24/02/2009 - 11:07h O sistema bancário no limiar do colapso

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Paul Krugman* – O Estado SP

http://img.wonkette.com/wp-content/uploads/2008/06/krugman1.jpgO camarada Greenspan deseja que nos apoderemos do alto comando econômico. Tudo bem, não é exatamente isso o que está acontecendo. O que Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (o BC americano) – e aguerrido defensor do livre mercado – disse foi: “Pode ser necessária a estatização temporária de alguns bancos para facilitar uma rápida e ordenada reestruturação do sistema”. Eu concordo.

Os defensores da estatização levam em consideração três observações. Em primeiro lugar, alguns grandes bancos estão perigosamente perto do abismo – na verdade, já teriam falido se os investidores não esperassem um resgate governamental caso surgisse a necessidade. Em segundo, os bancos precisam de resgate. O colapso do Lehman Brothers quase destruiu o sistema financeiro mundial, e não podemos correr o risco de deixar que instituições muito maiores, como o Citigroup, implodam. Em terceiro lugar, embora os bancos precisem de resgate, o governo dos EUA não pode bancar, tanto fiscal quanto politicamente, a distribuição de imensos presentes entre os acionistas.

Sejamos concretos. Há uma chance considerável – não é uma certeza – de que o Citi e o Bank of America (BofA), juntos, percam centenas de bilhões de dólares nos próximos anos. E o capital deles, o excedente dos seus ativos em relação aos passivos, está muito aquém de poder cobrir essas perdas em potencial.

O único motivo pelo qual essas instituições ainda não faliram é a atuação do governo, que age como anteparo, garantindo implicitamente suas obrigações. Mas se trata de bancos zumbis, incapazes de proporcionar o crédito do qual a economia necessita.

Para pôr um fim a esse estado de morte em vida, os bancos precisam de mais capital. Mas esse não pode ser obtido com os investidores privados. Assim, o governo precisa fornecer os fundos necessários.

Mas é aí que está o problema: os fundos necessários para devolver esses bancos à vida excedem em muito o valor dos mesmos. Citi e BofA têm juntos um valor de mercado inferior a US$ 30 bilhões, e mesmo esse valor tem por base a esperança de que os acionistas recebam parte da oferta do governo. Se o governo vai entrar com todo o dinheiro, deveria ficar com a propriedade dos bancos. Ainda assim, a estatização é antiamericana? Não, é tão americana quanto a torta de maçã.

Ultimamente, a Sociedade Federal de Seguro de Depósito (FDIC, em inglês) assumiu o controle de bancos considerados insolventes num ritmo de dois por semana, aproximadamente. Quando a FDIC assume o controle de um banco, incorpora os ativos ruins, paga parte da sua dívida e revende a instituição limpa para investidores particulares. É exatamente isso que os defensores da estatização temporária querem que ocorra, não apenas com os pequenos bancos, mas também com os grandes.

A verdadeira pergunta é: por que a administração Obama insiste em fazer propostas que soam como alternativas à estatização, mas envolvem imensas distribuições de dinheiro para os acionistas dos bancos? Por exemplo, inicialmente, a administração surgiu com a ideia de oferecer aos bancos garantias contra as perdas relacionadas aos ativos problemáticos. Seria ótimo negócio para os acionistas, mas nem tanto para o resto de nós.

Agora a administração fala em “parceria público-privada” para comprar os ativos problemáticos, com o governo emprestando dinheiro aos investidores privados para tal propósito. Para os investidores, seria uma aposta vencedora. Novamente, eles ganham e nós perdemos.

Por que não simplesmente ir adiante e estatizar? Lembrem-se, quanto mais tempo convivermos com bancos zumbis, mais difícil será a recuperação da economia. Como se daria essa estatização? Tudo que a administração precisa fazer é levar a sério o seu próprio “teste de stress” projetado para os bancos, sem ocultar os resultados negativos quando um banco for reprovado no teste. É verdade que o processo teria certo aspecto teatral, evidenciado quando um governo que esteve sustentando bancos durante meses se declarasse chocado, absolutamente chocado com o estado miserável dos balanços patrimoniais. Mas tudo bem.

Vale repetir que o objetivo não é a propriedade do governo sobre os bancos a longo prazo: como no caso dos pequenos bancos adquiridos pela FDIC, os grandes seriam devolvidos ao controle particular assim que possível. O blog de finanças Calculated Risk sugere que, em vez de chamar o processo de estatização, deveríamos chamá-lo de “pré-privatização”.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, a gestão Obama crê “que um sistema bancário nas mãos de investidores particulares seja a alternativa correta”. Todos acreditamos no mesmo. Mas o que temos agora não é o empreendedorismo particular, e sim o socialismo limonada: os bancos ficam com os benefícios, mas os contribuintes assumem os riscos.

O que queremos é um sistema dentro do qual os bancos fiquem tanto com a parte boa quanto com a ruim. O caminho para chegar a esse sistema passa pela estatização.

*Paul Krugman é articulista

14/11/2008 - 09:50h Alemanha não resiste à crise e entra em recessão

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Maior economia européia vive seu pior momento desde o pós-Guerra; OCDE prevê contração nos EUA, Japão e UE

Jamil Chade, Genebra; Andrei Netto – O Estado SP

A maior economia da Europa não resiste e entra em recessão. A Alemanha, conhecida como a locomotiva do Velho Continente, anunciou ontem que sua economia se contraiu pelo segundo trimestre consecutivo. A queda no crescimento coloca o país em sua pior situação nos últimos 12 anos, o que deve ter repercussões em toda a Europa e mesmo para as exportações brasileiras. Para o Deutsche Bank, 2009 pode ainda registrar o pior desempenho econômico da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Segundo os dados oficiais, o PIB foi reduzido em 0,5% entre agosto e outubro. No segundo trimestre, a queda já havia sido de 0,4%. Tecnicamente a recessão é declarada quando uma economia registra contração por dois trimestres consecutivos. França, Reino Unido e Irlanda já estão na mesma situação da Alemanha, mas a esperança era de que a maior economia do bloco resistisse.

O cenário é bem diferente do que os políticos alemães previam. No início da crise, a chanceler Angela Merkel deixou claro que a Alemanha “não entraria em recessão”. Agora, a queda é superior até mesmo às previsões mais negativas dos analistas. A última recessão foi registrada em 1996.

Desta vez, o temor é de que a crise seja prolongada. A Bolsa de Frankfurt já perdeu mais de 40% neste ano e a falta de confiança dos empresários bate recorde. O consumo também caiu e o país deve perder o posto de maior exportador do mundo, posição que ocupava havia quatro anos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia alertado que 2009 verá uma contração da economia alemã de 0,8%.

Todo o bloco europeu também deve sofrer com a recessão. Em meados da semana passada, foi a Inglaterra que admitiu estar em recessão.

OCDE PESSIMISTA

Estados Unidos, Japão e os 15 países da zona euro, cujas economias já enfrentam a estagnação, também devem sofrer recessão severa em 2009. A estimativa é do relatório de previsões econômicas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), divulgado ontem, em Paris.

Segundo os especialistas, os 30 países-membros da entidade crescerão 1,4% em 2008, mas enfrentarão queda de 0,3% no PIB em 2009. Em 2010, vem a retomada. O maior decréscimo no próximo ano se dará nos Estados Unidos: -0,9%.

Os Estados Unidos devem enfrentar quatro trimestres de contração. A crise se agrava de forma progressiva no país: no terceiro trimestre, a retração será de 0,3%, chegando no fim do ano ao fundo do poço, com 2,8% negativos. Em 2009, a previsão é de decréscimo de 2% no primeiro trimestre e de 0,8% no segundo. A queda brusca na primeira metade do ano levará à retração do PIBdo país a valores próximos de 1%.

Só no segundo semestre de 2009, conforme os experts da OCDE, começa o reaquecimento nos EUA. Em 2010 a previsão é de 1,6% de crescimento.

O relatório da OCDE confirma o recuo também na União Européia. No grupo de 15 países que adotam a moeda única – entre os quais Alemanha, França, Itália e Espanha -, também deve viver quatro trimestres consecutivos de contração: -0,5% no terceiro trimestre de 2008, -1% no quarto, -0,8% no início de 2009 e -0,4% no segundo trimestre do próximo ano.

Jorgen Elmeskov, diretor de Estudos Econômicos da entidade, disse que os 30 países que integram a OCDE – Brasil não incluso – entram em recessão, com perspectivas de desaceleração prolongada da atividade.

O relatório também reitera a convicção de que os grandes países emergentes, como China, Índia e Brasil, embora em desaceleração, sustentarão o crescimento internacional durante a recessão no G-7. “O crescimento em países não-membros da OCDE também se desacelera”, diz Elmeskov, “mas é claro que o nível de elevação do PIB destes emergentes ajuda os países desenvolvidos a enfrentar a crise”. Questionado pelo Estado sobre quando China, Índia e Brasil voltarão a acelerar, o economista não respondeu. “Vamos divulgar um relatório exclusivo sobre o tema em 25 de novembro.”

24/10/2008 - 09:09h Do Brasil à Hungria, crise ameaça conquistas de países emergentes

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Joanna Slater, The Wall Street Journal – VALOR

Numa questão de semanas, a tempestade nos mercados mundiais desfez anos de ganhos duramente conquistado pelas economias emergentes.

Ao longo do último mês, o custo de financiamento para governos de países emergentes inflou a níveis que não se viam há seis anos, e continuou a subir ontem.

Os investidores temem principalmente os países com necessidades financeiras e fundamentos econômicos enfraquecidos que podem levar a uma crise mais profunda, como alguns do Leste Europeu. Mas mesmo países com finanças relativamente sólidas estão vendo suas perspectivas escurecer, à medida que diminuem o acesso ao crédito e o crescimento econômico global.

Segundo um índice do J.P. Morgan, os investidores agora exigem um rendimento 8 pontos porcentuais maior que o dos títulos do Tesouro americano para pôr seu dinheiro em dívida de mercados emergentes. Um mês atrás, a diferença estava abaixo de 4. Isso torna muito mais difícil para os governos obter os financiamentos de que necessitam ou aumentar gastos para combater a desaceleração econômica.

O ágio exigido para dívida de empresas desses países subiu ainda mais. Elas foram menos disciplinadas que os governos em termos de empréstimos estrangeiros nos últimos anos, com dívidas que são muito mais difíceis de pagar ou rolar.

Sinais ainda maiores da crescente preocupação foram dados ontem, quando a agência de classificação de risco Standard & Poor’s alertou sobre um possível rebaixamento da Bulgária e da Rússia. A Bulgária depende de capital estrangeiro para diminuir a imensa diferença entre suas importações e exportações. Agora ela encara “o risco de um declínio abrupto em financiamento externo”, escreveu a S&P. A Rússia, por sua vez, enfrenta custos crescentes para resgatar seu sistema bancário, afirmou a agência.

Muitos desses países evitaram os erros que cometeram no fim dos anos 90, quando grandes empréstimos em moeda estrangeira feitos por seus governos ajudaram a provocar crises cambiais ou moratórias. Isso os deixa mais bem preparados do que já foram para enfrentar a tempestade de hoje.

No entanto, a atual combinação de fatores representa um “coquetel relativamente explosivo”, diz Michael Gomez, um dos responsáveis por mercados emergentes na Pacific Investment Management Co. Entre esses fatores estão o êxodo de investidores; queda nos preços de commodities; novos pontos fracos como a aposta ruins de empresas em moedas, o que semeou ainda mais pânico; e, em países como a Argentina, decisões políticas altamente heterodoxas como a proposta de nacionalizar planos privados de aposentadoria.

Países numa posição mais forte – com menos dependência de financiamento estrangeiro e com grandes reservas – estão trabalhando para aliviar a pressão no mercado doméstico de crédito e têm usado suas reservas internacionais para defender suas moedas. Ontem, o Brasil interveio pesado no mercado cambial para segurar o deslizamento do real, que teve desvalorização de 15% desde o começo deste mês. O país também anunciou que vai dar até US$ 50 bilhões em swaps cambiais.

Os países com grandes déficits que requerem financiamento estrangeiro estão numa posição muito mais difícil. Vários já procuraram o Fundo Monetário Internacional para discutir suas necessidades de financiamento, entre eles o Paquistão, a Hungria, a Ucrânia e a Belorússia.

Na quarta-feira, a Hungria aumentou sua taxa de juros em 3 pontos porcentuais para ajudar sua combalida moeda, o florim, uma medida grave numa economia que enfrenta possível recessão. Altas como esta são “uma pílula perigosa que têm o risco de matar o paciente”, escreveram analistas do Danske Bank.

Para muitos países da Europa Central e do Leste Europeu, o custo do seguro contra moratória da dívida pública saltou ontem para o maior nível da história, segundo a firma de informação de crédito Markit. Mas também subiu para mercados emergentes em outras regiões, independentemente da qualidade do crédito do país, provavelmente uma indicação de venda indiscriminada dos investidortes.

“Alguns investidores querem pular fora para garantir lucro e outros estão sendo forçados a fazer saques”, diz Kevin Colglazier, diretor de investimentos da Standard Asset Management em Londres, especializada em dívida de mercados emergentes. “Eles construíram essas posições ao longo de meses ou anos e querem sair no espaço de horas ou dias.”

Os investidores não estão limitando sua busca por possíveis vulnerabilidades a mercados emergentes. A aversão ao risco também ampliou distorções no mercado de dívida soberana da zona do euro ontem. (Colaboraram Christopher Emsden e Giada Cardoletti-Litner)

22/10/2008 - 08:57h Governos europeus mudam foco de ajuda para estimular a economia

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VALOR – David Gauthier-Villars, Leila Abboud, Sara Schaefer Muñoz e Mike Esterl, The Wall Street Journal, de Paris, Londres e Frankfurt

Cada vez mais receosos de que uma queda brusca no crédito bancário possa prejudicar ainda mais suas economias, governos europeus estão apresentando novas propostas para diminuir as conseqüências de uma provável recessão.

Ontem, o governo italiano informou que está elaborando um pacote de medidas para estimular a economia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs a criação de fundos soberanos para evitar que grandes empresas do continente sejam adquiridas por não-europeus a preço de pechincha e chegou a esboçar proposta de um “governo econômico” para a zona do euro.

As sugestões de Sarkozy foram feitas depois que o governo da França anunciou que vai injetar 10,5 bilhões de euros (US$ 14 bilhões) nos seis maiores bancos do país. A medida, tomada com a intenção de promover a retomada dos empréstimos bancários, demonstra a clara mudança do foco do governo, passando das instituições financeiras doentes para a economia real. O temor é que, se os bancos emprestarem menos, empresas e pessoas não vão gastar dinheiro, reduzindo a atividade econômica num período em que a maior parte das grandes economias européias parece estar rumando para a recessão.

Em outra medida para facilitar o crédito, bancos centrais europeus inundaram os mercados, ontem, com dinheiro por meio de leilões de fundos ilimitados, ajudando a baixar as taxas de juros. Leilões feitos pelo Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça ajudaram a baixar a Libor, a taxa de Londres que serve de parâmetro para empréstimos entre bancos.

Há sinais de que está cada vez mais difícil para as empresas obter financiamento. A empresa francesa de serviços públicos Veolia Environnement SA, por exemplo, havia garantido o financiamento de investidores externos para um projeto de infra-estrutura de abastecimento de água em Abu Dhabi de 400 milhões de euros. Ela foi depois informada que teria de pagar juros mais altos sobre o empréstimo. A empresa desistiu e, em vez daquele grupo, pegou financiamento do seu cliente, o emir de Abu Dhabi.

Na França, onde os bancos ficaram relativamente incólumes à crise, o financiamento para mutuários da casa própria caiu 26% no terceiro trimestre, segundo pesquisa do instituto de pesquisa Observatoire Crédit Logement e da agência CSA. A inadimplência está cada vez maior. Na Espanha, a venda de carros está em queda porque há mais requisitos para se conseguir financiamento.

Ao mesmo tempo, os bancos estão procurando ajuda direta. Ontem, no fim do dia, o Bayerische Landesbank informou que vai pedir uma injeção de capital de 5,4 bilhões de euros do fundo de resgate de 500 bilhões de euros do governo alemão, tornando-se o primeiro banco do país a levantar a mão para pedir socorro desde que o pacote de resgate foi aprovado pelo Legislativo federal, na sexta-feira.

Na Islândia, representantes do governo estão “atando pontas soltas” num pacote de resgate liderado pelo Fundo Monetário Internacional, segundo uma porta-voz informou ontem, na esperança de salvar uma economia estilhaçada pelo colapso do seu sistema bancário.

O plano francês para bancos foi uma surpresa. Na semana passada, quando governos da União Européia concordaram com um cardápio de medidas para restaurar confiança no setor financeiro, a maioria dos bancos franceses afirmou ter fundos suficientes. Mas o governo argumentou que quer que os bancos concedam mais empréstimos, a fim de que mais dinheiro flua para as empresas e famílias. A França está fazendo sua injeção de capital na condição de que os bancos se comprometam a aumentar, em 2009, o volume de crédito em 3% a 4% do total atual, de 1,85 trilhão de euros.

Autoridades francesas disseram que as injeções de capital não são um pacote de resgate. O presidente do Banco da França, Christian Noyer, disse que, em vez disso, o governo “está fornecendo o capital de que os bancos precisam para expandir sua atividade de crédito”.

Diferentemente do Reino Unido, onde o governo nacionalizou vários bancos agonizantes, o governo francês não vai receber ações das instituições financeiras que aceitarem sua ajuda. “De forma nenhuma este é um plano de resgate”, disse Baudouin Prot, diretor-presidente do BNP Paribas SA, que pretende aceitar a oferta do governo. “Assim que os mercados melhorem, devemos pagar a dívida.”

No Reino Unido já surgem diferenças entre bancos que concordaram em ceder uma fatia ao governo e outros que não. O Royal Bank of Scotland Group PLC, o Lloyds TSB Group PLC e o HBOS PLC devem receber 37 bilhões de libras esterlinas (US$ 63,5 bilhões) como parte do pacote de resgate anunciado na semana passada, enquanto o HSBC Holdings PLC e o Barclays PLC informaram que vão levantar capital por conta própria.

O plano britânico colocará membros aprovados pelo governo no conselho dos bancos e os proibirá de distribuir dividendos aos acionistas até que o governo resgate suas ações, o que analistas dizem que pode levar até cinco anos. Isso deixou alguns investidores receosos: as ações do RBS, Lloyds e HBOS caíram logo depois da notícia do plano de capitalização britânico, enquanto ações do Barclays e do HSBC subiram.

Ao longo do mês, a França anunciou uma série de medidas para apoiar sua economia. Ela também fez uma série de apelos por um plano pan-europeu de recuperação – sem muito sucesso. Ontem, Sarkozy disse a legisladores europeus, em Estrasburgo, que os 15 países que usam o euro deveriam criar um “governo econômico” para coordenar melhor suas políticas.

24/09/2008 - 09:10h Pigs e Brics: confronto de siglas no debate da crise

http://ruvr.ru/files/Image/portuguese_service/Jonas/ONU_ORGANIZACOES/bric-big.jpghttp://bkmarcus.com/blog/images/stories/3pigs/BigBadWolfHead.jpgPaíses da Europa mais ameaçados de recessão (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) são o contraponto aos maiores emergentes em evento londrino

Daniela Milanese, O Estado de São Paulo – LONDRES

Um novo confronto de siglas caracteriza o atual ambiente global, transformado pela crise que atingiu as maiores economias do mundo. Enquanto os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) continuam a ser apontados como os condutores do crescimento mundial, agora na Europa a expressão Pigs (porcos, em inglês) vem cunhar a posição menos favorecida de Portugal, Itália, Grécia e Espanha.

“Brics soa bem, mas Pigs, não”, disse o vice-presidente sênior do The Economist Group, Daniel Thorniley, durante o evento “Emerging Markets Summit 2008″, realizado ontem em Londres.

A referência aos principais emergentes do mundo, criada pelo executivo do Goldman Sachs Jim O’Neill em 2001, faz alusão a “brick” – tijolo em inglês. Já a sigla Pigs começou a ser usada pela mídia internacional para caracterizar os países europeus próximos da recessão.

Ao aparecer na coluna “Lex” do Financial Times no início do mês, o termo chegou a irritar o ministro de Economia português, Manuel Pinho. Polêmica à parte, a percepção de executivos e especialistas é de que agora a busca por oportunidades mais lucrativas de crescimento a longo prazo ganhará mais intensidade. Nesse contexto, a adoção de estratégias adequadas aos mercados emergentes recebe importância renovada.

“As empresas alemãs não estão investindo na Alemanha porque não há confiança”, disse Thorniley, ressaltando que a inflação afetou o poder de compra da população. Por isso, ele acredita que os emergentes, onde há mercado consumidor, são mais atraentes.

“Os executivos estrangeiros reconhecem que, se quiserem elevar seus lucros, não será em seus mercados domésticos”, disse o diretor Danny Lopez, da UK Trade & Investment (UKTI), órgão do governo britânico.

Para os especialistas, será difícil ver todos os países em desenvolvimento passarem pela crise externa sem arranhão. O crédito mais apertado deve limitar a capacidade de investimentos das empresas e o dinheiro não vai fluir como antes.

Porém, a avaliação positiva dos emergentes ainda prevalece – tanto que o evento em Londres reuniu mais de 200 participantes, que ouviram executivos de primeira linha contarem as estratégias de vendas e recursos humanos mundo afora, com poucas menções à palavra “crise”. “O Lehman Brothers e a AIG não terão impacto sobre São Paulo”, disse Lopez.

Para Jim O’Neill – que como “pai” dos Brics continua entusiasta -, o crescimento econômico global virá cada vez mais desses países. “Entre eles, acho que o Brasil é hoje o mais interessante, pois está conseguindo passar por anos de estabilidade depois de anos de caos.”

Os Brics vão continuar dominando o fluxo de investimentos nos mercados emergentes. Além disso, os empresários começam a buscar outras regiões desses países para expandir os negócios, conforme aponta pesquisa realizada pela UKTI e pela Economist Intelligence Unit (EIU). “Os executivos querem não só continuar investindo nos Brics como aprofundar esses aportes”, disse Danny Lopez ao Estado.

Realizado em agosto, o levantamento consultou 561 companhias de 19 setores pelo mundo. Perto de dois terços, ou 63%, acreditam que a força econômica dos emergentes vai contrabalançar o impacto da desaceleração da Europa e América do Norte. Dessa forma, a receita produzida nos países em desenvolvimento deve passar de 29% para 38% em três anos. Além disso, 34% afirmaram que sua empresa entrará em três ou mais novos emergentes no período de cinco anos.

Apesar de a pesquisa ter sido feita antes do agravamento da crise, com o colapso do Lehman Brothers e a venda do Merrill Lynch ao Bank of America, Lopez avalia que a confiança nos emergentes não mudou. Ao contrário, a turbulência aumenta a necessidade de buscar investimentos mais lucrativos.

No levantamento, 29% disseram que o Brasil é um mercado prioritário para expansão. O porcentual é mais elevado para os outros Brics: a China é considerada prioridade para 49% dos entrevistados, seguida pela Índia (42%) e Rússia (33%).

A EIU estima que o investimento externo direto (IED) na China vai somar US$ 87 bilhões nos próximos cinco anos, em média. Para o Brasil, a previsão é de US$ 31 bilhões, nível similar ao atual. A Rússia deve sofrer com o aumento do risco e pode ver o investimento cair de US$ 52 bilhões neste ano para US$ 44 bilhões no próximo. Já a Índia deve responder pelo maior crescimento anual de IED, passando de US$ 23 bilhões em 2007 para US$ 60 bilhões em 2012.

22/09/2008 - 17:28h Professor e banqueiro jogam por terra dogmas do mercado

http://www.bloomberg.com/apps/data?pid=avimage&iid=iKxS3iDjh3oQ

Ben S. Bernanke, do Fed, e Henry M. Paulson, do Tesouro, são autores da maior intervenção governamental da história dos EUA, que envolve US$ 700 bilhões

PETER BAKER – FOLHA SP

DO “NEW YORK TIMES”, EM WASHINGTON

http://resistir.info/financas/imagens/paulson_bernanke.jpgNos últimos 12 meses, enquanto a economia dos EUA vem tropeçando de crise em crise, o presidente do Federal Reserve, Ben S. Bernanke, vinha avisando o secretário do Tesouro, Henry M. Paulson, Jr, que o agravamento da situação poderia acabar por obrigar a uma intervenção federal abrangente.

Estudioso de longa data da Grande Depressão, Bernanke tinha consciência aguda do que poderia acontecer se não fossem tomadas medidas decisivas. O momento em que essa ação se tornou inevitável chegou na noite de quarta-feira. Menos de 24 horas depois de o Fed ter socorrido a gigantesca seguradora American International Group, ficou claro que a turbulência que agitava Wall Street só estava se agravando e que as soluções pontuais não estavam funcionando.

Falando ao telefone de sua sala de trabalho, Bernanke disse a Paulson que era chegada a hora de se adotar uma estratégia abrangente que o Congresso teria que aprovar. Paulson entendeu. Relutante, nos últimos dias, em submeter ao Congresso um plano que os legisladores tinham avisado que teria poucas chances de ser aprovado rapidamente, ele temera que uma possível rejeição tivesse efeito negativo ainda maior sobre os mercados. Mas, em dois telefonemas, na noite de quarta e na manhã de quinta-feira, ele concordou que não havia escolha.

“Aconteceu de maneira dramática”, disse Paulson em entrevista na sexta-feira. “Só havia um jeito de tranqüilizar os mercados e fazer frente a um congelamento muito grande e amplo do mercado de crédito. Não houve cálculos políticos. A necessidade da ação ficou avassaladoramente evidente.” E foi assim, simplesmente, que o reservado Bernanke, ex-professor de uma das mais respeitadas universidades americanas, e Paulson, ex-operador arrojado de Wall Street, lançaram aquela que seria a maior operação de resgate econômico governamental dos tempos modernos, que rivaliza com a guerra do Iraque em custos e que, ao mesmo tempo, pode redefinir o papel de Washington no mercado nos anos por vir.

Parceria

O plano de comprar US$ 700 bilhões em ativos problemáticos com dinheiro dos contribuintes foi traçado por dois homens que até dois anos atrás não se conheciam e não se movimentavam nos mesmos círculos, mas que a história aproximou. Se Bernanke é a força intelectual dessa dupla improvável, e Paulson, seu homem de ação, o fato é que eles conseguiram criar uma parceria ímpar em sua corrida para sustar a turbulência financeira e impedir a economia de afundar.

Como convém a seus papéis e personalidades, Paulson tornou-se o rosto público da equipe -ele pretende aparecer em quatro “talk shows” no domingo-, enquanto o menos visível Bernanke fornece as bases históricas da estratégia forjada.

Nesse caminho, eles deixaram de lado as posições defendidas por muito tempo pela administração em relação à regulamentação e ao envolvimento do governo nas empresas privadas, chegando a reverter decisões no prazo de 24 horas e a justificá-las como soluções práticas a ameaças graves. “Em tempos de crises financeiras, não há lugar para ideólogos”, disse Bernanke a colegas na semana passada, segundo testemunha de uma reunião.

A natureza pontual e improvisada de seu esforço converteu o presidente Bush e os democratas no Congresso em virtuais espectadores, às vezes incertos sobre o que virá a seguir, reagindo com assombro à nova dinâmica do poder na capital. A cada vez que os legisladores tentavam entender o que estava acontecendo e que papel poderiam exercer, com as eleições cada vez mais próximas, Paulson e Bernanke apareciam no Capitólio para mais uma reunião noturna e os surpreendiam com mais uma novidade.

Os dois homens vêm trabalhando desde cedo e até tarde, acompanhando os mercados asiáticos e atendendo a telefonemas com seus colegas europeus, depois falando ao telefone um com o outro, oito ou nove vezes por dia. Para ajudá-lo a suportar os longos dias de trabalho, Paulson recorre a inúmeras Diet Coke. Chamado pelo Senado a testemunhar duas vezes na semana passada, ele pediu para ser liberado.

“Ele me falou que tinha dormido apenas quatro horas”, disse o senador democrata Christopher J. Dodd, presidente do Comitê de Bancos. Mas a boa vontade de Dodd tem limites. Ele contou que respondeu: “O público quer saber o que está acontecendo.” Bernanke (cuja bebida preferida é a Dr. Pepper Diet) faz questão de deixar seu gabinete até a meia-noite para dormir pelo menos um pouco, mas seus amigos dizem que os sinais de cansaço são evidentes nele.

Alan S. Blinder, seu amigo de longa data e ex-vice-presidente do Federal Reserve, recorda-se de ter visto Bernanke em uma conferência no mês passado em Jackson Hole, Wyoming. “Sua aparência era de alguém que carregava o peso do mundo nos ombros.”. E isso foi antes da semana passada.


Personalidades

Bernanke assumiu seu cargo em fevereiro de 2006, e Paulson cinco meses mais tarde. Ambos são republicanos e ambos foram nomeados por Bush, mas suas origens são muito diferentes. Bernanke, 54, administrava a política acadêmica do departamento de economia da Universidade Princeton, da qual foi presidente, desenvolvendo um estilo conciliador. Paulson, 62, chegou à presidência do Goldman Sachs falando duramente ao telefone e ocasionalmente dando socos na mesa.

“Hank é um sujeito hiperativo, do tipo que sempre tenta resolver o problema e seguir adiante”, disse Allan B. Hubbard, ex-assessor de economia nacional de Bush. “Ele está sempre impaciente para resolver as coisas. Já Ben age de maneira muito mais discreta. Ele reflete muito. É um pensador incrível, alguém que sabe ouvir, que sabe analisar e que não se deixa intimidar por ninguém. Acho que eles fazem uma ótima parceria.”
Bernanke fala em termos grandiosos e Paulson despeja o jargão contundente de Wall Street, mas o que uniu os membros da nova dupla dinâmica de Washington foi em parte o beisebol. O secretário do Tesouro é torcedor dos Chicago Cubs, e o presidente do Fed torce pelos Boston Red Sox, mas em Washington passou a torcer pelos Nationals e a dividir ingressos de temporada com o chefe do Estado-Maior da Casa Branca, Joshua B. Bolten.

Nem Paulson nem Bernanke, porém, haviam tido envolvimento profundo no processo político. Em seus esforços para trabalhar juntos em Washington, eles se cercaram respectivamente de assessores vindos do Goldman e de profissionais de carreira do Fed. Paulson recusou o primeiro convite para entrar para o gabinete. Ele mudou de idéia apenas depois de um trabalho extenso de lobby e convencimento feito por Bolten, antigo executivo do Goldman, e de Bush ter se comprometido a deixá-lo dirigir de fato a economia política, diferentemente de seus predecessores.

O Martelo, como Paulson é apelidado desde seus tempos de jogador no time de futebol americano de Dartmouth, levou a Washington a intensidade que é sua característica. “Ele é um furacão. Está acostumado a viver num mundo turbulento”, disse John H. Bryan Jr., amigo íntimo de Paulson e ex-executivo-chefe da Sara Lee Corporation. “Está acostumado a viver num mundo de “deadlines”, decisões e muita pressão.”
Paulson, que é membro da igreja Cientista Cristã, não fuma nem bebe. Uma vez, num coquetel em que estava fazendo um discurso, recordou um de seus ex-colegas do Goldman, Andrew W. Alper, Paulson acidentalmente tomou um gole de vodca de um copo, pensando tratar-se de água.

Seu rosto ficou vermelho e seus olhos lacrimejaram por uma hora. “Mas ele continuou firme”, disse Alper. Bernanke tem um apelido menos evidente, “Helicopter Ben”, que lhe foi dado depois de um discurso que proferiu em 2002, falando sobre as injeções emergenciais de dinheiro do Fed para manter a liquidez do sistema, como alimentos despejados de helicópteros para ajudar vítimas de enchentes ou outras catástrofes.

Para Bernanke, a crise atual é o ponto culminante de toda uma vida passada tentando entender como o sistema funciona desde o ponto de vista teórico. Bernanke deixou claro muito tempo atrás que ele sabia que algum dia poderia ser convocado a pôr em prática os frutos de seus estudos.

Vincent R. Reinhart, um ex-funcionário do Fed, disse que as pesquisas de Bernanke sobre a crise financeira do Japão na década de 1990 reforçaram sua opinião de que crises do mercado requerem intervenções governamentais agressivas. Numa festa que promoveu em 2002 para o 90º aniversário do famoso economista Milton Friedman, Bernanke, então um dos diretores do Federal Reserve, falou sobre os erros cometidos pelo país diante da Grande Depressão e prometeu não repeti-los. “Não o faremos de novo”, disse ele.

Aviso prévio

Na entrevista da sexta-feira, Paulson disse que Bernanke já vinha avisando havia muito tempo da possibilidade de chegada de um momento como o da semana passada.

“Muito tempo atrás, talvez há um ano já, Ben, que é um economista de primeiro nível, me disse: “Quando se olha para a bolha imobiliária e a correção, se a queda nos preços for suficientemente grande, a única solução pode ser uma intervenção governamental em grande escala’”, contou Paulson. “Ele falou sobre o que aconteceu quando houve outras situações históricas semelhantes.” Paulson disse que concordara, mas que esperava que a situação não chegasse a isso. “Eu sabia que ele tinha razão, teoricamente”, disse ele. “Mas eu tinha alguma esperança, e ele também, de que, com toda a liquidez que havia dos investidores, depois de uma certa queda chegaríamos ao fundo, e que a queda terminaria.”
Ainda na segunda-feira passada, Paulson estava ouvindo de legisladores democratas e republicanos sêniores, incluindo o líder da maioria na Câmara, Steny H. Hoyer, e o deputado de Ohio John A. Boehner, líder republicano da Câmara, que não havia chances de o Congresso aprovar qualquer legislação antes de seus membros deixarem a cidade, em setembro. Mesmo o deputado Barney Frank, proponente de um papel mais ativo do governo no mercado, disse na segunda que a questão teria que ser resolvida pelo próximo presidente e pelo novo Congresso, em setembro.

Na terça, porém, os problemas só estavam se agravando. O Lehman Brothers entrara com pedido de concordata. O Merril Lynch concordara em ser comprado pelo Bank of América, e a AIG estava à beira do colapso. Paulson e Bernanke montaram uma operação de US$ 85 bilhões de socorro à AIG e a apresentaram a Bush.

Mas os dois avisaram ao presidente que a operação talvez não fosse o suficiente para estabilizar a crise mais ampla. Um alto funcionário da administração, que pediu anonimato para comentar deliberações internas, parafraseou nos seguintes termos a mensagem que Bernanke e Paulson transmitiram a Bush: “É possível que depois disto ainda haja problemas, e, se houver, vamos procurá-lo outra vez”.

Eles o fizeram dois dias mais tarde, quando a queda vertiginosa de ações e o congelamento do mercado de crédito deixaram claro que a estratégia caso por caso não estava funcionando. Paulson tinha conversado com Bush ao telefone ao longo de toda a quarta e a manhã da quinta. A decisão de tomar uma medida radical, que abrangesse o sistema inteiro, foi finalmente tomada apenas após uma seqüência interminável de teleconferências envolvendo funcionários do Fed, do Tesouro e da “Securities and Exchange Commission” (órgão que regula o mercado de capitais), recordou um participante, quando Bernanke declarou: “Temos que ir ao Congresso”. Paulson concordou.

Na tarde de quinta-feira, Bernanke e Paulson, acompanhados do presidente do SEC, Christopher Cox, foram à Casa Branca explicar seu plano. “O presidente disse “vamos fazer’”, contou um funcionário. “Não houve hesitação.” Em questão de horas, Paulson e Bernanke estavam no gabinete da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, fazendo um resumo para transmitir aos líderes do Congresso a plena gravidade da situação. Os parlamentares ficaram abalados, mas ofereceram apoio hesitante. Divididos entre os imperativos conflitantes de entrar em ação ou de voltar a seus Estados para fazer campanha, eles pareciam alternar-se entre gratidão e ressentimento com relação à nova dupla poderosa de Washington. Alguns falavam do “presidente Paulson”, e outros reclamavam de um presidente não eleito do banco central prestando socorro de centenas de bilhões de dólares.

Paulson e Bernanke foram criticados por agirem com agressividade excessiva e também por não serem agressivos o suficiente. O senador republicano Jim Bunning, do Kentucky, disse que eles estavam matando o livre mercado. R. Glen Hubbard, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente Bush, achou que eles deveriam ter agido antes.

“A oportunidade para uma ação ousada obviamente teria sido melhor se tivessem agido meses atrás”, disse ele. “Mas antes tarde que nunca.” No final, o que deixou frustrados tantos parlamentares e economistas foi a percepção de que ninguém tinha uma idéia melhor a propor. Então eles esperaram Paulson e Bernanke lhes darem mais detalhes sobre o que queriam fazer.

Tradução de CLARA ALLAIN

17/09/2008 - 20:16h Crise se agrava e bancos nos EUA correm para fechar acordos

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JACK REERINK – REUTERS – AGENCIA ESTADO

NOVA YORK – Uma onda de desesperadas negociações entre instituições financeiras invadiu Wall Street nesta quarta-feira, dia em que as ações atingiram mínimas em três anos em meio a novos sinais sobre a fragilidade do setor.

O Morgan Stanley estava discutindo uma fusão com a potência bancária Wachovia, segundo noticiou o New York Times. O presidente-executivo John Mack recebeu um telefonema do Wachovia nesta quarta-feira, mas também está em busca de outras opções, segundo o jornal.

“Neste mercado, qualquer coisa é possível. Parece que o mercado quer que o modelo de banco de investimento desapareça”, disse Danielle Schembri, analista de corretoras do BNP Paribas em Nova York.

O Washington Mutual, maior banco de poupança do país, colocou-se à venda, segundo fontes, confirmando uma notícia do New York Times. Potenciais interessados incluem Citigroup, JPMorgan, Wells Fargo e HSBC, de acordo com as fontes.

Mais tarde o chairman do Wells Fargo disse que não iria revelar no que “nós estamos ou não interessados”.

Já a concessora de hipotecas britânica HBOS chegou a um acordo em ações com o Lloyds TSB para criar uma gigante hipotecária de 28 bilhões de libras (50 bilhões de dólares).

A onda de acordos em potencial segue o resgate surpresa, no valor de 85 bilhões de dólares, da seguradora AIG pelo Federal Reserve na véspera, um movimento que não conseguiu acalmar os mercados.

“Parem a insanidade”, pediu um relatório do UBS quando as ações financeiras estavam em queda livre.

O resgate da AIG segue o colapso do Lehman Brothers Holdings e a venda da Merrill Lynch para o Bank of America Corp, além de movimentos de bancos centrais em todo o mundo para inundar o sistema financeiro com recursos.

“O medo agora é sobre quem será o próximo”, afirmou John O’Brien, vice-presidente sênior do MKM Partners. “Quase parece que as pessoas pegam um livro e dizem qual será o próximo alvo. E isso espalha um temor contínuo.”

As ações do Morgan Stanley caíram 43 por cento e as do Goldman recuaram 27 por cento, mesmo após ambos divulgarem resultados trimestrais acima do esperado na terça-feira.

Isso levantou comentários de que os dois principais bancos de investimentos dos Estados Unidos que ainda restam podem ter que se juntar a um banco comercial para sobreviver à turbulência.

“Acho que o Goldman Sachs e o Morgan Stanley se tornarão parceiros de dança. Eles não querem ser… a vítima desta semana”, disse William Larkin, gestor de renda fixa do Cabot Money Management.

O custo de proteção da dívida do Morgan Stanley e do Goldman saltou, refletindo os temores dos investidores de que seus títulos não sejam mais seguros que aquelas considerados como “junk”. O porta-voz do Goldman Lucas van Praag disse que a queda dos papéis da empresa é “resultado de um temor completamente irracional e não é baseado em fundamentos”. O Morgan Stanley culpou os investidores de curto prazo.

Enquanto isso, a Casa Branca disse estar “preocupada sobre mais empresas”.

E em um sinal de uma ação regulatória com pouco efeito aparente, a SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos EUA, restringiu as vendas a descoberto.

“Parece que a SEC está um dia atrasada… O Morgan Stanley claramente está na mira dos vendedores a descoberto”, disse Andrew Brenner, vice-presidente sênior do MF Global.

As autoridades norte-americanas já gastaram 900 bilhões de dólares para aliviar os problemas dos setores financeiro e imobiliário. Grande parte desse dinheiro pode ser recuperado, se os ativos não caírem ainda mais.

Neste ano, o governo já socorreu as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac e o Fed estruturou a venda do falido banco de investimento Bear Stearns ao JPMorgan Chase .

(Colaboraram Svea Herbst-Bayliss, Jon Stempel, Jennifer Ablan, Joseph Giannone, Jeffrey Hodgson e Kevin Plumberg)

08/09/2008 - 15:48h Bush expropria duas gigantes do crédito imobiliário. Mercado aplaude.

Suffering a seizure

Sep 8th 2008 | NEW YORK
From Economist.com

America’s government takes control of Freddie Mac and Fannie Mae

AFP

FOR many Americans, Sunday is for church, family lunches or catching a ball game. For the country’s financial authorities, it has become the day of the dramatic announcement: the takeover of Bear Stearns; the Treasury’s promise in July to stand behind Fannie Mae and Freddie Mac; and, most momentous of all, on Sunday September 7th, what had recently come to be seen the inevitable culmination of that pledge: the government’s seizure of the two giant mortgage agencies.

Hank Paulson, the Treasury secretary, had hoped that the July announcement would calm nerves sufficiently that he would not have to take out his “bazooka”. The opposite happened. The firms’ shares collapsed amid fears that investors would be wiped out in a government rescue. This severely curtailed their ability to issue much-needed capital, also infecting their mortgage-backed securities and the $1.6 trillion of debt they had issued to buy mortgages for themselves. It was only a matter of time before the government was forced to launch its largest-ever financial rescue. The action was greeted warmly on the world’s stockmarkets, which rallied on the news.

Though some had wanted to see the agencies fully nationalised, obstacles stood in the way—not least that this would have required an act of Congress. So the Treasury had to get creative. The plan has four planks. First, Fannie and Freddie will be taken into “conservatorship”, a watered-down form of receivership, by their revamped regulator, the Federal Housing Finance Agency, until they are once again “sound and solvent”. Second, they will have access to a loan facility, secured against their assets, until the end of 2009. Intriguingly, this will also be available to the 12 Federal Home Loan Banks. James Lockhart, the FHFA’s head, stressed that these bank-owned co-operatives, also designed to grease housing markets, are mostly in good shape. But they have a lot of short-term debt and the quality of their borrowers’ collateral is falling. Allowing them to tap the credit line may be a shrewd precautionary measure.

The third plank highlights Mr Paulson’s wish to protect the taxpayer and avoid “moral hazard”. The Treasury will buy preferred shares as needed, whenever the agencies’ net worth dips below zero, and this paper will be repaid ahead of their existing preferred and common stock (whose dividends are being eliminated). Lowly shareholders could yet lose everything.

Indeed, the deal could have been a lot worse for the taxpayer. In exchange for vowing to keep the firms above water, the government will receive $1 billion “fee” in preferred stock at no cost, along with warrants giving it the right to 80% of the firms’ common stock at a nominal price. The two chief executives will leave. Fannie and Freddie, whose unparalleled political connections helped them to keep regulation toothless and expand on threadbare capital cushions, will no longer be allowed to lobby lawmakers.

The final piece of the plan may unnerve some taxpayers. To keep mortgage markets chugging along, the Treasury will become a buyer of last resort for bonds packaged by the agencies, purchasing them in the open market if demand slackens. Could it end up burdened with piles of toxic paper? Mr Paulson was upbeat, pointing out that since the Treasury would hold the securities to maturity it might one day reap net gains.

But the eventual cost to the public purse is unknown and potentially huge. The Treasury says it could buy as much as $100 billion of preferred stock in each of the two firms, though it deems that highly unlikely. Ultimately, the size of the bill will depend on their ability to recover, and that is far from clear. Under American accounting standards they have adequate capital, despite the rapid deterioration of their portfolios. But on a fair-value basis, marking their assets to the current market price, Freddie is insolvent and Fannie not far off. Moreover, with house prices still sliding and foreclosures rising sharply, worse may be ahead.

The taxpayer is on the hook elsewhere, too. Bank failures, almost unheard of in recent years, are ticking up. The Federal Deposit Insurance Corporation, which steps in and covers deposits up to $100,000 when lenders go belly-up, is nervously watching its fund shrink. It, too, may soon need to tap the Treasury for funds, especially if a big bank fails. On Monday one of the most vulnerable large lenders, Washington Mutual, forced out its boss in a bid to shore up confidence. More and more pundits are predicting the return in new guise of the Resolution Trust Corporation, which was tasked with taking over and offloading duff assets in the savings and loan crisis of the early 1990s. The tab this time is likely to far exceed that institution’s total losses, $124 billion by the end of 1999.

While the short-term goal is to stabilise Fannie and Freddie, thereby bringing down mortgage rates, the longer-term aim should be to avoid an expensive repeat. Mr Paulson stressed that the seizure of the agencies is merely a “time out”; it will be for the next administration and Congress to determine their future form. He is clearly in favour of scrapping their hybrid business model, which delivers profits to shareholders but leaves the public to shoulder life-threatening losses. Both presidential candidates have joined the criticism, with Barack Obama calling the agencies “a weird blend”.

Winding them down is not yet an option. With private mortgage finance barely registering a pulse, Fannie and Freddie have become crucial cogs in the market. Acknowledging this, the Treasury’s plan envisages allowing them to increase the size of their portfolios modestly by the end of next year. But from 2010 they will be forced to shrink by 10% a year until they reach an undefined “less risky size”. Once markets recover, pressure to dismantle the firms—and nurture alternatives, such as covered bonds—will grow. Until then, conservatorship will have to do

09/06/2008 - 09:18h Novo status do Brasil conquista admiradores

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Brazil’s new status wins admirers

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By Ruth Sullivan – Financial Times

Institutional investors are likely to take a fresh look at Brazil following ratings upgrades by two big agencies in the past two months. PDF

Standard & Poor’s and Fitch have both upgraded Brazil’s long-term sovereign debt to investment status, which means the country is now considered a safe investment destination unlikely to default on its debts.

It has only gained the lowest rung of the investment grade ladder, a long way from the triple A status of developed economies such as the US, Britain or Germany. But the change will nonetheless make it more attractive to a broader range of international investors such as big US pension funds, which are constrained from investing in countries that have not had their capacity to repay debt positively assessed, say fund managers.

Just six years ago the country was widely seen as being on the brink of bankruptcy and many investors would have found it impossible to see Brazil as an investment-grade country.

“The upgrade opens Brazil to a wider investor audience. A lot of funds will only move into a country when it has investment grade rating,” says Julian Thompson, head of emerging market equities at Threadneedle.

Brazil equity funds have just seen their sixth consecutive week of inflows, totalling $1.4bn (£716m, €901m), compared with net outflows of about $632m before that period, according to Boston-based Emerging Portfolio Fund Research, which tracks global fund flows.

“Investors have been attracted to Brazil based on better than expected recent economic growth and the government’s past commitment to responsible fiscal policies that led to fiscal surpluses and mounting foreign exchange reserves,” says Brad Durham, managing director of EPFR.

The strong flows into Brazil’s equity funds come as emerging markets funds in general have suffered severe outflows. The MSCI Brazil index is up almost 20 per cent since the beginning of January, while the MSCI Emerging Markets index is down more than 3 per cent.

Fund managers see the investment grade more as a seal of approval than dramatically changing fundamentals. “When Mexico gained its first investment grade rating in 2000, North American investors gradually began to add Mexican equities to their portfolio,” says Urban Larson, fund manager of F&C’s Latin American fund. He expects a similar pattern to emerge with Brazil.

Although Brazil is the last of the Bric countries (the others being Russia, India and China) to gain investment grade status, many Latin America and Bric fund managers are overweight in the country’s stocks.

“We’ve been fans of Brazil for a long time . . . and expect to maintain an overweight position. Any increase [in weighting] will depend on new companies coming to market,” Mr Thompson says.

Investor appetite has traditionally focused on commodities in a country with significant natural resources, but domestic stocks are beginning to gain some attention as domestic spending and consumption grows. “Brazil is the place where we see the most exciting opportunities,” says Stefan Herz, Latin American fund manager at Charlemagne Capital, an emerging market fund specialist.

“There have been so many initial public offerings in Brazil in the past few years and the emergence of new sectors.”

The information technology, real estate and healthcare sectors have also made a debut. “It is the only Latin American country where this has happened.”

Brazil makes up more than 67 per cent of the weighting of Charlemagne’s Magna Latin America fund.

Nicholas Morse, Schroders Latin America fund manager, is also positive on Brazil. Schroders’ $1.9bn Luxembourg-listed Latin America fund counts Brazil as the “largest overweight country in the portfolio”. The company’s $14.5bn Bric fund is also overweight in Brazilian equities .

On a short term outlook, Mr Morse says equity and fixed income markets have already discounted Brazil’s investment upgrade. But from a longer term perspective, “the status is good for foreign direct investment, especially for sectors [such as] infrastructure”.

At Threadneedle, where 22 per cent of the Global Equity Markets fund is in Brazil, compared with 18 per cent in Russia, 11 per cent in China and just 4 per cent in India, Mr Thompson also sees the attraction of investing in property. “The demand for middle income residential property is strong and remains relatively good value.”

He emphasises the importance of good stock-picking. “Once an investment grade rating has happened, the country [debt] risk has been reduced so there is not so much improvement to come. Then it is more about stock-picking.”

In the financial sector, the fund is looking outside banks, which are growing their loan books strongly but not their earnings, and at companies such as Redecard, a credit card transaction processor.

Another outcome of the rating change is that investor confidence will be boosted enough to encourage investors to look beyond traditional commodities and move into domestic stocks, says Mr Larson of F&C.

F&C’s Latin American Equity fund has been adding Brazilian domestic companies to its portfolio with AmBev, the brewery, which Mr Larson is expecting to show strong volume growth this year. The fund has also added Unibanco to its bank holding and invested in the stocks of All, a railway company, and Localixa, an auto rental company.

But some concerns still remain in the investment community, particularly the spectre of rising inflation and the question of whether current strong commodity prices can be sustained.

31/03/2008 - 18:09h Treasury Rolls Out Overhaul of Financial Regulators

Brendan Smialowski for The New York Times
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Treasury Secretary Henry M. Paulson Jr. presented a series of proposals to overhaul the regulation of Wall Street on Monday in Washington.

By STEPHEN LABATON – The New York Times

Published: March 31, 2008

WASHINGTON — Treasury Secretary Henry M. Paulson Jr. on Monday formally laid out an ambitious plan to overhaul the regulatory apparatus that oversees the nation’s financial system. Senior lawmakers and industry lobbyists predicted that most of the plan would run into difficulty.

The product of a lame-duck Republican administration facing a Democratically controlled Congress, the plan would consolidate federal agencies that regulate the nation’s securities and commodities futures markets and eliminate a third agency, the Office of Thrift Supervision, which oversees savings and loans. It proposes to create a commission that would set new minimum licensing standards for mortgage originators.

By his own account, Mr. Paulson, along with other senior officials, do not want lawmakers to act on the proposal until after the housing crisis is over — and that is likely to be after a new president takes office.

“Some may view these recommendations as a response to the circumstances of the day,” Mr. Paulson said in a speech Monday at the Treasury Department. “That is not how they are intended.”

Democratic leaders are already drafting bills to impose tougher supervision over Wall Street, and some say that Mr. Paulson’s plan does not go far enough in reining in risky practices among banks.

Insurance and some banking groups began over the weekend to formulate plans to oppose various provisions. And several features were criticized by regulators appointed by the Bush administration.

Senior lawmakers, while praising the administration for raising important points for further discussion, said the odds of a major overhaul in the remaining days of the Congressional session were long.

“Since this is opening day in baseball, I might as well make a baseball metaphor,” said Senator Christopher J. Dodd, the Connecticut Democrat who heads the Senate banking committee. “This is a wild pitch. It is not even close to the strike zone.”

Mr. Dodd and other Democrats were hoping to move legislation this week that would help homeowners facing foreclosure.

Still, elements of the Paulson plan — including a proposal to expand the authority of the Federal Reserve to examine investment banks and other financial institutions that have previously roamed free of federal oversight — clearly speak to the recent tumult on Wall Street that has hurt the economy. And President Bush, through his spokeswoman, urged Congress to quickly approve the proposed changes.

“Secretary Paulson has been working on this package for about a year, so it’s not like pulling a rabbit out of a hat,” Dana Perino, the White House press secretary, told reporters on Air Force One on Monday.

The administration’s proposal will do almost nothing to regulate the alphabet soup of sophisticated financial products that have fueled the financial crisis. And it will not rein in practices that have been linked to the mortgage crisis, like packaging risky loans into securities carrying the highest ratings.

Hedge funds and private equity firms, which have enjoyed freedom from government oversight for years, would finally fall under federal watch. But that oversight would be minimal, enabling the government to do little beyond collecting information until a widescale crisis has already occurred.

The checks and balances in the plan reflect the mindset of Mr. Paulson, the plan’s architect, who came to Washington after a long career on Wall Street, including a stint as chief executive of Goldman Sachs.

Mr. Paulson has worried that any effort to substantially tighten regulation could hamper the ability of American markets to compete with foreign rivals — and, in fact, the proposal stemmed from a series of policy discussions that began well before the current tumult that has rocked the nation’s economic underpinnings.

The plan began last year as an effort by Mr. Paulson to streamline the different and sometimes clashing rules for commercial banks, savings and loans and nonbank mortgage lenders.

“This blueprint addresses complex, long-term issues that should not be decided in the midst of stressful situations,” Mr. Paulson said in his remarks on Monday. “These long-term ideas require thoughtful discussion and will not be resolved this month or even this year.”

Mr. Paulson also deflected blame for the current tumult away from the Bush administration. “I do not believe it is fair or accurate to blame our regulatory structure for the current turmoil,” he said.

Under the plan, the Fed would have some authority over Wall Street firms, but only when an investment bank’s practices threatened the financial system as a whole. The Fed would be able to examine internal bookkeeping of brokerage firms, hedge funds, commodity-trading exchanges and any other institution that might pose a risk to the overall financial system.

The plan would also merge the Securities and Exchange Commission with the Commodity Futures Trading Commission, which regulates exchange-traded futures for oil, grains, currencies and the like. And the blueprint suggests several areas where the S.E.C. should take a lighter approach to its oversight, including allowing stock exchanges greater leeway to regulate themselves.

Some agencies within Washington’s patchwork system of financial regulation would be consolidated. One new agency, which the Treasury calls a “prudential financial regulator,” would focus on the safety of financial institutions that have explicit government guarantees. The other watchdog would oversee business conduct to protect public investors and customers of financial firms.

Congress would have to approve almost every element of the proposal, and Democratic leaders are already drafting their own bills to impose tougher supervision over Wall Street investment banks, hedge funds and the fast-growing market in derivatives like credit default swaps.

Administration officials acknowledged last week that they did not expect the proposal to become law this year, but said they hoped it would help frame a policy debate that would extend well after the elections in November.

26/03/2008 - 13:15h China’s new intelligentsia

Despite the global interest in the rise of China, no one is paying much attention to its ideas and who produces them. Yet China has a surprisingly lively intellectual class whose ideas may prove a serious challenge to western liberal hegemony

Mark Leonard

Mark Leonard is the executive director of the European Council on Foreign Relations. His book What Does China Think? has just been published by 4th Estate

I will never forget my first visit, in 2003, to the Chinese Academy of Social Sciences (CASS) in Beijing. I was welcomed by Wang Luolin, the academy’s vice-president, whose grandfather had translated Marx’s Das Kapital into Chinese, and Huang Ping, a former Red Guard. Sitting in oversized armchairs, we sipped ceremonial tea and introduced ourselves. Wang Luolin nodded politely and smiled, then told me that his academy had 50 research centres covering 260 disciplines with 4,000 full-time researchers.

As he said this, I could feel myself shrink into the seams of my vast chair: Britain’s entire think tank community is numbered in the hundreds, Europe’s in the low thousands; even the think-tank heaven of the US cannot have more than 10,000. But here in China, a single institution—and there are another dozen or so think tanks in Beijing alone—had 4,000 researchers. Admittedly, the people at CASS think that many of the researchers are not up to scratch, but the raw figures were enough.

(mais…)

24/03/2008 - 22:28h Taming the Beast

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By PAUL KRUGMAN – The New York Times

We’re now in the midst of an epic financial crisis, which ought to be at the center of the election debate. But it isn’t.

Now, I don’t expect presidential campaigns to have all the answers to our current crisis — even financial experts are scrambling to keep up with events. But I do think we’re entitled to more answers, and in particular a clearer commitment to financial reform, than we’re getting so far.

In truth, I don’t expect much from John McCain, who has both admitted not knowing much about economics and denied having ever said that. Anyway, lately he’s been busy demonstrating that he doesn’t know much about the Middle East, either.

Yet the McCain campaign’s silence on the financial crisis has disappointed even my low expectations.

And when Mr. McCain’s economic advisers do speak up about the economy’s problems, they don’t inspire confidence. For example, last week one McCain economic adviser — Kevin Hassett, the co-author of “Dow 36,000” — insisted that everything would have been fine if state and local governments hadn’t tried to limit urban sprawl. Honest.

On the Democratic side, it’s somewhat disappointing that Barack Obama, whose campaign has understandably made a point of contrasting his early opposition to the Iraq war with Hillary Clinton’s initial support, has tried to score a twofer by suggesting that the war, in addition to all its other costs, is responsible for our economic troubles.

The war is indeed a grotesque waste of resources, which will place huge long-run burdens on the American public. But it’s just wrong to blame the war for our current economic mess: in the short run, wartime spending actually stimulates the economy. Remember, the lowest unemployment rate America has experienced over the last half-century came at the height of the Vietnam War.

Hillary Clinton has not, as far as I can tell, made any comparably problematic economic claims. But she, like Mr. Obama, has been disappointingly quiet about the key issue: the need to reform our out-of-control financial system.

Let me explain.

America came out of the Great Depression with a pretty effective financial safety net, based on a fundamental quid pro quo: the government stood ready to rescue banks if they got in trouble, but only on the condition that those banks accept regulation of the risks they were allowed to take.

Over time, however, many of the roles traditionally filled by regulated banks were taken over by unregulated institutions — the “shadow banking system,” which relied on complex financial arrangements to bypass those safety regulations.

Now, the shadow banking system is facing the 21st-century equivalent of the wave of bank runs that swept America in the early 1930s. And the government is rushing in to help, with hundreds of billions from the Federal Reserve, and hundreds of billions more from government-sponsored institutions like Fannie Mae, Freddie Mac and the Federal Home Loan Banks.

Given the risks to the economy if the financial system melts down, this rescue mission is justified. But you don’t have to be an economic radical, or even a vocal reformer like Representative Barney Frank, the chairman of the House Financial Services Committee, to see that what’s happening now is the quid without the quo.

Last week Robert Rubin, the former Treasury secretary, declared that Mr. Frank is right about the need for expanded regulation. Mr. Rubin put it clearly: If Wall Street companies can count on being rescued like banks, then they need to be regulated like banks.

But will that logic prevail politically?

Not if Mr. McCain makes it to the White House. His chief economic adviser is former Senator Phil Gramm, a fervent advocate of financial deregulation. In fact, I’d argue that aside from Alan Greenspan, nobody did as much as Mr. Gramm to make this crisis possible.

Both Democrats, by contrast, are running more or less populist campaigns. But at least so far, neither Democrat has made a clear commitment to financial reform.

Is that simply an omission? Or is it an ominous omen? Recent history offers reason to worry.

In retrospect, it’s clear that the Clinton administration went along too easily with moves to deregulate the financial industry. And it’s hard to avoid the suspicion that big contributions from Wall Street helped grease the rails.

Last year, there was no question at all about the way Wall Street’s financial contributions to the new Democratic majority in Congress helped preserve, at least for now, the tax loophole that lets hedge fund managers pay a lower tax rate than their secretaries.

Now, the securities and investment industry is pouring money into both Mr. Obama’s and Mrs. Clinton’s coffers. And these donors surely believe that they’re buying something in return.

Let’s hope they’re wrong.

18/03/2008 - 09:19h NAS PALAVRAS DELES: ENTENDA PORQUE NINGUÉM CONFIA EM NINGUÉM EM WALL STREET

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Blog de Azanha

Atualizado em 17 de março de 2008 às 19:07 | Publicado em 17 de março de 2008 às 18:48

Reproduzo, abaixo, o press release oficial da Bear Stearns, uma das empresas mais tradicionais de Wall Street, quando trocou de presidente, no dia 8 de janeiro deste ano. Quem escreveu foi algum assessor ou assessora de imprensa, daí o tom hagiográfico sobre os executivos. Destaco alguns trechos para demonstrar claramente porque ninguém acredita em ninguém no mercado financeiro:

New York, New York • January 8, 2008 A Bear Stearns Companhias Inc. (NYSE:BSC) anunciou hoje que James E. Cayne informou à board de diretores seu desejo de deixar o posto de chief executive officer imediatamente. Embora o sr. Cayne vá se aposentar da firma, continuará como presidente do board de diretores e será sucedido no cargo de chief executive officer pelo presidente da Bear Stearns, Alan D. Schwartz.;

‘Jimmy tem muito do que se orgulhar – sob a liderança dele a Bear Stearns cresceu substancialmente nos últimos 15 anos, com o faturamente subindo para U$ 7 bilhões de U$ 2 bilhões e o número de empregados mais do que dobrando para 14 mil’, disse Vincent Tese, o principal diretor independente da Bear Stearns. ‘Foi uma decisão dele e estamos muito felizes que ele concordou em se manter ativamente envolvido com o negócio como presidente do board’.;

‘O reservatório de talento da companhia é particularmente profundo e o board é afortunado de tem alguém do calibre e experiência do Alan para assumir e liderar a empresa’, Tese acrescentou. ‘Alan passou mais de 30 anos na Bear Stearns; ele entende profundamente nosso negócio e nossa cultura e é um líder forte e um gerente que é admirado e respeitado em toda a organização’.

Mr. Cayne, que serviu como CEO da Bear Stearns desde 1993 e como presidente e CEO desde 2001, comentou, ‘estou grato que o board tem confiança em mim mas acredito que é a hora certa de implementar nosso plano de sucessão. Estamos começando um novo ano e estamos em um ponto decisivo no desenvolvimento de nosso negócio em um momento de mudanças rápidas em Wall Street’, ele disse. ‘Liderar a Bear Stearns e seus maravilhosos talentos tem sido um dos grandes prazeres de minha vida por quase 15 anos. Essas são pessoas que sabem como criar valor, que sabem como servir aos clientes bem e que estou certo vão continuar fazendo isso por muitos anos no futuro’.

‘Alan é um bom amigo e um dos executivos mais capazes de Wall Street. Ele é uma grande escolha para liderar a companhia nessa nova era e estou feliz de poder ajudá-lo’, Cayne acrescentou. ‘Tenho grande confiança nele e nessa suave transição. Estou satisfeito com minha nova posição, na qual sinto que pode usar o meu conhecimento institucional da Bear Stearns e de Wall Street para obter vantagem máxima para a firma nos próximos anos’.

‘Estou honrado de ter a oportunidade de liderar uma das grandes marcas de Wall Street’, disse Alan D. Schwartz, presidente da Bear Stearns. ‘Bear Stearns tem um futuro brilhante. Nossa empresa é sólida como uma rocha graças à liderança de Jimmy; investidores, clientes e empregados não devem esperar por mudanças abruptas no período adiante. Nós temos um posição forte de capital, uma cultura corporativa única e grande talento em toda a organização. Embora o ambiente de operação no mercado tenha sido difícil, tivemos um bom começo em 2008. Continuamos entusiasmados com nossos negócios em equity, banking e fixed income, nossas iniciativas de expansão internacional e o desenvolvimento de nossas plataformas de energia e gerenciamento de riqueza.’

Alan D. Schwartz entrou na Bear Stearns em 1976. Ele se tornou vice-presidente executivo e chefe da Divisão de Investimento Bancário em 1985. O senhor Schwartz foi nomeado presidente e co-chief operanting officer em junho de 2001 e presidente em agosto de 2007. ‘Jimmy Cayne é uma legenda de Wall Street. Aprendi muito com ele nos 30 anos em que somos amigos e parceiros aqui na Bear Stearns e estou feliz que vamos continuar a trabalhar juntos’, ele disse.

Você então me diz: pô Azenha, mas eles foram pegos de surpresa. Surpresa? Olhem o gráfico com o valor das ações da empresa nos últimos 12 meses:

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Em maio de 2007 a ação da Bear Stearns custava 150 dólares. Quando houve a troca de presidente, em janeiro deste ano, estava em 90 dólares. Ora, em vez de fingir que estavam no paraíso os dirigentes do banco poderiam ter dito a verdade aos seus próprios funcionários. Alguma coisa do gênero ‘temos desafios pela frente’.

Em vez disso, tentaram tapar o sol com a peneira.

Nas últimas semanas, Alan Schwartz continuava dizendo que estava tudo bem. Olha aí quanto ele ganhou no ano fiscal de 2007: 35 milhões de dólares, ou seja, mais ou menos 3 milhões de dólares por mês.

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Ele pode ter perdido dinheiro em ações. Mas com certeza, ao negociar a transferência do controle para o JPMorgan, manteve algum cargo ou no mínimo se arranjou uma belíssima aposentadoria.

Quantos funcionários da Bear Stearns serão demitidos? Ninguém sabe, ainda. Com certeza, milhares.

Culpa de quem? Nessa hora ninguém tem responsabilidade pelas decisões que tomou. A culpa “é do mercado”.

17/03/2008 - 16:04h O impensável esta virando o inevitável

The B Word

By PAUL KRUGMAN – The New York Times

Published: March 17, 2008

criseusa.jpgO.K., here it comes: The unthinkable is about to become the inevitable.

Last week, Robert Rubin, the former Treasury secretary, and John Lipsky, a top official at the International Monetary Fund, both suggested that public funds might be needed to rescue the U.S. financial system. Mr. Lipsky insisted that he wasn’t talking about a bailout. But he was.

It’s true that Henry Paulson, the current Treasury secretary, still says that any proposal to use taxpayers’ money to help resolve the crisis is a “non-starter.” But that’s about as credible as all of his previous pronouncements on the financial situation.

So here’s the question we really should be asking: When the feds do bail out the financial system, what will they do to ensure that they aren’t also bailing out the people who got us into this mess?

Let’s talk about why a bailout is inevitable.

(mais…)

17/09/2007 - 22:35h Spain seeks to calm markets after sell-off

By Leslie Crawford in Madrid

Financial Times

Pedro Solbes, the Spanish finance minister, and the Bank of Spain, the central bank, moved to calm financial markets on Monday, saying no Spanish banks had sought emergency financing from the European Central Bank.

Spanish bank shares fell sharply on fears that an international credit squeeze might damage the lending activities and profitability of financial groups.

The share sell-off followed a British press report quoting Adam Applegarth, chief executive of Northern Rock, the beleaguered UK mortgage lender, as saying that three Spanish banks had sought ECB help last week.

Mr Solbes ruled out the possibility that any Spanish financial group might be affected in coming days by liquidity problems such as those experienced by Northern Rock. “There are no parallels between what has happened in the UK and the situation here,” he said on Spanish radio.

The Bank of Spain said in a statement: “No Spanish institution has used any emergency financing facility. Spanish institutions, in common with other European banks, continue to use the ECB’s routine liquidity facilities. This does not mean that they are experiencing any difficulty.”

Spain’s 10-year property boom has transformed Spanish banks into some of the biggest issuers of mortgage-backed bonds in Europe. An almost insatiable demand for credit in Spain has also made banks big borrowers in European capital markets.

As a result of the current turmoil in financial markets, Spanish banks may find it more difficult to fund themselves abroad. It will certainly be more expensive.

Last week, Banco Popular cancelled the placement of €2bn ($2.8bn, £1.39bn) worth of mortgage-backed securities. Ahorro Titulización, an investment vehicle that belongs to a group of Spanish savings banks, also cancelled a securitisation issue.

Spanish bank regulators on Monday insisted that the financial system was solid, with well-capitalised, profitable banks, low rates of loan defaults and high levels of provisions against bad debt.

Bankinter, a medium-sized bank, was the hardest hit in the share sell-off, falling 5.9 per cent on Monday. Banco Popular fell 2.9 per cent, with the largest banks, Santander and BBVA, shedding 1.6 per cent and 1.9 per cent respectively.

“I don’t know why our share price is being hammered,” Jacobo Diez, chief financial officer of Bankinter, told the Financial Times. “Our funding needs are fully covered for 2007. We have no problems with liquidity. I think the stock markets are being moved by uncertainty and fear.”

At Banco Popular, Roberto Higuera, chief financial of-ficer, said: “This is not a liquidity crisis. It is a crisis of confidence. No one knows who is holding subprime risk. The only thing I can tell you is that it is not in Spain.”

17/09/2007 - 15:15h Banks remain under fire in London

By Michael Hunter and Robert Orr

Financial Times

The FTSE 100 fell sharply on Monday as the fall-out from the rescue of Northern Rock continued to hit the markets.

Other lenders also suffered from the growing crisis of confidence, fuelled by comments from Alan Greenspan, former chairman of the Federal Reserve, that US house prices were likely to fall “significantly”.

Mr Greenspan’s thoughts, made in an interview with the Financial Times, raised the prospect of further contagion from bad debt within the US housing sector spreading around the globe via complex investment instruments based on American mortgage debt.

In London, Northern Rock lost a further 40 per cent of its value as savers scrambled to withdraw deposits from the bank, with an estimated £2bn withdrawn in just three days.

The Newcastle-based lender’s shares fell by a similar amount on Friday following the shock news that it needed to be bailed out by the Bank of England due to a drying up of liquidity in the capital markets.

Alistair Darling, chancellor of the exchequer, said he stood by the Bank of England’s decision to bail out Northern Rock. In an interview on BBC Radio Four’s Today programme he said the troubled lender could draw from the central bank ”as needed”.

Despite the continuation of talks over a rescue takeover, Northern Rock slumped 40 per cent to a new low of 267p. The shares were worth more than £12 only a few months ago.

With the rest of the banking sector also down sharply, the FTSE 100 fell 101.4 points, or 1.6 per cent, to 6,189.5.

Alliance & Leicester slumped 18.3 per cent to 713p, Bradford & Bingley fell 11.8 per cent to 291p and HBOS, the UK’s biggest mortgage lender, dropped 4.2 per cent to 821½p.

The prospect of more stringent mortgage lending also hampered the house building sector. Barratt Developments fell 7.2 per cent to 769½p, Persimmon lost 5.9 per cent to 956p and Taylor Wimpey was 2.8 per cent weaker at 304.3p.

Pub operator Mitchells & Butler fell 4.7 per cent to 590p after it said hedging costs ahead of an abortive attempt to create a property holding joint venture, mothballed due to the turbulence on world credit markets, would appear as a £140m special item on its annual accounts.

Of the risers, Sage, the information technology company, gained 2.7 per cent to 249¾p after a push from Deutsche Bank.

02/09/2007 - 20:00h Can the Mortgage Crisis Swallow a Town?

David Maxwell for The New York Times

Charles and Tammi Eggleston, with their daughters, Shelby and Sydney, have been trying to sell their home in Maple Heights, Ohio, since May 2006. Nearby houses sit vacant.

Published: September 2, 2007 The New York Times

Maple Heights, Ohio

TAMMI and Charles Eggleston never took out a risky mortgage, never borrowed more than they could afford and never missed a monthly payment on their neat, three-bedroom colonial in the Cleveland suburbs. But that hasn’t prevented them from getting caught in the undertow of the subprime mortgage mess now submerging this town.

Over the last 18 months, the Egglestons have watched one house after another on their street, Gardenview Drive, end up foreclosed and vacant. Although lawns are still tidy and empty homes are not boarded up and stripped as they are in inner-city Cleveland, the Egglestons say Maple Heights no longer feels safe after dark. Nor do they have the confidence they had when they moved in a decade ago that this is the ideal place to raise their 6-year-old twin girls, Sydney and Shelby. So, in May 2006, they put their home on the market in order to move closer to Mrs. Eggleston’s parents in another middle-class Cleveland suburb, Richmond Heights.

They have had no takers. Although they lowered the asking price to $99,000 from $109,000, no one has even come to look at it in more than six weeks. “My heart panics every time I drive down the street and I see another for-sale sign,” says Mrs. Eggleston, pointing past the placards in front of her porch to others that dot surrounding yards like lawn furniture. “Some people on the street couldn’t pay, so they just left. The competition to sell is just ridiculous.”

It is a scene being repeated in cities and towns across America as loans that were made to borrowers with little or no credit history, many of whom could not even afford a down payment, fail in ever-growing numbers. It is also a story of how local economic trends are intersecting with national politics, with local foreclosures drawing the attention of Democratic presidential candidates, including John Edwards and Representative Dennis J. Kucinich of Ohio.

On the Republican side, President Bush announced on Friday several steps aimed at alleviating the impact of the subprime crisis on homeowners. In a Rose Garden appearance, he ruled out a federal bailout, citing both “excesses in the lending industry” and unduly optimistic homeowners who took out “loans larger than they could afford,” as reasons for the mortgage woes.

Indeed, what was once a problem confined mostly to economically struggling areas is quickly becoming a national phenomenon. Last year, there were 1.2 million foreclosure filings in the United States, up 42 percent from 2005, according to RealtyTrac, a firm that analyzes such data. At current rates so far this year, RealtyTrac expects foreclosure filings to hit two million in 2007, or roughly one per 62 American households — a rate approaching heights not seen since the Great Depression.

Analysts also say that the fallout from mortgages gone bad is spreading well beyond borrowers now in default. It has begun to engulf middle-class communities like Maple Heights, where nearly 10 percent of the houses — or 910 properties — have been seized by banks in the last two years. And it foreshadows what could lie in store if mortgage holders default on what the Federal Reserve conservatively estimates to be $100 billion in risky subprime loans. Many of these loans were made in 2005 and early 2006, when standards were at their most lax and cities like this were blanketed with aggressive pitches from mortgage providers.

“I don’t think we’ve hit bottom,” says Michael G. Ciaravino, the mayor of Maple Heights. “My fear is that foreclosure rates could go to double where they are today.”

IN terms of the subprime mortgage meltdown, Ohio has been among the hardest-hit states, according to the Mortgage Bankers Association. In Cuyahoga County, which includes Cleveland and surrounding suburbs, roughly 30 percent of subprime mortgages are either delinquent or in foreclosure, says Jim Rokakis, the county treasurer.

But this leafy community of bungalows and small family homes built after World War II could be described as its epicenter. Already, Maple Heights, with a population of 27,000, ranks No. 1 in Cuyahoga County in foreclosures per capita, according to Policy Matters Ohio, a nonprofit research group. Ranked by ZIP code, the number of foreclosures here puts Maple Heights in the top one-half of 1 percent nationally, RealtyTrac says.

Mayor Ciaravino has already had to shut his town’s two swimming pools, cut the ranks of police officers and firefighters and eliminate services like free plowing for senior citizens with snow-covered driveways. More…