. O executivo estranhou o fato de ter partido do BB a afirmação de que os depósitos judiciais não ficariam com um comprador privado. “O vendedor está excluindo de antemão potenciais compradores de um ativo que não é dele, é do Poder Judiciário, que define onde quer deixar seus depósitos.”

Não é a primeira vez que os bancos privados e BB se chocam de frente. As folhas de pagamento de funcionários públicos têm sido um dos principais pontos de atrito. No ano passado, o Bradesco venceu licitação para administrar o pagamento dos funcionários públicos de Santa Catarina, mas o BB conseguiu com liminar suspender a licitação. O dinheiro não chegou a ser pago. Outro caso envolveu, novamente, o Bradesco, que venceu licitação para pagamento da conta de salário dos funcionários da prefeitura de Salvador. O BB questionou a licitação e ofereceu preço maior, mas a prefeitura não acatou a reclamação, até porque já havia recebido o pagamento. O BB entrou entrou na Justiça e o Bradesco reagiu na mesma esfera.

24/05/2008 - 12:19h Fazendo caixa: CVM investiga operações com ações da Nossa Caixa antes do anúncio

Volume de negociação na Bolsa de São Paulo subiu 50% na quarta-feira

http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/Nossa%20Caixa%20dentro%20credito.JPG

Felipe Frisch e Juliana Rangel – O GLOBO

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou ontem que está investigando as operações recentes com as ações do Banco do Brasil (BB) e da Nossa Caixa, antes do anúncio do início das negociações do BB pela instituição paulista, na última quarta-feira.

Segundo a autarquia, o foco da investigação será nos papéis da Nossa Caixa.

De uma média de 566 negócios por dia em maio, até o dia 20, os papéis do banco estadual tiveram 662 negócios na terça-feira e 994 na quarta-feira, 50% a mais, segundo dados da Economática.
O fato relevante só foi divulgado após o fim do pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Até então, as ações da Nossa Caixa subiam 8,66% no mês.

Ações da Nossa Caixa chegaram a subir 42% As ações da Nossa Caixa foram o grande destaque ontem na Bovespa, o primeiro dia de negociação após o anúncio feito na quarta-feira. Os papéis abriram em alta de 35,68% e, na máxima do dia, chegaram a subir 42,71%, mas a alta acabou desacelerando: as ações fecharam com ganhos de 31,52%, a R$ 36,30, contra R$ 27,60 na quarta-feira.

Já as ações do BB caíram 2,81%, negociadas a R$ 28,33.

— Está claro para o mercado que a compra será um bom negócio para a Nossa Caixa.

Mas não dá para afirmar o mesmo em relação ao BB, porque não se sabe quanto ele vai pagar, se haverá troca de ações e qual será a relação de troca. Ainda há muitas dúvidas — disse o analista da Coinvalores, Marco Aurélio Barbosa, ao justificar a queda das ações do BB.

A Nossa Caixa lançou ações na Bovespa em outubro de 2005, no Novo Mercado (segmento que reúne empresas com práticas de gestão transparente e de proteção ao acionista minoritário). Os papéis chegaram a alcançar a máxima de R$ 50,71 em novembro de 2006. Em 2008, as ações acumulavam alta de 17,4% até a última quarta-feira.

Retorno sobre patrimônio da Nossa Caixa abaixo do setor Segundo o gerente de análises do Modal Asset, Eduardo Roche, o desempenho dos papéis é decepcionante.

— O retorno das ações sobre patrimônio projetado para este ano era de 6%. A média do setor é acima de 20% no Brasil — compara.

24/05/2008 - 12:09h Fazendo caixa: para Serra venda da Nossa Caixa é para investir

‘Venda financiará obras’, diz Serra

Milton F. da Rocha Filho e Ana Luísa Westphalen – O Estado de São Paulo

Diante da reação dos principais bancos privados do País, pedindo que o banco estadual paulista Nossa Caixa seja vendido em leilão aberto, e não diretamente ao Banco do Brasil, como foi anunciado na noite de quarta-feira, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), interrompeu o repouso em Campos do Jordão para defender, em entrevista, a venda para o banco federal.

Segundo ele, a venda para o Banco do Brasil tem a vantagem de ser mais rentável para o caixa do governo do Estado. Isso porque na Nossa Caixa estão depositados cerca de R$ 16 bilhões em depósitos judiciais que, pela lei, só podem estar em bancos públicos.

“É natural pensar que a proposta do BB será sempre melhor para o Estado de São Paulo, pois implicará trazer mais recursos”, afirmou Serra. “Se a Caixa fosse vendida para bancos privados, os depósitos judiciais não iriam para o banco que a comprasse.”

Segundo o governador, caso a venda se concretize, os recursos serão usados em obras em estradas, no sistema de transporte, em educação, saúde e saneamento. “Vamos procurar fazer aquilo que seja melhor para o Estado de São Paulo, esse é o critério do governo e vamos trabalhar para que nós tenhamos mais recursos para investir.”

Ontem, após o Estado publicar uma declaração do presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, favorável a um leilão que garanta maior transparência na venda da Nossa Caixa, todos os principais bancos saíram em defesa da mesma tese.

O governador explicou que o interesse na compra da Nossa Caixa partiu do Banco do Brasil e o governo concordou em receber a proposta. “Estamos conversando com o Banco do Brasil. Isso depois vai ter que ser examinado pela Assembléia Legislativa. Não é um assunto para resolver hoje ou amanhã.”

Serra disse que não está participando das negociações e não conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a esse respeito. “Toda a conversa foi entre a Secretaria da Fazenda e a direção do Banco do Brasil; eu apenas acompanhei.”

PRÓXIMOS PASSOS

Reunião realizada ontem, em São Paulo, entre o presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco Lima Neto, e o presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, acertou os próximos passos para o acerto do negócio. O primeiro passo será assinar um acordo de confidencialidade das informações da Nossa Caixa, o que deverá ocorrer na terça-feira. Se a conversa for adiante, a etapa seguinte será uma auditoria na Nossa Caixa .

Do lado paulista, quem vai conduzir a negociação será o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo. Ele terá um encontro na segunda-feira com dirigentes da Nossa Caixa. Nas negociações deverão ser usadas informações que estão sendo levantadas pelos bancos Fator e Citi, contratados no início do ano para fazer um estudo sobre as estatais de São Paulo.

Negociação sem licitação é ilegal, dizem juristas

Para Ives Gandra, realização do negócio sem leilão fere artigos da Constituição e da Lei de Licitações

Andrea Vialli – O Estado de São Paulo

A operação de compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, sem a realização de um leilão, é inconstitucional, dizem juristas. De acordo com Ives Gandra Martins, o negócio fere os artigos 173 e 175 da Constituição Federal e também a Lei 8.666, de licitações. “Estou convencido de que um leilão, nesse caso, é imprescindível”, afirmou em entrevista ao Estado.

Segundo o jurista, o fato de o Banco do Brasil ser uma sociedade de economia mista – parte do capital é estatal, outra parte é negociada em bolsa de valores – o torna equivalente a um banco privado, no processo de aquisição. “Caso contrário, fere o artigo 173 da Constituição Federal, que afirma que sociedades de economia mista estão sujeitas às mesmas regras aplicadas às empresas privadas”, diz. “A Lei de Licitações reforça isso: todo bem público a ser vendido deve passar por uma licitação.”

Para Ives Gandra, o negócio é claramente ilegal. “Se a venda for feita, certamente cairá no Judiciário.” Além disso, diz, a não realização de um leilão contraria o artigo 175 da Constituição Federal – que “incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.” Segundo ele, um leilão seria o caminho correto, pois daria transparência à aquisição e asseguraria o melhor preço pela instituição, a exemplo do que ocorreu na privatização do Banespa.

O jurista Marçal Justen Filho, especializado em direito administrativo e licitações, tem a mesma opinião. “A alienação de bens e direitos da administração pública deve ser feita por meio de licitação. E o Banco do Brasil não pode ter benefícios em face de outros bancos privados.” Segundo Justen, a não realização de licitação quando há obrigatoriedade pode ser considerada crime.

Na visão de outros especialistas, no entanto, o negócio pode ser concretizado, mesmo sem leilão. “A aquisição é viável juridicamente, pois trata-se de transferência de ativos dentro da esfera do patrimônio público”, afirma Alessandro Octaviani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Não há alienação do patrimônio público, ou seja, transferência do público para uma empresa privada. O leilão pode ser feito para dar transparência ao processo, mas, nesse caso, não há obrigação legal”, afirma Gilberto Bercovici, professor de direito econômico da Universidade de São Paulo (USP).

SINDICALISTAS

Ontem pela manhã, em reunião com o presidente do Banco do Brasil, Antônio de Lima Neto, lideranças sindicais manifestaram preocupação quanto à preservação de direitos e a possíveis demissões caso o negócio se concretize. O presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Luiz Claudio Marcolino, disse que espera do Banco do Brasil respeito aos contratos vigentes entre a Nossa Caixa e seus funcionários. “Quando ocorreram as privatizações de bancos, na década de 90, o que vimos foi a redução de postos de trabalho e o fechamento de agências em todo o País.”

Para o deputado estadual Davi Zaia (PPS-SP), presidente da Federação dos Bancários de São Paulo, as negociações entre o governo de São Paulo e o Banco do Brasil colaboram para intensificar a concentração do setor financeiro. Mas critica os questionamentos feitos por Bradesco e Itaú. “Existe um processo de concentração, mas não é justo que somente os bancos privados possam participar disso.”
COLABOROU JOSÉ HENRIQUE LOPES

23/05/2008 - 09:53h BB contratará assessoria para avaliar a aquisição

Raio-x das contas permitirá definir preço ofertado

L'image “http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/221/caixa.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

LEONARDO SOUZA – FOLHA DE SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Banco do Brasil vai iniciar oficialmente a avaliação da Nossa Caixa na segunda-feira. Além da análise que será feita pela própria equipe da instituição, o BB vai contratar nos próximos dias uma consultoria externa para esquadrinhar todos os ativos e passivos do banco estadual paulista.

Somente após esse trabalho será possível definir o preço que será oferecido ao governo de São Paulo.

Anteontem, o governador José Serra (PSDB-SP) fez questão de ressaltar que o fechamento do negócio dependerá, sobretudo, do preço que será proposto pelo BB.

Segundo a Folha apurou, a forma de pagamento mais provável será a utilização de recursos próprios do Banco do Brasil, assim como deve ocorrer nas transações de compra do Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), do BEP (Banco do Estado do Piauí) e, possivelmente, também do BRB (Banco de Brasília).

No lado dos ativos, há vários elementos a serem considerados além dos depósitos de correntistas, como créditos tributários a receber e as contas de folhas de pagamentos de funcionários públicos geridas pelo banco. Outro ponto que a direção do BB considera muito importante, por exemplo, são os depósitos judicias administrados pela Nossa Caixa, hoje da ordem de R$ 16 bilhões.

Pela posição do balancete de março, os ativos da Nossa Caixa somavam R$ 51,4 bilhões. Desse total, R$ 9,7 bilhões se referiam a operações de crédito. O banco tem uma clientela de 5,7 milhões de pessoas, entre físicas e jurídicas, distribuídas em 559 agências.

No lado do passivo, o BB precisa levantar as informações de todas as dívidas do banco, sobretudo as trabalhistas.

Em 2007, a Nossa Caixa teve lucro de R$ 303 milhões. O BB apurou ganho de R$ 5 bilhões.

Com 682 agências em São Paulo, o BB é hoje o quarto maior banco por esse critério no Estado mais rico do país, segundo informações do próprio banco federal. Na liderança estão Bradesco, Itaú e Santander.

Com a compra da Nossa Caixa, o BB deve se tornar o maior banco no Estado. Mas, provavelmente, muitas das agências da Nossa Caixa serão fechadas, devido à sobreposição em determinadas localidades em relação às agências do BB.

A direção do banco federal não descarta, contudo, a possibilidade de manter por determinado tempo a bandeira da Nossa Caixa, para só então incorporar completamente as agências do banco paulista à sua rede.

http://www.94fm.com.br/files/images/Banco%20do%20Brasil.jpg

Nova categoria

A compra dos bancos estaduais representará um desafio para a área de recursos humanos e o departamento jurídico do BB. Os funcionários do banco federal são concursados e têm uma série de benefícios.

Segundo a Folha apurou, os empregados dos bancos estaduais que serão incorporados não deverão ter os mesmos direitos dos funcionários de carreira do BB.

Serão considerados empregados do Banco do Brasil, mas como se fossem de uma outra categoria.

Prevalece na direção do banco federal a idéia de manter os mesmos planos de cargos e salários existentes hoje nos bancos estaduais para os futuros funcionários do BB oriundos dessas instituições.

23/05/2008 - 09:44h Analistas estrangeiros vêem risco de BB pagar caro pela Nossa Caixa

Mercado Aberto

GUILHERME BARROS – guilherme.barros@uol.com.br

http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/Nossa%20Caixa%20dentro%20credito.JPG

Os analistas de bancos estrangeiros avaliam que a incorporação da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil será um passo estratégico importante para o banco federal, mas apontam alguns riscos. O maior deles é o de o BB pagar caro demais.

Os bancos estrangeiros trabalharam normalmente ontem, e, por isso, foram feitos os relatórios comentando a notícia da incorporação da Nossa Caixa pelo BB.

O banco de investimento Morgan Stanley, por exemplo, espera que a conclusão da operação demore no mínimo seis meses porque o processo de “due dilligence” -durante o qual será feita uma avaliação pormenorizada da Nossa Caixa- deverá ser longo.

Mas a instituição vê muitas vantagens para o BB na aquisição, como o crescimento da sua rede de agências e as sinergias operacionais, que resultarão em redução de custos.

O Morgan Stanley, no entanto, vê o risco de o BB pagar caro demais pela Nossa Caixa, em parte devido à sua inexperiência em fusões e aquisições.

“As ações da Nossa Caixa são negociadas no mercado, atualmente, a um preço próximo do seu valor patrimonial e não gostaríamos de ver o BB desembolsar mais do que 15% a 20% de prêmio sobre o valor patrimonial.”

Por isso, o Morgan Stanley prevê que o mercado reagirá negativamente à notícia, movimento que só será revertido quando as condições concretas do negócio forem conhecidas.

Já o Deutsche Bank afirma que a incorporação é positiva para o Banco do Brasil, mas negativa para o Bradesco, o Itaú e o Unibanco, já que a competição bancária deve aumentar, principalmente em São Paulo.
O banco alemão afirma que o fracasso recente da privatização da Cesp pode ter acelerado o processo de negociação.

“Os fatores políticos devem impedir que a transação seja concluída a médio prazo. Como o Banco do Brasil tem 65% de participação do governo federal, do PT, e a Nossa Caixa tem 71% do governo estadual, do PSDB, nós acreditamos que o fracasso recente da privatização da Cesp pode acelerar a negociação”, diz o banco alemão.

O Deutsche Bank afirma também que a Nossa Caixa é um alvo atraente para uma instituição pública federal, mas não necessariamente para os bancos privados, já que a quantidade de depósitos judiciais- cerca de R$ 16 bilhões- no banco paulista é muito grande.

Para o UBS Pactual, a incorporação da Nossa Caixa é um passo importante para a estratégia de crescimento do BB por meio de aquisições. O UBS prevê, porém, que o anúncio do BB poderá motivar uma reação dos bancos privados, interessados na realização de um leilão.

A instituição diz que, como a Nossa Caixa está atrás de outros bancos em termos de eficiência, a integração com o banco federal será desafiadora.

O Citigroup lamentou que o anúncio tenha sido feito no início da noite, em uma véspera de feriado, e que o mercado tenha que esperar até a próxima semana para ter mais informações sobre o negócio.

PLANO DE AÇÃO

O presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, irá se reunir hoje, em São Paulo, com os administradores do banco da região para explicar a estratégia da instituição ao iniciar as negociações para incorporar a Nossa Caixa. Lima Neto vai dizer que o banco pretende reforçar suas operações em São Paulo, com a incorporação da Nossa Caixa, para atingir a liderança no Estado. Hoje, o Santander/ABN Amro, o Bradesco e o Itaú estão à frente do Banco do Brasil em São Paulo.

Outra ênfase será no mercado imobiliário. Para Lima Neto, o BB ficou muito tempo sem poder crescer por não ter participado dos processos de privatização dos bancos.

23/05/2008 - 09:34h Nossa Caixa: venda do banco pode render até R$ 6 bilhões

L'image “http://www.netmatrix.com.br/arquivos_bancos/nossa%20caixa.JPG” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

Fernando Travaglini, Adriana Cotias, Daniele Camba e Angelo Pavini – VALOR

As últimas negociações entre bancos brasileiros tiveram preços que variaram entre duas a três vezes o valor do patrimônio líquido (PL). O PL da Nossa Caixa encerrou o primeiro trimestre do ano em R$ 2,867 bilhões. Como o governo do Estado de São Paulo detém 71% das ações, a venda para o Banco do Brasil poderia variar entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões.

Segundo Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, baseado nas últimas negociações tem-se uma métrica de valorização dos bancos brasileiros. “Tudo o que se negocia está entre 2,5 e três vezes o valor patrimonial”.

Hoje, a Nossa Caixa é negociada em bolsa por valor equivalente a uma vez o valor patrimonial, R$ 2,954 bilhões. Em relatório, o banco Goldman Sachs afirma que o preço corrente de mercado reflete de forma acurada o valor da companhia.

O banco pondera, no entanto, que a Nossa Caixa vale mais para o BB do que o valor de mercado. “A fusão poderia criar significativas sinergias em receita e custos e poderia dar ao BB forte presença em um Estado chave (São Paulo)”, diz o texto.

Além da presença fortalecida em São Paulo, Rodrigues destaca que há interesse nos mais de 800 mil funcionários públicos da carteira da Nossa Caixa e nos depósitos judiciais, que somam R$ 14,9 bilhões. “Essa é uma captação barata e com custo estável”.

Para o chefe de análise de um banco estrangeiro, a notícia é positiva para os dois bancos. A dúvida, segundo ele, é por que a Nossa Caixa será incorporada pelo BB em vez de ir a leilão, exatamente como ocorreu com o Banespa. “Se fosse um leilão, o banco poderia ser vendido por um preço maior, o que significaria mais dinheiro no bolso dos acionistas”, diz o executivo. Para ele, a explicação é puramente política: com a mão direita o governo federal emperra o leilão de privatização da Cesp e com a esquerda engorda o cofre de São Paulo, incorporando a Nossa Caixa.

Se a transação for concretizada pelo valor econômico, a Nossa Caixa tende a ter a sua franquia valorizada, pois será integrada a um banco mais competitivo, diz o chefe de análise da Bradesco Corretora, Carlos Firetti. Para o governo do Estado de São Paulo, o negócio pode representar um atalho à venda do controle da instituição via mercado, como já cogitado, num período menos favorável, o pré-eleitoral.

André Segadilha, chefe de análise da Prosper Corretora, acha uma ótima notícia para a Nossa Caixa, que vinha tentando recuperar o preço das suas ações e especialmente melhorar sua eficiência, e o BB pode dar uma grande ajuda. Para o BB, também é bom, pois traz mais agências em um nicho de crédito no maior Estado do país.

O processo não deve prejudicar Bradesco e Itaú, completa Segadilha. Segundo ele, vai haver um aumento da competição em São Paulo, mas isso será bom, pois deve incentivar os outros bancos a crescer. Ele afirma ainda que não se pode dizer que o processo de consolidação do setor bancário acabou. Há quatro anos, Bradesco, Itaú e Santander fizerem movimentos comprando instituições para se consolidar. Já o BB demorou para tomar uma atitude para se fortalecer.

Não é surpresa que o BB faça uma movimentação no sentido de adquirir mais um banco estadual, mas o que causa certa perplexidade é que o alvo seja o Nossa Caixa, diz a chefe de análise da Ativa Corretora, Mônica Araujo. Ela desconfia que a movimentação das ações na quarta-feira, com queda acentuada para BB ON (-3,15%) e alta para Nossa Caixa ON (+0,69%) tenha relação com a notícia – só oficializada após o fechamento do mercado.

23/05/2008 - 09:18h Os motivos declarados por Serra para vender Nossa Caixa ao Banco do Brasil

Serra quer investir mais com venda da Nossa Caixa

http://www.wsites.com.br/upload/noticias/18ee3bf3bcf71b49bb302b5af3d82ee2.gifserra_presidenc.jpgL'image “http://www.metalnet.com.br/imagens/guia/Nossa%20Caixa.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

Raymundo Costa e César Felício, de Brasília e São Paulo – VALOR

O governador José Serra quer mais dinheiro para investir em São Paulo com a transferência do controle acionário da Nossa Caixa ao Banco do Brasil (BB). “As contas estão arrumadas, mas não há dinheiro suficiente para investimento”, disse Serra a interlocutores depois que foi anunciada, quarta-feira última, a abertura das negociações .

Ao falar das necessidades de investimento para São Paulo, Serra costuma dizer que “só o programa do metrô e CPTM (240 quilômetros de trilhos que o governo estadual está transformando em metrô de superfície)” prevê recursos de R$ 17 bilhões, até 2011. Isso além do Rodoanel – após a conclusão do trecho Leste, Serra promete começar imediatamente o trecho Sul.

“Metade do Estado está engarrafado”, costuma argumentar José Serra, quando se refere aos programas estaduais que precisa tocar na área de transporte. Além do eventual dinheiro da transferência do controle da Nossa Caixa, Serra em junho também assinará acordos de financiamento com organismos internacionais como BID, Banco Mundial e JBIC (banco japonês para cooperação internacional).

Nas conversas com assessores, José Serra prevê que as negociações com o Banco do Brasil serão demoradas, pois tudo terá de ser pactuado, e será discutido qual o melhor valor que ela tem (a Nossa Caixa não será vendida pelo valor em bolsa). “Se não valer a pena, não vende”, advertia ontem o governador a amigos, enquanto brincava com o neto.

Em 2006, o governo de São Paulo suspendeu a alienação de 20% das ações da Nossa Caixa, programada no governo de Geraldo Alckmin para ser executada por seu sucessor, Claudio Lembo. Serra pediu e Lembo suspendeu a operação. Na época, Serra comentou que, da forma como fora configurada, a venda seria feita a “preço de banana”.

Nos dias seguintes à suspensão da operação, como as ações da Nossa Caixa subiram 10%, Serra concluiu que foram confirmadas suas previsões. Os tucanos ligados a Serra também não concordavam com o argumento segundo o qual a venda era necessária para fechar o Orçamento estadual, como foi então divulgado à época.

Alckmin havia projetado para o ano de 2006 um valor recorde de investimentos no Estado, da ordem de R$ 9 bilhões, e a alienação era essencial para o cumprimento das ordens de serviço. Ao decidir suspender a operação de venda da Nossa Caixa, Lembo não comunicou previamente os então secretários de Fazenda e Planejamento do Estado, Luiz Tacca e Fernando Braga, pessoas de confiança de Alckmin. Para impedir que um rombo se formasse nas contas do Estado, Tacca e Braga planejaram campanhas de arrecadação, em troca da anistia de débitos, além da suspensão de investimentos ainda não empenhados. As manobras foram bem-sucedidas e não houve déficit.

A Nossa Caixa voltou à mesa de negociação quando o secretário da Fazenda de São Paulo foi procurado pelo Banco do Brasil. Quem informou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da negociação em curso foi o BB. Até o anúncio do “fato relevante”, na quarta-feira, Serra acompanhou o desenrolar das conversas, que autorizou.

O governador recusa qualquer interpretação política da negociação. Avalia que são coisas complementares: o Banco do Brasil tem interesse no negócio para ampliar a distância que o separa dos outros grandes bancos e entrar num mercado – o de São Paulo, o maior do país -, do qual detém apenas a quarta posição. Ou seja, o BB ganha poder maior de competição no Estado.

A Nossa Caixa, por outro lado, havia acusado o golpe de sentenças judiciais determinando o pagamento de correções de antigos planos econômicos, o que levou a uma queda no valor de suas ações. Ela também comprara a folha de pagamentos do governo por R$ 2 bilhões (folha que dividira com o Santander e que, antes de Serra, geria sozinha e de graça), o que não deixa de constituir um peso.

Serra poderia simplesmente privatizar a Nossa Caixa, como fez com a venda da folha de pagamentos da prefeitura da capital, arrematada pelo Itaú por cerca de R$ 500 milhões. Isso, no entanto, jogaria para baixo o valor do banco, porque o melhor produto da Nossa Caixa são os depósitos judiciais, que somam R$ 12 bilhões, e por determinação constitucional devem ser feito em banco oficial.

Ou seja, no caso de privatização da Nossa Caixa, os R$ 12 bilhões de depósitos judiciais teriam de ser transferidos para o próprio Banco do Brasil ou para a Caixa Econômica Federal (CEF). A transferência do controle – Serra lembra, com freqüência – requer aprovação da Assembléia Legislativa, assim como ocorreria também no caso de privatização. No plano administrativo, precisaria ser avalizada pelo Banco Central .

A proposta do Banco do Brasil surpreendeu o PT paulista, que tentará se reunir hoje para discutir o tema. “Sabíamos da ênfase privatizante do governo Serra desde que ele determinou a modelagem para a venda de todas as empresas controladas pelo Estado. Mas achávamos que a Cesp e talvez a Sabesp fossem a bola da vez. O que não podíamos esperar era o interesse do BB em fazer esta aquisição”, comentou o vice-líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Simão Pedro.

Segundo o deputado, nesta sexta o presidente estadual da sigla, o prefeito de Araraquara Edinho Silva, tentará reunir-se com a bancada do PT na Assembléia “para tentar compreender o significado disso”. Os petistas se preocupam com o grau da aproximação entre o governador e o Palácio do Planalto.

A negociação ata as mãos do PT em relação ao tema, já que atacar a incorporação significaria contrapor-se ao Banco do Brasil e, por tabela, ao Ministério da Fazenda. Mas os integrantes do partido apostam que a fusão necessariamente acarretará demissões, dado a superposição de estruturas, o que deve mobilizar o Sindicato dos Bancários e a CUT contra o BB.

21/05/2008 - 20:08h Banco do Brasil negocia a compra da Nossa Caixa

http://www.wsites.com.br/upload/noticias/18ee3bf3bcf71b49bb302b5af3d82ee2.gifL'image “http://www.metalnet.com.br/imagens/guia/Nossa%20Caixa.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

da Folha Online

O Banco do Brasil anunciou nesta quarta-feira que está em tratativas para adquirir a Nossa Caixa –banco controlado pelo governo paulista.

“O Banco do Brasil S.A. propôs, e o Governo do Estado de São Paulo aceitou, iniciar tratativas sem nenhum efeito vinculante, visando à incorporação do Banco Nossa Caixa S.A. pelo primeiro, observadas a regulamentação vigente e as condições inerentes às operações dessa natureza, notadamente a obtenção de prévia autorização legislativa no âmbito estadual”, informou o comunicado do BB enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Os bancos não divulgaram há quanto tempo a negociação está em andamento e nem por quanto o negócio se concretizaria.

Com a eventual compra da Nossa Caixa, o Banco do Brasil poderia ganhar um pouco mais de folga na liderança do setor bancário local, onde já sentia a proximidade dos gigantes privados Itaú e Bradesco.

Segundo dados do Banco Central relativos a dezembro do ano passado, o BB possui ativos totais de R$ 357,75 bilhões. Passaria a ter cerca de R$ 405,2 bilhões com a aquisição.

A Nossa Caixa é o 12º maior banco do país, com ativos totais de R$ 47,44 bilhões. Sua principal atuação é junto a servidores públicos paulistas. No início do ano passado, o banco comprou a folha de pagamento dos servidores estaduais por R$ 2 bilhões.

Além da Nossa Caixa, o Banco do Brasil ainda está próximo de fechar a aquisição de mais três bancos públicos estaduais: o Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), o BRB (Banco de Brasília) e o BEP (Banco do Estado do Piauí), sendo que o primeiro e o último já estão sob administração federal. Foi a maneira que o BB achou para ganhar escala diante da consolidação do setor.